O Pensamento Humano
O pensamento é um fenômeno exclusivamente humano. Por meio
dele, podemos planejar o futuro, relembrar o passado ou entender o
presente. Ele nos permite antecipar nossas ações, deliberar e agir
intencionalmente. É também, por intermédio do pensamento, que
podemos entrar na dimensão da imaginação e do simbólico.
Portanto, sem negar o empirismo, o ato de pensar pode nos levar a
construir conhecimentos conceituais ou científicos. O pensamento,
que atua por estágios, mediante um encadeamento ou conexão de
ideias e formação de juízos, baseia-se em raciocínios os quais nos
conduzem à determinada conclusão em um processo de construção
de conhecimento.
Há, basicamente, dois tipos de pensamento, a saber: o pensamento
concreto e o pensamento abstrato.
Pensamento Concreto
O pensamento concreto se constitui por meio da percepção, mediante
os órgãos dos sentidos, sendo uma representação de objetos reais
que estão no campo de nossa percepção.
Pensamento Abstrato
Já o pensamento abstrato, é fruto de um processo mental de
abstração, de desligamento do real e que só existe enquanto ideia. O
pensamento abstrato estabelece relações entre as coisas; com ele,
podemos construir conceitos e noções gerais e abstratas. Esse tipo de
pensamento precisa da mediação da linguagem para ser construído.
A Linguagem Humana
Quando abordamos o tema linguagem, alguns aspectos devem ser
ressaltados. O primeiro deles, refere-se ao tipo de linguagem, que
pode ser verbal ou não-verbal. A linguagem verbal é aquela que se
apropria da palavra falada ou escrita para existir; e a não verbal é
aquela linguagem que se apropria de outros signos para existir, tais
como o desenho, a imagem, o gesto ou a expressão facial.
Morin (1975), quando tenta aclarar o processo de hominização dos
indivíduos, identifica, entre outros fatores, a linguagem como
elemento fundamental nesse processo, levou alguns milhões de anos
até chegar ao estágio atual. Presume-se que os Antropoides surgiram
há 10 milhões de anos, mas que a linguagem humana surgiu apenas
com o aparecimento do Homo sapiens, por volta de 100 a 50 mil anos
a.C.
Nota-se que, para o autor, o processo de hominização é complexo.
Ele ainda continua seus argumentos sobre o tema, afirmando que,
além do tempo, fatores genéticos e cerebrais, e outros, como a
socialização, o ecossistema e a práxis dos indivíduos são influências
recebidas nesse processo de transformação dos indivíduos em
homens.
Processo de hominização dos indivíduos
O Desenvolvimento Humano
“O desenvolvimento, portanto, é uma equilibração progressiva, uma
passagem contínua de um estado de menor equilíbrio para um estado
de equilíbrio superior.”
Fonte: PIAGET, 1972, p. 11
“É, portanto, em termos de equilíbrio que vamos descrever a
evolução da criança e do adolescente. Deste ponto de vista, o
desenvolvimento mental é uma construção contínua, comparável à
edificação de um grande prédio que, à medida que se acrescenta
algo, ficará mais sólido, ou à montagem de um mecanismo delicado,
cujas fases gradativas de ajustamento conduziriam a uma
flexibilidade e uma mobilidade das peças tanto maiores quanto mais
estável se tornasse o equilíbrio.”
Fonte: PIAGET, 1972, p. 12
Dessa forma, observamos nas citações apresentadas, a defesa da
ideia de que o ser humano se desenvolve na construção de estruturas
mentais ou orgânicas que buscam o processo de equilíbrio entre
forças. É importante salientar que esse desenvolvimento está envolto
em duas dimensões: uma mais flexível e móvel, e outra mais sólida.
Logo após o nascimento, a vida mental se restringe a tentativa de
organização sensório-motora com fundo hereditário e instintivo da
própria manutenção do organismo, como, por exemplo, o
comportamento de sucção dos recém-nascidos, a nutrição e o sono.
Wallon e o Desenvolvimento da Criança
Henri Wallon nasceu na França em 1879 e morreu em 1962. Médico,
psicólogo e político francês, tinha o marxismo como convicção. Ele
participou da Primeira e da Segunda Guerra Mundial como médico.
Wallon foi, também, professor na Universidade Sorbonne, em Paris.
Atuou como médico de instituições psiquiátricas, demonstrando
interesse pela Psicologia Infantil.
Importante
Apesar de seu vínculo com a Medicina e com a Psicologia, sua teoria
foi apropriada pela área educacional e é fundamento de inúmeras
reflexões e práticas educacionais na atualidade. A visão interacionista
da educação tem como um de seus pilares as contribuições de
Wallon.
Wallon entendeu o desenvolvimento infantil em estágios que se
estabelecem não de forma estanque, mas os quais se complementam
sucessivamente, ou seja, o fim de um estágio acontece
paralelamente ao início de outro, momento em que notamos, ao
mesmo tempo, características de um e de outro estágio na mesma
criança.
Ainda, para ele, o surgimento de um novo estágio não suprime o
estágio anterior, apenas o modifica. O desenvolvimento humano não
acontece de forma linear e passa por avanços e retrocessos de forma
dialética.
