PODER JUDICIÁRIO
JUSTIÇA DO TRABALHO
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO - 6ª REGIÃO
PROCESSO N.º TRT- 0000165-61.2013.5.06.0014.
ÓRGÃO JULGADOR : TERCEIRA TURMA.
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RELATOR : DESEMBARGADOR FÁBIO ANDRÉ DE FARIAS.
RECORRENTE : ROSICLEA MARIA DA SILVA CARVALHO.
RECORRIDO : FLOR ARTE LTDA.
ADVOGADOS : ANNA RAQUEL SOUZA DE FREITAS E ARTHUR
COELHO SPERB
PROCEDÊNCIA : 14ª VARA DO TRABALHO DO RECIFE (PE).
EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO DO RECLAMANTE. CARGO DE GESTÃO.
AUSÊNCIA DE PODERES DE MANDO TÍPICOS DO
ASSINADO ELETRONICAMENTE POR FABIO ANDRE DE FARIAS
EMPREGADOR. JORNADA EXTRAORDINÁRIA. HORAS-EXTRAS
DECORRENTES DO ALONGAMENTO DA JORNADA DEVIDAS..
Segundo as lições de Vólia Bonfim Cassar (Direito do Trabalho, 5ª
edição, Editora Impetus, p. 701), “a confiança preconizada no art. 62,
II, da CLT é aquela que é depositada no empregado que exerce, por
delegação, algum poder típico do empregador, se confundindo com ele
em alguns atos, similar àquela conceituada no art. 1.172 do Código
Civil. O principal poder do empregador é o de gerir a empresa com
autonomia, bem como o de disciplinar seus empregados.” Da análise
do conjunto probatório, não vislumbro, nas atividades da reclamante, a
existência de autonomia típica de empregador na condução da
empresa, nem mesmo provas da prática de atos disciplinares, tais
como admissão, promoção, demissão, punição de empregados, ou
outros que demonstrem o poder diretivo do empregador através
daquela representante, com mandato expresso ou tácito. Desta feita,
tenho que a reclamante não se insere na exceção do art. 62, II, da
CLT, razão pela qual faz jus ao recebimento das horas extras
laboradas. Recurso obreiro parcialmente provido.
Vistos etc.
Trata-se de recurso ordinário interposto pela reclamante ROSICLEA
MARIA DA SILVA CARVALHO contra a decisão proferida pelo MM. Juízo da 14ª
VARA DO TRABALHO DO RECIFE (PE), às fls. 132/136, que julgou
IMPROCEDENTES os pedidos formulados na reclamação trabalhista proposta pelo
recorrente, em face de FLOR ARTE LTDA.
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Nas razões recursais documentadas às fls. 138/148, o recorrente
insurge-se contra a decisão que acolheu a tese da defesa de que o obreiro exercia
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cargo de confiança, com poderes de gestão, e indeferiu o pleito de horas
extraordinárias. Sustenta que os poderes apontados pela ré como caracterizadores
do poder de mando não restaram comprovados. Assevera que não há nos autos
nenhum documento em que conste registrado ato de admissão, punição ou
demissão de empregados pela autora. Alega que a única prova que evidencia os
supostos poderes é o depoimento da testemunha patronal, que, no seu entender, se
apresenta frágil e tendenciosa. Aduz que referida testemunha citou um fato
ASSINADO ELETRONICAMENTE POR FABIO ANDRE DE FARIAS
absolutamente excepcional para exemplificar situação em que a reclamante saiu
mais cedo, como o dia em que levou sua filha a um show. Entende que as
declarações da referida depoente são contraditórias, pois afirma que, assim como
ela, a reclamante tinha autonomia quanto ao horário de entrada e saída e, no
entanto, aponta a mesma jornada por ambos cumprida. Outrossim, diz que a
atestante patronal, embora tenha confirmado os supostos poderes de admissão,
punição e demissão, não citou o nome de um único empregado, cujo ato
admissional, demissional ou promocional tenha sido praticado pela reclamante.
