ETHICAL HACKER
E CYBERWAR
(COMUNICAÇÃO
DE DADOS)
Ethical hackers
Juliane Adelia Soares
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
> Identificar os conhecimentos necessários a um ethical hacker.
> Caracterizar um pentest e seus tipos.
> Discutir as fases do pentest.
Introdução
Com o mundo amplamente interconectado, as redes e os elementos computacionais
se tornaram essenciais para a comunicação e a automatização de processos, servi-
ços e armazenamento de dados. Eles são utilizados em diversas áreas, como saúde,
educação, indústrias e uso pessoal. As informações trafegam pelo ciberespaço o
tempo todo, estando cada vez mais expostas a inúmeras ameaças, principalmente
porque o avanço tecnológico também traz benefícios aos cibercriminosos, que o
utilizam para inovar em seus ataques.
Em razão disso, mecanismos de cibersegurança são de extrema importância
para proteger informações e dispositivos computacionais, mitigando ameaças que
podem ocasionar roubos e destruição de dados confidenciais, além de indispo-
nibilidade de serviços. Para comprovar a eficiência das proteções implantadas,
existem profissionais especialistas em testá-las. Eles são chamados de ethical
hackers, que em português significa hackers éticos.
Neste capítulo, você vai identificar os conhecimentos que um ethical hacker
deve ter para desenvolver suas funções e detectar as vulnerabilidades nas redes.
Além disso, vai ver o que é um teste de penetração e suas características, tipos
e fases.
2 Ethical hackers
O que são ethical hackers?
Os ethical hackers são profissionais muito requisitados no contexto digital
atual, principalmente porque os ataques cibernéticos estão em constante
ascensão. Ataque cibernético é qualquer tentativa de acesso não autorizado
a computadores, sistemas ou redes computacionais, com o intuito de causar
danos como alteração, bloqueio, exclusão, manipulação ou roubo de informa-
ções confidenciais ou desestabilização, interrupção, destruição ou controle
de sistemas. Qualquer uma dessas ações fere os princípios da segurança
da informação: confidencialidade (os dados devem ser acessados somente
por pessoas autorizadas), integridade (os dados devem chegar ao destino
mantendo suas características originais) e disponibilidade (as informações
e os serviços devem estar disponíveis a qualquer momento).
Esses ataques são realizados por interesses diversos, como para benefício
financeiro ou espionagem industrial, e podem ser lançados de qualquer local
e por qualquer indivíduo. De acordo com Messier (2019), milhões de novos
malwares são criados por ano, aproveitando-se da descoberta de novas
vulnerabilidades. Em todos os anos a partir de 2005, foram no mínimo 10
milhões de registros de dados comprometidos. Em 2017, foram em torno de 200
milhões de registros comprometidos, isso considerando apenas informações
pertencentes a pessoas individuais nos Estados Unidos.
Os indivíduos que cometem esses crimes cibernéticos são chamados de
cibercriminosos ou hackers. Entretanto, o termo hacker pode remeter a duas
coisas distintas, de acordo com Grant (2019):
1. pessoa que realiza ajustes em softwares e sistemas computacionais
para entender seu funcionamento e encontrar formas de melhorar o
funcionamento de uma rede ou sistema;
2. pessoa que invade redes e sistemas para fins maliciosos, com o objetivo
de roubar, excluir ou modificar dados confidenciais, podendo levar a
grandes perdas para organizações ou indivíduos.
Considerando sua intenção, os hackers são classificados em três catego-
rias; veja a seguir (GRANT, 2019).
1. White hat hackers (hackers de chapéu branco): esse tipo de hacker não
tem como objetivo prejudicar o sistema, mas sim identificar as fraque-
zas existentes em qualquer sistema de rede ou computador, por meio
de diferentes avaliações de vulnerabilidades e testes de penetração.
Ethical hackers 3
2. Black hat hackers (hackers de chapéu preto): esse tipo de hacker é o
que efetua as ações com intenções maliciosas, ou seja, o hacker de
chapéu preto realiza ataques ilegais.
