Apelação sobre Direito de Preferência
Apelação sobre Direito de Preferência
Processo nº 1713/21.9T8VRL.G1
Sumário
Texto Integral
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“AA e mulher BB, intentaram a presente acção declarativa de condenação com
processo comum contra CC e mulher DD, e EE e mulher FF.
Pedem a condenação dos réus ser condenados a reconhecer, aos autores, o
direito de preferência na venda do prédio constante da escritura referenciada
no artigo 1º da petição, substituindo-se, nessa venda, os autores aos réus
adquirentes EE e mulher FF, abrindo, estes, mão do mesmo prédio em favor
dos autores, a fim de estes o haverem, ficando-lhes a pertencer para todos os
efeitos legais, mediante o preço de aquisição e custo da escritura, e demais
impostos (IS e IMT) devendo, ainda, decretar-se a anulação e cancelamento de
qualquer registo de transmissão, consequente daquela venda e condenar-se
nas custas a quem de direito for.
Os Reus adquirentes deduziram contestação, por via da qual impugnaram o
alegado e invocaram a caducidade do direito, tendo ainda deduzido
reconvenção pela qual peticionam a condenação dos AA. e, caso de
procedência da acção, ao pagamento, a titulo de benfeitorias, da quantia de
€61573.96.
Os Réus alienantes deram como reproduzida a contestação apresentada pelos
demais Réus.
Os AA replicaram, tendo pugnado pela improcedência da reconvenção, e ainda
requerido a condenação dos RR. em litigância de má fé.
Foi determinada a realização de arbitramento com vista a apurar-se o valor do
prédio objecto de preferência, antes e depois das benfeitorias/obras alegadas
pelos RR e valor destas,
Foi elaborado despacho saneador, por via do qual se procedeu à identificação
do objecto do litigio e enunciação dos temas da prova e agendado julgamento.
Realizou-se o julgamento, conforme decorre das actas.”.
*
Realizado o julgamento, foi proferida sentença, com o seguinte dispositivo:
“Pelo exposto, decido julgar a presente acção improcedente e, em
consequência, absolver os RR dos pedidos formulados.
Mais declaro que inexiste litigância de má fé das partes.
Custas pelos Autores (artigo 527.º Código de Processo Civil).
Registe e notifique.”
*
Inconformados com esta decisão, os autores dela interpuseram recurso e
formularam, a terminar as respectivas alegações, as seguintes conclusões (que
se transcrevem):
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conciliados entre si e o relatório pericial e, ainda, aos depoimentos das
testemunhas, que se encontram gravados, tendo sido, supra, indicado a data,
o início e o fim dos depoimentos, e indicados os minutos da gravação, das
passagens dos depoimentos, em que se fundamenta o recurso, relativamente à
impugnação da decisão sobre a matéria de facto, os pontos 11., 12., 13., 16.,
20., 21. e 22., dos factos dados como provados, e as alíneas a), b) e c), dos
factos dados como não provados, deveriam ser corrigidos como supra se
refere, além de serem adicionados os confessados sobre a destruição da
ramada existente quando da compra, para possível compensação com as obras
realizadas no prédio, posteriores à venda e que constam do relatório pericial.
B. Assim, dos factos dados como provados:
- Os pontos 11., 12., 13., 16., 20., 21. e 22., deviam ser dados como não
provados, atendendo à prova produzida e, supra, especificada.
C. Dos factos dados como não provados:
- As alíneas a), b) e c), atendendo à prova produzida e ao que decorre do
conhecimento geral e comum, deveriam, os factos constantes de tais alíneas,
ter sido dados como provados.
D. Pelos depoimentos e confissão dos RR. nos articulados, cuja confissão foi
aceite sobre a destruição de uma ramada de vinha, existente quando da
compra, devem tais factos serem dados como provados, para que em incidente
de liquidação seja apurado o valor, para possível compensação, com os valores
das obras feitas, posteriormente, à venda e que constam do relatório pericial.
E. Fazendo-se uma análise objetiva dos depoimentos e a confrontação com os
documentos e relatório pericial, não se poderia, partindo deles e, atendendo
às regras da experiência comum, segundo o padrão do homem médio, deixar
de dar como assentes as conclusões em B e C, supra.
F. É evidente, por admitido e provado que os RR./apelados não comunicaram,
aos Autores, os elementos essenciais do contrato de compra e venda, maximé,
o preço, nem fizeram prova de tal comunicação, como tudo decorre dos
depoimentos das testemunhas, pois, nem estas, tinham, à data do depoimento,
e, por isso, nem antes, conhecimento do preço da venda.
G. Assim, estamos perante o direito legal de preferência dos AA./apelantes,
atempadamente exercido, pela presente ação.
H. Devendo a mesma ser, considerada procedente, revogando-se a sentença
recorrida com todas as consequências legais.
I. A sentença de que recorre, além de outros infringiu os dispositivos legais,
dos artigos 413º e segs. do C.P.C., 1380º e 1381º, do Código Civil.”.
*
Não foram apresentadas contra-alegações.
*
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O recurso foi admitido, por despacho de 01 de Julho de 2024, como de
apelação, a subir imediatamente, nos próprios autos e com efeito devolutivo.
