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Doença de Crohn: Diagnóstico e Tratamento

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Doença de Crohn: Diagnóstico e Tratamento

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Research, Society and Development, v. 12, n.

2, e29212240368, 2023
(CC BY 4.0) | ISSN 2525-3409 | DOI: [Link]

Doença de Crohn: aspectos integrativos do diagnóstico ao tratamento


Crohn's disease: integrative aspects from diagnosis to treatment
Enfermedad de Crohn: aspectos integradores del diagnóstico al tratamento

Recebido: 30/01/2023 | Revisado: 08/02/2023 | Aceitado: 09/02/2023 | Publicado: 14/02/2023

Fernando Tonholi Dal Lin


ORCID: [Link]
Universidade Federal do Paraná, Brasil
E-mail: [Link]@[Link]
Edson José Mazarotto
ORCID: [Link]
Centro Universitário do Paraná, Brasil
E-mail: edmazarotto@[Link]
Paulo Cézar Gregório
ORCID: [Link]
Universidade Federal do Paraná, Brasil
Centro Universitário do Paraná, Brasil
E-mail: paulocezargregorio@[Link]

Resumo
Objetivo: Identificar os aspectos atuais ao longo do curso da doença de Crohn (DC), desde o diagnóstico, tratamentos
farmacológicos, cirúrgicos e recomendações nutricionais. Método: Este estudo é uma revisão integrativa da literatura
que se respalda na busca de artigos em bases de dados, Pub Med, Lilacs, Scielo, periódicos e sites, com os seguintes
descritores em “Crohn’s disease”, “Crohn’s Disease treatment”, “Inflammatory Bowel Diseases”, “Physiopathology
of Inflammation”, utilizando artigos de pesquisas originais e revisões entre anos de 2014 a 2022. Esse levantamento
bibliográfico foi realizado no período de 01/03/2022 a 20/10/2022. Resultados: De um total de 1850 artigos
encontrados, foram selecionados 84 artigos que se enquadravam no escopo da revisão. Discussão: Atualmente todo o
curso da DC se mostra bem completa, desde seu diagnóstico ao tratamento que pode envolver medicamentos
biológicos, além da necessidade de uma dieta adequada a fim de se evitar desnutrição do paciente. Conclusão: Visto
toda a complexidade englobada na DC, é primordial a atuação de equipe multidisciplinar na conduta do tratamento do
paciente, o que pode contribuir imensamente para a qualidade de vida e adesão ao tratamento pelo paciente.
Palavras-chave: Doença de Crohn; Inflamação crônica intestinal; Sintomatologia; Diagnóstico; Tratamento.

Abstract
Objective: To identify current aspects throughout the course of Crohn's disease, from diagnosis, pharmacological and
surgical treatments and nutritional recommendations. Method: This study is an integrative literature review based on
the search for papers in databases, Pub Med, Lilacs, Scielo, Periodicals and websites, with the following descriptors in
“Crohn's disease”, “Crohn's disease symptons”, “Crohn's Disease treatment”, “Inflammatory Bowel Diseases”,
“Physiopathology of Inflammation”, using original research articles and reviews from 1990 to 2022. This
bibliographic survey was carried out in the period of 03/01/2022 to 10/20/2022. Results: 1850 articles were found and,
after using the inclusion criteria, 84 studies were selected. Discussion: Currently, the entire course of Crohn's disease
is very complete, from diagnosis to treatment, which may involve biological drugs, in addition to the need for an
adequate diet in order to avoid malnutrition in the patient. Conclusion: Considering all the complexity encompassed in
Crohn's disease, the performance of a multidisciplinary team in the conduct of the patient's treatment is essential,
which can contribute immensely to the patient's quality of life and adherence to treatment.
Keywords: Crohn disease; Chronic intestinal inflammation; Symptoms; Diagnosis; Treatment.

Resumen
Objetivo: Identificar los aspectos actuales la enfermedad de Crohn, desde el diagnóstico, tratamientos farmacológicos
y quirúrgicos y recomendaciones nutricionales. Método: Este estudio es una revisión integrativa de literatura basada
en la búsqueda de artículos en bases de datos, tales como Pub Med, Lilacs, Scielo, Periódicos y sitios web, con los
siguientes descriptores en “Crohn's disease”, “Crohn's disease symptons”, “Crohn's Disease treatment”,
“Enfermedades Inflamatorias Intestinales”, “Fisiopatología de la Inflamación”, utilizando artículos de investigación
originales y revisiones de 1990 a 2022. Este levantamiento bibliográfico se realizó en el período del 01/03/2022 al
20/10/2022. Resultados: se encontraron 1850 artículos y, después de utilizar los criterios de inclusión, se
seleccionaron 84 estudios. Discusión: Actualmente, todo el curso de la enfermedad de Crohn es muy complejo, desde
el diagnóstico hasta el tratamiento, que puede envolver medicamentos biológicos, además de la necesidad de una dieta
adecuada para evitar la desnutrición en el paciente. Conclusión: Considerando toda la complejidad que encierra la
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enfermedad de Crohn, es fundamental la actuación de un equipo multidisciplinario en la conducción del tratamiento


del paciente que puede contribuir enormemente a la calidad de vida del paciente y la adherencia al tratamiento.
Palabras clave: Enfermedad de Crohn; Inflamación intestinal crónica; Sintomatología; Diagnóstico; Tratamiento.

