CAMILE SILVA
MARIA FERNANDA REIS
MARCELINA GUEDES MARTINS
ANDRYA MARIA CARDOSO
TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMATICO
(TEPT)
CURITIBA-PR
O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é uma condição
psicológica que pode surgir após a exposição a eventos traumáticos, como
violência, desastres naturais, acidentes graves ou abusos, conforme descrito
pela American Psychiatric Association (2013). Essa condição é caracterizada
por uma resposta intensa e persistente ao trauma, interferindo de maneira
significativa na vida cotidiana do indivíduo. O Manual Diagnóstico e Estatístico
de Transtornos Mentais (DSM-5) classifica o TEPT como parte dos transtornos
relacionados ao estresse e traumas (APA, 2013).
No cérebro, as alterações relacionadas ao TEPT representam uma
tentativa de adaptação a novas demandas impostas pelo trauma. Isso afeta o
que Beck (2011) define como "Esquemas", um conjunto de crenças, regras e
pressupostos que moldam a interpretação que o indivíduo faz de si mesmo e
do mundo ao seu redor. As mudanças causadas pelo trauma não se limitam à
estrutura neural, mas afetam também o funcionamento cognitivo, emocional e
comportamental do indivíduo, resultando em reações fisiológicas ao evento
traumático. Se o estresse for intenso, prolongado ou crônico, os mecanismos
de adaptação podem ser sobrecarregados, o que resulta em um estado de
equilíbrio disfuncional e menos flexível (Beck, 2011).
As experiências traumáticas são armazenadas nas memórias cognitiva,
emocional e motora, gerando padrões específicos de ativação dessas
memórias e das estruturas cerebrais associadas. Brewin(2010), explicam que
essas ativações facilitam associações entre estímulos sensoriais presentes no
trauma, o que aumenta a vulnerabilidade para falsas associações e
generalizações com outros estímulos não ameaçadores. A fase inicial do
impacto traumático é frequentemente marcada por dor, medo e terror, podendo
levar a estados dissociativos, que são fatores de risco para o desenvolvimento
do TEPT. Após essa fase aguda, surgem estados de paralisação emocional,
embotamento e descrença, acompanhados pela reexperiência do trauma e
pela esquiva de estímulos relacionados ao evento, o que contribui para o
agravamento das memórias traumáticas (Brewin et al., 2010).
Os principais sintomas do TEPT incluem revivências do trauma,
evitamento, alterações cognitivas e de humor, e excitação aumentada. Brewin
(2010) descrevem que a revivência do trauma ocorre por meio de flashbacks,
pesadelos e pensamentos intrusivos. O evitamento é evidenciado pela tentativa
de evitar situações ou locais associados ao trauma, o que pode levar ao
isolamento social. Alterações cognitivas, como pensamentos negativos sobre o
mundo e o self, sentimentos de culpa e dificuldade em experimentar emoções
positivas, também são comuns. Yehuda (2002) aponta que o aumento da
excitação e reatividade se manifesta por meio de hipervigilância, respostas
exageradas a estímulos de susto, irritabilidade e dificuldades no sono.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é amplamente reconhecida
como um tratamento eficaz para o TEPT. Beck (2011) ressalta que a
psicoeducação é uma técnica fundamental, ajudando o paciente a entender
como seus pensamentos influenciam suas emoções e comportamentos. A
reestruturação cognitiva, descrita por Clark e Ehlers (2004), visa modificar
pensamentos automáticos disfuncionais por meio de questionamentos
socráticos.
A exposição gradual como outra técnica essencial, que ajuda a
dessensibilizar o paciente em relação ao trauma. O uso de técnicas de
relaxamento e mindfulness também é indicado para o manejo da ansiedade
(Linehan, 1993). Descrevem a exposição prolongada como uma técnica que
ajuda o paciente a reviver memórias traumáticas de forma controlada, o que
diminui a carga emocional associada a essas memórias.
No caso clínico de Lucas, um analista de sistemas de 30 anos que
sofreu um assalto à mão armada, os sintomas de TEPT se manifestam por
meio de pesadelos recorrentes, flashbacks e evitamento de situações
relacionadas ao evento traumático. Lucas desenvolveu crenças negativas
sobre o mundo, como a ideia de que "o mundo é perigoso", e tem dificuldades
para confiar em outras pessoas. Seu estado de hipervigilância o deixa sempre
em alerta, o que afeta seu sono e contribui para irritabilidade e explosões de
raiva em situações de estresse.