*
Colhidos os vistos legais, cumpre decidir.
*
II. Questões a decidir.
1- Apreciar a decisão da matéria de facto ( pontos 11., 12., 13., 16., 20., 21. e
22., dos factos dados como provados, e as alíneas a), b) e c), dos factos dados
como não provados, além de saber se devem ser adicionados os factos
confessados sobre a destruição da ramada existente quando da compra),
apurando se ela deve ou não ser alterada;
2- E, como consequência, se deve ou não ser mantida a decisão recorrida, o
que passa pela reapreciação jurídica da causa, no sentido de saber se ocorreu
o prazo de seis meses, previsto no n.º 1 do artigo 1410º do Código Civil, para a
instauração da ação de preferência.
3- Saber se, mesmo que seja modificada a decisão de facto e concluindo-se
pela improcedência da exceção da caducidade, se pode o Tribunal da Relação
conhecer dos restantes pedidos e qual o mérito da ação e reconvenção.
*
III. Fundamentação de facto.
Os factos que foram dados como provados na sentença sob recurso são os
seguintes:
“Factos provados
Com interesse para a decisão da causa, resultam provados os seguintes factos:
1. Por escritura de 17 de Outubro de 2013, lavrada no cartório notarial ..., da
Lic. GG os réus CC e mulher DD, venderam ao réu EE, casado com a ré FF, um
prédio rústico, sito na freguesia ..., deste concelho, identificado nos seguintes
termos: “Prédio rústico composto por um terreno de vinha em ramada, com a
área de duzentos e noventa metros quadrados, denominado “...”, sito no lugar
..., da dita freguesia ..., a confrontar do norte com caminho público, do
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nascente com herdeiros de HH e do sul e do poente com AA, descrito na
Conservatória do Registo Predial, deste concelho sob o número ..., (…),
inscrito na respectiva matriz sob o artigo ...88, com o valor patrimonial de €:
138,75.
2. O dito prédio tem a área de 290 m 2
3. A venda foi efectuada pelo preço de €: 5.000,00 (cinco mil euros).
4. O referido prédio confronta do sul e do poente com o prédio do aqui Autor,
AA.
5. O Prédio rústico, constituído por um terreno de cultura arvense de regadio
e vinha em ramada, sito no lugar ..., da freguesia ..., com a área de mil e
oitocentos e noventa metros quadrados, omisso na Conservatória do Registo
Predial, e inscrito na respectiva matriz sob o artigo ..., onde figura como
titular o autor marido, foi adquirido, pelo autor marido, por doação de sua avó,
II, no estado de viúva, tendo a mesma, já falecido, mas que o fez em vida, no
ano de 1995, no mês de Agosto.
6. Desde essa data, com exclusão de qualquer outra pessoa, sem qualquer
violência, sem oposição ou contrariedade de ninguém, com continuidade
ininterrupta, com o conhecimento geral das pessoas do meio, que os autores
vêm e corporizada na poda e cultivo da vinha em ramada, colhendo as uvas,
plantando videiras, semeando milho e ervas e aproveitando as demais
utilidades do terreno.
7. Os prédios identificados em 1 e 5 são aptos e destinados para cultivo de
vinha em ramada e outras plantações próprias para terrenos de regadio.
8. A venda do prédio indicado em foi feita a quem não era proprietário
confinante.
9. Pelo terreno dos AA. é devida servidão de passagem para o prédio vendido.
10. Aos autores não foi dado conhecimento da venda para usarem do direito
de preferência que lhes cabia.
11. Os Autores souberam da compra nos dias seguintes à venda mencionada
em 1, ainda no ano de 2013.
12. Souberam que a compra foi efectuada pelos RR adquirentes, bem como o
preço e condições respectivas.
13. Imediatamente após a venda, os RR adquirentes disseram aos AA para
retirarem do terreno que haviam comprado as suas ovelhas que ali
pastoreavam, para nele colocarem as ovelhas dos RR., o que aqueles
cumpriram.
14. Os RR limparam o terreno e retiraram os postes e ramadas.
15. E construíram no terreno um anexo para ferramentas e enxadas de 6 m2
de área.
16. Os RR construíram um furo artesiano para recolha de aguas no subsolo e
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canalizaram-na por mais de 600 metros para a sua habitação.
17. Os reus regularizaram a cota do terreno e desmontaram latadas de vinho.
18. Os Reus contrataram empreiteiros da freguesia, passaram a cruzar o
terreno dos AA pela servidão de caminho.
19. Os 1ºs RR são tios do A.
20. Os Autores residem em frente ao prédio indicado em 1.
21. Os 2ºs Reus pagaram €2000 à empresa que efectuou o furo artesiano;
22. Licenciaram a agua de regadio que no local extraíram;
23. Gastaram cerca de € 1459.50 em obras no local
*
Factos não provados
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constam do relatório pericial.)
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subsolo e canalizaram-na por mais de 600 metros para a sua habitação.”
- No “20. Os Autores residem em frente ao prédio indicado em 1.”
