Dinâmica da Rotação: N Partículas
Dinâmica da Rotação: N Partículas
MÓDULO 1 - AULA 8
Metas
Definir o momento angular de um sistema com N partículas e de um corpo
extenso, obter a lei que descreve a dinâmica da rotação desses sistemas e
aplicar essa lei aos corpos rígidos que giram em torno de um eixo fixo.
Objetivos
Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:
Introdução
Você aprendeu na Aula 7 que movimento de um corpo rígido é a composição
do movimento de translação do seu centro de massa, com o seu movimento de
rotação no Referencial do Centro de Massa. Logo, para aprofundar os seus
conhecimentos sobre o movimento de um corpo rígido é necessário aprender
a descrever o seu movimento de rotação.
Na Aula 7, você aprendeu a dinâmica de rotação de uma partícula. Nesta
aula, você vai obter a lei que descreve a rotação de um corpo rígido e vai
aplicá-la aos movimentos de rotação dos corpos rígidos em torno de um eixo
fixo. A roda gigante, as roldanas, os carretéis e os carrosseis são exemplos
de sistemas que giram em torno de um eixo fixo.
255 CEDERJ
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d~`1
= ~r1 × (F~1ext + F~12 ), (8.1)
dt
d~`2
= ~r2 × (F~2ext + F~21 ). (8.2)
dt
CEDERJ 256
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d~`1 d~`2
+ = ~r1 × (F~1ext + F~12 ) + ~r2 × (F~2ext + F~21 ) ⇒
dt dt
~ ~
d(`1 + `2 )
= ~r1 × F~1ext + ~r2 × F~2ext + ~r1 × F~12 + ~r2 × F~21 ⇒
dt
dL ~
= ~r1 × F~1ext + ~r2 × F~2ext + ~r1 × F~12 − ~r2 × F~12 ⇒
dt
dL~
= ~r1 × F~1ext + ~r2 × F~2ext + (~r1 − ~r2 ) × F~12 , (8.3)
dt
~ 2
dL X
= ~r1 × F~1ext + ~r2 × F~2ext = τ~ ext,i = ~τ ext ⇒
dt i=1
~
dL
= τ~ ext , (8.4)
dt
em que τ~ ext é a soma dos torques das forças externas que atuam no sistema,
isto é,
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Exemplo 8.1
Um sistema é formado por duas partículas com massas m1 e m2 ligadas
por uma barra rígida com massa desprezível. A barra está fixa em um eixo
vertical que gira do com velocidade angular ω
~ , como mostra a Figura 8.3.
O eixo vertical coincide com o eixo OZ. A barra gira em um plano paralelo
ao plano XY . O ponto de fixação C da barra ao eixo vertical coincide com o
ponto médio da barra. As distâncias das massas 1 e 2 ao eixo OZ são iguais
a R. As coordenadas z das massas 1 e 2 são iguais a zC .
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Resolução
Figura 8.4: Momentos angulares das partículas. Ilustrador faça essa figura.
~`1C = I1 ω
~ e ~`2C = I2 ω
~,
em que I1 = m1 R2 e I2 = m2 R2 .
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Figura 8.5: Momentos angulares das partículas. Ilustrador faça essa figura
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Atividade 1
Atende ao Objetivo 1
Baseado no que você leu nesta aula, faça a seguinte questão:
Um sistema é formado por duas partículas com massas m1 e m2 ligadas
por uma barra rígida com massa desprezível. A barra está fixa em um eixo
vertical que gira do com velocidade angular ω
~.
Figura 8.6: Duas partículas que giram com velocidade angular ω ~ em torno
de um eixo fixo que passa pelo centro de massa das partículas.
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Respostas Comentadas
~`1CM = I1 ω
~ e ~`2CM = I2 ω
~,
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N
X
~O =
L ~`iO ,
i=1
em que ~ri , ~vi e ~`iO = mi ~ri × ~vi são respectivamente os vetores posição, velo-
cidade e momento angular da i-ésima partícula. O vetor posição ~ri localiza
a i-ésima partícula em relação ao ponto O.
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Exemplo 8.2
Calcule momento de inércia I ∗ de uma barra homogênea de comprimento `
e massa m, em torno de um eixo perpendicular à barra que passa por seu
centro de massa, como mostra a Figura 8.10.
Resolução
Com a finalidade de calcular o momento de inércia da barra vamos dividí-la
em massas dm de comprimentos dR. A massa dm dista R do eixo de rotação,
como mostra a Figura 8.11.
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m `∗3 m `∗2
I∗ = 2 . = .
` 24 12
Atividade 2
Atende ao Objetivo 1
Baseado no que você leu nesta aula, faça a seguinte questão:
Calcule momento de inércia I ∗ de um anel homogêneo de raio R e massa
m, em torno de um eixo perpendicular ao anel que passa por seu centro de
massa, como mostra a Figura 8.12.
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Resposta Comentada
Para calcular o momento de inércia do anel vamos dividi-lo em massas dm
como mostra a Figura 8.13.
Exemplo 8.3
Calcule o momento de inércia I ∗ de um disco homogêneo de raio R e massa
m, em torno de um eixo perpendicular ao disco que passa por seu centro de
massa, como mostra a Figura 8.14.
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Resolução
O momento de inércia do disco em relação a um eixo perpendicular ao disco,
que passa pelo centro de massa do disco é igual a:
Z
∗
I = dm R∗2 .
disco
dI ∗anel = dmanel b2 ,
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R
b4 m R4 m R2
∗
I = 2 σ0 π =2 π = .
4 0 π R2 4 2
~ = τ~ ext .
Iα (8.8)
Nós utilizaremos essa lei para estudar a rotação de um corpo rígido em torno
de um eixo fixo.
