Yoga – Treina a postura que você tem frente ao mundo, frente a vida.
Durante a meditação
treina-se a postura física do corpo e a postura da mente (consciência). é um caminho de
oito passos, para atingir a verdadeira sabedoria.
8 ramos do Yoga (Angas):
1. Yama (regras de conduta para lidar com o mundo exterior - códigos
morais)
Yoga
2. Niyama (regras de conduta para lidar com o seu mundo interior)
externo
3. Asana (posição, postura)
4. Pranayama (controle da respiração)
Yoga
5. Pratyahara (controle dos sentidos)
interno
Yoga
interno 6. Dharana (concentração)
(Samyam 7. Dhyana (meditação)
a) 8. Samadhi (contemplação, autoconhecimento pleno, megalucidez)
A parte externa do Yoga, relaciona-se mais com o nosso contacto com o mundo e podem ser
observados de fora. A parte mais interna dessa prática, são três aspetos da meditação, como
três fios numa trança, em que não conseguimos falar onde exatamente começa um ou outro.
Yama e Niyama é aquilo que eu estimulo em mim, estimulo o contentamento com a
existencia e não estimulo a violencia, são várias regras que estimulo para viver bem ser feliz
com as pessoas e o mundo, viver uma vida etica.
Pranayama - Os exercícios respiratórios (através do ar que se respira) permitem a
circulação da energia vital universal (prana) pelo corpo.
Pratyahara - abstenção dos sentidos, na pratica de yoga a postura é dolorosa, aprendemos a
lidar com a dor e com o desconforto, chega a uma altura que a dor deixa de ser
desconfortável, começamos a controlar os nossos sentidos, deixamos de lutar contra eles,
deixamos de estar em dualidade com a realidade. É como em tudo na vida, enquanto eu
estiver lutando com a realidade, querendo ganhar alguma coisa, ela leva sempre vantagem e
eu vou perder, quando eu me deixar ir e fluir como o fluxo da existência, e começar a fazer
as coisas com o coração, as coisas começam a funcionar.
Dharana - plena atenção, concentração, aprender a se concentrar, a ter foco, cessar as
flutuações da mente, tornar a mente calma como um lago em dias sem vento, nos dias de
hoje muita gente tem défice de atenção, então está na moda fazer cursos de mindfulness.
Quando conseguir dominar a sua concentração você vai chegar a um estado que se chama
Dhyana que é o ZAZEN.
O que nos interessa é atingir a sabedoria que nos permite romper com padrões de
comportamento, que muitas vezes nos levam a agir automaticamente, sem benefícios para
ninguém.
Hoje em dia, a palavra meditação é muito usada, mas o que significa realmente? Sentar em
silêncio, com os olhos fechados? Sem nenhum tipo de preparação, esse é o cenário ideal
para que comece um diálogo interno, uma batalha sem cessar entre nossa vontade de
meditar e nossos pensamentos sem controle. Exatamente por isso, precisamos dos cinco
Angas anteriores, para purificar nossas ações, corpo e mente. Claro que sempre é valido
sentar e observar nossa mente, nem que seja para nos darmos conta de como esta é
tumultuada e de quanto trabalho ainda temos pela frente se realmente a queremos acalmar.
Mas Samyama não é algo que simplesmente possamos sentar e fazer porque o decidimos.
Não é uma técnica, mas algo que precisa acontecer naturalmente. Uma melhor tradução
poderia ser integração, união. Mas do quê com quê? De nossa identidade pessoal com o
objeto escolhido, do eu individual com o Eu absoluto. Parece muito abstrato, mas fica mais
claro quando compreendemos suas três partes.
Dharana, ou concentração, é feita quando conseguimos focar num objeto, mas ainda de
forma intermitente e variável. Temos percepção do que se passa ao nosso redor e afloram
pensamentos que requerem certo esforço para serem afastados, ás vezes até sobre
diferentes aspetos do objeto no qual nos concentramos. Surge quando algo prende a nossa
atenção, como quando aprendemos a tocar um instrumento musical. Na prática de Asanas é
muitas vezes atingido, quando estamos totalmente concentrados nos diferentes aspetos da
postura ou da respiração.
Dhyana, também traduzido como foco contínuo, acontece naturalmente quando a
concentração se alonga e os pensamentos deixam de aparecer. É muitas vezes comparado a
um fluxo de óleo, que corre sem interferências. Também pode surgir em plena prática de
Asanas, quando nos tornamos um com a postura. Pode reverter para Dharana, quando, por
exemplo, nossa atenção vai para o colega do lado.
Samadhi é um estado de total absorção pelo objeto, em que perdemos nossa identidade
pessoal. Quando aquilo que é compreendido, o objeto de compreensão e aquele que
compreende se tornam um.
