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Exercícios sobre Espaços de Sobolev

exercícios EDps e distribuições

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Cleber Lopes
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Universidade Federal do Pará

Programa de Doutorado em Matemática


Romário Silva Duarte

Lista 2 de Exercícios Introdução aos Espaços de


Sobolev

Belém - PA
6 de novembro de 2019
Universidade Federal do Pará
Programa de Doutorado em Matemática
Romário Silva Duarte

Lista 2 de Exercícios Introdução aos Espaços de Sobolev

Belém - PA
6 de novembro de 2019
Sumário

Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3

REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
3

Exercícios

Questão 1
Seja a função

ϕ: RN → R
 1


e 1−kxk2 se kxk < 1
x 7−→ ϕ(x) =
 0 se kxk ≥ 1

Mostre que ϕ ∈ C 1 (RN ) com supp(ϕ) = B1 (0).


Solução:
Do curso, sabemos que ϕ é contínua e possui ponto de máximo. Note também que
limkxk→1− ϕ(x) = 0 e limkxk→−1+ ϕ(x) = 0. Portanto, como ϕ tem um decaimento suave
para zero em B1 (0), então podemos considerar somente a derivada neste conjunto, de onde

 1

− 1
∂ e 1−kxk2 −
∂ϕ e 1−kxk2
= = −2|xi |
∂xi ∂xi (1 − kxk2 )2
∂ϕ
Note que ∂x i
, é contínua e admite ponto de máximo para todo x ∈ RN tal que
kxk < 1. Além disso,

1 1
− −
e 1−kxk2 e 1−kxk2 1
= ln[(1−kxk2 )2 ] = 1
+ln[(1−kxk2 )2 ]
→ 0 , kxk → 1− e kxk → −1+
(1 − kxk )
2 2 e e 1−kxk2

Isto nos indica que a derivada de ϕ também possui um decaimento suave para zero
em B1 (0). Assim, podemos definir,

∂ϕ
: RN → R
∂xi
 1
− 2
e 1−kxk

∂ϕ −2|xi | (1−kxk

se kxk < 1
x 7−→ (x) = 2 )2
∂xi 
 0 se kxk ≥ 1

e do que acabamos de demonstrar esta é uma função contínua em RN .


Além disso, sabendo que limkxk→1− ϕ(x) = 0 e limkxk→−1+ ϕ(x) = 0 então, temos
Exercícios 4

supp(ϕ) = {x ∈ RN ; ϕ(x) 6= 0} ∩ RN = B1 (0)

Questão 2
Mostre que o conjunto das funções contínuas com suporte compacto C0 (RN ), é
denso em Lp (RN ), para 1 ≤ p < ∞.
Solução:
Vamos dividir prova em quatro partes:
(i) O espaço das funções simples é denso em Lp (RN ), para 1 ≤ p < ∞.
(ii) Podemos aproximar funções simples por funções contínuas C 0 (RN ) no espaço
Lp (RN ).
(iii) Podemos aproximar uma função contínua C 0 (RN ) por uma função contínua e
de suporte compacto C0 (RN ) na norma Lp (RN ).
(iv) O espaço das funções contínuas de suporte compacto C0 (RN ), é denso em
Lp (RN )
Demonstração do item (i):
De fato, seja f ∈ Lp (Ω), vamos provar que existe uma sequência de funções simples
tais que ϕn → f , em Lp (Ω), isto mostra que para toda f ∈ Lp (Ω), dado ε > 0, existe uma
função simples ϕf , tal que

kf − ϕf kLp (RN ) < ε

Vamos analisar dois casos, suponha primeiramente que


Caso 1 - f : RN → R, f (x) ≥ 0, ∀x ∈ RN e f p dx < ∞
R
Rn

Da teoria da medida, sabemos que f ∈ Lp (RN ) é mensurável e sendo f não negativa,


então existe uma sequência de funções simples (ϕn )n∈N , não-negativas, mensuráveis e
crescente tal que ϕn → f pontualmente. Além disso, note que

ϕn ∈ Lp (RN ) , ∀n ∈ N

De fato,

Z Z
ϕn ≤ f ⇒ ϕpn p
≤f ⇒ ϕpn dx ≤ f p dx < ∞
RN RN

Ou seja,
Exercícios 5

Z
ϕpn dx < ∞ , ∀n ∈ N
RN

Note também que

ϕn → f , em Lp (RN )

De fato, sendo f e ϕn não negativas, ϕn (x) ≤ f (x), ∀x ∈ RN , ∀n ∈ N e 1 ≤ p ≤ ∞,


então para cada x ∈ Rn , podemos escrever:

f (x) − ϕn (x) ≤ f (x) ⇒ (f (x) − ϕn (x))p ≤ (f (x))p

Ou seja,

(f (x) − ϕn (x))p ≤ (f (x))p (1)

E como ϕn (x) → f (x) para cada x ∈ RN , então (f (x) − ϕn (x))p → 0 (0 é a função


nula) para cada x ∈ RN . Também, como f ∈ Lp (RN ), então f p ∈ L1 (RN ). Assim, de 1
podemos usar o teorema da convergência dominada de Lebesgue e concluir que

Z
kf − ϕn kLp (RN ) = (f (x) − ϕn (x))p dx → 0
RN

Provando assim o Caso 1.


Caso 2 - Suponhamos agora f : RN → R geral. Da teoria da media, sabemos que
podemos decompor esta função em sua parte positiva e negativa, isto é,

f = f+ − f−

onde, f + = sup{f (x), 0} e f − = sup{−f (x), 0}. Note que estas funções são não-
negativas e facilmente podemos observar que

|f | = f + + f −

Com isso e das propriedades de funções mensuráveis, temos que se f é mensurável,


então sua parte positiva e sua parte negativa também o são. Assim, vemos que se f ∈
Lp (RN ), então f + ∈ Lp (RN ) e f − ∈ Lp (RN ).
Portanto, do Caso 1, dado ε > 0, existem funções simples ϕf + e ϕf − tais que

ε
kf + − ϕf + kLp (RN ) < (2)
2
Exercícios 6

ε
kf − − ϕf − kLp (RN ) < (3)
2
Como a soma de funções simples e o produto de uma escalar por uma função
simples é também uma função simples, então podemos definir a seguinte função simples:

ϕf = ϕf + − ϕf −

Assim, dado ε > 0 usando 2 e 3, podemos escrever:

kf − ϕf kLp (RN ) = kf + − f − − ϕf + + ϕf − kLp (RN ) ≤ kf + − ϕf + kLp (RN ) + kf − − ϕf − kLp (RN )


ε ε
< + =ε
2 2

Ou seja, dado ε > 0, existe uma função simples ϕf , tal que

kf − ϕf kLp (RN ) < ε

Provando assim o Caso 2 e finalizando a prova do item (i).


Demonstração do item (ii):
Vamos provar primeiramente, que podemos aproximar funções características de
conjuntos mensuráveis com medida finita por funções contínuas na norma de Lp (RN ).Ou
seja, dado ε > 0 e E ⊂ RN mensurável com M ed(E) < ∞, então existe g ∈ C 0 (RN ), tal
que

kg − χE kLp (RN ) < ε

De fato, como E ⊂ RN é mensurável, então das propriedades de conjuntos mensurá-


veis existe um aberto A ⊂ RN e um fechado F ⊂ RN tal que F ⊂ E ⊂ A e M ed(A\F ) ≤ εp .
Vamos então definir a seguinte função:

g: RN → R
d(x, AC )
x 7−→ g(x) =
d(x, AC ) + d(x, F )

Note que
(I) g está bem definida
Exercícios 7

(II) g é contínua
(III) 0 ≤ g(x) ≤ 1 , ∀x ∈ RN
(IV) g(x) = 1 , ∀x ∈ F
(V) g(x) = 0 , ∀x ∈ AC
Para deonstrar o item (I), vamos mostrar que esta função está bem definida, pois o
denominador se anula se e somente se d(x, F ) = 0 e d(x, AC ) = 0, no entanto, como F é
fechado:

d(x, F ) = 0 ⇔ x ∈ F

E como AC é fechado, pois A é aberto, então:

d(x, AC ) = 0 ⇔ x ∈ AC

No entanto, como F ⊂ A, então não existe x ∈ F ∩ AC .


