Álgebra Linear: Fundamentos e Aplicações
Álgebra Linear: Fundamentos e Aplicações
Oselo DIALÓGICA da Editora InterSaberes faz referência às publicações que privilegiam uma linguagem na
qual o autor dialoga com o leitor por meio de recursos textuais e visuais, o que torna o conteúdo muito mais
ET
dinâmico. São livros que criam um ambiente de interação com o leitor - seu universo cultural, social e de ela-
boração de conhecimentos -, possibilitando um real processo de interlocução para que a comunicação se efetive.
ÁLGEBRA LINEAR
2º edição
a
K/
EDITORA
intersaberes
Av. Vicente Machado, 317 — 14º andar - Centro
êvª% CEP 80420-010 - Curitiba - PR — Brasil
Fone: (41) 2106-4170
, EDITORA [Link]
intersaberes [Link]
1 edição, 2016.
2º edição, 2017.
Foi feito o depósito legal.
Bibliografia
ISBN: 978-85-5972-341-0
17-01786
Índices para catálogo sistemático:
1. Álgebra linear: Matemática 512.5
Apresentação
10 Organização didático-pedagógica
A álgebra linear é uma parte de grande importância em matemática, pois está presente em
diversas áreas, como engenharias, computação, física e economia. Os requisitos básicos para a
leitura deste livro são os conteúdos de matemática do ensino médio e de geometria analítica.
A obra apresenta os principais conteúdos de álgebra linear que fundamentam e auxiliam para
estudos mais avançados em campos como computação gráfica, sistemas dinâmicos, circuitos
elétricos, fluxo de trânsito, balanceamento de equações químicas, entre outros. Com os temas,
exercícios e atividades expostos neste livro, você terá conhecimento para desenvolver, estudar
e ensinar assuntos relacionados à álgebra linear, por exemplo, o ensino de matrizes e sistemas,
geometria, cálculo e análise. A álgebra linear consiste em estudar e generalizar propriedades
geométricas e algébricas que valem para conjuntos estritos, fazendo-os valer para conjuntos
mais gerais.
Neste livro, utilizaremos uma linguagem simples, clara e objetiva para escrever e explicar os
assuntos, sem abandonar o rigor matemático envolvido. A utilização de exemplos e exercícios
resolvidos foi feita para auxiliar na compreensão dos conteúdos. No final de cada capítulo, há
atividades que visam avaliar a compreensão teórica do assunto e outros para aplicar os con-
ceitos aprendidos.
No primeiro capítulo estudaremos matrizes, determinantes e sistemas lineares, que são a
base para o entendimento da álgebra linear e são encontrados em diversos problemas práticos
e relacionados às engenharias. No segundo capítulo estudaremos sobre espaços vetoriais que
irão nos acompanhar até o capítulo final, bem como os conceitos de base, mudança de base
e dependência linear. No terceiro capítulo, apresentaremos as transformações lineares, que
nos acompanharão nos capítulos seguintes. No quarto capítulo, veremos os diversos produ-
tos internos e, por meio dos conceitos apresentados, definiremos norma, distância e ângulos.
No penúltimo capítulo, apresentamos um tipo especial de transformação linear: os operadores
lineares e a relação com determinadas matrizes. Encerraremos a obra com os exemplos de for-
mas bilineares e quadráticas e suas representações matriciais.
Esperamos que os temas abordados e as atividades propostas contribuam para a formação
dos futuros professores e que este livro seja uma fonte de pesquisa, estudo e base para apro-
fundamento de conteúdos e aplicação em diversas áreas contempladas.
ORGANIZAÇÃO DIDÁTICO-PEDAGÓGICA
Este livro traz alguns recursos que m enriquecer o seu aprendizado, facilitar a com
ão dos conteúdos e tornar a leitura mais dinâmica. São ferramentas projetadas de acordo com
a natureza dos temas que vamos examinar. Veja a seguir como e: recursos se encontram
distribuídos no decorrer desta obra
Introdução do capítulo
Logo na abertura do capítulo, você é informado
a respeito dos conteúdos que nele serão aborda-
dos, bem como dos objetivos que o autor pre-
tende alcançar.
Pense a respeito
Aqui você encontra reflexões que fazem um con-
vite à leitura, acompanhadas de uma análise
sobre o assunto.
Preste atenção!
Nestes boxes, você confere informações comple-
mentares a respeito do assunto que está sendo
tratado.
Exercício resolvido
Nesta seção a proposta é acompanhar passo a
passo a resolução de alguns problemas mais
complexos que envolvem o assunto do capítulo.
Atividades de autoavaliação
Com estas questões objetivas, você tem a opor-
tunidade de verificar o grau de assimilação dos
conceitos examinados, motivando-se a progre-
dir em seus estudos e a se preparar para outras
atividades avaliativas.
Atividades de aprendizagem
Aqui você dispõe de questões cujo objetivo é
levá-lo a analisar criticamente determinado
assunto e aproximar conhecimentos teóricos e
práticos.
Atividade aplicada: prática
Nesta seção, a proposta é levá-lo a refletir criti-
camente sobre alguns assuntos e trocar ideias
e experiências com seus pares
As matrizes serão utilizadas em vários capítulos deste livro, desse modo, entende-las e saber
trabalhar com elas são requisitos indispensáveis para nossos estudos sobre álgebra linear. Por
esse motivo, vamos iniciar apresentando os itens mais importantes sobre o assunto: as opera-
ções, os tipos e as propriedades de matrizes, os determinantes, o escalonamento e a resolução
de sistemas lineares utilizando matrizes. Não se preocupe, até o final do capítulo você saberá
tudo o que precisa sobre o assunto!
Matrizes: tudo o que precisamos saber
Para darmos início aos estudos, vamos ver um pouco sobre a história das matrizes.
Aproximadamente no ano de 2500 a.C., em um livro chinês de arte matemática que apresentava
diversos problemas relacionados a impostos, agricultura e terras, entre outros, foram utilizadas
tabelas para resolver um desses problema: sem que fosse desenvolvido o assunto ou utilizada
a palavra matriz. Apesar de a palavra mat iz ter sido usada em 1850 por James Joseph Sylvester
(1814-1897) como auxiliar nos estudos de determinantes, a teoria das matrizes tem sua origem
em 1855 em um artigo em que Arthur Cayley (1821-1895) escreveu que, apesar de, pela lógica,
a ideia de matriz vir antes da ideia de determinante, o que aconteceu historicamente foi o con-
trário (Kilhian, 2010a; Eves, 2011).
Pense a respeito
Arthur Cayley nasceu em 1821 na cidade de Richmond, Surrey, e estudou no Trinity College,
Cambridge. Por alguns anos, dedicou-se ao estudo e à prática do direito, mas não deixou
de estudar matemática. Em 1863, passou a ocupar uma cadeira de Matemática Pura em
Cambrigde, abandonando a área jurídica e dedicando-se totalmente à matemática. Ele está
entre os três escritores da área com mais produções em todos os campos (Kilhian, 2010a).
Cayley estudava transformações lineares, as quais também iremos estudar neste capítulo.
Entretanto, para que você compreenda melhor os estudos desse autor, vamos pensar no exem-
plo a seguir. Queremos levar um ponto de coordenadas (x,y) ao ponto de coordenadas (x,y,),
com a seguinte relação:
x + by
y, =0x +dy
16 Álgebra linear
Em que a, b, c, d são números reais. Para simplificar o sistema apresentado, Cayley utilizou
a seguinte matriz
E)
Desse modo, observando as transformações lineares escritas como matrizes, o estudioso
obteve a matriz inversa e definiu o produto de matrizes. Mais tarde, em outro artigo, escreveu
sobre adição de matrizes e multiplicação de matrizes por escalares (Kilhian, 2010a). Apesar de
a descoberta de matrizes ter ocorrido após a descoberta de determinantes e sistemas, é com as
primeiras que iniciaremos nossos estudos, pois servem de auxílio para o desenvolvimento dos
conteúdos dos dois últimos, que vamos utilizar nos próximos capítulos.
Exemplo 1.1
Uma escola obteve o seguinte resultado em um campeonato de futebol
Podemos reduzir a tabela para a seguinte matriz, em que as linhas são referentes aos times,
e as colunas, à quantidade de empates, vitórias e derrotas:
PBéNO
oOmrmqN
om
N=
Matrizes: tudo o que precisamos saber
Exemplo 1.2
O gerente de uma empresa oferece café com bolachas aos funcionários; fez uma pesquisa de
preços em três supermercados e obteve a seguinte tabela:
Podemos escrever a seguinte matriz dos preços, em que as linhas fazem referência ao preço
por produto em cada supermercado e as colunas, ao preço de todos os produtos em cada super-
mercado pesquisado:
70 68
27 30
50 49
53 55
Por exemplo, a primeira linha refere-se aos preços do café no supermercado A, B e C, res-
pectivamente. A primeira coluna indica os preços dos produtos no supermercado A.
Exemplo 1.3
Vamos considerar que você é professor e, para compor a nota de um bimestre, aplicou 4 tra-
balhos — 3 com valor de 2,0 pontos cada e 1 com valor de 4,0 pontos. Seus alunos tiveram as
notas indicadas a seguir:
Aluno C 17 20 2,0 40
(conclusão)
Alunos Trabalho 1 Trabalho 2 Trabalho 3 Trabalho 4
Valor2,0 Valor 2,0 Valor 2,0 Valor 4,0
Aluno E 05 13 20 2,5
Aluno F 0,9 10 sa 32
Como ficaria a matriz dos valores? Você provavelmente pensou na seguinte matriz:
10 15 18 30
15 20 16 38
17 20 20 40
12 10 15 20
05 13 20 25
09 10 17 32
Está correto! E o que representa cada linha? E cada coluna? Cada linha representa as notas de
determinado aluno em cada trabalho. Cada coluna representa as notas de todos os alunos por
trabalho.
Exemplo 1.4
As matrizes auxiliam quando temos muitas variáveis para analisar e trabalhar. Elas podem ser
formadas por números reais, números complexos, funções ou outras matrizes.
Agora que relacionamos tabelas com matrizes, vamos nomear alguns elementos das matrizes
e aprender algumas notações.
Uma matriz com m linhas e n colunas pode ser escrita do seguinte modo:
au a& Age A in
A Ax Am An Am
a coluna na qual o elemento se encontra. Então, para fazer referência a determinado elemento
da matriz, indicamos a linha e a coluna, nessa ordem, em que o item se localiza. Vejamos os
exemplos:
Exemplo 1.5
Considere a seguinte matriz:
o wm
momN
E
>
U
O elemento da terceira linha e primeira coluna é a,, = 5. Então, o elemento da primeira linha
e da primeira coluna é a,, = 2; da primeira linha e da segunda coluna é a,, = 1; da segunda
linha e da primeira coluna é a,, =6; da segunda linha e da segunda coluna é a,, =3; da terceira
linha e da segunda coluna é a,, = O.
21 A z
Aza=|6 3 =|à, a
50 a, s
Exemplo 1.6
Uma sorveteria vendeu as seguintes quantidades de sorvetes durante as primeiras quatro
semanas do verão:
Sorvetes Semanas
Primeira Segunda Terceira Quarta
Chocolate 200 350 300 500
Morango 150 260 410 300
Creme 100 180 150 250
Olhando a matriz, você saberia informar o que representa o elemento a,,? O elemento a,, tem
o valor de 410 e é a quantidade de sorvetes de morango vendidos na terceira semana.
Preste atenção!
.A ordem para citar um elemento da matriz ou para indicar a ordem da matriz deve ser, sempre, primeiro
a linha, depois a coluna.
14141 Notação
Para nos referirmos a matrizes, vamos utilizar as seguintes notações:
" Letramaiúscula: A, B, ...
* Letramaiúscula com a ordem: A,, , B,.Q -
* Oselementos e a ordem: [a]., Dl =
Vamos utilizar a notação com índices para montar a matriz correspondente:
Exemplo 1.7
" aj=0sei>]
* a=2sei<j
" aj=1sei=)
Dado que a matriz C tem ordem 3x4, então ela tem 3 linhas e 4 colunas:
u 2 El aH
Matrizes: tudo o que precisamos saber — 21
* a,=25sei<)j, então:
An A a a 1222
C=|a, ax 43 dx 0122
a a7 d A 0012
Exercício resolvido
O ingresso para um jogo de futebol custa R$ 50,00 para adulto sócio e R$ 25,00 para estudante
sócio. Para não sócios, o ingresso custa R$ 150,00 para adultos e R$ 75,00 para estudantes. Os
dados dessas informações podem ser registrados na seguinte matriz de ingressos:
E=
50 25
[150 75]
o 150]
5 75
Resolução
a. O e,, é o elemento da primeira linha (1) e da segunda coluna (2), ou seja, 25;0 e,, é o
elemento da segunda linha (2) e da primeira coluna (1), ou seja, 150.
22 Álgebra linear
b. A primeira linha representa os valores do ingresso para sócios, a segunda, o valor para
não sócios. A primeira coluna representa os valores dos ingressos para adultos e a
segunda, para estudantes.
10 10
c. A matriz seria: E= [
150 75J
d. Poderíamos representar a situação com a matriz F, pois a primeira linha indicaria
o preço dos ingressos para adultos, e a segunda linha, o preço do ingresso para
estudantes. A primeira coluna apontaria o valor dos ingressos para sócios, e a segunda
coluna, o valor dos ingressos para não sócios. Ainda, conseguimos interpretar linhas
fazendo referência a uma propriedade comum (adultos na primeira e estudantes na
segunda) e colunas (sócios na primeira e não sócios na segunda).
all akl m
ªzx
BA )
Por exemplo, as matrizes A,, e B, ,são quadradas, pois a matriz A tem 2 linhas e 2 colunas,
a matriz B tem 3linhas e 3 colunas, ou seja, ambas têm a mesma quantidade de linhas e colunas.
“l
2 4
o
o
Aza”
OoON=
ms
vo
1,3 5 135
Al INS|* Baanl2 o 46
24
1
N
Mez[3/S|2A
mecla 017
d6 /
0 0. 0
o
Omu: &
o 0 0
Temos como exemplo as matrizes nulas de ordem 2 x 3 e 3 x3, as quais são as seguintes:
000 p
O,,= O,.=|0
0 O
* lo00 $
000
[Link] Matriz coluna
A matriz formada por uma única coluna é chamada de matriz coluna. Seja A uma matriz coluna,
então sua ordem é do tipo mx1, e podemos escrever A, ..
ma
Y
F=——
- NE
PE
".
|
&
u
P
24 Álgebra linear
An Plan A apes a )
As matrizes A e B, expressas a seguir, têm apenas uma linha. Portanto, são exemplos de
matriz linha.
A=[0 3 1] B=[2 1
a, 0 O .. O
0 a O o
Azçã0 O o
0 0 0 a
a”
'
=
Na matriz A, , para i £ j temos a,, = a,, =0, por isso ela é diagonal. Na matriz B,, para i É£ j
temos, b,, = b, =b,, =b,, =b,, = b,, = 0; por esse motivo, ela também é uma matriz diagonal.
omro
oor
“oo
Ls
ES.o
om
"
Y"
F
Na matriz ,, para i É j, temos a,, = a,, = 4,, = a,, = a = a = 0, e para i =j, temos
a,, =a,,=a,,=1; por isso é uma matriz identidade. Na matriz 1, ,, para i £j temos b,, = h1=0e
para i = j temos b,, = b., = 1; também é uma matriz identidade.
d E A E 1320
ÁE Ax A A A| 0 4 9 10
A A A A 0025
a, a7 A Ay 0007
E A A 3 00
Ass=|aàn às aje|8 5 0
a, a aQ) |12 0 10
Exemplo 1.8
Considere as seguintes matrizes A e B dadas a seguir; demonstraremos que elas são iguais:
a-fo SJo-laos S
a =2=320=b,
a=8=2"=b,
a, =0= sen(0) =b,
&
=
!
|
!
>
Exercício resolvido
Considere as seguintes matrizes:
Resolução
a. As matrizes A e B não são iguais, pois a matriz A tem ordem 2 x 3, diferentemente da
ordem da matriz B, que é 3 x 2.
Matrizes: tudo o que precisamos saber 27
b. Para que as matrizes C e D sejam iguais, é preciso que elas tenham a mesma ordem e
todos os elementos correspondentes, que estão na mesma posição, devem ser iguais.
Então:
A 2) & * b
Exemplo 1.9
Vamos voltar ao exemplo da sorveteria. A tabela a seguir mostra as vendas nas quatro primei-
ras semanas do verão:
. Semanas
Primeira Segunda Terceira Quarta
Chocolate 200 350 300 500
Morango 150 260 410 300
Creme 100 180 150 250
(continua)
28 Álgebralinear
(conclusão)
Semanas
Somvetes DD ——
Primeira Segunda Terceira Quarta
Flocos 170 200 230 360
Coco 145 210 200 280
A próxima tabela mostra as vendas nas quatro primeiras semanas do verão do ano seguinte:
Sorvetes g E ——
Primeira Segunda Terceira Quarta
Chocolate 250 405 340 510
Vamos montar a tabela que representa a quantidade de cada sabor vendido nas quatro pri-
meiras semanas do verão dos dois anos:
Agora que aprendemos a somar matrizes, vamos além. Como você poderia simplificar a conta
A+A+A+HA, tal que A é uma matriz? Por exemplo, se:
1238
A=
4 56
Observe que, como todos os elementos da matriz estão multiplicados por 4, podemos escre-
Ver4A.
a. 21 a. 21 aa. 21
BiA ." AAn :
aml ªm! * aum aaml ªalfº E aªmn
Exemplo 1.10
Vamos voltar aos dados do segundo exemplo deste capítulo (Exemplo 1.2), sobre a empresa
que oferece café com bolachas aos funcionários. O gerente fez uma pesquisa de preços em três
supermercados e obteve a seguinte tabela:
Açúcar 27 30 28
Suponha agora que houve uma grande crise e todos os produtos tiveram seus preços dobra-
dos. Temos, então, a nova tabela:
Açúcar 5A 6,0 56
Bolacha salgada 10,0 98 10,4
Para obtermos a segunda matriz, multiplicamos cada um dos valores por 2, pois todos os
preços dobraram. À multiplicação de um valor por todos os elementos da matriz chamamos
de multiplicação de um escalar por uma matriz. No exemplo em questão, só pudemos multiplicar
porque todos os produtos tiveram a mesma proporção de aumento.
Preste atenção!
A palavra escalar se refere a números reais ou complexos, porém vamos utilizá-la para
tratar de números reais, apesar de ela valer para os números complexos.
Propriedades
Sejam as matrizes A=A,,.,, B man C=C,., é amatriznula O=O,,,,, e os escalares a
ef, temos:
" A+B=B+A, propriedade comutativa;
(A+B)+C=A+(B+C) propriedade associativa.
A+O=A,a matriz nula O é o elemento neutro da adição;
a (A + B)=aA + aB;
(a+B)A=aA+fA;
a (BA) =(aB) A.
Exemplo 1.11
Considere as matrizes A, B e C. Vamos verificar as propriedades apresentadas:
a3 3 01go 5 5A1 nA s
24 -2 463 041
* Propriedade comutativa:
13 O o 52 1 82
A+B= + =
24 -2// 4163 1101
Matrizes: tudo o que precisamos saber — 31
B+A=052+13 0:1 82
—=163) |2 4 2) |110 1
Logo A+HB=B+A.
" Propriedade associativa:
asoZfº13 ol fooo][13 o
|24 -2// /0 00 /24 —
Temos que A+-O = A.
" Sejaa=3,temos:
13 01 [5 15 O
(OH-B)A:[ZHZ)A:SA:SL ã _J:[m o —10J
32 — Algebralinear
0][6 18 o 13
(ªB)A:(2'3)A:6A:6[2 4 72]:[12 24 flzJ
Concluímos, então, que a(BA) = (aB)A.
4
103
o
Preste atenção!
As propriedades das operações de soma e multiplicação por escalar só valem para matri-
zes de mesma ordem; não podemos somar, por exemplo, uma matriz de ordem 2 x 3 com
uma matriz de ordem 3 x 3.
Exemplo 1.12
Vamos, agora, voltar ao exemplo de um campeonato de futebol de uma escola. A matriz refe-
rente aos jogos era a seguinte:
Vermelho o 1 2
Verde 1 1 1
Amarelo E o '
omm mNm
OoOr
rBeNO
NP
Para cada tipo de resultado, foi atribuída a seguinte pontuação: 3 pontos por vitória, 1 por
empate e O por derrota, os quais podemos representar pela seguinte tabela:
Derrota o
A classificação é feita por meio do total de pontos que cada time conseguiu. Vamos obter os
pontos de cada time:
* Azul 1-3+2-:1+0-0=5
- Vermelho: 0-3+1-1+2:0=H1
» Verde 1: 3+1-1+1:0=4
* Amarelo: 2:3+0-1+1-0=6
A matriz do total de pontos é AB, o produto de A por B:
o T
=
/SM/
OoOmrmqmN
m"N
"PReNO
Be|qrO
+r+++T
o
coco
KS
++++
2
AB=
o
ts
"
1
om
W
N=
Om
1 E
&
Exemplo 1.13
Vamos voltar ao exemplo do café com bolachas de uma empresa. Temos a tabela com os preços
dos produtos em três supermercados, com alguns valores alterados:
Álgebra linear
7,0 59 65
27 32 25
50 6,0 7,0
5,3 6,2 41
g2[8 3121
|5246
Vamos analisar qual dos três supermercados resulta no menor gasto para empresa 1:
* Supermercado A: 8 : 70+3-2,7+12:50+10-53=1771
* Supermercado B: 8 - 59+3:-32+12:60+10-62=190,8
* Supermercado C: 8 - 65+3:-2,5+12-70+10:41=1845
Para a empresa 2, temos:
“ Supermercado A: 5:70+2:-27+4:50+6:5,3=952
* Supermercado B: 5: 59+2-35+4-60+6-62=971
* Supermercado C: 5:65+2:-2,5+4-70+6-41=901
Matrizes: tudo o que precisamos saber — 35
Nos dois exemplos anteriores, realizamos a operação de multiplicação entre matrizes. No penúl-
timo exemplo, a matriz resultante da multiplicação de A por B, que chamaremos de C = [c,], foi
obtida da seguinte maneira:
6= a b +a,b+a,b. a
36 — Álgebralinear
1 2 0l [13 + 21 + 0-0] [5
b12| | 3 + 11 + 20 |
111(1)—1-3+ 11 + 10| |4
o1 2:3 + 01 + 10 6
13 + 21 + 00 5
- o3+ 11 + 20 1
13 + 11 + 10 4
L1 23 + 01 + 1o |6)
Veja que é preciso que a quantidade de colunas da primeira matriz seja igual à quantidade
de linhas da segunda, para que a multiplicação seja feita elemento a elemento. Observe que a
multiplicação da matriz A,, pela matriz B,, resultou em uma matriz de ordem 4 x 1.