A predominância atual não extingue por completo a predominância
anterior. Determinados aspectos permanecem, de forma dialética, no
desenvolvimento humano, e isso se refere ao desenvolvimento
mental e orgânico dos indivíduos.
A predominância atual não extingue por completo a predominância
anterior. Determinados aspectos permanecem, de forma dialética, no
desenvolvimento humano, e isso se refere ao desenvolvimento
mental e orgânico dos indivíduos.
Estágio Impulsivo-Emocional
Este estágio ocorre do nascimento até o primeiro ano de vida, período
em que a criança se mostra extremamente dependente do adulto.
Estágio Sensório-Motor e Projetivo
Neste estágio, aparecem os movimentos exploratórios, e a criança
passa a conhecer o mundo a sua volta mediante a manipulação de
objetos.
Estágio do Personalismo
Como o próprio nome indica, este é um estágio em que a
personalidade será formada.
Estágio Categorial
Neste estágio, a criança inicia o desenvolvimento da memória, da
atenção voluntária e da abstração.
Estágio da Adolescência
A puberdade traz com ela diversas transformações físicas,
psicológicas e afetivas.
Wallon e o Pensamento da Criança
Wallon, em sua teoria, aponta dois tipos de pensamento no
desenvolvimento infantil: o pensamento sincrético e o
pensamento categorial. Se conversarmos com crianças pequenas,
veremos que, por vezes, deparamo-nos com frases inusitadas, como
“amanhã você vai lá hoje” ou “desliga a chuva”. Parece sem lógica?
Uma lógica adulta, talvez!
Ao lermos a obra de Wallon, entendemos que a criança tem uma
lógica própria, que permite a reunião de diferentes verdades, um
pensamento singular e de difícil compreensão pela sua complexidade,
pela mistura de realidade e fantasia. Entretanto, é um pensamento
que a impulsiona a entrar no mundo da brincadeira, no mundo do faz-
de-conta, fundamental para o ser criança.
Pensamento sincrético: refere a fusão de diversos elementos,
permitindo diferentes configurações na acomodação entre esses
elementos.
Pensamento Categorial: nos primeiros meses de vida, a percepção
do bebê ainda não é clara. À medida que novas vivências e
informações vão acontecendo, o pensamento da criança vai se
aprimorando.
O desenvolvimento do pensamento da criança ocorre em um
movimento evolutivo que vai do pensamento sincrético ao
pensamento categorial, permitindo uma reelaboração da sua
percepção do mundo.
Jean Piaget e o Desenvolvimento da Criança
Piaget (1896-1980) se destaca como grande
pensador da matriz do conhecimento denominada
interacionismo. Ele entende o desenvolvimento
humano, orgânico ou mental em estágios que se
sucedem durante a vida. Segundo Piaget, o
pensamento humano é influenciado por fatores
referentes à sua capacidade cognitiva e às
influências que recebe do meio em que o indivíduo
vive.
Ao lermos a obra de Piaget, compreendemos que a periodização e as
idades referentes a um determinado período são referenciais e não
fixas; o tempo de duração dos períodos depende de fatores genéticos
e sociais. A vida escolar de uma criança, suas relações educacionais e
o próprio conhecimento, com certeza, influenciam o tempo de
duração de cada período.
Agora, observe a Figura a seguir, a fim de compreendermos melhor o
desenvolvimento humano para Piaget:
Período Sensório-Motor
Neste estágio, a criança busca ampliar o controle motor e conhecer
os objetos que a rodeiam.
Período Pré-Operatório
Nesta fase, o surgimento da linguagem acarreta inúmeras
transformações nos aspectos afetivo, cognitivo e social da criança.
Período das Operações Concretas
Superando o pensamento egocêntrico predominante no estágio
anterior, a criança experimenta o pensamento lógico.
Período das Operações Formais
Uma característica peculiar desta fase é a passagem do pensamento
concreto para o pensamento formal e abstrato. Por meio do
pensamento abstrato, o adolescente é capaz de realizar operações no
plano das ideias, construindo conceitos como liberdade, democracia e
justiça.
Considerações Finais
Chegamos ao final desta Unidade conhecendo as contribuições de
Piaget e Wallon para a melhor compreensão do desenvolvimento
humano, principalmente do desenvolvimento infantil, ao qual deram
um destaque especial. Cabe salientar que, suas teorias serviram de
base para a construção de muitas outras teorias educacionais.
Por intermédio de suas teorias, compreendemos como a criança
formula suas hipóteses de pensamento e podemos constatar o
desenvolvimento das capacidades simbológica e linguística nos
pequenos. Com esse conhecimento, enquanto profissionais da
educação, poderemos aperfeiçoar o planejamento da ação
pedagógica que iremos desenvolver em nossa prática educativa,
adequando os conteúdos a serem trabalhados aos objetivos, os quais
deverão atender às capacidades próprias de cada período do
desenvolvimento do aprendiz.
O aporte da visão interacionista, nos estudos a respeito do
desenvolvimento humano, garante uma visão crítica e uma
abordagem mais global do indivíduo, o que é fundamental no
processo educacional. Ao analisarmos as interações sociais, dentro do
contexto específico do processo de ensino/aprendizagem,
compreendemos que conhecer o desenvolvimento cognitivo e
orgânico das crianças permite uma melhor compreensão do sujeito de
nossa ação pedagógica.