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Desenvolvimento do Pensamento Musical

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Marconi Andrade
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Universidade do Minho

Instituto de Educação

João Daniel Rebelo Fonseca

Entre o sopro e o som: Estratégias de

W
desenvolvimento do pensamento musical
segundo Arnold Jacobs
IE
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PR

Relatório de Estágio
Mestrado em Ensino de Música

Trabalho realizado sob a orientação da


Professora Doutora Maria Helena Gonçalves Leal Vieira

julho de 2017
NOME| João Daniel Rebelo Fonseca

ENDEREÇO ELETRÓNICO| [Link]@[Link]

TELEFONE| 932291416

NÚMERO DO CARTÃO DE CIDADÃO| 14157687

TÍTULO DO RELATÓRIO DE ESTÁGIO|Entre o sopro e o som: Estratégias de desenvolvimento do


pensamento musical segundo Arnold Jacobs

ORIENTADORA| Professora Doutora Maria Helena Gonçalves Leal Vieira

ANO DE CONCLUSÃO| 2017


W
IE
DESIGNAÇÃO DO MESTRADO| Mestrado em Ensino da Música
EV
PR

É AUTORIZADA A REPRODUÇÃO PARCIAL DESTE RELATÓRIO, APENAS PARA EFEITOS DE


INVESTIGAÇÃO, MEDIANTE DECLARAÇÃO ESCRITA DO INTERESSADO, QUE A TAL SE
COMPROMETE.

Universidade do Minho, julho de 2017

Assinatura: _______________________________

ii
Agradecimentos

Nesta longa caminhada que foi a elaboração deste relatório, que na realidade foi o
culminar de uma grande etapa da minha vida, não poderia deixar de agradecer a todos aqueles
que foram fundamentais para que a mesma se desenrolasse da melhor maneira e que de uma ou
outra forma foram essenciais para a sua completação.
Em primeiro lugar à minha família: Balduíno Fonseca, Maria de Fátima Fonseca, Ricardo
Fonseca, Carla Fonseca, Rodrigo Fonseca, Olinda Vitorino, Sandra Vitorino, António Carvalheira; a
quem devo tudo por sempre me terem dado um apoio incondicional e serem responsáveis pelo
meu crescimento e educação como ser humano.
Aos meus professores Vítor Faria e Nuno Scarpa pelo enorme contributo que deram para
a minha carreira musical e que foram indiretamente responsáveis pela escolha do tema deste

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projeto.
Aos meus amigos: Ana Von Doellinger, André Silva, António Lima, Augusto Baschera,
IE
Beatriz Cardona, Beatriz Neves, Bruno Fernandes, Carla Ferreira, Cláudia Monteiro, Daniela Melo,
Diana Luís, Fabiana Guilherme, Fábio Guia, Fábio Oliveira, Joana Nogueira, João Gonçalves, João
EV

Ramos, Joaquim Pereira, José Diogo Martins, Laura Matos, Leonor Bravo, Liliana Pinheiro, Lisete
Correia, Luís Almeida, Mara Valente, Mauro Resende, Miguel Oliveira, Miguel Silva, Natália
Ferreira, Patrícia Pires, Paulo Morais, Pedro Melo, Pedro Oliveira, Sílvia Martins, Sofia Torgal, Tiago
PR

Mendes, Tiago Pinho, Vinicius Baschera, Xavier Sacramento; que foram a minha segunda família.
Todos deram um enorme contributo a mais variados níveis para a conclusão deste relatório. Foram
eles que me acompanharam no dia-a-dia e nunca deixaram que este projeto caísse por terra.
Aos meus professores cooperantes Zeferino Pinto e Filipe Silva pelo enorme contributo
que deram na minha formação, tanto a nível profissional como a nível humano. Fico enormemente
agradecido pelo tempo disponibilizado de forma voluntária para que o meu estágio decorresse da
melhor forma.
Por último e não menos importante, não posso deixar despercebido o trabalho sobre-
humano da minha supervisora e orientadora Professora Doutora Helena Vieira, com quem tanto
aprendi este ano e a quem devo a realização deste presente documento.

iii
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ENTRE O SOPRO E O SOM: ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO MUSICAL
SEGUNDO ARNOLD JACOBS
João Daniel Rebelo Fonseca
Mestrado em Ensino de Música
Universidade do Minho
2017

