Desidratação e Secagem da Casca de Melão
Desidratação e Secagem da Casca de Melão
Cuité – PB
2021
MARIA TEREZA LUCENA PEREIRA
Cuité-PB
2021
P436d Pereira, Maria Tereza Lucena.
Desidratação osmótica e secagem convectiva da casca do melão
(Cucumis melo l.): modelagem matemática e caracterização físico-
química das farinhas obtidas. / Maria Tereza Lucena Pereira. - Cuité,
2021.
88 f. : il. Color.
CDU 635.611(043)
FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELO BIBLIOTECÁRIO Msc. Jesiel Ferreira Gomes - CRB-15/256
DE“IDRATAÇÃO O“MÓTICA E “ECAGEM CONVECTIVA DA CASCA DO MELÃO (Cucumis
melo L.): MODELAGEM MATEMÁTICA E CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA DAS
FARINHA“ OBTIDA“
_________________________________________________
Dra. Vera Solange de Oliveira Farias
Orientadora
UAFM/CES/UFCG
__________________________________________________
Dra. Vanessa Bordin Viera
Coorientadora
UAS/CES/UFCG
_________________________________________________
Dr. Aluízio Freire da Silva Júnior
Examinador Interno
UAFM/CES/UFCG
_________________________________________________
Dra. Kalina Lígia Cavalcante de Almeida Farias Aires
Examinadora Externa
IFPB
À minha avó Maria da Paz Cavalcante de
Lucena Albuquerque (in memorian),
Dedico.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente, agradeço, com todas as forças que existem em meu coração, ao meu
Deus, que sempre foi, é, e sempre será, a minha fortaleza, o meu suporte, o meu socorro bem
presente. À minha mãe, Virgem Maria, por sua intercessão, cuidado e proteção. À minha melhor
amiga e conselheira, Santa Terezinha do Menino Jesus. Ao meu mentor de sabedoria, Divino
Espírito Santo. A todos os Santos, anjos e bons espíritos que me rodeiam.
À minha mãe Gilvaneide Gomes de Lucena, que é a luz da minha vida, minha
inspiração, meu maior amor aqui na terra, meu ponto de equilíbrio, meus pés e minhas mãos, a
vida que dá sentido à minha vida. Ao meu pai, Amaury Ramos Pereira, homem íntegro, forte e
sábio, que detém de toda minha admiração. À minha irmã, Anna Clara Lucena Pereira, que é a
minha metade enviada diretamente do céu.
Aos meus avós Maria Cavalcante, Teresinha Ramos, Gilvan Albuquerque e Agripino
Pereira (todos in memorian) por, sem dúvidas, permanecerem cuidando de mim.
À minha orientadora-mãe Vera Solange de Oliveira Farias, por toda dedicação,
empenho, cuidado e carinho destinados a este trabalho e, sobretudo, à minha pessoa. Tê-la como
condutora durante esses dois anos de mestrado foi, sem dúvidas, a minha MAIOR sorte. Serei
eternamente grata por nossos caminhos terem se cruzado.
Ao professor Aluízio Freire, por toda atenção, contribuição, suporte e disponibilidade
em TODAS as vezes em que precisei. Sinto-me honrada em ter sido acompanhada por este
grande profissional e ser humano.
À professora Vanessa Bordin Vieira por sua solicitude e contribuição para a realização
deste trabalho. Sinto-me honrada por ter tido o suporte deste grande exemplo de professora,
nutricionista e pessoa.
À minha amiga-irmã Amélia Ruth Nascimento Lima por todo companheirismo,
amizade, dedicação, cuidado e zelo destinados a este trabalho e, principalmente, à minha
pessoa. Mesmo que eu agradecesse todos os dias, enquanto vida eu tiver, não seria suficiente
para expressar o quanto sou grata. Mil vezes obrigada por viver intensamente comigo esse
mestrado, sem você, certamente, não teria sido possível.
À minha turma 2019.1 – Ivânia Samara, Mikael Ribeiro, Amélia Ruth, Rodrigo Ribeiro,
Carlos Medeiros, Amanda Costa, Alana Karoline, José Vinícius, Yam Santos, Henriqueta
Monalisa, Letícia Sousa: MUITO OBRIGADA POR TUDO! A experiência da pós-graduação,
na companhia de cada um, se tornou mais leve, feliz e colorida. Ainda bem que foi com vocês!
À Isaac, Marcília, Ivo, Êmyle e Geovane por toda parceria, auxílio e contribuição na
parte prática desta pesquisa. À Carlos Eduardo Dantas, em nome dos demais funcionários dos
laboratórios de nutrição da UFCG, por toda paciência, solicitude, profissionalismo e
conhecimento repassado.
À minha preceptora de estágio à docência, Profa. Camila Carolina Bertozzo por me
permitir viver uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida acadêmica, e por
partilhar (com tanto carinho, amor e atenção) sua enorme sabedoria.
À Profa. Kalina Lígia Cavalcante de Almeida Farias Aires, por ter aceito o convite para
participar da banca e pelas valiosíssimas considerações feitas ao trabalho.
Ao PPGCN-Biotec, em nome da professora Magnólia Campos, pelo acolhimento. À
Herbert Henrique, nosso querido e eterno secretário que, com muita empatia, me ajudou
incansavelmente durante sua permanência no programa. À Midian Matos que, mesmo não me
conhecendo pessoalmente, não mediu esforços para ajudar.
À Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) campus Cuité, por ter sido o meu
lar durante sete anos e quatro meses, por todo suporte, por todo acolhimento. A todos os
professores da graduação e do mestrado, pelos conhecimentos compartilhados; levo cada um
em meu coração e guardo todos os ensinamentos. A cada funcionário que faz desta instituição
uma realidade, por todo profissionalismo, empatia e prestatividade. Se eu pudesse escolher
novamente, sem dúvidas, esta instituição seria o meu destino!
Ao município de Cuité, por me acolher como filha, e por ter possibilitado o meu
amadurecimento pessoal e profissional.
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pelo
fornecimento da bolsa, a qual foi de extrema importância para o financiamento da pesquisa.
Sou gratidão da cabeça aos pés!
“Sou de tal natureza que o temor me faz
recuar; com o amor não somente avanço,
mas voo...”
RESUMO
O presente trabalho teve como objetivo realizar o estudo da secagem convectiva da casca do
melão sob as temperaturas de 60 e 70ºC, com e sem o pré-tratamento de desidratação osmótica
para as ambas condições de secagem, bem como, realizar a caracterização físico-química das
farinhas obtidas. O procedimento de desidratação osmótica foi realizado em temperatura
ambiente durante um período pré-determinado de 35 horas, utilizando uma solução contendo
sacarose em uma concentração de 20ºBrix. A secagem, por sua vez, foi realizada em uma estufa
de circulação forçada de ar, nas temperaturas já aludidas, para as amostras osmoticamente
desidratadas e sem o pré-tratamento. Para a descrição da cinética de secagem foram utilizados
modelos empíricos, um modelo de difusão, considerando-se o encolhimento e a difusividade de
massa variável. A solução numérica da equação de difusão unidimensional, em coordenadas
cartesianas, foi obtida através do método dos volumes finitos, com uma formulação totalmente
implícita, com condição de contorno de terceiro tipo. Para eleger o modelo matemático que
descreveu de forma mais satisfatória a cinética de secagem das cascas do melão, foram
considerados os parâmetros de Coeficiente de Determinação e Qui-quadrado, além do ajuste
das curvas através das representações gráficas. Após o procedimento de secagem para as quatro
condições experimentais, foram elaboradas quatro formulações de farinhas, as quais foram,
posteriormente, caracterizadas através das análises físico-químicas de umidade, cinzas,
atividade de água e lipídeos. De acordo com os resultados obtidos, foi possível verificar que a
desidratação osmótica proporcionou o aumento do ganho de sólidos ao produto, bem como, a
redução do teor de umidade e de espessura iniciais, além do aumento do teor de umidade de
equilíbrio. Dentre os modelos empíricos, o de Page foi eleito como o de maior confiabilidade
para descrever o processo. O modelo difusivo, por sua vez, apresentou os melhores resultados
para os parâmetros avaliados, sendo, inclusive, superior aos empíricos, portanto, foi
considerado o mais satisfatório. Quanto aos resultados da difusividade efetiva de massa e do
coeficiente de transferência convectiva de massa, foi percebido que o aumento dos respectivos
valores foi consonante ao aumento da temperatura de secagem. Com relação à caracterização
físico-química das farinhas, apenas os teores de umidade das amostras que não foram
submetidas ao pré-tratamento de desidratação osmótica foram adequados, segundo à norma
vigente. Quanto à análise de cinzas, as amostras que não foram pré-desidratadas apresentaram
os maiores teores. Ao que se refere à atividade de água, todas as amostras apresentaram
resultados adequados, já que foram menores que 0,6%. Na análise de lipídeos, como esperado,
foram obtidos resultados discretos.
Palavras-chave: Modelos empíricos; Modelos difusivos; Solução numérica; Cucumis melo L.;
Tecnologia de alimentos.