1. Introdução
A doença de Crohn (DC) foi descrita pela primeira vez nos Estados Unidos, na cidade de Nova Iorque, no ano de
1932, pelo médico Burril B. Crohn, como uma inflamação crônica que atingia somente o intestino delgado. Esse distúrbio
idiopático, ou seja, de etiologia desconhecida, estava limitado ao íleo terminal (porção final distal do intestino delgado), e por
este motivo antigamente era descrito como “ileíte terminal”. As manifestações da DC não atingem somente a porção final do
intestino delgado, mas podem afetar qualquer região do trato gastrointestinal e atingir toda a espessura do tubo digestivo.
(Cotran et al., 2000; Stevens & Lowe, 2002).
Acredita-se que a predisposição e acometimento pela doença ocorre por fatores genéticos e ambientais, sendo que
cerca 12% dos pacientes com DC exibem histórico familiar da doença e gêmeos monozigóticos exibem uma taxa de
concordância de 35%, o que denota a relação entre genética e DC (Brant, 2011; Moller et al., 2015). Já em relação aos fatores
ambientais pode ser observado pelo aumento da incidência das doenças inflamatórias entre imigrantes que se estabelecem em
países com alta prevalência, destacando a alteração da microbiota intestinal que leva a uma resposta imune exagerada pelas
células do sistema imunológico intestinal (Zhou et al., 2017).
A DC atinge homens e mulheres em uma mesma proporção e não é curável por tratamento clínico ou cirúrgico. Os
locais de acometimento mais frequentes são o intestino, o íleo, o cólon e a região perianal. Entretanto, podem ocorrer
manifestações extra-intestinais associadas ou isoladas, sendo as mais frequentes as oftalmológicas, as dermatológicas e as
reumatológicas (Grinman, 2012). Para Elia et al., (2007), no Brasil temos poucos estudos epidemiológicos que permitem
avaliar a incidência e a prevalência das doenças inflamatórias intestinais, a fim de elucidar os principais aspectos dessas
enfermidades. Atualmente sabe-se que essa doença tem aumentado a sua incidência e está sendo associada diretamente aos
hábitos alimentares, tabagismo e a industrialização das cidades (Oliveira, 2015).
Este trabalho teve como objetivo investigar os principais aspectos clínicos da DC, elucidando suas manifestações
clínicas, tratamento e sua etiologia, além de verificar o que há disponível em recursos clínicos para avaliação da atividade da
doença, de modo que seja avaliada a eficácia das medicações utilizadas.

2. Metodologia
Este estudo é uma revisão integrativa da literatura que se respalda na busca de artigos em bases de dados, Pub Med,
Scielo, Periódicos e sites, com os seguintes descritores “Crohn’s disease”, “Crohn’s disease treatment” e “Inflammatory bowel
diseases”. Esse levantamento bibliográfico foi realizado no período de 01/03/2022 a 20/10/2022. Foram encontrados um total
de 1850 trabalhos, aplicando-se os critérios de inclusão: artigos que se enquadravam no escopo da revisão, utilizando artigos
de pesquisas originais e revisões entre anos de 1990 a 2022, escritos nos idiomas português, inglês e espanhol. Além disso, foi
utilizado como suporte metodológico para este trabalho o artigo de Hazlewood et al. (2015). Como critério de exclusão:
trabalhos anteriores as datas estabelecidas, com conteúdo incompleto, sem descrição da metodologia e fora do escopo da
pesquisa. Foram selecionados 70 artigos científicos que estavam dentro do objetivo dessa revisão. Por meio de análise
descritiva os estudos foram avaliados para posterior identificação e extração dos dados relevantes ao objetivo dessa revisão.
Abaixo a Figura 1 demonstra as etapas seguidas para a seleção dos artigos utilizados nesse trabalho.

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Figura 1 - Identificação e seleção dos artigos sobre doença de Crohn e doenças inflamatórias intestinais para a revisão
integrativa da literatura.

Fonte: Autores (2022).

O Quadro 1 faz referência aos principais artigos científicos utilizados para realização desta revisão integrativa e
apresenta o título dos artigos, ano de publicação e revistas de publicação. Foram elencados alguns artigos que mais se
encaixaram nos critérios, e que contribuíram para o entendimento e resolução da questão norteadora do presente estudo.

Quadro 1 - Apresentação dos artigos analisados sobre a doença de Crohn.


TÍTULO DO ARTIGO ANO REVISTA REFERÊNCIA

Doença de Crohn gastroduodenal - Abrahão, L. J., Jr., Abrahão, L.J.,


relato de quatro casos e revisão da 2001 Arquivos de Gastroenterologia Vargas, C., Chagas, V., & Fogaça,
literatura H

Evolução da ocorrência (1980-1999)


Souza, M. H. L. P., Troncon, L. E.
da doença de Crohn e da retocolite
A., Rodrigues, C. M., Viana, C. F.
ulcerativa idiopática e análise das
2002 Arquivos de Gastroenterologia G., Onofre, P. H. C., Monteiro, R.
suas características clínicas em um
A., Passos, A. D. C., Martinelli, A.
hospital universitário do Sudeste do
L. C., & Meneghelli, U. G
Brasil
Uematsu, S., Fujimoto, K., Jang,
Regulation of humoral and cellular M. H., Yang, B. G., Jung, Y. J.,
gut immunity by lamina propria Nishiyama, M., Sato, S.,
2008 Nature immunology
dendritic cells expressing Toll-like Tsujimura, T., Yamamoto, M.,
receptor 5 Yokota, Y., Kiyono, H., Miyasaka,
M., Ishii, K. J., & Akira, S.
Silva, A. F., Schieferdecker, M. E.
Ingestão alimentar em pacientes com Arquivos Brasileiros de Cirurgia M., & Amarante, H. M. B. S
2011
doença inflamatória intestinal Digestiva

Familial risk of inflammatory bowel


disease: a population-based cohort The American Journal of Moller, F. T., Andersen, V.,
study 1977-2011 2015
Gastroenterology Wohlfahrt, J., & Jess, T.

