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Julgamento de Ação Trabalhista em Recife

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PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 6ª REGIÃO


14ª VARA DO TRABALHO DO RECIFE-PE

ATA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO

Proc. n° 0000165-61.2013.5.06.0014

Aos 17 dias do mês de fevereiro do ano de dois mil e quatorze, às


13h30min, estando aberta a audiência da 14ª Vara do Trabalho desta cidade, na sala
respectiva, sito à Praça Ministro João Gonçalves de Souza, 8º andar/Sul- Engenho do
Meio, Recife-PE, com a presença da Sra. Juíza do Trabalho ROBERTA CORRÊA DE
ARAUJO MONTEIRO, foram, por ordem da Sra. Juíza Titular apregoados os litigantes

ROSICLEA MARIA DA SILVA CARVALHO


-Reclamante

FLOR E ARTE LTDA


-Reclamado

Ausentes as partes. Instalada a audiência, a Juíza Titular relatou o feito,


passando a proferir a seguinte decisão:

Vistos, etc.

RELATÓRIO

ROSICLEA MARIA DA SILVA CARVALHO ajuizou ação trabalhista em


face de FLOR E ARTE LTDA postulando o exposto às fls. 02/07 dos autos.
Regularmente notificado, o reclamado apresentou defesa às fls.14/26 dos
autos.
Alçada arbitrada em R$ 30.000,00.
Recusada a conciliação.
Foram juntados documentos e produzida prova oral.
Nada mais requerido foi encerrada a instrução.
Razões finais aduzidas oralmente.

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14ª VARA DO TRABALHO DO RECIFE-PE

ATA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO

Proc. n° 0000165-61.2013.5.06.0014

É o relatório. Processo em ordem para julgamento.


Passo a decidir.

FUNDAMENTAÇÃO

1. DA PRELIMINAR DE INÉPCIA DA PETIÇÃO INICIAL

O reclamado suscita a inépcia da petição inicial sob o argumento de que o


autor formula pedidos incompatíveis entre si pois afirma que exercia a função de
coordenadora financeira e diz que foi rebaixada para coordenadora da tesouraria e
postula horas extras sendo um paradoxo vez que se exercia função de chefia não faz jus
a horas extras.
A preliminar não procede haja vista que a simples nomenclatura do cargo
de coordenadora em nada atesta o efetivo desempenho de cargo de confiança a inserir a
autora na exceção prevista no art. 62 da CLT visto que é o princípio da primazia da
realidade a partir da realidade fática das funções exercidas pela obreira que definem se
de fato ela laborava sem estar sujeita a controle de jornada.
Rejeito, pois a preliminar em vista da ausência da inépcia apontada.

2. DO REBAIXAMENTO DE FUNÇÃO

A autora aduz em sua peça inicial que exercia a função de coordenadora


financeira e sofreu rebaixamento de função quando da admissão de outro funcionário
que passou a exercer as suas atribuições e coloca-la sob sua subordinação.
O reclamado nega a tese da autora e refuta o dano moral afirmado.
A prova produzida nos autos inclusive pela própria autora deixa evidente
que os fatos narrados na exordial não ocorreram.
Deveras, a prova produzida demonstrou que embora um outro funcionário
tenha sido contratado como coordenador, a reclamante permaneceu no exercício de sua
função, mantendo seu cargo e sua remuneração, tendo ocorrido tão somente uma

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Proc. n° 0000165-61.2013.5.06.0014

repartição de atribuições sem que houvesse qualquer supressão da autoridade da


obreira e muito menos sujeição ou subordinação ao outro funcionário.
Não reconheço o alegado rebaixamento de função e tampouco qualquer
dano moral sofrido pela reclamante fundado nos fatos articulados na petição inicial.
Por via de consequência, julgo improcedente o pedido de pagamento de
indenização por danos morais.

3. DO PLEITO RELATIVO A DIFERENÇA SALARIAL

Resta absolutamente improcedente por ausência de qualquer fundamento


legal ou jurídico a pretensão da obreira quanto a percepção de diferença de
remuneração para o salário pago ao novo empregado contratado posto que para o
exercício de função distinta da por ela desempenhada.
Com efeito, restou evidente que as atribuições da reclamante e do novo
funcionário contratado como coordenador não eram idênticas e, portanto não há que se
falar em isonomia salarial.
Julgo, pois improcedente o pedido de pagamento de diferenças salariais e
repercussões deste título postuladas.

4. DOS PLEITOS RELATIVOS A JORNADA DE TRABALHO DA


AUTORA

A prova oral produzida pelo reclamado atestou que a autora na qualidade


de coordenadora financeira exercia cargo de confiança , tinha funcionários a ela
subordinados e detinha liberdade na fixação de seu horário de trabalho, não estando
sujeita a jornada previamente estabelecida e sendo detentora de poder e autonomia para
contratar e demitir funcionários, aplicar punição disciplinar aos seus subordinados,
determinar promoções embora não indicasse promoções ou punições feitas pela
reclamante o que efetivamente não significa que ela não detinha poderes para tanto.

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Entendo que o réu comprovou que a obreira exercia cargo de confiança e


não estava sujeita a controle ou fiscalização de jornada de trabalho, estando, portanto
inserida na exceção prevista no art. 62 da CLT.
Isto posto, julgo improcedente o pedido de pagamento de horas extras e
repercussões deste título postuladas.

5. DA JUSTIÇA GRATUITA

Ficam deferidos ao autor os benefícios da justiça gratuita, por ser pobre na


forma da lei.

6. DA VERBA HONORÁRIA

Os honorários advocatícios são indeferidos, vez que a autora não se


encontra devidamente assistida pelo seu sindicato de classe e foi sucumbente no objeto
da presente ação.

CONCLUSÃO

Ante o exposto e considerando o mais que dos autos julgo improcedentes


os pleitos formulados por ROSICLEA MARIA DA SILVA CARVALHO na ação trabalhista
ajuizada em face de FLOR ARTE LTDA .

Tudo em fiel observância à fundamentação supra, que passa a integrara o


dispositivo sentencial como se nele estivesse transcrita.
Custas processuais, pela ré, no montante de R$ 600,00, calculadas sobre
R$ 30.000,00, valor da causa para os fins de direito, porém dispensadas na forma da lei.

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Cientes as partes (Súmula 197 do TST).

ROBERTA CORRÊA DE ARAÚJO MONTEIRO


Juíza do Trabalho

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