RIDE do DF e Entorno: Estrutura e Impactos
RIDE do DF e Entorno: Estrutura e Impactos
Denomina-se conurbação o crescimento de cidades próximas nas quais as suas malhas urbanas se
encontram e há o estabelecimento de uma inter-relação funcional entre elas. Além de estarem fisicamente
ligadas, as cidades estabelecem uma ligação funcional por meio de fluxos de pessoas e de serviços. Conforme
o tamanho da sua mancha urbana, as relações estabelecidas entre as cidades e os serviços oferecidos pela
cidade central da conurbação, essa pode se constituir numa metrópole (junção de duas palavras gregas:
mater, mãe, e polis, cidade).
Portanto, a metrópole seria a cidade central dessa conurbação. A sua influência se estende de forma
acentuada às cidades vizinhas, funcionando como um polo econômico, de empregos e de prestação de
serviços sofisticados. Dessa forma, as metrópoles influenciam no crescimento urbano de cidades vizinhas ou
próximas da metrópole. A conurbação de várias cidades tende à formação de uma região metropolitana.
Uma região metropolitana costuma ter uma cidade central e as demais localidades sendo suas cidades-
satélites ou área metropolitana. Por exemplo, quando nos referimos à cidade de São Paulo, estamos falando
de uma metrópole que centraliza em torno de si uma região metropolitana. Quando falamos em Região
Metropolitana de São Paulo, estamos incluindo também as suas cidades-satélites, tais como Guarulhos,
Osasco e muitas outras. Essa região, no caso, é formada por um conjunto total de 39 cidades, a maior
aglomeração urbana do Brasil, com uma população de mais de 21 milhões de habitantes.
Estas grandes conurbações acabam levando a necessidade de se pensar de forma conjunta, não separada, a
solução de problemas comuns, que ultrapassam os limites políticos dos municípios interligando-se e inter-
relacionando-se, como o transporte coletivo e o saneamento básico.
Para isso é criada a entidade administrativa “região metropolitana” com a finalidade de integrar a
organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum. Aqui, o conceito
geográfico de região metropolitana passa a ser incorporado a determinado ordenamento jurídico para a
gestão pública.
No Brasil, a criação de regiões metropolitanas está expressamente definida na Constituição Federal de 1988,
conforme o disposto no art. 25, § 3º:
Ou seja, uma região metropolitana só pode ser instituída por lei estadual e para agrupar municípios
limítrofes. A União não pode criar regiões metropolitanas.
Já as Regiões Integradas de Desenvolvimento (RIDEs) são criadas com base no disposto no artigo 43, caput,
da Constituição Federal:
Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo
geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais.
A instituição de uma RIDE se dá por meio de uma lei complementar federal e envolve a participação da União,
de estados, e/ou Distrito Federal, se for o caso, e de municípios. Trata-se de uma forma de ação
administrativa mais ampla do que as previstas nas regiões metropolitanas, que são intraestaduais e
envolvem somente dois níveis político-administrativos: Estado e os municípios. A RIDE envolve três níveis
político-administrativos: União, Estados e Distrito Federal e municípios.
A União já instituiu três regiões integradas de desenvolvimento, que abrangem, cada uma delas, a área
territorial de mais de um estado, vejamos:
- Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno, instituída pela Lei Complementar nº
94, de 19 de fevereiro de 1998 e constituída pelo Distrito Federal, pelos Municípios de Abadiânia, Água Fria
de Goiás, Águas Lindas de Goiás, Alexânia, Alto Paraíso de Goiás, Alvorada do Norte, Barro Alto, Cabeceiras,
Cavalcante, Cidade Ocidental, Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás, Cristalina, Flores de Goiás, Formosa,
Goianésia, Luziânia, Mimoso de Goiás, Niquelândia, Novo Gama, Padre Bernardo, Pirenópolis, Planaltina,
Santo Antônio do Descoberto, São João d’Aliança, Simolândia, Valparaíso de Goiás, Vila Boa e Vila Propício,
no Estado de Goiás, e de Arinos, Buritis, Cabeceira Grande e Unaí, no Estado de Minas Gerais.
- Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento do Polo Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), instituída
pela Lei Complementar nº 113, de 19 de setembro de 2001 e constituída pelos municípios de Lagoa Grande,
Orocó, Petrolina, Santa Maria da Boa Vista, no estado de Pernambuco, e pelos municípios de Casa Nova,
Curaçá, Juazeiro e Sobradinho, no estado da Bahia.
- Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento do Polo Grande Teresina instituída pela Lei
Complementar nº 112, de 19 de setembro de 2001 e constituída pelos municípios de Altos, Beneditinos,
Coivaras, Curralinho, Demerval Lobão, José de Freitas, Lagoa Alegre, Lagoa do Piauí, Miguel Leão, Monsenhor
Gil, Teresina e União, no estado do Piauí, e pelo município de Timon, no estado do Maranhão.
A construção de Brasília atraiu grande contingente de trabalhadores que, nos primeiros anos, ocupavam
acampamentos distribuídos pelo território do Distrito Federal.
Com a finalização de grande parte das obras, e a valorização das terras na capital, parte do contingente inicial
de trabalhadores deslocou-se para os municípios de Goiás e Minas Gerais, que continuaram atraindo grande
número de pessoas, oriundas, em sua maioria, de regiões mais carentes de todo o País, para trabalhar na
capital federal.
Os municípios periféricos ao Distrito Federal, que fazem parte da Região Integrada de Desenvolvimento do
Distrito Federal e Entorno - RIDE/DF, tinham, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
em 1960, uma população de 121.949 habitantes e cuja demanda de trabalho, além dos serviços de saúde,
educação, transporte, lazer, entre outros, eram atendidos no Distrito Federal, com grande pressão sobre a
infraestrutura da capital.
Os problemas decorrentes desta pressão crescente exercida por essa população, desde as primeiras décadas
após a inauguração de Brasília, levaram as entidades públicas (estados de Goiás e Minas Gerais, Distrito
Federal e governo Federal) a se unirem, objetivando propor, criar e coordenar políticas públicas que
levassem, juntamente com o Distrito Federal, a ações comuns para toda a região, visando minimizar a
pressão exercida pelos habitantes desta periferia, que contorna o Distrito Federal.
Desta forma, foi criada, por meio da Lei Complementar n.º 94, de 19 de fevereiro de 1998, para efeitos de
articulação da ação administrativa da União, dos estados de Goiás, Minas Gerais e do Distrito Federal, a
Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno - RIDE/DF. O Decreto nº 7.469, de 4 de
maio de 2011, regulamentou a LC nº 94, de 19 de fevereiro de 1998.
Inicialmente, a RIDE era constituída pelo Distrito Federal e por 19 municípios de Goiás e dois de Minas Gerais.
Porém, a sua composição foi alterada pela Lei Complementar nº 163, de 14 de junho de 2018, que incluiu
mais 12 municípios, sendo 10 de Goiás e dois de Minas Gerais. Com essa mudança, a Região passou a ser
constituída pelo Distrito Federal e por 33 municípios, sendo 29 de Goiás e quatro de Minas Gerais.
● Distrito Federal.
● Municípios do estado de Goiás: Abadiânia, Água Fria de Goiás, Águas Lindas de Goiás,
Alexânia, Alto Paraíso de Goiás, Alvorada do Norte, Barro Alto, Cabeceiras, Cavalcante,
Cidade Ocidental, Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás, Cristalina, Flores de Goiás,
Formosa, Goianésia, Luziânia, Mimoso de Goiás, Niquelândia, Novo Gama, Padre Bernardo,
Pirenópolis, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto, São João d’Aliança, Simolândia,
Valparaíso de Goiás, Vila Boa e Vila Propício.
● Distrito Federal.
● Municípios do estado de Goiás: Abadiânia, Água Fria de Goiás, Águas Lindas, Alexânia,
Cabeceiras, Cidade Ocidental, Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás, Cristalina, Formosa,
Luziânia, Mimoso de Goiás, Novo Gama, Padre Bernardo, Pirenópolis, Planaltina, Santo
Antônio do Descoberto, Valparaíso e Vila Boa.
● Municípios do estado de Goiás: Alto Paraíso de Goiás, Alvorada do Norte, Barro Alto,
Cavalcante, Flores de Goiás, Goianésia, Niquelândia, São João d’Aliança, Simolândia e Vila
Propício.