3. Grey hat hackers (hackers de chapéu cinza): essa categoria é uma
mistura das duas anteriores. Nesse caso, eles invadem uma rede sem
autorização, mas sem intenção maliciosa, apenas para diversão, po-
dendo utilizar a vulnerabilidade descoberta para obter valorização
ou benefício financeiro.
Neste capítulo, estudaremos o white hat hacker, que também é chamado
de ethical hacker (hacker ético).
Em razão do aumento de ataques maliciosos e da grande variedade de
ameaças existentes, há uma necessidade de melhorar as estruturas de se-
gurança de organizações e governos. A melhor forma de se proteger contra
os ataques é compreender como eles funcionam, realizando “ataques con-
trolados” contra suas próprias infraestruturas. É para isso que um ethical
hacker é contratado.
Os ethical hackers, que também podem ser chamados de pentesters,
são responsáveis por avaliar a segurança de computadores, redes e sites
procurando e explorando vulnerabilidades que podem ser exploradas por
hackers mal intencionados. Esse processo executado pelos hackers éticos é
conhecido como teste de penetração ou pentest.
Os pentests avaliam a segurança a partir da perspectiva de um adversário,
agindo realmente como um atacante, de modo a tentar não ser detectado. Essa
é a única maneira de descobrir as vulnerabilidades exploráveis e entender
quais são os seus riscos. Uma varredura de vulnerabilidades por meio de um
aplicativo, por exemplo, não consegue detectar nem as falhas de segurança
exploráveis e visíveis na superfície do sistema. Assim, esse tipo de teste de
segurança permite aos pentesters imitar um hacker malicioso, atravessando
camadas complexas de sistemas para detectar fraquezas abaixo da superfície.
Ultrapassando a camada inicial do sistema, é possível avaliar a segurança e
identificar até onde um invasor consegue entrar em seu sistema. Também é
possível verificar se existe a possibilidade de acesso e comprometimento a
outros sistemas ou redes (WYLIE; CRAWLEY, 2021).
Wylie e Crawley (2021) declaram que os pentesters usam táticas, técnicas
e procedimentos (TTPs) semelhantes ou até iguais às usadas por criminosos
cibernéticos. Isso significa que eles devem pensar como um invasor, sendo
este um dos aspectos mais desafiadores desse tipo de atividade. Pentests são
realizados em computadores e dispositivos de rede, porém, como os humanos
4 Ethical hackers
costumam ser enganados para conduzir ataques cibernéticos (engenharia
social), é importante testá-los também.
Grant (2019) garante que um hacker ético deve seguir alguns mandamentos
para que não ocorram consequências negativas:
trabalhar com ética, garantindo que as etapas executadas estejam
de acordo com os objetivos da organização que está sendo testada;
nunca utilizar indevidamente as informações encontradas no sistema;
respeitar a privacidade, ou seja, todos os dados acessados devem ser
mantidos em sigilo e não podem ser utilizados para acessar informa-
ções confidenciais;
conhecer os sistemas testados, ou seja, deve-se conhecer o que os
sistemas e as redes testadas suportam, de modo a não causar um
ataque de negação de serviço (DoS, do inglês denial of service).
Além disso, hackers éticos devem ter alguns conhecimentos específicos
para efetuar os testes de forma eficiente. Veja a seguir, conforme Grant (2019),
as principais habilidades necessárias.
Informática: é de extrema importância que um hacker compreenda as funções
básicas de um computador, aprenda a usar linhas de comando nos sistemas
operacionais e entenda como se realiza a edição de registros e a definição de
parâmetros de redes. O hacker deve ter capacidade de acessar e manipular
sistemas a partir da linha de comando. Por exemplo, firewalls podem ser
desativados apenas utilizando linhas de comando, caso o hacker tenha as
permissões de segurança necessárias. Esses conhecimentos são essenciais
porque, se for cometido um erro na linha de comando, o sistema pode se
tornar ainda mais vulnerável.
