Como Investir em ETFs: Guia Prático
O conteúdo desta obra ampara-se no direito fundamental à manifestação do pensamento, previsto nos arts. 5º, IV e 220 da Constituição Federal de 1988.
Importante: O conteúdo deste livro é apenas educativo e informativo. Não se trata de recomendação, indicação ou aconselhamento de investimento. O
conteúdo pode conter erros, pode estar desatualizado ou não ser próprio para a sua realidade pessoal. Qualquer decisão tomada após a leitura deste livro
é de responsabilidade do leitor.
Este livro tem como objetivo único fornecer informações educativas. Ele não constitui, nem deve ser
interpretado como recomendação de compra ou venda de ETFs ou de qualquer valor mobiliário.
O mercado de bolsa de valores é considerado de alto risco, em virtude das grandes variações de
rendimento a que está sujeito. Esse risco traduz-se principalmente, nos efeitos que alterações políticas
e econômicas, no Brasil e no exterior, ou alterações decorrentes da situação individual de cada
companhia, têm na valorização ou desvalorização de suas ações.
Nenhuma informação contida nesse livro está considerando os seus objetivos pessoais de investimento,
a sua atual situação financeira, suas limitações ou necessidades específicas. O autor não conhece a sua
realidade pessoal.
Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Todos os números do mercado financeiro sofrem
alterações diárias. Informações contidas nos exemplos educativos deste livro podem se desatualizar
com o tempo, por isso, nunca use as informações contidas nele para tomar qualquer decisão sem antes
consultar outras fontes.
Sugestões
Fiz todos os esforços possíveis para minimizar a presença de erros no conteúdo deste livro. Caso
encontre algum erro ou queira sugerir alguma melhoria visite:
[Link]
ETFs ou Exchange Traded Funds são fundos negociados na bolsa de valores, assim como os fundos
imobiliários. Os ETFs também são chamados de fundos de índice, pois investem nos mesmos ativos
que fazem parte da carteira de teórica do índice que se comprometem a seguir.
Você certamente já ouviu falar no Índice Bovespa. Sempre que o noticiário fala sobre uma alta ou
baixa na bolsa ele se refere a variações deste índice que é calculado considerando os movimentos dos
preços de uma carteira teórica de ações, ou seja, um conjunto de mais de 80 ações que estão entre as
mais negociadas da bolsa brasileira.
Existem vários ETFs que investem nas mesmas ações que são utilizadas para calcular o Índice
Bovespa. O mais negociado de todos é o BOVA11. O trabalho do gestor que administra o ETF
BOVA11 é fazer este ETF apresentar o mesmo desempenho ou as mesmas variações que ocorrem no
Índice Bovespa. Ele faz isso comprando as mesmas ações nas mesmas proporções que fazem parte do
índice.
O Índice Bovespa (também chamado de IBOV ou Ibovespa) é mantido pela B3, que é a empresa que
opera a bolsa de valores brasileira. Através do Índice Bovespa podemos medir o desempenho dos
preços de uma carteira teórica de dezenas de ações que estão entre as mais negociadas na bolsa. Cada
bolsa de cada país do mundo tem seu principal índice de referência. O equivalente ao Índice Bovespa
nos EUA é o índice S&P500 composto por 500 ações diferentes das empresas mais importantes das
duas principais bolsas americanas que são a Bolsa de Nova Iorque e a Nasdaq.
Ao comprar um único ETF, como o BOVA11, por algumas dezenas de reais, você terá o seu dinheiro
rendendo o equivalente ao que renderia se tivesse comprado mais de 80 ações diferentes, na mesma
proporção que faz parte da carteira do Índice Bovespa. Se você visitar aqui verá a lista completa de
ações que fazem parte da carteira teórica do Índice Bovespa. Imagine como seria trabalhoso se para
ter o mesmo desempenho da bolsa brasileira você tivesse que comprar cada uma dessas ações nas
proporções que aparecem na coluna “Part(%)”.
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Vimos que ao comprar um ETF você está comprando uma carteira com dezenas ou até centenas de
ações em uma única operação de compra. Como você pode ver aqui, o número de ETFs diferentes
negociados na Bolsa brasileira ainda é pequeno quando comparamos com os mais de 2.000 ETFs
negociados nas bolsas americanas (veja a lista por categorias aqui) que se dividem em inúmeras
categorias dependendo do tipo de ativo onde investem.
Os primeiros ETFs surgiram no Canada e nos EUA na década de 90 e logo fizeram grande sucesso,
principalmente devido ao custo baixo da taxa administrativa quando comparado com os custos dos
fundos de investimento oferecidos pelos bancos e gestoras.
Outro atrativo dos ETFs foi a grande possibilidade de diversificação, transparência com relação aos
ativos onde o ETF investe o dinheiro dos investidores e a enorme facilidade para comprar e vender os
ETFs na bolsa.
O Baixo Custo
Quando investimos devemos considerar a existência de dois tipos de custo. O primeiro tipo é visível e
está representado por tarifas e impostos. O segundo tipo é mais problemático, pois se trata de um custo
invisível e envolve o seu bem mais precioso que é o seu tempo.
Imagine como seria trabalhoso e demorado selecionar meia centena de ações para criar uma carteira
realmente diversificada e depois monitorar o desempenho dessas ações por todo o tempo que você
resolver ficar com elas.
Através da compra de ETFs a montagem de uma carteira diversificada de ações brasileiras, ações
estrangeiras, fundos imobiliários e criptomoedas se torna rápida e barata.
Vamos imaginar que você tem o objetivo de investir uma determinada quantia do seu patrimônio em
ações do setor financeiro por entender que este sempre foi um setor que prosperou no Brasil.
Existe um ETF negociado na bolsa brasileira, conhecido pelo código FIND11 (IT NOW IFNC
FUNDO DE ÍNDICE), composto por quase 20 ações de bancos, empresas de seguros e outras
instituições financeiras.
O gestor do FIND11 faz o trabalho de comprar e manter todas as ações que fazem parte do “Índice
Financeiro” ou INFC. Esse índice composto por duas dezenas de ações é mantido pela própria B3,
veja aqui.
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Então podemos dizer que 20,74% desses R$ 110,80 estão investidos em ações do Itaú (ITUB4). Depois
temos 15,76% desses R$ 110,80 investidos nas ações da B3 (B3SA3) e assim por diante. Somando as
participações podemos entender que ao comprar FIND11 você terá 69,22% do valor investido por ETF
aplicado em ações dessas 5 empresas. O restante está diluído em seguradoras, bancos médios e outras
instituições. Para ver a lista completa de ações que fazem parte do FIND11 visite aqui, depois clique
em “Composição” e procure a tabela “Composição do Índice” ou veja a carteira teórica do IFNC.
O fato é que se você desejasse ter uma carteira composta por grandes empresas do setor financeiro,
comprar FIND11 seria uma forma rápida e barata de adquirir essa carteira, pois você gastaria seu
tempo e o seu dinheiro comprando e gerenciando apenas um ativo que é o ETF.
As taxas de corretagem e taxas de bolsa seriam sobre um único ativo. Se no decorrer do tempo a
carteira do FIND11 sofrer alterações, devido a mudanças que ocorrem 3 vezes por ano quando a B3
reavalia a carteira teórica do índice IFNC, você não precisará gastar tempo e dinheiro comprando e
vendendo ações para reequilibrar a sua carteira. O gestor do FIND11 fará os ajustes necessários.
Perceba que é bem mais rápido e prático comprar um ETF como o FIND11 para investir nas maiores
instituições do setor financeiro através de uma única operação.
Vamos imaginar que você também gostaria de investir no setor de materiais básicos por acreditar que
ele terá um bom desempenho no futuro. Enquanto o setor financeiro costuma ter bons resultados
mesmo nas crises, o setor de materiais básicos depende de uma economia em crescimento no Brasil e
no mundo. Esse setor é composto por empresas de mineração, siderúrgicas, empresas que produzem
papel de celulose, petroquímicos etc.
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É interessante observar que o setor financeiro e o setor de materiais básicos são os que possuem maior
peso na bolsa brasileira. Se você observar as ações que fazem parte do Índice Bovespa verá que as
ações com maior participação são justamente desses dois setores da economia.
A Maior Diversificação
Teremos capítulos nesse livro onde irei mostrar na prática a importância da diversificação, mas neste
momento é importante que você entenda que investir em uma ação de um determinado setor que você
considere a melhor é mais arriscado do que investir em um ETF composto por dezenas de ações deste
mesmo setor.
Ter somente ações ou ETFs de um mesmo setor da economia é mais arriscado do que ter investimentos
espalhados por diversos setores.
Ter somente investimentos em ativos brasileiros como ações e ETFs é mais arriscado que ter
investimentos espalhados por diversos países.
É muito importante diversificar seus investimentos entre empresas, entre setores e entre países.
Neste livro vamos conhecer ETFs que diversificam seu patrimônio por empresas de maior porte,
empresas de menor porte, empesas de setores específicos, empresas que mais pagam dividendos,
empresas negociadas em outros países e outros ativos.
Se uma das empresas que fazem parte de um ETF qualquer sofrer um problema pontual e o preço de
suas ações “derreterem”, o impacto negativo dessa queda brusca no preço no ETF será minimizado já
que o investimento do ETF está diluído em dezenas ou centenas de ações diferentes.
Já quando você tem investimentos em poucas ações, o seu risco está concentrado em poucos ativos e
qualquer movimentação brusca no preço de um único ativo pode produzir variações significativas no
seu patrimônio.
Nunca devemos esquecer que vivemos no Brasil e não é raro o envolvimento de empresas brasileiras
em escândalos políticos, fiscais e ambientais. Muitas vezes as empresas de determinados setores
podem sofrer os efeitos da insegurança jurídica, decisões políticas e crises.
Se concentrar seus investimentos em uma única empresa é arriscado no mundo inteiro, no Brasil esse
risco parece potencializado.
Um ETF é a forma mais barata e rápida para montar uma carteira de investimentos altamente
diversificada onde o risco está diluído em muitos ativos.
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Todo fundo de investimentos cobra uma taxa administrativa que remunera a instituição que faz a gestão
do fundo. A taxa administrativa também paga todos os custos para manter o fundo funcionando.
Como esses custos são retirados do patrimônio do fundo, isso acaba consumindo parte dos ganhos que
o fundo consegue obter com os investimentos que faz. Dessa forma, o investidor não percebe que está
sendo cobrado, pois a cobrança não é feita diretamente.
Um dos grandes atrativos dos ETFs é o baixo custo. O gestor de um ETF que investe em ações não
precisa contratar uma grande estrutura de profissionais para selecionar e acompanhar os fundamentos
financeiros de dezenas ou centenas de empresas.
O gestor do ETF só precisa comprar as ações que fazem parte do índice que o ETF está seguindo, na
mesma proporção que compõe o índice, sem fazer julgamentos ou análises sobre essas ações. Quem
tem o trabalho de atualizar a lista de ações que fazem parte do índice seguido pelo fundo é a instituição
responsável pelo índice.
Grande parte dos índices utilizados pelos ETFs como referência são mantidos pela B3 e os gestores
dos ETFs remuneram a B3, através de um licenciamento, para poderem divulgar que seguem o índice
mantido por eles.
Dessa forma, a gestão da carteira de ações que fazem parte de um ETF é considerada uma gestão
passiva, pois o trabalho e os custos envolvem apenas o de seguir uma carteira teórica elaborada pela
B3 ou outra entidade por trás de um índice.
Muitos fundos de investimentos oferecidos por bancos e corretoras que cobram taxas muito elevadas
possuem gestão ativa, ou seja, os gestores tomam decisões baseadas nos conhecimentos e estratégias
de suas equipes. Quem investe em um fundo de gestão ativa, pagando taxas elevadas, está apostando
que os gestores desses fundos são capazes de superar o desempenho dos índices seguidos passivamente
pelos ETFs. Na prática, isso até acontece por algum tempo, mas no longo prazo são raríssimos os
gestores de fundos de investimentos ativos que conseguem superar os índices consistentemente.
Tendo como base os critérios que os mantenedores dos índices usam para escolher as ações, ao investir
em ETFs que seguem índices você geralmente investirá nas ações que estão sendo mais negociadas
(maior liquidez) e maior valor de mercado dentro de algum critério de segmentação. Podemos imaginar
que as ações mais negociadas e valiosas são aquelas que grande parte dos investidores do país
escolheram como as melhores entre as que estão disponíveis na bolsa.
No Brasil, fundos ativos que investem em ações costumam cobrar 2% ao ano de taxa administrativa
(fonte) mais 20% de taxa de performance sobre o que superar o Índice Bovespa ou outro índice
referência. Temos vários ETFs negociados na bolsa que cobram taxas abaixo 0,3% ao ano.
Outro fator que torna o custo de um ETF menor que o custo de um fundo de investimento está na forma
como são divulgados e vendidos.
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Como os ETFs são negociados na Bolsa, qualquer cliente de qualquer banco ou corretora pode comprar
e vender todos os ETFs listados. O gestor do ETF não precisa remunerar a instituição financeira para
que o seu ETF seja oferecido. Isso ajuda manter as taxas reduzidas nos ETFs.
Diversos fundos multimercado e de ações apenas replicam a carteira dos índices, assim como os ETFs
fazem, mas acabam cobrando taxas administrativas bem maiores. Existem até os fundos de
investimentos que investem em ETFs e outros fundos. As taxas que cobram são maiores já que operam
como intermediários.
Nem todos os fundos de investimento são oferecidos em todas as corretoras e bancos. Já os ETFs são
oferecidos através de todas as corretoras e bancos onde você possa acessar os investimentos
negociados na bolsa de valores.
Muitas vezes os fundos de investimento abrem para um período de captação, onde aceitam a entrada
de novos investidores ou a entrada de novos investimentos dos investidores existentes d logo depois
fecham.
No caso do ETF isso não ocorre. Os ETFs podem ser comprados e vendidos todos os dias enquanto a
bolsa de valores estiver funcionando.
Muitos fundos que investem em ações demoram vários dias, semanas ou até meses para devolver o
seu dinheiro quando você resolve pedir um resgate. Eles chamam isso de prazo de cotização de resgate.
Pior do que esperar muito tempo para ter o seu dinheiro de volta é nunca saber quanto você receberá,
pois tudo vai depender do valor das cotas no final desse prazo.
Sem dúvida nenhuma, esses prazos oferecem enorme risco para quem investe em fundos de ações e
fundos multimercado ofertados por bancos e corretoras.
Felizmente esse tipo de problema não acontece nos ETFs, pois ao tomar a decisão de vender o seu
ETF você já sabe exatamente quanto receberá por cada ETF. O mesmo acontece no momento da
compra, pois é você que define na sua ordem de compra quanto deseja pagar pelo ETF. Se o preço
definido por você na ordem de compra ou de venda for atingido a operação é realizada imediatamente.
Na bolsa de valores sempre existem pessoas e instituições interessadas em comprar ou vender ETFs.
Assim que você realiza uma compra ou uma venda, o tempo de “liquidação financeira” do ETF será
de apenas dois dias úteis (D+2), ou seja, após a compra (ou venda) do ETF, os recursos serão debitados
(ou creditados) dois dias úteis após a operação pelo exato valor definido no momento da operação. Já
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Outro ponto importante que torna o ETF mais acessível é a inexistência de um investimento mínimo
significativo.
Se você já investe em fundos de investimentos deve ter observado que os fundos mais rentáveis e de
melhor desempenho exigem investimento mínimo de milhares ou dezenas de milhares de reais quando
estão abertos para novos investidores ou novos investimentos.
Esses fundos mais rentáveis também costumam ser os que possuem taxa administrativa maior e
frequentemente estão fechados para a entrada de novos investidores ou novos aportes. Fundos com
melhores resultados também se dão ao luxo de exigir prazos muito longos de espera do investidor
quando eles resolvem resgatar o dinheiro que investiram.
Para investir em ETF você só precisa de algumas dezenas de reais. Existem alguns ETFs negociados
no Brasil que custam menos de R$ 100 e outros que custam um pouco mais de R$ 100. Isso significa
que com uma pequena quantia é possível investir em ETFs.
Eles sempre estão disponíveis para a compra ou a venda. Você pode montar a estratégia de comprar
ETF aos poucos. Um exemplo seria comprar uma quantidade específica de ETFs todos os meses. Nem
sempre isso é possível quando investimos através de fundos por exigirem investimentos mínimos
elevados e nem sempre aceitarem novos investimentos.
Grande Transparência
Quando você investe em ações através de um fundo de ações você terá dificuldades para saber em
quais ações o fundo está investindo.
Não é do interesse da maioria dos fundos que as pessoas saibam onde eles estão investindo. A própria
legislação apoia essa falta de transparência, já que os fundos só precisam divulgar onde estão
investindo 2 ou 3 meses depois.
Na página na CVM, visite aqui é possível descobrir quais ações os fundos de investimento estão
comprando, mas isso normalmente ocorre com grande atraso e a página da CVM não parece ter sido
feita para ser amigável a quem deseja consultar esses dados.
Essa falta de transparência é um problema, já que os fundos de ações podem investir em ações que
você não gostaria de investir e você só saberá o que eles estão fazendo meses depois. Isso atrasa a sua
decisão sobre trocar de fundo caso perceba que existe um “desvio de estilo”.
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Até o nome dos ETFs ajudam na transparência. O nome do ETF já indica para o investidor qual é o
índice que ele segue. Exemplo: O ETF chamado ISHARES IBOVESPA FUNDO DE ÍNDICE ou
BOVA11 já indica pelo nome e pelo código que segue o índice Bovespa (Ibovespa).
O ETF de código SPXI, chamado IT NOW S&P500 TRN FUNDO DE INDICE já nos diz que se trata
de um ETF que segue o índice SP&500 que representa o índice composto pelas 500 ações mais
importantes nas bolsas dos EUA. Se você já investe em fundos de ações ou fundos multimercado deve
ter observado que a nomenclatura que eles adotam diz pouco sobre a estratégia que estão usando.
Também devemos destacar a transparência com relação aos preços das cotas dos fundos. Você pode
acompanhar as mudanças nos preços dos ETFs em tempo real através do site das corretoras ou com
atraso de apenas 15 minutos em diversos sites na internet (vou mostrar ferramentas para fazer isso no
decorrer do livro).
Você não pode acessar o preço da cota dos fundos de investimentos oferecidos por bancos e corretoras
em tempo real.
Enquanto podemos estudar o comportamento dos preços dos ETFs através de gráficos e ferramentas
de análise técnica, os fundos de investimentos não oferecem essa possibilidade. Até podemos
visualizar os gráficos dos fundos, através de ferramentas como essa aqui, mas esses gráficos podem
demorar muitos dias para serem atualizados e os recursos para o estudo gráfico são limitados.
Neste livro vou ensinar como você pode monitorar os preços dos ETFs e estudar o seu comportamento
através da análise desses preços no tempo.
Investimentos Internacionais
Para investir em ações negociadas nas bolsas americanas você precisa enviar dinheiro para o exterior,
abrir conta em uma corretora americana e aprender a investir nesse novo ambiente.
Embora hoje em dia isso tenha se tornado mais simples e barato do que antes, isso vai exigir de você
alguma dedicação. No final desse livro temos um capítulo onde eu mostro os passos para investir em
ETFs nos EUA. Como você deve saber eu tenho um livro completo sobre como investir no exterior
em dólares.
Mas para quem quer se expor ao mercado internacional investindo em reais, de forma bem rápida e
simples, é possível fazer isso através de ETFs negociados na bolsa brasileira. Temos como exemplos
os ETFs de código SPXI11 e IVVB11 que investem nas ações que fazem parte do índice S&P500.
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Falarei sobre esses ETFs internacionais com mais detalhes em capítulos específicos desse livro, mas
aqui é importante destacar a enorme facilidade que temos para investir em ações negociadas nas bolsas
americanas utilizando a nossa moeda, sem qualquer dificuldade ou burocracia graças ao uso dos ETFs.
Volatilidade Reduzida
Os preços dos ETFs sofrem constantes mudanças por serem investimentos de renda variável. Mesmo
quando seguem em uma tendência de alta, esse movimento ocorre em um frenético zigue-zague.
Frequentemente você verá o preço do ETF que você comprou sendo negociado abaixo do valor pago
por você, principalmente no curto prazo e isso faz parte do jogo.
Como um ETF é composto por dezenas ou até centenas de ações, fortes variações nos preços de
algumas poucas ações resultam em variações pequenas no preço do ETF. Podemos dizer que em um
ETF o risco de variações de cada ação acaba sendo diluído. Muitas vezes uma queda no preço de uma
ação que faz parte do ETF é compensada pela alta de uma ou várias outras ações da carteira.
Sendo assim, um ETF tende a ser menos volátil e consequentemente menos arriscado que as ações
isoladamente.
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Todos os meses a bolsa divulga o “Boletim Mensal ETF” que mostra a evolução do mercado de ETFs
no Brasil. Para acessar a versão atualizada visite aqui. No gráfico que temos nesse exemplo mostra o
forte crescimento no número de negociações de ETFs por dia (linha laranja) e volume financeiro
negociado (barras azuis) até julho de 2021.
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O gráfico abaixo nos mostra quais são os ETFs mais populares através do número de investidores que
possuem cada ETF.
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Você encontrará a lista oficial com todas os ETFs de renda variável negociados na bolsa brasileira
visitando esse endereço aqui. Os ETFs de renda fixa estão listados aqui.
Preparei a tabela abaixo para permitir que você consiga visualizar e entender como os ETFs negociados
na bolsa podem ser classificados, quais são seus códigos de negociação, índices, taxas e gestores. Você
pode acessar e editar essa tabela na planilha chamada “Lista_de_ETFs_Completa.xlsx” que
acompanha esse livro. Logo abaixo temos as colunas principais.
CLASSE DE
Código NOME ATIVO GESTOR
BOVA11 Ishares Ibovespa Fundo De Indice Brasil BlackRock
Brasil
BOVV11 It Now Ibovespa Fundo De Indice Itaú Asset Management
Brasil
BOVX11 Trend Etf Ibovespa Fundo De Indice XP Vista Asset Management
Brasil
BOVB11 Etf Bradesco Ibovespa Fdo De Indice Bradesco Asset Management
Brasil
IBOB11 Btg Pactual B 3 Ibovespa Fundo De Indice BTG Pactual Asset Management
Brasil
BBOV11 Bb Etf Ibovespa Fundo De Indice BB DTVM
Brasil
SAET11 Safra Ibovespa Fundo De Indice Safra Asset Management
Brasil
XBOV11 Caixa Etf Ibovespa Fundo De Indice Caixa Econômica Federal
Brasil
PIBB11 It Now Pibb Ibrx 50 Fundo De Indice Itaú Asset Management
Brasil
BRAX11 Ishares Ibrx Indice Brasil Ibrx 100 Fdo Indice BlackRock
Brasil
SMAL11 Ishares Bmfbovespa Small Cap Fundo De Indice BlackRock
Brasil
SMAC11 It Now Small Caps Fdo Indice Itaú Asset Management
Brasil
XMAL11 Trend Etf Small Caps Fundo De Indice XP Vista Asset Management
DIVO11 It Now Idiv Fundo De Indice Dividendos Itaú Asset Management
BBSD11 Bb Etf S P Dividendos Brasil Fundo De Indice Dividendos BB DTVM
FIND11 It Now Ifnc Fundo De Indice Financeiro Itaú Asset Management
MATB11 It Now Imat Fundo De Indice Materiais Itaú Asset Management
ISUS11 It Now Ise Fundo De Indice Segmento Itaú Asset Management
ESGB11 Btg Pactual Esg Fundo De Indice S P B 3 Brazil Es Segmento BTG Pactual Asset Management
ECOO11 Ishares Indice Carbono Efic Ico 2 Brasil Fdo Ind Segmento BlackRock
GOVE11 It Now Igct Fundo De Indice Segmento Itaú Asset Management
IVVB11 Ishares S P 500 Fdo Inv Cotas Fdo Indice EUA BlackRock
SPXI11 It Now S P 500 Trn Fundo De Indice EUA Itaú Asset Management
XINA11 Trend Etf Msci China Fdo Inv Indice Inv Ext China XP Vista Asset Management
NASD11 Trend Etf Nasdaq 100 Fdo Inv Indice Inv Ext EUA XP Vista Asset Management
GOLD11 Trend Etf Lbma Ouro Fdo Inv Indice Invest Ext Commoditie XP Vista Asset Management
Investo Etf Msci Us Technology Fundo De
USTK11 Investimento De Indice Investimento No Exterior Tecnologia Investo
EURP11 Trend Etf Msci Europa Fdo Inv Indice Inv Ext Europa XP Vista Asset Management
ACWI11 Trend Etf Msci Acwi Fdo Inv Indice Invest Ext Global XP Vista Asset Management
TECK11 It Now Nyse Fang Tm Fundo De Indice Tecnologia Itaú Asset Management
HTEK11 It Now Morningstar Xt Us Healthcare Fdo Ind Saúde Itaú Asset Management
Trend Etf Msci Asia Ex Japao Fundo Investimento
ASIA11 No Exterior Ásia XP Vista Asset Management
SHOT11 It Now S P Kensho Moonshots Fundo De Indice Inovação Itaú Asset Management
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Nas primeiras linhas da tabela temos o grupo de ETFs que seguem o índice Bovespa, também
conhecido como IBOV ou IBovespa que é um dos quatro índices amplos mantidos pela B3 (veja todos
os índices amplos aqui). O BOVA11 e BOVV11 são os mais negociados.
Depois temos outros dois ETFs que seguem duas variações do índice IBrX, que também são índices
amplos. O PIBB11 que se destaca por ser o primeiro ETF criado no Brasil. O BRAX11 se destaca pela
grande quantidade de ações que ele possui em sua carteira, sendo um dos mais diversificados.
Depois temos ETFs que seguem a carteira teórica do Índice Small Cap, que é um dos vários índices
de segmentos e setoriais (veja todos aqui). Esse índice segue ações de empresas de menor valor de
mercado.
Em seguida temos ETFs que seguem o índice de Dividendos que investem em ações de empresas
consideradas boas pagadoras de dividendos. Os dividendos são lucros em dinheiro que as empresas
listadas na bolsa distribuem para todos que possuem suas ações. Os dividendos recebidos pelos
gestores desses ETFs são automaticamente reinvestidos na compra de mais ações. Isso aumenta o
patrimônio do fundo e por consequência o torna mais valioso.
Veja que existem ETFs exclusivos para 2 setores da economia. O ETF do setor financeiro (FIND11)
e o de materiais básicos (MATB11), cada um com seu próprio índice setorial. Vamos estudar em
detalhes esses ETFs.
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Em seguida temos ETFs como o IVVB11 e o SPXI11 que oferecem aos brasileiros a oportunidade de
investir em ações das maiores empresas do mundo listadas nas bolsas americanas e que fazem parte
do Índice S&P500. São formas baratas e fáceis para a diversificação de parte da sua carteira de
investimentos em ativos negociados fora do Brasil, que não sofrem as influências de instabilidades e
crises que frequentemente atingem nosso país.
Logo depois temos diversos ETFs que investem em países e regiões específicas do mundo além de
ETFs que investem em ações estrangeiras que fazem parte de setores específicos da economia.
Falaremos sobre esses ETFs no decorrer do livro.
Clicando sobre o código de cada ETF que aparece na tabela, você terá acesso a um estudo gráfico
completo, sempre atualizado, com o histórico de preços de cada ETF. Você precisa ter uma conexão
de internet para acessar a ferramenta online. Teremos capítulos no livro sobre esses estudos gráficos.
Clicando sobre o nome do ETF você poderá abrir a página oficial de cada ETF com muitas informações
mantidas pelos seus gestores. Também é possível clicar sobre o nome dos gestores para entrar em suas
páginas.
Perceba que na coluna “código” temos o código utilizado para negociar o ETF na bolsa de valores. Os
códigos dos ETFs sempre são compostos por letras que terminam com o número 11. O mesmo acontece
com fundos imobiliários, que também são fundos negociados em bolsa.
No arquivo Lista_de_ETFs_Completa (que acompanha esse livro) você verá no final da lista o código
de todos os BDRs de ETFs negociados na bolsa brasileira. Perceba que o código de cada BDR segue
um padrão. Ele sempre começa com a letra B e termina com o número 39. As letras que estão entre B
e 39 geralmente são o código de um ETF negociado no exterior. O BDR é uma forma indireta de
comprar ETFs negociados em outros países através da bolsa brasileira investindo reais. Cada BDR
equivale a uma espécie de recibo negociado no Brasil que está vinculado a um ETF que está custodiado
no exterior. Também falaremos sobre os BDRs de ETFs neste livro.
Apenas como curiosidade, existem algumas ações de empresas que também possuem códigos que
terminam com o número 11 (veja aqui). Essas ações na verdade representam um conjunto de ações ou
uma cesta de ações da mesma empresa. Exemplo: quando você compra a ação TAEE11 você estará
comprando, de uma só vez, três ações da empresa de transmissão de energia chamada TAESA.
Na planilha temos a coluna “índice de referência” que é o índice que o gestor do ETF se propõe a
replicar ou seguir.
Na planilha temos a coluna “taxa de adm” que nos mostra o percentual anual de taxa administrativa
descontado pelo gestor do patrimônio do ETF pelos serviços que ele presta. Não existe nenhum débito
de valor na sua conta com relação a essa taxa. Ela apenas reduz o resultado anual do ETF. Exemplo:
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Os Mais Negociados
Sempre que você quiser consultar quais são os ETFs mais negociados basta visitar o boletim mensal
de ETFs da B3 visitando aqui. Você verá que o BOVA11 é o ETF mais negociado. Sempre existem
muitos investidores comprando e vendendo esse ETF no decorrer do dia. Outro ETF muito negociado
que segue o Índice Bovespa é o BOVV11. Em seguida temos o SMAL11, sempre entre os mais
negociados, que investe em ações consideradas Small Caps (empresas de menor capitalização).
Entre os ETFs que investem em ações estrangeiras temos o IVVB11 liderando. Este ETF reflete o
desempenho do Índice S&P500 que investe nas 500 principais ações das bolsas americanas. Em
seguida temos o GOLD11 que investe em ouro e o HASH11 que investe em criptomoedas.
Neste livro vamos focar nossa atenção nos ETFs mais negociados e aqueles que possuem um maior
histórico. Alguns ETFs lançados no Brasil recentemente investem em outros ETFs negociados no
exterior com histórico maior para estudos.
Índice Bovespa
Todo ETF é composto por ativos que fazem parte da carteira teórica de algum índice. Para entender
como isso funciona vamos conhecer o funcionamento do Índice Bovespa.
Sempre que ouvimos falar sobre a bolsa em alta ou em baixa estamos ouvindo sobre variações no
Índice Bovespa. Ele mostra ao mercado as variações de um conjunto de ações de empresas que estão
entre as mais negociadas da bolsa.
Esse conjunto de ações é chamado de “carteira teórica”, pois simula uma carteira composta por
diversas ações. É como se existisse uma quantidade de dinheiro fictício investido nesta carteira de
ações que só existem na teoria. Veja essas ações aqui.
Vamos imaginar que hoje o Índice Bovespa mede 100.000 pontos e que no final do mês ele atinja
110.000 pontos. Essa variação de 10 mil pontos representa uma alta de 10% (10.000 ÷ 100.000 = 0,10
x 100 = 10%). Então os investidores sabem que a bolsa subiu 10% no período.
Veja esse exemplo. Cada barra representa a variação do Índice Bovespa em 1 mês. Em março de 2020,
no início da crise gerada pela Pandemia, o Índice Bovespa começou o mês em 104.259 pontos e atingiu
73.019 no final do mês. Isso significa uma redução de -31.240 pontos (104.259 – 73.019 = 31.240).
Dividindo essa variação pelo valor inicial descobrimos que a bolsa de valores, medida pelo Índice
Bovespa sofreu uma queda de -29,96% (31.240 ÷ 104.259 = 0,2996 x 100 = 29,96%).
