Preparação Puritana para o Culto Público
Preparação Puritana para o Culto Público
RESUMO
A falta de concentração e divagação é uma luta e um problema real enfrentado por todo
crente. O caráter pastoral dos puritanos os conduziram a instruir a igreja sobre como resolver
este grande e comum problema. Seu ponto de resolução foi a doutrina da preparação para o
culto público. Neste artigo será exposto (1) um breve conceito de culto público na perspectiva
puritana; (2) a relação dos aspectos externos e internos na adoração; (3) a necessidade e os
motivos para a preparação; (4) os meios para a preparação e (5) a sua finalidade: a
concentração em cada momento do culto; um breve quadro da doutrina puritana da preparação
e concentração no culto público.
1. INTRODUÇÃO
Como afirma Martyn Lloyd-Jones: “O puritanismo começou com este interesse por uma
Reforma completa”2, foi um “movimento espiritual apaixonadamente preocupado com Deus e
com a piedade cristã”.3 Seu objetivo principal era uma Igreja Pura, uma Igreja
verdadeiramente Reformada.4 Tal reforma se estendia em todas as áreas de existência
* Bacharel em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Bacharelando em Teologia
pelo Seminário Presbiteriano do Norte (SPN). Pós-graduado em Teologia Pastoral pelo SPN. Especializando-se
em Pregação Expositiva pela Associação Bíblica Pregue a Palavra. Presbítero em disponibilidade na Igreja
Presbiteriana do Brasil.
1
LLOYD-JONES, Martyn. Os puritanos: suas origens e seus sucessores. São Paulo: PES, 2016. p. 283.
JACKER, J. I. Entre os Gigantes de Deus. São Paulo: Fiel, 2016. p. 37.
2
Ibid., p. 301.
3
JACKER, J. I. Op. Cit., p. 36.
4
Ibid., p. 301.
1
humana5 e isso também se aplicava ao culto. O desejo ardente deles era retornar à
simplicidade cúltica neotestamentária6, baseada estritamente no que Deus ordena. Tal reforma
cúltica está na essência do puritanismo – afirma Peter Lewis.7
Há três aspectos do conceito puritano de culto que podem ser destacados aqui para a
finalidade do artigo: (1) O Princípio Regulador do Culto; (2) O culto como encontro do povo
de Deus com o Deus do povo; (3) A totalidade do homem envolvido no serviço. O
entendimento de tais conceitos estabelece a base para a compreensão da doutrina da
preparação para o culto público.
5
WALKER, W. História da Igreja Cristã. (Vol. 2). São Paulo: ASTE, 1997. p. 94. JACKER, J. I. Op. Cit., p.
37, 39.
6
LLOYD-JONES, Martyn. Op. Cit., p. 285.
7
LEWIS abud BEEKE, Joel. PEDERSON, Rendall. Paixão pela Pureza. São Paulo: PES, 2010. p. 37.
8
HULSE, Errol. Quem foram os puritanos: e o que eles ensinaram? São Paulo: PES, 2000. p. 42-43. BEEKE,
Joel. PEDERSON, Randall. Op. Cit., p. 61.
9
ANGLADA, Paulo. O princípio regulador do culto. São Paulo: PES, 1997. p. 12.
10
John Owen afirma: “A apostasia do culto evangélico aconteceu de duas maneiras: ou por negligência e recusa
de observar o que Cristo determinou, ou por acréscimo de maneiras de adoração que nós inventamos” (OWEN,
John. Apostasia do Evangelho. São Paulo: Os Puritanos, 2002. p. 175. Jeremiah Burroughs: “qualquer coisa
que inserimos na adoração a Deus precisa ter autorização da Palavra de Deus. [...] precisamos basear-nos naquilo
que Ele ordena” (BURROUGHS, Jeremiah. Adoração Evangélica. Recife: Os Puritanos, 2015. p. 22). Thomas
Watson: “A adoração divina deve ser da maneira como Deus mesmo a designou ou, então, será o oferecimento
de um fogo estranho (Lv 10.1). [...] Certamente, nesse particular, tudo deve ser de acordo com o padrão prescrito
em Sua Palavra” (WATSON, Thomas. A Fé Cristã: estudos baseados no Breve Catecismo de Westminster. São
Paulo: Cultura Cristã, 2009. p. 23). Portanto, está claro que este era o princípio puritano de culto.