AB .5 = [Bl islosy
a ap A a || u b Pr p
ax d d a ||D Pa b 2p
a a7 ds ax b D Dx a
An Am ma am b b b b,
Matrizes: tudo o que precisamos saber — 37
AnmaBrp =C, mp
[ª*l][brs] [e]
Preste atenção!
A multiplicação AB de matrizes só existe se o número de linhas de A for igual ao número
de colunas de B. Por exemplo: A,, B,, =C,,,, porém D,, E,,, não existe, pois o número
de colunas de D é 3, diferentemente do número de linhas de E, que é 1.
Álgebra linear
Exemplo 1.14
3 6
A= 4 B= 1
8 7 54
h. Para quaisquer matrizes A, ma, Ée B,, Prxp, e para qualquer número real a, vale
(aA)B = A(aB) = a(AB).
Preste atenção!
AB não é igual à BA para quaisquer matrizes A e B. Lembre-se de que, para matrizes,
a ordem dos fatores altera o produto, se A £ B!
Exemplo 1.15
Sejam as matrizes A e B a seguir, vamos realizar o produto AB:
z 2 2 24 6
A=|-6 4 -2 B=|j4 8 12
— 2 0 246
Preste atenção!
O produto de matrizes AB = O não significa necessariamente que A = O ou B = O. Como
vimos no Exemplo 1.15, AB=O, A)-O e B £ O. Lembre-se de que, neste caso, O é a matriz
nula.
1.3 Determinantes
Os determinantes surgiram dos estudos de sistemas lineares, quando matemáticos chineses do
século IIl a.C. desenvolveram um método para a resolução de sistemas de equações por meio de
eliminação. Eles escreviam os coeficientes em forma de tabela e operavam buscando eliminar as
incógnitas. No Japão, em 1683, o matemático Seki Kowa (1642-1708) apresentou uma maneira de
resolver equações parecida com a dos chineses: a eliminação. Contudo, é a Gottfried Wilhelm
40 Álgebra linear
Leibniz (1646-1716) que se atribuiu a criação da teoria dos determinantes, em 1693, pois foi por
meio de seu trabalho sobre sistemas lineares que os determinantes apareceram no Ocidente;
além disso, o estudioso desenvolveu uma notação muito próxima da que usamos hoje. Colin
Maclaurin (1698-1746) publicou, em 1729, um teorema sobre a resolução de sistemas lineares
conhecido hoje como Regra de Cramer, pois Gabriel Cramer (1704-1752), em 1750, também chegou
ao teorema em seus estudos para determinar os coeficientes de uma cônica geral — Cramer fez
a demonstração para o caso geral (Kilhian, 2010b).
Em 1771, Alexandre Vandermonde (1735-1796) escreveu sobre a teoria dos determinantes sem
que ela fosse relacionada a sistemas lineares. Cauchy (1789-1857) apresentou de maneira brilhante,
de modo mais claro, o que já era conhecido sobre determinantes e foi um dos pensadores que
mais contribuíram para esse assunto, junto com Carl G. J. Jacobi (1804-1851) (Kilhian, 2010b).
Iniciaremos os estudos sobre determinantes e, durante o percurso, iremos nos deparar com
mais alguns tipos especiais de matrizes; entretanto, precisaremos conhecer determinantes para
classificá-las.
Seja M uma matriz quadrada de ordem n, tal que n <3. Podemos associar à matriz M o número
chamado determinante, que obtemos da seguinte maneira:
|a. 1, e sl du ân
AA An
a ENue
/a, a
Notação
Vamos usar as seguintes notações para determinantes de uma matriz A:
det A= /Al = det [aq]
Exemplo 1.16
. 4 s
A=[5] B:íS 6] = 61 ; 22
Exemplo 1.17
Considere a matriz A. Vamos determinar D,, e D,
na.o
e dS
E
>
"
e
"
o
42 — ÁAlgebralinear
a)
m =
M
n/o
e
P
a
O determinante da matriz de ordem 2 é 18, então D, =18.
Para o D,, retiramos a segunda linha e a segunda coluna:
s)— eo
|:26
2/1|6
A,=(1)"D,
ÊJ
A fórmula pode assustar um pouco no início, mas basta utilizá-la para observar que o susto
vem da notação; a substituição pelos dados corretos é fácil! Vamos ao exemplo a seguir para
confirmar que você entendeu e sabe usar a fórmula.
Exemplo 1.18
Considere a matriz A. Vamos determinar os cofatores A,, e A,;
125
A=|3 6 O
034
A fórmula é A, = (1) D,, Nesse caso, queremos determinar o cofator A,, logo, i = 1
ej=1,e precisamos encontrar o valor de D,
1
om
om
ESo
3
a
|
M
”
a
—
o
w
*
Matrizes: tudo o que precisamos saber — 43
| o
m
mw la|m
*o
o
Logo, D.,=3eo cofator A.,=(1)* D,=(1) 3=—3.
Agora que conhecemos o menor complementar e o cofator, vamos conseguir calcular o deter-
minante de qualquer matriz quadrada de ordem maior ou igual a 2.
Seja A uma matriz quadrada de ordem m (m >2), o determinante de A é:
Veja como é bela a fórmula do determinante apresentado. Para contemplar mais essa beleza,
vamos utilizá-la!
Exemplo 1.19
Dadas as matrizes A, B e C, vamos calcular seus determinantes:
1:6 0 2
12 1E 23A1 4
A:[Z %]B=236c=04%2
' 0412 —
13 01
Para a matriz A:
detA=a,A,
+a,A, =1(-1) "3+2(-1)-2=7
Para a matriz B:
m/3 6 21/4 5 a1 /4 5
== 2(— o0(-1
) a 22 a 21 G q
44 Álgebra linear
Para a matriz C:
16 0 2
2314 14
04 3 2
13 01
3 1 4 6 o 2 6 o 2 6 o 2
=1(1)"la 3 2+2(1) a 3 -2+o(1) 3 — al+a(1)3 < a
3 01 3 01 B o 1 4 3 -
=—17+0+0+34=17
Observe que a fórmula para determinante utiliza o primeiro elemento de cada linha, ou seja,
utiliza os elementos da primeira coluna e os respectivos cofatores. Então, você pode ter se per-
guntado se é possível calcular o determinante utilizando outra coluna, ou uma linha, e seus
cofatores correspondentes. A resposta é sim, é possível! É isso que diz o seguinte teorema:
Teorema de Laplace
O determinante de uma matriz M, de ordem maior ou igual a 2, é a soma do produto de
uma fila (linha ou coluna) pelos cofatores correspondentes (Boldrini, 1986).
omqwrw
NeOL
o
msN
om
N
>
=
"
"
N
O
»
*
W
w
*
Para realizar o cálculo dos determinantes de A e B, vamos usar a segunda linha em A, e, para
B, vamos usar a terceira coluna. Então, temos:
Matrizes: tudo o que precisamos saber — 45
=0-11+10=-1
detB=b,,A,+ b A +byAv+byWA,
=15+0+11-18=8
Pense a respeito
Pierre-Simon Laplace (1749-1827) escreveu e demonstrou o teorema que leva seu nome.
Outra maneira de calcular um determinante é regra de Chió, que pode ser encontrada em:
aH n 13 In
Observe que poderíamos ter escolhido uma coluna qualquer que o raciocínio seria o mesmo;
basta utilizar o teorema de Laplace. Vejamos alguns exemplos:
X o 2 12 56 28
- 3 6 10 233
A=|15 O 26|temos detA=0; B= d o 6 temos det B= O
14 0O H
8 17 26 44
* Sejaamatriz M, obtida pela multiplicação de uma fila de M por uma constante &., então
det M, =adetM -
Ax dx dx a7
all ª:c a'«% aªn
M= z z
au a.z in
detM , =aa,A, + aa
, A,,+0a,A,+...+0a, A,,
152 158 2
A=[3 4 1/eA,=|6 B 2
6 90 6 9 0
Agora, considere as matrizes B e B,, tal que B, foi obtida multiplicando a terceira coluna por —3:
012 o 1%
B=|5 6 7) B =|5 6 -À
341 34 3
* Seja a matriz M, obtida por meio da troca de uma fila paralela de M, então
detM, =-detM .
Vamos verificar a propriedade para matrizes de ordem 2. Então sejam M e M, matrizes tais
que M, foi obtida trocando a primeira linha com a segunda linha de M:
m=el? b M,= c d
c d a b
det M = ad
— bc, detM, = bc
— ad entãodetM, = -detM
b b
m=|? c d
M,=|" d
?e
Por exemplo:
13 24
As A,= temos que detA=-2edetA,=2
24 '*13
Use o fato de que, para as matrizes de ordem 2, det M, = - detM e mostre que vale a proprie-
dade vista para matrizes de ordem n maior do que 2.
Considere a matriz M, que tem as colunas j e s iguais, e seja M, a matriz obtida trocando
a coluna j pela coluna s de M e as demais colunas iguais a M. Pela propriedade anterior
detM =- det M, e, por outro lado, como as linhas são iguais, M = M,. Logo, detM = det M,, ou
seja, das duas igualdades obtemos que detM = 0. Observe que a demonstr ão é análoga para
as linhas. Veja alguns exemplos a seguir:
1549
8203 ; a 2
A= 3761l” a segunda e a quarta linhas são iguais, então detA = 0
8203
141
B=)|H 5 H / -aprimeira coluna é igual a terceira, então det B=0.
262
2 1 42
o
- 3 1 2959
$ 2 4 11 14 12
A=|2
4 6 8 4) B=
5 2 1015
03795
78 1H
03123
O detA = 0, pois os valores de cada coluna da terceira linha são o dobro dos valores das
colunas da primeira linha, ou seja, 1, =21,. O detB = 0, pois os valores da quarta coluna são o
triplo dos valores da primeira coluna, ou seja, 1, =31,.
o 012 1025 [2 5 28
A|A- - 4 0) /2 340
3 82l”- 5 U -uU3
-2 0411 0102 — 3 -3 5
1 304 1213|] u 17 18 17
Exemplo:
ocoouvo
oNnroO
ooomr
noco
oÇFro
EXN-X
>
"
detA=abe e detB=1.325=30
Preste atenção!
Só é possível calcular o determinante de matrizes quadradas!
Essas são algumas propriedades que auxiliam e, muitas vezes, facilitam o processo do cál-
culo do determinante.
Exemplo 1.20
Com as propriedades estudadas, vamos calcular os determinantes das seguintes matrizes:
10 0 2075
3 10 6 18 H
A= 7 17 14 16 30
9 2118 50 40
|11 36 22 72 26
2X 5
B=|-2 4 15
4 225
50 Álgebra linear
30 20 46 51 60
12 17 2 3 V7
C=|56 89 25 36 31
21 54 16 10 35
12 17 2X 233 X7
Na matriz A, como a terceira coluna é proporcional à primeira coluna (os valores da terceira
coluna são duas vezes os valores correspondentes da primeira coluna), então detA = O0.
Na matriz B, temos:
1 Us 115 1113
B=2/-1 44 15/)=2-111-1 4 15/=2:11:5-1 4 3
2 225 2 225 225
t É
det B=2-11-5-det|-1 4 3|/=2-11-5-15=1650
225
Então,
2 3 28
A= A'=
35 15
o5
087J
B:saB*:[qB4
74 ,
Se uma A é uma matriz quadrada e A' é sua matriz transposta, então detA = detA'.
Matrizes: tudo o que precisamos saber — 51
E
Os cofatores são: A,, =(—1)*! -2=2, A =(<1)2-1=—1, A,=(])"- 4=—-40
A =(1)12-3=3,
' =l
então a matriz cof (A) é cof(A)=A :[ í 'iJ h
015 - 8 10 - 34 -B
B=|4
3 2/;B=|34 -30 6| B=|8 -30 20
671 -3 20 A 0 6 4
Vamos efetuar as
'amos efetuar as multiplicaçõe:
multiplicações AA
= AadjA
) = 2 23 = o 2 ==2) 01 = 2 ú
=21,,,
01 5|-1 34 3
Vamos multiplicar, também, B e B. Temos BB=BadjB=|4 3 2|/8 -30 20|=
6 7 1/ 10 6 44
58 0 0 100
=) O 58 0 /=580 1 0) =581,,,e58é o determinante da matriz B, então novamente
oO O 58 001
temos BadjB = detBlI,.. Isso acontece para qualquer matriz quadrada. Considere A uma matriz
qualquer, e sua adjunta adjA. Então:
AadjA = detAlI
52 Álgebra linear
Exemplo 1.21
Dada a matriz A, vamos encontrar a matriz inversa de A.
al S
a b
A matriz inversa de AÀA é A':[ d] Sabemos que AA* = A“A = L,, Logo,
€
[: S]: al
Portanto, temos o sistema:
L
Aan2
À
6
1 0
2 02 lf10
1-3)|1 1/ /01
63
lm
ES
&bl &S
Fzc
n .o
——
om
—1)
|)N
Idra
pl=
'
Matrizes: tudo o que precisamos saber — 53
Temos algumas considerações a fazer sobre a matriz inversa; são alguns fatos importantes sobre
os quais precisamos ter conhecimento!
a. (AB)' =B7A?
b. Se dada uma matriz A, quadrada, e existir uma matriz B, tal que BA = |, então dizemos
que B é a inversa de A, ou seja, B= A'.
c. Nem toda matriz tem uma matriz inversa, por exemplo:
[
Nesse caso, a matriz não tem matriz inversa, pois, se houvesse, resultaria em
20 b 10
? = . No entanto, teríamos que 2a = 1 e 3a = 0, o que seria absurdo! Não
3 Olle d o1
existe um número a que satisfaça as duas equações; poderíamos ter considerado o mesmo pro-
cedimento para resolver em b.
d. Sejam A e sua inversa A, temos que det(I) =1 e det(I) = det(AA') = det Adet A º =1. Da
igualdade anterior temos que, se A tem matriz inversa, detA £ O portanto:
delhflic—
detA
Vimos anteriormente que AadjA = detA |. Como detA £ 0, podemos escrever AadjA. a Í T =Il,
e
mas como só existe uma inversa, ou seja, só existe uma matriz que multiplicada por A é igual
a identidade, então:
s de]tAad]A
Preste Atenção!
(AB)' =BA ' — observe a ordem da identidade, ela deve ser na ordem inversa. Cuidado!
(AB)' =A B
54 — Álgebralinear
Exercício resolvido a
Determine a matriz inversa de A, considerando A :[; 4J :
Resolução "
Para encontrar a matriz inversa de A, vamos primeiro encontrar a matriz dos cofatores:
adJA:[ Í '1]
- 2
O determinante de A é 2: 4 -3-1=5
A'= djA
ClelAaJ
É
)6
.2 2
5 5
Exemplo 1.22
As matrizes, dentre tantas aplicações, são aplicadas na criptografia, pois podemos codificar e
decodificar mensagens por meio delas. Para isso, devemos relacionar as letras com números:
A B c D E F 6 H 1 U K L M
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 u 12 13
N o P o R s E U v w x Y z
114 15 16 17 18 19 20 21 2 23 24 2 26
E
A mensagem que vamos codificar será "álgebra linear”. Para isso, vamos montar uma matriz
com duas linhas, pois A é de ordem 2, com os números correspondentes à mensagem:
A L G E B R A L | N E A R
1 12 7 5 2 18 1 O 12 9 14 5 1 18
M 2752181
o1295 118
Para codificar essa matriz, vamos fazer o produto C = AM. Logo, temos:
Exercício resolvido
Considere as letras relacionadas a números como no exemplo anterior. Suponha que você rece-
5 9 62 42 25 93 59
beu a mensagem codificada C :[ e sabe que a matriz usada para
2 36 23 24 9 37 20
s 3
codificar foi A = L J . Decodifique e encontre a mensagem.
Resolução
Para codificar a mensagem, foi feita a operação C = A x M; Então para, encontrarmos a men-
sagem, ou seja, decodificá-la, temos que encontrar M. Como A é inversível, multiplicando, em €
= AM, ambos os membros à esquerda por A, temos que A C = A'AM &, portanto, A 'C=M,.
Isso signiífica que precisamos encontrar a inversa de A para descobrir a mensagem.
Al = adjA
detÀ
t á
A matriz adjunta de A é [ ; J
E
56 Álgebra linear
— 3
Como detA = —, então A* = :
Decodificando:
ases 1. 5 9 62 42 25 93 59 [112752151
2 A5 |2 36 23 24 9 37 20 0 12 914 5 1 18
Pense a respeito
Para auxiliar nas operações com matrizes, existem calculadoras específicas. Um exemploé
a Calculous, que permite calcular determinantes, encontrar matrizes inversas, transpostas,
adjuntas e também realizar soma, subtração e multiplicação entre matrizes. E é fácil de
usar! Há também a excelente Matrix Calculator, que disponibiliza operações com matri-
zes, sistemas lineares, autovalores, determinante, transposta, entre outras ferramentas. É
possível ver partes do processo que foi realizado para chegar ao resultado de algumas
funções da calculadora.
Exercício resolvido
Uma fábrica de automóveis produz motos, carros e vans. Eles passam por três processos: estru-
turação, pintura e montagem de peças. Cada moto leva 6 minutos no processo de estruturação,
4 minutos na pintura e 12 minutos para a montagem de peças. Cada carro leva 12 minutos no
processo de estruturação, 6 minutos para pintar e 24 para montagem de peças. Cada van leva
Matrizes: tudo o que precisamos saber — 57
Pintura 4 6 1
Montagem de peças 12 24 231
O equipamento para estruturação fica disponível 12 horas por semana, o que equivale a 720 minu-
tos; o equipamento de pintura, 7 horas, o que equivale a 420 minutos; e o equipamento para
montagem de peças fica disponível 23 horas por semana, que corresponde a 1.380 minutos.
Considere x, y e z as quantidades de motos, carros e vans produzidos por semana. Então, pode-
mos montar o seguinte sistema
6x+12y+182=720
4x+6y+112=420
12x+24y+31z=1.380
Para resolver esse sistema, vamos associá-lo a matrizes. Desse modo, a equação de matrizes
que representa o sistema é:
6 12 18|[x] [ 720
4 6 Ullyl=| 420
12 24 31 |z) |1.380
6x+12y+182=720 6 12 18 720
4x+6y+11z2=420 4 6 11 420
12x+24y+31z=1.380 |12 24 31 1.380
x+2y+3z=120 6 12 18 720
4x+6y+112=420 4 6 11 420
]]2x+24y+311:1.380 12 24 31 1380
Agora vamos substituir a segunda linha por —4 vezes a primeira linha mais a segunda linha:
Jx+2y+31:120 6 12 18 720
2y+12=60 4 6 U 420
th +24y+31z7=1.380 [12 24 31 1.380
3x+6y+ªz:345 3 6 2d 345
4 4
Em seguida, substituiremos a última linha pela soma de —3 vezes a primeira com a terceira
linha:
x+2y+32=120 12 3120
Ox+2y+1z=60 |0 2 1 6&
5
Ox+0y-2z=-15 |o o -25 —
4 4
x+2y+3z=120
x+2-24+3-12=120
x=120-84=36
Matrizes: tudo o que precisamos saber 59
Podemos concluir que, por semana, podem ser fabricados 36 motos, 24 carros e 12 vans.
Observe que, depois de fazer as três primeiras operações, já é possível resolver a equação.
Porém, a última matriz mostra os resultados mais facilmente. Resolvemos passo a passo para
esse primeiro entendimento; contudo, com o tempo você resolverá várias operações com linhas
de uma vez só e chegará mais rapidamente à última matriz e, consequentemente, à solução do
problema. Note que operar com matrizes é o mesmo que alterar e operar as equações
Vamos agora formalizar a relação entre sistema e matriz e as operações, entre linhas da matriz,
que auxiliam na resolução do sistema.
Dado um sistema de equações lineares:
AK HA ÇAA KA HA D)
BX +AYXo FA X,+F... ta X,=b,
+ax,=
Xl bl
u a,d a d a, 1n |lx b,
a ds Í Í
“ x |=/ b
aml ªmi ªm'« ... amn x b
ampliada, do sistema é:
a!l aZ ªll 2
E é em relação a essa matriz que faremos as operações para resolver o sistema. As operações
são:
* Troca de linhas: Podemos trocar a linha i pela linha je a linha j pela linha i; denotamos por
L e L,.
