Tribunal de Justiça do Estado do Pará - 1º Grau
PJe - Processo Judicial Eletrônico
17/10/2024
Número: 0821856-44.2024.8.14.0401
Classe: AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE
Órgão julgador: Vara de Inquéritos Policiais de Belém
Última distribuição : 14/10/2024
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Tráfico de Drogas e Condutas Afins, Associação para a Produção e Tráfico e Condutas
Afins
Nível de Sigilo: 0 (Público)
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Advogados
SAO BRAS - 2º SECCIONAL -1º RISP- 2ª AISP
(AUTORIDADE)
JAMILLE DE ANDRADE DUARTE (FLAGRANTEADO) STEPHANIE GABRIELLE CUNHA DOS SANTOS
(ADVOGADO)
LEONARDO VICTOR CARDOSO TRINDADE SANTOS
(FLAGRANTEADO)
Outros participantes
MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO PARÁ (FISCAL DA
LEI)
Documentos
Id. Data Documento Tipo
129193799 14/10/2024 Decisão Decisão
10:30
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
JUÍZO DA VARA DE PLANTÃO CRIMINAL DE BELÉM
DECISÃO
AUTOS nº: 0821856-44.2024.8.14.0401
AÇÃO: Auto de Prisão em Flagrante
FLAGRANTEADOS(A): LEONARDO VICTOR CARDOSO TRINDADE
SANTOS
JAMILLE DE ANDRADE DUARTE
CAPITULAÇÃO PENAL: Art. 33 da Lei 11.343/2006.
DECISÃO INTERLOCUTÓRIA
Trata-se de prisão em flagrante comunicada a este juízo pela Autoridade Policial, que notícia a prisão em flagrante de
LEONARDO VICTOR CARDOSO TRINDADE SANTOS e JAMILLE DE ANDRADE DUARTE pela suposta prática do
crime previsto no Art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (Tráfico de entorpecentes), ocorrido em 13/10/2024, por volta das 21h40.
Consta do auto que os nacionais, acima qualificados, foram abordados, na data e hora acima menciona, por ronda policial e flagrados
comercializando uma substância petrificada, amarelada semelhante ao entorpecente conhecida vulgarmente como OXI (52 petecas),
mais um montante em dinheiro.
A autoridade policial representou pela prisão preventiva.
Pelo contido no procedimento, a prisão em flagrante retratada obedeceu ao disposto no art. 302, I, do Código de Processo Penal,
também presentes as demais formalidades exigidas pela lei, pelo que decido pela HOMOLOGAÇÃO DO AUTO.
Passo neste momento, em atenção à nova sistemática quanto à prisão, das medidas cautelares e da liberdade provisória introduzidas
pela Lei nº 12.403/2011, à análise e aplicação da medida mais adequada ao caso versado.
Dispõe o art. 310, do Código de Processo Penal, que ao receber o auto de prisão em flagrante o juiz deverá fundamentadamente
verificar a possibilidade do relaxamento da prisão ilegal ou converter a prisão em flagrante em preventiva quando presentes seus
requisitos, caso não seja possível a substituição por outra medida.
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Ressalta-se que o autuado LEONARDO VICTOR CARDOSO TRINDADE SANTOS responde pelo mesmo crime (tráfico de
entorpecentes) nos autos de nº 0805012-87.2022.8.14.0401 (4ª Vara Criminal de Belém) e ao processo de execução criminal nos
autos de nº 20057816020238140401 (VEP), o que revela a periculosidade do agente e a sua contumácia criminosa, visto que, mesmo
diante de punição anterior, não foi dissuadido de continuar em prática criminosa, evidenciando risco contínuo à ordem pública e à
segurança da sociedade.
Ademais, foram apreendidas com os autuados cerca de 52 “petecas” de entorpecente, totalizando 10 gramas de cocaína (Laudo
Pericial nº 2024.01.003869-QUI).