11
BURROUGHS, Jeremiah. Adoração Evangélica. Recife: Os Puritanos, 2015. p. 21.
12
Ibid., p. 48.
13
CHARNOCK abud PACKER, J. I. Entre os Gigantes de Deus: uma visão puritana da vida cristã. São Paulo:
Fiel, 2016. p. 418.
2
presença de Deus”.14 Em outras palavras, o culto é um diálogo entre Deus e seu povo
redimido15 e isto está fundamentado no Pacto dEle com este povo.
Por último, o culto é um serviço prestado a Deus que envolve todo o homem. Não é
algo somente externo, mas também envolve o seu coração. Se o Princípio Regulador do Culto
estabelece os elementos e aspectos externos do culto, o aspecto da totalidade do homem no
culto envolve o coração e interior do homem. Conforme o puritano George Swinnock
afirmou: “Toda a reverência e todo o respeito interiores, e toda a obediência e serviço
externos para Deus, que a Palavra nos impõe, estão embutidos nesta palavra: adoração”.16 Tal
entendimento puritano procura fugir da justa reprovação do Senhor contra o Reino do Sul em
sua adoração nos dias do profeta Isaías.17 É nesse contexto e sob tais conceitos que se
desenvolve a doutrina puritana da preparação para o culto público ao Senhor.18
Alguns, por causa do Princípio Regulador do Culto, tendem a achar que o “culto
puritano” é frio, formalista e cerimonial. Tal raciocínio não reflete, nem de longe, a
mentalidade puritana. Aliás, era exatamente o contrário. Os puritanos entendiam o equilíbrio
entre os caráteres externos e internos da vida cristã.19 Eles não enfatizavam um em detrimento
do outro. Sua ênfase estava no que as Escrituras enfatizavam: tanto o externo (os elementos
de culto) quanto o interno (o coração do adorador) são importantes.
14
OWEN, John. Pensando Espiritualmente. São Paulo: PES, 2005. p. 71.
15
HYDE, Daniel R. O que é um culto reformado: por que em uma igreja reformada o culto é tão diferente da
maioria das outras igrejas? Recife: Os Puritanos, 2012. p. 31. PAYNE, Jon D. No esplendor da santidade:
redescobrindo a beleza da Adoração Reformada para o século XXI. Recife: Os Puritanos, 2015. p. 23.
16
SWINNOCK abud PACKER, J. I. Op. Cit., p. 412.
17
“O Senhor diz: ‘Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está
longe de mim. A adoração que me prestam só é feita de regras ensinadas por homens’” (Isaías 29.13, NVI).
18
Está pressuposto em todo o artigo que a preparação é para aqueles que estão em Cristo, unidos a Ele e que se
achegam a Deus por meio de Cristo. A doutrina da preparação é o meio para se achegar a Deus. Mas, uma
orientação pastoral para um culto agradável a Deus nos aspectos internos do homem.
19
JACKER, J. I. Op. Cit., p. 38-39.
20
LLOYD-JONES, Martyn. Op. Cit., p. 301.
3
oposição puritana ao formalismo e cerimonialismo encontra-se em Jeremiah Burrouhgs. Ele
adverte:
21
BURROUGHS, Jeremiah. Op. Cit., p. 171, 185.
22
RYKEN, Leland. Santos no Mundo: os puritanos como realmente eram. São Paulo: Fiel, 2013. p. 209.
23
PACKER, J. I. Entre os Gigantes de Deus: uma visão puritana da vida cristã. São Paulo: Fiel, 2016. p. 399.
24
VINCENT, Thomas. The Shorter Catechism of the Westminster Assembly Explained and Proved from
Scripture. Disponível em: < [Link] >. Acesso:
04 ago 2017.
25
Confissão de Fé de Westminster. Disponível em: < [Link] >.
Acesso em: 04 ago 2017.