Passamos por diferentes Dharana, Dhyana e samadhis na nossa vida (Quando nos perdemos
olhando um pôr-do-sol magnifico, quando temos essa sensação de total comunhão com outra
pessoa, quando sentimos que deixamos de saber quem somos, num estado de consciência
alterado, transe hipnótico induzido por drogas), mas são breves, efêmeros e muitas vezes
com qualidades baixas. Para o praticante de Yoga, interessa o Samadhi que traz sabedoria,
clareza e luz. Por isso o Samadhi só pode ser atingido com prática e renúncia, sem apegos
ou distrações e vai muito para além do conhecimento obtido em livros e que inicia uma nova
vida.
Samadhi apenas está ao alcance daqueles que praticam diariamente e durante as 24 horas
do dia, numa total integração de todos os Angas (ramos do yoga) nos seus múltiplos aspetos,
uma prática continua de Yoga. Não nos podemos limitar a um determinado espaço ou
tempo. Relações familiares, amorosas, amizade, desafios e obstáculos diários, autodisciplina
e valores, a forma como cuidamos, nutrimos e respeitamos nosso corpo e mente, como
interagimos com o ambiente em que estamos, tudo são oportunidades para chegarmos mais
perto de nossa essência, usando a pureza da mente que queremos cultivar com o Yoga. De
pouco vale praticar 3 horas de asanas avançadas se não fizermos uma total integração de
todos os Angas.
Se conseguíssemos apenas nos render á vida tal como ela é, sem querer constantemente
controla-la, se pudéssemos chegar num tal estado de aceitação que nosso ego não quisesse
mais ditar como tem que ser o mundo, se tornaria incrivelmente simples enxergar nosso
verdadeiro eu.
Quando ficamos realmente livres das nossas limitações, das nossas fronteiras imaginárias,
criadas somente por nossa mente.
Para preencher um vazio existencial que nos assusta, vamos nos identificando com as
diferentes projeções dessa mente, tentando compor uma identidade através daquilo que nos
atrai ou repulsa, num jogo constante de “isto sou eu”, “isto não sou eu”. Construída essa
identidade, nos apegamos a ela como se nossa vida dependesse disso, seguindo pelos
mesmos caminhos uma e outra vez, mesmo quando sabemos que no final só nos causam
sofrimento. Julgamos que estamos controlando, exigindo que a realidade se conforme à
nossa vontade, mas na verdade somos nós os dominados. É o apego a essas falsas
identificações que não nos permite ver a realidade como ela é. Acabamos por precisar de
toda essa prática, expressa nos cinco primeiros Angas. Como se fossemos crianças perdidas,
a prática de Yoga nos leva pela mão, trazendo-nos constantemente para nosso rumo,
lembrando-nos que não há porque causar dano, mentir ou roubar o outro, descuidar do nosso
corpo e mente.
Isso nos leva de novo a Dharana, Dhyana e Samadhi. Porque precisamos inicialmente de uma
semente, um objeto de foco, se a ideia é diluir nossa identidade em algo maior? Exatamente
porque estamos tão identificados com nossas próprias limitações que se torna inconcebível
percebermos nossa infinitude. Ao contemplarmos um objeto externo, concentrarmos toda
nossa atenção nele até transcendermos seus aspetos mais grosseiros e depois até mesmo os
mais sutis, chegamos na sua essência. Percebendo então o que realmente É, reconhecemos
que também o somos. Dissolve-se assim nossa falsa ideia de separação e chegamos à
Unidade.
Porém, palavras podem-se tornar obstáculos quando queremos definir o indescritível. É
querer mais uma vez delimitar o infinito. Afinal, Yoga é experiência, a teoria é apenas uma
base para melhor fundamentarmos nossas práticas em nossas vidas. Saber mais sobre
Samadhi pode nos ajudar a desmistificar esse estado mas não nos leva lá. O caminho se faz
caminhando, com Abhyasa, mas também deixando para trás o que nos pesa e não serve
mais, com Vairagya. Ao mesmo tempo precisamos cultivar Ishvara Pranidhana, fazendo de
cada passo uma oportunidade de aprender a entrega e aceitação.
A nossa vida está por um fio, ninguem sabe quando vai morrer. Ela é preciosa e sagrada, cada momento dela é
unico, não se repete, porque é que eu não aprecio? Porque é que eu reclamo tanto? e não aprecio cada momento
de inspirar e expirar, que é unico? A vida tem de ser leve, com alegria de viver. Um dia vamos todos morrer, isso é
bom, porque quando a gente sabe que vai morrer fica tudo mais leve, eu aguento porque um dia vai acabar! Se eu
achar que não acaba nunca, que a vida é eterna, é uma infelicidade, é muito cansativo!