- No “ 21. Os 2ºs Reus pagaram €2000 à empresa que efetuou o furo
artesiano”;
- No “ 22. Licenciaram a agua de regadio que no local extraíram”;
Para tal invocam que atentos os meios de prova produzidos e conjugados
chega-se a essa conclusão e contrária à da sentença.
A sentença motiva do seguinte modo a respeito da matéria dada como provada
e que era controvertida: “ Para a resposta à matéria controvertida, fundou o
tribunal a sua livre convicção na apreciação crítica da prova produzida em
audiência de discussão e julgamento, com respeito pelas regras da experiência
comum e do ónus da prova (artigo 342.º do Código Civil).
Foram analisados os documentos juntos aos autos, designadamente: escritura
de compra e venda datada de 17/10/2013; caderneta predial de fls. 9, cheque
de fls. 27 v.º, declaração de fls. 28, autorização de utilização de fls. 29 e ss. .
Foi valorada a prova pericial realizada, mormente quanto ao valor das obras
realizadas no prédio em causa.
Arroladas pelos Autores foram ouvidas como testemunhas:
- JJ, 65 anos, agricultor e padrinho do A., referiu conhecer os 2os RR por
serem vizinhos e ainda que a avó deu há mais de 20 anos o prédio indicado em
6 ao A e ele cultivou e tratou, até há 4 anos, tudo sem à vista de todos e sem
oposição. Esclareceu que já em 2012 havia falado com o afilhado (A.) sobre a
venda, uma vez que já se sabia que os 2º RR iam comprar, tanto que o 2º R
marido havia pedido à testemunha para fresar o campo. De forma eloquente,
referiu ainda que o A. é que lhe falou que já tinha ocorrido a venda.
- KK, 74 anos, irmã do A, sobrinha dos 1ºs RR e vizinha dos 2º RR, com quem
referiu estar zangada, explicou que o prédio indicado em 6 foi doado ao A.
pela avó, que sempre foi cultivado por este ou a mando deste e que por volta
de 2019 é que viu o 2º R. no prédio indicado em 1 e disse ao irmão que veio de
..., foi ao notário e só aí tomou conhecimento do negocio.
- LL, 69 anos, pedreiro, cunhado do A, tendo referido conhecer os RR ,
mencionou que o prédio indicado em 6 foi doado ao A. pela avó e sempre foi
trabalhado. No mais, afigurou-se ao Tribunal que esta testemunha se
apresentou confundida, tendo prestado um depoimento imperceptível, mercê
do estado alterado em que se encontrava, cujas razoes não se apuraram.
E arroladas pelos RR foram ouvidas:
- ..., 71 anos, trabalha na lavoura, refere que ajudou a construir um tanque no
prédio indicado em 1 e a encanar a água para casa dos 2ºs RR., confirmando
as demais benfeitorias ali realizadas.
- MM, 48 anos, trolha e genro dos 2ºs RR, referiu ter auxiliado nas obras de
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exploração de água no terreno para casa e que o sogro começou a ir com as
ovelhas para o prédio logo que o comprou há cerca de 10 anos.
- NN, 47 anos, trabalhador da construção civil, referiu que estava numa obra ,
em 2013, a trabalhar e o 2º R passou e comentou que ia ver o terreno que
tinha comprado.
- OO, 53 anos, comerciante, vizinha dos RR, refere que chegou a levar as
ovelhas ao campo indicado em 1, e que há 9 anos, os 2º RR compraram esse
prédio (recorda a data porque o pai faleceu em Março e a compra foi em
Outubro), tendo iniciado obras de canalização da água, à vista de todos,
incluindo os AA, que moram em frente a tal prédio.
- PP, 58 anos, domestica, referiu que o 1º R. é tio do A. e que estão zangados
desde algum tempo antes da escritura.
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ano de 2013, para além de que as testemunhas quando se referem a tal
conhecimento da venda apenas mencionam o autor marido e já não a A
mulher. Acresce, aduzem ainda, que os apelantes entendem que a sentença
apenas ponderou, no que se refere à motivação da prova de tais factos, as
testemunhas: JJ e KK.
Salvo o devido respeito, cremos que os AA têm razão, pelo menos, em relação
ao (des)conhecimento do preço da venda, pois quanto a este elemento
essencial do negócio em causa não resulta de qualquer meio de prova
produzido que os AA tivessem tido conhecimento do preço naquele ano de
2013.
Mas já resulta da conjugação da prova que os AA tiveram conhecimento da
compra e venda e da identidade dos compradores- os 2ºsRR- do terreno em
causa e ainda no ano de 2013.
E esta prova decorre:
. além do depoimento da testemunha JJ, padrinho do autor e que relatou ter
sido o próprio autor quem lhe falou da ocorrência da venda do CC (
reportando tal conhecimento à data ao ano de 2012, mas claramente
equivocado pois só poderia ter sido no ano de 2013, atenta a data da venda e o
que foi falado foi já da venda consumada e esta ocorreu em Outubro de 2013)
e ainda relatou que o próprio réu lhe pediu para “ fresar o campo que tinha
comprado ao CC”;
. ainda da conjugação do depoimento da testemunha NN, o qual afirmou que
ouviu em 2013 o réu a dizer “ acabei de comprar o terreno aqui ao lado”(
recorda-se da data por ter andado a construir no ano de 2013 a casa do seu
irmão e que fica ao lado do terreno em causa) e,
. ainda do depoimento de MM e OO ( recorda-se da data por ter sido o ano em
que faleceu o pai) que confirmaram que as ovelhas dos 2ºs RR começaram a ir
pastar para o dito terreno há cerca de 9/10 anos, aliás levadas, por vezes, pela
própria testemunha OO.
