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Contestação de Horas Extras em Reclamação Trabalhista

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO TRABALHO DA ___

VARA DO TRABALHO DE ____________-UF

Processo n°________________

____________, já qualificado nos autos da Reclamatória


Trabalhista, autuado sob o nº ____________, que move contra Companhia
____________, também já qualificada, por seus procuradores firmatários
vem à presença de V. Exa., manifestar-se sobre a contestação
apresentada, pelos motivos que passa a expor:

1. A reclamada afirma que o reclamante não estava adstrito


a controle de horário, o que não condiz com a realidade, embora a
mesma tenha anotado em sua CTPS que o seu serviço era externo, livre
de controle de horário.

2. Peca a reclamada ao afirmar que não tinha como


controlar o horário do reclamante, pois este tinha a obrigação de estar
de manhã cedo na empresa, onde era realizada uma reunião e no final
da tarde deveria retornar para repassar os pedidos feitos durante o dia.

3. Relembramos o item 8, fls.___, em que o reclamante


afirma trabalhar “de segunda a sexta-feira das 7h. às 12h. e das
13h30min. às 18h30min. e aos sábados das 7h. às 12h. e das 13h. às
14h”. Nenhum destes horários, como podem ser observados, foram
feitos fora do horário comercial, como alega a reclamada.

4. O comércio durante este período está aberto, não


entendemos os motivos de impugnação da reclamada quanto ao horário
labutado pelo reclamante.
5. A rota do reclamante de visitas era pré-determinada por
uma PROGRAMAÇÃO DE VISITAS SEMANAIS. Este documento foi acostado
ao processo (doc. 26, fls. ___), atestando que a empresa sabia o local e o
horário que se encontrava o reclamante, prova de que tinha sim, controle
de seu horário e trabalho.

6. O reclamante era obrigado a cumprir seu programa


semanal determinado pela reclamada, que ao emitir este documento,
com certeza sabia a distância e o tempo de visita em cada cliente.

7. Não restando dúvida, pois a prova é documental e além


disto, a jurisprudência, neste sentido tem defendido a seguinte tese:

VENDEDOR EXTERNO. CONTROLE DA JORNADA. HORAS


EXTRAS. O simples fato do trabalho de vendas se desenvolver
externamente, não implica necessariamente esteja o trabalhador
inserido na disposição do inciso I, do artigo 62, da CLT. O controle de
jornada significa a fiscalização sobre as atividades do empregado,
possibilitando à empresa verificar todo o trabalho por ele desenvolvido. A
existência de rotas predeterminadas, com quantidade de clientes
estipulada para atendimento diário; a necessidade de retornar à empresa
no final do expediente para entrega do relatório são elementos que
denunciam o poder e a ampla possibilidade de fiscalização do trabalho,
mesmo sendo o serviço externo. Em tais casos, extrapolada a jornada
legal, deve haver pagamento de horas extras. (RO nº 71/2009-062-03-
00.9, 9ª Turma do TRT da 3ª Região/MG, Rel. Antônio Fernando
Guimarães. unânime, DJe 04.08.2009).

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA.


VENDEDOR. TRABALHO EXTERNO. CONTROLE DE JORNADA. HORAS
EXTRAS. O e. Tribunal Regional registrou que o reclamante comparecia à
sede da empresa diariamente, que a rota e os clientes a serem visitados
eram definidos pela reclamada, além de já terem sido pagas horas extras
ao autor. Assim, havendo controle de jornada e dos horários de trabalho
do autor, resta afastada a incidência do artigo 62, I, da CLT. Precedentes
de julgamento do Tribunal Superior do Trabalho. Agravo de instrumento a
que se nega provimento. (AIRR nº 102240-22.2007.5.05.0531, 3ª Turma
do TST, Rel. Horácio Raymundo de Senna Pires. unânime, DEJT
18.04.2011).
HORAS EXTRAS. TRABALHO EXTERNO. POSSIBILIDADE DE
CONTROLE DA JORNADA. Ainda que o trabalho seja externo, se for
possível o controle de jornada, devida é a paga das horas extras
comprovadamente prestadas pelo trabalhador. (RO nº 120100-
75.2009.5.17.0161, 3ª Turma do TRT da 17ª Região/ES, Rel. Jailson
Pereira da Silva. unânime, DEJT 10.05.2011).