4
Observa-se o grifo do autor: tendo devidamente preparado os seus corações [...] ocupam
todo o tempo em exercícios públicos e particulares de culto. No Catecismo Maior de
Westminster (pergunta 117) esta doutrina também pode ser vista da seguinte forma:
Está claro, portanto, que a doutrina da preparação estava intimamente ligada com a
doutrina do culto público e do Dia do Senhor. Ela é uma obra necessária: “Antes que
adoremos a Deus precisamos preparar-nos adequadamente. [...] É preciso haver preparação
para adorar a Deus” – diz Burroughs.27 Igualmente, Owen: “Precisamos preparar-nos antes de
vir ao culto”.28 Mas, por que ou por quais motivos a preparação para o culto público é
necessária?
Jeremiah Burroughs, em sua obra Adoração Evangélica,29 destaca quatro motivos para
defender a necessidade de preparação.30 (1) O primeiro é a grandiosidade do Deus adorado.
Ele é “um Deus grande e glorioso”. Se estamos lidando com a infinita, gloriosa e temível
Majestade de Deus, devemos, então, nos preparar para isso. (2) Segundo, pelo que o culto é:
um encontro com Deus. Deus virá até o crente e o coração do crente irá até Deus; por isso,
para este encontro tão majestoso, deve-se ter preparação. “Se ao menos os homens
26
Catecismo Maior de Westminster. Disponível em: <
[Link] >. Acesso em: 04 ago 2017.
27
BURROUGHS, Jeremiah. Op. Cit., p. 73, 75.
28
OWEN, John. Op. Cit., p. 70.
29
Gospel Worship – Or The Right Manner of Sanctifying the Name of God in General
30
BURROUGHS, Jeremiah. Op. Cit., p. 75-82.
5
compreendessem a grandeza das atividades relacionadas à adoração a Deus, veriam a
necessidade de se prepararem para elas”. (3) O terceiro motivo da necessidade da preparação
reside na natureza do adorador. Seu coração é extremamente despreparado para toda boa obra.
Mesmo, em Cristo, “é preciso haver preparação [do coração], então, pelo fato de sermos
assim tão inadequados para chegar à sua presença”. (4) O quarto motivo está nos grandes
impedimentos que existem para adorar a Deus, tais como: confusão, tentação do diabo,
desconforto físico, etc. “É preciso haver preparação porque no caminho [até o culto] existe
muita coisa que atrapalha”. Alguém pode julgar que tais coisas tiram a sinceridade do
coração. Contudo, é exatamente o contrário - Burroughs argumenta.32
O preparo para o culto (em especial, a Ceia), ilustra Thomas Watson, é semelhante ao
afinar dos instrumentos por um músico (o adorador), antes de tocá-lo (culto).33 Quais, então,
são os meios e modos para se preparar o coração para a adoração público-corporativa no Dia
do Senhor?
Como vem sendo exposto, essa doutrina era de grande importância para os puritanos e
se imiscuía com a preparação para o Dia do Senhor. Preparar-se para o culto, de maneira
geral, era se preparar para o Dia do Senhor e vice-versa.34 Mesmo com essa íntima relação, há
abundância de orientações específicas quanto à preparação para o culto. A preparação para o
culto solene deve marcar a vida do crente e da comunidade.35 “Os puritanos inculcaram uma
preparação específica para a adoração – não apenas para a Ceia do Senhor, mas para todos os
serviços [cúlticos]”.36 Quais os meios ordenados para essa preparação? Como alguns dos
meios são praticados antes, durante e depois da adoração, não será estabelecida uma distinção
rígida, mas, conforme necessário, será pontuado o momento.
32
Vemos que as Escrituras consideram a sinceridade do coração como sendo a preparação para a adoração, e
consideram a falsidade do coração como sendo a não preparação por parte da pessoa. [...] As Escrituras
consideram a retidão do coração como a preparação para os deveres, e a falsidade do coração do homem como o
seguinte: ele não se esforça para preparar o próprio coração para Deus e sua adoração (Ibid., p. 79).
33
WATSON, Thomas. A Ceia do Senhor. Recife: Os Puritanos, 2015. p. 47.
34
Afirmou Swinnock: “se quiseres deixar teu coração com Deus, no sábado à noite, então poderás achá-lo com
ele pela manhã no Dia do Senhor” (SWINNOCK apud PACKER, J. I. Op. Cit., p. 399).