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Comparative effectiveness of Hazlewood, G. S., Rezaie, A.,


immunosuppressants and biologics Borman, M., Panaccione, R.,
for inducing and maintaining 2015 Gastroenterology Ghosh, S., Seow, C. H., Kuenzig,
remission in Crohn’s disease: A E., Tomlinson, G., Siegel, C. A.,
network meta-analysis. Melmed, G. Y., & Kaplan, G. G.
New frontiers in genetics, gut
microbiota, and immunity: a rosetta Zhou, M., He, J., Shen, Y., Zhang,
2017 BioMed Research International
stone for the pathogenesis of C., Wang, J., & Chen, Y
inflammatory bowel disease
Ng, S. C., Shi, H. Y., Hamidi, N.,
Underwood, F. E., Tang, W.,
Worldwide incidence and prevalence Benchimol, E. I., Panaccione, R.,
of inflammatory bowel disease in the Ghosh, S., Wu, J. C. Y., Chan, F.
2017 The Lancet
21st century: a systematic review of K. L., Sung, J. J. Y., & Kaplan, G.
population-based studies G

Rodriguez-Palacios, A., Harding,


A., Menghini, P., Himmelman, C.,
The Artificial Sweetener Splenda
Retuerto, M., Nickerson, K. P.,
Promotes Gut Proteobacteria,
Lam, M., Croniger, C. M.,
Dysbiosis, and Myeloperoxidase 2018 Inflammatory Bowel Diseases
McLean, M. H., Durum, S. K.,
Reactivity in Crohn’s Disease-Like
Pizarro, T. T., Ghannoum, M. A.,
Ileitis
Ilic, S., McDonald, C., &
Cominelli, F.
Anti-interleukin-12 and anti-
Expert Opinion on Biological Macaluso, F. S., Orlando, A., &
interleukin-23 agents in Crohn’s 2019
Therapy Cottone, M.
disease
A posteriori dietary patterns and risk
of inflammatory bowel disease: a International Journal for Vitamin Khorshidi, M., Djafarian, K.,
2020
meta-analysis of observational and Nutrition Research Aghayei, E., & Shab-Bidar, S.
studies
Dharmasiri, S., Garrido-Martin, E.
Human Intestinal Macrophages Are
M., Harris, R. J., Bateman, A. C.,
Involved in the Pathology of Both 2021 Inflammatory Bowel Diseases
Collins, J. E., Cummings, J. R. F.,
Ulcerative Colitis and Crohn Disease
& Sanchez-Elsner, T.
Management of Crohn disease: a
2021 Jama Network Cushing, K. & Higgins, P. D. R
review
Update on the heritability of
inflammatory bowel disease: the 2011 Inflammatory bowel diseases Brant, S. R.
importance of twin studies.
Meima - van Praag, E. M.,
Surgical management of Crohn’s International Journal of
2021 Buskens, C. J., Hompes, R., &
disease: a state of the art review Colorectal Disease
Bemelman, W. A.

Fonte: Autores (2022).

