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Consumo de Álcool entre Adolescentes no Brasil

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O consumo proibido de álcool pelos adolescentes no Brasil.

Alunos: Rafaela Thomasella Dezan – 1M2


Haeun Lee – 1M2
Tema: Saúde e sociedade

Problema: Como os adolescentes são influenciados a consumir álcool?

Resumo: O trabalho aborda estratégias e desafios para reduzir o consumo de


álcool entre jovens no Brasil e compreender como tal problemática tornou-se tão
comum para os adolescentes atualmente. Políticas públicas, como restrições à
venda e publicidade de bebidas alcoólicas, são recomendadas para a redução, além
do papel crucial dos pais e escolas na conscientização. Comenta também os
impactos negativos sobre o consumo precoce de álcool, como danos
neuropsicológicos e comportamentos de risco, como sexo desprotegido e uso de
outras substâncias.

Palavra-chave: consumo de álcool, adolescente, saúde pública e educação

Os efeitos colaterais do consumo de álcool precoce


Conforme com o site SciELO Brasil, o consumo precoce de álcool causa
modificações neuroquímicas, com prejuízos na memória, aprendizado e
controle dos impulsos. Também está fortemente associado a uma série de
comportamentos de risco, além de aumentar a chance de envolvimento em
acidentes, violência sexual e participação em gangues.
De acordo com a American Academy of Pediatrics, haveria seis estágios no
envolvimento do adolescente com SPA (substâncias psicoativas): abstinência, uso
experimental/recreacional (em geral limitado ao álcool), abuso inicial, abuso,
dependência e recuperação. Esta classificação permite o diagnóstico de abuso
inicial quando pequenos prejuízos começam a emergir, como um pior desempenho
escolar por estar sofrendo dos efeitos posteriores a um abuso de álcool.
Clinicamente, há dados que sugerem que a evolução da dependência de álcool
em adolescentes não segue a transição de abuso para dependência, mas sim uma
sequência composta por sintomas de ambos diagnósticos desde estágios mais
iniciais. Primeiramente, haveria três sintomas de dependência (tolerância, beber
mais tempo ou quantia maior do que o desejado e muito tempo em torno de álcool) e
dois de abuso (prejuízos pessoais e sociais); em um segundo estágio, haveria três
sintomas de dependência (tentativas frustradas ou desejos de diminuir ou
interromper o consumo; escassez do repertório; e uso continuado, apesar de
problemas físicos ou emocionais) e dois de abuso (uso em situações com risco físico
e problemas legais) e, por fim, um terceiro estágio, caracterizado pelos sintomas
físicos de abstinência.
O uso problemático de álcool por adolescentes está associado a uma série de
prejuízos no desenvolvimento da própria adolescência e em seus resultados
posteriores, estando intoxicado, o adolescente envolve-se mais em atividades
sexuais sem proteção, com maior exposição às doenças sexualmente
transmissíveis, como ao vírus HIV, e maior exposição à gravidez. A ligação entre
sexo desprotegido e uso de álcool parece ser afetada pela quantidade de álcool
consumida, interferindo na elaboração do juízo crítico (Sen, 2002). Dados nacionais
apontam para uma associação entre uso de álcool, maconha e comportamentos
sexuais de risco, como início precoce de atividade sexual, não uso de preservativos,
pagamento por sexo e prostituição.
Os prejuízos associados ao uso de álcool estendem-se ao longo da vida.
Seus efeitos repercutem na neuroquímica cerebral, em pior ajustamento social e no
retardo do desenvolvimento de suas habilidades, já que um adolescente ainda está
se estruturando em termos biológicos, sociais, pessoais e emocionais. Abaixo,
alguns dos efeitos do uso de álcool na adolescência ao longo da vida:
1) Expõe o indivíduo a um maior risco de dependência química na idade
adulta, sendo um dos principais preditores de uso de álcool nesta
etapa da vida. A manutenção do consumo em idade adulta pode
ocorrer por diferentes fatores. O uso de álcool na adolescência pode
ser apenas um marcador do uso de álcool na idade adulta ou, então,
pode interferir na neuroquímica cerebral, ainda em desenvolvimento
na adolescência.
2) Está associado a uma série de prejuízos neuropsicológicos, como na
memória. Outros danos cerebrais incluem modificações no sistema
dopaminérgico, como nas vias do córtex pré-frontal e do sistema
límbico. Alterações nestes sistemas acarretam efeitos significativos em
termos comportamentais e emocionais em adolescentes. É
importante destacar que, durante a adolescência, o córtex pré-frontal
ainda está em desenvolvimento. Como ele pode ser afetado pelo uso
de álcool, uma série de habilidades que o adolescente necessita
desenvolver e que são mediadas por este circuito como o aprendizado
de regras e tarefas focalizadas ficarão prejudicadas. O hipocampo,
associado à memória e ao aprendizado, é afetado pelo uso de álcool
por adolescentes, apresentando-se com menor volume em usuários
de álcool do que em controles e tendo sua característica funcional
afetada pela idade de início do uso de álcool e pela duração do
transtorno. Estes dados são importantes, pois demonstram haver um
efeito cerebral consequente ao consumo de álcool em adolescentes;
os efeitos ocorrem em áreas cerebrais ainda em desenvolvimento e
associadas a habilidades cognitivo-comportamentais que deveriam
iniciar ou se firmar na adolescência.