35
Jon Payne, refletindo essa mentalidade, diz que “todo Dia do Senhor, um pouco antes do início de nossos
cultos da manhã e da noite, a nossa congregação reserva alguns breves momentos preparando-se para a
adoração” (PAYNE, Jon D. Op. Cit., p. 17).
36
PACKER, J. I. The puritan approach to worship. Disponível em: < [Link]
worship_Packer.html >. Acesso em: 04 ago 2017.
6
4.1. Vida de santificação
Se adorar a Deus é aproximar-se dEle, pode-se entender a razão por que uma
consciência culpada tem pouca disposição para cumprir sua obrigação de
adorar a Deus. No momento em que um homem ou uma mulher se mete em
qualquer caminho imoral e peca contra a própria consciência, se possuem
qualquer luz na consciência, torna-se uma das coisas mais terríveis do
mundo vir cumprir as obrigações da adoração a Deus.39
Portanto, a preparação para o culto público envolvendo uma vida santa é fundamental.
Nas palavras de Payne: “O culto familiar e o culto pessoal são, sem dúvida, duas das
melhores maneiras de prepararmos diariamente nosso coração e mente para o culto público no
Dia do Senhor”.41 O culto doméstico, tanto diário no decorrer da semana, quanto entre os
cultos (ou antes do culto), ajuda os crentes a prepararem seu coração. Igualmente, se pode
dizer do culto privado (devocional). Isso é de tal importância que o Diretório de Culto de
37
BURROUGHS, Op. Cit., p. 73.
38
BURROUGHS, Jeremiah. Op. Cit., p. 83.
39
Ibid., p. 56.
40
Ibid., p. 82.
41
PAYNE, Jon D. Op. Cit., p. 34.
7
Westminster se preocupa em trazer tal orientação, dizendo: “que cada pessoa e família faça
seus próprios preparativos, com oração em favor de si e pela ajuda de Deus para o ministro”.42
4.6. Meditação
42
O Diretório de Culto de Westminster. Recife: Os Puritanos, 2013. p. 51.
43
BURROUGHS, Op. Cit., p. 83-84.
44
BAYLY, Lewis. A prática da piedade. São Paulo: PES, 2010. p. 268.
45
“O Dia do Senhor deverá ser lembrado com antecedência, de tal forma que todos os trabalhos mundanos de
nossas vocações ordinárias estejam tão organizados, e tão afastados de nossa mente na ocasião, que não
constituam impedimentos à santificação devida do Dia quando ele chegar” (O Diretório de Culto de
Westminster. Recife: Os Puritanos, 2013. p. 51).
46
VINCENT, Thomas. Op. Cit.
47
O Diretório de Culto de Westminster. Recife: Os Puritanos, 2013. p. 52.
48
WATSON, Thomas. A Christian on the Mount: A Treatise Concerning Meditation. Disponível em: <
[Link] >. Acesso: 05 ago 2017.
8
levantar, considere [medite em] quão impuro você é, e em que santo lugar você vai
comparecer diante do santíssimo Deus”.49 Enquanto você caminha para o local de culto – diz
Bayly – medite que você está “indo à corte do Senhor, e vai falar com o grande Deus em
oração. Você vai ouvir Sua Majestade falar-lhe por sua Palavra. E também vai receber a
benção de Deus sobre a sua alma”.50 Thomas Vincent recomenda que: “na manhã do sábado
[cristão, o Dia do Senhor], devemos começar o dia com Deus, em santa meditação sobre as
obras da criação de Deus, e especialmente sobre as obras da redenção, que foram completadas
pela ressurreição de Cristo no dia de hoje”.51 Igualmente, o Diretório de Culto também orienta
que o tempo livre, entre os cultos, seja gasto em meditação.52
Para os puritanos, a meditação era o meio de se preparar para os elementos de culto (em
especial, a Ceia).53 A meditação ajuda “a ver a adoração como uma disciplina a ser cultivada”,
bem como “a ouvir e a ler a palavra com proveito real”.54 O Dia do Senhor deve ser utilizado
para essa preparação com “generosos períodos de tempo de meditação”. 55 A meditação é feita
antes e depois do culto público.56
49
BAYLY, Lewis. Op. Cit., p. 269.
50
BAYLY, Lewis. Op. Cit., p. 273.
51
VINCENT, Thomas. Op. Cit.