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Por isso podemos imaginar que a bolsa a 100 mil pontos representa um investimento hipotético que
poderia ser equivalente a R$ 100 mil investidos em todas as ações que fazem parte da carteira teórica
do índice Bovespa. Algumas ações possuem maior peso ou menor peso. Se o peso de uma determinada
ação é de 10% significa que em uma carteira teórica, 10% do valor seria investido nessa ação.
Quando o preço das ações sobe, o Índice Bovespa tende a subir e quando os preços das ações caem o
Índice Bovespa tende a cair. Muitas vezes a alta de uma ação acaba compensando a queda da outra e
essa é a grande vantagem de um investimento diversificado entre várias ações. Quando uma ação de
maior peso sobe, ela tende a influenciar a alta do Índice Bovespa e vice-versa.
Um investidor poderia obter o mesmo desempenho do Índice Bovespa se investisse nas mesmas ações
que fazem parte da carteira teórica, na mesma proporção divulgada. O problema é que como já vimos
isso seria muito caro e trabalhoso, pois o Índice Bovespa chega a ser formado por mais de 70 ações.
Uma forma fácil, rápida e barata de obter o mesmo desempenho do Índice Bovespa é comprar cotas
dos ETFs negociados na bolsa que investem seu patrimônio na mesma carteira de ações do Índice
Bovespa. O ETF mais negociado na bolsa é o BOVA11 e sua carteira de ações é composta pelas
mesmas ações que fazem parte do Índice Bovespa. Sendo assim, investir em BOVA11 permite ter seu
dinheiro sofrendo variações muito próximas das que podemos observar no Índice Bovespa.
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• ter sido incluída no grupo de ações cujos “Índices de Negociabilidade” somados representem
85% (oitenta e cinco por cento) do valor acumulado da soma dos Índices de Negociabilidade
de todas as ações listadas na B3, ou seja, estão entre as mais negociadas;
• ter apresentado participação, em termos de volume, superior a 0,1% do total, no período de 12
meses anteriores à formação da carteira;
• ter sido negociada em mais de 95% do total de pregões do período de 12 meses anteriores à
formação da carteira;
• não ser classificada como penny stock (ação cujo valor de mercado é menor que R$ 1,00).
Uma ação deixará de fazer parte do Índice Bovespa quando não conseguir atender a pelo menos dois
dos critérios de inclusão listados acima. A ação também pode ser retirada do índice se estiver entre os
ativos que, em ordem decrescente de Índice de Negociabilidade, esteja classificada acima dos 90% do
total no período de 12 meses anteriores à formação da carteira. Se o preço da ação cair e ficar abaixo
de R$ 1,00 (sendo classificada como penny stock), ela também poderá ser excluída do índice.
Também não é possível permanecer no Índice Bovespa se a ação pertencer a uma empresa sujeita a
processos de recuperação judicial, processo falimentar, situação especial ou sujeitas a prolongado
período de suspensão de negociação.
O Índice Bovespa é atualizado a cada 4 meses, no fim dos quadrimestres encerrados em abril, agosto
e dezembro, ou em qualquer outra periodicidade que a bolsa venha a determinar.
• janeiro a abril;
• maio a agosto;
• setembro a dezembro.
A nova carteira entra em vigor na primeira segunda-feira do mês inicial de vigência ou dia útil
imediatamente posterior no caso de nesse dia não haver negociação na bolsa.
Cabe ao gestor do ETF comprar e vender as ações que forem necessárias para ajustar a carteira do ETF
de forma que possa apresentar a performance do Índice Bovespa elaborado pela B3. O mesmo ocorre
com os gestores de todos os ETFs da bolsa devem oferecer a performance de algum índice.
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A B3 oferece uma ferramenta onde é possível consultar a cotação ou o número de pontos do Índice
Bovespa e de todos os outros índices mantidos pela bolsa. Também é possível visualizar de forma
rápida e fácil a lista de todas as ações que fazem parte da carteira de teórica de cada índice e a atual
cotação de cada ação. Visite aqui para acessar.
Assista ao vídeo onde apresento os passos para que você possa visualizar as cotações, preços e suas
variações atualizadas em tempo real para todos os índices. O sistema também informa a variação
percentual e em pontos de cada índice em tempo real. Na lista de ações que fazem parte da carteira
podemos ver o preço da ação, oscilação no dia e mudança %, preço de abertura, máxima, mínima e do
dia anterior.
Esses são os índices mantidos pela B3 e alguns ETFs que seguem esses índices.
Índice ETFs
IBOV BOVA11 BOVV11 BOVB11 XBOV11
IBXX BRAX11
IBXL PIBB11
IBRA
IGCX
ITAG
IGNM
IGCT GOVE11
IDIV DIVO11
MLCX
SMLL SMAL11 SMAC11
IVBX
ICO2 ECOO11
ISEE ISUS11
ICON
IEEX
IFNC FIND11
IMOB
INDX
IMAT MATB11
UTIL
IFIX
BDRX
A B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) ([Link] é a empresa que está por trás da bolsa de valores
brasileira. Ela foi criada em março de 2017 a partir da fusão da antiga BM&FBOVESPA, bolsa de
valores, mercadorias e futuros, com a CETIP, empresa prestadora de serviços financeiros. Atualmente,
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BDR de ETF
Os BDRs negociados na bolsa brasileira permitem investir em ETFs negociados nas Bolsas
internacionais. Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são na verdade certificado de depósito de
valores mobiliários. Eles são emitidos e negociados no Brasil mas representam outro ativo que está
guardado por uma gestora de investimentos no exterior. Por este motivo os BDRs refletem a variação
de preço das ações e ETFs estrangeiros às quais estão atreladas em reais aqui no Brasil.
Os BDRs foram liberados para serem negociados por qualquer investidor na Bolsa brasileira em de 22
de outubro de 2020. Antes disso os BDRs só podiam ser negociados pelos chamados “investidores
qualificados”.
As operações de compra e venda de BDRs de ETFs são feitas exatamente como as negociações de
ações, ETFs e fundos imobiliários. Cada BDR tem um código composto por letras e números.
Geralmente a primeira letra é a letra “B” e as outras letras estão relacionadas com o código do ETF
negociado no exterior que o BDR representa. Já o número no final do código do BDR de ETF costuma
ser “39” enquanto o número no final os BDRs de ações costuma ser o “34”.
Vamos imaginar que você queira investir em prata. Existe um BDR chamado BSLV39 (B + SLV +
39) que representa o SLV que é um conhecido ETF negociado no exterior que investe em barras físicas
de prata assim com o BIAU39 (B + IAU + 39) que representa o IAU que é o ETF que investe em baras
físicas de ouro.
Ao comprar BDRs como BSLV39 e BIAU39 você terá ativos que representam ETFs que estão
custodiados no exterior e que por sua vez investem em prata e ouro. Com isso as variações nos preços
da prata e do ouro serão sentidas no preço do ETF em reais. Como a cotação da prata e do ouro é
dolarizada, variações no preço do dólar também influenciará os preços dos BDRs.
Vamos imaginar que você comprou o BDR de código BIYW39 que representa o ETF negociado no
exterior de código IYW que investe em ações de empresas de tecnologia nas bolsas dos EUA. Você
percebe que o BIYW39 valorizou 12,14% no período na bolsa brasileira em reais, mas o IYW
valorizou 18,69% no exterior, onde é negociado em dólares. Essa diferença do nosso exemplo ocorreu
devido a queda do preço do dólar em reais neste período que foi de -5,47%. No gráfico abaixo temos
a representação deste exemplo que citei.
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Quando o preço do ativo representado pelo BDR está em alta e o dólar está cada vez mais caro temos
ganhos potencializados pelo câmbio. Já quando o preço ativo representado pelo BDR está em queda
e o dólar também está em queda temos perdas potencializadas. Quando dólar se movimenta para um
lado e preço do ativo representado pelo BDR se movimenta no sentido contrário temos ganhos ou
perdas amenizados ou até anulados.
Existem diversos ETFs que investem nas mesmas ações que fazem parte do Índice Bovespa. Dois
desses ETFs se destacam por terem maior liquidez, ou seja, estão entre os mais negociados. Vamos
estudar o BOVA11 da BlackRock e o BOVV11 do Itaú.
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O BOVA11 é ETF mais negociado diariamente na bolsa brasileira. Ele é gerido pela empresa norte
americana chamada BlackRock.
A BlackRock é a maior gestora de investimentos do mundo e fica sediada em Nova York. Possuem
mais de US$ 7.4 trilhões em ativos sobre sua gestão atendendo a governos, empresas, fundos,
instituições financeiras e milhões de pequenos investidores do mundo inteiro.
A divisão da BlackRock responsável pelos ETFs se chama iShares. Ela faz a gestão de mais de 800
ETFs pelo mundo. Só nos EUA são mais de 370 ETFs (veja aqui). É a maior gestora dos EUA e do
mundo.
Aqui no Brasil a BlackRock oferece cinco ETFs que são o BOVA11, SMAL11, IVVB11, BRAX11
e ECOO11. Esses três primeiros destacados são os mais negociados. Você encontra a lista com os
ETFs e as taxas oferecidas no Brasil visitando aqui.
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Você encontrará a lista atualizada com todas as ações que compõem o BOVA11 clicando aqui. Na
figura abaixo estou mostrando um exemplo da tabela que você verá ao acessar a lista. Esse peso sofre
variações diárias e com certeza os valores serão diferentes quando você estiver lendo esse livro.
No exemplo acima, podemos observar que a VALE3 era uma das ações que faziam parte do BOVA11
e a que tinha o maior peso quando esse livro estava sendo escrito. A coluna “Setor” nos diz que a
VALE3 pertence a uma empresa do setor de materiais. Você já deve saber que a Vale é uma das
maiores mineradoras do mundo, sendo a maior produtora de minério de ferro.
A coluna “Peso” nos mostra que ao comprar um BOVA11 você terá o equivalente a 11,36% do que
pagou investido na ação VALE3. Também podemos entender que as variações no preço dessa ação
são as que mais podem impactar a cotação do BOVA11.
Observe que em segundo lugar temos a ação ITUB4, que pertence ao Banco Itaú. Depois temos a
B3A3 que é a ação da B3, empresa responsável pela bolsa de valores do Brasil. Em seguida temos a
PETR4 que é uma ação da Petrobras. Temos ainda ações do Bradesco (BBDC4), fábrica de bebidas
Ambev (ABEV3), Banco do Brasil (BBAS3) e a varejista Magazine Luisa (MGLU3). Quando o Índice
Bovespa for revisto pela B3, nos meses de abril, agosto e dezembro, as ações poderão ser outras, mas
normalmente as ações de maior peso se mantém as mesmas por muitos anos.
Você encontrará no rodapé da tabela um link com o texto “Baixe os títulos”. Clicando nesse link você
poderá baixar um arquivo de planilha onde poderá ver e editar a lista completa de ações. Você também
pode clicar em “Mostrar tudo”. Neste exemplo que estamos estudando o BOVA11 era composto de
77 ações. A soma dos pesos das 10 ações de maior peso, somava 50% do total. Dessa forma, podemos
afirmar que metade de todas as variações do BOVA11 dependiam do desempenho de apenas 10 ações.
Essas 10 ações eram justamente as ações mais negociadas que faziam parte do Índice Bovespa.
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Por curiosidade, vamos observar quais eram as 10 ações de maior peso no BOVA11 quando ele foi
criado em 2008. Veja:
Observe que encontramos praticamente as mesmas ações. A diferença está na presença do UBBR11
que pertencia ao banco Unibanco que posteriormente se fundiu ao Banco Itaú formando o Itaú
Unibanco. A CMIG4 continua fazendo parte do BOVA11, mas agora possui participação menor e
por isso não aparece na lista das 10 de maior peso. A ação BVMF3 agora se chama B3SA3 e a ação
da VALE3 era a ação da VALE mais negociada em 2008.
Podemos dizer que não ocorreram grandes mudanças entre 2008 e 2020 nas ações de maior peso do
BOVA11. As maiores mudanças normalmente ocorrem nas ações de menor peso com o passar dos
anos.
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É possível consultar em quais setores o ETF BOVA11 está mais concentrado (fonte).
Podemos entender que ao investir no BOVA11 seu investimento estará mais exposto ao desempenho
de ações de empresas que fazem parte dos setores de produtos financeiros (como os bancos), setores
de materiais (como a mineração), bens de primeira necessidade, energia e consumo.
Como mostrei anteriormente, isso pode mudar cada vez que a carteira do Índice Bovespa sofre
alterações, mas historicamente é possível constatar que as empresas de maior peso no índice costumam
ser dos mesmos setores.
Como você pode ver na tabela logo abaixo (fonte), Pouco mais de 6% de investidores brasileiros
pessoas físicas, investem diretamente no ETF BOVA11.
Observe que grande parte dos que investem no BOVA11 são instituições financeiras. Em sua maioria
são fundos de investimentos como fundos multimercado e fundos de ações. Muitos pequenos
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IBOV x BOVA11
Enquanto o Índice Bovespa é automaticamente ajustado quando os proventos são anunciados, o fundo
só pode fazer esse ajuste quando efetivamente recebe o dinheiro do provento (proventos podem ser
dividendos, juros sobre capital próprio e outros). O gestor do fundo contabiliza esse dinheiro como
“Provento a receber”. Esse dinheiro a receber não pode ser usado para comprar ações e
consequentemente receber as oscilações que ocorreriam no período.
Dessa forma, poderemos ver oscilações no Índice Bovespa (que foi ajustado automaticamente com o
anúncio dos proventos) que serão ligeiramente diferentes das oscilações do BOVA11, já que esse
aguarda o recebimento do dinheiro do provento para comprar mais ações com esse dinheiro.
Você pode acessar o gráfico maior através do estudo online clicando aqui. Você verá um estudo que
se atualizará para os dias de hoje se você clicar no botão de “Play” como mostra a figura logo abaixo,
mas para isso é necessário que você tenha uma conta gratuita no Tradingview. Leia o capítulo deste
livro chamado “Ferramenta de Análise” para aprender a criar sua conta gratuita. O Tradingview é a
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Através desse estudo podemos observar a diferença entre o BOVA11 (linha azul) e o Índice Bovespa
(linha vermelha) por meio de um gráfico de linhas semanais. Como esperado, o BOVA11 sempre terá
uma ligeira diferença no desempenho, não só pela questão que acabamos de explicar, mas também
pelo fato de existir a taxa administrativa que no longo prazo tornará o desempenho do fundo
ligeiramente menor que o do Índice Bovespa.
O gráfico também nos permite observar a grande correlação que existe entre as variações sofridas no
Índice Bovespa e as variações no BOVA11. Sempre que o Índice Bovespa sofre variações negativas
ou positivas, o BOVA11 tende a seguir a mesma direção. Muitas vezes podemos ver algum
descolamento na proporção dessas variações, mas que acabam se ajustando com o passar dos dias ou
semanas.
Para acessar o gráfico diário do BOVA11 visite aqui. Para acessar o gráfico do IBOV visite aqui. Esses
dois gráficos, por padrão, vão utilizar barras que também podemos chamar velas ou candles, mas caso
você queira é possível modificar para o gráfico de linhas. Ainda nesse livro teremos capítulos especiais
sobre a análise técnica dos gráficos dos ETFs e índices.
36
37
No site da BlackRock é possível baixar uma ficha técnica do BOVA11 atualizada mensalmente. Visite
esse endereço aqui e siga o exemplo da figura:
Logo abaixo temos o exemplo de uma ficha técnica de um determinado mês. No quadro chamado
“características chave” temos a atual taxa de administração, que eles chamam de taxa de gestão. Temos
o “número de componentes” que reflete o número de ações diferentes onde o fundo investia dinheiro
no mês analisado.
No gráfico temos uma interessante comparação entre hipotético investimento de 10 mil no BOVA11
e no Índice Bovespa já considerando o reinvestimento de todos os proventos (como os dividendos) e
o desconto da taxa administrativa.
Na lateral direita temos um quadro com o nome das 10 empresas cuja variações de preço de suas ações
mais influenciam o BOVA11 no mês referente ao relatório.
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O BOVV11 é o principal concorrente do BOVA11. Ele é gerido pelo Itaú que é o maior banco privado
e o maior gestor de ETFs do país. Você encontra a lista de todo os ETFs geridos pelo Itaú visitando
aqui.
O objetivo do BOVV11 é refletir a performance do Índice Bovespa. Para isso o ETF investe nas ações
que fazem parte da carteira teórica do índice.
Performance do BOVV11
O BOVV11 foi criado em 2016 e sua taxa de administração também é de 0,30% ao ano. Você pode
baixar uma planilha ou visualizar a tabela com o histórico de preços do ETF desde a sua criação
visitando aqui e clicando na opção “Performance” no menu horizontal superior. No mesmo endereço
você terá um gráfico atualizado diariamente, como o exibido abaixo, que apresenta a rentabilidade do
mês, do mês anterior, semestre, ano e outros períodos.
Observe que o desempenho do BOVV11 é muito semelhante ao desempenho do Índice Bovespa, veja
no gráfico acima a barra laranja (ETF) e a barra cinza (Índice Bovespa). Quando observamos o campo
“Desde o início” constatamos que o ETF conseguiu superar o Índice.
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Você pode visualizar o estudo acima nesse endereço aqui. Para atualizar basta clicar no ícone de “play”
que está no canto direito do gráfico que você verá ao acessar o link. Veja que no estudo temos uma
comparação entre a performance do BOVV11 (linha verde) e do Índice Bovespa (linha vermelha).
Perceba que as variações do BOVV11 são tão próximas das variações do Índice Bovespa que
praticamente não conseguimos ver a linha verde do BOVV11 por ela estar constantemente coberta
pela linha vermelha do Índice Bovespa.
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É fácil perceber que frequentemente o BOVA11 (linha azul) pode ser vista abaixo do índice Bovespa
enquanto o BOVV11 fica coberto pelo índice ou acima dele.
Todos os meses você poderá acessar a ficha técnica ou lâmina do BOVV11 através desse endereço
aqui.
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Composição do BOVV11
Você encontra a lista com as ações que fazem parte do BOVV11 visitando aqui e depois clicando em
“Cestas” no menu superior. Você perceberá que são as mesmas ações que fazem parte da carteira
teórica do Índice Bovespa, veja aqui, assim como ocorre com o BOVA11.
Um diferencial do BOVV11 que acaba fazendo esse ETF apresentar um resultado ligeiramente maior
que o seu concorrente BOVA11 é a estratégia de obtenção de ganhos com o aluguel de ações.
Aluguel de Ações
A bolsa permite a qualquer investidor alugar suas ações para outros investidores com objetivo de
receber uma pequena taxa de juros anual por esse aluguel. Grandes investidores como fundos de
investimentos e ETFs possuem enorme quantidade de ações guardadas por longos períodos. O aluguel
de ações pode gerar uma receita extra para o ETF que compensa a perda de rentabilidade gerada pela
cobrança da taxa administrativa. Isso ajuda um ETF como o BOVV11 obter um desempenho igual ou
até ligeiramente maior que o Índice Bovespa no longo prazo, mesmo existindo a taxa administrativa.
A estratégia de alugar as ações adotada pelo gestor do BOVV11 proporciona um ganho que pode
chegar a 0,20 ponto percentual ao ano acima do índice, mesmo cobrando uma taxa de administração
de 0,30% ao ano. O BOVV11 já chegou a ter 50% de suas ações alugadas. Visitando aqui e clicando
em “Composição” no menu superior, você verá uma tabela chamada “Sintético”. Será possível
observar o percentual atual na linha “Ações doadas em aluguel”.
Nos Estados Unidos existem alguns fundos que simplesmente não cobram taxa de administração, pois
em suas gestoras ficam com o ganho do aluguel em troca da gestão.
O BOVA11, gerido pela BlackRock, também pode alugar as ações que possuem, mas o percentual
alugado vai depender das decisões e estratégias de cada gestor. A operação de aluguel é garantida pela
bolsa B3, que funciona como contraparte nos contratos.
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Também temos um percentual pequeno de pessoas físicas que investem diretamente no BOVV11.
Chama atenção o grande número de investidores que são pessoas jurídicas não financeiras, ou seja,
empresas que não são bancos ou instituições financeiras que investem neste ETF. Fazem parte do
grupo de “não financeiras” os planos de previdência privada. Veja exemplos de não financeiras.
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O BOVB11 foi criado no dia 26 de junho de 2019 pelo Bradesco. Seu objetivo também é refletir as
variações da carteira teórica de ações do Índice Bovespa. Um atrativo desse ETF é a taxa de
administração de 0,20%.
Foi o seu lançamento que motivou a BlackRock a reduzir a taxa administrativa do BOVA11 de 0,53%
ao ano para 0,30%, mesma taxa cobrada pelo Itaú no ETF concorrente BOVV11.
Uma característica interessante do BOVB11 está no fato do seu preço refletir um número equivalente
aos pontos do Índice Bovespa. Exemplo: se temos o Índice Bovespa em 100.000 pontos, o preço do
BOVB11 será muito próximo de R$ 100,00. Dessa forma, o desempenho do BOVB11 tende a ser o
mais próximo possível do Índice Bovespa.
No gráfico acima, que você também poderá acessar visitando aqui, temos o BOVB11 (linha azul) e
Índice Bovespa (linha vermelha). As variações são tão próximas que a linha vermelha cobre a linha
azul de tal forma que não podemos verificar qualquer diferença.
Composição BOVB11
Através do site da Bradesco Asset, braço do Bradesco que faz gestão de investimentos responsável
pelo BOVB11, é possível acompanhar a composição completa da carteira (veja aqui).
Além da lista de ações onde o ETF investe, que segue a carteira teórica do Índice Bovespa, temos a
alguns detalhes no final da lista como o valor da taxa de administração que é provisionada diariamente.
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Outra característica interessante da composição da carteira são os dividendos e juros sobre capital
próprio que o ETF irá receber. Veja um exemplo que retirei da lista:
Aqui temos a informação de que a ação ITUB4, que pertence ao Banco Itaú, pagará R$ 26 mil de
dividendos para o fundo. Quem investe nesta ação do Itaú já sabe que tradicionalmente o banco paga
dividendos de 0,02% todos os meses. Outra ação que costuma pagar dividendos regularmente é a
TAEE11 da empresa Taesa. No exemplo acima ela pagará dividendo equivalente a 0,52%.
Você verá uma lista com muitas ações que vão pagar dividendos em uma data futura. Esses valores
serão investidos na compra de mais ações pelo gestor do ETF, tornando o ETF mais valioso. Isso
ocorre em todos os ETFs de ações quando recebem dividendos.
Também podemos ver receitas com os empréstimos de ações que serão recebidas em uma data futura,
o dinheiro que o fundo tem em caixa e investimentos que ele possa fazer como compra de títulos
públicos em proporções bem pequenas em relação ao patrimônio do fundo.
Ainda na página de composição da carteira veja aqui, temos uma opção no final da mesma onde será
possível ver os “Ativos de maior peso” ou ações onde o ETF mais investe.
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Já a carteira do BOVB11 possui algumas diferenças. Veja como exemplo as ações do ITUB4 e BBDC4
que estão entre as 10 principais, mas com participações menores. Já ações como JBSS3 e GNDI3 que
estão entre as 10 com maior peso no BOVB11 não aparecem nas 10 de maior peso do ETF BOVA11
e BOVV11. Essas diferenças podem ocorrer e ajudam a explicar as diferenças nos desempenhos dos
ETFs que seguem o mesmo Índice Bovespa.
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O XBOV11 é gerido pela Caixa Econômica e foi criado em 12/11/2012. Seu objetivo é refletir o
desempenho do Índice Bovespa, assim como os demais ETFs que estudamos até aqui.
Sua taxa administrativa é de 0,50% ao ano, que é a mais elevada taxa entre os ETFs que possuem o
Índice Bovespa como índice de referência.
Também é o ETF menos negociado na sua categoria a um dos menos negociados entre todos os outros
existentes na bolsa.
O gráfico acima pode ser visto aqui. A linha azul representa o XBOV11 e a linha vermelha o Índice
Bovespa. O site da Caixa sobre o XBOV11 é o menos elaborado e organizado entre os demais, visite
aqui.
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O BOVV11 tem se mostrado o melhor ETF que tem o Índice Bovespa como referência considerando
apenas a rentabilidade histórica.
Na tabela logo abaixo vamos considerar o ciclo de alta da bolsa que ocorreu entre 2017 e 2019, que
são os últimos três anos completos entre a Crise do Impeachment de 2016 e a Crise da Pandemia de
2020.
Vamos desconsiderar nesse exemplo o BOBV11 do Bradesco, pois é o ETF da categoria com menor
quantidade de dados históricos, por ter sido criado na metade de 2019.
Os melhores resultados estão com a cor verde. O pior resultado está na cor vermelha. O resultado
mediano está na cor amarela.
Podemos constatar que o BOVV11 foi o único ETF dos três que conseguiu obter retorno acima do
Índice Bovespa (IBOV) nos anos apresentados na tabela. O BOVA11 ficou em segundo lugar com
dois anos apresentando o segundo lugar e em um dos anos apresentando a pior colocação.
A taxa administrativa não precisa ser utilizada como principal critério de escolha, pois considerando
que a rentabilidade do ETF já está com a taxa administrativa descontada, podemos olhar apenas para
a rentabilidade.
A rentabilidade do fundo é penalizada pela cobrança da taxa administrativa, mas ao mesmo tempo ela
se beneficia pela capacidade do gestor do ETF superar o índice adotado como referência.
Você verá que o BOVA11 vence no quesito liquidez, não só entre os ETFs que seguem o Índice
Bovespa, mas também entre todos os ETFs negociados na bolsa brasileira. Sempre será muito fácil e
rápido comprar ou vender qualquer quantidade de BOVA11 em qualquer momento do dia de
negociações.
O XBOV11 costuma ser a pior opção com relação a liquidez por manter um baixo volume de
negociações diárias.
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Um bom endereço para observar rapidamente o volume e preços dos ETFs negociados no Brasil é esse
aqui.
PIBB11
O PIBB11 é um ETF gerido pelo Itaú que tem o objetivo de refletir o desempenho do Índice Brasil
(IBrX-50) que é um índice criado pela B3. Foi o primeiro ETF lançado no país em 2004.
A carteira teórica de ações que fazem parte do IBrX-50 é composta pela B3 seguindo alguns critérios.
Para fazer parte das 50 ações que compõem o índice é necessário que a ação:
Sempre ficam de fora dos índices da B3 as ações de companhias que estejam sob regime de
recuperação judicial, processo falimentar, situação especial, ou ainda que tenham sofrido ou estejam
sob prolongado período de suspensão de negociação não integrarão o IBrX-50.
A B3 atualiza a carteira de ações do IBrX-50 a cada quatro meses. Dessa forma, temos uma carteira
diferente entre janeiro a abril, maio a agosto e setembro a dezembro. Normalmente as mudanças são
pequenas e ocorrem entre as ações menos negociadas entre as 50 e que por isso possuem menor peso
nas variações do índice.
Sempre que ocorre uma mudança na composição da carteira do índice o gestor do ETF precisa fazer
uma espécie de balanceamento, comprando e vendendo ações para que o ETF possa passar a refletir a
carteira do índice.
50
A principal diferença entre o IBrX-50 e Índice Bovespa é a de que o IBrX-50 sempre terá no máximo
50 ações em sua carteira teórica (veja a lista de ações). Já o número de ações que fazem parte do Índice
Bovespa é variável por representar um percentual das ações mais negociadas.
No estudo logo abaixo, que você também pode ver visitando aqui, temos a comparação do IBrX-50
(linha azul) e Índice Bovespa (linha vermelha) em um gráfico de linhas no período semanal desde
2004, ano de lançamento do IBrX-50.
Fica bem evidente no acumulado desde 2004 que o IBrX-50 (linha azul) apresentou melhor
desempenho que o Índice Bovespa (linha vermelha).
Você pode mover a barra do tempo na página que possui o estudo do gráfico (visitando aqui). Com
isso será possível comparar o desempenho dos índices a partir de qualquer momento no tempo. Para
demonstrar como fazer isso eu gravei um pequeno vídeo (sem som) mostrando os passos. Assista ao
vídeo aqui.
51
Também fica bem evidente que temos uma forte correlação entre os dois índices, ou seja, variações de
alta ou baixa no índice IBrX-50 seguem o Índice Bovespa.
O investidor de um ETF sempre espera que o bom gestor consiga entregar resultados iguais ou
melhores que o índice adotado como referência. No caso do PIBB11 queremos que o gestor supere o
IBrX-50.
No estudo logo abaixo, que você poderá visitar aqui, comparamos o ETF e o seu índice desde a sua
criação.
52
Você encontrará o percentual de ações do ETF que foram alugadas observando a tabela chamada
“Sintético” que aparece quando você visite aqui e clica na opção do menu chamada “Composição”.
No exemplo logo abaixo estou mostrando a localização dessa informação.
53
Você encontrará a lista com as 50 ações que fazem parte do PIBB11 visitando aqui. Exemplo:
54
As principais diferenças estarão apenas nas últimas ações, já que o PIBB11 se limita a ter 50 ações na
carteira enquanto os ETFs que seguem o índice Bovespa costumam ter entre 60 e mais de 70 ações.
Você encontrará a lista com os setores da economia com maior peso no PIBB11 no final da página
“Composição” no menu do site, clicar aqui.
Logo abaixo temos uma comparação do gráfico que representa os setores de maior peso no PIBB11 e
no BOVV11 (veja no final do site) que é o ETF que segue o índice Bovespa que também é gerido pelo
Itaú.
Podemos constatar que os setores que mais influenciam no desempenho dos dois ETFs são
semelhantes, mas existem diferenças que vão impactar nos resultados.
55
É interessante observar a grande participação de pessoas físicas no PIBB11. É possível obter essa
informação atualizada visitando aqui.
O fundo possuía 38,78% de investidores pessoa física em março de 2020. No fundo BOVV11 do
mesmo gestor, que segue o Índice Bovespa, essa participação era de apenas 5,28%
Provavelmente o sucesso do PIBB11 entre as pessoas físicas ocorre por esse ETF apresentar uma das
menores taxas administrativas e por ter sido o primeiro oferecido no país. As pessoas tendem a olhar
somente a taxa, mas o ideal seria considerar também o desempenho.
A taxa administrativa do PIBB11 é de apenas 0,059% ou quase 0,06% ao ano. Isso é muito pouco se
você considerar que o BOVV11 do mesmo gestor tem taxa de 0,30%.
Muitos investidores dizem preferir investir no PIBB11 ao invés de investir no BOVA11 ou BOVV11
por estarem pagando uma taxa menor. Mas será que podemos ver diferença no desempenho do fundo
devido a essa taxa menor?
Logo abaixo temos um gráfico baseado nesse estudo aqui. Estamos comparando o PIBB11 (linha azul)
e o BOVV11 (linha vermelha) desde 2016, quando o BOVV11 foi criado. O resultado do BOVV11 é
ligeiramente superior, mesmo com sua taxa de 0,30% ao ano contra 0,059% do PIBB11.
56
BRAX11
O BRAX11 é o ETF gerido pela BlackRock desde 22 de fevereiro de 2010 com o objetivo de refletir
o retorno que você terá ao investir na carteira teórica de ações do índice IBrX-100.
A principal diferença entre o índice IBrX-100 e o índice IBrX-50, que estudamos no capítulo anterior,
está no número de ações. O IBrX-100 é mais amplo por representar o desempenho das 100 ações mais
negociadas da bolsa brasileira.
Dezenas de ações que não fazem parte do Índice Bovespa, que normalmente possui entre 60 e 70 ações,
estão presentes no IBrX-100.
Você encontrará a lista completa de ações que fazem parte do IBrX-100 visitando aqui. Já as ações
que fazem parte do BRAX11 estão neste endereço aqui. Perceba que as ações de maior peso são as
mesmas, mas com pesos ligeiramente diferentes.