As influências para o início de consumo de álcool pelos adolescentes


Em conformidade com o site SciELO Brasil, o álcool é a substância mais
consumida entre os jovens atualmente, sendo que a idade de início de uso tem sido
cada vez menor, aumentando o risco de dependência futura. Em artigo recente,
Saffer, ao discutir mitos culturais e símbolos utilizados em propaganda sobre álcool,
conclui que a mídia efetivamente influencia o consumo. Para uma mente em
desenvolvimento, tipicamente sugestionável e plástica como a de um adolescente, o
paradoxo de posição da sociedade e a falta de firmeza no cumprimento de leis são
um caldo de cultura ideal para a experimentação tanto de drogas como de álcool,
contribuindo para a precocidade da exposição de jovens ao consumo abusivo.
Em um levantamento realizado por Pechansky e Barros4 em 2023, com uma
amostra de adolescentes representativa da população de Porto Alegre coletaram
dados de 950 jovens entre 10 e 18 anos. Um dos achados importantes do estudo foi
o de que havia mudanças na forma, local de consumo e volume de etanol ingerido
de acordo com a idade dos entrevistados, assim como com relação ao gênero: os
meninos começavam a beber fora de casa e com amigos mais precocemente,
enquanto as meninas eram mais conservadoras, mantendo o hábito de consumo
familiar e doméstico por mais tempo.
Genericamente, há informações consistentes sobre elementos que influenciam o
início ou mantêm o uso de substâncias por parte dos adolescentes. Alguns deles se
encontram abaixo:
1) A experimentação inicial se dá pelo fato de o adolescente ter amigos
que usam drogas, gerando uma pressão de grupo na direção do uso. Os
autores, Brook e Brook em sua pesquisa “Uso de álcool entre adolescentes:
conceitos, características epidemiológicas e fatores etiopatogênicos” também
descrevem o efeito de "loops", ou seja, adolescentes que estão usando drogas
têm mais chance de estarem associados a pares que usam drogas e, essa
associação, por sua vez, aumenta a chance de que eles mantenham ou
incrementem o seu envolvimento com drogas.

2) Elementos relacionados à estrutura de vida do adolescente


desencadeiam um papel fundamental na gênese da dependência de
drogas. “As razões para o primeiro uso de drogas e as circunstâncias
familiares preveem os padrões de uso futuro?” de Micheli e
Formigoni12, estudando uma amostra de 213 adolescentes brasileiros
classificados em três grupos de intensidade crescente de abuso/
dependência, identificaram que:
• Classe social média-baixa aumentava em 3,5 vezes a probabilidade destes
indivíduos se tornarem dependentes de drogas e a defasagem escolar, de
no mínimo um ano, aumentava em 4,4 vezes a chance destes
desenvolverem uma dependência grave.

• Compete à situação familiar, a presença somente da mãe no domicílio do


adolescente estava associada a um aumento de 22 vezes na chance deste
ser dependente de drogas, quando comparado com adolescentes que viviam
com ambos os pais.

• O papel dos pais e do ambiente familiar é marcante no desenvolvimento do


adolescente e, consequentemente, na sua relação com álcool e outras
drogas. Todo o corolário de trauma familiar, separação, brigas, falta de
suporte parental, agressões, uso de drogas pelos próprios pais, atitudes
permissivas dos pais perante o uso de drogas, incapacidade de controle dos
filhos pelos pais, indisciplina e uso de drogas pelos irmãos são todos fatores
associados ao grupo de adolescentes com maior intensidade de
dependência, predisponentes à maior iniciação ou continuação de uso de
drogas.
O adolescente ainda está construindo a sua identidade. Mesmo sem um
diagnóstico de abuso ou dependência de álcool, pode se prejudicar com o seu
consumo, à medida que se habitua a passar por uma série de situações apenas sob
efeito de álcool. Vários adolescentes costumam, por exemplo, associar o lazer ao
consumo de álcool, ou só conseguem tomar iniciativas em experiências afetivas e
sexuais se beberem. Assim, aprendem a desenvolver habilidades apenas possíveis
com o uso de álcool e, quando este não se encontra disponível, sentem-se
incapazes de desempenhar estas atividades, evidenciando uma outra forma de
dependência.