Repisa que não há provas de que a obreira se enquadra na exceção prevista no
artigo 62, da CLT. Afirma que o juízo sentenciante não observou os depoimentos
das testemunhas obreiras, que confirmaram o cumprimento de jornada de trabalho
mencionada pela reclamante, sem alterações que evidenciasse a autonomia
defendida pela reclamada, bem como não verificou os documentos que demonstram
o uso pela autora de serviço de táxi custeado pela empresa, ao sair da empresa,
dos quais se depreende que os horários de saída da reclamante condizem com
aqueles mencionados na inicial. Afirma, ainda, a autora, que suas testemunhas
comprovaram o horário de chegada ao trabalho declinado na inicial, bem como as
irregularidades no gozo do intervalo. Postula a reforma da decisão para que seja
reconhecida a jornada mencionada na inicial e julgadas procedentes as pretensões
formuladas nos itens 7.1 e 7.2 do rol de pedidos da inicial. Não se conforma, ainda,
a reclamante com a improcedência do pedido de diferenças salariais e de
indenização por danos morais, face ao seu rebaixamento de função. Alega a
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reclamante que trabalhava como coordenadora financeira e foi rebaixada para
exercer a função de coordenadora de tesouraria. Afirma que outro empregado, Luiz
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André, foi admitido em data posterior para exercer a mesma função da reclamante,
percebendo salário superior ao dela, razão pela qual faz jus às diferenças salariais e
reflexos. Sustenta, ainda, que com o ingresso do referido empregado, a obreira teve
sua CTPS retificada para coordenadora de tesouraria, implicando rebaixamento de
função e prejuízos morais, pelo que entende ser-lhe devida indenização por danos
morais. Assevera que o juízo a quo não se atentou às provas dos autos, segundo as
quais a reclamante e o paradigma encontram-se no mesmo patamar hierárquico, já
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que as atribuições que antes eram desenvolvidas pela autora foram parcialmente
destinadas ao Sr. Luiz André, que ingressou na empresa com salário superior.
Sustenta que o rebaixamento de função é incontroverso, haja vista a confirmação
pela primeira testemunha de que as atividades antes desempenhadas pela
reclamante passaram a ser exercidas pelo novo empregado. Diz, ainda, que a
segunda testemunha atestou ter encontrado a reclamante chorando, por duas
vezes, no banheiro, em face dos constrangimentos sofridos após a admissão do
paradigma. Postula sejam deferidas as diferenças salariais e reflexos, bem como a
indenização por danos morais, nos termos requeridos na inicial. Pede provimento.
Contrarrazões do reclamado às fls. 152/164.
Sem obrigatoriedade, não enviei os autos ao Ministério Público do
Trabalho.
É o relatório.
VOTO:
Da jornada de trabalho.
O objeto da controvérsia envolve o debate acerca do cargo que
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exercia a reclamante na empresa demandada, especificamente, sobre se poderia
ser qualificado como cargo de gestão e, consequentemente, se há incidência da
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exceção do art. 62, II, da CLT, ao caso em apreço.
De proêmio, impende destacar que o cargo de gestão não caracteriza-
se apenas pela ausência de controle de jornada ou pela percepção de remuneração
superior aos demais empregados, nos termos do art. 62, da CLT, ou pela atribuição
de liderança de um setor ou de uma equipe, com a existência de empregados sob
suas ordens. Para a configuração do cargo de confiança deve o gestor,
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necessariamente, possuir poderes de mando, substituindo o empregador.
Segundo as lições de Vólia Bonfim Cassar (Direito do Trabalho, 5ª
edição, Editora Impetus, p. 701), “a confiança preconizada no art. 62, II, da CLT é
aquela que é depositada no empregado que exerce, por delegação, algum poder
típico do empregador, se confundindo com ele em alguns atos, similar àquela
conceituada no art. 1.172 do Código Civil. O principal poder do empregador é o de
gerir a empresa com autonomia, bem como o de disciplinar seus empregados.”
Pois bem.
Da análise do conjunto probatório, não vislumbro, nas atividades da
reclamante, a existência de autonomia típica de empregador na condução da
empresa, nem mesmo provas da prática de atos disciplinares, tais como admissão,
promoção, demissão, punição de empregados, ou outros que demonstrem o poder
diretivo do empregador através daquela representante, com mandato expresso ou
tácito.
Com efeito, não obstante a única testemunha da reclamada tenha
declarado que, tanto ela, como a reclamante, exerciam cargo de gestão e que a
autora tinha total autonomia para fazer demissões, para fazer o processo de
seleção de empregados do seu setor, para aplicar penalidades, para promover
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empregados, afirmou, por outro lado, que não conhecia obreiros que tivessem sido
demitidos pela autora. Disse, ainda, “que o gerente financeiro da empresa é D.
