INSTITUTO MÉDIO TÉCNICO PROFISSIONAL NJERENJE
FORMAÇÃO TÉCNICA EM MEDICINA GERAL
TRABALHO DE MEIOS AUXILIARES
TEMA: HEMOGRAMA
Chimoio, Outubro de 2024
INSTITUTO MÉDIO TÉCNICO PROFISSIONAL NJERENJE
FORMAÇÃO TÉCNICA EM MEDICINA GERAL
TRABALHO DE MEIOS AUXILIARES
TEMA: HEMOGRAMA
Formandos:
Formador:
Tatenda Robert
Chimoio, Outubro de 2024
ÍNDICE
1. Introdução......................................................................................................................... 1
1.1. Objectivos..................................................................................................................2
2. Hemograma.......................................................................................................................3
2.1. Valores de Referência do Hemograma.......................................................................3
2.2. Propósito do Exame...................................................................................................5
2.3. Contagem de Leucócitos............................................................................................6
2.3.1. Interpretação dos Resultados..............................................................................6
2.3.2. Valores Anormais e sua interpretação................................................................6
[Link]. Aumento de Leucócitos ou Glóbulos Brancos (GB) ou leucocitose............6
[Link]. Redução de Leucócitos ou Glóbulos Brancos (GB) ou Leucopenia............7
2.3.3. Contagem diferencial de leucócitos ou fórmula leucocitária..............................8
2.4. Contagem de Eritrócitos............................................................................................ 8
2.4.1. Valores Anormais e sua interpretação....................................................................9
[Link]. Aumento de Eritrócitos ou Glóbulos Vermelhos (GV)................................9
[Link]. Redução de Eritrócitos ou Glóbulos Vermelhos (GV) ou Eritropenia.........9
[Link]. Redução da Hemoglobina ou do hematócrito..............................................9
[Link]. Alterações da morfologia dos GV ( MCV, MCH, MCHC).......................10
2.5. Contagem de Plaquetas............................................................................................10
2.5.1. Valores Anormais e sua interpretação..............................................................10
[Link]. Aumento das plaquetas ou trombocitose...................................................10
[Link]. Redução de Plaquetas ou Trombocitopenia...............................................11
[Link]. Pancitopenia (redução de GV,GB,Plt).......................................................11
[Link]. Aumento simultâneo de mais de um tipo celular (GV/GB/ Plt).................11
2.6. Contagem de Reticulócitos......................................................................................11
2.7. Determinação de Índices Hematológicos.................................................................11
2.7.1. Determinação de hemoglobina.........................................................................12
2.7.2. Determinação do hematócrito...........................................................................12
2.7.3. Determinação do microhematócrito..................................................................12
3. Conclusão........................................................................................................................14
4. Referências Bibliográficas.............................................................................................. 15
1. Introdução
O hemograma é o nome dado ao conjunto de avaliações das células do sangue que, reunido
aos dados clínicos, permite conclusões diagnósticas e prognósticas de grande número de
patologias. A introdução do hemograma na prática médica ocorreu em 1925 por meio de
critérios estabelecidos pelo médico e farmacêutico alemão [Link]. Entre todos os
exames laboratoriais actualmente solicitados por médicos de todas as especialidades, o
hemograma é o mais requerido. Por essa razão reveste-se de grande importância no conjunto
de dados que devem ser considerados para o diagnóstico médico, não se admitindo erros ou
conclusões duvidosas.
Hemograma completo é um exame utilizado para avaliar as três linhagens sanguíneas, sendo
elas: os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos e as plaquetas, permitindo conclusões
diagnósticas e prognósticas de grande número de patologias. É um dos exames de sangue
mais útil e mais solicitado na prática médica. Apesar de extremamente comum, esse é um
exame que ainda causa muita confusão na população e até nos meios de comunicação.
Algumas pessoas acham que todo exame de sangue é um hemograma, como se ambos os
termos fossem sinónimos. E isto é um equívoco. O hemograma é solicitado quando o
objectivo é ter informações sobre as células do sangue, nomeadamente, leucócitos, plaquetas
e hemácias.