Redes: é indispensável entender como funciona uma rede e toda a sua es-
trutura, principalmente porque elas interconectam diferentes dispositivos e
aplicações, sendo um grande vetor de ameaça. É necessário ter conhecimentos
que incluem DNS (Domain Name System, ou Sistema de Nomes de Domínio), NAT
(Network Address Translation, ou Tradução de Endereços de Rede), subredes,
DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol, ou Protocolo de Configuração
Dinâmica de Host), IPv4 (Internet Protocol version 4, ou Protocolo de Internet
versão 4), IPv6 (Internet Protocol version 6, ou Protocolo de Internet versão
6), roteadores e switches.
Sistemas operacionais: geralmente, os hackers utilizam o Linux como sistema
operacional, principalmente porque a maioria das ferramentas desenvol-
Ethical hackers 5
vidas para hackers são projetadas nesse sistema. Porém, eles devem ter
conhecimento aprofundado do Windows também. Afinal, o Windows é um
dos sistemas operacionais mais utilizados, principalmente em desktops e
servidores de pequenas e grandes empresas, pois pode formar um ambiente
muito complexo.
Wireshark: uma ferramenta de código aberto que analisa pacotes. São uti-
lizados para solucionar problemas de rede, analisar software e protocolos
de comunicação e criar protocolos com facilidade para o sistema que está
sendo invadido.
Virtualização: com o uso da virtualização, é possível criar uma versão virtual
de servidores, dispositivos de armazenamento, sistemas operacionais ou
recursos de rede. Dessa forma, é possível que o hacker primeiramente teste
o ataque no ambiente virtual antes de ativá-lo de fato. Assim, ele vai poder
verificar caso um erro tenha sido cometido, revisando o ataque. Dessa forma,
é possível ter uma perspectiva dos danos que o ataque pode causar aos
softwares enquanto eles se protegem.
Segurança: é de extrema importância que um hacker conheça os diferentes
conceitos de segurança e as atualizações que ocorrem, acompanhando os
avanços tecnológicos. Ter um forte controle de segurança torna possível
controlar as diferentes barreiras que são estabelecidas pelos administrado-
res de segurança no sistema invadido. São algumas habilidades essenciais:
SSL (Secure Sockets Layer, ou Camada de Soquete Seguro), PKI (Public Key
Infrastructure, ou Infraestrutura de Chave Pública), firewalls, IDS (Intrusion
Detection System, ou Sistema de Detecção de Intrusão), entre outras.
Tecnologia sem fio: em dispositivos sem fio, as informações são transmitidas
por meio de ondas invisíveis. Dessa forma, é fundamental que o hacker en-
tenda o funcionamento desses equipamentos e os algoritmos de criptografia:
WPA2 (Wi-Fi Protected Access II, ou Acesso Protegido por Wi-Fi II), WEP (Wired
Equivalent Privacy, ou Privacidade Equivalente com Fio), WPS (Wi-Fi Protected
Setup, ou Configuração de Wi-Fi Protegido) e handshake de quatro vias. Além
disso, ele deve entender conexões de protocolo, autenticação e restrições
que envolvem dispositivos sem fio.
Scripting: um hacker deve ter a habilidade de escrever seus próprios scripts
para ataque. Scripts podem ser muito poderosos para administrar e testar
redes com base em sistemas Windows. Erros de configuração do sistema
(rede, sistema operacional, software) são um grande vetor de ameaça que
pode ser explorado por hacker mal-intencionado.
6 Ethical hackers
Base de dados: bancos de dados armazenam dados de forma estruturada em
um servidor, que pode ser acessado de diferentes maneiras. Caso um hacker
queira invadir o banco de dados de um sistema, ele precisa conhecer dife-
rentes bancos e entender seu funcionamento. Geralmente, bancos de dados
fazem uso de SQL (Structured Query Language, ou Linguagem de Consulta
Estruturada) para recuperar informações quando necessário. Portanto, os
hackers devem ter esse conhecimento para efetuar um ataque bem-sucedido.
