0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações6 páginas

Réplica a Contestação em Processo Trabalhista

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato RTF, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações6 páginas

Réplica a Contestação em Processo Trabalhista

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato RTF, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO TRABALHO DA ___

VARA DO TRABALHO DE ____________-UF

Processo n°________________

__________, reclamante, qualificado nos autos da demanda


trabalhista que promove em face de __________ Ltda. por meio de seu
advogado, vem, respeitosamente à presença de Vossa Excelência,
apresentar a RÉPLICA a contestação apresentada, com fulcro no art. 5º,
LV, da CF e art. 334 do CPC/2015, pelas razões de fato e direito que
passa a expor.

1 - PRELIMINAR DE INÉPCIA DA PETIÇÃO INICIAL

A contestação suscita a inépcia da inicial quanto ao pedido


das incidências das horas extras.

Aduz a invalidade da expressão "em todas as verbas


decorrentes do contrato laboral" para justificar os reflexos decorrentes
das horas extras requeridas, sem que seja inepta a inicial, uma vez que
não deixa dúvida quanto a que refere o pedido.

Não se aplica o formalismo dos arts. 319, IV, 322 e 324 do


CPC/2015 ao processo trabalhista. Nesse sentido, temos o disposto no
art. 840, § 1º, da CLT.
Art. 840 - A reclamação poderá ser escrita ou verbal.

§ 1º - Sendo escrita, a reclamação deverá conter a


designação do Presidente da Junta, ou do juiz de direito a quem for
dirigida, a qualificação do reclamante e do reclamado, uma breve
exposição dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido, a data e a
assinatura do reclamante ou de seu representante.

É certo que no processo do trabalho basta que o autor insira


na inicial uma breve exposição dos fatos (artigo 840, §1º, da CLT), não
sendo necessária a indicação dos fundamentos jurídicos que justifiquem
o pedido, como ocorre no processo civil (art. 319, III, do Código de
Processo Civil). Equivale a dizer que à luz do artigo 840, §1°, supracitado,
o Processo do Trabalho não se reveste do formalismo próprio do Processo
Civil, imperando o princípio da simplicidade, pela qual basta que a parte
desenvolva uma breve narrativa dos fatos de que resulte a lide.

Nesse sentido cabe citar trecho do voto do Relator do TST


VIEIRA DE MELLO FILHO, proferido no agravo de instrumento em recurso
de revista nº 215500-75.2007.5.02.0203, na data de 29 de outubro de
2014:

"A Corte regional assentou que a petição inicial está em


conformidade com o art. 840 da CLT e não há inépcia a ser declarada
quanto aos pedidos iniciais de reflexos das horas extraordinárias e
acúmulo de funções, na forma em que foram deduzidos pelo autor, pois
não resultaram em prejuízo ao exercício da ampla defesa da reclamada,
que combateu detalhadamente todas as pretensões do reclamante
formuladas na exordial.

Com efeito, nos termos do art. 840, § 1º, da CLT, basta que
o autor exponha os fatos dos quais decorram os pedidos por ele
formulados e requeira ao Poder Judiciário a providência jurisdicional que
entender cabível para que a petição inicial seja considerada apta.

Extrai-se, portanto, que dois são os requisitos essenciais da


petição inicial trabalhista: a narração dos fatos de que resulte o dissídio e
o pedido. Não se exige, na realidade, que figurem os fundamentos
jurídicos do pedido como preconizado no Código de Processo Civil [...].
Nessa quadra, incide a aplicação do postulado da informalidade, tão caro
ao direito do trabalho.
A título ilustrativo, sustenta o insigne Prof. Isis de Almeida
(Manual de Direito Processual do Trabalho, vol. 2, LTR, p. 16) que, in
verbis:

Assim é, exatamente por força da oralidade, que a petição


inicial trabalhista tem sentido eminentemente objetivo, pragmático, e se
torna bastante discriminativa em relação à materialização do pedido,
tanto quanto necessário para que as parcelas pretendidas fiquem bem
definidas, inclusive quanto ao seu valor básico, quando a apuração do
quantum devido a cada título tiver de ser fixada em execução, embora
se reconheça que há verbas que independem de pedido expresso, como
é o caso dos juros e da correção monetária, deferidos de ofício por força
do disposto no art. 883 da CLT e do § 1º do art. 1º do Dec.-Lei nº 75, de
21.11.66, respectivamente." (grifos meus).

Portanto, a preliminar processual arguida pela reclamada


deverá ser afastada.

2 – DO DIREITO

2.1 - Impugnação aos Cartões de Ponto

Da análise dos cartões pontos verifica-se que a anotação


dos horários se deu de forma invariável.

Custa-nos a crer que os cartões retratem a realidade dos


fatos, suas anotações são mecânicas, contrárias ao conhecido
dinamismo da realidade. É sabido que o comum é haver minutos
residuais, que antecedem ou sucedem a jornada de trabalho. Contrário a
isso foi o que se constatou nos cartões pontos apresentados, nos quais
os horários eram redondos, como se o trabalhador fosse extremamente
pontual, tanto na chegada como na saída.

Os cartões de ponto juntados são inadmissíveis como prova


a elidir o horário de trabalho inserido na petição inicial. Nesse sentido,
temos a Súmula 338, II, do TST:

"SÚMULA Nº 338

JORNADA DE TRABALHO. REGISTRO. ÔNUS DA PROVA.


Incorporadas as Orientações Jurisprudenciais nºs 234 e 306
da SBDI-1 - Resolução nº 129/2005.

