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Estados Físicos e Propriedades da Matéria

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ASPECTOS MACROSCÓPICOS – DEFINIÇÕES

FUNDAMENTAIS
Aprenda sobre Estados Físicos, Mudanças de Estado Físico, Fenômenos, Substâncias Puras,
Misturas e Gráficos.

DEFINIÇÕES INICIAS

A Química pode ser definida como uma ciência que estuda a matéria e suas transformações. Assim,
inicialmente, cabe definir o que seria matéria. A matéria pode ser definida como tudo aquilo que
possui massa e ocupa um lugar no espaço. Sendo assim, um pedaço de ferro é matéria; nós, seres
vivos, somos matéria; e o ar também é matéria, uma vez que também tem massa e volume (mesmo
que dependa do recipiente).

Os seres humanos e o ar atmosférico são exemplos de matéria

A matéria pode apresentar subdivisões, tais como corpo e objeto. Um corpo pode ser definido como
qualquer porção delimitada da matéria. Assim, corpo humano e uma cadeira podem ser definidos
como corpo. Já o objeto é todo corpo que apresenta função para o homem. A faca, por apresentar a
função de cortar alimentos é denominada um objeto, por exemplo.

A faca, por apresentar função de cortar alimentos, é um objeto

ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA

A matéria pode se apresentar em estados físicos distintos:


sólido, líquido e gasoso.

• Sólido: forma e volume definido.

• Líquido: forma variável e volume definido.

• Gasoso: forma e volume variáveis.

OBSERVAÇÃO

A energia cinética está associada ao movimento. No sólido, como as moléculas se encontram mais
organizadas por terem forma e volume definidos, as moléculas têm pouca liberdade de
movimentação. Nos líquidos, essa liberdade é maior, portanto, a energia cinética é maior quando
comparada aos sólidos. Nos gases, por sua vez, como o grau de liberdade é muito grande, a energia
cinética é maior quando comparada aos outros dois estados.

MUDANÇAS DE ESTADO FÍSICO

As substâncias podem mudar de estado físico (também chamado de estado de agregação) alterando-
se algumas variáveis tais como temperatura e pressão. Essas mudanças podem:

Ocorrer com ganho de energia

• Fusão: passagem do estado sólido para o líquido.

• Vaporização: estado líquido

– Evaporação: ocorre espontaneamente, e, por essa razão, mais lentamente.

Após um dia de chuva, as calçadas secam espontaneamente

– Ebulição: passagem rápida que se processa artificialmente, ao atingir determinada temperatura.

Água fervendo em uma panela.

– Calefação: ocorre instantaneamente, em função de um elevado aumento de temperatura.

Água em contato com uma chapa metálica incandescente.

• Sublimação: passagem direta do estado sólido para o


gasoso.

Bolinhas de naftalina na gaveta.


Ocorrer com perda de energia

• Liquefação ou condensação: passagem do estado gasoso para o líquido.

A chuva ocorre através da transformação de vapor de água em água líquida

• Solidificação: passagem do estado líquido para o sólido.

A formação do gelo se dá através da solidificação da água líquida

Ressublimação: passagem do gasoso diretamente para o sólido.

FENÔNEMOS

Os fenômenos podem se dividir em quatro categorias: físicos, químicos, biológicos e físico-químicos.


Nos fenômenos físicos ocorre apenas mudança de estado físico. Nos fenômenos químicos, é
preciso que ocorra transformação da matéria como ocorre, por exemplo, na queima completa de
combustíveis, que levam a formação de CO2 e água.

Os fenômenos biológicos são aqueles que ocorrem exclusivamente nos seres vivos, sendo um bom
exemplo a respiração. Por fim, os fenômenos físico-químicos.

PROPRIEDADES DA MATÉRIA

As propriedades da matéria podem ser gerais ou específicas. As propriedades gerais são comuns a
todas substâncias. São elas: extensão, inércia, impenetrabilidade, elasticidade, porosidade etc. As
propriedades específicas são particulares de cada substância, podendo ser físicas, como ponto de
fusão e ebulição, por exemplo; químicas, como resistência a oxidação;
ou organolépticas, propriedades relativas aos sentidos, como por exemplo, o sabor (relativo ao
paladar).
DENSIDADE

Uma propriedade específica da matéria que merece destaque, a densidade é definida como a massa
(m) por unidade de volume (V) de uma determinada substância:

d=m/V

A unidade de densidade é expressa no SI (Sistema de Internacional de medidas) por quilograma por


metro cúbico, kg/m³, mas usualmente, utiliza-se a grama por centímetro cúbico, g/cm³, ou por litro,
g/L.

Uma substância apresentar maior densidade que outra significa que esta apresenta uma quantidade
maior de massa por unidade de volume.

Exemplo: a densidade do chumbo (11,3 g/cm³) é maior que a do alumínio (2,7 g/cm³)

CONCEITOS FUNDAMENTAIS

Na Química, alguns conceitos são fundamentais para compreensão dessa ciência.

ÁTOMO

É o que compõe a matéria. O átomo pode se dividir em outras partículas menores.

ELEMENTO QUÍMICO

Os átomos de mesma identidade são representados por um nome e um símbolo, conjunto este que
representa um elemento químico.

Os átomos não são todos iguais em sua constituição, e, por essa razão, apresentam nomes e
símbolos distintos.

Exemplo: o elemento químico carbono é representado pelo símbolo C, enquanto o hidrogênio é


representado pelo símbolo H.

Alotropia

Fenômeno que consiste em um mesmo elemento químico formar mais de uma substância simples.

Exemplo: o carvão, C (grafite), e diamante, C (diamante) são formados pelo elemento carbono, mas
apresentam estruturas completamente diferentes.

Carvão e diamante são formados pelo mesmo elemento químico, o carbono (C).

MOLÉCULA

Uma molécula é formada pela união de átomos.

Exemplo: a molécula de água, H2O, é formada pela união de dois átomos de hidrogênio (H) e um
átomo de oxigênio (O).
Atomicidade

É o número de átomos existentes numa molécula. Uma molécula gás oxigênio, O2, é chamada de
diatômica, pois apresenta atomicidade igual a 2; uma molécula de ozônio, O3, é chamada de
triatômica, pois apresenta atomicidade igual a 3.

SUBSTÂNCIAS PURAS

Uma substância é formada pela união de moléculas, constituindo um sistema de composição química
definida.

Substâncias simples: formadas por um único tipo de átomo:

Exemplo: O2, N2, S8.

Substâncias compostas: formadas por mais de um tipo de átomo:

Exemplo: H2O, CO2.

SISTEMA

Um sistema pode ser definido como uma porção do universo que está sendo analisado. Os sistemas
podem ser classificados quanto ao número de:

FASES

Porção distinguida a olha nu ou em um microscópio simples. Um sistema que apresenta uma fase é
chamado de monofásico; já um sistema que apresenta duas fases, bifásico, e assim por diante.

COMPONENTES

Cada componente representa uma substância presente num sistema. Em um sistema contendo
apenas água pura, há um único componente. Em um sistema contendo água, areia, sal e gelo, há três
componentes.

TIPOS DE SISTEMAS

Sistema homogênea: todo sistema que apresenta uma única fase.

Exemplo: água + álcool

Sistema heterogêneo: todo sistema que apresenta duas ou mais fases.

Exemplo: água + óleo

MISTURAS

É formada pela união de mais de um tipo de substância em um único sistema.

Homogênea: apresenta uma única fase.


Heterogênea: apresenta mais de uma fase.

Ao contrário das substâncias puras, as misturas não têm propriedades bem definidas. A água pura
solidifica a 0ºC, mas uma mistura de água e sal se solidifica a uma temperatura abaixo de zero.

OBSERVAÇÃO

Nem todo sistema heterogêneo pode ser classificado como uma mistura. Um sistema
composto de água e gelo, é classificado como heterogêneo. Porém, não se classifica como
mistura, uma vez que gelo é água no estado sólido.

GRÁFICOS DE MUDANÇA DE FASE

Substância pura: as mudanças de fase ocorrem a uma temperatura constante. Nos gráficos, as
mudanças são representadas por patamares paralelos ao eixo x:

Mistura comum: as mudanças de fase ocorrem com variação de temperatura.


Mistura eutética: a fusão ocorre a temperatura constante, enquanto a ebulição ocorre com variação
de temperatura.

Mistura azeotrópica: a ebulição ocorre a temperatura constante, enquanto a fusão ocorre com
variação de temperatura.

OBSERVAÇÃO

Existem diversos tipos misturas, dentre elas, as misturas formadas por sólidos. Essas misturas sólidas
formam as chamadas ligas metálicas. As ligas metálicas mais comuns no dia-a-dia são:

Aço: constituí de ferro (Fe) e carbono (C). Quando inoxidável, tem-se o acréscimo de cromo e níquel.
O aço inoxidável é muito utilizado em talheres, utensílios de cozinha e decorações.

Ouro: o ouro 18K, por exemplo, é constituído de uma mistura de 75% de ouro, sendo os outros 25%
de prata (Ag) e/ou cobre (Cu).

Amálgama dental: utilizada em restaurações, é composta de mercúrio (Hg), por prata (Ag) e estanho
(Sn).

Latão: constituído de cobre (Cu) e zinco (Zn).

ASPECTOS MACROSCÓPICOS – SEPARAÇÃO DE


MISTURAS
Aprenda sobre os Processos de Separação de Misturas.

MÉTODOS DE SEPARAÇÃO DE MISTURAS

SEPARAÇÃO DOS COMPONENTES DE MISTURAS HETEROGÊNEAS

Sólido – sólido
• Catação: usando a mão ou uma pinça, separam-se os componentes sólidos.

Exemplo: Catar feijão.

• Ventilação: o sólido menos denso é separado por uma corrente de ar.

Exemplo: separar pedras de areia, onde a areia é arrastada pelo vento.

• Levigação: o sólido menos denso é separado por uma corrente de água.

Exemplo: separar areia e ouro: a areia é menos densa e por isso, é arrastada pela água corrente; o

ouro, por ser mais

denso, permanece no fundo.

• Separação magnética: um dos sólidos é atraído por um ímã.

Exemplo: em uma mistura de areia e ferro, ao se passar um ímã, o ferro é atraído por este.
• Peneiração: usada para separar sólidos constituintes de partículas de dimensões diferentes.

Exemplo: Industrialmente, usam-se conjuntos de peneiras superpostas que separam as diferentes

granulações.

• Flotação: usa-se a água ou outro líquido para separar sólidos de densidades diferentes, no qual o

mais denso afunda e o menos denso flutua.

Exemplo: processo utilizado na remoção de tinta do papel.

• Floculação: Quando se adiciona um solvente químico, colóides que estavam em suspensão na

mistura se unem formando partículas maiores, como (“flocos”), facilitando a retirada dos mesmos da

mistura.

Exemplo: processo utilizado no tratamento da água, de maneira a facilitar a decantação.

Sólido – líquido

• Decantação: a fase sólida, por ser mais densa, sedimenta-se, ou seja, deposita-se no fundo do

recipiente. A decantação pode receber o nome de sedimentação para separação sólido – líquido.
• Centrifugação: é uma maneira de acelerar o processo de decantação, utilizando um aparelho

denominado centrífuga. Na centrífuga, devido ao movimento de rotação, as partículas de maior

densidade, por inércia, são arremessadas para o fundo do tubo.

• Filtração simples: a fase sólida é separada com o auxílio de papéis de filtro.

Exemplo: utilizado nos filtros de água.

Líquido – líquido

• Decantação: separam-se líquidos imiscíveis com densidades diferentes, utilizando o funil de bromo

(ou funil de decantação).

Num sistema formado por água e óleo, por exemplo, a água, por ser mais densa, localiza-se na parte

inferior do funil e é escoada abrindo-se a torneira de modo controlado.

Exemplo: para separar água do óleo, utiliza-se o processo de decantação.

Gás – sólido
• Decantação: a mistura passa através de obstáculos, em forma de “zigue-zague”, onde as partículas

sólidas perdem velocidade e se depositam.

Industrialmente, esse processo é feito em equipamento denominado câmara de poeira.

• Filtração: a mistura passa através de um filtro, onde o sólido fica retido. Esse processo é muito

utilizado nas indústrias, principalmente para evitar o lançamento de partículas sólidas na atmosfera.

Exemplo: usada nos aspiradores de pó, onde o sólido é retido (poeira) à medida que o ar é aspirado.

SEPARAÇÃO DOS COMPONENTES DE MISTURAS HOMOGÊNEAS

Sólido – sólido

• Cristalização fracionada: todos os componentes da mistura são dissolvidos em um líquido que, em

seguida, sofre evaporação provocando a cristalização separada de cada componente. A cristalização

fracionada é usada, nas salinas para a obtenção de sais a partir da água do mar.

• Dissolução fracionada: um dos componentes sólidos da mistura é dissolvido em um líquido.

Exemplo: a mistura de sal e areia. Colocando-se a mistura em um recipiente com água, o sal irá se

dissolver e a areia se depositar no fundo do recipiente. Assim, para se obter o sal, realiza-se os

seguintes processos: a filtração separa a areia (fase sólida) da água salgada (fase líquida) e com

a evaporação da água obteremos o sal.

• Fusão fracionada: serve para separar sólidos, tomando por base seus diferentes pontos de fusão.
Exemplo: as ligas metálicas são formadas pela mistura de vários elementos. Como cada elemento

tem um ponto de fusão diferente, quando a liga é aquecida cada um irá derreter e se separar em uma

temperatura diferente.

• Sublimação: é usada quando um dos sólidos, por aquecimento, sublima, e o outro permanece

sólido.

Exemplo: sal e iodo (o iodo sublima por aquecimento).

Sólido – líquido

Nas misturas homogêneas sólido-líquido (soluções), o componente sólido encontra-se totalmente

dissolvido no líquido, o que impede a sua separação por filtração. A maneira mais comum de separar

os componentes desse tipo de mistura está relacionada com as diferenças dos seus pontos de

ebulição (PE).

• Evaporação: a mistura é deixada em repouso ou é aquecida até que o líquido (componente mais

volátil) sofra evaporação. Esse processo apresenta um inconveniente: a perda do componente líquido.

• Destilação simples: a mistura é aquecida em uma aparelhagem apropriada, de tal maneira que o

componente líquido evapora e, a seguir, sofre condensação, sendo recolhido em outro frasco.
• Destilação por arraste: Consiste em separar um sólido ou líquido de baixo ponto de ebulição. A

substância a ser separada é arrastada pelo vapor de outra substância na qual não faz parte da

mistura.

Líquido – líquido

• Destilação fracionada: consiste no aquecimento de misturas, cujos pontos de ebulição (PE) não

sejam próximos. Os líquidos são separados na medida em que cada um dos seus pontos de ebulição

é atingido. Inicialmente, é separado o líquido com menor PE; depois, com PE intermediário e assim

sucessivamente até o líquido de maior PE. A aparelhagem usada é a mesma de uma destilação

simples, com o acréscimo de uma coluna de fracionamento.

Um dos tipos mais comuns de coluna de fracionamento apresenta no seu interior um grande número

de bolinhas de vidro em cuja superfície ocorre condensação dos vapores do líquido menos volátil, ou

seja, de maior ponto de ebulição, que voltam para o balão. Enquanto isso, os vapores do líquido

volátil atravessam a coluna e sofrem condensação fora dela, no próprio condensador, sendo recolhido

no frasco. O líquido menos volátil permanece no recipiente original.

Exemplo: processo muito utilizado, principalmente em indústrias petroquímicas, na separação dos

diferentes derivados do petróleo. Nesse caso, as colunas de fracionamento são divididas em bandejas

ou pratos.

Gás – Gás

• Liquefação fracionada: a mistura de gases passa por um processo de liquefação e,

posteriormente, pela destilação fracionada.


Uma aplicação desse processo consiste na separação dos componentes do ar atmosférico: N2 e O2.

Após a liquefação do ar, a mistura líquida é destilada e o primeiro componente a ser obtido é o N2,

pois apresenta menor PE (-195,8°C); posteriormente, obtém-se o O2, que possui maior PE (-183°C).

• Adsorção: consiste na retenção superficial de gases. É um processo no qual partículas são retidas

na superfície de sólidos. Basicamente, um fluido, chamado de adsorvido, adere-se à superfície de

uma substância, o adsorvente, a partir de interações físicas ou químicas.

Exemplo: o carvão ativo apresenta poros em sua superfície, que o fazem ser um bom adsorvente.

TRATAMENTO DE ÁGUA

A água que utilizamos em nossa residência, até se tornar própria para consumo, passa por uma série

de processos. Em uma estação de tratamento da água, uma das primeiras etapas, chamada

de coagulação (ou floculação), é um processo químico, onde ocorre a adição de sulfato de alumínio

(ou cloreto férrico), chamados de coagulantes, que irá se aderir à impurezas, formando flocos. Em

outras palavras, nessa etapa, aumenta-se o tamanho das partículas a serem retiradas, de maneira a

tornar o processo mais eficiente. O recipiente é agitado, de maneira que as partículas se aglomerem,

facilitando a etapa seguinte.


A etapa seguinte, chamada decantação, envolve a remoção dessas partículas. Em seguida, de

maneira a assegurar que toda as impurezas foram removidas, passa-se pelo processo de filtração,

cujo objetivo é a retirada das impurezas restantes.

Para finalizar, passa-se pelo processo de cloração, onde se adiciona cloro, de maneira a combater

micro-organismos, e flúor, no processo de fluoretação, de maneira a reduzir a incidência de cárie na

população.

ESTRUTURA ATÔMICA – MODELOS ATÔMICOS


Há mais de 2.500 anos, os filósofos gregos Demócrito e Leucipo se perguntavam se a imensa
variedade do mundo que nos cerca não pode ser reduzida a componentes mais simples.

A última fração da matéria, segundo esses filósofos o “tijolo” fundamental de tudo o que existe, não
poderia mais ser dividida. A essa unidade fundamental chamaram átomo que significa “indivisível”.

A ideia proposta por Demócrito e Leucipo é uma ideia filosófica, ou seja, não tem comprovação
empírica, que ocorre a partir de experimentos. Mas, ainda assim, marcou um momento da História
onde o ser humano demonstrava mais uma vez seu caráter questionador, querendo conhecer tudo ao
seu redor.

MODELO DE DALTON

O primeiro cientista a definir o átomo foi o inglês John Dalton, em 1803. De acordo com o cientista, o
átomo teria as seguintes características:

• Indivisível: não existiriam partículas menores que o átomo. Em outras palavras, o átomo seria uma
partícula fundamental.

• Uma esfera maciça, que não poderia ser dividida ou destruída;

• Maciço: o átomo seria totalmente preenchido, não existindo espaço interno vazio.
O modelo de Dalton foi o primeiro a propor uma explicação com base científica para a composição da
matéria. Seu modelo foi adotado como uma maneira de explicar do que é formada a matéria por
quase 100 anos. Mas, devido à algumas inconsistências, permitiu que um novo modelo surgisse, com
uma nova proposta para explicar a composição da matéria.

OBSERVAÇÃO

Por apresentar características similares à uma bola de bilhar (ser maciço, indestrutível e indivisível), o
modelo de Dalton é associado a esse objeto, como um recurso didático.

MODELO DE THOMPSON

As inconsistências apresentadas pelo modelo de Dalton continuavam a intrigar a comunidade


científica. Uma das proposições feitas por Dalton que não tinha embasamento científico era a questão
da neutralidade da matéria. Assim, em 1987, o cientista J. J. Thomson iniciou seus estudos sobre a
natureza elétrica da matéria.

Através de diversos experimentos, Thomson foi capaz de inferir sobre a natureza elétrica da matéria a
partir da descoberta do elétron. A partir desse ponto, tem-se o átomo como uma partícula divisível,
diferente do proposto por Dalton.

Os experimentos de Thomson, que permitiram perceber a existência de uma nova partícula na


estrutura da matéria foram:

1º Experimento

Thomson utilizou um instrumento denominado Ampola de Crooks. Essa ampola conteria um gás sob
baixa pressão, ou seja, a vácuo. A partir dela, Thomson observou o aparecimento de um feixe de luz
orientado na direção do ânodo,, o qual nomeou de raios catódicos.

2º Experimento

Para determinar se os raios catódicos possuíam massa, foi colocado um anteparo entre o cátodo e o
ânodo.
Ao aplicar as mesmas condições no experimento anterior, Thomson observou que o anteparo
colocado entre os polos se movimentava. Assim, Thomson foi capaz de concluir que aqueles raios
continham partículas que tinham massa. O que faltava era determinar se essas partículas
apresentavam carga.

3º Experimento

Para a determinação da carga, foram instaladas no tubo duas placas carregadas com cargas opostas
e paralelas. Observe:

Como o feixe sofreu desvio na direção da placa positiva, Thomson inferiu que a carga da partócula
em questão seria negativa.

Esses experimentos foram repetidos inúmeras vezes variando-se alguns fatores: o gás inserido na
ampola e os metais dos eletrodos positivo e negativo. Observou-se o mesmo comportamento,
convergindo para os mesmos resultados. Dessa maneira, Thomson foi capaz de propor a existência
de uma nova partícula na constituição da matéria: o elétron.

Dessa maneira, o átomo de Thomson apresentaria as seguintes características:

• O átomo seria uma esfera maciça e positiva com elétrons, de carga negativo, incrustrados em sua
superfície.

• A matéria seria eletricamente neutra. Porém, Thomson não teria dados empíricos que embasassem
essa característica.

A maior façanha de Thomson foi romper com a ideia de que o átomo seria uma unidade fundamental,
não sendo divisível.

OBSERVAÇÃO
O modelo atômico de Thomson é constantemente comparado a um pudim de passas: os elétrons
seriam as passas, e o pudim em si seria a esfera maciça positiva. Mas, conforme observado acima, o
uso dessa analogia é preocupante, pois os pudins costumam apresentar um “furo” no meio.

MODELO DE RUTHERFORD

Os avanços realizados no campo da radioatividade permitiram que o cientista Ernest Rutherford


realizasse, em 1912, experimentos que permitissem uma nova ideia acerca da composição da
matéria.
A experiencia realizada por Rutherford envolveu o bombardeamento de uma fina lâmina de ouro com
partículas alfa, provenientes de uma fonte de polônio. Essas partículas apresentam carga positiva.
Rutherford tinha como ponto de partida, a partir das ideias de Thomson, o fato de o átomo ser uma
espécie de uma esfera maciça e positiva. Isso indicava que as partículas alfas, por também serem
positivas, colidiriam com sua superfície, e retornariam.

A partir dessa experiência, Rutherford observou os seguintes resultados:

• a grande maioria das partículas atravessam a lâmina sem sofrer qualquer desvio; o que indicava que
o átomo apresentava grandes “espaços vazios”.

• apenas algumas partículas desviaram ou até retrocederam. Partindo das observações realizadas,
Rutherford trouxe uma nova proposta de modelo atômico, que apresenta as seguintes características:

• um pequeno núcleo denso e positivo;

• uma enorme região periférica, repleta de espaços vazios, onde encontram-se os elétrons, que
orbitam ao redor desse núcleo;

OBSERVAÇÃO

Dalton, Thomson e Rutherford afi rmavam que a matéria é eletricamente neutra, mas nenhum deles
se aprofundou em investigar essa neutralidade mais a fundo. Por mais que não seja uma informação
muito divulgada, a descoberta dos nêutrons, bem como a neutralidade da matéria, foi explicada por
James Chadwick, em 1932.

Sua experiência consistiu em bombardear uma amostra de berílio com partículas alfa. Nesse
experimento, identificou-se um tipo de radiação, que, após uma série de cálculos matemáticos, James
foi capaz de inferir que essa radiação era formada por nêutrons, que, como comprovado por ele,
apresentavam massa semelhante aos prótons, partículas positivas que constituem o núcleo do átomo.

Com esse experimento, James ganhou o Nobel de Física em 1935.


MODELO DE BOHR

O modelo de Rutherford, apesar de amplamente aceito pela comunidade científica, apresentava


algumas inconsistências. Seu modelo não explicava, por exemplo, como uma partícula, que, por estar
orbitando ao redor do núcleo, e, portanto, perdendo energia, não colidiria com o núcleo do átomo.

Como solução deste problema, o físico dinamarquês Niels Bohr trouxe a ideia de quantização da
energia. Para ele, o núcleo do átomo era rodeado de camadas, onde estariam localizados os
elétrons. Essas camadas, também chamadas de órbitas, apresentavam uma quantidade de energia
definida.

Os elétrons estão alocados em cada uma das camadas, com suas energias específicas, orbitando ao
redor do núcleo. Quanto mais afastado desse núcleo, maior a energia.

Os elétrons podem migrar para uma camada de maior energia ao receberem energia. Esse estado,
chamado de excitado, é instável. Sendo assim, os elétrons tendem a retornar para sua camada de
origem, liberando o excesso de energia na forma de luz.

Assim, pode-se dizer que as principais características do modelo de Bohr, enunciados em seus
postulados, são:

• Os elétrons se movem ao redor do núcleo em órbitas circulares;

• A energia de cada elétron é quantizada;

• Cada elétron está localizado em uma órbita específica, chamada de estacionária;

• A transição eletrônica ocorre quando um elétron recebe energia, alcançando o estado excitado, que,
por ser instável, faz com que o elétron retorne ao seu nível de origem, liberando energia no processo.