Aplicativos da web: por meio dos aplicativos da web, é possível acessar a
internet com navegadores. Os aplicativos são um dos principais alvos dos
hackers. Assim, é importante entender seu funcionamento e o dos bancos
de dados que apoiam esses aplicativos.
Não é necessário saber tudo sobre todas as tecnologias para ser um
pentester. No entanto, é essencial entender a tecnologia e a segurança, além
de ter um conhecimento profundo do alvo. Só assim será possível ter sucesso
ao penetrá-lo. Na próxima seção, vamos estudar o pentest e seus tipos.
Tipos de pentest
Como já visto, o pentest é uma tentativa legal e autorizada de localização e ex-
ploração de sistemas de computador, com o intuito de melhorar sua segurança.
O pentest inclui processos de investigação de vulnerabilidades e fornecimento
de ataques de prova de conceito, de modo a demonstrar que as fraquezas são
reais. Um pentest deve finalizar com recomendações específicas para que os
problemas detectados durante o teste sejam abordados e corrigidos. Assim,
o principal objetivo desses testes é a descoberta de problemas de segurança,
utilizando as mesmas ferramentas e técnicas de um cibercriminoso. Isso auxilia
na proteção de computadores e redes por meio da mitigação das vulnerabilida-
des encontradas antes da ocorrência de um ataque real (ENGEBRETSON, 2013).
Isso é possível graças a um conjunto de testes metodológicos que podem
ser aplicados em redes de computadores, sistemas operacionais, sites, redes
sem fio, bancos de dados, aplicativos e programas. Um pentest determina
falhas e vulnerabilidades que são informadas em um relatório ao final. No
entanto, testes de penetração também podem ser executados por criminosos
cibernéticos, obtendo acesso a informações confidenciais. Isso pode levar
ao comprometimento da integridade de dados digitais contida no alvo do
ataque (MORENO, 2019).
Mohit (2015) define os diversos pontos que caracterizam o pentest:
Ethical hackers 7
identificação de ameaças que podem expor a confidencialidade de
uma organização;
avaliação completa e detalhada da segurança da organização que
está sendo testada;
avaliação de eficiência de rede por meio da produção de grande quan-
tidade de tráfego, examinando a segurança de dispositivos de firewall,
roteadores e switches;
detecção de vulnerabilidades ocasionadas pela alteração ou atua-
lização da infraestrutura de software, hardware ou design de rede;
exercício proativo que minimiza a chance de ocorrência de exploração
maliciosa diante do aumento significativo de ameaças potenciais;
o pentest verifica e garante que as políticas de segurança adequadas
estão sendo seguidas na organização.
Existem diversos tipos de pentest que podem ser usados em redes sem
fio, web, aplicativos móveis, etc. Esses tipos diferem entre si dependendo de
sua abordagem e das fraquezas que pretendem explorar. Eles são divididos
em três categorias (Figura 1).
Figura 1. Tipos de pentest.
Vamos estudar esses três tipos de pentest a seguir, de acordo com Moreno
(2019).
8 Ethical hackers
Blackbox
No blackbox, que também pode ser chamado de teste da caixa preta ou
teste cego, o ethical hacker acessa a infraestrutura de rede sem ter qualquer
conhecimento do funcionamento da rede. Ele não sabe quais são as máqui-
nas, qual é o mapeamento da infraestrutura nem quais são os servidores
e processos que estão rodando. Esse tipo de pentest simula um ataque de
invasão externo, considerando que a maioria dos cibercriminosos vem de
fora da rede sem ter conhecimento real sobre sua infraestrutura. O blackbox
pode ser categorizado da seguinte forma.
Blind: quando o testador não tem qualquer informação da rede que
será testada, mas o alvo sabe o que será atacado, quais serão os testes
e quais metodologias serão executadas.
Double blind: o testador não tem as informações da rede a ser testada e o
alvo também não tem conhecimento sobre a ocorrência do ataque de teste.