D
-
&
P
F
t
60 Álgebra linear
" Multiplicação por escalar: Podemos multiplicar uma linha i por um escalar (número real) k;
escrevemos L, >kL, .
" Substituição: Podemos substituir a linha i pela soma da linha i com k vezes a linha j;
usamos a notação L, >L, +kL,.
210 210
3 5 4/L,
> (-3)L,+L,|-3 2 4
876 876
Dizemos que uma matriz está na forma escalonada (ou forma escada) se o primeiro elemento
não nulo de cada uma de suas linhas estiver à esquerda do primeiro elemento não nulo de suas
linhas seguintes, e se a matriz tiver linhas nulas, estas estarão abaixo das demais linhas não nulas.
Exemplo 1.23
Dadas as seguintes matrizes:
269 o 2 9
128 33378 4(1)'%;8 E EZ
A=/0 976 BIOOEJSZCZOOEÉIZ D=|1 001
0048 0309
00000 00001
Exercício resolvido
Resolva o seguinte sistema linear utilizando o método de escalonamento,
X +T2X,+3x,=4
2Xx,+5X,+7X,
[X +X,+X,=8
Resolução
123 4
A matriz associada ao sistema dado é | 2 5 7 13
111 8
Vamos deixar a matriz na forma escalonada:
123 4 1234
2 57 1B3LO(2)LAL] 0 1 1 511
111 8 1118
123 4 123 4
SLA+L|
0 11 5/L3-3L+L/0
11 5
03412 0013
Jx,+2x3+3x1:4
bn
X FX,=5
Au Ady
Apdo A n x
|x|
bl
|b,
a.
2 Aãos
AA :
2n S
E; õ
: :: 6 )b
Ai AA
AnoÃhs sA mllx ' | |<i
du áfão
aa & " “
%
bl
>;
A 459% -A Í " z
Chamando A=| | 2Z , | X=|x,/eB=|b,),então, temos que AX=B. Vamos
d; nt A5a,
n2ºnã
A, nn * bn
supor que detA É 0; logo, A tem inversa A*. Vamos utilizar a inversa de A encontrar uma
solução direta para o sistema:
ATAX=A'B
IX=A'B X=AB
Aprendemos a determinar a matriz inversa usando a matriz adjunta, portanto:
x
XI
Am ínz
bA
b,
Ks
: detA|
2: S
s b,:
& An m ApAn b,:
det A
Matrizes: tudo o que precisamos saber — 63
bAn +b,
A +b;Ajg+t...+b(Aj,
detA
Podemos, utilizando o método de Laplace, escrever b A,, + b,A,, + b,A,, +.. +b,A,, como o
b, apã, aE
bl ak a:l 'aln
determinante da matriz . Assim, temos:
Analogamente, para x,, o numerador será o determinante da matriz formada pelos coefi-
cientes com a coluna i substituída pela coluna dos termos independentes, (b', b:,bl,...,bn).
Pense a respeito
Em 1729, Colin MacLaurin possivelmente já conhecia a regra conhecida atualmente como
regra de Cramer. Em 1748, ela apareceu em seu livro Treatise of Algebra, mas levava o nome
do suíço Gabriel Cramer (1704-1752) que, em 1750, publicou-a com uma notação superior,
o que talvez tenha sido o motivo que fez com que a regra carregasse seu nome. Veja o livro
Introdução à história da matemática, de Howard Eves, traduzido por Hygino H. Domingues
e publicado pela Editora da Unicamp.
Exemplo 1.24
Vamos resolver o seguinte sistema linear utilizando a regra de Cramer:
2A+4W+Z=-2
—x+3y+22=1
Sx—-2y+3z=8
Podemos utilizar a Regra de Cramer, pois a matriz dos coeficientes é uma matriz quadrada.
Vejamos:
[2 41
- 32
S —2 3
Vamos calcular primeiramente o determinante da matriz dos coeficientes, pois vamos precisar
dele para encontrarmos os valores de x, ye z.
1
- 3 2
3
Matrizes: tudo o que precisamos saber — 65
-2 4 1
13 =0
8 —2 3
o
Logo,
0g X= x=—=0
2 21
1 1 2
5 8 a
Y Bai
1 3 2
5 -2 a
2 s2
-l 3 2=-65
5 8 3
Portanto, y = =Em L.
Analogamente, para z temos:
66 — Álgebralinear
Ê —2|
-1 3 1/=130
5 2.8
Logo, z:ªzz,
65
Observe que, nesse método, é necessário realizar o cálculo de vários determinantes. Por isso,
nem sempre é viável resolver sistemas de equações com mais de 5 ou 6 incógnitas utilizando
esse método.
Síntese
No decorrer deste capítulo, você pôde conhecer e estudar os diversos tipos de matrizes, as
operações de soma, a multiplicação por escalar e a multiplicação entre matrizes; aprendeu
a encontrar o determinante de matrizes de qualquer ordem e a resolver sistemas lineares
utilizando o escalonamento ou a regra de Cramer. Dessa maneira, você está apto para dar
continuidade aos estudos que serão apresentados no próximo capítulo.
Atividades de autoavaliação
1) Analise as informações e indique se são verdadeiras (V) ou falsas (F):
() Se as matrizes A e B comutam, entre si, então (A + B(A — B= Aº — B.
() Se as matrizes A, B e C são inversíveis de ordem n, então (ABC) * =C'B'A",
() Sendo as matrizes A, B e C, ea matriz A-O ,se AB = AC, então B=C.
() Se a matriz A tem ordem 2, então (A') ' =(A)!.
() Para qualquer matriz A sempre podemos efetuar o produto AA.
2) Os ingressos para um jogo de futebol são gratuitos para sócios. Os ingressos para adultos
custam R$ 100,00 para não sócios e os ingressos para idosos e crianças custam R$ 50,00
para não sócios. Os dados dessas informações podem ser registrados na seguinte matriz
de ingressos:
50 100
o o
b. A matriz a seguir também pode ser utilizada para apresentar as mesmas informações
50 o
deF:
o 100
c. Se o clube cobrasse R$ 1,00 pela entrada de sócios adultos, a matriz do ingresso seria
; 50 100
a seguinte: .
1 O
d. A primeira linha representa o preço de ingressos para não sócios.
eletricista e 1 hora como pedreiro e recebeu R$ 190,00. Na casa B, fez um serviço de 4 horas
como encanador, 1 hora como eletricista e 2 horas como pedreiro e recebeu R$ 210,00. Na
terceira residência C, ele trabalhou por 5 horas como encanador, 2 horas como eletricista e 2
horas como pedreiro e recebeu R$260,00. Quanto ele cobra por hora em cada especialidade?
a. R$30,00 por hora de serviço como encanador, R$ 20,00 por hora de serviço como
eletricista e R$ 50,00 por hora de serviço como pedreiro.
b. R$ 20,00 por hora de serviço como encanador, R$ 30,00 por hora de serviço como
eletricista e R$ 50,00 por hora de serviço como pedreiro.
c. R$30,00 por hora de serviço como encanador, R$ 50,00 por hora de serviço como
eletricista e R$ 40,00 por hora de serviço como pedreiro.
d. R$ 40,00 por hora de serviço como encanador, R$ 20,00 por hora de serviço como
eletricista e R$ 30,00 por hora de serviço como pedreiro.
2x+3y+z=10
4x+2y+22=12
5) Dadoo sistema de equações
x+6y+3z2=8
, assinale a alternativa a seguir que também
6Xx+9y+3z=30
representa o sistema dado.
al 2 3 110
0408
0 0 5-6
l 00 01
b /2 3110
0804
005 -L
l0001
e /2 3110
0 42
0 051
lo 0 00
d2
3 1 10
040 -8
0 0 52
lo 00 0
Matrizes: tudo o que precisamos saber — 69
6) Analise se as afirmações apresentadas a seguir e indique se são verdadeiras (V) ou falsas (F):
()A matriz A = a,] é simétrica se é uma matriz quadrada tal que a, =a,.
()A matriz C = [c,] é diagonal se é uma matriz quadrada tal que c, = O para i £j.
Atividades de aprendizagem
Questões para reflexão
1) Um sistema linear com o mesmo número de equações e incógnitas admite uma solução
diferente da nula se, e somente se, o determinante da matriz dos coeficientes é nulo. Uma
equação da reta no plano cartesiano é do tipo ax + by + c =0. Com base nessas informa-
ções, mostre que para que os pontos de coordenadas (x,, Y,), (X, Y,), € (X., Y,) pertençam a
uma mesma reta, então:
x y, À
Xx, X, 1=0
X; X; 1
2) Uma imagem em preto e branco é uma matriz cujos valores O representam o preto e 1 para
branco. Dada a imagem a seguir, qual seria a imagem correspondenteà matriz transposta
da matriz dada? Faça um desenho com uma matriz com elementos 1 e 0.
70 — Álgebralinear
o o o o 1 1 1 1 1 1 o o o o
o 1 1 o
o 1 o o 1 1 1 É 1 1
o 1 1 o o o 1 1 1 1 o
o 1 1 o o o o o o o
o 1 o o o o o o o o o o o o o
Pense a respeito
Giuseppe Peano (1858-1932), matemático italiano, desenvolveu e apresentou conceitos em
lógica simbólica, dentre tantas outras contribuições. Ele buscava escrever a matemática em
termos de cálculo lógico. Tornou-se conhecido pelos seus axiomas que regem os números
naturais, chamados axiomas de Peano.
1 Deacordo com o Dicionário brasileiro da língua portuguesa on-line Michaelis (2016), axioma é definido do seguinte
modo: *1. princípio evidente, que não precisa ser demonstrado. 2 Máxima, sentença. 3. Norma admitida como
princípio.”
74 Álgebra linear
Notação
Vamos utilizar O para denotar o vetor nulo sem que haja confusão com o número 0; é pos-
sível saber a qual estamos nos referindo pelo contexto.
A seguir, veremos alguns exemplos de espaços vetoriais. Observe que é o espaço que vai
definir os vetores. Encontraremos vetores que são matrizes, polinômios, números reais, fun-
ções, entre outros.
Exemplo 2.1
Considere o conjunto dos números reais R . Este conjunto é um espaço vetorial? Se sim, quem
são os vetores?
No conjunto dos números reais, existem as operações de soma e multiplicação por escalar
(que, nesse caso, é a multiplicação de números reais), a qual conhecemos muito bem e podemos
observar que valem os 8 axiomas de espaço vetorial. Portanto, o conjunto dos números reais
é um espaço vetorial. Os vetores nesse espaço são os elementos do conjunto, os números reais.
Exemplo 2.2
Considere o conjunto R, tal que os elementos são do tipo u = (x, y), com x e y números reais.
Vamos mostrar que se trata de um espaço vetorial e determinar os vetores e a relação com a
geometria.
Podemos interpretar geometricamente os elementos de Rº, fixando a origem em (0, 0), que
são da forma u = (x, y), como segmentos orientados com origem no ponto (0,0) e extremidade
no ponto (x, y) no plano cartesiano, conforme indicado na figura a seguir.
A descoberta dos espaços vetoriais — 75
Dois exemplos de elementos nesse conjunto são v = (2, 3) e w = (4, 1), que podem ser repre-
sentados geometricamente conforme a figura a seguir.
A adição no R* é definida por u = (x,, y)) e v = (xy Y,), elementos de R?. Portanto, temos:
u+tv=(Xx,Y)+(XY,)=0+xY+X,)
A multiplicação por escalar é definida por u = (x,, y,) pertencente a Rºe um escalar ae R.
Desse modo, temos: au = a(x,, y,) = (ax, ay,).
Vamos ver se são válidos os axiomas de espaço vetorial, sejam u = (x y,), v = (, Y,) e
w=(x, y,) elementos de R?, e os escalares, a, B:
76 Álgebra linear
* (aB)ju=(af) (x, y) = ((aB)x, (aB)y,)); pela propriedade associativa de reais, ((aB)x, (aB)y) =
(a(fx,), a(By)) = a(fx, By,) = a(Bu). Logo, a propriedade associativa 2, dos vetores, é válida.
Como vimos, todos os axiomas de espaço vetoriais são satisfeitos, portanto, R? é um espaço
vetorial e os vetores são da forma u = (x,, y,), tal que x, ey, são números reais.
Vamos verificar os aspectos geométricos do R?. Vimos como representar os elementos de Rº ,
agora vamos ver as operações de soma e multiplicação por escalar. Se associarmos os vetores
do R? com os segmentos orientados, a soma e a multiplicação por escalar geometricamente
serão iguais ao que foi visto em geometria analítica. Vejamos um exemplo: considere os vetores
u=(2,3) e v=(4,1); já vimos que u+v=(2, 3) + (4, 1) = (6, 4). Vimos também como podemos
representar vetores em termos de segmentos orientados, tendo a origem fixada em (0, O).
A descoberta dos espaços vetoriais — 77
tar au e Bu, sendo u = (2, 3) € os escalares a =2e B= —% .Temos que au = 2(2, 3) = (4, 6) e
Exemplo 2.3
Para todo número natural n, R" é o espaço vetorial. Os elementos são do tipo
U(Xy X7 Xz — X,), tal que x, são números reais.
V=R"=((X,Xy/Xy./X,)/ x eER)
Sejam u = (X/ Xy X, — X,) € V=(Y, Yy Y,y -- Y,) elementos de R" e a um número real, as
operações são as seguintes:
A descoberta dos espaços vetoriais 79
* u+VE(+I YY tY X TX
* aUu+(AX, AXy OXz .; AX,)
O vetor nulo é 0 =(0,0,0, ..,0) e o oposto aditivo de u =(X, X, X «. X ) é -u=(—X,
s)
a. Para n = 4 temos o espaço vetorial Rº, com as operações de soma e multiplicação por
escalar que já foram definidas; determine os vetores w e x, sabendo que w=2u-ve2x+
U=-4(x+v)-3u Dados: u=(1,0/2,1) e v=(2,6,-5,-8).
w=2u-v=2(1,0,2,-1) -(2,6,-5,-8) =
(2:1,2-0,2-2,2:-0 +(1-2,-1-6,1-5,-1--"8) =
(2,0,4,-2) +(-2,-6,5,8) =(2—2,0—-6,4 +5,-2+ 8) =(0,-6,9,6)
Logo, w = (0, —6, 9, 6).
2Xx+ u=-4(x+v)—3u
2X+ U=-4x—4v-3U
2x+4dx=-4v-3u-u
6x=-4v-4u
6x=-4(vr+u)
4 2
x= —g(v«)— u)= —5(V+ u)
3
id
Zn o Dc
3 3 3
x=(-2,-4,2,6)
b. Para n = 6 temos o espaço vetorial Rº . Dê exemplos de dois vetores que estão nesse
espaço vetorial. Qual é o vetor nulo? 3
Dois exemplos
são u=(-2,0, 1,3,20,16)e v :[0,—5,—%, 1 ,%, 23]. Ovetornuloé 0=(0,0,0,0,0,0).
Exemplo 2.4
Considereo conjunto de todas as matrizes reais de ordem m x n, denotado por M(m x n). Sendo
An mn =la,]
— E € B.n Pan = [b,y]y e a um número real, as operações
ç de soma e multiplicação por escalar
definidas anteriormente são A +B= la, + b“] eai=|aa,]. A matriz oposta de A em relação a
adição é —A = [-a,] . Com as propriedades das operações de matrizes estudadas no primeiro
capítulo, podemos concluir que M(m x n) é um espaço vetorial com as operações que definimos
previamente e os vetores são as matrizes.
80 Álgebra linear
Exemplo 2.5
O conjunto P (R), tal que n > O, é formado por todos os polinômios reais de grau menor ou
igual a n e coeficientes reais. Com as operações de soma e multiplicação por escalar usuais de
polinômios, P , (R) é um espaço vetorial, os vetores são polinômios e o vetor nulo é o polinômio
nulo 0(x) =0.
a. Dê exemplos de vetores no espaço vetorial P , (R).
Podemos indicar como exemplo qualquer polinômio de ordem menor ou igual a 3,
(axº +ax?+ ax+a,. Alguns deles são:
Temos que s(x) = 5xXº -6x* + 17xº + 2x + 3 e o seu inverso é —s(x) = =5x* +6x? A7Mxº 2x — 3,
pois s(x) + (-s()) = 0.
Exemplo 2.6
O conjunto F (X,R) é o conjunto de todas as funções reais f:X > R, tal que X é um conjunto
qualquer não vazio. As operações são: soma de duas funções e multiplicação de um escalar por
uma função. Sejam as funções f e g pertencentes a F (X,R), temos que (f + g)(x) = f(x) + g(x) e
que (af)(x) = af(x), sendo a um número real. O vetor nulo é a função nula. O conjunto F (X, R)
é um espaço vetorial com as operações que já foram definidas. Os vetores são funções reais
f:X-R, tal que X é um conjunto qualquer não vazio.
a. Considere o espaço vetorial F (R,R), e determine a função h(x) dada por h(x) = 2f(x)
—3g(x), dados f(x)= qx+2+x2 e B) =x?2+2.
A descoberta dos espaços vetoriais — 81
h(x)=2f(x)- 3g(x)
=2(xk+2+ x) 3(02 +2)
=2/k+2+2X-3xX2-6
=2k+2-x2-6
Exercício resolvido
Considere o conjunto Rº e as seguintes operações de soma e multiplicação por escalar.
Considerando u = (x,, y,) e v = (x, y,) elementos de R? e a um número real qualquer, defini-
mos u+v=(x,+Y,, x.+YX,)e au= a(x,,y,)=(ax,,0y, ). Com base nas operações predefinidas,
verifique se R? é um espaço vetorial.
Resolução
Vamos verificar os axiomas de espaço vetorial:
* utv=(X+Y,X+Y )ev+u=(,+y,Xx+YX,.Temos que u+ vZv+
u oque não
satisfaz o primeiro axioma. Então, com base nas operações predefinidas, Rº não é um
espaço vetorial.
Exemplo 2.7
Considere o conjunto R* e nele definimos as seguintes operações. Para quaisquer u=(x,, Y, Z,)
ev=(x, X; Z)em Rº ea um número real:
* utv=(X,Y)+06 Y )=(G+XN FYA TZ)
“ au=a(x, Y, 2) =(Xx, Y, 2)
Vamos mostrar que o conjunto Rº* não é um espaço vetorial com as operações predefinidas.
No axioma 7, temos: (a + B)u = au + Bu, desse modo, neste exemplo, esse axioma não é
satisfeito:
au+fu=a(x,YX, , 2) +BMX,,Y,,2)=(X,Y,,0Z,)+
(x Y/ BZ,)=(2X,,2y,,(a+B)Z,)
Podemos ver que (a + B)u £ au + Bu. Portanto, com as operações definidas neste exemplo, o
conjunto Rº* não é um espaço vetorial.
Nesta seção, você conheceu alguns espaços vetoriais, agora vamos estudar subconjuntos dos
espaços vetoriais e suas peculiaridades.
82 Álgebra linear
Exemplo 2.8
Sejam os números reais a,, à,, ..., a. O conjunto H de todos os vetores v = (X,, X, ... X,) perten-
centes a R", tais que a,x, + a ,x,+..+afx,=0,é um subespaço vetorial de R".
De fato, 0=(0,0, ... 0), a,0 +a,0 +..+a 0=0;então Oe H, seu=(y, Y, -. Y )Jev=(x, x
... X,) são elementos de H, temos u+v= (x, E YKarh aa R ES ) ex (X,+Y)+AlX,+Y,)+..+
Alx Y )= X +AY,+ AX,+ANYj+ .. +A X,+AY,. Podemos reorganizar e temos a (x, +y,) +
ANXaZ+Y2) + u + AK + Y) = (AQX, + AXZ+ e +AXA) + (AY, + AJY3+ . + A )= 0+O0=0;logo,
u+v pertence a H. E para todo número real À, Av = AÀ (X/, X7 - X ) =(A X,AX, , ÀX,), então,
AAX, + AJAX) + .. + AJAX/ = A(AX, + AJX7)+ .. + A X ) = Ã0 = O portanto, Av pertence a H.
Chamamos esse subespaço vetorial de hiperplano de R" , que passa pela origem, se pelo
menos um a, É O0.
Notação
Em alguns momentos, vamos nos referir aos subespaços vetoriais somente por subespaços.
Exercício resolvido
Determine quais conjuntos a seguir são subespaços vetoriais:
a. O conjunto A € Rº, formado pelos vetores v = (x, y, z), tais que y = 2zez=x.
b. O conjunto Bc R , formado pelos vetores v :(x, Y,Z), tais que xy=0.
A descoberta dos espaços vetoriais 83
Resolução
Vamos verificar as condições de subespaço vetorial para o item a.
Os vetores de A são do tipo u, = (x,, 2X x,), pois temos que y = 2z e z = x. Considere dois
vetores quaisquer, u, = (x,, 2X X,) é U, =(X, 2X, X,), pertencentes a A. Temos
U TU (X,,2X,,/X]) F(X2,2X2,/X,) =
(X] +X2, 2X + 2X5,X/ +X2Z)=(X/+X2,2(X, +X2),X/ TX )
U FU, =(X, +X,,2(X,+X,),X, +X,) =(X,Y,Z), OUu Seja, X=X, +X,,V=2(X, +X,) EZ=EX,+X,.
Observe que as coordenadas y =2(x,+x,)=2x ez=x,+x,=x logo, u, + u, pertence ao
conjunto A. Agora, seja um número real qualquer a e um vetor qualquer u, = (x,, 2Xx,X,), temos
au, = (ax,, a2x, ax,). Podemos ver que a segunda coordenada é o dobro da terceira (y =27) e a
terceira coordenada é igual a primeira (z = x); logo, au, é um elemento do conjunto A. O vetor
nulo (0, 0, 0) também satisfaz a condição para ser um elemento de A. Portanto, A é um subes-
paço vetorial de R?