PIBB11 x BRAX11
Qual dos dois ETFs apresentou melhor desempenho nos últimos anos? Essa é uma dúvida comum já
que o PIBB11 e BRAX11 seguem a mesma família de índice conhecida como IBrX (Índice Brasil)
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Será que o fato de o PIBB11 ser menos diversificado e restrito a menos ações entre as mais negociadas
produziu um melhor resultado no longo prazo? Será que a taxa de apenas 0,059% ao ano faz o PIBB11
apresentar melhor desempenho que o BRAX11 que possui taxa administrativa de 0,20% ao ano? Veja
o próximo gráfico:
Você pode acessar o estudo visitando aqui. Como sempre, é possível atualizar clicando no botão
circular que está do lado direito do gráfico e que lembra um botão de “Play”.
Podemos constatar que o desempenho do BRAX11 (linha azul) foi maior que o PIBB11 (linha laranja)
desde a sua criação em 2010. Isso significa que a maior diversificação e as estratégias do gestor do
BRAX11 superaram a menor diversificação, a menor taxa de administração e as estratégias do gestor
do PIBB11 no longo prazo, pelo menos dentro do período que realizamos esse pequeno estudo.
BOVA11 x BRAX11
Já sabemos que a gestora BlackRock é responsável pelo ETF mais negociado no Brasil, que é o
BOVA11, vamos agora comparar o desempenho do BRAX11, desde a sua criação, com o desempenho
do BOVA11.
Vale destacar que o BRAX11 possui sempre as 100 ações mais negociadas enquanto o BOVA11 possui
uma carteira que pode ser maior ou menor a cada 3 meses tendo como base um percentual das ações
mais negociadas nos últimos 12 meses.
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BOVV11 x BRAX11
Agora vamos fazer uma comparação entre o BOVV11 (linha laranja), concorrente do BOVA11 contra
o desempenho do BRAX11 (linha azul).
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DIVO11
O DIVO11 é o ETF gerido pelo Itaú com o objetivo de refletir o desempenho da carteira teórica de
ações que fazem parte do Índice Dividendos (IDIV) calculado pela B3.
Um dos critérios que a B3 utiliza para incluir uma ação no IDIV é o da ação estar presente entre as
33% ações com maiores rendimentos em dividendos (dividend yields) nos últimos 24 meses. Você
pode baixar a metodologia completa para seleção das ações visitando aqui.
A carteira teórica de ações que fazem parte do índice IDIV pode ser acessada aqui. Podemos entender
essa lista como sendo as principais ações pagadoras de dividendos da bolsa. As ações que fazem parte
do DIVO11 são as mesmas e com pesos muito semelhantes, veja aqui e clique em “Composição”.
Na página que mostra a “Composição” do ETF temos o gráfico que lista os setores que mais pagam
dividendos e que são de maior peso no IDIV11.
Os grandes destaques são setores tradicionais entre investidores que colecionam ações boas pagadoras
de dividendos como o setor de energia elétrica, bancos, seguradoras, saneamento e telecomunicações.
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DIVO11 x IDIV
Vamos verificar agora se o gestor do DIVO11 conseguiu superar ou manter o ETF com o mesmo
desempenho do Índice Dividendos (IDIV). Para isso temos o estudo que você pode visualizar logo
abaixo e que será possível visitar clicando aqui.
A linha azul representa o ETF DIVO11 e a vermelha o índice IDIV. Podemos constatar que no prazo
estudado, que começa com a criação do DIVO11 no início de 2012, o desempenho do ETF superou o
índice IDIV.
Vale destacar que a taxa administrativa do DIVO11 é de 0,50% ao ano (fonte) e mesmo assim a taxa
não comprometeu o desempenho em relação ao índice. Faz parte da estratégia desse ETF a geração de
renda através do aluguel de ações.
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Aqui temos a comparação entre o DIVO11 (linha azul) e o BOVV11 (linha vermelha).
Você pode visitar e atualizar o estudo acima visitando aqui e clicando no botão de “Play”. A data
inicial considerada foi a criação do BOVV11, ETF do mesmo gestor do DIVO11, mas que tem o
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Entre todos os ETFs que estudamos até aqui, o DIVO11 é o que possui maior participação dos
investidores pessoa física em relação a pessoas jurídicas. Você pode verificar os números atualizados
até o mês passado visitando aqui e depois clicando na opção “Informações dos acionistas”.
Quando investimos em empresas que pagam dividendos e temos como objetivo reinvestir os valores
que recebemos comprando mais ações, temos o trabalho que é realizar a compra de novas ações
regularmente.
Ao investir no DIVO11, os dividendos, juros sobre capital próprio e outros proventos recebidos pelo
gestor do ETF são automaticamente reinvestidos na compra de mais ações fazendo o ETF se valorizar
no decorrer do tempo conforme descrito aqui.
As ações compradas são aquelas que vão garantir a manutenção das mesmas proporções que podemos
observar no índice IDIV.
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O BBSD11 é uma espécie de “concorrente” do DIVO11 que estudamos no capítulo anterior. Ele é
gerido pelo Banco do Brasil (veja aqui). Eles não utilizam o Índice Dividendos (IDIV) calculado pelo
B3. Eles fazem uso do Índice S&P Dividendos Brasil, calculado pela S&P Dow Jones Índices.
O índice S&P Dividendos Brasil é composto por 30 ações que mais pagaram dividendos seguindo uma
série de outros critérios descritos aqui. A avaliação dessa carteira teórica de ações ocorre uma vez por
ano no mês de abril, com uma análise secundária com relação ao peso de cada ação no mês de outubro.
Os dividendos e outros proventos recebidos pelo gestor do ETF também são reinvestidos na compra
de mais ações, elevando patrimônio do fundo e consequentemente fazendo a ETF se valorizar com o
passar do tempo.
Setores do BBSD11
Você encontrará no link “informativo mensal” nessa página aqui, o gráfico com os setores onde mais
o ETF concentra seus investimentos.
Podemos observar que o BBSD11 tem maior concentração de investimentos no setor bancário que é
um dos grandes pagadores de dividendos junto com o setor de energia elétrica. O endereço onde
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BBSD11 x DIVO11
Quando comparamos o desempenho do BBSD11 (linha azul) e do DIVO11 (linha laranja) desde a
criação do BBSD11 em 2015 temos a percepção de que o desempenho do BBSD11 foi superior. Veja
o estudo visitando aqui.
A situação muda quando restringimos o resultado a partir de 2018, quando o IDIV sofreu uma mudança
de metodologia.
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FIND11
O FIND11 é um ETF gerido pelo Itaú que tem o objetivo de refletir o desempenho de uma carteira
teórica de ações que fazem parte do Índice Financeiro (IFNC) calculado pela B3. Esse é um dos muitos
índices setoriais da B3. Veja todos eles aqui. Infelizmente não existem ETFs para todos os índices
setoriais.
O Índice Financeiro ou IFNC concentra as ações mais negociadas que fazem parte do setor financeiro
como bancos, seguradoras, operadoras de cartão de crédito e a própria bolsa de valores (B3). Você
pode acessar a lista completa de ações que fazem parte do IFNC visitando aqui.
Você logo vai perceber que se trata de uma lista pequena de ações, onde muitas vezes temos mais de
um tipo de ação por instituição financeira como é o caso da ITUB3 e ITUB4 que são do Banco Itaú e
a ITS4 que é da Holding dona de boa parte das ações do Itaú.
O gráfico acima mostra que o número de empresas que fazem parte do INFC sempre esteve entre 12 e
16 empresas desde 2005 (fonte). Veja o método utilizado pela B3 para selecionar as ações visitando
aqui.
O FIND11 foi criado em 01/04/2011 pelo Itaú e como você pode observar na figura abaixo seus
recursos estão mais concentrados nas ações de bancos. A ação da B3 (B3SA3) e do Itaú (ITUB4) eram
de maior peso. Para visualizar o gráfico visite aqui , clique em “Composição” e veja o final da página.
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Como vimos nos ETFs especializados em ações que pagam dividendos, o setor bancário é um dos que
mais pagou dividendos nos últimos anos. No FIND11 esses dividendos são reinvestidos pelo gestor no
fundo na compra de mais ações, gerando aumento do patrimônio do ETF e consequentemente aumento
do patrimônio dos investidores (fonte).
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Já que um dos setores onde os ETFs especializados em dividendos, como o DIVO11, mais investem é
o setor financeiro, será interessante comparar o desempenho do FIND11 (linha azul) e do DIVO11
(linha laranja) como fiz no estudo que você pode acessar aqui.
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Podemos ver que por boa parte de 2018 e 2019, considerando as variações a partir do início de 2018,
o FIND11 (linha azul) superou o DIVO11 (linha laranja) até o início de 2020 quando o setor financeiro
sofreu com maior intensidade a crise gerada pela pandemia.
FIND11 x IBOV
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Você pode acessar o estudo acima visitando aqui. Ajustando o gráfico para iniciar a comparação em
2016 podemos constatar que o FIND11 continuou sua trajetória de superação do Índice Bovespa.
MATB11
O MATB11 é mais um ETF setorial. Ele foi criado pelo Itaú em 31/01/2012 com objetivo de refletir
o desempenho das ações que fazem parte do Índice de Materiais Básicos (IMAT) mantido pela B3.
A lista de ações que fazem parte do IMAT se encontra aqui. Entre os índices que estudamos até aqui,
o IMAT é o que possui o menor número de ações.
No gráfico logo abaixo podemos observar que esse índice já contou com ações de 18 empresas, mas
esse número vem caindo desde 2011. Você pode encontrar essa informação no futuro visitando aqui.
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Podemos observar no gráfico abaixo que existem momentos onde o MATB11 (linha azul) se “descola”
do desempenho de boa parte do mercado observável através do Índice Bovespa (linha laranja). Para
visualizar e atualizar o estudo visite aqui.
É importante considerar que o MATB11 é uma ETF com liquidez muito baixa, ou seja, no decorrer do
dia ocorrem poucos negócios e pouco volume financeiro.
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O TECB11 é um ETF de ações e BDRs de empresas brasileiras de tecnologia gerido pelo BTG Pactual
e Magnetis (página do ETF). A carteira do ETF segue o Índice de Ações Tech Brasil. Você encontrará
ações de intermediação e serviços financeiros digitais, e-commerce, desenvolvimento e
comercialização de software, hardware e dados.
Podemos observar que bancos e empresas de varejo são considerados empresas de tecnologia. Veja
todas as ações que fazem parte do TECB11 visitando aqui.
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Como se trata de um ETF criado em 2021 existe pouco histórico que permita um bom estudo.
GOVE11
O GOVE11 é um ETF lançada em 31/10/2011 pelo Itaú com o objetivo de refletir o desempenho da
carteira teórica de ações que fazem parte do Índice Governança Corporativa Trade (IGCT). A lista de
ações que fazem parte do IGCT é atualizada a cada 4 meses e podem ser acessadas visitando aqui.
No gráfico acima podemos observar que em média a carteira que compõe o IGCT manteve ações de
mais ou menos 120 empresas. Como muitas empresas possuem mais de um tipo de ação listada na
bolsa a quantidade de ações pode passar de 140.
No estudo que estamos realizando nesse livro, até esse capítulo o GOVE11 é o ETF com mais ações
diferentes em sua composição.
Para fazer parte do IGCT é necessário que a empresa seja classificada pela B3 como possuindo algum
nível de governança que pode ser o Nível 1, Nível 2 ou Novo Mercado.
Quando a bolsa criou esse tipo de classificação o objetivo era motivar as empresas a buscarem um
bom nível de governança corporativa. Isso significa ser uma empresa mais transparente com seus
acionistas, estando disposta a cumprir obrigações que vão além das obrigações básicas inclusas na Lei
das S.A.
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Nível 2: indica uma empresa com compromisso de cumprir as regras aplicáveis ao Nível 1 e
adicionalmente outras práticas de governança relativas aos direitos societários dos acionistas
minoritários. As empresas devem adotar à Câmara de Arbitragem do Mercado para solução de
conflitos relacionados a mercado de capitais e societários e divulgar suas Informações financeiras em
padrão internacional (IFRS ou US Gaap). A diferença para o Novo Mercado é que as companhias
podem emitir ações Ordinárias e Preferenciais (Tag Along de 100% para os dois tipos);
Novo Mercado: As companhias só podem emitir ações ON (que são ações com direito a voto), com
Tag Along de 100%. De resto, possui as mesmas obrigações do Nível 2 de Governança.
Como podemos ver nos gráficos logo abaixo é possível encontrar ações em praticamente todos os
setores da bolsa com maior concentração entre bancos, petróleo (exp ref.e distr) e minerais metálicos.
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Logo abaixo temos uma comparação entre o desempenho do GOVE11 (linha azul) e BOVV11 (linha
amarela). Para acessar o estudo visite aqui. Podemos observar que frequentemente o GOVE11 superou
o BOVV11 durante o ciclo de alta da bolsa que ocorreu entre 2016 e a crise de 2020.
GOVE11 x BOVV11
Muitas ações que fazem parte do GOVE11 não estão presentes nos ETFs que refletem o desempenho
do Índice Bovespa, como é o caso do BOVV11. Essas ações podem ter bom desempenho em ciclos de
crescimento ou recuperação da economia e frequentemente fazem parte de outro índice importante que
estudaremos mais na frente como o Índice Small Caps.
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Logo abaixo temos um estudo comparando GOVE11, IBOV e BRAX11. Você deve se lembrar que
BRAX11 possui uma centena de ações em sua carteira (veja o estudo). Podemos considerar que a
maior diversificação do GOVE11 o faz superar o BRAX11 e o Índice Bovespa no longo prazo.
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O ISUS11 foi criado pelo Itaú em 31/10/2011 e seu objetivo é refletir o desempenho de uma carteira
teórica de ações que fazem parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3. As ações que
fazem parte desse índice estão listadas aqui.
O objetivo da B3 ao criar o ISE era propor uma carteira de ações que representassem um “investimento
socialmente responsável”. Através de um método (descrito aqui) eles avaliam se a empresa possui
compromisso com desenvolvimento sustentável, combate à corrupção, transparência, disponibilização
de informações ao consumidor final, impacto dos produtos oferecidos, processos de fiscalização,
processos de auditoria, conflito de interesses, comprometimento com ações relacionadas com as
mudança do clima, ambiental e social.
O ISUS11 está entre os ETFs menos negociados diariamente na bolsa. Existe pouco interesse de
investidores pessoa física. A taxa administrativa é de 0,40% ao ano. Visitando esse endereço aqui
podemos observar essa concentração.
Podemos observar no gráfico abaixo que boa parte das ações do ETF estão concentradas em setores
como elétricas, bancos, telecomunicações, motores e produtos diversos. Veja esse gráfico atualizado
e a lista de ações visitando aqui.
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No estudo que você poderá visitar aqui temos a comparação de desempenho entre o ISUS11 (linha
azul) e Índice Bovespa (linha laranja) desde a criação do ETF.
Vale destacar o desempenho desde a última tendência primária de alta que ocorreu entre 2016 e 2020.
Observe que o Índice Bovespa obteve desempenho bem superior ao ISUS11.
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O ECOO11 foi criado pela BlackRock em 15/06/2012 com o objetivo de refletir o desempenho das
ações que fazem parte da carteira teórica do Índice Carbono Eficiente (ICO2) calculado pela B3.
O ICO2 é mais uma iniciativa da B3 para seleção de ações relacionadas com questões sociais e
ambientais. A B3 justifica a iniciativa da seguinte forma: “Considerando as preocupações do mundo
com o aquecimento global, grande desafio da humanidade neste século, a B3 e o Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), numa iniciativa conjunta, decidiram criar um novo
índice de mercado – o Índice Carbono Eficiente (ICO2).”
A seleção tem como base as empresas que fazem parte do IBrX-50. As empresas interessadas que
aceitaram participar dessa iniciativa, adotando práticas transparentes com relação a suas emissões de
gases efeito estufa (GEE). A metodologia está descrita aqui.
Você encontrará a lista de ações que fazem parte do ICO2 visitando aqui. Existem pouco menos de 30
ações que fazem parte do setor financeiro, indústria e energia como você pode ver no gráfico logo
abaixo (fonte).
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Logo abaixo temos o estudo que você poderá atualizar e visitar aqui. Ele compara o desempenho do
ECOO11 (linha azul) e o Índice Bovespa (linha laranja) desde a criação do ETF em 2012.
Quando ajustamos o gráfico para refletir o desempenho no ciclo de alta da bolsa iniciado em 2016
podemos observar que o ECOO11 perde para o Índice Bovespa.
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O SMAL11 é um dos ETFs mais negociados na bolsa de valores. Foi criado pela BlackRock em
28/11/2008 e tem como objetivo obter o desempenho da carteira teórica de ações que fazem parte do
Índice Small Cap (SMLL) mantido pela B3.
A lista de ações que fazem parte do Índice Small Cap pode ser acessada aqui. O gráfico abaixo nos
mostra que existem pouco mais de 70 empresas com ações no índice.
A B3 possui dois índices que dividem as empresas listadas na bolsa tendo como base o seu valor de
mercado, que é o preço da ação multiplicado pelo número de ações. As empresas que fazem parte da
lista das 85% mais valiosas estão em um índice chamado MidLarge Cap (MLCX), veja a lista aqui.
As empresas que fazem parte dos 15% restantes entram no índice Small Cap (SMLL), caso atendam
outros critérios como descrito aqui ou aqui. Dessa forma, podemos dizer que o Índice Small Cap
representa ações de empresas de menor valor de mercado. Vale observar que ainda não existe um ETF
que reflita a carteira de ações do MidLarge Cap (MLCX), assim como não existe ETF para vários
índices mantidos pela B3 e que você pode conhecer aqui e aqui.
O fato de a empresa fazer parte do Índice Small Cap não significa que sejam empresas muito pequenas.
Muitas vezes são empresas líderes de um mercado restrito ou que ainda estão em processo de expansão.
Empresas conhecidas do setor elétrico e de saneamento de estados específicos podem ser encontradas
nesse índice como a CESP (São Paulo), Light (Rio de Janeiro), CSMG (Minas Gerais) etc. Existem
empresas do setor de consumo e varejo conhecidas como Arezzo, Hering, Guararapes (Riachuelo),
C&A, Lojas Marisa, Via Varejo (Casas Bahia) e muitas outras.
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A taxa administrativa é de 0,50% ao ano e existe uma boa participação de pessoas físicas no SMAL11.
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Logo abaixo temos um estudo que mostra o desempenho do SMAL11 (linha azul) e IBOV (linha
laranja) desde a criação do ETF no final de 2008. Observe que a diferença foi significativa no longo
prazo. Você pode acessar o estudo para atualizar e ajustar qualquer prazo visitando aqui.
Logo abaixo temos o desempenho considerando o ciclo de alta iniciado em 2016 até os primeiros
meses da crise de 2020.
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O SMAC11 é uma espécie de concorrente do SMAL11 que foi criado pelo Itaú em janeiro de 2020. O
objetivo do ETF também é refletir a performance do índice de Small Cap (SMLL). A taxa
administrativa também é 0,50% ao ano.
Como a primeira versão desse livro foi escrita no decorrer do ano de 2020, ainda temos poucos dados
históricos para fazer comparações entre esse ETF e os demais. Para mais informações sobre esse novo
ETF visite aqui.
Logo abaixo temos um gráfico baseado nesse estudo aqui, que você poderá atualizar no futuro clicando
no botão de “Play”. No exemplo temos o SMAC11 (linha azul) e o SMAL11 (linha laranja).
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O ETF XFIX11, gerido pela XP Asset, foi lançado em novembro de 2020 e se tornou o primeiro ETF
que investe em diversos fundos imobiliários brasileiros que estão listados na página de composição da
carteira.
Este ETF segue a carteira teórica do índice IFIX, mantido pela B3, que é o índice mede o desempenho
do mercado de fundos imobiliários no Brasil.
O investimento em fundos imobiliários por ETF tem como vantagem a possibilidade de montar uma
carteira diversificada com mais de 100 fundos imobiliários diferentes sem todo o trabalho que
envolveria comprar cada fundo e ainda manter sua proporção no decorrer do tempo.
O próprio gestor do fundo reequilibra a carteira e troca os fundos que estão nesta carteira quando
ocorre mudança na carteira teórica do IFIX, sem que você tenha que comprar e vender cotas de fundos
gerando a necessidade de pagamento de imposto sobre os ganhos das operações.
Outro ponto positivo é o reinvestimento automático dos dividendos. O gestor do fundo reinveste os
dividendos recebidos de cada fundo imobiliário da carteira através da compra de mais fundos
imobiliários mantendo as proporções. Isso acaba se refletindo em uma valorização do XFIX11 já que
seu patrimônio tende a aumentar quando isso ocorre.
ETFs Internacionais
Existem diversos ETFs negociados na bolsa brasileira que investem em ativos negociados em outras
bolsas do mundo. Eles são uma forma rápida e prática de diversificação internacional sem a
necessidade de o investidor abrir conta no exterior para investir.
Alguns desses ETFs investem em outros ETFs negociados lá fora e outros investem diretamente nos
ativos que possuem na carteira.
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O IVVB11 (página oficial) foi lançado pela BlackRock no dia 28/04/2014. Ele investe em outro ETF
negociado nas bolsas americanas chamado IVV. O IVV tem o objetivo refletir o desempenho do índice
S&P 500. Esse índice é composto pelas 500 ações mais negociadas nas bolsas dos EUA.
Dessa forma, o gestor do IVVB11 não compra as ações que fazem parte do S&P 500 diretamente. Ele
faz isso através da compra de um ETF negociado na bolsa americana chamado iShares Core S&P 500
ETF de IVV (página oficial). Isso significa que ao investir no IVVB11 será como se você estivesse
investindo em outro ETF gerido pela BlackRock, que é negociado no exterior e que reflete o
desempenho do S&P 500.
O Índice S&P 500 foi criado por 1957 pela S&P Dow Jones Indices. O S&P 500 corresponde a cerca
de 80% da capitalização do mercado americano, abrangendo os mais diferentes setores da economia
através de 500 ações de grandes empresas (large cap) dos EUA. A carteira do índice S&P 500 é
rebalanceado quatro vezes ao ano. Assim, todas as ações listadas nas bolsas americanas são reavaliadas
e a nova composição do Índice é divulgada ao mercado.
O IVVB11 se tornou uma das formas mais práticas e baratas para o pequeno investidor se expor ao
mercado internacional através da bolsa brasileira.
Além de obter as variações nos preços das ações que fazem parte da carteira do IVVB11, o investidor
brasileiro ainda consegue obter as variações do câmbio. Como as ações que fazem parte do IVVB11
são cotadas em dólares, quando você possui IVVB11 e o dólar se valoriza, o preço da sua IVVB11
também se valoriza.
Para entender é bem simples. Imagine que você comprou algum ativo qualquer que vale US$ 100.
Vamos imaginar que cada dólar vale R$ 4 e que por isso você pagou R$ 400 (100 x 4 = 400) por esse
ativo. Depois de algum tempo esse ativo se desvalorizou e agora vale US$ 90. Só que o dólar que antes
valia R$ 4 passou a valer R$ 6. Isso significa que esse ativo passou a valer R$ 540,00 ( 90 x 6 = 540).
Perceba que mesmo com a desvalorização do ativo de US$ 100 para US$ 90, a valorização do dólar
frente ao real, de R$ 4 para R$ 6, fez você obter um ganho, já que de R$ 400 o ativo passou a valer R$
540.
Essa lógica também vale para o IVVB11, pois os ativos que fazem parte da carteira do IVVB11
possuem valores cotados em dólares, mas o IVVB11 é negociado na bolsa brasileira em reais.
Para saber quais são as ações que fazem parte do IVVB11 precisamos consultar a carteira do IVV.
Para isso visite este endereço e procure a tabela “Holdings”.
No exemplo abaixo temos a carteira de ações do IVV em um dia qualquer. Veja na coluna “Weight
(%)” que 6,13% do valor do ETF estava investido nas ações da Apple e 6,01% estavam investidos em
ações da Microsoft. As ações e seus pesos no ETF pode variar no decorrer dos meses e dos anos.
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No exemplo acima temos 27,84% do ETF investido em ações de empresas de tecnologia da informação
(Information Technology). Depois podemos ver que 13,51% do ETF está investido em empresas de
Saúde (Health Care).
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Logo abaixo temos um gráfico semanal com o IVVB11 (azul), Dólar (vermelho) e S&P500 (preto).
Você pode ver o estudo visitando aqui. Devemos entender o IVVB11 como um ETF que reflete as
variações do S&P500 multiplicada pelas variações do preço do dólar em reais.
Para entender melhor essa característica adicionei no gráfico o S&P500 multiplicado pelo preço do
dólar em reais. Veja o resultado na linha violeta do gráfico abaixo. O estudo maior pode ser visto aqui.
Veja como a linha azul (IVVB11) possui movimentos extremamente parecidos com o resultado do
S&P500 multiplicado pelo preço do dólar em reais (USDBRL).
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O gráfico logo abaixo mostra o IVBB11 (linha azul), Dólar (vermelha), S&P500 (preta) e BOVA11
(verde) a partir de 2020. A grande queda que podemos ver no gráfico é a crise gerada pela pandemia.
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A linha vermelha representa o dólar. Observe a forte alta do dólar durante a crise. Essa alta do dólar
explica o excelente desempenho do IVVB11 durante a crise (linha azul), permitindo uma alta
significativa mesmo diante dos primeiros meses da crise provocada pela pandemia.
Dessa forma, o IVVB11 é um ativo mais resiliente diante das crises que possam produzir uma
valorização do dólar e desvalorização do real.
Logo abaixo temos um estudo que realizei (veja aqui) para mostrar a frequente relação inversa que
existe entre o IVVB11 (linha azul) e o BOVA11 (linha vermelha).
92
Quando a linha violeta é ascendente temos um sinal visual de que o IVVB11 segue uma tendência de
alta em relação ao BOVA11. Quando é descendente o IVVB11 segue uma tendência de baixa em
relação ao BOVA11. Para facilitar a visualização destaquei esses momentos no gráfico abaixo através
de caixas verdes.
Se você clicar na imagem abaixo poderá ver ela ampliada na tela do seu computador.
93
Isso cria oportunidades nos ETFs que seguem o S&P 500. Em uma carteira equilibrada, as perdas em
uma ETF que segue o índice Bovespa poderiam ser compensadas em parte pela alta em um ETF que
reflete o desempenho do dólar e de ações de empresas estrangeiras, como é o caso do IVVB11.
Mais na frente teremos artigos específicos sobre a análise gráfica dos ETFs e suas relações.
SPXI11
O SPXI11 é gerido pelo Itaú (página oficial) e foi criado em 30/11/2015 e se tornou uma alternativa
ao IVVB11 da BlackRock. Sua taxa administrativa é de 0,21% ao ano.
Tem como objetivo seguir o desempenho da carteira teórica de ações que fazem parte do índice
S&P500 através do investimento em um ETF negociado na bolsa de Nova York chamado Vanguard
S&P 500 ETF de código VOO, veja a página oficial e mais informações em
[Link]
Isso significa que ao investir no SPXI11 você investirá indiretamente no VOO, que é o ETF gerido
pela Vanguard, uma das concorrentes da BlackRock na gestão de fundos negociados nos EUA e em
outros países do mundo.
No estudo logo abaixo (visite aqui e clique no botão de play) temos a comparação entre o SPXI11
(azul) e IVVB11 (vermelho). No prazo estudado o IVVB11 supera o desempenho do SPXI11.
94
SPXB11
O SPXB11 também é um ETF que investe no VOO da Vanguard. Ele é gerido pelo BTG Pactual
(página oficial). Por ser um ETF criado em 2021 o seu histórico de preços ainda é pequeno como você
pode ver em [Link]
95
O XINA11 é um ETF gerido pela XP Asset criado em 18/12/2020. Ele é o primeiro ETF brasileiro
que permite ao investidor acessar o mercado de ações da China. O site oficial do XINA11 é
[Link]
O XINA11 é um ETF que investe em outro ETF que é negociado nas bolsas americanas chamado
MCHI (iShares MSCI China ETF) como você pode ver na página sobre composição da carteira.
Ao investir no XINA11 você estará exposto a variações cambiais já que XINA11 investe no ETF
MCHI que é cotado em dólares, mas as ações em que ele investe são cotadas em moeda chinesa
(renmimbi que muitos chamam de yuan). Isso significa que o preço do XINA11 tende a aumentar
quando o dólar se torna mais valioso em relação ao real e quando a moeda chinesa se valoriza em
relação ao dólar. Dessa forma, o preço das ações das empresas e os preços das moedas influenciam no
preço do XINA11.
Ao investir no XINA11 você terá um investimento equivalente a manter uma carteira com ações de
mais de 500 empresas chinesas que fazem parte do ETF MCHI. Você pode ver a lista de todas as
empresas onde o MCHI investe visitando aqui e depois clicando em “Portfolio” no menu superior
horizontal da página.
Um site muito útil para acompanhar as características de ETFs negociados nos EUA como o MCHI é
este aqui: [Link]
Uma das ferramentas oferecidas no [Link] é a que permite comparar o desempenho dos ETF. No
exemplo acima temos a comparação do MCHI e do EWZ que é o ETF que representa a bolsa
96
Também podemos observar no [Link] um gráfico com os setores onde o MCHI mais investe. Veja
no gráfico logo abaixo que grande parte do investimento está em ações de empresas chinesas de
tecnologia, setor financeiro e de consumo cíclico.
Para aprender a investir em ETFs e ações no exterior, através de uma corretora nos EUA, eu recomendo
a leitura do meu livro Como Investir no Exterior. A grande vantagem está na possibilidade de investir
em ETFs como o MCHI e muitos outros de forma direta e em dólares.
97
O ASIA11 gerido pela XP Asset (página) investe no AAXJ (página) que é um ETF negociado nos
EUA que investe nas ações de mais de 1000 empresas de países asiáticos, menos no Japão. A maior
concentração de ações está em empresas chinesas como mostra a figura:
98
O EMEG11 é o ETF gerido pela XP Asset (página) que investe no EEM, um ETF muito conhecido no
exterior pelos investimentos que faz em mais de 800 ações de empresas em 27 países emergentes. Para
o investidor estrangeiro o Brasil é apenas mais um dos diversos países emergentes sendo que não é
dos mais importantes.
O gráfico acima nos mostra que mais de 30% do ETF está investido em ações de empresas chinesas.
Você encontrará o gráfico atualizado visitando aqui, na tabela “Exposure Breakdowns” clicando em
“Geography”.
99
Como o EEM é mais antigo e tem histórico mais longo você pode fazer o estudo do EEM, que é
negociado em dólares no exterior em: [Link]
EURP11
O EURP11 é um ETF gerido pela XP Asset que foi lançado em janeiro de 2021. Ele é o primeiro ETF
brasileiro que permite ao investidor acessar o mercado de ações de diversos países da Europa.
O EURP11 é um ETF que investe em outro ETF chamado IEUR (iShares Core MSCI Europe ETF),
como você pode ver na composição da carteira. Um bom site para estudar as características do IEUR
é o [Link]
Através dele podemos observar um gráfico como o apresentado logo abaixo com as 10 ações em que
mais o ETF investe. A carteira é bem diversificada (ações de mais de 1000 empresas diferentes) e os
recursos estão diluídos em muitas empresas.
Abaixo temos o gráfico sobre onde ficam as empresas onde o ETF mais investe. Veja que existe uma
grande concentração de investimentos em ações de empresas do Reino Unido, França, Suíça e
Alemanha. No total o IEUR investe em ações de 15 países.
100
Aqui temos uma comparação entre o desempenho do IEUR (azul), MCHI (cinza) que representa o
investimento em ações de empresas chinesas e EWZ (laranja) que representa o investimento em ações
de empresas brasileiras.
101
ACWI11
O ETF ACWI11, gerido pela XP Asset, foi lançado em fevereiro de 2021. Ele é um ETF que investe
em mais de 2000 ações diferentes de empresas de 26 países desenvolvidos e 23 países emergentes.
O ACWI11 é um ETF que investe em outro ETF chamado ACWI (iShares MSCI ACWI ETF), como
você pode ver na composição da carteira.