OBSERVAÇÃO

O modelo atômico de Bohr também é conhecido como modelo de Rutherford-Bohr, uma vez que
Bohr, aluno de Rutherford, trouxe ideias que parecem complementar o modelo de seu mentor. A ideia
constantemente associada a esse modelo é a analogia com o sistema solar, onde o núcleo seria sol,
e os planetas seriam os elétrons, que orbitam ao redor dessa região central, em diferentes “camadas”.
O modelo de Rutherford-Bohr, associado as ideias trazidas por Sommerfeld do átomo realizar
trajetórias elípticas além das circulares, é o modelo atômico mais utilizado atualmente.

MODELO ATÔMICO ATUAL

Atualmente, o átomo é encarado como um sistema eletricamente neutro, formado basicamente por
prótons, elétrons e nêutrons dispostos da seguinte forma:

Prótons + Nêutrons → Núcleo

Elétrons → Eletrosfera (em torno do núcleo)

ESTRUTURA ATÔMICA – CONCEITOS


FUNDAMENTAIS E SEMELHANÇAS ATÔMICAS
O modelo de átomo mais utilizado atualmente é o modelo de Rutherford-Bohr, onde o átomo é
considerado como um sistema eletricamente neutro formado por: uma região central onde estão
localizados os prótons, partículas de carga positiva, e os nêutrons, partículas sem carga; e pela
eletrosfera, onde estão localizados os elétrons, partículas de carga negativa e de massa
desprezível.

Os elétrons encontram-se orbitando ao redor do núcleo, em camadas com energias quantizadas,


realizando não apenas trajetórias circulares, como também elípticas.

Exemplo: representação do átomo de oxigênio.

CONCEITOS FUNDAMENTAIS
NÚMERO DE MASSA (A):

A partir desse modelo de átomo, e considerando que os elétrons têm massa desprezível, e que,
assim, a massa do átomo se concentra no seu núcleo, tem-se que:

A=P+N

Onde A = massa do átomo; P = número de prótons; N = número de nêutrons. Assim, o número de


massa (A) de um átomo é dada pela soma do número de prótons com o número de nêutrons de seu
núcleo.
NÚMERO ATÔMICO (Z):

Cabe considerar que um átomo é definido pelo seu número atômico, Z, que equivale ao número de
prótons presentes em seu núcleo. Assim:

Z=P

Cada tipo de átomo tem o seu número atômico, que é a sua identidade.

Exemplo: o número atômico do nitrogênio é igual a 7 (número de prótons em seu núcleo). Assim,
nenhuma outra espécie química diferente do nitrogênio terá essa quantidade prótons, e, portanto,
esse número atômico.

Sendo o átomo um sistema eletricamente neutro, o número de cargas positivas (prótons) deve ser
igual ao número de cargas negativas (elétrons). Sendo assim, tem-se que:

Z=P=e

Onde e- = número de elétrons.

ELEMENTO QUÍMICO

É o conjunto de todos os átomos com mesmo número atômico (Z).


A notação geral de um átomo é:

onde, A = número de massa;


Z = número atômico.

ÍONS

Um átomo pode ganhar ou perder elétrons da eletrosfera sem sofrer alterações em seu núcleo,
resultando em partículas denominadas íons.

Quando um átomo ganha elétrons, ele se torna um íon negativo, também chamado ânion.

Exemplo:
17C + 1 e– → 17 C –1

Quando um átomo perde elétrons, ele se torna um íon positivo,


também chamado cátion.

Exemplo:

11Na – 1 e– → 11Na+1

A carga é representada à direita e acima do símbolo.

Exemplo:

O 2-, Ca 2+, A 3+, C – etc.

No entanto, observamos ainda outras representações para os íons, tais como o O-2.
SEMELHANÇAS ATÔMICAS
ISÓTOPOS

São átomos que apresentam o mesmo número de prótons (Z) e diferentes números de massa (A).
Têm propriedades químicas idênticas, porque são variedades de um mesmo elemento.

Exemplo:

ISÓBAROS

Átomos que apresentam o mesmo número de massa (A), mas que possuem diferentes números de
prótons , sendo portanto elementos diferentes.

Exemplo:

ISÓTONOS

Átomos que apresentam o mesmo número de nêutrons (N), mas diferentes números de prótons e de
massa.

Exemplo:

Para verificar o número de átomos do Cl e do Ca, aplica-se a relação A = P + N para ambos. Assim:

ACl = P + N … = N = 37 – 17 = 20

ACa = P + N … = 40 – 20 = 20

ESPÉCIES ISOELETRÔNICAS

São aquelas que possuem o mesmo número de eletróns. Observe que somente um tipo de átomo
pode ser isoeletrônico de um conjunto de íons.

Exemplo:

Todas as espécies acima (íons ou átomos) possuem dez elétrons.


ESTUDO DA ELETROSFERA
Como se situam os elétrons na eletrosfera? Como eles se movimentam? Cada elétron tem seu movimento
perfeitamente definido por seus quatro estados quânticos: nível energético, subnível energético, orbital e
spin.

NÍVEIS (OU CAMADAS) ENERGÉTICOS

São regiões do átomo onde os elétrons podem se movimentar sem perder ou ganhar energia. Ao total
são consideradas 7 camadas.

Cada nível de energia comporta um número máximo de elétrons que estão resumidos no quadro
abaixo:

SUBNÍVEL DE ENERGIA

Cada nível energético costuma ser dividido em subníveis, que se diferem pela forma de trajetória de
suas órbitas e pelo número de elétrons que comportam.

Como cada nível energético comporta uma quantidade máxima de elétrons, é possível inferir quais
subníveis estão presentes em cada uma das camadas:

DISTRIBUIÇÃO ELETRÔNICA:

Os elétrons não são distribuídos de forma aleatória nos subníveis. Sua distribuição se dá em ordem
crescente de energia. Preenche-se cada um dos níveis, de acordo com a quantidade de elétrons, até
que se aloque o último elétron, que será o mais energético, chamado de elétron diferenciador.

Para facilitar a distribuição eletrônica, o cientista húngaro Linus Pauling propôs um diagrama,
conhecido como Diagrama da Pauling. Para realizar a distribuição eletrônica a partir dele, basta seguir
as setas:
A distribuição eletrônica será realizada seguindo o diagrama, mas poderá sofrer variações em caso de
íons, onde há perda, no caso dos cátions, ou ganho de elétrons, no caso dos ânions.

Um importante conceito a ser levado em consideração para a distribuição eletrônica, é o conceito de


camada de valência:

Camada de valência: corresponde a camada de maior número, que será o nível mais externo de um
átomo.

ÁTOMO NEUTRO

Para o caso dos átomos neutros, deve-se lembrar que o número de prótons é igual ao número de
elétrons, ou seja, P = e-.

Assim, nos átomos neutros, a distribuição é feita da seguinte forma:

• preencher cada subnível de energia de acordo com a capacidade do mesmo;

• quando não houver necessidade de completar um subnível, preenchê-lo de acordo com o número de
elétrons que faltam à distribuição.

Exemplos:

¹⁵P – 1s² 2s² 2p⁶ 3s² 3p³


³⁵Br – 1s² 2s² 2p⁶ 3s² 3p⁶ 4s² 3d¹⁰ 4p⁵

ÍONS

No caso dos íons, a distribuição deverá ser feita levando-se em consideração a perda e o ganho de
elétrons.

Ânions: somar os elétrons ganhos aos já existentes, e realizar a distribuição normalmente.

Exemplos:

¹⁶S – 1s² 2s² 2p⁶ 3s² 3p⁴


(átomo neutro – 16 elétrons)

¹⁶S² – 1s² 2s² 2p⁶ 3s² 3p⁶


(ânion – 18 elétrons)

Cátions: fazer a distribuição como se fosse de um átomo neutro. Ao final, retirar o número de elétrons
necessários da camada de valência. É importante frisar que nem sempre a camada de valência
coincidirá com o subnível mais energético.
Exemplos:

¹²Mg⁺² → 1s² 2s² 2p⁶ 3̶s̶²̶


1s² 2s² 2p⁶

²⁶Fe⁺² → 1s² 2s² 2p⁶ 3s² 3p⁶ 4̶s̶²̶ 3d⁶


1s² 2s² 2p⁶ 3s² 3p⁶ 3d⁶

DISTRIBUIÇÃO EM NÍVEIS

A distribuição eletrônica por níveis de energia é feita a partir da distribuição por subníveis. Neste caso,
basta contar o número de elétrons em cada nível a partir da distribuição por subníveis.

Exemplos:

¹⁵ P – 1s² 2s² 2p⁶ 3s² 3p³


K – 2; L – 8; M – 5

²⁶Fe – 1s² 2s² 2p⁶ 3s² 3p⁶ 4s² 3d⁶


K – 2; L – 8; M – 14; N – 2

NÚMEROS QUÂNTICOS

Os átomos encontram-se em orbitais, que podem ser definidos como a região de maior probabilidade
de se encontrar um elétron. Cada elétron tem seu movimento perfeitamente definido por quatro
números quânticos, que revelam a posição e o sentido do movimento do elétron dentro de um átomo.

Segundo o princípio da incerteza de Heisenberg, físico alemão, não é possível determinar com
precisão simultaneamente a posição e a direção e velocidade de um elétron. Sendo assim, os
números quânticos permitem apenas precisar a localização de um elétron dentro de um átomo.

Assim, os quatro números quânticos de um elétron são:

Número quântico principal (n): indica a camada onde o elétron está localizado.

Número quântico secundário (ou azimutal) (l): indica o subnível onde o elétron está localizado.

Número quântico magnético (m ou ml): indica o orbital onde o elétron está localizado. O número
quântico magnético irá assumir valor entre -l e +l.

Cada orbital tem sua forma, que pode ser observada a partir de um sistema de coordenadas
tridimensional (eixos x, y e z).
Observe o exemplo dos orbitais s, p e d abaixo:

Porém, para os nossos estudos, bastará saber o número quântico referente a cada um dos orbitais:

Cada quadrado representa um orbital. Sendo assim, é possível realizar a distribuição eletrônica de
maneira a agrupar cada elétron dentro desses quadrados, que são os orbitais.

Observe que para o preenchimento desse orbital, deve-se considerar a regra de Hund, onde a
distribuição se dará de maneira a primeiro preencher todos os orbitais. Somente depois que o último
orbital do subnível tiver sido semi-preenchido, que se irá colocar os elétrons de maneira a preencher
complemente o orbital.

Exemplo: a distribuição utilizando orbitais, para o 8


O é dada por: 1s2 2s2 2p4

Número quântico de spin (ms ou s): de forma simplificada, pode-se dizer que indica o a rotação do
elétron em torno do seu próprio eixo. Os valores de ms assumem valores – ½ ou + ½.

Normalmente, por convenção, indica-se a seta para cima como spin negativo, e a seta para baixo,
com spin positivo. Porém, o oposto também pode existir, mas deve ser indicado.

Na determinação do conjunto de números quânticos para um elétron, deve-se considerar o Princípio


de Exclusão de Pauli, que diz que cada elétron tem seu próprio conjunto de números quânticos, e
não existe mais de um elétron com o mesmo conjunto de números quânticos iguais. É possível
apenas que os três primeiros números sejam iguais, uma vez que dois elétrons podem ocupar um
mesmo orbital, mas o número de spin deverá ser obrigatoriamente diferente.
OBSERVAÇÃO

A configuração do nêonio, 10Ne é dada por: 1s2 2s2 2p6.


Determine o conjunto de quatro números quânticos para o elétron mais energético desse átomo.
Considere que o primeiro elétron a ser distribuído terá ms= – ½.

Solução:

Analisando apenas os orbitais p, tem-se que:

A camada de valência é a segunda, logo, n = 2; como o elétron mais energético está localizado no
subnível p, tem-se que l = 1; analisando acima, percebe-se que ml = +1; e, como o elétron encontra-
se com a seta para baixo, tem-se que ms = – ½.

TABELA PERIÓDICA
A tabela periódica dispõe, de maneira sistemática, os elementos químicos conhecidos até o

momento.

Esses elementos químicos são representados pelos seus símbolos, e estão dispostos em ordem

crescente de número atômico. Além disso, a tabela periódica traz algumas informações importante

acerca de cada elemento químico, tais como valores de massa.


CONCEITOS INICIAIS

A tabela periódica apresenta duas divisões fundamentais: em grupos e períodos.

Grupos (ou famílias): agrupam os elementos que apresentam semelhanças, e representam as

colunas.

No total, há 18 grupos na tabela periódica. Alguns recebem nomes especiais.

Períodos: são as linhas horizontais da tabela, totalizando 7 períodos. Os períodos representam o

número de camadas (nível eletrônico) de determinado elemento.

Exemplo: o sódio, Na, está localizado no terceiro período. Logo, apresenta três camadas eletrônicas.

DIVISÃO EM METAIS, AMETAIS E GASES NOBRES


A tabela periódica pode ser divida em três grandes grupos: metais, ametais e gases nobres. A maioria

dos elementos presentes na tabela periódica são metais.

Observe a tabela acima. Os elementos hachurados em rosa representam os metais. Os em amarelo

são chamados de semimetais, porém, essa classificação está caindo em desuso e estes elementos

estão sendo considerados apenas como metais.

Em verde, tem-se os ametais, e em azul, os gases nobres. O elemento isolado, de cor vermelha, é o

hidrogênio, que não entra em nenhuma dessas classificações, por apresentar características muito

específicas.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Metais: são substâncias boas condutoras de calor e eletricidade, e a temperatura ambiente,

encontram-se no estado sólido (a exceção do mercúrio, Hg, que é líquido a temperatura ambiente).

São maleáveis (formam lâminas), dúcteis (formam fios) e possuem brilho característico. Os metais

apresentam elevados pontos de fusão e ebulição.

O sódio é sólido a temperatura ambiente, enquanto o mercúrio é líquido.

Ametais: os ametais não são bons condutores de calor e eletricidade, e não possuem brilho

característico, e não podem ser moldados como os metais. Podem se apresentar nos três estados de

agregação da matéria.

O enxofre, S, é sólido a temperatura ambiente, enquanto o bromo, Br, é líquido.


Gases nobres: são todos gases a temperatura ambiente, e são inertes, ou seja, pouco reativos.

As placas de neon contêm um gás nobre, o Neônio.

DIVISÃO EM BLOCOS E EM ELEMENTOS REPRESENTATIVOS OU DE TRANSIÇÃO

Os elementos podem ser divididos em blocos s, p, d e f, que coincidem com o subnível mais

energético da distribuição do elemento.

Além disso, podem ser divididos em elementos representativos ou de transição:

• Elementos representativos: são os elementos dos blocos s e p.

• Elementos de transição: são os elementos do bloco d (transição externa) e bloco f (transição

interna).

LOCALIZANDO UM ELEMENTO NA TABELA PELA DISTRIBUIÇÃO ELETRÔNICA

Os elementos representativos podem ser localizados na tabela periódica a partir da distribuição da

camada de valência.

Os períodos são identificados pelo número quântico principal, n, que representa o número de

camadas.

Já o grupo é identificado pelo número de elétrons na camada de valência.

Exemplo:

²⁰Ca: 1s² 2s² 2p⁶ 3s² 3p⁶ 4s²

Camada de valência: 4s²


Logo, o Ca está localizado no quarto período, e no grupo 2 ou família 2A.

⁸o: 1s² 2s² 2p⁴

Camada de valência: 2s² 2p⁴

Logo, o O está localizado no segundo período e no grupo 16 ou família 6A.

De forma geral, pode-se dizer que:

DISTRIBUIÇÃO ELETRÔNICA UTILIZANDO OS GASES NOBRES

A distribuição eletrônica também pode ser representada utilizando gases nobres. Para tal, utiliza-se o

gás nobre do período anterior ao elemento que se está fazendo a distribuição, e completa-se com os

sub com os subníveis de acordo com a necessidade restante

Exemplo:

80Hg: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s2 4d10 5p6 6s2 4f14 5d10

O gás nobre do período anterior ao do mercúrio é o o Xe, de número atômico 54. Assim, pode-se

representar a distribuição eletrônica do Hg em função do Xe:

80Hg: [Xe] 6s2 4f14 5d10

PROPRIEDADES PERIÓDICAS
As propriedades periódicas permitem, a partir da análise da localização de um elemento na tabela

periódica, inferir suas principais características ou tendências. Assim, de maneira geral, pode-se dizer que

as propriedades de físicas e químicas de um elemento químico irão variar de maneira periódica, de acordo

com o número atômico dos elementos.


PRINCIPAIS PROPRIEDADES PERIÓDICAS

RAIO ATÔMICO

O raio atômico é uma medida definida como a metade da distância entre dois núcleos de um mesmo

tipo de átomo.

De maneira geral, pode-se dizer que quanto maior a quantidade de camadas, maior será o átomo, e

maior será o seu raio. Sendo assim, o raio de um elemento cresce na medida em que se desce ao

longo dos períodos.

Porém, há outro fator importante: o número de prótons no núcleo. Ou seja, quanto maior o número de

prótons em um núcleo, maior a atração destes sob os elétrons, o que faz com que o raio diminua.

Sendo assim, quanto maior o número atômico, menor o raio; e quanto maior a quantidade de

camadas, maior o raio.

Essa propriedade sofre variação na tabela periódica de acordo com a seguinte tendência:

RAIO IÔNICO

O raio atômico de um átomo sofre alteração ao ocorrer ganho ou perda de elétrons. De maneira geral,

pode se dizer que:

Raio do cátion: quando um átomo perde elétron, a tendência é que a atração do núcleo sobre os

elétrons restantes aumente. Sendo assim, a tendência é que o raio do cátion, em relação ao átomo

neutro, diminua.

Exemplo:
Raio do ânion: quando um átomo ganha um elétron, este, ao se instalar na camada de valência,

acaba aumentando a repulsão entre os elétrons ali já presentes. Sendo assim, a tendência é que o

raio do ânion, em relação ao átomo neutro, aumente.

OBSERVAÇÃO

Quando a comparação for entre íons isoeletrônicos, o que deve ser levado em consideração é a carga

nuclear (número de prótons). Quanto maior for a carga nuclear, maior será a atração do núcleo sobre

a eletrosfera. Sendo assim, o raio iônico ficará menor.

Exemplo:

20Ca2+ < 19K+ < 18Ar < 17Cl – < 16S2

POTENCIAL (OU ENERGIA) DE IONIZAÇÃO

É definido como a energia necessária para se remover um elétron de um átomo isolado, no estado

fundamental e na fase gasosa.

Quanto maior o raio, maior a facilidade de remover um elétron, uma vez que a atração do núcleo

sobre o elétron é menor. Sendo assim, quanto maior o raio, menor a energia necessária para remover

o elétron. Assim, as setas indicando a periodicidade são contrárias à do raio atômico:

Considerando que a atração núcleo-elétrons aumenta na medida em que um elétron é removido, as

energias de ionização para remover elétron de um átomo que já teve elétron removido, serão cada

vez maiores.
Vale salientar que os gases nobres apresentam energias de ionização elevada, uma vez que já estão

estáveis.

AFINIDADE ELETRÔNICA

É a energia liberada quando um átomo, isolado e no estado gasoso, recebe um elétron. De maneira

geral, metais terão menor afinidade eletrônica, e ametais, maior afinidade eletrônica. Essa

propriedade não se aplica aos gases nobres, uma vez que já são estáveis.

Quando um átomo apresenta um raio pequeno, há maior facilidade em captar o elétron. E, quando

apresenta um raio grande, há maior dificuldade em captar o elétron. Sendo assim, a periodicidade

pode ser expressa da seguinte maneira:

ELETRONEGATIVIDADE

É capacidade de um átomo em atrair elétrons em uma ligação química. Assim, quanto menor o raio

atômico, maior a atração do núcleo sobre o elétron compartilhado. Assim, quanto menor o raio, maior

a eletronegatividade. Assim, a periodicidade pode ser expressa da seguinte maneira:

O flúor, 9F, é o elemento mais eletronegativo da tabela. Por ter um raio pequeno, seu núcleo exerce

grande atração nas duas camadas que este átomo apresenta, o que explica sua elevada

eletronegatividade.
OBSERVAÇÃO

A eletronegatividade não é definida para gases nobres, pois estes não tendem a fazer ligação

química. Porém, em 1962, o cientista Neil Bartlet sintetizou o primeiro composto contendo um gás

nobre: o Xe(PtF6)x, onde x igual 1 ou 2.

Isso só foi possível graças a elevada eletronegatividade do flúor. A partir de então, outros compostos,

como o XeF4, foram sintetizados.

O XeF4 é um composto extremamente reativo, reagindo violentamente com algumas substâncias, é

corrosivo, e pode provocar explosões. Portanto, sua síntese só é realizada em laboratórios com alto

padrão de segurança.

ELETROPOSITIVIDADE (CARÁTER METÁLICO)

É a capacidade de um átomo em perder elétrons, formando um cátion. Essa propriedade não se

aplica aos gases nobres, uma vez que, por serem estáveis, não perdem elétrons.

OBSERVAÇÃO

Há outras propriedades periódicas, tais como ponto de fusão e ebulição, e densidade. São

propriedades que apresentam maior variação, portanto, é mais difícil de prever tendências:
LIGAÇÕES QUÍMICAS
Os átomos apresentam a tendência de ligarem-se uns aos outros, dando origem às diversas
substâncias químicas. Este fato intrigou muitos cientistas, ainda mais depois da descoberta dos
gases nobres, elementos químicos do grupo 18 da tabela periódica, que existem na natureza de
maneira isolada – sem se ligarem com nenhum outro átomo.

Por existirem isoladamente na natureza, diz-se que estes gases são compostos estáveis. Assim,
surge o questionamento do porquê esses gases, formadores de um pequeno grupo, são estáveis sem
precisarem se ligar à outros, enquanto a grande maioria das substancias químicas é formada pela
ligação entre os mais diversos tipos de elementos.

Surge, então, um dos modelos que busca explicar o porquê dos átomos se ligarem uns aos outros: o
modelo do octeto.

O hidrogênio e o oxigênio se combinam para formar a água; já o gás hélio, um gás de baixa
densidade utilizado em balões, existe na natureza isolado.

MODELO DO OCTETO

O modelo do octeto está relacionado à estabilidade de um gás nobre. Os gases nobres, com exceção
do hélio, que se estabiliza com dois elétrons, apresentam a última camada completamente
preenchida, com oito elétrons.
Assim, a principal ideia do modelo do octeto é que um átomo se liga à outro(s) a afim de alcançar a
estabilidade de um gás nobre, ou seja, oito elétrons na camada de valência. A configuração eletrônica
alcançada, após as ligação(ões) será sempre similar à do gás nobre do mesmo período em que o
elemento se encontra.

Exemplos:

1H 1s1 (1 elétron na camada de valência)

2He 1s2 (2 elétrons na camada de valência)

O hidrogênio tende a realizar ligações químicas a fim de se estabilizar, alcançando a configuração


eletrônica similar à do hélio, com a última (e nesse caso, única) camada completamente preenchida.

⁸O 1s2 2s2 2p4 (6 elétrons na camada de valência)

10Ne 1s2 2s2 2p6 (8 elétrons na camada de valência)

O oxigênio tende a realizar ligações químicas a fim de se estabilizar, alcançando configuração


eletrônica similar à do gás nobre neônio.

EXCEÇÕES AO MODELO DO OCTETO

Alguns elementos, em determinadas situações, realizam ligações químicas formando compostos que
não podem ser explicados segundo o modelo do octeto.
O boro , por exemplo, se estabiliza com seis elétrons na camada de valência.
Exemplo: BF3

O fósforo, em alguns compostos, pode atingir 10 elétrons na última camada.


Exemplo: PCl5.

Já o berílio se estabiliza com apenas 4 elétrons na camada de valência.


Exemplo: BeF2

O CONCEITO DE VALÊNCIA

Na Química, a valência de um átomo expressa a quantidade de elétrons que um átomo é capaz de


ceder, receber ou compartilhar. A valência expressa, então, a capacidade de átomos se combinarem
uns com os outros, de maneira quantitativa.

Um elemento pode ser mono, bi, tri ou tetravalente. O hidrogênio, por exemplo, é monovalente, pois
ao se ligar com outro átomo, é capaz de receber ou compartilhar um elétron.

A valência de um elemento pode ser determinada analisando a camada de valência, a partir de sua
distribuição eletrônica, ou, no caso dos elementos representativos, analisando a localização na tabela.

Exemplos:

7N 1s2 2s2 2p3

O nitrogênio é trivalente, uma vez que necessita de mais três elétrons para alcançar a estabilidade,
segundo o modelo do octeto.

11Na 1s2 2s2 2p6 3s1

O sódio é monovalente, uma vez que necessita perder um elétron para alcançar a estabilidade.

TIPOS DE LIGAÇÃO
LIGAÇÃO IÔNICA

Neste tipo de ligação ocorre a transferência definitiva de elétrons, que pode ser caracterizada pela
perda de elétrons por uma espécie, e pelo recebimento de elétrons por outra.

O valor numérico da carga é determinado pela valência de cada átomo.

Assim, a ligação é formada a partir da atração eletroestática, ou seja, atração entre cargas opostas de
um cátion e de um ânion.

Exemplo: Na formação do cloreto de sódio, sal de cozinha, o sódio perde um elétron, formando o
cátion sódio, Na+, e o cloro ganha um elétron, formando o ânion Cl–.

11Na 1s2 2s2 2p6 3̶s̶1̶


17Cl 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5+1

Aglomerado iônico: Na+Cl*

De maneira geral, pode-se dizer que este tipo de ligação ocorre majoritariamente entre um metal e um
ametal. Porém, uma ligação só pode ser denominada iônica quando a diferença de eletronegatividade
entre os átomos participantes da ligação for maior que 1,7.

Os aglomerados iônicos apresentam alto ponto de fusão e ebulição, são sólidos a temperatura
ambiente, e, quando em meio aquoso ou fundidos, conduzem corrente elétrica.

