6º Congresso Interinstitucional de Iniciação Científica - CIIC 2012
13 a 15 de agosto de 2012– Jaguariúna, SP.
PROCESSO DE AUTOMAÇÃO DE PLANILHAS PARA CÁLCULO DE
BALANÇO HÍDRICO EM ESCALAS MENSAL, DECENDIAL E DIÁRIA
João Paulo da Silva¹; Luciana Alvim Santos Romani³; Eduardo Ballespi de
Castro Vasconcellos²; Fabio Ricardo Marin4.
N°12618
RESUMO
Um dos fatores essenciais para se conseguir uma máxima produção agrícola é a
disponibilidade hídrica no solo, e em razão da sua relevância, foi necessária a criação
de ferramentas para realizar o seu monitoramento. Uma destas ferramentas é o
balanço hídrico climatológico que consiste na contabilidade de água no solo em um
dado período, que pode ser realizado em diversas escalas mediante a disponibilidade
dos dados necessários, que variam em função da escala e do método utilizado para
cálculo da evapotranspiração potencial. Este trabalho propõe o aperfeiçoamento de
planilhas para cálculo do balanço hídrico a fim de proporcionar maior rapidez, exatidão
e confiabilidade nos resultados. Todos os cálculos são feitos utilizando-se macros,
sendo necessário informar apenas dados de temperatura, precipitação, latitude e
período referentes ao local para onde o balanço hídrico será calculado. As ferramentas
desenvolvidas foram desenvolvidas para ambiente Windows e Linux, visto que foram
implementadas duas versões distintas, para utilização nas ferramentas Microsoft Excel
e LibreOffice. Adicionalmente, as planilhas foram divididas em função da temperatura
para cálculo da evapotranspiração, esta divisão permite que o cálculo seja feito
utilizando a temperatura média e a temperatura efetiva, que é resultado de uma
fórmula, onde a exatidão da determinação da temperatura para ambientes
superúmidos e áridos é maior em relação à temperatura média.
1. Bolsista Embrapa: Graduação em Eng. Agronômica, UFSCar, Araras-SP.
(joaops@[Link]).
2. Orientadora: Pesquisadora, Embrapa Informática Agropecuária, Campinas-SP
(luciana@[Link]).
3. Colaborador: Embrapa Informática Agropecuária, Campinas-SP.
(duvascon@[Link]).
4. Colaborador: Pesquisador, Embrapa Informática Agropecuária, Campinas-SP.
(fabiomarin@[Link]).
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ABSTRACT
One of the key factors to achieve maximum agricultural production is the soil water
availability, and because of its relevance, it was necessary to create tools for
monitoring it. One of these tools is the climatic water balance which consists in the
accounts is that soil water in a given period, which can be performed at various scales
by the availability of necessary data, which vary depending on the scale and the
method used to calculate the potential evapotranspiration . This paper proposes the
development of spreadsheets to calculate the water balance in order to provide greater
speed, accuracy and reliability in the calculation. Spreadsheets in all calculations are
done using macros, it is necessary to enter only data on temperature, rainfall, latitude
and time for the place where the water balance is calculated. The proposed system for
water balance calculus can be executed in Windows and Linux environments, since
they were implemented in two different versions, for use in Microsoft Excel and
LibreOffice tools. Additionally, spreadsheets are divided according to temperature to
calculate the evaporation. This division allows that calculation can be made using the
average temperature and effective temperature, which is the result of a formula where
the accuracy of determining the temperature in arid environments and super moist is
higher than the average temperature.
INTRODUÇÃO
A produção agrícola mundial varia conforme as características climatológicas
locais. As variações locais podem ser de temperatura, precipitação e/ou radiação
solar. As principais variáveis usadas no estudo de culturas agrícolas são a
temperatura e a precipitação que juntas podem ser utilizadas para o cálculo do
balanço hídrico (PEREIRA, 2005). O balanço hídrico climatológico (BHC) foi
desenvolvido por THORNTHWAITE e MATHER (1955) para determinar o regime
hídrico de um local, sem necessidade de medidas diretas das condições do solo. O
balanço hídrico consiste na contabilidade de todos os ganhos e perdas de água no
solo em um dado período, a fim de se determinar a quantidade de água disponível
para as plantas dentro do período previamente estipulado (PEREIRA, 2005). A
disponibilidade de água no solo afeta processos biológicos e hidrológicos, como o
aproveitamento de água por uma cultura, que pode afetar seriamente o resultado da
produção agrícola. Este cálculo pode ser realizado manualmente assim como pela
utilização de sistemas computacionais.
