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História e Técnicas do Caratê

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Caratê

Introdução
O caratê é uma arte marcial japonesa que combina técnicas de
autodefesa com valores tradicionais como disciplina, respeito e
autoaperfeiçoamento. Nesta pesquisa, exploraremos o mundo do caratê
e sua importância tanto como uma forma de exercício físico quanto
como um meio de desenvolvimento pessoal.

Conceito do caratê
O Karatê é uma arte marcial japonesa e um método de ataque e defesa
pessoal que inclui diversas técnicas executadas com as mãos
desarmadas. Karatê é uma palavra japonesa que significa “mãos
vazias”. Em Português do Brasil, a grafia correta da palavra é “caratê”
(com “c” e com acento circunflexo), contudo é comum encontrar escrita
com "k".
O método de defesa pessoal foi possivelmente originado na China, mas
se desenvolveu e evoluiu no Japão, na província de Okinawa, com base
em uma luta já existente na época.

No Japão também se acrescentou a partícula “do” (karate-do), que


significa “caminho”, para acrescentar à luta os aspectos filosóficos e
físicos, cujas técnicas visam disciplinar o corpo e a mente. Os
praticantes de caratê são denominados “caratecas”. Nas lutas, os
caratecas só podem usar as armas de combate naturais, ou seja, o
próprio corpo (mãos, braços, pés, pernas, etc.), incluindo os bons
reflexos de visão e a inteligência.
O nível atingido por cada carateca é classificado através de um sistema
de faixas coloridas (classe Kyu), na seguinte ordem: branca, amarela,
vermelha, laranja, verde, roxa, marrom. A faixa branca é indicativa de
principiante.

História do caratê
Considerado uma das principais artes marciais japonesas, a origem do
karatê aconteceu no século XV no pequeno reino de Ryukyu, grupo de
ilhas localizado atualmente no sul do Japão e que formam a atual
Província de Okinawa, combinando influências chinesas e japonesas. O
então reino independente tinha conexões culturais e comerciais com a
China. Por isso, muitas delegações chinesas viajavam para Okinawa e,
como parte do intercâmbio cultural entre as duas nações, muitos
mestres de artes marciais chineses chegaram em Ryukyu e
influenciaram as artes marciais locais.

No Século XVII, o clã do sul do Japão conquistou Okinawa e, por conta


da situação política do país na época, eles optaram por não se impor
propriamente sobre Okinawa, mas utilizá-la como uma rota para a
China. Um mito bastante famoso é que os samurais japoneses, quando
conquistaram Okinawa, não permitiam o uso de armas e, por conta
disso, o karatê surgiu como uma maneira de enfrentar os samurais sem
armas, mas isto é só um mito. Havia algumas restrições, mas elas não
eram tão estreitas como se conta. Além disso, o domínio japonês em
Okinawa não era direto, então os samurais não costumavam estar
presentes na ilha. Houve algumas rebeliões, mas não contra os
samurais - explica Yiftach.
Esta foi a situação até meados do século XIX, quando o Japão decidiu
se abrir para o Ocidente, na época que ficou conhecida como Era Meiji.
Com fortes sentimentos nacionalistas, o Japão anexou Okinawa e os
habitantes locais se dividiram entre eles e a China. Em 1894, o Japão
venceu a Guerra Sino-Japonesa e os grupos pró-Japão se fortaleceram,
intensificando o nacionalismo japonês na província. Na época, a arte
marcial era comumente conhecida só como Te - “mãos” em tradução
literal, que também simbolizava a ideia de técnica -, mas também era
encontrada a forma Kara-te (Mãos Chinesas). Por conta da tensão entre
os dois países na época, o nome se tornou impróprio e a grafia foi
substituída por um homófono que significa “Mãos Vazias”, forma como
se espalharia por todo o arquipélago.