3. Resultados e Discussão
3.1 Etiologia
Segundo Abrahão et al., (2001), a DC é uma doença inflamatória crônica da parede intestinal de base etiológica
complexa e multifatorial, cuja exatidão é desconhecida. Essa doença panentérica pode acometer qualquer parte do trato
gastrintestinal, da boca ao ânus, com maior incidência na porção distal do intestino delgado (íleo) e o cólon. É uma doença
com comportamento clínico remitente-recorrente, provocando recidiva e progressão mesmo com a ressecção do segmento
inflamado (Kim et al., 2021). Acredita-se que a incidência da doença vem aumentando devido não apenas aos diagnósticos
realizados precocemente, mas à exposição a novos fatores ambientais e alterações no estilo de vida das pessoas atualmente
(Correia, 2010). Observa-se que as doenças inflamatórias intestinais (DII) vêm representando uma epidemia mundial, e são
responsáveis por grande morbidade (Zhou et al., 2017).
Além dos fatores ambientais, o fator genético contribui significativamente para o surgimento da doença. Uma meta-
análise revelou 163 regiões genômicas associadas às DII e dessas, 30 são exclusivamente para colite ulcerativa e 23 para DC
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(Jostins et al., 2012). Polimorfismos associados à DC foram identificados para os genes dos receptores do tipo Toll (TLR, do
inglês Toll-like receptors) e receptores do tipo NOD (NLR, do inglês, nod-like receptors) que são expressos em macrófagos e
células dendríticas intestinais e responsáveis pela distinção de bactérias comensais e bactérias patogênicas durante a resposta
imune inata (Uematsu, et al., 2008; Mukherjee et al., 2019). Desse modo, esses polimorfismos estão relacionados ao
desenvolvimento de intolerância imunológica frente a bactérias comensais, desencadeando os mecanismos de defesa imune
contra a microbiota normal intestinal com produção do fator nuclear кB (NF-кB) e citocinas inflamatórias como fator de
necrose tumoral alfa (TNF-ɑ) e interleucinas 12 (IL-12) e 23 (IL-23) (Giuffrida, Caprioli, Facciotti & Sabatino, 2019). A IL-12
e IL-23 são as principais citocinas pró-inflamatórias produzidas no tecido intestinal em resposta a patógenos, onde atuam na
diferenciação das células TCD4, na ativação das células natural killer e nas células Th1 e, consequentemente, na ativação da
resposta imune mediada por essas células (Macaluso et al., 2019). Com isso, o bloqueio farmacológico do eixo IL-12/23 têm
mostrado efeitos benéficos relevantes no tratamento da DC.
Durante a alterada resposta imune inata na DC, tem-se grande participação dos macrófagos residentes intestinais que
são as células imunes mais abundantes na mucosa gastrointestinal. Essas células exibem um perfil de resposta alternativo no
intestino quando comparado com macrófagos de outros tecidos, por exemplo, quando estimulados com padrões de antígenos
bacterianos esses macrófagos alteram seu perfil inflamatório (M1) para o perfil anti-inflamatório (M2) e secretam citocinas
anti-inflamatórias como a IL-10, o que contribui para resolução da inflamação intestinal (Morhardt et al., 2019). Contudo, na
DC essas células exibem um comportamento aberrante em que permanecem constantemente em sua forma inflamatória M1
com alta produção de moléculas quimioatraentes como CXCL8, levando a um recrutamento exacerbado de linfócitos B e T,
formação de inflamassomos (complexos intracelulares inflamatórios), formação de granulomas e estenose fibrótica
(Dharmasiri et al., 2021). A extensa migração celular de linfócitos B e T para regiões inflamadas na DC é mediada por
moléculas de adesão como as integrinas. No epitélio intestinal há presença exclusiva das integrinas α2β2, α4β1 e α4β7, as
quais foram estudadas como alvos farmacológicos para o desenvolvimento de terapias biológicas para DC (Goodman &
Picard, 2012).

3.2 Epidemiologia
Tanto nos homens quanto nas mulheres, a DC pode se manifestar com a mesma intensidade, porém a faixa etária de
ocorrência da maioria dos casos está entre 15 e 25 anos de idade, com uma diminuição entre 55 e 65 anos de idade. Também
pode ocorrer na infância, embora a incidência antes dos 15 anos seja incomum (Goldman & Schafer, 2001). Estudos
demonstram uma maior incidência entre pessoas brancas e que há aumento de cinco vezes a ocorrência da doença em pessoas
de origem judaica comparados com outros grupos étnicos. Em contrapartida, indivíduos asiáticos, africanos e sul-americanos a
incidência é menor (Park & Jeen, 2019).
A incidência da DC tem mostrado um aumento mundial nas últimas décadas, que pode estar associado à
ocidentalização do padrão alimentar e crescente industrialização e poluição ambiental (Ng et al., 2017). Atualmente, estudos
apontam que a frequência desta doença é maior entre países do norte da América e Europa, com uma elevação progressiva em
todas as regiões do mundo (Ordás et al., 2012).
Segundo Magro et al. (2018), as DII são consideradas doenças raras nos países da América do Sul; aproximadamente
0,5% dos adultos em países ocidentais são portadores. Outros estudos demonstram que as DII apresentam maior incidência nos
países da porção ocidental do planeta, onde os maiores índices estão no Norte da Europa, América do Norte, Reino Unido e
Austrália (Khorshidi et al., 2020). O sul da Europa e África do Sul, são países de incidência intermediária, e por último a Ásia
e América do Sul, apresentam baixa incidência. Apesar do crescimento da incidência em países orientais nos últimos anos, a
doença é ainda considerada rara na região (Park & Jeen, 2019). Acometem pessoas de diferentes classes socioeconômicas,

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idade, sexo e nacionalidade. Há uma maior prevalência em pessoas de classe econômica mais alta, em moradores de regiões
urbanizadas, fumantes e parentes de primeiro grau de indivíduos acometidos (Souza et al., 2008).
No entanto, novos estudos mostram tendência ao aumento dessas enfermidades diagnosticadas nas últimas décadas
como, por exemplo, um estudo recente apresenta dezenas de casos da DC no interior do Estado de Minas Gerais,
provavelmente devido à industrialização das cidades e a mudança de hábitos alimentares da população (Souza et al., 2002; Elia
et al., 2007). Acredita-se que a dieta ocidental pode, de maneira direta ou indireta, provocar a DII (Rodriguez-Palacios et al.,
2018). No território nacional, a incidência da DC teve um aumento expressivo de 11,1% entre 1988 e 2012, estando esse
aumento associado tanto com o aumento do diagnóstico pelo melhor entendimento da doença quanto pelo aumento das classes
econômicas mais altas nas regiões urbanizadas (Ng et al., 2017).