Para o item (II), tobserve que da continidade da função distância, temos que g é
contínua.
Os itens (III), (IV) e (V) são óbvios.
Além disso, note que

Z
kχE − gkpLp (RN ) = |χE (x) − g(x)|p dx
RN

Note que

χE (x) − g(x) = 0 , ∀x ∈ AC

χE (x) − g(x) = 0 , ∀x ∈ F

Assim, podemos reescrever a integral acima da seguinte maneira:

Z
kχE − gkpLp (RN ) = |χE (x) − g(x)|p dx
A−F

Do item (III), temos que 0 ≤ g(x) ≤ 1 , ∀x ∈ RN , então

0 ≤ |χE (x) − g(x)|p ≤ 1

Assim, temos que a igualdade acima se torna:


Exercícios 8

Z
kχE − gkpLp (RN ) = |χE (x) − g(x)|p dx ≤ M ed(A − F ) < εp
A−F

Ou seja,

kχE − gkLp (RN ) < ε

Provando assim que podemos aproximar uma função característica de um conjunto


mensurável com medida finita por uma função contínua.
PN
Tomamos então uma função simples, ϕ = i=1 Ci χEi , qualquer em Lp (RN ). Temos
então,

N
p
|Ci |p χEi (x)
X
|ϕ(x)| =
i=1

Logo,

Z N
|ϕ(x)|p dx = |Ci |p M ed(Ei )
X
RN i=1

Como ϕ ∈ Lp (RN ), então

N
|Ci |p M ed(Ei ) < +∞
X

i=1

Assim,

M ed(Ei ) < +∞ , ∀i ∈ {1, . . . , N }

Portanto, dado ε > 0 e para cada i ∈ {1, . . . , N }, de acordo com o que demonstra-
mos acima, existe gi ∈ C 0 (RN ), tal que

kχEi − gi kLp (RN ) < ε


PN
Daí, definimos g = i=1 Ci gi . Como cada gi é contínua, então g também é contínua
e podemos escrever:

N
X N
X
kϕ − gkLp (RN ) = k Ci (χEi − gi )kLp (RN ) ≤ |Ci |kχEi − gi kLp (RN )
i=1 i=1

Ou seja,
Exercícios 9

kϕ − gkLp (RN ) ≤ εC
PN
onde, C = i=1 |Ci |, é uma constante.
Provando assim que podemos aproximar funções simples por funções contínuas na
norma Lp (RN ).
Demonstração do item (iii):
Vamos provar que podemos aproximar uma função contínua g ∈ Lp (RN ), por uma
função contínua e de suporte compacto na norma de Lp (R.
De fato, seja g ∈ Lp (RN ) contínua e defina a seguinte função:

ψn : RN → R
C )
d(x, B2n
x 7−→ ψn (x) = C ) + d(x, B )
d(x, B2n n

onde, Bn = B(0, n) e B2n = B(0, 2n).


(I) ψn é contínua
(II) ψn (x) = 1 , ∀x ∈ Bn
C
(III) ψn (x) = 0 , ∀x ∈ B2n
Para provar o item (I) basta notar que da continuidade da função distância, temos
que ϕn é contínua. Os demais itens são óbvios.
Vamos então definir a seguinte função:

ϕn = g.ψn

Assim, dos itens (I), (II) e (III) e sabendo que g é contínua temos que ϕn é contínua
e possui suporte compacto. Além disso, para cada x ∈ RN , podemos escrever:

|g(x) − ϕn (x)|p = |g(x) − gψn (x)|p = |g(x)(1 − ψn (x))|p ≤ |g(x)|p

Portanto, como g ∈ Lp (RN ), então g p ∈ L1 (RN ) e além disso, para cada x ∈ RN ,

ϕn (x) = gψn (x) → g(x) , n → ∞

Ou seja, para cada x ∈ RN ,


Exercícios 10

|ϕn (x) − g(x)|p → 0 , n → ∞

Portanto, podemos aplicar o teorema da convergência dominada de Lebesgue de


modo que tenhamos:

Z
|g − ϕn |p dx → 0 , n → ∞
RN

Provando assim o item (iii).


Demonstraçõa item (iv):
De fato, dado ε > 0, do item (i) temos que o espaço das funções simples é denso
em L (RN ), assim, dado f ∈ Lp (RN ) existe uma função simples varphif tal que
P

ε
kf − ϕf kLp (RN ) < (4)
3
Por outro lado, do item (ii), para a função ϕf , existe ψf ∈ C 0 (RN ) contínua, tal
que

ε
kϕf − ψf kLp (RN ) < (5)
3
Por sua vez, do item (iii) para ψf ∈ C 0 (RN ), existe gf ∈ C0 (RN ) uma função
contínua e com suporte compacto, tal que

ε
kψf − gf kLp (RN ) < (6)
3
Assim, dado f ∈ Lp (RN ) e ε > 0, tomando gf ∈ C0 (RN ) dada acima, de 4, 5 e 6
podemos escrever:

kf − gf kLp (RN ) = kf − gf + ϕf − ϕf + ψf − ψf kLp (RN )


≤ kf − ϕf kLp (RN ) + kϕ − ψf kLp (RN ) + kψf − gf kLp (RN )
ε ε ε
< + + =ε
3 3 3

Ou seja,

kf − gf kLp (RN ) < ε

Provando assim que o espaço C0 (RN ) das funções contínuas e com suporte compacto
é denso em Lp (RN ). Finalizando assim a demonstração.
Exercícios 11

Questão 3
O conjunto C0∞ (Ω) é denso em Lp (Ω), para todo 1 ≤ p < ∞.
Solução:
Sabemos das propriedades demonsrtradas em sala de aula que
Propriedade
C0∞ (RN ) é denso em Lp (RN ), para todo 1 ≤ p < ∞.
Assim, dado f ∈ Lp (Ω), vamos definir :

f: RN → R

 f (x) se x∈Ω
x −
7 → f (x) =
 0 se x ∈ RN \ Ω

Esta função é a extensão de f em RN .


Como f ∈ Lp (Ω), pela definição de f , facilmente podemos notar que f ∈ Lp (RN ).
Por outro lado, tomamos uma família {Xn }n∈N formada pelos seguintes conjuntos:

1
Xn = B 1 (x0 ) = {x ∈ RN ; |x − x0 | ≤ }
n n
Para algum x0 ∈ Ω. Note que Xn são compactos de RN .
Vamos então definir as seguinte as funções:

gn : RN → R

 f (x) se x ∈ X ∩ Ω
n
x −
7 → gn = (χXn f (x)) =
 0 se x ∈
/ Xn ∩ Ω

Como f ∈ Lp (RN ), então gn ∈ Lp (RN ). Daí, definimos:

fn : RN → R
 R

RN ϕn (x − y)f (y)dy se y ∈ Xn ∩ Ω
x 7−→ fn (x) = (ϕn ∗ gn )(x) =
 0 se y ∈
/ Xn ∩ Ω

onde (ϕn )n∈N é uma sequência regularizante.


Note que da definição de fn e das propriedades de suporte para convoluções, temos
Exercícios 12

supp(fn ) ⊂ supp(ϕn ) + supp(gn ) ⊂ B 1 (0) + B 1 (x0 )


n n

Note que se tomarmos

y + x ∈ B 1 (0) + B 1 (x0 )
n n

podemos então escrever:

1 1 2
ky + x − x0 k ≤ kx − x0 k + kyk ≤ + =
n n n
De onde,

y + x ∈ B 2 (x0 )
n

Assim, para x0 ∈ Ω

supp(fn ) ⊂ B 2 (x0 ) , ∀n ∈ N
n

Como Ω ⊂ RN é aberto, então para n ∈ N suficientemente grande temos que

supp(fn ) ⊂ B 2 (x0 ) ⊂ Ω
n

De onde, concluímos que fn tem suporte compacto.


Além disso, como gn ∈ Lp (RN ) e ϕn é uma sequência regularizante e portanto
ϕn ∈ C0∞ (RN ), então fn = gn ∗ ϕn ∈ C ∞ (RN ). Como concluímos que fn também tem
suporte compacto, então

fn ∈ C0∞ (Ω)

Por outro lado, temos que

kfn − f kLp (Ω) = kfn − f kLp (RN ) = k(ϕn ∗ gn ) − (ϕn ∗ f ) + (ϕn ∗ f ) − f kLp (RN )
≤ k(ϕn ∗ gn ) − (ϕn ∗ f )kLp (RN ) + k(ϕn ∗ f ) − f kLp (RN )

Sabendo que gn , f ∈ Lp (RN ), então fixando n ∈ N temos que ϕn ∗ gn → gn e


ϕn ∗ f → f uniformemente. Assim, a desigaldade acima nos indica que

kfn − f kLp (Ω) → 0


Exercícios 13

Questão 4
Sejam α ∈ N e u ∈ L1loc (Ω). Mostre que a função

T0 : D(Ω) → R
Z
ϕ 7−→ hT 0 , ϕi = (−1)|α| uDα ϕdx

é uma distribuição em D(Ω).