I - É ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez)


empregados o registro da jornada de trabalho na forma do art. 74, § 2º,
da CLT. A não apresentação injustificada dos controles de frequência gera
presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser
elidida por prova em contrário (ex-Súmula nº 338 - Res. 121, DJ
21.11.2003).

II - A presunção de veracidade da jornada de trabalho, ainda


que prevista em instrumento normativo, pode ser elidida por prova em
contrário (ex-OJ nº 234 - Inserida em 20.06.2001).

III - Os cartões de ponto que demonstram horários de


entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova, invertendo-
se o ônus da prova, relativo às horas extras, que passa a ser do
empregador, prevalecendo a jornada da inicial se dele não se
desincumbir (ex- OJ nº 306 - DJ 11.08.2003)".

Dessa forma, sendo considerados inválidos os cartões de


ponto apresentados, tem-se a inversão quanto ao ônus da prova, ao
passo que o horário da inicial é tido por verdadeiro, conforme a Súm.
338, III.

Portanto, a Reclamada deverá ser condenada ao pagamento


das horas extras e seus reflexos em 13º salário, férias, acrescidas do
adicional de 1/3, depósitos do FGTS e aviso-prévio indenizado.

2.2 - Equiparação Salarial

O Reclamante requereu a equiparação salarial com o Sr.


___________, sob o fundamento de que havia a plena identidade de
tarefas e dos demais requisitos do art. 461 da CLT.

A equiparação salarial, já mereceu Enunciado do TST (nº


68), esclarecendo que ao empregado cabe demonstrar a identidade de
funções, apenas. Provado este fato, o pedido será procedente a menos
que a reclamada demonstre a existência de fato impeditivo, extintivo, ou
modificativo do pedido (diferença de mais de dois anos na função, maior
perfeição técnica ou produtividade do paradigma, etc...).
Em defesa a reclamada limitou-se a indicar a existência de
diferença de dois anos na empresa, o que elidiria a equiparação (Súm. 6,
II, TST; art. 461, § 1º da CLT).

No entanto a tese apresentada não merece prosperar, a


alegada diferença inexiste. Após análise da ficha de registro paradigma é
possível constatar que a diferença de dois anos alegada é de função e
não na empresa, sendo que a diferença na empresa é de apenas 11
meses.

Nesse sentido, cabe citar a jurisprudência dos tribunais:

DIFERENÇAS SALARIAIS POR EQUIPARAÇÃO. Fazem jus à


equiparação salarial, forte no art. 461 da CLT, os trabalhadores que
exerçam a mesma função, laborando para o mesmo empregador e na
mesma localidade, com diferença no tempo de exercício inferior a 2
anos, e desde que a empresa não tenha seu pessoal organizado em
quadro de carreira. O trabalho de mesmo valor é aquele com a mesma
produtividade e a mesma perfeição técnica. No caso em análise, a prova
produzida ampara parcialmente a tese da reclamante. (RO nº 0001265-
75.2013.5.04.0024, 4ª Turma do TRT da 4ª Região/RS, Rel. André
Reverbel Fernandes. j. 27.11.2014, unânime).

EQUIPARAÇÃO SALARIAL. A equiparação salarial pressupõe o


exercício de funções idênticas ao mesmo empregador, na mesma
localidade, com a mesma perfeição técnica e produtividade, não
havendo diferença superior a 2 anos no exercício da função. Hipótese em
que comprovada a identidade de funções com o paradigma no cargo de
Assistente de Logística. (RO nº 0000513-98.2013.5.04.0252, 6ª Turma do
TRT da 4ª Região/RS, Rel. Roberto Antônio Carvalho Zonta. j. 05.11.2014,
unânime).

EQUIPARAÇÃO SALARIAL. DIFERENÇA SALARIAL. ACERVO


PROBATÓRIO. Nos termos do art. 461, da CLT, "sendo idêntica a função, a
todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, na mesma
localidade, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo,
nacionalidade ou idade, entre pessoas cuja diferença de tempo de
serviço não for superior a 2 anos". "In casu", o autor provou situação
lastreada pelos requisitos do dispositivo retrocitado, conforme acervo
probatório dos autos. (RO nº 0000305-31.2014.5.08.0103, 4ª Turma do
TRT da 8ª Região/PA-AP, Rel. Alda Maria de Pinho Couto. unânime, DEJT
20.11.2014). (grifos meus).
Como se vê ampla jurisprudência de diversos Tribunais do
Trabalho entendem pela necessidade da diferença de mais de dois anos
de labor para o mesmo trabalhador e na mesma localidade.

O art. 341 do CPC/2015 determina que em não havendo a


impugnação específica os fatos alegados estes serão presumivelmente
verdadeiros. No caso em comento, a reclamada nada mencionou a
respeito dos requisitos da identidade de tarefas e do trabalho de igual
valor, portanto, tais devem ser considerados verdadeiros.

Portanto, afastada a alegação da exceção do art. 461, § 1º


da CLT, fica demonstrado que o reclamante faz jus a equiparação salarial.

Assim, requer a condenação da Reclamada quanto ao


pagamento das diferenças salariais e suas incidências em horas extras,
13º salário, férias, acrescidas de 1/3, depósitos do FGTS, aviso-prévio
indenizado.

3 - DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer a procedência dos pedidos


formulados na petição inicial, com a rejeição de todas as matérias postas
na defesa.

Outrossim, reiteram-se as alegações e pedidos já


apresentados.

Nestes termos,

Pede deferimento.

____________, ___ de __________ de 20__.

____________
OAB-UF/

Você também pode gostar