Assim, no confronto de todas estas declarações convenceu-se este tribunal ad
quem de que os autores tiveram conhecimento da venda do terreno, ainda no
ano de 2013, e como a data da escritura é de Outubro de 2013, apenas
poderiam ter tido conhecimento nos dias seguintes até ao fim do ano de 2013.
Efetivamente, ditam as regras da experiência comum que, em meios rurais
pequenos, como é o caso da localidade onde se situa o terreno em causa, esses
assuntos são comentados (e mais que comentados!) pela população em geral e
mais a mais com as ovelhas a pastarem no terreno, aliás conforme realçado
pelas testemunhas supra referidas. Portanto, é verosímil o aludido comentário
sobre o assunto entre o próprio autor e o seu padrinho, testemunha JJ, não
constituindo qualquer obstáculo a tal conhecimento o facto de os AA serem
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emigrantes em ... e regressarem todos os anos a Portugal nas férias do verão
ou quando necessário, e nessa altura permanecerem a residir durante a sua
estada na sua casa em Portugal.
Por conseguinte, tendo em conta a globalidade dos depoimentos das
testemunhas inquiridas, confrontando-os com a matéria de facto impugnada,
conclui-se que esta retrata com fidelidade e exatidão a prova produzida em
audiência de julgamento, pelo menos, quanto ao conhecimento pelos AA da
venda e da identidade dos adquirentes ( mas já não do preço, como veremos
infra).
E não se diga que apenas sabia o autor marido e já não a A mulher, porquanto
dizem-nos as regras da experiência comum que, podemos afirmar que, atenta
a sua relevância para a economia comum, tais factos foram, naturalmente,
comunicados pelo A. marido à A mulher, no âmbito do relacionamento normal
e comum entre cônjuges que partilham interesses, preocupações e objetivos.
Sem embargo, nenhuma testemunha sabia dizer algo sobre o preço ou que os
autores soubessem do preço e das condições da venda, por esse motivo não se
prova que os AA tivessem tido conhecimento do preço daquela venda, naquela
data de 2013.
Assim sendo, mantém-se o pontos 11 e ponto 12º com exceção “do
conhecimento do preço e condições respetivas”, matéria que irá constar dos
factos não provados.
Já o ponto 13º dos factos provados manterá a sua redação uma vez que
decorre da prova testemunhal produzida, conforme supra mencionado,
nomeadamente decorre dos depoimentos das testemunhas MM e OO.
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que seja necessário, aliás conforme foi referido pela irmã do autor marido- KK-
que afirmou terem vindo a Portugal ao Notário e numa altura que não era de
férias de verão ( cfr. data da certidão obtida e junta aos autos: Março de
2019).
Assim sendo, o ponto 20º deverá passar a ter a seguinte redação:
“ 20. Os Autores residem em frente ao prédio indicado em 1, quando
se deslocam a Portugal”.
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Assim sendo, apenas se tendo provado a canalização da água para a
habitação dos RR e já não a realização de furo deverá a redação do ponto 16º
sofrer correção e os pontos 21º e 22º deverão ser dados como não
provados e correspondendo às alíneas f) e g).
Assim sendo, o ponto 16º dos factos provados terá a seguinte redação:
“ 16. Os RR canalizaram a água para a sua habitação”.
E a matéria de facto dada como não provada irá ser acrescentada das
alíneas f) e g) com a redação dos pontos 21º e 22º
*
Os AA igualmente impugnaram os factos constantes das alíneas a), b) e
c) dos factos não provados.
Ora, as alíneas a) e b) respeitam a matéria que já não é controvertida porque
não impugnado o ponto 10 dos factos provados e respeitantes à não
comunicação da venda, tendo ficado provado “ 10. Aos autores não foi
dado conhecimento da venda para usarem do direito de preferência
que lhes cabia”.
Assim sendo é irrelevante a matéria de facto constante daquela alínea a) “
a) A venda mencionada em 1 foi feita no maior sigilo entre os réus
(vendedores e compradores”, a qual deverá ser eliminada.
A alínea b) dos factos não provados reza assim: “ b) Desconhecendo os
autores o projecto de venda, assim como as cláusulas do respectivo, máxime, o
preço.”
Ora, deverá tal alínea igualmente ser eliminada sob pena de contrariar o
que foi dado como provado naquele ponto 10º dos factos provados.
Igualmente deverá ser eliminada a alínea c) que reza assim : “ c) Os
autores só tiveram conhecimento, através da certidão da escritura de compra
e venda que obtiveram em 06 de Março, do presente ano de 2019.”.
