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Poder Constituinte

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Direito Constitucional

Poder Constituinte
CURSO RDP EXTENSIVO DPE
CONSTITUCIONAL

Atualizado em 07/07/23

SUMÁRIO
DIREITO CONSTITUCIONAL ............................................................................................................................................................... 3
PODER CONSTITUINTE ............................................................................................................................................................................. 3
1. PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO .................................................................................................................................................... 3
1.1 CARACTERÍSTICAS DO PCO ................................................................................................................................................................ 5
1.2 LIMITES MATERIAIS AO PCO – JORGE MIRANDA .............................................................................................................................. 7
1.3 EXPRESSÕES DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO ...................................................................................................................... 8

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
1.4 RESUMO SOBRE O PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO ................................................................................................................... 8
2. PODER CONSTITUINTE DERIVADO ....................................................................................................................................................... 9
2.1 PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR .......................................................................................................................... 10
2.2 LIMITAÇÕES AO PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR ............................................................................................... 11
2.2.1 LIMITAÇÕES TEMPORAIS .............................................................................................................................................................. 11
2.2.2 LIMITAÇÕES CIRCUNSTANCIAIS .................................................................................................................................................... 11
2.2.3 LIMITAÇÕES FORMAIS .................................................................................................................................................................. 11
2.2.4 LIMITAÇÕES MATERIAIS................................................................................................................................................................ 12
[Link] CLÁUSULAS PÉTREAS EXPRESSAS .............................................................................................................................................. 12
[Link] CLÁUSULAS PÉTREAS IMPLÍCITAS .............................................................................................................................................. 15
[Link] DEFENSORIA PÚBLICA E CLÁUSULA PÉTREA IMPLÍCITA............................................................................................................ 15
[Link] LIMITAÇÕES IMPOSTAS AO PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR....................................................................... 17
2.3 PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE............................................................................................................................ 17
2.4 PODER CONSTITUINTE DERIVADO REVISOR .................................................................................................................................... 20
3. PODER CONSTITUINTE DIFUSO .......................................................................................................................................................... 21
4. PODER CONSTITUINTE SUPRANACIONAL .......................................................................................................................................... 22
5. NOVA CONSTITUIÇÃO E ORDEM JURÍDICA ANTERIOR ...................................................................................................................... 23
5.1 O FENÔMENO DA RECEPÇÃO .......................................................................................................................................................... 23
5.2 O FENÔMENO DA INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE .................................................................................................... 25
5.3 PROCESSO DE INCONSTITUCIONALIZAÇÃO ..................................................................................................................................... 26
5.4 GRAUS DE RETROATIVIDADE DA NORMA CONSTITUCIONAL ......................................................................................................... 28

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CONSTITUCIONAL

Atualizado em 07/07/23

DIREITO CONSTITUCIONAL

PODER CONSTITUINTE

Olá, pessoal. Hoje veremos um assunto famosinho em Direito Constitucional, que é recordista em
prova de Defensoria Pública. Isso mesmo, o tema Poder Constituinte já caiu inúmeras vezes em concursos
para Defensoria Pública, portanto, veremos diversos detalhes para que você fique ligado. :D

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Há diversos conceitos e classificações acerca do Poder Constituinte. Primeiro, precisamos saber que
ele se desdobra em 1) originário; 2) derivado; 3) difuso; 4) supranacional.

O originário tem dois desdobramentos: a) histórico e b) revolucionário.

O derivado também tem seus desdobramentos: a) reformador; b) decorrente e c) revisor.

Certo, mas essas divisões podem ter causado uma confusão na sua cabeça. Por isso, para facilitar a
sua compreensão, recomendamos que dedique alguns minutos analisando o organograma abaixo:

Imagem extraída da obra: Lenza, Pedro. Direito Constitucional esquematizado/Pedro Lenza. –


Coleção esquematizado®/coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo: Saraiva Educação,
2020, p. 153.

Feitas essas considerações, abordaremos inicialmente o Poder Constituinte Originário. Vamos lá.

1. PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO

O Poder Constituinte Originário (que algumas vezes será mencionado neste material através da sigla
PCO) é também chamado de inicial, inaugural, genuíno ou de 1º grau.

Pedro Lenza, que possui uma obra didática e objetiva sobre temas ligados ao Direito Constitucional,
define o Poder Constituinte Originário como “aquele que instaura uma nova ordem jurídica, rompendo por
completo com a ordem jurídica precedente”.1

1 Direito Constitucional esquematizado/Pedro Lenza. – Coleção esquematizado®/coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo:
Saraiva Educação, 2020, p. 154.

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CAIU NA DPE-RS-2011-FCC: O Poder Constituinte genuíno estabelece a Constituição de um novo Estado,


organizando-o e criando os poderes que o regerão.2

CAIU NA DPE-TO-2013-CESPE: No sistema brasileiro, o exercício do poder constituinte originário implica


revogação das normas jurídicas inseridas na constituição anterior, apenas quando forem materialmente
incompatíveis com a constituição posterior.3

Nesse mesmo sentido, Marcelo Novelino lembra que “o adjetivo "originário" é empregado para

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
diferenciar o poder criador de uma nova Constituição daqueles instituídos para alterar o seu texto (Poder
Constituinte Derivado) ou para elaborar as Constituições dos Estados-membros da federação (Poder
Constituinte Decorrente). Em suas próprias palavras: “O Poder Constituinte Originário pode ser definido,
portanto, como um poder político, supremo e originário, responsável por estabelecer a Constituição de um
Estado”.4

Parte da doutrina estabelece subdivisões para o Poder Constituinte Originário.

Nos dizeres de Pedro Lenza (2020, p. 155), o PCO pode ser subdividido em histórico (ou fundacional)
e revolucionário. Veja-se:

(...) “Histórico seria o verdadeiro poder constituinte originário, estruturando, pela


primeira vez, o Estado. Revolucionário seriam todos os posteriores ao histórico,
rompendo por completo com a antiga ordem e instaurando uma nova, um novo
Estado”.

CAIU NA DPE/AP – 2022 – FCC5 : O poder constituinte que rompe por completo com a antiga ordem
estruturante do Estado, instaurando uma nova, é conhecido como
(A) revolucionário, sobrevindo ao poder instituidor.
(B) decorrente, sobrevindo ao poder revolucionário.
(C) revolucionário, sobrevindo ao poder histórico.
(D) decorrente, sobrevindo ao poder institucionalizador.
(E) revisor, sobrevindo ao poder originário.

Marcelo Novelino, por sua vez, traz outras subdivisões/espécies para PCO, além daquelas já
trabalhadas por Pedro Lenza. São elas: “Poder Constituinte material”; “Poder Constituinte formal”; “Poder
Constituinte Concentrado (ou Demarcado) e “Poder Constituinte Difuso”. É indispensável compreender essas
espécies e o que as distingue. Por isso, eis o trecho a seguir, extraído da obra de Novelino:

2 Gab: C. Poder Constituinte Originário é também chamado de inicial, inaugural, genuíno ou de 1º grau.
3 Gab: E. O poder constituinte originário instaura uma nova ordem jurídica e rompe completamente com a ordem jurídica anterior.
4 Novelino, Marcelo Curso de direito constitucional/ Marcelo Novelino. - 11. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2016, p.

65.
5 GAB:C.

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“O Poder Constituinte Material é o responsável por definir o conteúdo fundamental


da constituição, elegendo os valores a serem consagrados e a ideia de direito que
irá prevalecer. No momento seguinte, essas escolhas políticas são formalizadas no
plano normativo pelo Poder Constituinte Formal. O Poder Constituinte Material
precede o Formal em dois aspectos: (I) logicamente, porque "a ideia de direito
precede a regra de direito; o valor comanda a norma; a opção política fundamental,
a forma que elege para agir sobre os fatos; a legitimidade, a legalidade"; e (II)
historicamente, pois o triunfo de certa ideia de direito ou nascimento de certo

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
regime ocorre antes de sua formalização (MIRANDA, 2000).6

Poder Constituinte Concentrado (ou Demarcado) quando o surgimento da


constituição resulta da deliberação formal de um grupo de agentes, como no caso
das constituições escritas; ou, em Poder Constituinte Difuso 7quando a constituição
é resultante de um processo informal em que a criação de suas normas ocorre a
partir da tradição de uma determinada sociedade, como ocorre com as constituições
consuetudinárias.”

CAIU NA DPE-PI-2009-CESPE: A mutação constitucional não se pode dar por via de interpretação, mas apenas
por via legislativa, quando, por ato normativo primário, procura-se modificar a interpretação que tenha sido
dada a alguma norma constitucional.8

1.1 CARACTERÍSTICAS DO PCO

As principais características do Poder Constituinte Originário podem ser vistas sob dois aspectos: 1)
positivista e 2) jusnaturalista.

Sob o aspecto positivista, o PCO tem as seguintes características:

1) inicial: instaura uma nova ordem jurídica, rompendo com a ordem jurídica
anterior;

2) autônomo: cabe ao próprio PCO definir e estruturar a nova Constituição;

3) incondicionado: não está submetido a nenhuma regra;

4) ilimitado juridicamente: não precisa respeitar os limites postos pelo ordenamento


anterior.