102
Neste site podemos comparar o desempenho dos ETF. Aqui temos um exemplo onde comparei o
desempenho do ACWI, EWZ, IEUR e MCHI entre parte de 2020 e início de 2021.
No exemplo do gráfico abaixo podemos observar que a maior parte da carteira do ACWI estava
investida em ações de empesas dos EUA.
A maior parte do patrimônio do ETF ACWI está em ações de empresas de tecnologia, financeiras,
consumo cíclico, saúde e indústria.
103
Logo abaixo você tem um infográfico muito interessante (fonte) que facilita o entendimento sobre em
quais países o ACWI mais investe com o objetivo de representar por completo o mercado de ações do
mundo.
Observe que a participação do mercado acionário do Brasil no ACWI é insignificante, assim como
ocorre na prática. O total de dinheiro movimentado nos negócios envolvendo todas as ações da nossa
bolsa diariamente muitas vezes equivale ao movimento de uma única ação de uma grande empresa
americana.
104
O WRLD11 (página oficial) investe no VT que é um ETF global muito conhecido no exterior. O VT
(Vanguard Total World Stock) investe em mais de 9 mil ações de empresas em países desenvolvidos
e emergentes.
Mais da metade das empresas são da América do Norte e parte significativa está na Europa (fonte).
Assim como ocorre com todos os ETFs que investem em ações negociadas em outros países o câmbio
influenciará no desempenho do ETF.
A imagem acima (fonte) nos diz que mais da metade das ações que estão no ETF são negociadas em
dólares. Você pode estudar o gráfico do VT em [Link] e o gráfico
do WRLD11 em [Link]
106
O ETF GOLD11, gerido pela XP Asset, foi lançado em dezembro de 2020. Ele é um ETF que investe
em outro ETF negociado nas bolsas americanas de código IAU, como você pode ver em composição
da carteira. Sua taxa administrativa é de 0,30% ao ano. O GOLD11 é o primeiro ETF brasileiro de
ouro e metais negociado na bolsa.
O IAU (iShares Gold Trust) é um ETF muito conhecido no exterior que investe em ouro físico
guardado em cofres em todo o mundo. Os ETFs de ouro são um meio eficiente e seguro de manter
investimentos em ouro físico já que você não precisa se preocupar com transporte, armazenamento e
a segurança do ouro físico.
Como o ouro e o próprio IAU são ativos cotados em dólares, o preço do GOLD11 sofre a influência
do câmbio.
107
A cada ano, a mineração global de ouro adiciona aproximadamente 2.500-3.000 toneladas ao estoque
global acima do solo de ouro. Cerca de 12% da produção mundial atual de ouro é utilizada na indústria
de tecnologia em quantidades tão pequenas, em cada produto individual, que pode não ser mais
econômico reciclá-lo. Dessa forma, o ouro pode estar sendo "consumido" pela primeira vez na história.
108
O setor de tecnologia impulsionou o crescimento global do mercado de ações nos últimos 20 anos e
provavelmente continuará sendo relevante já que dependemos cada vez mais de novas tecnologias.
O gráfico acima mostra o desempenho de três ETFs entre outubro de 2016 e outubro de 2021 (5 anos).
A linha amarela é o EWZ que representa o ETF negociado no exterior que investe nas principais ações
que fazem parte do Índice Bovespa.
A linha azul representa o SPY, um ETF que investe nas principais ações do EUA que estão no índice
S&P500.
Já XLK é um ETF negociado no exterior que investe somente nas ações de tecnologia das bolsas
americanas.
Certamente foi o grande desempenho das ações de tecnologias do mercado americano que motivou o
lançamento de diversos ETFs de tecnologia que estudaremos agora.
NASD11
O NASD11 tem gestão da XP Asset (página oficial) e investe no QQQ (Invesco QQQ Trust) que é um
dos ETFs mais conhecidos do mundo que investe nas 100 principais ações negociadas na bolsa
NASDAQ, onde estão listadas muitas das maiores empresas de tecnologia do mundo.
Além do setor de tecnologia existem muitas ações de empresas de consumo cíclico que são aquelas
que produzem bens duráveis como eletrônicos e veículos. Veja mais detalhes em
[Link]
109
Muitos ativos que fazem parte do QQQ onde o NASD11 investe também estão presentes em outros
ETFs como o IVVB11 e SPXI11. Por este motivo é importante observar que ao investir em NASD11
e IVVB11 existirá ativos repetidos. Exemplo: ao investir no NASD11 você terá 11% do seu patrimônio
concentrado nas ações da Apple através da carteira do QQQ. Se você também comprar o IVVB11 você
terá mais 6% do seu investimento em ações da Apple através do IVV.
Você encontra uma comparação entre o QQQ e o IVV visitando aqui. Será possível ver uma tabela
como a figura abaixo.
110
Na figura acima temos o desempenho do QQQ (gráfico) e do IVV (gráfico) desde 2017. Parte
significativa da alta do IVV nos últimos anos foi impulsionada por ações de empresas de tecnologia
que fazem parte do QQQ. Para estudar o gráfico do NASD11 visite aqui.
111
O TECK11 é um ETF gerido pelo Itaú que investe de forma muito concentrada em algumas poucas e
grandes empresas de tecnologia do mundo que fazem parte do indice NYSE FANG+™. São elas:
Apple (AAPL), Amazon (AMZN), Netflix (NFLX), Google (GOOGL), Alibaba (BABA), Baidu
(BIDU), NVIDIA (NVDA), Tesla (TSLA) e Twitter (TWTR).
No total TECK11 investe em 10 empresas de tecnologia e consumo sendo que 5 ações sempre fazem
parte do ETF (Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google) e outras 5 ações podem ou não mudar nos
períodos de rebalanceamento trimestrais da carteira, conforme seu volume de negociação na bolsa
(NYSE).
Uma característica que deve ser observada com cuidado pelo investidor é a grande concentração deste
ETF em um pequeno número de ações. São mais ou menos 10% do patrimônio do ETF investido em
cada ação.
Você encontrará uma tabela como a figura acima com a composição atualizada do ETF visitando aqui
e depois clicando em “Composição” no menu horizontal superior.
Muitas ações dessas empresas já estão em outros ETFs internacionais em proporções menores como o
IVVB11 e o NASD11.
Assim como ocorre em outros ETFs que investe em ativos negociados no exterior existe a influência
do câmbio no preço do ETF.
112
O gráfico do TECK11 pode ser estudado aqui. Veja uma apresentação do Itaú sobre o TECK11
visitando aqui.
USTK11
O USTK11 (página oficial) é um ETF gerido pela Investo que investe no VGT que é um ETF
negociado no exterior que investe em mais de 350 empresas de tecnologia dos EUA. Entre essas
centenas de empresas muitas são de pequeno porte e por isso possuem grande potencial de crescimento
no longo prazo.
Podemos observar que o ETF tem 57% do seu patrimônio concentrado em apenas 10 empresas embora
seja composto por mais de 350 empresas. A concentração do investimento na Apple e Microsoft supera
37% do ETF. Isso significa variações nos preços dessas duas ações possuem grande impacto no preço
do ETF.
113
114
O GENB11 é gerido pelo BTG Pactual (página) e investe em BDRs negociados no Brasil de empresas
de tecnologia e serviços de comunicação que fazem parte do índice S&P/B3 Ingenius Index.
O ETF é composto por apenas 15 ações em que nenhuma pode ter peso maior que 20% do patrimônio
investido do ETF. Você encontrará os BDRs que fazem parte do ETF visitando aqui.
No exemplo acima o ETF tinha maior concentração de investimentos nos BDRs do Google, Oracle,
Square e Nvidia.
115
O MILL11 é um ETF gerido pelo Itaú (página oficial) que investe em 50 ações que fazem parte do
índice MSCI USA IMI MILLENNIALS SELECT 50. O ETF investe em ações de empresas dos EUA
que tendem a se beneficiar das preferências de consumo e perfil comportamental da geração millennial,
também conhecidos como “Geração Y”, que são as pessoas nascidas entre 1981 e 1996.
116
Existe uma maior concentração em ações de tecnologia e serviços de telecomunicações como podemos
ver logo abaixo.
HTEK11
O HTEK11 é gerido pelo Itaú (página oficial) e investe em 50 ações de empresas de tecnologia
relacionada com a área de saúde nos EUA como as empresas de Bioinformática e Neurociência &
Medicina. Essas empresas estão envolvidas em inovações como a telemedicina, mapeamento do
genoma, tratamento preventivos, desenvolvimento de novas drogas, entre vários outros avanços.
117
O gráfico abaixo nos mostra que mais de 85% do ETF está investido em ações de empresas de saúde.
As ações do HTEK11 (estude o gráfico aqui) são as mesmas que fazem parte da carteira do índice
Morningstar US Exponential Technologies Healthcare. A carteira é revisada uma vez por ano no mês
de dezembro.
118
O DNAI11 é um ETF gerido pelo Itaú (página oficial) que investe em uma carteira composta por 50
ações de empresas dos EUA que tendem a se beneficiar do desenvolvimento de produtos e serviços
relacionados a sequenciamento genético na área da saúde e da agricultura. Essas ações fazem parte do
índice MSCI USA IMI Genomic Innovation Select 50.
A composição do índice é revista semestralmente, nos meses de maio e novembro. Neste momento as
participações das ações são reequilibradas para que não concentrem mais de 5% do patrimônio
investido do ETF.
Podemos observar que a ação MRNA da empresa Moderna, uma das grandes produtoras de vacinas
na pandemia iniciada em 2020, teve uma grande valorização no semestre em que a imagem acima foi
capturada e por este motivo, 12,07% do patrimônio do ETF estava concentrado em suas ações.
A Moderna voltará a representar 5% do ETF quando ocorrer uma revisão da carteira que ocorre
semestralmente. Com isso, os ganhos das ações que mais se valorizaram serão investidos em outras
ações para reequilibrar a carteira do ETF.
Assista ao vídeo de apresentação do Itaú sobre o DNAI11 visitando aqui. É possível fazer o estudo
gráfico do ETF em [Link]
119
O SHOT11 é um ETF gerido pelo Itaú (página oficial) que investe em 50 empresas negociadas nos
EUA em um ciclo inicial de inovação que fazem parte do índice S&P® KENSHO® MOONSHOTS.
Como mais de 80% das empresas de pequena capitalização elas possuem grande potencial de
crescimento no longo prazo.
As ações que fazem parte da carteira do SHOT11 são reavaliadas duas vezes ao ano, em junho e
novembro. É possível estudar o gráfico em [Link]
Nos EUA existe um ETF que segue o mesmo índice chamado MOON. Através da página com as
características do MOON é possível observar a exposição a empresas fora dos EUA.
O próximo gráfico retirado da página oficial do SHOT11 nos permite ver que o patrimônio está bem
diversificado com participações que geralmente não ultrapassam 5%.
120
O FIXA11 foi o primeiro ETF de renda fixa lançado no Brasil em setembro de 2018 pela gestora Mirae
Asset. Depois, os bancos Bradesco e Itaú também lançaram seus ETFs de renda fixa.
A primeira coisa que você deve entender antes mesmo de começar a estudar e a investir em ETFs de
renda fixa é que esses ETFs se comportam como renda variável. Eles podem ser até mais voláteis que
os ETFs de renda variável.
Podemos dividir os ETFs de renda fixa em quatro grupos que se diferem pelo uso de diferentes índices
de renda fixa mantidos pela Anbima (veja aqui). Esses índices são:
IMA-B: Temos ETFs de renda fixa que seguem o índice IMA-B que possui carteira teórica de títulos
públicos indexados pela inflação (equivalente ao Tesouro IPCA) com vencimentos menores do que 5
anos. Exemplos de ETFs que estudaremos que seguem o IMA-B: IMBB11 do Bradesco e IMAB11 do
Itaú.
IMA-B5+: Temos ETFs de renda fixa que seguem a carteira de títulos do IMA-B5+. Essa carteira
também é composta por títulos públicos equivalentes ao Tesouro IPCA, mas com vencimentos maiores
do que 5 anos. Exemplos de ETFs que estudaremos no livro que seguem o IMA-B5+: B5MB11 do
Bradesco e IB5M11 do Itaú.
121
SPBDI1FP: Por fim temos o ETF da gestora Mirae que ao invés de seguir uma carteira de títulos
públicos segue o desempenho do “Índice Futuro de DI” de três anos. Mais na frente iremos entender
como isso funciona.
É importante entender que todos os ETFs de renda fixa que são negociados no Brasil se comportam
como se fossem de renda variável, ou seja, os preços desses ETF sofrem variações diárias. Essa
volatilidade pode ser tão grande quanto qualquer ETF que segue índices de ações.
Se você tem o costume de investir em títulos públicos prefixados ou indexados pela inflação já deve
ter observado que os preços desses títulos sofrem grandes variações diárias. Isso acontece porque os
preços de compra e venda desses títulos sofrem alterações sempre que os juros prometidos pelo
Tesouro sofrem variações.
A relação entre o juro prometido a quem compra e vende títulos públicos (Tesouro Prefixado e Tesouro
IPCA) e o seu preço é inversa. Isso significa que quando os juros sobem, o preço do título cai. Quando
os juros caem, o preço do título sobe.
Uma forma fácil de entender esse fenômeno é observar um título como o Tesouro Prefixado. Todo
título Tesouro Prefixado valerá R$ 1.000,00 na sua data de vencimento. Para que o Tesouro possa
vender esse título para você prometendo juros de 5% ao ano ele precisa vender esse título com um
determinado desconto, de tal forma que a diferença entre o preço que você pagará pelo título e o que
receberá no vencimento seja equivalente a 5% ao ano.
Se esse mesmo título fosse vendido com a promessa de pagar 10% de juros ao ano, esse desconto
precisaria ser ainda maior para que no final sua rentabilidade fosse 10% ao ano. O mesmo ocorre com
o título Tesouro IPCA, com a diferença de que o valor pago no vencimento será corrigido pela inflação
e não um valor fixo como ocorre no Tesouro Prefixado.
Se você considerar que o juro pago por títulos Tesouro Prefixado e IPCA sofrem mudanças diversas
vezes por dia, o preço de compra e venda desses títulos mudam a todo momento como se fossem uma
ação ou qualquer outro investimento de renda variável.
Se você já leu o meu livro sobre Como Investir em Títulos Públicos já entende que é possível realizar
investimentos especulativos utilizando títulos públicos para aproveitar essas flutuações nos preços. Só
122
Títulos público são taxados pelo imposto IOF, caso a venda ocorra antes de 30 dias. Como você pode
ver na tabela abaixo, se você comprar e vender um título público para obter um ganho potencializado
por uma forte variação nos juros em um período de apenas 15 dias, o IOF cobrado será de 50% do seu
lucro. Somente depois de 30 dias de investimento o IOF será de 0%.
Já alíquota do imposto de renda sobre os ganhos nos títulos públicos foi projetada para penalizar
aqueles que realizam investimentos por prazos menores do que 2 anos. Como você pode ver na tabela
abaixo, a alíquota do imposto será de 22,50% nos seus ganhos se o tempo entre a compra e a venda do
título for menor do que 180 dias (6 meses). Somente depois 720 dias com o dinheiro investido no título
público você poderá pagar a menor alíquota que é de 15% sobre os ganhos.
Quando você conquista ganhos através da compra e venda de um ETF de renda fixa, o imposto de
renda sobre esses ganhos será sempre de 15%. Não importa se você ficou com o ETF por alguns dias,
semanas, meses ou anos. Também não existe cobrança de IOF.
Títulos públicos possuem uma data de vencimento. ETF não possui vencimento e você poderá ficar
com ele por um prazo indeterminado.
Também é importante lembrar que o imposto de 15% sobre seus ganhos será calculado e recolhido
pela corretora. Você não precisa calcular e recolher impostos gerando e pagando um DARF como
123
O fato é que o investimento em renda fixa prefixada e indexada pela inflação por meio de ETFs, com
fogo em ganhos de curto prazo, é mais vantajoso tributariamente quando comparamos com o mesmo
investimento feito através da compra de títulos públicos como o Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA.
A desvantagem do ETF é que no caso do título público, quando chegar a data de vencimento do título,
você receberá os juros prometidos no momento da compra. Isso significa que esses títulos públicos
funcionarão como renda variável antes do vencimento e se tornarão renda fixa quando a data do
vencimento chegar.
No caso do ETF não existe a data de vencimento. Dessa forma, ao especular usando títulos públicos,
se você entrar em prejuízo antes do vencimento, existe a garantia de que na data do vencimento você
receberá o dinheiro que investiu mais os juros prometidos na compra, independente de todas as
variações no preço do título que ocorreram antes do vencimento.
Títulos Negociados
Com exceção do FIXA11, os demais ETFs de renda fixa realizam investimentos em títulos públicos,
mas não exatamente os mesmos títulos públicos que podemos comprar e vender no Tesouro Direto.
Bancos e instituições financeiras compram e vendem uma grande variedade de títulos com os mais
diversos prazos. A nomenclatura dos títulos também é diferente da adotada pelo Tesouro Direto. O
título Tesouro Prefixado na verdade se chama LTN (Letras do Tesouro Nacional) e o Tesouro IPCA
se chama NTN-B (Notas do Tesouro Nacional série B). Vale destacar uma curiosidade. Só a pessoa
física pode comprar NTN-B ou Tesouro Prefixado que não paga juros semestrais por meio do Tesouro
Direto. O NTN-B que as instituições negociam pagam juros semestrais. Já o Tesouro Prefixado que
paga juros semestrais se chama NTN-F (Notas do Tesouro Nacional série F).
Apenas como curiosidade, no site da Anbima, que é responsável pelos índices utilizados em vários
ETFs de renda fixa, possui uma página (veja aqui) onde podemos ver taxas e preços dos títulos
negociados entre as instituições financeiras no mercado secundário. Basta clicar no botão “Consultar”.
Exemplo:
124
Mais na frente entenderemos com mais clareza que os ETFs de renda fixa são muito utilizados pelos
investidores para obtenção de ganhos em prazos mais curtos. E existem algumas vantagens que tornam
o investimento em ETF de renda fixa mais atrativo do que o investimento em títulos públicos
prefixados e indexados pela inflação quando temos objetivos para prazos menores.
A primeira grande vantagem é a maior flexibilidade na hora de comprar e vender. Você pode comprar
ou vender seus ETFs de renda fixa sempre que a bolsa de valores estiver em funcionamento.
O Tesouro Direto sofre paralizações frequentes, especialmente em dias de maior volatilidade nos juros
devido a algum evento político ou econômico. Durante a crise de 2020, provocada pela pandemia, as
paralizações do Tesouro Direto foram constantes.
Somente o título Tesouro Selic (fonte) segue sendo negociado quando as negociações são suspensas
durante o dia devido ao aumento da volatilidade dos juros que atingem principalmente os títulos
Tesouro Prefixado e IPCA.
Outra grande vantagem é a transparência nos preços. Você pode acessar o preço de qualquer ETF de
renda fixa em tempo real. Com muita facilidade é possível fazer a análise dos gráficos de preços
utilizando as mesmas ferramentas que utilizamos quando analisamos as ações. Isso não pode ser feito
quando você negocia títulos públicos no Tesouro. O Tesouro Direto costuma atualizar os preços dos
títulos apenas 3 vezes por dia ou mais vezes se ocorreram paralizações.
125
IMBB11
O IMBB11 foi lançado pelo Bradesco em 11 de dezembro de 2019 com o objetivo apresentar o
desempenho da carteira teórica de títulos públicos do índice IMA-B, calculado pela Anbima.
Você pode visualizar a carteira do IMA-B e de todos os índices da Anbima visitando aqui ou aqui.
Logo abaixo temos um exemplo:
Nesse exemplo o IMA-B era composto por 14 títulos públicos com datas diferentes de vencimento do
tipo NTN-B, que é equivalente ao Tesouro IPCA com juros semestrais que encontramos no Tesouro
Direto. Como você pode ver, as instituições financeiras negociam títulos com uma grande variedade
de vencimentos.
Para acessar as informações sobre o IMBB11 visite aqui e procure na parte inferior da página a opção
“Conheça nossos ETFs” e depois clique em “Renda Fixa” para em seguida clicar em “IMBB11” como
mostra a figura
126
IMBB11 x IMAB11
Logo abaixo temos um estudo de comparação entre IMBB11 (azul) e IMAB11 (laranja):
Podemos observar que considerando a data de lançamento do IMBB11, seu desempenho é bem
próximo do desempenho do ETF IMAB11 do Itaú que iremos estudar mais na frente. Você pode
acessar o estudo acima (veja aqui). Par atualizar (gerando a área amarela acima) basta clicar no botão
127
No exemplo acima podemos observar o que acontece com esse tipo de ETF diante de uma crise como
a da pandemia ocorrida em 2020. No gráfico abaixo podemos comparar com o desempenho do Índice
Bovespa. Veja que o impacto da crise nos ETFs foi menor em relação ao Índice Bovespa. Caso queira
acessar o estudo no futuro visite aqui.
O estudo gráfico dos ETFs de renda fixa ficam prejudicados por terem sido lançados recentemente.
Temos poucos meses e anos da dados disponíveis. No site da Anbima temos alguns dados históricos
do índice IMA-B e todos os outros índices produzidos por eles.
Estudos do IMA-B
Gravei um vídeo com o exemplo de como configurar o gráfico no site da Anbima para o estudo do
comportamento do IMA-B. Assista ao vídeo aqui. Observe no exemplo abaixo, onde é possível
configurar o período do gráfico e onde encontrar o período mínimo.
128
Logo abaixo podemos ver o gráfico de variação diária que nos permite ter uma ideia sobre o que
devemos esperar de volatilidade para o IMA-B e ETFs que seguem esse índice. Podemos verificar que
normalmente as variações diárias não ultrapassam 0,5% e eventualmente podem atingir até 1% para
mais ou para menos. Variações extremas podem ocorrer como podemos observar na crise de 2020
provocada pela pandemia.
Para estudos mais completos você pode baixar dados do IMA-B desde 2004 através desse serviço aqui.
Através do Tradingview você pode adicionar o IMA-B no seu gráfico utilizando o código
“QUANDL:BCB/12466”. No Clube dos Poupadores temos uma página onde é possível fazer o estudo
gráfico através do Tradingview já configurado. Visite aqui. Mais na frente teremos capítulos
129
IMA-B x IBOV
Sabemos que o Brasil sempre teve juros muito elevados na renda fixa, especialmente juros prefixados
corrigidos pelo IPCA por refletirem todas as incertezas e riscos que o investidor sofre ao realizar um
investimento prefixado.
Podemos perceber o poder dos juros prefixados quando comparamos o desempenho do índice IMA-B
e o índice Bovespa. O estudo pode ser acessado de forma interativa clicando aqui. Veja um exemplo
no gráfico abaixo.
Vamos imaginar alguém que realizou um investimento em 2004 que fosse capaz de apresentar a mesma
performance do IMA-B (linha azul) e outro investimento que representasse o Índice Bovespa (linha
preta). Em 2020, no decorrer da crise da pandemia o resultado seria mais de 780% de alta no IMA-B
e quase 480% no Índice Bovespa.
Agora vamos observar o mesmo estudo considerando a data de 2016, que foi o início do último grande
ciclo de alta da bolsa até a crise de 2020. Veja que a queda da bolsa teria atingido níveis próximos do
acumulado no IMA-B.
130
O IMAB11 foi criado pelo Itaú em 17 de maio de 2019 com o objetivo refletir o desempenho da
carteira teórica de títulos públicos do índice IMA-B, índice calculado pela Anbima.
Como já vimos, seu principal concorrente é o IMBB11 do Bradesco. O IMAB11 tem uma participação
considerável de pessoas físicas (fonte).
A carteira teórica do IMA-B é revista pela Anbima todos os meses. O período de vigência da carteira
é do dia 16 de cada mês até o dia 15 do mês imediatamente posterior.
Dessa forma, todos os meses o gestor do fundo faz o balanceamento da carteira, comprando e vendendo
títulos NTN-B até que a carteira do ETF possa refletir as variações do IMA-B no período.
131
Logo abaixo temos um estudo entre o IMAB11 (linha azul) e IMA-B (linha laranja) que você pode
visitar aqui.
No estudo podemos constatar que o ETF apresenta um desempenho menor do que o oferecido pelo
índice IMA-B.
IB5M11
O IB5M11 foi criado pelo Itaú no dia 23 de setembro de 2019. Seu objetivo é oferecer a performance
da carteira teórica de títulos públicos do índice IMA-B5+ que é calculado mensalmente pela Anbima.
A principal diferença entre o IMA-B, que já estudamos, e o IMA-B5+, que vamos estudar agora, é o
prazo de vencimento dos títulos. O IMA-B, que é o índice de referência dos ETFs IMAB11 e IMBB11,
possui títulos indexados pela inflação com as mais variadas datas de vencimento. O IMA-B5+
concentra apenas nos títulos com vencimentos de 5 anos ou mais.
Por ser constituídos por títulos com vencimentos mais longos o IMA-B+ é um índice com maior
volatilidade. Pequenas variações nos juros dos títulos de longo prazo produzem grandes variações no
índice e consequentemente grandes variações nos preços dos ETFs que utilizam o IMA-B5+ como
índice de referência.
132
Podemos observar que títulos com vencimentos longos possuem maior peso e isso explica a grande
volatilidade do IMA-B5+ quando comparado com o IMA-B. Podemos observar isso no gráfico:
Você pode criar um estudo atualizado como esse visitando aqui. Basta selecionar o “IMA-B” e “IMA-
B5+” na caixa “Subíndices”, selecionar a opção “Variação Diária” na caixa “Desempenho” e
configurar o período mínimo até a data atual.
Podemos perceber claramente que o IMA-B (linha azul) sofre fortes variações em momentos de crise,
como a ocorrida em 2020, mas o IMA-B5+ (linha laranja) costuma atingir picos maiores e que ficam
bem destacados no gráfico. Com certa frequência o IMA-B5+ pode sofrer variações de até 1% para
mais ou para menos durante o dia. Em momentos de maior volatilidade essas máximas e mínimas
podem superar 2%. No início da crise de 2020 chegou a superar 8% de variação em um único dia.
133
No Clube dos Poupadores, no final dessa página aqui, temos um gráfico interativo para que você possa
fazer seus estudos utilizando o IMA-B5+.
Você também pode baixar dados históricos desde 2004 visitando aqui. No Tradingview, que é a
plataforma de estudos gráficos que vamos aprender a usar em outros capítulos, podemos estudar o
IMA-B5+ através do código “QUANDL:BCB/12468”.
134
Quando ajustamos o estudo para observar a variação depois de 2016, também temos um desempenho
melhor do IMA-B5+.
Logo abaixo fiz um estudo comparando IMA-B5+ (azul), IMA-B (vermelho), Índice Bovespa (laranja)
e IMA-S (amarelo). O IMA-S é um índice que reflete o desempenho de uma carteira de títulos
equivalentes ao Tesouro Selic, ou seja, estamos falando de renda fixa pós-fixada. Infelizmente ainda
não existem ETFs de renda fixa pós-fixada.
135
No estudo acima eu adicionei o IVV (linha preta), que é o índice que reflete o desempenho do S&P500
representando as ações mais negociadas nas bolsas americanas. Também adicionei o preço do dólar
em reais (linha verde).
É claro que esse bom desempenho no passado nos diz muito sobre as elevadas taxas de juros que a
renda fixa pagou no passado. Quando modificamos o estudo para refletir o desempenho partindo de
2016 temos um resultado diferente. Veja na próxima figura. Perceba que o Índice Bovespa (laranja)
superou todos os outros índices até antes da crise iniciada pela pandemia em 2020.
136
O B5MB11 foi lançado pelo Bradesco em 11 de dezembro de 2019 e tem como principal concorrente
o IB5M11 do Itaú, que acabamos de conhecer no capítulo anterior. Seu objetivo é refletir o
desempenho da carteira teórica de títulos públicos indexados pela inflação que fazem parte do índice
IMA-B5+ que também já estudamos.
O gráfico abaixo mostra o desempenho do B5MB11 (azul) desde a sua criação. A linha laranja
representa o IB5M11. Ainda existem poucos dados para o estudo gráfico, mas você pode atualizar esse
estudo clicando no botão de “Play” visitando aqui.
IRFM11
O IRFM11 foi lançado pelo Itaú no dia 23 de setembro de 2019 com o objetivo de atingir a mesma
performance da carteira teórica de títulos públicos prefixados que fazem parte do índice IRFM P2,
calculado mensalmente pela Anbima.
O índice IRF-M P2 é composto por títulos públicos prefixados, que são as LTNs (Letras do Tesouro
Nacional ou Tesouro Prefixado) e NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional – Série F ou Tesouro Prefixado
com Juros Semestrais). O título LTN é o título Tesouro Prefixado e o NTN-F é o Tesouro Prefixado
com juros semestrais que você já deve ter visto sendo negociado no Tesouro Direto.
137
Você pode visualizar a carteira de títulos visitando aqui ou aqui. Você vai perceber que não encontrará
a carteira do “IRF-M P2” . Na verdade você deverá consultar a carteira do IRF-M, pois o IRF-M P2
tem a mesma carteira do IRF-M. A diferença que existe no IRF-M P2 é o mecanismo de controle de
prazo (PMR – Prazo Médio de Repactuação). Essa versão “P2” do IRF-M foi criada especialmente
para atender aos ETFs. Isso porque o imposto de renda dos ETFs é calculado com base no prazo médio
da carteira, diferentemente dos demais fundos em que o imposto de renda é cobrado de acordo com a
permanência do investidor no produto. Nesse caso, a carteira do índice mantém sempre prazo médio
(acima de 720 dias). Assim, se o fundo replicar integralmente a carteira, garantirá a menor alíquota de
imposto de renda que é de 15% sobre o ganho de capital.
Ainda existem poucos dados históricos sobre o desempenho do IRFM11. Logo abaixo temos o estudo
que você pode visitar aqui. O IRFM11 (azul) apresentou melhor desempenho que o IB5M11 (laranja)
e B5MB11 (vermelho), certamente devido a sua menor volatilidade.
Na falta de dados históricos de prazo longo do ETF podemos fazer o estudo utilizando o índice IRF-
M. Você pode baixar o histórico do indicador visitando aqui.
No Clube dos Poupadores temos uma página onde você poderá fazer estudos gráficos, visite aqui.
138
Como diversos índices não existiam no ano 2000 o ideal será acessar o estudo e ajustar a data de início
para 2004 ou 2005. Basta clicar com o mouse, segurar e arrastar a barra horizontal onde aparecem os
anos. Veja como fica:
Neste caso temos o IMA-B5+ (azul claro) com o melhor desempenho seguido pelo IMA-B (vermelho)
e finalmente o IRF-M em terceira posição. Em quarto temos o IMA-S que representa uma carteira de
títulos públicos que seguem a Taxa Selic, como o título Tesouro Selic. Isso reafirma a grande força da
renda fixa que tivemos no passado. A renda variável representada pelo Índice Bovespa (laranja), IVV
que reflete o S&P500 (linha preta) e o Dólar (verde) não foram capazes de superar a renda fixa
brasileira.
139
Podemos constatar que o Índice Bovespa (laranja) supera todos os demais índices a partir de 2016.
É importante lembrar que ciclos de queda dos juros dos prefixados e juros dos títulos Tesouro IPCA
elevam os preços dos ETFs de renda fixa enquanto que os ciclos de alta dos juros fazem os preços dos
ETFs caírem.
140
O FIXA11 foi o primeiro ETF de renda fixa lançado no Brasil em 10 de setembro de 2018 pela gestora
sul-coreana Mirae. Seu objetivo é obter o mesmo desempenho da carteira teórica de contratos futuros
de DI que fazem parte do índice “S&P/B3 Índice de Futuros de Taxa de Juros - DI 3 anos ER”. Você
encontrará dados sobre o índice S&P/B3 visitando aqui.