Exemplo:

O AlCl3 é um composto formado por um metal e um ametal. Porém, a ligação não será iônica, uma
vez que a diferença de eletronegatividade entre os dois elementos é 1,55, ou seja, menor que 1,7.

LIGAÇÃO COVALENTE

Neste tipo de ligação ocorre o compartilhamento de par(es) de elétrons entre os átomos, uma vez que
estes necessitam receber elétrons para alcançar a estabilidade. Na formação deste par de elétrons,
cada átomo contribui com um elétron para formar o par. Com o compartilhamento de elétrons haverá
a formação de uma molécula, e não mais de um aglomerado iônico.

Exemplo:

Na formação da molécula de água, o oxigênio compartilha um par de elétrons com cada átomo de
hidrogênio.

A molécula de água é representada por H²O

A ligação covalente é representa por um traço, que indica um par de elétrons. De maneira geral,
pode-se dizer que a ligação covalente ocorre entre ametais, e entre ametais e hidrogênio, cuja
diferença de eletronegatividade é inferior à 1,7.

Os compostos covalentes apresentam baixos pontos de fusão e ebulição, em temperatura ambiente


podem estar no estado sólido, líquido ou gasoso e não são bons condutores de eletricidade.

OBSERVAÇÃO

O ácido fluorídrico é capaz de atacar materiais como o vidro. Sendo assim, seu armazenamento deve
se dar em recipientes de plástico. Sua fórmula molecular e HF, e, apesar da diferença de
eletronegatividade entre o átomo de flúor e de hidrogênio ser maior que 1,7, a ligação é do tipo
covalente.

LIGAÇÃO COVALENTE COORDENADA


(OU DATIVA)

Este tipo de ligação ocorre com o compartilhamento de um par de elétrons formado por um único
átomo, já estabilizado. Para que este tipo de ligação ocorra, é necessária a presença de par de
elétrons livres (não ligantes).

Exemplo:

Na molécula de SO2 o enxofre já se estabiliza ao compartilhar dois pares de elétron com um dos
átomos de oxigênio. Assim, por estar restando um átomo de oxigênio não estabilizado, o enxofre, por
apresentar par de elétrons livres compartilha um par inteiro com o último oxigênio.

A ligação covalente coordenada também é representada por um traço. Porém, é comum encontrá-la
sendo representada por uma seta.

TIPOS DE REPRESENTAÇÃO

Os aglomerados iônicos e os compostos covalentes podem ser representados de diferentes maneiras.

Aglomerados iônicos:

• Íon-fórmula: MgCl2

• Fórmula eletrônica de Lewis:

Compostos covalentes:

• Fórmula molecular: H2
SO4

• Fórmula eletrônica de Lewis: • Fórmula eletrônica de Lewis:


• Fórmula estrutural plana:

LIGAÇÃO METÁLICA

Os metais, por apresentarem baixa eletronegatividade, tem tendência a perderem elétrons. Segundo
a teoria do Teoria do Mar de Elétrons, a ligação entre metais ocorre com a perda de elétrons de
valência por partes destes e posterior formação de um “mar de elétrons livres”, que mantém os
átomos metálicos sempre unidos.

Porém, por mais que estejam presos à estrutura metálica, os elétrons apresentam elevada
mobilidade. Por essa razão, os aglomerados metálicos apresentam características específicas, tais
como elevados pontos de fusão e ebulição e elevada condutibilidade elétrica e térmica.

POLARIDADE E GEOMETRIA MOLECULAR


Na ligação iônica, os átomos envolvidos apresentam cargas definitivas, uma vez que há transferência
definitiva de elétrons. Dessa maneira, diz-se que ocorre a formação de polos. Mas, na ligação covalente, a
formação de polos está diretamente ligada à eletronegatividade dos átomos envolvidos.

A polaridade também pode estar associada às moléculas em si, o que auxilia na compreensão da
geometria das moléculas, que é a forma como se organizam no espaço, e na compreensão de
propriedades como a solubilidade.

A água e o óleo não serem solúveis pode ser explicada pela polaridade

POLARIDADE DA LIGAÇÃO

A diferença de eletronegatividade entre os átomos envolvidos em uma ligação covalente leva à


formação de polos. Em uma ligação, o átomo mais eletronegativo atrai os elétrons da ligação para
mais perto de si, adquirindo carga parcial negativa, enquanto o outro, menos eletronegativo, adquire
uma carga parcial positiva. Assim, a ligação é classificada como polar.

Exemplo:
Quando a ligação envolve dois átomos iguais, a diferença de eletronegatividade é nula. Assim, não
ocorre a formação de polos, e a ligação é classificada como apolar.

Exemplo:

H–H

POLARIDADE DAS MOLÉCULAS

A polaridade das moléculas é determinada a partir do momento dipolar, que é a medida de da


polaridade de uma ligação química. Cada ligação tem seu próprio momento dipolar, representado por
um vetor. O momento dipolar resultante é a soma de todos os vetores gerados por cada ligação
covalente da molécula.

O momento dipolar pode ser diferente de zero, ou igual a zero. Quando é igual a zero, classifica-se a
molécula como apolar.

Exemplo:

μᴿ = 0 molécula apolar

Observe que na molécula de CO2, há duas ligações idênticas, C = O. Assim, os vetores são iguais, e
por isso, se anulam, sendo o momento dipolar resultante igual a 0. Logo, a molécula de CO2 é
classificada como apolar.

Quando o momento dipolar resultante é diferente de zero, classifica-se a molécula como polar.

Exemplo:
SOLUBILIDADE

A solubilidade é uma propriedade relacionada à tendência de uma substância em ser dissolver


espontaneamente em outra. De maneira geral, diz-se que dissolve semelhante, ou seja: solutos
polares se dissolvem em solventes polares, e solutos apolares se dissolvem em solventes apolares.

A partir dessa máxima, entende-se, portanto, que um soluto apolar não se dissolveria em um solvente
polar, e vice-versa.

Exemplos: a água é polar, e assim, não dissolve em óleo, que é a apolar. Mas água se dissolve em
NaCl, pois ambos são polares.

GEOMETRIA MOLECULAR

As moléculas se organizam de diferentes maneiras no espaço. Essa organização espacial é chamada


de geometria molecular. A geometria molecular é determinada a partir da quantidade de átomos
formadores da molécula, bem como na existência de par(es) de elétron(s) livres no átomo central.

TEORIA DA REPULSÃO DOS PARES ELETRÔNICOS

Essa teoria percebe os pares eletrônicos do átomo central, sendo eles ligantes ou não, como nuvens
eletrônicas que se repelem. Assim, devido à essa força de repulsão, os pares eletrônicos tendem a
manter a maior distância possível. Essa distância se manifesta na forma de ângulos, que acabam por
conferir uma disposição espacial para esses átomos, que é chamada de geometria molecular.

TIPOS DE GEOMETRIA

Linear: apresentam esta geometria todas as moléculas formadas por dois átomos, independente de
quais sejam. Moléculas que apresentam três átomos, sem que o átomo central apresente par de
elétrons livres também irão apresentar geometria linear.

Exemplo:

Cl² Cl – Cl CO² O=C=O

Angular: apresentam esta geometria todas as moléculas formadas por três átomos, onde o central
possui par de elétrons livres. A geometria tenderia a ser linear, mas, por conta da repulsão, os pares
de elétrons tendem a ficar mais afastados da ligação.

Exemplos:
Trigonal plana: apresentam esta geometria todas as moléculas formadas por quatro átomos, onde o
central não apresenta par de elétrons livres.

Exemplos:

Piramidal: apresentam esta geometria todas as moléculas formadas por quatro átomos, onde o
central apresenta par de elétrons livres.

Exemplos:

Tetraédrica: apresentam esta geometria todas as moléculas formadas por cinco átomo

Exemplos:

Octaédrica: apresentam esta geometria todas as moléculas formadas por sete átomos.

Exemplo:

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando que os átomos ao redor do átomo central sejam iguais, tem-se que:

Nos casos de moléculas apolares onde ao menos um ligante ao redor do átomo central for diferente
dos demais, a molécula será polar.
INTERAÇÕES INTERMOLECULARES
Interações intermoleculares, também chamadas de forças intermoleculares, são forças de atração

entre as moléculas, responsáveis por mantê-las unidas, e, assim, determinar o estado físico em

que a substância formada por tais moléculas se encontra.

Basicamente, as forças intermoleculares atuam em moléculas no estado sólido e líquido, uma vez que

no gasoso as moléculas se encontram tão afastadas que as interações são praticamente inexistentes.

A intensidade das interações intermoleculares determina o estado físico em que as

substâncias se encontram

TIPOS DE FORÇAS INTERMOLECULARES


DIPOLO INDUZIDO-DIPOLO INDUZIDO

Também chamadas de ligações de Van der Waals ou forças de London, são as interações mais

fracas, e são características de moléculas apolares.

Exemplo: O iodo, I2, é uma molécula apolar. Assim, suas moléculas interagem por dipolo induzido.

Como essa interação é extremamente fraca, cristais de iodo tendem a sublimar, ou seja, passar da

fase sólida para a gasosa.

DIPOLO-DIPOLO

Conhecidas também como dipolo permanente, são forças de natureza elétrica, típicas de moléculas

polares. Ocorrem a partir da atração entre a extremidade negativa do dipolo de uma molécula com a

extremidade positiva do dipolo de outra.

Exemplo: as moléculas de HCl interagem por dipolo-dipolo.


LIGAÇÕES DE HIDROGÊNIO

São forças de natureza elétrica de maior intensidade que as do tipo dipolo-dipolo. Ocorrem em

moléculas polares a partir da interação entre hidrogênio de uma molécula, H, com átomos muito

eletronegativos, F, O e N, de outra molécula.

Exemplo: as moléculas de água, H2O, interagem entre si mediante ligações de hidrogênio.

ÍON DIPOLO

É atração que ocorre entre íons e algum polo oriundo de uma molécula polar, que, geralmente, é a

água. É um tipo de interação de elevada intensidade.

Exemplo: o sal de cozinha, NaCl, quando dissolvido em água, tem a interação de seus íons com os

dipolos da água por meio de interações do tipo íon dipolo.

INTENSIDADE DAS FORÇAS INTERMOLECULARES

As forças intermoleculares podem ser agrupadas de acordo com suas intensidades, o que auxilia no

estudo das propriedades das substâncias e no conhecimento dos estados físicos em que as

substâncias se encontram. É importante frisar que sem a ocorrência dessas interações só existiria

matéria no estado gasoso. A ordem decrescente de força das interações é:

Íon dipolo > Ligação de Hidrogênio > Dipolo-dipolo > Dipolo induzido-dipolo induzido

PONTOS DE FUSÃO E EBULIÇÃO

As mudanças de estado físico ocorrem mediante a ruptura ou formação de interações

intermoleculares. Pode-se dizer que quanto mais forte a intensidade da interação, mais difícil de ser
rompida, ou seja, maior a demanda energética e, consequentemente maior o ponto de fusão e

ebulição da substância.

O inverso também é válido, ou seja, quanto mais fraca a intensidade da interação intermolecular, mais

fácil de ser rompida, ou seja, menor a demanda energética, e, consequentemente, menor o ponto de

fusão e ebulição da substância.

Exemplo: quando uma pedra de gelo passa pelo processo de fusão, a maior parte das ligações de

hidrogênio são rompidas.

NÚMEROS DE OXIDAÇÃO
O número de oxidação, ou NOx, pode ser definido como a carga total ou parcial que um átomo
assume em uma ligação química. Os elementos podem ter número de oxidação fixo ou variável.
Nesta última condição, o NOx dos elementos deve ser calculado.

NÚMEROS DE OXIDAÇÃO FIXOS

Alguns elementos apresentam número de oxidação fixo. São eles:

O hidrogênio, quando presente em hidretos, assume NOx negativo igual a 1. O oxigênio, na presença
dos chamados peróxidos, tais como K2O2 ou H2O2, assume NOx igual a -1. Já nos chamados
superóxidos, tais como CaO4 e Na2O4, o oxigênio apresenta NOx igual a -1/2.

Vale ressaltar que substâncias simples, tais como N2, O2, Fe(s), apresentam NOx fixo igual a zero. Já
nos íons simples, tais como S2- e Cl-, o NOx é igual a própria carga do íon.

CÁLCULO DO NÚMERO DE OXIDAÇÃO

Para calcular o número de oxidação de um dado elemento presente em um composto, segue-se os


seguintes passos:
1. Determinar se a molécula é neutra ou um íon. No caso de a molécula ser neutra, a soma dos NOx
de todos os elementos será igual a zero. No caso dos íons, será igual a carga do íon;

2. Chamar o NOx que se deseja calcular de x;

3. Identificar os demais NOx dos elementos presentes;

4. Montar a equação e solucioná-la.

Exemplo:

Na2CO3

O sódio, Na, pertence ao grupo 1 da tabela periódica. Logo, apresenta NOx igual a +1. Já o oxigênio
apresenta NOx igual a -2. Assim, chamando o NOx do carbono de x e considerando que trata-se de
uma substância neutra, tem-se que:

2(+1) + x + 3(-2) = 0
x=–2+6=+4

Logo, o NOx do carbono é igual a +4.

Exemplo:

SO42-

O oxigênio apresenta NOx igual a -2. Assim, chamando o NOx do enxofre, S, de x e considerando
que se trata de um íon, tem-se que:

x + 4(-2) = – 2
x=–2+8=+6

Exemplo:

K2Cr2O7

O potássio, K, pertence ao grupo 1 da tabela periódica. Logo, apresenta NOx igual a +1. Já o oxigênio
apresenta NOx igual a -2. Assim, chamando o NOx do cromo de x e considerando que trata se de
uma substância neutra, tem-se que:

2(+1) + 2x + 7(-2) = 0
2x = – 2 + 14
x=+6

NÚMERO DE OXIDAÇÃO EM COMPOSTOS ORGÂNICOS


NOX A PARTIR DA ELETRONEGATIVIDADE

O carbono, principal constituinte das moléculas orgânicas pode apresentar diferentes números de
oxidação a depender dos átomos aos quais está ligado. Assim, calcula-se o NOx a partir da
eletronegatividade dos átomos envolvidos.

Exemplo: no composto a seguir, o carbono ligado ao cloro está ligado também à um átomo de
hidrogênio e a dois átomos de carbono:
O cloro é mais eletronegativo que o carbono, logo, considerando apenas essa ligação, o carbono
analisado assume carga +1. O carbono é mais eletronegativo que hidrogênio, logo, considerando
apenas essa ligação, o carbono apresenta NOx igual a -1. Considerando os dois átomos de carbono,
a diferença de eletronegatividade é igual a 0. Assim, o NOx do carbono assinalado é igual a +1 -1, ou
seja, igual a 0.

NOX MÉDIO

Outra maneira de calcular o NOx do carbono nessa molécula é fazendo o NOx da maneira
convencional. Porém, o valor obtido será o NOx médio do carbono, que não necessariamente será
igual ao do obtido individualmente para cada átomo de carbono da molécula.

A fórmula molecular do composto 2-cloro-butano é C4H10Cl. Nesse composto o NOx do carbono será
igual a x, o nox do hidrogênio é igual a +1 e o nox do cloro é igual a -1 (só é diferente de -1 quando há
oxigênio no composto). Considerando-se que a molécula é neutra, tem-se que:

4x + 10(+1) – 1 = 0
4x = – 10 +1
x = – 9/4

Esse valor considera a soma do NOx de todos os átomos de carbono da molécula, dividido por 4. Por
essa razão, chama-se NOx médio.

FUNÇÕES INORGÂNICAS: BASES


A partir das ideias de Arrhenius, definiu-se como base inorgânica toda substância que, em meio
aquoso, se dissocia, liberando íons hidroxila, OH- no meio.

Exemplo:
Mg(OH)² > Mg²⁺ + 2 OH

As bases são identificadas pela presença do grupo hidroxila ao final da fórmula. Um outro exemplo é
o NaOH, conhecido popularmente como soda cáustica, uma base extremamente corrosiva quando em
altas concentrações. A soda cáustica é utilizada como desentupidor de pias.
As bases são formadas pelo íon hidroxila e por um metal. Existe uma única base não formada por um
metal, que é o NH4OH. Essa base é formada a partir da reação da amônia com a água:

NH³+ H²O ⇌ NH⁴OH

CLASSIFICAÇÕES

As bases podem ser classificadas quanto a:

QUANTIDADE DE HIDROXILAS

• Monobases: possuem apenas uma hidroxila na fórmula.

Exemplos: NaOH e CuOH.

• Dibases: possuem duas hidroxilas na fórmula.

Exemplos: Ba(OH)² e Fe(OH)².

• Tribases: possuem três hidroxilas na fórmula.

Exemplos: Al(OH)³ e Fe(OH)³.

• Tetrabases: possuem quatro hidroxilas na fórmula.

Exemplos: Sn(OH)⁴ e Pb(OH)⁴.

SOLUBILIDADE EM ÁGUA

As bases contendo metais do grupo 1 e o NH4OH são solúveis em água, como por exemplo, NaOH e
LiOH. Já as bases do grupo 2 são solúveis, mas apresentam algumas exceções, tais como Mg(OH)² e
Be(OH)² que são insolúveis. As demais bases são insolúveis.

FORÇA

A força de uma base está relacionada à sua dissociação. Quanto maior a quantidade de íons hidroxila
no meio, mais forte a base. As bases fortes são formadas por metais alcalinos e metais alcalinos
terrosos, com exceção das bases Mg(OH)2 e Be(OH)2, que são insolúveis. As demais bases são
fracas.

Exemplo:

NaOH e Ca(OH)², bases formadas por metais do grupo 1 e 2, respectivamente, são classificadas
como fortes. Já Ni(OH)² e Fe(OH)³, por exemplo, são bases formadas por metais de transição, e,
portanto, são bases classificadas como fracas.
Nomenclatura:

A nomenclatura das bases, quando comparada às demais funções inorgânicas, é mais simples. É
dada por:

Hidróxido + nome do metal (ou cátion amônio, NH⁴+)

Exemplos:

NaOH: hidróxido de sódio

Mg(OH)²: hidróxido de magnésio

Ca(OH)²: hidróxido de cálcio

NH⁴OH: hidróxido de amônio

Caso a base seja formada por um metal de número de oxidação variável, deve-se adicionar o número
de oxidação do metal ao final do nome, em romanos.

Exemplos:

Fe(OH)²: hidróxido de ferro II e Fe(OH)³: hidróxido de ferro III

CuOH: hidróxido de cobre I e Cu(OH)²: hidróxido de cobre II

Ni(OH)²: hidróxido de níquel II e Ni(OH)⁴: hidróxido de níquel IV

Outra nomenclatura viável para as bases é utilizar os sufixos “ico” para indicar a base cujo metal tem
o maior NOx, e “oso” para indicar a base cujo metal tem o menor NOx.

Exemplos:

Pb(OH)²: hidróxido plumboso

Pb(OH)⁴: hidróxido plumbico

Sn(OH)²: Hidróxido Estanoso

Sn(OH)⁴: Hidróxido Estânico

FUNÇÕES INORGÂNICAS – ÁCIDOS


Aprenda sobre a Classificação dos Ácidos.

A partir das ideias de Arrhenius, definiu-se como ácido inorgânico toda substância que, em meio
aquoso, se ioniza, produzindo íons hidrônio, H3O+ ou H+ no meio. Na formação do íon H+, há o
rompimento de ligações covalentes.

Exemplo:

HCl + H2O > H3O+ + Cl*

Para fins didáticos, simplifica-se o cátion hidrônio para H+, subentendendo-se que a água participa do
processo:
HCl > H+ + Cl

CLASSIFICAÇÕES

Os ácidos podem ser classificados quanto a (o)

PRESENÇA E AUSÊNCIA DE OXIGÊNIO NA FÓRMULA

• Hidrácidos: não apresentam oxigênio na fórmula.

Exemplos: HCN, H2S e HI.

• Oxiácidos: apresentam oxigênio na fórmula.

Exemplos: HClO, HBrO2 e H2SO3

NÚMERO DE HIDROGÊNIOS IONIZÁVEIS

Um hidrogênio presente em um ácido só é considerado ionizável se estiver ligado à um átomo de


oxigênio. Já nos casos dos hidrácidos, todos os hidrogênios são ionizáveis. Assim:

• Monoácidos: apresentam 1 hidrogênio ionizável.

Exemplos: HBr e HNO3.

• Diácidos: apresentam 2 hidrogênios ionizáveis.

Exemplos: H2SO4 e H2CO3.

• Triácidos: apresentam 3 hidrogênios ionizáveis.

Exemplos: H3PO4 e H3BO3.

• Tetrácidos: apresentam 4 hidrogênios ionizáveis.

Exemplos: H4P2O7 e H4SiO4.

Nem sempre a quantidade de hidrogênios presentes na fórmula indica a quantidade de hidrogênios


ionizáveis. Ácidos como H3PO3, H3AsO3 e H3SbO3 apresentam apenas dois hidrogênios ionizáveis.
Ácidos como o H3PO2, H3AsO2 e H3SbO2 apresentam apenas um hidrogênio ionizável.

A FORÇA

Nos hidrácidos, são ácidos fortes apenas HCl, HBr e HI. O HF é moderado. Os demais hidrácidos são
fracos.
No caso dos oxiácidos, a força pode ser determinada a partir da diferença do número de oxigênios e
hidrogênios:

X = nº de átomos de O – nº de átomos de H

Assim, se
X = 0, o ácido será fraco;
X = 1, o ácido será moderado;
X ≥ 2, o ácido será forte.

Exemplos:

HClO4:
X = 4 – 1 = 3 ÁCIDO FORTE

H3PO3
X = 3 – 3 = 0 ÁCIDO FRACO

Vale salientar que o ácido carbônico, H2CO3, é uma exceção à esse método, uma vez que é um
ácido instável: ele tende a se decompor em gás carbônico e água. Assim, é classificado como um
ácido fraco.

H2CO3 ⇌ CO2 + H2O

Nomenclatura:

A nomenclatura dos hidrácidos e dos oxiácidos serão diferentes:

Hidrácidos:

ÁCIDO + nome do elemento + ÍDRICO

Exemplos:

HCl: ácido clorídrico

H2S: ácido sulfídrico

Há casos onde se leva em consideração o nome do ânion


como no HCN, o ácido cianídrico.

Oxiácidos:

ÁCIDO + nome do elemento + ICO ou OSO

O sufixo ICO será utilizado para os ácidos onde o NOx do elemento central for o maior, e o OSO para
os casos onde o NOx do elemento for o menor.

Exemplo:

H2SO4: ácido sulfúrico, pois NOx do enxofre é igual a +6

H2SO3: ácido sulforoso, pois NOx do enxofre é igual a +4

Há casos onde se faz necessário a utilização de prefixos na nomenclatura, como no caso dos
elementos do grupo 17. Isso ocorre pois esses elementos apresentam quatro números de oxidação
possíveis.
HClO: ácido hipocloroso, pois NOx = +1;

HClO2: ácido cloroso, pois NOx = + 3

HClO3: ácido clórico, pois NOx = + 5

HClO4: ácido perclórico, pois NOx = + 7

A tabela a seguir, do número de oxidação das famílias, pode ser levada em consideração para auxiliar
no processo de dar nomes:

Certos elementos formam vários oxiácidos que diferem entre si, não pelo NOx do elemento central, e
sim pelo chamado grau de hidratação, que indica a quantidade de água envolvida na formação do
oxiácido. Neste caso, usam-se os prefixos:

Exemplos:

• H3PO4 – ácido ortofosfórico


P2O5 + 3H2O → H6P2O8 → 2H3PO4

• H4P2O7 – ácido pirofosfórico


P2O5 + 2 H2O → H4P2O7

O prefixo orto é opcional, assim: H3PO4 pode ser chamado de ácido fosfórico ou ácido ortofosfórico.

FUNÇÕES INORGÂNICAS: SAIS


A partir das ideias de Arrhenius, definiu-se sais inorgânicos como toda substância que, em meio

aquoso, se dissocia liberando pelo menos um cátion diferente de H+ e um ânion diferente de OH-.

Exemplo:

NaCl ➜ Na+ + Cl-

O sal de cozinha é o cloreto de sódio, NaCl.


Sais são formados por reações de neutralização, a partir da reação entre um ácido e uma base. Além

do sal como produto, tem-se também a água.

Exemplo:

Ba(OH)2 + HNO3 > Ba(NO3)2 + H2O

OBSERVAÇÃO

Apesar do nome da reação de formação de sais ser neutralização, nem todo sal terá caráter neutro.

Existem sais que apresentam caráter ácido, e sais que apresentam caráter básico, como é o caso do

carbonato de cálcio. Esse sal é muito utilizado no processo denominado calagem, que consiste na

correção do pH do solo, e no consequentemente aumento da concentração de íons cálcio e redução

de íons alumínio no solo para que as culturas se desenvolvam dentro do esperado.

CLASSIFICAÇÃO

Os sais podem ser classificados de acordo com suas fórmulas:

Sal neutro: não apresenta H nem OH na fórmula.

Exemplo: NaBr.

Sal ácido: resultado da neutralização parcial, apresenta H na fórmula.

Exemplo: KHSO4

Sal básico: resultado da neutralização parcial, apresenta OH na fórmula.

Exemplo: Mg(OH)Cl.

Sal duplo (ou misto): apresenta mais de um tipo de cátion ou ânion em sua estrutura.

Exemplo: NaK(SO4)

Sal hidratado: apresenta moléculas de água no retículo cristalino.


Exemplo: CuSO4 · 2H2O.