Com efeito, apesar de ser matéria alegada pelos AA, na verdade, atento o ónus
de prova que incumbia aos RR, teriam estes de alegar e provar a caducidade
do direito de ação ( cfr. art. 342º,nº2 do CC), pois estamos no âmbito de
matéria de facto concernente à caducidade do direito de ação, ou seja, a
factos impeditivos e extintivos do direito dos AA.
Assim sendo, apesar da alegação dos Autores, o Tribunal quando efetua o
julgamento da matéria de facto deve selecionar apenas a matéria de facto que
corresponda à aplicação das aludidas regras do ónus da prova.
Nesta conformidade, como já se afirmava no Ac. da RP de 19.03.1971 in BMJ
205, 258 (citado pelo ac. da RL 21.10.2010 (relator: Manuel Gonçalves), in
[Link] “embora o autor tenha alegado, aliás sem necessidade, o seu
conhecimento somente em (…) da venda efectuada (…) mesmo que desse facto
não faça prova, isso não influirá na decisão, por a prova da extemporaneidade
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da acção incumbir ao réu, como se declara expressamente no art. 343º, nº 2
CC”.
Assim, podemos concluir que é o Réu – e apenas este – que tem o ónus de
alegar e provar que o Autor/Preferente teve conhecimento dos elementos
essenciais da venda há mais de seis meses, tendo por referência a data da
propositura da ação (art. 1410º, nº 1 do CC).
Na verdade, nestas situações “o legislador terá entendido que seria mais fácil
ao Réu provar a data em que o Autor teve conhecimento de determinado facto
do que ao Autor demonstrar que não teve conhecimento da ocorrência do
mesmo até certo dia (isto, mais uma vez, dentro da lógica da dificuldade da
prova dos factos negativos) ” [1].
Nestes casos, pois, o art. 343º, nº 2 do CC opta pela primeira opção.
Na presente ação de preferência será, assim, aos RR. que caberá o ónus de
alegação e prova da caducidade da ação.
Ora, a relevância destas regras do ónus da prova, que aqui sumariamente
enunciamos, para a questão que se coloca nos presentes autos, contende com
o facto de, nestas situações em que as duas partes alegam a factualidade
(positiva e negativa) correspondente ao (não) preenchimento da caducidade
da ação, o Juiz ao selecionar e proferir a decisão sobre a matéria de facto tem
que ter em atenção qual das versões fácticas deve integrar o elenco dos factos
que constituirão a fundamentação da sentença, tendo em conta as referidas
regras do ónus da prova (não devendo pronunciar-se sobre as duas versões
fácticas carreadas por cada uma das partes, a não ser que, por exemplo, tal
possa ter relevância para efeitos de apuramento da existência de uma situação
de litigância de má-fé e no caso a questão da má fé não é alvo de recurso).
Assim, quando as versões de ambas as partes incidam sobre a mesma
factualidade (no caso, a caducidade da ação), o Tribunal só deve pronunciar-se
sobre uma das versões alegadas pelas partes, devendo, para o efeito, “lançar
mão das regras do ónus de alegação e prova, ou seja, nas palavras de Remédio
Marques, o Juiz deverá privilegiar a versão do enunciado linguístico suscetível
de respeitar a repartição do ónus da prova do facto em questão”[2]
Aqui chegados, e revertendo ao caso concreto, temos que os AA. alegaram os
factos de que dependia a sua qualidade de preferente. Além disso, alegaram
factualidade correspondente à negação da caducidade da ação.
No entanto, conforme se julga ter demonstrado, não lhe incumbindo o ónus da
prova destes últimos factos, tal matéria de facto não deveria ter merecido
resposta, já que, aplicando as referidas regras do ónus da prova, o tribunal
apenas atendeu à versão fáctica que havia sido alegada pelos Réus, tendo em
conta que era a estes que incumbia o ónus de prova dos factos de onde
pudesse resultar a caducidade da ação.
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Assim sendo, deverá ser eliminada tal resposta à matéria de facto, sendo certo
que nesta fase de recurso, uma vez que nem sequer se discute a questão da
má fé, tornar-se-ia igualmente inútil a sua apreciação.
*
E o que dizer acerca do aditamento pretendido?
Os AA pretendem genericamente “ serem adicionados os confessados sobre a
destruição da ramada existente quando da compra, para possível
compensação com as obras realizadas no prédio, posteriores à venda e que
constam do relatório pericial”.
Ora, desde já se diga, que não se vislumbra a concreta pretensão para além do
que já consta dos factos provados no ponto 14º e no ponto 23º, pelo que nada
mais há a apreciar, sob pena de se tratar de mera redundância, sendo certo
que não foi feita sequer a referência a qualquer facto concreto a mais
pretendido adicionar e com relevância para o desfecho da ação.
Por tudo, neste particular, improcede a impugnação.