PEREIRA, Maria Tereza Lucena. Osmotic dehydration and convective drying of melon
peels (Cucumis melo l.): Mathematical modeling and physico-chemical characterization
of the flours obtained. 2021. Dissertation (Master in Natural Sciences and Biotechnology) -
Postgraduate Program in Natural Sciences and Biotechnology, Federal University of Campina
Grande, Cuité, 2021.
ABSTRACT
The present work aimed to study the melon peel convective drying under temperatures of 60
and 70ºC, with and without the osmotic dehydration pre-treatment for both drying conditions,
as well as to perform the physical-chemical characterization of the flours obtained. The osmotic
dehydration procedure was carried out at room temperature for a predetermined period of 35
hours, using a solution containing sucrose in a concentration of 20ºBrix. The drying, in turn,
was carried out in an oven with forced air circulation, at the temperatures already mentioned,
for the samples osmotically dehydrated and without pre-treatment. For the description of drying
kinetics, empirical models were used, a diffusion model, considering shrinkage and variable
mass diffusivity. The numerical solution of the one-dimensional diffusion equation, in
Cartesian coordinates, was obtained through the finite volume method, with a totally implicit
formulation, with a third type boundary condition. To choose the mathematical model that most
satisfactorily described the drying kinetics of the melon skins, the parameters of Coefficient of
Determination and Chi-square were considered, in addition to the adjustment of the curves
through the graphical representations. After the drying procedure for the four experimental
conditions, four flour formulations were elaborated, which were subsequently characterized
through physical-chemical analyzes of moisture, ash, water and lipid activity. According to the
results obtained, it was possible to verify that osmotic dehydration provided an increase in the
gain of solids to the product, as well as a reduction in the initial moisture content and thickness,
in addition to an increase in the equilibrium moisture content. Among the empirical models,
Page's was chosen as the most reliable to describe the process. The diffusive model, in turn,
presented the best results for the evaluated parameters, being even superior to the empirical
ones, therefore, it was considered the most satisfactory. As for the results of the effective mass
diffusivity and the convective mass transfer coefficient, it was noticed that the increase in the
respective values was in line with the increase in the drying temperature. Regarding the
physical-chemical characterization of the flours, only the moisture content of the samples that
were not subjected to the osmotic dehydration pre-treatment was adequate, according to the
current standard. As for ash analysis, samples that were not pre-dehydrated had the highest
levels. With regard to water activity, all samples showed adequate results, since they were less
than 0.6%. In the analysis of lipids, as expected, discrete results were obtained.
Keywords: Empirical models; Diffusive models; Numerical solution; Cucumis melo L.; Food
Technology.
LISTA DE FIGURAS
Figura 2.1 – Tipos de melão (Cucumis melo L.) produzidos no Brasil: (a) Melão amarelo; (b)
melão pele de sapo; (c) Melão honeydew; (d) Melão cantaloupe; (e) Melão gália;
(f) Melão charentais............................................................................................23
Figura 2.2 – Estrutura física do melão.....................................................................................24
Figura 2.3 – Distribuição das patentes por ano de publicação................................................30
Figura 2.4 – Panorama das patentes por país depositante.......................................................31
Figura 2.5 – Classificação por código IPC para “melon peel”................................................32
Figura 2.6 – Esquema do fluxo de transferência de massa durante o processo de desidratação
osmótica..............................................................................................................33
Figura 2.7 – Diagrama do processo de secagem.....................................................................36
Figura 2.8 – Curva de secagem...............................................................................................36
Figura 2.9 – Representação esquemática de uma parede infinita...........................................43
Figura 2.10 – Representação da condição de contorno convectiva (terceiro tipo)....................44
Figura 3.1 – Representação dos melões utilizados para a realização dos experimentos.........46
Figura 3.2 – Fluxograma do processamento das amostras de cascas de melão......................47
Figura 3.3 – Cascas de melão durante o pré-tratamento de desidratação osmótica................48
Figura 3.4 – Amostras destinadas à secagem convectiva: (a) Cascas de melão utilizadas
para análise de massa; (b) Cascas de melão utilizadas para análise de
encolhimento......................................................................................................50
Figura 3.5 – Representação dos domínios (sem escala): (a) domínio físico; (b) domínio
contínuo; (c) domínio discretizado.....................................................................52
Figura 4.1 – Curvas do ajuste de Wang e Singh aos dados experimentais do teor de umidade
adimensional das cascas de melão, em função do tempo em segundos: (a) 60ºC
sem desidratação osmótica; (b) 70ºC sem desidratação osmótica; (c) 60ºC com
desidratação osmótica; (d) 70ºC com desidratação osmótica..............................63
Figura 4.2 – Curvas do ajuste de Page aos dados experimentais do teor de umidade
adimensional das cascas de melão, em função do tempo em segundos: (a) 60ºC
sem desidratação osmótica; (b) 70ºC sem desidratação osmótica; (c) 60ºC com
desidratação osmótica; (d) 70ºC com desidratação osmótica..............................64
Figura 4.3 – Gráficos da cinética de secagem de cascas de melão através de solução numérica
nas condições experimentais de: (a) 60 ºC sem desidratação osmótica; (b) 70 ºC
sem desidratação osmótica; (c) 60 ºC com desidratação osmótica; (d) 70 ºC com
desidratação osmótica.........................................................................................68
Figura 4.4 – Comparação da simulação da cinética de secagem dos quatro experimentos......69
Figura 4.5 – Gráficos de contorno (sem escala), mostrando a distribuição de umidade dentro
dos produtos para T = 60 ºC sem desidratação osmótica para os instantes: (a)
3600s; (b) 9000s; (c) 21600s; (d) 32400s..........................................................70
Figura 4.6 – Gráficos de contorno (sem escala), mostrando a distribuição de umidade dentro
dos produtos para T = 70 ºC sem desidratação osmótica para os instantes: (a)
3465 s; (b) 9000 s; (c) 20790 s; (d) 27720 s.......................................................70
Figura 4.7 – Gráficos de contorno (sem escala), mostrando a distribuição de umidade dentro
dos produtos para T = 60 ºC com desidratação osmótica para os instantes: (a)
3420 s; (b) 8550 s; (c) 16420 s; (d) 23940 s.......................................................71
Figura 4.8 – Gráficos de contorno (sem escala), mostrando a distribuição de umidade dentro
dos produtos para T = 70 ºC com desidratação osmótica para os instantes: (a)
3240 s; (b) 6480 s; (c) 10370 s; (d) 21060 s.......................................................72
Figura 4.9 – (a) FCMSD 60ºC; (b) FCMSD 70ºC; (c) FCMCD 60ºC; (d) FCMCD 70ºC.....73
LISTA DE TABELAS
χ² - Qui-quadrado
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 18
1.1 JUSTIFICATIVA DA PESQUISA .................................................................................... 19
1.2 OBJETIVO GERAL ........................................................................................................... 20
1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................................. 20
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................................................... 22
2.1 ASPECTOS GERAIS DO MELÃO (Cucumis melo L.) .................................................... 22
2.2 IMPORTÂNCIA DO APROVEITAMENTO DE RESÍDUOS AGRÍCOLAS ................. 25
2.3 CASCA DO MELÃO (Cucumis melo L.) .......................................................................... 26
2.3.1 Propriedades nutricionais e benefícios ............................................................................ 26
2.3.2 Possibilidades de emprego biotecnológico ...................................................................... 28
2.4 MONITORAMENTO DA GERAÇÃO DE TECNOLOGIAS UTILIZANDO CASCAS
DO MELÃO ............................................................................................................................. 29
2.5 TÉCNICAS DE CONSERVAÇÃO DE ALIMENTOS ..................................................... 32
2.5.1 Desidratação Osmótica .................................................................................................... 33
2.5.2 Secagem: aspectos gerais ................................................................................................ 34
[Link] Fenômeno da secagem .................................................................................................. 35
[Link] Teorias da secagem....................................................................................................... 37
[Link] Teor de umidade ........................................................................................................... 38
2.6 MODELAGEM MATEMÁTICA NO PROCESSO DE SECAGEM ................................ 38
2.6.1 Modelos empíricos .......................................................................................................... 39
2.6.2 Modelos difusivos ........................................................................................................... 41
[Link] Geometria: parede infinita ............................................................................................ 42
[Link] Condição de contorno: convectiva (terceiro tipo) ........................................................ 43
[Link] Soluções para a equação de difusão ............................................................................. 44
[Link].1 Soluções analíticas ..................................................................................................... 44
[Link].2 Solução numérica ...................................................................................................... 44
3 METODOLOGIA................................................................................................................ 46
3.1 LOCAL DA PESQUISA .................................................................................................... 46
3.2 OBTENÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA .............................................................................. 46
3.3 PROCESSAMENTO DAS AMOSTRAS .......................................................................... 46
3.4 DESIDRATAÇÃO OSMÓTICA ....................................................................................... 47
3.5 SECAGEM CONVECTIVA .............................................................................................. 49
3.6 MODELAGEM MATEMÁTICA ...................................................................................... 50
3.6.1 Descrição da cinética de secagem através de modelos empíricos ................................... 50
3.6.2 Descrição da cinética de secagem através de modelos difusivos .................................... 51
[Link] Solução numérica para a condição de contorno de terceiro tipo .................................. 52
[Link] Volumes de controle interno......................................................................................... 53
[Link] Volumes de controle 1 .................................................................................................. 53
[Link] Volumes de controle N ................................................................................................. 54
[Link] Difusividade de massa e encolhimento ........................................................................ 55
[Link] Algoritmo de otimização usando solução numérica ..................................................... 56
3.7 ELABORAÇÃO DAS FARINHAS DA CASCA DO MELÃO ........................................ 56
3.7.1 Caracterização físico-química das farinhas da casca do melão ....................................... 57
[Link] Determinação da umidade ............................................................................................ 57
[Link] Determinação de cinzas ou resíduo mineral fixo (RMF) ............................................. 58
[Link] Determinação da atividade de água (Aw)..................................................................... 58
[Link] Determinação de lipídeos ............................................................................................. 58
3.8 ANÁLISE ESTATÍSTICA ................................................................................................. 59
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................................ 59
4.1 DESIDRATAÇÃO OSMÓTICA ....................................................................................... 59
4.2 DADOS EXPERIMENTAIS DA SECAGEM ................................................................... 60
4.3 MODELOS EMPÍRICOS UTILIZADOS NA MODELAGEM DOS DADOS
EXPERIMENTAIS .................................................................................................................. 61
4.4 MODELOS DIFUSIVOS UTILIZADOS NA MODELAGEM DOS DADOS
EXPERIMENTAIS .................................................................................................................. 64
4.4.1 OTIMIZAÇÃO E SIMULAÇÃO ATRAVÉS DE SOLUÇÃO NUMÉRICA ................ 65
4.5.1 Distribuição de umidade no interior do produto .............................................................. 69
4.5 ELABORAÇÃO DAS FARINHAS DA CASCA DO MELÃO ........................................ 72
4.5.1 Caracterização físico-química das farinhas da casca do melão ....................................... 73
5 CONCLUSÃO...................................................................................................................... 75
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 77
1 INTRODUÇÃO
18
A secagem, por sua vez, tem como principal objetivo promover a minimização
significativa da deterioração enzimática e oxidativa do alimento, por meio da remoção total ou
parcial de uma fase líquida ou gasosa através da aplicação da energia térmica, conferindo, deste
modo, uma maior conservação e vida de prateleira ao produto (KROKIDA et al., 2003;
FIOREZE, 2004).