52
O Diretório de Culto de Westminster. Recife: Os Puritanos, 2013. p. 52.
53
BEEKE, Joel. JONES, Mark. Teologia Puritana: doutrina para a vida. São Paulo: Vida Nova, 2016. p. 1064.
54
BEEKE, Joel. JONES, Mark. Op. Cit., p. 1278.
55
BEEKE, Joel. JONES, Mark. Op. Cit., p. 1266.
56
Lewis Bayly também orienta: “Quando estiver voltando para casa, ou quando já estiver chegando, medite um
pouco mais nas coisas que ouviu. E, assim como os animais limpos ruminam (Lv 11.3), traga de novo à memória
o que você ouviu na igreja” (BAYLY, Lewis. Op. Cit., p. 278).
57
BAYLY, Lewis. Op. Cit., p. 269.
58
PIPA, Joseph. O Dia do Senhor. Recife: Os Puritanos, 2000. p. 211.
59
WATSON, Thomas. Op. Cit., p. 48.
9
Jonathan Edwards separou um ponto de seu tratado sobre autoexame para tratar do autoexame
no Dia do Senhor para o culto público.60
4.8. Oração
Essa oração deve ser feita antes, durante e depois. Antes de durante em favor de si
mesmo pela concentração e adoração sincera, pelo culto, os irmãos e o pregador. Durante,
pelos mesmos pedidos anteriores. Depois, para que o que fora feito e ouvido tenha impacto
sobre a vida do adorador e da Igreja.
A própria execução dos deveres cúlticos é um preparo para o próximo dever. Burroughs
diz que “assim como um pecado prepara para outro pecado, assim um dever te prepara para
executares o próximo” – encorajando aquelas pessoas que são tentadas a não prestar culto por
desânimo.64 Ele orienta: “não pare! Pois no próprio culto você recebe graça para o próximo”.
Assim, prestar culto público prepara para o próximo culto. Owen adverte: “jamais vi
prosperar espiritualmente um crente que negligenciasse a adoração pública”.65
4.10. Programar-se
Com exceção desta preparação e da ordenação das tarefas, todos os meios vistos até
aqui têm um caráter espiritual. Estas que se excetuam têm um caráter prático/físico. No
sábado, antes do Dia do Senhor, Joseph Pipa, refletindo o ensino puritano, orienta: procure
60
EDWARDS, Jonathan. Particular subjects of self-examination--The Lord's day--God's house. Christian
Cautions and The Necessity of Self-Examination, Revised Edition (With Active Table of Contents) (Locais do
Kindle 385-387). Edição do Kindle.
61
BURROUGHS, Op. Cit., p. 85.
62
O Diretório de Culto de Westminster. Recife: Os Puritanos, 2013. p. 52.
63
“Especialmente, devemos orar em secreto e em família, pela presença de Deus em suas ordenanças, e para que
Deus ajude Seus ministros, que são a sua boca, para nós. E que Ele nos ajude em uma performance sincera e
saudável de deveres públicos, para que possamos obter mais conhecimento, experiência e mortificação, mais
graus de graça e mais comunhão com Deus” (VINCENTE, Thomas. Op. Cit.).
64
BURROUHGS, Jeremiah. Op. Cit., p. 100.
65
OWEN, John. Pensando Espiritualmente. São Paulo: PES, 2005. p. 70.
10
cuidar dos detalhes. Planeje-se quanto à roupa, comida, horário, tempo de sono, combustível,
e evitando atividades sociais aos sábados, que terminem tarde.66
Os dois últimos meios para a preparação e concentração no culto ocorre durante o culto
por meio de anotações dos sermões e do prestar atenção nas orações feitas (o que é uma
grande luta). Quanto aos sermões, Lewis Bayly orienta: “Enquanto o pregador estiver
expondo e aplicando a Palavra do Senhor, olhe para ele. Pois é uma grande ajuda manter viva
a sua atenção e cuidar de não se perder em pensamentos vagos”. Ele continua, para melhor
proveito do sermão, anote: “A coerência e a explicação do texto; a essência ou o principal
escopo do Espírito Santo neste texto; as divisões ou partes do texto; as doutrinas; e, em cada
doutrina, suas provas, seus argumentos e seus usos”. Mas, se o pregador não for tão
66
PIPA, Joseph. Op. Cit., p. 206-209.