6 Ibidem, p. 66.
7 O Poder Constituinte Difuso é também chamado de MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL.
8 GAB: E. Ao contrário, na mutação constitucional não há qualquer alteração formal Constituição. Há, por outro lado, mudança no

entendimento em virtude da dinâmica evolução social.

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Porém, como afirma Novelino9, o PCO, em um viés jusnaturalista (o que deve ser defendido em nossas
provas abertas), tem as seguintes características:

1) incondicionado juridicamente pelo direito positivo, mas submetido aos princípios


do direito natural;

2) permanente, por não se exaurir com a conclusão de sua obra, isto é, por estar em
estado latente; e

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
3) inalienável, uma vez que a titularidade é da nação, e esta não pode transferi-la.

CAIU NA DPE-SE-2012-CESPE: Assinale a opção correta no que se refere ao poder constituinte10.


A) O caráter ilimitado do poder constituinte originário deve ser entendido guardadas as devidas proporções:
embora a Assembleia Nacional Constituinte de 1987/1988 não se subordinasse a nenhuma ordem jurídica que
lhe fosse anterior, devia observância a certos limites extrajurídicos, como valores éticos e sociais.
B) Com a promulgação da CF, esgotou-se, no Brasil, o poder constituinte originário.
C) Ao serem eleitos, os parlamentares que integraram a Assembleia Nacional Constituinte instalada no Brasil
em 1987 tornaram-se os únicos titulares do poder constituinte originário.
D) A Assembleia Nacional Constituinte instalada no Brasil em 1987 exerceu poder constituinte derivado.
E) A Assembleia Nacional Constituinte instalada no Brasil em 1987 exerceu poder constituinte originário,
caracterizado como inicial e autônomo, não se subordinando a limitações de nenhuma ordem, ainda que
extrajurídicas.

É importante destacar que o texto "O que é o Terceiro Estado?", escrito pelo Abade Emmanuel Joseph
Sieyes (decore esse nome para usar nas provas discursivas), teve uma enorme repercussão nos estudos sobre
o Poder Constituinte.

Nessa obra, Sieyes (2001) sustenta que o reconhecimento da vontade comum na opinião da maioria
é uma máxima incontestável. Para o autor, em um de seus aspectos, o Terceiro Estado é a própria Nação. Isso
porque, os representantes do Terceiro Estado formam a Assembleia Nacional. E, uma vez que estes são os
verdadeiros depositários da vontade nacional, cabe aos mesmos (os representantes do Terceiro Estado) falar
em nome de toda a Nação.11

Marcelo Novelino lembra que para a doutrina majoritária, a titularidade do Poder Constituinte reside
na soberania do povo (resposta democrática).

9 Novelino, Marcelo Curso de direito constitucional/Marcelo Novelino. - 11. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2016,
p. 68.
10 GAB: A.
11 Novelino, Marcelo Curso de direito constitucional/Marcelo Novelino. - 11. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2016, p.

67.

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CAIU NA DPE-SP-2012-FCC: Emmanuel Joseph Sieyès (1748-1836), um dos inspiradores da Revolução Francesa,
foi autor de um texto que teve grande repercussão na teoria do Poder Constituinte. O referido texto é:12
A) Que é o terceiro Estado?
B) O poder do terceiro Estado.
C) Que pretende o terceiro Estado?
D) Que tem sido o terceiro Estado?
E) A importância do terceiro Estado.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
1.2 LIMITES MATERIAIS AO PCO – JORGE MIRANDA

Vimos acima que o Poder Constituinte Originário pode ser visto sob duas óticas: uma positivista, onde
há plena liberdade para se definir o conteúdo da nova Constituição, e outra jusnaturalista, em que há algumas
limitações que estão fora do direito positivo.

Com base nessa perspectiva, o professor Jorge Miranda pontua três categorias de limites materiais ao
Poder constituinte: 1) transcendentes, 2) imanentes e 3) heterônomos.

Na tabela abaixo constam esses limites:

LIMITES MATERIAIS SEGUNDO JORGE MIRANDA (citado por Marcelo Novelino)


Para Novelino, “os limites transcendentes são aqueles que, advindos de
imperativos do direito natural, de valores éticos ou de uma consciência jurídica
coletiva, impõem-se à vontade do Estado, demarcando sua esfera de intervenção.
Nesse sentido, parte da doutrina sustenta o dever de manutenção, imposto ao
LIMITES
Poder Constituinte Originário pelo princípio da proibição de retrocesso, dos
TRANSCENDENTES
direitos fundamentais objeto de consensos sociais profundos ou diretamente
ligados à dignidade da pessoa humana”. Novelino, Marcelo. Curso de direito
constitucional/ Marcelo Novelino. - 11. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed.
JusPodivm, 2016, p. 68.
Os limites imanentes estão relacionados à "configuração do Estado à luz do Poder
Constituinte material ou à própria identidade do Estado de que cada Constituição
representa apenas um momento da marcha histórica." Referem-se a aspectos
LIMITES IMANENTES
como a soberania ou a forma de Estado (MIRANDA, 2000). Novelino, Marcelo
Curso de direito constitucional/ Marcelo Novelino. - 11. ed. rev., ampl. e atual. -
Salvador: Ed. JusPodivm, 2016, p. 68.
Os limites heterônomos são provenientes da conjugação com outros
ordenamentos jurídicos como, por exemplo, .as obrigações impostas ao Estado
LIMITES HETERÔNOMOS por normas de direito internacional. A globalização e a crescente preocupação
com os direitos humanos são fenômenos que têm contribuído para relativizar a
soberania do Poder Constituinte. Sob essa perspectiva, seria vedado às futuras

12 Gab: A.

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constituições brasileiras consagrar a pena de morte para além dos casos de


guerra externa (CF, art. 5. 0 , XLVII, "a"). Novelino, Marcelo Curso de direito
constitucional/ Marcelo Novelino. - 11. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed.
JusPodivm, 2016, p. 68.

1.3 EXPRESSÕES DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Para a doutrina, o PCO pode se expressar de 2 (duas) formas: a) por outorga ou b) por Assembleia
Nacional Constituinte (ou por Convenção).

ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE OU


OUTORGA
CONVENÇÃO
Para Lenza, a outorga caracteriza-se pela declaração Neste caso, nasce da deliberação da representação
unilateral do agente revolucionário (movimento popular, destacando-se os seguintes exemplos: CF
revolucionário — exemplo: Constituições de 1824, de 1891, 1934, 1946 e 1988 (Lenza, 2020, p. 157).
1937, 1967 e EC nº 1/69, lembrando que a
Constituição de 1946 já havia sido suplantada pelo Nesse sentido, cabe destacar o recente processo
Golpe Militar de 1964 — AI 1, de 09.04.1964). (Pedro constituinte chileno, em que a Assembleia Nacional
Lenza, 2020, p. 157). Constituinte foi constituída com paridade de gênero.

CAIU NA DPE-AM-CESPE-2003: No atual regime constitucional brasileiro, a convocação de uma assembleia


nacional constituinte, dotada de poder constituinte originário, apenas poderia ser feita mediante uma emenda
à constituição. 13

1.4 RESUMO SOBRE O PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO

Abaixo, um quadro resumo sobre tudo que vimos acerca do Poder Constituinte Originário.

RESUMO SOBRE PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO 14


Poder político, supremo e originário, responsável por estabelecer a Constituição de
Conceito
um Estado.
- PCO Histórico (Exemplo: Constituição brasileira de 1824)
-PCO Revolucionário (Constituição brasileira de 1937, criada com o propósito de tornar
Espécies efetiva a Revolução de 1930).
- PCO Concentrado/PCO Difuso (mutação constitucional)
- PCO Material/PCO Formal
a) por outorga ou
Expressões
b) por Assembleia Nacional Constituinte (ou por Convenção).

13 GAB: E. A banca considerou que o poder constituinte originário é ilimitado juridicamente, não se condicionando a uma forma
prefixada de manifestação.
14 Tabela criada tendo como base a obra de Marcelo Novelino, Curso de Direito Constitucional, já citada (2016), e o Curso de Direito

Constitucional de Pedro Lenza (2020).

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- Criação de novo Estado;


Fenômeno - Derrota na guerra;
constituinte - Revolução (golpe de Estado; insurreição);
- Transição constitucional.
- Concepção jusnaturalista: Poder jurídico (ou de direito);
Natureza
- Concepção juspositivista: Poder político (ou de fato) .
Características - Concepção juspositivista: Inicial, autônomo, incondicionado;

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
essenciais - Concepção jusnaturalista (Sieyes): incondicional, permanente, inalienável.
- Transcendentes;
Limites materiais - Imanentes e
- Heterônomos.

2. PODER CONSTITUINTE DERIVADO

O Poder constituinte derivado (que poderá ser citado ao longo deste material como PCD) é também
chamado de instituído, constituído, secundário, de 2º grau ou remanescente.