RESUMO
É consensual, a nível do ensino dos instrumentos de sopro, o papel fundamental que a respiração
ocupa na prática dos mesmos. No entanto, são mais desconhecidas as estratégias do desenvolvimento do
pensamento musical, pelo que é de extrema importância refletir sobre os processos cognitivos de forma a
descobrir e potenciar os mais importantes para a prática musical. Segundo Jacobs, a música (Song) deve
ocupar 85% da concentração intelectual ao tocar um instrumento, baseando-se o instrumentista no que
quer ouvir; no entanto, é impossível fazê-lo, num instrumento de sopro, sem o ar (wind). Neste sentido, o

W
presente relatório teve como objetivos de intervenção desenvolver a articulação entre estes dois aspetos, e
investigar a relação entre a respiração e as ideias musicais. Teve também como principais objetivos de
IE
investigação identificar que tipo de pensamento têm os alunos enquanto tocam e que contextos podem
alterar esses pensamentos; registar a forma como cada aluno respira e se conseguem usar a imagética
EV

mental auditiva na sua prática musical. A investigação partiu das seguintes questões: será que os alunos
sabem qual é a melhor maneira de respirar para tocar um instrumento de sopro? Será que esta questão é
abordada corretamente do ponto de vista pedagógico? Será que os alunos se focam mais nos aspetos
técnicos do que na musicalidade? Se sim, quais serão as consequências e de que forma podemos alterar
PR

isso? Será que é possível direcionar o foco de concentração dos alunos para o pensamento, mais do que
para os aspetos técnicos?
Neste projeto estudou-se, por um lado, como funciona fisiologicamente a respiração e como torná-
la um processo automático que permita a concentração dos alunos no pensamento musical. Por outro lado,
estudou-se o impacto que as imagéticas mentais provocam na prática do instrumento. Ao nível da
intervenção foram realizados vários exercícios para corrigir a respiração e redefinir o foco de pensamento
dos alunos, entre os quais exercícios de imagética auditiva, visual e motora.
A nível da investigação conclui-se que a o tema da respiração era inicialmente pouco esclarecido
para os alunos e que muito da sua prática era focada nos aspetos técnicos. A nível da intervenção conclui-
se que a utilização da imagética musical enriquece o vocabulário expressivo dos alunos e permite obter
uma melhor compreensão da obra. Sendo que a respiração profunda e relaxada é um dos principais fatores
que permite expressar livremente essas ideias musicais.
Palavras-chave |Respiração, Pensamento Musical, Imagética Auditiva, Imagética Visual, Imagética Motora

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PR

vi
EV
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SONG AND WIND, STRATEGIES FOR DEVELOPING MUSICAL THINKING ACCORDING TO ARNOLD
JACOBS
João Daniel Rebelo Fonseca
Master Degree in Music Education
Minho University
2017

ABSTRACT
When comes to teaching wind instruments, it is consensual the fundamental role that the act of
breathing occupies when practicing and therefore when playing them. Nevertheless, the strategies for
developing the so-called musical thought are yet to be improved, reason why it is of extreme importance to
reflect on the cognitive processes implied, in order to discover and potentiate the most appropriated ones
for the musical practice. According to Jacobs, music (Song) should occupy 85% of the intellectual
concentration when playing an instrument, this way the musician bases himself on what he wants to hear;

W
however, it is impossible to do so, in a wind instrument, without the blow (wind). Regarding this, the
purposes of this report were: to develop the articulation between those two aspects, and to explore the
IE
relationship between breathing and musical ideas, but also to identify which type of thinking students
experience while playing, and what contexts can alter those thoughts (way of thinking). In other words, to
EV

track the way each student breaths and if they could use (or if it could be used) mental auditory imagery in
their musical practice. The research was based on the following questions: Do students know what is the
best way to breathe to play a wind instrument? Is this question correctly addressed from a pedagogical point
of view? Do students focus more on technical aspects than musicality? If so, what are the consequences
PR

and how can we change it? Is it possible to direct the concentration focus of the students into the thinking,
rather than into the technical aspects?
In one hand, it was studied how “breathing” physiologically works and how to make it an automatic
process to allow students to concentrate in the musical thought. On the other hand, the impact of mental
imagery on the practice of the instrument was also object of study. At the intervention level, several exercises
were performed to correct breathing and redefine the students' focus of thought, including auditory, visual
and motor imagery exercises.
Concerning research work it is concluded that the subject of breathing was right from the start
unclear to the students and that the majority of their practice was focused on technical aspects. In what
comes to interventional work it is settled that the use of musical imagery enhances the students' expressive
vocabulary and allows a better understanding of the musical piece. Being the deep and relaxed breathing
one of the main factors contributing to fluently express those musical ideas.
Key words | Breath, Musical Thinking, Auditory Imagery, Visual Imagery, Motor Imagery

