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História da SADC e SADCC na África Austral

mnbc

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Indice

Resumo........................................................................................................................................................2
Introdução...................................................................................................................................................3
Conferência de Coordenação para o Desenvolvimento da África Austral (SADCC).....................................4
Estados da Linha de Frente (ELF).................................................................................................................5
Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).................................................................6
Objetivos da SADC.......................................................................................................................................7
União monetária..........................................................................................................................................9
Resultados e Impacto..................................................................................................................................9
Desafios.....................................................................................................................................................10
Mercado comum.......................................................................................................................................10
Desafios.....................................................................................................................................................12
Regras de Origem......................................................................................................................................12
Conclusão..................................................................................................................................................13
Referências Bibliográficas..........................................................................................................................14

1
Resumo

O presente trabalho aborda a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC),


seu surgimento, contexto histórico, político e integração regional. A integração regional é um
fenômeno que ocupa um papel central em diversas áreas de estudo. O continente africano, em
especial a África Austral, é uma região de grande diversidade geográfica, econômica, política e
social. Considerando o desenvolvimento como o objectivo principal da Comunidade para o
Desenvolvimento da África Austral, buscaremos demonstrar se a SADC, contribuiu para o
desenvolvimento dos países membros. Os resultados indicam que houve avanço no
desenvolvimento e na integração dos países em diversas áreas, embora não seja possível afirmar
o quanto disso é devido à integração.

Palavras-chave: Integração regional. África Austral. SADC. Apartheid

2
Introdução

África Austral é a região localizada mais ao sul do continente africano, também conhecida como
África Meridional, sendo banhada pelo Oceano Índico na sua costa Oriental e pelo Atlântico na
costa Ocidental. É constituída por quinze países África do Sul, Angola, Botsuana, Lesotho,
Madagáscar, Malaui, Ilhas Maurícias, Moçambique, Namíbia, República Democrática do Congo,
Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia, Zimbábue e Ilhas Seychelles – que constituem o bloco político-
econômico conhecido por Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC). A
Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral(SADC), bloco de integração regional,
foi oficialmente criada em 1992, a partir dos dois blocos já existentes o Estados da Linha de
Frente (ELF) e a Conferência de Coordenação para o Desenvolvimento da África Austral
(SADCC). Diferentemente da maioria dos acordos que possuem a integração econômica regional
como objetivo, a SADC possui como as principais metas o desenvolvimento político e
econômico. (SHAMS, 2003).

3
Conferência de Coordenação para o Desenvolvimento da África Austral (SADCC)

Conforme Murapa (2002), foi a Organização de Unidade Africana (OUA) que, no cumprimento
de suas responsabilidades na África Austral, estabeleceu um comitê de libertação liderado pela
Tanzânia em 1976 Tal comitê reuniu países Zâmbia, Botsuana, Angola e Moçambique que se
tornaram conhecidos como Estados da Linha da Frente (ELF), com o objetivo de apoiar as
resistências africanas diante da continuidade da colonização europeia na região.

Dessa forma, os ELF assumiram a responsabilidade de mobilizar apoio internacional para


movimentos nacionalistas como a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), a
Zimbabwe African National Union (ZANU), a Zimbabwe African People’s Union (ZAPU), a
South West Africa People’s Organization (SWAPO) da Namíbia, o African National Congress
(ANC), e o Pan Africanist Congress of Azania (PAC).Diante dos conflitos que caracterizavam a
região austral de África, os ELF surgem como uma organização com o propósito de libertação
política e social da região, bem como de apoio aos movimentos de libertação nacional. Os ELF
ou Países da Linha da Frente (PLF) foram constituídos pelos primeiros países independentes da
região austral do continente africano, sendo constituída por Julius Nyerere da Tanzânia, Kenneth
Kaunda da Zâmbia, Seretse Khama do Botswana, Samora Machel de Moçambique e Agostinho
Neto de Angola, como uma iniciativa de caráter voluntário, para ajudar os seus vizinhosirmãos
que estavam sob o jugo colonial. Esta ideia iniciou em 1965, mas só foi reconhecida como ELF
na década de 1970.

