Ádria Silva Guimarães
ANAFILAXIA
PEDIATRIA
CONCEITO
É uma reação multissistêmica de início agudo e potencialmente fatal.
Choque anafilático
É a situação de anafilaxia na qual existe choque, ou seja, comprometimento da perfusão periférica.
Lembrando que na Pediatria não é necessário ter hipotensão para caracterizar choque.
FISIOPATOLOGIA
Mecanismos
➔ Imunológicos: resultado de um evento classicamente alérgico, reação de hipersensibilidade
o Mediados IgE: os mais clássicos e bem descritos. São pacientes que te anticorpos da classe
IgE contra um alérgeno. O contato com o alérgeno deflagram a reação dos anticorpos, os
quais fazem as células (mastócitos, basófilos) se degranularem, liberando mediadores
inflamatórios, como histamina, triptase etc., resultando nas alterações clínicas que compõem
o quadro de anafilaxia. É o mecanismo mais clássico.
o Não mediados por IgE
➔ Não imunológicos: não ocorrem por meio de um anticorpo, mas sim por fatores físicos, como
exercícios, exposição a frio e medicamentos, os quais promovem a degranulação das células, mesmo
sem envolver a participação dos anticorpos.
Alérgenos
Principais (crianças) são os alimentos, em especial <10 anos de idade. Podem ser vários alimentos.
• Crianças menores de 2 anos: proteína de leite de vaca ou ovo.
o OBS: a APLV e a alergia ao ovo não necessariamente dura toda a vida, pois é comum que os
indivíduos se tornem tolerantes com a exposição.
• A partir dos 2 anos: alimentos do grupo das oleaginosas.
• A partir dos 10 anos: os principais alérgenos são medicamentos e venenos de inseto.
DIAGNÓSTICO
É totalmente clínico. Pode ser dado com base em dois critérios diferentes.
Critério 1: início agudo (minuto-horas) de envolvimento cutâneo/mucoso e um ou mais de:
o Comprometimento respiratório
o PA reduzida ou disfunção de órgão-alvo (exemplo: síncope)
o Quadro gastrointestinal grave (dor abdominal intensa, náuseas/vômitos)
OBS: observe que não há necessidade de identificação de exposição a alérgeno.
Critério 2: paciente que apresenta hipotensão ou broncoespasmo ou envolvimento laríngeo
(exemplo: presença de estridor) APÓS exposição a alérgeno conhecido ou altamente provável.
o Exemplo: paciente que te alergia a amendoim e que consumou e começa a apresentar sibilos
ou estridores.
o Exemplo: paciente que foi picado por abelha e tem estridor.
Exames laboratoriais
O objetivo não é diagnosticar, mas sim corroborar o diagnóstico (ainda que esse seja totalmente clínico, é
interessante fazer a análise laboratorial).
Triptase: mediador inflamatório liberado. Aumenta de forma importante de 15 mina até 3h após o
início do quadro clínico. Quando está aumentada, é um dado que reforça a suspeita. Mas níveis
normais de triptase não afasta a possibilidade diagnóstica de anafilaxia.
TRATAMENTO
Inicialmente: estabilização com ABC.
Uma vez reconhecido o quadro, devemos administrar a adrenalina IM não diluída (1:1.000 ou 1
mg/ml) imediatamente. Essa é a grande intervenção na anafilaxia, é a prioridade!
o Dose: 0,01 mg/kg (até 0,3mg em crianças e 0,5mg em adultos).
o Alguns pacientes precisam de mais de uma dose, como pacientes que tem quadros de asma.
o Está errado administrar SC! A regra é IM.
o Padrão: fazer no vasto lateral da coxa.
Posicionar o paciente
o Decúbito dorsal com elevação dos membros: alguns textos recomendam, mas certas diretrizes
questionam essa recomendação. Na prática, orientar a posição se não houver piora do
desconforto respiratório ao ser posicionado dessa maneira.
o Orientar a não mudar de posição de forma rápida: na anafilaxia ocorre a vasodilatação com
extravasamento de líquido e a redução do débito cardíaco. A modificação rápida da posição
pode gerar a súbita diminuição do retorno venoso. Ocorre a síndrome do ventrículo vazio
ou da veia cava vazia. Pode culminar em uma parada cardiorrespiratória.
Ressuscitação volêmica: não é para todos. Apenas para aqueles mais hipotensos e com
comprometimento cardiovascular mais evidentes. Feita com solução cristaloide
Broncodilatadores: indicados principalmente para pacientes com broncoespasmo refratário a
adrenalina inicialmente feita. Mas não é a primeira linha de tratamento (segunda linha).
Terceira linha de tratamento
Anti-histamínicos
Corticosteroides: prevenir a ocorrência de um quadro bifásico, ou seja, há o episodio inicial e, várias
horas após, volta a ocorrer. Porém, o papel desses medicamentos é altamente questionável
Deixar o paciente sob observação por algumas horas após o tratamento.
Recomendações na alta
• Orientar a evitar contato com o alérgeno
• Orientar a carregar consigo a adrenalina auto injetável e orientar a usar
• Encaminhar ao alergologista