NOMENCLATURA

É possível determinar a nomenclatura de sais é dada em função dos ácidos e bases que os

formaram. Os ácidos irão ser os responsáveis pelo sufixo, enquanto os nomes dos metais (ou cátion

amônio) comporão a parte final do nome:

Nome do elemento + sufixo + de + nome do metal (ou cátion amônio)

O sufixo pode ser determinado a partir do sufixo do ácido que deu origem ao sal:

Exemplos:

De maneira simplificada e conhecendo-se o nome dos ânions, pode-se nomear sais inorgânicos do

seguinte modo:

Nome do ânion + de + nome do metal (ou cátion amônio)

A lista dos principais ânions é dada a seguir:

Vale ressaltar que, como ocorre com as bases, se o metal formador do sal tiver número de oxidação

variável, o NOx que este metal está assumindo no sal deve ser indicado em números romanos ao

final da nomenclatura.
Exemplo:

CuCl: cloreto de cobre I

Fe3(PO3)2: fosfito de ferro II

Alguns sais também podem apresentar nomes com algumas diferenças. No caso dos sais ácidos,

deve-se utilizar o prefixo hidrogeno indicando a presença de H na fórmula. Já no caso dos sais

básicos, utiliza-se o prefixo hidroxi indicando a presença de OH na fórmula.

Exemplos:

NaHCO3: hidrogeno carbonato de sódio

BaOHCl: hidroxi cloreto de bário

Outra possibilidade para o caso dos sais ácidos é utilizar o prefixo “bi” no lugar de “hidrogeno”; e outra

para o caso dos sais básicos é a palavra “básico” acompanhada do prefixo indicando quantos OH

estão na fórmula no lugar de “hidroxi”

Exemplos:

NaHCO3: bicarbonato de sódio

BaOHCl: cloreto monobásico de bário

Sais hidratados irão apresentar, ao final do nome, o prefixo indicando a quantidade de água contida

seguido de hidratado.

Exemplo:

Al2(SO4)3 · 5 H2O: sulfato de alumínio pentahidratado

SOLUBILIDADE

Os sais podem ser solúveis em água, dissolvendo-se e formando um sistema homogêneo, ou

insolúveis, formando um sistema heterogêneo. Para determinar a solubilidade de um sal, deve-se

atentar para o cátion e para o ânion que os forma. Assim:


FUNÇÕES INORGÂNICAS – ÓXIDOS
Óxidos são compostos binários onde o oxigênio está na forma O2- ligado à um elemento menos
eletronegativo que ele. Um dos componentes do ar atmosférico, CO2, o gás carbônico, é
classificado como óxido, assim como um dos componentes da areia, a sílica, SiO2. Compostos
binários como o OF2 e O2F2 não são classificados como óxidos, uma vez que o flúor é mais
eletronegativo que ele.

CLASSIFICAÇÕES E NOMENCLATURA

Os óxidos podem ser classificados a partir da reação com a água.

ÓXIDOS BÁSICOS

Apresentam caráter iônico acentuado e reagem com a água produzindo bases. Podem reagir também
com ácidos, produzindo sal e água no processo. No geral, são formados por metais cujo número de
oxidação é igual a +1 e +2 e pelo Bi3+.

Exemplo:
Na2O + H2O ⇾ 2 NaOH
Na2O + HCl ⇾ NaCl + H2O

Nomenclatura:

Óxido de + nome do metal

Exemplo:

Na2O: óxido de sódio

CaO: óxido de cálcio

Quando o elemento ligado ao oxigênio apresentar mais de um óxido possível, pode-se utilizar prefixos
(mono, di, tri etc.) indicando o número de cada um dos átomos que compõem a fórmula do óxido.

Exemplo:
CuO: monóxido de monocobre

Cu2O: dióxido de monocobre

ÓXIDOS ÁCIDOS

Também chamados de anidridos, apresentam caráter covalente acentuado e reagem com água
produzindo ácido. Podem reagir também com bases, produzindo sal e água no processo. No geral,
são formados por metais cujo número de oxidação é igual a +6 e +7, e por ametais.

Exemplos:

CO2 + H2O ⇾ H2CO3

CO2 + 2 NaOH ⇾ Na2CO3 + H2O

Nomenclatura:

Uma das maneiras de nomear um óxido implica em utilizar a nomenclatura de anidridos:

Anidrido + nome do elemento + sufixo ICO ou OSO

A utilização dos sufixos irá ser idêntica à dos ácidos, sendo o sufixo “ico” relativo ao maior número de
oxidação do elemento, e o “oso” ao menor.

Exemplos:

SO3: anidrido sulfúrico

SO2: anidrido sulforoso

A utilização dos prefixos mono, di, tri etc. também pode ser feita com demais óxidos tais como os
anidridos:

N2O5: pentóxido de dinitrogênio

N2O3: trióxido de dinitrogênio

ÓXIDOS ANFÓTEROS

São óxidos que, na presença de ácido forte, atuam como óxidos básicos e na presença de bases
fortes, atuam como óxidos ácidos. No geral, são formados por metais cujo número de oxidação é igual
a +3 e +4, e pelas espécies químicas Zn2+, Pb2+ e Sn2+.

Exemplos: ZnO, Al2O3, SnO, SnO2, PbO, PbO2, Cr2O3, MnO2, Fe2O3.

Nomenclatura

Ambas as possibilidades já descritas podem ser utilizadas para nomear óxidos anfóteros, e, além
delas, é possível a utilização do número de oxidação ao final da nomenclatura.

Exemplo:

SnO: óxido de estanho II

SnO2: óxido de estanho IV


OBSERVAÇÃO

Quando um metal forma vários óxidos, é interessante notar que o caráter do óxido passa,
gradativamente, de básico para anfótero e depois para ácido, à medida que o NOx do metal vai
crescendo:

ÓXIDOS NEUTROS

São óxidos que não reagem com a água, nem com outros óxidos.

Exemplos: CO, NO e N2O.

ÓXIDOS DUPLOS

também chamados de mistos ou salinos, são óxidos que foram formados a partir da reação entre dois
outros óxidos. Apresentam fórmula geral X3O4, onde X é um metal. Nesses óxidos, o metal apresenta
número de oxidação médio igual a +8/3.

Exemplo:

FeO + Fe2O3 ⇾ Fe3O4

2 PbO + PbO2 ⇾ Pb3O4

Nomenclatura:

Além da nomenclatura a seguir, também é possível utilizar os sufixos “ico” ou “oso” para nomear
óxidos duplos.

Óxido salino de + nome do elemento

Exemplos:

Mn3O4: óxido salino de manganês ou óxido manganoso-mangânico.

Fe3O4: óxido salino de ferro ou óxido ferroso-férrico.

PERÓXIDOS:

São substâncias que apresentam o oxigênio na forma O-1. Podem ser formados pela ligação entre o
oxigênio e hidrogênio, metais alcalinos e metais alcalinos terrosos.

Nomenclatura:

Peróxido de + nome do elemento

Exemplos:

H2O2: peróxido de hidrogênio

Na2O2: peróxido de sódio

CaO2: peróxido de cálcio


SUPERÓXIDOS

São substâncias que apresentam o oxigênio na forma O-1/2. Podem ser formados pela ligação entre
o oxigênio e um metal.

Nomenclatura:

Superóxido de + nome do elemento

Exemplos:

Na2O4: superóxido de sódio

BaO4: superóxido de bário

REAÇÕES QUÍMICAS – PRINCIPAIS CASOS


Nas chamadas reações químicas, substâncias iniciais, chamadas reagentes, interagem entre si a
partir de choques, tendo suas ligações rompidas levando à um rearranjo que dá origem a novas
substâncias, que podem ser moléculas ou átomos. As substâncias finais são chamadas de
produtos.

De maneira geral, uma reação química pode ser descrita como:

REAGENTES ⇾ PRODUTOS

Vale ressaltar que é possível que se tenha como reagente apenas uma única substância, assim como
é possível formar apenas um único produto.

O bicarbonato de sódio, presente no fermento químico utilizado em bolos e pães participa de


uma reação química levando a produção de gás carbônico o que aumenta o volume da massa.

A reação de formação da água pode ser representada por uma equação química:

H2 + ½ O2 ⇾ H2O

Observe que, nessa reação, gás hidrogênio e gás oxigênio são reagentes. As moléculas interagem
entre si e se rearranjam, formando a água como produto.

SIMBOLOGIA DAS REAÇÕES QUÍMICAS

Algumas reações podem apresentar certos símbolos, que podem indicar estados físicos, formação de
precipitados, gases ou até mesmo informar as condições do meio reacional:

Indicação do estado físico: sólido (s); líquido (l); gasoso (g); aquoso (aq) e vapor (v).

Desprendimento de gás: ↑

Precipitação: ↓
Aquecimento: ∆

Ocorrência de reações reversíveis: ⇌

CLASSIFICAÇÃO DE REAÇÕES

Algumas reações podem ser classificadas de acordo com o tipo e a quantidade de reagentes e
produtos que participam da reação.

SÍNTESE

Também chamada de adição, ocorre quando duas ou mais substâncias reagem, produzindo uma
única substância mais complexa.

Divide-se em:

Total

Quando partimos apenas de substâncias simples.

A2 + B2 → 2 AB

Exemplos:

S + O2 → SO2

H2 + Cl2 → 2 HCl

Parcial

Quando, dentro dos reagentes, houver substâncias compostas.

AB + ½B2 → AB2

Exemplos:

CaO + H2 O→ Ca(OH)2

CO + ½ O2→ CO2

ANÁLISE

Também chamada de decomposição, ocorre quando uma substância se divide em duas ou mais
substâncias mais simples.

AB → A + B

Exemplos:

2HgO → 2Hg + O2

Certas reações de análise recebem nomes especiais. São eles:

• pirólise: decomposição pelo calor;

• fotólise: decomposição pela luz;


• eletrólise: decomposição pela eletricidade.

O principal exemplo de pirólise é a decomposição do carbonato de cálcio (CaCO3) também chamada


de calcinação.

CaCO3 → CaO + CO2

Um exemplo de fotólise é a decomposição do peróxido de hidrogênio, a água oxigenada:

H2O2 → H2O + O2

Um exemplo de eletrólise é a formação de sódio metálico e gás cloro, a partir do cloreto de sódio:

2 NaCl(l) → 2 Na(s) + Cl2(g)

SIMPLES TROCA

Também chamada de decomposição, ocorre quando uma substância simples reage com uma
substância composta e “desloca”, desta última, um elemento que irá formar uma nova substância
simples.

A + BC → AC + B

Para que a reação ocorra, A tem que ser mais reativo que B. Dessa maneira, é necessário avaliar a
reatividade das espécies químicas envolvidas em uma reação química para determinar se esta irá ou
não ocorrer. Observe o quadro a seguir

Reatividade decrescente dos metais

Metais alcalinos > metais alcalinos terrosos > Al, Mn, Zn, Cr, Fe, Ni, Sn, Pb > H > Cu, Hg, Pt, Pd,
Ag, Au

Reatividade decrescente dos ametais

F > O > Cl > Br > I > S > C

Exemplos:

Fe + CuSO4 → FeSO4 + Cu (precip.)

Fe + 2HCl→ FeCl2 + H2

Como pode-se observar nos casos acima, o ferro é mais reativo que o cobre e o hidrogênio.

DUPLA TROCA

Quando duas substâncias compostas reagem entre si formando outras substâncias compostas
diferentes, devido à permutação de seus elementos ou radicais.

AB + CD → AD + CB

Exemplo:

HCl + NaOH → NaCl + H2O


BALANCEAMENTO DE EQUAÇÕES QUÍMICAS

Uma reação química deve estar correta sob pontos de vista qualitativos e quantitativos. Assim, além
das fórmulas químicas estarem corretas, devemos ter seus respectivos coeficientes corretos.

Sendo assim, acertar os coeficientes (ou balancear)uma reação química é igualar o número total de
átomos de cada elemento nos reagentes (1º membro) e nos produtos (2° membro).

Um dos métodos mais utilizados para o balanceamento de equações químicas é pelo método de
tentativas.

BALANCEAMENTO POR TENTATIVA

No método das tentativas, segue-se uma ordem de balanceamento em que se inicia pelos metais,
seguido dos ametais, carbono, hidrogênio e, por fim, oxigênio. Na ausência de qualquer um desses
elementos, apenas pula-se para o seguinte, sempre respeitando a ordem:

Metal
Ametal
Carbono
Hidrogênio
Oxigênio

Para conferir se um balanceamento foi realizado corretamente, conta-se os números de cada


elemento do lado dos reagentes, e do lado dos produtos. Caso esse valor seja igual para todos os
elementos presentes na equação, o balanceamento foi realizado corretamente.

Exemplos

• CaO + P2O5 → Ca3(PO4)2

Balancear o Ca (metal), seguido do P (ametal):

3 CaO + P2O5 → Ca3(PO4)2

Balancear o O:
Já está correto!

Resolução:

3 CaO + P2O5 → Ca3(PO4)2

• Al(OH)3 + H2SO4 → Al2(SO4)3 + H2O

Balancear o Al (metal), seguido do S (ametal):

Al: 2 Al (OH)3 + H2SO4 → Al2(SO4)3 + H2O


S: 2 Al (OH)3 + 3 H2SO4 → Al2(SO4)3 + H2O

H:
2 Al (OH)3 + 3 H2SO4 → Al2(SO4)3 + 6 H2O

O:
Já está correto!
Resposta:
2 Al (OH)3 + 3H2SO4 → Al2(SO4)3 + 6H2O

PRINCIPAIS TIPOS DE REAÇÕES QUÍMICAS


REAÇÕES DE NEUTRALIZAÇÃO ENVOLVENDO ÁCIDOS E BASES

Chamadas de reações de neutralização, podem ser parciais ou totais.

• Neutralização total: todos os hidrogênios do ácido são neutralizados pelas hidroxilas da base.

H2SO4 + 2NaOH → Na2SO4 + 2H2O

• Neutralização parcial do ácido: nem todos os hidrogênios do ácido são neutralizados, levando a
formação de sais ácidos.

H2SO4 + NaOH → NaHSO4 + H2O

• Neutralização parcial da base: nem todos as hidroxilas da base são neutralizadas, levando a
formação de sais básicos.

HCl + Ca(OH)2 → Ca(OH)Cl + H2O

REAÇÕES NOS ÓXIDOS

Óxidos podem reagir com a água, produzindo ácido ou base, podem reagir com ácidos e bases,
produzindo sal e água e podem reagir entre si, produzindo sal. Quando reagem com a água, tem-se
reações de hidratação; quando reagem produzindo sal, tem-se reações de neutralização.

• Hidratação:

Óxido ácido (anidrido) + água → ácido

SO3 + H2O → H2SO4

Óxido básico + Água → Base

Na2O + H2O → 2 NaOH

• Neutralização

Anidrido + base → sal + água

Cl2O5 + 2 NaOH → 2 NaClO3 + H2O

Óxido básico + ácido → sal + água

CaO + 2 HCl → CaCl2 + H2O

Óxido básico + anidrido → sal

K2O + SO3 → K2SO4

REAÇÕES DE DESLOCAMENTO

Em linhas gerais, o elemento mais reativo desloca o elemento menos reativo.


• Entre ácidos e metais

O metal irá deslocar o hidrogênio do ácido

Zn + H2SO4 → ZnSO4 + H2

Porém, se o metal for menos reativo que o hidrogênio, nada ocorrerá.

Au + H2SO4 → nada ocorre

• Entre sais haloides e ametais

O ametal mais reativo irá deslocar o menos reativo.

Cl2 + 2 KBr → Br2 + 2 KCl

REAÇÕES COM ÁGUA

A água pode reagir com metais alcalinos e com alcalinos terrosos, produzindo bases. Com os demais
metais, a água irá reagir produzindo óxidos. Já com metais nobres, como o ouro, não ocorre reação.

Exemplos:

2 Na + 2H2O → 2 NaOH + H2

Zn + H2O → ZnO + H2

REAÇÕES DE DECOMPOSIÇÃO

Os carbonatos podem ser decompostos, por meio do aquecimento. Nesse processo, produzem óxido
metálico e gás carbônico. Carbonatos formados por metais do grupo 1 não sofrem decomposição.

Já os cloratos ou percloratos são decompostos formando cloretos e gás oxigênio.

Exemplos:

CaCO3 → CaO + CO2

Exemplos:

KCl O4 → KCl + 2 O2

Decomposição espontânea

Nesse tipo de decomposição, não há necessidade de aquecimento da substância, pois esta tende a
acontecer espontaneamente.

Exemplos:

H2O2 → H2O + 1/2 O2


REAÇÕES QUÍMICAS: OXIRREDUÇÃO,
BALANCEAMENTO E REDOX
As reações de oxirredução envolvem transferência de elétrons entre espécies químicas. Isso significa que
há variação no número de oxidação das espécies participantes.

REAÇÕES DE OXIRREDUÇÃO

Em toda reação de oxirredução, uma espécie perde elétrons, enquanto outra espécie recebe elétrons. O
número de elétrons perdidos deve ser sempre igual ao número de elétrons recebidos.

O fenômeno da perda de elétrons é chamado de oxidação, enquanto o fenômeno do ganho de


elétrons é chamado de redução. Perder elétrons implica no aumento do número
de oxidação, enquanto ganhar elétrons implica na redução do número de oxidação.

A espécie que sofre oxidação é chamada de redutora, ou de agente redutor. Isso porque uma
espécie, ao sofrer oxidação, causa, simultaneamente, a redução da outra espécie. Isso também
vale para a que sofre redução; esta, por sua vez, é chamada de oxidante, ou
de agente oxidante. A explicação para esses nomes é análoga à situação anterior.

Assim, é razoável definir como um agente a substância que contém o elemento que foi reduzido
ou oxidado. Note, portanto, que a definição de agente oxidante/redutor é diferente da definição de
elemento oxidante/redutor.

Exemplos:

Zn + 2 HCl → ZnCl2 + H2

Observe que o número de oxidação do zinco aumentou, Zn0 → Zn2+.

Assim, o Zn sofreu oxidação, e, consequentemente, é o agente redutor. Já o hidrogênio teve seu número
de oxidação reduzido, H+ → H0. Assim, o H sofreu redução, e, consequentemente, o HCl é o agente
redutor.

OBSERVAÇÃO

A formação da ferrugem se dá a partir da oxidação do ferro metálico, Fe0. Na presença de oxigênio e da


umidade (ou seja, da água) presentes no ar o ferro sofre oxidação, perdendo elétrons e indo de Fe0 →
Fe2+ ou Fe3+, caso ocorra a oxidação novamente.
2 Fe + O2 + 2 H2O → 2 Fe(OH)2

Observe que nessa reação o ferro atua como agente redutor, sofrendo a oxidação (Fe0 → Fe2+), e
causando a redução do oxigênio (O0 → O2-)

A presença da ferrugem é percebida pela formação de um sólido acobreado, que indica que o ferro
metálico sofreu deterioração.

Nas regiões litorâneas a formação de ferrugem é muito mais comum, em função da elevada concentração
de vapor d’água no ar.

Porém, existem formas de se evitar a formação de ferrugem: a utilização de impermeabilizantes como


tintas e óleos, ou até mesmo a partir da adição de camadas de metais tais como cromo, ou zinco, que são
agentes mais resistentes à corrosão.

A ferrugem é identificada pela presença de um sólido acobreado

MnO2 + 4 HCl → MnCl2 + 2 H2O + Cl2

Observe que o número de oxidação do manganês diminuiu, Mn4+ → Mn2+. Assim, o Mn sofreu redução,
sendo, portanto, o MnO2 como agente oxidante. Já o cloro teve seu número de oxidação aumentado em
uma unidade, Cl-1 → Cl0. Assim, o Cl sofreu oxidação, e, consequentemente, o HCl é o agente redutor.

BALANCEAMENTO PELO MÉTODO REDOX

Além do método da tentativa para balanceamento de equações químicas, tem-se também o método redox,
que permite realizar o balanceamento a partir das semirreações de oxidação e redução. Esse método é
muito útil em casos onde balancear pelo método das tentativas se torna mais complexo. Vale frisar que
este método é válido apenas para reações químicas onde ocorre oxirredução.

A seguir, tem-se um passo-a-passo que pode ser seguido para balancear as equações químicas a partir
do método redox:

1. Determinar o NOx dos elementos que participam das reações de redução e oxidação;

2. Calcular a variação do NOx, em módulo, para a redução e para a oxidação;

∆NOx = | maior NOx – menor NOx | . atomicidade

Importante frisar que é de suma importância considerar a atomicidade dos elementos, de maneira a
preservar a quantidade de elétrons participantes da reação.

1. Se certificar de que o número de elétrons perdidos pela espécie oxidada é igual ao número de elétrons
ganhos pela espécie reduzida.
2. Inverter os valores de ∆: o calculado para a redução será o coeficiente da espécie oxidada, e o ∆ da
oxidação será o coeficiente da espécie reduzida.

– A inversão deve ocorrer no membro que apresentar maior quantidade de átomos participantes da
oxirredução;

– Se esse número for igual dos dois lados, inverter no membro que possui mais substâncias diferentes.

3. Determinar os demais coeficientes pelo método da tentativa.

4. Nos casos de o balanceamento ser exclusivamente para equilibrar as cargas, verificar se as cargas dos
reagentes anulam as dos produtos.

Exemplos:

Cl2(g) + KBr(aq) → Br2(g) + KCl(aq)

Espécie reduzida: Cl ∆NOx Cl = |0 – 1|. 2 = 2

Espécie oxidada: Br ∆NOx Br = |- 1 – 0 . 2| = 2

Cl2(g) + 2 KBr(aq) → Br2(g) + 2 KCl(aq)

Observe que, nesse caso, não foi necessário colocar os dois coeficientes no primeiro membro, uma vez
que ajustando um em cada membro, a equação ficou corretamente balanceada. Assim, vale frisar que a
manipulação dos valores de ∆ irá depender caso a caso.

KMnO4 + HCl → KCl + MnCl2 + H2 O + Cl2

Espécie reduzida: Mn ∆NOx Mn = |7 – 2| = 5

Espécie oxidada: Cl ∆NOx Cl = |- 1 – 0| . 2 = 2

Note que o número de espécies participantes da redução é igual dos dois lados. Logo, irá se posicionar os
valores de ∆ no segundo membro, pois há maior diversidade de substâncias:

KMnO4 + HCl → KCl + 2 MnCl2 + H2O + 5 Cl2

Finalizando por tentativa, tem-se que:

2 KMnO4 + 16 HCl → 2 KCl + 2 MnCl2 + 8 H2O + 5 Cl2

Já com relação ao balanceamento de cargas, deve-se atentar para a necessidade do somatório das
cargas ser igual a zero:

Al(s) + Cu2+(aq) → Al3+(aq) + Cu(s)

Espécie reduzida: Cu ∆NOx Al = |3 – 0| = 3

Espécie oxidada: Al ∆NOx Cu= |2 – 0| = 2

Assim, o “3” será o coeficiente do Cu2+, enquanto o “2” será o coeficiente do Al(s):

2 Al(s) + 3 Cu2+(aq) → 2 Al3+(aq) + 3 Cu(s)

Note que do lado dos reagentes há um total de carga igual a +6, e do lado dos produtos também igual a
+6. Isso significa que o número de elétrons perdidos e recebidos é igual, o que garante que o
balanceamento foi realizado corretamente.
RELAÇÕES NUMÉRICAS: MASSA ATÔMICA E
MOLECULAR
Na química, é constante a necessidade de se trabalhar com valores numéricos para representar
grandezas tais como a massa de um átomo ou molécula. Como trata-se de entidades não visíveis
a olho nu, inviabilizando a utilização de aparelhos tais como as balanças, cálculos aproximados
são feitos para facilitar a previsão de reações químicas, por exemplo.

Além de grandezas como a massa, pode-se falar também em termos de quantidade de matéria, que é
uma maneira de quantificar o número de átomos ou moléculas presentes em um sistema. Essa
quantificação é facilitada pela grandeza mol.

MASSA ATÔMICA (M.A.)

A unidade de massa atômica (u) esta baseada no isótopo do carbono, e corresponde a 1/12 da massa
de um átomo de carbono (C-12).

O C-12 é o isótopo natural mais abundante do carbono, e foi escolhido como referência em 1962,
sendo utilizado até os dias atuais em todos os países do mundo. É representado pela unidade “u” ou
“u.m.a” (unidade de massa atômica).

Basicamente, representa quanto a massa de um determinado átomo é maior que 1 u.

Exemplo:

O átomo de sódio apresenta massa atômica igual a 23 u, ou seja, sua massa é 23 x maior que 1u.

As massas atômicas são medidas experimentalmente em um aparelho denominado espectrômetro de


massa.

Observe:

As massas atômicas de todos os elementos químicos são encontrados na tabela periódica.

Exemplo:

Observe a imagem acima, extraída de uma tabela periódica. O número 8 corresponde ao número
atômico, Z. Já o número 16 corresponde à massa. Na maioria das tabelas periódicas, esse número
encontra-se abaixo do elemento.
CÁLCULO DE MASSA ATÔMICA

Sabe-se que praticamente todos os elementos químicos têm isótopos (átomos com o mesmo número
de prótons). Sendo assim, a determinação da massa atômica de um elemento químico é dada pela
média ponderada das massas atômicas e das abundâncias de seus isótopos.

Onde M.A é a massa atômica e X representa a abundância, ou seja, a percentagem do isótopo na


natureza.