Os atuais valores de referência do hemograma foram estabelecidos na década de 1960, após
observação de vários indivíduos sem doenças. O considerado normal é, na verdade, os
valores que ocorrem em 95% da população sadia. 5% das pessoas sem problemas médicos
podem ter valores do hemograma fora da faixa de referência (2,5% um pouco abaixo e outros
2,5% um pouco acima). Portanto, pequenas variações para mais ou para menos não
necessariamente indicam alguma doença. Obviamente, quanto mais afastado um resultado se
encontra do valor de referência, maior a chance disto verdadeiramente representar alguma
patologia.
1
1.1. Objectivos
Geral
Este trabalho tem como o seu objectivo geral mostrar o que é o exame
conhecido como hemograma completo e suas fracções, para que ele serve e o
modo de interpretá-lo.
Específicos
Fazer uma revisão sobre o hemograma;
Falar das contagens;
Mencionar o método de interpretação dos resultados;
Apresentar a determinação dos índices de hematológicos.
2
2. Hemograma
Em nosso sangue temos três tipos básicos de células que são produzidas pela medula óssea,
são essas células que avaliamos ao fazer um hemograma completo, as células são: hemácias
(serie vermelha), leucócitos (serie branca) e plaquetas. E para se realizar o hemograma temos
dois meios de se fazer a contagem e avaliação de células, sendo eles, da forma automatizada
através de computador e equipamentos electrónicos ou através da forma não automatizada
(forma manual) pela contagem através de microscópio.
O hemograma completo é um teste laboratorial básico que inclui a contagem de leucócitos,
hemácias e plaquetas, contagem diferencial de leucócitos, determinação de hemoglobina,
hematócrito, índices hematológicos (PAYTON e WHITE, 1995; FISCHBACH e BUNNING,
2005).
O HC é um teste de rastreio básico e é um dos procedimentos laboratoriais mais solicitados.
Os resultados de hemograma fornecem informações de diagnóstico de resposta ao tratamento
e recuperação do paciente. Consiste em uma serie de testes que determinam o número,
variedade, percentagem, concentrações e qualidade das células sanguíneas (FISCHBACH e
BUNNING, 2005).
Para realização do HC, muitos laboratórios usam equipamentos automáticos (PAYTON e
WHITE, 1995; FISCHBACH e BUNNING, 2005).
A interpretação dos valores normais, pode variar de um laboratório para outro. Com tudo, os
valores estabelecidos por FISCHBACH (1988), são ainda utilizados, como valores
fisiológicos normais ou de referências (PAYTON e WHITE, 1995; FISCHBACH e
BUNNING, 2005).
Conduto, diferentes factores demográficos, socioeconomicos, idade, sexo e outros como
actividade, sono, condições patológicas, gravidez (PAYTON e WHITE, 1995; WILLS et all.,
2004), refeição e medicamentos usados para o tratamento de várias doenças, estão implicados
na alteração do estado hematológico de um individuo (PAYTON e WHITE, 1995; WILLS et
all., 2004; FISCHBACH e BUNNING, 2005; LITO Set all., 2006).
2.1. Valores de Referência do Hemograma
Cada grupo de pessoas (homem, mulheres, gestantes e crianças) tem valores diferentes de
referência tidos como essencial para ser considerado normal, tendo esse valor base
3
conseguimos identificar quando um hemograma nos dá um valor alterado, sendo o valor
baixo, moderado ou alto em relação ao normal (tabela 1, tabela 2 e tabela 3).
Os valores de referência do hemograma completo, geralmente, variam de acordo com o sexo
e idade do paciente, no entanto, também é possível observar diferenças nos valores
dependendo do laboratório onde foi feita a colheita.
Tabela 1: Valores de referência do hemograma infantil.