HORAS EXTRAS. TRABALHO EXTERNO SUJEITO Á


FISCALIZAÇÃO DE JORNADA. Faz jus ao pagamento de horas extras o
empregado que, embora exerça atividades externas, está sujeito ao
controle de horário. Afastada, assim, o enquadramento à exceção inciso I
do artigo 62 da CLT. (RO nº 0003326-50.2010.5.12.0036, 5ª Câmara do
TRT da 12ª Região/SC, Rel. Maria de Lourdes Leiria. j. 03.05.2011, DOe
05.05.2011).

8. E seguem os Tribunais:

EMPREGADO VENDEDOR EXTERNO. POSSIBILIDADE DE


CONTROLE DE JORNADA. HORAS EXTRAORDINÁRIAS DEVIDAS. A redação
atual do artigo 62 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), dada pela
Lei nº 8.966/1994, considera a incompatibilidade, e não apenas ausência
de fiscalização ou fixação de horário de trabalho, como ocorria na
redação anterior. A exceção insculpida no mencionado dispositivo
decorre da noção da efetiva ausência de possibilidade real e material de
aferição da jornada do trabalho externo. Constatado, no caso concreto,
que a reclamada tinha meios de controlar a jornada de trabalho, fica
descaracterizada a exceção prevista no inciso I do artigo 62 da referida
consolidação. Recurso ordinário do reclamante conhecido e provido,
nesse aspecto particular. (Processo nº 05348-2010-016-09-00-0, 3ª
Turma do TRT da 9ª Região/PR, Rel. Altino Pedrozo dos Santos. DEJT
17.05.2011).

TRABALHO EXTERNO. CONTROLE DE JORNADA. PAGAMENTO


DE HORAS EXTRAS. A disposição do inciso I do artigo 62 da CLT refere-se
aos empregados que exercem atividade externa incompatível com a
fixação de horário de trabalho. Portanto, a prestação de serviços
externos, por si só, não enquadra o empregado na exceção do dispositivo
em comento, devendo-se verificar as condições em que os serviços eram
prestados. Comprovado nos autos que a jornada do autor era controlada,
tornando possível, portanto, a verificação acerca da efetiva jornada de
trabalho cumprida, bem como a existência de labor em sobrejornada, faz
jus o obreiro ao pagamento das comprovadas horas extras prestadas e
não quitadas. (RO nº 1818/2010-144-03-00.6, 3ª Turma do TRT da 3ª
Região/MG, Rel. Convocado Maria Cristina D. Caixeta. unânime, DEJT
17.06.2011).

9. E mais:

LABOR PREDOMINANTEMENTE EXTERNO. CONTROLE


INDIRETO DA JORNADA. DESCARACTERIZAÇÃO DA HIPÓTESE
PRECONIZADA PELO ART. 62, I, DA CLT. HORAS EXTRAS DEVIDAS.
Revelando os elementos de prova o efetivo controle sobre a jornada
desenvolvida pelo obreiro, que cumpria roteiro preestabelecido, com as
visitas aos clientes registradas em palm top, além da imposição de
comparecimento diário à sede da empresa, inclusive ao final do
expediente, para a prestação de contas, inviável seu enquadramento na
hipótese de exceção estabelecida pelo art. 62, I da CLT. Recurso patronal
improvido quanto ao tema. (RO nº 0113900-41.2009.5.06.0102, 1ª Turma
do TRT da 6ª Região/PE, Rel. Dinah Figueirêdo Bernardo. DEJT
19.07.2011).

HORAS EXTRAS. TRABALHO EXTERNO. Demonstrada a


existência de controle de horário de trabalho, é impossível o
enquadramento do empregado na exceção prevista no art. 62, I, da CLT.
Horas extras devidas. (RO nº 1867005520075020003 (20110271321), 3ª
Turma do TRT da 2ª Região/SP, Rel. Margoth Giacomazzi Martins. DOe
15.03.2011).

10. Nota-se que o reclamante além de ser obrigado a


cumprir um roteiro diário, tinha a obrigação de ir à empresa na parte da
manhã e a tarde, formando com isto uma subordinação de horário.