Entretanto, o processo de secagem além de demandar tempo, é bastante oneroso. Assim,
a utilização de modelos matemáticos eficazes pode ser útil para promover a otimização e
controle do processo, bem como, para reduzir custos energéticos (AGBEDE et al., 2020).
Dentre os modelos matemáticos, pode-se destacar os modelos empíricos e os difusivos; o
primeiro, configura-se por apresentar uma relação direta entre o teor de umidade da matéria e
o tempo de secagem, enquanto que o segundo, permite a compreensão do comportamento da
transferência de calor e massa entre o produto e o ar quente (KEEY, 1972; PANCHARIYA;
POPOVIC E SHARMA, 2002).
19
Diante disso, pesquisadores buscam técnicas para otimizar o processo e possibilitar um produto
final de melhor qualidade com menor gasto energético.
Apesar da importância, as pesquisas sobre a secagem dos resíduos de melão ainda são
incipientes, principalmente com relação à modelagem matemática. Na literatura pesquisada,
poucos trabalhos foram encontrados sobre a descrição da cinética de secagem de cascas de
melão (FARIAS et al., 2018).
O uso de modelos matemáticos vem sendo cada vez mais explorado por pesquisadores,
pois permite o dimensionamento e planejamento do processo de secagem, prevendo por meio
da modelagem e simulação, qual o comportamento do produto após a remoção da água, e com
isso colabora com pesquisadores, produtores e administradores (CORRÊA et al, 2007;
DANTAS et al., 2011).
Perante ao exposto, a presente pesquisa pauta-se em determinar condições ótimas de
secagem de casca de melão com e sem pré-tratamento de desidratação osmótica, por meio de
modelos empíricos e difusivos, além de realizar análises físico-químicas das farinhas obtidas,
objetivando a melhoria do processo, com diminuição de gasto energético, redução de perdas
nutricionais e aumento na qualidade do produto final.
Realizar o estudo da secagem de cascas de melão (Cucumis melo L. var. inodorus tipo
Amarelo), sem pré-tratamento e com pré-tratamento de desidratação osmótica, com o intuito de
descrever as cinéticas de secagem, através de modelos empíricos e difusivos, considerando a
geometria das cascas como parede infinita.
20
• Apresentar solução numérica para o problema de difusão transiente de calor ou de massa,
usando a teoria da difusão líquida. Considerando a retração volumétrica e a variação na
difusividade efetiva de massa;
• Aplicar as ferramentas numéricas em coordenadas cartesianas para resolver o problema de
difusão transiente de massa nos produtos investigados, supondo condição de contorno do
terceiro tipo, baseando-se na lei de Fick;
• Estimar, a partir de dados experimentais, a difusividade de massa aparente, considerada
dependente com o teor de umidade local e o coeficiente de transferência convectivo de
massa dos produtos estudados, considerado constante;
• Elaborar quatro formulações de farinhas da casca do melão;
• Determinar as propriedades físico-químicas das farinhas da casca do melão.
21
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
O melão (Cucumis melo L.) é um fruto originário do meloeiro, que é uma espécie de
planta pertencente à família Curcubitaceae. Deste modo, por ser um integrante da família
supramencionada, o meloeiro apresenta como peculiaridades o porte rasteiro e o caule herbáceo
com múltiplas ramificações (ESTEVINHO et al., 2013).
Quanto à sua procedência, acredita-se que tenha sido na África tropical, com indícios
de introdução primária na Ásia e Oriente Médio em meados de 2000 a 1500 a.C. Entretanto,
devido à sua frequente exploração de cultivo, territórios que atualmente são correspondentes à
China, Índia, Irã, Turquia e Repúblicas asiáticas, passaram a ser indicados como possíveis
centros de origem, sendo denominados, em decorrência disso, por centros de origem
secundários (KARCHI, 2000; BURGER et al., 2010).
No Brasil, a chegada do melão ocorreu na década de 1960, no Rio Grande do Sul, por
intermédio dos imigrantes europeus, havendo posterior disseminação para o estado de São
Paulo e, em seguida, para as regiões Norte e Nordeste (PEDROSA; FARIA, 1995). A região
Nordeste destaca-se por ser a maior produtora e exportadora do melão no Brasil, sendo o Rio
Grande do Norte e o Ceará, os responsáveis por alocar o país no ranking mundial dos maiores
exportadores do fruto (PENHA; ALVES, 2018).
No que concerne à taxonomia, por se tratar de um fruto polimórfico, foram atribuídas
diversas nomenclaturas de variação. Um dos responsáveis por categorizar a espécie Cucumis
melo L. por variedades botânicas foi o botânico francês Chales Naudin, o qual propôs dez
categorias, a exemplo de: Cucumis melo var. cantaloupensis Naud, Cucumis melo var. inodorus
Naud, Cucumis melo var. reticulatus Naud, dentre outras. Contudo, posteriormente, tais
variações foram consideradas grupos, com discretas modificações das categorias propostas por
Naudin, com base nas particularidades e utilização dos frutos (ROBINSON; DECKER-
WALTERS, 1997).
De acordo com Aragão (2011), atualmente existem sete variedades botânicas de maior
relevância para agricultura, porém, no Brasil, são cultivados apenas os frutos pertencentes às
variedades Cucumis melo var. inodorus e Cucumis melo var. cantaloupensis. Os melões da
variedade Cucumis melo var. inodorus, pesam, em média, 1kg a 2kg, são inodoros, não-
climatéricos e podem apresentar casca de textura lisa ou levemente enrugada, com alta
resistência à danos externos (fato que atribui a esses frutos maior tempo de vida útil), e
22
coloração podendo variar entre amarela, branca ou verde; a polpa, por sua vez, pode ter
coloração branca ou verde clara. Em contrapartida, os frutos da variedade cantaloupensis pesam
de 1 a 1,5kg, são aromáticos, climatéricos e apresentam cascas desniveladas ou escamosas,
além de polpa com coloração diversificada, sendo geralmente alaranjada ou salmão, sabor mais
atrativo e tempo de vida útil menor em comparação aos inodorus (ALVES, 2000;
CRISÓSTOMO, 2004).
Do ponto de vista comercial, para facilitar a comunicação entre negociadores do melão,
os frutos foram subcategorizados em “tipos”. No Brasil, os mais comercializados são os tipos
Amarelo, Pele de Sapo e Honeydew (Figura 2.1 a, b, c respectivamente), que são pertencentes
à variação inodorus; e os tipos Cantaloupe, Gália e Charentais (Figura 2.1 d, e, f) que são
cantaloupensis (ROBINSON; DECKER-WALTERS, 1997).