CAIU NA DPE-MA-2015-FCC: No âmbito da teoria do poder constituinte, considera-se que o poder de aprovar
emendas às constituições estaduais15:
A) não configura exercício de poder constituinte derivado ou instituído.
B) cabe ser definido no âmbito das Constituições Estaduais, constituindo o único instrumento pelo qual se
admite promover modificações no regime constitucional estadual em vigor.
C) configura exercício de poder constituinte decorrente de segundo grau, pois deve observar, como regra
geral, as limitações materiais impostas ao poder constituinte decorrente inicial, além daquelas estatuídas pela
própria Constituição Estadual.
D) sujeita-se apenas a limites formais e circunstanciais.
E) fica sujeito, em virtude do princípio da simetria, apenas às limitações formais e materiais impostas ao poder
de reforma da Constituição Federal.

Para a doutrina, “o Poder Constituinte Derivado é responsável pelas alterações no texto constitucional
segundo as regras instituídas pelo Poder Constituinte Originário. Caracteriza-se por ser um poder instituído,
limitado e condicionado juridicamente. A Constituição de 1988 estabeleceu a possibilidade de sua
manifestação por meio de reforma (CF, art. 60) ou de revisão (ADCT, art. 3º)”.16 Vale lembrar que, por exigir
um processo de alteração mais rígido que as leis, entende-se que o Poder Constituinte Derivado é inerente às
Constituições rígidas.

CAIU NA DPE/PI – 2022 – CESPE17: Considerando a doutrina tradicional a respeito do poder constituinte
derivado, assinale a opção correta.

15 GAB: C.
16 Novelino, Marcelo Curso de direito constitucional/Marcelo Novelino. - 11. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2016, p.
74.
17 GAB: D.

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A) No âmbito judicial, não se admite o controle de constitucionalidade formal do poder constituinte derivado.
B) A Constituição Federal não possui limitações materiais explícitas ao poder constituinte derivado.
C) São características do poder constituinte derivado a inicialidade, a incondicionalidade e a limitação.
D) O poder constituinte derivado é inerente às constituições rígidas.
E) A Constituição Federal possui limites temporais ao poder constituinte derivado, mas não prevê limites
circunstanciais.

CAIU NA DPE-RS-2011-FCC: O Poder Constituinte derivado decorre de uma regra jurídica constitucional, é

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
ilimitado, subordinado e condicionado.18

É bom lembrar que do Poder Constituinte ORIGINÁRIO derivam todos os demais, tendo em vista que
ele é INICIAL e juridicamente ilimitado. Contudo, o PCD divide-se em: a) reformador; b) decorrente; c) revisor.

Poder
Constituinte

Originário

Derivado
• Reformador
• Decorrente
• Revisor

Veremos cada um deles nos tópicos a seguir:

2.1 Poder constituinte derivado reformador

É bem simples entender o Poder Constituinte Derivado Reformador. Vimos anteriormente que o PCO
(Poder Constituinte Originário) é inicial, pois inaugura uma ordem jurídica (ex.: criação da CF/88).

Desta forma, o Poder Constituinte Derivado Reformador, nas palavras de Pedro Lenza, “tem a
capacidade de modificar a Constituição Federal, por meio de um procedimento específico, estabelecido pelo
originário, sem que haja uma verdadeira revolução”. 19

Na tabela a seguir, apresento, de forma esquematizada, as diferenças entre o Poder Constituinte


Originário e o Poder Constituinte Derivado Reformador:

18Gab: E. É limitado.
19Direito Constitucional esquematizado/Pedro Lenza. – Coleção esquematizado®/coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo:
Saraiva Educação, 2020, p. 158.

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PODER CONSTITUINTE PODER CONSTITUITE DERIVADO


ORIGINÁRIO REFORMADOR
Ilimitado e incondicionado juridicamente
Limitado e condicionado
(na perspectiva positivista)
Inaugura uma nova ordem jurídica Modifica a ordem jurídica já criada
Ex.: criação da CF/88 Ex.: edição da EC 45/2004

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
CAIU NA DPE-RO-2012-CESPE: O poder constituinte reformador é, por característica, incondicionado.20

2.2 Limitações ao Poder constituinte derivado reformador

Portanto, pessoal, eu quero que vocês entendam que a manifestação do Poder Constituinte
Reformador se dá através das Emendas Constitucionais (arts. 59, I, e 60 da CF/88). Trata-se, portanto, de um
poder condicionado, que deve observar algumas limitações, as quais veremos agora.

2.2.1 Limitações temporais

Segundo Novelino, a Constituição de 1988 não impôs limitação temporal ao Poder Constituinte
Reformador.

2.2.2 Limitações circunstanciais

De outro lado, o constituinte originário impôs limitações circunstanciais ao Poder Constituinte


Reformador. Isso porque, segundo o artigo 60, § 1º da CF/88, a Constituição não poderá ser emendada na
vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.

CAIU NA DPE/PI – 2022 – CESPE: A Constituição Federal possui limites temporais ao poder constituinte
derivado, mas não prevê limites circunstanciais.21

2.2.3 Limitações formais

A doutrina divide as limitações formais em subjetivas e objetivas.

As limitações formais subjetivas estão relacionadas à competência para propositura de emendas à


Constituição. Nesse sentido, explica Marcelo Novelino (2016, p.74):

(...) A iniciativa para a proposta da emenda é menos ampla que a iniciativa geral das
leis (CF, art. 61), sendo o Presidente da República o único legitimado para apresentar
proposta em ambos os casos. A Constituição poderá ser emendada, ainda, mediante
proposta de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do

20 Gab: E.
21 Gab: E.

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Atualizado em 07/07/23

Senado Federal ou de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da


federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros
(CF, art. 60, incisos I a III).22

As limitações formais objetivas, por outro lado, dizem respeito ao processo de discussão, votação,
aprovação e promulgação das propostas de emenda. No que tange a este aspecto, afirma Novelino (2016, p.
76):

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
(...) Por se tratar de uma Constituição rígida, o processo legislativo das emendas (CF,
art. 60) é mais dificultoso que o processo legislativo ordinário (CF, art. 47). A
proposta de emenda deve ser discutida e votada em cada Casa do Congresso
Nacional, em dois turnos, sendo necessário o voto de três quintos (60%) dos
membros da Câmara e do Senado para sua aprovação (CF, art. 60, § 2.º).

Temos, portanto, as seguintes conclusões:

LIMITAÇÕES FORMAIS
SUBJETIVAS OBJETIVAS
Relacionadas à competência para propositura de Dizem respeito ao processo de discussão, votação,
emendas à Constituição. aprovação e promulgação das propostas de emenda.
Iniciativa de 1/3 dos membros da Câmara ou do 3/5 dos membros da Câmara e do Senado (quórum
Senado; Presidente da República; ou mais de 50% de aprovação); 2 turnos de votação; promulgação
das Assembleias Legislativas, pela maioria relativa pelas mesas da Câmara e do Senado; impossibilidade
de seus membros. de reapresentação da matéria rejeitada na mesma
sessão legislativa.

CAIU NA DPU-2017-CESPE: O poder constituinte originário e o poder constituinte derivado se submetem ao


mesmo sistema de limitações jurídicas e políticas, embora os efeitos dessas limitações ocorram em momentos
distintos. 23

2.2.4 Limitações materiais

Já vimos as chamadas limitações formais ao Poder Constituinte Derivado Reformador, que se


subdividem em formais objetivas e subjetivas. Agora, veremos as limitações materiais deste poder:

[Link] Cláusulas pétreas expressas

A primeira limitação material encontra-se no art. 60, § 4º da Constituição Federal: são as chamadas
cláusulas pétreas. Veja-se:

22 Novelino, Marcelo Curso de direito constitucional/Marcelo Novelino. - 11. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2016, p.
74.
23 Gab: E.

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Atualizado em 07/07/23

Art. 60, § 4º: Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a
abolir:

I - a forma federativa de Estado;

II - o voto direto, secreto, universal e periódico;

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
III - a separação dos Poderes;

IV - os direitos e garantias individuais.

CAIU NA DPE-ES-2016-FCC: No tocante às cláusulas pétreas, conforme disposição expressa da Constituição


Federal de 1988, não será objeto de deliberação a proposta de emenda constitucional tendente a abolir24:
A) a Separação dos Poderes.
B) o Estado Democrático de Direito.
C) as Funções Essenciais à Justiça.
D) os Direitos Sociais.
E) a Soberania Popular.

É bom lembrar que quando a Constituição utiliza a expressão “tendente a abolir”, não se deve
entender como uma vedação absoluta da alteração do texto. A expressão deve ser interpretada no sentido de
preservar o núcleo essencial que a Constituição visa proteger.

CAIU NA DPU-2015-CESPE: A proteção dos limites materiais ao poder de reforma constitucional não alcança a
redação do texto constitucional, visando sua existência a evitar a ruptura com princípios que expressam o
núcleo essencial da CF.25

Segundo Novelino (2016, p.79), “o voto direto, secreto, universal e periódico é a única cláusula pétrea
cujo conteúdo está protegido de forma específica, embora na redação do dispositivo a palavra voto tenha sido
empregada não apenas em sua acepção própria, mas também no sentido de sufrágio e de escrutínio. O
sufrágio é a essência do direito político e consiste na capacidade de eleger, ser eleito e, de uma forma geral,
participar da vida política do Estado; o voto é o exercício deste direito; o escrutínio, o modo como o exercício
se realiza. A rigor, portanto, universal é o direito sufrágio, e secreto é o escrutínio”.26

Observando o inciso IV do art. 60, § 4º, a gente percebe que a proibição se dá penas quanto aos
direitos e garantias individuais27. Portanto, de acordo com a letra da Constituição, se excluiria do rol de
cláusulas pétreas expressas os direitos e garantias coletivos, como o caso do direito de reunião, por exemplo.