Vamos agora verificar o conjunto do item b. Os vetores u = (1, 0, 0) e v =(0, 1, 0) pertencem a
B, pois o produto das duas primeiras coordenadas é igual a zero (xy = 0), porém, u +v=(1,0,
0) + (0, 1, 0) = (1, 1, O) não pertence a B, pois a multiplicação das duas primeiras coordenadas,
1:1=1,nãoé nula. Então B não é um subespaço vetorial.
Exemplo 2.9
Considere o espaço vetorial Rº com as operações de soma e multiplicação por escalar usuais.
Seja ve R? , um vetor não nulo, o conjunto W=[(Bv/BeR]), é o conjunto de todos os vetores
múltiplos de v. Mostraremos que W é um subespaço vetorial de Rº.
Para comprovar que W é um subespaço vetorial de R?, vamos mostrar os seguintes três itens:
1. W não é vazio.
W=(Bv/BeR] é o conjunto dos vetores Bv para todo B e R, inclusive para f = 0; temos então
O:v=0, portanto, o vetor nulo 0e W, logo, W não é vazio.
2. Para quaisquer w,,w, € W ,então w +w, e W.
w,W, E W , entãow, =f,vew,=B,v. Temos que w, +w,=Byv+B,v=(B,+f,)v:logo w +
w, é um vetor múltiplo dev, w +w,EW.
3. Para quaisquer we W ea e R, então aw e W.
weW, então w = Bv, aw = a(fv) = (afB); logo, aw e W, pois aw é um múltiplo de v.
O conjunto W do exemplo é uma reta que passa pela origem, conforme representa a figura
a seguir:
84 Álgebra linear
Com esse exemplo, temos que uma reta que passa pela origem é um subespaço vetorial de
R? . Vamos a mais um exemplo sobre este fato.
Exemplo 2.10
Considere o conjunto U =(Bv/BeRJ, tal que v = (2,3). Mostre que U é um subespaço vetorial
de Rº . Qual seria a interpretação geométrica para U?
Para provar que U é um subespaço vetorial de R?, vamos mostrar os seguintes três itens:
1. U não é vazio.
U=(Bv/BeR) para 8 =0, temos então 0 - v = 0, portanto, o vetor nulo 0e W . Logo, U não
é vazio.
2. Para quaisquer u,,u, € U , então u +u, eU.
u,u, e U, então u, = 8,(2,3) e u, =B,(2,3) . Temos que u, + u, =B,(2,3) + 8,(23) = (2B, +2B,
3B, + 3B,) = ((B, + B2 (B, +B,3) =(B, + B.)(2.3) ; logo, u, + u, é um vetor múltiplo de v =(2,3),
uw+u,eu.
3. Para quaisquer ue U eaeR, então au e U.
ueU,então u=Bv =3 (2,3), au=a(B(2,3)) =(aB)(2,3) logo, au e U, pois au é um múltiplo
dev.
A descoberta dos espaços vetoriais 85
: . ó v :
Na Figura 2.7 estão representados vetores do subespaço vetorial U, v, 2v, —-ve —— . Se variar-
mos o valor de f em Bv, percorrendo todos os reais, formaremos a reta que passa pela origem.
Observe que f3v =( (2,3)= [ ] temos y* ,[ 3pP== (26) ], logo, o espaço vetorial U
ml
a
é a reta no plano xy descrita por y= a
Agora que você conheceu a definição de subespaço vetorial e viu alguns exemplos, o próximo
passo é estudar os teoremas que envolvem subespaços, que apresentam algumas propriedades.
Veremos também alguns subespaços especiais, como os subespaços gerados, que são importan-
tes por envolverem conceitos muito usados em álgebra linear.
Teorema
Seja V um espaço vetorial e sejam W, e W, subespaços vetoriais de V, a interseção W, ) W,
é também um subespaço vetorial de V.
Demonstração
Para comprovar que W, 7 W, é um subespaço vetorial de V, temos que mostrar os seguintes
dois itens:
86 Álgebra linear
Exemplo 2.11
Considere o conjunto S & M (3x 3) das matrizes triangulares superiores de ordem 3 e o conjunto
TeM(3x3) das matrizes triangulares inferiores de ordem 3. Os conjuntos S e T são subespaços
vetoriais de M(3 x 3). Vamos comprovar essa afirmação.
a 00 8 0o
Observe
as matrizes T=|b c 0jeT=|h i O|.
d e f jk 1
a 0 0) [g 0 0] farg O O
Temos T+T,=|b c Ol+|h i Oj=|b+h c+i O
d e fl |j k 1) |drj erk fn
a 00 aa 0 O
a um número real qualquer, aT, =| b c 0 | =|)jab ca O
d e f ad ae af
A matriz aT1 é do tipo triangular inferior, logo, também pertence ao conjunto T, e a matriz
o
ooeo
eoo
M(3x3). Analogamente, também podemos demonstrar que S é um subespaço vetorial de M(3 x 3).
A interseção TrS é o conjunto formado por todas as matrizes diagonais de ordem 3, que,
pelo teorema anterior, é um subespaço vetorial de M(3 x 3).
A descoberta dos espaços vetoriais — 87
Teorema
Seja V um espaço vetorial e sejam W, e W, subespaços vetoriais de V. O conjunto
W,+W, =l(w,+w,)e V/w e W, ew, e W,) também é um subespaço vetorial de V.
Demonstração
Para mostrar que W, + W, seja um subespaço vetorial de V é preciso que ele satisfaça aos
seguintes itens:
1. para quaisquer u, v e Wl +W,, então u+ve W +W,;
2. para quaisquer ue W,+ W,eae R então aue W,+W,.
De fato, o primeiro item é satisfeito, pois para quaisquer u, v e W, + W,, temos então pela
definição de W, + W, que u=u,+u, e v=v,+V, tais que u, e v, pertencem a W, e u, e v, per-
tencem a W,. Logo, u+v=(u,+u,)+(v,+v,); como são todos elementos do espaço V, satisfazem
às propriedades; portanto, podemos reescrever u+v=(u,+u,)+(v,+v,). Fazendo u +v,=W, e
U +V,=W,, concluímos que u+ v e W,+ W,. Para o segundo item, tomando u € W, + W, então
uU=Uu +Uu,, tal que ue WI ewe Wz. Temos que au = A(u, +u,); como são elementos de V, valem as
propriedades de espaço vetorial e podemos escrever da seguinte maneira: au = au,+ au,. Logo,
au,e W,eau, e W, pois W, e W, são subespaços vetoriais. Concluímos, então, queau € W,+W,.
Exemplo 2.12 l
Considere os conjuntos U= ((x, 0, 0) e R/x e R) e V=((0, y 0) e Rº/x e R), U, Vc R. Determine se
U e V são subespaços vetoriais. Descreva o conjunto U+ V e determine se ele é um subespaço
vetorial de Rº.
Vamos mostrar que U e V são subespaços vetoriais de R*. Para U temos as seguintes constatações:
" Unãoé vazio, pois para x = O temos (0, 0, 0) e U.
“ Sejam u=(x,, 0, 0) e u,=(x, 0, 0) elementos de U, u,+u,=(x, 0, 0)-+(x,, 0, 0)=(x, +x, O, O).
Logo, u +u,eU.
* Sejaa um número real, au,=a(x, 0, 0)=(ax, 0, O). Portanto au, e U.
Temos, então, que U é subespaço vetorial de Rº. Para V, temos as seguintes constatações:
* Vnãoévazio, pois para y = O temos (0, 0, 0) e V.
* Sejam v,=(0, y, 0) e v,=(0, y, O) elementos de V, v, +v,=(0, y,, 0)- (0, Y2 0)=(0, y, +y, O).
Logo, v,+v,e V.
“ Sejaa um número real, av,=a(0, y,, 0)=(0, ay, 0). Portanto, av, € V.
Temos que V é um subespaço vetorial de Rº*. O conjunto U+ V =((x, y, 0) e R*/x, y e R), ou seja,
todos os vetores de Rº que apresentam a última coordenada nula. Pelo teorema anterior, temos
que U + V é um subespaço vetorial de Rº, já que U e V são subespaços.
Seja V um espaço vetorial e W, e W, subespaços vetoriais de V, tais que eles têm apenas o
vetor nulo em comum, ou seja, W, » W,=(0), denotamos W, & W, no lugar de W, + W, e dizemos
que W=W, & W, é soma direta de W, e W,.
88 Álgebra linear
Teorema
Seja V um espaço vetorial e sejam W, W, e W, subespaços vetoriais de V, tais que WV e
W,EV, então W=W, € W, se, e somente se, todo elemento w de W se escreve de maneira
única da forma w=W, + W,, de modo que w, e W, ew,e W,.
Demonstração
Se W=W, € W,, então todo elemento w de W se escreve de maneira única da forma w=W,+W,,
de modo que w, € W, ew, e W, Se W=W, & W,, então W, ) W,=(0). Consideremos w elemento de
W esuponhamos que w=W,+Ww, = u,+ u, de modo que w, e u, pertencem a W, e w, e u, perten-
cema W,. Dew,+Ww,=u,+ u, podemos escrever w, - u = u,- w,. Do lado esquerdo da igualdade
temos um elemento de W, e do lado direito, um elemento de W,. Como os elementos são iguais,
ambos pertencem a W, e W, ao mesmo tempo; logo, pertencem a W, ) W,. Porém, vimos que
W,OW,=(0), portanto, W - u,=u,- w,=0, ou seja, wW, = u, e W, =U,; logo, Ww=W, + W, se escreve
de maneira única, de modo que w, e W, e w,e W,.
Se todo elemento w de W se escreve de maneira única da forma w=Ww,+ w, de modo que
w,eEW, e w,e W, então W=W, &S W,. Considere ue W, ) W, e que W, e W, são subespaços,
então o vetor nulo pertence aos dois; logo, 0 e W, ) W,. Portanto, podemos escrever u+0=0+u,
de modo que u, O e W, e 0, u e W,. Contudo, nossa hipótese diz que todo elemento w de W
se escreve de maneira única como soma w=w,+w,, de modo que w, € W, e w,e W,. Portanto,
concluímos que u=0, ue W, ) W,. Logo, W, 7 W,=(0), o que implica W=W, € W,.
Exemplo 2.13
Considere os subespaços Uc R', formados por todos os vetores de R* que tem as três coorde-
nadas iguais, ou seja, se ue U, temos u=(x, x, x) e VCR' formado por todos os vetores de Rº
que tem a segunda coordenada igual a zero, ou seja, são da forma v=(x, 0, z). Vamos verificar
queR'=U&V.
Seja w=(x, y, ) um vetor qualquer de R, temos que w=(y, y, y)+ (x-y, 0, z-y). Observe que (y,
y y) e U, pois suas coordenadas são todas iguais e (x-y, 0, z-y) e V, pois a segunda coordenada
é nula, ou seja , qualquer vetor de R é escrito como soma de um elemento de U com um ele-
mento de V: R'=U+V. A interseção Um V=1(0, 0, O)), pois se existisse outro vetor na interseção
diferente do nulo, por exemplo, um w, ele deveria pertencer a U e a V ao mesmo tempo, porém,
se w pertence a U, ele é da forma w=(x, x, x), Entretanto, para pertencer a V, a segunda coorde-
nada deve ser igual a zero; contudo, isso só ocorre se x = 0, resultando que w seria o vetor nulo,
mas supomos que ele não era o nulo. Assim, Um V =[(0, 0, 0)). Podemos concluir que R=U & V.
A descoberta dos espaços vetoriais 89
Exercício resolvido o
Mostre que a matriz E= [18 ] pode ser escrita como combinação linear das matrizes:
n JB Jl Jo-ls
D
Resolução
Se E pode ser escrita como combinação linear de A,B,C e D, então existem números reais
a, b, c, d tais que:
E=aA+bB+cC+dD
-1 8| | a O 02b+—c4c*0 d
18 3) |3a 2a/ |b 3p| |3c —ac| |-2a aa
- 8 7. a-c 2b+4c+d
18 3| |3a+b+3c-2d 2a+3b-2c-4d
a-c=-1
2b+4c+d=8
3a+b+3c-2d=18
2a+3b-2c-4d=3
90 — Álgebralinear
Vamos resolver aplicando o que aprendemos no primeiro capítulo. Vamos resolver por meio
do escalonamento da matriz do sistema.
1904 A 10A4 a
02 4 1 8 L /0 1 2 1/2 4
L, <2
o 1 642 2)” 2/04 6 2 H
03 045 03 0 4 5
104 oA 18A4 oA
01 2 12 4/L,3-L+L, | 01 2 12 4
01 6 -2 21 / L,>-3L+L,/0 0 4 -5Q2 17
03 0 4 5 0 0-6 41127
10A 0A 10A o A
01 2 12 4 01 2 1/2 4
/ L, >6L, +4L, /
00 4 -52 o 4 —-52 1
0 0 - 1/2 -7 000 37 —74
a-c=-1
b+2c+ &. 4
2
5
4c-—d=17
2
37d =-74
Da última equação, temos que d = —2. Substituindo na terceira equação o valor de d, temos
o seguinte resultado:
A descoberta dos espaços vetoriais — 91
Exemplo 2.14
Considere os polinômios p(x)=2x2+3x+5, q(x)=x2+1, r(x)=2x e s(x)=5X2-4x+11.
Mostre que s(x) é combinação linear de p(x), q(x) e r(x).
Se s(x] é combinação linear de p(x), q(x) e r(x), então encontraremos números reais a,b
e c, tais que s(x) =ap(x)+ bq(x)+ cr(x,). Temos:
s(x)=ap(x)+bq(x)+cr(x)
5xX2—4x+I11=a(2Xº +3x+5)+b(xº +1)+c(2x)
5x - 4x+11=2ax" +3ax+5a+bxº +b+2cx
5x2-4x+11=(2a+b)x2+(3a+2c)x+5a+b
2a+b=5
3a+2c=-4
Sa+b=11
5 10 2 5 0 Pa
-4 o 2 3 —4 2 3 o —
3:111():3:2 b:ª:i:] C:51 1:7235
210 6 2 1 0 &6 210 6
3 o 2 3 o 2 3 o 2
5 1 0 5 1 0l 5 1 0
Portanto, s(x) é combinação linear de p(x), q(x) e r(x), pois s(x) = 2 p(x) + q(x) — 5 r(x).
Exemplo 2.15
Considere os vetores de Rº?: (231), v =(10,1) e w = (01,2). Verifique se u é combinação
linear de ve w.
Para confirmar que u é combinação linear de v e w, devemos encontrar números reais a e b
que satisfaçam a igualdade: u = av + bw:
u=av+bw=a(1,0,1)+b(0,1,2)=(a,0,a)+(0,b,2b)=(a,b,a+2b)
u=(2,3,1)=(a,b,a+2b)
Exemplo 2.16
Considere os vetores de R?: u=(10,7), v=(1,0), w=(0,1) e z=(2,3). Verifique se u é com-
binação linear de v, wez.
Para que u seja combinação linear de v, w e z, devemos encontrar números reais a, b ec
que satisfaçam a igualdade: u=av+bw+cz.
A descoberta dos espaços vetoriais — 93
u=a(1,0)-b(0,1)+c(2,3)=(a,0) +(0,b)+(2c,3c)
(10,7) =(a+2c,b+ 3c)
a+2c=10
br+3e=7
Temos que a=10-2c e b=7-3c, portanto, existem infinitas soluções para o sistema, c
pode assumir todos os valores. Logo, existem infinitas maneiras de escrever u como combina-
ção linear dev, w e z; para cada valor de c temos uma combinação linear. Por exemplo, se c = 1,
temos que u= 8a + 4b + c. E se c=2, temos outra combinação: u=6v+w+22z.
Observe com os exemplos desta seção que a combinação linear de vetores está relacionada à
resolução de sistemas, os quais, por sua vez, estão relacionados a matrizes. Desse modo, note
que estamos utilizando neste capítulo os conteúdos do primeiro.
Exemplo 2.17
No espaço vetorial R" , considere os seguintes vetores:
94 Álgebra linear
&; =(1,0,0,0,....0)
e,=(0,1,0,0,...,0)
e,=(0,0,1,0,...,0)
e,=(0,0,0,0,...,1)
Exemplo 2.18
Determine se o conjunto dado gera o espaço Rº:
U= f(11),(01)
Gerar R? significa que qualquer vetor (x,y) do R?º pode ser escrito como combinação linear
dos vetores (1,1) e (0,1), precisamos encontrar a e b que satisfaçam às seguintes igualdades:
x=a
O sistema é í e precisamos encontrar a e b; temos a = x. Substituindo a = x na
y=a+b'
segunda igualdade, temosy =x +b; logo, b =y —x. Temos, então, (x,y)= x(11)+(y-x)(0,1),
portanto, qualquer vetor (xy) do R? pode ser escrito como combinação linear dos vetores (1,1)
€ (0,1). Desse modo, concluímos que U gera o Rº.
Pense em um vetor qualquer do R? ; ele pode ser escrito como combinação linear dos vetores
de U, segundo a igualdade (x,y)= x(1,1) +(y —x)(0,1). Por exemplo, o vetor (39, -190), substi-
tuindo x = 39 e y =—190 na igualdade temos: (39, — 190) = 39(1,1) + 151(01).
v=i(12),(24))
Para gerar Rº, qualquer vetor (xy) do R? pode ser escrito como combinação linear dos veto-
res de V, ou seja, precisamos encontrar a e b que satisfaçam às seguintes igualdades:
(x,y) = a(1,2)+b(2,4)
(x,y)=(a,2a)+(2b,4b)
(x,y):(a+2b,Za+4b)
A descoberta dos espaços vetoriais 95
x=a+2b
O sistema associado é í y=2a44b" Multiplicando a primeira igualdade por 2, temos
2x=2a+4b . ; ; s
; subtraindo a segunda igualdade da primeira igualdade, temos 2x - y =0, porém,
y=2a+4b
a igualdade só é válida quando 2x = y, ou seja, não vale para quaisquer valores de x e y. Por
exemplo, o vetor (1,3) não pode ser escrito como combinação linear dos vetores (1,2) e (2,4); como
vimos, só é possível ser escrito como combinação linear para 2x = y, e em (1,3) temos que y = 3x.
Portanto, um vetor qualquer de (x,y) não pode ser escrito como combinação linear dos vetores
de V. Logo, R? não é gerado por V.
e weff10),(11),(13)
Vamos verificar se qualquer vetor (xy) do R? é escrito como combinação linear dos vetores
de W:
x=a+b+c
O sistema associado é í « Buscamos encontrar a, b e c. Na segunda equação, temos
y=b+3c
que b = y — 3c; substituindo b = y — 3c na primeira e isolando a, temos a=x-y+[Link],
obtemos infinitas soluções, pois c pode assumir qualquer valor: (x.y) = (x — y + 20)(1,0) + (y — 3c)
(1,1) + c(1,3). Portanto, cada elemento do R? pode ser escrito de infinitas maneiras, como com-
binação linear dos vetores de W. Então, W gera R?.
Por exemplo, o vetor (—23, 18) pode ser escrito como combinação linear dos vetores (1,0), (1,1)
e(1,3):
(x/y)=(x-y+2c)(10)+(y-3c)(1,1) +c(1,3)
(-23,18) =(-23-18+ 2c)(1,0)+(18- 3c)(1,1) +c(1,3)
(-23,18)=(-41+2c)(1,0)+ (18-3c)(1,1) +c(1,3)
(—23, 18) pode ser escrito de infinitas maneiras como combinação linear dos vetores de W.
Veja alguns exemplos:
Exemplo 2.19
No espaço vetorial R?, descreva geometricamente o conjunto S(X)= [( 1,2)] , ou seja, o subes-
paço gerado pelo vetor (1,2).
O subespaço gerado pelo vetor (1,2) compreende todas as combinações lineares do vetor (1,2),
ou seja,
(x y) a(1,2)
(xy) (a,2a)
Y"
2.3 Bases
Nesta seção, vamos relacionar os conceitos de combinação linear, dependência linear e de
espaço gerado, pois é isso que precisamos para compreender bases. As bases caracterizam os
espaços vetoriais, elas dizem como é o espaço referente a elas e são um conjunto “simplificado”
no qual podemos trabalhar mais facilmente. Quando atribuímos uma base a um espaço vetorial,
estamos colocando um referencial no espaço; qualquer vetor pode ser escrito de maneira única
como combinação linear dos vetores da base.
a dependência linear deve ser válida para qualquer conjunto de vetores, e, como já vimos nos
capítulos anteriores, eles podem ser funções, polinômios, matrizes, enfim, diferentes objetos.
Considere V um espaço vetorial e X um subconjunto de V. Dizemos que X é linearmente
independente:
* sesótiver um elemento não nulo, ou seja, X=f(vJje v=0;
" setiver mais de um elemento, todo elemento v de X não é combinação linear dos demais
elementos de X.
Se X é linearmente independente, então seus elementos são vetores linearmente independentes.
Preste atenção!
Um conjunto X linearmente independente tem todos os seus elementos diferentes
do vetor nulo, pois o vetor nulo é a combinação linear de quaisquer outros vetores:
0=0Ov, +Ov, +Ov,+...+Ov,.
Notação
Vamos usar LI para denotar linearmente independente e LD para denotar linearmente
dependente.
Teorema
Considere V um espaço vetorial. O conjunto X de V é LI se, e somente se, sendo
Vyr Vor VánV EX & QV +OL,V,+OAV,+...+A V,=0.
Então, a, =a, =0, =a,=0.