Com as independências de Angola e Moçambique em 1975, após cerca de treze anos de luta
armada contra o regime colonial português, os países da região austral do continente africano e
da “Linha da Frente” tiveram a iniciativa de criar objetivos que olhassem para a questão
econômica, com o intuito de diminuir a dependência em relação à África do Sul, onde vigorava o
regime do apartheid. Após suas independências da colonização portuguesa, Angola e
Moçambique foram governados por regimes socialistas com economias centralmente
planificadas, tendo apoio do bloco da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e de
Cuba. Seus sistemas de governo consideravam a eliminação dos regimes racistas da África do
Sul e do Zimbábue, condição considerada essencial para a paz e a estabilidade na região. A
independência de Angola e de Moçambique contribuía para o isolamento político e comercial
dos regimes minoritários que governavam a África do Sul e o Zimbábue.

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Em 1971, os movimentos nacionalistas ZANU e ZAPU iniciam uma guerra de libertação da
Rodésia do Sul contra a ocupação colonizadora e com o apoio de Moçambique. Esse movimento
de libertação culminaria na independência do país em 1980 e na mudança de seu nome para
Zimbábue.É nesse cenário que, em 1º de Abril 1980, é criada em Lusaka (Zâmbia) a
Conferência de Coordenação para o Desenvolvimento da África Austral (SADCC), que
substituiu os ELF (BRANCO, 2003). Ao fim da reunião foi assinada a declaração África Austral
Rumo à Independência Econômica, também conhecida como Declaração de Lusaka.

Assim, a independência do Zimbábue, em 1980, quando vigorava o regime racista de minoria


branca, constituiu o primeiro grande triunfo para os países da SADCC.

Quando a SADCC foi criada congregava nove países, nomeadamente: Angola, Botsuana, Lesotho,
Malaui, Moçambique, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabue. Seus principais objetivos eram a
redução da dependência econômica, particularmente com relação à África do Sul do apartheid, e a
cooperação entre os Estados membros para balanceamento de suas economias.

Estados da Linha de Frente (ELF)

A região da África Austral foi marcada por uma história de conflitos que abrangem colonialismo,
apartheid, guerras de independência, Guerra Fria, golpes de estado, entre outros. A cooperação
foi uma saída encontrada para enfrentar os conflitos próprios da região
(OMARI;MACARINGUE, 2007). Desde antes da descolonização já existiam mecanismos e
estruturas de segurança na região da África Austral. Nas primeiras décadas a partir dos anos
1950, os objetivos eram a descolonização e o fim dos regimes minoritários na antiga Rodésia do
Sul (atualZimbábue), Sudeste da África (Namíbia) e África do Sul (CILLIERS,1999). De acordo
com Branco (2003), o conceito de ELF surgiu a partir de reuniões Comitê de Libertação da OUA
e da atuação da Tanzânia como apoiadora dos movimentos de libertação da África Austral.

Omari e Macaringue (2007) defendem que o ELF foi precedido de diversos agrupamentos
regionais que apesar de divergirem de tamanho, foco e estrutura, possuíam objetivos
semelhantes, como, liberdade política e econômica [Link] três acordos mais importantes
que precederam o ELF foram: Movimento Pan-Africano de Liberdade para a África Oriental,
Central e Austral/Movimento Pan-Africano de Liberdade para a África Oriental e Central
(PAFMECSA/PAFMECA); Conferência de Países Africanos do Leste e do Centro (CECAC); e,
Mulungushi Club.