A abordagem inclui a exposição gradual a situações evitadas, a
reestruturação cognitiva para desafiar crenças disfuncionais e técnicas de
relaxamento para manejar a ansiedade. A terapia de exposição às memórias
traumáticas seria aplicada para que Lucas pudesse reviver o evento em um
ambiente controlado, com o objetivo de reduzir a intensidade emocional
associada ao trauma.
Conceito
O TEPT é um transtorno psicológico que surge após a exposição a um
evento traumático.
O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é uma condição
psicológica desencadeada pela exposição a eventos traumáticos, como
violência, desastres naturais, acidentes graves, abusos físicos ou sexuais,
entre outros. Trata-se de uma resposta intensa e persistente ao trauma, que
interfere significativamente na vida cotidiana do indivíduo. O TEPT faz parte do
grupo de transtornos relacionados ao estresse e traumas, segundo o Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).
Principais Sintomas:
Revivência do trauma: A pessoa revive o evento traumático repetidamente, o
que pode ocorrer por meio de:
-Flashbacks: sensações vívidas de que o evento está acontecendo novamente.
-Pesadelos: sonhos perturbadores e repetitivos relacionados ao trauma.
-Pensamentos intrusivos: memórias não desejadas e persistentes do trauma.
Evitamento: A pessoa evita ativamente situações, locais, pessoas ou objetos
que possam recordar o trauma, como:
-Evitar conversas ou pensamentos relacionados ao trauma.
-Evitar lugares ou atividades que lembrem o evento traumático.
-Isolamento social e emocional.
Alterações cognitivas e de humor:
-Pensamentos negativos sobre si mesmo ou sobre o mundo ("O mundo não é
seguro", "Não posso confiar em ninguém").
-Sentimento de culpa ou vergonha em relação ao evento traumático.
-Dificuldade de experimentar emoções positivas, como alegria e afeto.
-Perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas.
Aumento de excitação e reatividade:
-Hipervigilância (estado constante de alerta).
-Respostas de susto exageradas.
-Irritabilidade ou explosões de raiva.
Dificuldade de concentração e distúrbios do sono.
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) aplicada ao TEPT.
Psicoeducação: o paciente aprende sobre o TEPT e como os pensamentos
influenciam as emoções e comportamentos.
Reestruturação cognitiva: identificação e modificação de pensamentos
automáticos disfuncionais, utilizando o questionamento socrático.
Exposição gradual: enfrentamento controlado de memórias traumáticas para
reduzir a resposta de medo.
Treinamento de relaxamento e manejo da ansiedade.
Mindfulness: técnicas de atenção plena para ajudar no manejo do estresse
Avaliação no contexto do TEPT com base na TCC
Entrevista clínica estruturada: focada nos sintomas de TEPT.
Instrumentos de avaliação: Inventário de Depressão de Beck (BDI), Escala de
Impacto do Evento (IES), etc.
Avaliação funcional: relação entre situações, pensamentos, emoções e
comportamentos.
Intervenções da TCC para o TEPT
Exposição Prolongada: prática gradual e controlada de reviver as memórias
traumáticas até que a resposta emocional diminua.
Treinamento em relaxamento: práticas de respiração, relaxamento muscular
progressivo.
Reestruturação cognitiva: desafiar e modificar crenças disfuncionais sobre o
trauma e suas conseqüências
Terapia de Processamento Cognitivo: trabalhar distorções cognitivas
relacionadas ao trauma, como culpa ou medo excessivo.
Conceitualização Cognitiva de Caso: Criação de um Caso
Nome: Lucas.
Idade: 30 anos.
Ocupação: Analista de sistemas.
Histórico: Lucas foi vítima de um assalto à mão armada enquanto estava no
trânsito. Durante o assalto, foi ameaçado de morte e mantido refém dentro de
seu carro por cerca de 40 minutos. Após o incidente, ele conseguiu se libertar
fisicamente, mas ficou psicologicamente marcado pela experiência.
Sintomas Relatados por Lucas:
Revivências do trauma:
Pesadelos recorrentes onde revive o momento do assalto.
Flashbacks ocasionais, especialmente quando está no trânsito ou vê notícias
sobre crimes violentos.
Evitamento:
Evita dirigir sozinho e, sempre que possível, utiliza transporte público ou pede
para alguém o acompanhar.
Evita sair de casa à noite ou passar por lugares onde o assalto ocorreu.