Figura 2.1 - Tipos de melão (Cucumis melo L.) produzidos no Brasil: (a) Melão amarelo; (b)
melão pele de sapo; (c) Melão honeydew; (d) Melão cantaloupe; (e) Melão gália; (f) Melão
charenatais
Fonte: Imagem adaptada de Machado (2007).
O melão amarelo (Figura 2.1a) tem origem espanhola, é resistente, inodoro e diferencia-
se dos demais por apresentar casca amarela e polpa branca-creme (ARAGÃO, 2011). É o tipo
mais cultivado no Brasil, especialmente nos principais polos de produção do país, que são os
estados do Rio Grande do Norte e Ceará, devido às condições climáticas favoráveis, expressas
através de altas temperaturas e luminosidade adequada, além de umidade relativa entre 65% e
75%, fatores que propiciam a produtividade de frutos com aspectos qualitativos mais acurados,
como melhor sabor, aroma, consistência e teor de açúcares (COSTA, 2010).
Quanto à estrutura física, o melão é constituído por epicarpo, mesocarpo e endocarpo,
que correspondem à casca, entrecasca e polpa, respectivamente. O orifício interno é composto
por, em média, 200 a 600 sementes que são separadas da polpa por uma película, de aspecto
gelatinoso, denominada placenta (Figura 2.2) (MCCREIGHT; NERSON e GRUMET, 1993;
QUEIROGA et al., 2010).
23
Figura 2.2 – Estrutura física do melão
Fonte: Autoria própria (2020).
Por possuir características que aguçam os sentidos do sistema sensorial, como textura
macia, aroma agradável e sabor adocicado, o melão possui alta popularidade e é amplamente
consumido em todo o mundo, tanto em sua forma in natura, quanto empregado em produtos
alimentícios como sorvetes, sucos, geleias, iogurtes, sopas frias e saladas (MARYANTO;
DARYONO, 2011; TUAN et al., 2019).
Segundo Daryono et al. (2016) o melão é um importante contribuinte no auxílio da
superação de deficiências nutricionais em humanos. Tal fato deve-se à composição do fruto,
que contém significativas quantidades de provitamina A (β-caroteno), vitamina C, minerais
como potássio e magnésio, polifenóis e fibras alimentares (ATEF et al., 2013).
A composição química média em 100g da polpa in natura foi quantificada pela Tabela
Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA) (2019), e está expressa na Tabela 2.1.
24
Cálcio (mg 2,53
Ferro (mg) 0,19
Sódio (mg) 8,96
Vitamina A (mcg) 1,67
Vitamina C (mg) 6,97
Cinzas (g) 0,50
Fonte: TBCA (2019).
27
Ante ao exposto, torna-se perceptível que os estudos citados sugerem o quão
promissora é a matéria-prima em questão, tendo em vista que contém alto valor nutricional e
diversos compostos bioativos que podem agregar inúmeros benefícios à saúde humana, além
de sua utilização contribuir com a redução da carga de resíduos convencionalmente descartados
de forma inadequada. Portanto, novos estudos acerca, e sua inclusão na elaboração de produtos
com valor agregado, demonstram apresentar relevância.
29
Com o objetivo de analisar o desenvolvimento das tecnologias a partir do emprego das
cascas do melão, foi realizada uma busca em novembro de 2019, utilizando o método de
monitoramento tecnológico através da ferramenta PatentInspiration®. Para tanto, foi utilizada
a palavra-chave “melon peel” nos campos título, resumo e palavras-chave, visando a obtenção
do maior número de documentos de 1987 (primeiro registro) a 2018 (último registro até a data
da pesquisa).
A leitura dos documentos de patentes selecionadas foi realizada com o intuito de
extração de informações em três níveis diferentes, a saber: Macro, Meso e Micro. Deste modo,
tornou-se possível identificar informações inerentes às tecnologias que envolvem a casca do
melão, dentre as quais: ano de publicação, distribuição por instituições (universidades ou
empresas), países depositantes, produtos desenvolvidos, área de especificidade, dentre outras
informações.
Na oportunidade, foram realizadas buscas por patentes que demonstrassem tecnologias
que envolvem, de modo específico, a casca do melão. Para tanto, foi realizada uma pesquisa
através da associação da porção de interesse do fruto à sua nomenclatura popular “melon peel”,
a qual apresentou 105 patentes.
Com relação à evolução da produção tecnológica em número de patentes por ano, a Figura
2.3 demonstra que, até o momento da realização da pesquisa, os números mais expressivos de
patentes que envolvem o tema de interesse deram-se a partir de 2007, expandindo-se a partir de
2013, tendo seu ápice no ano de 2015, com 19 registros.
Na Figura 2.4 pode ser observada a quantidade de depósitos de patentes registrados por
países.
Frente ao exposto, pode-se observar que a China detém, de modo expressivo, o maior
número de patentes que utilizaram a casca do melão como matéria-prima. Uma das justificativas
para tal resultado, é o fato de o país ser pertencente ao continente asiático, onde as evidências
indicam a introdução primária do melão.
Com relação às características tecnológicas, das 105 tecnologias que envolvem a casca
do melão, 94 correspondem à Seção A – Necessidades Humanas, e 11 à Seção C – Química;
31
Metalúrgica. De modo específico, pode-se destacar patentes relacionadas principalmente à
elaboração de produtos alimentícios para humanos, alimentos para animais, preparações de
bebidas não alcoólicas, preparações medicinais, produção de medicamentos, dentre outras, as
quais pertencem à seção A. E, em menor escala, estão as tecnologias que envolvem a produção
de fertilizantes e de bebidas alcoólicas, pertencentes à seção C (Figura 2.5).
Em suma, após o estudo detalhado das patentes depositadas, torna-se perceptível que o
desenvolvimento de tecnologias envolvendo a casca do melão ainda é incipiente, apesar de toda
importância que a utilização desta matéria-prima demonstra.
Nesse contexto, sob a ótica da sustentabilidade, e das propriedades nutricionais e
biotecnológicas, o leque de possibilidades para o desenvolvimento de novas tecnologias que
utilizem a matéria-prima aludida encontra-se amplo e merece ser explorado, principalmente no
Brasil que apesar de ser um grande polo produtor e exportador do melão, apresentou uma
frequência de depósito nula.
33
Além do tipo do soluto, outros fatores apresentam influência sobre a eficiência do
processo, como a concentração da solução, temperatura, duração do processo, características
do produto imerso (estrutura e geometria) e proporção da quantidade do produto para a
quantidade da solução (AHMED; QAZ e JAMAL, 2016; ASSIS; MORAIS e MORAIS, 2016).
Portanto, tais fatores devem ser analisados de forma criteriosa, já que a perda de água, inerente
a esse processo, pode acarretar alterações físico-químicas, como modificações da estrutura
natural do produto e reconstituições celulares (NIETO et al., 2013).
De acordo com Lenart e Lewicki (2006) a desidratação osmótica é bastante utilizada
como tratamento prévio da secagem por apresentar benefícios como otimização do tempo de
secagem e, consequentemente, economia de energia. Ademais, também há as vantagens de
melhoria das características organolépticas, da atividade biológica e do tempo de vida útil do
alimento (SAREBAN; ABBASI, 2016). Em decorrência disso, Cichowska et al. (2018)
destacam que tal combinação pode ser bastante útil para a elaboração de novos produtos
alimentícios e de tecnologias inovadoras.
Perante as vantagens supramencionadas, Chwastek (2014) acrescenta que a desidratação
osmótica é uma técnica cada vez mais requerida durante o processamento de frutas e vegetais.
Diante disso, na literatura existem diversos estudos que utilizam a desidratação osmótica como
pré-tratamento para a secagem de frutas. Dentre os tais, pode-se destacar estudos com banana
(SILVA JÚNIOR, 2015), melão (SILVA et al., 2016), pêra (RIBEIRO et al., 2016), abacaxi
(CORRÊA et al., 2017), goiaba (CASTRO et al., 2018), kiwi (BARROS, 2020), dentre outros.
Entretanto, estudos que viabilizam o processamento dos resíduos de frutas através dessas
técnicas conjuntas ainda são discretos.
35
Figura 2.7 – Diagrama do processo de secagem
Fonte: Alonso (1998).
Park et al. (2007) acrescentam que esse processo de secagem, ou seja, essa transferência
concomitante de calor e massa, é dividida em três períodos: de indução (0), de taxa constante
(1) e de taxa decrescente (2) (Figura 2.8).
Segundo Machado (2009), o período de indução (0) é caracterizado por uma fase de
aquecimento, onde o produto encontra-se, geralmente, em uma temperatura abaixo da
temperatura de secagem, portanto, tal cenário não apresenta permanência.
Já no período de taxa constante (1), a temperatura do produto se mantém igual à
temperatura do ar de secagem e os fenômenos de transferência de calor e massa se compensam.
Deste modo, o deslocamento da água no interior do produto para a superfície não afeta a
evaporação, já que a taxa de deslocamento interno para a superfície é igual ou maior à taxa de
36
evaporação (FOUST et al., 1982; SODHA et al., 1987). Ao que concerne à secagem de produtos
biológicos, Brooker et al. (1992) esclarecem que a execução dessa fase é mais dificultosa, sendo
possível apenas quando o produto apresenta umidade inicial bastante elevada.