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O ELF foi constituído como um fórum informal e os chefes de estado da Botsuana, Tanzânia,
Zâmbia e Moçambique são considerados os fundadores em1975, Angola se uniu em 1976, o
Zimbábue se juntou em 1980, Namíbia em 1990 e a África do Sul em 1994, o Zaire não foi
incluído. O foco principal era de coordenar os esforços e recursos para apoiar os movimentos de
libertação da região, oCongresso Nacional Africano (ANC) e o Pan Africanist Congress of
Azania (PAC) na África do Sul, a SWAPO na Namíbia, e a Zimbabwe African National Union
(ZANU) e Zimbabwe African People’s Organisation (ZAPU) na Rodésia do Sul (Zimbábue)
(CILLIERS, 1999; BRANCO, 2003; OMARI; MACARINGUE, 2007).

Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC)

A década de 1990 trouxe importantes mudanças para o continente africano, especialmente para a
África Austral, que impulsionaram o processo de integração regional, como os processos de
democratização, a resolução de conflitos e guerras civis, e, na arena internacional, o fim da
Guerra Fria e a dissolução da União Soviética. Essas mudanças permitiram maior colaboração
entre os Estados nas questões políticas e de segurança. (JAMINE, 2009; SCHÜTZ, 2014). As
mudanças citadas acima, permitiram aos países se concentrar nos esforços de desenvolvimento,
assim, em 17 de agosto de 1992 os Chefes de Estado da SADCC assinam a declaração e o
Tratado Southern Africa Development Community, a SADC, na cidade de Windhoek, na
Namíbia. Esse tratado dava estatuto jurídico à Comunidade com obrigações por parte dos
Estados. Naquele momento eram membros da SADC, Angola, Botsuana, Lesoto, Malauí,
Moçambique, Namíbia, eSwatini, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue(SADC,1992). O Tratado de
criação da SADC também estabelecia a criação de seis órgãos: a Cúpula dos Chefes de Estado e
Governo, o Conselho dos Ministros, as Comissões, o Comitê Permanente de Oficiais, a
Secretaria e o Tribunal. (SCHÜTZ, 2014).

Após o fim do regime do apartheid e da vitória do ANC na África do Sul, o país ingressa na
SADC em 1994. Um ano depois, em 1995, Maurício se une ao bloco. Em 1998, no encontro de
Blantyre, ingressam no bloco a República Democrática do Congo e Seicheles, Madagascar
ingressou em 2005 na Cúpula do Jubileu de Prata e o último país a ingressar no bloco foi a União
dos Comores em 2018. (SCHÜTZ, 2014).

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Atualmente a SADC possui dezesseis membros, são eles: África do Sul, Angola, Botsuana,
Maurício, Lesoto, Madagascar, Malauí, Moçambique, Namíbia, República Democrática do
Congo, Seicheles, eSwatini, Tanzânia, Zâmbia, Zimbábue e União das Comores, este último só
ingressou em 2018.

Objetivos da SADC

Sobre os objetivos que constam no Tratado da SADC, Cilliers (1999) os divide em três
categorias: política e segurança, desenvolvimento econômico e geral/outros. Na categoria de
política e segurança estão, a promoção e defesa da paz e segurança, e, evolução dos valores
políticos comuns, sistemas e instituições.

Na categoria de desenvolvimento econômico, estão o desenvolvimento e crescimento


econômico, o alívio da pobreza, melhoria do padrão e qualidade de vida através da integração
regional, desenvolvimento auto-sustentável através da auto-confiança coletiva e
interdependência dos Estados membros, maximizar a produção, emprego e utilização dos
recursos da região, e, utilização sustentável dos recursos naturais e proteção eficaz do meio
ambiente.

Na categoria de objetivos gerais/outros, estão a complementaridade entre as estratégias e


programas nacionais e regionais, e, o fortalecimento e consolidação do histórico de longa data de
afinidades sociais e culturais e ligação entre os povos da região.

Os principais objectivos da SADC consistem em alcançar o desenvolvimento económico, a paz e


a segurança, o crescimento, reduzir a pobreza, elevar o nível e a qualidade de vida das
populações da África Austral, e apoiar as camadas sociais desfavorecidas, mediante a integração
regional. Estes objectivos deverão ser alcançados através de uma maior integração regional,
assente em princípios democráticos e no desenvolvimento equitativo e sustentável.