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Cristina; que essa senhora Cristina gerenciava os gestores da área de tesouraria;”
(...) “que a reclamante era subordinada a esta gerente Cristina;”.
De outra parte, a primeira testemunha da reclamante atestou “que se
recorda que o Carlos foi uma das pessoas que ingressou como assistente na equipe
da reclamante; que pelo que tem conhecimento a reclamante não participava de
processo de admissão de funcionários”. No mesmo passo, a segunda testemunha
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da autora declarou “que participou de processo de seleção para entrar na empresa;
que esse processo de seleção foi coordenado pelo RH e pela gerente financeira
chamada Cristina; que a reclamante não participava do processo seletivo; que a
reclamante não dava treinamentos na empresa; que nunca presenciou a reclamante
aplicando punição a funcionários”.
Noutra senda, no que tange aos e-mails apresentados pela obreira,
que compõem o volume 1 apartado, e restaram adunados às fls. 201/222 do volume
2 apartado, tenho que apenas demonstram a simples execução da sua rotina de
trabalho, como o acompanhamento e controle da contabilidade da empresa,
lançamentos pecuniários, pagamentos, a cobrança por providências aos
encarregados de sua equipe, relativa às tarefas distribuídas e problemas inerentes.
Não demonstram autonomia nas decisões, ou amplos poderes de mando, como
pretende fazer crer a reclamada.
Ainda que a fidúcia contratual relativa à reclamante seja maior do que
aquela relativa a outros empregados, na medida em que a obreira coordenava uma
equipe, esta confiança depositada longe está de caracterizar o cargo de
confiança/gestão exigido por lei, mormente porque não restou cabalmente
demonstrado pela reclamada, que, de fato, a reclamante exercia poderes
disciplinares, de admissão e demissão, ante a fragilidade das declarações da
declarante patronal, acima apontada, e dos depoimentos das testemunhas obreiras,
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que atestaram que a reclamante não possuía tais poderes. Outrossim, em razão de
a própria testemunha da reclamada ter atestado que a reclamante era subordinada
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à gerente Cristina.
Com essas considerações, tenho que a reclamante não se insere na
exceção do art. 62, II, da CLT, razão pela qual faz jus ao recebimento das horas
extras laboradas.
Nesse ponto, quanto à jornada, a reclamante aduz, em sua inicial, que
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laborava de “segunda a quinta-feira, das 08:00h às 21:30/22h, largando às sextas-
feiras às 18h30/19h. Aos sábados, dois ao mês, trabalhava das 9h às 16h, sem
intervalo.” Afirma, ainda, que, de segunda a sexta, somente por dois dias na
semana gozava de intervalo de 1 hora, nos outros três, usufruía somente 20/30
minutos de intervalo.
A reclamada, por sua vez, em sua contestação, afirma, apenas, que
não havia controle de jornada, ao argumento de que a reclamante ocupava cargo de
confiança, bem como que durante o contrato de trabalho, a autora laborou
cumprindo uma jornada ficta (pró-forma), fixada das 8h às 17h, com intervalo
intrajornada de 1 hora, nas segundas-feiras, e das 8h às 18h, de terça à sexta, com
intervalo de 1 hora; ou das 8h às 17h, de segunda à quinta, e das 8h às 18h, nas
sextas, sempre com 1 hora de intervalo para descanso.
Superada a tese de que a reclamada ocupava cargo de confiança, é
de se analisar as provas dos autos existentes acerca da jornada praticada.
De proêmio, observo que não há cartões de ponto colacionados.