*
Considerando a alteração introduzida na decisão relativa à matéria de facto,
estabilizada, é a seguinte a factualidade provada e não provada:
1. Por escritura de 17 de Outubro de 2013, lavrada no cartório notarial ..., da
Lic. GG os réus CC e mulher DD, venderam ao réu EE, casado com a ré FF, um
prédio rústico, sito na freguesia ..., deste concelho, identificado nos seguintes
termos: “Prédio rústico composto por um terreno de vinha em ramada, com a
área de duzentos e noventa metros quadrados, denominado “...”, sito no lugar
..., da dita freguesia ..., a confrontar do norte com caminho público, do
nascente com herdeiros de HH e do sul e do poente com AA, descrito na
Conservatória do Registo Predial, deste concelho sob o número ..., (…),
inscrito na respectiva matriz sob o artigo ...88, com o valor patrimonial de €:
138,75.
2. O dito prédio tem a área de 290 m 2
3. A venda foi efectuada pelo preço de €: 5.000,00 (cinco mil euros).
4. O referido prédio confronta do sul e do poente com o prédio do aqui Autor,
AA.
5. O Prédio rústico, constituído por um terreno de cultura arvense de regadio
e vinha em ramada, sito no lugar ..., da freguesia ..., com a área de mil e
oitocentos e noventa metros quadrados, omisso na Conservatória do Registo
Predial, e inscrito na respectiva matriz sob o artigo ..., onde figura como
titular o autor marido, foi adquirido, pelo autor marido, por doação de sua avó,
II, no estado de viúva, tendo a mesma, já falecido, mas que o fez em vida, no
ano de 1995, no mês de Agosto.
6. Desde essa data, com exclusão de qualquer outra pessoa, sem qualquer
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violência, sem oposição ou contrariedade de ninguém, com continuidade
ininterrupta, com o conhecimento geral das pessoas do meio, que os autores
vêm e corporizada na poda e cultivo da vinha em ramada, colhendo as uvas,
plantando videiras, semeando milho e ervas e aproveitando as demais
utilidades do terreno.
7. Os prédios identificados em 1 e 5 são aptos e destinados para cultivo de
vinha em ramada e outras plantações próprias para terrenos de regadio.
8. A venda do prédio indicado em foi feita a quem não era proprietário
confinante.
9. Pelo terreno dos AA. é devida servidão de passagem para o prédio vendido.
10. Aos autores não foi dado conhecimento da venda para usarem do direito
de preferência que lhes cabia.
11. Os Autores souberam da compra nos dias seguintes à venda
mencionada em 1, ainda no ano de 2013.
12. Souberam que a compra foi efectuada pelos RR adquirentes.
13. Imediatamente após a venda, os RR adquirentes disseram aos AA
para retirarem do terreno que haviam comprado as suas ovelhas que
ali pastoreavam, para nele colocarem as ovelhas dos RR., o que aqueles
cumpriram.
14. Os RR limparam o terreno e retiraram os postes e ramadas.
15. E construíram no terreno um anexo para ferramentas e enxadas de 6 m2
de área.
16. Os RR canalizaram a água para a sua habitação.
17. Os reus regularizaram a cota do terreno e desmontaram latadas de vinho.
18. Os Réus contrataram empreiteiros da freguesia, passaram a cruzar o
terreno dos AA pela servidão de caminho.
19. Os 1ºs RR são tios do A.
20. Os Autores residem em frente ao prédio indicado em 1, quando se
deslocam a Portugal.
23. Gastaram cerca de € 1459.50 em obras no local
*
Factos não provados
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f) Os 2ºs Reus construíram um furo artesiano para recolha de aguas
no subsolo e pagaram €2000 à empresa que efectuou o furo artesiano;
g) Licenciaram a agua de regadio que no local extraíram.
*
V. Reapreciação de direito.
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essenciais do negócio.
O preferente, como resulta do artigo 1410º do C.C., a quem não se dê
conhecimento da venda tem direito de haver para si a coisa alienada, contanto
que o requeira no prazo de seis meses, a contar da data em que teve
conhecimento dos elementos essenciais da alienação e deposite o preço
devido, no prazo legal.
No que concerne a este conhecimento, entende-se que não é necessário que o
preferente conheça em todos os pormenores as cláusulas da venda para
começar a correr contra ele o prazo de caducidade fixado na lei; mas também
não é suficiente para o efeito a mera notícia de que o proprietário vendeu a
coisa; basta mas é indispensável ao mesmo tempo que o preferente tenha
conhecimento de todos os elementos essenciais da alienação. cfr. A. Varela,
RLJ, Ano 100, pág. 225.
Assim, é determinante para a contagem do prazo, não a data do conhecimento
da venda, mas antes a data do conhecimento dos elementos essenciais da
alienação, isto é, todos os elementos capazes de influir decisivamente na
formação da vontade de preferir ou não e que sendo elementos reais do
contrato possam ter importância no estabelecimento dessa decisão num
sentido ou noutro.
Ora, todo o esforço probatório realizado pelos RR, como analisamos, dirigiu-se
apenas àquela primeira realidade, ou seja, provar que os Autores tinham
conhecimento de que os RR eram os (novos) proprietários.
Sucede que o aludido prazo não se conta a partir desse mero conhecimento da
mudança da titularidade do(s) prédio(s) em discussão, mas sim da data em que
alegadamente os Autores teriam tido conhecimento de todos aqueles
“elementos essenciais da alienação”.
Vejamos, então, em que é que se traduz esta diferença.