Parâmetros Valores de referência Valores de referência Valores de referência
do recém-nascido do bebé até 1 ano da criança
Eritrócitos (1012/L) 4,0 a 5,6 4,0 a 4,7 4,5 a 4,7
Hemoglobina (g/dL) 13,5 a 19,6 11 a 13 11,5 a 14,8
Hematócrito (%) 44 a 62 36 a 44 37 a 44
Volume corpuscular 77 a 100 77 a 95
médio (fL)
Hemoglobina 28 a 33 30 a 33
corpuscular média
(pg)
Fonte: [Link]/valores-de-referencia-do-hemograma/
Tabela 2: Valores de referência do hemograma feminino.
Parâmetros Valores de referência Valores de referência da
da mulher mulher grávida
Eritrócitos (1012/L) 3,9 a 5,3 3,9 a 5,6
Hemoglobina (g/dL) 12 a 16 11,5 a 16
Hematócrito (%) 35 a 45 34 a 47
Volume corpuscular médio 78 a 94
(fL)
Concentração de hemoglobina 32 a 37
corpuscular média (g/dL)
Plaquetas (1019/L) 150 a 450
Leucócitos (109/L) 4,5 a 11
Neutrófilos (%) 40 a 80
Eosinófilos (%) 0a5
Basófilos (%) 0a2
Linfócitos (%) 20 a 50
Monócitos (%) 0 a 12
Fonte: [Link]/valores-de-referencia-do-hemograma/
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Tabela 3: Valores de referência do hemograma masculino.
Parâmetros Valores de referência
Eritrócitos (1012/L) 4,3 a 5,5
Hemoglobina (g/dL) 13,5 a 18
Hematócrito (%) 40 a 50
Volume corpuscular médio (fL) 78 a 94
Concentração de hemoglobina corpuscular 32 a 37
média (g/dL)
Plaquetas (1019/L) 150 a 450
Leucócitos (109/L) 4,5 a 11
Neutrófilos (%) 40 a 80
Eosinófilos (%) 0a5
Basófilos (%) 0a2
Linfócitos (%) 20 a 50
Monócitos (%) 0 a 12
Fonte: [Link]/valores-de-referencia-do-hemograma/
No momento de realizar a colecta sanguínea para se fazer o hemograma devemos observar se
o paciente está pálido, ofegante, cansado, ansioso ou nervoso, pois tudo isso afecta os valores
do hemograma. Pessoas que praticaram exercícios físicos há pouco tempo ou gestantes com
mais de 5 meses podem vir a ter uma quantidade de leucócitos alterada. O jejum para se
colectar hemograma deve ser de no mínimo 4 horas, com excepção para bebés que precisam
se alimentar com mais frequência, neste caso o jejum pode ser de 1 a 2 horas no mínimo. A
colecta deve ser feita de sangue venoso a não ser que não se consiga podemos colectar de
outras vias sanguíneas e em tubo com anticoagulante EDTA na quantidade correta
(GONÇALVES FS, infoescola, 2024).
2.2. Propósito do Exame
O hemograma avalia quantitativa e qualitativamente (somente algumas
características) as células do sangue.
Avalia a quantidade, o tipo e a proporção de cada uma das séries de glóbulos brancos
(GB);
Avalia a quantidade, o volume corpuscular médio dos glóbulos vermelhos (MCV) e o
seu conteúdo de hemoglobina (MCHC, MCH);
Avalia a quantidade de plaquetas (PLQ).
2.3. Contagem de Leucócitos
5
Os leucócitos são divididos em dois grupos principais:
Granulócitos;
Agranulócitos.
Os granulócitos recebem esse nome em virtude no núcleo multilobulado e dos grânulos
distintos presentes no citoplasma dos neutrófilos, basófilos e eosinófilos. Os agranulócitos,
que consiste em linfócitos e monócitos, não contêm grânulos distintos e possuem um núcleo
não-lobulado. Os leucócitos desempenham o seu papel na defesa do organismo contra
agentes patogénicos (FERNÁNDEZ, 1996; GUYTON e HALL, 2002; MURRAY et al.,
2002; FISCHBACH e DUNNING, 2005; LITOS et al., 2006).
A contagem de leucócitos serve como um guia útil da gravidade do processo patológico.