Teorema
Considere V um espaço vetorial. O conjunto X de V é LD se, e somente se, sendo
Vir Var Mariss
V EX E MV FV +OAW, F.. FV =0
Então, algum a, = 0.
98 Álgebralinear
Exemplo 2.20
Considere os conjuntos X = f(I,I,O),(l, 4 5),(3,6,5)# V= ((1 10),(1,2,3)(3,4, 5)?; vamos deter-
minar se são Ll ou LD.
Para o conjunto X temos:
a (1,1,0)-+a,(1,4,5)+a,(3 5)=(0,0,0)
D
( ,a,,0)+(c,,406,,5a, )+(30,,60,,50, )=(0,0,0)
a +a, +3a,=0
a +40,+60, =0
S0,+5a,=0
1130
460
550
Escalonando, temos:
e (1,1,0)+a,(1,2,3)+a,(3,4,5)
=(0,0,0)
A descoberta dos espaços vetoriais — 99
(a,,0,,0)+(05,20,,30
) +(30,,40,,50, )=(0,0,0)
0 + , +3A,=0
, + 20, +40,=0
3a,
+ 5Q,
1130
1240
0 35
Escalonando:
Temos:
, +0,+3a,=0
, +a,=0
20,=0
Da última equação, temos que a., = 0 ; substituindo os dados na segunda igualdade, obtemos
a, =0 e por fim, substituindo na primeira, o resultado é , =0. O sistema admite somente a
solução nula. Portanto, Y é LI.
Exercício resolvido
Considere o espaço P, e os polinômios p(x)=x?-3xX2+5x+1, qlx)= xº-x2+6Xx+2 e
r(x)=x?-7x2+4x. Verifique se fp(x),q(x),r(x)) é LIouLD.
Resolução
Para verificarmos se o conjunto íp(x),q(x),r(x)) é LI ou LD, vamos montar a seguinte
equação:
A,Pp+aq+ar=0
, +A,+A,=0
—3a, — a - 70,=0
50, + 60, +40,=0
a,+2a,=0
11 10 11 1 0 111 0
L, > 3L, +L,
s 1 -7 Q)/ * TTA T 240 L |0 1 -20
L, >-5L, +L; L 22
5 6 4 0 014 0/*?º 2/014 0
L, >-L, +L,
1 2 636 o0140 0140
11 1 0 11 10
01-20 01-20
L, >L,-L, L, >-L,+L,
0140 . 0010
0000 0000
, +0,+A,=0
, - 20,=0
a,=0
Exemplo 2.21
Vimos que os vetores canônicos em R",e =(1,0,0,0, .., 0), e, =(0, 1,0,0, ... 0) .. e, =(0,0,0,
O, ... 1), geram o espaço R" e que o conjunto íe, ,ez,e_,,...,e_; é LI. Então esse conjunto é uma
base para R" , chamada de base canônica de R" .
Exemplo 2.22
O subconjunto de P., formado pelos monômios íl,x,x 'X"? , é Ll e gera o espaço vetorial
P . logo, o conjunto il,x,xº, x“; é uma base para P. .
Exercício resolvido
Mostre que o conjunto íx* +Xx-1 X =x+1,Xº — ]3 é LI, porém, não é base para o espaço veto-
rial P,.
Resolução
Inicialmente, temos que mostrar que o conjunto dado é LI:
al(x*+x71)+a3(xªfx+1)+oc.._ xº-1)=0
LX +OA XA +OAX - AJX+OZ+AX?
-A =0
QX +AXt+AX2A+(0A-A )XA +A, -A =0
Para mostrar que o conjunto não é base, e como é LI, vamos mostrar que ele não gera o espaço
P, . Seja p(x)=a, +a,x+a,x?+a,xt+a,x' um polinômio qualquer de P, , escrevendo p(x) como
combinação linear dos vetores de (xª +x-1 X -x+1Xº- 1) , temos:
p(x) (x*+xf1)+b(xº—x+1)+c(xªf])
a, +ax+a,x +axº+ax'=ax'+ax-a+bx-bx+b+eox? c
a +ax+a,xº +ax'+ax'=-a-c+(a-b)kx+ox2+bxi+ax'
Exemplo 2.23
No Exemplo 2.18, vimos que o conjuntoW = ((1,0),(1,1),(1,3)) gera o espaço vetorial R?. Mostre
que W é LD.
a(1,0)+b(1,1)+c(1,3)=(0,0)
(a,0)+(b,b)+(c,3c)=(0,0)
(a+b+c,b+3c)=(0,0)
a+b+c=0
O sistema é ; da segunda equação, temos b = —3c, substituindo b = —-3c na pri-
b+3c=0
meira equação, temos a -3c + c = 0, logo, a = 2c. Portanto, temos infinitas soluções. Vamos
escolher uma diferente da nula, c = 2, substituindo c = 2 na primeira equação, temos b = -6 e
a =4, Logo, a solução é não nula, então o conjunto W é LD.
A descoberta dos espaços vetoriais — 103
Preste atenção!
Nem todo conjunto que é L1 é base e nem todo conjunto que gera um espaço vetorial é base!
Exercício resolvido
Represente na forma de matriz o vetor u=(3,4,5) nas bases C = í(l,0,0),(O, 1,0),(0,0,1)) e
B=((1,1,0),(0,1,0)(1,0,1))
Resolução
Vamos determinar as coordenadas de u nas duas bases, primeiro para base C:
u=a(1,0,0)+ b(0,1,0)+c(0,0,1)
(3,4,5)=(a,b,c)
Logo, as coordenadas de u na base C são (34,5), pois u=3(1,0,0)+4(0,1,0) +5(0,0,1).
3
Y"
s
me
u=a(1,1,0)+ b(0,1,0)+c(1,0,1)
u=(a,a,0)+(0,b,0)+(c,0,c)
(3,4,5)=(a+ca+b, c)
a+c=3
a+b=4
ce=5
Preste atenção!
A ordem dos elementos da base reflete nas coordenadas e, consequentemente, na matriz,
por isso quando escrevermos a base estaremos considerando a ordem.
Teorema
Seja V um espaço vetorial gerado pelos vetores v,,V,,V,,...,V,, então qualquer conjunto, em
V, com mais de n vetores, é LD, portanto, qualquer conjunto LI tem no máximo n vetores.
Corolário
Seja V um espaço vetorial, se uma base de V tem n elementos, então qualquer base de V terá
n elementos.
Demonstração
Seja uma base B, = fvl,vl,...,vn) de V , considere uma outra base de V, B, U U Uh)
então B, gera V e B, é LI, então, conforme o teorema anterior, temos que n< m, também B,
gera V e B, é LI; então, temos que m < n, logo, m=n
Seabase B= ív, VaiVaro ,,vn) do espaço vetorial V tem um número finito de elementos, n,
dizemos que V tem dimensão finita e chamamos o número n de dimensão do espaço V - deno-
tamos por dimV. O espaço vetorial V= íO; tem dimensão zero.
Exemplo 2.24
O espaço vetorial M(m x n) das matrizes de ordem m x n tem dimensão finita m - n. O espaço
P, dos polinômios de ordem menor ou igual a n tem dimensão finitaiguala n+1.
Teorema
Seja V um espaço vetorial de dimensão finita n, qualquer conjunto X linearmente indepen-
dente de V pode ser completado para formar uma base de V.
A descoberta dos espaços vetoriais 105
Demonstração
Temos o conjunto X = ívW Vues .,vm) LIlem Ve dimV =n, conforme o último teorema apre-
sentado, temos que m < n.. Se X gera V, então X é base. Se X não gera V, isto é, se existe um vetor
w, e V, tal que w não é combinação linear dos vetores de X, w, € [v,,vz, ,,vm] , portanto,
Xx :(v',vº,..,vm,w'; é um conjunto LI. Então, se X, gera V, X, é uma base de V. Se X, não
gera V, então existe um vetor w, de V que não é escrito como combinação linear dos vetores
de X,, ou seja, W, € [Vl,vª. w'],ponanto, Xlzív,,vz,...vm,wl,wlª é um conjunto LI.
Desse modo, se esse conjunto gera V, ele é uma base, caso contrário, podemos repetir o processo,
que é finito, pois m < n, ou seja, não tem mais do que n elementos.
Como consequência do último teorema apresentado, temos que, se V é um espaço vetorial
de dimensão n, qualquer conjunto LI com n elementos forma uma base de V.
Exemplo 2.25
Considere o conjunto f(1,1,0), (1,2,3),(3,4,5)) . Vimos que é um conjunto LI no espaço R
que é um espaço vetorial de dimensão 3, portanto, o conjunto í(l,l,O), (1,2,3),(3, 4,5)) , com
3 vetores, é uma base para R*.
Podemos relacionar o posto de uma matriz com a dependência linear, a base e os subespaços
gerados. Se, em um conjunto de vetores ivl,vª,vª,...v“;, suponhamos que v, tem a i-ésima
coordenada diferente de zero e os demais vetores do conjunto, v,,v, v, tem esta i-ésima
coordenada nula, então o vetor v, não pode ser escrito como combinação linear dos demais.
O subconjunto de ív,,vz,vg, .v"ã, formado por vetores não nulos tais que, se cada um dos
vetores tem uma coordenada diferente de zero e a mesma coordenada for zero nos demais veto-
res, então o subconjunto será LI. Em termos de matrizes, deixar a matriz na forma escalonada
corresponde a colocar os vetores em linha e escalonar. Na matriz escalonada, as linhas não nulas
formam um conjunto L. Seja V um espaço vetorial de dimensão finita, então todo conjunto X
gerador de V contém uma base. Se um conjunto de vetores gera um espaço vetorial, esses vetores
colocados em linha de uma matriz, ao serem escalonados, resultam, com as linhas não nulas,
em um conjunto também gerador e, como vimos, LI, portanto, uma base para o espaço vetorial.
O posto, que é o número de linhas não nulas, é a dimensão do espaço vetorial.
Exemplo 2.26
Seja V= [(1,3,—2,0),(4,3, 1,1),[3,0,0,3)] < R', vamos encontrar uma base para V. Para isso,
considere a matriz, cujas linhas são os vetores (1,3,-2,0),(4,3,1,1) e (3,0,0,3):
ousoS
wmso
S=b
NS
106 Álgebra linear
1 320
0-9 91
o 032
O conjunto ((1 3, —2,0),(0,—9, 9,1),(0,0,-3, 2)% é uma base para V, logo, dimV=3.
Por exemplo, vamos usar escalonamento para determinar se um conjunto é LI, ou LD:
* Considere o conjunto ((1,3,4),(2, 5,—1),(2,4,40); ; temos a matriz:
13 4
5 A
2 4 -10
1 3 4
o 1 -
0 0 0
Como há uma linha nula, isso significa que o vetor correspondente a ela é a combinação
linear dos outros dois vetores, pois escalonar é operar com as linhas, isto é, vetores. Portanto,
o conjunto é LD e o conjunto dos vetores resultantes, exceto o nulo; [((1,34), (0, , —9)) é LI.
Exemplo 2.27
Considere o conjunto W = ((1,0),(1,1),(1,3)) . Vimos no Exemplo 2.18 que W gera o R; tam-
bém vimos no Exemplo 2.23 que W é LD. A partir de W, vamos encontrar uma base para R?.
Montando a matriz dos vetores e escalonando, temos:
10h a= 10
—L,+
1 1/ 2 ? T% o 1 Lo3L+L,0 1
Lulh 2
É d= o 0
Teorema
Seja V um espaço vetorial de dimensão finita n, todo subespaço vetorial de V tem dimen-
são finita menor ou igual a n. Se a dimensão de um subespaço W de V é n,então V= W.
A descoberta dos espaços vetoriais — 107
Teorema
Sejam V um espaço vetorial de dimensão finita n, U e W subespaços vetoriais de V , então
dim(U+W)=dimU
+dim W-dim(UnW).
Esses dois últimos teoremas apresentados relacionam espaços e subespaços com suas dimen-
sões. Para saber a dimensão de um espaço, podemos usar a dimensão de subespaços; vejamos
alguns exemplos.
Exercício resolvido
Sejam os subespaços de R* : U = [(1, 0, 0, 1), (0,1,0, 0)) e V=[(x, y, 2 t) € Ri/x+z=0). Qual é
a dimensão de U+V e UM V ?
Resolução
Vamos primeiramente determinar a dimensão de U = [(1, 0, 0, 1), (0, 1,0, 0)). Como U é gerado
por ((1, 0, O0, 1), (O, 1, O, O)), precisamos mostrar que esse conjunto é LI, de fato:
a (1,0,0,1)+b(01,0,/0)=(0,0,0,0)
(a, O,0, a) +(0,b, 0,0)=(0,0,0, 0)
(a, b, 0, a) =(0,0,0, O)
A única solução é a nula, a = b = 0, portanto, ((1, O, O, 1), (0, 1, 0, 0)) gera U e é LI, então
1(1, 0, 0, 1), (0, 1, O, O)) é uma base para U, pois apresenta dois vetores a dim U = 2. Poderíamos
ter usado o método da matriz escalonada para verificar que o conjunto é LI, pois colocando
os dois vetores em linha, temos uma matriz já na forma escalonada, então os vetores formam
um conjunto LI. Para o subespaço V = ((x,y,z,t)e R/x+z= O), da condição x + z = O, temos
z=—x. Então, V é o subespaço vetorial formado por todos os vetores de R* da forma (x, y, x 1)
Podemos escrevê-los da seguinte maneira:
(x y x t =x(10,-1,
0) +y (0, 1,0,0)
+t (0,0,0,1)
Temos que 1(1, 0, x1, O), (0, 1, 0, O), (0, 0, O0, 1)) gera o subespaço V. Colocando os vetores em
linhas, temos:
A matriz já está na forma escalonada, então o conjunto é LI. Poderíamos ter resolvido por
sistema a (1, O, 1, 0) + b (O0, 1, 0, 0) + c (0, 0, O, 1) =(0, 0, 0, O) e concluiríamos que a única solução é
108 — Álgebralinear
a=b=c=0;logo, o conjunto é LI. Portanto, ((1, 0, -1, O), (0, 1, 0, O), (0, 0, 0, 1)) é base para V, e
como tem 3 elementos, então V tem dimensão 3.
Para o subespaço U + V, que é gerado pela união dos geradores de U e de V, temos, então, que
U+V=((1,0,0 1), (1,0,1, O), (0, 1, 0, O), (0, 0, 0, 1)). Vamos determinar se ((1, 0, 0,1), (1,0,-1, O),
(0, 1, 0, O), (0, 0, 0, ) é Ll ou LD.
a+b=0
c=0
—b=0
a+d=0
Logo, a única solução é a nula, a =b = c= d = 0, o que implica ((1, 0, 0, 1), (1, 0, -1, O),
(0,1,0, O), (0, 0, 0, 1)) e, como também gera o subespaço U+V, então é uma base. Concluímos que
a dimensão de U + V é 4, pois a base tem 4 elementos. Do último teorema apresentado, temos:
Pense a respeito
O texto Mudanças de coordenadas em sistemas de cores apresenta de forma clara e objetiva o
sistema de cores e como realizar mudanças nesse sistema, além de apresentar aplicações
da mudança de coordenadas.
V=X/U +XW+XU,+LHFXU,
B= íw, AWyfWajo .wn; é outra base de V, então também podemos escrever v como:
VS VW YWNA AMNA TE VW
Também podemos escrever os elementos de B,, que são elementos de V, como uma combi-
nação linear dos elementos de B :
ETA HA U AAA
VEYAN, ANA VN
Ac W
110 — Álgebralinear
Temos:
Sabemos que v é escrito de maneira única como uma combinação linear da base B, então,
temos que:
Logo:
X =AanY, +Aapyy7+..-+Ary,
AY, FAY2 t. FtAaxY,
* 9 Apes A Y
* Ax ||Y
X An dlY,
F= D,
8 |a x| ; z
De modo que [l]n S ?” | é chamada de matriz de mudança de base, no caso da
a a,
base B, para a base B, ou seja, qualquer vetor escrito na base B, com a matriz de mudança de
base, pode ser escrito, mais facilmente, na base B.
A descoberta dos espaços vetoriais 11
Exercício resolvido
Considerando o espaço vetorial R?, e as bases B= í(l,Z),(l,O)Í é B;= [(3,1),(4,5)% , escreva a
matriz de mudança da base B para B, e a matriz de mudança da base B, para B. Utilizando
as matrizes, escreva o vetor (7,2)n na base B, e o vetor (6,2)n na base B
Resolução
B
Para escrever a matriz de mudança da base B para B,, [I]“ , Vamos escrever os vetores da
base B como uma combinação linear dos vetores da base B, :
(1,2)=a(3,1)+ b(4,5)
(1.0)=c(31):-d(4,5)
Resolvendo as equações, temos que:
(12)=221):É(45)
3
1,2)==(3,1)+
5165
—(4,5
(10)=É(a1)-L(45)
5 L.
1,0)==(3,1)-—(4,5
&
B 5
Então, [l]": un ,ovetor(7,2)[ na base B, é:
ih |5
u a
=8 S "
u u 71A
su 1lbrls
u
; s;
Agora, para a matriz de mudança de base B, para B, [I]B , Vamos escrever os vetores da
base B, como uma combinação linear dos vetores da base B:
(31)=a(1,2)+b(1,0)
(4,5)=c(1,2)+d(1,0)
112 Álgebralinear
15
Então, [l]n s = Él5 32 ;ovetor (6,2),, nabase B é:
2 &
15
2 2|[6] [8
5 3 / 2) |&
22
[ =[ D,
Fs , s -
A matriz de mudança de base Ll]" é inversível, então, temos:
() t, () DP ,
() , =5
sc su Vi
Entãoa matrizinversade LIJ“" é amatrizde mudançadebase B para B, , ouseja, ([IJ"* ) :[I]“ :
F s s
Exemplo 2.28
Considere o plano cartesiano e a base canônica ãel 3 eá = í(l 0),(0, 1); , Sejam os vetores u e v,
obtidos da rotação dos vetores e, e e, como indicado na figura a seguir.
A descoberta dos espaços vetoriais 113
Na figura apresentada, temos as bases B= íª: ,eà eB,= ff' ,fà Vamos escrever a matriz de
mudança de base B para B, ; para isso, vamos escrever os vetores da base canônica como uma
combinação linear dos vetores f, e £ .
/oX N e / /
/
/ R
E observe o triângulo OAB, temos que o cos( IOAII e sen l ” , de modo que AO e AB
el FE
são vetores. Logo, cos(6) IIOAI]
= esen(o)=
IIAB" também temos que e, = OA + AB, de modo que
AOé múltiplo de f, e AB é múltiplo de £,. Portanto, e, 7||0A|| I £ = cos(0 )f - sen(o)£.
Observe que o sinal negativo em f,, vem do fato de que o vetor AB é oposto ao vetor f,.
114 Álgebralinear
Analogamente, para e,, temos que e, = HDCIIfI +HOD f£, = sen(6)f, + cos(6)L.
Então:
e, =cos(6)f, -sen(6)L,
e, =sen(9)f + cos(6)f,
ss :í cos(o) sen(e)J
-sen(e) cos(6)
Pense a respeito
Você pode utilizar o software GeoGebra para fazer os vetores das bases e observar o que
está acontecendo geometricamente, ou seja, mudar o referencial. Esse software é livre fácil
de ser utilizado e apresenta versão em português. Além disso, há conteúdos de álgebra e
geometria, assim, é possível acompanhar os dois processos.:
Síntese
Neste capítulo, você aprendeu sobre o ambiente principal dos estudos de álgebra linear,
os espaços vetoriais e, junto com eles, os subespaços vetoriais, que preservam as pro-
priedades do espaço maior. Conheceu os vetores e quando temos conjuntos linearmente
independentes e dependentes, para entender o que é uma base de um espaço vetorial, e
relacionou os vetores com as matrizes. A importância da base está no fato de esta ser um
conjunto pequeno, mas que gera e caracteriza um espaço todo, é um referencial, ou seja,
qualquer vetor do espaço pode ser escrito como uma combinação linear dos vetores da
base. Mudar a base é mudar a referência.
Atividades de autoavaliação
1) Indique se as afirmações são verdadeiras (V) ou falsas (F):
() O vetor w =(1,2,1) pertence ao subespaço gerado por u=(3,4,5) e v=(5,3,4).
() Se Xc Y , então o subespaço gerado por X está contido no subespaço gerado por Y.
() O conjunto X das matrizes de ordem 2x3, nas quais uma coluna qualquer é
formada por elementos iguais, é um subespaço vetorial.
() Qualquer vetor de R? pode ser escrito como uma combinação linear dos vetores
u=(1,-2) e v=(-5,10).
Assinale a alternativa que corresponde à sequência correta:
aFEVEF
[Link]
E VVEEM
d. VE V,V.F.
um subespaço vetorial.
10//01 00 . :
b. As matrizes & ' ê o formam um conjunto linearmente dependente.
o1 1
c. Uma base para o subespaço A € Rº formado pelos vetores (x,y,z,w), sendo que
x=y=z=w, é ((1,11,1).
d. A dimensão do subespaço vetorial Bc R* é 4, de modo que B é formado pelos
vetores (x,y,z,w)e R* sendo que x=y ez=w.
116 Álgebra linear
5) Quais dos conjuntos a seguir representam uma base para o espaço vetorial
=í(x,y,z)€ R/ x+z:0) r
a. ((1,0, 1),(0,1,0))
b. ((1,0,1)(11,1) (0,0,1))
. (1,00)(11,1))
d. ((1,1,0)(0, —-1,0) (0,0,1)
Atividades de aprendizagem
Questões para reflexão
1) Pesquise sobre mudança de referencial na física e escreva sobre a relação desta com os
estudos de mudança de base.