Consideram-se de interesse da RIDE os serviços públicos comuns ao Distrito Federal, aos estados de Goiás e
Minas Gerais e aos municípios que a integram, relacionados com as seguintes áreas:
• infraestrutura;
• geração de empregos e capacitação profissional;
• saneamento básico, em especial o abastecimento de água, a coleta e o tratamento de esgoto e o
serviço de limpeza pública;
• uso, parcelamento e ocupação do solo;
• transportes e sistema viário;
• proteção ao meio ambiente e controle da poluição ambiental;
• aproveitamento de recursos hídricos e minerais;
• saúde e assistência social;
• educação e cultura;
• produção agropecuária e abastecimento alimentar;
• habitação popular;
• serviços de telecomunicação;
• turismo; e
• segurança pública.
Serviços públicos comuns de interesse da RIDE/DF
• coordenar as ações dos entes federados que compõem a RIDE, visando ao desenvolvimento e à
redução de suas desigualdades regionais;
• aprovar e supervisionar planos, programas e projetos para o desenvolvimento integrado da RIDE;
• programar a integração e a unificação dos serviços públicos que sejam comuns à RIDE;
• indicar providências para compatibilizar as ações desenvolvidas na RIDE com as demais ações e
instituições de desenvolvimento regional;
• harmonizar os programas e projetos de interesse da RIDE com os planos regionais de
desenvolvimento;
• coordenar a execução de programas e projetos de interesse da RIDE;
• aprovar seu Regimento Interno.
Densidade
Área População População estimada
UF Município demográfica
(Km²) (2010) (2020)
(2010)
GO Abadiânia 1.045,13 15.757 20.461 15,08
GO Água Fria de Goiás 2.029,42 5.090 5.793 2,51
GO Águas Lindas de Goiás 188,385 159.378 217.698 846,02
GO Alexânia 847,893 23.814 28.010 28,09
GO Alto Paraíso de Goiás 2.593,91 6.885 7.688 2,65
GO Alvorada do Norte 1.259,37 8.084 8.705 6,42
GO Barro Alto 1.093,25 8.716 11.408 7,97
GO Cabeceiras 1.126,91 7.354 8.046 6,52
GO Cavalcante 6.953,67 9.392 9.725 1,35
GO Cidade Ocidental 389,985 55.915 72.890 143,3
GO Cocalzinho de Goiás 1.789,04 17.407 20.504 9,73
GO Corumbá de Goiás 1.061,96 10.361 11.169 9,76
GO Cristalina 6.162,09 46.580 60.210 7,56
GO Flores de Goiás 3.709,43 12.066 17.005 3,25
GO Formosa 5.811,79 100.085 123.684 17,22
GO Goianésia 1.547,27 59.549 71.075 38,49
GO Luziânia 3.961,10 174.531 211.508 44,06
GO Mimoso de Goiás 1.386,92 2.685 2.583 1,94
GO Niquelândia 9.843,25 42.361 46.730 4,3
GO Novo Gama 194,992 95.018 117.703 487,29
GO Padre Bernardo 3.139,18 27.671 34.430 8,81
GO Pirenópolis 2.205,01 23.006 25.064 10,43
GO Planaltina 2.543,68 81.649 90.640 32,1
GO Santo Antônio do Descoberto 944,145 63.248 75.829 66,99
GO São João d'Aliança 3.327,38 10.257 14.085 3,08
GO Simolândia 347,976 6.514 6.879 18,72
GO Valparaíso de Goiás 61,45 132.982 172.135 2.165,48
GO Vila Boa 1.060,17 4.735 6.312 4,47
GO Vila Propício 2.181,58 5.145 5.882 2,36
MG Arinos 5.279,42 17.674 17.862 3,35
MG Buritis 5.225,19 24.663 25.013 4,35
MG Cabeceira Grande 1.031,41 6.453 6.988 6,26
MG Unaí 8.448,08 77.565 84.930 9,18
DF Distrito Federal 5.760,78 2.570.160 3.055.149 523,41
TOTAL 94.551,17 3.912.750 4.608.863
PIB, PIB per capita, IDH e Índice de Gini do Distrito Federal e municípios da RIDE
PIB per capita Índice de Gini
UF Município PIB IDH (2010)
(2015) (2003)
GO Abadiânia 289.099,08 15.999,73 0.689 0.42
GO Água Fria de Goiás 201.809,00 36.645,91 0.671 0.39
GO Águas Lindas de Goiás 1.542.997,13 8.248,15 0.686 0.41