Esse tipo de teste pode ser um jogo de tentativa e erro, em que o hacker
executa scripts automatizados para procurar por falhas e vulnerabilidades
e enumera as redes que encontram tais falhas, invadindo aquela que se
apresentar como falha e que está mal configurada. Um exemplo de cenário
de blackbox é quando um script encontra um site na internet que sofre de
bugs conhecidos e, utilizando programas especiais, consegue acesso ao
painel de administração do site.
Whitebox
No whitebox, que também pode ser chamado de teste de caixa branca ou teste
não cego, o pentester tem todas as informações referentes à infraestrutura
da rede que será testada, incluindo endereços de IP usados, diagrama e
mapeamento da rede, firewalls, código-fonte de aplicações, entre outros.
Esse tipo de teste pode ser categorizado da seguinte forma.
Tandem: quando o hacker ético conhece toda a infraestrutura da rede
a ser testada e a rede alvo sabe que será testada e quais serão os
procedimentos realizados.
Reversal: o testador conhece toda a infraestrutura que será colocada
à prova, porém o alvo não tem conhecimento algum sobre os ataques
testes que vão ocorrer.
Ethical hackers 9
Com o teste whitebox, é possível elaborar um plano de ataque muito mais
detalhado e eficaz, mas sua desvantagem é que pode ser difícil decidir em
quais áreas focar. Além disso, esse teste normalmente requer ferramentas
sofisticadas e caras, como analisadores de códigos e depuradores.
O blackbox é notavelmente mais simples do que o whitebox, porém
ele vai dificultar apenas acessos de invasores externos que não
conhecem a rede. Se o ataque ocorrer por parte de um cibercriminoso que tem
informações confidenciais e detalhadas sobre o alvo, a metodologia blackbox
será superficial, não sendo muito eficaz.
Graybox
O graybox, também conhecido por teste de caixa cinza ou teste parcialmente
cego, é uma mescla entre blackbox e whitebox, ou seja, o pentester terá
conhecimento parcial sobre a rede a ser testada. Um exemplo é um sistema
web em que o testador tem acesso ao usuário e à senha, mas não tem acesso
ao código-fonte. Esse tipo de teste pode ser categorizado da seguinte forma.
Graybox: quando o hacker ético tem o conhecimento parcial sobre a rede
e o alvo sabe que será atacado e quais procedimentos serão realizados.
Double graybox: o testador tem o conhecimento parcial sobre a rede a
ser testada, mas o alvo não tem conhecimento sobre o ataque.
Com o graybox, não é preciso perder tempo com tentativas e erros,
pois, por meio das informações parciais, é possível que o pentester
revise, por exemplo, os diagramas da rede, identificando as áreas de maior risco.
Dessa forma, ele vai conseguir recomendar as contramedidas adequadas para
mitigar as vulnerabilidades encontradas.
É importante destacar que o tempo pode ser o principal fator a ser con-
siderado no momento de decidir o tipo de teste que será realizado em uma
organização. Isso acontece porque quanto menos conhecimento o pentester
ter sobre o alvo, maior será o tempo de teste obrigatório. Na próxima seção,
vamos estudar as fases de um pentest.
10 Ethical hackers
Fases do pentest
Em um teste de penetração há várias metodologias que podem ser aplicadas,
e cada uma delas abrange um propósito diferente. Assim, para cada cenário
e escopo de projeto, são definidos certos testes corretos. Moreno (2019) cita
algumas dessas metodologias:
OSSTMM (Open Source Security Testing Methodology Manual, ou Manual
de Metodologia de Teste de Segurança de Código Aberto);
ISSAF (Information Systems Security Assessment Framework, ou Estru-
tura de Avaliação de Segurança de Sistemas de Informação);
OWASP (Open Web Application Security Project, ou Projeto Aberto de
Segurança em Aplicações Web);
WASC-TC (Web Application Security Consortium Threat Classification,
ou Classificação de Ameaças do Consórcio de Segurança de Aplicativos
da Web).