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Tecnologias computacionais constituem atualmente uma poderosa ferramenta
a serviço da pesquisa científica e no manejo agrícola, sendo utilizados nos mais
variados âmbitos do conhecimento científico e tecnológico. Os sistemas
computacionais viabilizam a realização de tarefas complexas em volumes de dados
muito grandes que são difíceis de serem processados, analisados e visualizados
manualmente, como exemplo, cita-se o uso de programas computacionais para
gerenciar a substituição de máquinas agrícolas (ZANATTA; VARELLA, 2007), à
administração financeira em uma cultura agrícola (DOMINGUES; MARTINS, 2011) e o
uso de insumos na agricultura (CAVALCANTE et al., 2011).
Diante dos avanços tanto no hardware quanto no software, diversas áreas do
conhecimento têm se beneficiado das tecnologias computacionais. Uma área na qual
softwares são amplamente usados é a agrometeorologia, desde o monitoramento
hídrico das culturas, até a elaboração de técnicas de acompanhamento de fenômenos
naturais prejudiciais à prática agrícola e econômica de uma região (LIMEIRA et al.,
2012).
O objetivo deste trabalho foi informatizar o processo de cálculo de balanço
hídrico construindo um aplicativo em planilha que seja dinâmico e satisfaça as
diferentes exigências de escala e tipo de balanço hídrico. Os resultados mostram que
o sistema apresenta facilidade na sua utilização, visto que ao usuário basta apenas
informar os dados coletados, pois todos os cálculos são feitos através dos macros.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi desenvolvido no âmbito de um projeto de pesquisa que tem por
objetivo o monitoramento agrometeorológico dos estados brasileiros. O aplicativo foi
projetado para ser executado nas plataformas Windows e Linux e, para isso, foram
desenvolvidas duas versões, utilizando as ferramentas Microsoft Excel e Libre Office.
Tanto a versão desenvolvida para Windows quanto aquela desenvolvida para
Linux foi dividida em outras duas versões, que diferem uma da outra quanto ao tipo de
entrada de dados de temperatura. Em uma versão, a temperatura a ser inserida
corresponde apenas à temperatura média, ao passo que na versão seguinte os dados
de temperatura devem ser os de temperatura máxima e mínima, para que seja
calculada a temperatura efetiva. Segundo CAMARGO (1999), o emprego da
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temperatura efetiva trouxe melhoras consideráveis na estimativa da ETP para climas
áridos e superúmidos.
O desenvolvimento do aplicativo consistiu na elaboração de macros, que fazem
o cálculo do balanço hídrico mediante o fornecimento de dados de temperatura,
precipitação, latitude e CAD (capacidade de água disponível no solo). Para cada tipo
de balanço hídrico há uma planilha específica em um total de nove planilhas, e
diferentes escalas em que o mesmo foi desenvolvido. As planilhas representam o
balanço hídrico mensal normal, balanço hídrico mensal sequencial, balanço hídrico
mensal de cultivo, balanço hídrico decendial normal, balanço hídrico decendial
sequencial, balanço hídrico decendial de cultivo, balanço hídrico diário normal, balanço
hídrico diário sequencial e balanço hídrico diário de cultivo. Uma décima planilha faz
referência aos dados que precisam ser armazenados ao longo do cálculo, como dados
para plotagem de gráficos e fórmulas de fatores de cálculos, por isso esta planilha
ficou oculta ao usuário.
A diferença entre os tipos de balanço hídrico está na escala utilizada, na
iniciação do cálculo e na utilização do Kc. Para o balanço hídrico do tipo normal, por
se tratar de um período cíclico de um ano, onde todos os valores de janeiro até
dezembro devem aparecer, deve ser aplicada uma rotina de iniciação do cálculo do
balanço hídrico, rotina esta que é aplicada em função das somas de P-ETP
(Precipitação menos Evapotranspitação). No balanço hídrico do tipo sequencial não
cabe este cálculo de iniciação, porém para o seu desenvolvimento é necessário partir
de um momento em que o armazenamento de água é pleno. O balanço hídrico de
cultivo segue os moldes do balanço hídrico sequencial, porém este leva em conta o Kc
para determinação da evapotranspiração da cultura (citar aquele livro da Angélica
onde existem os diferentes Kcs de culturas).
No processo de cálculo do balanço hídrico, é necessária a determinação da
evapotranspiração potencial, que foi feita pelo método de Thornthwaite (1948). Este
método foi escolhido, pois de todos os outros pesquisados na literatura, foi o que
apresentou a menor variedade de dados necessários. Outros métodos, tais como o de
Penman-Monteith (ALLEN et al.,1994), de Hargreaves-Samani (HARGREAVES,1974)
e de Linacre (LINACRE, 1977) por exemplo, necessitam de uma maior quantidade de
dados para estimativa da evapotranspiração potencial que podem não estar
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disponíveis na maior parte das estações meteorológicas espalhadas pelo Brasil, e
caso estes métodos fossem utilizados, a aplicabilidade seria muito reduzida.
A estrutura das planilhas de balanço hídrico é semelhante. Consiste em listas
de seleção de anos e meses iniciais e finais para se determinar o período de cálculo e
três botões de ação, para inserir os dados após a escolha do período, realizar o
cálculo de balanço hídrico após inserção de dados e para voltar ao menu de seleção
do tipo de balanço hídrico (Figura 1 e Figura 2).