GO Alexânia 730.529,08 27.952,10 0.682 0.41
GO Alto Paraíso de Goiás 138.658,03 18.760,39 0.713 0.42
GO Alvorada do Norte 108.906,46 12.739,09 0.660 0.43
GO Barro Alto 605.005,58 60.313,59 0.742 0.40
GO Cabeceiras 218.672,02 27.931,03 0.668 0.41
GO Cavalcante 249.871,30 25.562,28 0.584 0.45
GO Cidade Ocidental 642.342,91 10.000,82 0.717 0.41
GO Cocalzinho de Goiás 285.877,80 14.955,68 0.657 0.42
GO Corumbá de Goiás 145.058,59 13.234,06 0.680 0.41
GO Cristalina 1.944.492,33 36.482,03 0.699 0.41
GO Flores de Goiás 130.968,06 9.112,72 0.597 0.42
GO Formosa 1.934.487,97 17.235,90 0.744 0.42
GO Goianésia 1.098.113,06 16.697,02 0.727 0.42
GO Luziânia 3.353.546,66 17.282,85 0.701 0.42
GO Mimoso de Goiás 37.430,97 13.786,73 0.665 0.39
GO Niquelândia 1.199.152,43 26.504,71 0.715 0.43
GO Novo Gama 799.206,78 7.491,84 0.684 0.42
GO Padre Bernardo 479.875,14 15.415,69 0.651 0.42
GO Pirenópolis 373.757,60 15.290,36 0.693 0.41
GO Planaltina 917.296,94 10.486,51 0.669 0.42
Santo Antônio do
GO 572.100,60 8.174,27 0.665 0.42
Descoberto
GO São João d'Aliança 229.562,41 19.019,25 0.685 0.42
GO Simolândia 86.137,94 12.604,32 0.645 0.42
GO Valparaíso de Goiás 2.155.088,97 14.062,11 0.746 0.42
GO Vila Boa 104.363,09 18.992,37 0.647 0.42
GO Vila Propício 199.086,57 35.691,39 0.634 0.43
MG Arinos 197.938,17 10.863,19 0.656 0.40
MG Buritis 601.788,51 24.713,09 0.672 0.38
MG Cabeceira Grande 203.236,20 29.621,95 0.648 0.39
MG Unaí 2.439.492,15 29.431,54 0.736 0.41
DF Distrito Federal 215.613.024,76 73.971,05 0.824 0.52
TOTAL 239.828.974,29
Principais problemas urbanos, rurais, sociais e ambientais da RIDE
saúde;
transporte;
emprego;
grilagem de terras;
especulação imobiliária;
falta de moradias;
educação;
desmatamento do Cerrado.
Economia
O setor majoritário no Produto Interno Bruto (PIB) da RIDE é o de serviços (terciário), muito em função da
economia do Distrito Federal e de alguns municípios próximos, possuidores de altos índices de urbanização.
Em seguida, destaca-se o setor industrial (secundário), embora na RIDE-DF não se encontrem polos
industriais de grande extensão (as principais aglomerações industriais próximas dessa região estão em
Anápolis, no eixo desta com Brasília e Goiânia). Após, segue-se a agropecuária (primário), com atividades
agrícolas e de criação de animais.
O Distrito Federal concentra 89,90% do PIB, sobretudo no setor de serviços, mas tem participação expressiva
também nos demais setores.
Agropecuária
A agropecuária é a base econômica da grande maioria dos municípios da RIDE. A cadeia produtiva da
agropecuária movimenta os setores secundário e terciário por ser usuária e consumidora de serviços e
produtos industriais diversos, como os de assistência técnica, transportes, financeiros, comércio de produtos
e máquinas para a produção, insumos, fertilizantes, implementos agrícolas entre tantos outros.
Indústria
Em 2015, 71,32% de todo o PIB industrial da RIDE concentrava-se no Distrito Federal. A grande força
industrial da região é a construção civil. Luziânia é o principal município do entorno que tem um parque
industrial de destaque, sobretudo devido à indústria de alimentos. Barro Alto, Niquelândia e Cavalcante são
importantes polos da indústria extrativa mineral, destacando-se a extração de níquel.
No turismo, destacam-se o Distrito Federal, Pirenópolis, Alto Paraíso de Goiás e Cavalcante. Pela sua
condição de capital do Brasil, por ser uma cidade planejada e modernista, Brasília atrai muitos turistas.