Por outro lado, a primeira testemunha obreira afirmou que “trabalhava
em media das 08 às 22 horas; que este era o mesmo horário da reclamante; que e
eles usufruíam de 01 hora de intervalo; que aos sábados trabalhavam das 08 as 14
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horas e folgavam aos domingos;”. A segunda declarante convidada pela autora
atestou que “trabalhava das 08 as 18 horas; que a reclamante começava as 08
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horas; que quando a depoente largava as 18 horas, a reclamante permanecia
trabalhando; que elas tinham 01 hora de intervalo para refeição, que não havia
trabalho todos os sábados; que a depoente trabalhou em alguns sábados, uma
media de dois sábados ao mês; que em todos os sábados que trabalhou apenas
encontrou a reclamante trabalhando em um sábado; que quando havia trabalhado
aos sábados, o horário de chegada era as 09 horas e a partir das 13 horas, se
encerrado o serviço, já eram liberados;”
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Por sua vez, a testemunha da reclamada afirmou “que em media, eles
trabalhavam das 08:30/09 horas as 19/20 horas; que tiravam cerca de 01 hora de
intervalo; que eventualmente, havendo necessidade, havia trabalho aos sábados;
que isso se dava cerca de uma 1 vez ao mês quando faziam plantão; que no caso
do depoente esse plantão era das 08 as 12 horas; que não sabe informar o horário
da reclamante nesses plantões, porque não coincidia o plantão dele com o dela;”.
Com base nos depoimentos, observo que as jornadas da reclamante
descritas pelas testemunhas são bem aproximadas, não havendo grandes
disparidades entre as declarações.
Nesse passo, apoiando-se, sobretudo no depoimento da primeira
testemunha autoral, que afirmou que o seu horário de trabalho era o mesmo da
reclamante, e, ainda, com base nos horários consignados nos recibos de corridas
de táxi apresentados pela autora (fls. 223/257, do volume II apartado), que indicam
o horário médio em que ela saía de empresa, fixo a jornada da reclamante nos
seguintes termos: de segunda à quinta, das 8 horas às 21:30 horas, às sextas, das
8 horas às 19 horas, com intervalo intrajornada de 1 hora (quanto à concessão do
intervalo, coincidiram os depoimentos de todas as testemunhas), e aos sábados,
embora da leitura do depoimento da primeira testemunha obreira, extraia-se que
havia labor em todos os sábados, considerando que a própria reclamante se reporta
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apenas a dois sábados, considero que o seu labor aos sábados ocorria duas vezes
por semana, e fixo a jornada de 9 horas às 14horas.
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É de bom alvitre registrar que a declaração da segunda depoente
convidada pela autora, afirmando que trabalhava duas vezes, no mês, aos sábados,
e que apenas em um sábado encontrou a reclamante, não implica dizer que a
obreira trabalhava apenas um sábado por semana, haja vista ser possível que,
nesses dias, não coincidisse os dias de labor de uma e de outra, como ocorria com
a testemunha da reclamada. Quanto a esta, pelo fato de liderar equipe diferente da
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reclamante, e sequer saber o horário de trabalho desta aos sábados, tenho que seu
depoimento, nesse ponto, não tem força probante convincente.
Com essas considerações, reconhecida a jornada acima esposada, faz
jus o reclamante às horas extras laboradas, consideradas como tal, as horas de
trabalho excedentes à oitava diária e à quadragésima quarta semanal, acrescidas
do adicional constitucional, uma vez que não restou adunado aos autos
instrumentos negocias indicando outro percentual.
Faz jus, ainda, às respectivas repercussões das horas excedentes
sobre o aviso prévio, as férias simples e proporcionais acrescidas de um terço, os
décimos terceiros salários simples e proporcionais, sobre o repouso semanal
remunerado, o FGTS e a multa fundiária de 40%.
Na apuração das horas extras, deve ser utilizado o divisor 220.
Quanto à repercussão das diferenças do repouso semanal, não
prospera o pleito da reclamante.
É que, no concernente ao tema, entendo que, conquanto esta Corte
entenda de forma diversa (Súmula nº 3), adoto, inclusive por razões de economia e
celeridade processual, a jurisprudência predominante na C. TST, segundo a qual, o
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reflexo dos descansos semanais enriquecidos com a integração das horas extras
em outras verbas implica “bis in idem”, a teor da OJ nº 394 da SDI-I:
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“REPOUSO SEMANAL REMUNERADO - RSR. INTEGRAÇÃO DAS
HORAS EXTRAS. NÃO REPERCUSSÃO NO CÁLCULO DAS FÉRIAS, DO
DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO, DO AVISO PRÉVIO E DOS DEPÓSITOS
DO FGTS. (DEJT divulgado em 09, 10 e 11.06.2010).
A majoração do valor do repouso semanal remunerado, em razão da
integração das horas extras habitualmente prestadas, não repercute no
cálculo das férias, da gratificação natalina, do aviso prévio e do FGTS, sob
pena de caracterização de 'bis in idem'”.