Pode-se esperar padrões específicos de resposta de leucócitos em vários tipos de doenças,
determinados pela contagem diferencial (percentagem dos diferentes tipos de leucócitos)
(FISCHBACH e DUNNING, 2005; HODGSON et al., 2005). A contagem de leucócitos e a
contagem diferencial, por si sós, têm pouca utilidade como auxiliares de diagnóstico, excepto
se os resultados forem relacionados com a condição clínica do paciente, somente assim é
possível fazer uma interpretação útil (Fischbach e Dunning, 2005).
2.3.1. Interpretação dos Resultados
Os limites da normalidade podem variar de um laboratório para o outro, os valores fornecidos
são aproximados; é portanto importante conhecer o intervalo de normalidade dos valores, que
o laboratório onde o clínico trabalha está a usar (MISAU, 2013).
2.3.2. Valores Anormais e sua interpretação
Ao interpretar os resultados de um hemograma, é importante ter em mente que os resultados
podem indicar uma hemopatia, ou auxiliar no diagnóstico de condições associadas à
hemopatias ou a sintomas hematológicos (infecções, neoplasias, doenças crónicas
inflamatórias, etc) (MISAU, 2013).
[Link]. Aumento de Leucócitos ou Glóbulos Brancos (GB) ou leucocitose
A contagem aumentada de leucócitos denomina-se leucocitose, e tem como principal causa as
infecções. Por outro lado, as contagens muito elevadas, geralmente acima de
6
100.000/mm3devem fazer pensar em processos linfo proliferativos (leucemia). (MISAU,
2013)
Na presença de uma leucocitose, devemos avaliar qual é a série ou população responsável
pelo aumento da contagem de leucócitos, através da avaliação da fórmula leucocitária.
Assim:
GB totais > 10.000/mm3: leucocitose
Leucocitose com neutrófila: a leucocitose acontece por aumento do número de
neutrófilos (NE).
Quando NE > 70%: indicativo de infecções bacterianas, inflamações, linfoma,
carcinoma.
Leucocitose com linfocitose: a leucocitose acontece por aumento dos linfócitos (LI).
Quando LI > 40%: indicativo de linfoma, leucemia, infecções virais.
Noutras situações, o aumento dá-se nas populações menos representadas, determinando
apenas uma leve leucocitose ou até mesmo valores normais de GB:
Exemplos:
Monócitos (MO) > 10 %: tuberculose, infecções por protozoários;
Eosinófilos (EOS) > 6 %: neoplasia pulmonar, infecções por helmintes, alergias,
dermatite, linfoma, leucemia;
Basófilos (BAS) > 1%: leucemia crónica, doença da medula óssea, alergias.
[Link]. Redução de Leucócitos ou Glóbulos Brancos (GB) ou Leucopenia
A contagem reduzida de GB denomina-se leucopenia e pode ter várias causas, relacionadas
ou não com hemopatias:
GB totais < 4000/mm3: indicativo de linfoma, insuficiência da medula óssea, infecção
por HIV;
Neutrófilos < 40%: indicativo infecções virais; estados de stress;
Linfócitos < 20 %: indicativo de linfoma, leucemia, Infecção por HIV.
7
2.3.3. Contagem diferencial de leucócitos ou fórmula leucocitária
A contagem de leucócitos circulantes é diferenciada de acordo com os cinco tipos de
leucócitos, cada um com uma função específica. A distribuição (número e tipo) de células e o
grau de aumento ou diminuição é importante para o diagnóstico (FISCHBACH e DUNNING,
2005; HODGSON et al., 2005).
A contagem diferencial de leucócitos baseia-se em diferentes componentes químicos de cada
tipo celular (FISCHBACH e DUNNING, 2005).
O valor total de GB é de 4.000-10.000/mm3. Na tabela 4 abaixo, apresenta-se a sua contagem
diferencial (por cada tipo de Glóbulos Brancos GB). Segundo a tabela, é possível verificar
que os neutrófilos correspondem a cerca de metade do número total de leucócitos
Tabela 4: Contagem diferencial dos GB.