Pirenópolis possui um forte aspecto histórico, além do componente natural. Alto Paraíso de Goiás se destaca
pela exuberância da sua natureza e pelo seu aspecto místico, e Cavalcante pelo seu aspecto natural.
O primeiro projeto industrial de larga escala na Região foi elaborado, em 2017, pela Sudeco, para a
construção de uma fábrica de cimento no município de Formosa, no valor de R$ 270 milhões.
Serviços
Comércio Exterior
O município de Barro Alto é o maior exportador da RIDE. Em 2017, ocupou a 133ª posição no Ranking
Nacional de acordo com publicação do extinto Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior. O principal produto exportado foi ferro-ligas, principalmente para a China, seguida da Holanda e
dos Estados Unidos.
Luziânia destaca-se também como grande exportador, ocupando em 2017 a 161ª posição no Ranking
Nacional. Os principais produtos exportados foram a soja e o milho, principalmente para a China. Em terceiro
lugar vem Unaí, ocupando em 2017 a 213ª posição. O principal produto exportado foi a soja com 98% das
exportações, principalmente para a China.
O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 2001.
O parque, criado em 1961, está localizado nos municípios de Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Teresina de
Goiás, Nova Roma e São João d'Aliança. A sua sede localiza-se na Vila de São Jorge, em Alto Paraíso de Goiás.
Com uma área de 240.611 ha de cerrado de altitude, abriga espécies e formações vegetais únicas, centenas
de nascentes e cursos d’água, rochas com mais de um bilhão de anos, além de paisagens de rara beleza, com
feições que se alteram ao longo do ano. O parque também preserva áreas de antigos garimpos, como parte
da história local.
A caminhada e os banhos de cachoeira são as principais atividades de visitação pública nas imensas paisagens
da chapada, em uma viagem pelo Cerrado brasileiro nas antigas rotas usadas por garimpeiros, hoje utilizadas
pelos visitantes.
Como vimos, Região Metropolitana e Região Integrada de Desenvolvimento caracterizam-se por serem
entidades administrativas diferentes, não podendo ser consideradas juridicamente como iguais.
Do ponto de vista da ciência geográfica, Brasília é uma metrópole, é a cidade central de uma área regional
que integra fisicamente e funcionalmente um grande conjunto de cidades no interior do Distrito Federal e
de cidades de municípios localizados no Entorno do Distrito Federal.
No entendimento da Codeplan, no âmbito da RIDE do Distrito Federal e Entorno há duas dinâmicas: uma
metropolitana e outra não metropolitana.
A Codeplan tem promovido estudos sobre este espaço metropolitano, demonstrando haver uma
funcionalidade evidente entre o Distrito Federal e os municípios a ele adjacentes, contíguos ou não.
Diariamente, por exemplo, é intensa a mobilidade de veículos no sentido periferia metropolitana–DF, o que
demonstra haver uma dependência dos núcleos urbanos em relação ao Distrito Federal (sobretudo com o
Plano Piloto) na busca de trabalho e na procura de bens e serviços oferecidos na Capital Federal.
O Poder Público evita utilizar o termo "região metropolitana de Brasília", pois, juridicamente, a
entidade administrativa região metropolitana só pode ser criada por lei complementar estadual,
para o agrupamento de municípios limítrofes dentro do próprio Estado. Por isso, que vemos, a
denominação "Área Metropolitana de Brasília", que expressa uma realidade geograficamente
concreta, a de que a metrópole de Brasília, forma e compõe uma região metropolitana de
Brasília. Contudo, legalmente ela não existe, o que existe do ponto de vista legal é a Região
Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE-DF).
Brasília - Metrópole Nacional
O conjunto de cidades de um determinado território forma uma rede – a rede urbana. Uma rede é um
sistema constituído por arcos de transmissão e nós de bifurcação, pelos quais circulam fluxos materiais ou
imateriais.
Na rede urbana, as cidades funcionam como nós de bifurcação. As cidades são centros de distribuição de
bens e serviços. Elas mantêm, entre si, fluxos materiais, constituídos por mercadorias e pessoas, e fluxos
imateriais, ou seja, intercâmbios de informação. Os primeiros circulam por infraestruturas como rodovias,
ferrovias, hidrovias, aerovias e dutos. Os segundos, por sistemas de telecomunicações, que possibilitam
transferências de capital e intercâmbios políticos e culturais.
A influência de cada cidade no conjunto da rede depende de sua capacidade de oferecer bens e serviços. As
cidades que exercem influência sobre todo o território ocupam os postos mais altos na hierarquia urbana.