vii
ÍNDICE
Agradecimentos................................................................................................................ iii
Resumo ............................................................................................................................... v
Abstract ........................................................................................................................... vii
Introdução ........................................................................................................................ 1
CAPÍTULO I - Temática, Motivações e Objetivos .............................................................. 3
1.1 Temática e Motivações ....................................................................................................... 3
1.2 Objetivos ............................................................................................................................. 4
CAPÍTULO II - Enquadramento teórico ............................................................................. 7
2.1 – Respiração ........................................................................................................................ 8
2.1.1 Inspiração ..................................................................................................................... 8
2.1.2 Expiração ...................................................................................................................... 9
2.2 Ações/ Reflexos Condicionados ........................................................................................ 11

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2.3 Pensamento Musical ......................................................................................................... 12
2.3.1 Imagética Musical....................................................................................................... 13
IE
2.3.2 Imagética Auditiva ...................................................................................................... 14
2.3.3 Imagética Visual ......................................................................................................... 16
2.3.4 Imagética Motora ....................................................................................................... 17
EV

CAPÍTULO III – Metodologias de Investigação e Intervenção ........................................ 19


3.1 Observação ........................................................................................................................ 20
3.2 Entrevista .......................................................................................................................... 21
PR

3.3 Guião da Entrevista ........................................................................................................... 22


3.4 - Análise documental......................................................................................................... 23
3.5 Intervenção ....................................................................................................................... 23
CAPÍTULO IV – Caracterização do contexto de estágio .................................................. 25
4.1 Caracterização da Instituição ............................................................................................ 25
4.1.1 Projeto Educativo ....................................................................................................... 27
4.2 Caracterização dos alunos ................................................................................................. 30
Capítulo V – Análise dos dados....................................................................................... 33
5.1 – Observação ..................................................................................................................... 33
5.1.1 Breve descrição da metodologia aplicada pelo Prof. Cooperante na disciplina de
trombone ............................................................................................................................ 33
5.1.2 Observações relevantes ............................................................................................. 33
5.2 – Entrevistas ...................................................................................................................... 35
5.2.1- Resposta às entrevistas ............................................................................................. 35
5.2.2 Análise das respostas à entrevista ............................................................................. 39

viii
CAPÍTULO VI – Projeto de Intervenção em Contexto de Ensino Individual ................... 41
6.1 Descrição Geral ................................................................................................................. 41
6.2 Alunos A e B....................................................................................................................... 42
6.2.1 Geral ........................................................................................................................... 42
6.2.2 Respiração .................................................................................................................. 42
6.2.3 Imagética Auditiva ...................................................................................................... 43
6.2.4 Imagética Visual e Motora ......................................................................................... 44
6.3 Aluno C .............................................................................................................................. 44
6.3.1 Geral ........................................................................................................................... 44
6.3.2 Respiração .................................................................................................................. 45
6.3.3 Imagética Mental Auditiva ......................................................................................... 46
6.3.4 Imagética Visual e motora.......................................................................................... 47
6.4 Aluno D .............................................................................................................................. 48

W
6.4.1 Geral ........................................................................................................................... 48
6.4.2 Respiração .................................................................................................................. 49
6.4.3 Imagética Auditiva ...................................................................................................... 49
IE
6.4.4 Imagética Visual e Motora ......................................................................................... 50
6.5 Aluno E .............................................................................................................................. 51
EV

6.5.1 Geral ........................................................................................................................... 51


6.5.2 Respiração .................................................................................................................. 52
6.5.3 Imagética Auditiva ...................................................................................................... 52
6.5.4 Imagética Visual e Motora ......................................................................................... 52
PR

CAPÍTULO VII – Projeto de Intervenção em Contexto de Música de Câmara ................ 53


CAPÍTULO VIII - Atividades complementares ao âmbito do estágio curricular.............. 55
8.1 Audições ............................................................................................................................ 55
8.2 Masterclass........................................................................................................................ 55
8.3 Concursos .......................................................................................................................... 56
8.4 Concerto da orquestra ...................................................................................................... 57
8.5 Provas Trimestrais ............................................................................................................. 57
CAPÍTULO IX - Considerações Finais ............................................................................... 58
CAPÍTULO X – Conclusão ................................................................................................ 61
Referências Bibliográficas ............................................................................................... 65

ix
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Introdução

Este relatório de intervenção pedagógica inscreve-se no âmbito do Estágio Profissional do