11. Talvez a reclamada não tenha observado muito bem o


termo de Rescisão Contratual, quando afirma que pagou acertadamente
o aviso prévio.

12. Em fls. ___, o reclamante junta o Termo de Rescisão,


onde consta o pagamento referente ao aviso prévio o valor de R$ ______.
Quantia esta incorreta, pois deveria ser adicionado a este valor a média
de seu ganho comissionado no ano.

13. Quanto a diferença do valor das férias, o valor a ser


realmente percebido pelo reclamante, está abaixo do correto, pois a
média das comissões dos três meses anteriores às férias (abril, maio e
junho) ficou em torno de R$ ______ e não os R$ ______ pagos pela
reclamada. Algo está errado quanto a impugnação da reclamada.

14. A reclamada, também afirma que o reclamante nunca


foi promovido ao cargo de supervisor, contrariando os documentos
impressos na própria sede da reclamada (fls. ___), documentos, estes,
que em nenhum momento foram impugnados, quanto a sua veracidade
e autenticidade.

15. Todos estes documentos aparecem o nome do


reclamante e seu cargo “Supervisor”. Em um deles, o fluxograma de fls.
___, o reclamante aparece como gerente de contas, o mesmo cargo do
Sr. ____________, que conforme documentação juntada pela reclamada
percebia a quantia de R$ ______ (em 1999 – fls.___).

16. O reclamante exercia o mesmo cargo, com as mesmas


responsabilidades do Sr. ____________ e recebia menos da metade do
salário de seu colega.

17. É lamentável o comentário da reclamada quando atesta


que os próprios documentos impressos na sua empresa, com seu próprio
timbre são questionáveis. O que é questionável, é a política interna de
tratamento aos seus funcionários.

18. A reclamada sustenta tese de que o aviso prévio


indenizado não computa como tempo de serviço, o que vai de encontro
ao entendimento de nossos Tribunais, que assim prelecionam:

PRESCRIÇÃO. INÍCIO. AVISO-PRÉVIO INDENIZADO. O aviso-


prévio integra o tempo de serviço para todos os efeitos, inclusive para
início da contagem do prazo prescricional. Inteligência do artigo 487,
parágrafo 1º, da CLT e Orientação Jurisprudencial 83 da SDI-1, do TST.
(RO nº 1467002320085020441 (20111132996), 8ª Turma do TRT da 2ª
Região/SP, Rel. Silvia Almeida Prado. unânime, DOe 05.09.2011).
AVISO-PRÉVIO INDENIZADO - PRESCRIÇÃO - TERMO INICIAL.
Inequívoco, nos termos do artigo 487, § 1º, da CLT, que o aviso-prévio
indenizado integra o tempo de serviço para todos os efeitos legais,
inclusive para fins de contagem do prazo prescricional, conforme
entendimento consubstanciado na Orientação Jurisprudencial nº 83 da
SBDI-I do c. TST. A extinção do contrato de trabalho, portanto, ocorre
apenas após o decurso do tempo do aviso-prévio, mesmo indenizado,
razão pela qual é só a partir de então que começa a fluir a prescrição
prevista no art. 7º, XXIX, da Constituição Federal. Recurso da Reclamada
a que se nega provimento. (Processo nº 03023-2009-673-09-00-2, 4ª
Turma do TRT da 9ª Região/PR, Rel. Sueli Gil El Rafihi. DEJT 08.04.2011).

AVISO-PRÉVIO INDENIZADO. RETIFICAÇÃO DA CTPS. O


período do aviso-prévio, mesmo quando indenizado, é computável como
tempo de serviço para todos os efeitos legais, forte no artigo 487, § 1º,
da CLT e na OJ nº 82 da SDI-1 do TST. (RO nº 0000073-
83.2010.5.04.0551, 1ª Turma do TRT da 4ª Região/RS, Rel. Convocado
André Reverbel Fernandes. j. 06.04.2011).

19. O pagamento da multa do art. 477 da CLT é


corretamente pleiteada, pois os valores percebidos na rescisão não
foram corretamente pagos, quantias estas elencadas na exordial.

Diante do exposto, requer a reiteração dos pedidos feitos na


exordial, pugnando-se pela procedência total da ação.

Nestes termos,

Pede deferimento.

____________, ___ de __________ de 20__.

____________
OAB-UF/

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