Através do Tradingview podemos estudar o FIXA11. Outro endereço que permite o estudo gráfico é
este aqui: [Link]
Uma das informações que interferem na definição dos preços dos títulos públicos prefixados são os
contratos futuros de juros (DI) que são negociados na bolsa. O FIXA11 é um ETF composto por
contratos de DI futuro.
Você encontra a lista completa de D1 futuro visitando aqui. Para visualizar o gráfico de cada DI basta
clicar no ícone .
Veja que existem contratos com diversas datas de vencimento. O FIXA11 investe nos contratos com
vencimento no 36º (trigésimo sexto) mês nos meses de junho e dezembro compreendendo um período
de 3 (três) anos a 2 (dois) anos e 6 (seis) meses. Vamos imaginar que estamos no ano de 2021. O ETF
terá em sua carteira contratos como o DI com vencimento em 2023 e 2024.
141
Muitos investidores buscam o investimento em ETF como uma forma de diversificação rápida, fácil e
barata, pois ao comprar um único ETF, que custa alguns poucos reais, estamos investindo em dezenas
ou até centenas de empresas ao mesmo tempo.
Se uma dessas muitas empresas for atingida por algo inesperado, que faça o preço de suas ações caírem
por algum tempo, essa variação em uma única ação representará uma pequena variação no preço da
ETF. A diversificação do ETF reduz o risco de fortes variações em ações específicas, setores
específicos da economia ou em economias inteiras, no caso de ETFs que investem em empresas de
diversos países.
Planilha de Diversificação
Para que possamos entender na prática os benefícios da diversificação, veja um exemplo que preparei
utilizando a planilha “[Link]” que acompanha esse livro.
Imagine uma pessoa que tem R$ 100 mil para investir. Ela investiu tudo que tinha em um único ativo
qualquer de renda variável como a ação de uma empresa. Vamos imaginar que a variação no preço
desse ativo foi de -5% em um determinado período. Isso significa que a pessoa perdeu R$ 5 mil
(100.000 x -5% = 5000) por concentrar todo o seu investimento nesse único ativo. Por não ter
diversificado seu prejuízo ou ganho será exatamente a variação registrada no preço do único ativo.
Agora vamos imaginar uma pessoa que resolveu dividir o investimento em dois ativos diferentes que
estão em setores diferentes. O ativo 1 obteve perda de -5% no período e o ativo 2 registrou ganho de
6%. Veja como ficou nossa planilha logo abaixo.
142
Mesmo se a pessoa tivesse mantido R$ 50 mil com rentabilidade de 0%, como seria o caso de manter
o dinheiro parado na conta corrente, esse dinheiro parado na carteira reduziria o impacto negativo da
queda de -5% pela metade, veja na tabela abaixo:
Agora veja o que aconteceria se um investidor dividisse os R$ 100 mil em 5 ativos diferentes que
apresentaram resultados positivos e negativos diferentes no período.
Quando você investe em um ETF como o BOVA11, sua carteira terá mais de 90 ações. Para saber a
quantidade atualizada visite aqui e procure a tabela “Principais Características”.
143
Somente 17 ações (18%) tinham peso entre 1% e 2% e por fim 10 ações tinham mais de 2% de
participação. O maior risco do BOVA11 estaria atrelado a essas 10 ações, pois embora representem
um percentual pequeno das ações da carteira, o peso delas somado representa 40,86% de cada R$ 100
investidos no ETF.
144
Diversificação Internacional
Vamos imaginar uma pessoa que no início do ano 2020 investiu R$ 50 mil no BOV11 (linha azul) para
obter o desempenho de mais de 70 ações mais negociadas na bolsa brasileira. Essa pessoa também
resolveu investir R$ 50 mil no IVVB11 (linha laranja) para obter o desempenho de mais de 500 ações
negociadas nas bolsas dos EUA e do dólar. Veja o resultado até parte de junho de 2020.
Como o BOVA11 teve variação de -18,91% e o IVVB11 variou +26,10, nossa carteira ficaria assim:
Mesmo no decorrer de uma grave crise, que costuma atingir as bolsas do mundo pelo menos 1 vez a
cada década, uma carteira como essa do exemplo teria registrado ganho de 3,60% no período estudado.
145
Através dos ETFs também podemos diversificar nossos investimentos para reduzir o risco que existe
em se investir em um país emergente como o Brasil através de uma moeda considerada exótica como
o real. Um ETF como o IVVB11 e o SPXI11 nos permite fazer uma diversificação utilizando ativos
negociados em um país desenvolvido e através de uma moeda mais forte que a nossa.
Grandes Quedas
Devemos entender a diversificação como uma forma de reduzir o impacto das fortes variações de
preços que ações, ETFs e outros ativos de renda variável podem produzir.
Um ETF é um instrumento prático e barato de se expor a ativos de renda variável com seu patrimônio
pulverizado em diversos setores para reduzir o impacto negativo de eventos que atingem um único
ativo ou um único setor.
Para exemplificar vamos lembrar o que aconteceu com a ação IRBR3 que pertence a uma grande
resseguradora brasileira. Sua ação começou a ser negociada na bolsa em 2018. Os resultados
financeiros que ela apresentava trimestralmente ao mercado, através dos balanços e demonstrações,
sinalizava uma empresa com bons fundamentos.
Entre 2018 e início de 2020 a ação valorizou 427% até que diversas notícias foram divulgadas
questionando os resultados financeiros da empresa e isso desencadeou uma crise de credibilidade.
Como você pode ver no gráfico abaixo, em poucas semanas a empresa perdeu 85% do seu valor.
146
Um investimento de R$ 100 mil em um ETF onde somente 0,58% estivesse investido em IRBR3 teria
o equivalente a apenas R$ 580 investidos nessa ação (100.000 x 0,58% = 580). Se você perdesse 85%
desses R$ 580, sua perda seria de -493 (580 x -85% = -493).
Podemos dizer que perder 85% de apenas 0,58% do seu patrimônio investido no IRBR3 através do
ETF resultaria em um prejuízo de -0,49% na sua carteira. Como o ETF é composto por dezenas de
ações de outras empresas, os ganhos em outras ações compensariam a perda de uma única ação. No
exemplo acima vamos considerar a inexistência de ganhos em outras ações.
Perceba que quando o seu investimento está pouco concentrado em uma única ação, tragédias como
crises de credibilidade envolvendo uma ação podem se transformar em pequenas variações na
rentabilidade do seu investimento.
Estratégia de Saída
O grande problema de quem investe ações é que existem eventos que atingem praticamente todas as
empresas listadas na bolsa ao mesmo tempo. Eventos ainda mais danosos podem atingir todas as bolsas
do mundo ao mesmo tempo como vimos na crise de 2000, crise de 2008 e crise de 2020.
Se você tivesse tido o azar de começar a fazer seus primeiros investimentos em ETFs de renda variável
antes da crise de 2008 ou antes da crise de 2020, você vivenciaria a desagradável experiência de
presenciar o desaparecimento de parte significativa do valor investido no decorrer de poucas semanas.
No gráfico abaixo temos um exemplo. Para cada R$ 100 investido no ETF SMAL11 em 2016, você
teria triplicado o seu investimento atingindo R$ 412 no início de 2020 (+300% de alta). Mas se você
tivesse comprado esse ETF em janeiro ou mantido o investimento, veria perdas de mais de 50% em
poucas semanas.
Muitas vezes os investidores prestam muita atenção nas oportunidades de ganho, mas se esquecem
que esses ganhos precisam ser protegidos. Pouco adiante todo o tempo e esforço necessário para obter
ganhos de 200% ou 300% em alguns anos se você permitir que quase tudo desapareça em poucas
semanas ou meses.
147
Comprar investimentos de renda variável e deixar que o tempo, a sorte e o azar façam o seu trabalho
se mostra muito arriscado, especialmente em um mundo cada vez mais integrado, onde eventos
ocorridos em países distantes interferem nas economias de todos os outros países.
Uma maneira de gerenciar riscos que vai além da diversificação em empresas e setores específicos,
com objetivo de limitar perdas e participar de possíveis tendências de longo prazo (que podem durar
muitos anos antes da próxima crise) é gerenciar taticamente sua carteira de investimentos com uma
estratégia simples de compra e venda de longo prazo.
Isso será muito importante nas próximas décadas, já que existe uma forte tendência de os mercados se
tornarem cada vez mais voláteis, fazendo o antigo padrão de “comprar e manter” ou “comprar e
segurar” mais arriscado do que costumava ser.
Devemos entender que atualmente questões políticas, econômicas, ambientais e até de saúde pública
produzem consequências globais instantâneas. Vivemos em um mundo conectado onde as notícias
circulam em velocidade e quantidades jamais vistas.
Muitas vezes uma simples mensagem de um político que vive em um país distante, publicada enquanto
estamos dormindo, pode ser suficiente para desencadear fortes movimentos nos preços das ações,
crises econômicas regionais, globais ou até motivar guerras comerciais e convencionais entre países.
148
Embora um ETF seja um investimento passivo, ele deve fazer parte de uma estratégia proativa. É parte
do trabalho do investidor montar uma carteira diversificada com ativos que tenham correlação positiva
e negativa.
Antes de iniciar o capítulo sobre a montagem de uma carteira de ETFs é importante entender a
importância da correlação entre os investimentos.
Correlação
Agora vamos aprender um conceito importante para você que pretende investir em ETFs, montando
sua carteira com diversos ETFs.
Quando dois ETFs possuem preços que estão sempre seguindo na mesma direção, entendemos que
esses dois ETFs possuem uma correlação positiva. Exemplo: BOVA11 e BOVV11 possuem
correlação positiva, pois seus preços sempre caminham na mesma direção. Quando BOVA11 está em
alta o BOVV11 também está em alta e quando o BOVA11 está em baixa o BOVV11 também está em
baixa.
Quando dois ETFs possuem preços que estão sempre caminhando em direção oposta, entendemos que
esses dois ETFs possuem uma correlação negativa. Exemplo: BOVA11 e IVVB11, em determinados
momentos, possuem correlação negativa, pois seus preços eventualmente caminham em direções
opostas, ou seja, quando BOVA11 está em alta o IVVB11 está em baixa e vice-versa.
Existe uma importante correlação negativa entre o Índice Bovespa e o dólar. Normalmente quando o
dólar está em alta o Índice Bovespa está em baixa e quando o dólar está em baixa o Índice Bovespa
está em alta.
Como o IVVB11 reflete o desempenho de uma carteira de ações cotadas em dólares e negociadas nas
bolsas dos EUA, o IVVB11 pode se valorizar ou desvalorizar apenas pela influência da cotação do
dólar.
Outro ETF que frequentemente tem correlação negativa com o Índice Bovespa e, por consequência,
com ETFs que refletem o desempenho do Índice Bovespa é o ETF MATB11. Isso acontece por esse
ETF refletir o desempenho do índice IMAT (Índice de Materiais Básicos) que representa uma carteira
de ações de empresas que sofrem a influência da cotação do dólar. Os preços das ações de empresas
como mineradoras, siderurgias e de celulose são impactados pelas variações nos preços das
commodities relacionadas aos seus negócios que por sua vez são cotados em dólares.
Existem ferramentas que fazem cálculos que nos permitem medir a correção entre os ativos. O
resultado desse tipo de cálculo normalmente varia entre -1 e +1. Quanto mais próximo de -1 maior a
correlação negativa e quanto mais próximo de +1 maior a correlação positiva. Valores próximos de
149
Preparei um estudo que mostra o coeficiente de correlação entre o Índice Bovespa e os principais ETFs
baseados em ações negociadas na bolsa brasileira. Você pode acessar o estudo interativo visitando
aqui.
O gráfico superior mostra as variações diárias no preço de cada ETF. A linha preta representa o índice
Bovespa. Fica bem evidente no gráfico acima a grande diferença entre o Índice Bovespa (linha preta),
o SMAL11 (linha azul) e o MATB11 (linha marrom). Outro ETF que se destaca em distanciamento
do Índice Bovespa é o DIVO11.
No gráfico acima, na tela interior, temos as variações do coeficiente de correlação. Observe que
BOVA11, PIBB11 e BRAX11 estão na maior parte do tempo com correlação igual ou muito próxima
de 1 e isso significa que estão apenas refletindo o desempenho do Índice Bovespa.
150
Logo abaixo criei um gráfico que mostra o BOVA11(linha preta), MATB11 (linha vermelha) e o
comportamento da correlação no gráfico de área vermelha na parte inferior (estudo completo). Veja
que em diversos momentos do ano podemos perceber que o MATB11 perdeu a correlação positiva.
Isso pode ser explicado pela influência que as ações que fazem parte da carteira do MATB11 sofrem
quando temos mudanças significativas no câmbio. Outro fator é a baixa diversificação do MATB11
que faz mudanças no preço de uma ação gerar grande impacto no preço do ETF.
151
Aqui temos o estudo que mostra a correlação entre o BOVA11 (linha preta) e IVVB11 (veja aqui).
Observe que a linha vermelha (IVVB11) e a linha preta (BOVA11) são como se fossem espelhos em
diversos momentos desde 2014 neste gráfico semanal. Quando um desses ETFs está se movimentando
no sentido contrário do outro temos o gráfico de correlação apresentando valores negativos.
Para uma carteira de ETFs é importante que você tenha alguns investimentos com correlação negativa
com o objetivo de reduzir as fortes variações na sua carteira de investimentos (volatilidade) enquanto
aumenta a sua rentabilidade.
Para mostrar como isso funciona na prática eu fiz esse estudo aqui. Veja o gráfico logo abaixo. A linha
azul representa o desempenho de uma carteira composta por quantidades iguais de ETFs BOVA11 e
IVVB11. Exemplo: se você tivesse 100 ETFs BOVA11 também teria outros 100 ETFs IVVB11 ou
qualquer quantidade desde que fossem quantidade iguais para cada ETF.
Esse é um curso muito interessante da ferramenta de análise. Você pode fazer esse tipo de estudo no
Tradingview digitando BOVA11+IVVB11. Se você quisesse simular uma carteira com 75% BOVA11
e 25% IVVB11 bastaria digitar o código BOVA11*3+IVVB11, ou seja, para cada três BOVA11 você
terá um IVVB11.
152
Já se você estivesse com 100% do seu investimento em ETF concentrado no BOVA11 (linha preta)
seu desempenho no período estudado seria de 76%, ou seja, bem abaixo do resultado do IVVB11.
Você também teria enfrentado períodos longos de queda e momentos curtos de fortes quedas.
Observando a linha azul, que representa uma carteira onde você tem partes iguais de ETFs BOVA11
e IVVB11. Você perceberá observando a linha azul que a volatilidade ficou menor. Em momentos de
crise, quando o preço do dólar tende a disparar, o BOVA11 tende a cair e o IVVB11 tende a subir se
o mercado acionário dos EUA não for atingido pela crise. Podemos considerar que enfrentamos mais
crises internas do que crises internacionais. Mesmo nas crises internacionais o dólar tende a se
valorizar diante de todas as moedas do mundo.
Na crise de 2020, podemos observar que em junho a carteira representada pela linha azul já teria
recuperado suas perdas enquanto o BOVA11 estava na metade do caminho. Isso ocorreu graças ao
fato de metade da carteira ter se beneficiado com a alta do IVVB11. Nas crises de 2018, com a greve
dos caminhoneiros e na crise de 2016, a carteira representada pela linha azul teve melhor desempenho
que o BOVA11.
Desta forma, é interessante que você simule e estude a montagem de uma carteira que utiliza não
apenas ETFs que seguem o Índice Bovespa, mas que também possa contar com ETFs que tenham
algum nível de correlação negativa com o objetivo de reduzir sua volatilidade. Essa correlação vai nos
ajudar a reduzir a volatilidade da carteira.
153
Um ponto importante que você deve perceber é que ao montar uma carteira de ETFs contando apenas
com ETFs que tenham correlação positiva, teremos como resultado a média de desempenho dessas
ETFs sem obter qualquer redução de volatilidade como vimos no exemplo anterior.
Logo abaixo fiz um estudo que você pode acessar aqui. A linha laranja representa o comportamento
de um investimento feito em SMAL11, que é o ETF composto por ações das empresas de menor valor
de mercado negociadas na bolsa. Historicamente, quando nossa economia passa por uma recuperação,
o SMAL11 apresenta melhor desempenho que o BOVA11 ou qualquer outro ETF que segue a carteira
do Índice Bovespa. O problema é que se trata de um ETF que enfrenta grande volatilidade. Na maior
parte do tempo possui uma correlação positiva próxima de 1 em relação ao BOVA11 (linha preta), ou
seja, sempre caminham na mesma direção.
A linha verde representa uma carteira composta por um SMAL11 para cada um BOVA11, ou seja,
proporções iguais. O resultado dessa carteira vai se comportar como se fosse uma média do resultado
de BOVA11 e SMAL11, com volatilidade equivalente a essa média. Não temos o efeito que podemos
observar no estudo anterior onde a alta do IVBB11 muitas vezes era suficiente para compensar a queda
do BOVA11 ou mesmo oferecer ganhos acima do que você teria concentrando o investimento no
BOVA11.
154
Neste outro estudo temos a correlação entre o BOVA11 e o dólar, veja aqui. A linha verde representa
a variação do preço do dólar em reais e a linha preta a variação no preço do BOVA11. A linha violeta
representa uma carteira com um ETF BOVA11 e o equivalente a 20 dólares, ou seja, temos uma
proporção de 20 dólares para cada um BOVA11.
Observe que uma carteira com essas proporções teria se recuperado rapidamente dos efeitos negativos
gerados pela crise da greve dos caminhoneiros em 2018, pois tivemos uma alta do dólar e uma queda
no BOVA11.
Nos primeiros meses da crise da pandemia em 2020 a carteira também teve uma queda menos
acentuada e uma rápida recuperação graças a correlação negativa entre o dólar e o BOVA11 naquele
período, fazendo os dois ativos se movimentarem em direções opostas.
Infelizmente não temos ETFs de moedas como acontece no exterior. Uma solução para ter uma parte
do nosso investimento em um ativo como o dólar seria utilizar um fundo cambial. Existem diversos
bancos e corretoras que oferecem fundos cambiais. O ideal seria buscar um fundo cambial passivo
com a menor taxa administrativa possível.
A corretora XP possui um fundo cambial chamado “Trend Dólar FI Cambial”. Visitando este relatório
aqui de um site de análise de fundos de investimentos, podemos observar que o desempenho desse
fundo cambial chega a ser melhor do que o próprio dólar. A taxa administrativa é uma das menores
entre os demais fundos cambiais.
Outro fundo que merece ser estudado é o “Trend Ouro Dólar”. Veja nesse relatório que seu
desempenho supera o dólar por se tratar de um fundo que investe em ouro cotado em dólar. Eles
155
Se você tem pouca experiência com a avaliação de fundos de investimentos tradicionais e deseja se
aprofundar no tema eu recomendo que você aprenda a utilizar essa ferramenta através desse curso
online aqui, que também é vendido pelo Hotmart. Ele é produzido pelo mesmo site que oferece a
ferramenta.
Fundos de investimentos tradicionais e passivos, com taxas administrativas baixas, que investem em
dólar e ouro podem ser ferramentas de diversificação importantes, já que no Brasil ainda não temos
ETFs com foco em moedas e metais preciosos.
156
Vamos imaginar a existência de dois investimentos, ETF A e ETF B que tivessem uma correlação
negativa, ou seja, sempre que um investimento sofresse uma variação negativa o outro apresentaria
uma variação positiva e vice-versa.
Veja o que teria acontecido se você tivesse investido R$ 100 no ETF A ou se tivesse optado por investir
os mesmos R$ 100 no ETF B.
No primeiro mês o ETF A sofreu uma queda de -5% enquanto o ETF B valorizou 10%. No segundo
mês foi o inverso onde o ETF A valorizou 10% e o ETF B caiu -5%. Por se tratar de um exemplo
didático vamos imaginar que isso ocorreu durante 24 meses seguidos. Veja:
Observe no final da tabela acima que no vigésimo quarto mês os R$ 100 teriam se transformado em
R$ 169,59 no investimento feito no ETF A. O resultado no ETF B acabou sendo exatamente o
mesmo, pois são ETFs correlacionados. O retorno dos dois investimentos seria o mesmo 69,59%.
157
Agora vamos observar o que aconteceria se você resolvesse investir metade dos seus R$ 100 no ETF
a e a outra metade no ETF B. Seria R$ 50 em cada ETF.
O resultado está na tabela logo abaixo. No primeiro mês, a queda de -5% no ETF A e alta de 10% no
ETF B resultaram em um retorno na carteira de 2,5%. No mês seguinte o ETF A teve alta de 10%
enquanto foi a vez do ETF B perder -5%. Novamente a carteira registrou alta de 2,5%. Isso se repetiu
por 24 meses. Veja o resultado:
158
Observe que essa menor volatilidade e os ganhos constantes produziram um resultado maior do que
você teria se tivesse escolhido um dos dois ETFs para concentrar seu investimento.
159
Mas antes você só não deve esquecer que a correlação que observamos nesse exemplo didático não
ocorre no mundo real de forma tão perfeita. A correlação entre dois ativos sofre variações com o
passar do tempo.
Isso pode ser visto claramente no gráfico que estudamos anteriormente mostrando a correlação entre
o BOVA11 e o dólar. Observe que logo abaixo eu marquei os pontos de falha no padrão de
correlação do dólar e o BOVA11.
Outra questão importante é a de que o retorno positivo do ativo sempre deve ser maior do que o retorno
negativo para que o investimento faça o seu patrimônio crescer. Em outras palavras, não importa se o
preço do ETF onde você pretende investir sofra variações diárias ou mensais. O importante é que
quando o ETF resolver subir ele suba mais do que quando resolver cair. Isso significa investir em ETFs
que estejam em uma tendência primária de alta. Mais na frente vamos entender como isso funciona.
Uma forma muito simples e rápida que temos para calcular o risco de um ETF ou de qualquer ativo é
medir o desvio padrão dos seus retornos. Podemos fazer o cálculo utilizando o Excel através da função
160
Pode parecer estranho, mas dois ETFs que tinham um risco de 7,66% separadamente, quando estão
juntos na mesma carteira de investimentos geram risco zero.
Um dos tipos de riscos que um investimento possui é o de volatilidade, ou seja, o quanto a rentabilidade
do investimento pode variar para mais ou para menos em um determinado período. Esse tipo de risco
pode ser medido através do cálculo do desvio-padrão. Esse é um dos muitos cálculos que aprendemos
na escola quando somos criança sem entender muito sua utilidade.
Junto com esse livro você recebeu uma planilha chamada “[Link]” que mostra os cálculos
de todas as tabelas que utilizamos no capítulo anterior e como é feita a aplicação da função
DESVPAD.A para calcular automaticamente o risco ou volatilidade através do desvio-padrão.
Pudemos constatar que investindo R$ 100 no ETF A ou ETF B o risco sofrido seria de ganhar ou
perder 7,66% em média. Já quando investimos R$ 50 em cada ETF o nosso risco ou volatilidade caiu
para 0%, pois os ganhos foram constantes de 2,5% ao mês.
O gráfico abaixo mostra o quanto seu investimento de R$ 100 teria variado se estivesse aplicado no
ETF A (linha azul), ETF B (linha laranja) ou 50% em cada ETF em uma carteira composta pelos dois
ETFs (linha cinza). Graficamente fica fácil perceber o risco representado pelo zigue-zague ascendente
de cada ETF e a ausência de risco na linha cinza crescente que representa o investimento na carteira
dos dois ETFs.
161
Vamos ver o que aconteceria com a volatilidade, que já entendemos ser uma medida de risco, quando
dividimos R$ 100 em dois ETFs que possuem correlação positiva, ou seja, que acompanham os
mesmos movimentos de alta ou de baixa.
Na tabela abaixo simulamos 3 possibilidades para o investimento de R$ 100. A primeira seria investir
R$ 100 no ETF A. A segunda possibilidade seria investir R$ 100 no ETF B. A terceira seria investir
R$ 50 no ETF A e R$ 50 no ETF B como uma forma de diversificação.
Observe que quando o ETF A cai -5% no primeiro mês o ETF B cai -2%. Já quando o ETF A sobe
10% no mês seguinte o ETF B acompanha o movimento e sobe 4%. Isso se repete por 24 meses.
162
Observe que o retorno total do ETF A foi de 69,59% no decorrer dos 20 meses contra 25,64% do ETF
B. Ao investir seu investimento nos dois ETFs você conseguiu capturar parte da alta do ETF A e parte
da alta do ETF B tendo um retorno equivalente a uma média do resultado dos dois ETFs.
Sabendo que os dois ETFs possuem correlação positiva (caminham na mesma direção), mas ignorando
qual será o ETF que renderá mais no futuro, esse tipo de diversificação nos permite ficar com o
“caminho do meio”, ou seja, ficaremos com um retorno que estará entre o melhor e o pior dos dois.
No gráfico podemos ver a evolução da carteira do ETF A (linha azul), ETF B (linha laranja) e a carteira
onde investimos metade em cada ETF (linha cinza). Veja que a linha cinza é o meio termo ou a média
entre o melhor e o pior ETF.
O mesmo fenômeno acontecerá com o risco. A volatilidade ou o risco que podemos calcular através
do desvio padrão será uma média. Veja que na tabela anterior o risco que calculamos através do desvio
padrão foi de 7,66% para o ETF A, ou seja, corremos o risco de sofrer variações positivas ou negativas
de 7,66% a cada mês. Já o risco do ETF B foi de 3,06%, ou seja, esse ETF é menos volátil ou menos
163
Com isso podemos dizer que o investimento em ETFs que possuem correlação positiva não reduz o
nosso risco, mas modifica o valor médio desse risco.
Podemos dizer que quando você adiciona um ETF mais arriscado ou mais volátil em uma carteira com
ETFs que tem correlação positiva, você estará aumentando a volatilidade média da carteira, ou seja,
está aumentando o risco. Já quando você adiciona um ETF volátil ou arriscado que tenha correlação
negativa, como vimos nos capítulos anteriores, esse resultado invertido acaba reduzindo a volatilidade
da carteira, pois teoricamente quando um ativo está em queda o outro está em alta anulando parte dessa
queda. Já em ativos correlacionados positivamente, quando um está em queda o outro colabora
adicionando mais queda.
Primeiro é importante lembrar que o dinheiro que você irá investir comprando ETFs deve ser aquele
que você destinou para os investimentos de maior risco, ou seja, sua carteira de ETF deve ser parte da
sua carteira de investimentos em renda variável.
Já vimos que todos os ETFs que são negociados na bolsa são de renda variável. Mesmos os ETFs
classificados como de renda fixa se comportam como investimentos de renda variável.
Com os ETFs que temos atualmente é possível realizar inúmeras configurações de carteira, mas para
facilitar nossos estudos vou propor uma carteira com apenas três ETFs. A ideia é que você entenda
como funciona para que estude outras possibilidades. Não considere esse exemplo didático como
sendo uma recomendação de investimento.
• Um ETF que represente as ações mais negociadas na bolsa seguindo o Índice Bovespa.
Exemplo: BOVA11;
• Um ETF que represente as ações mais negociadas entre as empresas menos capitalizadas
seguindo o índice Small Cap. Exemplo: SMAL11;
• Um ETF que represente as ações mais negociadas na bolsa americana e as variações do câmbio
seguindo o S&P 500. Exemplo: IVVB11.
Neste exemplo de carteira podemos utilizar o BOVA11 e o SMAL11 que possuem correlação positiva
e o IVVB11 que em muitos momentos possui correlação negativa por sofrer a influência da cotação
do dólar.
164
Logo abaixo podemos observar o desempenho de uma carteira (linha preta) composta por 25%
investido em BOVA11, 25% em SMAL11 e 50% em IVVB11, ou seja, ao invés de investir R$ 100
em um único ETF você investiria R$ 25 em BOVA11, R$ 25 em SMAL11 e R$ 50 em IVVB11.
Observe que a linha preta que representa a carteira apresentou menos volatilidade, ou seja, suas
variações foram menos amplas para cima ou para baixo. Essa menor volatilidade representa menor
risco. Observe também que a linha preta se manteve acima do BOVA11 na maior parte do tempo
especialmente nos momentos mais críticos que ocorreram durante a crise de 2018 (greve dos
caminhoneiros) e crise de 2020 (pandemia).
165
Na planilha você encontrará uma tabela como a apresentada logo abaixo. Os campos amarelos poderão
ser aditados na planilha para alterar a maneira como você pretende dividir o valor investido entre os
três ETFs. No exemplo dividimos da seguinte forma:
Observe que o risco anual do BOVA11 ficou em 25,21%. Essa é a volatilidade que descobrimos
calculando o desvio-padrão. O SMALL11 mostrou ser o mais arriscado entre 2017 e 2020. O IVVB11
apresentou a menor volatilidade entre os três (19,18%). Quando configuramos a carteira com as
proporções de 25% em BOVA11, 25% em SMAL11 e 50% em IVVB11 temos como resultado uma
redução do risco para 15,63% para o resultado de 26,25% ao ano ou 116,86% no total.
Perceba que o risco de 15,63% é quase metade do risco que você teria se concentrasse seus
investimentos no SMAL11.
166
Agora veja logo abaixo a carteira com 50% em SMAL11 e 50% em IVVB11. Aumentamos um pouco
o risco e consequentemente tivemos um aumento no resultado da carteira.
Quando você estiver iniciando foque sua atenção em poucos ETFs. Monte uma carteira simples.
Enquanto estiver aprendendo e adquirindo experiência, faça investimentos pequenos.
Na planilha você poderá fazer outras simulações e ela funcionará como um exemplo prático para que
você possa fazer outros estudos no futuro.
Se você não tem habilidades básicas com planilhas eu recomendo fortemente que desenvolva essa
habilidade. Planilhas são ferramentas básicas para todos os investidores.
No capítulo “Ferramenta de Análise” vou mostrar mais detalhes sobre o Tradingview e como montar
uma simulação de carteira utilizando a ferramenta gráfica no subcapítulo “Carteira simulada no
gráfico”.
Vamos falar agora sobre algumas estratégias, mas caso você queira se aprofundar neste tema sobre
montagem e simulações de carteiras diversificadas eu recomendo que você estude este livro aqui.
167
De tempos em tempos será necessário reequilibrar a sua carteira de ETFs, pois com as variações
ocorridas diariamente as proporções iniciais serão perdidas. Para que você entenda melhor vamos
exemplificar através de modelos bem didáticos.
Imagine que você resolveu investir R$ 20.000,00 em dois ETFs onde 50% (10 mil) do dinheiro foi
usado para comprar o ETF A e a outra metade para comprar o ETF B.
No final do primeiro ano o ETF A valorizou 10% (R$ 1 mil) enquanto o ETF B perdeu 5% do seu
valor (-R$ 500), ou seja, dos R$ 10 mil investidos no ETF A, você tem agora R$ 11.000,00. Dos R$
10 mil investidos no ETF B você tem R$ 9.500,00. Agora o total da sua carteira é de R$ 20.500,00
(11.000 + 9.500). Os R$ 9.500,00 representam 46% dos R$ 20.500,00 (9.500 ÷ 20.500 = 0,46 x 100 =
46%). Já os 11 mil representam 54% dos R$ 20.500,00 (11.000 ÷ 20.500 = 0,54 x 100 = 54%). O
gráfico que representa a carteira depois de 1 ano ficaria assim:
Para que você volte a ter 50% do seu investimento em cada ETF você poderia usar duas estratégias:
168
2. Vender R$ 750 do ETF A para investir esses R$ 750 na compra do ETF B. O problema dessa
alternativa será o pagamento de imposto de renda sobre o ganho de capital proporcional a esses
R$ 750 de ETF que você vendeu. Assim sempre será mais vantajoso reequilibrar a sua carteira
utilizando algum dinheiro novo que você poupou durante o ano para realizar esse reequilíbrio.
Se não existisse a cobrança de imposto de renda sobre o ganho de capital obtido com a venda
dos ETFs a representação gráfica seria assim:
Vantagens
Quando definimos o percentual do nosso patrimônio que queremos investir em cada ETF ou em cada
tipo de ativo da nossa carteira de investimentos, reduzimos muito o tempo e o esforço necessário para
tomar decisões.