As metodologias OSSTMM e ISSAF garantem a segurança de um modo geral,
já a OWASP e a WASC-TC são específicas para servidores web. Para a escolha
da metodologia mais adequada, devem ser considerados alguns fatores, como
os pontos definidos no escopo do projeto, as máquinas que serão testadas
e o objetivo do teste, por exemplo (MORENO, 2019).
Neste capítulo, vamos abordar o PTES (Penetration Testing Execution
Standard, ou Padrão de Execução de Teste de Penetração), que compreende
as seis principais seções de um pentest, cobrindo todas as etapas necessárias
a um teste de penetração (Figura 2).
Figura 2. Fases de um pentest.
A seguir, vamos estudar cada uma dessas fases de acordo com Moreno
(2019), Pillay (2019) e Wylie e Crawley (2021).
Escopo
A fase do escopo é a fase do planejamento, quando são definidas as ferra-
mentas e técnicas que serão utilizadas durante o pentest. Também é nessa
Ethical hackers 11
fase que são determinados os custos, horários de início e término e horários
de testes permitidos. Isso é necessário, pois alguns testes podem causar
interrupções. Portanto, tempos e horários devem ser acordados com o cliente.
Nessa fase, são definidos os pontos a seguir.
O que será testado: servidores, web, estações, clientes, roteadores
sem fio.
Objetivo do pentest: listar ameaças e vulnerabilidades encontradas na
rede, manter os princípios de segurança e considerar as necessidades
específicas do cliente (por exemplo, caso o cliente deseje apenas um
teste de negação de serviço, somente isso deve ser feito).
Limitações: de conhecimento, físicas, impostas pelo cliente, de novos
recursos e financeiras.
Contrato de acordo: deve ser elaborado após a definição do escopo,
contendo informações de metodologia aplicada, acordo de sigilo e
contrato judicial.
Linha do tempo: cronograma do que deve ser feito e com os resultados
a serem atingidos. É importante destacar que um pentest não deve
exceder o prazo estipulado.
Coleta de informações
Essa fase consiste na obtenção de todas as informações sobre a rede: to-
pologia, mapeamento, servidores, funcionários, entre outras. Aqui, deve-se
colher o máximo de informações possíveis antes de iniciar o ataque.
Nessa fase, a busca é orientada a alvos, a fim de descobrir todas as
vulnerabilidades e informações que podem ser utilizadas para explorar
o alvo. Informações referentes ao sistema operacional e a versões de
software podem ser muito úteis para determinar se o alvo é vulnerável
e explorável.
Outro tipo de coleta de inteligência exige a descoberta de informações
sobre indivíduos, empresas e organizações por meio da internet, com o ob-
jetivo de produzir informações atuais e relevantes que possam ser valiosas
para um invasor ou concorrente. Essa coleta é chamada de OSINT (Open
Source Intelligence, ou Inteligência de Código Aberto). Ela é importante pois,
por meio dela, é possível detectar pontos de entrada na organização alvo.
Ou seja, tanto empresas quanto funcionários não consideram a quantidade
de dados que podem ser expostos na internet, tornando-os uma rica fonte
de informações para os invasores.
12 Ethical hackers
Análise de vulnerabilidades
A fase de análise de vulnerabilidades é responsável pela identificação e
avaliação dos riscos de segurança que se apresentam pelas vulnerabilidades
identificadas. Nessa fase, são descobertas as falhas em sistemas e aplicativos
que podem ser aproveitadas por invasores. Tais falhas variam, podendo ser
desde configurações incorretas de hosts e serviços até designs de aplicativos
inseguros.
Para detectar vulnerabilidades ativas, podem ser utilizadas ferramen-
tas de scanners de rede, de aplicativos da web e automatizadas. Para
descobrir vulnerabilidades passivas, é possível usar monitoramento de
tráfego e metadados. Após a descoberta, as vulnerabilidades devem ser
validadas, para garantir que realmente são vulneráveis, e analisadas,
para verificar se podem ser exploradas. Sendo exploráveis ou não, todas
as vulnerabilidades encontradas devem ser registradas, pois podem ser
exploradas futuramente.