Figura 1. Menu - Seleção de período de cálculo e botões de ação da planilha para
balanço hídrico normal.
Figura 2. Menu - Seleção de período de cálculo e botões de ação da planilha para
balanço hídrico sequencial e de cultivo.
Nos macros desenvolvidos nas planilhas, o cálculo do balanço hídrico foi
dividido em fases, pois como o resultado é em formato de tabela, o valor a ser
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calculado para uma coluna necessita que os valores de colunas anteriores já estejam
determinados.
A primeira fase para o cálculo do balanço hídrico é a determinação do
fotoperíodo, seguido pela determinação da evapotranspiração calculada pelo método
de Thornthwaite (1948). A seguir, inicia-se de fato o cálculo do balanço hídrico de
Thornthwaite e Mather (1955). Este cálculo foi dividido em fases, estas devendo ser
realizadas na ordem. As determinações de valores se iniciam na coluna P-ETP
(Precipitação menos Evapotranspiração potencial), seguida pelo cálculo simultâneo
das colunas Neg. Acum. (Negativo Acumulado) e ARM (Armazenamento de água no
solo), passando depois para a determinação das colunas ALT (Alteração no
armazenamento), ETR (Evapotranspiração real), DEF (Deficiência hídrica) e EXC
(Excedente hídrico) (Figura 3).
Figura 3. Tabela de balanço hídrico calculado.
O cálculo de balanço hídrico se finaliza após o cálculo das colunas. O último
passo a ser seguido é a plotagem dos gráficos de análise. Quatro gráficos são
construídos com os dados calculados, que mostram a deficiência hídrica x excedente
hídrico no solo, capacidade de água disponível (CAD) x armazenamento real de água
no solo, chuva x evapotranspiração real e potencial e o excedente hídrico x deficiência
hídrica x retirada de água do solo x reposição por chuva.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O aplicativo desenvolvido difere daquele desenvolvido anteriormente por Rolim
et al. (1998) pois este é um método dinâmico, onde o usuário pode construir o balanço
hídrico para qualquer localidade em que haja uma quantidade de dados suficiente para
tal. A validação das planilhas implementadas foi feita por pesquisadores da Embrapa
Informática Agropecuária e do IAC após explicação de funcionalidade e demonstração
de utilização. As Figuras de 4 a 7, representam os gráficos resultados do cálculo do
balanço hídrico mensal normal para o município de Leme-SP, para o ano de 2011.
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Figura 4. Gráfico de Deficiência hídrica x Excedente hídrico para balanço hídrico
mensal normal.
Figura 5. Gráfico de CAD (Capacidade de água disponível) x Excedente Hídrico
para balanço hídrico mensal normal
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Figura 6. Gráfico de P (Precipitação) x ETP (Evapotranspiração potencial) x ETR
(Evapotranspiração real) para balanço hídrico mensal normal.
Figura 7. Gráfico de EXC (Excedente hídrico) x DEF (Deficiência hídrica) x RET
(Retirada de água) x REP (Reposição por chuva) para balanço hídrico mensal normal.
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CONCLUSÃO
A proposta do trabalho foi desenvolver uma aplicação capaz de realizar o
cálculo do balanço hídrico climatológico de Thornthwaite & Mather, 1955 e para tal
foram implementados macros em planilha eletrônica que o fizessem de maneira rápida
e simples para o usuário. Baseado nisso, foi desenvolvida uma aplicação onde não é
necessário que o usuário conheça as regras e fórmulas de cálculo de balanço hídrico,
bastando que este tenha em mãos dados coletados de estações meteorológicas para
a escala desejada. A validação das planilhas implementadas foi feita por
pesquisadores e, segundo avaliação dos usuários, o aplicativo foi considerado de fácil
e rápida utilização, e também foram notadas correções de cálculo em relação a
aplicativos de cálculo de balanço hídrico anteriormente desenvolvidos.
AGRADECIMENTOS
A Embrapa Informática Agropecuária, pela oportunidade de estágio; A
Embrapa Café; Ao IAC; A Fundação ProCafé.
REFERÊNCIAS
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of reference evapotranspiration. ICID Bulletin, New Delhi, v.43, n.2, p.35-90, 1994
CAMARGO, A.P.; MARIN, F.R.; SENTELHAS, P.C.; PICINI, A.G. Ajuste da equação
de Thornthwaite para estimar a evapotranspiração potencial em climas áridos e
superúmidos, com base na amplitude térmica diária. Revista Brasileira de
Agrometeorologia, Santa Maria, v.7, n.2, p.251-257, 1999.
CAVALCANTE, Jose Airton Chaves et al. Usos de recursos na dose certa: uma
ferramenta computacional para otimização agrícola. Rev. Sistemas & Gestão, Rio de
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