Reduza o consumo do álcool


Segundo o site Umane, para reduzir os problemas de saúde, segurança e
socioeconômicos decorrentes do consumo alcoólico, há responsabilidade do país de
formular, implementar, monitorar e avaliar políticas públicas baseadas em
conhecimento científico e com custo-afetivo e há algumas intervenções mais custo
afetivas para reduzir o consumo precoce:
• Submeter a disponibilidade da bebida a restrições e avançar e impor
medidas contra a direção sob efeito do álcool (impor controle da densidade
dos pontos e locais de venda, regulamentar as práticas de comércio e
aumentar a idade mínima legal para consumo de álcool, além de
consequências mais severas para quem vai contra a Lei n13.106, que diz
crime a oferta e venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos).

• Executar proibição abrangente a publicidade, patrocínio e promoção de


bebidas que atraiam jovens, como engajamento nas mídias sociais,
principalmente por influenciadores digitais cuja audiência são os
adolescentes.
Além de tudo, os motivos que levam aos adolescentes a consumir as bebidas
alcoólicas são fundamentais para a prevenção. Outras formas de evitar esse
consumo é promover informação e alertar sobre os riscos que o álcool proporciona.
O papel dos pais é fundamental para que haja um diálogo com os filhos a fim de
ensiná-los defendendo um estilo de vida saudável, que tenha prática regular de
atividades físicas, alimentação de qualidade e que não precisamos desse consumo
para resolver problemas ou se socializar e claro, de preferência que tudo isso seja
dentro de um ambiente familiar saudável com o controle para prevenir e evitar. Da
mesma forma, a escola pode contribuir muito para ajudar, com realizações de
programas educativos, trabalhos escolares abordando esse tema.

O contato dos jovens com a bebida alcoólica mesmo sendo proibida


O consumo de álcool está começando cada vez mais cedo no Brasil. É o que
mostra a última Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o site da Gov, 63,3% dos estudantes entre
13 e 17 anos já experimentaram alguma bebida alcoólica. Mesmo com a proibição
legal, jovens têm contato com o álcool através de diversas formas.
Primeiramente, a falsificação de documentos é uma das principais práticas entre
os adolescentes para conseguir o consumo do álcool e enganar vendedores e
seguranças. Essa forma é muito rápida e eficaz pelo avanço e conhecimento da
tecnologia atualmente.
Além disso, festas privadas como casas de amigos, festas de aniversário onde
não há fiscalização e é comum que haja disponibilidade do álcool sem verificação de
idade. Outro método comum é a compra através de amigos mais velhos ou até
mesmo de irmãos, primos e familiares. O desvio de bebidas alcoólicas dentro de
casa é uma estratégia muito utilizada entre os jovens por ser de fácil acesso
enquanto os pais estão fora de casa
Por fim, as redes sociais e compras online têm facilitado ainda mais o acesso ao
álcool. Vendas pela internet fazem encomenda de bebidas alcoólicas, muitas vezes
sem verificação da idade do comprador. Grupos em redes sociais também
promovem e facilitam encontros para distribuição da bebida criando uma rede
subterrânea de distribuição entre jovens.
Em conclusão, apesar das proibições legais, os jovens encontram diversas
maneiras de contornar as restrições e obter álcool.

Metodologia: O projeto foi feito com uma abordagem qualitativa baseado nas
pesquisas bibliográficas, a partir dos artigos científicos e materiais disponíveis para
análise de dados e documental das leis e regulamentações brasileiras, além da
ajuda de um orientador acadêmico.

Resultado: O estudo revelou que o consumo precoce de álcool entre adolescentes


é preocupante e de extremo fácil acesso. Apesar de todas as restrições legais, como
a influência do ambiente familiar, pressão de grupo e falhas na fiscalização, tendo
como consequência, os riscos na saúde e no desenvolvimento dos jovens. Para a
prevenção, são essenciais as intervenções educativas e maior controle dos pais,
assim, conseguimos atingir todos os nossos objetivos específicos, conseguindo
finalizar todos e concluindo todo o trabalho.

Conclusão geral: Após a pesquisa qualitativa feita a base da analise de dados, é


explicito que o consumo precoce de álcool entre adolescentes é um fenômeno
multifacetado, com implicações profundas para a saúde, comportamento e
desenvolvimento social desses jovens. A análise dos efeitos colaterais do álcool
demonstra que o uso nesta fase da vida pode provocar alterações neuroquímicas
significativas, prejudicando a memória, o aprendizado e o controle de impulsos.
Esses efeitos não se limitam à adolescência, mas estendem-se por toda a vida,
aumentando o risco de dependência e problemas de saúde mental na idade adulta.
Concluindo, é evidente que, apesar das proibições legais, os jovens encontram
diversas formas de acessar o álcool, o que ressalta a necessidade de abordagens
mais integradas e educativas para enfrentar esse desafio. A combinação de
estratégias preventivas e intervenções sociais pode ajudar a proteger a saúde e o
bem-estar dos adolescentes, garantindo um desenvolvimento mais saudável e
equilibrado.

Referências bibliográficas:
Pechansky, F., Szobot, C. M., & Scivoletto, S.. (2004). Uso de álcool entre
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