Componente Número absolute Percentagem
Neutrófilos 1800 a 7500/ml 45 a 75%
Linfócitos 880 a 4000/ml 22 a 40%
Monócitos 120 a 1000/ml 3 a 10%
Eosinófilos 40 a 500/ml 1 a 5%
Basófilos 0 a 200/ml 0 a 2%
Fonte: [Link]
2.4. Contagem de Eritrócitos
A principal função dos eritrócitos é transportar O₂ dos pulmões para os tecidos corporais e
transferir CO₂ dos tecidos para os pulmões. Esse processo é feito por meio da hemoglobina
nos eritrócitos, que se combina facilmente com o O₂ e confere ao sangue arterial a sua cor
brilhante (FISCHBACH e DUNNING, 2005).
A quantificação dos eritrócitos é uma importante ferramenta na avaliação da anemia ou da
policitemia. A quantidade de eritrócitos está diminuída em pacientes com anemia e
aumentada em pacientes com policitemia. A anemia é uma anomalia que está relacionada
com várias condições como: malária, gravidez, má nutrição, hemoglobinopatias, deficiência
de ferro, entre outros, tais como factores genéticos (FERNÁNDEZ, 1996; GUYTON e
HALL, 2002; MURRAY et al., 2002; FISCHBACH e DUNNING, 2005).
Os parâmetros considerados normais para os eritrócitos ou Glóbulos Vermelhos GV, são
descritos na tabela 5 abaixo.
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Tabela 5: parâmetros eritrocitários normais
Parâmetros Intervalo normal (Unidades
convencionais)
Eritrócitos 4.15 – 4.9 milhões/mm3
Hemoglobina Homem 13-17 gr/dl
Mulher (não grávida) 12-15 gr/l
Hematócrito Homem 42 – 52%
Mulher 37 – 48%
Hemoglobina corpuscular média – MCH 28 – 33 pg/célula
Concentração de hemoglobina corpuscular 32 -36 gr/dl
média – MCHC
Volume corpuscular médio – MCV 86 – 98 fl
Fonte: Harrison, Manual de Medicina, 15ª edição;
O VCM e o CHCM são valores importantes na interpretação de um hemograma em caso de
anemia.
2.4.1. Valores Anormais e sua interpretação
[Link]. Aumento de Eritrócitos ou Glóbulos Vermelhos (GV)
A contagem aumentada de eritrócitos ou eritrocitose pode ser indicativa de: distúrbios
hematológicos (Ex: policitemia vera), desidratação (há hemoconcentração por falta de líquido
plasmático), tumores produtores de eritropoetina (do rim e outros) e pode ser fisiológica (nas
pessoas que vivem em zonas de grandes altitudes) (MISAU, 2013).
[Link]. Redução de Eritrócitos ou Glóbulos Vermelhos (GV) ou Eritropenia
A contagem reduzida de eritrócitos ou eritropenia pode ser indicativa de: anemia, perdas
sanguíneas agudas ou crónicas, hemólise (destruição dos GV), insuficiência medular, doenças
infiltrativas da medula que reduzam a capacidade de produzir células sanguíneas (HIV,
leucemia, linfoma). (MISAU, 2013).
[Link]. Redução da Hemoglobina ou do hematócrito
A redução da hemoglobina para valores abaixo de 13 gr/dl nos homens e de 12 gr/dl nas
mulheres é indicativa de anemia que pode ter várias origens (hemólise, deficiência de Fe ou
de vitamina B12, perdas de sangue, doença crónica, etc. A presença de níveis reduzidos de
hematócrito (<42% - Homem e <37% - mulher) também determina a anemia. (MISAU,
2013).
9
[Link]. Alterações da morfologia dos GV ( MCV, MCH, MCHC)
Quando o MCV está acima ou abaixo dos seus limites superior e inferior normais (vide tabela
5), considera-se macrocitose e microcitose respectivamente.
A macrocitose pode estar presente nas anemias por deficiência de Vitamina B12 ou de ácido
fólico.
A microcitose pode estar presente na anemia por deficiência de ferro, na anemia associada à
inflamação (anemia das doenças crónicas) e quando há perdas insensíveis de sangue (ex:
hematúria microscópica, lesão instestinal por parasitas).
