Resenha crítica descritiva
A Psicologia Social no cotidiano
Aluno: Luan Oliveira Risério Miranda
Professora: Maria Del C R Nogueras
Matrícula: G2220H9
Universidade Paulista – UNIP
Curso: Psicologia – Noturno
Psicologia Social – Terceiro semestre
Neste trabalho, irei abordar um assunto delicado, que, irá afetar
significamente gerações futuras, tendo uma olhar analítico, clínico e subjetivo
sobre os efeitos colaterais ansiosos (sintomas) durante o período pós
pandemia. Terei o prazer de descrever à partir de estudos científicos validados
e discutir sobre um olhar social, críticos, reflexivo e científico sobre o assunto.
Não podemos negar que, a população brasileira não estava preparada para
um período pandêmico como esse. Não tínhamos preparação alguma, não
tínhamos dinheiro para poder simplesmente ficar em casa, não tínhamos
condições psicológicas para enfrentarmos nossa presença e lidar com nossos
problemas de uma forma tão íntima como enfrentamos durante a pandemia,
muitas pessoas não possuem moradias fixas e ficaram extremamente
vulneráveis, pessoas que moravam longe de cidades, que não tinham
condições financeiras favoráveis para poderem enfrentar uma situação tão
delicada e tão violenta como a COVID-19.
O contexto pandêmico e as medidas de controle preconizadas afetam a
população em muitas dimensões das condições de vida e de saúde e, entre
elas, de forma significativa, o componente de saúde mental. A presença de
transtornos mentais, sofrimento psíquico e alterações do sono exerce
reconhecidos efeitos negativos no cotidiano e na qualidade de saúde e de vida
das pessoas, contribuindo com percentual relevante de anos vividos com
incapacidades.
Transtornos mentais podem se agravar ou constituir fatores de risco para
doenças crônicas e doenças virais, além de influenciar a adoção de
comportamentos relacionados à saúde. Em períodos de epidemias e
isolamento social, a incidência ou agravamento desses quadros tende a
aumentar significativamente.
Os principais fatores de estresse identificados foram a duração da
quarentena, o medo da infecção, os sentimentos de frustração e de
aborrecimento, a informação inadequada sobre a doença e seus cuidados, as
perdas financeiras e o estigma da doença.
Os estudos atuais relatavam a ocorrência, nas pessoas em quarentena, de
sintomas psicológicos, distúrbios emocionais, depressão, estresse, humor
depressivo, irritabilidade, insônia e sintomas de estresse pós-traumático.
Outros aspectos que vêm sendo identificados como estressores na pandemia
de COVID-19 são a veiculação de informações falsas e sem base científica, as
notícias alarmantes e o excesso de tempo dedicado às notícias sobre a
pandemia, além de condições bastante concretas de falta de alimentos, de
recursos financeiros e de medicação para outras doenças.
A relevância dos aspectos emocionais durante processos epidêmicos tem
levado autores a identificar, junto à ocorrência de COVID-19, uma “pandemia
do medo” ou a “coronafobia”.
Pesquisas realizadas na China têm reportado prevalências elevadas de
depressão e ansiedade no conjunto da população estudada, especialmente em
alguns segmentos específicos da população, como nos trabalhadores do setor
da Saúde. Pessoas que precisaram respeitar a quarentena apresentaram
maiores prevalências de depressão e de ansiedade, comparadas aos não
afetados pela medida. Estudo no País Basco encontrou altas prevalências de
depressão e ansiedade durante a pandemia, com maiores valores no sexo
feminino.
As pesquisas também apontam que indivíduos com transtornos mentais
tendem a apresentar níveis mais elevados de estresse e sofrimento psicológico
durante a quarentena provocada pela COVID-19, comparados a pessoas sem
esses transtornos, em decorrência tanto da maior vulnerabilidade psíquica
como de outros fatores; por exemplo, a dificuldade de acesso a tratamento
durante a pandemia. Nesse sentido, a observação da presença de tristeza e
ansiedade durante a pandemia, entre pessoas com ou sem transtornos mentais
como depressão, pode ajudar na definição e/ou orientação de políticas
específicas para grupos de risco.
Considerando-se as evidências quanto à relevância de problemas emocionais
e de sono, iniciados ou agravados em processos epidêmicos, este estudo teve
por objetivo analisar a frequência de tristeza, nervosismo e alterações do sono
durante a pandemia de COVID-19 no Brasil, identificando os segmentos
demográficos mais afetados.
Esse aumento na prevalência de problemas de saúde mental coincidiu com
graves interrupções nos serviços, deixando enormes lacunas no atendimento
daqueles que mais precisam. Durante grande parte da pandemia, os serviços
para condições mentais, neurológicas e de uso de substâncias foram os mais
interrompidos entre todos os serviços essenciais de saúde relatados pelos
Estados Membros da OMS. Muitos países também registraram grandes
interrupções nos serviços de saúde mental que salvam vidas, inclusive na
prevenção do suicídio.