Ao realizar o reequilíbrio da nossa carteira de ETFs tenderemos a vender ETFs que podem estar muito
caras para comprar ETFs que agora podem estar muito baratas. Com isso você acaba “automatizando”
suas decisões, reduzindo o envolvimento emocional e até a interferência de pessoas que tentam
influenciar suas decisões.
169
Após uma forte valorização dos seus ETFs você identificou que agora 70% do seu patrimônio está na
renda fixa enquanto os ETFs representam 30%.
Ao reequilibrar sua carteira você venderá 10% dos seus ETFs utilizará o dinheiro para investir em
renda fixa de tal forma que você volte a ter 80% da sua carteira em renda fixa e 20% em ETFs de renda
variável. Com isso você voltará a ser mais conservador, conforme planejado inicialmente.
Na prática você realizará seus ganhos, ou seja, protegerá parte dos ganhos que você obteve na renda
variável trazendo esses recursos para a proteção da renda fixa.
Reequilíbrio no Tempo
Todos os anos é possível observar pelo menos 2 ou 3 meses em que temos uma queda generalizada
nos preços das ações produzindo 1 ou 2 meses seguidos com resultados negativos no Índice Bovespa.
Logo depois dessas quedas é normal observar uma sequência de 3 ou 4 meses de alta.
Um reequilíbrio poderia ser feito a cada trimestre (4 vezes por ano) ou a cada semestre (2 vezes por
ano). Você poderia dar preferência por reequilibrar após 2 ou 3 meses de altas seguidas para proteger
parte dos ganhos registrados e poderia realizar um reequilíbrio no final de 1 ou 2 meses de queda
seguida no preço do ETF para aproveitar a oportunidade de comprar o ETF por um bom preço antes
da recuperação que provavelmente ocorrerá nos meses seguintes.
Nessa estratégia você só precisa olhar para seus investimentos uma vez por mês, no final ou início do
mês.
Você pode definir um limite mínimo e máximo de desequilíbrio na sua carteira para iniciar o
reequilíbrio. Vamos imaginar que você definiu que pretende manter uma carteira de 50% em BOVA11
e 50% em IVVB11. O gatilho para fazer o reequilíbrio será disparado quando existir uma diferença de
20 pontos percentuais entre os dois ETF. Exemplo: após uma alta no preço do IVVB11 ele passou a
representar 60% da sua carteira enquanto o BOVA11 passou a representar 40%. A distância entre 60%
e 40% é de 20 pontos. Com isso você toma a decisão de comprar mais ETFs BOVA11, utilizando
dinheiro novo que você poupou no período ou você poderá vender IVVB11 para utilizar o dinheiro na
compra de BOVA11 até que você volte a ter 50% do valor investido em cada ETF.
170
O único ponto negativo é o de que você vai precisar monitorar sua carteira com mais frequência.
Normalmente pode ser feito uma vez por semana.
Reequilíbrio Mensal
Existem investidores que conseguem poupar uma parte do que ganham todos os meses e o investimento
desses valores mensais podem ser uma boa opção para reequilibrar sua carteira de ETFs. Basta comprar
os ETFs necessários para reequilibrar a carteira evitando a venda dos ETFs que sofreram valorização
no último período observado.
O reequilíbrio mensal é a melhor forma que temos para evitar a venda de ETFs onde seremos obrigados
a pagar imposto de renda sobre os ganhos de capital. Somente se esse reequilíbrio mensal não for
suficiente você poderia desencadear o reequilíbrio percentual (quando a diferença for atingida) ou o
reequilíbrio no tempo.
Muitos investidores preferem aplicar esse dinheiro poupado mensalmente na renda fixa, em
investimentos com liquidez diária, formando uma espécie de “reserva para oportunidades”.
Quando ocorre os tradicionais meses de queda na bolsa, esses investidores fazem uso dessa reserva
que estava parada na renda fixa esperando um bom momento para comprar ativos de renda variável.
Investimento Ativo
A estratégia de montar uma carteira e realizar o processo de reequilíbrio é uma forma passiva de
investir em ETFs que oferece bons resultados no longo prazo.
Alguns investidores seguem essa estratégia mas ao mesmo tempo destinam recursos para adotar
estratégias mais ativas, onde existe o monitoramento diário ou semanal de oportunidades de prazo
mais curto. Essas oportunidades podem gerar operações de compra e venda que levam poucas semanas
ou poucos meses.
Vou descrever nos próximos capítulos algumas dessas estratégias mais ativas de investimentos que
utilizam ferramentas de análise gráfica dos preços do ETF.
É claro que você também pode usar todos os conhecimentos da análise de preços para acompanhar
seus investimentos de longo prazo. Vamos começar aprendendo a usar as ferramentas online.
171
Neste capítulo vou apresentar para você as ferramentas que utilizo para analisar ETFs e indicadores
econômicos úteis para a seleção e gerenciamento dos seus investimentos em ETF.
Como um único ETF pode ser composto por uma carteira com centenas de ações de empresas de vários
setores diferentes, a análise fundamentalista, que estuda os resultados financeiros de cada empresa, se
torna inviável. Por esse motivo, o investidor de ETF foca sua atenção nos indicadores econômicos,
expectativas do mercado sobre o futuro e o comportamento dos preços dos ETFs.
Para estudar o comportamento dos preços dos ETFs utilizamos a análise técnica, também conhecida
como análise gráfica de preços. Como você deve saber eu tenho um livro sobre análise técnica para
investimentos em ações, mas aqui vamos abordar somente as ferramentas úteis para a análise de ETFs.
Para nossos estudos vamos utilizar o Tradingview (visite aqui), que na minha opinião é uma das
melhores ferramentas de análise que existe no mundo. O Tradingview é um serviço online que pode
ser acessado de qualquer lugar sem a necessidade de instalar qualquer software no seu computador.
O Tradingview oferece acesso ao serviço através de planos gratuitos e pagos. Acredito que o plano
gratuito será suficiente para que você acompanhe as aulas desse livro. Para a análise dos meus
investimentos pessoais eu sou assinante da versão “PRO”.
Para criar uma conta gratuita visite aqui. Depois clique no botão “Registre-se” como mostra a figura:
Você pode acessar usando seu cadastro nas redes sociais, como mostra a figura abaixo ou pode criar
um nome de usuário e senha.
172
Você verá uma ferramenta gráfica parecida com a figura abaixo. Siga as orientações que destaquei
na figura. Com isso você irá preparar o ambiente para seus estudos.
173
Além dos ETFs, essa ferramenta também permite analisar diversos índices, ações, fundos imobiliários,
moedas, dados econômicos e ativos de praticamente todas as bolsas do mundo.
174
Observe na tela anterior onde é possível mudar o tipo de gráfico. Por padrão o sistema está configurado
para exibir gráficos do tipo candlestick, também conhecido por muitos como gráfico de velas ou
gráfico de barras, mas você pode modificar para gráficos de linha e de área. Gravei um pequeno
vídeo mostrando como modificar os gráficos, aproximar ou afastar o gráfico e fazer pequenos ajustes
nas barras de preço e tempo. Assista ao vídeo aqui. Nota: os vídeos produzidos para esse livro são
legendados e sem narração. Você não precisa manter o som ligado para acompanhar o conteúdo dos
vídeos.
É importante que você entenda a “anatomia” de um “candle”, que nesse livro vou chamar de “barra de
preço” ou simplesmente “barra”.
Cada barra representa como o preço de um ETF se movimentou durante o dia, caso você esteja
estudando um gráfico diário. Se estiver em um gráfico semanal, cada barra representará uma semana.
Para aprender a modificar o tempo gráfico assista ao vídeo visitando aqui.
Uma barra verde, como a primeira que aparece na figura acima, significa que o preço de fechamento
do ETF terminou o dia maior que o preço de abertura. Isso significa que o ETF valorizou no período
representado pela barra.
Uma barra ou candle vermelho significa que o preço de fechamento do ETF terminou o dia menor
que o preço de abertura. Significa que a ETF está valendo menos.
Se durante o dia o preço atingiu um valor máximo ou mínimo que estavam acima ou abaixo dos preços
de abertura e fechamento, teremos pequenas linhas que costumamos chamar de sombras.
Assista ao vídeo para entender como funcionam os preços que fazem parte de uma barra vermelha ou
verde.
175
No capítulo “Montando uma carteira de ETFs” mostrei como montar sua carteira simulada através de
uma planilha Excel. Quero ensinar como você pode montar aquela mesma carteira simulada no
Tradingview.
Naquele exemplo educativo uma das carteiras que simulamos foi a composta por 25% do investimento
em BOVA11, 25% em SMAL11 e 50% em IVVB11.
Você pode assistir ao vídeo onde mostro os passos. Perceba que o Tradingview permite realizar
cálculos com os ativos para gerar um gráfico que será resultado desse cálculo.
Se queremos o desempenho de uma carteira composta por 25% em um determinado ativo, podemos
1 25 1
dizer que queremos (um quarto) deste ativo já que 25% = 100 = 4. Então vamos expressar isso
4
digitando BOVA11/4 que representa um quarto de BOVA11. Vamos somar isso a um quarto de
SMAL11 e depois um meio de IVVB11, ou seja, IVVB11/2.
Como resultado iremos digitar BOVA11/4 + SMAL11/4 + IVVB11/2 no campo do Tradingview onde
informamos o código do ativo que desejamos estudar no gráfico. O Tradingview irá montar um gráfico
176
Depois configuramos o gráfico para exibir o resultado na forma de um índice base 100 (mostrei isso
vídeo anterior que recomendei), que podemos entender como quando o valor de R$ 100 renderia se
estivesse aplicado em um determinado ativo ou no conjunto de ativos representados pelo cálculo que
mostrei.
Se você quisesse representar no gráfico uma carteira com 40% de BOVA11, 40% de SMAL11 e 20%
de IVVB11 faria da seguinte forma: BOVA11/2,5 + SMAL11/2,5 + IVVB11/5.
40 1
Para encontrar esse 2,5 bastaria dividir 100 por 40 para encontrar 2,5
Para encontrar esse 2,5 bastaria dividir 100 por 40 = 2,5. Então BOVA11 dividido por 2,5 equivale a
40% de BOVA11. Encontramos o IVVB11/5 dividindo 100 por 20 = 5.
177
Os preços dos ETFs e de todos os ativos listados na bolsa se movimentam seguindo uma direção no
longo prazo que chamamos de tendência primária. Essa tendência primaria costuma durar muitos
anos e ela orienta os investimentos de longo prazo.
No gráfico acima temos as variações de preços do ETF BOVA11 entre 2012 e 2020 em um gráfico de
linha que mostra os preços diários.
Você pode visualizar esse gráfico semanal, mensal ou mesmo em períodos dentro do mesmo dia como
o gráfico de horas. Para estudos de longo prazo eu gosto de utilizar gráficos semanais.
Veja no gráfico acima que fica evidente a existência de uma tendência primária de baixa nos preços
do ETF BOVA11 entre 2012 e o final de 2015. Ela está assinalada no gráfico por uma seta vermelha.
Depois temos o início muito evidente de uma tendência primária de alta iniciada em partir de 2016.
Observe que uma tendência de alta é composta por diversos movimentos menores de expansão e
retração dos preços. Esses movimentos menores são chamados de tendências secundárias.
No gráfico abaixo estou mostrando uma sequência de setas vermelhas e verdes que indicam os
movimentos de várias tendências secundárias de altas e baixas no decorrer de uma grande tendência
primária de baixa.
178
Observe na figura acima que entre a longa tendência primária de baixa de 2012 até o final de 2016,
tivemos anos divididos entre um período de vários meses de tendência secundária de baixa e vários
meses de tendência secundária de alta.
179
Isso significa que você não precisa ficar o ano inteiro investindo em um ETF quando estamos em uma
tendência primária de baixa, como a que tivemos antes de 2016. Basta metade de um ano para
aproveitar a tendência secundária de alta. Quando se iniciar a tendência secundária de baixa você
poderá optar por ficar fora do mercado.
Mais na frente vamos estudar sinais de entrada e saída para aqueles que pretendem aproveitar essas
oportunidades.
Topos e Fundos
Observe no gráfico abaixo que esses movimentos secundários formam topos e fundos, ou seja, preços
máximos antes de um declínio até um preço mínimo, produzindo o uma espécie de zigue-zague.
Uma tendência primária de baixa é composta por topos e fundos descendentes, ou seja, com preços
cada vez menores.
Uma tendência primária de alta é composta por topos e fundo ascendentes, ou seja, preços máximos
e mínimos cada vez maiores no zigue-zague que ele forma. Veja no gráfico abaixo onde sinalizei com
uma pequena seta os topos e fundos. Veja que eles são cada vez menores na tendência de baixa e cada
vez maiores na tendência de alta.
180
Já uma tendência primária de alta é composta por uma sequência de tendências secundárias de alta
e baixa onde os preços máximos e mínimos são cada vez maiores em cada ciclo.
Agora observe a próxima figura. Veja que depois de 2016 iniciamos uma sequência de topos e fundos
ascendentes:
É importante perceber que nenhum ETF ou ativo de renda variável terá um movimento interrupto de
alta do seu preço.
Uma alta sempre será interrompida por um período de queda nos preços. O importante é que os
movimentos de alta sejam maiores do que os de baixa para que tenhamos uma tendência de alta.
Em uma tendência primária de alta, o final de cada tendência secundária de baixa pode ser entendido
pelo investidor como uma oportunidade para a compra de mais ativos.
No longuíssimo prazo a bolsa de valores e seus principais ativos se movimentam em uma grande
tendência de alta. No Clube dos Poupadores temos um gráfico que mostra um histórico com mais de
50 anos do Índice Bovespa. Veja aqui.
181
Observe no gráfico abaixo o que acontece quando construímos duas linhas paralelas que tocam o
máximo possível de topos e fundos.
Veja que formamos aquilo que em análise de gráficos recebe o nome de canal. Nesse caso temos um
canal de baixa por estar inclinado para baixo. Poderia ser um canal de alta ou um canal lateral.
182
Observe no gráfico acima que o preço do BOVA11 tende a respeitar os limites superiores e inferiores
do canal, ou seja, quando o preço atinge o topo superior da linha do canal descendente, ele tende a
iniciar uma trajetória de queda até atingir o limite inferior onde reinicia seu movimento de alta até o
topo do canal.
Perceba que quando o preço atinge o que seria a linha superior do canal, ele tende a iniciar um
movimento de baixa que pode ir até o meio do canal ou a linha inferior do canal. Nesse ponto, o preço
reinicia a sua trajetória até o topo do canal.
Assista ao vídeo para observar o comportamento do preço dentro de um canal de alta onde a linha
superior do canal cria uma região de resistência, que resiste ao movimento de alta, enquanto a linha
inferior cria uma região de suporte, que segura ou suporta a queda.
Também será possível ver no vídeo o rompimento da linha inferior do canal (suporte), que não foi
capaz de segurar o preço durante a crise provocada pela pandemia em 2020. Rompimentos de canais
podem se configurar como uma reversão de tendência.
183
Uma tendência de baixa termina quando observamos o fim de uma sequência de topos e fundos
descendentes. Uma tendência de alta termina quando observamos o fim de uma sequência de topos e
fundos ascendentes.
No gráfico abaixo podemos ver o momento em que tivemos a formação de um topo e fundo acima do
topo e fundo anterior, sinalizando um “ponto de reversão” da tendência de baixa para uma tendência
de alta.
184
Outra forma de visualizar essa reversão da tendência seria através do “rompimento” do canal de baixa.
No gráfico abaixo desenhamos o canal de baixa e sinalizamos com setas o primeiro movimento de
topos e fundos ascendentes que aconteceu fora do canal de baixa.
185
186
Observe no gráfico acima que os últimos rompimentos de canais que representavam uma tendência
primária foram produzidos por eventos históricos como a crise econômica mundial em 2008, o
processo de impeachment em 2016 e a pandemia de 2020.
Entender claramente o que é uma tendência primária nos preços e que ela é formada por tendências
secundárias formando um canal através dos seus todos e fundos é fundamental para todo investidor.
Frequentemente você verá pessoas na imprensa e na internet motivando outras a comprar em topos,
quando elas mesmas estão vendendo. Também tentam motivar as pessoas para que vendam nos fundos,
exatamente quando elas mesmas estão comprando.
No capítulo anterior estudamos que através da análise gráfica dos preços dos ETFs podemos identificar
as tendências dos preços, formações de canais, linhas de resistência, linhas de suporte formadas por
topos e fundos.
Agora vamos estudar os indicadores que os investidores utilizam em suas estratégias. Os indicadores
produzem sinais e gráficos auxiliares baseados em cálculos estatísticos. Eles nos ajudam a identificar
possíveis pontos de compra ou venda.
Embora os indicadores sejam produzidos através de cálculos matemáticos complexos, nós não
precisamos realizar esses cálculos. O trabalho pesado é feito por ferramentas como o Tradingview para
que o investidor se preocupe somente com a interpretação dos resultados.
187
O primeiro e mais importante indicador que vamos estudar é a média móvel. As médias móveis são
classificadas como “indicadores seguidores de tendência”. Elas nos ajudam a identificar e a
monitorar a tendência dos preços de um ETF no decorrer do tempo. As médias também podem nos
emitir sinais para prováveis compras ou a vendas, considerando o maior ou menor risco de sucesso.
Todos os indicadores oferecidos pelo Tradingview podem ser acessados pela opção que você verá
nos vídeos que ilustram o capítulo.
Médias Móveis
Em estatística as médias móveis são utilizadas para “suavizar” as constantes flutuações de uma série
de dados observados no tempo. No nosso caso, os dados são os preços de um ETF que sofrem
constantes mudanças no curto prazo, mas que em prazos maiores seguem uma tendência que pode ser
mais facilmente estudada observando o preço médio do ETF.
Logo acima temos uma imagem do gráfico de preços do ETF FIND11, composto por ações de
empresas do setor financeiro. Já vimos que cada barra vertical verde ou vermelha representa a variação
do preço durante uma semana por se tratar de um gráfico semanal. Cada linha colorida representa uma
média móvel que nos mostra o preço médio do ETF nos últimos períodos.
Observe no gráfico acima que o preço do ETF no momento que ele foi gerado era de R$ 94,85. Existe
uma linha laranja no gráfico sinalizada com o texto “Média 20” e que nos diz que o preço médio do
188
A linha roxa nos diz que o preço médio das últimas 200 semanas é de R$ 88,67 e que o preço médio
das últimas 9 semanas é de R$ 83,41 (linha azul). Logo cima temos o preço médio das últimas 100
semanas (linha amarela) e 50 semanas (linha azul clara).
No gráfico temos a informação sobre quando o preço do ETF esteve acima ou abaixo das suas médias
de 9, 20, 50, 100 e 200 semanas. Em uma tendência de alta os preços próximos ou abaixo de
determinadas médias são entendidos como baratos enquanto preços muito distantes de suas principais
médias são entendidos como caros.
Assista ao vídeo para aprender como criei o gráfico com as 5 médias móveis.
Existem muitos tipos de médias móveis. No vídeo que indiquei acima nós adicionamos média móvel
simples para 5 períodos diferentes. Você pode aprender a fazer configurações de cores, espessura da
linha e outras características assistindo esse outro vídeo.
Outra média móvel muito utilizada é a média móvel exponencial que se difere por dar maior
importância aos preços mais recentes.
Gravei um vídeo (assista clicando aqui) mostrando como adicionar a média móvel simples e média
móvel exponencial no mesmo gráfico para que possamos visualizar suas diferenças. Logo acima temos
o gráfico semanal do ETF DIVO11. A linha verde é a média móvel simples e a linha vermelha é a
média móvel exponencial. As duas se referem ao preço médio do DIVO11 nas últimas 9 semanas.
Perceba que quando as duas médias estão abaixo do preço do ETF temos uma tendência de alta nos
últimos 9 períodos, ou seja, o preço do ETF cresce acima da média.
189
Quando usamos as das médias móveis de 9 (simples e exponencial) no mesmo gráfico temos uma
informação sobre a força da tendência. Sempre que você observar a média móvel exponencial sobre a
média móvel simples de mesmo período, você terá um sinal de tendência de alta forte. Quando a média
móvel exponencial estiver se entrelaçando com a média móvel simples temos um enfraquecimento da
tendência. Uma média móvel exponencial se movimentando abaixo da média móvel simples sinaliza
uma tendência de baixa.
190
No gráfico diário logo acima podemos observar como o preço do ETF BOVA11 se comportou entre o
início e o fim do ano de 2019.
Observe que temos um canal de alta que representa a tendência primária de alta e dentro desse canal
o preço se movimenta em tendências secundárias até atingir topos e fundos que se formam quando o
preço atinge a linha superior do canal (linha de resistência) e a linha inferior (linha de suporte).
A média está representada no gráfico logo abaixo através de uma linha azul. No gráfico da esquerda
temos os preços diários e a média móvel simples de 9 dias e no gráfico da direita temos somente a
média móvel simples de 9 dias.
191
Por esse motivo as médias nos permitem “seguir” ou “rastrear” a tendência de tal forma que possamos
saber se os preços tendem a cair ou tendem a subir até que ocorre a próxima reversão dentro do canal.
Agora vamos estudar duas médias móveis importantes. A média móvel de 200 períodos que “escolta”
a tendência primária de alta e a média móvel de 9 que faz a “escolta” da tendência secundária.
A média móvel de 200 é muito utilizada pelos investidores que querem monitorar e seguir uma
tendência primária através de um gráfico diário. Podemos dizer que a média móvel de 200 períodos
em um gráfico diário é uma das formas mais comuns de monitorar uma tendência de prazo mais longo.
Existem grandes investidores que só realizam compras de ativos em tendência de alta quando seus
preços se aproximam da média móvel de 200. Como são investidores de grande porte a média móvel
de 200 se tornou uma região de suporte muito forte em uma tendência primária de alta. Em uma
tendência de baixa a média de 200 funciona como uma região de forte resistência.
Veja um exemplo do gráfico diário do Índice Bovespa e a média móvel simples de 200 dias na cor
laranja (MA) e a média móvel exponencial de 200 dias na cor preta (EMA). A linha azul representa o
Índice Bovespa (IBOV). Você pode acessar o estudo clicando aqui:
Observe que a média móvel simples de 200 períodos (linha laranja) se movimentava de forma
descendente até 2016, funcionando como resistência, até que quando ocorreu uma reversão passando
192
Veja no gráfico acima que em uma tendência de baixa a média móvel simples de 200 (linha laranja)
está na maior parte do tempo acima da média exponencial de 200. Já na tendência de alta a média
exponencial (preta) costuma ficar acima da média simples (laranja).
Veja que na tendência de baixa a média móvel de 200 funciona como uma linha de resistência contra
o movimento de alta, ou seja, sempre que o índice toca ou cruza a média de baixo para cima ele tende
a cair logo depois. Veja na figura acima que o Índice Bovespa tende a ficar mais tempo abaixo da
média de 200 entre 2011 e 2016. Na tendência de baixa o índice não consegue ficar por muitas semanas
acima da média móvel de 200.
Já na tendência primária de alta a média móvel de 200 funciona como um suporte que impede a queda
do índice. Veja na figura acima que depois de 2016 Índice Bovespa ficou na maior parte do tempo
acima da média de 200. Sempre que ele caiu, tocou ou cruzou a média de 200, ele logo reiniciou seu
movimento de alta.
Observe na figura abaixo que entre 2016 e o início de 2020 foram poucas vezes que o preço do ETF
BOVA11 tocou ou se aproximou da média móvel de 200 períodos.
Já quando acontece uma grande crise, como a de 2020, e o índice cai muito abaixo da média de 200, o
índice tende a se aproximar novamente da média de 200 (de baixo para cima), mas como a média de
200 passa a funcionar como uma resistência, existe sempre a dúvida se o índice terá força suficiente
para retornar a se movimentar acima da média móvel ou ser passará muitos meses ou anos abaixo da
média de 200 em uma tendência de baixa como ocorreu depois de crise de 2008.
É importante entender que quando o preço cruza a média móvel de 200 ela se transforma em uma
resistência. Isso significa que existe uma dificuldade para o preço ou o índice retornar para sua
193
No gráfico abaixo fiz um estudo (veja aqui) mostrando que o BOVA11, assim como o Índice Bovespa,
frequentemente não costuma se afastar mais do que 15% da sua média móvel exponencial de 200 (linha
preta. Normalmente após se aproximar e tocar na média móvel o Índice Bovespa tende a iniciar sua
trajetória de afastamento da média móvel de 200.
Quando esse afastamento atinge valores próximos ou um pouco acima de 15% o movimento de alta
perde sua força, as vezes se lateraliza por algum tempo ou começa a cair até se aproximar novamente
da média de 200.
Como podemos ver no gráfico abaixo isso ocorre na tendência de alta e na tendência de baixa. Na
tendência de baixa a média móvel funciona como suporte e na tendência de baixa ela funciona como
resistência.
É muito útil que você acompanhe o movimento dos ETFs e seus índices para que perceba esses padrões
que se repetem no decorrer de muitos anos.
Para que você possa visualizar o poder da média móvel de 200 em um gráfico diário gravei um vídeo
(assista clicando aqui) onde mostro um “replay” do Índice Bovespa e suas interações com a média
móvel na última grande tendência de alta que ocorreu entre 2016 e 2020. Esse vídeo é importante para
que você aprenda a utilizar a ferramenta de replay nos seus estudos.
194
A média móvel de 9 é muito utilizada pelos investidores para o monitoramento dos preços dentro de
sua tendência secundária.
Logo acima tempos o gráfico diário do SMAL11, uma média móvel de 9 (linha azul). Quando os
preços se movimentam acima da média de 9 períodos temos uma forte tendência secundária de alta.
Quando identificamos algum dia em que o preço fechou abaixo da média móvel ou, pior ainda, abriu
e fechou abaixo da média móvel, temos um sinal de provável fim ou enfraquecimento da tendência
anterior de alta.
Quando a média móvel de 9 está abaixo do preço, ela funciona como suporte que dificulta sua queda.
Quando está acima, funciona como resistência que dificulta a alta.
Muitos investidores utilizam a média móvel de 9 para identificar um ponto onde deveria proteger parte
dos ganhos que conquistaram no último movimento de alta do ETF.
A venda do ETF, como uma forma de proteger os ganhos obtidos no decorrer de vários meses,
ocorreria quando o preço iniciasse movimentos abaixo da média móvel de 9, especialmente se já
tivesse atingido uma distância de 10% a 15% da média móvel de 200.
No gráfico abaixo temos exemplos de possíveis pontos de compra e de venda de um ETF considerando
que o investidor tenha o objetivo de aproveitar o movimento de uma tendência secundária de alta que
normalmente tem a duração de alguns poucos meses.
No “ponto de compra 1” temos o preço se movimentando acima da média móvel de 9 poucos dias
depois de ter se aproximado da média de 200.
195
Quando a média móvel de 200 não é respeitada, ou seja, quando o preço cruza a média de 200 para
baixo, temos um ponto de “perigo”, como o assinalado no gráfico abaixo. Esses cruzamentos da média
móvel de 200 para baixo são comuns quando estamos diante de uma grave crise.
196
Enquanto os preços que se movimentam abaixo da média de 9 sinalizam uma possível tendência
secundária de baixa, preços abaixo da média de 200 podem iniciar uma tendência primária de baixa
de longa duração, pois a média de 200, que antes funcionava como suporte dos preços (o suporte segura
a queda dos preços), passaria a funcionar como uma resistência (a resistência segura a alta dos preços).
Observe que após o ponto de “perigo”, o preço do BOVA11 voltou a subir e quanto tocou e cruzou a
média de 200 pela primeira vez, de baixo para cima, acabou caindo novamente, pois a média de 200
funcionou como forte resistência. Essa queda representou um novo ponto de perigo por gerar um zigue-
zague descendente no preço do ETF.
O preço caiu novamente, mas seu novo fundo ficou acima do fundo anterior, sinalizando que voltaria
a testar a média móvel de 200 para tentar romper sua resistência. A resistência foi rompida em outubro
de 2018 e o ETF voltou para sua tendência primária de alta.
Se a média móvel de 200 tivesse funcionado como resistência na segunda tentativa de rompimento,
teríamos um maior risco de formação de um zigue-zague descendente. Veja como seria no gráfico:
197
Logo acima temos um gráfico semanal do BOVA11 com média móvel exponencial de 9 e 21. O
cruzamento da média de 9 e de 20 costumam ser utilizados como sinal importante, já que em tendências
de alta a média móvel de 9 se movimenta sobre a média de 20 e em tendências de baixa a média de 9
se movimenta abaixo da média de 20.
198
Depois dos indicadores seguidores de tendência os indicadores chamados de osciladores são os mais
utilizados por investidores que monitoram oportunidades para compra e venda de ativos de renda
variável como os ETFs.
Neste capítulo vamos estudar o oscilador chamado IFR (Índice de Força Relativa) ou RSI (Relative
Strength Index) criado em 1978 pelo engenheiro e investidor J. Welles Wilder. Por sua simplicidade e
eficácia se tornou um dos osciladores mais utilizados por investidores de todo o mundo.
O IFR mede a velocidade e a força das variações dos preços de ETFs, ações ou qualquer outro ativo
de renda variável. Ele identifica e compara o quanto os preços variaram quando fecham em alta e o
quanto variam quando fecham em baixa.
Assista ao vídeo onde mostro como adicionar e configurar o IFR no seu gráfico.
Como um oscilador, o indicador IFR possui um gráfico separado do gráfico de preços onde apresenta
uma linha que oscila entre os níveis de 0 e 100. Frequentemente essas oscilações ficam entre 20 e 30
quanto atingem valores mínimos e 70 a 80 quando atinge valores máximos.
Em um gráfico semanal, quanto mais o preço do ETF varia nas semanas de alta, mais o IFR se
aproxima do número 100. Quanto mais o preço do ETF varia nas semanas de baixa, mais o IFR se
aproxima do número 0.
Em outras palavras, o preço que inicia uma tendência de alta aumenta sua volatilidade (sofre maiores
variações) quando fecha em alta enquanto reduz sua volatilidade nos dias que fecha em baixa, fazendo
o IFR subir e se aproximar de 100. Em algum momento ocorre a inversão, onde temos a redução da
199
Sabemos que os preços de ativos de renda variável seguem sua trajetória de alta ou de baixa em zigue-
zague e não em linha reta. O IFR nos permite visualizar com maior facilidade as forças que produzem
esse zigue-zague, para nos ajudar a identificar pontos de inflexão ou mudança de tendência secundárias
dentro da tendência primária.
Exemplo de Estratégia
O objetivo do investidor de ETF que usa o IFR é o de obter ganhos no decorrer de uma sequência de
semanas de alta que podem durar entre um e três meses, mas que em alguns casos pode chegar a seis
meses ou mais.
O IFR também nos ajuda a evitar aquilo que muitos investidores fazem com frequência que é realizar
compras nos topos históricos, quando o IFR do ativo está atingindo valores máximos antes de um
declínio. São nesses declínios ou correções que um investidor atento ao comportamento do IFR faria
compras por melhores preços.
A ideia é capturar uma tendência secundária de alta dentro de uma tendência primária de alta,
principalmente quando o preço se movimenta em um zigue-zague mais lateralizado.
Por padrão, o IFR será instalado no seu gráfico já configurado para analisar os últimos 14 períodos.
Em um gráfico semanal seriam as últimas 14 semanas. O ideal seria você adaptar o período do IFR
dependendo do ETF que você está estudando. Olhando o seu histórico será fácil observar quais níveis
o IFR atinge antes de uma reversão.
Para o gráfico semanal experimente configurar o IFR para um período de 5 semanas (IFR 5). Veja um
exemplo de estudo com IFR de 5 semanas no BOVA11 ou em outro ETF que segue o Índice Bovespa.