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Nesse sentido, cito ainda o seguinte julgado:
“RECURSO DE REVISTA. REFLEXOS DAS HORAS EXTRAS SOBRE A
REMUNERAÇÃO DO DESCANSO SEMANAL. A decisão regional foi
proferida em conformidade com o entendimento pacificado por meio da
Súmula nº 172 desta Corte, no sentido de que se computam, no cálculo do
repouso semanal remunerado, as horas extraordinárias habitualmente
prestadas. Incidência do art. 896, § 4º, da CLT e da Súmula nº 333 deste
Tribunal. Recurso de revista de que não se conhece. REPOUSO SEMANAL
REMUNERADO. INTEGRAÇÃO DAS HORAS EXTRAS. AUMENTO DA
MÉDIA REMUNERATÓRIA MENSAL. Ao determinar a inclusão, na média
remuneratória mensal, dos reflexos das horas extras sobre o repouso
semanal remunerado, o Tribunal Regional decidiu em desconformidade com
o entendimento consagrado por esta Corte na Orientação Jurisprudencial nº
394 da SBDI-1, porquanto se entende que tal operação representa indevido
pagamento em duplicidade. Recurso de revista de que se conhece e a que
se dá provimento.” (Processo: RR - 62400-41.2008.5.03.0073 Data de
Julgamento: 01/06/2011, Relator Ministro: Fernando Eizo Ono, 4ª Turma,
Data de Publicação: DEJT 10/06/2011)
Com efeito, dou provimento parcial ao recurso nesse particular.
Das diferenças salariais e consectários. Do rebaixamento de
função. Da indenização por danos morais.
Afirma a recorrente que laborava como coordenadora financeira e que,
no curso do contrato de trabalho, a empresa contratou outro empregado, Sr. Luiz
André, para exercer a mesma função por ela exercida, com salário superior ao que
ela percebia, razão pela qual, entende que faz jus ao pagamento da diferença
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salarial e reflexos, como postulado no item 7.4 da inicial.
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Aduz, ainda, que, após a contratação do referido empregado, teve sua
CTPS retificada de coordenadora financeira para coordenadora de tesouraria,
implicando o rebaixamento de função e prejuízos morais noticiados na peça de
ingresso, motivo pelo qual entende ter direito à indenização por dano moral.
A reclamada, em sua defesa, admite que houve uma reestruturação
organizacional na empresa, mas garante que as atividades da reclamante ou sua
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equipe não foram alteradas e que o empregado contratado a que se refere a
obreira, não exercia as mesmas funções que ela.
Assim, afirma que, inicialmente, a empresa tinha dois setores
distintos, o Setor financeiro, cujas atribuições envolviam as funções de tesouraria e
contas a pagar, coordenado pela reclamante, com o título de Coordenadora
Financeira, e o outro, o Setor de Supervisão e Análise de Crédito e Cobrança, que
abarcava as tarefas de crédito e cobrança coordenado por outro empregado,
intitulado Supervisor de Crédito e Cobrança.
Expõe que, com a restruturação organizacional da empresa, os dois
setores acima mencionados foram unificados em um único departamento, no
entanto, cada setor continuou com as respectivas coordenações particularizadas –
Tesouraria/Contas a Pagar, e Crédito e Cobrança -, realizadas pelos mesmos
empregados, com as mesmas atribuições. Alega que a unificação dos dois setores
gerou um departamento único, chamado Departamento Financeiro, que passou a
ser gerido pelo empregado Luiz André, contratado com salário superior em razão de
sua qualificação específica e da atribuição de gerência geral relativa aos dois
setores, com atribuições distintas das exercidas pelos mencionados coordenadores
setoriais. Para evitar problemas com a nomenclatura do cargo, já que o referido
gerente geral do Departamento financeiro unificado assumiu o título de
Coordenador Financeiro, a reclamada alterou o nome do cargo ocupado pela
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reclamante, para Coordenadora de Tesouraria, que, segundo o seu entendimento,
trata-se de uma nomenclatura mais adequada à função que ela sempre exerceu,
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sem que tenha havido modificação substancial de suas atribuições.
Pois bem.