Solução:
Estamos interessados em provar que
(i) T’ é linear
(ii) T’ é contínua
De fato, para o item (i) tomamos ϕ1 , ϕ2 ∈ D(Ω) e λ ∈ R. De onde, da linearidade
da integral e da derivada clássica temos:

Z Z Z
0 |α| α |α| α |α|
hT , ϕ1 + λϕ2 i = (−1) uD (ϕ1 + λϕ2 )dx = (−1) uD (ϕ1 )dx + λ(−1) uDα (ϕ2 )dx
Ω Ω Ω
= hT 0 , ϕ1 i + λhT 0 , ϕ2 i

Provando assim a linearidade.


Para o item (ii), vamos usar o fato que acabamos de mostrar para o item (i), isto é,
sendo T 0 linear, para provar que esta aplicação é contínua, basta provar que a mesma é
contínua em ϕ = 0.
De fato, seja (ϕn )n∈N ⊂ D(Ω), tal que ϕn → 0 em D(Ω). Então, da definição de
convergência em D(Ω), temos que
(I) Existe K ⊂ RN , compacto tal que supp(ϕn ) ⊂ K, ∀n ∈ N.
(II) Dα (ϕn ) → 0, uniformemente sobre K, ∀α ∈ NN .
Por outro lado, note que

Z Z
0 0 |α| α
|hT , ϕn i − hT , 0i| = |(−1) uD (ϕn )dx| = | uDα (ϕn )dx|
Ω Ω

Como, supp(Dα (ϕn )) ⊂ supp(ϕn ) ⊂ K, então

Z
|hT 0 , ϕn i − hT 0 , 0i| ≤ |u||Dα (ϕn )|dx
K
Exercícios 14

Do item (II), temos que dado ε > 0, existe n0 ∈ N, tal que

Z
0 0
|hT , ϕn i − hT , 0i| < ε |u|dx
K

Como u ∈ L1loc (Ω), temos que

|hT 0 , ϕn i − hT 0 , 0i| < Cε

Provando assim que hT 0 , ϕn i → 0 em R. De onde, T 0 é contínuo.


Assim, dos itens (i) e (ii), temos que T 0 é uma distribuição sobre D(Ω).

Questão 5
Seja x0 ∈ Ω e ρn (x) = ϕn (x − x0 ), onde (ϕn )N é uma sequência regularizante.
Mostre que

Tρn → δx0 , em D0 (Ω)

Solução:
Seja ψ ∈ D(Ω) e da definição da sequência regularizante que vimos em sala, temos:

Z
nN
hTρn , ψi = ϕn (x − x0 )ψ(x)dx = ϕ(n(x − x0 ))ψ(x)dx
Ω K
Fazendo, z = n(x − x0 ), então dz = nN dx. De onde, esta última igualdade se torna:

nN Z z 1
hTρn , ψi = ϕ(z)ψ( − x0 ) N dz
K Ω n n
Ou seja,

1 Z z
hTρn , ψi = ϕ(z)ψ( − x0 )dz
K Ω n
Vamos então definir:

fn : Ω→R
z
z 7−→ fn (z) = ϕ(z)ψ( − x0 )
n
Exercícios 15

Facilmente vemos que


(i) |fn (z)| ≤ |ϕ(z)|kψkL∞ (Ω) ∈ L1 (Ω)
(ii) fn (z) → ϕ(z)ψ(x0 )
Assim, podemos aplicar o Teorema da Convergência Dominada de Lebesgue, de
onde ,

1 Z 1 Z
 
hTρn , ψi → ϕ(z)ψ(x0 )dz = ψ(x0 ) ϕ(z)dz
K Ω K Ω
R
Como por definição K = Ω ϕ(x)dx, então,

hTρn , ψi → ψ(x0 ) = δx0 (ψ) , ∀ψ ∈ D(Ω)

Assim,

Tρn → δx0 , em D0 (Ω)

Questão 6
Mostre que existe (un )N ⊂ L1loc (Ω) e T ∈ D0 (Ω), tais que

Tun → T , emD0 (Ω)

Mas T não é definida por uma função localemtne integrável.


Solução:
Seja (ϕn )n∈N ⊂ C0∞ (Ω), uma sequência regularizante e seja x0 ∈ Ω. Definimos
então,

ρn : Ω→R
x 7−→ ρn (z) = ϕn (x − x0 )

Esta função é a translação da sequência regularizante na direção de x0 . Note que

supp(ϕn ) = B 1 (0) ⇒ supp(ρn ) = B 1 (x0 )


n n

Assim, para n ∈ N, suficientemente grande temos que supp(ρn ) ⊂ Ω., desconsidera-


mos então os n ∈ N para os quais isso não ocorre.
Exercícios 16

Por outro lado, dado K ⊂ Ω, compacto, temos:

Z Z Z Z
ρn (x)dx = ϕn (x0 − x)dx = ϕn (x0 − x)dx ≤ ϕn (x0 − x)dx
K K K∩supp(ρn ) supp(ρn )

Fazendo z = x0 − x, o lado direito desta desigualdade se torna:

Z Z
ρn (x)dx ≤ ϕn (z)dz < ∞
K B 1 (x0 )
n

De onde,

ρn ∈ L1loc (Ω)

Por outro lado, do exercício 7, temos que

ρn → δx0 em D0 (Ω)

e sabemos do curso que a Delta de Dirac não é definida por uma função localmente
integrável.

Questão 7
Seja (un )n∈N ⊂ Lp (Ω) e u ∈ Lp (Ω) tais que

un → u , em D0 (Ω)

mostre através de um exemplo que não podemos afirmar em geral que

un → u , em Lp (Ω)

Solução:
Seja (un )n∈N uma sequência limitada de Lp (Ω). Como 1 < p < ∞. Como nestas
condições temos que Lp (Ω) é reflexivo, a menos de subsequência, temos que

un * u em Lp (Ω)

Usando o teorema da representação de Riez, podemos reescrever esta afirmação


daseguinte maneira:
Exercícios 17

Z Z
1 1
un (x)w(x)dx → u(x)w(x)dx , ∀w ∈ Lq (Ω) e + =1
Ω Ω p q

Como C0∞ (Ω) ⊂ Lq (Ω), temos que

Z Z
un (x)ϕ(x)dx → u(x)ϕ(x)dx , ∀ϕ ∈ C0∞ (Ω)
Ω Ω

Ou seja,

hun , ϕi → hu, ϕi , ∀ϕ ∈ D(Ω)

De onde,

un → u em D0 (Ω)

Portanto, provamos que

un * u em Lp (Ω) ⇒ un → u em D0 (Ω)

No entanto, sabemos que no geral a convergência fraca não implica a convergência


forte.

Questão 8
Para cada α ∈ NN , mostre que a aplicação:

Dα : D0 (Ω) → D0 (Ω)
T 7−→ Dα (T )

é uma aplicação contínua.


Solução:
De fato, seja (Tn )n∈N ⊂ D0 (Ω), tal que Tn → T em D0 (Ω), isto é,

Tn (ϕ) → T (ϕ) em R , ∀ϕ ∈ D(Ω)

Da continuidade de T , por ser uma distribuição e sabendo que Dα (ϕ) ∈ D(Ω),


∀α ∈ NN , podemos então escrever:
Exercícios 18

hDα (Tn ), ϕi = (−1)α hTn , Dα (ϕ)i → (−1)α hT, Dα (ϕ)i = hDα (T ), ϕi , ∀ϕ ∈ D(Ω)

Ou seja,

hDα (Tn ), ϕi → hDα (T ), ϕi , ∀ϕ ∈ D(Ω)

E da definição de derivada em D0 (Ω), temos:

Dα (Tn ) → Dα (T ) em D0 (Ω)

Provando assim que Dα é uma aplicação contínua para cada α ∈ NN .