Neste capítulo, vamos estudar uma função especial, chamada de trans ormação linear. Veremos
suas propriedades e os diversos espaços em que podemos definir a transformação. Vamos
relacionar as transformações lineares com matrizes, as quai: ão importantes, poi ão funções
que preservam algumas propriedades. Assim, podemos chegar a resultados importantes sobre
espaços vetoriais utilizando as transformações. Um exemplo de transformação linear no plano
é a rotação em torno da origem.
Transformações lineares
3.1 Definição
Sejam v e U espaços vetoriais, a relação T: V > U, que associa a cada vetor ve V um vetor
T(v)e U e que chamamos de imagem de v pela transformação T, é uma transformação linear
Se são válidas as igualdades a seguir para todo v,,v,ôV e ae R
* T(v,+v,)=T(v,)+T(v,)
“ T(av,))=aT(v,)
Considere U e V espaços vetoriais e T: V >U uma transformação linear. Temos 0 e V e
O e U, pois os conjuntos são espaços vetoriais, e de acordo com o primeiro item da transforma-
ção linear temos que T(0 + 0) = T(0) + T(0), logo, T(0) = 2T(0). Portanto, T(0) = O. Agora, sejam
V Var Var..,V, Vetores de V e ,,0,,0,,...,d, números reais, utilizando a definição de
transformação linear, temos:
=0 T(v, )+ (04V,+OV,+:..+OV, )
Utilizando por diversas vezes a definição de transformação linear, concluímos que:
Preste atenção!
Se T(0)=0, então T não é transformação linear, ou seja, a imagem do vetor nulo deve ser
o vetor nulo! Mas tenha cuidado, pois nem sempre que temos T(0) = O se trata de uma
transformação linear! Veja os exemplos!
Exemplo 3.1
Seja T: Rº — Rº definidapor T(x,y,z)=(x,x-y), determinese T é uma transformação linear.
120 — Álgebralinear
T(u+v)=T(x+x,,y+y,,z+z,):(x+x,,(x+x, (y+y, )
(x+x xx YY )alA x y+x y, alx ax=y )a y, )=T(u)+T(v)
T(au)=T(ax,ay,0z)=(ax,ax-ay)=a(x,x-y)=aT(u)
Exemplo 3.2
linear.
o o
Calculando T[[O ÚD =0-0-0:0=0, não podemos dizer que T é uma transformação linear.
Vamos ver que T não é uma transformação linear. Sejam duas matrizes:
a=/º Pjgzja d
c d c d,
Exemplo 3.3
Seja T: Rº >Rº definida por T(x,y,2)=(x,y+1,x+z+2), determine se T é uma transfor-
mação linear.
Calculando T(0,0,0) (0,0+1,0+0+2)=(0,1,2)=(0,0,0). Logo, T não é uma transforma-
ção linear.
Os exemplos anteriores mostram que podemos usar o fato de demonstrar T(0)=0 para dizer
que uma transformação não é linear. Contudo, se T(0)=0, não podemos dizer que se trata de
uma transformação linear. Vimos nos exemplos que isso não ser confirmado.
As transformações lineares são funções, desse modo, podemos realizar operações entre
elas. Vamos estudar a soma de duas transformações e o produto de um número real por uma
transformação linear. Para isso, considere T, : V >U e T,: V >U como duas transformações
lineares e a um número real. Definiremos as seguintes transformações lineares:
* T+T:V->U,dadopor (T +T))(v)=T (v)+TL(v).
aT, : V > U, dado por ([Link] )Jvu=aT, (v)
Vamos definir também as seguintes transformações lineares:
Transformação linear nula T, : V > U, de modo que T,(v)=0.
Dada uma transformação linear T: V > U, a transformação linear -T: V > U é tal que
(-T)(v)=-T(v) ; logo, temos (-T)+T=0.
Observe que, com as operações de soma de transformações lineares e multiplicação de um
número real por uma transformação linear, podemos dizer que o conjunto formado por todas
as transformações lineares de V em U é um espaço vetorial, que denotaremos por L (V;U).
Além disso, com a transformação nula e a transformação —T, identificamos o elemento neutro
e o inverso aditivo. As transformações lineares do tipo T: V — V são chamadas de operadores
lineares em V. E as transformações lineares do tipo T: V >R, são chamadas de funcionais
lineares. Denotamos por V' o conjunto L (V;]R) e chamamos esse conjunto de espaço vetorial
dual de V.
Teorema
Considere os espaços vetoriais V e U, uma base B= ív,,vz,vy.. .,v") de V eos vetores,
aleatórios, u, U U,,..., , que pertencem a U. Então, existe apenas uma transformação
linear T:
V > U, de modo que T(v, )=u,, T(v.)=u,, T(v,)=u,,.. T(v, )=u
= U +OU, F.. FA U,
122 Álgebralinear
Exercício resolvido
Considere T : Rº > Rº uma transformação linear. Sabendo que T(1,1):(2,71) eT(1,0)=(1,3)
determine T(x,y).
Resolução
Observe que í( 11),( 1,0)) é uma base de R? . O teorema diz que existe uma única transfor-
mação T que satisfaça as condições T(1,1)=(2,-1) e T(1,0)=(1,3). Considerando um vetor
qualquer (x, y ), vamos escrevê-lo como uma combinação linear dos vetores da base f(l 1),(1 0))
Para isso, encontraremos números reais a e b, de modo que:
(x,y)= a(11)+b(10)
(x y)=(a,a)+(b,0)
(x.y)=(a+b,a+0)=(a+b,a)
(xy)=y(11)+(x-y)(L0)
T(x.y)= T(y(11)+(x-y)(1,0))
T(xy)=T(y(11)):+ T((x-y)(10))
pelo segundo item da definição de transformação linear:
T(x.y)=yT(1,1,)+(x-y)T(1,0)
T(xy)=y(2-1)+(x- y)(LO)
T(xy)=(2y7y)+(x- y,0)=(2y+x-y,0-y)
T(xy)=(x+y,-y)
Transformações lineares — 123
v Ed, yu dp w
V
TE1
Preste atenção!
Lembre-se de que as transformações lineares são funções, logo, valem as propriedades de
funções.
3.21 Propriedades
Sejam T: VSU, T:U>W e T,: W—Z transformações lineares, temos então:
* (LT)T=T(TT)
* (T+T)T=TT+TT.
* T(aT)=a(T,T) para qualquer ac R.
.T =T ,de modo que 1, é a identidade em V, ou seja, é a transformação linear 1, : V > V,
L(v)=v.
“ I,T=T,demodo que l, é a identidade em U, ou seja, é a transformação linear 1, : U> U
, L (u)=u.
TL(T+T)=LT+TT.
124 Álgebra linear
Exemplo 3.4
Considere as transformações lineares T : RRR e T,: R> R, definidas por T (x,y)=x+y
e L(x)=2x.O produto T:R>R será LT (x,y)=TL(T(xy))=L(x+y)=2(x+y)
Exercício resolvido
Dados os operadores linear T,T.: R+>R, de modo que: T (x,y)=(x,-y) e L(x.y)=(yx).
Determine as expressões dos operadores lineares TT,, LT, Tr=TT, R eT+L.
Resolução
Vamos determinar as seguintes expressões:
TE(xy)=T(T(xy))=T(yx)=(y—x)
LT (xy)=TL(T(xy))=TL(x-y)=(-yx)
Ti(xy)=TT(xy)=T(T(xy))=T(x-y)=(xy)
TV(xy)=TLL(xy)=TL(yx)=(xy)
T (xy)+L(xy)=(xy)+(yx)=(xoy,<y+x)
Observe que, geometricamente, T, é a reflexão em relação à reta y =0, T, é a reflexão em
relação à reta y = x. Você conseguiria descrever geometricamente as demais transformações
lineares? Atribua valores e veja o que acontece!
Exemplo 3.5
Considere a transformação linear T:R' > R', dada por T(x,y,z)=(0,y,3z) . Determine o
conjunto Im(T).
A imagem de T compreende todos os vetores de R* escritos na forma (O,y, 3z), sendo que
y zôoR.
(0,y,3z)=7X(0,1,0)+z(0,0,3)
Exercício resolvido
Determine uma base para a imagem da transformação linear T:R?
> R? , definida por
T(x,y)=(x+y,y).
Resolução
Aimagemde
T compreende todos os vetores da forma (x + y, y )=x(1,0)+ y(1,1),então qualquer
elemento da imagem de T é uma combinação linear dos vetores (1,0) e (1,1). Como o conjunto
í( 1,0) (1,1)) é LI, e vimos que gera Im(T), então ele é uma base para Im(T).
Exemplo 3.6
Determine se a transformação linear T:Rº — Rº, definida por T(x,y,z)=(x+y,x+2z), é
sobrejetora.
Temos que a Im(T) compreende todos os vetores da forma (x+y,x+z)=x(1,1)+y(1,0)+
+2(0,1), como (1,1) =(1,0) +(0,1) , uma base para Im(T) é o conjunto ((1,0),(0,1)) . Logo,
Im(T) tem dimensão 2 e, portanto, Im(T)=R*. Para todo elemento (x,y) de Rº temos
(y-Lx-y+11)eR', de modo que T(y-1,x-y+11)=(x,y);então T é sobrejetora.
126 Álgebra linear
Exemplo 3.7
Determine se a transformação linear T: R? > R?, definida por T[x,y) = (x +Y,y), é injetora.
Para que essa transformação linear seja injetora, devemos mostrar que se v,,v, € R? e
T(v, )= T(v,), então temos que v, = v,. De fato,se v, =(x,y)e v, =(x,y, ).e T(x y)=T(x,
Y)
resulta em:
(x+y,y)=lx+Yyi)
Resolvendo a igualdade, temos que x=x, e y=7y,,portanto, v, =V,.
Exemplo 3.8
Encontre o núcleo da transformação linear T: Rº > R?, definida por T(x,y)=(x+y,y).
O núcleo de T compreende todos os vetores v = (x,y) de R?, sendo que T(u)=T(x,y) =(0,0).
Então:
T(x.y)=(x+y,y)=(0,0)
x+y=0
y=0
Teorema
Seja T: V >U uma transformação linear, T é injetora se, e somente se, Nuc(T)= fO] À
Demonstração
Vamos mostrar primeiro que, se T é injetora, então Nuc(T)= [0; . SeTéinjetoraese v,,v, € V
e T(v,)=T(v, ) então temos que v, = v,. Seja v um elemento do núcleo de T, então T(v)=0.
Como T é linear, então T(O): O; temos então que T(v)=T(0). Como T é injetora, logo, v=0,
portanto, Nue(T)=(0k.
Transformações lineares — 127
Vamos mostrar agora que se Ker( T) = (0; então T é injetora. De fato, se Nuc(T) = í[)) , entãose
T(v)=0,temosque v =[Link] v,,v, € V, T(v, )= T(v,);éomesmoque T(v, )- T(v,)=0,
por T ser transformação linear T(v, )- T(v, )= T(v, —v, ). Logo, T(v, —v, )= O,mas vimos quese
T(V) =0O, temos que v =0;logo, v, — v, =0 . Portanto, v, = v,. Mostramos assim queT é injetora.
Teorema
Seja T: V >U uma transformação linear, com V e U sendo espaços vetoriais de dimensão
finita, então dim V = dim Nuc(T)+dimIm(T).
Demonstração
Precisamos mostrar que, se [T(vl ). T(v,),...T(v, )] é base de Im(T) e fu,,u,,...,u,) é base
de Nuc(T) , o conjunto ív,,vz,,..,v",u[,uº,..,,um; é uma base de V , pois a base da imagem
tem n vetores, a do núcleo m, e a base formada para V tem n + m vetores, mostrando assim a
igualdade dim V = dim Nuc(T) + dim Im(T). Para demonstrar que ív, aVarecca a Mi Mgy nc umE
é uma base de V, mostraremos que o conjunto é LI e gera o espaço V:
" Para mostrar que ív, iVarsa V7 UU ,,umã é LI, devemos mostrar que, se
06 V AFOCAVa F n RV Byu, + Byu, + .+B,U, =O, os escalares são todos nulos -
a= , =a, =B =B,=...=B,=0.
De fato, a v, + 04V, +...+a,V,+Bu, +Bu,+...+B,u,=0.
Aplicando a transformação linear T em ambos os lados, temos:
Concluímos que we V é escrito como uma combinação linear dos vetores do conjunto
[v,,vl,,..,v“,u,,u:,.,./um) . Dos dois itens mostrados, temos que [v,,vl,..,/vn,u,,uz,...,um)
é base de V, portanto, dim V = n+ m =dim Im(T)+ dim Nuc(T) á
Do último teorema apresentado decorre o seguinte: em virtude de a transformação linear
T:V—U ser injetora, se dim V = dimU , então T leva base em base.
Exemplo 3.9
Determine a dimensão do núcleo e da imagem da transformação linear T: Rº > Rº, definida
por T(x,y,2)=(x-y,2x+2z,0).
o Nuc(T):í(x,y,x)e Rª/T(x/y/Z)z(OIO,O»; temos:
T(x,y,z) (x-y,2x+2,0)=(0,0,0)
"
Transformações lineares — 129
x-y=0
2x+z=0
0=0
3=1+dimIm(T)
dimIm(T)=2
3.3.3 Isomorfismos
Chamamos uma transformação linear T: V >U de inversível quando existir uma transforma-
ção linear T' :U— V , sendo que T'T=1, e TT'=],.Para que T:V—>U seja inversível,
é necessário e suficiente que T seja injetora e sobrejetora, fato que chamamos de bijeção linear
entre V e U, mas também dizemos que T é um isomorfismo e os espaços V e U são isomorfos.
Considere T: V >U,Ve U espaços vetoriais de dimensão finita, sendo que dimV =dimU .
A transformação linear T será injetiva se, e somente se, T for sobrejetiva; logo, T é um isomorfismo.
Os isomorfismos são importantes, pois relacionam espaços vetoriais. Podemos compará-los e,
se existir um isomorfismo entre eles, então eles têm estruturas parecidas.
Do teorema já apresentado do núcleo e da imagem, temos o seguinte fato sobre isomorfismo:
considere U e V espaços vetoriais de dimensão finita, sendo que dim U= dim V. Uma trans-
formação linear T: V >U será injetora se, e somente se, for sobrejetora e, consequentemente,
será um isomorfismo.
Exercício resolvido
Considere a transformação linear T: R2> R?, definida por T(x,y)=(x+y,y) e mostre que
T é um isomorfismo e determine a inversa T .
Resolução
Já comprovamos anteriormente que T é injetora, agora vamos mostrar que T é sobrejetora.
Para todo v=(x,y)e R?, precisamos encontrar um vetor (a,b), sendo que:
130 — Álgebralinear
T(a,b)=(xy)
(a+b,a)=(xy)
a+b=x
b=y
T(10)=(1,0)
T(0,1)=(11)
Logo, T' (1,0)=(1,0) e T' (1,1,) =(0,1). Escrevendo um vetor qualquer v =(x,y) como uma
combinação linear dos vetores (1,0) e (1,1), temos:
(xy)=(x-y)(10)+y(11)
Portanto,
T'(xy)=(x-y)Tº(10)+yTC(11)
T'(xy)=(x-y)(10)+y(0,1)
T' =(x-yy)
Ax Ax 2
ax ax A
Cada coluna da matriz M foi obtida a partir de T(e,), sendo que e, é um ele-
mento da base canônica de R". Temos que T(v)=w, sendo v=(x,,X,,X1..X,),
WE(YY2Y o Ym) EN = anx + apxo + ax +ot anh 2= Anx + ax +
AzaXg +..+ AgrXpr = Ym = miX + AmoXo T ApaXa +..+ anXh. Podemos escrever em termos de
matrizes do seguinte modo:
2 dx dx 22 * Y
aQ a'U 3n XZ YZ
: 3 o m =|Y;
ax A; s $ ê
: : : Xn no y'“ mA
ªml a 2 am'l amn
Observe que os vetores são colocados em colunas. Dessa maneira, associamos a transformação
linear T: Rº > R” à matriz M. Podemos fazer isso com uma transformação linear qualquer
T: UV ,com U e V sendo espaços vetoriais de dimensão finita, basta considerarmos as
bases B, :(u',uz,...,u") e:B, :íVszer-- ,Vmã de U e V, respectivamente, então, pode-
Mmos escrever os vetores T(u ,) como uma combinação linear dos vetores da base B, , ou seja,
): A W; HA W; HAJW,y F. HAn W5
; ; B
Assim, podemos escrever a matriz [T]" de ordem m xn determinada por T e pelas bases
B, e B, ; cada coluna é formada pelas coordenadas de T[ul) na base B
132 Álgebra linear
all al: ªn a 1n
ªzl ªª d ªln
a. a
ma ccco mn
d
; s y
Dizemos que a matriz [T]" é a matriz de T nas bases B, e B, . Quando as bases forem as
canônicas, dizemos simplesmente que a matriz [T] é a matriz da transformação T.
Seja M,,, uma matriz qualquer, a cada matriz podemos associar uma transformação linear,
e cada transformação linear podemos associar a uma matriz.
Exemplo 3.10
Seja T: R > Rº a rotação em torno da origem, T leva o vetor ve R? em T(v), que vem da
rotação de ângulo 6 em torno da origem, como representa a figura a seguir.
T(],O):(cos[e), sen(e))
T(0,1)=(-sen(6),cos(6))
[cos(e) fsen(e)J
sen(6) cos(6)
Pense a respeito
No artigo Uma sugestão de uso de planilhas eletrônicas no ensino de transformações lineares,
você encontra um plano de ensino de transformações lineares utilizando a planilha do
computador. Um método interessante para apresentar as transformações lineares do plano.
Exemplo 3.11
Dada [T] a matriz da transformação linear T: Rº > R* nas bases canônicas, encontre a trans-
formação T.
134 — Álgebralinear
123
[T]=|7 54
-2 01
Para encontrarmos a transformação linear T, vamos multiplicar a matriz [T] pelo vetor (x,y,2)
em forma de matriz coluna:
1 2 3x x+2y+3z
7 5 Ajyj=|7x+5y-z2
— o 1|/z -2M+Z
Portanto, T(x,y,2)=(x+2y+32,7x+5y-2,-2x+2).
Teorema
Considere os espaços vetoriais V e U, uma transformação linear T: V > U, as bases B de
Ve , deU. Então, paratodo vc V, [T(v)]nl = [T]:; [v]”.
Exercício resolvido
Considere T: Rº > Rº uma transformação linear, de modo que
T(x,y,2)=(x-y+22,2x-32,x+2y+2).
a. Encontre a matriz [T] de T nas bases canônicas de Rº e Rº . Sendo v :(71,2,0),
encontre T(v).
b. Encontre a matriz [T]: de T, dadas as bases B= í( 111),(1 U,O),(],l,O); e
B. =((0,1,0),(-1,0,0)(0,1,1)) -
Resolução
Em relação ao item a, para encontrarmos a matriz de T nas bases canônicas, basta calcular-
mos T nos vetores da base:
T(1,0,0)=(1,2,1)
T(0,1,0)=(-1,0,2)
T(0,0,1) =(2,-3,1)
14 2
[T]=]2 o
121
1 -1 2/|4 -
2 0 -3/2/=)-2
12 1 /0||3
Em relação ao item b, para encontrarmos [T]IÍ , vamos calcular T dos vetores da base B :
T(11,1)=(2,-1,4)
T(1,0,0)=(1,2,1)
T(1,1,0)=(0,2,3)
(0,2,3)=a,(0,1,0)+b,(-1,0,0)-+c,
(0,1,1) =(-b,,a,+c,,c,)
a a, a - 1 =
[T] =]h b bl -2 < o
c : e 4 1 3
Exemplo 3.12
Considere T: Rº > R* uma transformação linear, sendo que Ti1; 1)=(1,2,3)
e T(2,3)=(1,1,1)
Encontre a matriz de T relativa às bases canônicas de Rº e R.