No final de 2021, a situação melhorou um pouco, mas hoje muitas pessoas
continuam incapazes de obter os cuidados e o apoio de que precisam para
condições de saúde mental pré-existentes e recém-desenvolvidas.
Sem conseguir o atendimento presencial, muitas pessoas buscaram suporte
online, sinalizando a necessidade urgente de disponibilizar ferramentas digitais
confiáveis e eficazes e de fácil acesso. No entanto, desenvolver e implantar
intervenções digitais continua sendo um grande desafio em países e ambientes
com recursos limitados.
Ao mesmo tempo, a Organização tem trabalhado com parceiros, incluindo
outras agências das Nações Unidas, organizações não-governamentais
internacionais e as Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho,
para liderar uma resposta interagências de saúde mental e psicossocial à
COVID-19.
Ao longo da pandemia, a OMS também trabalhou para promover a integração
da saúde mental e do apoio psicossocial em todos os aspectos da resposta
global.
Os Estados Membros da OMS reconheceram o impacto da COVID-19 na
saúde mental e estão adotando medidas. A mais recente pesquisa de pulso da
OMS sobre a continuidade dos serviços essenciais de saúde indicou que 90%
dos países estão trabalhando para fornecer saúde mental e apoio psicossocial
aos pacientes e socorristas que trabalham com COVID-19.
Além disso, na Assembleia Mundial da Saúde do ano passado, os países
enfatizaram a necessidade de desenvolver e fortalecer serviços de saúde
mental e apoio psicossocial como parte do fortalecimento da preparação,
resposta e resiliência à COVID-19 e futuras emergências de saúde pública.
Eles adotaram o Plano de Ação Integral de Saúde Mental 2013-2030
atualizado, que inclui um indicador sobre preparação para saúde mental e
apoio psicossocial em emergências de saúde pública.
O substantivo ansiedade vem de ânsia que significa expectativa. Assim como
se nomeia saudade para um tipo de desejo, ansiedade é outro nome atribuído
ao desejo. Desejo daquilo que se fazia e agora não se pode mais, desejo por
aquela pessoa que se foi pela letalidade do vírus e não está mais aqui, desejo
por momentos que não se sabe quando voltarão e outros desejos.
O que pouco se sabe é que desde de 1890 a ansiedade já era uma
preocupação para os cientistas. O médico americano Beard considerou a
ansiedade uma síndrome da vida moderna. Para o Neurologista, a nova
doença estaria ligada a duas condições básicas: a saída do homem do campo
para viver na cidade e trabalhar em grandes fábricas, e a relação com o tempo
no trabalho que passa a ser regulado pelas demandas das empresas a fim de
responder a uma nova ordem de demanda mundial. Aquela nova ordem
expressa há séculos, hoje ilustra e fornece subsídios para a compreensão e
leitura quanto ao sofrimento e o adoecimento psíquico que se apresenta em
decorrência do momento singular de pandemia da COVID-19.
A procura recorrente dos Serviços Psicológicos Especializados oferecidos
pela rede pública do estado, em particular, pela Universidade do Estado do
Pará, só comprova a importância da ação implementada. Por meio do trabalho
de escuta em serviço é possível constatar a presença de diferentes
manifestações de estados de ansiedade. É um sofrimento que ativa no sujeito
importantes quadros de adoecimento psíquico que têm como gatilho a
eminência de morte produzida por um vírus de importante letalidade.
A escuta psicológica, ao favorecer uma atitude de acolhimento e de aceitação,
produz no sujeito o reconhecimento de que o tempo do outro, o tempo do
mundo se impõe ao momento vivido.
Quando essa equação é posta em xeque, os estados de ansiedade tornam-se
uma síndrome transversal, universal e recorrente. Dito isso, a ansiedade está
relacionada com as formas pessoais de produção que cada sujeito adota, seja
consciente ou inconscientemente, ou mesmo a medida assumida por cada um
quanto à produtividade e o entendimento quanto ao conceito de eficácia de
produção assumido pelo sujeito. E o desejo? O que tem a ver com isso?
Aprende-se que o desejo bom é aquele que produz movimento, que possibilita
o engajamento, que promove agilidade. Aqui vale uma reflexão: o que significa
o desejo para cada um de nós na relação trabalho versus produção? Como
lidar com as vicissitudes frente às impossibilidades – natural do humano –
quanto à realização desses desejos?
Num tempo mais próximo do presente, por volta dos anos 2000, surge um
fator que concorrerá, significativamente, para a generalização da cultura da
ansiedade. Nasce uma nova forma de linguagem que se institui e passa a
mediar a relação entre pessoas: a linguagem digital. A comunicação humana
passa a adquirir uma instantaneidade.
Estar conectado num maior tempo possível e ter o maior número de acesso
ao mundo digital passa a ser a nova ordem. Dinâmica que ganha a condição e
o lugar de terceiro fator determinante, apontado pelas pesquisas no campo da
saúde mental, como indicador de síndromes de ansiedade. Surge como
primeira e mais popular dentre as patologias psicológicas do mundo moderno.