Nas primeiras décadas do Século XX, muitos mestres de Okinawa


começaram a ir para as principais ilhas do Japão para disseminar o
karatê e fazê-lo ser incluído no Butokukai, organização que reconhecia
as artes marciais de origem japonesa. Nos anos 30, o karatê se juntou a
estilos como o judô e o jiu-jitsu e foi reconhecido oficialmente como arte
originária do país - conta o mestre. Durante sua expansão, o karatê se
desenvolveria em diferentes estilos. A Federação Brasileira de Karatê
(FBK) reconhece cinco deles: Goju-Ryu, Shotokan, Wado-Ryu, Shito-
Ryu e Shorin-Ryu. Já a Federação Mundial de Karatê (WKF)
desconsidera o Shorin-Ryu e reconhece apenas os outros quatro
oficialmente. Entretanto, dezenas de sub estilos e variações podem ser
encontrados ao redor do mundo hoje em dia.

Quando o karatê se chamava apenas Te, estava concentrado em três


cidades de Okinawa: Naha, Shuri e Tomari. Existiam o Naha-Te, o
Shuri-Te e o Tomari-Te, já que cada lugar tinha seus próprios mestres.
Havia um intercâmbio entre os diferentes dojos, mas cada um tinha
suas próprias técnicas de acordo com os estilos trazidos da China e o
físico e personalidade de cada mestre - explica Yiftach, que completa:
Quando chegou ao Japão, a ideia era disseminá-lo. Algumas técnicas
foram abandonadas porque não eram muito comerciais. Além disso, os
mestres começaram a ensinar karatê nas universidades, tendo que
adaptar as aulas para grupos maiores. Como os alunos só tinham três,
quatro anos para aprender na universidade, eles enfatizaram os chutes,
socos e sparring, deixando para trás técnicas de corpo-a-corpo como
estrangulamentos, chaves e quedas. Isto também foi uma forma de
diferenciar o karatê dos outros estilos japoneses, como o judô e o jiu-
jitsu.

Quem exerce um papel importante neste processo é o fundador do


estilo Shotokan, Gichin Funakoshi, que é hoje reconhecido como Pai do
Karatê Moderno. A partir de suas aulas estruturadas com o uso de
técnicas de longa distância, jovens praticantes começaram a treinar
para se enfrentar em competições, o que se tornou o foco principal
deste estilo. Outros estilos se mantiveram mais relacionados com o
karatê tradicional, focados na defesa pessoal – tanto de civis quanto
das forças policiais de Okinawa, que utilizavam as técnicas para
capturar e neutralizar criminosos com o mínimo de dano possível.
Existem 5 tipos de caratê, sendo esses; Goju-Ryu, Shotokan, Wado-
Ryu, Shito-Ryu e Shorin-Ryu.

Regras do caratê
O treinamento do karatê se divide em três partes: o kihon (fundamentos
básicos), o kata (demonstração individual de técnicas em uma
sequência pré-determinada) e o kumite (combate aplicando as técnicas
aprendidas no kihon e no kata). Para os Jogos Olímpicos, haverá
competições de kata (sem restrições por peso) e de kumite (em três
categorias de peso diferentes).

Em uma competição de kata, os atletas podem performar qualquer um


dos praticantes em um dos quatro estilos reconhecidos pela WKF, sem
repetir o mesmo kata ao longo do torneio. Em sistema de mata-mata,
dois karatecas se enfrentaram e cinco juízes votaram para decidir a
melhor execução, baseando-se em critérios como velocidade, simetria
dos movimentos, uso adequado da respiração, postura e utilização
correta das técnicas.

Já no kumite, os competidores se enfrentam em um combate de três


minutos. O vencedor é quem acumular mais pontos durante o tempo
regulamentar ou, em caso de empate nos pontos, quem marcar primeiro
em um sistema de morte súbita (senshu). Também é possível que um
lutador vença antes dos três minutos previstos caso abre oito pontos de
vantagem sobre o adversário ou em caso de desqualificação do outro
competidor, devido a uma falta grave ou pelo acúmulo de faltas leves.
Técnicas Básicas do caratê
Shizentai - Postura natural
Pernas estendidas, corpo ereto e relaxado. Desta posição pode-se
passar facilmente a posição de ataque ou defesa.