24 Gab: A.
25 Gab: C.
26 Novelino, Marcelo Curso de direito constitucional/ Marcelo Novelino. - 11. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2016,

p. 79.
27 É bom lembrar que os direitos e garantias individuais estão espalhadas por diversos locais da CF/88.

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CONSTITUCIONAL

Atualizado em 07/07/23

Contudo, interpretando extensivamente, há quem defenda que todos os direitos e garantias


fundamentais, e não apenas os individuais, foram consagrados como cláusulas pétreas. O professor Marcelo
Novelino entende que essa não é a interpretação mais adequada.

Por outro lado, pode o Poder Constituinte Derivado Reformador criar novas cláusulas pétreas? Veja o
que diz o professor Marcelo Novelino (2016, p.82) sobre o tema:

[...] Não é cabível que o poder de reforma crie cláusulas pétreas. Apenas o poder

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
constituinte originário pode fazê-lo" (MENDES et alii, 2007). Diante desse quadro,
um novo direito individual produzido por emenda ou por um tratado internacional
de direitos humanos, estaria definitivamente protegido contra alterações
subsequentes ou poderia ser livremente abolido do texto constitucional? A
Constituição estabelece que "não será objeto de deliberação a proposta de emenda
tendente a abolir (...) os direitos e garantias individuais" (CF, art. 60, § 4º, IV). A partir
do momento em que um direito dessa espécie é contemplado, qualquer deliberação
futura tendente a aboli-lo encontraria vedação expressa no texto constitucional.
Nesse caso, portanto, há uma exceção à regra geral. Vale dizer: embora não seja
admissível ao Poder Derivado Reformador impor cláusulas pétreas a si mesmo, no
caso de direitos e garantias individuais, é expressamente vedada deliberação sobre
qualquer proposta de emenda tendente a abolir os novos direitos.28

CAIU NA DPE-SP-2019-FCC: Encontra-se em tramitação no Senado Federal a proposta de Emenda à


Constituição Federal de 1988 nº 4/19, que modifica o artigo 228 para determinar a inimputabilidade dos
menores de 16 anos. O Poder Constituinte Reformador29:
A) não tem limites materiais desde que se preveja conjuntamente, na redação da proposta de emenda, revisão
de conteúdo das próprias cláusulas pétreas.
B) não tem limites materiais desde que suas decisões sejam submetidas a referendo deliberativo da população.
C) tem limites materiais encontrados na proteção dos direitos e garantias individuais, dos quais se exclui a
maioridade penal por não estar disposta no Capítulo I (Dos direitos e deveres individuais e coletivos) do Título
II (Dos direitos e garantias fundamentais) da CF/88.
D) tem limites materiais expressos nas chamadas cláusulas pétreas, que impedem modificações nos direitos e
garantias individuais.
E) tem limites materiais encontrados na proteção dos direitos e garantias individuais, que se encontram ao
longo de toda a Constituição conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal.

Cabe destacar, que as cláusulas pétreas têm como objetivo preservar a estabilidade do Estado. E, no
Brasil, a existência deste rol de cláusulas está diretamente ligado ao contexto histórico no qual fora
promulgada a Constituição. Nesse sentido, afirma Anderson S’antana Pedra: 30

28 Novelino, Marcelo Curso de direito constitucional/ Marcelo Novelino. - 11. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2016,
p. 82.
29 GAB: E.
30 PEDRA, Adriano Sant’Ana. A CONSTITUIÇÃO VIVA – Poder Constituinte Permanente e Cláusulas Pétreas. 1ª ed. Belo Horizonte: Ed.

Mandamentos, 2005, p. 88.

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Atualizado em 07/07/23

“Dessa forma, quando a Constituição dificulta e até mesmo proíbe a produção de


suas emendas, é porque está a pugnar por sua própria estabilidade. É o que ocorre
com a atual Constituição brasileira. A Carta Magna de 1988 é o coroamento jurídico-
formal da superação do movimento armado de 1964, com caráter ideológico de
centrado elitismo social e instrumentação por via das Forças Armadas, o que
persistiu por 20 anos. Assim, o constituinte de 1987-1988 tinha o desafio de
implantar um Estado que fosse a antítese da ditadura. Além disso, o constituinte
teve receio de deixar certas matérias a cargo do legislador ordinário, que procurou

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
ainda dificultar a função reformadora da própria Constituição.”

A CRFB/88 é fruto da mobilização da sociedade civil e dos movimentos sociais, sendo considerado um
texto avançado para época, sobretudo, no que tange a garantia de direitos sociais. Assim, o medo do
retrocesso ao cenário que se tinha antes (na Ditadura Militar) permeou a elaboração do texto constitucional
e a criação do rol de cláusulas pétreas.

[Link] Cláusulas pétreas implícitas

Parte da doutrina aceita a existência de cláusulas pétreas implícitas, que são aqueles que, embora não
estejam previstas expressamente no art. 60, § 4º, CF/88, decorrem de outros dispositivos constitucionais.

Por exemplo, se você olhar o art. 60, § 4º, CF/88, vai notar que não há vedação quanto à
mudança/alteração do sistema presidencialista e à forma republicana de governo, mas tão somente quanto
à forma federativa de Estado.

Contudo, como bem lembra Marcelo Novelino (2016, p. 83): “Ivo Dantas (2004) defende a
impossibilidade de alteração do sistema presidencialista e da forma republicana de governo, sob a alegação
de terem sido submetidos a plebiscito para se tornarem definitivos (ADCT, art. 2º). A previsão de realização
do plebiscito é interpretada como "uma transferência, por parte do constituinte e em favor do povo, da
decisão soberana sobre aqueles dois assuntos".

Assim, precisamos ficar atentos quanto a este ponto.

[Link] Defensoria Pública e cláusula pétrea implícita

Você acha que seria possível o Poder Constituinte Derivado Reformador editar EC abolindo a
Defensoria Pública? Ou poder-se-ia considerar a Defensoria Pública como uma cláusula pétrea implícita?
Para isso, vejamos como era a redação do art. 134 da Constituição, antes da edição da EC 80/2014:

REDAÇÃO ORIGINAL REDAÇÃO DADA PELA EC 80/2014


Art. 134. A Defensoria Pública é instituição Art. 134. A Defensoria Pública é instituição
essencial à função jurisdicional do Estado, permanente, essencial à função jurisdicional do
incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, Estado, incumbindo-lhe, como expressão e

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Atualizado em 07/07/23

em todos os graus, dos necessitados, na forma do instrumento do regime democrático,


art. 5º, LXXIV. Art. 5º, LXXIV — o Estado prestará fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção
assistência jurídica integral e gratuita aos que dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus,
comprovarem insuficiência de recursos. judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e
coletivos, de forma integral e gratuita, aos
necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta
Constituição Federal.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Perceba que a EC 80/2014 deixa muito claro que a Defensoria Pública, além de ser essencial à função
jurisdicional do Estado, é uma INSTITUIÇÃO PERMANENTE.

O professor Pedro Lenza lembra que “se existe uma instituição permanente e essencial à função
jurisdicional do Estado, destinada a assegurar o cumprimento do direito fundamental previsto no art. 5.º,
LXXIV, este reconhecido como cláusula pétrea, parece natural que se entenda também à Defensoria Pública a
qualidade de cláusula pétrea e limite material protegido pela Constituição. Portanto, não se admitirá proposta
de emenda tendente a abolir, ou mesmo enfraquecer, ou esvaziar a Defensoria Pública”.31

Nesse mesmo sentido, os professores Diogo Esteves e Franklyn Roger, que estudam e escrevem sobre
a instituição, afirmam o seguinte:

[...] “Na verdade, para os carentes e necessitados, que compõem a grande maioria
da sociedade brasileira, a Defensoria Pública funciona como instrumento de
concretização de todos os direitos e liberdades constitucionais. Tanto que a própria
existência constitucional da Defensoria Pública restou expressamente associada
pelo art. 134 da CRFB ao direito fundamental à assistência jurídica estatal gratuita”.

[...] Por constituir garantia instrumental que materializa todos os direitos


fundamentais e assegura a própria dignidade humana, a Defensoria Pública deve ser
considerada requisito necessário ou indispensável do sistema constitucional
moderno, integrando o conteúdo material da cláusula pétrea estabelecida no art.
60, § 4.º, IV, da CRFB”. 32

Com base nesses argumentos, devemos sustentas, em nossas provas de Defensoria Pública, que o art.
134 da CF/88 deve ser reconhecido como norma de reprodução obrigatória no âmbito estadual e distrital, que
integra o conteúdo material da cláusula pétrea estabelecida no art. 60, § 4.º, IV. Em suma, o art. 134, da CRFB,
que prevê a existência da Defensoria Pública seria sim uma cláusula pétrea implícita.

31 Direito Constitucional esquematizado/Pedro Lenza. – Coleção esquematizado®/coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo:
Saraiva Educação, 2020, p. 699.
32 Diogo Esteves e Franklyn Roger Alves Silva, Princípios institucionais da Defensoria Pública, 3. ed., Kindle Locations 3198-3200.