Logo abaixo fiz um pequeno gráfico mostrando que os pequenos ciclos de alta, dentro da grande
tendência de alta do Índice Bovespa costumam durar entre 5 e 7 semanas antes de iniciar algumas
semanas de baixa ou lateralização até o próximo movimento altista.
200
Você pode acessar o estudo visitando aqui. Observe que no dia 13/05 o IFR5 (IFR das últimas 5
semanas que ensinei a configurar no vídeo anterior), atingiu níveis abaixo de 35.
Quando isso acontece o investidor pode entender como um possível sinal de compra. Ele configura
uma compra caso na próxima semana o preço do ETF supere o preço máximo da semana anterior.
Observe que representei esse ponto de compra através de uma linha pontilhada verde onde temos o
texto “preço de compra”.
201
Observe no gráfico acima que o preço subiu por 5 semanas seguidas até que o IFR5 superou o nível
70. Isso poderia ser entendido pelo investidor como um sinal de venda para resguardar os lucros
obtidos nesse movimento, antes de uma possível correção com duração de algumas semanas.
No dia 19/08, o exemplo que estamos estudando gerou uma nova oportunidade. O preço do ETF fechou
a semana com o IFR5 menor que 35. Na semana seguinte o investidor poderia configurar uma compra
se ocorrer a superação do preço máximo atingido na semana anterior. A compra está sinalizada no
gráfico por uma seta verde com o texto “compra 2”.
Nesse exemplo o IFR5 superou o nível 70 depois de 9 semanas. O investidor poderia entender essa
semana como uma oportunidade para vender o ETF e proteger os ganhos registrados no decorrer desses
dois meses.
Na compra 1 do nosso exemplo o ganho da estratégia foi de 9,24% durante 5 semanas ou 35 dias. Na
compra 2 o ganho foi de 5,71% em 9 semanas ou 63 dias. Junto com esse livro você recebeu uma
planilha chamada “Taxas [Link]”. Com ela podemos transformar a taxa de 9,24% em 35
dias em uma taxa de juros anual equivalente. Veja o resultado:
Isso significa que ganhar 9,24% de rentabilidade em 35 dias é equivalente a ter um investimento que
rende 151% ao ano. Na segunda compra, o ganho foi de 5,71% em 63 dias. Usando a planilha acima
vamos descobrir que isso é equivalente a um investimento que rende 37,94% ao ano.
202
Riscos
Muitos investidores configuram uma venda, que chamamos de “stop loss”, logo depois que a compra
é realizada com o objetivo de proteger o investimento limitando a perda caso o preço não evolua como
o esperado.
No exemplo acima a venda “stop loss” ou a venda de proteção contra perdas, quase foi acionada, já
que o preço quase atingiu o preço mínimo da semana anterior. Logo depois dessa semana difícil depois
da compra, o preço começou a evoluir em sua trajetória de recuperação.
Tendo como exemplo o BOVA11, podemos ver no gráfico abaixo que foram raros os momentos em
que as variações do preço do ETF fizeram o IFR 5 cair abaixo do nível 35 em um gráfico semanal. No
exemplo, entre 2016 e o primeiro semestre de 2020 essas quedas bruscas ocorreram três vezes em três
crises diferentes: Crise do Impeachment, Crise da Greve dos Caminhoneiros e Crise da Pandemia.
O uso de uma venda “stop loss” vai evitar que você mantenha seu dinheiro investido no ETF em
momentos de crise muito grave, quando o preço do ETF pode cair mais de 20%, como na Crise da
Greve dos Caminhoneiros ou cair mais de 40% como no primeiro movimento de queda da Crise da
Pandemia.
Observe que também é importante evitar o erro de comprar um ETF quando ele está com o IFR em
níveis muito elevados, como os de 80 ou 90. Veja no gráfico abaixo que foram raras as vezes que o
BOVA11 teve IFR5 acima de 90, mas todas as vezes que isso aconteceu foi possível observar uma
queda forte logo depois.
203
Muitas vezes a recuperação ocorre na forma de um pequeno “W”, ou seja, o preço atinge um valor
mínimo e o IFR 5 fica abaixo de 35. Na semana seguinte o preço rompe a máxima da semana anterior
indicando uma possível recuperação, mas logo cai novamente para níveis próximos do último fundo.
Somente depois desse segundo recuo o preço retorna para sua trajetória de alta.
Veja no gráfico semanal abaixo onde temos o comportamento do IFR 5 do ETF IVVB11 entre 2016 e
2020. Observe que existiram muitos momentos onde após atingir valores menores que 35 o IFR subiu
para depois cair antes de iniciar sua trajetória até valores acima de 70.
Existem investidores que preferem aguardar a formação desse W para realizar a compra. Outros
preferem dividir a compra em 2 momentos diferentes e existem aqueles que apenas aceitam e esperam
já que este e outros recuos podem ocorrer até o preço atingir valores acima de 70.
204
Imagine como seria maravilhoso se você pudesse acumular muitas ETFs durante a sua vida sem pagar
nenhum centavo por elas.
A estratégia que vou descrever aqui é bem simples. Basicamente vamos aproveitar oportunidades de
curto prazo para “ganhar” ETFs que serão mantidas como investimento de longo prazo. O objetivo é
lucrar no curto prazo e guardar esse lucro para sempre, sem correr o risco de perder o principal que foi
investindo, ou seja, somente os lucros recebidos ficam expostos ao risco.
Vamos imaginar um ETF qualquer que custe R$ 100. Você tem R$ 10.000,00 para investir neste ETF
e o seu objetivo é realizar uma operação curta, com duração de semanas ou alguns poucos meses.
Você identificou que o ETF está em uma tendência primária de alta, mas dentro de uma secundária de
baixa que em algum momento se tornará uma tendência secundária de alta. Através das médias móveis
e do IFR você identificou um bom ponto de compra. Logo o preço iniciou a sua trajetória de alta em
uma tendência que pode durar semanas ou meses.
Você usou os R$ 10.000,00 para comprar 100 ETFs que custavam R$ 100 cada uma. Depois de 10
semanas cada ETF estava valendo R$ 115 e seu ganho já registrava 15%. Agora o valor de cada ETF
era de R$ 115 e suas 100 ETFs valiam 11.500,00. Seu ganho de capital era de R$ 1.500,00 já que o
investimento inicial foi de R$ 10.000,00.
Então você resolve usar a estratégia que consiste em montar uma carteira formada por ETFs que você
recebeu gratuitamente. Para isso você só venderá a quantidade necessária de ETFs para colocar no
bolso os R$ 10.000,00 que você investiu inicialmente. Esse dinheiro será usado em outra oportunidade.
Os ETFs que sobrarem você irá considerar como parte da sua “carteira gratuita” de ETFs e seu objetivo
será ficar com esses ETFs por muitos anos ou até para sempre.
Como o ETF agora estava custando R$ 115, quantos ETFs você precisaria vender para recuperar os
R$ 10.000,00 que você investiu? Basta dividir 10.000 por 115 para encontrar 86,9 ETFs.
Agora basta arredondar esse valor para 90 ETFs que serão vendidos para que você recupere o seu
dinheiro e com isso elimine o risco de perder esse valor principal. Com isso você poderá voltar a
utilizar esses mesmos R$ 10 mil em outra compra de curto prazo.
Os 10 ETFs que sobraram ficarão na sua “carteira gratuita” de ETFs. A pressão psicológica de manter
sua carteira de ETFs gratuitas no decorrer das crises que afetam os mercados de tempos em tempos
será muito pequena, pois você não pagou nada pelo ETF exposto ao risco. Isso permitirá que você
“capture” grandes tendências de alta na bolsa que podem realmente multiplicar seu patrimônio.
205
Para que você possa observar a frequência com que essas oportunidades ocorrem veja o estudo logo
abaixo (ou acesse aqui) do BOVA11 em um gráfico diário onde destaquei 7 momentos em que tivemos
uma tendência secundária de alta dentro da grande tendência primária de alta entre 2016 e 2020.
Observe que tivemos momentos em que a alta atingiu valores próximos de 10%, 15% e até mais de
20%. Isso significa que ocorreram pelo menos 7 oportunidades para ganhos de pelo menos 10% ou
15% em 4 anos em operações de compra e venda com duração de 1 a 3 meses.
Essa estratégia também é muito utilizada por investidores que querem acumular uma grande carteira
de ações durante a vida, deixando apenas o “dinheiro barato” em risco, enquanto deixa o “dinheiro
caro” guardado em investimentos de menor risco, como a renda fixa.
Ganhar dinheiro custa muito caro e as pessoas dificilmente param para pensar sobre isso antes de
realizar investimentos em renda variável. Sem ter a plena consciência de quanto cada nota de dinheiro
custou para estar no seu bolso, você provavelmente vai desrespeitar seu dinheiro o colocando em risco
desnecessário.
Podemos dividir o dinheiro que temos em dois tipos: dinheiro caro e dinheiro barato. Muitas vezes
o dinheiro barato também pode ser entendido como dinheiro grátis.
Eu recomendo que você classifique o seu dinheiro seguindo esse critério. Isso vai ajudar nas decisões
de consumo e investimento. Vamos entender como funciona.
206
Se para exercer a sua atual profissão você precisou concluir o ensino médio, ensino superior, cursos
técnicos ou pós-graduação. Tente imaginar a quantidade tempo e de dinheiro que foram gastos durante
a sua vida para conseguir a sua primeira nota de R$ 100 através do seu primeiro trabalho remunerado.
Todo jovem já começa a sua vida profissional no vermelho. Cada nota de R$ 100 que o jovem recebe
no seu primeiro salário custou uma verdadeira fortuna para ser conquistada. Você gastou muito tempo
e dinheiro para se qualificar e provavelmente a sua família também gastou muito tempo e dinheiro
investindo em você.
Tirando todo o custo que você teve se preparando para ser capaz de produzir sua própria renda através
do trabalho, você ainda tem um custo recorrente para produzir o dinheiro que ganha. Você gasta seu
precioso tempo todos os dias no trabalho, você gasta dinheiro com transporte, gasta com sua imagem
profissional, gasta com cursos para se atualizar profissionalmente etc.
Podemos dizer que trabalhar não é grátis. Manter sua empregabilidade não é grátis. O salário que você
tem hoje não é grátis. Gastamos a maior parte da nossa vida entre o ir e vir de casa para o trabalho esse
gasto de vida não tem preço.
Se tudo isso já não bastasse, você já tentou calcular quanto dinheiro você precisa produzir para a
empresa onde você trabalha para receber cada nota de R$ 100 de salário? Certamente você precisa
produzir milhares para receber cada centena de salário.
O dinheiro do seu trabalho é um dinheiro que custa muito caro. Esse dinheiro precisa ser respeitado,
pois você gastou um pedaço da sua vida para conquistá-lo. O dinheiro caro precisa ser protegido. O
risco onde ele estará exposto precisa ser controlado e limitado.
O Dinheiro Barato
Mas se existe dinheiro caro, também existe dinheiro barato. Quando você investe o dinheiro do seu
trabalho (dinheiro caro) e recebe juros (renda fixa), dividendos e ganho de capital (renda variável) ou
aluguéis (imóveis), você está produzindo e recebendo dinheiro barato. Esse dinheiro que você recebe
e que foi gerado pelo próprio dinheiro, não custou sua força de trabalho e não custou seu precioso e
limitado tempo.
Dessa forma, podemos dizer que R$ 100 recebidos através de um investimento vale mais do que R$
100 recebido através do seu tempo e esforço de trabalho.
Vamos imaginar um exemplo. Se você ganha R$ 5.000,00 líquidos de salário e para isso precisa
trabalhar 220 horas mensais, dividindo 5000 por 220 temos R$ 22,72 por hora.
Isso significa que cada nota de R$ 100 que você tem no bolso custou quase 4 horas e meia de trabalho.
No momento de gastar R$ 100 você precisa pensar sobre o custo das 4 horas e meia de trabalho. No
207
A ideia aqui é fazer você consciente sobre o custo do seu dinheiro. É claro que ninguém mais vai
motivar você a ter consciência sobre esse custo, pois isso atrapalha o funcionamento do sistema que
foi projetado para motivar o consumismo imediato de tudo que temos e não temos (dívidas). Poupar e
investir é um conhecimento dominado e valorizado por uma minoria da população e não é por
coincidência que essa minoria acaba entrando para pequeno grupo dos que possuem melhor condição
financeira.
Agora imagine alguém que investiu algum dinheiro e recebeu R$ 100,00 de juros. Não foi necessário
trabalhar. Não foi necessário ter qualquer despesa ou gastar tempo para conseguir esses R$ 100. A
única coisa necessária foi a decisão de poupar e investir esse dinheiro (decisão difícil e pouco
valorizada pela população). Podemos dizer que essa nota de R$ 100 é um dinheiro muito barato,
conquistado com custos muito baixos e por isso vale muito mais do que o dinheiro caro recebido
através do seu salário.
Esse modo de pensar produz uma enorme diferença nas decisões de consumo e investimentos.
Para os investimentos de risco você deve preferir utilizar o dinheiro barato, que é aquele que você
ganhou através dos seus investimentos. O dinheiro caro, fruto do seu trabalho, quando utilizado em
investimentos de risco deve ser aplicado com muito cuidado, sempre mantendo a possibilidade de uma
venda para preservar o valor principal (stop loss) caso a estratégia que você traçou ao investir não se
concretize como planejado.
Quando você faz investimentos de risco utilizando dinheiro barato, fica menos preocupado com as
oscilações dos preços do investimento em prazos mais curtos. Já se você investe dinheiro caro,
qualquer variação negativa se torna motivo para ficar preocupado e até perder noites de sono.
As vezes o investidor iniciante não entende como muitos investidores possuem "sangue frio" para
suportar variações nos preços dos ativos de risco.
Isso ocorre por eles entenderem que o dinheiro que está no risco não é o mesmo dinheiro que eles
provavelmente possuem em suas reservas financeiras mais conservadoras, longe do risco, por ser
dinheiro caro.
Quanto mais dinheiro barato você tem, mais pode investir em renda variável sem grandes preocupações
quando as grandes crises chegarem.
Uma forma de reduzir seus riscos é aprender a definir quanto do seu dinheiro você realmente pode
aplicar em investimentos de risco. Vamos imaginar que você pretende investir em renda variável mas
208
Observando o gráfico anual do Índice Bovespa logo abaixo, você perceberá que entre 1995 e 2020
tivemos diversos anos onde o índice fechou registrando perdas. O ano de 2008 se destacou pela perda
de -41%. Podemos constatar que perdas entre 10% e 15% foram relativamente comuns. Cada barra no
gráfico abaixo representa um ano inteiro.
Isso significa que ao investir em renda variável você deve imaginar a possibilidade de terminar o ano
com perdas de -15% ou, na pior das hipóteses, de -30% a -40%. A questão é: qual percentual do seu
patrimônio você poderia destinar para renda variável tendo a renda fixa como uma forma de proteger
possíveis perdas?
Junto com esse livro você recebeu uma planilha chamada “Minimizando_Perdas.xlsx”. Logo abaixo
temos um exemplo que vai nos ajudar a proteger nosso dinheiro das possíveis perdas.
209
Dessa forma, teremos 10% do nosso patrimônio sujeito a registrar uma rentabilidade negativa de -
40%. Já os outros 90% do nosso patrimônio poderá receber 6% na renda fixa no período de um ano.
Na coluna “Rentabilidade Total” temos a informação de que esses -40% de rentabilidade negativa dos
10% do nosso patrimônio resultará em um impacto negativo de -4% em toda a nossa carteira de
investimentos (10% x -40% = -4%).
Como 90% do nosso investimento rendeu 6%, isso fará nossa carteira de investimentos aumentar
5,40%. No total, o resultado negativo e positivo produzirá um pequeno ganho de 1,40%.
Veja que o ganho na renda fixa foi suficiente para proteger o nosso patrimônio da enorme perda
registrada na renda variável naquele ano estudado.
Agora vamos imaginar que em um ano de recuperação da bolsa a rentabilidade dos 10% do seu
patrimônio aplicado em renda variável tivesse registrado uma rentabilidade de +40%. Sua carteira teria
uma rentabilidade total de 9,40% no ano. Isso representa um ganho de 3,4 pontos percentuais ou 56%
a mais do que você receberia se mantivesse tudo que tem investido na renda fixa para receber 6%.
Com isso tivemos uma pequena quantia do nosso patrimônio exposto a um risco que potencializou a
nossa renda fixa.
O ano de 2009 foi um ano de recuperação da crise de 2008. O índice Bovespa registrou alta acima de
82%. Veja qual seria o impacto desse movimento de alta na sua carteira na tabela abaixo. Conseguimos
um resultado 126% acima do que seria possível se 100% do dinheiro tivesse uma rentabilidade de 6%.
Vimos que os anos em que o Índice Bovespa fecha no negativo, o mais comum é que registre quedas
entre -10% e -15%. Veja o que aconteceria com sua carteira de investimentos se você tivesse 10% do
seu patrimônio em renda variável diante de uma queda de -15%. A rentabilidade da renda fixa seria
prejudicada, mas sem riscos de perdas ou rentabilidade negativa nesse exemplo.
210
Você também irá perceber que quanto maior o ganho obtido na renda fixa, maior o risco você pode
correr na renda variável reduzindo a possibilidade de terminar o ano com rentabilidade negativa na
carteira.
As Grandes Crises
A única certeza que temos ao investir em renda variável é que devemos estar preparados para os dias
em que perderemos para as grandes crises. As últimas grandes crises que atingiram os ETFs e todos
os investimentos de renda variável que temos na bolsa foram:
Esses eventos produziram quedas tão violentas no Índice Bovespa que em todos eles foram acionados
o mecanismo chamado Circuit Breaker. Ele funciona como uma espécie de "interruptor automático"
ou “disjuntor” da bolsa de valores.
Atualmente o Circuit Breaker é acionado quando o índice Ibovespa atinge uma variação de -10% em
relação ao fechamento do dia anterior. Todas as negociações de compra e venda de ações, ETFs e
211
Após a reabertura da bolsa, caso o índice atinja uma oscilação de -15% em relação ao dia anterior, as
negociações são pausadas novamente, mas agora a bolsa ficará "fora do ar" por 1 hora. No caso de
uma variação de -20%, os negócios são paralisados por um período que ficará à critério da B3.
Resumindo:
Vale destacar que esse mecanismo de proteção não pode ser acionado nos últimos 30 minutos de
negociações na bolsa. Isso significa que na última meia hora as quedas estão liberadas.
As fortes crises que produzem Circuit Breakers são eventos históricos que muitas vezes produzem
grandes prejuízos aos investidores que não consideravam essa possibilidade. Antes de investir em
ETFs, além de entender que as crises sempre acontecem e sempre fazem você perder uma boa parte
do que foi investido no curto prazo, será importante entender que a recuperação sempre aconteceu.
Logo abaixo temos um estudo com todas as grandes crises que atingiram a bolsa brasileira. Você pode
acessar o gráfico interativo visitando aqui. Passando o mouse sobre os ícones do lado do nome de cada
crise você terá informações adicionais.
Esse gráfico mostra o Índice Bovespa semanal com médias móveis de 200 períodos (linha roxa), média
móvel de 20 períodos (laranja) e IFR 5. São duas médias móveis muito utilizadas para o estudo de
gráficos semanais de longo prazo.
212
Você não precisa passar a vida inteira investindo em ETFs para multiplicar o seu patrimônio de forma
significativa. Você só precisa ter investimentos em ETFs no decorrer de uma grade tendência primária
de alta.
A história nos mostra que grandes ciclos de alta na bolsa costumam durar entre 5 e 6 anos. Eles
aconteceram somente 4 vezes nas últimas 5 décadas.
O gráfico acima, desenvolvido pelo Enfoque, representa o Índice Bovespa. Ele está dolarizado para
que possamos observar a sua evolução reduzindo o impacto das constantes trocas de moeda antes do
Plano Real e os efeitos da hiperinflação.
Observe que tivemos fortes tendências primárias de alta nas últimas décadas que chegaram a
proporcionar crescimentos de até 3.415% em prazos de 5 a 6 anos. Isso significaria multiplicar o seu
patrimônio 34 vezes em poucos anos.
Por outro lado, entre uma forte tendência primária de alta e outra tivemos fortes tendências de baixa
que produziram quedas no Índice Bovespa de até 91%. Como você pode ver no gráfico acima, os
períodos de recuperação dessas crises variaram entre 7 e 14 anos.
Veja que o último grande ciclo de queda do índice Bovespa começou na crise de 2008. O Índice
Bovespa dolarizado nunca se recuperou da queda que tivemos entre 2008 e 2016 (8 anos). Observe no
213
Perceba que o gráfico nos mostra um canal representado pela linha cinza superior (resistência) e pela
linha cinza inferior (suporte). Foram poucas as vezes que o Índice Bovespa se aproximou ou tocou a
linha cinza inferior que representa a linha de suporte do grande canal do Índice Bovespa. Todas as
vezes que isso aconteceu tivemos oportunidades históricas para o investimento na bolsa.
Esse gráfico mostra que durante a sua vida, você terá poucas oportunidades para multiplicar seu
patrimônio investido em ações ou em ETFs que reflitam o desempenho do Índice Bovespa.
Nas biografias de grandes investidores podemos ver que eles só precisaram de 1 ou 2 ciclos de forte
crescimento na bolsa para fazer fortuna.
Normalmente as pessoas perdem o primeiro ciclo de alta da bolsa. O segundo ciclo você resolve
aprender a investir e consegue algum resultado, mas as vezes acaba perdendo tudo que ganhou por não
entender que os ciclos terminam e você precisa por seus ganhos no bolso em algum momento, sem
apego e sem sentimentos por suas ações. Já vimos que nos ciclos de queda, o índice pode perder mais
de 90% de tudo que ganhou no ciclo de crescimento anterior. No terceiro ciclo, já mais experiente,
você realmente consegue aproveitar a oportunidade.
Ninguém pode definir uma data certa para o início de um grande ciclo, mas sabemos que essas longas
tendências de alta ocorrem quando a economia do país voltar a crescer de forma consistente depois de
crises como a que vivemos depois da pandemia.
Perceba que estar ou não preparado para esse evento é o que fará toda a diferença. Não se preparar
agora será como desperdiçar uma janela de oportunidade que só se abrirá novamente muitos anos
depois.
Investir na bolsa em tempos difíceis é como tentar nadar em um rio contra uma forte correnteza. Ir
contra a correnteza é uma tarefa difícil, desgastante e perigosa onde o sucesso depende muito da força
e do preparo do investidor. Nas crises, a bolsa está em tendência de baixa e você precisa fazer um
enorme esforço, correndo grandes riscos para avançar, obtendo lucros somente nos breves movimentos
de alta.
É durante períodos de crescimento econômico do país que as grandes tendências de alta nos negócios
e na bolsa se formam. Só que boa parte da população fica de fora desses investimentos por falta de
conhecimento.
214
Primeiro Grande Ciclo - Aconteceu entre a década de 60 e 70. O milagre econômico promovido
através de diversas medidas políticas e econômicas que resultaram em recuperação da economia e alta
da bolsa. A bolsa registrou alta de 2.931% em apenas 6 anos (entre 65 e 71). O crescimento foi
interrompido pela crise mundial do petróleo em 73 e 79 e alta dos juros nos EUA.
Se fosse possível obter uma rentabilidade de 2.931% nos dias de hoje em um próximo grande ciclo de
crescimento, seria possível transformar o valor de um carro de R$ 50 mil em R$ 1.465.500,00 em
apenas 6 anos. Com R$ 100 mil você teria R$ 2.931.000,00.
Seria o mesmo que trocar o seu próximo carro zero por uma situação financeira mais confortável pelo
resto da vida. Com apenas 0,5% de rentabilidade ao mês acima da inflação, esse 1,4 milhão seria
suficiente para garantir uma renda vitalícia de mais de R$ 7 mil. Certamente isso aumentaria o seu
nível de "tranquilidade financeira" por toda vida. Seria um impulso fabuloso para qualquer projeto de
independência financeira como descrevi nesse outro livro.
Vale destacar que na década de 60 não existiam ETFs que ofereciam o mesmo desempenho do Índice
Bovespa. Atualmente os ETFs nos oferecem uma facilidade que nossos antepassados não poderiam
contar.
Segundo Grande Ciclo - O segundo grande ciclo de crescimento da economia e da bolsa de valores
aconteceu no início anos 80. O mundo estava se recuperando, saindo da crise do petróleo. Os juros nos
EUA estavam caindo. Investidores buscavam oportunidades nos mercados emergentes. A bolsa
brasileira subiu 1.573% em apenas 2 anos 8 meses entre os anos de 83 e 86.
Terceiro Grande Ciclo - O terceiro grande ciclo foi marcado pelo impeachment do presidente
Fernando Collor. Naquele tempo o governo adotou diversas medidas para a abertura da economia. No
governo Itamar e Fernando Henrique, medidas foram implementadas para estabilizar a inflação e o
câmbio. A bolsa de valores cresceu 3.415% no decorrer de 6 anos e 5 meses (entre 1991 e 1997).
Uma rentabilidade de 3.415% em 77 meses é equivalente a um investimento que rende 4.73% ao mês
ou 74% ao ano. Com essa rentabilidade seria possível transformar R$ 50 mil em R$ 1.707.500,00 em
6 anos.
Quarto Grande Ciclo - Durante o segundo governo FHC, diversas medidas ajudaram a estabilizar a
nossa moeda e a reduzir a inflação de forma consistente. Através do Plano Real a economia se preparou
para aproveitar o grande ciclo de valorização das commodities durante o primeiro governo Lula.
Esse foi o último grande ciclo que registrou alta de 2.051% na bolsa em 5 anos e 7 meses. Isso foi
equivalente a uma rentabilidade de 4,68% ao mês durante 67 meses ou 73% ao ano. Existem muitos
casos de investidores que hoje são milionários ou bilionários graças a esse último ciclo. Um investidor
mais experiente que tivesse investido R$ 1.000.000,00 com essa rentabilidade do último grande ciclo,
teria acumulado um patrimônio de R$ 20.510.000,00 em apenas 5 anos e 7 meses.
215
Os ciclos econômicos seguem um comportamento similar aos ciclos da natureza. Não podemos
esquecer que os mercados são constituídos por humanos e nós somos regidos pela mesma natureza
que nos criou.
Podemos ver isso na representação dos ciclos da economia e da bolsa de valores que são semelhantes
aos ciclos da própria natureza.
216
Outono / Colheita - A terceira fase do ciclo é o ponto de colheita. É o fim da festa para os investidores
que possuem conhecimento. É o momento de aproveitar os preços elevados dos ativos para colocar
algum lucro no bolso. Infelizmente muitos começam a se interessar por "plantar" e investir somente
na fase da colheita, quando deveriam estar colhendo e não plantando. Aqui temos o equivalente a
estação do outono.
Inverno / Recessão - Por fim temos o ciclo recessivo. Seria o equivalente ao inverno. As crises
econômicas acontecem nessa fase. O preço de todos os ativos tende a cair até suas médias históricas
mais longas, como as médias dos últimos 200 dias ou 200 semanas. Os investidores preparados já estão
com dinheiro no bolso para voltar a comprar os ativos quando eles voltarem para seus preços médios,
oferecendo grandes descontos.
Veja também o gráfico histórico do Índice Bovespa dolarizado que temos no Clube dos Poupadores
com o nome de alguns eventos importantes sobre o gráfico.
Visite: [Link]
Sazonalidade da Bolsa
Fiz um estudo para identificar quais foram os melhores e os piores meses do ano do Índice Bovespa
entre 1971 e 2019. Com isto podemos identificar em quais meses é mais frequente o Índice Bovespa
registrar o seu topo ou o seu fundo. Veja o resultado:
217
No gráfico acima temos a percepção de que os meses que estão no primeiro semestre do ano foram
os que por mais vezes registraram os menores fechamentos do ano no Índice Bovespa.
218
219
Fiz outro estudo para verificar quantas vezes cada mês do ano fechou positivo ou negativo entre 1992
e 2019. Veja o resultado:
Podemos verificar na tabela acima que em 75% dos anos o mês de setembro registrou alta na bolsa.
Podemos dizer que os meses de julho, setembro e dezembro foram os que mais fecharam com altas
enquanto o mês de maio foi o que mais fechou em baixa.
O mês de maio é tradicionalmente um mês negativo na bolsa dos EUA e isso provavelmente tem seus
reflexos no Brasil e no mundo. Existe até um ditado popular entre os investidores que diz: “sell in may
and go away” ou “venda em maio é vá embora”.
Logo abaixo temos uma tabela que mostra a rentabilidade média do Índice Bovespa em cada mês do
ano considerando todos os anos entre 1992 e 2019. Temos a rentabilidade total registrada em cada mês
em todos os anos e a volatilidade.
220
Na tabela podemos constatar que os meses de maio, junho e outubro tiveram médias negativas com
resultado total também negativo. O mês de agosto também apresentou uma das piores médias e pior
resultado total. Os meses mais voláteis foram o mês de janeiro, agosto e outubro.
Fiz um estudo para tentar identificar quais dias da semana fecham mais em alta ou em baixa.
Considerei os dados de fechamento desde 19/12/1991 até 10/06/2020. O resultado mostrou que não
existe uma diferença significativa.
Como podemos ver a probabilidade de a segunda feira terminar em alta ou baixa é de 50%. Já a
probabilidade de a sexta-feira terminar em alta é de 53,73%.
A tabela acima mostra que tivemos mais sextas e terças-feiras em alta no período pesquisado.
221
Ciclos Anuais
Fiz um estudo utilizando o Índice Bovespa dolarizado desde 1961 até 2019 que calcula quantos meses
terminaram em alta dependendo da unidade de cada ano. Exemplo: na primeira linha da tabela
podemos verificar que nos anos terminados em 9 tivemos 46 meses de alta e 26 de baixa.
Os anos terminados em 0 e 2 foram o que registraram mais meses de baixa e menos de alta.
Historicamente os primeiros anos de cada década foram difíceis para a bolsa brasileira e americana.
Análise Econômica
Existem diversos indicadores da nossa economia que influenciam as decisões dos investimentos.
Números positivos sobre o desempenho da economia ou a simples expectativa de que teremos números
positivos no futuro produzem aumento na demanda dos investidores por ações e por consequência isso
as valoriza.
Para analisar os principais indicadores podemos utilizar o site Trading Economics. Ele concentra em
um só endereço os principais indicadores do Brasil e de diversos países do mundo. Visite:
[Link]
222
Uma forma mais fácil de baixar dados sobre a economia que são mantidos pelo Banco Central é através
do site do antigo Quandl que foi adquirido pela Nasdaq. O endereço é esse aqui.
Existe uma grande relação entre o PIB e a valorização das empresas listadas na bolsa e,
consequentemente, a valorização de ETFs que investem em ações dessas empresas.
PIB significa produto interno bruto. Ele é calculado através da soma do valor de todos os bens e
serviços finais produzidos no país em um determinado período. A taxa de variação do PIB é o indicador
mais utilizado quando queremos saber se a atividade econômica de um país está se expandindo ou
retraindo.
Um PIB com taxa crescente significa crescimento econômico, empresas vendendo mais e por
consequência lucrando mais. PIB crescente significa mais empregos, mais renda, mais consumo e mais
crescimento do PIB.
Um PIB decrescente significa resseção econômica, empresas que vendem menos, lucram menos,
oferecem menos emprego, menos renda, menos consumo e mais redução do PIB.
Você pode acessar a Taxa de Crescimento do PIB (trimestral) visitando aqui. A taxa de crescimento
dos últimos 12 meses pode ser consultada aqui.
No Trading Economics é possível gerar gráficos onde podemos comparar os indicadores da economia
e as variações do Índice Bovespa. Assista ao vídeo onde mostrei como fazer isso.
223
População Empregada
O crescimento da população empregada representa um sinal positivo para o bom desempenho das
empresas que dependem do consumo das famílias.
As instituições financeiras se beneficiam ao oferecerem mais crédito para que as pessoas com emprego
possam consumir mais.