Questão 9
Calcule a derivada no sentido das distribuições de

f: R→R



 f1 (x) se −∞ < x < x0

 f (x) se x0 ≤ x < x1

2
x −
7 → f (x) =


 f3 (x) se x1 ≤ x < x2

f4 (x) se x2 ≤ x < +∞

Onde, f1 ∈ C ∞ ((−∞, x0 ]), f2 ∈ C ∞ ([x0 , x1 ]), f3 ∈ C ∞ ([x1 , x2 ]) e f4 ∈ C ∞ ([x2 , +∞)).


Além disso, f1 (x0 ) = f2 (x0 ), f2 (x1 ) = f3 (x1 ) e f3 (x2 ) = f4 (x2 ).
Solução:
Note que f ∈ L1loc (R), então para ϕ ∈ D(R), temos:

Z
0 0
hf , ϕi = −hf, ϕ i = − f ϕ0 dx
R
Z x0 Z x1 Z x2 Z +∞
0 0 0
= − f1 ϕ dx − f2 ϕ dx − f3 ϕ dx − f1 ϕ0 dx
−∞ x0 x1 x2

Daí, usando a fórmula de integração por partes, temos que

 Z x0   Z x1 
0
hf , ϕi = − lim f1 ϕ|xt 0 − f10 ϕdx − f2 ϕ|xx10 − f20 ϕdx
t→−∞ t x0
 Z x2   Z t 
− f3 ϕ|xx21 − f30 ϕdx − lim f4 ϕ|tx2 − f40 ϕdx
x1 t→+∞ x2
Exercícios 19

Sabendo que ϕ ∈ C0∞ (R), então ϕ(t) → 0 quanto t → +∞ e t → −∞. Daí, esta
última igualdade se tornará:

Z x0 Z x1
0
hf , ϕi = −f1 ϕ(x0 ) + f10 ϕdx + [f2 ϕ(x0 ) − f2 ϕ(x1 )] + f20 ϕdx (7)
−∞ x0
Z x2 Z +∞
+[f3 ϕ(x1 ) − f3 ϕ(x2 )] + f30 ϕdx + f4 ϕ(x2 ) + f40 ϕdx
x1 x2

Definimos então,

∂f
: R→R
∂x 


 f10 (x) se −∞ < x < x0

∂f  f 0 (x) se

x0 ≤ x < x1
2
x −
7 → (x) =
∂x  f30 (x) se

 x1 ≤ x < x2

 0

f4 (x) se x2 ≤ x < +∞

Ou seja, definimos a função que representa a derivada de f onde for ela existir, isto
é, onde for possível derivar.
Assim usando esta definição e sabendo que f1 (x0 ) = f2 (x0 ),f2 (x1 ) = f3 (x1 ) e
f3 (x2 ) = f4 (x2 ), então a igualdade 8, nos indica que

Z
∂f
hf 0 , ϕi = ϕdx + f2 ϕ(x0 ) − f3 ϕ(x2 )
RN ∂x

Usando a definição de distribuição para funções localmente integráveis e a Delta


de Dirac, temos:

∂f
hf 0 , ϕi = h , ϕi , ∀ϕ ∈ D(Ω)
∂x

Ou seja,

∂f
f0 =
∂x
De maneira geral, a derivada no snetido das distribuições de uma função que possui
uma quantidade finita de pontos onde a função é não diferenciável, é a derivada da função
onde ela existe, isto é, onde é possível derivar.
Exercícios 20

Questão 10
Seja ρ ∈ C ∞ (Ω), T ∈ D0 (Ω). Definimos a seguinte aplicação:

ρT : D(Ω) → R
ϕ 7−→ hρT, ϕi = hT, ρϕi

Observação: Note que ρϕ ∈ C0∞ (Ω), ∀ϕ ∈ C0∞ (Ω)


Mostre que ρT é uma distribuição sobre D(Ω).
Solução:
Estamos interessados em demonstrar que
(i) ρT é linear
(ii) ρT é contínua
De fato, para provar o item (i), tomamos ϕ1 , ϕ2 ∈ D(Ω) e λ ∈ R. De onde, podemos
escrever:

hρT, ϕ1 + λϕ2 i = hT, ρ(ϕ1 + λϕ2 )i = hT, ρϕ1 + λρϕ2 i = hT, ρϕ1 i + λhT, ρϕ2 i
= hρT, ϕ1 i + λhρT, ϕ2 i

Por outro lado, para provar o item (ii), fazendo uso do item (i), basta provamos
que ρT é contínua em ϕ = 0. Vamos mostrar então que dado (ϕn )n∈N ⊂ D(Ω) com ϕn → 0
em D(Ω), temos que hρT, ϕn i → 0, em R.
Da definição de ρT , basta mostrarmos que

hρT, ϕn i → 0 em R

primeiramente, note que ρ ∈ C ∞ (Ω) e ϕn ∈ C ∞ (Ω), então ρϕn ∈ C ∞ (Ω). Além


disso,

supp(ρϕn ) ⊂ supp(ρ) ∩ supp(ϕn ) ⊂ supp(ϕn )

e como ϕn ∈ C0 (Ω), então ρϕn ∈ C0 (Ω). De onde, podemos concluir que ρϕn ∈
C0∞ (Ω).
Por outro lado, como ϕn → 0 em D(Ω), temos:
Exercícios 21

(I) Existe K ⊂ RN , compacto tal que supp(ϕn ) ⊂ K, ∀n ∈ N.


(II) Dα (ϕn ) → 0, uniformemente sobre K, ∀α ∈ NN .
Das propriedades de suporte e de (I) vamos obter:

supp(Dα (ρϕn )) ⊂ supp(ρϕn ) ⊂ supp(ρ) ∩ supp(ϕn ) ⊂ supp(ϕn ) ⊂ K

Portanto,

supp(Dα (ρϕn )) ⊂ K (8)

E da fórmula de Leibniz para funções e de (II), temos:

α!
Dα (ρϕn ) = Dα (ρ)Dα−β (ϕn ) → 0 , unif ormemente sobre K
X
(9)
β≤α β!(α − β)!

Daí, usando 8 e 9, vamos concluir que

ρϕ → 0 em D(Ω)

Assim, da continuidade de T , por ser uma distribuição, vamos obter:

hρT, ϕn i = hT, ρϕn i → 0

Provando assim o desejado.

Questão 11
Sejam Ω ⊂ U ⊂ RN aberto. para ϕ ∈ C0∞ (Ω), defina a seguinte função:

ϕe : U →R

 ϕ(x) se x∈Ω
x −
7 → ϕ(x)
e =
 0 se x ∈ U \ Ω

Mostre que
(i) ϕe ∈ C0∞ (U )
(ii) Dα (ϕ) ^
e =D α (ϕ).
Exercícios 22

Solução:
O item (i) é trivial, uma vez que ϕ ∈ C0∞ (Ω) e da definição de ϕ.
e

Por outro lado, para provar o item (ii), notamos que da definição de derivada total,
temos:

∂ |α|
Dα (ϕ)
e = (ϕ)
∂xα1 1 . . . ∂xαnn
e

Como ϕ ∈ C0∞ (Ω) e da definição de ϕ,


e podemos então escrever:

∂ |α|

α
 α1
∂x1 ...∂xα n (ϕ) se x∈Ω
D (ϕ)
e = n
 0 se x ∈ RN \ Ω

Portanto,

Dα (ϕ) ^
e =D α (ϕ)

Questão 12
Se T ∈ D0 (Ω), definimos a restrição de T a D(Ω), denotada por T |Ω como a seguinte
função:

T |Ω : D(Ω) → R
ϕ 7−→ hT |Ω , ϕi = hT, ϕi
e

Mostre que T |Ω ∈ D0 (Ω).