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Atualizado em 07/07/23

[Link] Limitações impostas ao Poder constituinte derivado reformador

Veja o que traz o art. 3º do ADCT:

ADCT, art. 3.º A revisão constitucional será realizada após 5 anos, contados da
promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do
Congresso Nacional, em sessão unicameral.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
A revisão exposta no artigo supra é considerada, pela doutrina, uma via extraordinária e transitória de
alteração do texto constitucional (ADCT, art. 3.º). Assim, como a Constituição foi promulgada em 1988, a
eficácia desta norma já se exauriu, pelo transcurso do tempo. É justamente isto que afirma Novelino (2016, p.
84): “a revisão possuía uma limitação temporal de 5 anos, contados a partir de 05 de outubro de 1988, data
da promulgação da Constituição. Por ter sido consagrada em uma norma constitucional transitória, cuja
eficácia se exauriu com sua aplicação, a possibilidade de novas revisões constitucionais tem sido descartada
pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal”.33

2.3 Poder constituinte derivado decorrente

Como já dito,o Poder Constituinte Derivado possui três ramificações: a) reformador; b) decorrente e
c) revisor. Essas ramificações estão expostas no organograma a seguir:

Reformador

Poder constituinte
Decorrente
derivado

Revisor

Nos tópicos anteriores, estudamos o Poder Constituinte Derivado Reformador. Agora, portanto,
veremos o Poder Constituinte Derivado Decorrente.

Sobre este poder, Pedro Lenza (2020, p.19) afirma que: “o poder constituinte derivado decorrente,
assim como o reformador, por ser derivado do originário e por ele criado, é também jurídico e encontra os
seus parâmetros de manifestação nas regras estabelecidas pelo originário. Sua missão é estruturar a
Constituição dos Estados-Membros ou, em momento seguinte, havendo necessidade de adequação e
reformulação, modificá-la. Tal competência decorre da capacidade de autoorganização estabelecida pelo
poder constituinte originário”.

33 Novelino, Marcelo Curso de direito constitucional/ Marcelo Novelino. - 11. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2016,
p. 84.

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CAIU NA DPE-MA-2018-FCC: Constitui poder dos Estados, unidades da federação, de elaborar as suas
próprias constituições, o poder constituinte derivado34:
A) reformador.
B) revisor.
C) decorrente.
D) regulamentar.
E) subsidiário.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
CAIU NA DPE-RO-2012-CESPE: Compete ao poder constituinte decorrente elaborar e modificar as
constituições dos estados-membros da Federação.35

Portanto, o Poder Constituinte Derivado Decorrente está diretamente ligado à capacidade que os
Estados da federação possuem de se auto-organizarem, isto é, de criarem e editarem suas próprias
Constituições, desde que observado o princípio da simetria, isto é, desde que as Constituições criadas não
entrem em conflito com o texto e princípios da CRFB/88

Nesse sentido, surge o seguinte questionamento: existe Poder Constituinte Derivado Decorrente, no
âmbito do Distrito Federal?

Segundo a doutrina majoritária, sim.

[...] Argumenta-se, em síntese, que a Lei Orgânica distrital, além de retirar seu
fundamento de validade diretamente da Constituição da República, tem a natureza
de verdadeira "constituição", característica reforçada pela possibilidade de servir
como parâmetro para o controle de constitucionalidade concentrado exercido pelo
Tribunal de Justiça.36

E no âmbito dos Municípios?

Neste caso, a doutrina majoritária se inclina em não admitir.

“[...] O principal argumento contrário à existência de um Poder Constituinte


Decorrente nesta esfera federativa é a subordinação da Lei orgânica municipal à
constituição do respectivo Estado. Com base nesse fundamento, Dirley da Cunha Jr
(2008c) considera não se poder "cogitar a existência de um poder decorrente do
poder decorrente." No mesmo sentido, Pedro Lenza (2011) cita o entendimento de
Noemia Porto, para quem "o poder constituinte derivado decorrente deve ser de
segundo grau", isto é, deve ter a Constituição Federal como fundamento direto de

34 Gab: C.
35 Gab: C.
36 Novelino, Marcelo Curso de direito constitucional/ Marcelo Novelino. - 11. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2016, p. 72.

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Atualizado em 07/07/23

Legitimidade, o que não acontece com o poder encarregado de elaborar a Lei


orgânica dos Municípios.”37

CAIU NA DPE-RS-2011-FCC: Quando os Estados-Federados, em razão de sua autonomia político-administrativa


e respeitando as regras estabelecidas na Constituição Federal, autoorganizam- se por meio de suas
constituições estaduais estão exercitando o chamado Poder Constituinte derivado decorrente.38

O art. 25, caput, da CF/88, estabeleceu que “os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição”. Assim, quais seriamos princípios a que o
constituinte faz referência, no art. 25, da CRFB/88?

O Professor Pedro Lenza, citando Uadi Lammêgo Bulos, fixa como limites à manifestação do Poder
Constituinte Derivado Decorrente: os princípios constitucionais sensíveis, os princípios constitucionais
estabelecidos (organizatórios) e os princípios constitucionais extensíveis: 39

Na tabela a seguir, consta a definição teórica dos referidos princípios, sendo citados também alguns
exemplos:

Limites à manifestação do poder constituinte derivado decorrente


Terminologia adotada por Pontes de Miranda; encontram-se expressos na
Constituição, daí serem também denominados princípios apontados ou enumerados.
Nesse sentido, os Estados-Membros, ao elaborar as suas constituições e leis, deverão
Princípios
observar os limites fixados no art. 34, VII, “a-e”, da CF/88, sob pena de, declarada a
constitucionais
inconstitucionalidade da referida norma e a sua suspensão insuficiente para o
sensíveis:
restabelecimento da normalidade, ser decretada a intervenção federal no Estado (a
este assunto voltaremos no item 6.7.5, quando estudarmos a ADI interventiva, no
capítulo sobre o controle de constitucionalidade);
Segundo Bulos, “... são aqueles que limitam, vedam, ou proíbem a ação indiscriminada
do Poder Constituinte Decorrente. Por isso mesmo, funcionam como balizas
reguladoras da capacidade de auto-organização dos Estados (...) podem ser extraídos
da interpretação do conjunto de normas centrais, dispersas no Texto Supremo de 1988,
Princípios
que tratam, por exemplo, da repartição de competência, do sistema tributário nacional,
constitucionais
da organização dos Poderes, dos direitos políticos, da nacionalidade, dos direitos e
estabelecidos
garantias individuais, dos direitos sociais, da ordem econômica, da educação, da saúde,
(organizatórios):
do desporto, da família, da cultura etc.”. O autor os divide em três tipos:

a) limites explícitos vedatórios: proíbem os Estados de praticar atos ou procedimentos


contrários ao fixado pelo poder constituinte originário — exs.: arts. 19, 35, 150, 152, ou

37 Novelino, Marcelo Curso de direito constitucional/Marcelo Novelino. - 11. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2016, p.
72.
38 Gab: C.
39 Direito Constitucional esquematizado/Pedro Lenza. – Coleção esquematizado®/coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo:

Saraiva Educação, 2020, p. 159.

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limites explícitos mandatórios: restrições à liberdade de organização — exs.: arts. 18, §


4.º, 29, 31, § 1.º, 37 a 42, 92 a 96, 98, 99, 125, § 2.º, 127 a 130, 132, 134, 135, 144, IV
e V, §§ 4.º a 7.º;
b) limites inerentes: implícitos ou tácitos, vedam qualquer possibilidade de invasão de
competência por parte dos Estados-Membros;
c) limites decorrentes: decorrem de disposições expressas. Exs.: necessidade de
observância do princípio federativo, do Estado Democrático de Direito, do princípio
republicano (art. 1.º, caput); da dignidade da pessoa humana (art. 1.º, III); da igualdade

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
(art. 5.º, caput); da legalidade (art. 5.º, II); da moralidade (art. 37), do combate a
desigualdades regionais (art. 43) etc.
Na conceituação de Bulos, “são aqueles que integram a estrutura da federação
Princípios
brasileira, relacionando-se, por exemplo, com a forma de investidura em cargos
constitucionais
eletivos (art. 77), o processo legislativo (arts. 59 e s.), os orçamentos (arts. 165 e s.), os
extensíveis:
preceitos ligados à Administração Pública (arts. 37 e s.) etc.”.

CAIU NA DPE-RN-CESPE-2015: Com relação ao poder constituinte, assinale a opção correta40.


A) Tendo em vista os limites autônomos ao poder constituinte derivado decorrente, devem as Constituições
estaduais observar os princípios constitucionais extensíveis, tais como aqueles relativos ao processo
legislativo.
B) A mutação constitucional é fruto do poder constituinte derivado reformador.
C) De acordo com a CF, em razão das limitações procedimentais impostas ao poder constituinte derivado
reformador, é de iniciativa privativa do presidente da República proposta de emenda à CF que disponha sobre
o regime jurídico dos servidores públicos do Poder Executivo federal.
D) Ao poder constituinte originário esgota-se quando se edita uma nova Constituição.
E) Para a legitimidade formal de uma nova Constituição, exige-se que o poder constituinte siga um
procedimento padrão, com disposições predeterminadas.