Os objectivos da SADC, estipulados no artigo 5.º do Tratado da SADC (1992) são: alcançar o
desenvolvimento e o crescimento, reduzir a pobreza, melhorar o nível e a qualidade de vida das
populações da África Austral e apoiar as camadas sociais desfavorecidas, mediante a integração
regional; promover valores, sistemas e instituições políticas comuns; promover e defender a paz

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e a segurança; promover o desenvolvimento auto-sustentável, com base na auto-suficiência
colectiva e na interdependência dos Estados-Membros; assegurar a complementaridade entre as
estratégias e os programas nacionais e regionais; promover e maximizar o emprego produtivo e o
aproveitamento dos recursos da região; assegurar o aproveitamento sustentável dos recursos
naturais e a protecção efectiva do meio-ambiente; fortalecer e consolidar as afinidades e os laços
históricos, sociais e culturais existentes à longa data entre os povos da região.

Segundo Murapa (2002) em relação ao comércio de bens, o objetivo era a eliminação de


barreiras tarifárias e não-tarifárias da região. Ademais, Schütz(2014) afirma que as condições
políticas e econômicas são extremamente favoráveis ao aprofundamento e consolidação da
integração na região da África Austral.

A SADC foi criada com uma estrutura descentralizada, onde cada país era responsável por um
setor, embora tivesse órgãos para garantir a unidade e a implementação das políticas comuns.
Essa estrutura descentralizada comprometeu o desenvolvimento de alguns setores devido à baixa
participação de alguns países na Comunidade, da escassez de recursos financeiros e da
individualização das estratégias de desenvolvimento desses setores. Porém, houve aspectos
positivos da descentralização da integração, como o fortalecimento da ideia de integração
igualitária que beneficiaria e obrigaria a todos, já que cada país ficou responsável por um setor
independente de seu poder político e econômico. (SCHÜTZ, 2014).

União monetária

Designa-se por União Monetária quando dois ou mais países alcançam a convergência
macroeconómica, estabilizam e harmonizam os sistemas cambiais, liberalizam as transacções de
capitais e de contas correntes e adoptam abordagens orientadas para o mercado na condução da
política monetária. O estabelecimento da União Monetária na região da SADC é um dos
objectivos primordiais do Protocolo da SADC sobre o Comércio e um marco fundamental nos
esforços para uma integração mais profunda na SADC.

O quadro de implementação do Plano Estratégico Indicativo de Desenvolvimento


Regionalidentificou 2016 como o ano para a concretização deste marco, após a criação da Zona

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de Comércio Livre, da União Aduaneira e de um Mercado Comum. Uma vez que houve atrasos
em relação ao segundo e terceiro marcos de integração, a União Monetária também pode sofrer
atrasos.

Os planos para a criação da União Monetária na SADC são apoiados pelo Comité de
Governadores dos Bancos Centrais da SADC, que lidera a cooperação entre os bancos centrais
da região. Esta cooperação visa reforçar a cooperação monetária regional através da reforma dos
sistemas de pagamento, compensação e liquidação; harmonização dos quadros operacionais
jurídicos para os bancos centrais e implementação das melhores práticas bancárias.

Resultados e Impacto

Operacionalização dos sistemas de compensação e liquidação de pagamentos - o Sistema de


Liquidação por Bruto em Tempo Real foi desenvolvido para modernizar as liquidações de
pagamentos transfronteiriços e foi implementado em 12 Estados-Membros da SADC.
Implementação das melhores práticas, normas e padrões bancários - 14 Estados-Membros
introduziram uma aplicação para harmonizar os processos de supervisão bancária, desenvolvida
pelo subcomité de TIC do Subcomité de Supervisão Bancária da SADC. Desenvolvimento de um
quadro administrativo e jurídico institucional - em 2009, os Ministros das Finanças da SADC
desenvolveram e aprovaram a Lei Modelo do Banco Central, que foi concebida para estabelecer
quadros harmonizados de controlo das políticas cambiais, dos procedimentos e sistemas
bancários.