Solução:
Queremos mostrar que T |Ω definie uma distribuição sobre D(Ω), para isso vamos
demonstrar que
(i) T |Ω é linear
(ii) T |Ω é contínua.
De fato, para demonstrarmos o item (i), tomamos ϕ1 , ϕ2 ∈ D(Ω) e λ ∈ R. De onde
podemos escrever:
Exercícios 23

hT |Ω , ϕ1 + λϕ2 i = hT, ϕ1^


+ λϕ2 i = hT, ϕ f2 i
f1 + λϕ

= hT, ϕ
f1 i + λhT, ϕ
f2 i

= hT |Ω , ϕ1 i + λhT |Ω , ϕ2 i

Por outro lado, para provar o item (ii), vamos fazer uso do item (i), de onde como
T |Ω é linear, então basta provar a continuidade em ϕ = 0.
Assim, seja (ϕn )n∈N ⊂ D(Ω), com ϕn → 0 em D(Ω), vamos provar que

hT |Ω , ϕi = hT, ϕi
e → 0 , em R

De fato, como ϕn → 0 em D(Ω), então,


(I) Existe K ⊂ RN , compacto tal que supp(ϕn ) ⊂ K, ∀n ∈ N.
(II) Dα (ϕn ) → 0, uniformemente sobre K, ∀α ∈ NN .
Note que

fn ) ⊂ supp(ϕn ) ⊂ K , ∀n ∈ N
supp(ϕ (10)

Além disso, do exercício anterior

Dα (ϕ α (ϕ ) , ∀α ∈ NN , ∀n ∈ N
fn ) = D^ n

Também, de (II) temos que dado ε > 0, existe n0 ∈ N, tal que

|Dα ϕn (x)| < ε , ∀x ∈ K e n ≥ n0

De onde para x ∈ K, temos então duas possibilidades:


a) x ∈ Ω, de onde:

|D
^ α ϕ (x)| = |D α ϕ (x)| < ε , n ≥ n
n n 0

b) x ∈ RN \ Ω, de onde:

|D
^ α ϕ (x)| = 0 < ε , n ≥ n
n 0

Desses dois casos, podemos escrever:


Exercícios 24

|D
^ α ϕ (x)| < ε , ∀x ∈ K e n ≥ n
n 0

Ou seja,

D
^ α ϕ → 0 , unif ormemente sobre K , ∀α ∈ NN (11)
n

Portanto, de 10 e 11, temos que

fn → 0 em D(Ω)
ϕ

Assim, da continuidade de T , por ser uma distribuição, temos:

hT |Ω , ϕn i = hT, ϕ
fn i → 0 em R

Provando assim que T |Ω é uma distribuição.

Questão 13
Prove que Dα (T |Ω ) = Dα (T )|Ω
Solução:
De fato, seja ϕ ∈ D(Ω), então

hDα (T |Ω ), ϕi = (−1)|α| hT |Ω , Dα ϕi = (−1)|α| hT, D


] α ϕi = (−1)|α| hT, D α ϕi
e

= hDα T, ϕi
e

= hDα T |Ω , ϕi

Ou seja,

Dα (T |Ω ) = Dα T |Ω

Questão 14
a) Sejam (E1 , k · k1 ), (E2 , k · k2 ), · · · , (Ek , k · kk ) espaços vetoriais normados. Mostre
que a função

k
X
k(x1 , . . . , xk )kE = kxi ki
i=1
Exercícios 25

é uma norma em

E = E1 × E2 × . . . × Ek

b) Estudar o espaço lp com 1 ≤ p ≤ ∞, onde


lp = {(xn )n∈N ; |xn |p < ∞} , 1 ≤ p < ∞
X

n=1

l∞ = {(xn )n∈N ; sup |xn | < ∞}


n∈N

Munido da norma


!1
p
|xn |p
X
k(xn )n∈N kp = , 1≤p<∞
n=1

ou

k(xn )n∈N k∞ = sup |xn |


n∈N

c) Sejam (E1 , k . . . k1 ), (E2 , k . . . k2 ), . . . , (Ek , k . . . kk ) espaços vetoriais normados.


Mostre que a função

k
! p1
kxn kpp
X
k(x1 , . . . , xk )kE = , 1≤p<∞
n=1

é uma norma em E1 × E2 × . . . × Ek .
Solução a)
Para provarmos que é norma, temos que provar:
(N1 ) k(xn )n∈N kE = 0 ⇔ u = 0
(N2 ) kλ(xn )n∈N kE = |λ|kuk∗ ∀u ∈ W m,p (Ω) e λ ∈ RN
(N3 ) k(xn )n∈N + (yn )n∈N kE ≤ k(xn )n∈N kE + kukE , (xn )n∈N , (yn )n∈N ∈ W m,p (Ω)
Como cada (Ei , k · |i ) é um espaço vetorial normado, então para cada parcela do
somatório que define a função k · kE é uma norma, de onde vai verificar cada uma dessas
propriedades e o somatório também verificará. Assim, (E, k · kE ) é um espaço normado.
caso 1 ≤ p < ∞
O espaço
Exercícios 26


lp = {(xn )n∈N ; |xn |p < ∞} , 1 ≤ p < ∞
X

n=1

é um espaço vetorial. Vamos provar que este espaço munido da seguinte norma


!1
p
p
X
k(xn )n∈N kp = |xn | , 1≤p<∞
n=1

é um espaço de Banach.
De fato, seja (xnk )k∈N ⊂ lp uma sequência de Cauchy. Então, dado ε > 0, existe
k0 ∈ N, teremos


!1
p
|xnk − xns |p
X
< ε , k, s ≥ k0
n=1

De onde,

|xnk − xns | < ε , k, s ≥ k0 e ∀n ∈ N

Assim, (xnk )k∈N ⊂ R é uma sequência de Cauchy para cada n ∈ N,de onde para
cada n ∈ N, existe xn0 ∈ R, tal que

xnk → xn0 em R , k → ∞

Daí, definimos

(xn0 )n∈N = (x10 , x20 , . . . , xn0 , . . .)

Note que para cada n ∈ N, podemos escrever

1
|xn0 |p ≤ − |xnk |p
2n
De onde,

∞ ∞ ∞
1
|xn0 |p ≤ |xnk |p < ∞
X X X
n

n=1 n=1 2 n=1

Assim,

(xn0 )n∈N ∈ lp
Exercícios 27

Por outro lado, como (xn )n∈N e (xn0 )N estão em lp . Então,


!1 ∞
!1
p p
xn0 klp xn0 |p xn0 |p
X X
kxn − = |xn − ≤ |xn − , ∀k ∈ N
n=1 n=k

Assim,

xn → x0 em lp

e portanto, lp é Banach.
Caso l∞ :
Vamos provar que o espaço

l∞ = {(xn )n∈N ; sup |xn | < ∞}


n∈N

Munido da norma

k(xn )n∈N k∞ = sup |xn |


n∈N

é um espaço de Banach.
De fato, seja (xnk )k∈N ⊂ l∞ uma sequência de Cauchy. Então, dado ε > 0, existe
k0 ∈ N, tal que

|xnk − xns | ≤ sup |xnk − xns | < ε , k, s > k0 e ∀n ∈ N


n∈N

Assim, (xnk )k∈N ⊂ R é uma sequência de Cauchy para cada n ∈ N,de onde para
cada n ∈ N, existe xn0 ∈ R, tal que

xnk → xn0 em R , k → ∞

Daí, definimos

(xn0 )n∈N = (x10 , x20 , . . . , xn0 , . . .)

Note que

k(xn0 )n∈N k∞ = sup |xn0 | < ∞


n∈N
Exercícios 28

Assim,
(xn0 )n∈N ∈ l∞

. Por outro lado,

kxn − (xn0 )n∈N k∞ = sup |xn − xn0 | < ε


n∈N

Ou seja,

xn → x0 em l∞

Portanto, l∞ é Banach.
Solução c):
Temos que demonstrar :
(N1 ) k(xn )n∈N kE = 0 ⇔ u = 0
(N2 ) kλ(xn )n∈N kE = |λ|kuk∗ ∀u ∈ W m,p (Ω) e λ ∈ RN
(N3 ) k(xn )n∈N + (yn )n∈N kE ≤ k(xn )n∈N kE + kukE , (xn )n∈N , (yn )n∈N ∈ W m,p (Ω)
Para os itens (N1 ), (N2 ) e (N3 ) segue diretamente do fato de cada parcela do
somatório ser uma norma.
Para demonstrar o item (N4 ) temos que

k
! p1
yn kpn
X
kx + ykE = kxn + , 1≤p<∞
n=1

Usando a desigualdade triangular para lp , teremos:

k
! p1
|kxn kp + kyn kp |p
X
kx + ykE = , 1≤p<∞
n=1

Da desigualdade de Minkowski, teremos:

k
! p1 k
! p1
kxn kpp kyn kpp
X X
kx + ykE ≤ + , 1≤p<∞
n=1 n=1

Ou seja,

kx + ykE ≤ kxkE + kykE


Exercícios 29

Questão 15
Mostre que as funções abaixo são nomrmas em W m,p (Ω) e que sãoequivalentes a
norma k · km,p .
a) kuk∗ = max{kDα ukp ; 0 ≤ |α| ≤ m}
P 1
α p p
b) kuk∼ = 0≤|α|≤m kD ukp ,1 ≤ p < ∞
Solução a)
Para provarmos que é norma, temos que provar:
(N1 ) kuk∗ = 0 ⇔ u = 0
(N2 ) kλuk∗ = |λ|kuk∗ ∀u ∈ W m,p (Ω) e λ ∈ RN
(N3 ) ku + vk∗ ≤ kuk∗ + kuk∗ , u, v ∈ W m,p (Ω)
De fato, para o item (N1 ), temos que

kuk∗ = 0 ⇔ max{kDα ukp ; 0 ≤ |α| ≤ m} = 0 ⇔ kDα ukp = 0 , 0 ≤ |α| ≤ m


⇔ u=0

Para o item (N2 ), seja u ∈ W m,p (Ω) e λ ∈ R, então sabendo que k · kp é uma norma
e da linearidade da derivada no sentido das distribuições, vamos obter :

kλuk∗ = max{kDα λukp ; 0 ≤ |α| ≤ m} = |λ|max{kDα ukp ; 0 ≤ |α| ≤ m} = |λ|kλuk∗

Por fim, para o item (N3 ), seja u, v ∈ W m,p (Ω), então sabendo que k · kp é uma
norma e da linearidade da derivada no sentido das distribuições, então:

kλu + vk∗ = max{kDα (u + v)kp ; 0 ≤ |α| ≤ m}


= max{kDα (u) + Dα (v)kp ; 0 ≤ |α| ≤ m}
≤ max{kDα (u)kp ; 0 ≤ |α| ≤ m} + max{kDα (v)kp ; 0 ≤ |α| ≤ m}
= kuk∗ + kvk∗

Ou seja,

kλu + vk∗ ≤ kuk∗ + kvk∗

Vamos mostrar agora que esta norma é equivalente a norma k · km,p . De fato, seja
m,p
u ∈ W (Ω), então:
Exercícios 30

kuk∗ = max{kDα ukp ; 0 ≤ |α| ≤ m} ≤ kDα ukp = kukm,p


X

0≤|α|≤m

Por outro lado,

kDα ukp ≤ C(α, m) max kDα ukp = C(α, m)kuk∗ , C(α, m) > 0
X
kukm,p =
0≤|α|≤m
0≤|α|≤m

De onde, existem b, c > 0, tais que podemos escrever

bkuk∗ ≤ kukm,p ≤ ckuk∗

Ou seja, k · k∗ e k · km,p são equivalentes.


Solução b)
Para provarmos que é norma, temos que provar:
(N1 ) kuk∼ = 0 ⇔ u = 0
(N2 ) kλuk∼ = |λ|kuk∗ ∀u ∈ W m,p (Ω) e λ ∈ RN
(N3 ) ku + vk∼ ≤ kuk∗ + kuk∗ , u, v ∈ W m,p (Ω)
De fato, para o item (N1 ), seja 1 ≤ p < ∞, então

 1
p
α
ukpp  = 0 ⇔ kDα ukp = 0 , 0 ≤ |α| ≤ m
X
kuk∼ = 0 ⇔  kD
0≤|α|≤m
⇔ u=0

Para o item (N2 ), seja 1 ≤ p < ∞, u ∈ W m,p (Ω) e λ ∈ R, então sabendo que k · kp
é uma norma e da linearidade da derivada no sentido das distribuições, vamos obter :

 1  1
p p
α
(λu)kpp  |λ|p α
ukpp 
X X
kλuk∼ =  kD = kD
0≤|α|≤m 0≤|α|≤m
 1
p
α
ukpp 
X
= |λ|  kD
0≤|α|≤m
= |λ|kλuk∼

Por fim, para o item (N3 ), seja 1 ≤ p < ∞ e u, v ∈ W m,p (Ω), então sabendo que
k · kp é uma norma e da linearidade da derivada no sentido das distribuições, então:
Exercícios 31

 1  1
p p

kDα (u + v)kpp  kDα (u) + Dα (v)kpp 


X X
ku + vk∼ =  = 
0≤|α|≤m 0≤|α|≤m
 1
p

|kDα (u)kp + kDα (v)kp |p 


X
= 
0≤|α|≤m

Daí, usando a desigualdade de Minkowiski nesta última desigualdade, teremos:

 1  1
p p
α
(u)kpp  α
(v)kpp 
X X
ku + vk∼ ≤  kD + kD = kuk∼ + kvk∼
0≤|α|≤m 0≤|α|≤m

provando assim (N3 ).


Vamos mostrar agora que esta norma é equivalente a norma k · km,p . De fato, seja
u ∈ W m,p (Ω), então:

p
1 1
kukp∼ = kDα ukpp = kDα uk1p kDα ukpq ,
X X
+ =1
0≤|α|≤m 0≤|α|≤m
p q

De onde,

p p
1 1
kukp∼ ≤ max kDα ukp kDα ukpq = kuk∗ kDα ukpq ,
X X
+ =1
0≤|α|≤m
0≤|α|≤m 0≤|α|≤m
p q

Daí, aplicando a desigualdade de Holder, teremos

 1
q
1 1
kukp∼ α
ukpp 
X
≤ D(α, m, p)kuk∗  kD , + =1
0≤|α|≤m
p q

Ou seja,

p
1 1
kukp∼ ≤ D(α, m, p)kuk∗ kuk∼q , + =1
p q
Ou ainda,

p− pq 1 1
kuk∼ ≤ D(α, m, p)kuk∗ , + =1
p q
De onde,
Exercícios 32

kuk∼ ≤ D(α, m, p)kuk∗

Como provamos que a norma k · k∗ e k · km,p são equivalentes, então existe c > 0,
tal que

kuk∼ ≤ ckukm,p (12)

Por outro lado,

kuk∗ = max kDα ukp ≤ kDα ukpp = kuk∼


X
0≤|α|≤m
0≤|α|≤m

Como do item anterior mostramos que k · k∗ é equivalente a k · km,p , então existe


d > 0, tal que

kukm,p ≤ ckuk∗

Assim,

kukm,p ≤ ckuk∼ (13)

Assim de 12 e 13, temos que k · km,p e k · k∼ são equivalentes.

Questão 16
Seja u ∈ W m,p (Ω) e A ⊂ Ω um aberto de RN , com

u = 0 , q.t.p. em A

Mostre que

Dα u = 0 , q.t.p. emA , 0 ≤ |α| ≤ m

conclua que

supp(Dα u) ⊂ supp(u) , 0 ≤ |α| ≤ m

Solução:
Exercícios 33

Como u ∈ W m,p (Ω), então u ∈ Lp (Ω) e consequêntemente u ∈ Lp (A), A ⊂ Ω


aberto. Pelo mesmo motivo, Dα u ∈ Lp (A), 0 ≤ |α| ≤ m.
Por outro lado, da definição de derivada para distribuições, temos:

Z
α |α|
hD , ϕi = (−1) uDα ϕdx , 0 ≤ |α| ≤ m
A

Como, por hipótese, u = 0 q.t.p. sobre A,então desta última igualdade, temos:

Z
(−1)|α| uDα ϕdx = 0 , 0 ≤ |α| ≤ m
A

Ou ainda,

Z
Dα uϕdx = 0 , 0 ≤ |α| ≤ m , ∀ϕ ∈ D(Ω)
A

Assim, do Lema de Du Bois Raymond, podemos concluir que

Dα u = 0 , q.t.p. sobre A , 0 ≤ |α| ≤ m

Queremos provar agora que

supp(Dα u) ⊂ supp(u) , 0 ≤ |α| ≤ m

o que equivale a demonstrar que

[supp(Dα u)]C ⊃ [supp(u)]C , 0 ≤ |α| ≤ m

ou ainda,

Dα u = 0 , q.t.p. sobre [supp(u)]C , 0 ≤ |α| ≤ m

No entanto, como provamos que esta igualdade é válida para todo aberto A ⊂ Ω e
o conjunto [supp(u)]C é a união de todos os abertos onde u = 0 em quase todo ponto e
portanto é um aberto, então esta igualdade também é válida.