2.4 Poder constituinte derivado revisor

Pois bem. Vimos o Poder Constituinte Derivado Reformador, depois o Decorrente, e agora chegamos
na última espécie do Poder Constituinte Derivado: o Revisor. Então vamos lá!

O Poder Constituinte Revisor também é condicionado e limitado ao que fora estabelecido pelo Poder
Constituinte Originário. Pedro Lenza (2020, p. 162) lembra que “melhor seria a utilização da nomenclatura
competência de revisão, na medida em que não se trata, necessariamente, de um “poder”, uma vez que o
processo de revisão está limitado por uma força maior que é o poder constituinte originário”.

Isso porque, segundo o mesmo autor, “o art. 3.º do ADCT introduziu verdadeira competência de
revisão para “atualizar” e adequar a Constituição às realidades que a sociedade apontasse como necessárias,
não estando a aludida revisão vinculada ao resultado do plebiscito do art. 2.º do ADCT (que admitia a volta à
monarquia e ao parlamentarismo). Como o próprio texto constitucional prescreve, após 5 anos, contados de

40 GAB: A.

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Atualizado em 07/07/23

05.10.1988, seria realizada uma revisão na Constituição. Desde já observamos que referida revisão
constitucional deveria dar-se após, pelo menos, 5 anos, podendo ser 6, 7, 8... e apenas uma única vez, sendo
impossível uma segunda produção de efeitos”.41

Repetimos ao já mencionado art. 3º, do ADCT:

Art. 3.º do ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos, contados da
promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Congresso Nacional, em sessão unicameral.

3. PODER CONSTITUINTE DIFUSO

Um tema importante e atual sobre Poder Constituinte é o Poder Constituinte Difuso. Mas, afinal, o
que seria esse “Poder Constituinte Difuso”?

Não se trata ainda de controle de constitucionalidade. Na verdade, a maioria dos autores/as tem
entendido que o Poder Constituinte Difuso é um poder de fato, que serve de fundamento para os mecanismos
de atuação da mutação constitucional (Pedro Lenza, 2020).

Nesse sentido as lições de Pedro Lenza:

Se por um lado a mudança implementada pelo poder constituinte derivado


reformador se verifica de modo formal, palpável, por intermédio das emendas à
Constituição, a modificação produzida pelo poder constituinte difuso se
instrumentaliza de modo informal e espontâneo, como verdadeiro poder de fato, e
que decorre dos fatores sociais, políticos e econômicos, encontrando-se em estado
de latência. Trata-se de processo informal de mudança da Constituição, alterando-
se o seu sentido interpretativo, e não o seu texto, que permanece intacto e com a
mesma literalidade.42

A mutação constitucional a expressão do Poder Constituinte Difuso. E, no poder difuso não há a criação
formal de emenda à Constituição. O que ocorre, na verdade, é uma mudança de sentido interpretativo da
norma (e não em seu texto, permanecendo este com a mesma redação). Lembre-se disso na sua prova!

CAIU NA DPE/PB – 2022 – FCC43 : A mutação constitucional pressupõe que:


(A) há nova constituição vigente.
(B) há nova interpretação sem alteração do texto.
(C) o que antes era legal, passou a ser ilegal.

41 Direito Constitucional esquematizado/Pedro Lenza. – Coleção esquematizado®/coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo: Saraiva
Educação, 2020, p. 162.
42 Direito Constitucional esquematizado/Pedro Lenza. – Coleção esquematizado®/coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo: Saraiva

Educação, 2020, p. 163.


43 Gab: B.

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CURSO RDP EXTENSIVO DPE
CONSTITUCIONAL

Atualizado em 07/07/23

(D) houve alteração formal da Constituição, por qualquer meio de revisão.


(E) deverá haver emenda constitucional ao texto.

CAIU NA DPE/RR – 2021 – FCC44: A modificação constitucional em que não há vontade de alterar o texto, mas
é reflexo da sociedade sobre a qual este incide, é conhecida como:
A) reforma constitucional.
B) concordância prática constitucional.
C) revisão constitucional.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
D) mutação constitucional.
E) interpretação constitucional.

CAIU NA DPE-RO-CESPE-2012: A mutação constitucional é expressão do poder constituinte derivado.45

CAIU NA DPE-AC-2017-CESPE: A mutação constitucional:


A) é fenômeno reconhecido apenas pela doutrina, uma vez que o STF evita aplicá-la.
B) ocorre em razão da natureza monossêmica do texto constitucional.
C) acarreta a alteração da configuração verbal do texto constitucional.
D) decorre da técnica de declaração de nulidade de dispositivos legais pelo controle concentrado.
E) é justificada pelas modificações na realidade fática e na percepção do direito.46

4. PODER CONSTITUINTE SUPRANACIONAL

O Poder Constituinte Supranacional é um ponto expresso nos editais mais atuais para Defensoria
Pública do Estado. Trata-se de ponto ainda não muito trabalhado pela doutrina, mas o RDP, como sempre,
trará todos os detalhes. Porque o que está no edital a gente vai atrás!

Pois bem. A doutrina entende que o Poder Constituinte Supranacional “busca a sua fonte de validade
na cidadania universal, no pluralismo de ordenamentos jurídicos, na vontade de integração e em um conceito
remodelado de soberania”.47

CAIU NA DPE-BA-CESPE-2010: O denominado poder constituinte supranacional tem capacidade para


submeter as diversas constituições nacionais ao seu poder supremo, distinguindo-se do ordenamento jurídico
positivo interno assim como do direito internacional.48

Neste caso, o titular deste poder não é o povo de um Estado em si, mas o cidadão (considerado como
cidadão universal), uma vez que cada Estado cede uma parcela de sua soberania para que uma Constituição
comunitária seja criada. É a discussão que envolve, por exemplo, a União Europeia e, em menor escala, o
Mercosul.

44 Gab: D.
45 Gab: E.
46 Gab: E.
47 LENZA, Pedro. Ibidem, p. 426, E-book.
48 GAB: C.

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CURSO RDP EXTENSIVO DPE
CONSTITUCIONAL

Atualizado em 07/07/23

Segundo o Professor Jonatas Machado, a União Europeia é como uma “comunidade paraestadual
supranacional”. Não se pode afirmar que é um verdadeiro Estado, mas está muito próxima de um Estado de
tipo federal.

Alguns traços afastam a qualificação como Estado ou Federação, dentre eles: não possuir soberania
originária; não pode declarar a guerra ou fazer a paz, os Estados mantêm um amplo quadro de competências,
podendo manter a sua própria política externa, dentre outras.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
De outro lado, as características que aproximam a UE de um Estado ou Federação são: quadro
institucional próprio, que exerce poderes legislativos, executivos e judiciais, ordem jurídica autónoma, face
aos direitos nacionais e ao direito internacional, dentre outras.

Cabe destacar que o direito originário da UE tem natureza constitucional. Existe uma repartição de
competências concorrentes entre a EU e os Estados Membros (não se aplica às competências exclusivas nem
de uma, nem de outros). A ideia é preservar, em alguma medida, a soberania dos Estados e preservar as
identidades regionais. Mas, uma vez que o Estado adere a UE, ele deve seguir as diretivas criadas pela UE, que
sejam de sua competência.

Nesse sentido, existe o Tribunal de Justiça da EU, que pode controlar o respeito pelos princípios das
competências da União. Em suma, segundo Maurício A. Rodrigues “o poder constituinte supranacional “faz as
vezes do poder constituinte porque cria uma ordem jurídica de cunho constitucional, na medida em que
reorganiza a estrutura de cada um dos Estados ou adere ao direito comunitário de viés supranacional por
excelência, com capacidade, inclusive, para submeter as diversas constituições nacionais ao seu poder
supremo. Da mesma forma, e em segundo lugar, é supranacional, porque se distingue do ordenamento positivo
interno assim como do direito internacional”.49

5. NOVA CONSTITUIÇÃO E ORDEM JURÍDICA ANTERIOR

Pessoal, finalizamos o ponto sobre o Poder Constituinte em si. No entanto, para que o nosso estudo
fique absolutamente completo, precisamos entender de alguns detalhes sobre o que acontece com as normas
produzidas pela Constituição anterior, quando uma nova Constituição é editada.

O questionamento que guiará o próximo tópico é o seguinte: O que aconteceu com as normas
anteriores à Constituição de 1988, quando esta fora editada? Isso é o que estudaremos agora.

5.1 O FENÔMENO DA RECEPÇÃO

Certamente você já ouviu falar na seguinte frase: “o STF entendeu que aquela norma não foi
recepcionada pela Constituição de 1988”.

49(Maurício A. Rodrigues, Poder constituinte supranacional: esse novo personagem, p. 96, apud Kildare G. C., Direito constitucional, p. 276-
277)

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Mas você consegue entender o porquê? Vamos lá!

Imagine o seguinte: o Código Penal brasileiro foi editado em 1940, portanto, anterior à Constituição
de 1988. Tudo bem!