T(-1,1)=T(-(1,0)+(0,1))=-T(1,0)+ T(0,1)
T(2,3)=T(2(1,0)+3(0,1))=2T(1,0)+ 3T(0,1)
Chamando T(1,0)= a e T(0,1)= b, de modo que a,be R?, substituindo nas igualdades
anteriores, temos:
TOLI)=-a+b
T(2,3) =2a + 3b
T(2,3)=2a+3(T(-1,1)
+a) =2a+3T(—1,1)
+ 3a =5a+ 3T(1,1)
5a=T(2,3)
- 3T(—1,1)
a=
T(2,3)-3T(-11)
5
a :wzªul,u)—s(l,z,s)):
%((1,1,1)4-(—3,—6,—9)):%(-2,—5,-8) =[—%,-1,-%]
T(o,1):[%,1/%):%(1,o,o)+1(o/1,o)+%(o,o,1)
mN
138 Álgebra linear
Exemplo 3.13
Dadas
as bases B=((1,1),(0,1)) de R? e B, =((0,1,0),(-1,0,0),(0,1,1)) de Rº, encontre
a trans-
formação linear T: Rº > Rº , sendo que:
[M =|2 o
Considerando o teorema [T(v)]rl = [T][l [v]p, então:
Logo, (1,72,3) são as coordenadas de T(1,1) na base B, e (5,0, -2) são as coordenadas de T(0,1)
na base , . Isso signífica que:
Considere v = (x, y ) um vetor qualquer de R? . Ele pode ser escrito como uma combinação linear
dos vetores da base ((1,1),(0,1)). Já vimos em exemplos anteriores que (x,y) s x(1,1)+ (y - x)( 0,1);
desse modo, aplicando a transformação linear T, temos:
T(x,y)=xT(11)+(y-x)T(0,1)= x(2,4,3)+(y—x)(0,3-2)=
(2x,4x,3x) +(0,3y — 3x,-2y + 2x)=(2x,x+3y,5x-2y)
Teorema
Considere as transformações lineares T : V >U, T:U—>W,eas bases , B, e B,, dos
espaços V, U e W, respectivamente. Sendo a transformação composta T, o T, : V > W, temos:
[n =[MEL[M],
Transformações lineares — 139
Exemplo 3.14
Considere as transformações lineares T, e T,, sendo que T : Rº > Rº é a rotação de 90º, sen-
tido anti-horário, em torno da origem, e T, : Rº > Rº, T,(x,y)=(2x,2y). Encontre a matriz da
transformação composta T, - T,.
cos(6) -sen(o)
A matriz da rotação, conforme já vimos, é dada por . Desse modo, para
sen(6) cos(o)
T,,o ângulo é 9=90º, Assim:
( á
m:[ººªsen(90º)
90
f s e n w o º ) J : [ o 1
cos(90º) | |1 O
Para T,, calculando T(1,0) = (2,0) e T(01) = (0,2), temos que a matriz é a seguinte:
m[ 3)
Então:
= [ ã g] [g o l H ª _0 2]
[TZ.T,]=[Tl][T,]
Síntese
Neste capítulo, você conheceu um tipo especial de função, a transformação linear, que
preserva certa “estrutura” do espaço vetorial. Compreendeu os conceitos envolvidos no
conteúdo de transformações lineares, como o núcleo, a imagem e a matriz de uma transfor-
mação, além do isomorfismo e da inversa de uma transformação linear. Você compreendeu
a relação entre injetividade e sobrejetividade com núcleo, imagem e dimensão. Aprendeu
ainda que escrever a transformação linear como matriz torna alguns resultados mais fáceis.
Atividades de autoavaliação
1) Analiseas afirmações a seguir e indique se são verdadeiras (V) ou falsas (F):
() Se T:U— V é uma transformação linear e se T(w)=T(u)+T(v), então w=u+v.
() Seja T: R > Rº definida por T(x,y,2,w)=(x-w,y-w,x+2z), temos que T é uma
transformação linear.
140 Álgebra linear
2) Considere as transformações lineares R,S,P: Rº > Rº, sendo que R é a rotação de 30º
em torno da origem, S é a reflexão em torno da reta y =2x e P é a projeção ortogonal sobre
a mesma reta. Assinale a alternativa correta:
a. RS=SR
b. RP=PR
c. PSz=SP
d. RSR=S
Atividades de aprendizagem
Questões para reflexão
2) Determinea equação das seguintes transformações lineares T:Rº > Rº e suas respecti-
vas matrizes, sendo que:
a. Té a reflexão pela origem;
b. Té a reflexão em torno do eixo x.
1) Vimosquepodemos associar a uma transformação linear uma matriz, vimos também que
aplicar a transformação linear em um vetor é o mesmo que multiplicar matrizes. No apli-
cativo Excel, do Microsoft Windows, podemos escrever matrizes e calcular a multiplicação
entre elas. Usando uma planilha no Excel, elabore uma atividade sobre transformações
lineares e sua visualização geométrica.
Neste capítulo, vamos adicionar à estrutura dos espaç: s vetoriais o conceito de distância, com-
primento e, consequentemente, conseguiremos sentidos para ângulos, ortogonalidade e outras
propriedades. O produto interno enriquece nosso espaço vetorial, acrescenta os conceitos men-
cionados. O produto interno canônico é o mais comum e utilizado, porém, não é o único tipo de
produto interno que ex te. Tendo o produto interno, temos o conceito de ortogonal, que vamos
aplicar nas bases já conhecidas; assim teremos uma base com vetores ortogonais e, também, a
partir do comprimento, teremos uma base ortonormal. Veremos que dada qualquer base, con-
seguimos encontrar uma base ortonormal. Também estudaremos transformações lineares que
relacionam o domínio e a imagem por meio do produto interno.
Produto interno
Preste atenção!
O produto interno é um número real!
Exercício resolvido
Seja o espaço das matrizes quadradas de ordem 2, M(2x2). Mostre que a operação entre as
b a, b,
matrizes A = [a ] eB= [11 dIJ pertencentes a M(2x2), definida a seguir, é um produto
. c d e d
interno.
b b
( L% % =aa,+2bb,
+3ce, +dd,
c dile, d,
Resolução
Para comprovar que a operação é um produto interno, vamos mostrar que o produto dado
satisfaz a bilinearidade, a comutatividade e a positividade apresentadas na definição de produto
a b a, b, a, b,
interno. Sejam as matrizes A = , B= ecs/)* , ],pertencentes a M(2x2),
c d & d c d,
temos:
a b a, b,
(B,C):(LI dÍH d'J)za,a:+2blbz+3c|c:+d,d2
Temos (A + B, C)=(A, C) +(B, O). Fica como exercício a igualdade (A, B+ C) =(A, B +(A, O).
Seja um número real a:
Como exercício, mostre a igualdade (A, aC) = a(A, O). Para a comutatividade, utilizando
(A,C)=aa, + 2bb, + 3cc, + dd,, encontrado anteriormente, temos:
Exemplo 4.1
Considerando o produto interno canônico de R*, dê exemplo de dois vetores ortogonais ao
vetor u=(1,0,1).
Seja v=(x,y,z)e Rº, de modo que v | u, então (x,y,z)(1,0,1) =0. Temos:
x-1+y-0O+z-1=x+z2=0
Logo, z=-x . Qualquer vetor com coordenadas (x,y, x) é ortogonal ao vetor u, dois exemplos
são (2,3-2) e (50,23, —50).
146 — Álgebralinear
Teorema
Em um espaço vetorial V com produto interno, todo conjunto (contido em V ) ortogonal, de
vetores não nulos [v,,vz ,vª,...,v“; é linearmente independente.
Demonstração
Considere umespaço vetorial V com produtointernoe um conjunto ortogonal X = ívl aal NVgreo .,v")
os vetores são não nulos. Temos (v,, v,) =0 para todo iz j. Vamos mostrar que X é LI, então
devemos considerar que: 0 V, +Q,V,+OV,+...+UV,=0.
Podemos escrever (O,Vl s 0) utilizando as propriedades do produto interno, como:
= 6 ) (
fa](vl,vl)+a2xv2,vx,+...zx“v,,vl3+...+ =a á Vi) )= o
an Vh
Como v, v1> = O para todo iz=j, e os vetores de X são não nulos, então, temos W; V;X
a vv, v )=0=2a =0
E isso vale para todo i=1,2,3,...,n, então o conjunto X :ív, VV a11+o V, ) é linearmente
independente.
Uma base B= ív, AVarVáres .,v"] de um espaço vetorial munido de um produto interno é cha-
mada de base ortogonal se seus vetores são, dois a dois, ortogonais.
Exemplo 4.2
No R', a base canônica fe,,e,,e,)= i[l,0,0),(0,1,0),(0,0,1)) é uma base ortogonal. De fato,
e -e,=e,-e,=e,-e,=0,
Exemplo 4.3
No Rº a base [(1,1)/(71,1)% é uma base ortogonal. De fato, (1,1) (71,1): —1+1=0.
Exemplo 4.4
Vamos verificar, em cada caso, se o conjunto de Rº dado é ortogonal.
a — ((10,0)(21,1)(0,1,-1))
Fazendo o produto entre os vetores:
(1,0,0)(2,1,1)= 0
Logo, o conjunto não é ortogonal:
Produto interno — 147
b. ((0,0,1),(2,1,0),(-1,2,0))
Fazendo o produto entre os vetores:
(0,0,1)(2,1,0)=0, (0,0,1)(-1,2,0)=0, (2,1,0)(-1,2,0)=-2+2=0
Portanto, o conjunto é ortogonal:
c ((3124),(43-12)(12,-4,3))
(3,12,4)(4,3,-12)=12+ 36— 48=0, (3,12,4)(4,3,-12) = 12+36-48=0
(4,3,-12)(12,-4,3)
= 48 -12-36 =0
Então, o conjunto é ortogonal.
41.3 Norma
Agora que temos um produto interno, podemos definir o comprimento de um vetor que tam-
bém recebe o nome de norma.
Dado um espaço vetorial V, munido de um produto interno (, ), a norma de um vetor ve V
é definida como o número real não negativo: [v|=f(v,v) . Consequentemente, |v =(vyv)e
||u+v[|“:(_u+v,ufv>:<u +V, W+(UTV, V=(U, W+(V, W+(U, V+V, vkllu É “v" +2,7)
O vetor que tem norma igual a 1 é chamado de vetor unitário. Dado qualque ter vetor não nulo
—
v, podemos encontrar um vetor unitário w, fazendo
- llllh
Em lav|= /(av,mv) = foz(v,) =0f6v, )= m"v".
. <u,v>[s||uHHvH — Desigualdade de Cauchy-Schwarz!
Para qualquer número real t, vamos calcular:
tu+rvtutvw=du+rtv tw+u+v,v)
du+vtutvzO
1. Onome dessa desigualdade foi dado em homenagem aos matemáticos Augustin Cauchy e Hermann Scharwz
(Anton; Busby, 2006).
148 — Álgebralinear
A<Oo
4(u,v)(u,v) - 4(u,W)(v,v)<O
cuv)2<uf f
feu v>|<
ul
* A igualdade vale se os vetores u e v forem múltiplos.
— Desigualdade triangular?
2 Adesigualdade triangular é o nome dado ao que ocorre quando, em um triângulo, um lado é sempre menor do
que a soma dos outros dois lados. A igualdade vale se os vetores são paralelos, ou seja, se for possível formar
uma reta (Anton; Busby, 2006).
Produto interno 149
Resolução
Mostraremos primeiramente que os ângulos o. entre z=|ulv+|v]u eue B entre ze
v são
iguais:
costa)= 2) ulellaoJl vl -
ellel — l Iellel
lulkv. m la cm Jela| cvl
H ee g g
vproj (v)
150 Álgebra linear
Agora, precisamos de um novo elemento w, que seja ortogonal a w,, ou seja, (w, w =0.
Podemos ver w, comosendo v, menos a projeção ortogonal de v, sobre v, = w, , então, temos:
w aw,
WW )=0
(v,=aw,,W,)=0
V3 W :
Resolvendo a equação, temos que a = H , portanto, o segundo elemento é:
dl DAA
sAW, EV
VaW)
—— W,
W w)
Ww,=V,-bw,-ecw,
WW =0
(v,-bw,-ecw,,w,)=0
(W2/W,)=0
v,Tbw,=ew,W,)=0
Resolvendo a equação, temos que:
Produto interno — 151
([Link])
2/v)
Substituindo os dados em w, = 27 bw, — ew,, temos:
) d 1
W2/W2) W W,)
E assim YEPÉÚITIÚS o processo até obtermos W W3 W3 Wyr22, W && POl'('xlntO, obtermos uma
base ortogonal B, = íw, /Wy/Wa/Wi7::., W, ). Para obter uma base ortonormal B, = íu, i Mgaeae , &
basta fazer u =7 .
el
Pense a respeito
O nome Gram-Schmidt (1850-1916), referente ao processo de ortogonalização, foi dado em
homenagem ao dinamarquês Jórgen Pedersen Gram e ao alemão Erhard Schmidt (1876-
1959). Apesar de a descoberta não ter sido feita por nenhum dos dois, ela recebeu seus
nomes, pois Gram a utilizou em sua tese de doutorado envolvendo problemas de mínimos
quadrados e Schmidt a utilizou em seus estudos de espaços vetoriais (Anton; Busby, 2006).
Exercício resolvido
Encontre uma base ortonormal, utilizando o processo de Gram-Schmidt, para o espaço Rº,
sendo dada a base [V[,V:,V'%, considerando que v, =(-1,1,0), v, =(5,0,0), v, =(2-2,3).
Resolução
Vamos encontrar, inicialmente, uma base ortogonal fwl,w:,wà
w,=v,=(-1,1,0)
a
V3 W, ND (0,0,3)
VW
WW * QWW,) w w
Para transformarmos essa base em uma base ortonormal, vamos aplicar u, = Ú u= W
W w º e
l
152 Álgebralinear
a —(0,03)
u
Iw.[ fo.05)
Logo, uma base ortonormal de Rº é í[%%ojíi l,o],( 0,0,1& - Defato, a base é
ortonormal: 2 2
,0](0,0,1)=0 lfo.0,1)|=/o+0+1=1
Teorema
Considere a base ortonormal de V e B uma base ortonormal de U. Se [T]; é a matriz da
transformação T: V > U, nas bases consideradas, então a matrizda T' : U > V , nas bases
B e a,éamatriz transposta de [T]:, ou seja, é a matriz [T]Z = ([T];)' ,
Temos, a partir do teorema e das propriedades das matrizes transpostas, os seguintes itens
(considere as transformações lineares T,,T, : V >U):
Produto interno 153
Teorema
Considere os espaços vetoriais de dimensão finita V e U, providos de produto interno, e
a transformação linear T: V— U. Temos:
154 Álgebra linear
Nuc(T')= Im(T)
Im(T)= Nuc(T')W
Nue(T)=Im(T')
1
Im(T'
)= Nue(T)
Demonstração
* Primeira igualdade: Considere ue Nuc(T' ) se, e somente se, T'(u) =0 T'(U)) para
todo v e V . Da igualdade (v,T'(u)) =(T(v),u) temos (v,T'(u))=0<(T(v),u)=0 para
todo ve VeueIm(T) .
* Terceira igualdade: Considere v e Nue(T) & T(v)=0<>(T(v),u)=0 para todo ue U.
De (T(v),u) =(v, T' (u)) eda igualdade anterior, temos (v,
T' (u))=0 para todo
veU&Sve(m(T) .
A segunda e a quarta igualdades ficam como exercício, uma dica é utilizar os fatos (T ) =T
e(T ).
Exercício resolvido
Dado o operador T: Rº > R, definido por T(x,y,2)=(2x+y+3z,x-2y+42z,5x+10z), obte-
nha bases para os seguintes subespaços de R*, Im(T), Nuc(T) e descreva quais deles são
Im(T') eNue(T').
Resolução
Primeiramente, vamos encontrar a matriz de T. Para isso, calculamos T(1,0,0)= (2, 15),
T(0,1,0)=(1,-2,0) e T(0,0,1)=(3,4,10).
21 3
1 -2 4
5 0 10
2185
1= 80
3 4 10
Produto interno 155
Escalonando, temos:
omr mp
omrmMm
oSomN
Logo, 1(2,1,5), (0,1,1)) é uma base para Im(T).
Para encontrar uma base do núcleo, temos T(X,y,z): (2x+y+32,x—2y+42,5x+10z)=
(0, O, O). Portanto:
2X+y+3Z=O0
x—2y+47=0
Sx+z=0
2130
0140
0000
4,4 Isometrias
Vamos conhecer um operador linear no espaço R" , com a origem fixada, que preserva a norma,
ou seja, preserva o tamanho. Então, por exemplo, um quadrado será levado em um quadrado.
Um operador linear T: V > V, de modo que V é subespaço R", com a origem fixada, defi-
nido, para todo ve V , por:
Esse
Ir () |= Hl
operador é chamado de isometria e é um operador ortogonal sobre V.
Exemplo 4.5
A rotação de 9, em torno da origem T : Rº — R? , definida por T(x,y) = (xcos(6) + ysen(e), -xsen (9)
+ ycos(0)) é uma isometria.
156 Álgebra linear
Exercício resolvido
Considerando T : Rº » R?, definida por T(x,y)=(x,-y) mostre que T é uma isometria. Descreva
essa isometria.
Resolução
Para mostrar que T é isometria, vamos calcular ”T(x)":ll(x,fy)nzkllu( x,y)":ll(x,y)l] a
Portanto, T é uma isometria, é a reflexão em relação ao eixo x, ou seja, a reflexão em relação à
reta que passa pela origem com direção do vetor (1,0).
Síntese
Neste capítulo, você estudou a definição de produto interno e como ele pôde definir norma,
distância e ângulo entre vetores. Você viu que cada espaço vetorial pode ter diversos tipos
de produtos internos.
Atividades de autoavaliação
1 Analise as afirmações a seguir e indique se são verdadeiras (V) ou falsas (F):
() Sendo u=(x,y) e v=(x,,y, ) vetores quaisquer do R?, o produto
[u, v] =2xXx, —Xy, — Xx,y + 2yy, é um produto interno.
() O conjunto U = fu,,u,,u,) < Rº, considerando que u, =(1,2,1), (1-11) e
u, =(—1,1,2), é um conjunto ortogonal.
() Na desigualdade de Schwarz vale a igualdade W(u, v>| = Hulmvll se, e somente se, um
dos vetores, uv, for múltiplo do outro.
() Para quaisquer vetores u e v temos "u + vHª+ Ilu = v"z = Z(Iiull - Hv
D
Assinale a alternativa que corresponde à sequência correta:
a VEFEV
bEVEF
ce. VE V,V.
d. FE EVEF
lu+vle=Jul+Juf.
Produto interno — 157
1,1, 2)), Y =((a, b, o), (-b, a, 0), Cac, -bc, º +b)) e Z= 3,3,3 á 3,3,—3 F É.fâlg À
777) V7 7 7)NV7 77
Assinale a alternativa correta:
5) Considere o espaço vetorial das matrizes de ordem 2, M (2x2), e o seguinte produto interno
entre matrizes:
a bjle f
(L d]'[g h]) - ae+2bf+3cg+dh
3
, 21 12 11 o 0 3 2 :
Dadas as matrizesA = , B= 2T= n D= . E= . Assinale
n 3 40 11 00 —
a alternativa correta.
a. A norma de C é 7
b. A norma de A é 14.
c. As matrizes C e A são ortogonais.
d. As matrizes B, D e E são ortogonais a matriz A.
Atividades de aprendizagem
Questões para reflexão
2) Considerando o espaço vetorial P,, dos polinômios de ordem menor ou igual a 3, defi-
nimos o produto interno entre p=a,+a,x+a,x?+ax' e q=b,+b,x+b,x?+b,x? como
P D=a,b, +a,b, +a,b, +a.b,.
Dê exemplos de dois vetores de P, ortogonais. Calcule a norma de p=1-2x+x2-3x?.
2) Pesquise sobre o que representa bases ortonormais. Utilize exemplos comparando-as com
outras bases. Qual é a importância de obter bases ortonormais?
Neste capítulo vamos descobrir alguns vetores especiais quando aplicados a uma transforma-
ção linear, chamados de autovetores, e junto com eles veremos os autovalores. Também vamos
estudar uma transformação linear especial, a qual é chamada de operador linear. Veremos as
propriedades relacionadas a ela, além de alguns tipos especiais de operadores. Vamos utilizar
os diversos conceitos aprendidos no decorrer do li 'o, como matrizes, determinantes, operador
linear e transformação linear.
Desvendando operadores
Preste atenção!
Estamos falando de autovetores e autovalores para transform:
que são operadores lineares.
162 Álgebra linear
Av=W
Av=X9v
Av-Av=0
(A-M)v=0
Para termos uma solução diferente da nula, então det(A - M) =0.0 det(Af M) é um poli-
nômio chamado polinômio característico de T; as raízes 2 do polinômio característico de T são
os autovalores.
Exemplo 5.1
Seja T: Rº > R? uma transformação linear definida por T(x,y): (y,O), vamos encontrar os
autovalores e autovetores de T.
o1
A matriz de T é [º DJ- O polinômio característico é det(A— 1) =det õ =N araiz
Exemplo 5.2
Considere T : Rº > R?º uma transformação linear definida por T(x, y) = (Zx +Y,3Xx+4y ) Vamos
encontrar os autovalores e os autovetores de T.
Para encontrar a matriz de T, calculamos T(I,O) =(2,3) e T(O,])= (1,4). Logo, a matriz de
Téa seguinte:
21
A:[T]=[3 Á
. 2. /2 1x x a
tituir os autovalores na equação =A e resolvê-la.
3 4)y y
25 2 =
Para A,=1, . =1| * , temos xTYX , da primeira equação do sistema, temos
3 4)ly y BXx+4y=y
que y=-x e a segunda equação é sempre válida; as soluções são do tipo [x,—x). Portanto, os
autovetores são do tipo (x,fx); um exemplo é o vetor (10,-10).
21x x 2M+y=X ; à ;
Para L,=5, =5| |,temos , da primeira equação do sistema, temos
Í 3 4|)y y 3x+4y=5y
que y =3x e a segunda equação é sempre válida; as soluções são do tipo (x, 3x). Portanto, os
autovetores são do tipo (x,ãx); um exemplo é o vetor (4, 12).
Teorema
Considere um operador linear T: V — V . Autovalores distintos de T correspondem a auto-
vetores linearmente independentes.
Demonstração
Vamos demonstrar por indução. Considere os autovalores distintos A,, A,,A,,-..,A, € Seus
respectivos autovetores V,,V,,V,.,...,V,, OU Seja, T(v,): MV T(vz): AaV. ..T(vn):xnv".
Para n=1, temos apenas 4, e v, =0, então ( v,) é LI. Supondo que a afirmação seja válida para
n—1,ouseja, que fv,,v,,...,v, ,) é LI, vamos mostrar que o conjunto fv,,v,,V,,...,v,) é LE
LV + 0V t, V,,+OAV,=0(1)
Vamos aplicar a transformação T em ambos os lados da equação apresentada:
a T(v] )+ o T(V2)+..
o T(v., ) )+o,T(v,)=0O
AV;V FAÇOAV,
F AÇ V AÇA V, =0(3)
Fazendo (2) — (3), obtemos:
Exercício resolvido
Considere T:R? — R?, definido por T(x,y)=(-3x+4y,-x+2y). Encontre uma base de auto-
vetores e escreva a matriz de T em relação a essa base.