Questão 17
a) Seja I ⊂ R, um intervalo aberto. Mostre que existe c > 0 tal que

kukL∞ (I) ≤ CkukW0m,p (I) , ∀u ∈ W 1,p − 0(I)


Exercícios 34

b) Mostre que a função u : (0, 2) → R, dada por


não pertence a W0k,p (0, 2), ∀k ∈ N e 1 ≤ p ≤ ∞.
c) Seja I ⊂ R um intervalo e u ∈ W0m,p (I). Mostre que para t, s ∈ I, tem-se

1 1 1
|u(t) − u(s)| ≤ |t − s| q kukW 1,p (I) , q.t.p. em I com 1 ≤ p ≤ ∞ e + =1
p q

Conclua que toda função em W0m,p (I) pode ser ESCOLHIDA como uma função
contínua.
Solução a):
Vamos provar primeiramente para I = R. De fato, seja v ∈ C01 (R) e considere para
1 ≤ p < ∞, a seguinte função:

G: C01 (R) → C01 (R)


v 7−→ G(v) = |v|p−1 v

Note que

G0 (v) = G0 (v)v 0 = [(p − 1)|v|p−2 vv 0 + |v|p−1 v 0 ]v 0 = [(p − 1)|v|p−1 v 0 + |v|p−1 v 0 ]v 0 = p|v|p−1 v 0

Além disso, como v ∈ C0 (RN ), então, G ∈ C0 (RN ), de onde G(v(x)) → 0, quando


x → −∞.
Assim, do teorema fundamental do cálculo, podemos escrever:

Z x
G(v(x)) = p|v(t)|p−1 v 0 (t)dt
−∞

Daí, aplicando a desigualdade de Holder, teremos:

 1 Z 1
1 1
Z
q p
|v(x)|p ≤ pq |v(t)|q(p−1) dt |v 0 (t)|p dt , + =1
R R p q
Ou seja,

 1 Z 1
1 1
Z
q p
p q p 0 p
|v(x)| ≤ p |v(t)| dt |v (t)| dt , + =1
R R p q
Ou ainda,
Exercícios 35

p
1 1
|v(x)|p ≤ pkvkpq kv 0 kp , + =1
p q
Portanto,

0
|v(x)|p ≤ pkvkp−1
p kv kp

Aplicando a desigualdade de Young, teremos que

pkvkq(p−1)
p pkv 0 kpp 1 1
|v(x)|p ≤ + , + =1
q p p q
Ou seja,

pkvkpp 1 1
|v(x)|p ≤ + kv 0 kpp , + = 1
q p q
Daí, desde que tomemos 1 ≤ p ≤ q, teremos

|v(x)| ≤ kvkpp + kv 0 kpp , ∀v ∈ C01 (R)

Ou seja,

kvkL∞ (R) ≤ CkvkW 1,p (R) , ∀v ∈ C01 (R) (14)

Por outro lado, sabendo que C01 (R) é denso em W01,p (R), então dado u ∈ W01,p (R),
existe uma sequência (un )n∈N ⊂ C01 (R), tal que un → u em W 1,p (R). Aplicando 14 podemos
concluir que (un )n∈N é uma sequência de Cauchy em L∞ (R) e portanto un → u em L∞ (R)
e ainda de 14 podemos concluir que

kukL∞ (R) ≤ CkukW 1,p (R) , ∀v ∈ W01,p (R)

Para o caso geral, isto é, I ⊂ R um intervalo aberto qualquer, consideramoso


seguinte teorema
Teorema: Seja 1 ≤ p ≤ ∞, então existe um operador linear e limitado P :
1,p
W (I) → W 1,p (R), chamado operador extensão, satisfazendo as seguintes propriedades:
(i) P (u|I ) = u , ∀u ∈ W 1,p (I)
(ii) kP (u)kLp (R) ≤ CkukLp (I) , ∀u ∈ W 1,p (I)
(iii) kP (u)kW 1,p (R) ≤ CkukW 1,p (I) , ∀u ∈ W 1,p (I)
Exercícios 36

Aplicando diretamente o item (i), o item (iii) deste teorema e a desigualdade para
o caso geral, vamos obter:

kukL∞ (I) ≤ kP ukL∞ (R) ≤ C1 kP ukW 1,p (R) ≤ CkukW 1,p (I) , ∀v ∈ W01,p (I)

Ou seja,

kukL∞ (I) ≤ CkukW 1,p (I) , ∀v ∈ W01,p (I)

Solução b):
Suponhamos que u ∈ W k,p (0, 2), para algum k ∈ N e 1 ≤ p ≤ ∞. Então pelo item
a), existe C > 0, tal que

kukL∞ (0,2) ≤ CkukW k,p (0,2) (15)


0

Por outro lado, note que para todo N ⊂ (0, 2), tal que M ed(N ) = 0, temos que

Su (N ) = sup |u(x)| = +∞ ⇒ kukL∞ (0,2) = ∞


(0,2)\N

Assim de 15, teríamos:

kukW k,p (0,2) = ∞


0

o que é absurdo.
Solução c)
Seja u ∈ W0m,p (I), sem perda de generalidade, vamos considerar u contínua. Note
que do teorema fundamental do cálculo, para t, s ∈ I, temos que

Z t
du
|u(t) − u(s)| ≤ | |dx
s dx
Por outro lado, como u ∈ W0m,p (Ω), então du
dx
∈ Lp (s, t) ⊂ L1 (s, t). De onde, usando
a desigualdade de Holder nesta última desigualdade teremos:

Z t ! 1 Z 1
du p t q 1 1
|u(t) − u(s)| ≤ | |p dx dx q.t.p. em (s, t) , + =1
s dx s p q

Ou seja,
Exercícios 37

1 1 1
|u(t) − u(s)| ≤ |t − s| q kukW 1,p (I) q.t.p. em (s, t) , + =1
p q
Portanto, fora de conjuntos de medida nula temos que u é Lipschiziana e por-
tanto é contínua (na verdade Holder contínua). No entanto, como espaços de Lebesgue,
desconsideram conjuntos de medida nula, então podemos considerar u contínua.

Questão 18
Se Ω1 ⊂ Ω2 são abertos do RN , mostre que

W0m,p (Ω1 ) ⊂ W m,p (Ω2 )

Solução:
Seja ϕ ∈ C0∞ (Ω1 ), vamos definir

ϕe : Ω2 → R

 ϕ(x) se x ∈ Ω1
x −
7 → ϕ(x)
e =
 0 se x ∈ Ω2 \ Ω1

Claramente ϕe ∈ C0∞ (Ω2 ) ⊂ W m,p (Ω2 ) e


(I) Dα ϕe = D
^ α (ϕ)

(II) kϕk
e W m,p (Ω2 ) = kϕkW m,p (Ω1 )

Vamos considerar então a seguinte aplicação:

σ: C0∞ (Ω1 ) → W m,p (Ω2 )


ϕ 7−→ σ(ϕ) = ϕe

De (II) temos que σ é uma isometria linear, isto é,


σ(ϕ1 + λϕ2 ) = σ(ϕ1 ) + λσ(ϕ2 )
kϕk
e W m,p (Ω2 ) = kϕkW m,p (Ω1 )

Portanto, da análise funcional, sabemos que existe uma isometria linear que prolonga
σ e é dada por:
Exercícios 38

k·kW m,p (Ω1 )


σ
e: C0∞ (Ω1 ) → W m,p (Ω2 )
u 7−→ σ
e (u) = lim σ(ϕn )
n→+∞

onde, (ϕn )n∈N ⊂ C0∞ (Ω1 ) e ϕn → u em W m,p (Ω1 ). Além disso, note que
(III) σe (u) = ue q.t.p. em Ω2
De fato, note que pela definição de σe , temos que

σ(ϕn ) → σe (u) , em Lp (Ω2 )

Assim, deve existir uma subsequência (ϕnj )j∈N , tal que

(σϕnj )(x) → (σe u)(x) , q.t.p. em Ω2 e j → ∞ (16)

Por outro lado,

ϕn → u em Lp (Ω1 )

e portanto,

e em Lp (Ω2 )
fn → u
ϕ

Logo, para alguma subsequência, devemos ter:

σϕnj = ϕ(x)
e → (ue)(x) , q.t.p. em Ω2 e j → ∞ (17)

De 16 e 17, teremos:

f =u
σu e ∈ W m,p (Ω2 )
e q.t.p. em Ω2 → u

Nosso objetivo agora é mostrar que

Dα (σe u) = Dα ue = Dg
αu

Recorde que

Dα (σϕn ) = Dα ϕ
fn → D α (σ
e u) = D α u
e em Lp (Ω2 )
Exercícios 39

Por outro lado,

Dα ϕ
fn = D
^ αϕ → D
n
g α u em Lp (Ω )
2

Pois,

Dα ϕn → Dα u em Lp (Ω1 )