Assim como o juízo de origem, com base no conjunto probatório, tenho
que não há que se falar em isonomia salarial, na medida em que as atribuições do
novo empregado contratado, Luis André, eram distintas das atividades da
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reclamante, como restou demonstrado pelas provas testemunhais autoral e
patronal. Essa ilação se depreende do depoimento da primeira testemunha autoral,
quando esta afirma que os funcionários se reportavam ao Sr. Luis em relação aos
assuntos a ele inerentes e à reclamante, em relação aos assuntos de sua
competência. No mesmo passo, a testemunha empresarial afirmou “que as
atribuições da reclamante não foram passadas para o Sr. Luis Andre; que eram
atribuições distintas;”. A segunda testemunha obreira, por sua vez, não soube
informar as competências do Sr. Luis André.
Quanto ao rebaixamento de função, ao meu sentir, a reclamante
também não tem razão. Com efeito, conforme a segunda testemunha obreira “com
a chegada do Sr. Luiz nada mudou nas atribuições da reclamante e ela continuou
como coordenadora financeira;”. Nesse sentido também afirmou a testemunha
patronal, ao declarar “que a reclamante permaneceu com as mesmas atribuições e
mesma equipe;” (...) “que a reclamante era responsável pelo setor de tesouraria e
contas a pagar; que as pessoas da tesouraria e contas a pagar eram subordinadas
a reclamante;”
.
É de bom alvitre registrar que a alteração de nomenclatura do cargo,
sem alterar-lhe as competências e deveres, não produz o efeito jurídico desejado
pela reclamante. Não faz diferença, portanto, se ela era chamada de coordenadora
financeira ou coordenadora de tesouraria, quando as atribuições eram as mesmas.
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De outra parte, ainda que a primeira testemunha autoral, divergindo,
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do depoimento dos demais declarantes, tenha afirmado que com a chegada do Sr.
Luiz houve uma divisão de tarefas, de modo que as atividades relativas à área
contábil, como pagamentos e recebimentos, as quais antes eram atribuições da
reclamante, passaram ao Sr. Luiz, ficando a reclamada com a atividade de banco e
de conciliação bancária, entendo, com base nos emails anexados pela obreira, que
essas afirmações não são convicentes e, portanto, não tem força probatória para
elidir as afirmações das demais testemunhas no sentido de que as atribuições da
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reclamante permaneceram a mesma.
Nessa senda, observando os emails enviados após o mês de março
de 2012, período informado pela reclamada (fl. 17) como o de contratação do Sr.
Luis, observo que a reclamante continua exercendo as tarefas contábeis, relativas a
pagamentos e recebimentos, sem que seja sequer mencionado o nome do Sr. Luis.
É o que se pode observar, por exemplo, dos emails às fls. 198/200 do volume 1
apartado e às fls. 208 do volume 2 apartado, pelos quais a reclamante continua
operando no controle/acompanhamento de pagamentos.
Quanto ao pedido de indenização por dano moral, também resta
descabida esta pretensão.
Para a caracterização do dano moral três fatores são necessários. O
primeiro é a prática de ato ilícito, o segundo é a comprovação induvidosa do
prejuízo causado pelo empregador e o terceiro e último é se houve, efetivamente,
diminuição ou destruição de um bem jurídico.
Ao postular o pagamento de indenização por dano moral, o autor
assume o ônus probatório relativo à prática de ato ilícito por parte do empregador,
além do dano suportado e do respectivo nexo causal entre esses elementos (artigo
333, I, do CPC).
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No caso em apreço, considerando que não restou demonstrado pelo
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reclamante que houve rebaixamento de função, uma vez que continuou no
desempenho das mesmas atribuições e coordenando a mesma equipe, ocorrendo
somente uma alteração quanto à nomenclatura do seu cargo; considerando que não
restou demonstrado nenhum constrangimento ou prejuízo moral, não faz jus a
reclamante a nenhuma indenização.
Isto posto, nego provimento ao recurso, quanto a estes tópicos.
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CONCLUSÃO
Ante o exposto, conheço do recurso ordinário do reclamante, e, no
mérito, dou-lhe parcial provimento, para reconhecer a jornada do recorrente das 8
horas às 21:30 horas, de segunda a quinta, de 8 horas às 19 horas, às sextas,
sempre com intervalo intrajornada de 1 hora, e de 9 horas às 14horas, em dois
sábados por mês e, em consequência, condenar o recorrido ao pagamento das
horas extraordinárias excedentes da 8ª diária e da 44ª hora semanal, com
incidência do adicional de 50%, bem como ao pagamento das respectivas
repercussões sobre o aviso prévio, as férias simples e proporcionais acrescidas de
um terço, os décimos terceiros salários simples e proporcionais, sobre o repouso
semanal remunerado, o FGTS e a multa fundiária de 40%.