Os postos mais baixos cabem aos pequenos centros urbanos, cuja influência resume-se aos arredores.
Os centros urbanos de nível mais elevado influenciam os de níveis inferiores. As cidades também mantêm
relações de interdependência, que se manifestam pelo intercâmbio de bens e serviços. Mantêm, ainda,
relações de complementaridade, pois diversos centros urbanos se especializam na produção de
determinados bens ou serviços para todo o mercado nacional e, em certos casos, para mercados externos.
De acordo com o estudo Regiões de Influência das Cidades (REGIC), do IBGE, a rede urbana brasileira está
estruturada em cinco níveis de hierarquia, que funcionam como centros de comando do território. A
classificação privilegiou o papel e a função das cidades na gestão do território, com a avaliação dos níveis de
centralidade do Poder Executivo e do Judiciário no nível federal, e de centralidade empresarial, bem como a
presença de diferentes equipamentos e serviços.
A última atualização da REGIC foi divulgada no ano de 2020, tendo como base o ano de 2018.
Os cinco níveis, por ordem de importância, são as metrópoles, capitais regionais, centros sub-regionais,
centros de zona e centros locais.
As metrópoles são os 15 principais centros urbanos, dos quais todas as cidades existentes no país recebem
influência direta, seja de uma ou mais metrópoles simultaneamente. A região de influência dessas
centralidades é ampla e cobre toda a extensão do território brasileiro, com áreas de sobreposição em
determinados contatos. As metrópoles se subdividem em três níveis:
a. Grande metrópole nacional – Arranjo Populacional (AP) de São Paulo, o maior conjunto urbano do país,
ocupa, isoladamente, a posição de maior hierarquia urbana do país;
Estado do Entorno
Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Decreto Legislativo nº 246/15, do deputado Célio Silveira
(PSDB-GO), que convoca plebiscito para a população se manifestar sobre a criação do estado do Entorno,
que seria constituído por municípios localizados em volta do Distrito Federal.
De acordo com o projeto, o novo estado será formado por 18 cidades goianas: Abadiânia, Água Fria de Goiás,
Águas Lindas, Alexânia, Cabeceiras, Cidade Ocidental, Cocalzinho, Corumbá de Goiás, Cristalina, Formosa,
Luziânia, Mimoso de Goiás, Novo Gama, Padre Bernardo, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto,
Valparaíso de Goiás e Vila Boa.
No projeto, Silveira justifica a necessidade da criação do novo estado dizendo que a região "vivencia
dificuldades, especialmente pela distância entre o centro administrativo do estado e os municípios". Para
ele, a RIDE não conseguiu atingir os objetivos econômicos e sociais. Segundo os defensores do projeto, a
criação do estado do Entorno pode trazer maior efetividade das ações administrativas e melhorar os
indicadores econômicos e sociais da região.
Se o plebiscito for realizado, dele poderá participar a população de todo o estado de Goiás. Isso pelo fato de
que a Lei federal nº 9.709 de 1998 estabelece a participação de toda a população dos estados afetados nos
plebiscitos realizados para decidir sobre desmembramentos de territórios para formação de outros estados.
Ou seja, não são somente os eleitores dos municípios afetados, mas do estado afetado. Assim, se tal
plebiscito ocorrer, devem ser consultados os eleitores de TODOS os municípios do estado de Goiás, pois todo
o estado seria afetado com esse desmembramento.
Legislação sobre a RIDE-DF
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte
Lei Complementar:
Art. 1º É o Poder Executivo autorizado a criar, para efeitos de articulação da ação administrativa da
União, dos Estados de Goiás e Minas Gerais e do Distrito Federal, conforme previsto nos arts. 21, inciso IX,
43 e 48, inciso IV, da Constituição Federal, a Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e
Entorno - RIDE.
§ 1º A Região Administrativa de que trata este artigo é constituída pelo Distrito Federal, pelos
Municípios de Abadiânia, Água Fria de Goiás, Águas Lindas de Goiás, Alexânia, Alto Paraíso de Goiás, Alvorada
do Norte, Barro Alto, Cabeceiras, Cavalcante, Cidade Ocidental, Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás,
Cristalina, Flores de Goiás, Formosa, Goianésia, Luziânia, Mimoso de Goiás, Niquelândia, Novo Gama, Padre
Bernardo, Pirenópolis, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto, São João d’Aliança, Simolândia, Valparaíso
de Goiás, Vila Boa e Vila Propício, no Estado de Goiás, e de Arinos, Buritis, Cabeceira Grande e Unaí, no Estado
de Minas Gerais. (Redação dada pela Lei Complementar nº 163, de 2018)
Art. 2º É o Poder Executivo autorizado a criar um Conselho Administrativo para coordenar as atividades
a serem desenvolvidas na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno.