Quantas pessoas podem dizer que tem um amigo de verdade, tem uma pessoa em quem confiam, que sabem que
estará sempre a seu lado. Termos a possibilidade de ter amizades verdadeiras, não são muito faceis, pessoas que se
ajudam mutuamente e de quem gostamos a troco de nada, sem pedir nada em troca, pela ternura de conviver, de
partilhar a vida, de nos compreendermos, nos podermos ajudar mutuamente.
Altruismo – Foram feitas algumas experiências com crianças e animais, um adulto deixa cair um objecto ao chão, e a
criança que está a brincar ao lado, para o que está a fazer e vai apanhar o objecto e dar ao adulto, dois ratos numa
gaiola e coloca-se um dentro de um tubo, o outro ratinho ao ver o rato preso e aflito vai fazer de tudo para tirar o
ratinho do tubo. As crianças e os animais nascem com esse instinto natural, mas com o crescimento, os humanos
deixam de estimular esse instinto, e vão perdendo esse instinto de altruismo. Que nós possamos aceder de novo a
essa coneção neural de fazer o bem pelo bem. Mas não é apenas para se sentir bem, cuidar com respeito e ternura.
A nossa capacidade de ver a realidade, a nossa mente nos engana muito, eu peço para uma pessoa o seguinte,
observe quantas vezes eu ponho o pé aqui na luz, então estão todos a olhar para a luz e passa um elefante aqui
atrás e ninguem vê. A nossa capacidade de percepção da realidade é como um foco de luz, nós não temos a
percepção do todo. Com a meditação proponho que nós tenhamos o foco de uma grande angular lente (consegue
focar toda a sala), diferente de outra lente mais pequena, em que vou focar voçe, os detalhes da sua cara, em que
tudo o resto fica desfocado, sem ver com clareza. Nós temos esta capacidade de ver a realidade como ela é. Diz-se
que buda vê 360º, claro que não vê com os olhos, mas não é só com os olhos que nós vemos, nós ouvimos,
sentimos odores, sentimos presenças por calor. Nós sem ver, conseguimos saber quem entra na sala, se é homem,
ou mulher, se é jovem ou idoso, sem olhar, só por sentir, mas percebendo a realidade como ela é. Nós somos
treinados por determinados padrões, mas eu posso escolher como é que eu vou-me treinar.
Não existe um grupo que eu protejo, priveligiado e melhor que o outro, existe nós seres humanos, todos
sobrevivendo neste planeta, nós somos os sobreviventes de todas as grandes intempéries da humanidade, de todos
os tsunamies e mudanças, o nosso dna é o que sobreviveu, por alguma razão.
O que é que dá vida? o que é que não destroi? qual é a sua palavra, o seu gesto de sabedoria que faz uma pessoa
perceber a absurdo da sua ação, de uma discução. Temos de saber lidar com os sentimentos que tenho, eles
existem, mas tenho de aprender a lidar com eles e dar uma resposta adequada.
A mente humana é limitada para compreender o ilimitado, queremos descrever o ilimitado em conceitos e palavras,
mas que é maior do que a nossa mente possa descrever.
Por exemplo: Numa traição, as vezes por uns minutos de prazer, passamos uma vida de sofrimento, na altura
sentimos-nos tão bem, mas depois vem o sentimento de culpa, a mulher ou marido acaba por descobrir, os pais
acabam por se divorciar, o filho, os avós, acabam por sofrer, é um sofrimento para todos.
Entro numa loja e vejo um vestido muito bonito e peço ao meu pai, que não me dá, então vou lá e enfio na mala.
Vou presa, meu pai e minha mãe choram, a mulher da loja fica triste, arranjo um problema para todo mundo. Ou
suponha que ninguem viu, mas eu fico sempre com medo, porque eu fiz uma coisa que sei que é errado, e sempre
que passar por aquele lugar vou ficar com receio que me reconheçam. Perco a tranquilidade. Como é que reduso a
dor e sofrimento no mundo.
O lado do avesso tem de ser tão bonito como o do direito, como é que voce se comporta quando ninguem te está a
ver, em qualquer circunstancia, no banheiro, tomando banho, lavando os dentes, quando come, como lava a loiça...
Não devemos desperdiçar nada, por exemplo o arroz, não devemos desperdiçar um unico grão de arroz, por
respeito pelas pessoas que se dedicam ao seu cultivo e que por vezes sofrem tanto (trabalho desgastante e mal
pago) para que ele chegue até nós.
Quando nossos rostos ficarem marcados pelo tempo, eu vou continuar te amando com todas as marquinhas, com
todas as cicatrizes da vida. É bom que a gente se possa continuar a respeitar nas várias etapas da nossa existencia,
com as marcas que a vida nos vai dando, que não nos tornam mais feios, mas mais bonitos. Temos que apreciar
quem somos, me acolher e me amar.