Uma coisa é o mero conhecimento, da parte dos Autores, de que a titularidade
da propriedade sofreu alterações.
Outra coisa bem mais exigente - e plenamente justificada em face do direito de
preferência de que os Autores beneficiavam - é a alegação e prova da data em
que aquele teve conhecimento dos aludidos elementos essenciais da alienação
– pois que só nesse momento é que o Autor/Preferente poderia ponderar se lhe
interessava o exercício do direito de que era detentor.
Na verdade, neste âmbito, se bem que se entenda que não é necessário que o
preferente conheça em todos os pormenores as cláusulas da venda para
começar a correr contra ele o prazo de caducidade fixado na lei, é pacífico o
entendimento de que não é suficiente, para o efeito, a mera notícia de que o
proprietário vendeu a coisa ou o conhecimento genérico que este a vendeu.
Com efeito, entende-se que, para este efeito, é indispensável que o preferente
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tenha conhecimento efetivo de todos os elementos essenciais da alienação.
Agostinho Cardoso Guedes[3] depois de explicar a razão das diferenças da
comunicação referida no artr. 1410º e no 416º do CC e o aligeiramento
registado naquele primeiro preceito em confronto com as exigências de
comunicação formuladas pelo artigo 416.º , conclui o seguinte a respeito do
art. 1410º do CC:
“ Na verdade, os elementos essenciais da alienação” a que esta norma alude
referem-se a uma alineação já efetuada e, portanto, não faz sentido perguntar
o que seria importante aquele preferente conhecer para decidir se quer ou
não exercer o seu direito, mas sim o que, em abstrato e dentro dos dados
objetivos de uma alienação já efetuada, deverá ser importante para alguém
decidir se quer ou não adquirir certo bem em condições já determinadas. O
preferente carece de conhecer as cláusulas que, objetivamente, constam do
contrato celebrado e, entre estas as que, em abstrato, são necessárias para
que o sujeito, também abstrato, possa decidir se quer ou não acompanhar.
A conclusão que se impõe parece ser só uma: o art. 1410º,nº1 do CC basta-se
com o conhecimento por parte do preferente da alienação propriamente dita,
com a identificação do bem alienado, e do sacrifício económico global
suportado por terceiro na aquisição, que será também aquele que o preferente
terá de suportar se efetivamente exercer a sua prioridade de aquisição.
Não pode ser de outra maneira sem se colocar em risco a segurança do tráfico
da própria boa fé.
De facto, se a lei atendesse aos elementos essenciais para aquele preferente
em concreto, ou mandasse contar o prazo para o exercício do direito a partir
do momento em que o preferente tivesse conhecimento de todas as cláusulas
do contrato celebrado, permitir-lhe-ia manipular o prazo d caducidade
prolongando-o quase indefinidamente, pois seria permitido ao preferente
continuar a alegar o desconhecimento dos elementos que ele reputaria
essenciais ou esperar o tempo que lhe conviesse para conhecer as demais
cláusulas do contrato, assim prolongando a situação de incerteza com
evidentes prejuízos para a segurança do tráfico.”
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Com efeito, e conforme é pacífico na doutrina e na jurisprudência, por
decorrer da letra da lei, o prazo conta-se a partir da data em que o preferente
teve conhecimento não da venda, mas dos referidos elementos essenciais da
mesma.
Daí que, para correr tal prazo, mostrava-se necessário apurar que os
preferentes sabiam, no mínimo, além da venda e identidade dos adquirentes,
ainda do preço, pois que todos esses elementos são determinantes para formar
a sua vontade de exercer o direito, ou não.
E, no caso vertente, apesar de se ter provado que os AA tiveram conhecimento
da venda e da identidade dos compradores, em 2013, sem embargo, não se
provou que nessa data também tivessem tido conhecimento do preço da
compra e venda e tal prova incumbia aos RR fazer, como vimos.
Na verdade, e conforme já se referiu, os RR dirigiram todo o seu esforço
probatório no sentido de procurar demonstrar apenas que os Autores tinham
conhecimento da alteração da titularidade da propriedade com anterioridade
ao prazo legal de seis meses, mas, o que os RR tinham que demonstrar, em
termos factuais, era antes que os Autores tinham com anterioridade à data da
instauração da ação, conhecimento efetivo dos sobreditos elementos
essenciais da venda (há mais de seis meses), nomeadamente do preço da
venda e não apenas conhecimento da venda e da identidade do comprador.
Sucede que, colocando o enfoque naquela primeira realidade fáctica, os RR
não só soçobraram na prova da mesma, como, além do mais, não chegaram a
produzir qualquer prova sobre tal realidade fáctica.
Por todo o exposto, improcede a exceção de caducidade que incumbia
aos RR provar.
Procedem, por conseguinte, as conclusões da apelação, ocorrendo violação
dos normativos invocados pelos apelantes, referentes à caducidade devendo,
por isso, a decisão recorrida ser revogada.
*
Assim sendo, nos termos do art. 665º,nº2 do CPC importa que este
Tribunal da Relação conheça das questões suscitadas pelas partes e
que o tribunal a quo julgou prejudicadas, uma vez que se entende que
os autos contêm todos os elementos necessários para a decisão.