O período de taxa decrescente (2) é o mais frequentemente observado em secagens de
produtos agrícolas e alimentícios e, por sua vez, é caracterizado por uma redução do fenômeno
de transferência de massa em decorrência da diminuição do deslocamento de umidade do
interior do produto para sua superfície, assim, à medida que a água da superfície passa a ser
insuficiente, a velocidade da secagem decai. Por fim, o teor de umidade do produto encontra-
se em equilíbrio com ar, e a velocidade de secagem torna-se estática (CARMO, 2004; PARK
et al., 2007).
Contudo, alguns fatores podem influenciar na taxa de secagem, como aqueles
relacionados às condições de processamento da secagem (temperatura, umidade relativa,
velocidade de ar e técnica), às características inerentes ao produto a ser seco (tipo e natureza) e
às características do secador (tipo do secador) (FELLOWS, 2006; FRANCO, 2016).
Segundo Carmo (2004) a literatura reúne diversas teorias que visam elucidar o processo
de transporte de água no interior do produto. Deste modo, a seguir estão expostas tais teorias e
suas breves descrições, conforme o autor supracitado:
37
f) Teoria de Krischer: Pode ser aplicada em diversos meios porosos e considera que
o transporte de umidade pode ocorrer no estado líquido, de vapor ou por
capilaridade.
Os produtos agrícolas são constituídos pela porção de água e pela porção de matéria
seca, ou seja, pelos demais componentes. Deste modo, de acordo com Park et al. (2007), o teor
de umidade de um produto diz respeito à proporção entre as duas porções supracitadas. Assim,
o teor de umidade pode ser expresso através de duas formas (Equação 2.1 e Equação 2.2):
̅ ̅
̅ = ���−�ⅇ
� .
�̅ ⅈ−�
̅ⅇ
38
A secagem, por ser uma técnica que necessita de um alto aporte energético, é
responsável por consumir, em média, 20 a 25% da energia utilizada em uma indústria
alimentícia. Portanto, estratégias que promovam a eficiência do processo e a garantia da
qualidade final do produto, demonstram grande importância (BEEDIE, 1995).
Nesse contexto, a modelagem matemática representa uma alternativa bastante útil,
capaz de simular o processo de secagem de produtos, possibilitando, consequentemente, a
otimização do tempo de secagem, bem como, a redução dos custos, da energia e dos danos
oriundos do processo (BORGES, 2016). Além desses benefícios, ao utilizar essas simulações,
é possível analisar o comportamento da combinação de diversas variáveis, prever o tempo
adequado de secagem, definir o melhor tipo de secador e promover a padronização do processo
(LEITE et al., 2005).
De acordo com Bassanezi (2002), para a obtenção de um modelo matemático é
necessário realizar a substituição da linguagem natural das hipóteses por uma linguagem
matemática coerente. Diante disso, Borges (2016) acrescenta que é imprescindível a adição do
máximo de parâmetros dentro dos modelos matemáticos, para que seja possível a descrição
realística do fenômeno físico e para que os resultados apresentem fidedignidade.
Assim, a simulação da secagem de produtos alimentícios, por meio da modelagem
matemática, pode ser feita por meio de dois grupos principais: modelos empíricos (e semi-
empíricos) e modelos difusivos (ou teóricos). Os modelos empíricos e semi-empíricos
consideram unicamente as condições externas de secagem, como a resistência externa à
temperatura e a umidade relativa do ar, não considerando fatores internos do produto. Enquanto
que os modelos difusivos permitem a compreensão do comportamento da transferência de calor
e massa entre o produto e o ar quente (MIDILLI; KUCUK e YAPAR, 2002; PANCHARIYA;
POPOVIC e SHARMA, 2002).
39
Já os modelos semi-empíricos baseiam-se na lei de resfriamento de Newton. Com isto,
atribuem que as condições do fluxo são isotérmicas e que a resistência à transferência de massa
ocorre unicamente na superfície do produto (BROOKER et al., 1992).
Na prática, ambos são amplamente utilizados para a descrição da secagem de camada
fina, devido, principalmente, à sua facilidade de resolução. Contudo, essa facilidade faz com
que esses modelos apresentem muitas limitações (COSTA, 2008).
Segundo Borges (2016), apesar das limitações, a literatura contém uma ampla gama de
modelos empíricos capazes de estimar as curvas de secagem de produtos agrícolas. Alguns
podem ser visualizados na Tabela 2.3:
onde:
Ru – razão de umidade do produto
t – tempo de secagem em horas
k, k0 – constantes de secagem em min-1
a, b, n – coeficientes dos modelos
40
Pabis, Logarítmica, Lewis, Page, Silva et alii, e Wang e Singh. Como resultado, verificaram
que o modelo de Page demonstrou o melhor ajuste aos dados experimentais.
Com abordagem semelhante, Lima et al. (2020) realizaram a secagem convectiva de
cascas de maracujá à 50, 60 e 70ºC, e avaliaram a cinética por meio dos modelos empíricos de
Henderson e Pabis, Lewis, Page, Peleg, Silva et alii, e Wang e Singh. Semelhantemente,
também verificaram que o modelo de Page apresentou melhor ajuste aos dados experimentais.
Já Alexandre et al. (2013) observaram a cinética de secagem do resíduo do abacaxi
enriquecido com Saccharomyces cerevisiae sob as temperaturas de 40 e 60ºC. Para a avaliação
do ajuste matemático, utilizaram as equações de Lewis, Page e Henderson e Pabis, e destacaram
que apesar de todos os modelos terem apresentado resultado satisfatório de ajuste aos dados
experimentais, o modelo de Page demonstrou superioridade discreta quando comparado aos
demais.
A equação geral de transporte dada por um meio infinitesimal, é dada pela Equação 2.4
(PATANKAR, 1980; BECK et al., 1992; MALISKA, 2004):
∂
⃗ ϕ = ∇ ⋅ (Γ ϕ ∇ϕ) + s ϕ
λΦ + ∇ ⋅ λv (2.4)
∂t
41
como, ao processo de secagem, contribuem para a complexidade destes modelos (ZOGZAS
MAROULIS e MARINOS-KOURIS, 1996).
∂M
= ∇ ⋅ D∇M
∂t
(2.5)
onde: M (função espaço-temporal) representa o teor de umidade e D é a difusividade efetiva de
massa.
Já a equação que descreve o fenômeno de difusão para uma variável genérica Φ é obtida
através da Equação (2.6), a qual deriva da Equação 2.4, pois, nesta, o termo advectivo foi
considerado nulo:
∂
λϕ = ∇ ⋅ (Γ ϕ ∇ϕ) + � ϕ .
∂t
A equação de difusão pode ser resolvida por meio da utilização de soluções analíticas
e/ou numéricas. Contudo, aspectos como a geometria a qual o produto se assemelha, bem como,
suas condições de contorno, devem ser previamente consideradas. Deste modo, no presente
estudo, optou-se por analisar o efeito do fenômeno de difusão em corpos com geometria de
parede infinita, considerando a condição de contorno convectiva (terceiro tipo), por meio da
utilização de soluções numéricas.
�� � ��
= (� )
�� �� ��
(2.7)
42
onde: M é o teor de umidade, Meq é o teor de umidade de equilíbrio e Mi é o teor de umidade no
início do processo.
A literatura aborda três tipos de condição de contorno: de equilíbrio (primeiro tipo), com
fluxo prescrito (segundo tipo) e convectiva (terceiro tipo).
A condição de contorno convectiva, também denominada de condição de contorno de
terceiro tipo ou de terceira espécie (Figura 2.10), consiste em uma circunstância em que o
deslocamento da grandeza de interesse (M), ocorrente na superfície do produto, dá-se por
convecção para um fluido ambiente, com um determinado valor de grandeza dado por Φ∞.
Neste tipo, considera-se que o fluxo por difusão no interior da superfície do produto é
compatível ao fluxo por convecção derivado da transferência da grandeza M entre a superfície
e o fluido (FRANCO, 2016).
43
Difusão
Existem dois tipos de soluções para a resolução da equação de difusão: solução analítica
e solução numérica. A primeira apresenta a vantagem de propor o valor exato da variável de
interesse em qualquer ponto e em qualquer período de tempo, contudo, não considera as
variações de aspectos físicos ou das dimensões do produto, em casos mais complexos, enquanto
a segunda destaca-se por permitir uma abordagem mais complexa do problema (SILVA
JÚNIOR, 2015).
44
A solução numérica é caracterizada por um cenário em que um domínio contínuo é
substituído por um domínio discreto, e a equação diferencial parcial é substituída por equações
algébricas, sendo uma para cada volume de controle. Esse tipo de solução apresenta a vantagem
de possuir a capacidade de aproximar o modelo do produto para as condições físicas mais
realísticas (MALISKA, 2004; SILVA, 2012).
• Resolve uma ou mais equações diferenciais, substituindo as derivadas por expressões
algébricas que envolvam a função incógnita.