Mestrado em Ensino de Música da Universidade do Minho, nos grupos de docência M19 de
Trombone e M32 de Conjuntos Vocais/Instrumentais do Ensino Artístico Especializado e tem como
objetivo principal o desenvolvimento de duas ferramentas fundamentais e indissociáveis para os
instrumentistas de sopro: o pensamento musical e o suporte de ar.
Em Portugal existem várias teorias que defendem a respiração diafragmática, que para
tocar um instrumento de sopro é necessário inspirar para a parte inferior dos pulmões e para
expirar é necessário contrair o diafragma criando tensão na zona abdominal. Alguns casos
extremos são de professores a dar socos na barriga dos alunos enquanto estes tocam e a

W
colocarem-se de pé sobre a zona abdominal dos mesmos enquanto estes estão deitados no chão,
de forma a exemplificarem a força necessária para tocar um instrumento musical. Estas práticas
IE
podem ser nocivas para a saúde dos alunos e não se baseiam nos princípios anatómicos e
fisiológicos do corpo humano. O diafragma é fundamental na respiração porque ao ser elevado e
baixado aumenta e diminui a cavidade torácica, mas a depressão resulta quando as fibras
EV

musculares do diafragma se contraem e a elevação ocorre quando o diafragma relaxa. O que


contraria a ideia de que se deve pressionar o diafragma para a expiração. A tentativa de usar o
diafragma pode resultar na manobra de Valsalva1 muito prejudicial para os músicos. É então
PR

necessário ensinar uma respiração que siga os princípios do funcionamento do corpo humano e
que suporte com ar os lábios de forma aos instrumentistas de sopro poderem expressar livremente
as suas ideias musicais.
Os alunos de trombone do ensino especializado de música manifestam frequentemente
dificuldades ao nível da expressividade musical por estarem muitas vezes focados em questões
técnicas. Houve necessidade de estudar como se processa o pensamento musical dos alunos de
forma a poder intervir pedagogicamente sobre esse processo e reverter a focalização psicológica
que se manifesta em bloqueios e tensões criadas por uma má respiração, bem como numa
vibração fraca dos lábios e consequente má produção sonora.

1 Contração isométrica dos músculos abdominais, que aumenta a pressão interna e a garganta fecha para conter
essa pressão. (Frederiksen, 1996, p. 100)

1
No capítulo primeiro serão abordadas a temática, as motivações para o estudo e os
objetivos tanto a nível de investigação como de intervenção que este projeto pretendeu realizar.
No capítulo segundo será desenvolvido o atual estado da arte, também denominado por
enquadramento teórico. Onde serão apresentados os principais autores e estudos de relevância
para o tema deste projeto.
No capítulo terceiro serão abordadas as metodologias de investigação. Será fundamentada
a escolha da metodologia Investigação-Ação e quais os instrumentos de recolha de dados que
foram utilizados.
No capítulo quarto será apresentada a caracterização do contexto de estágio. Nele
ficaremos a conhecer a escola na qual foi realizada este estágio, e a caracterização dos alunos
sobre os quais a intervenção foi executada.
No capítulo quinto proceder-se-á à análise de dados, no qual avaliaremos os resultados

W
obtidos durante o ano através dos instrumentos de recolha de dados.
No capítulo sexto veremos como decorreu o projeto de intervenção do ensino instrumental
IE
individual. Poderemos observar a maneira como as aulas foram estruturadas e realizadas.
No capítulo sétimo abordaremos o projeto de intervenção de música de câmara, onde
EV

ficaremos a conhecer as atividades realizadas com a orquestra e a forma como os exercícios de


respiração e as estratégias do desenvolvimento do pensamento musical podem ser aplicados a
um maior número de pessoas.
PR

No capítulo oitavo ficaremos a conhecer as atividades complementares realizadas em


contexto de estágio.
No capítulo nono são apresentadas as considerações finais.
No capítulo décimo, o último, serão apresentadas as conclusões.

2
CAPÍTULO I - Temática, Motivações e Objetivos

1.1 Temática e Motivações

Através da observação pedagógica, possibilitada pela fase inicial do estágio profissional,


complementada com alguns anos de experiência profissional deparei-me com vários dos
problemas que durante o meu percurso de estudante de música também me afetaram. Destaco
como principais os maus hábitos associados à respiração e o pensamento demasiadamente
técnico, centrado no processo e não no resultado sonoro pretendido – este é um problema que,
em última análise, se manifesta na incapacidade de pensar musicalmente. Como consequência
desta análise, surgiu então a necessidade de procurar uma pedagogia que viesse colmatar estas
falhas que o atual sistema educativo tem vindo a perpetuar.