Parágrafo único. As atribuições e a composição do Conselho de que trata este artigo serão definidas
em regulamento, dele participando representantes dos Estados e Municípios abrangidos pela RIDE.
Art. 3º Consideram-se de interesse da RIDE os serviços públicos comuns ao Distrito Federal e aos
Municípios que a integram, especialmente aqueles relacionados às áreas de infraestrutura e de geração de
empregos.
Art. 5º Os programas e projetos prioritários para a região, com especial ênfase para os relativos à
infraestrutura básica e geração de empregos, serão financiados com recursos:
I - de natureza orçamentária, que lhe forem destinados pela União, na forma da lei;
II - de natureza orçamentária que lhe forem destinados pelo Distrito Federal, pelos Estados de Goiás e
de Minas Gerais, e pelos Municípios abrangidos pela Região Integrada de que trata esta Lei Complementar;
Art. 6º A União poderá firmar convênios com o Distrito Federal, os Estados de Goiás e de Minas Gerais,
e os Municípios referidos no § 1º do art. 1º, com a finalidade de atender o disposto nesta Lei Complementar.
Iris Rezende
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea
“a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei Complementar n o 94, de 19 de fevereiro de 1998, e
na Lei Complementar no 129, de 8 de janeiro de 2009,
DECRETA:
Art. 1º A Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno - RIDE destina-se à
articulação da ação administrativa da União, dos Estados de Goiás e de Minas Gerais e do Distrito Federal.
§ 1º A RIDE é constituída pelo Distrito Federal, pelos Municípios de Abadiânia, Água Fria de Goiás,
Águas Lindas, Alexânia, Cabeceiras, Cidade Ocidental, Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás, Cristalina,
Formosa, Luziânia, Mimoso de Goiás, Novo Gama, Padre Bernardo, Pirenópolis, Planaltina, Santo Antônio do
Descoberto, Valparaíso e Vila Boa, no Estado de Goiás, e de Unaí e Buritis, no Estado de Minas Gerais.
Até a postagem desta aula, o § 1º do artigo 1º deste Decreto não tinha sido alterado, para
fins de adequação à nova redação do § 1º da LC nº 94/98. Assim, para fins de composição
da RIDE, vale o que está escrito na lei complementar.
I - coordenar as ações dos entes federados que compõem a RIDE, visando ao desenvolvimento e à
redução das desigualdades regionais;
III - programar a integração e a unificação dos serviços públicos que lhes são comuns;
IV - indicar providências para compatibilizar as ações desenvolvidas na RIDE com as demais ações e
instituições de desenvolvimento regional;
Parágrafo único. Consideram-se de interesse da RIDE os serviços públicos comuns ao Distrito Federal,
aos Estados de Goiás e de Minas Gerais e aos Municípios que a integram, relacionados com as seguintes
áreas:
I - infraestrutura;
IX - educação e cultura;
XI - habitação popular;
XIII - turismo; e
XI - dois representantes dos Municípios do Estado de Goiás que integram a RIDE, indicados, em comum
acordo, pelos Prefeitos dos Municípios que integram a RIDE; e
XII - dois representantes dos Municípios do Estado de Minas Gerais que integram a RIDE, indicados, em
comum acordo, pelos Prefeitos dos Municípios que integram a RIDE.
§ 1º Os membros de que tratam os incisos I a IX do caput serão substituídos, em suas ausências e seus
impedimentos, por seus substitutos.
§ 2º Cada membro de que tratam os incisos X a XII do caput terá um suplente, que o substituirá em
suas ausências e seus impedimentos.
§ 3º Os membros de que tratam os incisos X a XII do caput terão mandato de dois anos, permitida a
recondução.
§ 4º Os membros do COARIDE de que tratam os incisos X a XII do caput, e respectivos suplentes, serão
designados pelo Secretário-Executivo do Ministério do Desenvolvimento Regional.