Exemplo:

O elemento cloro é encontrado na natureza na forma dos isótopos Cl35 e Cl37. Sua massa atômica,
utilizando a relação acima, é dada por:

Cl35 – 75% Cl37 – 25%

Calculando: + = = (35·75) + (37·25) M.A. 35,5u


100

MASSA MOLECULAR (M.M.)

As moléculas são formadas pela união de átomos por meio de ligações químicas. Dessa maneira, a
massa de uma molécula é dada pelo somatório das massas dos átomos.

M·M=ΣM·A

dos átomos presentes na molécula.

Exemplos:

Cl2

M · M = 2. MA(Cl)

M · M = 2 · 35,5 = 71 u

H2SO3

M · M = 2 · MA (H) + MA (S) + 3 · MA (O)

M · M = 2 · 1 + 32 + 3 · 16 = 82 u

As substâncias hidratadas apresentam moléculas de água em sua rede cristalina, como no caso dos
sais inorgânicos. Apesar da água ser representada na substância procedida de um sinal de
multiplicação, a massa das moléculas de água deve ser somada às da substância em questão, e não
multiplicadas por esta.

Exemplo:

Substâncias hidratadas

CuSO4 · 5 H2O
M · M= MA (Cu) + MA (S) + 4 · MA (O) + 5 · (2· MA (H) + MA (O))

M · M = 63,5 + 32 + 4 · 16 + 5 · (2·1+16) = 249,5 u

Observe que no sulfato de cobre II há cinco moléculas de água. Sendo assim, tem-se cinco vezes o
valor da massa de uma molécula de água, acrescido da massa do próprio sal, CuSO4.

OBSERVAÇÃO

Para calcular a massa de moléculas orgânicas representadas por meio da fórmula de bastão, é
necessário determinar, previamente, sua fórmula molecular, para depois então calcular sua massa.
Observe a fórmula de bastão do isoctano, um dos constituintes da gasolina:

Sabendo-se que a valência do carbono é igual a quatro, e que cada “ponto” representa um átomo de
carbono, tem-se que a fórmula molecular do isoctano é C8H18. A partir das massas atômicas do
carbono (C = 12 u) e do hidrogênio (H = 1 u) tem-se que:

M.MC8H18 = (8 · 12) + ( 18 · 1) = 114 u

MOL: QUANTIDADE DE MATÉRIA

O mol é uma grandeza química que permite quantizar entidades químicas, ou seja, moléculas,
átomos, íons ou partículas. Em outras palavras, o mol permite quantizar a matéria.

Por meio de experimentos, o químico Avogadro determinou que 1 mol é equivalente à 6,02 · 1023
entidades químicas (átomos, moléculas, íons etc.). Por essa razão, o valor número de 1 mol é
conhecido como número do Avogadro (N).

N = 6,02 · 10²³

O número do Avogadro pode representar diferentes entidades químicas.

Exemplo:

• 1 mol de moléculas = 6,02 · 10²³ moléculas

• 1 mol de íons = 6,02 · 10²³ íons

• 1 mol de átomos = 6,02 · 10²³ átomos

• 1 mol de elétrons = 6,02 · 10²³ elétrons

Exemplo:

Considere o ácido nítrico, HNO3.

• 1 mol de HNO3 apresenta 6,02 · 10²³ moléculas deste ácido;

• 1 mol HNO3 apresenta 1 mol de átomos de H, ou seja, 6,02 · 10²³ átomos de H;

• 1 mol HNO3 apresenta 1 mol de átomos de N, ou seja, 6,02 · 10²³ átomos de N;


• 1 mol HNO3 apresenta 3 mols de átomos de O, ou seja, 3 x 6,02 · 10²³ átomos de O, o que
corresponde a 1,806 · 10²⁴ átomos de O;

• 1 mol HNO3 apresenta, ao total, 5 mols de átomos, o que


corresponde a 3,01 · 10²⁴

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

01. Determine o número de átomos totais presentes em 3,5 mols de H²SO⁴.

Resolução:

Sabe-se que a molécula de H²SO⁴ apresenta 2 átomos de H, 1 átomo de S e 4 átomos de O. Logo, 1


mol de H²SO⁴ irá apresentar 7 mols de átomos ao total. Assim, tem-se a seguinte relação:

1 mol de H²SO⁴ _________ 7 mols de átomos totais


1 mol de H²SO⁴__________ 7 . 6,02 . 10²³
3 , 5 mol H²SO⁴ _________ x

x = 147,50.10²³ = 1,475.10²⁵ átomos

02. A quantidade de mols existentes em 1,5 . 10²⁴ moléculas de ácido fosfórico (H³PO⁴) é igual a :
Dados: N = 6 . 10²³
a) 0,5
b) 1,0
c) 1,5
d) 2,0
e) 2,5

Resolução:

1 mol H³PO⁴___ 6 . 10²³ moléculas


n ___ 1,5 . 10²⁴
n = 1,5 . 10²⁴ / 6 . 10²³
n = 0,25 . 10¹
n = 2,5 mols de H³PO⁴

MASSA MOLAR

A massa molar é a massa de de um átomo ou de uma molécula representada em gramas por mol.

Matematicamente, concluiu-se que 1u ≈ 1g/mol. Logo, pode-se dizer que a massa molar é
numericamente igual à massa molecular de uma molécula ou à massa atômica, no caso dos átomos.

Exemplo:

A massa atômica do enxofre, S, é igual a 32 u. Sendo assim, sua massa molar é igual a 32 g/mol.

A massa molecular do dióxido de carbono, CO2, é igual a 44 u. Sendo assim, sua massa molar é
igual a 44 g/mol.

EXERCÍCIO RESOLVIDO

03. (UNIMEP) A glicose é um açúcar de fórmula molecular C⁶H¹²O⁶. O número de moléculas


existentes em 1 kg de
glicose é, aproximadamente:
Dados: Massas atômicas: C = 12 u, H = 1 u, O = 16 u;

N = 6,02 . 10²³ . mol-1.

a) 3,33 . 10²⁴

b) 5,56

c) 3,33 . 10⁻²⁴

d) 6,02 . 10²³

e) 4,38 . 10²⁴

Resolução: A

A partir das massas moleculares tem-se que:

Massa molar C⁶H¹²O⁶ = (6 . 12) + ( 12 . 1) + ( 6 . 16) = 180g/mol

1 mol C⁶H¹²O⁶ ___ 6,02 . 10²³ moléculas ___ 180g

Sabendo que 1kg = 1000g, tem-se que:

1 mol ___ 6,02 10²³ moléculas __ 180 g

x ___ 1000g

x = 33,44 . 10²³

x = 3,3 . 10²⁴

VOLUME MOLAR

É o volume ocupado por 1mol de qualquer gás ou vapor a uma dada temperatura e pressão.

Experimentalmente, verificou-se que nas condições normais de temperatura e pressão (CNTP), o


volume molar de qualquer gás é 22,4 litros. Sendo assim:

1 mol de qualquer gás = 22,4L

Observe o exemplo abaixo:


Determine o volume ocupado, nas CNTP, por 96 g de gás oxigênio.

Resolução:

Dado que a massa molar do O2 = 2 · 16 = 32 g/mol e que 1 mol de qualquer gás, nas CNTP,
corresponde a 22,4 L, tem-se que

1 mol O2 ___ 32 g ___ 22,4 L

96 g ___ x

96 · 22,4 = 32 x
x = 67,2 L
OBSERVAÇÃO

Como o problema envolvia massa e volume, a utilização da grandeza mol só se fez necessária para
organizar as
informações.

VOLUME MOLAR DE GASES FORA DAS CNTP

Há situações em que os gases não se encontram nas CNTP. Nesses casos, utiliza-se a equação de
Clayperon, que é definida como:

PV = nRT

Onde

P = pressão (atm)

V = volume (L)

n = número de mols

R = 0,082 atm . L.
mol-1 . K.-1 (constante dos gases)

T = temperatura (K)

OBSERVAÇÃO

Lembre-se que há uma relação que permite a conversão da temperatura de Celsius para Kelvin:

Tᴷ = Tᶜ + 273

de
TK = temperatura expressa em Kelvin;

TC = temperatura expressa em graus Celsius.

RELAÇÕES NUMÉRICAS: VOLUME MOLAR E GASES


FORA DAS CNTP
Aprenda sobre Volume Molar e Gases Fora da CNTP.

VOLUME MOLAR

É o volume ocupado por 1 mol de qualquer gás ou vapor a uma dada temperatura e pressão.

Experimentalmente, verificou-se que nas condições normais de temperatura e pressão (CNTP), o


volume molar de qualquer gás é igual a 22,4 litros. Sendo assim:

1 mol de qualquer gás = 22,4L

Cabe ressaltar que o volume molar pode apresentar um valor diferente de acordo com as condições
de temperatura e pressão em que o gás se encontra.
Assim, é razoável admitir que o volume molar é diretamente proporcional à quantidade de matéria, ou
seja, ao número de mols de gases presentes. Dessa forma, tem-se que:

K = V/N

Onde K representa a constância da relação entre V, que é o volume, e n, que é o número de mols.
Isso reflete a ideia de que volumes iguais de gases diferentes, uma mesma temperatura e pressão,
irão apresentar iguais quantidade de matéria.

Isso quer dizer que, à temperatura de 0 K e sob pressão de 1 atm, 1 mol de qualquer gás irá ocupar
um volume de 22,4 L. Ou seja, pode-se dizer que nessas condições, 6·10²³ átomos de gás Hélio (He)
irão ocupar um volume de 22,4 L, da mesma maneira que 6·10²³ moléculas de CO2 irão ocupar este
mesmo volume nestas mesmas condições.

EXERCÍCIO RESOLVIDO

01. Determine o volume ocupado, nas CNTP, por 96 g de gás oxigênio.

Resolução:

Dado que a massa molar do O² = 2 · 16 = 32 g/mol e que 1 mol de qualquer gás, nas CNTP,
corresponde a 22,4 L, tem-se que 1 mol O²___ 32 g ___ 22,4 L
96 g ___ x

96 · 22,4 = 32 x
x = 67,2 L
96 · 22,4 = 32 x
x = 67,2 L

VOLUME MOLAR DE GASES FORA DAS CNTP

Há situações em que os gases não se encontram nas CNTP. A equação de Clapeyron é utilizada
quando as condições em que o gás se encontra diferem das CNTP, ou seja, quando a temperatura é
diferente de 273 K e a pressão é diferente de 1 atm.

É definida como:

PV = nRT

Onde

P = pressão (atm)

V = volume (L)

n = número de mols

R = 0,082 atm . L. mol-1 . K.-1 (constante dos gases)

T = temperatura (K)

OBSERVAÇÃO

Lembre-se que há uma relação que permite a conversão da temperatura de Celsius para Kelvin:

Tᴷ = Tᶜ + 273
Onde

TK = temperatura expressa em Kelvin;

TC = temperatura expressa em graus Celsius.

OBSERVAÇÃO

A pressão de um gás pode ser representada a partir de diferentes unidades. As mais comuns e suas
respectivas
conversões para atm são:

760 mmHg = 1 atm

760 Torr = 1 atm

101325 Pa = 1 atm

1,01325 Bar = 1 atm

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

02. (UFC) As pesquisas sobre materiais utilizados em equipamentos esportivos são direcionadas em
função dos mais diversos fatores. No ciclismo, por exemplo, é sempre desejável minimizar o peso das
bicicletas, para que se alcance o melhor desempenho do ciclista. Dentre muitas, uma das alternativas
a ser utilizada seria inflar os pneus das bicicletas com o gás hélio, He, por ser bastante leve e inerte à
combustão. A massa de hélio, necessária para inflar um pneu de 0,4 L de volume, com a pressão
correspondente a 6,11 atm, a 25 °C, seria:

Constante universal dos gases: R = 0,082 L · atm· mol ⁻¹ . K ⁻¹

a) 0,4 g

b) 0,1 g

c) 2,4 g

d) 3,2 g

e) 4,0 g

Resolução: A

P·V=n·R·T
6,11 · 0,4 = n · 0,082 · (25 + 273)
n = 0,1 mol

m = n · MM
m = 0,1 · 4 = 0,4 g

03. (PUCCAMP) A massa molar de um gás que possui densidade da ordem de 0,08 g/L a 27 °C e 1
atm é, aproximadamente,

Dado: R = Constante universal dos gases 0,082 L · atm· mol ⁻¹ . K ⁻¹


a) 5 g/mol
b) 4 g/mol
c) 3 g/mol
d) 2 g/mol
e) 1 g/mol

Solução: D

P·V=n·R·T

Como d = m/V e n = m/MM, tem – se que:

P · V = m/MM · R · T
P · MM = d · R · T

Logo:
1 · MM= 0,08 · 0,082 · 298
MM = 1,95 g/mol = 2 g/mol

RELAÇÕES NUMÉRICAS: LEIS PONDERAIS E TIPOS


DE FÓRMULAS
As leis ponderais são leis que discorrem sobre as reações químicas. São leis que foram
determinadas a partir de experimentos, e são relacionadas à massa e ao volume dos
componentes de determinada reação química.

LEI DE LAVOISIER (LEI DA CONSERVAÇÃO DAS MASSAS)

Antoine Lavoisier determinou, experimentalmente, que em um sistema fechado, a soma das massas
dos reagentes (antes da reação ocorrer) será igual à soma da massa dos produtos (após ocorrida a
reação).

mʳᵉᵃᵍᵉⁿᵗᵉˢ = mᵖʳᵒᵈᵘᵗᵒˢ

A lei de Lavoisier é constantemente atribuída à uma frase baseada em suas ideias: “Na natureza nada
se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Vale ressaltar que a lei de Lavoisier só é válida em sistemas fechados, uma vez que os gases
tenderiam a escapar caso este fosse aberto.

Isto faria com que suas massas não fossem contabilizadas, impossibilitando a igualdade entre as
massas dos reagentes e dos produtos.

Exemplos:

Cl2(g) + PCl3(g) → PCl5(g)

71g + 137,7g = 208,5g

208,5 g = 208,5 g
LEI DE PROUST (LEI DAS PROPORÇÕES DEFINIDAS)

Louis Proust, um químico francês, verificou que ao se realizar diversos experimentos referentes a uma
mesma reação variando a quantidade de reagentes, a quantidade de produto formada também varia,
de maneira proporcional.

Exemplos:

H2 + ½ O2 → H2O

2 g + 16 g = 18 g

4 g + 32 g = 36 g

Observe que ao dobrar a massa de H2 a massa das demais substâncias também dobraram.

LEI DE GAY-LUSSAC (LEI DAS PROPORÇÕES VOLUMÉTRICAS)

Dois gases, sob as mesmas condições de temperatura e pressão, apresentam entre si uma proporção
entre os seus volumes em números inteiros e pequenos.

Observe o exemplo abaixo:

N2(g) + 3 H2(g) → 2 NH3(g)

1L 3L 2L

3L 9L 6L

Observe que ao se triplicar o volume de N2(g) os volumes dos demais gases também triplicam.

TIPOS DE FÓRMULAS

As fórmulas químicas expressam informações sobre as substâncias, tais como o percentual de cada
átomo na estrutura, a proporção mínima inteiro de cada tipo de átomo presentes na substância e a
quantidade exata de átomos existentes em uma molécula.

FÓRMULA CENTESIMAL (OU PERCENTUAL)

É a fórmula que indica a porcentagem em massa de cada elemento que compõe a substância.

Exemplo:

C2H6O
MM = (2 · 12) + (6 · 1) + (16 · 1) = 46 g/mol

46 g ___ 100%

24 g ___ x

x = 52,17 %

46 g __ 100%
6 g ___ y

y = 13,04 %

z = 100 – (52,17 + 13,04)

z = 34,79 %

Fórmula centesimal:

C52,17% H13,04% O34,79%

FÓRMULA MÍNIMA (OU EMPÍRICA)

É a fórmula que indica a proporção mínima inteira em números de mols de cada elemento na
substância.

A fórmula mínima do eteno, C2H4, é CH2.

Note que para determinar a fórmula mínima do eteno, dividiu-se os números referentes a atomicidade
pelo maior número inteiro possível, de maneira que os números resultantes permanecessem inteiros.

Nos casos onde o resto da divisão for um número decimal, deve-se multiplicar todos os números pelo
menor número inteiro possível, de maneira a tornar o número decimal um número inteiro.

EXERCÍCIO RESOLVIDO

01. Sabendo-se que uma determinada substância é formada por 40% em massa de C, 6,6% em
massa de hidrogênio e
53,4% em massa de oxigênio, determine sua fórmula mínima.

Resolução:
Dado que C = 12 u; H = 1 u; e O = 16 u, tem-se que

C = 40%/12 = 3,3

H = 6,6%/1 = 6,6

O = 53,4%/16 = 3,3

Para se achar o número mínimo inteiro, divide-se todos os valores encontrados pelo menor valor.

C = 40%/12 = 3,3/3,3 = 1

H = 6,6%/1 = 6,6/3,3 = 2

O = 53,4%/16 = 3,3/3,3 = 1

Logo, a fórmula mínima do composto é:

CH²O
FÓRMULA MOLECULAR

É a fórmula que apresenta a quantidade exata de átomos existentes em uma molécula. A fórmula
molecular pode ser calculada a partir da fórmula mínima. Para tal, é preciso conhecer-se a massa
molar da substância em questão.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

02. Sabendo-se que a massa molar da substância que possui fórmula mínima (CH²O)ⁿ vale 180 g/mol,
determina sua fórmula molecular.

Resolução:

O n é o número inteiro que foi o divisor na obtenção da fórmula mínima. Assim, deve-se multiplicar a
massa molar de cada átomo na fórmula (respeitando a atomicidade) por n, e então igualar à massa
molar da molécula:

12 . n + 2 .
n + 16 .
n = 180
12n + 2n + 16n = 180
30n = 180

n=6

Substituindo n temos:

(CH²O)ⁿ = (CH²O)⁶

Fórmula molecular: C⁶H¹²O⁶

ESTEQUIOMETRIA: CASO GERAL E RENDIMENTO


A Estequiometria é o nome que se dá as relações quantitativas que existem entre as substâncias
que participam de uma reação química. Os coeficientes estequiométricos relacionam a proporção
em mol em que cada participante da reação necessita estar para que a mesma se dê de forma
completa.

SOLUCIONANDO PROBLEMAS ESTEQUIOMÉTRICOS

Em um problema estequiométrico, é possível relacionar não apenas reagentes com produtos, mas
também reagentes com reagentes, e produtos com produtos. Para que esteja relação se dê de
maneira correta, é preciso que a equação química seja corretamente balanceada.

De forma geral, pode-se estabelecer um método de solução de problemas estequiométricos:

Etapas:

1. Relação em mols das substâncias envolvidas no problema.

2. Montar a equação química devidamente balanceada.

3. Escrever a relação em mols das substâncias envolvidas a partir dos coeficientes estequiométricos
provenientes da equação química
1ª linha: relações em mols entre os participantes do problema estequiométrico. Esta etapa não é
obrigatória, porém, auxilia na resolução do problema.

2a linha: conversão de mol para a unidade relacionada no problema:

• Se o problema estiver envolvendo massa, converter para massa molar (g/mol).

• Se o problema estiver envolvendo volume, converter para volume molar (L/mol).

• Se o problema estiver envolvendo quantidade de entidades químicas (átomo, molécula, íons), utilizar
a constante do Avogadro (6,02.10²³).

• Se o problema estiver envolvendo mol, repetir na segunda linha.

3ª linha: dados referentes ao enunciado do problema.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

01. Qual o volume, em litros (L), de CO²⁽ᵍ⁾ obtido, nas CNTP, quando são queimados 690g de
C²H⁶O?

Resolução:

1. Toda reação de queima envolve a reação do combustível com um comburente, o O², produzindo
CO² e H²O, no caso de combustão completa. Sendo assim:

1 C²H⁶O⁽ˡ⁾ + 3 O²⁽ᵍ⁾ ➜ 2 CO²⁽ᵍ⁾ + 3 H²O⁽ˡ⁾

2. As substâncias envolvidas no processo são C²H⁶O e CO², logo, tem – se a primeira linha,
estabelecida a partir das proporções estequiométricas retiradas da equação química:

1 mol C²H⁶O___ 2 mol CO²

3. No problema, a unidade relacionada ao C²H⁶O é massa. Logo, substitui-se 1 mol pela massa molar
desse composto:

MMC²H⁶O = (2 . 12) + (6 . 1) + (1 . 16) = 46 g/mol

4. No caso do CO², está em volume, logo, converte-se mol para volume. Como está nas CNTP, o
volume de 1 mol de
qualquer gás é igual a 22,4 L. Logo:

1 mol C²H⁶O ____ 2 mol CO²

46 g ____ 2 . 22,4 L

O problema envolve determinar qual o volume de CO²(x) que será obtido a partir da queima de 460 g
de C²H⁶O. Logo, tem-se as três linhas da regra de três, onde apenas as duas últimas serão utilizadas
para os cálculos:

1 mol C²H⁶O___ 2 mol CO²

46g ___ 2 . 22,4 L

460g ___ x
Multiplicando cruzado, tem-se que x = 448 L.

02. Determine a quantidade moléculas de HI que são produzidas quando 0,1 mol de H² reage com
quantidade suficiente de I².

Resolução:

Monta-se a equação devidamente balanceada:

1 H²⁽ᵍ⁾ + 1 I²⁽ᵍ⁾ ➜ 2HI⁽ᵍ⁾

1 mol H²___ 2 mol HI

1 mol ___ 2 . 6,02 . 10²³ moléculas

0,1 mol ___ y

Resolvendo-se a regra de três, tem-se que y = 1,204 . 10²³ moléculas de HI.

ESTEQUIOMETRIA ENVOLVENDO RENDIMENTO

Nos processos químicos, é comum os produtos formados a partir de uma reação química não serem
obtidos na quantidade esperada. Isso pode ocorrer devido à presença de impurezas; ocorrência de
reações paralelas, levando à formação de produtos indesejados; perdas de produto durante a reação
devido a más condições reacionais, como temperatura inadequada; dentre outros fatores.

Quando isso ocorre, diz-se que o rendimento da reação não foi de 100%.

Pode-se definir rendimento como a razão entre a massa que é obtida (m) e a massa que seria obtida
caso a reação fosse completa, com rendimento de 100% (m’):

CASOS ESTEQUIOMÉTRICOS ENVOLVENDO RENDIMENTO

• Quando se deseja obter a quantidade de produto formada conhecendo-se o rendimento da


reação:

Exemplo:

Qual a massa de sal produzida quando se coloca para reagir 4,9 g de H2SO4 com hidróxido de sódio
suficiente?
Considere rendimento de 50%.

Resolução:

1. Seguindo as etapas do caso geral, monta-se a equação química balanceada:

1 H2SO4 + 2 NaOH → 1 Na2SO4 + 2 H2O

2. Monta-se a regra de três, a partir da relação em mols das substâncias envolvidas no processo:

1 mol H2SO4 ___ 2 mol Na2SO4


98 g ___ 142g

4,9 g ___ x

x = 7,1 g de Na2SO4

3. Porém, como o rendimento não foi de 100%, e sim de 50%, deve-se calcular a quantidade real de
produto obtida:

7,1 g ___ 100%

m ___ 50%

m = 3,55g de Na2SO4

• Quando se sabe a quantidade real de produto formado e deseja-se obter o rendimento da


reação.

Exemplo:

O ácido etanoico reage com o metanol segundo a reação química representada abaixo:

1 C2H4O2 + 1 CH3OH → 1 C3H6O2 + 1 H2O

Sabendo-se que 0,25 mol de ácido reagiu completamente com o metanol para formar 13,875 g do
éster. Determine o rendimento da reação.

Resolução:

1 mol de C2H4O2 ___ 1 mol C3H6O2

1 mol ___ 74 g

0,25 mol ___ x

x = 18,5 g de C3H6O2

A massa de 18,5 g seria produzida caso o rendimento da reação fosse de 100%. Como a massa real
obtida foi de 13,875 g, pode-se calcular o rendimento da reação:

18,5 g ___ 100%

13,875 g ___ y %

y = 75%

Nas indústrias, onde se faz necessário que as reações ocorram com o máximo de eficiência possível,
faz-se uso da estequiometria para calcular a quantidade de reagente necessário para se produzir
determinada quantidade de produto desejada.
ESTEQUIOMETRIA – PUREZA E REAÇÕES
CONSECUTIVAS
Aprenda sobre Estequiometria envolvendo reagente impuro.

ESTEQUIOMETRIA ENVOLVENDO REAGENTES IMPUROS

Em alguns casos envolvendo estequiometria, pode ocorrer de um ou mais reagentes apresentarem


impurezas. As impurezas seriam traços de outras substâncias, e estas não participam da reação.

Por não participarem da reação, a primeira providência a se tomar em um problema envolvendo


reagentes impuros é calcular a quantidade de amostra pura, que é aquela que irá reagir. Caso esse
passo não seja tomado, obtém-se números equivocados de produto.

Em alguns dos casos envolvendo impurezas, tem-se como informação o grau de pureza do reagente,
que indica a porcentagem de amostra que de fato reage (ou seja, que está pura).

SOLUCIONANDO PROBLEMAS ESTEQUIOMÉTRICOS ENVOLVENDO PUREZA

Para resolução de problemas envolvendo pureza, utiliza-se o mesmo método estudado para o caso
geral. A diferente é que o cálculo da quantidade de amostra pura que irá reagir deve ser feito antes da
resolução da regra de três.

Assim, deve-se:

1. determinar a quantidade de amostra pura (quantidade que irá, de fato, reagir);

2. utilizar as mesmas etapas do caso geral.

Há casos onde a resolução do problema se dará de maneira inversa, sendo a pureza determinada ao
final.