O gráfico pode ser gerado visitando aqui. A linha azul no exemplo logo abaixo representa o número
de pessoas empregadas em milhões. A linha preta representa o Índice Bovespa. Observe no exemplo
como destaque a forte queda no número de empregados logo nos primeiros meses da crise de 2020.
224
No Brasil a inflação oficial é calculada mensalmente pelo IBGE (fonte). Esse cálculo é resultado de
uma pesquisa que dá origem a um índice chamado de IPCA ou Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo. Ele tenta refletir as variações no custo de vida das famílias que possuem renda
entre 1 e 40 salários-mínimos.
Uma das principais funções do Banco Central é o de controle da inflação. De tempos em tempos o
Banco Central divulga uma resolução definindo uma meta para a inflação com limites máximos e
mínimos (veja aqui).
Você pode visualizar a atual inflação, sua meta, limites máximos e mínimos nesse gráfico aqui mantido
pelo próprio Banco Central.
Observe que a linha preta representa a meta da inflação. Ela já foi de 4,5% ao ano, mas vem sendo
reduzida desde 2019 e em 2021 será de 3,5% ao ano. A linha azul representa a inflação (IPCA) dos
últimos 12 meses.
A linha vermelha representa as expectativas do mercado financeiro sobre qual será a inflação futura.
Essas expectativas são medidas semanalmente através de uma pesquisa realizada entre os economistas
de mais de 100 instituições financeiras. Para saber mais sobre o relatório Focus visite aqui. Para receber
o resumo do Focus por e-mail toda semana basta se inscrever gratuitamente visitando aqui.
O Banco Central faz o controle da inflação alterando a taxa básica de juros (Taxa Selic) nas reuniões
que ocorrem a cada 45 dias (reuniões do COPOM). Quando ele identifica uma tendência de alta que
possa fazer o IPCA terminar o ano acima da meta, ele tende a aumentar a Taxa Selic. Quando ele
identifica uma tendência de queda na inflação que possa fazer o IPCA terminar o ano abaixo da meta,
ele tende a reduzir a Taxa Selic.
225
Sempre que temos um aumento na rentabilidade dos investimentos de renda fixa, temos como efeito
uma menor atratividade dos investimentos de renda variável como ações, ETFs, fundos imobiliários,
fundos de ações, fundos multimercado etc. Quando os investimentos de renda variável são menos
demandados, naturalmente apresentam queda nos seus preços.
Já quando temos uma redução na Taxa Selic e, por consequência, uma redução na rentabilidade dos
investimentos de renda fixa, temos como efeito uma maior atratividade dos investimentos de renda
variável. Isso aumenta a demanda desses investimentos resultando na sua valorização.
É por esse motivo que vamos identificar uma correlação negativa entre IPCA e Índice Bovespa, ou
seja, quando a inflação cai, os juros caem e o Índice Bovespa sobe. Já quando a inflação sobe, os juros
sobem e o Índice Bovespa cai.
Você pode gerar o gráfico com a inflação dos últimos 12 meses e o Índice Bovespa visitando aqui.
Também é possível acessar a inflação mensal visitando aqui. Para o nosso estudo a inflação dos últimos
12 meses nos permite visualizar a tendência da inflação e a relação que existe entre a queda da inflação
e alta da bolsa ou a alta da inflação e a queda na bolsa.
Logo abaixo temos o gráfico da inflação acumulada nos últimos 12 meses (linha azul) e o Índice
Bovespa (linha preta).
Logo abaixo destaquei a existência de uma correlação negativa ou uma espécie de “espelhamento”:
226
Veja o estudo acima, que você pode visitar aqui e atualizar clicando no “play” sempre que desejar.
Ele mostra o IPCA (linha azul), o Índice Bovespa (linha vermelha) e se existe correlação entre os
dois. Podemos verificar que na maior parte do tempo existe uma correlação negativa, ou seja, quando
227
Taxa de Juros
Como já falamos no capítulo sobre a inflação, o Banco Central modifica constantemente a taxa de
juros básica da economia, conhecida como Taxa Selic, com o objetivo de controlar a inflação nas
proximidades de uma meta anual que ele mesmo define.
A história de todas as vezes que o Banco Central decidiu manter ou modificar a Taxa Selic pode ser
vista visitando aqui. Você também pode visualizar esses dados de forma gráfica no site do Banco
Central visitando aqui.
No Trading Economics, visite a ferramenta para gerar gráficos aqui. Você pode gerar o gráfico com
Inflação e a Taxa Selic siga os passos que apresento nesse vídeo aqui.
Observe no gráfico acima que a correlação entre Taxa Selic e inflação é positiva, ou seja, os dois
indicadores tendem a caminhar na mesma direção sendo a Taxa Selic uma ferramenta usada para
modificar a trajetória da inflação.
É importante entender como o Banco Central consegue interferir na inflação dos preços de toda a
economia modificando a taxa básica de juros.
Todos os juros da economia sofrem a influência da Taxa Selic e todas as decisões sobre investir, poupar
ou consumir são influenciadas de forma direta ou indireta pela Taxa Selic. Veja alguns exemplos:
228
Quando a Taxa Selic está em queda, tudo que listei acima ocorre ao contrário. Juro menor desestimula
o ato de poupar e estimula o consumo e o endividamento para o consumo. Os empreendedores aceitam
correr riscos maiores para obter lucros, já que não conseguem rentabilizar seu capital através da renda
fixa. Os bancos emprestam mais dinheiro e correm mais riscos, já que não conseguem bom retorno
emprestando dinheiro para o governo através da compra de títulos públicos. A demanda por ativos de
maior risco como ações, imóveis, ETFs e fundos cresce e isso ajuda a financiar as empresas e o setor
imobiliário. Tudo isso demanda mais produtos e serviços e pode frear a queda da inflação.
Podemos entender a Taxa Selic como uma forma do governo frear ou acelerar a economia. Monitorar
essa dinâmica é fundamental para o investidor que possui investimentos em renda variável,
principalmente ETFs que dependem da valorização generalizada das ações listadas na bolsa.
Para estudar a Meta da Taxa Selic na ferramenta gráfica do Tradingview utilize o código
“QUANDL:BCB/432”. Para estudar a Taxa Selic utilize o código “QUANDL:BCB/1178”. Vale
destacar que a Meta da Taxa Selic definida pelo COPOM é um pouco maior do que a Taxa Selic diária
229
Logo abaixo temos um estudo, que você pode visitar aqui mostrando o comportamento do Índice
Bovespa (linha preta), Taxa Selic diária (linha azul) e inflação medida pelo IPCA dos últimos 12 meses
(linha vermelha) desde o início do último ciclo de alta iniciado em 2016. Podemos observar que em
2020 a Taxa Selic estava 79% menor e a inflação 82% menor do que os valores que vigoraram em
2016.
Você pode aprender a fazer o estudo acima assistindo esse vídeo aqui.
Taxa de Câmbio
ETFs como o IVVB11 e o SPXI11 sofrem a influência do preço do dólar em reais já que as ações que
fazem parte desses ETFs são ações de empresas americanas, cotadas em dólares. Isso significa que
mesmo o ETF se mantendo estável, uma alta do dólar varia o preço do ETF aumentar, assim como
uma queda no preço do dólar varia o ETF desvalorizar.
A taxa de câmbio pode ser acompanhada facilmente pelo Tradingview utilizando o código USDBRL
caso você queira acompanhar o preço de US$1 em real. Já para estudar o preço de R$ 1 em dólar use
o código BRLUSD.
No estudo logo abaixo, que você pode acessar aqui, temos um gráfico de linha do dólar (USDBRL) na
cor azul e o Índice Bovespa (IBOV) na cor vermelha. Também temos um gráfico com o indicador
230
É importante compreender que a alta do preço do dólar por um período mais longo e de forma
consistente pode resultar em aumento da inflação, já que muitos produtos e serviços comercializados
no Brasil possuem custos atrelados ao dólar.
Já estudamos que uma inflação em tendência de alta resultará em decisões do Banco Central sobre
aumento da Taxa Selic. Já vimos que uma alta na Taxa Selic resulta em desaquecimento da economia
e desvalorização de investimentos de renda variável como ações e ETFs.
A confiança do empresário é um indicador muito importante por existir uma forte relação entre as
expectativas dos empresários e o desempenho da bolsa de valores. Devemos considerar que os preços
das ações refletem os resultados das empresas hoje e os resultados esperados no futuro e esses dados
afetam o nível de otimismo dos empresários diariamente.
Um índice de confiança muito utilizado é o ICEI, calculado pelo CNI (veja aqui). Você pode
acompanhar esses dados pelo Trading Economics visitando aqui.
Criei um gráfico adicionando uma comparação com o Índice Bovespa (Stock Market) entre 2007 e
2020. Veja o resultado logo abaixo:
231
232
Podemos dizer que os preços dos ativos de renda variável carregam muito mais expectativas sobre o
futuro do que dados concretos que temos no presente. Empresas com excelentes resultados no presente,
mas com expectativas negativas sobre o seu futuro perdem valor. Empresas com resultados ruins no
presente, mas que carregam expectativas positivas sobre resultados futuros tendem a ganhar valor.
Para estudar apenas o “Índice de Confiança do Consumidor” elaborado pelo Fecomercio utilize o
código “QUANDL:BCB/4393”
Vendas no Varejo
Muitas empresas com ações listadas na bolsa que exercem influência no Índice Bovespa e ETFs
relacionadas dependem do bom desempenho do varejo. Podemos monitorar o desempenho do varejo
mensalmente através desse gráfico aqui.
O gráfico que nos mostra o desempenho das vendas no varejo dos últimos 12 meses pode ser acessado
aqui. Podemos adicionar o Índice Bovespa, veja o resultado:
233
Para comprar ETFs você precisa ter conta em uma corretora de valores. Muitos bancos possuem suas
próprias corretoras, mas você deve verificar quais são os custos de corretagem, pois eles costumam ser
elevados.
Algumas corretoras oferecem taxa de corretagem gratuita para investimentos em ETFs. Como exemplo
temos a corretora Clear que é uma das corretoras do grupo XP. Quase metade do grupo XP pertence
aos donos do Banco Itaú.
Como cada corretora possui seu próprio sistema, seria impossível demonstrar a compra com base em
todos os sistemas de todos os bancos e corretoras. Por isso vou utilizar a corretora Clear para ilustrar
esse artigo. Você pode abrir uma conta na Clear através dessa promoção aqui, ou através da página
principal do site caso a promoção não esteja mais disponível.
Observe no vídeo que para comprar ETFs com o objetivo de manter o mesmo com você por vários
dias, meses ou anos é necessário realizar a compra através da opção “Swing Trade” que aparece no
menu lateral. Embora o nome Swing Trade seja muito utilizado para definir a estratégia de
investimentos com duração de alguns dias ou semanas, é por essa área da corretora que você fará
qualquer compra de ETF.
234
Sempre que você realizar a venda de um ETF obtendo lucro (que chamaremos de ganho de capital)
você deverá pagar o imposto de renda de 15% sobre esse ganho.
Se você está acostumado a recolher imposto de renda na venda de ações com lucro deve saber que as
vendas de ETF não entram na isenção de Imposto de Renda para venda de ações. Como você deve
saber, ao vender menos de R$ 20 mil em ações por mês você não precisa pagar imposto caso tenha
ocorrido ganho de capital. No ETF não existe esse tipo de benefício. Você pagará imposto sobre o
ganho de capital sempre que ocorrer ganho na venda do ETF.
O imposto de renda deve ser calculado e pago por você no caso de lucro obtido com a venda de ETFs
de renda variável. Para os ETFs de renda fixa o cálculo e o pagamento do imposto são feitos
automaticamente pela corretora.
O imposto referente aos lucros obtidos no mês atual deve ser pago até o último dia do mês seguinte.
No momento de calcular o lucro na venda do seu ETF de renda variável você precisa considerar o
valor total pago pelo ETF, ou seja, o preço pago por você pelo ETF deve incluir as taxas pagas para a
corretora e a B3 que aparecem na nota de corretagem. Já o valor que você recebeu vendendo o ETF
deve descontar o custo que você teve com as taxas da corretora e B3.
Se você teve prejuízo em um determinado mês e por isso não pagou qualquer imposto, anote o valor
desse prejuízo. Prejuízos que você teve podem ser compensados com ganhos em meses seguintes para
efeito de imposto de renda.
Observe também que em cada operação de venda é retido um imposto no valor de 0,005%. Esse
imposto é carinhosamente chamado de “dedo-duro”. Ele é descontado pela própria corretora. Ele pode
ser compensado com lucros futuros.
Cuidado para não misturar as compras de Day-Trades (operações iniciadas e encerradas no mesmo dia
e na mesma corretora) com as compras e vendas de ETFs que ocorrem em dias diferentes. Esse imposto
retido na fonte em operações de Day-trade (dedo-duro) é de 1% do lucro e não 0,005%. Os ganhos são
tributados com alíquota de 20% e prejuízos em day-trades só podem ser compensados por lucros em
day-trade.
Se você costuma comprar e vender ETFs aos poucos precisa registrar essas compras em uma planilha
para que você possa calcular qual é o seu “preço médio”. Sempre que você compra mais ETFs do
mesmo tipo por um preço diferente, isso afetará seu preço médio. Quando você vender o ETF deve
comparar o preço médio de compra com o preço médio da venda para determinar o lucro/prejuízo
realizado e assim calcular o imposto de 15% sobre esse ganho.
Dessa forma é fundamental que você mantenha registros de todas as compras e vendas que realizar.
235
Mais na frente vou apresentar para você a solução que encontrei para realizar todos esses cálculos e
controles de imposto de renda automaticamente.
Exemplo de Cálculo
Vamos imaginar que você comprou 100 cotas de um ETF que custava R$ 100 cada cota totalizando
um investimento de R$ 10.000,00 (100 x 100 = 10000). Vamos considerar que a taxa cobrada por sua
corretora e B3 totalize R$ 15. Seu custo de aquisição destes 100 ETFs foi de R$ 10.015,00 (10000 +
15 = 10015).
Você resolveu vender os 100 ETFs quando eles atingiram o preço de R$ 120,00 por ETF. Com a venda
você recebeu R$ 120.000,00 por todos os 100 ETFs vendidos. Seu custo com a corretora e B3, que
sempre estão descritos na nota de corretagem emitida pela corretora, era de R$ 15. O valor líquido que
você recebeu nesta venda foi de R$ 119.985,00 pois agora devemos descontar os R$ 15 de custo com
a venda (120000 – 15 = 119985).
O lucro obtido entre a compra e a venda é o resultado de 119.985 - 100.015 = 19.970. Dessa forma o
imposto de 15% será sobre R$ 19.970,00 que é o seu lucro já com as taxas descontadas. Multiplicando
R$ 19.970 por 15% temos R$ 2.995,50 de imposto a ser pago até o último dia do mês seguinte.
Declaração Anual
A forma de declarar ETF no seu imposto de renda anualmente é parecido com a declaração de ações.
Na tabela de “declaração de Bens e Direitos” você deve informar quantas cotas de cada ETF possui e
o valor que pagou por elas. O código para declarar ETF é o 74.
É importante que você descreva cada ETF separadamente e informe o custo de aquisição, ou seja, o
valor pago por eles somado aos custos com a corretora e B3. Se você comprou ETFs em diversas
operações de compra, pagando preços diferentes por eles, você deverá declarar o custo médio de
aquisição.
Exemplo: se você comprou 100 ETFs por R$ 90,00 cada e 100 ETFs por R$ 120,00 cada já com os
custos com a corretora e B3, você deve declarar que possui 200 ETFs que valem R$ 21.000,00, como
se você tivesse pagou R$ 105,00 por ETF.
236
237
Um dos trabalhos mais chatos que existe no mundo da renda variável é o controle das suas negociações
na bolsa para a realização de cálculos do imposto de renda e geração de DARF a ser pago.
Felizmente já faz algum tempo que encontrei uma solução barata e muito eficaz para controlar, calcular
e gerar os impostos que devo pagar através de alguns poucos cliques.
A ferramenta que utilizo é o software IRPFbolsa. É um software pago, mas extremamente barato se
você considerar a quantidade de tempo que você irá economizar e os erros que poderá evitar. Entrei
em contato com a equipe responsável pelo software e falei sobre este livro e gentilmente eles
forneceram um “cupom” que você poderá utilizar para obter um desconto. Veja aqui.
Todos os meses você entrará na sua conta na corretora para baixar as notas de corretagem que
descrevem as ações e ETFs que você comprou e vendeu durante o mês. Essas notas são fornecidas
para serem baixadas no seu computador no formato PDF. Depois basta abrir o software e importar as
notas. Ele fará a leitura dos PDFs para exportar os dados e gerar os impostos necessários. O software
também é uma ferramenta útil para acompanhar os resultados dos seus investimentos e ajudará muito
na declaração do seu imposto de renda no início de cada ano.
Além do site possuir um manual muito completo sobre o uso do software (veja aqui) , caso você tenha
qualquer dúvida basta conversar com a equipe através do formulário ou e-mail visitando aqui.
238
Preparei essa aula bônus para o final deste livro mostrando um outro nível de possibilidades que você
poderá atingir depois que já estiver experiente nos investimentos em ETFs no Brasil. O próximo nível
será investir em ETFs no maior mercado de ETFs do planeta. Eu tenho outro livro onde falo
detalhadamente sobre o como investir no exterior, conheça o livro visitando aqui.
Através de qualquer corretora americana podemos investir em mais de 2 mil ETFs diferentes nos mais
variados segmentos. Abrir uma conta em uma corretora americana é tão simples quando acessar um
site na internet e preencher um formulário.
Nos EUA, além dos ETFs de ações segmentadas por centenas de setores e subsetores da economia,
existem ETFs de metais preciosos, commodities, moedas, imóveis, renda fixa e que possuem carteiras
de ações negociados em bolsas de diversos países do mundo. Existem mais de US$ 4 trilhões investidos
em ETFs nos EUA com grande participação de investidores do mundo inteiro.
Entre os ETFs que representam setores específicos da economia americana, podemos encontrar
aqueles que investem em um dos setores que mais crescem no mundo que é o setor de tecnologia. Na
bolsa americana também encontramos muitas empresas em setores não-cíclicos, que são as que menos
sofrem nas crises. No Brasil, muitas empresas de grande peso na bolsa são cíclicas, ou seja, são as que
mais sofrem com as crises e ciclos da economia. Para investimentos de longo prazo, existem setores
perenes não-cíclicos que são os mais recomendados.
Pequenos investidores, quando iniciam seus estudos sobre investimentos na bolsa, se deparam com os
exemplos e histórias de grandes investidores americanos como Warren Buffett que fez fortuna
acumulando ações de grandes empresas durante a sua vida. Warren Buffett faz seus investimentos na
bolsa americana e que grande parte do seu patrimônio está investido em empresas do porte da Apple
(tecnologia), Coca-Cola (bebidas), Kraft Heinz (alimentos), American Express e diversas instituições
financeiras e bancos que estão entre os maiores do planeta.
Muitas das grandes empresas onde Buffett investiu durante sua vida são instituições centenárias e que
provavelmente estarão ativas no mercado americano e global por mais 100 anos.
Se Buffett fosse brasileiro e estivesse limitado a investir nas empresas que temos aqui, dificilmente ele
teria entrado na lista dos homens mais ricos do mundo. A nossa bolsa é tão pequena que somente as
ações da Apple valem mais do que todas as ações de todas as empresas negociadas na bolsa brasileira.
Veja o ranking do valor de mercado total das ações negociadas em cada bolsa do mundo visitando
aqui. Talvez você tenha que clicar em “show more markets” para ver nossa bolsa aparecendo na lista.
Enviar e manter dinheiro no exterior é totalmente legal quando realizamos o procedimento através de
instituições financeiras e bancos autorizados, pagando os impostos que são cobrados e mantendo as
239
É importante destacar que não tenho nenhuma relação com essas empresas e que são apenas sugestões
para que você inicie suas pesquisas sobre o tema. Acredito que o crescimento da concorrência nesse
setor vai permitir taxas menores e mais facilidades no futuro.
A abertura de conta em uma corretora no exterior já foi difícil e cara no passado. Atualmente se tornou
um procedimento surpreendentemente fácil e rápido. A transferência de valores ocorre entre a sua
conta no Brasil e uma conta da corretora no Brasil. A conversão de reais para dólares é feita pela
própria corretora e os valores são transferidos para os EUA em poucos minutos. Todo o procedimento
é feito pelo aplicativo ou site da corretora.
Outra facilidade do atendimento em português ocorre no momento de declarar seu imposto de renda.
A corretora já conhece os relatórios com todas as informações necessárias para preencher a sua
declaração de imposto de renda.
A abertura da conta é 100% online. Se você preencher os seus dados corretamente através de um
formulário (no site ou aplicativo), o sistema da corretora conseguirá analisar seus dados em poucos
minutos e sua conta estará aberta. Você terá uma senha e através dela poderá acessar a área do site que
permite comprar e vender ETFs e ações negociadas nas bolsas americanas.
Não é necessário fazer um investimento mínimo para abrir conta. Você poderá enviar qualquer valor
do Brasil para os EUA. Não existe cobrança de taxas para a abertura da conta e nem para a manutenção
da conta quando estiver aberta.
Se você fizer até 10 operações de compra e venda de ações e ETFs por mês não existirá qualquer taxa
de corretagem. Acima deste limite existe uma pequena taxa. Exemplo: se você comprar menos de US$
100 em ETFs em uma determinada ordem de compra ela custará somente US$ 1. Se a ordem de compra
for de até US$ 1000 o custo será de US$ 1,5. É claro que esses valores podem ser outros quando você
estiver lendo esse livro. Consulte o site ou o aplicativo da corretora para verificar os atuais custos.
Como a corretora Avenue tem um serviço voltado para os brasileiros, eles permitem que você transfira
dinheiro para a conta deles aqui no Brasil, em reais, através de uma transferência bancária por TED.
240
Por fim, outra corretora muito utilizada por investidores brasileiros é a TD Ameritrade
([Link]). O site é em inglês e você precisa ter alguma facilidade com a língua para a
abertura da conta que é totalmente online. A grande vantagem dessa corretora é a isenção de comissões
para investimentos em ETFs.
Existe um site chamado [Link] que organizou todos os ETFs negociados nas bolsas
americanas em 70 categorias diferentes (veja aqui). Outro site que utilizo muito é o [Link]
Você encontrará ETFs de renda fixa de títulos públicos emitidos pelo governo dos EUA, por governos
de estados americanos, por governos de outros países, por empresas e bancos (títulos privados). Isso
amplia muito a possibilidade do investidor de renda fixa, principalmente por ser renda fixa em dólares.
Existem os ETFs de mercadorias (comodities) como as mercadorias agrícolas, metais comuns, metais
preciosos, petróleo etc. Não temos esse tipo de ETF no Brasil e o investimento através de contratos
futuros é caro, envolve valores mínimos elevados e exige conhecimento técnico avançado. Metais
preciosos como ouro e prata são muito utilizados por investidores do mundo inteiro em suas
diversificações (veja aqui) e seus ETFs são muito úteis para essa finalidade.
Outra modalidade interessante de ETFs é a de moedas (veja aqui). De forma muito simples é possível
investir em outras moedas fortes que existem no mundo como o Franco Suíço, Libra Esterlina e Euro.
Além dos ETFs que investem em uma carteira das ações mais negociadas e das maiores empresas (veja
aqui), existem ETFs especializadas em empresas de determinados setores da economia. O setor de
destaque é o de empresas de tecnologia (veja aqui).
Principais ETFs
Existem milhares de ETFs negociados pelas corretoras americanas, mas fiz um pequeno resumo de
alguns ETFs que estão entre os mais negociados ou que chamam mais a atenção dos investidores no
momento.
SPY - é um dos maiores e mais negociados ETFs do mundo, oferecendo exposição a um dos
benchmarks de ações mais conhecidos que é o S&P500.
241
IVV - se tornou um dos maiores ETFs do mundo, oferecendo exposição a carteira de ações que fazem
parte do índice S&P 500 Index, que inclui muitas empresas americanas grandes e conhecidas no mundo
inteiro.
QQQ - este ETF oferece exposição a ações negociadas na bolsa de valores NASDAQ, que é uma das
13 bolsas que existem nos EUA. NASDAQ tem como principal característica reunir empresas de alta
tecnologia em eletrônica, informática, telecomunicações e biotecnologia.
GDX - oferece aos investidores exposição a algumas das maiores empresas de mineração de ouro do
mundo, oferecendo, assim, o que pode ser considerado exposição "indireta" aos preços do ouro.
GLD - um dos ETFs mais populares do mundo, oferecendo exposição ao ouro. O fundo investe em
barras físicas de ouro armazenadas em cofres de alta segurança.
BND - um ETF muito conhecido por oferecer exposição a todo o mercado de títulos com grau de
investimento como títulos públicos e títulos emitidos por grandes empresas.
AGG - também oferece ampla exposição a títulos de renda fixa norte-americanos de grau de
investimento.
TLT – muito usado por investidores que buscam exposição a títulos públicos americanos de longo
prazo. Outros ETFs semelhantes são o VGLT e TLO.
XLE - oferece exposição ao setor de energia dos EUA, incluindo muitos dos maiores produtores de
petróleo do mundo.
VGK - oferece ampla exposição a ações de centenas de empresas que atuam em países desenvolvidos
da Europa.
VWO – um dos maiores ETFs do mundo, muito utilizado pelos investidores como uma maneira de
estabelecer exposição a mercados emergentes.
IJH - um dos vários ETFs disponíveis que oferece exposição a ações dos EUA de capitalização média.
EFA – oferece exposição aos principais mercados desenvolvidos fora dos EUA, incluindo Europa
Ocidental, Japão e Austrália. O IEFA é uma versão desse ETF com taxa administrativa menor.
VEA - também oferece exposição a mercados desenvolvidos fora dos EUA, incluindo Europa
Ocidental, Japão e Austrália. A vantagem em relação ao EFA é a taxa administrativa menor.
242
Composição de Carteira
Existem muitas ferramentas online que podem ajudar a definir uma carteira equilibrada de ETFs
negociadas nos EUA. O BlackRock tem uma dessas ferramentas que sugere a diversificação entre os
mais de 300 ETFs que eles possuem.
Na escala mais conservadora a carteira sugerida possui 90% do investimento concentrado em ETFs de
renda fixa e somente 10% em ETFs de renda variável. Para nós brasileiros o investimento em renda
fixa nos EUA seria equivalente ao investimento em câmbio, mas com alguma remuneração adicional
em dólares.
Depois temos 25% no IAGG que é um ETF que procura apresentar os resultados de investimentos
compostos por títulos globais de grau de investimento fora dos EUA. Existem títulos públicos do
governo do Japão, França, Itália, Reino Unido, Alemanha e outros.
Por fim temos 13% no IMTB que seria equivalente ao ISTB, mas com títulos que possuem
vencimentos mais longos, entre cinco e dez anos.
Não seria muito diferente de uma carteira conservadora no Brasil onde temos uma pequena parte do
patrimônio em renda variável e outra segmentada em renda fixa pós-fixada, renda fixa prefixada ou
indexada pelo IPCA com vencimentos mais curtos e mais longos.
No livro sobre como investir no exterior temos centenas de páginas onde eu aprofundo sobre as
estratégias de investimentos no exterior e todas as suas possibilidades. No livro sobre como montar
243
Parabéns,
por concluir a leitura desse livro. Espero que ele possa ser a sua porta de entrada no mundo dos ETFs.
Acredito que nas próximas décadas teremos um forte crescimento do mercado de ETFs no Brasil e no
mundo, pois a busca dos investidores por menores taxas, mais transparência e liquidez cresce a cada
dia.
Eu escrevi o livro que eu gostaria de ter lido quando comecei a estudar sobre esse investimento logo
depois da crise de 2008. São poucos os investidores que realmente estão interessados em compartilhar
seus conhecimentos, estratégias e ferramentas.
Fiz o possível para apresentar todas as ferramentas e fontes que utilizo nos meus estudos de tal forma
que você também possa fazer os seus próprios estudos sem depender de outras pessoas.
Tentei apresentar a teoria sempre de mãos dadas com a prática. Espero que tenha gostado dos estudos,
planilhas e vídeos. Convido você a conhecer outros livros que já escrevi seguindo esse mesmo método
de ensino sobre investimentos. Conheça todos os meus livros visitando aqui.
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A média móvel atua como suporte em tendências de alta, servindo como uma linha onde os preços geralmente param de cair e retomam o crescimento. Em tendências de baixa, age como uma resistência, limitando o avanço dos preços. Quando os preços cruzam a média móvel de 200 períodos, ela pode passar de suporte a resistência ou vice-versa, dependendo da direção do cruzamento e da tendência de longo prazo prevalente .
A média móvel de 200 dias é vantajosa para identificar suportes e resistências em tendências de longo prazo, sendo usada por investidores para determinar quando um ativo está em tendência de alta ou baixa. A média móvel de 9 dias, por outro lado, é utilizada para monitorar tendências secundárias de curto prazo, ajudando a identificar oportunidades de compra e venda. A desvantagem dessas médias é que são indicadores atrasados, podendo não capturar mudanças repentinas no mercado .
O ISUS11 se concentra em ações de empresas que fazem parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), priorizando investimentos socialmente responsáveis. O ECOO11, por outro lado, replica o Índice Carbono Eficiente (ICO2), focando em empresas que adotam práticas transparentes em relação às suas emissões de gases de efeito estufa. Ambos ETFs compartilham o objetivo de refletir preocupações ambientais e sociais, mas diferem na temática específica de sustentabilidade que abordam .
Para reequilibrar uma carteira de ETFs, o investidor pode optar por um reequilíbrio temporal, ajustando a composição da carteira após 2 ou 3 meses de altas ou quedas consecutivas. Outra estratégia seria o reequilíbrio pela diferença percentual, onde se define um limite máximo de desvio entre os ETFs e ajusta-se a carteira conforme esse limite é ultrapassado. Tais estratégias ajudam a manter a alocação de ativos alinhada ao perfil de risco planejado inicialmente .
A mudança de metodologia do IDIV em 2018 alterou o desempenho comparativo dos ETFs relacionados. Antes de 2018, o desempenho do BBSD11 foi superior ao DIVO11, mas essa situação mudou após a atualização metodológica, demonstrando que os resultados de ETFs podem ser significativamente influenciados por mudanças nos índices que eles seguem .
Compreender o conceito de 'dinheiro barato', que é aquele ganho através de juros ou retornos de investimentos, permite aos investidores ter maior tranquilidade ao lidar com investimentos de risco. Utilizando dinheiro barato, o investidor pode suportar melhor as oscilações, uma vez que não está utilizando recursos essenciais da sua reserva financeira principal, que é considerada 'dinheiro caro' .
Considerar a liquidez do DIVO11 é importante porque ele tem maior liquidez que o BBSD11, tornando mais fáceis e rápidas as operações de compra e venda. Isso pode ser um fator determinante para investidores que priorizam flexibilidade nas transações .
Ao considerar o GOVE11 para uma estratégia de longo prazo, a baixa liquidez não é uma preocupação crítica se o foco não for a negociação frequente. É importante avaliar o potencial de crescimento e os fundamentos do GOVE11, uma vez que a liquidez não afetará tanto a capacidade de manter o investimento por longos períodos .
Reinvestir dividendos no FIND11 beneficia o investidor aumentando o patrimônio do ETF ao comprar mais ações. Isso resulta em um efeito composto, onde o crescimento contínuo e os dividendos adicionais aprimoram o valor dos investimentos de longo prazo, contribuindo para o aumento do patrimônio do investidor .
A correlação entre diferentes ETFs afeta diretamente a volatilidade e o risco da carteira. ETFs com correlação positiva podem aumentar o risco, pois tendem a cair ou subir simultaneamente. Já ETFs com correlação negativa podem diminuir a volatilidade, pois as perdas de um podem ser compensadas pelos ganhos de outro. Essa diversificação pode resultar em uma carteira mais estável e alinhada com o perfil de risco pretendido pelo investidor .