A quantidade de droga apreendida, o fracionamento da substância e a conjuntura fática do flagrante, bem como seus antecedentes,
denotam, em conjunto, que os autuados adotam o tráfico de drogas como meio de vida, o que evidencia a gravidade concreta da
conduta dos agentes e o risco real de reiteração, indicando ser contumazes na prática desse delito, merecendo, pois, que a presente
prisão seja convertida em preventiva.
Importante ressaltar que é notória a gravidade do crime de tráfico de drogas, posto apresentar correlação e influição na violência
urbana, em vista da compulso econômica, conjugada com os efeitos psicofarmacológicos que o consumo de entorpecentes provoca,
bem como, posto o sistema de mercados organizados sustentado pela comercialização de substâncias ilícitas.
Assim, o comércio de drogas ilícitas serve como motivação para outras transgressões, tais como, homicídios, roubos, furtos,
formação de associações criminosas e milícias privadas, destruindo famílias, perturbando a ordem social e causando temor nas
pessoas que se veem cercadas pelos pontos de vendas de entorpecentes.
Vê-se, ainda, que nenhuma das medidas cautelares diversas da prisão a serem aplicadas ao conduzido se mostram suficientes ou
adequadas, em virtude do exposto.
Neste sentido, é iterativa a jurisprudência dos Tribunais Superiores, a exemplo do HC 106856/PA, Rel. Ministra Rosa Weber, julgado
em 05/06/2012; HC 111528/ES, Rel. Ministra Carmem Lúcia, julgado em 11/09/2012, ambos do STF, e dos HC 236609/MG, Rel.
Ministro Marco Aurélio Belize, DJe 22/06/2012, e HC 232257, Rel. Ministro Gílson Diap, DJe 20/06/2012.
HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NO CABIMENTO. TRÁFICO DE
ENTORPECENTES. PRISÃO EM FLAGRANTE CONVERTIDA EM PREVENTIVA.
FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. PERICULOSIDADE DO AGENTE. NATUREZA E
QUANTIDADE DE DROGA APREENDIDA. ENVOLVIMENTO DE MENOR. NECESSIDADE DE
GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. MEDIDAS CAUTELARES ALTERNATIVAS.
INSUFICIÊNCIA. FLAGRANTE ILEGALIDADE NO EVIDENCIADA. ORDEM NO CONHECIDA.
1. Diante da hipótese de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, a impetração no deve ser
conhecida, segundo orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal - STF e do próprio Superior
Tribunal de Justiça - STJ. Contudo, considerando as alegações expostas na inicial, razoável a análise do
feito para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal. 2. Em vista da natureza excepcional
da prisão preventiva, somente se verifica a possibilidade da sua imposição quando evidenciado, de
forma fundamentada e com base em dados concretos, o preenchimento dos pressupostos e requisitos
previstos no art. 312 do Código de Processo Penal - CPP. Deve, ainda, ser mantida a prisão antecipada
apenas quando no for possível a aplicação de medida cautelar diversa, nos termos previstos no art. 319
do CPP. 3. No caso dos autos, verifico que a prisão preventiva foi adequadamente motivada, tendo sido
demonstrada, com base em elementos concretos, a gravidade concreta da conduta e a maior
periculosidade da paciente, evidenciadas pela natureza e quantidade de droga apreendida - 28 pedras de
crack -, o que, somado ao fato de a conduta ter sido perpetrada com a ajuda de um adolescente, revela a
necessidade da custódia cautelar para garantia da ordem pública. 4. Inaplicável medida cautelar
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alternativa quando as circunstâncias evidenciam que as providências menos gravosas seriam
insuficientes para a manutenção da ordem pública. Habeas corpus no conhecido (STJ - HC: 408289 TO
2017/0172000-5, Relator: Ministro JOEL ILAM paciencioso, Data de Julgamento: 24/10/2017, T5 -
QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe 09/11/2017)
PROCESSO PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS.