• Quando se deseja obter a massa de produto formado conhecendo a pureza da amostra

Exemplo:

A partir da decomposição de 180 g de calcário (CaCO3) com 90% de pureza, determine a massa de
CO2 produzida

Resolução:

1. Primeiro, deve-se calcular a quantidade de CaCO3 que realmente reage, ou seja, a quantidade de
amostra pura:

180 g ___ 100%

x ___ 90 %

x = 162 g de CaCO3 puro

Observando-se o resultado obtido, percebe-se que, das 180 g iniciais, apenas 162 g correspondem a
CaCO3, sendo a diferença (18 g) referente a impurezas.
2. Agora que se conhece a quantidade de CaCO3 que realmente irá reagir, monta-se a regra de três,
utilizando as etapas do caso geral:

CaCO3 → CaO + CO2

1 mol CaCO3 ___ 1 mol CO2

100 g ___ 44 g

162 g ___ y

y = 71,28 g de CO2

• Quando se deseja obter o grau de pureza, conhecendo-se a quantidade de produto formado

Exemplo:

Ao se queimar 18 g de uma amostra de carvão (C) foram produzidos 13,2 g de CO2. Determine a
massa de amostra pura desse carvão.

Resolução:

1 C + 1 O2 → 1CO2

1 mol C ___ 1 mol CO2

12 g ___ 44 g

x ___ 13,2 g

x = 3,6 g de C

Observe que a massa de 13,2 g foi obtida. Logo, é um dado confiável, ao contrário das 18 g de
carvão, uma vez que esse valor representa a massa de carbono acrescida da massa das impurezas
impurezas. A partir da regra de três, obteve-se a quantidade de carbono que realmente estava
presente na amostra. Assim:

18 g ___ 100%

3,6 g ___ P

P = 20%

ESTEQUIOMETRIA ENVOLVENDO REAÇÕES CONSECUTIVAS

Nos tipos de problemas envolvendo mais de uma reação química, precisa-se considerar todas as
etapas antes de iniciar a resolução.
Um dos métodos utilizados para se resolver um problema envolvendo reações consecutivas envolve
as seguintes etapas:

1. montar a equação global;

2. utilizar as etapas do caso geral.

Há casos onde a resolução do problema se dará de maneira inversa, sendo a pureza determinada ao
final.
Exemplo:

As reações abaixo ocorrem na formação da chuva ácida:

S(s) + O2(g)→SO2(g)

SO2(g) + ½ O2(g)→SO3(g)

SO3(g) + H2O(l)→H2SO4(aq)

Partindo-se de 320 g de S(s) determine o número de mols de ácido sulfúrico produzido.

Resolução:

1. Encontrar a equação global somando-se as três equações, e “cortar” as substâncias iguais que
aparecem em lados opostos, respeitando as devidas quantidades em mol.

2. Observando a equação global obtida, pode-se perceber que a mesma se encontra balanceada.
Logo, pode-se passar para a resolução conforme as etapas para o caso geral:
Dados: massa molar S = 32 g/mol

1 mol S ___ 1 mol H2SO4

32 g ___ 1 mol

320 g ___ n

n = 10 mols de H2SO4

Porém, uma outra maneira de solucionar problemas estequiométricos envolvendo reações


consecutivas é, após o balanceamento, garantir que toda substância que é produzida em uma etapa e
utilizada na etapa seguinte apresenta o mesmo coeficiente estequiométrico. Dessa forma, elimina-se
a necessidade de fazer a equação global antes de resolver o problema.

EXERCÍCIO RESOLVIDO

01. A floculação é uma das fases do tratamento de águas de abastecimento público e consiste na
adição de óxido de cálcio e sulfato de alumínio à água. As reações correspondentes são as que
seguem:

CaO + H²O ➝ Ca(OH)²

3Ca(OH)² + Al² (SO⁴)³ ➝ 2Al (OH)³ + 3CaSO⁴

Se os reagentes estiverem em proporções estequiométricas, cada 28 g de óxido de cálcio originarão


de sulfato de cálcio:

Dados: Massas molares: Ca = 40 g/mol; O = 16 g/mol; H = 1 g/mol; Al = 27 g/mol; S = 32 g/mol.


a) 204 g

b) 68 g

c) 28 g

d) 56 g

e) 84 g

Resolução: B

CaO + H²O → Ca(OH)²

3 Ca(OH)² + Al²(SO⁴)³ → 2 Al(OH)³ + 3 CaSO⁴

Como o Ca(OH)² produzido na primeira etapa está sendo utilizado na segunda etapa como reagente
com coeficiente igual a 3, deve-se multiplicar a primeira reação por 3. Fazendo isso, garante-se que o
que está sendo produzido na primeira reação está sendo utilizado na segunda. Importante frisar que
todas as substâncias, reagentes e produtos, devem ser multiplicados igualmente, de maneira a
conservar a proporção estequiométrica:

3 CaO + 3 H²O → 3 Ca(OH)² (x3)

3 Ca(OH)² + Al2(SO⁴)³ → 2 Al(OH)³ + 3 CaSO⁴

O problema fornece um dado sobre o óxido de cálcio e pergunta a quantidade de sulfato de cálcio,
CaSO⁴ , formada. Assim, tem-se que

3 mol CaO __ 3 mol CaSO⁴

Sabendo que a massa molar do CaO é igual a 56 g/mol e a massa de CaSO⁴ é igual a 136 g/mol, e
simplificando as proporções em mol, fica-se com:

1 mol CaO ___ 1 mol CaSO⁴

56 g ___ 136 g

28 g ____ m ➞ m = 68 g

ESTEQUIOMETRIA: GASES FORA DAS CNTP


A maioria dos problemas de estequiometria envolvendo volume apresentam gases nas condições
normais de temperatura e pressão (CNTP).

Entretanto, se o gás em questão estiver fora das CNTP, ou seja, tiver sofrido uma transformação em
uma temperatura diferente de 273 K ou pressão diferente de 1 atm, deve-se utilizar a equação geral
dos gases perfeitos.

P.V=n.R.T

Onde:
p = pressão (atm)
V = volume (litros)
n = número de mols
R = constante dos gases = 0,082 atm · L · mol-1 · K-1
T = temperatura em Kelvin (K)

De maneira geral, pode-se dizer que os problemas envolvendo gases fora das CNTP podem ser
resolvidos da seguinte forma:

1. transformar os dados fornecidos da substância gasosa em número de mols utilizando a equação


P.V= n.R.T; Também é possível o caminho inverso: iniciando pela estequiometria, determinar alguma
das grandezas tais como P, V ou T.

2. utilizar as regras do caso geral.

Exemplo:

Dada a reação:

NaHCO³⁽ˢ⁾ + HCl(aq) → NaCl(aq) + CO2⁽ᵍ⁾ + H²O⁽ˡ⁾

Sabendo-se que a reação abaixo ocorreu na temperatura de 27 oC e pressão de 1 atm. Determine a


massa de HCl que foi necessária para reagir com NaHCO3 e produzir 492 L de CO2(g).

Resolução:
1. Transformar o volume de CO²⁽ᵍ⁾ em número de mols:

P = 1 atm; V = 492 L; T = 273 + 27 = 300 K; R = 0,082 atm . L . mol⁻¹.K⁻¹

PV = nRT

n= PV/RT

n = 1.492/0,082.300

n = 20 mols de CO²⁽ᵍ⁾

2. Aplicando as regras do caso geral:

Massa molar HCl = 36,5 g/mol

1 mol HCl ___ 1 mol CO²

36,5 g ___ 1 mol CO²

x ___ 20 mols

x = 730 g de HCl

EXERCÍCIO RESOLVIDO

01. (UFSJ) O funcionamento dos airbags dos automóveis baseia-se na utilização de uma reação
química que produz uma grande quantidade de gás. Uma reação que tem sido considerada
ultimamente é:

5C⁽ˢ⁾ + 2Sr(NO³)²⁽ˢ⁾ → 2SrO⁽ˢ⁾ + 2N²⁽ᵍ⁾ + 5CO²⁽ᵍ⁾

Usando essa reação, considerando R = 0,08 L · atm/K·mol e desprezando o sólido formado, o número
de mols de carbono necessário para encher um airbag de 40 L a 1,2 atm e 27º será
a) 4,8

b) 1,4

c) 2,0

d) 5,0

Resolução: B

Primeiro, deve-se calcular o número de mols de gás produzido nas condições de pressão e
temperatura fornecidas:

P . V = n . R . T ➱ n = P.V/R.T ➱ n = 1,2.40/0,08.300 = 2 mols

Em seguida, a partir relação estequiométrica entre o carbono e a soma total do número de mols de
gases formados, determina-se a quantidade de matéria de C necessária para que se encha um air
bag de 2 L:

5 mols de C ______ 7 mols de gás

x ________ 2 mols de gás

x = 1,4 mols.

ESTEQUIOMETRIA: EXCESSO DE REAGENTES


No dia a dia das indústrias, as reações não são planejadas considerando a quantidade exata de
produto que se deseja obter.

Na maioria dos casos, como o rendimento não é de 100%, adiciona-se mais reagente do que o
necessário para garantir que a quantidade de produto desejada seja de fato produzida. Isso porque,
como vimos, as reações não apresentam 100% de rendimento; em uma situação real, sempre
ocorrem perdas no processo.

Na resolução de problemas envolvendo excesso tratamos todas as reações químicas como ideais,
considerando que todo o reagente presente irá reagir completamente. Mas, nas situações reais, em
laboratório e indústrias, diversos fatores podem fazer com que a reação não ocorra como o ideal;
dentre eles, destacam-se impureza de reagentes, imprecisão de medidas, temperatura e pressão não
adequadas, entre outros.

Nos laboratórios e indústrias, diversos fatores podem levar as reações químicas a não
ocorrerem de forma ideal.

Na resolução dos problemas envolvendo excesso, considera-se a situação ideal, ou seja, todo o
reagente presente irá ser consumido, gerando a quantidade máxima de produto.
Para as reações que apresentam reagentes em excesso, o método de resolução é diferente, sendo
necessário identificar o reagente em excesso para não encontrar resultados equivocados. Isso
porque, se considerarmos o excesso, obteremos como resultado uma quantidade de produto superior
à quantidade realmente obtida.

CLASSIFICAÇÃO DOS REAGENTES

Quanto aos reagentes, estes podem ser classificados em:

• Reagente limitante: é aquele que reage completamente. Sendo assim, ao final da reação, sua
quantidade no sistema é igual a zero.

• Reagente em excesso: é aquele que não reage por completo, por sua quantidade estar acima da
necessária para a reação ocorrer. Sendo assim, ao final da reação, sua quantidade no sistema é
maior que zero.

MÉTODO DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS ENVOLVENDO EXCESSO

Uma maneira de identificar se um problema envolve excesso de reagentes é observar se estão sendo
fornecidos os dados de mais de um reagente participante da reação. Sendo este o caso, utiliza-se o
seguinte método para resolução do problema:

1. montar a equação química devidamente balanceada;

2. transformar os dados fornecidos em números de mols;

3. montar uma tabela, contendo os estágios “início”, “reação” e “final” onde serão relacionados os
dados, em mols, de todas as substâncias participantes da reação.

A+B⇾C+D

Observe que a tabela apresenta quatro colunas a serem preenchidas com a quantidade em mols
referentes aos reagentes A e B e aos produtos C e D.

Onde:

I ⇾ início da reação (dado relativos aos reagentes); Como a reação ainda não ocorreu e por isso não
há produtos, essa linha só é preenchida para os reagentes.

R ⇾ o quanto de fato reagiu (essa segunda linha obedece a proporção estequiométrica);

E⇾ final da reação. Nessa linha, os valores obtidos não podem ser menores que zero. Os valores
obtidos para os produtos e para o reagente em excesso devem ser maiores que zero, e para o
reagente limitante deve ser igual a zero.

Exemplo:

Determine a massa de sal que pode ser obtida quando 392 g de H2SO4 reagem completamente com
160 g de NaOH.

Resolução:

Montando-se a equação de neutralização devidamente balanceada, tem-se que:


H2SO4 + 2 NaOH ⇾ Na2SO4 + 2 H2O

Observe que o problema forneceu dados de dois reagentes, logo, desconfia-se que há de reagente
em excesso. Por isso, vamos transformar os dados fornecidos em número de mols:

Dadas as massas molares:

MM H2SO4 = 98 g/mol

MM NaOH = 40 g/mol

nH2SO4 = m/mol = 392/98 = 4 mols

nNaOH = m/mol = 160/40 = 4 mols

H2SO4 + 2 NaOH ⇾ Na2SO4 + 2H2O

Repare que a primeira linha foi preenchida a partir dos dados fornecidos pelo enunciado da questão.

Como a proporção é de um mol de H2SO4 para dois mols de NaOH, ou seja, 1:2, tem-se que a base
irá reagir completamente, enquanto, dos 4 mols de ácido, apenas 2 irão de fato reagir. Assim, tem-se
que:

Reagente limitante: NaOH

Reagente em excesso: H2SO4

Na segunda linha da tabela, coloca-se a quantidade de cada reagente, respeitando a proporção


estequiométrica entre eles (1:2). Já na terceira, coloca-se a quantidade de reagente que não reagiu
(em excesso) e a quantidade de produto formada, também respeitando-se a proporção
estequiométrica:

H2SO4 + 2 NaOH ⇾ Na2SO4 + 2 H2O

A quantidade de reagente em excesso que restou ao final da reação é calculada subtraindo-se a


quantidade inicial da quantidade que reagiu.

Repare que na segunda linha da tabela o sinal de menos ( – ) indica que o reagente foi consumido,
enquanto o sinal de mais ( + ) indica que o reagente foi formado.

Com o quadro devidamente preenchido, pode-se calcular a quantidade, atenta-se para o solicitado na
questão. Pedia-se a quantidade de sal formada, ou seja, a quantidade de Na2SO4 produzida.
Convertendo o número de mols de Na2SO4 para massa, tem-se que:

1 mol de Na2SO4 ____ 142g

2 mols de Na2SO4 ____ x


x = 284g de Na2SO4

EXÉRCICIO RESOLVIDO

01. OH²S reage com o SO² segundo a reação:

2 H²S + SO² ⥨ 3 S+ 2 H²O.

Assinale, entre as opções abaixo, aquela que indica o número máximo de mols de S que pode ser
formado quando se faz reagir 5 mols de H²S com 2 mols de SO²:

a) 3

b) 4

c) 6

d) 7,5

e) 15

Resolução:
Considerando a proporção entre os reagentes como 2:1, nota-se que o reagente H²S está em
excesso:

2 H²S + SO² ➜ 3 S + 2 H²O

Logo, são formados 6 mol de S.

SOLUÇÕES
Dispersão é todo sistema no qual uma determinada substância distribui-se, uniformemente, em
outra que está em maior quantidade. A substância em menor quantidade é chamada de disperso
e a de maior quantidade dispersante.

As dispersões se dividem em três casos: soluções, coloides e suspensões, que se diferem de acordo
com o tamanho das partículas:

• Menores que 1 nm (nanômetro): soluções;

• Entre 1 e 100 nm: coloides;

• Maiores que 100 nm: suspensões.

Nesse módulo, o enfoque será nas soluções, bem como em suas principais características.

SOLUÇÕES
São misturas de duas ou mais substâncias que apresentam aspecto uniforme, ou seja, formam um
sistema homogêneo.

As soluções são compostas por um ou mais solutos e por um solvente:

Solvente: substância capaz de dissolver a outra, e que normalmente está em maior quantidade;

Soluto: substância que irá ser dissolvida, e que normalmente está em menor quantidade.

SOLUÇÃO = SOLUTO + SOLVENTE

Exemplo:

Solução de NaCl (sal de cozinha) dissolvido em água. A água está em maior quantidade e dissolve o
sal de cozinha; portanto, é o solvente. Já o sal de cozinha, que está sendo dissolvido, é o soluto.

OBSERVAÇÃO

A água é considerada o solvente universal, pois é utilizada como solvente no preparo da maioria das
soluções.

CLASSIFICAÇÃO DAS SOLUÇÕES

De acordo com o estado de agregação em que soluto e solvente se encontram, as soluções podem
constituir um sistema sólido, líquido ou gasoso:

SÓLIDAS

Os componentes em temperatura ambiente se encontram no estado sólido.

Exemplo:

liga de bronze, uma liga metálica composta, majoritariamente, de cobre e estanho.

LÍQUIDAS

Pelo menos um dos componentes deve estar em estado líquido na temperatura ambiente.

Exemplo:

refrigerante, que apresenta gás dissolvido em líquido.

GASOSAS

Toda mistura de gases é uma solução.

Exemplo:

ar atmosférico, composto, majoritariamente, de gás oxigênio (O2) e gás nitrogênio (N2).

CLASSIFICAÇÕES
As soluções podem ser classificadas de acordo com:

A proporção entre soluto e solvente

Soluções diluídas

Quantidade pequena de soluto para a quantidade de solvente.

Exemplo:

1 g de sal de cozinha em 1 L de água.

Soluções concentradas

Quando a quantidade de soluto é grande para a quantidade de solvente.

Exemplo:

400 g de sal de cozinha em 1L de água.

Vale ressaltar que este conceito é meramente comparativo, não sendo definidas faixas onde a
solução pode ser considerada diluída ou concentrada. Assim, uma solução contendo 2 g de sal em 1
L de água, pode ser considerada concentrada quando comparada a uma solução contendo 1 g em 1 L
de água.

A natureza do soluto

Soluções moleculares (ou não eletrolíticas)

São aquelas em que as partículas dispersas são moléculas, ou seja, a dissolução destas não forma
íons.
As moléculas são eletricamente neutras e, por isso, soluções moleculares não conduzem corrente
elétrica.

Exemplo:

açúcar (C12H22O11) em água.

Soluções iônicas (ou eletrolíticas)

São aquelas em que as partículas dispersas formam íons.

A presença de um campo elétrico, gerado pela diferença de potencial, gera uma corrente que permite
a movimentação dos íons.

Durante o processo de ionização, as moléculas de água aglomeram-se em torno dos íons, num
processo conhecido por solvatação. Isto impede o reagrupamento espontâneo dos íons.

Exemplo:

sal comum (NaCl) em água.


COEFICIENTE DE SOLUBILIDADE

O coeficiente de solubilidade pode ser definido como a máxima quantidade de soluto que dissolve-se
em um padrão de solvente, a uma determinada temperatura.

Usualmente, o padrão utilizado é de quantidade de massa de soluto por 100 g de água.

Exemplo:

O coeficiente de solubilidade de uma solução de um composto A, à temperatura de 25 °C, é 20 g /


100g de H2O.

Em outras palavras, pode-se dizer que para cada 100 g de H2O é possível dissolver uma quantidade
máxima de 20 g de A.

CURVA DE SOLUBILIDADE

É o gráfico que apresenta a variação do coeficiente de solubilidade da substância em função da


temperatura.

A partir da análise do gráfico, pode-se obter as seguintes informações:

I. A solubilidade de um determinado sal a uma dada temperatura:

Exemplo: a 20 °C, a solubilidade do sal A é, aproximadamente, de 10 g / 100 g de H2O.

II. Comparar a solubilidade de sais em uma determinada temperatura.

Exemplo:

20 °C, o sal C é o mais solúvel; já a 45°C, o mais solúvel é o sal A.

III. Como se comporta o coeficiente de solubilidade frente ao aumento ou diminuição de temperatura.

Exemplo:

A solubilidade do sal A aumenta expressivamente com o aumento da temperatura.

CLASSIFICAÇÃO DAS SOLUÇÕES QUANTO À QUANTIDADE DE SOLUTO

Considere que m é igual a massa de soluto, e C.S representa o coeficiente de solubilidade. A partir da
relações entre estes, pode-se classificar as soluções de acordo com a quantidade de soluto presente.

Solução Insaturada

Quando a massa de soluto dissolvida, a uma dada temperatura, é menor que o coeficiente de
solubilidade, diz-se que a solução está insaturada.

mˢᵒˡᵘᵗᵒ ᵈⁱˢˢᵒˡᵛⁱᵈᵃ < C.S


Solução Saturada

Quando a quantidade de soluto dissolvido, a uma dada


temperatura, é exatamente igual ao coeficiente de solubilidade.

mˢᵒˡᵘᵗᵒ ᵈⁱˢˢᵒˡᵛⁱᵈᵃ = C.S

Quando a quantidade de soluto exceder o coeficiente de solubilidade, o solvente não será mais capaz
de dissolver o soluto em excesso, e haverá a formação de precipitado, também chamado de corpo de
fundo. Nesses casos, classifica-se essa solução como saturada com corpo de fundo.

Solução Supersaturada

Por meio do aquecimento de uma solução saturada com corpo de fundo, dissolve-se o excesso de
soluto, tornando a solução homogênea. Nesse caso, como a massa dissolvida ultrapassou o
coeficiente de solubilidade, tem-se uma solução supersaturada.

mˢᵒˡᵘᵗᵒ ᵈⁱˢˢᵒˡᵛⁱᵈᵃ = C.S

A solução supersaturada é instável, e qualquer perturbação ao sistema, mínima que seja, fará com
que ela se torne uma solução saturada com corpo de fundo novamente.

Exemplo:

Considere um sal hipotético que apresenta, a 20 °C, coeficiente de solubilidade igual a 10 g / 100 g de
água. Acerca desse sal, pode-se dizer que:

• Uma solução de 5 g / 100 g de H2O → Solução insaturada

• Uma solução de 10 g /100 g de H2O → Solução saturada

• Uma solução de 15 g/100 g de H2O → Solução saturada com corpo de fundo (5 g)

• Uma solução de 15 g/100 g de H2O a 30° C → Solução supersaturada

TIPOS DE DISSOLUÇÃO

Dissolução endotérmica: aumento da solubilidade na medida em que a temperatura também


aumenta. Em um gráfico, é representada por uma curva ascendente, ou seja, crescente.

Dissolução exotérmica: diminuição da solubilidade na medida em que a temperatura aumenta. Em


um gráfico, é representada por uma curva descendente, ou seja, decrescente.

Observe o gráfico abaixo:

X: na medida em que a temperatura aumenta, sua solubilidade diminui, logo, trata-se de uma
DISSOLUÇÃO EXOTÉRMICA.

Y: na medida em que a temperatura aumenta, sua solubilidade aumenta, mesmo que discretamente.
Logo, trata-se de uma DISSOLUÇÃO ENDOTÉRMICA.
Z: na medida em que a temperatura aumenta, sua solubilidade aumenta, logo, trata-se de uma
DISSOLUÇÃO ENDOTÉRMICA.

EXERCÍCIO RESOLVIDO

01. (FUVEST) A curva de solubilidade do KNO³ em função da temperatura é dada a seguir. Se a 20


°C misturarmos 50 g de KNO³ com 100 g de água, quando for atingido o equilíbrio teremos g/100 g
H²O

a) um sistema homogêneo.
b) um sistema heterogêneo.
c) apenas uma solução insaturada.
d) apenas uma solução saturada.
e) uma solução supersaturada.

Resolução: B

A partir da análise do gráfico, observa-se que a 20 ºC, é possível dissolver cerca de 35 g de nitrato de
potássio em 100 g de água. Logo, a adição de 50 g de sal em 100 g de água fará com que se forme
uma solução saturada com corpo de fundo. Como uma solução saturada com corpo de fundo
apresenta duas fases, conclui-se que o sistema será heterogêneo.

02. (UEL) A 10 °C a solubilidade do nitrato de potássio é de 20,0 g/100 g H²O. . Uma solução
contendo 18,0 g de nitrato de potássio em 50,0 g de água a 25 °C é resfriada a 10 °C.

Quantos gramas do sal permanecem dissolvidos na água?

a) 1,00
b) 5,00
c) 9,00
d) 10,0
e) 18,0

Resolução: D

A solubilidade do KNO³ é de 20,0 g/100 g H²O, à 10 ºC. Logo, em 50 g de água será possível
dissolver :

20 g ___ 100 g de água


m ____ 50 g de água
m = 10 g

Isso significa que, a 10 ºC, só será possível dissolver 10 g de KNO³ em 50 g de água. Como no caso
a massa a ser dissolvida é maior do que 10 g, ocorrerá a formação de precipitado, que terá massa de
18 – 10 = 8 g.

Logo, serão dissolvidos apenas 10 g de KNO³.


UNIDADES DE CONCENTRAÇÃO
Uma solução é constituída por um ou mais solutos e por um solvente, que normalmente está em
maior quantidade. Para representar as quantidades de soluto e solvente presentes na solução,
utiliza-se as unidades de concentração. As unidades de concentração representam diferentes
maneiras de expressar a quantidade de soluto existente em uma solução.

CONCENTRAÇÃO COMUM

É a relação entre a massa do soluto e o volume da solução:

A unidade de concentração comum, no SI, é expressa em g/L.

Exemplo:

Determine a concentração, em g/L, de uma solução apresenta 200 mL de volume e 2,0 g de sal.

Resolução:

Primeiro passo é transformar 200 mL em litros 200 = 0,2 L


1000
Logo:
C= 2
0,2

C = 10 g/L

CONCENTRAÇÃO MOLAR OU MOLARIDADE (M)

É a relação entre o número de mol do soluto e o volume da solução em litros:

Onde n = número de mol de soluto.

A unidade de concentração molar, no SI, é expressa em mol/L.

A partir da fórmula de molaridade é possível obter uma nova relação. Sabendo que n = massa
comum/massa molar, tem-se que:

1 . n = m/MM

2 . M = n/V

Substituindo (1) em (2) tem-se uma nova relação:


Essa relação pode ser utilizada para determinar a concentração molar quando não se é fornecido o
número de mol diretamente, e sim a massa.