III - no prazo de até trinta dias após a reunião em que tenha havido concessão de vista de matéria
constante da pauta.
§ 2º Além do voto ordinário, o Presidente do COARIDE terá o voto de qualidade em caso de empate.
Art. 4º-C A Secretaria-Executiva do COARIDE será exercida pela Diretoria de Planejamento e Avaliação
da SUDECO.
Art. 4º-D A participação no COARIDE será considerada prestação de serviço público relevante, não
remunerada.
I - do orçamento da União;
II - dos orçamentos do Distrito Federal, dos Estados de Goiás e de Minas Gerais e dos Municípios
abrangidos pela RIDE; e
Art. 10. A União estabelecerá convênios com o Distrito Federal, com os Estados de Goiás e de Minas
Gerais e com os Municípios referidos no § 1º do art. 1º, com a finalidade de atender ao disposto neste
Decreto.
DILMA ROUSSEFF
Guido Mantega
Região Integrada de Desenvolvimento
Regiões Integradas de Desenvolvimento são grandes aglomerações urbanas que se situam em mais de um
estado. A União já instituiu três regiões integradas de desenvolvimento:
A contínua e cada vez maior integração física e funcional entre o DF e os municípios do Entorno e seus
problemas levou à criação da RIDE/DF. Primeira RIDE a ser criada no Brasil.
Composição:
➢ Distrito Federal;
➢ Vinte e nove municípios do estado de Goiás:
Abadiânia, Água Fria de Goiás, Águas Lindas de Goiás, Alexânia, Alto Paraíso de Goiás, Alvorada do Norte,
Barro Alto, Cabeceiras, Cavalcante, Cidade Ocidental, Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás, Cristalina,
Flores de Goiás, Formosa, Goianésia, Luziânia, Mimoso de Goiás, Niquelândia, Novo Gama, Padre
Bernardo, Pirenópolis, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto, São João d’Aliança, Simolândia,
Valparaíso de Goiás, Vila Boa e Vila Propício.
➢ Quatro municípios do estado de Minas Gerais:
Arinos, Buritis, Cabeceira Grande e Unaí.
O setor majoritário no PIB da RIDE-DF é o de serviços, seguido pela indústria e agropecuária.
Consideram-se de interesse da RIDE os serviços públicos comuns ao Distrito Federal, aos estados de Goiás,
Minas Gerais e aos municípios que a integram.
Relacionados com as seguintes áreas:
✓ Infraestrutura;
✓ Geração de empregos e capacitação profissional;
✓ Saneamento básico, em especial o abastecimento de água, a coleta e o tratamento de esgoto e o
serviço de limpeza pública;
✓ Uso, parcelamento e ocupação do solo;
✓ Transportes e sistema viário;
✓ Proteção ao meio ambiente e controle da poluição ambiental;
✓ Aproveitamento de recursos hídricos e minerais;
✓ Saúde e assistência social;
✓ Educação e cultura;
✓ Produção agropecuária e abastecimento alimentar;
✓ Habitação popular;
✓ Serviços de telecomunicação;
✓ Turismo; e
✓ Segurança pública.
O estudo Regiões de Influência das Cidades (REGIC), do IBGE (2018), classifica Brasília como
uma metrópole nacional.
Estado do Entorno
Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Decreto Legislativo nº 246/15, do deputado Célio Silveira
(PSDB-GO), que convoca plebiscito para a população se manifestar sobre a criação do estado do Entorno,
em municípios localizados em volta do Distrito Federal.
De acordo com o projeto, o novo estado será formado por 18 cidades goianas: Abadiânia, Água Fria de
Goiás, Águas Lindas, Alexânia, Cabeceiras, Cidade Ocidental, Cocalzinho, Corumbá de Goiás, Cristalina,
Formosa, Luziânia, Mimoso de Goiás, Novo Gama, Padre Bernardo, Planaltina, Santo Antônio do
Descoberto, Valparaíso e Vila Boa.
No projeto, Silveira justifica a necessidade da criação do novo estado dizendo que a região "vivencia
dificuldades, especialmente pela distância entre o centro administrativo do estado e os municípios". Para
ele, a RIDE não conseguiu atingir os objetivos econômicos e sociais.
Segundo os defensores do projeto, a criação do estado do Entorno pode trazer maior efetividade das ações
administrativas e melhorar os indicadores econômicos e sociais da região.
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 2001.