3.3 Diagnóstico
Devido a sua semelhança com outras DII como a retocolite ulcerativa (RCUI), nos estágios iniciais a DC pode ser
erroneamente diagnosticada como síndrome do intestino irritável, por isso exige alta capacitação clínica para sua complexa e
difícil investigação clínica, em que possui um tempo médio de diagnóstico de 9 a 18 meses (Cushing & Higgins, 2021).
Inicialmente, até 20% dos pacientes com DC podem apresentar complicações como fístulas, abscessos e estenoses intestinais
(Lo et al., 2018). Devido a isso, as análises de dados endoscópicos, histológicos e radiológicos são as técnicas mais utilizadas
atualmente para o diagnóstico, mostrando acometimento focal, assimétrico, transmural ou granulomatoso. O acometimento do
intestino delgado e a demonstração das fístulas são diagnosticados por meio de técnicas de imagem transversais
(Ultrassonografia, Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada), que não podem ser utilizados com frequência (Lo
et al., 2018). Com a endoscopia é possível visualizar as lesões ulceradas, entremeadas de áreas com mucosa normal,
acometimento focal, assimétrico e descontínuo, podendo através dela realizar coleta de material para a análise. A análise
histológica, por sua vez, avalia a presença de granulomas não caseosos, acometimento transmural e de padrão segmentar
(Oliveira et al., 2019).
Os dois maiores desafios da DC são o diagnóstico e o tratamento. O primeiro porque são várias manifestações clínicas
que atingem o intestino e não existe um método de diagnóstico “gold standard”, além do fato da inflamação ocorrer mesmo
não apresentando sintomas e ser detectada apenas pela elevação de marcadores inflamatórios (Laass, Roggenbuck & Conrad,
2014). O segundo é um desafio, uma vez que existem diferentes maneiras de tratamento disponíveis, com respostas diferentes
de indivíduo para indivíduo (Correia, 2010), e tratando-se de uma doença multifatorial, provoca danos intestinais progressivos,
aumenta o índice de incapacidade do paciente, e corrobora para baixa qualidade de vida.
O estudo histológico das biópsias obtidas por colonoscopia possibilita a comprovação diagnóstica, através do
diagnóstico diferencial entre DC e RCUI, e também o diagnóstico de displasia e câncer nos casos de colite de longa evolução,
onde se verifica uma possível transição de epitélio mesenquimal, o qual é facilitador do surgimento de metástase, pelo
remodelamento da matriz extra celular (Habr-Gama et al., 2008).
A enteroscopia por cápsula é indicada quando os exames endoscópicos e radiológicos previamente realizados não são
suficientes para diagnosticar a DC. Apresenta alta sensibilidade na detecção de lesões da mucosa intestinal, podendo ser
superior aos diferentes métodos radiológicos utilizados atualmente, permite avaliar lesões vasculares, verificar existência de
hemorragia localizada, principalmente em pacientes com quadro de anemia crônica (Rosa, Moreira, Rebelo & Cotter, 2010).
Devido a intolerância imunológica dos pacientes com DC frente aos microrganismos não patogênicos, um grande
número de pacientes desenvolve anticorpos anti-Saccharomyces cerevisiae (ASCA), uma levedura presente em diversos
alimentos. Desse modo, em alguns casos a detecção de ASCA vem sendo utilizada como um balizador no diagnóstico
diferencial da DC tanto em população adulta quanto na pediátrica (Kim et al., 2021).

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3.4 Sintomatologia e manifestações extra-intestinais


A inflamação tem caráter transmural e extensão variável, o que provoca diferentes sintomas como diarreia
prolongada, dor abdominal, perda de peso e febre, podendo haver perda de sangue nas fezes, formação de fístulas e obstrução
intestinal. Cerca de 10% dos portadores não manifestam diarreia, e outros podem ter sintomas durante anos, antes do
diagnóstico ser estabelecido. A DC apresenta três formas principais: Inflamatória, obstrutiva e/ou fistulizante (Oliveira, 2015).
De acordo com Lanna, Ferrari, Carvalho e Cunha (2006), a DII não se limita apenas a manifestações no aparelho
digestório, podendo causar sintomas em vários outros órgãos, sendo mais complicados os sintomas gerados, que a própria
doença intestinal. Muitas são as manifestações extra-intestinais na DC, tais como as articulares, vasculares, oculares, cutâneas
e hepatobiliares, sendo os sintomas articulares considerados os mais comuns em pacientes com essa síndrome, e essas
manifestações podem anteceder, acompanhar ou acontecer depois da DII (Grinman, 2012; Greuter & Vavricka, 2019). Apesar
dos sintomas serem semelhantes, há alguns achados clínicos característicos mais comuns na DC e outros na RCUI. Na DC é
comum ocorrerem fístulas, obstruções e perfurações do trato digestivo. A perfuração intestinal costuma causar peritonites e
septicemia. As fístulas podem ligar o intestino à vagina, bexiga e outras regiões do próprio intestino (Harbord et al., 2016).
Conforme Yamane, Reis e Moraes (2007), as complicações oculares podem estar associadas à DII, acometendo o
segmento posterior e anterior do olho. Atinge o segmento posterior, causando oclusões vasculares, pan-uveíte, retinopatia
serosa, entre outras. Já no segmento anterior, pode ocasionar conjuntivite, uveíte anterior e infiltrados corneanos.
Como na DC, o acometimento do íleo e da região íleo-cecal é muito comum, o quadro pode muitas vezes lembrar uma
apendicite dificultando no diagnóstico. Tanto no Crohn, quanto na retocolite, o risco de câncer de cólon é 2 a 5 vezes maior
que a população geral. É estimado que 5% dos portadores de DII irão desenvolver câncer colorretal (Grevenitis et al., 2015). O
risco é maior, quanto mais longa for à doença e quanto mais grave e extensa for à inflamação do cólon. Por isso, após oito anos
de diagnóstico de Crohn ou retocolite, deve-se realizar colonoscopias anuais para possível detecção de tumores intestinais
(Pizzarro et al., 2017). A distinção entre a DC e a RCUI é realizada por meio de exames de colonoscopia, e a principal
diferença é que a DC, caracteriza-se por inflamação crônica de uma ou mais partes do tubo digestivo e pode acometer desde a
boca até o reto e o ânus, passando pelo esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso. Já a RCUI é uma inflamação
da mucosa que atinge principalmente o intestino grosso com possível ocorrência de úlceras (Pizzarro et al., 2017). Indivíduos
que fazem uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) podem agravar a doença e ainda não existem informações que
esclarecem que os AINES seletivos para a COX-2 possam ser mais seguros (Tai & Mcalindon, 2021).