Exemplo:

Determine a molaridade de uma solução que contém 9,8 g de H2SO4 em 100 ml de solução.

Resolução:

Utilizando-se a relação M = m/MM x V é possível obter o valor de M. Dado que a massa molar do
H2SO4 é igual a 98 g/mol e utilizando-se os dados fornecidos tem-se que:

M = m/MM x V

M = 9,8/98 x 0,1

M = 1mol/L

PORCENTAGEM

Porcentagem em massa (%m/m)

É a massa do soluto presente em 100 g de solução. É expressa em porcentagem.

Essa relação também pode ser expressa a partir do título mássico, que também representa as
relações entre a massa de soluto e de solução, porém, de maneira é adimensional. Essa relação é
expressa por:

Exemplo:

Uma solução 10% m/m contém 10 g de soluto em 100 g de solução.

Porcentagem em volume (% V/V)

É o volume de soluto presente em 100 ml de solução.

Exemplo:

Uma solução 20% v/v contém 20 ml de soluto em 100 ml de solução

Porcentagem massa/volume (%m/v)

É a massa de soluto presente em 100 ml de solução.


OBSERVAÇÃO

Apesar de apresentar fórmula similar à concentração comum, a densidade não é uma unidade de
concentração, já que considera a massa de toda a solução, e não apenas do soluto. Além disso, uma
de suas unidades mais comuns é expressa em g/mL, diferente da concentração comum, que é
representada em g/L.

PARTES POR MILHÃO (PPM) E POR BILHÃO (PPB)

Expressa quantas partes do soluto existem em um milhão (ou em um bilhão) de partes da solução.
Esse tipo de unidade é utilizado para expressar concentrações de ambientes onde as soluções são
extremamente diluídas, sendo difícil fazer o cálculo do todo.

Partes por milhão (ppm): quantidade de soluto, presente em 10⁶ gramas de solução.

Partes por bilhão (ppb): quantidade de soluto, presente em ⁹ gramas de solução.

A unidade de ppm e ppb pode ser expressa em termos de massa ou volume, desde que sejam iguais
para soluto e solução.

Exemplo:

A água de um rio apresenta a concentração de 10 ppm em massa de cobre. Significa que a cada 1 g
da água deste rio contém 10 µg de cobre.

RELAÇÃO ENTRE UNIDADES DE CONCENTRAÇÃO

Algumas relações podem ser feitas entre as diferentes unidades de concentração. São elas:

Relação entre concentração comum e concentração molar

Dado que:

(1) C = m/V e (2) M = m/MM x V

isolando m em (2),

m = M . MM . V

Substituindo m em (1),

C = M . MM . V/V

Logo, tem-se uma relação entre concentração comum e molar:

C = MM · M

Relação entre concentração comum, título e densidade

Outras possíveis relações entre unidades de concentração são:

C=T.d ou MM . M = T . d
Onde d = g/ml, MM = g/mol

T = título massivo M = n° mol/L

C = g/L

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

01. (IFSUL) A água de uso doméstico deve apresentar uma concentração de íons fluoreto igual a 5,0 ·
10⁻⁵ mol L.

Se, ao fim de um dia, uma pessoa toma 6,0 litros dessa água, qual a massa de fluoreto, em
miligramas, que essa pessoa ingeriu?

a) 1,8
b) 2,6
c) 5,7
d) 11,4
e) 20,3

Resolução: C

Deseja-se determinar a massa de fluoreto ingerida, e tem-se como dados a concentração molar e o
volume da solução. Dessa maneira, a melhor relação a ser utilizada para determinar a massa é:

Assim, faz-se necessário conhecer a massa molar do flúor, que é igual a 19 g/mol:

5 . 10⁻⁵ = m / 19 . 6

m = 5 . 10⁻⁵ . 19 . 6

m = 570 . 10⁻⁵ g

Para converte g para mg, deve-se multiplicar o valor encontrando por 1000, ou seja, 10³

m = 570 . 10⁻⁵ . 10³

m = 570 . 10⁻²

m = 5,7 mg

02. (FATEC) Para se obter meio litro de uma solução aquosa de cloreto de sódio 0,9% (soro
fisiológico) são necessários x gramas do sal. O valor numérico de x é, aproximadamente.

a) 0,45
b) 0,9
c) 4,5
d) 9,0
e) 45

Resolução: C
A concentração foi fornecida em porcentagem massa/ massa. Apesar do enunciado não deixar isso
claro, nos casos onde o tipo de porcentagem não é informado, considera-se que é em massa. Sendo
assim, pela porcentagem, pode-se que há 0,9 g de cloreto de sódio em 100 g de solução. Como a
densidade da água é igual a 1 g/mL, pode-se dizer
que o volume em questão é de 100 ml. Assim:

0,9 g ___ 100 ml


x ___ 500 ml (0,5 L)
x = 0,9 · 5
x = 4,5 g

FRAÇÃO MOLAR (X)

Representa a divisão do número de mols, de soluto ou de solvente, pelo número de mols total da
solução.

Onde X representa a fração molar e n o número de mols.

É importante observar que o valor de X se encontra no intervalo 0 < X < 1 e que a soma das frações
molares do soluto e do solvente devem equivaler ao todo, ou seja, a 1.

MOLALIDADE (W)

Representa o número de mols de soluto dissolvido por quilograma de solvente:

Onde n é igual ao número de mols, e m da massa, em quilogramas.

Exemplo:

Uma solução contendo 4 mol em 1 kg de solvente apresenta


molalidade igual 4 molal.

OPERAÇÕES COM SOLUÇÕES 1


A diluição é uma operação que envolve a adição de solvente, geralmente a água, à uma solução
inicial. Essa operação acarreta no aumento do volume da solução, o que leva à diminuição da
concentração.

DILUIÇÃO

É importante frisar que apesar do aumento da massa da solução ocorrer, a de soluto permanece
constante ao final do processo de diluição.
Sendo assim, a quantidade de mols de soluto permanece constante antes e após da solução:

nⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ = nᶠⁱⁿᵃˡ

Considerando que M = n / V, pode-se expressar essa relação


em função do número de mols:

n=M·V

Como visto, o número de mols permanece constante, pode, tem-se que:

nⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ = M ⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ · V ⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ e n ᶠⁱⁿᵃˡ = M ᶠⁱⁿᵃˡ · V ᶠⁱⁿᵃˡ

Considerando que n inicial = n final, tem-se que:

Mⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ . Vⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ = Mᶠⁱⁿᵃˡ .Vᶠⁱⁿᵃˡ

Relação semelhante pode ser pensada em termos de concentração comum, cuja expressão que
relaciona o antes e depois de uma diluição, em termos de concentração em g/L é:

Cⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ . Vⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ = Cᶠⁱⁿᵃˡ . Vᶠⁱⁿᵃˡ

MISTURA DE SOLUÇÕES SEM REAÇÃO QUÍMICA

Para determinar a concentração final de uma solução formada pela mistura de duas ou mais soluções
sem a ocorrência de reação química, utiliza-se a seguinte expressão:

C¹ . V¹ + C² . V² = Cᶠⁱⁿᵃˡ . Vᶠⁱⁿᵃˡ

A mesma relação pode ser feita para em termos de concentração molar:

M¹ . V¹ + M² . V² = Mᶠⁱⁿᵃˡ . Vᶠⁱⁿᵃˡ

Exemplo:

Determine a concentração da solução final formada a partir da mistura de uma solução de NaOH
contendo:

Note que a concentração de cada solução está sendo dada indiretamente, pois tem-se como dados a
massa e o volume de cada uma das soluções. Sendo assim:

C1 = 40 g/L; C2 = 60 g/L

Como se tratam de duas soluções que apresentam o mesmo soluto (NaOH), utiliza-se a relação:

C¹ . V¹ + C² . V² = Cᶠⁱⁿᵃˡ . Vᶠⁱⁿᵃˡ
(40 . 1) + (60 . 1) = Cᶠⁱⁿᵃˡ . 2

Cᶠⁱⁿᵃˡ = 50g/L

Quando se mistura dois solutos diferentes utiliza-se a relação de diluição, para cada um dos solutos:

Cⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ . Vⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ = Cᶠⁱⁿᵃˡ . Vᶠⁱⁿᵃˡ

Mⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ . Vⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ = Mᶠⁱⁿᵃˡ . Vᶠⁱⁿᵃˡ

Exemplo:

Determine a concentração de cada uma das substâncias presentes na solução após a mistura de uma
solução 0,1 M de NaOH e 0,2 M de C12H22O11:

Note que a mistura está ocorrendo entre solutos diferentes. Sendo assim, a concentração final será
calculada individualmente, considerando a variação de volume. É importante atentar para o fato da
possibilidade do soluto sofrer ionização/dissociação, porque assim as espécies resultantes em
solução serão íons, e suas concentrações devem ser calculadas levando em consideração a
proporção estequiométrica.

Assim:

[NaOH]

Mⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ . Vⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ = Mᶠⁱⁿᵃˡ . Vᶠⁱⁿᵃˡ

0,1 . 1 = Mᶠⁱⁿᵃˡ . 2

Mᶠⁱⁿᵃˡ = 0,05 mol/L

Note que, como o NaOH é um eletrólito forte, irá se dissociar em íons Na⁺ e OH⁻:

NaOH ➝ Na⁺(aq) + OH⁻(aq)

Assim, tem-se que [Na+ ] = [OH-] = 0,05 mol/L

[C¹²H²²O¹¹]

Mⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ . Vⁱⁿⁱᶜⁱᵃˡ = Mᶠⁱⁿᵃˡ . Vᶠⁱⁿᵃˡ

0,2 . 1 = Mᶠⁱⁿᵃˡ . 2

Mᶠⁱⁿᵃˡ = 0,1 mol/L

Como o C¹²H²²O¹¹ é uma substância molecular, não se ioniza nem dissocia. Sendo assim:

[C¹²H²²O¹¹] = 0,1 mol/L


EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

01. (ESPCEX) Em uma aula prática de química, o professor forneceu a um grupo de alunos 100 mL
de uma solução
aquosa de hidróxido de sódio de concentração 1,25 mol · L⁻¹. Em seguida solicitou que os alunos
realizassem um
procedimento de diluição e transformassem essa solução inicial em uma solução final de
concentração 0,05 mol · L⁻¹. Para obtenção da concentração final nessa diluição, o volume de água
destilada que deve ser adicionado é de

a) 2.400 mL
b) 2.000 mL
c) 1.200 mL
d) 700 mL
e) 200 mL

Resolução: A

A concentração inicial da solução era de 1,25 mol/L, e o volume era igual a 100 mL. Deseja-se
alcançar, por meio do processo de diluição, uma concentração de 0,05 mol/L. Para determinar a
quantidade de água a ser adicionada, utiliza-se a seguinte relação:

M¹ . V¹ = M² . V²

1,25 . 100 = 0,05 . V²

V² = 2500 mL

Esse valor indica que o volume final da solução será igual a 2500 mL. Assim, o volume de água
adicionado é igual a
2500 – 100 = 2400 mL.

02. Um aluno distraído misturou 0,3 L de uma solução de ácido clorídrico 1 mol · L⁻¹ com 0,1 L de Hcl
2 mol . L⁻¹. Ao perceber o erro, ele decidiu adicionar água para reestabelecer a concentração de 1 mol
. L⁻¹ . O volume de H²O adicionado a mistura, e em mL, igual a

a) 75
b) 100
c) 125
d) 500
e) 650

Resolução: B

A mistura realizada é entre solutos de mesma natureza, ambos correspondem à ácido clorídrico. A
união dessas
duas soluções resultará em uma nova solução e uma nova concentração:

M¹ . V¹ + M² . V² = Mᶠⁱⁿᵃˡ . Vᶠⁱⁿᵃˡ

(1 . 0,3) + (2 . 0,1) = Mᶠⁱⁿᵃˡ . (0,4)

Mᶠⁱⁿᵃˡ = 1,25 mol/L

Essa solução resultante, de concentração 1,25 mol/L, não era a desejada. Com o objetivo de
reestabelecer a concentração de 1 mol/L, o aluno terá que fazer uma diluição, de maneira a reduzir
essa concentração: de 1,25 mol/L para 1 mol/L:
M¹ . V¹ = M². V²

1,25 = 0,4 = 1 . V²

V² = 0,5 L

Sendo assim, o volume de água adicionado deverá ser 0,5 – 0,4 = 0,1 L = 100 mL

OPERAÇÕES COM SOLUÇÕES 2


Quando se mistura duas soluções que apresentam dois solutos diferentes que reagem entre si,
novas substâncias são formadas. Os reagentes e produtos dessa reação apresentam entre si
uma relação estequiométrica que permite prever, por exemplo, a quantidade de produto formado..

MISTURA DE SOLUTOS QUE REAGEM ENTRE SI

Por apresentarem esta relação estequiométrica, torna-se possível determinar informações tais como a
concentração de soluções desconhecidas.

A operação que permite determinar concentrações desconhecidas a partir da adição de uma solução
de concentração conhecida com a ocorrência de uma reação química entre um ácido e uma base
chama-se titulação.

A titulação é feita pela reação entre um ácido e uma base, onde a concentração de um deles é
conhecida e a do outro não. Conhecida uma das concentrações, adiciona-se lentamente, sobre a
solução que se deseja determinar a concentração, o líquido contendo a solução de concentração
conhecida. A partir do volume de solução utilizado, é possível determinar a concentração da solução
de concentração desconhecida.

A titulação ocorre na presença de um indicador ácido-base, que será o responsável por indicar o
ponto em que a reação terminou, a partir da mudança de coloração da solução. Esse ponto é
chamado de ponto de equivalência.

A titulação também pode ser realizada pela adição da solução de concentração desconhecida sob a
solução de concentração conhecida.

Para realizar a titulação, é necessário conhecer: a concentração de uma das soluções; o volume da
solução desconhecida e o volume da solução conhecida. A partir dessas informações, será possível
calcular a concentração da solução desconhecida.

OBSERVAÇÃO
Para que o cálculo da concentração esteja correto, a equação química precisa estar corretamente
balanceada.

Exemplo:

Suponha que se deseja descobrir a concentração de uma solução de HCl partindo-se de um volume
de 25 mL. Para tal, dispõe-se de uma solução 0,1 M de NaOH. Sabe-se que foram necessários 10 mL
de NaOH para completa neutralização. Com base no exposto, determine a concentração do ácido.

Resolução:

Determina-se o número de mols de NaOH necessários para a neutralização:

M=n/V

n = M/ V = 0,1 . 0,01 L

n = 0,001 mols = 10-³ mols

NaOH + HCl→ NaCl + H2O

1 mol 1 mol 1 mol 1 mol

10 -³ mol. 10-³ mol

A partir da proporção estequiométrica (1:1) entre o ácido e a base, tem-se que o número de mols de
HCl neutralizados foi igual a 10-³. Sendo assim:

M = n / V = 10-³ mol / 0,025 L

M = 0,04 mol/L = 4 . 10-2 mol/L

Esse problema também pode ser solucionado utilizando a seguinte relação:

Mᴬ . Vᴬ . Xᴬ = Mᴮ . Vᴮ e Xᴮ

Onde Xᴬ = quantidade H+ e Xᴮ = quantidade de OH-

EXÉRCICIOS RESOLVIDOS

01. Neutraliza-se 50 mL de solução aquosa de hidróxido de sódio 0,10 mol/L com 50 mL de solução
aquosa de ácido clorídrico 0,10 mol/L Nessa reação, há formação de água. As espécies Na+ e Cl- são
íons espectadores.

NaOH(aq) + HCl(aq) → H²O(l) + NaCl(aq)

Admitindo como desprezível a expansão de volume como resultado dessa reação, a concentração de
Cl- em quantidade de matéria (mol/L) na solução resultante é aproximadamente igual a:

a) 0,05
b) 0,10
c) 0,14
d) 0,18
e) 0,20

Resolução: A
Primeiro, deve-se calcular a quantidade de mols que irão reagir:

NaOH: n = M . V = 0,10 . 50 . 10⁻³ = 50 . 10⁻⁴ mol

HCl: n = M . V = 0,10 . 50 . 10⁻³ = 50.10⁻⁴ mol

Como a proporção de ácido e de base, e de sal, é de 1:1:1, conclui-se que todo a base presente é
neutralizada por toda a base presente.

A quantidade de sal formado é, então, igual a 50 · 10⁻⁴ mol.

Para calcular a concentração de íons Cˡ⁻, leva-se em consideração que o sal formado se dissocia:

NaCl ➝ Na⁺ + Cˡ⁻

O volume final, após a mistura, é de 50 + 50 = 100 ml:

[Cl⁻] = n / V = 50 . 10⁻⁴ / 10⁻¹

[Cl⁻] = 50 . 10⁻³

[Cl-] = 0,050 mol/L

02. (UDESC) A molaridade da solução de NaOH, da qual 50 ml requerem 21,2 ml de solução de


H²SO⁴ 1,18 mol/L para total neutralização, é:

a) 0,10 mol/L
b) 0,05 mol/L
c) 0,010 mol/L
d) 1,0 mol/L
e) 0,5 mol/L

Resolução: D

A reação de neutralização corretamente balanceada é:

2 NaOH + H²SO⁴ ➝ Na²SO⁴ + 2 H²O

Note pela fórmula do NaOH que este apresenta um íon hidroxila, OH-, enquanto o H²SO⁴ apresenta
dois íons H+. Ou seja, Xᴬ = 2; Xᴮ = 1.

Assim:

Mᴬ . Vᴬ . Xᴬ = Mᴮ . Vᴮ . Xᴮ

1,18 . 21,2 . 2 = Mᴮ . 50 . 1

Mᴮ = 1 mol/L

PROPRIEDADES COLIGATIVAS
As propriedades coligativas são propriedades observadas em uma solução com a adição de um
soluto não volátil na mesma. A presença desse soluto não-volátil faz com que a solução
apresente propriedades distintas da solução contendo apenas o soluto de início.
Essas propriedades independem da natureza do soluto, dependendo apenas da quantidade de
partículas presentes em solução.

TIPOS DE SOLUÇÃO

Como o número de partículas presentes em solução é crucial para determinar as propriedades da


solução na presença do soluto não-volátil, é crucial diferenciar os tipos de soluções:

Solução molecular: as partículas presentes na solução são moléculas.

Exemplo:

1 mol de C12H22O11 irá resultar em 1 mol de partículas na solução.

Solução iônica: as partículas presentes na solução são íons.

Exemplo:

1 mol de NaCl irá resultar em 2 mols de partículas em solução, sendo 1 mol de Na+ e 1 mol de Cl–:

NaCl → Na+ + Cl–

PRESSÃO DE VAPOR

A evaporação é um fenômeno comum em sistemas abertos e fechados. Porém, em sistemas


fechados, a evaporação irá depender de um fator denominado pressão de vapor.

Em sistemas fechados, conforme a evaporação acontece, as moléculas que se encontram no estado


gasoso irão exercer uma pressão sobre a superfície líquida da solução. Essa pressão é chamada de
pressão de vapor. Isso irá fazer com que se tenha um limite na evaporação. Quando esse limite é
atingido, o sistema entra em equilíbrio, as fases líquida e gasosa coexistem, e a pressão será
máxima.

A pressão de vapor pode ser entendida como uma medida de volatilidade. Quanto maior a pressão de
vapor, mais volátil é a substância; e quanto menor, menos volátil.

OBSERVAÇÃO

Para que um líquido entre em ebulição é preciso que a pressão de vapor se iguale com a pressão
ambiente. Assim, quanto menor for a pressão de vapor, maior o ponto de ebulição da substância.

Vale observar que, mudando-se a pressão de vapor, altera-se também o ponto de ebulição da
solução.
A pressão de vapor das substâncias irá depender do tipo de ligação intermolecular que as moléculas
desta exercem entre si.

Observe que o NaCl, por ser uma substancia iônica, apresenta maior ponto de ebulição, e portanto,
menor pressão de vapor.

Já o álcool, por apresentar interações intermoleculares do tipo ligação de hidrogênio, apresenta ponto
de ebulição alto (porém, menor que o de substancia iônicas). Assim, sua pressão de vapor é maior
que a do cloreto de sódio.

Por fim, o éter, por apresentar um tipo de interação intermolecular mais fraca que as demais (dipolo-
dipolo) irá apresentar maior pressão de vapor.

OBSERVAÇÃO

Quanto maior a pressão de vapor → menor o ponto de ebulição → maior a volatilidade

FATORES QUE INFLUENCIAM NA PRESSÃO DE VAPOR

Temperatura: Quanto maior a temperatura de um líquido, maior será sua facilidade em evaporar.
Com isso, a pressão de vapor aumenta.

Natureza das interações: Quanto mais fracas as interações intermoleculares que mantém as
moléculas de um líquido unidas, maior será sua pressão de vapor, já que seu grau de evaporação
será maior.

TONOSCOPIA

É a diminuição da pressão de vapor pela adição de um soluto não volátil. Quanto maior a quantidade
de partículas dissolvidas, menor a pressão de vapor.

EBULIOSCOPIA

É a elevação do ponto de ebulição pela adição de um soluto não volátil. Essa propriedade é
decorrente da tonoscopia, uma vez que a adição de soluto não volátil ocasiona uma diminuição na
pressão de vapor – aumentado, consequentemente, o ponto de ebulição.

Exemplo: a adição de cloreto de sódio à água faz com que a ebulição da mesma ocorra acima de
100 ºC. As partículas decorrentes da dissociação do sal (Na+ e Cl-) retém as moléculas de água,
dificultando a vaporização.

Cabe frisar que, quanto maior a concentração, maior a quantidade de partículas em solução,
aumentando o efeito ebulioscópico.

CRISPOCOPIA
É a diminuição da temperatura de congelamento de um líquido pela adição de um soluto não volátil.
As partículas dispersas em solução dificultam o processo de congelamento.

Exemplo: a adição de sal grosso ao gelo diminui o ponto de congelamento da água. Isso é útil
quando se deseja fazer com que bebidas imersas no gelo resfriem mais rapidamente.

OBSERVAÇÃO

Em países muito frios ou muito quentes é indicado que as pessoas adicionem à água dos radiadores
(responsáveis pela refrigeração de motores) uma substância chamada aditivo. Os radiadores são
usados como resfriadores dos motores. Os aditivos são solutos não voláteis, e ao serem adicionados
à água, alteram suas propriedades. Em países quentes, o aditivo faz com que o seu ponto de ebulição
da água aumente, o que retarda a sua ebulição. Em países muito frios, a presença do aditivo faz com
que se reduza o ponto de congelamento, impedindo que a água congele.

PRESSÃO OSMÓTICA

É o estudo da elevação da pressão osmótica de um líquido em função da adição de um soluto não


volátil. A pressão osmótica é um fenômeno que se opõe à osmose, dificultando sua ocorrência. A
osmose pode ser definida como a passagem de solvente de uma solução menos concentrada (mais
diluída) para uma mais concentrada, através de uma membrana semipermeável. A passagem de
solvente se encerra com quando as concentrações em ambos os lados se igualam.

A pressão osmótica (π) é a pressão externa necessária para que se evite a ocorrência do fenômeno
de osmose. Qualitativamente, a pressão osmótica (π) pode ser definida como:

π=M⋅R⋅T⋅i

Onde:

M = concentração molar (mol⋅L-1);

T = temperatura (K)

R = 0,082 atm . L⋅mol-¹⋅K-¹

i = fator de Van’t Hoff, que é igual ao número de mols de partículas em solução. Em soluções
moleculares, o valor de i será sempre igual a 1.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

01. (UEMG) Ebulioscopia é a propriedade coligativa, relacionada ao aumento da temperatura de


ebulição de um líquido, quando se acrescenta a ele um soluto não volátil.
Considere as três soluções aquosas a seguir:

Solução A = NaCl 0,1 mol/L


Solução B = sacarose 0,1 mol/L
Solução C = CaCl² 0,1 mol/L
As soluções foram colocadas em ordem crescente de temperatura de ebulição em

a) C, A, B.
b) B, A, C.
c) A, B, C.
d) C, B, A.

Resolução: B

A solução A é iônica, logo, o NaCl em meio aquoso irá sofrer dissociação:

NaCl(s) → Na+(aq) + Cl-(aq)

1 mol 1 mol 1mol

0,1 mol 0,1 mol 0,1 mol

Logo, serão formados 0,2 mols de partículas em solução.

A solução B é molecular, logo, não sofre dissociação/ ionização. Ou seja, se a concentração é 0,1
mol/L, serão formados 0,1 mol de partículas.

A solução C é iônica, logo, o CaCl² em meio aquoso irá sofrer dissociação:


CaCl²⁽ˢ⁾ → Ca²⁺(aq) + 2 Cl-(aq)
1 mol 1 mol 1mol
0,1 mol 0,1 mol 0,2 mol

Logo, serão formados 0,3 mols de partículas em solução.

Quanto maior o número de partículas em solução, maior o efeito ebulioscópico, ou seja, maior a
temperatura de ebulição. Sendo assim, em termos de temperatura de ebulição, tem-se: C > A > B,
uma vez que há, respectivamente, 0,3 mols, 0,2 mols e 0,1 mols de partículas em solução,
respectivamente.

Em ordem crescente de temperatura de ebulição: B, A, C.

02. (UECE) A purificação da água através do processo de osmose é citada, em 1624, na obra Nova
Atlântida, de Francis Bacon (1561-1626). A dessalinização de uma solução de sulfato de alumínio
pelo processo citado acima ocorre utilizando-se uma membrana semipermeável. Considerando a
concentração em quantidade de matéria da solução 0,4 mol/L, 0 admitindo-se o sal totalmente
dissociado e a temperatura de 27 ºC, a diferença da pressão osmótica que se estabelece entre os
lados da membrana no equilíbrio, medida em atmosferas, é

a) 39,36.
b) 49,20.
c) 19,68.
d) 29,52.