Desafios

Não obstante os progressos positivos nesta área, o Comité de Governadores dos Bancos Centrais
enfrentou desafios em termos de capacidade de recursos humanos e financiamento, resultando
em atrasos de alguns dos projectos destinados a facilitar a cooperação e harmonização no sector
bancário na SADC.

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Mercado comum

Um Mercado Comum consiste num acordo entre dois ou mais países que elimina todas as
barreiras comerciais entre si, estabelece barreiras tarifárias e não tarifárias comuns para os
importadores, e permite também a livre circulação de mão-de-obra, capital e serviços entre si.

O Mercado Comum da SADC é um dos principais objectivos da SADC na área do Comércio,


Liberalização Económica e Desenvolvimento e prevê-se que a região alcance este marco até
2015. Antes de alcançar este marco, a SADC deve criar uma União Aduaneira, que foi
projectada para ser concluída até 2010.

O Mercado Comum da África Oriental e África Austral tem sede em Lusaka, na Zâmbia, sendo
composto por 21 países. Busca promover o desenvolvimento sustentável, a competitividade e a
harmonização financeira dos seus membros. Fazem parte: Burundi, Comores, Djibuti, Egito,
Eritreia, Etiópia, Líbia, Madagascar, Malawi, Maurício, Quênia, República Democrática do
Congo, Ruanda, Seychelles, Somália, Sudão, Suazilândia, Tunísia, Uganda, Zâmbia e Zimbábue.
Possui seu Órgão Executivo representado pela Secretaria Geral, que trabalha conjuntamente com
o Conselho dos Ministros visando a garantir o cumprimento das regulamentações e das
diretrizes.

Além de buscar um desenvolvimento sustentável e um crescimento significativo para os seus


membros, os objetivos dessa integração econômica também abrangiam questões sociais,
objetivando atingir o estado de bem estar social para os países pertencentes ao Mercado Comum.
No âmbito da integração entre os membros, a COMESA visa reforçar a relação entre os países,
promover a paz, a segurança, a cooperação e a estabilidade e, por fim, adotar posições comuns
nos foros internacionais.

Em 5 de novembro de 1993, em Kampala, firmou-se o tratado que criou a COMESA, e foi


ratificado um ano depois. Esse tratado estabeleceu a substituição da Área de Comércio
Preferencial a partir da implementação de um Mercado Comum. Em 1963 um órgão das Nações
Unidas, o ECA (Comissão Econômica da África), promoveu a reunião de ministros e de Chefes
de Estado de países independentes da África Oriental e Austral para a discussão de um possível
Mercado Comum. Nesta reunião foi criada a Comunidade Econômica dos Estados da África

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Oriental e Austral. Em 1981 houve a assinatura de um Tratado responsável pela formalização da
Área de Comércio Preferencial, que possuía o objetivo de reduzir e eliminar barreiras comerciais
fronteiriças da região. Então, esse foi o último estágio anterior à criação do Mercado Comum
existente hoje e que foi pensado já na década de 60, pois em 1994 entrou em vigor a existência e
a funcionalidade do Mercado Comum da África Oriental e África Austral.

Cada um dos marcos nas áreas do Comércio, Liberalização Económica e Desenvolvimento


destina-se a colocar a região da SADC mais próxima de um Mercado Comum, o que, por sua
vez, se espera venha a reforçar o desenvolvimento industrial e aumentar a competitividade em
todos os sectores.

Atualmente, a COMESA abrange mais de 583 milhões de pessoas dentro de seus países
membros e gera um Produto Interno Bruto somado de 805 bilhões de dólares. Além disso, a sua
importância vai além da economia, podendo se estender também à geografia, pois esse bloco
ocupa dois terços do continente africano, um território de 12.000.000 km2. Outrossim, há
incentivos à continuidade do desenvolvimento dos países dentro da estrutura do bloco, pois isto
está alinhado aos valores da Instituição de promover, cada vez mais, a inserção e a capacitação
de seus membros. Estas decisões acontecem por meio das Reuniões Ministeriais Setoriais, uma
ramificação da estrutura institucional da COMESA e associada ao Conselho dos Ministros.