Alterações de humor e cognição:
Relata pensamentos de que "o mundo é perigoso" e "nunca mais estarei
seguro".
Sente-se incapaz de confiar em estranhos, especialmente em locais públicos.
Dificuldade em sentir prazer em atividades que antes gostava, como sair com
amigos ou ir a shows.
Excitação e reatividade:
Hipervigilância constante:
Lucas relata estar sempre atento a sons ou movimentos ao seu redor,
temendo que algo ruim possa acontecer [Link] para dormir,
com frequentes despertares no meio da noite.
Irritabilidade, explosões de raiva quando está em situações de estresse.
A conceitualização cognitiva busca mapear os eventos ativadores, as
crenças centrais, os pensamentos automáticos, as emoções associadas e os
comportamentos resultantes. No caso de Lucas, podemos organizar as
informações da seguinte maneira:
Evento Ativador (ou Experiência Inicial):
Assalto à mão armada: A experiência traumática de ser ameaçado de morte e
mantido refém.
Crenças Centrais:
As crenças centrais são ideias rígidas e profundas que o paciente tem
sobre si mesmo, o mundo e o futuro.
-"Sou vulnerável e fraco."
-"O mundo é perigoso e imprevisível."
-“Eu nunca estarei seguro."
Crenças Intermediárias:
Essas crenças se formam a partir das crenças centrais e orientam como
o paciente se comporta diante de diferentes situações.
-"Se eu evitar dirigir ou sair de casa, vou evitar ser atacado novamente."
-"Não posso confiar em pessoas estranhas, elas podem me machucar."
Pensamentos Automáticos:
Os pensamentos automáticos são idéias rápidas e automáticas que
surgem em resposta a uma situação e que podem perpetuar o ciclo do
transtorno.
-"Vou ser atacado novamente se sair de casa."
-"Estou em perigo sempre que estou sozinho no carro."
-"As pessoas ao meu redor podem estar planejando me machucar."
Emoções:
As emoções de Lucas são desencadeadas pelos pensamentos
automáticos. No caso dele, as principais emoções são:
Medo.
Ansiedade.
Desesperança.
Raiva.
Comportamentos:
Os comportamentos disfuncionais de Lucas reforçam seu ciclo de
ansiedade e medo.
Evitamento de dirigir ou sair de casa sozinho.
Hipervigilância excessiva em ambientes públicos, sempre alerta ao menor sinal
de perigo.
Isolamento social, o que acaba agravando o sentimento de medo e ansiedade.
Intervenções Terapêuticas Propostas (Baseadas na TCC)
Exposição Gradual:
Lucas seria incentivado a, aos poucos, enfrentar as situações que ele
tem evitado. O processo começaria com pequenos desafios, como dirigir em
ruas tranquilas durante o dia, e progrediria para situações mais difíceis, como
dirigir à noite ou em ruas movimentadas. O objetivo é dessensibilizá-lo à
resposta de medo associada ao ato de dirigir.
Reestruturação Cognitiva:
Questionamento Socrático:
Perguntas que ajudam Lucas a analisar a validade de suas crenças,
como "Sempre que você saiu de casa, algo ruim aconteceu?" ou "Quais são as
evidências de que você está em perigo o tempo todo?"
Mudança de Perspectiva: auxiliar Lucas a desenvolver um pensamento mais
equilibrado, como "O assalto foi uma situação isolada e, com precaução, posso
reduzir os riscos".
Técnicas de Relaxamento:
Respiração diafragmática: A prática de respiração profunda pode ajudá-lo a
acalmar o corpo em momentos de ansiedade.
Terapia de Exposição a Memórias Traumáticas:
A exposição prolongada às memórias traumáticas é uma técnica
específica para TEPT. Com a ajuda do terapeuta, Lucas seria incentivado a
falar sobre o evento traumático em detalhes, o que pode ser desconfortável no
início, mas, ao longo do tempo, ajuda a reduzir a intensidade emocional
associada às memórias. Ele reviveria a experiência em um ambiente
controlado até que a memória perdesse sua carga emocional excessiva.
Referencias
Terapia cognitiva do transtorno de estresse pós-traumático. Brazilian Journal of
Psychiatry, v. 25, p. 31–36, jun. 2003.
[Link]
American Psychiatric Association. (2013).
Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5).
[Link]
[Link]
Beck, A. T. (2011).
Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e Prática.
[Link]
Yehuda, R. (2002).
Post-traumatic Stress Disorder.
[Link]