Resolução: B

O cálculo da pressão osmótica é feito por meio da seguinte expressão:


π=i⋅M⋅R⋅T

Antes de aplicar na fórmula, deve-se levar em consideração que o sulfato de alumínio é um composto
iônico, e sofrerá dissociação em meio aquoso:
Al²(SO⁴)³⁽ˢ⁾ ➝ 2 Al³⁺ (aq) + 3 SO4²⁻(aq)
1 mol 2 mol 3 mol

Note que após a dissociação foram formados 5 mols de partículas em solução. Logo, tem-se que i =
5.

Aplicando os dados na expressão:

π=i⋅M⋅R⋅T
π = 5 ⋅ 0,4 ⋅ 0,082 ⋅ (273 + 27)
π = 49,20 atn

CINÉTICA QUÍMICA 1
Cinética química é o ramo da físico-química que estuda a velocidade das reações, bem como os
fatores que interferem diretamente na velocidade. Mas, para que uma reação química aconteça, é
preciso que haja contato e afinidade química entre os reagentes.

Além do contato e afinidade, também é necessária uma orientação favorável na colisão entre as
moléculas de reagente, e uma determinada energia, chamada energia de ativação, deve ser atingida
para que a reação de fato ocorra, o que se inicia após a formação do complexo ativado.

Complexo ativado: estado intermediário formado entre os reagentes e os produtos. É um momento


onde as ligações dos reagentes estão sendo enfraquecidas e as dos produtos sendo formadas.

Energia de ativação: é a energia mínima necessária para que a reação inicie, ou seja, para que se
inicie a formação do complexo ativado.

VELOCIDADE MÉDIA (VM)

A velocidade média é definida como:

Vᴹ = ∆quantidade / ∆tempo

Podendo as quantidades serem expressas em concentração ([ ]) ou número de mols (n).

FATORES QUE INFLUÊNCIA NA VELOCIDADE DAS REAÇÕES

Os fatores podem influenciar na velocidade de uma reação química são:

CONCENTRAÇÃO

Para que uma reação química ocorra, é necessário que as moléculas de reagentes se choquem em
uma posição favorável. Esse choque é chamado de efetivo. É razoável prever, então, que quanto
maior a quantidade de moléculas, maior a velocidade da reação. Assim, quanto maior a concentração,
maior a quantidade de moléculas, e maior a possibilidade de se obter choques efetivos:

Quanto maior a concentração, maior a velocidade da reação.

SUPERFÍCIE DO CONTATO

É a área exposta para que os reagentes se encontrem realizando um choque efetivo. Assim, quanto
maior a superfície de contato, maior a chance dos reagentes se encontrarem, ampliando a
probabilidade de um choque efetivo:

Quanto maior a superfície de contato, maior a velocidade da reação.


Exemplo: Uma barra de ferro oxida mais lentamente quando comparada ao ferro na forma de pó.

TEMPERATURA

O aumento da temperatura provoca o aumento da energia cinética, o que faz com que as moléculas
fiquem mais agitadas, aumentando o movimento das partículas. Assim, a probabilidade das moléculas
se encontrarem é maior, e consequentemente, maior será a chance de ocorrerem choques efetivos.

Quanto maior a temperatura, maior a velocidade da reação.

CATALISADOR

É uma substância química capaz de reduzir a energia de ativação de uma reação, ao propor um
caminho energeticamente mais favorável, ou seja, de menor energia. Os catalisadores participam da
reação, mas não são consumidos no processo.

A consequência da redução da energia de ativação faz com que a reação ocorra mais rapidamente.

Curva verde: reação na ausência de catalisador

Energia de ativação na ausência de catalisador = 120 – 50 = 70 kJ

Curva rosa: reação na presença de catalisador

Energia de ativação na presença de catalisador = 90 – 50 = 40 kJ

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

01. (IFCE) Um aluno, ao organizar os materiais de sua pesquisa em um laboratório químico, não
observou e deixou em um mesmo armário placas de zinco junto com solução aquosa de ácido
clorídrico. Tal fato pode levar à ocorrência da seguinte reação:

Zn⁽ˢ⁾ + HCl(aq) ➝ ZnCl²(aq) + H²(aq)

A reação entre esses produtos poderia ser minimizada se

a) houvesse a presença de um catalisador.


b) a temperatura do laboratório estivesse alta.
c) o zinco estivesse na forma de pó.
d) a temperatura do laboratório estivesse baixa.
e) as quantidades dos reagentes fossem aumentadas.

Resolução: D

A velocidade é proporcional a temperatura. Se a temperatura aumenta, a velocidade aumenta


também. Se a temperatura diminui, a velocidade diminui. Isso porque a energia cinética da reação irá
diminuir, e a agitação das moléculas também. Isso faz com que os choques entre as moléculas dos
reagentes diminuam. Com a redução dos choques, a reação será minimizada.
02. (UNISC) Considerando que em uma reação hipotética A → B + C observou-se a seguinte variação
na concentração de A em função do tempo:

A velocidade média (Vᴹ) da reação no intervalo de 180 a 300 segundos é

a) 1,66 x 10⁻⁴ mol L⁻¹ . s⁻¹


b) 3,32 x 10⁻⁴ mol L⁻¹ . s⁻¹
c) 1,66 x 10⁻² mol L⁻¹ . s⁻¹
d) 0,83 x 10⁻² mol L⁻¹ . s⁻¹
e) 0,83 x 10⁻⁴ mol L⁻¹ . s⁻¹

Resolução: A

Cálculo da velocidade média no intervalo de 180 a 300 segundos:

VM = Δ concentração / Δ tempo

VM = 0,180 – 0,200 / 300 – 180


VM = |0,020| / 120
VM = 0,000166
VM = 1,66 × 10⁻⁴ mol L⁻¹ . s⁻¹

CINÉTICA QUÍMICA 2
Aprenda sobre a Lei da Velocidade e Ordem de uma Reação.

LEI DA VELOCIDADE

A velocidade de uma reação química é diretamente proporcional ao produto das concentrações dos
reagentes, sendo estas concentrações elevada a ordem da reação em relação à cada um dos
reagentes.

Além disso, a velocidade também está relacionada à uma constante, k, chamada constante de
proporcionalidade, que é específica para cada reação química e depende apenas da temperatura.

De forma geral, a lei da velocidade para a reação A + B → C + D pode ser expressa por

v = k ⋅ [A]x ⋅ [B]y

Onde
v = velocidade da reação
k = constante da proporcionalidade
[ ] = concentração dos reagentes (mol/L)
x e y = expoentes determinados experimentalmente.

ORDEM DA REAÇÃO

Determinada experimentalmente, as reações químicas podem ser de primeira ordem ou de segunda


ordem. A ordem da reação é determinada sempre em relação à um reagente.

Ordem zero: quando a velocidade não sofre alteração coma variação da concentração de um
reagente. Isto quer dizer que o reagente em questão não interfere na velocidade da reação.
Primeira ordem: quando a velocidade é diretamente proporcional à concentração. Logo, o expoente
é igual a 1. Uma reação ser de primeira ordem em relação à um determinado reagente quer dizer por
exemplo, que se dobrarmos a concentração desse reagente, a velocidade da reação também irá
dobrar.

Segunda ordem: quando a velocidade é diretamente proporcional ao quadrado da concentração.


Logo, o expoente é igual a 2. Uma reação ser de segunda ordem em relação à um determinado
reagente quer dizer por exemplo, que se dobrarmos a concentração desse reagente, a velocidade da
reação também irá quadruplicar.

Além disso, pode-se determinar a ordem da reação, que é determinada pela soma dos expoentes dos
reagentes.

REAÇÕES ELEMENTARES E NÃO ELEMENTARES

As reações podem ser classificadas como elementares e não elementares.

Reações elementares: ocorrem em uma única etapa. A ordem da reação em relação a cada
reagente é numericamente igual aos coeficientes estequiométricos da reação.

Exemplo:

H²(g) + I²(g) → 2 HI(g) Etapa única

v = k[H²]¹ ⋅ [I²]

Reações não elementares: ocorrem em mais de uma etapa, sendo a etapa lenta a determinante da
velocidade. A ordem da reação em relação aos reagentes é determinada experimentalmente.

Exemplo:

Os dados experimentais a seguir se referem à reação 2 A + B → C + D:

Para determinar a ordem de cada reagente, é feita a comparação entre dois experimentos, onde a
concentração do reagente que se deseja determinar a ordem varia de um experimento para outro,
enquanto a concentração dos demais reagentes permanece constante. Deve-se realizar este
procedimento com todos os reagentes da reação: enquanto o que se deseja analisar deve ter sua
concentração alterada, a dos demais devem permanecer constante. Assim, será possível verificar
qual a influencia de cada um dos reagentes sobre a velocidade da reação.

Experimento 2 e 3: [A] se mantém constante, enquanto a [B] dobra. Como a velocidade também
dobra, a ordem de [B] é igual a 1.

Experimento 1 e 2: [B] se mantém constante, enquanto [A] dobra. Como a velocidade quadriplica, a
ordem de [A] é igual a 2.

Expressão da velocidade para a reação A + 2 B → C + D:

v = k[A]² ⋅ [B]¹

Ordem global da reação = 2 + 1 = 3


EXPRESSÃO DA VELOCIDADE PARA SISTEMAS HETEROGÊNEOS

Em reações em que os reagentes se encontram em estados de agregação distintos, a expressão da


velocidade é descrita em função dos reagentes que apresentam maior grau de liberdade.

Grau de liberdade das moléculas:

gasoso > líquido > sólido

Nos casos onde o reagente for aquoso, considera-se que este apresenta grau de liberdade
semelhante ao estado gasoso.

Exemplo:

2 X(l) + Y(g) → Z(g), v = k ⋅ [Y]¹

2 X(l) + Y(s) → Z(g), v = k ⋅ [X]²

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

01. (IFSUL) Os veículos emitem óxidos de nitrogênio que destroem a camada de ozônio. A reação em
fase gasosa ocorre em duas etapas:

1ᵃ etapa: O³ + NO² ➝ O² + NO³ (lenta)

2ᵃ etapa: NO² + NO³ ➝ N²O⁵ (rápida)

A lei de velocidade para a reação é

a) v = k[O³][NO²]

b) v = k[NO²][NO³]

c) v = k[O²][NO³]

d) v = k[N²O⁵]

Resolução: A

Quando a reação é não elementar, ou seja, quando ocorre em mais de uma etapa, os coeficientes da
expressão da velocidade são determinados pelos coeficientes estequiométricos dos reagentes da
etapa lenta.

Assim:

1 O³ + 1 NO² ➞ 1 O² + 1 NO³

v = k[O³]¹ . [NO²]¹

02. (UEPA) De um modo geral, a ordem de uma reação é importante para prever a dependência de
sua velocidade em relação aos seus reagentes, o que pode influenciar ou até mesmo inviabilizar a
obtenção de um determinado composto.

Sendo assim, os dados da tabela abaixo mostram uma situação hipotética da obtenção do composto
“C”, a partir dos reagentes “A” e “B”.
A partir dos dados da tabela acima, é correto afirmar que a reação: A + B → C, é de:

a) 2ª ordem em relação a “A” e de ordem zero em relação a “B”

b) 1ª ordem em relação a “A” e de ordem zero em relação a “B”

c) 2ª ordem em relação a “B” e de ordem zero em relação a “A”

d) 1ª ordem em relação a “B” e de ordem zero em relação a “A”

e) 1ª ordem em relação a “A” e de 1ª ordem em relação a “B”

Resolução: A

Para determinar a ordem de reação em relação a A, analisa-se os experimentos 1 e 3, pois neles a


concentração de B é constante. Assim, qualquer alteração na velocidade neste intervalo será em
função de A.

Note que neste intervalo (1-3), a concentração de A dobra, enquanto a velocidade quadruplica. Sendo
assim, a ordem da reação em relação a A é igual a 2.

Para determinar a ordem da reação em relação a B, analisa-se os experimentos 1 e 3, pois neles a


concentração de A é constante, enquanto a de B varia.

Note que neste intervalo (1-2), a concentração de B dobra, enquanto a velocidade permanece
constante, ou seja, não sofre alteração. Isso significa que a ordem da reação em relação a B é igual a
0.

A expressão da velocidade para esta reação é: v = k [A]² ⋅ [B]⁰, ou seja, v = k [A]². Assim, pode-se
concluir que a reação é de 2ª ordem em relação a “A” e de ordem zero em relação a “B”.

QUÍMICA AMBIENTAL
Os avanços tecnológicos vem causando um desequilíbrio na relação dos seres humanos com a
natureza, acarretando em sérias consequências ao meio ambiente. Dentre eles, destacam-se a
chuva ácida, o aquecimento global, o “buraco” na camada de ozônio e o problema do lixo.

CHUVA ÁCIDA

A atmosfera é composta basicamente por nitrogênio (71%), oxigênio (28%) e outros gases (1%), tais como
argônio (Ar) e gás carbônico (CO2 ), além de vapor d’água (H2 O).

Nos locais onde há um certo nível de poluição, sobretudo em centros urbanos e industriais, outras
substâncias passam a integrar o ar atmosférico, tais como os anidridos sulfúrico e sulforoso, SO3 e SO2 ;
monóxido de nitrogênio e dióxido de nitrogênio, NO e NO2 ; fuligem (C); por exemplo.

Dentre as substâncias citadas, os óxidos são aqueles que irão causar o problema ambiental denominado
chuva ácida.
Uma das consequências da chuva ácida é a corrosão de monumentos à base de calcário

Naturalmente, a chuva já apresenta caráter ácido devido à presença de CO2 na atmosfera. O CO2 reage
com a água presente na atmosfera produzindo ácido carbônico (H2 CO3 ). A presença desse ácido, que é
fraco, faz com que o pH da chuva esteja na faixa de 5,6 (o que torna água levemente ácida) devido à sua
ionização.

Essa reação é representada por um equilíbrio, uma vez que o ácido carbônico é instável:

CO2 + H2 O ⇌ H2 CO3

A emissão de óxidos de enxofre e nitrogênio na atmosfera, proveniente da atividade industrial e queima de


combustíveis fósseis, intensifica a acidez da chuva.

O dióxido de enxofre é oxidado pelo oxigênio presente na atmosfera, levando a formação de SO3 , que,
em contato com a água, forma ácido sulfúrico, H2 SO4 .

SO2 + O2 → SO3

SO3 + H2 O → H2 SO4

Já a formação de NO2 se dá a partir da ação de raios e descargas elétricas sobre os gases nitrogênio e
hidrogênio:

N2 + O2 → 2 NO

2 NO + O2 → 2 NO2

2 NO2 + H2 O → HNO2 + HNO3

Além dos gases citados, o aumento da emissão de CO2 pela queima de combustíveis fósseis também tem
contribuído para o aumento da acidez da água da chuva.

A atividade industrial é uma das responsáveis pelo aumento da emissão de SO² na atmosfera

Os ácidos nítrico e nitroso, HNO3 e HNO2 , respectivamente, intensificam a acidez da chuva.

Os principais problemas causados pela chuva ácida são:

• Corrosão de monumentos à base de calcário (CaCO3);

• Alteração do pH dos rios, impactando ecossistemas aquáticos, aumentando mortandade e dificultando a


reprodução;
• Alteração do pH dos solos das florestas, atingindo a fauna e flora local;

• Nos seres humanos, pode causar problemas respiratórios e imunológicos.

• Destruição de lavouras, o que gera impacto na economia e aumento dos preços de produtos.

Impacto sobre a fauna e flora é um dos problemas causados pela chuva ácida

A estimativa é que o homem lance na atmosfera cerca de 100 milhões de toneladas de SO2 e 70 milhões
de toneladas de óxidos nítricos por ano. A principal forma de combater o problema da chuva ácida é
reduzir a emissão de combustíveis fósseis.

EFEITO ESTUFA

O efeito estufa é um fenômeno natural, responsável por manter a temperatura média da Terra, permitindo
a existência da vida. Sem esse fenômeno, a vida tal como conhecemos, não existiria.

O planeta Terra é constantemente atingindo por radiação infravermelha (IV) presente nos raios solares. A
Terra, por sua vez, tenderia a irradiar toda essa energia de volta para a superfície, mas não o faz devido a
presença da atmosfera, composta de gases denominados estufa. Assim, a radiação tem dificuldade em
voltar ao espaço.

Os gases estufa absorvem parte dessa radiação, retendo-a. Dessa maneira, a superfície recebe energia,
ficando mais quente do que estaria sem a presença desses gases na atmosfera. Os principais gases
estufa são gás carbônico, CO2 , vapor d’água, H2O, e metano, CH4 . Na verdade, todo gás que é emitido
a atmosfera e que tenha a capacidade de absorver radiação, pode atuar como um gás estufa.

Sem o efeito estufa, a Terra teria uma temperatura média de 10ºC, o que inviabilizaria a existência de vida.
Assim, o efeito estufa é um fenômeno natural e imprescindível a vida. O grande problema, é que, devido a
atividade antrópica, o efeito vem sendo intensificado, causando o problema ambiental denominado
aquecimento global.

AQUECIMENTO GLOBAL

Quando há excesso de emissão de gases estufa mais energia é retida a partir da radiação, o que leva à
um maior aquecimento da Terra. A tendência, com o passar dos anos, é o que efeito estufa se intensifique
cada vez mais, levando ao aumento da temperatura média da Terra.

O efeito estufa tem se intensificado pelo aumento da emissão de gases estufa na atmosfera, devido à
ação antrópica.
Gases que intensificam o efeito estufa:

• Gás Carbônico (CO2) → É emitido via fontes naturais como respiração, decomposição de plantas
e animais e queimadas das florestas, e fontes não naturais como queima de combustíveis fósseis,
desmatamento e queima da biomassa.
• Metano (CH4) → é o segundo gás de importância na “estufa gasosa”. As principais fontes são
arrozais, pântanos, gás natural e queima da biomassa. A permanência do metano na atmosfera é
cerca de 10 anos, mas em termos de aquecimento, esse gás é 20 vezes mais potente que o CO2 .
• Clorofluorcarbonetos (CFC’s) → São grupos de componentes produzidos artificialmente, formado
por moléculas de metano ou etano com a substituição de hidrogênio por átomos de cloro e flúor.
Os principais são CCl3 F e CClF2 . Esse gás era muito utilizado em aerossóis e em sistemas de
refrigeração, por exemplo. A potência dos CFCs como gás-estufa é 10 mil vezes maior que o CO2 .
• Hexafluoreto de Enxofre (SF6) → Esse gás tem potencial estufa cerca de 25 mil vezes maior que
o CO2 e tempo de vida médio de 2 anos. É utilizado como isolante em instalações elétricas,
transformadores e cabos subterrâneos.

O aquecimento global, por causar o aumento da temperatura média da Terra, tem como
consequência:

• Derretimento das calotas polares, causando o aumento dos níveis dos oceanos, podendo provocar
inundações em cidades e alagamentos em ilhas;

• Desvio do curso de correntes marítimas, atingindo os ecossistemas marinhos;

• Maior ocorrência de furacões, tufões, enchentes e maremotos;

• Alterações nos ciclos de chuva, causando seca ou excesso de chuva;

• A seca poderá tornar a terra árida e imprópria para o cultivo, afetando a produção de alimentos; poderá
ocorrer também o fenômeno da (desertificação);

• A falta de chuva poderá causar esgotamento das hidrelétricas, afetando a disponibilidade de energia
elétrica;

• Ocorrência de incêndios em florestas;

• Maior incidência de câncer de pele na população, causado pelo aumento da radiação incidente.

Tendo em vista os inúmeros problemas causados pela intensificação do efeito estufa, percebe-se
a importância de minimizar o impacto desse fenômeno, e o caminho é a redução da emissão de
gases estufa na atmosfera pela atividade antrópica, reduzindo a queima de combustíveis fósseis,
por exemplo.
CAMADA DE OZÔNIO

A camada de ozônio é uma fina camada contendo gás ozônio, O3, localizada, na estratosfera, e é
a responsável por absorver uma quantidade significativa de radiação ultravioleta, radiação esta
nociva aos seres vivos.

A destruição dessa camada a partir de atividades humanas veio crescendo ao longo dos anos
pela emissão de gases pouco reativos que apresentam cloro, chamados de CFC’s, o que fez com
que estes se acumulassem na baixa atmosfera. Quando os CFC’s entram em contato com a
estratosfera, sofrem ação dos raios ultravioleta, o que leva à formação de radicais livres.

OBSERVAÇÃO

Os CFCs são gases oriundos da utilização de aerossóis, muito utilizado em sistemas de


refrigeração. Atualmente, seu uso é proibido em diversos países.

Esses radicais livres reagem com o ozônio, formando uma


molécula de O2 e uma de óxido de cloro. O ClO não tem uma
duração longa, então, reage com um átomo de O livre, liberando
outro radical livre que destrói outra molécula de ozônio.

Cl + O3 → ClO + O2

ClO + O → Cl + O2

O3 + O → 2 O2

Essa reação, por ser irreversível, faz com que o ozônio atacado pelo oxigênio nascente não
possa ser recuperado, contribuindo para a destruição da camada de ozônio.

Os CFCs são extremamente nocivos, pois um único radical livre de cloro é capaz de destruir
cerca de 100 mil moléculas de ozônio. A destruição gradual da camada de ozônio faz com que
esta vá perdendo a sua função de filtrar a radiação UV, radiação nociva aos seres vivos.

A destruição das moléculas de ozônio pode ser evidenciada em imagens de satélites pela
presença de um buraco, o que justifica a utilização do termo “buraco” na camada de ozônio.
Conforme esse buraco vai aumentando, mais radiação UV consegue chegar na Terra, levando à
inúmeros problemas, tais como aumento da incidência de câncer na população, danos ao sistema
imunológico, impacto na cadeia alimentar ocasionado pela redução da atividades dos
fitoplânctons, dentre outros.

OBSERVAÇÃO

Com o objetivo de estabelecer ações que visam reduzir a emissão de substâncias que contribuem
para a destruição da camada de ozônio, criou-se o Protocolo de Montreau, um tratado
internacional que teve início em 1 de janeiro de 1989. Desde então, este protocolo tem sido bem-
sucedido, uma vez que a emissão de gases que danificam a camada de ozônio tem reduzido com
o passar dos anos. Caso os países cumpram com suas promessas, estima-se que será possível
reduzir o problema do buraco na camada de ozônio, alcançando a dimensão que este
apresentava na década de 80.

O PROBLEMA DO LIXO

Na natureza, como colocado por Lavoisier, nada se perde, tudo se transforma. O mesmo ocorre
com o lixo. Lixo pode ser definido como todo resíduo sólido que não tem mais valor. Mas nem
todo lixo é inútil, e se destinado corretamente, pode ser reutilizado ou reaproveitado, evitando
uma série de problemas ambientais.

O lixo formado por resíduos provenientes de matéria orgânica se decompõe pela ação de micro-
organismos. Assim tem sido durante muito tempo, onde o nosso lixo orgânico servia de alimento
para outras formas de vida, sendo o ciclo natural do lixo. Porém, com a crescente
industrialização, resíduos de origem não natural tem sido cada vez mais comuns, tornando o lixo
um problema.

Os avanços tecnológicos exigem cada vez mais a utilização de matéria prima – aumentando a
quantidade de lixo gerada e afetando seriamente o meio ambiente. Essa atitude mostra que a
sociedade moderna rompeu com o ciclo natural do lixo. Por essa razão, é preciso adotar novas
soluções para lidar com o lixo gerado, diminuindo o impacto do seu descarte ao planeta.

Alguns problemas causados pelo lixo:

• contaminação do solo, ar e água;

• enchentes;

• degradação do ambiente;

• doenças.

Soluções para lidar com o problema do lixo:

• Utilizar matéria orgânica como adubo na agricultura;

• Reciclagem;
• Redução do consumo desenfreado;

• Geração de novas tecnologias que permitam lidar com os resíduos

PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEIS: O BIOGÁS

Uma das soluções para a redução de lixo gerador de matéria orgânica é a produção de biogás.
Bactérias fermentadoras de matéria orgânica produzem gás metano e dióxido de carbono, uma
mistura que constitui um gás inflamável, que pode ser utilizado como combustível: o biogás.

Esse processo ocorre naturalmente nos aterros e lixos. Mas, se realizado artificialmente, é capaz
de produzir biogás, uma fonte energética renovável e limpa ou seja, um biocombustível.

A maior vantagem do biogás é resolver a problemática do lixo e poluição ambiental. O lixo,


armazenado em aterros sanitários, produz chorume, um líquido poluente, que, em contato com o
solo, causa não apenas sua contaminação como também a dos lençóis freáticos. Além disso, por
ação das bactérias fermentadoras, a produção de gás metano é continua. Esse gás é cerca de 20
x mais poluente que o CO2, contribuindo para a intensificação do efeito estufa.

OBSERVAÇÃO

Alguns materiais são considerados resíduos perigosos aos seres humanos por apresentarem
metais pesados, tais como chumbo, cádmio, mercúrio e níquel. Esses produtos são tóxicos pois
podem se acumular nos tecidos. Esse acúmulo provoca sérias alterações no organismo, atingindo
os sistemas nervoso e imunológico, podendo causar distúrbios genéticos (mutação), que pode
levar ao aparecimento de cânceres.

Exemplos de materiais que podem representar lixos perigosos são pilhas, bateria e lâmpadas
fluorescentes.

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