Não obstante os actuais atrasos na concretização dos marcos precedentes, a SADC está a
trabalhar arduamente para superar os desafios apresentados pela União Aduaneira, com o
objectivo a longo prazo de criar um Mercado Comum.

Desafios

A SADC enfrenta actualmente dois grandes desafios à medida que os níveis de integração
avançam da Zona de Comércio Livre, passando pela União Aduaneira e em direcção a um
Mercado Comum:

Abordar os conflitos que possam surgir da tentativa de cumprir obrigações decorrentes da adesão
a vários organismos regionais e internacionais, tais como uniões aduaneiras e mercados

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[Link] de políticas e estratégias destinadas a apoiar grupos vulneráveis,
populações rurais e urbanas carenciadas, pequenas empresas, operadores informais e mulheres.

Regras de Origem

As Regras de Origem são os critérios necessários para determinar a origem de um produto. Os


governos aplicam diferentes métodos para definir as Regras de Origem. Alguns aplicam o
critério de alteração da classificação tarifária, outros o critério de valor acrescentado percentual,
e outros o critério de operação de fabrico ou transformação. Num mundo globalizado, é cada vez
mais importante que os Estados-Membros da SADC harmonizem estas práticas, a fim de
assegurar a sua coerência.

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Conclusão

Diante do cenário histórico, político e sócio econômico descrito acima, a SADC é um dos blocos
mais antigos e atuantes da África Austral, tendo ressignificado seus objectivos à medida que os
alcançava, tendo evoluído e conseguido impor uma agenda regional, em detrimento dos objetivos
nacionais. A SADC vivenciou grandes desafios como o regime do apartheid. Com base nas
informações encontradas, a SADC teve uma grande evolução no continente africano, começando
com a formação dos Estados da Linha da Frente, cuja principal preocupação era a libertação
política da região. Durante o período da Guerra Fria, os países do bloco foram financiados pelas
superpotências mundiais, as quais influenciaram os seus sistemas políticos e econômicos. Na
década de 1980, com a crise econômica e na medida em que os países da região foram
alcançando as suas independências políticas, houve a necessidade de prestar atenção na questão
da integração do desenvolvimento econômico. É assim que os ELF criaram a SADCC – uma
nova dinâmica, com objetivos de acabar com a dependência econômica dos países-membros em
relação à África do Sul, de derrubar o apartheid e de tornar a região livre e forte
economicamente. Após alcançar seus objetivos primeiros, os países da SADCC decidiram focar
em outros, mas sempre levando consigo o propósito do desenvolvimento econômico. Assim, se
deu a transformação da SADCC em SADC, um bloco regional, socio econômico e de cooperação
política. Atualmente, o bloco vivencia a ausência de democracia e tem como principais desafios,
dentre muitos, acabar com a pobreza, com epidemias e com conflitos.

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Referências Bibliográficas

JAMINE, E A integração regional na África Austral: obstáculos e oportunidades (1980 2008)


2009 199 p Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais) Programa de PósGraduação em
Relações Internacionais, Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009

MURAPA, R. A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) rumo à integração


política e econômica. Impulso, Piracicaba, n. 31, p 155 164, 2002

SCHÜTZ, N.S.X. Integração na África Austral: A Comunidade para o Desenvolvimento da


África Austral (SADC) e os Condicionantes Históricos e Políticos da Integração.
[Link](Doutorado em Ciência Política). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, 2014.

SHAMS, R. Regional Integration in Developing Countries: Some Lessons Based on Case


Studies. Hamburgisches Welt-Wirtschafts-Archiv (HWWA) Discussion Paper 251(Hamburg
Institute of International Economics), 2003.

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