Exploração
Nessa fase, as vulnerabilidades detectadas são exploradas, ou seja, o foco
do pentest é hackear os sistemas vulneráveis detectados. As tarefas execu-
tadas nessa fase dependem do que está sendo testado e do escopo definido
anteriormente. Pode ser incluído o uso de scanners de vulnerabilidades,
tentativas de ataques a aplicativos web, tentativas de acesso a áreas de
edifícios onde somente pessoas autorizadas têm acesso, tentativas de en-
ganar seres humanos ou qualquer outra atividade que pode ser tentada em
um ciberataque real. Lembre-se que só é possível tentar o que é permitido
no acordo do contrato. Caso contrário, torna-se um ataque ilegal.
Pós-exploração
Essa fase abrange as atividades que podem ser realizadas quando um alvo
é explorado com sucesso. Aqui, o pentester mostra suas habilidades como
hacker ético. Assim como faria um hacker mal-intencionado, o pentester, ao
violar o sistema, deve vasculhar o ambiente em busca de alvos de valor. Além
disso, deve criar backdoors (portas de acesso secretas criadas no sistema por
meio de um malware) para poder invadir o sistema comprometido novamente
de forma mais fácil e mover-se lateralmente no ambiente.
Ethical hackers 13
Relatórios
Essa é a última fase do pentest, em que os resultados e as descobertas são
documentados. É essencial que esses relatórios contenham um sumário exe-
cutivo. Nele, os resultados são apresentados em uma linguagem que pessoas
que não são técnicas compreendem. Essa seção é onde os resultados são
explicados para os clientes, abordando informações sobre as vulnerabilidades,
os sistemas exploráveis e detalhes e evidências da exploração.
Para comprovar as vulnerabilidades e os sistemas explorados, é necessário
que se forneça capturas de tela e ampla evidência. Além disso, é essencial que
se adicione nos relatórios recomendações e informações sobre como remediar
os problemas detectados. Por fim, no relatório devem ser determinadas as
classificações de risco para as fraquezas.
O ethical hacker simula ataques cibernéticos para que as organizações
entendam as vulnerabilidades de suas redes e aprendam como fortalecer sua
segurança. É possível efetuar testes em aplicativos específicos, computadores,
dispositivos IoT (Internet of Things) e de redes, edifícios físicos e indivíduos
que trabalham para a organização em teste.
Os testes devem ser efetuados dentro dos objetivos da organização. Só
deve ser realizado o que foi determinado no acordo entre hacker ético e
cliente, pois qualquer ação além disso será considerada ilegal. O pentest é
de extrema importância para tentar mitigar ameaças e ataques cibernéticos
dentro do possível. Lembre-se que, infelizmente, não existem procedimen-
tos capazes de proteger completamente uma rede, principalmente porque
os hackers mal-intencionados estão constantemente aperfeiçoando seus
ataques, No entanto, as atividades realizadas por ethical hackers por meio
dos testes de penetração visam a aumentar ao máximo a segurança digital
das organizações.
Referências
ENGEBRETSON, P. The basics of hacking and penetration testing: ethical hacking and
penetration testing made easy. 2nd ed. Waltham, MA: Elsevier, 2013.
GRANT, J. Ethical hacking: a comprehensive beginner’s guide to learn and understand
the concept of ethical hacking. [S. l.: s. n.], 2019.
MESSIER, R. CEH v10: certified ethical hacker - study guide. Indianapolis, IN: John Wiley
& Sons, 2019.
MOHIT, R. Python penetration testing essentials: employ the power of Python to get
the best out of pentesting. Birmingham, UK: Packt Publishing, 2015.
14 Ethical hackers
MORENO, D. Introdução ao Pentest. 2. ed. São Paulo: Novatec, 2019.
PILLAY, R. Learn penetration testing: understand the art of penetration testing and
develop your white hat hacker skills. Birmingham, UK: Packt Publishing, 2019.
WYLIE, P.; CRAWLEY, K. The pentester blueprint: starting a career as an ethical hacker.
Indianapolis, IN: John Wiley & Sons, 2021.