W
Foi assim que surgiu o tema deste projeto, que incide no estudo de estratégias de
desenvolvimento do pensamento musical segundo o pedagogo Arnold Jacobs, aplicadas a alunos
IE
de trombone do ensino especializado de música. Desta forma focaliza-se a atenção na realidade
imaterial do pensamento musical enquanto vertente cognitiva da aprendizagem.
EV

No seguimento da problemática apresentada anteriormente tornou-se necessário


responder a certas questões relacionadas com o foco de pensamento dos alunos (grupo 1) e a
maneira como respiram (grupo 2) para a prática musical.
PR

1. Qual é o principal foco de pensamento dos alunos na sua performance musical?


1.1. Quais os principais pensamentos que os alunos têm enquanto estudam? E em
concerto?
1.2 Esses pensamentos são mais centrados em aspetos técnicos ou musicais?
1.3 O contexto (estudo, concerto, aula) influencia esses pensamentos?
1.4 Qual o papel da peça/obra/exercício concreto no pensamento musical dos alunos
quando a/o executam?
1.5 O que é a imagética mental auditiva?
1.6 Os alunos conseguem imaginar o som na sua cabeça?

3
2. De que forma funciona o aparelho respiratório anatomicamente na execução de um instrumento
de sopro?
2.1 Quais as principais teorias sobre a utilização do aparelho respiratório para a prática
dos instrumentos de sopro? Quais dessas teorias se enquadram mais com a fisionomia/anatomia
do corpo humano?
2.3 Que noções têm os alunos da respiração?
2.4 Que problemas a nível musical resultam de uma respiração incorreta?
2.4 Os alunos respiram de uma forma profunda e relaxada?
2.5 O quanto os alunos se concentram na respiração no seu estudo? E em concerto?

Estas questões levaram à questão mais importante desta investigação, dado que a sua
resposta foi extremamente valiosa para o sucesso deste projeto de intervenção pedagógica
supervisionada:

W
3 Conseguem os alunos centrar o seu pensamento maioritariamente na conceção musical
IE
e suportar essa ideia com a correta emissão de ar?
EV

1.2 Objetivos

Com vista a obter resposta a estas questões foram delineados objetivos de investigação e
PR

intervenção. Num plano investigativo pretendeu-se identificar e categorizar o tipo de pensamentos


que os alunos têm quando tocam de forma a poder compreender qual a melhor forma de intervir
nessa área. Inquirir- los sobre se os diferentes tipos de contexto (estudo, concerto, aula) alteram
o seu foco de concentração permitindo assim acompanha-los de uma forma mais eficiente nos
vários momentos que são parte orgânica da vida de um músico. Observar e registar os problemas
associados ao pensamento mecânico e técnico, por parte dos alunos, e as vantagens de um
pensamento focado na música. Perceber se os alunos conseguem usar a imagética mental auditiva
e a conseguem aplicar na sua prática musical. Em que medida ela está presente, e quais as
alterações que provoca. Registar o tipo de respiração que cada aluno faz aquando a prática do
instrumento (alta, baixa, tensa, profunda, relaxada). Observar os resultados dos exercícios
implementados com vista a melhorar a rentabilização dos pulmões e utilização do ar. Inferir se os
discentes conseguem utilizar os estímulos/reações condicionadas na sua performance.

4
Na parte interventiva foram traçados os seguintes objetivos: experimentar e modificar
variantes do contexto (estudos mais técnicos, peças mais fáceis, concerto ou aula) para estimular
diferentes focos de concentração. Implementar vários exercícios que permitam aos alunos
reconhecer e melhorar o uso da imagética mental auditiva. Desenvolver a capacidade auditiva dos
alunos, visto esta ser uma ferramenta essencial a esta abordagem pedagógica. Introduzir
exercícios de respiração que permitam aos alunos utilizar o ar de uma forma mais eficaz. Escolher
e aplicar exercícios que comprovadamente ajudem a pensar e tocar de uma forma musical, e de
dificuldade adequada de forma a que os alunos possam utilizar o suporte do ar adequadamente.
Em suma, este projeto teve como principal objetivo resolver os problemas atrás relatados,
aplicando uma pedagogia centrada no pensamento musical. Devido ao pensamento ser uma coisa
única de cada ser vivo, esta é uma pedagogia centrada nos alunos seguindo assim os ideais
pedagógicos do movimento intitulado “Escola Nova”. Esta perspetiva valoriza as experiências dos

W
alunos e coloca o aluno no centro da aprendizagem. Procura, portanto, incentivar a sua criatividade
e autonomia. Promove um ensino através da autodescoberta, no qual o professor é um estimulador
IE
e orientador.
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Reproduced with permission of copyright owner. Further reproduction prohibited without permission.

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