PRISÃO PREVENTIVA. NECESSIDADE DE GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. RISCO DE
REITERAÇÃO DELITIVA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NO CARACTERIZADO. RECURSO
ORDINÁRIO NO PROVIDO. 1. A prisão preventiva, nos termos do art. 312 do Código de Processo
Penal, poderá ser decretada para garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que presentes prova da existência do
crime e indícios suficientes de autoria. 2. No caso, apesar da pequena quantidade de droga apreendida -
5 gramas de crack e 3 gramas de maconha -, a prisão preventiva do recorrente está suficientemente
fundamentada na necessidade de garantia da ordem pública, como forma de evitar a reiteração delitiva,
pois, conforme consignado no decreto preventivo, ele, ainda que tecnicamente primário, possui
condenação sem trânsito em julgado pelo crime de tráfico de drogas e associação para o tráfico. 3. É
inviável a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, porquanto a periculosidade do recorrente
indica que a ordem pública no estaria acautelada com sua soltura. 4. Apenas a concluso do processo será
capaz de revelar se o acusado será beneficiado com a fixação de regime prisional diverso do fechado,
sendo inviável essa discussão neste momento processual. 5. Recurso desprovido.(STJ - RHC: 100113
MG 2018/0162697-2, Relator: Ministro RIBEIRO DANTAS, Data de Julgamento: 02/10/2018, T5 -
QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe 10/10/2018)
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PRISÃO
PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO. GRAVIDADE CONCRETA. PERICULOSIDADE SOCIAL
(APREENSO DE MACONHA E COCAÍNA). RISCO DE REITERAÇÃO. NECESSIDADE DE
GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. RECURSO DESPROVIDO. 1. Para a decretação da prisão
preventiva, é indispensável a demonstração da existência da prova da materialidade do crime e a
presença de indícios suficientes da autoria. Exige-se, mesmo que a decisão esteja pautada em lastro
probatório, que se ajuste às hipóteses excepcionais da norma em abstrato (art. 312 do CPP),
demonstrada, ainda, a imprescindibilidade da medida. Precedentes do STF e STJ. 2. O decreto de prisão
preventiva foi mantido pelo Tribunal estadual em razão da periculosidade social do recorrente,
evidenciada pelas circunstâncias concretas extraídas do flagrante - foi preso com 18, 04g de cocaína,
acondicionados em 43 pendoras e 9,28g de maconha, embalados em 6 porções distintas, além de ser
reincidente. Ausência de constrangimento ilegal. Precedentes. 3. Recurso ordinário em habeas corpus a
que se nega provimento.(STJ - RHC: 102836 SP 2018/0234167-0, Relator: Ministro REINALDO
SOARES DA FONSECA, Data de Julgamento: 16/10/2018, T5 - QUINTA TURMA, Data de
Publicação: DJe 26/10/2018).
Por todo exposto, defiro a representação da autoridade policial, converto a prisão em flagrante em PRISÃO PREVENTIVA de
LEONARDO VICTOR CARDOSO TRINDADE SANTOS JAMILLE DE ANDRADE DUARTE, nos termos do art. 310, inciso
II e art. 312 c/c art. 313, inciso II, todos do CPP.
Oficie-se à VEP informando da prisão preventiva do autuado Leonardo Victor Cardoso Trindade Santos.
SERVIRÁ O PRESENTE, COMO MANDADO DE PRISÃO/OFÍCIO, CONFORME AUTORIZA O PROVIMENTO Nº
013/2009 – CRM, devendo o referido mandado ser cadastrado no sistema BNMP.
Quanto à incineração da droga, em atenção à novel redação conferida a Lei 11343/06, em especial o §3º, do Art.
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50 da referida lei, verifico a regularidade do laudo de constatação, autorizo a incineração da droga apreendida, devendo ser
resguardada porção em quantidade suficiente para Laudo definitivo e contraprova. A incineração deverá ser executada pela
autoridade policial no prazo de quinze dias e na presença do Ministério Público e autoridade sanitária, devendo ser lavrado
auto circunstanciado pelo delegado de polícia.
Cientifico a autoridade policial os termos dessa decisão, assim como para que conclua o inquérito no prazo de lei.
Cientes o Ministério Público e a Defesa.
P.R.I.C., expedindo-se o necessário.
Belém (PA), 14 de outubro de 2024.
DEOMAR ALEXANDRE DE PINHO BARROSO.
Juiz de Direito Plantonista.
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