Quando o MCH e o MCHC estão abaixo do seu limite inferior normal, considera-se que o
nível de hemoglobina nos GV está reduzido (hipocromia). Este achado pode estar presente
nas anemias por deficiência de Ferro. (MISAU, 2013).
2.5. Contagem de Plaquetas
As plaquetas têm uma função importante na coagulação sanguínea, evitando hemorragias.
Quando os valores estão baixos, a trombocitopenia pode aparecer em algumas intoxicações,
infecções (meningite meningocóccica ou febre tifóide), leucemias e alcoolismo. Os valores
elevados têm o nome de trombocitose. Quando as tromboses são permanentes geralmente
devem-se a uma hiperprodução de plaqueta, no entanto a trombocitose também pode estar
associado a policitemia e leucemia, a algumas doenças infecciosas, hemorragias agudas e
queimaduras externas(FERNÁNDEZ, 1996; FISCHBACH e DUNNING, 2005).
O intervalo normal das plaquetas é de 150.000 – 400.000/mm3 .
2.5.1. Valores Anormais e sua interpretação
[Link]. Aumento das plaquetas ou trombocitose
A trombocitose (plaquetas > 400.000/mm3) pode ser indicativa de: leucemia crónica, outras
neoplasias, trombocitose reactiva, principalmente na presença de processos infecciosos
crónicos (como a TB).
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[Link]. Redução de Plaquetas ou Trombocitopenia
A trombocitopenia (plaquetas <150.000/mm3): pode ser indicativa de infecções (malária,
HIV),leucemia aguda, outras neoplasias, qualquer doença que causa esplenomegalia,
insuficiência medular. (MISAU, 2013).
Nalgumas situações pode haver alteração simultânea dos 3 tipos sanguíneos. Assim, temos:
[Link]. Pancitopenia (redução de GV,GB,Plt)
Indicativa de insuficiência medular (incapacidade da medula para produzir as células
sanguíneas – aplasia medular), processos infiltrativos da medula que interferem com a sua
actividade (HIV, linfoma, leucemia) (MISAU, 2013).
[Link]. Aumento simultâneo de mais de um tipo celular (GV/GB/ Plt)
Pode ser indicativa de estados de hemoconcentração (secundária a desidratação por exemplo),
ou de neoplasias hematológicas (síndromes proliferativos). (MISAU, 2013).
2.6. Contagem de Reticulócitos
Um reticulócito é um eritrócito jovem, imaturo e anucleado. Contém material reticular (RNA)
que cora de cinza-azulado. A contagem de reticulócitos é usada para o diagnóstico diferencial
de anemias causadas por insuficiências na medula óssea ou por hemorragias ou hemólise,
para verificar a efectividade dos tratamentos para anemia perniciosa e para a deficiência de
folato e ferro, para avaliar a recuperação da medula óssea na anemia aplásica e para
determinar os efeitos de substâncias radioactivas em trabalhadores expostos (SEPA et al.,
1993; PAYTON e WHITE, 1995; FISCHBACH e DUNNING, 2005).
2.7. Determinação de Índices Hematológicos
Os índices hematológicos definem o tamanho e o conteúdo de hemoglobina, consistem na
determinação do volume corpuscular médio (VCM), determinação da concentração de
hemoglobina corpuscular média (CHCM) e determinação da hemoglobina corpuscular média
(HCM) (SEPA et al., 1993; PAYTON e WHITE, 1995; FISCHBACH e DUNNING, 2005).
11
VCM - Expressa o volume ocupado por um eritrócito, ou o tamanho do eritrócito, é
um melhor índice para classificação de anemias, é medida em micrómetros
(FISCHBACH e DUNNING, 2005).
CHCM - Mede a concentração média de hemoglobina nos eritrócitos, é mais útil na
monitoração do tratamento de anemias, é medida em g/dL (FISCHBACH e
DUNNING, 2005).
HCM - É uma medida do peso médio de hemoglobina por cada eritrócito, é útil para o
diagnóstico de pacientes muito anémicos, é medida em pg/célula (FISCHBACH e
DUNNING, 2005).