Zenkutsu-dachi - Postura para frente avançada


Muito eficiente para trabalhar a força para frente nos ataques. É também
utilizada nas defesas. Os pés afastam-se dobrando a perna da frente e
estendendo a perna de trás, mantendo a largura do quadril, com toda a
planta no chão. 60% do peso do corpo são sustentados pela perna da
frente e os 40% restantes, pela perna de trás. O tronco permanece
perpendicular ao chão e assentado sobre o quadril encaixado.

Kokutsu-dachi - Postura recuada


É uma postura muito forte, sendo bastante eficaz para defender ou
esquivar para trás ou obliquamente e trocar rapidamente para zenkutsu-
dachi no contra-ataque. Os pés encontram-se alinhados e afastados
mantendo a perna de trás dobrada para o lado e a da frente se
ligeiramente flexionado e apontado para frente. O pé de trás, apontando
para o lado, suporta 70% do peso do corpo, enquanto o pé da frente,
apontado para frente, suporta os 30% restantes. Ambos formam
aproximadamente um ângulo de 90 graus entre si. O quadril encaixado
assenta o tronco perpendicular ao chão.

Kiba-dachi - Postura do cavaleiro


É uma postura muito forte para a aplicação de golpes para os lados.
Seu nome é devido à semelhança com a posição de cavalgar. Os pés
se afastam lateralmente, mantendo-se alinhados e paralelos. Os joelhos
ficam dobrados para frente com contração para fora. O peso do corpo
divide-se igualmente entre as duas pernas mantendo o tronco
perpendicular ao chão.

Sanchin-dachi – Postura da Pequena Meia-lua


Ideal para a execução de técnicas tanto de frente quanto de costas, da
esquerda ou da direita, especialmente técnicas defensivas. Com um dos
pés ligeiramente para frente e a ponta dos pés voltados para dentro,
mantêm os joelhos dobrados e a parte superior reta e perpendicular ao
chão.

Shiko-dachi- Postura de sumo


Semelhante a postura Kiba-dachi, na qual as pernas ficam abertas, os
pés ficam posicionados para fora em ângulos de 45° e os quadris
abaixados. Favorece o treinamento de pernas e quadris. É indicada
para a execução de técnicas ofensivas para os lados.

Hangetsu-dachi - Posição da meia lua


Apesar de ser eficaz tanto para defesa quanto o ataque, costuma ser
usado mais para a defesa. É um meio termo entre a posição para frente
avançada e a posição pequena meia-lua.

Fudo-dachi ou Sochin-dachi– Postura Imóvel


Pernas totalmente dobradas, como na posição pernas abertas, mas com
os pé na vertical. É uma posição a partir da qual se pode impedir um
ataque e passar imediatamente para a ofensiva.

Neko-achi-dachi- Postura do gato


Com o joelho dianteiro virado levemente para frente e o calcanhar
levantado, posiciona-se a maior parte do peso do corpo na perna
traseira, que também mantém o joelho dobrado e a ponta do pé
direcionado para a diagonal.

Conclusão
O caratê é muito mais do que apenas uma arte marcial; é uma disciplina
que ensina não apenas habilidades físicas, mas também valores como
respeito, autocontrole e perseverança. Ao praticar o caratê, os
indivíduos podem melhorar sua saúde física e mental, desenvolvendo
confiança e habilidades de autodefesa. Além disso, o caratê é uma
forma de arte que une pessoas de diferentes origens e culturas em uma
comunidade global de entusiastas. Portanto, o caratê é uma prática
valiosa que contribui para o crescimento pessoal e para a construção de
relacionamentos positivos ao redor do mundo.
Fontes
[Link]
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