• Obtém como resultado um sistema de equações onde as variáveis são os valores da
grandeza.
• A solução é obtida para um número discreto de pontos e a grandeza calculada no ponto,
o que pode induzir erros;
• Quanto maior o número de pontos, mais perto da solução exata será a solução numérica.
• Trata o modelo objeto de estudo para as condições físicas reais (parâmetros variáveis,
variação volumétrica, dentre outros).
Nesse contexto, ante ao avanço tecnológico das técnicas computacionais, vários
métodos numéricos capazes de analisar problemas de alta complexidade têm sido utilizados,
dentre os quais: Método das Diferenças Finitas (MDF), Método dos Elementos Finitos (MEF)
e Método dos Volumes Finitos (MVF) (LIMA, 1999).
De acordo com Maliska (2004), o MDF diz respeito à uma divisão discreta do domínio
e à substituição das derivadas parciais por aproximações numéricas. Enquanto que o MEF
consiste em dividir o domínio de integração em um número finito de pequenas regiões,
intituladas por elementos finitos. Ademais, ambos não consideram volumes de controle,
consideram, portanto, pontos da malha em nível discreto.
Já no MVF, o domínio contínuo é subcategorizado em domínios de volumes elementares
intitulados volumes de controles ou volumes finitos. Tais domínios baseiam-se na lei da
conservação. Esse método é bastante utilizado na resolução de problemas que envolvem
transferência de calor e massa por ser considerado mais estável e por não apresentar confluência
entre os dados gerados (SILVA, 2012).
45
3 METODOLOGIA
Os melões (Cucumis melo L.) foram obtidos na feira livre do município de Cuité,
localizado no Curimataú da Paraíba. Na oportunidade, foram observados critérios de
integridade física e fisiológica da casca, bem como período de maturação ideal (Figura 3.1).
Figura 3.1 – Representação dos melões utilizados para a realização dos experimentos
Fonte: Autoria própria (2020).
Após a obtenção, os frutos foram submetidos à uma higienização prévia, que consistiu
em uma lavagem em água corrente, auxiliada por uma esponja, para a remoção da sujidade
externa.
Posteriormente, para a realização do corte manual das cascas com o auxílio de uma faca
inox, foi utilizado, previamente, um paquímetro digital (marca Stainless Hardened) com o
objetivo de demarcar as medidas de comprimento e largura de 40x40mm, respectivamente.
Após a retirada das amostras em formato quadrado, foi retirado o excesso de polpa acoplado, e
46
as espessuras foram padronizadas em medidas de aproximadamente 5mm, com o paquímetro
digital.
Em seguida, as amostras passaram por um processo de higienização em água corrente
e posteriormente em solução clorada de 200ppm durante 15 minutos, após esse período, foram
novamente higienizadas em água corrente e acondicionadas, durante 20 minutos, em um
recipiente poroso para o escoamento da água. Ao final, algumas amostras foram submetidas ao
pré-tratamento de desidratação osmótica antes da secagem, e outras foram direcionadas
imediatamente ao processo de secagem.
Esse processo está sintetizado no fluxograma abaixo (Figura 3.2):
Higienização
Corte
Padronização da espessura
Higienização
47
Para a realização do processo de desidratação osmótica, foi utilizada como base a
metodologia proposta por Silva Júnior (2015).
A solução utilizada para a desidratação foi composta por água destilada e açúcar cristal
comercial, preparada na proporção de 1:3 (g/g) (casca para solução) na concentração de 20º
Brix. Essa razão teve o objetivo de manter as concentrações padronizadas e, portanto,
inalteradas durante os experimentos. Ademais, a escolha da proporção supramencionada foi
baseada na afirmação de Karathanos, Kostaropoulos e Saravacos (1995), que elucidam que para
fins práticos, 1:3 é considerada uma razão ótima. Para tanto, as concentrações foram controladas
através de um refratômetro portátil.
Das amostras, um quadrado in natura foi submetido à secagem em estufa com circulação
forçada de ar a 105ºC por 24 horas, para a obtenção da massa seca, enquanto que as demais
foram colocadas na solução e permaneceram por 35 horas em temperatura ambiente. A
temperatura e umidade relativa do ar foram monitoradas através de um higrômetro, nos tempos
0, 900, 1200 e 1500 minutos. Após as 35 horas, as amostras foram lavadas com água destilada
e levemente enxugadas com papel toalha para a remoção do excesso de água.
Posteriormente, um dos quadrados submetidos à desidratação foi conduzido à secagem
em estufa com circulação forçada de ar a 105ºC por 24 horas ininterruptas, visando a
determinação da massa seca, enquanto que os demais seguiram imediatamente para o
procedimento de secagem a 60ºC e 70ºC.
Para a obtenção do valor da incorporação da sacarose à amostra, foi calculada a
diferença entre a massa seca da amostra in natura, com a da desidratada osmoticamente.
As amostras imersas na solução osmótica podem ser visualizadas na Figura 3.3.
48
3.5 SECAGEM CONVECTIVA
49
(a)
(b)
Figura 3.4 – Amostras destinadas à secagem convectiva: (a) Cascas de melão utilizadas
para análise de massa; (b) Cascas de melão utilizadas para análise de encolhimento.
Fonte: Autoria própria (2020).
Foram utilizados modelos empíricos e difusivos para realização dos ajustes aos dados
experimentais obtidos.
Foram testados seis modelos empíricos com o objetivo de identificar aquele que
demonstra melhor eficácia na descrição da cinética de secagem da casca do melão, os quais
estão expressos na Tabela 3.1.
50
Tabela 3.1 - Modelos empíricos para descrever a cinética de secagem.
Modelo Nome Expressão Referência
1 Page M*= exp(-atb ) (DIAMANTE et al., 2010)
2 Silva et al M*= exp(-at - bt1/2 ) (SILVA et al., 2012)
3 Peleg M*= 1 - t/(a + bt) (MERCALI et al., 2010)
Para a análise dos dados experimentais, foi utilizado o software LAB Fit Curve Fitting
Software (SILVA; SILVA, 2011). Os parâmetros de avaliação utilizados para identificar o
melhor ajuste dos modelos aos dados experimentais foram o Coeficiente de Determinação (R²)
mais próximo de 1, e o Qui-quadrado (χ²) mais próximo de 0.
Como se sabe, o estudo da secagem, em diversas situações, usa a teoria da difusão para
descrever o transporte de matéria em um meio (Silva et al., 2012). Como resultado, o modelo
matemático apropriado para descrever o fenômeno envolve a resolução da equação de difusão.
Para paredes infinitas, a equação de difusão unidimensional, em coordenadas cartesianas, pode
ser expressa da seguinte forma (Luikov, 1968; Crank, 1992):
M M
= D (3.1)
t x x
onde M é o teor de umidade em base seca (kg água kg-1 matéria seca); D é a difusividade de
massa efetiva (m2 · s-1); t é o (s) tempo (s) e x é a coordenada cartesiana da posição (m) dentro
da parede infinita com origem no centro.
Figura 3.5 – Representação dos domínios (sem escala): (a) domínio físico; (b) domínio
contínuo; (c) domínio discretizado.
Fonte: (a) – Autoria própria (2020); (b) e (c) – Adaptada de Silva (2009)
52
Integrando a Equação (3.1), de forma discretizada, sobre o espaço ( Δx ) e o tempo (de
t até t + Δt ) obtemos o seguinte resultado:
M P − M 0P M M
Δx = D −D (3.2)
Δt e x e
w x w
em que o sobrescrito ‘‘0’’ significa ‘‘tempo anterior t’’ e sua ausência significa ‘‘tempo atual t
+ Δt ’’.
[Link] Volumes de controle interno
Estes volumes de controle não têm contato com meio externo e possuem dois volumes
de controle vizinhos, um a oeste e outro a leste (Figura 3.5). Para estes volumes de controle, as
derivadas parciais podem ser aproximadas do seguinte modo:
M M − MP M M − MW
E ; P (3.3a,b)
x e Δx x w Δx
Assim, para um volume de controle interno, a equação discretizada pode ser escrita
como:
A w MW + Ap MP + Ae ME = B (3.4)
Para o primeiro volume de controle, o contorno oeste é o ponto denotado por w, que
está na posição x = 0. Devido à simetria, a condição de contorno utilizada foi o segundo tipo,
com fluxo zero. Assim, o terceiro termo na Equação (3.2) é zero e a seguinte equação algébrica
foi obtida:
53
Ap MP + Ae ME = B (3.6)
Δx D e D Δx 0
Ap = + ; Ae = − e ; B = MP (3.7 a-c)
Δt Δx Δx Δt
Este subdomínio possui um volume de controle vizinho a oeste, e está em contato com
o meio do lado leste. Portanto, as derivadas da Equação (3.2) foram aproximadas por:
M M − M P M M − MW
e ; P (3.8 a,b)
x e Δx/2 x w Δx
onde: Me é o valor de M no limite leste. Para este volume de controle, a condição de contorno
do terceiro tipo é expressa por:
M
−D h (M e − M e ) (3.9)
x e e
A w MW + Ap MP = B (3.10)
no qual:
Dw Δx D w De Δx 0 De
Aw = − ; Ap = + + ; B= MP + M (3.11a-c)
Δx Δt Δx D e Δx Δt D e Δx e
+ +
he 2 he 2
54
0
Na Equação (3.11c), M P é o teor de umidade no volume de controle P no início da etapa de
tempo.