Ora, atentos os factos dados como provados é inequívoco, como já
mencionámos e a própria sentença já tinha analisado, a violação do direito de
preferência dos AA, e o consequente reconhecimento do direito de preferência
e os efeitos que tal reconhecimento operou na posição substantiva das partes
contraentes, tal como pedido pelos AA.
Em verdade, nesta ação de preferência, intentada nos termos do art. 1380 CC,
aos autores apenas cabia alegar e provar os factos de que resulta a sua
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situação de preferentes, o que fizeram tal como reconhecido na sentença e é
caso julgado, ou seja: a) que foi efectuada venda de prédio com área inferir à
unidade de cultura; b) que o preferente é dono de prédio confinante com o
alienado; c) que o prédio do preferente tem área inferior à unidade de cultura;
d) que o adquirente do prédio não é proprietário confinante.
Por outro lado, recairia sobre os RR o ónus da prova dos factos relativos à
comunicação e ao exercício extemporâneo do direito de preferência,
nomeadamente que a ação foi intentada mais de seis meses após o
conhecimento dos elementos essenciais da alienação, o que não lograram
efetuar.
Pelo exposto, julga-se a ação procedente e condena-se os réus a reconhecer,
aos autores, o direito de preferência na venda do prédio constante da
escritura referenciada no artigo 1º da petição, substituindo-se, nessa venda,
os autores aos réus adquirentes EE e mulher FF, abrindo, estes, mão do
mesmo prédio em favor dos autores, a fim de estes o haverem, ficando-lhes a
pertencer para todos os efeitos legais, mediante o preço de aquisição e custo
da escritura, e demais impostos (IS e IMT) devendo, ainda, decretar-se a
anulação e cancelamento de qualquer registo de transmissão, consequente
daquela venda e condenar-se nas custas a quem de direito for.
*
E o que dizer em relação aos pedidos (reconvencionais) formulados pelos RR?
Estes é que não foram de todo apreciados.
Os RR fundamentaram o pedido reconvencional na base da alegação de que
com os investimentos que fizeram no valor de € 2.000 no furo, 4.000€ em
obras e têm licenciada extração de água que no local extraíram, encontrando-
se o terreno limpo e melhorado, o terreno valorizou-se no montante de €
56.000.
Pedem, assim, a condenação dos AA no pagamento do valor total de €
61.573,96 e correspondente ao valor da valorização do imóvel-€ 56.000 e
valor de € 5.573,94 correspondente ao valor que pagaram pela aquisição do
terreno.
Ora, não lograram os RR provar a alegada valorização do terreno e apenas se
provou que os RR fizeram obras no valor da quantia de € 1.459,50.
Sem embargo, não foi tal quantia peticionada a qualquer título, sendo
certo que que não foram sequer alegados, nem provados, factos, de modo a se
concluir por uma qualquer benfeitoria suscetível de indemnização por um
qualquer enriquecimento sem causa por parte dos AA. a respeito das obras
realizadas e naquele valor de € 1.459,50, pelo que o pedido reconvencional no
que se refere à peticionada valorização de € 56.000 terá de soçobrar e apenas
terão os RR direito ao valor do preço pelo qual pagaram e encontra-se
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depositado nos autos.
Em verdade, ainda que se qualificassem de benfeitorias as obras realizadas no
terreno no valor de 1.459,50 e respeitantes a um tanque e uns anexos, na
verdade, nada mais foi alegado parta além da simples valorização do imóvel,
valorização essa que não foi provada.
Porém, não se tratando de benfeitorias que tivessem por finalidade evitar a
perda, a destruição ou deterioração do prédio (benfeitoria necessária), para
que as mesmas pudessem ser consideradas úteis, teria de ter sido alegado, e
provado, que, apesar de não serem indispensáveis para a sua conservação, lhe
aumentaram o valor.
Tais factos não foram, porém, alegados (e provados) pelos RR, competindo-
lhes a eles o ónus da prova (art. 342.º, n.º 1, do Código Civil).
Sempre se dirá que, quanto ao tanque e anexos, por se tratar de uma
propriedade de vinha em ramada, competia aos Apelantes alegarem quais os
motivos por que, naquela situação em concreto, tais obras implicaram um
aumento do valor do prédio objeto da ação de preferência, o que
manifestamente não fizeram.
Por tudo o exposto, o pedido formulado pelos RR quanto à valorização do
imóvel terá de soçobrar, bem como qualquer eventual pagamento pelas obras
supra elencadas.
Assim sendo, apenas terão direito os 2ºsRR ao pagamento do preço pelo qual
pagaram a aquisição do imóvel e que se mostra depositado e no que vão
condenados os AA.
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V- DECISÃO
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decide-se que terão direito os 2ºsRR à restituição do preço de € 5.573, 94 pelo
qual pagaram a aquisição do imóvel e que se mostra depositado e no que vão
condenados os AA e no mais absolvem-se os Autores/Reconvindos do
peticionado;
C)- Condenam-se os RR no pagamento das custas processuais.
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Guimarães, 17 de outubro de 2024
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