3.5 Mensuração da atividade da doença de Crohn


A aferição da atividade da DC pode ser de difícil realização por acometer diferentes regiões intestinais e presença de
complicações. Existem propostas de utilização de marcadores não invasivos para a atividade da DC, indicadores de inflamação
intestinal, como proteína C reativa, biomarcadores fecais como calprotectina e lactoferrina, úteis para confirmação da carga
inflamatória e identificação dos pacientes que necessitam de investigação adicional (Cushing & Higgins, 2021). Esses
biomarcadores na DC são de grande importância visto que complicações que levam a necessidade de cirurgia (abscessos,
estenoses e fístulas) podem ocorrer mesmo com baixo grau de inflamação e sintomas mínimos do paciente (Cushing &
Higgins, 2021). O estudo CALM que envolveu 244 pacientes com DC por 48 semanas demonstrou que a associação do
monitoramento de biomarcadores com monitoramento clínico foi superior (melhor taxa de cicatrização da mucosa) ao
monitoramento clínico isolado, num percentual de 46% vs. 30% (Colombel et al., 2017).
Em relação ao monitoramento clínico da DC se utiliza o Índice de Atividade da Doença de Crohn (IADC) detalhado
no Quadro 2 (Habr-Gama et al., 2008).

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Quadro 2 - Índice de atividade da doença de Crohn.

Nota: Multiplicar o valor da coluna 1 pelo da coluna 2, anotando o resultado na coluna subtotal. Somar todos os
subtotais para encontrar o valor total do IADC. A doença é considerada em remissão quando o IADC é inferior a 150;
leve a moderada quando o IADC oscila entre 150 e 219; moderada a grave entre 220 e 450; e grave o fulminante
quando os valores são superiores a 450. Fonte: Habr-Gama et al. (2008).

3.6 Tratamento farmacoterapêutico


Por ser uma doença de etiologia desconhecida, o tratamento clínico da DC é em grande parte empírico,
individualizado e guiado pela estratificação do risco do paciente. De modo simplificado, o tratamento é dividido em duas fases:
indução de remissão ou em manutenção das recidivas com foco na supressão do sistema imune exacerbadamente ativo,
redução do processo inflamatório e prevenção da progressão da doença de suas complicações (Sarlo et al., 2008).
A terapia clínica tem o objetivo de reduzir e controlar o nível da inflamação do sistema gastrintestinal, que geram
vários sintomas. Esses sintomas devem ser tratados, já que não se sabe a origem da DC. Deve ser acompanhada por
especialistas, e às vezes envolve a necessidade de intervenção cirúrgica. A partir dos sintomas apresentados pelo paciente, é
possível mensurar o grau da doença em leve, moderada ou grave, podendo ser realizado o tratamento em etapas, tornando mais
fácil para o clínico escolher a melhor forma de tratar o paciente. Isso contribui para a diminuição dos sintomas e induz o
paciente a remissão da doença. Nas fases ativas da doença, o apoio, controle psicológico, e a adesão à terapia medicamentosa
são de extrema importância para o tratamento e controle da doença (Oliveira, 2015).
São utilizados na terapia medicamentosa, de forma associada, aminossalicilatos (mesalazina e sulfassalazina) e
corticosteróides (prednisolona e budesonida), que são aplicados na fase de indução de remissão, imunossupressores
(azatioprina, metotrexato e 6-mercaptopurina) e terapia biológica com anticorpos monoclonais (anti-TNF-α, anti-integrina
α4β7 e anti-IL12/23) que são utilizados a longo prazo para manutenção das recidivas (Cushing & Higgins, 2021).
Os aminossalicilatos são compostos com atividade anti-inflamatória que são eficazes para RCUI, apresentando
resultados conflitantes para DC. Uma revisão sistemática que avaliou 20 ensaios clínicos randomizados com uma coorte de
2367 pacientes, do uso dos aminosalissilatos da DC, concluiu que as evidências até o momento não demonstraram uma
eficácia significativa comparado ao placebo para indução de remissão da DC (Lim et al., 2016).
As DII por si só já predispõem os pacientes a um maior risco de osteoporose e osteopenia, por conta dos efeitos
colaterais já bem elucidados do uso crônico de corticosteróides. Devido a isso, é recomendado que pacientes com mais de 3
meses de exposição a essa classe medicamentosa realizem acompanhamento da densidade óssea por exames de densitometria
óssea (Farraye, Melmed, Lichtenstein & Kane, 2017). A budesonida em forma de enêma e cápsulas de liberação prolongada ou
controlada são preferíveis à prednisolona devido a extensa metabolização hepática de primeira passagem da budesonida, o que
minimiza os efeitos colaterais sistêmicos indesejados do uso crônico de corticosteróides (Lundin et al., 2003).