O valor médio de M em qualquer instante, denotado por M , foi calculado por uma
média aritmética dos conteúdos de umidade obtidos para os volumes de controle, uma vez que
a grade estabelecida é uniforme.
D = f M, a, b (3.12)
onde ‘‘a’’ e ‘‘b’’ são parâmetros que se ajustam à solução numérica para um conjunto de dados
experimentais e, juntamente com a função f, são determinadas através de processos. Para uma
malha uniforme, nas interfaces dos volumes de controle interno, por exemplo, '' e '' (ver Figura
3.5), D é determinado através da média harmônica (PATANKAR, 1980):
2DP D E
De = . (3.13)
DP + DE
onde DP e DE são o valor da difusividade de massa efetiva nos pontos nodais ‘‘ P ’’ e ‘‘ E ’’,
respectivamente.
E = g( M) (3.14)
55
onde M é o valor médio do teor de umidade e g é uma função a ser determinada por ajuste de
curvas, através dos dados experimentais obtidos para esta dimensão.
(a) Farinha da Casca do Melão Sem Desidratação Osmótica – secagem a 60ºC (FCMSDO
60ºC);
56
(b) Farinha da Casca do Melão Sem Desidratação Osmótica – secagem a 70ºC (FCMSDO
70ºC);
(c) Farinha da Casca do Melão Com Desidratação Osmótica – secagem a 60ºC (FCMCDO
60ºC);
(d) Farinha da Casca do Melão Com Desidratação Osmótica – secagem a 70ºC (FCMCDO
70ºC);
Foi realizada a caracterização físico-química das quatro formulações das farinhas. Todas
as análises foram conduzidas em triplicata para minimizar erros de medida.
Nx
� � � % = (3.15)
P
57
Onde: N= perda de peso (amostra seca); P = peso da amostra úmida (g ou mL).
As cinzas ou RMF foram determinadas com base na metodologia proposta por Adolfo
Lutz (2008).
Inicialmente, foram colocadas na mufla, cápsulas de porcelana, sob uma temperatura de
550ºC, onde permaneceram durante 24 horas. Após esse período, as cápsulas foram retiradas e
conduzidas ao dessecador até o alcance da temperatura ambiente, posteriormente, foi realizada
a pesagem.
Em seguida, foram adicionados cerca de 3g das amostras nas cápsulas. Assim, as
amostras foram colocadas em uma manta aquecedora até a completa carbonização. Logo após,
as quais foram encaminhadas para a incineração em forno mufla estabilizado a 550ºC, onde
permaneceram por cinco horas ininterruptas, para a eliminação total do carvão e a obtenção de
coloração esbranquiçada. Ao fim das cinco horas, as amostras foram submetidas ao dessecador
para o esfriamento e tiveram o peso mensurado em uma balança analítica. Os processos de
aquecimento em mufla, esfriamento e pesagem aconteceram em intervalos de uma hora, até o
momento em que as amostras atingiram o peso constante. A Equação 3.16 foi realizada para a
determinação das cinzas.
xN
�� �� % = (3.16)
P
A atividade de água foi analisada por meio da leitura direta no higrômetro AquaLab
4TEV (Decagon Devices).
O teor de lipídeos foi obtido com base na metodologia de Folch; Lees; Stanley (1957).
A princípio, foi adicionado 2,0g da amostra, seguida de 30 mL da solução de clorofórmio
metanol. Em seguida, essa mistura foi colocada em um funil revestido por um filtro de papel e
58
acoplado em uma proveta graduada, onde foi realizada a filtragem da mistura. Posteriormente,
foi adicionado mais 10 mL de clorofórmio metanol para uma segunda filtragem.
Após as etapas de filtragens, a quantidade do líquido filtrado foi anotada e, o valor de
20% desse líquido foi adicionado de solução de sulfato de sódio a 1,5%, havendo,
posteriormente, a agitação e a separação de fases da mistura.
Com a separação das fases, o líquido superior foi descartado e o valor do inferior foi
anotado e, deste, foram retiradas três alíquotas de 5 mL, as quais foram submetidas a 105ºC em
estufa durante cinco minutos, com posterior esfriamento em dessecador durante 20 minutos, e
pesagem em balança analítica. Ao final, foi realizada a Equação (3.17).
P xV x
� � � % = (3.17)
V xP
Onde: P1 = Peso dos lipídeos na alíquota tomada (após a estufa); P2 = Peso da amostra; Va =
Volume da alíquota (5mL); Vb = Volume inferior do extrato lido na proveta.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
59
Tabela 4.1 – Incorporação da sacarose após o procedimento de desidratação osmótica
Amostras Massa seca da Massa seca da Incorporação da
amostra in natura amostra pré-tratada sacarose
CMCDO 60ºC 0,83g 1,08g 0,25g
CMCDO 70ºC 0,51g 1,19g 0,68g
CMCDO 60ºC: casca do melão com desidratação osmótica – 60ºC; CMCDO 70ºC: casca do
melão com desidratação osmótica – 70ºC.
Para o teor de umidade adimensional, bem como, para expressar todas as funções, no
presente estudo foi utilizada a taxa de umidade, que é definida como:
M(t) − M eq
M* = (4.1)
M i − M eq
As principais medidas relacionadas aos quatro experimentos estão expressas na Tabela 4.2.
60
60 °C com desidratação
7,699 0,218 4,58 1,07
osmótica
70 °C com desidratação
6,949 0,128 4,55 1,13
osmótica
Mi (d.b.) teor de umidade inicial; M eq (d.b.) teor de umidade de equilíbrio; E0 (mm) espessura inicial; Eeq (mm)
espessura final.
Ante ao exposto, torna-se perceptível que quanto maior a temperatura, menor é o teor
de umidade de equilíbrio. Observa-se ainda que as amostras submetidas à desidratação osmótica
antes do procedimento de secagem tiveram os valores do teor de umidade inicial
consideravelmente reduzidos, bem como, os valores de espessura inicial. No entanto, os
resultados apresentados para o teor de umidade de equilíbrio foram superiores.
Na Tabela 4.3 estão expressos os resultados referentes aos parâmetros utilizados para
determinar o melhor ajuste dos dados experimentais aos modelos empíricos.
Tabela 4.3 - Parâmetros de ajuste dos modelos empíricos aos dados experimentais da secagem
Temperaturas Modelo A B R² �²
1 6,08437x10-4 1,21436 0,9944103 3,29459x10-2
2 2,65505x10-3 -7,78007x10-2 0,9908402 5,25999x10-2
2 -1
60ºC sem 3 4,81082x10 5,68196x10 0,9947624 2,63538x10-2
desidratação 4 -1,64842x10-3 6,67395x10-7 0,9991053 6,93097x10-3
-3
osmótica 5 2,26139x10 - 0,9900321 6,78609x10-2
6 1,01611 2,31040x10-3 0,9891133 6,45679x10-2
-4
1 6,75440x10 1,23005 0,9970583 1,72637x10-2
70ºC sem 2 3,28967x10-3 -1,20212x10-2 0,9938914 3,59395x10-2
2 -1
desidratação 3 3,66102x10 6,70629x10 0,9862271 7,44091x10-2
osmótica 4 -1,75243x10-3 6,94655x10-7 0,9853550 9,88557x10-2
-3
5 2,61291x10 - 0,9929952 6,61230x10-2
-3
6 1,03711 2,74221x10 0,9911874 5,45443x10-2
1 , x − , 0,9975690 , x −
60ºC com 2 , x − − , x − 0,9944805 , x −
−
desidratação 3 , x , x 0,9918402 , x −
osmótica 4 − , x − , x − 0,9985533 , x −
5 , x − - 0,9932857 , x −
6 , , x − 0,9920959 , x −
1 , x − , 0,9982457 , x −
− −
70ºC com 2 , x − , x 0,9960964 , x −
desidratação 3 , x , x − 0,9882594 , x −
osmótica 4 − −
− , x , x 0,9845639 , x −
5 , x − - 0,9952473 , x −
61
− −
6 , , x 0,9942682 , x
Modelos: 1 – Page; 2 – Silva et al; 3 – Peleg; 4 – Wang e Singh; 5 – Lewis; 6 – Henderson e Pabis.
Fonte: Autoria própria (2021).
Diante dos resultados obtidos através dos parâmetros de R² e �², observa-se que o
modelo 4 (Wangh e Singh), demonstrou a melhor descrição para os experimentos de 60ºC sem
desidratação osmótica e 60ºC com desidratação osmótica, uma vez que os valores de R² foram
os mais próximos de 1, e os valores de �² mais próximos de 0, em comparação aos demais.
Contudo, esse modelo não deve ser considerado, visto que foram preditos valores negativos
para o teor de umidade, o que é fisicamente sem sentido. A inadequação do modelo pode ser
visualizada através da Figura 4.1.