2.7.1. Determinação de hemoglobina
A determinação de hemoglobina é uma parte do hemograma completo (HC), usada para o
rastreio de doenças associadas à anemia, para determinação da intensidade da anemia, para
monitoração da resposta ao tratamento da anemia e para avaliação de eritrocitose (SEPA et
al., 1993; FISCHBACH e DUNNING, 2005).
2.7.2. Determinação do hematócrito
O hematócrito é uma parte do HC, que mede indirectamente a massa dos eritrócitos. É
importante na determinação de anemia ou policitemia (FISCHBACH e DUNNING, 2005).
Hematócrito é o volume de hemácias expresso como percentagem do volume de uma amostra
de sangue total, ou seja, mililitros de hemácias por decilitro de sangue.
2.7.3. Determinação do microhematócrito
i. Encher com o sangue o tubo para microhematócrito, até dois terços do seu volume.
Para tubos heparinizados o sangue capilar pode ser usado.
ii. Selar o tubo, introduzido a extremidade vazia na massa própria, com movimentos de
rotação, até aproximadamente 5mm de profundidade.
iii. Encher os demais tubos de modo idêntico.
iv. Coloca-os na microcentrifuga em posição diametralmente opostas com a parte selada
voltada para fora. Observar a numeração evitando a troca de resultados.
v. Após tampar convenientemente a microcentrifuga, coloca-a em movimento por cinco
minutos. Tempo superior a este não altera a sedimentação dos glóbulos.
vi. Desligar o aparelho. Retirar os tubos e fazer a leitura usando a escala própria.
12
Leitura dos resultados
i. Colocar o tubo sobre a escala, fazendo coincidir a extremidade inferior das células
centrifugadas com a linha zero.
ii. Deslocar o tubo paralelamente às linhas verticais fazendo coincidir o menisco
superior do plasma com a linha 100.
iii. Ler a percentagem do volume hematócrito na escala graduada ao nível da superfície
das hemácias no tubo.
13
3. Conclusão
Conclui-se então que o hemograma seja ele em sua porção completa ou separada, todos
devem ser analisados com muita cautela em sua contagem e morfologia, e quando for
analisado em aparelhos automatizados comparar seus resultados anteriores se possível e
também com os valores normais de referencia, já na contagem manual é mais fácil se
perceber alterações, mas mesmo assim devemos ter cuidados.
Também tem os casos de laboratórios públicos (poucas alterações nos hemogramas) e
laboratórios hospitalares (grande incidência de alterações nos hemogramas) em que nos
hospitalares o contacto com o médico do paciente é directo auxiliando na identificação de
uma doença ou de uma melhora com mais facilidade e já nos laboratórios públicos isso fica
mais difícil tendo que tentar entrar em contacto com os médicos de uma forma indirecta em
caso de suspeitas no hemograma.
Finalizando, o hemograma é o principal exame pedido por médicos, pois muitas doenças o
alteram. E com isso todo profissional de laboratório deveria se manter actualizado com as
descobertas científicas e tecnológicas visando uma melhor identificação de alterações
hematológicas em seus pacientes e possuir bons atlas hematológicos para buscas rápidas em
momentos de dificuldade do dia-a-dia.
14
4. Referências Bibliográficas
MINISTÉRIO DA SAÚDE, MISAU. Manual de Formação Para Técnicos de
Medicina Geral – Hematologia e Oncologia. 2013.
VIVAS, Wanessa Lordêlo P. Manual Prático de Hematologia.
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Médica Científica, São Paulo, 2003.
Gonçalves FS. Hemograma. Disponível em:
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2024.
Pinheiro P. Hemograma – Entenda os seus resultados. Disponível em:
[Link] Acesso em: 16 Outubro 2024.
McDonald GA, Paul J, Cruickshank B – Atlas de hematologia. Ed. Médica
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Naoum PC, Naoum FA – Hematologia Laboratorial. Eritrócitos. Editora Academia de
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Harrison at all, Manual de Medicina, 15ª edição, McGraw Hill, 2002
FAILACE, Renato. Hemograma: manual de interpretação. 3 ed. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1995.
15