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Nos casos mais graves da DC refratária aos tratamentos convencionais e para manutenção da recidivas é empregado
na maioria das vezes medicamentos de origem biológica, os quais prolongam o período de remissão dos sintomas do paciente
(Hazlewood et al., 2015; Regueiro et al., 2016). O TNF-α é uma citocina responsável em promover a inflamação intestinal,
com o bloqueio dessa citocina por meio de anticorpos monoclonais anti-TNF é visto uma melhora do quadro de sintomas.
Dentre os anti-TNF presentes no mercado estão os Infliximab, Adalimumabe e Certolizumabe. A aplicação dessa classe é
realizada em ambiente hospitalar, por via intravenosa, com 5 mg/kg (Infliximab) em infusão única ou a mesma dosagem em
aplicações subsequentes na segunda e sexta semana, posteriores a primeira aplicação (Sganzerla, 2007; Benitez, Oliveira &
Molinari, 2004). O Infliximab é um agente biológico que foi introduzido como opção terapêutica na DC no fim da década de
1990. Este fármaco é importante no tratamento da DC moderada ou grave, resistente ao tratamento convencional (Cardoso et
al., 2006). Existem evidências científicas de que a utilização desses medicamentos biológicos principalmente o Infliximab e o
Adalimumabe contribuem para a diminuição das operações abdominais ligadas a DC (Hazlewood et al., 2015; Panaccione et
al., 2013; Regueiro et al., 2016).
Imunomoduladores, como a azatioprina, são empregados principalmente para manutenção da DC e possuem maior
eficácia quando combinados com a terapia biológica como com anti-TNF em pacientes com DC moderada a grave do que
quando aplicados isoladamente (Colombel et al., 2010). Dados de estudos como o citado anteriormente são reforçados, sem
relação a terapia combinada, pois outros estudos demonstraram que a monoterapia com azatioprina pode exibir benefício
mínimo em relação ao placebo (Panés et al., 2013). Por outro lado, a terapia combinada confere maiores riscos para o paciente
do que a monoterapia, como de desenvolvimento de linfoma que chega a ser mais de 6 vezes maior, enquanto a monoterapia
com azatioprina ou anti-TNF mostram risco de 2 a 3 vezes maior (Lemaitre et al., 2017). Considerando que o risco de
desenvolvimento de linfoma aumenta com a idade, a estratificação de risco do paciente deve ser usada como base para a
decisão de monoterapia ou terapia combinada.
A manutenção contínua do tratamento biológico é de suma importância para se evitar recidivas na fase de manutenção
da DC. A descontinuação do tratamento aumenta consideravelmente o risco de recaídas e de complicações com necessidade
cirúrgica, como demonstrado por uma meta-análise de 23 estudos em que 50% dos pacientes em remissão que descontinuaram
a terapia com anti-TNF exibiram recidivas após 25 meses (Gisbert et al., 2016).
A terapia biológica, por mais que possua grande eficácia na DC, pode ser comprometida devido ao desenvolvimento
de anticorpos que neutralizam seus efeitos (Govani et al., 2018). Devido a isso, outras terapias biológicas podem ser
subsequentemente aplicadas, como o uso de anti-integrina α4β7 (Vedolizumab e Natalizumab), o qual demonstrou resposta
clínica de até 47% em 6 semanas e remissão de 41% em até 52 semanas e baixa taxa de imunogenicidade positiva contra o
tratamento (Cherry, Yunker, Lambert, Vaughan & Lowe, 2015). Contudo, o mesmo estudo detectou efeitos adversos
consideráveis como infecções respiratórias graves (5,5% vs. 3% placebo), neoplasias (0,5% vs. 0,3% placebo) e mínimas
reações de infusão como náuseas, vômitos, tonturas e dores de cabeça (Cherry et al., 2015).
Até 30% dos pacientes não respondem satisfatoriamente à terapia com anti-TNF (Ben‐Horin & Chowers, 2011). A via
de produção do TNF-α é dependente da diferenciação das células T CD4+ em células Th17, processo que é desencadeado pela
produção de IL-12/23 pelo epitélio gastrointestinal em processos inflamatórios (Trinchieri, 2003). Como alternativa aos
pacientes que não respondem ao anti-TNF, foi desenvolvido o anti-IL12/23 (Ustekinumab) com taxas de remissão na semana 6
de até 34,3% e de até 53,1% na semana 44, mostrando eficácia tanto na indução da remissão quanto na manutenção da DC
(Feagan et al., 2016).
O uso de diversos antimicrobianos como metronidazol e ampicilina são considerados para indução da remissão na
DC. Contudo, diversos estudos clínicos demonstraram que resultados são conflitantes na indução de remissão, sendo seu uso

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altamente controverso devido ao grande aumento do risco de colite infecciosa por bactérias enteropatogênicas como C.
difficile, Salmonella sp., Campylobacter sp. e Shigella sp. (Khanna, Shin & Kelly, 2017; Townsend et al., 2019).