Para os fins do artigo 832, §3º, da CLT, esclareço que as verbas
deferidas e as correspondentes repercussões têm natureza remuneratória e, por
isso, integram o salário de contribuição.
Tudo a ser apurado em liquidação, acrescido de juros de mora e
correção monetária, à luz dos artigos 883, da CLT, e 39, da Lei n. 8.177/91, além da
Súmula 211, do Tribunal Superior do Trabalho.
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Para fins de recolhimentos previdenciários, deverá ser observada a
legislação específica e, quanto à responsabilidade de cada uma das partes, as
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alíquotas estabelecidas nos artigos 20, 21 e 22, da Lei n. 8.212/91.
Apenas após o pagamento do crédito trabalhista tornar-se-á exigível a
contribuição previdenciária e incidirão multa e juros sobre o valor apurado (Súmula
14 deste Tribunal).
Os recolhimentos do imposto de renda deverão ser efetivados por
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ocasião da satisfação do crédito dos autores, mercê do disposto na Lei n. 8.541/92,
com alterações determinadas na Lei n. 10.833/2003. Observem-se, a respeito, o
Provimento CGJT/TST n. 03/2005 e as Instruções Normativas SRF n. 392/04 e
491/05.
Ao acréscimo condenatório arbitro o valor de R$ 10.000,00 (dez mil
reais). Custas majoradas em R$ 200,00 (duzentos reais).
ACORDAM os Desembargadores da Terceira Turma do Tribunal
Regional do Trabalho da Sexta Região, por unanimidade, conhecer do recurso
ordinário do reclamante, e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para reconhecer a
jornada do recorrente das 8 horas às 21:30 horas, de segunda a quinta, de 8 horas
às 19 horas, às sextas, sempre com intervalo intrajornada de 1 hora, e de 9 horas
às 14horas, em dois sábados por mês e, em consequência, condenar o recorrido ao
pagamento das horas extraordinárias excedentes da 8ª diária e da 44ª hora
semanal, com incidência do adicional de 50%, bem como ao pagamento das
respectivas repercussões sobre o aviso prévio, as férias simples e proporcionais
acrescidas de um terço, os décimos terceiros salários simples e proporcionais,
sobre o repouso semanal remunerado, o FGTS e a multa fundiária de 40%. Para os
fins do artigo 832, §3º, da CLT, esclarece-se que as verbas deferidas e as
correspondentes repercussões têm natureza remuneratória e, por isso, integram o
salário de contribuição. Tudo a ser apurado em liquidação, acrescido de juros de
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mora e correção monetária, à luz dos artigos 883, da CLT, e 39, da Lei n. 8.177/91,
além da Súmula 211, do Tribunal Superior do Trabalho. Para fins de recolhimentos
EM 06/06/2014 08:38 (Lei 11.419/2006) - Autenticação do Documento: BE6063AC5A.5456A88FD9.AFD73A82D5.360ABB1F5A
previdenciários, deverá ser observada a legislação específica e, quanto à
responsabilidade de cada uma das partes, as alíquotas estabelecidas nos artigos
20, 21 e 22, da Lei n. 8.212/91. Apenas após o pagamento do crédito trabalhista
tornar-se-á exigível a contribuição previdenciária e incidirão multa e juros sobre o
valor apurado (Súmula 14 deste Tribunal). Os recolhimentos do imposto de renda
deverão ser efetivados por ocasião da satisfação do crédito dos autores, mercê do
disposto na Lei n. 8.541/92, com alterações determinadas na Lei n. 10.833/2003.
ASSINADO ELETRONICAMENTE POR FABIO ANDRE DE FARIAS
Observem-se, a respeito, o Provimento CGJT/TST n. 03/2005 e as Instruções
Normativas SRF n. 392/04 e 491/05. Ao acréscimo condenatório arbitra-se o valor
de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Custas majoradas em R$ 200,00 (duzentos reais).
Recife, 02 de junho de 2014.
Firmado por assinatura digital (Lei 11.419/2006)
Fábio André de Farias
Desembargador relator
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