Continua...
Figura 4.1 – Curvas do ajuste de Wang e Singh aos dados experimentais do teor de umidade
adimensional das cascas de melão, em função do tempo em segundos: (a) 60ºC sem
desidratação osmótica; (b) 70ºC sem desidratação osmótica; (c) 60ºC com desidratação
osmótica; (d) 70ºC com desidratação osmótica.
Fonte: Lab Fit Curve Fitting (2020)
63
Figura 4.2 – Curvas do ajuste de Page aos dados experimentais do teor de umidade
adimensional das cascas de melão, em função do tempo em segundos: (a) 60ºC sem
desidratação osmótica; (b) 70ºC sem desidratação osmótica; (c) 60ºC com desidratação
osmótica; (d) 70ºC com desidratação osmótica.
Fonte: Lab Fit Curve Fitting (2020)
2
E = AM * + B (4.2)
Frente ao exposto, é possível identificar que à medida em que o teor de umidade reduz,
a espessura das amostras também reduziu.
65
Na Tabela 4.5 estão expressos os dados da otimização utilizando o modelo de difusão
através de solução numérica e condição de contorno convectiva (de terceiro tipo).
60 °C sem
−
desidratação , x cosh , �∗ , x −
, x −
,
osmótica
70 °C sem
−
desidratação , x cosh , �∗ , x −
, x −
,
osmótica
60 °C com
−
desidratação , x cosh , �∗ , x −
, x −
,
osmótica
70 °C com
−
desidratação , x cosh , �∗ , x −
, x −
,
osmótica
66
função da temperatura. Contudo, os valores de D para os experimentos com a maior
concentração osmótica (60ºBrix) foram menores, enquanto que os de h foram maiores. Assim,
tendo em vista que no presente estudo foi utilizada apenas a concentração osmótica de 20ºBrix,
não foi possível verificar o comportamento de diferentes concentrações osmóticas sobre os
resultados dos parâmetros avaliados.
De acordo com Braga (2016), que realizou estudos de desidratação osmótica de polpas
de manga, a diminuição da difusividade efetiva em decorrência do aumento da concentração
osmótica ocorre em consequência à saturação dos microcanais localizados no tecido vegetal do
fruto, bem como, do fato de a velocidade da difusão da sacarose para o interior do fruto ser
superior à da água.
Ao observar os resultados dos parâmetros de R² e χ², percebe-se que o modelo proposto
demonstrou eficácia para descrever os experimentos, já que todos os valores de R² foram acima
de 0,999, ou seja, bastante próximos de 1, enquanto que, simultaneamente, os valores de χ²
foram bem próximos de 0. Apesar disso, ao comparar os experimentos entre si, pode-se destacar
que o de 70ºC com desidratação osmótica foi descrito com maior eficácia, já que foram obtidos
os resultados de 0,99982 para R² e 7,682×10-4 para χ².
Os gráficos dos ajustes do modelo proposto aos dados experimentais, por sua vez,
podem ser visualizados na Figura 4.3.
(a) (b)
67
(c) (d)
Figura 4.3 – Gráficos da cinética de secagem de cascas de melão através de solução numérica
nas condições experimentais de: (a) 60 ºC sem desidratação osmótica; (b) 70 ºC sem
desidratação osmótica; (c) 60 ºC com desidratação osmótica; (d) 70 ºC com desidratação
osmótica.
Fonte: Infinite Slab Numerical Software (2020)
A Figura 4.3 corrobora com o que foi observado nos dados apresentados na Tabela 4.5,
uma vez que mostra o bom ajuste do modelo proposto aos dados experimentais.
Ao comparar os resultados obtidos por meio da modelagem através do modelo de
difusão com os dos modelos empíricos (Tópico 4.3), percebe-se que o modelo de difusão
demonstrou melhor eficácia para descrever os experimentos, tendo em vista que foram
fornecidos parâmetros estatísticos mais satisfatórios, bem como, curvas com melhores ajustes.
Já a comparação da simulação da cinética de secagem dos quatro experimentos pode ser
visualizada na Figura 4.4.
68
Figura 4.4 - Comparação da simulação da cinética de secagem dos quatro experimentos.
Fonte: Infinite Slab Numerical (2021)
Uma inspeção da Figura 4.3 e da Figura 4.4, torna-se possível a percepção de que para
os experimentos realizados a 70ºC foram requeridos tempos menores. Além disso, observa-se
também que a desidratação osmótica reduziu o teor de umidade inicial das amostras e, dessa
forma, influenciou no tempo total de secagem, já que foram requeridos tempos menores para
as duas amostras submetidas ao pré-tratamento, para atingir o teor de umidade de equilíbrio.
Ao fazer uma comparação entre a Figura 4.5 e a 4.6, é possível identificar que mesmo
em tempos menores, a redução do teor de umidade para o experimento realizado a 70ºC ocorreu
de modo mais acelerado. Obviamente, tal resultado é consequência da maior temperatura do ar
de secagem.
Já os gráficos de contorno referentes aos experimentos realizados para ambas as
temperaturas sob o tratamento prévio de desidratação osmótica podem ser visualizados nas
Figuras 4.7 e 4.8. A distribuição da umidade no interior do produto referente ao experimento
de 60ºC com o pré-tratamento de desidratação osmótica, foi avaliada nos instantes de 3420s,
8550s, 16420s, 23940s (Figura 4.7); enquanto que a do experimento de 70º com desidratação
osmótica, foi avaliada nos intantes 3240s, 6480s, 10370s, 21060s (Figura 4.8).
70
(a) (b) (c) (d)
Figura 4.7 - Gráficos de contorno (sem escala), mostrando a distribuição de umidade dentro
dos produtos para T = 60 ºC com desidratação osmótica para os instantes: (a) 3420 s; (b) 8550
s; (c) 16420 s; (d) 23940 s.
Ao analisar as Figuras 4.7 e 4.8 e compará-las com as Figuras 4.5 e 4.6, sobretudo os
instantes (a) e (b), é possível confirmar o que foi discutido no Tópico 4.4.1, ou seja, que as
amostras submetidas ao pré-tratamento de desidratação osmótica apresentaram teor de umidade
inicial reduzidos em comparação àquelas que não foram desidratadas.
71
Além disso, é possível identificar que a temperatura do ar de secagem impõe total
influência sobre a velocidade da distribuição da umidade no interior do produto. Ou seja, ao se
observar os instantes (a) e (d) das Figuras 4.7 e 4.8, torna-se perceptível que mesmo em tempos
menores, o processo de distribuição de umidade para o experimento de 70ºC com desidratação
osmótica ocorreu de modo mais acelerado.
As quatro formulações das farinhas da casca do melão amarelo podem ser visualizadas
através da Figura 4.9.
Figura 4.9 - (a) FCMSD 60ºC; (b) FCMSD 70ºC; (c) FCMCD 60ºC; (d) FCMCD 70ºC
Fonte: Autoria própria (2021)
72
Mediante análise da Figura 4.9, pode-se observar que a granulometria das farinhas
submetidas ao pré-tratamento de desidratação osmótica apresentou um aspecto mais refinado
em comparação às farinhas que não receberam o pré-tratamento.
Além disso, é possível identificar que a coloração das amostras desidratadas é levemente
mais escurecida. Tal fato pode ser em consequência da impregnação da sacarose durante o
procedimento de desidratação, bem como, pelo efeito da temperatura durante o processo de
secagem, os quais, em associação, podem favorecer o escurecimento não enzimático (LIMA et
al., 2004). No entanto, como a análise de cor não foi realizada, não foi possível identificar de
modo preciso a influência da desidratação osmótica na coloração das amostras.
74
no presente estudo provavelmente apresentam um bom prazo de validade, tendo em vista que a
atividade de água é um parâmetro crítico de qualidade dos produtos (GIBBS; GEKAS, 1998).
Enfim, ao que diz respeito à análise de lipídeos, como esperado, foram obtidos valores
baixos, dentre os quais, apenas a formulação FCMSDO 60ºC apresentou diferença estatística,
enquanto que as demais formulações apresentaram similaridade entre si. Ao realizar uma
inspeção dos valores, é possível perceber que o aumento da temperatura implicou em
percentuais mais baixos de lipídeos totais. Os valores obtidos foram ainda mais discretos que o
valor obtido por Madeira (2017), o qual foi de 3,63±1,23. Assim, tais resultados sugerem que
as formulações de farinhas da casca do melão representam uma alternativa interessante para ser
utilizada no enriquecimento de produtos alimentícios sem que haja a elevação considerável do
teor lipídico.
5 CONCLUSÃO
76
faz-se necessária a caracterização físico-química e microbiológica completa destas
farinhas, a fim de avaliar o máximo de parâmetros de qualidade; bem como, a realização
posterior de análises sensoriais e teste de intenção de compra dos produtos enriquecidos,
para avaliar a opinião de possíveis consumidores/compradores.
• No geral, é importante salientar que faz-se necessária a execução de mais testes de
secagens com diferentes temperaturas, a fim de obter a melhor eficácia do método e de
propor produtos mais seguros e de qualidade.
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