Resolução
Em relação à base canônica, a matriz de T é a seguinte:
3—
det(AfM)* t 4,
— 2M
é -3 4
Desse modo, o autovetor associado a 2, = 1é (1,1)e da seguinte igualdade [ i 2] X] = —Z[X],
= y y
temos que autovetor associado a %, =-2 é (4,1). A base de autovetores é í(l,]),(—í,l)% . Agora
vamos encontrar a matriz A, de T relativa à base de autovetores.
T(11)=(1,1)=1(1,1)+ 0(4,1)
T(4,1)=(-8,-2) =0(1,1) - 2(4,1)
Desvendando operadores 165
Exercício resolvido
Seja T: Rº — Rº um operador linear definido por T(x,y)=(2x,y), e considere o produto interno
canônico em R? ; mostre que ele é autoadjunto.
Resolução
De fato, sejam u=(x,y) e v=(x,,y, ) vetores de Rº :
(T(u),v)=(T(y)
(xy, =(%
y) (Xxoy, D= 20 +yy,
(T(u),v)=(4T(v))
Se uma transformação T é autoadjunta, então a matriz de T em relação a uma base ortonor-
mal é uma matriz simétrica.
166 Álgebralinear
Exercício resolvido
Dada a transformação linear T: Rº — Rº, considerando T(x,y,2z)=(2x-2/y+22,-x+2y+32z)
T(xy, z) =(2x-2z,y+227,-x+2y+3z), mostre que T é um operador autoadjunto.
Resolução
Vamos encontrara matriz de T; para isso, calculamos T(1,0,0)=(2,0,-1), T(0,1,0)=(0,1,2)
e T(0,0,1)=(-1,2,3). Logo, a matriz de T é:
20A1
[=0 12
123
Teorema
Se T é um operador autoadjunto e 4, e 4., são autovalores distintos de Te v, e v, são auto-
vetores associados aos autovalores X, e À,, respectivamente, então v, e v, são ortogonais.
Demonstração
De fato, se temos *, e , que são autovalores distintos de T e v, e v, que autovetores asso-
ciados aos autovalores, como T é autoadjunto, temos: (T(v, ),v,) =(v,,T(v, :
Como , e %, são autovalores associados a v, e v,, respectivamente, então:
Temos:
(T(vl ),v:>:(v,,T(v2 ))
(Ã,v[,vº):<vl,7uzvª)
Ãl(v,,v:):Ãz(v,,vg)
Exercício resolvido
Considere a transformação linear T: Rº >Rº, T(x,y,2)=(-x,5y+ 2z, 2y+ 5z). Mostre que T
é um operador autoadjunto. Apresente uma base ortonormal de autovetores de T.
Resolução
Encontrando a matriz de T na base canônica, temos: T(1,0,0)=(-1,0,0), T(0,1,0)=(0,5,2)
e T(0,0,1)=(0,2,5).
1 o 0]
A matrizda transformação é [T] =| 0 5 2|. Comosetrata de uma matriz simétrica, então
025
T é um operador autoadjunto. Conforme o teorema anterior, existe uma base ortonormal de
autovetores de T. Vamos encontrar essa base.
O determinante da matriz para encontrar os autovalores é o seguinte:
O 52% 2 /=-X+9º-111-21=0
-1 o olx x
0 5 2)/|y|=3ly|;temos o autovetor (0,-1,1).
o 2 Slz z
— o ox *
"“ Para A,=7:/ 0 5 2||y|=7]y|;temos o autovetor (0,1,1).
025 Z ÉZ
O conjunto dos autovetores ((1,0,0), (0, —1,1), (0,1,1)) é uma base ortogonal. Agora, vamos encon-
trar uma base ortonormal:
(10,0) (1) ( 1
a f E
NS
Exemplo 5.3
Considere a seguinte matriz de rotação no espaço Rº :
AA[cos(e) —sen(º)]
— |sen(6) cos(o)
EB s8lA s8
Temos que:
Teorema
Considere os espaços vetoriais de dimensão finita, V e U, e munidos de produto interno.
As afirmações a seguir sobre a transformação linear T: V > U são equivalentes:
TT '”
* A matriz de T, em qualquer par de bases ortonormais, é uma matriz ortogonal.
* Ttransforma toda base ortonormal B c V em um conjunto ortonormal a c U .
Uma transformação linear T: V > U é ortogonal se satisfizer um dos itens que foram apre-
sentados. Do mesmo modo que um operador linear é ortogonal quando satisfaz as condições do
último teorema apresentado, podemos também concluir que T' =T , ouseja, TT=Iou TT =1.
Desvendando operadores — 169
Exemplo 5.4
Vimos que a matriz de rotação do R? é ortogonal, logo, ela é um operador ortogonal. Do último
teorema apresentado, temos que o operador preserva a norma (tamanho) e produto interno e
leva base em um conjunto ortogonal. Dessa maneira, temos que fazer uma rotação, mantendo
o tamanho e os ângulos, ou seja, se fizermos uma rotação em torno da origem de uma figura,
está preservará seu tamanho e não deformará, só estará em outra posição no espaço.
Síntese
Neste capítulo, você conheceu a relação entre autovetores e autovalores, como encontrá-los
por meio de matrizes. Aprendeu sobre um tipo especial de transformação linear, os opera-
dores lineares, e casos em que esses operadores são do tipo autoadjunto e ortogonal, além
da relação deles com as matrizes simétricas e transpostas.
Atividades de autoavaliação
1) Analiseas afirmações a seguir e indique se são verdadeiras (V) ou falsas (F):
() Considere o operador linear T : R—R', definido por
T(x,y,2)=(2x+y,x+y+2,y-3z) e com o produto interno canônico. T é
autoadjunta, mas não é ortogonal.
100
() Os autovalores
da matriz /0 2 3|são%A,=1, A,=5eXA,=-1.
o 32
1) =3 1
() v= é um autovetor de J
4 =3 &
170 Álgebra linear
Atividades de aprendizagem
Questões para reflexão
plo de uma matriz quadrada A = [a"] de ordem 2, de modo que a,, = —% e A'A=-A.
Exemplo 6.1
A função produto de números reais, definida B: RxR > R, associa o par de números reais
(x,y) ao número real xy, ou seja, B(x,y): xy
De fato, a forma é bilinear, pois
B(x,+x2,y)=(x,+x,)y=x,y+x,y=B(x,y)+B(x,,y)
Exemplo 6.2
A função definida porB : Rx R2 > R, considerando
que B((x,,y, ),(X, Y2 )) =Xx +Y y,, é uma
forma bilinear, pois, sejam (x,,y, ),(x.,X,) e (x,y) elementos de R?, temos.
B((x,y),a(x,,y, ))=B((x,y)
(0x, ,ay, )) =xax, + yoy, = a(xx, +yy, )= aB((x,y),(x.y,))
Agora, relacionaremos as formas bilineares com matrizes. Para isso, sejam as bases
B= [u',uª,...,um) eB= [v,,vz,...,vn) de U e V , respectivamente, a matriz da forma bili-
near B: Ux V — R relativa às bases B, e B, é [B] :[b"] , de modo que b, = B(u,,vl),
Sendo u em U e v em V, com u=
X U +X,U, +X,U, +...+X U E VEYV,+Y,V,
tT + Y V,
temos:
Exemplo 6.3
Considere B:Rº x Rº >R definida por B(u,v)=2xx, +xy, +3yx, +4yy,, sendo u=(x,y) e
v= (X, ; ) Vamos encontrar a forma matricial, sendo e, = (1, 0) e e,= (0,1) s
[)-[2 d
B(ee,) B(e[,ez)J[xl]
simr)al yª[s(e,,m Blee))|y,
Uma forma bilinear B:VxV o R é simétrica se, para quaisquer v,,v,e V , tem-se
B(v,v.)= B(v,,v, ). Sea matriz associada à forma bilinear B: V x V > R for simétrica, então
a forma bilinear é simétrica. Se a forma é bilinear simétrica, então a matriz associada a ela é
uma matriz simétrica.
Exercício resolvido
Considere B: R x Rº >R , definida por B(u,v):B((x,y,z),(x,,y,,zl)): xX, = xa +3yy, +
2yzZ, - Zx, + 2Zy, + 427,. Verifique que a forma é simétrica e encontre a matriz de B.
Resolução
Para mostrar que a forma é simétrica, temos que mostrar que B(u,v)=B(v,u).De fato:
B(v,u)=xx-x,2+3y,y+2y,2—-2,Xx+22,y+47,2
Logo, B(u,v)=B(v,u).
Vamos encontrar
a matriz, sendo e, :(1,0,0), e :(0, 1,0) .. :(0,0,1).
Exercício resolvido
Escreva a matriz da forma bilinear do último exercício resolvido na base ((1, 1, 0), (0, 1,2), (1,0, )).
Resolução
Do exemplo anterior, temos:
10A41
[B]|=|o 3 2
- 2 4
101
[P]l=|1 1 o
021
Logo, [B,]=[P][B][P]
11 0/1 0 /1 01 4 5 2
[B,]=|o 1 2]0 3 2/1 1 0|=|5 278
10 1/|)4 2 4/0 21 - 2 4
e(v)=["] [B][v]
: a
[v] representa a matriz linha do vetor v, [B] representa a matriz associada à forma bilinear
B; como B é simétrica, a matriz será simétrica, e [v] é a matriz coluna do vetor v.
O encanto das formas quadráticas 179
Exercício resolvido
Considere Q: Rº >R a forma quadrática definida por Q(v)=2x2-4xy+7y?2, de modo que
v=( x,y). Escreva Q em termos de matrizes.
Resolução
Para encontrar Q em termos de matrizes, temos a seguinte equação:
a=2
2b=-4
c=1
x| 2 -2l
Q(V)ÍM[,Z 1 JLX y]
Exemplo 6.4
Seja Q: Rº > R uma forma quadrática definida por Q(v )= Ax?+ Bxy + Cy?, considerando que
A,B eC são reais quaisquer e v=(x,y). Encontre Q em termos de matrizes.
Para encontrar Q em termos de matrizes, temos a seguinte equação:
Ja:A
2b=B
e=C
Exercício resolvido
Considere Q:Rº >R uma forma quadrática definida por Q(v )ax2+2y2+6272-8xz+20yz.
Escreva a forma quadrática em termos de matrizes.
Resolução
a b clx
Q(v)=[x y z]|b d ej| y =ax2+dy2+fz2+2bxy+2cxz+
2eyz
e e filz
d=2
f=6
2b=0
20=-B8
2e=20
1 0 4lx
Qív)=[x y z]o 2 10|y
— 10 6z
pelos autovalores de [B]. Observe que [D] é a matriz de B na base ortonormal formada pelos
autovetores.
Exemplo 6.5
Considere Q: Rº >R uma forma quadrática definida hpor Q(V): x?+ 8xy + y? . Encontre a
matriz diagonal associada a Q.
Em termos de matrizes, vimos que, substituindo os valores A = 1, B=8eC=1,temos:
al d n
Vamos encontrar os autovalores de [B]:
12 4
=0
4 1-29
=j [,Ll] e (11) [1
11
com norma 1, então u
[ E W = É / % ] . A ma tr iz ortogonal [P] é, então:
l 1l
[e]=| L &
TE
Portanto, a matriz diagonal para a forma quadrática é a seguinte:
12 1 —l l
ltn E E1 1 2 sE
23 E
-3. 0
A matriz da forma quadrática na base [f—iJ [llj é . Assim,
12 2) W' o5s
?J[X'Jªª&ªãy.ª'
Qlxy,))=Lx, Y.][Í L
Observe que escrever a matriz diagonal da forma quadrática Q é mudar a base, o referencial,
e escrever uma nova equação para Q, apenas como soma de quadrados das novas variáveis, ou
182 Álgebralinear
seja, eliminamos o termo misto, que no exemplo é 8xy. As novas variáveis relacionam-se com
as anteriores pela igualdade [v] = [P][VJ x
Pense a respeito
Há outros métodos para eliminar os termos mistos, chamados de Redução de Lagrange
e Redução de Kronecker. Para saber mais sobre esses métodos, consulte o livro de Anton
e Busby.
Q(x,y)+L(x,y)+F=0
P Elipse
Parábola
yY-Dx=0
DZ0
N
O encanto das formas quadráticas 183
Exemplo 6.6
Encontre em cada item indicado a seguir a forma quadrática associada à cônica dada:
Exemplo 6.7
Considere a cônica 8x?+ 26y? -16x-78y+ 81=0. Determine qual é a cônica descrita por essa
equação.
Como não temos o termo misto (Bxy), precisamos eliminar os termos lineares: -16x—78y .
Para isso, vamos completar quadrados:
4(x-2) +13(y-3
Igualando os termos correspondentes com 4xº +13yº - 16x - 78y + 81=0, encontramos a =4,
b=130=2 d=3,e= 52. Obtemos, assim, a seguinte equação: 4(x-2) +13(y-3) -52=0.
Veja a representação gráfica da equação na figura a seguir.
——A
4
do'
".
Q
2 o fo 1 2 3 dZ 5 &
Agora, vamos para o caso com rotação. Para isso, vamos usar o fato de a cônica
Ax?+ Bxy +Cy?+ Dx +Ey+F=0 poder ser escrita como Q(x,y)+L(x,y)+F=0,de modo
que Q(x,y)= Ax?+ Bxy +Cº, L(x,y)= Dx+Ey . Escrevendo com matrizes, temos, da seção
B
A
anterior, que Q(X,y): Ax?+ Bxy+ Cy? corresponde à matriz B ? |. Também estudamos a
€
2
O encanto das formas quadráticas — 185
x .
linear e podemos escrever L(x,y)= Dx+Ey= [D E] [ . Dessa maneira, podemos escrever
a cônica Q(x,y)+L(x,y)+F=0 do seguinte modo: y
BJ g
mlS
x yvlg
2
N
Considere a cônica x?+ 4xy+y?+3x-y+4=0. Determine qual é a cônica descrita por essa
equação.
Podemos escrever a cônica como a soma Q(x,y)+L(x,y)+F=0;temos A=1,B=4 C=1,
D=3,E=+",F=4 Nas matrizes:
Para eliminar o termo misto, vamos diagonalizar a forma quadrática. Para isso, precisaremos
dos autovalores de 1 2:
21
Escrevendo (x,y)
Y
na base formada pelos autovetores ortonormais, ou seja, em termos de
Na equação:
e o fl
Substituindo os dados em termos da nova base, temos:
si-el-
Í x
2
ss
4
a 2 Bi azo
2 e
Nessa equação, precisamos eliminar os termos lineares, desse modo, completando quadra-
dos, temos:
o
6 4 2 o
Exemplo 6.8
Há um resultado para encontrarmos a cônica em termos dos autovalores da matriz [B] da forma
quadrática associada à cônica, conforme indica o teorema a seguir.
Teorema
Considere a cônica dada por Ax?+ Bxy+Cy?+Dx+Ey+F=0,eos autovalores *,, %, da
forma quadrática associada à cônica. Temos que:
* se A,A, >O, então a cônica é uma elipse ou um ponto ou o conjunto vazio;
" se 2,A, <O,então a cônica é uma hipérbole ou par de retas concorrentes;
* seA1,=0,então é uma parábola ou par de retas paralelas ou uma reta ou o conjunto
Vazio.
Síntese
Neste capítulo, você estudou as funções com propriedades especiais, as formas bilineares
e quadráticas e suas relações com matrizes. Além disso, comprendeu a relação entre os
conteúdos vistos nos capítulos anteriores com o conteúdo visto em geometria analítica,
observando a importância dos assuntos estudados e a relação entre as disciplinas.
188 Álgebra linear
Atividades de autoavaliação
2 Analise as afirmações a seguir e indique se são verdadeiras (V) ou falsas (F):
O B:R?xRº > R, dada por B((x,,X,),(Y.Y2))=xiy, = 2x;Y,, é uma forma bilinear.
() B:VxV — R, dada por B(u,v)=u,v, é uma forma bilinear.
O B:RxRº > R dada por B((X,,X,),(Y1.Y2))=2X/Y, +X3Y, +X/Y2+2X,Y,, não é uma
forma bilinear.
() B:RºxRº — R, dada por B((x,,X,),(Y,1.Y2))=2x3Y, + 2X y,, é uma forma bilinear
simétrica.
2) Indique quais das funções a seguir definidas de Rº xRº - R são bilineares (B) e quais
não são bilineares (NB), considerando u=(x,,x,), v=(y,, Y.)
Atividades de aprendizagem
Questões para reflexão
1) Encontre uma matriz para a forma quadrática Q:R' >R, definida por
Q( x, y,z) =ax?*+by?2+cz?2+dxy+eyz+fxz,de modo que a, b, c, d, e, f são números reais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Encerramos nossos estudos com a certeza de que você conheceu os principais assuntos da álge-
bra linear e de que adquiriu conhecimentos para aprofundar os estudos e buscar aplicações em
outras áreas. Buscamos fundamentar bem os principais assuntos: matrizes, espaços vetoriais e
transformações lineares, com diversos exemplos. Acreditamos que o material cumpriu os obje-
tivos. Este é um texto para dar suporte aos alunos de graduação na modalidade EaD.
Apresentamos ferramentas para auxiliar os leitores nos estudos de cálculo, álgebra, geome-
tria, física, estatística, no ensino de álgebra e aritmética para os alunos do ensino básico, entre
outros assuntos. Os exemplos, os exercícios resolvidos e as atividades ao final de cada capítulo
serviram para aprofundar e auxiliar no entendimento dos conteúdos abordados.
Encerramos com a convicção de que os conteúdos e a maneira como foram apresentados são
suficientes para que você tenha conhecimento e possa aprofundar-se no tema da álgebra linear,
sua importância e suas aplicações.
192 Álgebra linear
REFERÊNCIAS
ANTON, H.; BUSBY, R. C. Álgebra linear contemporânea. Tradução de Claus Ivo Doering.
Porto alegre: Bookman, 2006.
BOLDRINI, J. L. et al. Álgebra linear. 3. ed. São Paulo: Harbra, 1986.
CALLIOLI, C. A; DOMINGUES, H. H.; COSTA, R. C. F. Álgebra linear e aplicações. 6. ed. São
Paulo: Atual, 2003.
EVES, H. Introdução à história da matemática. 5. ed. Tradução de Hygino H. Domingues.
Campinas: Ed. da Unicamp, 2011
HEFEZ, A.; FERNANDEZ, C. S. Introdução à álgebra linear. Rio de Janeiro: Sociedade
Brasileira de Matemática, 2012. v. 1.
HOFFMAN, K.; KUNZE, R. Álgebra linear. São Paulo: Polígono, 1971.
KILHIAN, K. Cayley e a teoria das matrizes. O baricentro da mente: matemática, física,
ciências e afins, 28 nov. 2010a. Disponível em: <[Link]
br/2010/11/[Link]>. Acesso em: 18 ago. 2016.
— Sistemas lineares e determinantes: origens de desenvolvimento. O baricentro
da mente: matemática, física, ciências e afins, 28 nov. 2010b. Disponível em: <http://
[Link]/2010/11/[Link]>. Acesso
em: 10 maio 2016.
LIMA, E. L. Álgebra linear. 3 ed. Rio de Janeiro: Impa, 1998.
AXIOMA. In: Michaelis - Dicionário de português online. Disponível em: <[Link]
[Link]/moderno/portugues/[Link]?lingua=portugues-portugues&palavra=axioma>.
Acesso em: 19 ago. 2016.
STEINBRUCH, A.; WINTERLE, P. Álgebra linear. São Paulo: Pearson, 1987
193
BIBLIOGRAFIA COMENTADA
CALLIOLI, C. A.; DOMINGUES, H. H.; COSTA, R. C. F. Álgebra linear e aplicações. 6. ed. São
Paulo: Atual, 2003.
O autor apresenta a álgebra linear com uma linguagem simples, sem rigor matemático. O livro
traz muitos exemplos e exercícios com respostas e sugestões.
RESPOSTAS
CAPÍTULO 1
Atividades de autoavaliação
ec
2a
3) b
4b
5) d
6) c
CAPÍTULO 2
Atividades de autoavaliação
y»
)c
3 d
44
5) b
CAPÍTULO 3
Atividades de autoavaliação
e
2a
3 a
4c
5) b
CAPÍTULO4
Atividades de autoavaliação
yec
2
3 a
4c
5) d
195
CAPÍTULO 5
Atividades de autoavaliação
u
)c
3) a
4)
5) c
CAPÍTULO 6
Atividades de autoavaliação
y»
)c
3) a
4b
5 d
197
SOBRE A AUTORA
Luana Fonseca é mestre em Matemática pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e bacharel
e licenciada em Matemática pela mesma universidade. Atualmente leciona disciplinas relacio-
nadas à geometria, álgebra, física e estatística em cursos de graduação.
AOPOSSOESTU IBDOIL E A GENER
ITALIZA
ARÇÃO - - go i
DE PROPRIEDADES ALGÉBRICAS E ceoméTRIcas, — ÉA
A ÁLGEBRA LINEAR SE CONSOLIDOU COMO UM
CAMPO FUNDAMENTAL PARA O DESENVOLVIMEN-
0/0 V—
TO DE CIÊNCIAS COMO A COMPUTAÇÃO, A FÍSICA,
A ENGENHARIA E ATÉ MESMO A ECONOMIA.
= WM)|)
IV
m— 9 nBSS