Assim, caso exista alguma incompatibilidade de uma norma editada originariamente no Código Penal
(de 1940) com a Constituição de 1988, o STF poderá declará-la inconstitucional? A resposta é não.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Na verdade, como o Código Penal (de 1940) foi editado sob a égide de uma outra Constituição.
Portanto, o parâmetro não pode ser a Constituição de 1988. Daí não posso dizer que essa norma é
inconstitucional, até porque ela é anterior à Constituição. Entende? No entanto, uma vez que a norma é
contrária à Constituição de 1988, eu posso dizer que essa norma não foi recepcionada pela Constituição.

Em suma, embora as normas anteriores à Constituição não possam ser declaradas inconstitucionais,
elas podem NÃO SER RECEPCIONADAS. Assim, não terão eficácia!

Inclusive, como bem lembra a doutrina, “inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade


via ação direta de inconstitucionalidade genérica (ADI), por falta de previsão no art. 102, I, “a”, da CF/88. O
controle de constitucionalidade pressupõe a existência de relação de contemporaneidade entre o ato
normativo editado e a Constituição tomada como parâmetro ou paradigma de confronto (ADI 7, Pleno, j.
07.02.1992). Deve-se destacar desde já, contudo, que, apesar de não ser cabível o aludido controle de
constitucionalidade concentrado pela via da ação direta de inconstitucionalidade genérica, será perfeitamente
cabível a arguição de descumprimento de preceito fundamental — ADPF, introduzida pela Lei n. 9.882/99.41”50

Em resumo, quando uma nova Constituição é editada, todas as normas que forem incompatíveis com
esta serão revogadas (como vimos, por ausência de recepção, e não por inconstitucionalidade).

Por outro lado, é importante lembrar que a norma infraconstitucional pré-constitucional, que não
contrariar materialmente a Constituição. será recepcionada. Essa norma pode, inclusive, adquirir outra
natureza jurídica, como foi o caso do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66). Isso porque, a Constituição
de 1988 exigia que a temática tributária fosse tratada por Lei Complementar. Todavia, o CTN possuía natureza
jurídica de Lei Ordinária, sendo recepcionado pela nova ordem como uma Lei Complementar.

Veja que não se trata de uma incompatibilidade material. Trata-se de uma distinção no aspecto formal,
ligado ao modo de aprovação da lei. Vamos relembrar? Enquanto a Lei Complementar irá regulamentar
matérias reservadas a ela pela CRFB/88, necessitando de quórum de aprovação de maioria absoluta; a Lei
ordinária pode abordar quaisquer matérias, desde que não estejam reservadas à LC, com quórum de
aprovação de maioria simples/relativa.

CAIU NA DPE-AL-2017-CESPE: A relação entre a Constituição e as normas jurídicas (constitucionais ou


infraconstitucionais) anteriores não pode ser reduzida a um único fenômeno, além de implicar diferenciados
efeitos. Há de se levar em conta o fato de se tratar tanto de uma nova ordem constitucional quanto de uma

50 LENZA, Pedro. Ibidem

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reforma constitucional que venha a se manifestar em relação ao direito constitucional originário ou mesmo
em relação à legislação infraconstitucional. Ingo Sarlet, et al. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2012, p. 187 (com adaptações). Entre as situações que podem ocorrer no contexto descrito pelo
texto, o Supremo Tribunal Federal (STF) admite a:
A) recepção de lei anterior, desde que materialmente compatível com a nova Constituição.
B) constitucionalidade superveniente de lei ordinária originalmente inconstitucional, por meio de emenda
constitucional posterior.
C) manutenção de status constitucional de norma constitucional anterior, ainda que a nova Constituição seja

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
omissa sobre o assunto.
D) inconstitucionalidade superveniente de lei anterior em relação a Constituição posterior, para fins de
ajuizamento de ação direta de inconstitucionalidade.
E) desconstitucionalização de norma constitucional anterior, ainda que não haja previsão expressa sobre o
assunto na nova Constituição.51

CAIU NA DPE-BA-CESPE-2010: O denominado fenômeno da recepção material de normas constitucionais


somente é admitido mediante expressa previsão na nova Constituição. 52

5.2 O FENÔMENO DA INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE

Precisamos entender que, hoje, a inconstitucionalidade superveniente ganha duas acepções.

Em uma acepção tradicional, a inconstitucionalidade superveniente significa que a lei ou ato


normativo, impugnado por meio de (Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), deve ser posterior ao texto
da CRFB/88, que é invocado como parâmetro. Assim, se a lei ou ato normativo for anterior à CRFB/88 e
incompatível com o texto constitucional, não se pode dizer que há uma inconstitucionalidade. Nesse caso, o
que existe, como já dito, é a não-recepção da lei pela Constituição atual.

Logo, afirma-se que no Brasil não existe o fenômeno da inconstitucionalidade, eis que as leis anteriores
à CRFB/88, que sejam incompatíveis com esta, são consideradas NÃO RECEPCIONADAS e não
inconstitucionais. 53 Temos que fixar isso!

Porém, como esclarece Márcio André Cavalcante, em uma acepção moderna, a inconstitucionalidade
superveniente “significa que uma lei ou ato normativo que foi considerado constitucional pelo STF pode, com
o tempo e as mudanças verificadas no cenário jurídico, político, econômico e social do país, tornar-se
inconstitucional em um novo exame do tema.

Assim, de acordo com esse entendimento, a inconstitucionalidade superveniente ocorreria quando


ocorre quando a lei (ou ato normativo) se torna inconstitucional em razão das mudanças ocorridas na
sociedade, com o decorrer do tempo. Não há aqui, portanto, uma sucessão de Constituições, mas sim uma

51 GAB: A.
52 GAB: C.
53 Disponível em: [Link] Acesso em: 07/07/2021.

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mudança de cultura, práticas sociais, etc. Em suma, quanto a CRFB/88 foi promulgada, a lei era compatível,
mas, com o tempo, em razão das mudanças sociais, acabou se tornando incompatível com o mesmo texto
constitucional.

Essas informações estão resumidas no quadro a seguir:

INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Acepção tradicional (entrada em vigor de uma Acepção moderna (lei que sofreu um
nova CF e leis anteriores incompatíveis) processo de inconstitucionalização)
Significa que a lei ou ato normativo impugnado Significa que uma lei ou ato normativo que foi
por meio de ADI deve ser posterior ao texto da considerado constitucional pelo STF pode, com o tempo
CF/88 invocado como parâmetro. e as mudanças verificadas no cenário jurídico, político,
Assim, se a lei ou ato normativo for anterior à econômico e social do país, tornar-se inconstitucional
CF/88 e com ela incompatível, não se pode dizer em um novo exame do tema.
que há uma inconstitucionalidade. Nesse caso, o Assim, inconstitucionalidade superveniente, nesse
que existe é a não-recepção da lei pela sentido, ocorre quando a lei (ou ato normativo) torna-
Constituição atual. se inconstitucional com o passar do tempo e as
Logo, nesse sentido, afirma-se que não existe no mudanças ocorridas na sociedade.
Brasil inconstitucionalidade superveniente para Não há aqui uma sucessão de Constituições. A lei era
se explicar que a lei anterior à 1988 e que seja harmônica com a atual CF e, com o tempo, torna-se
contrária à atual CF não pode taxada como incompatível com o mesmo Texto Constitucional.
“inconstitucional”.
Não é admitida no Brasil. É admitida no Brasil.

5.3 PROCESSO DE INCONSTITUCIONALIZAÇÃO

Você já ouviu falar sobre processo de inconstitucionalização? Nada mais é que a acepção moderna da
“inconstitucionalidade superveniente” que vimos no quadro acima.

Significa que uma lei ou ato normativo que já foi considerado CONSTITUCIONAL pelo STF, pode, com
o passar dos anos e mudanças no contexto social, econômico, político e jurídica, tornar-se inconstitucional.

Isso aconteceu no caso do amianto. Inicialmente, o STF entendeu que a leis estaduais que proíbem o
uso do amianto são constitucionais. Veja-se:

O art. 2º da Lei federal nº 9.055/95 é inconstitucional. STF. Plenário. ADI 3937/SP, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 24/8/2017 (Info 874).

No entanto, em novo julgado, a Corte Constitucional mudou o seu entendimento, passando a


entender o seguinte:
“O art. 2º da Lei federal nº 9.055/95 passou por um processo de inconstitucionalização
e, no momento atual, não mais se compatibiliza com a Constituição de 1988, razão

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pela qual os estados passaram a ter competência legislativa plena sobre a matéria até
que sobrevenha eventual nova legislação federal, nos termos do art. 24, §§ 3º e 4º,
da CF/88.
Houve a inconstitucionalidade superveniente (sob a óptica material) da Lei Federal nº
9.055/95, por ofensa:
• ao direito à saúde (art. 6º e 196, CF/88);
• ao dever estatal de redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de
saúde, higiene e segurança (art. 7º, inciso XXII, CF/88); e

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
• à proteção do meio ambiente (art. 225, CF/88).”54

Esse fenômeno, contudo, não se confunde com a desconstitucionalização!

