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O Monstro da Insônia e Seus Pesadelos

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Insônia

Capítulo 1
Acordo desesperado e suando frio em meu quarto, está escuro, mas o fraco brilho da Lua
ainda perece. Calafrios percorrem o meu corpo inteiro e não há nenhum sinal daquela criatura
que me observava, parada e em silêncio profundo, há pouco tempo atrás.

Levanto um tanto atordoado e vou em direção ao banheiro, lá, eu encontro dois frascos, em
seus rótulos estão escritos “Antipsicóticos”, pego dois comprimidos e os engulo a seco. Me
apoio na pia e olho diretamente para a minha imagem, relembrando de todas as milhares de
falas de especialistas me dizendo “Henry, você tem paralisia do sono.”. Espero o remédio fazer
efeito, enquanto me acalmo pensando que daqui 30 minutos estarei tão dopado que não
sentirei ou verei mais nada.

Capítulo 2
Acordo trinta minutos depois das sete, a luz do Sol ilumina com intensidade o meu rosto,
levanto, abro a janela e encho os meus pulmões de ar. Vejo daqui algumas crianças brincando
de pega-pega na rua e avisto Sr. Brown tirar o seu carro da garagem, espio um pouco mais, e
observo o Sr. Thomas regando suas flores. Então, de repente, escuto um estrondo vindo da
casa dos Brown, vejo que perto da garagem, ao lado da roda do carro está o corpo da Sra.
Brown, em sua volta está aquela figura que eu mais temo, me encarando, como se quisesse
me dizer algo.

Levanto assustado e confuso, me acalmo com fato daquilo ter sido apenas um pesadelo, os
remédios podem até me ajudar a dormir, mas não fazem parar esses sonhos terríveis que
tenho praticamente todas as noites. Olho o relógio, marca quatro horas da manhã, eu não
estou mais a fim de dormir depois daquilo, não resisto e vou jogar algo no meu PC, após horas,
marca agora sete e meia, da janela vejo o Sr. Brown saindo com o seu carro, e aquela mesma
cena se repete, a mesma batida e o mesmo cadáver no chão, mas desta vez eu não acordo,
infelizmente não estou sonhando.

Capítulo 3
Vejo aquele triste cena fúnebre, diversas pessoas vestidas de preto, tristes, chorosas e dando
as suas condolências aos familiares que perderam um ente querido, no caso, a Sra. Brown.
Deixo flores em seu túmulo, violetas, já que eram as suas favoritas. Percebo logo depois o Sr.
Brown ao meu lado, ele me abraça forte e diz “Eu a amava muito.”, o abraço de volta, e o
pensamento que mais me consome agora é que não precisava ter sido assim.

Algumas semanas já se passaram após a morte da Sra. Brown, e por surpreendente, eu não
tive mais aqueles sonhos bizarros. Deitado em minha cama, escuto Spotify, de olhos fechados,
me imaginando no clipe da música, até que de repente a música para de tocar, eu abro os
meus olhos para ver o que aconteceu, e quando faço isso, vejo a criatura me encarando.

Tem cerca de três metros de altura, sua coluna é curvada, seus braços são longos demais a
ponto de arrastarem no chão, seu corpo esquelético deixa a mostra seu pulmão que se
expande com cada respiração, os seus olhos vermelhos brilham intensamente através da
nuvem negra que está a sua volta. Não vou mentir, toda vez que eu o vejo, viro um frangão de
tão assustado que fico.

E, do nada, ele começa a correr, acostumado com a situação, o sigo, e percebo que ele está
indo em direção a casa da Sra. Cortez! O monstro arromba a porta e logo entro em seguida,
me deparo com o corpo todo desfigurado e arranhado da minha vizinha, já era tarde demais,
ela estava morta.

Capítulo 4
Na cafeteria “Good Day”, às oito e meia da manhã, estou bebendo um bom café, quente e
aconchegante, enquanto relaxo na cadeira, logo avisto uma velha biblioteca do outro lado da
rua. Após pagar o meu café da manhã vou á biblioteca, ela cheira a mofo, a conhecimento e a
“nerdolice”. Passando os meus dedos nas estantes digo “Parece que existe mais poeira do que
livros aqui.”, uma velhinha se aproxima e me pergunta se estou procurando algo, eu digo
“Sonhos. A senhora tem algum livro do tipo?”. Minutos depois, ela aparece com um livro
escrito “Sonhos e seus verdadeiros mistérios”, um título bem legal sinceramente, mas enfim,
eu me sento, e folheio página a página, tudo o que eu acho são significados dos sonhos e mais
alguns “blábláblás”, até que uma folha se solta, e lá está escrito “Valeris, o terrível demônio
para quem sonha.”, esse autor tem umas boas ideias para frases emocionantes, quem diria?

Capítulo 5
Alguma força do Universo deve estar me ajudando ou eu posso ser um protagonista de uma
história para ter essa sorte, de qualquer forma eu irei ler isso. “Valeris, o terrível demônio para
quem sonha. Pelos diversos boatos que já foram espalhados, ele foi visto pela última vez por
Jeffrey Hordans em 2014. De acordo com Hordans, Valeris suga toda a energia vital de suas
vítimas por meio de um hospedeiro com o objetivo de se materializar, assim ele pode se tornar
visível e palpável a todos.”. Esse breve resumo me fez ter uma certa dúvida, de que forma a
criatura faz isso por meio do hospedeiro, afinal? Qual seria a utilidade do hospedeiro? Essa
incerteza me consome profundamente. Abaixo há uma lista de “ingredientes” para um suposto
ritual, aparentemente eu preciso de sal grosso (típico de filmes de terror), uma gota do meu
sangue e um registro de algum desses sonhos bizarros. Empresto o livro e vou embora, no
caminho eu fico pensando se há finalmente um fio de luz no fundo do túnel.

Capítulo 6
No meu quarto, faço um círculo de sal e escrevo “Valeris” no chão, depois coloco o meu
sangue sobre a folha da qual escrevi a morte da Sra. Cortez, então digo certas frases
repetidamente e termino com “Venha e surja!”. De repente tudo começa a flutuar, o círculo se
torna vermelho, e dele emerge Valeris, esse monstro que eu mais temo.

Antes ele apenas me encarava em silêncio, mas agora, sabendo que irá ser banido deste
mundo, tenta me atingir, porém o limite de sal o impede de qualquer toque diante de mim.
Querendo ou não me sinto mais poderoso e menos frangote agora, então, de repente, ele faz
um ruído terrível e logo diz “Tudo isso é culpa sua, você quem causou isso, lembre-se disso, o
peso cairá em você mero mortal.” e desaparece. Talvez ele estivesse blefando...?

Capítulo 7
Acordo tranquilamente de um sono pesado, o Sol brilha intensamente, qual foi a última vez
que eu dormi tão bem? Vou para a cozinha, preparo o café e aquele “pãozão” com ovo,
enquanto fico pensando no que Valeris disse, era impossível ele me machucar, certo? Ele não
existia mais. Logo sinto uma presença, me viro e vejo um homem com uma faca aproximando
em minha direção.

Pulo da cama, gritando e amedrontado, havia sido um pesadelo. Antes mesmo de me acalmar,
uma mão tampa a minha boca e uma lâmina perfura o meu peito. As últimas cenas que
repassam em minha mente agora são de mim cortando os freios do carro dos Brown e
matando a Sra. Cortez com as minhas próprias mãos, eu havia sido manipulado esse tempo
todo... “A última vítima será o hospedeiro” – Livro “Sonhos e seus verdadeiros mistérios”.

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