Logo, por unicidade do limite

Dα ue = Dg
α u , 0 ≤ |α| ≤ m

Assim,

kDα uekLp (Ω2 ) = kDg


α uk p α
L (Ω2 ) = kD ukLp (Ω1 )

Mostrando que

kuekW m,p (Ω2 ) = kukW m,p (Ω1 ) ∀u ∈ W0m,p (Ω1 )

Assim, a aplicação

σ
e: W0m,p (Ω1 ) → W m,p (Ω2 )
u 7−→ σ
e (u) = lim σ(ϕn )
n→+∞

é uma ismoetria linear, desta forma, W0m,p (Ω1 ) pode ser visto como um subespaço
de W m,p (Ω2 ) e usamos a notação:

W0m,p (Ω1 ) ⊂ W m,p (Ω2 )

Questão 19
Mostre que o espaço W m,p (Ω), com m ∈ N e 1 ≤ p < ∞ é separável.
Solução:
Vamos fazer uso do seguinte teorema:
Teorema 1 Seja E um espaço métrico separável e seja F ⊂ E, um subespaço de
E, então F também é separável.
Exercícios 40

Teorema 2 Os espaços Lp (Ω) são separáveis para 1 ≤ p < ∞.


Lp (Ω) é separável.
Q
Primeiramente, temos que claramente o espaço E = 0≤|α|≤m
Considere então o seguinte operador:

Y
T : W m,p (Ω) → Lp (Ω)
0≤|α|≤m
u 7−→ hT (u) = (u, u0α )

Onde, u0α é um vetor aramazena todas as derivadas para 0 < |α| ≤ m. Claramente
este operador é uma isometria de W m,p (Ω) em 0≤|α|≤m Lp (Ω).
Q

Desde que W m,p (Ω) é uma espaço de Banach, então, T (W m,p (Ω)) é fechado em
Q p
0≤|α|≤m L (Ω) e portanto é um subespaço de Banach. Assim, do Teorema 2 temos que
Lp (Ω) é separável para 1 ≤ p < ∞ e o produto cartesiano finito de espaços separáveis é
separável, então 0≤|α|≤m Lp (Ω) é separável. Assim, do Teorema 1, temos que T (W m,p (Ω))
Q

é separável e consequentemente W m,p (Ω) é separável.

Questão 20
Mostre que o espaço W m,p (Ω), com m ∈ N e 1 < p < ∞ é reflexivo.
Solução 1:
Vamos fazer uso de dois teoremas:
Teorema 1: Seja E um espaço de Banach reflexivo e seja M ⊂ E, um subespaço
de Banach. Então M é reflexivo.
Teorema 2: Os espaços Lp (Ω), 1 < p < ∞ são reflexivos.
Lp (Ω) é reflexivo.
Q
Primeiramente, temos que claramente o espaço E = 0≤|α|≤m
Considere então o seguinte operador:

Y
T : W m,p (Ω) → Lp (Ω)
0≤|α|≤m
u 7−→ hT (u) = (u, u0α )

Onde, u0α é um vetor aramazena todas as derivadas para 0 < |α| ≤ m. Claramente
este operador é uma isometria de W m,p (Ω) em 0≤|α|≤m Lp (Ω).
Q

Desde que W m,p (Ω) é uma espaço de Banach, então, T (W m,p (Ω)) é fechado em
Q p
0≤|α|≤m L (Ω) e portanto é um subespaço de Banach. Assim, do Teorema 2 temos que
Exercícios 41

Lp (Ω) é reflexivo para 1 < p < ∞ e o produto cartesiano finito de espaços reflexivos é
reflexivo, então 0≤|α|≤m Lp (Ω) é reflexivo. Assim, do Teorema 1, temos que T (W m,p (Ω))
Q

é reflexivo e consequentemente W m,p (Ω) é reflexivo.


Solução 2:
Vamos fazer uso de três teoremas:
Teorema 1: Os espaços Lp (Ω), 1 < p < ∞ são reflexivos.
Teorema 2(Eberlin - Smullian): Seja E um espaço de Banach, então ele é
reflexivo, se e somente se, toda sequência limitada de E, possui uma subsequência fracamente
convergente.
Teorema 3 Seja T ∈ (W m,p (Ω))0 , dual do espaço W m,p (Ω), existem funções
gα ∈ Lq (Ω) dual de Lp (Ω), tal que

Z
gα (x)Dα (u)dx
X
hT, ui =

0≤|α|≤m

Seja (un )n∈N , uma sequência limitada de W m,p (Ω). Então, pela definição da norma,
temos que (Dα un )n∈N é limitada em Lp (Ω) para 0 ≤ |α| ≤ m. Em particular, para α = 0,
temos que (un )n∈N é limitada em Lp (Ω).
Assim, sabendo que Lp (Ω) é reflexivo, então pelo teorema de Eberlin-Smullian,
existe uma subsequência (u0n )n∈N e u(0,...,0) ∈ Lp (Ω) tal que

un * u(0,...,0) em Lp (Ω)

Também em particular para α = (1, 0, . . . , 0), temos que ( ∂u n


)
∂xi n∈N
é limitada em
Lp (Ω), de onde pelo teorema de Eberlin-Smullian, existe uma subsequência (u00n )n∈N ⊂
(u0n )n∈N , tal que

∂u00n
* u(1,0,...,0) em Lp (Ω)
∂xi
Assim, por sucessivas aplicações deste argumento, encontra-se uma subsequência
(vn )n∈N ⊂ (un )n∈N e uma função uα ∈ Lp (Ω), tal que

Dα vn * uα , em Lp (Ω) , 0 ≤ |α| ≤ m

Ou seja, sendo (Lp (Ω))0 = Lq (Ω),com 1


p
+ 1
q
= 1. Então, usando o teorema da
representação de Riez, podemos escrever:

Z
α
Z
1 1
D vn wdx → uα w , ∀w ∈ Lq (Ω) , + =1
Ω Ω p q
Exercícios 42

Daí, sabendo que D(Ω) ⊂ Lq (Ω) ,então:

Z Z
1 1
Dα vn ϕdx → uα ϕ , ∀ϕ ∈ D(Ω) , + =1
Ω Ω p q
De onde,

Dα vn → uα em D0 (Ω) (18)

No entanto, por construção temos que

vn * u em Lp (Ω)

Dα vn * Dα u em Lp (Ω) 0 ≤ |α| ≤ m

Então, usando o mesmo argumento que anteriormente, podemos concluir que

Dα vn → Dα u em D0 (Ω) (19)

Portanto, considerando 18 e 19 da unicidade do limite, temos

Dα u = uα , 0 ≤ |α| ≤ m

e consequêntemente u ∈ W m,p (Ω).


Para finalizar a demonstração, precisamos mostrar que

vn * u em W m,p (Ω)

De fato, o Teorema 3, nos indica que para T ∈ (W m,p (Ω))0 , dual do espaço W m,p (Ω),
existem funções gα ∈ Lq (Ω) dual de Lp (Ω), tal que

Z
gα (x)Dα (u)dx , ∀u ∈ W m,p (Ω)
X
hT, ui =

0≤|α|≤m

Logo,

Z Z
gα (x)Dα (vn )dx → gα (x)Dα (u)dx
X X
hT, vn i =
Ω Ω
0≤|α|≤m 0≤|α|≤m

Visto que
Exercícios 43

Dα vn * uα = Dα u em Lp (Ω)

Ou seja,

hT, vn i → hT, ui , ∀T ∈ (W m,p (Ω))0

Ou seja, fica provado que

vn * u em W m,p (Ω)

Então, usando o teorema de Eberlin-Smullian temos que W m,p (Ω) é reflexivo.


44

Referências

[1] Brézis, H.,2010, Functional Analysis and Partial Differential Equations, Springer -
USA. Nenhuma citação no texto.
[2] Marco,J.P.,Boumaza, H.,Collas, B.,2009, Mathématiques Analyse L3, Pearson Educa-
tion France-Frace. Nenhuma citação no texto.
[3] Cavalcanti, M.M., Cavalcanti, D.C.,2010, Introdução a Teoria das Distribuições e aos
Espaços de Sobolev, Noteas de Aula - Maringá - PR. Nenhuma citação no texto.

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