Nos dizeres de Pedro Lenza, a desconstitucionalização é:

(...) o fenômeno pelo qual as normas da Constituição anterior, desde que


compatíveis com a nova ordem, permanecem em vigor, mas com o status de lei
infraconstitucional. Ou seja, as normas da Constituição anterior são recepcionadas
com o status de norma infraconstitucional pela nova ordem. Fernanda Dias Menezes
de Almeida e Anna Cândida da Cunha Ferraz, em trabalho extremamente
interessante, observam que, “surgida na França e aceita por juristas como Carré de
Malberg, Duguit, Esmein, Jellinek, Carl Schmitt e, entre nós, por Manoel Gonçalves
Ferreira Filho, Pontes de Miranda e José Afonso da Silva, a doutrina da
desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos
dispositivos da Constituição que perde a validade, não, porém, com o caráter de
normas constitucionais, e sim como normas ordinárias”.43 Exposta a doutrina, resta
indagar: o fenômeno da desconstitucionalização é verificado no Brasil? Como regra
geral, não! No entanto, poderá ser percebido quando a nova Constituição,
expressamente, assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário
ilimitado e autônomo do ponto de vista jurídico. A Constituição pode prever o
aludido fenômeno desde que o faça, como referido, de maneira inequívoca e
expressa.55

Em suma, apenas para ficar claro: a desconstitucionalização é o fenômeno no qual uma norma da
Constituição anterior é recepcionada pela nova Constituição, desde que compatível com ela, mas com status
de norma infraconstitucional.

CAIU NA DPE/AP – 2022 – FCC56 : Considerando o tema processo legislativo, a manutenção em vigor de
Constituição anterior que, porém, perde a sua hierarquia constitucional para operar como legislação comum
é conhecida como

54 Disponível em: [Link] Acesso em: 07/07/2021.


55 Lenza, Pedro Direito Constitucional esquematizado / Pedro Lenza. – Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza – 24. ed.
– São Paulo : Saraiva Educação, 2020, p. 167.
56 GAB:E.

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(A) desidratação constitucional.


(B) repristinação.
(C) recepção.
(D) desclassificação constitucional.
(E) desconstitucionalização.

5.4 GRAUS DE RETROATIVIDADE DA NORMA CONSTITUCIONAL

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
No que diz respeito ao direito adquirido e o poder constituinte, a doutrina tem sustentado a existência
de graus de retroatividade da norma constitucional, classificando em grau mínimo, médio e máximo.

Sobre o tema, o Ministro Moreira Alves, ao destacar o magistério de José Carlos de Matos Peixoto,
explicou, durante o julgamento da ADI 493, que:57:

Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se


“quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos
jurídicos já consumados”. Como exemplo, lembramos o art. 96, parágrafo único, da
Carta de 1937, que permitia ao Parlamento rever a decisão do STF que declarara a
inconstitucionalidade de uma lei;

Retroatividade média: “a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos


verificados antes dela”. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda
não adimplidas. Como exemplo o autor cita uma “lei que diminuísse a taxa de juros
e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos” (prestação vencida mas ainda não
adimplida);

Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: “... a lei nova atinge apenas os


efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor”.
Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei.

Já há posicionamento do Supremo Tribunal Federal no sentido de que as normas constitucionais


decorrentes do Poder Constituinte Originário possuem, como regra, retroatividade mínima. Em outras
palavras, aplicam-se a fatos que aconteçam depois de sua promulgação, referentes a negócios passados.

57 Lenza, Pedro. Direito Constitucional esquematizado/Pedro Lenza. – Coleção esquematizado®/coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo:

Saraiva Educação, 2020, p. 168.

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QUESTÕES PARA FIXAR


Questão 01
O Poder Constituinte Originário é aquele que instaura uma nova ordem jurídica, rompendo por completo com
a ordem jurídica precedente.

CERTO ERRADO

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Questão 02
O poder constituinte derivado restringe-se apenas às alterações da Constituição Federal.

CERTO ERRADO

Questão 03
O poder constituinte difuso pode ser caracterizado como um poder de fato e que serve de fundamento para
os mecanismos de atuação da mutação constitucional.

CERTO ERRADO

Questão 04
Uma lei ou ato normativo que já foi considerado constitucional pelo STF, pode, ao passar dos anos, com a
mudança no contexto social, econômico, político e jurídica, tornar-se inconstitucional.

CERTO ERRADO

Questão 05
Pedro Lenza aponta que o poder constituinte derivado revisor, assim como o reformador, por ser derivado do
originário e por ele criado, é também jurídico e encontra os seus parâmetros de manifestação nas regras
estabelecidas pelo originário.

CERTO ERRADO

Questão 06
O poder constituinte supranacional busca a sua fonte de validade na cidadania universal, no pluralismo de
ordenamentos jurídicos, na vontade de integração e em um conceito remodelado de soberania.

CERTO ERRADO

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Questão 07
O Poder Constituinte Derivado é responsável pelas alterações no texto constitucional segundo as regras
instituídas pelo Poder Constituinte Originário e caracteriza-se por ser um poder instituído, ilimitado e
condicionado juridicamente.

CERTO ERRADO

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Questão 08
O artigo 60, § 1º da CF/88 estabelece que a Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção
federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. Assim, trata-se de limitação circunstancial imposta pelo
constituinte originário ao constituinte reformador.

CERTO ERRADO

Questão 09
O art. 60, § 4º da Constituição Federal (“não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a
forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes e os direitos e
garantias individuais”) trata-se de limitação material.

CERTO ERRADO

Questão 10
Na retroatividade máxima ou restitutória, verifica-se “quando a lei nova prejudica a coisa julgada ou os fatos
jurídicos já consumados”.

CERTO ERRADO

Questão 11
Na retroatividade média, a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em
que ela entra em vigor.

CERTO ERRADO

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GABARITO
1.C 2.E 3.C 4.C 5.C 6. C 7.E
8.C 9.C 10.C 11.E

QUESTÕES PARA FIXAR - COMENTÁRIOS


Questão 01

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
O Poder Constituinte Originário é aquele que instaura uma nova ordem jurídica, rompendo por completo com
a ordem jurídica precedente.

GAB: C. Trata-se do conceito de Poder Constituinte Originário dado por Pedro Lenza, como vimos.

Questão 02
O poder constituinte derivado restringe-se apenas às alterações da Constituição Federal.

GAB: E. O poder constituinte derivado, como vimos, pode ser o reformador, que é exatamente esse citado na
questão, com a possibilidade alterar a Constituição, mas também o decorrente, segundo qual cada Estado-
Membro (unidade federativa) poderá criar a sua própria Constituição estadual, sendo, todavia, respeitada a
supremacia da Constituição Federal.

Questão 03
O poder constituinte difuso pode ser caracterizado como um poder de fato e que serve de fundamento para
os mecanismos de atuação da mutação constitucional.

GAB: C. A questão está de acordo com o entendimento da doutrina, que elenca tais pontos como característica
do poder constituinte difuso.

Questão 04
Uma lei ou ato normativo que já foi considerado constitucional pelo STF, pode, ao passar dos anos, com a
mudança no contexto social, econômico, político e jurídica, tornar-se inconstitucional.

GAB: C. A questão trata do significado do processo de insconstitucionalização, no qual uma lei ou ato
normativo que já foi considerado constitucional pelo STF, pode, ao passar dos anos, com a mudança no
contexto social, econômico, político e jurídica, tornar-se inconstitucional.

Questão 05
Pedro Lenza aponta que o poder constituinte derivado decorrente, assim como o reformador, por ser derivado
do originário e por ele criado, é também jurídico e encontra os seus parâmetros de manifestação nas regras
estabelecidas pelo originário.

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GAB: C. De acordo com Pedro Lenza, o poder constituinte derivado decorrente, assim como o reformador,
por ser derivado do originário e por ele criado, é também jurídico e encontra os seus parâmetros de
manifestação nas regras estabelecidas pelo originário.

Questão 06
O poder constituinte supranacional busca a sua fonte de validade na cidadania universal, no pluralismo de
ordenamentos jurídicos, na vontade de integração e em um conceito remodelado de soberania.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
GAB: C. Estas são as características do poder constituinte supranacional.

Questão 07
O Poder Constituinte Derivado é responsável pelas alterações no texto constitucional segundo as regras
instituídas pelo Poder Constituinte Originário e caracteriza-se por ser um poder instituído, ilimitado e
condicionado juridicamente.

GAB: E. O Poder Constituinte Derivado, ao contrário do que afirma a questão, é limitado.

Questão 08
O artigo 60, § 1º da CF/88 estabelece que a Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção
federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. Assim, trata-se de limitação circunstancial imposta pelo
constituinte originário ao constituinte reformador.

GAB: C. Trata-se de limitação circunstancial imposta pelo constituinte originário ao constituinte reformador.

Questão 09
O art. 60, § 4º da Constituição Federal (“não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a
abolir: a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes e
os direitos e garantias individuais”) trata-se de limitação material.

GAB: C. A questão, de fato, trata da chamada limitação material.

Questão 10
A retroatividade máxima ou restitutória, verifica-se “quando a lei nova prejudica a coisa julgada ou os fatos
jurídicos já consumados”.

GAB: C. Na retroatividade máxima ou restitutória a lei ataca fatos consumados.

Questão 11
Na retroatividade média, a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em
que ela entra em vigor.

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GAB: E. Na verdade, na retroatividade média, a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos
verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas, mas ainda não adimplidas.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.

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