67
BAYLY, Lewis. Op. Cit., p. 269.
68
O Diretório de Culto de Westminster. Recife: Os Puritanos, 2013. p. 51.
69
Ibid., p. 27.
70
BAYLY, Lewis. Op. Cit., p. 279.
11
sistemático, Bayly ainda orienta, anote: “quantas coisas ele ensinou que você não sabia; e seja
agradecido; que pecados ele reprovou [...]” etc.71 Quanto às orações, Bayly orienta:
Quando começarem as orações, ponha de lado suas meditações privadas, e junte seu
coração ao ministro e a toda a igreja, formando todos um corpo uno de Cristo (1 Co
12.12) e, porque Deus é Deus de ordem, Ele quer que tudo se faça na igreja de
comum acordo e com um só coração (At 2.46), e que os exercícios da igreja sejam
realmente comunitários e públicos (At 4.32).72
John Owen, igualmente, chama a atenção do crente: “Precisamos usar nossas mentes e
nossos corações enquanto cultuamos [...] Vir ao culto cheio de outros pensamentos, ou
ignorando quais pensamentos deveríamos ter, será dar surgimento à mornidão, à frieza e à
indiferença”.78 Portanto, a finalidade da preparação para o culto público é a concentração para
uma adoração de mente e coração.
71
BAYLY, Lewis. Op. Cit., p. 275.
72
Ibid., p. 274.
73
BEEKE, Joel. PEDERSON, Randall. Op. Cit., p. 672.
74
STEELE abud PIPA, Joseph. Op. Cit., p. 210.
75
BURROUGHS, Jeremiah. Op. Cit., p.
76
Ibid., p. 87.
77
Ibid., p. 134.
78
OWEN, John. Op. Cit., p. 70-71.
12
CONCLUSÃO
Por causa de todo o exposto e do que está em jogo, a doutrina e a prática da preparação
deve ser algo constante na vida do crente. E tudo isso deve animar o crente a buscar forças em
Deus para se preparar. Guardando em mente a advertência pastoral de Thomas Watson: “use o
dever, porém não o idolatre. Devemos usar os deveres que nos preparam para Cristo, mas não
façamos de nossos deveres um Cristo”.81
79
BAYLY, Lewis. Op. Cit., p. 274.
80
BURROUGHS, Jeremiah. Op. Cit., p. 63.
81
WATSON, Thomas. Op. Cit., p. 63.
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BEEKE, Joel. JONES, Mark. Teologia Puritana: doutrina para a vida. São Paulo: Vida
Nova, 2016.
BEEKE, Joel. PEDERSON, Rendall. Paixão pela Pureza. São Paulo: PES, 2010.
EDWARDS, Jonathan. Particular subjects of self-examination: The Lord's day and God's
house. Christian Cautions and The Necessity of Self-Examination, Revised Edition (With
Active Table of Contents) (Locais do Kindle 385-387). Edição do Kindle.
HULSE, Errol. Quem foram os puritanos: e o que eles ensinaram? São Paulo: PES, 2000.
HYDE, Daniel R. O que é um culto reformado: por que em uma igreja reformada o culto é
tão diferente da maioria das outras igrejas? Recife: Os Puritanos, 2012.
LLOYD-JONES, Martyn. Os puritanos: suas origens e seus sucessores. São Paulo: PES,
2016.
PACKER, J. I. Entre os Gigantes de Deus: uma visão puritana da vida cristã. São Paulo:
Fiel, 2016.
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PAYNE, Jon D. No esplendor da santidade: redescobrindo a beleza da Adoração Reformada
para o século XXI. Recife: Os Puritanos, 2015.
RYKEN, Leland. Santos no Mundo: os puritanos como realmente eram. São Paulo: Fiel,
2013.
VINCENT, Thomas. The Shorter Catechism of the Westminster Assembly Explained and
Proved from Scripture. Disponível em: <
[Link] >. Acesso: 04 ago
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WALKER, W. História da Igreja Cristã. (Vol. 2). São Paulo: ASTE, 1997.
______. A Christian on the Mount: A Treatise Concerning Meditation. Disponível em: <
[Link] >. Acesso: 05 ago 2017.
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