3.7 Tratamento cirúrgico


Dependendo da intensidade e do segmento intestinal acometido pela inflamação, o surgimento de fístulas e obstruções
podem ocorrer de modo que o tratamento cirúrgico se torne necessário. Cerca de 70 a 90% dos pacientes necessitarão de
alguma forma de tratamento cirúrgico no decorrer de sua vida, que variam desde simples drenagens de abscessos anais, até
ressecções de segmentos intestinais, sendo que, 80% dos pacientes operados, sofrem recorrência cirúrgica. Está em curso
estudo para avaliação do uso de outras técnicas que evitem a recorrência cirúrgica. É uma doença que tende a reaparecer,
mesmo fazendo a ressecção do segmento inflamado (Praag et al., 2021).
O tratamento cirúrgico da DC por meio de ressecção ou enteroplastia, está indicado para situações de complicações e
quando ocorrer doença refratária aos medicamentos. A anastomose reconstrói a comunicação entre as ressecções do lúmen
digestório. Para os pacientes que estão com doença perianal, a drenagem de abscessos é indicada, bem como as operações de
fistulotomia ou drenagem por seton, em quadros com maiores sintomas. A proctectomia está indicada para os casos de
supuração importante associados à retite grave e incontinência anal (Habr-Gama et al., 2008).

3.8 Dieta aconselhada para melhoria da qualidade de vida


Os pacientes com essa doença devem ter cuidado com a dieta, sendo que, em casos de acometimento ileal, deve-se
evitar as fibras em excesso para prevenir obstrução intestinal, e em casos de esteatorreia, a diminuição da ingestão de gordura
melhora a diarreia (Silva, Schieferdecker & Amarante, 2011). É importante ter atenção especial quanto à dieta, no que diz
respeito as deficiências nutricionais. Pode ser indicado uma nutrição de forma balanceada enteral ou parenteral, dependendo do
caso (Magalhães, 1993; Hanauer, 1997). O tratamento é influenciado pelo estado nutricional do paciente em qualquer estágio
da doença. Na DII, de maneira especial na DC e, em particular nas crianças com retardo de crescimento, uma orientação
nutricional se faz obrigatória (Santos, 1999). De acordo com Fisher (1999) as deficiências nutricionais se manifestam de
maneiras diferentes e são frequentemente observadas perda de peso, hipoalbuminemia, balanço nitrogenado negativo, anemia e
deficiência de vitaminas (Folato, B12, D) e minerais (Fe+2, Ca+2, Zn+2 e Mg+2).
A desnutrição proteico-energética (DPE) é comum entre as DII, assim como também a carência de micronutrientes.
São vários os fatores que podem levar à desnutrição, como a diminuição significativa da ingestão alimentar, má absorção,
aumento das perdas gastrointestinais e necessidades nutricionais aumentadas. A DPE contribui para a piora da diarreia e/ou má
absorção, em função da diminuição da secreção de enzimas pancreáticas e da atividade enzimática das células da mucosa
intestinal. Em crianças, a doença associada à DPE causa, além do atraso no crescimento e no desenvolvimento,
hipermetabolismo, aumento da perda urinária de nitrogênio, alterações na glicemia, distúrbios hidroeletrolíticos e acidose;
ocorre, também, disfunção de órgãos e sistemas. A utilização do ômega 3 por via oral, está indicada, pois tem a capacidade de
inibir a síntese de prostaglandinas e leucotrienos, diminuindo a inflamação. Entretanto, mais estudos devem ser realizados para
esclarecer as recomendações de doses ótimas e duração da suplementação. Alguns estudos experimentais realizados em
animais, com suplementação com antioxidantes, vitamina E e selênio têm mostrado diminuição das lesões do cólon e pode ser
utilizado de forma adjunta no tratamento da RCUI (Burgos, Salviano, Belo & Bion, 2008).
Devido ao aumento da incidência dessas doenças intestinais inflamatórias em todo o mundo, faz-se necessário um
levantamento bibliográfico que tem por objetivo esclarecer muitas dúvidas e facilitar por meio da informação o diagnóstico
principalmente sobre a DC e assim contribuir para que os indivíduos com essa enfermidade possam conhecê-la mais e procurar
ajuda médica melhorando assim sua qualidade de vida.

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4. Considerações Finais
Considerando que a DC é uma doença que requer atenção de uma equipe multidisciplinar, ressalta-se a importância da
contribuição dos profissionais no auxílio do diagnóstico precoce e na adesão do paciente ao tratamento medicamentoso. Isso
pode ser explicado por ser a DC uma doença crônica que necessita de tratamento bem orientado. O profissional farmacêutico,
por exemplo, pode auxiliar no diagnóstico, uma vez que o paciente sem o diagnóstico da doença pode fazer uso de
medicamentos paliativos a fim de mascarar os sintomas. Destaca-se a influência na terapia medicamentosa na administração e
adesão aos medicamentos por ser uma doença crônica.
São fundamentais os cuidados e a observação aos sintomas da DC a fim de diagnosticar precocemente a doença,
visando maior sucesso na terapia e no prognóstico, assegurando qualidade de vida ao paciente. É importante salientar que os
sintomas têm pouca correlação com a gravidade das lesões endoscópicas, o que confere potencial fator de risco, visto que a
gravidade e extensão das lesões influenciam no curso da doença. Dessa forma, a presente revisão abre novas perspectivas para
a terapia medicamentosa e diagnóstico, pois pode contribuir para nortear os profissionais de saúde e pesquisadores, levando ao
desenvolvimento de pesquisas que possam elucidar a DC. Conclui-se, portanto, que mais estudos são necessários para à
compreensão da DC.

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