Observe que a aceleração angular de um corpo rígido, que gira em torno
de um eixo fixo, é inversamente proporcional ao momento de inércia do corpo,
já que a sua aceleração angular é igual a
τ~ ext
α
~= .
I
Por isso, o momento de inércia mede a inércia que um corpo rígido oferece à
mudança do seu estado de rotação em torno de um eixo fixo. Você já deve
ter percebido que é mais fácil colocar em rotação um corpo que tem a sua
massa distribuída próxima ao eixo de rotação do que um corpo que tem a
sua massa distribuida afastada do eixo de rotação. O momento de inércia
desempenha na rotação um papel análogo àquele desempenhado pela massa
na translação.
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dωz
αz = αz0 = ⇒ (8.9)
dt
dθ
ωz = = ωz0 + αz0 t ⇒ (8.10)
dt
αz0 t2
θ = θ0 + ωz0 t + . (8.11)
2
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em que dF~S é a força que atua em uma área dS, localizado pelo vetor posição
~rS .
Os pontos de aplicação de forças resultantes volumétricas e superficias
são os pontos em que devem ser aplicadas estas forças, de tal forma que o
torque destas forças sejam dados pelas seguintes relações.
em que ~rA e ~rB são respectivamente os vetores posição dos pontos de aplicação
das forças volumétricas e superficiais.
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R
V
dm ~r
Como o vetor posição do centro de massa é igual a , o torque
m
do peso se reduz a:
Z
~τ (m~g ) = dm ~r ~g = ~rCM × (m ~g ). (8.13)
V
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Exemplo 8.4
Calcule a energia cinética de rotação de uma barra de comprimento ` e massa
m que gira com velocidade angular ω ~ em torno de um eixo perpendicular à
superfície da barra e que passa pelo seu centro de massa, como mostra a
Figura 8.20 .
Resolução
Neste caso, o momento de inércia I da barra em relação ao eixo de rotação,
m `2
que já foi calculado no exemplo 8.2, é igual a . Por isso, a energia cinética
12
de rotação da barra é dada por:
m `2 ω 2
EcR = .
24
275 CEDERJ
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~∗ =ω
θ ∗ = θ ⇒ dθ ∗ = dθ ⇒ ω ~.
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MÓDULO 1 - AULA 8
Corpo I∗ Eixo
2
Barra (m ` )/12 Perpendicular à barra
2
Anel mR Perpendicular ao plano do anel
2
Disco (m R )/2 Perpendicular ao plano do disco
2
Cilindro (m R )/2 Perpendicular à área plana do cilindro
Esfera (2 m R2 )/5 Qualquer eixo que passa pelo centro da esfera
Tabela 8.1: Momentos de inércia em relação a eixos que passam pelos centros
de massas dos corpos.
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Exemplo 8.5
Calcule momento de inércia I de uma barra homogênea de comprimento ` e
massa m, em torno de um eixo perpendicular à barra que passa por uma das
suas extremidades.
Resolução
No exemplo 8.2 mostramos que o momento de inércia I ∗ da barra em torno
de um eixo perpendicular à ela que passa pelo seu centro de massa é igual a
m `∗2
. Vamos calcular o momento de inércia da barra em torno de um eixo
12
que passa por uma das suas extremidades utilizando o Teorema dos Eixos
paralelos. Nesse caso, a Figura 8.22 mostra que a distância RCM entre o
centro de massa da barra e o eixo de rotação é `/2.
Figura 8.22: O eixo perpendicular à barra passa por pelo ponto O da sua
extremidade.
Logo, o momento de inércia da barra em torno do eixo que passa por uma
das suas extremidades é dado por:
2
∗ ` m `∗2 m `∗2 m `∗2
I =I +m = + = .
2 12 4 3
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MÓDULO 1 - AULA 8
Atividade 3
Baseado no que você leu nesta aula, faça a seguinte questão:
Calcule momento de inércia I de uma barra homogênea de comprimento ` e
massa m, em torno de um eixo perpendicular à barra que passa por um ponto
que dista `/4 do centro de massa da barra, como mostra a Figura 8.23.
Figura 8.23: O eixo perpendicular à barra passa por pelo ponto O afastado
da sua extremidade.
Resposta Comentada
A Tabela 8.1 mostra que o momento de inércia I ∗ da barra em torno de
um eixo perpendicular à barra que passa pelo seu centro de massa é igual
m `∗2
a . Vamos calcular o momento de inércia da barra em torno de um
12
eixo que passa pelo ponto O utilizando o Teorema dos Eixos paralelos. Neste
caso, a distância RCM entre o centro de massa da barra e o eixo de rotação
é `/4 e o momento de inércia da barra é dado por:
2
∗ ` m `∗2 m `∗2 7 m `∗2
IO = I + m = + = .
4 12 16 48
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Atividade 4
Atende ao Objetivo 3
Baseado no que você leu nesta aula, faça a seguinte questão:
O carretel, que está fixo em um suporte vertical, pode girar livremente em
torno do eixo horizontal que passa pelo seu centro de massa. Um fio inexten-
sível, que está enrolado no disco menor do carretel, é puxado verticalmente
para baixo, como na Figura 8.24 , de tal forma que o carretel começa a
girar.
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MÓDULO 1 - AULA 8
Resposta Comentada
Figura 8.25: Diagrama das forças externas que atuam no sistema formado
pelo carretel e pelo fio.
281 CEDERJ
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F~ + T~ + m ~g = m ~aCM = ~0 ⇒
F~ = −T~ −, m ~g = 3 m ~aCM ⇒
Fx = −Tx − m gx , Fy = −Ty − m gy e Fz = −Tz − m gz . (8.17)
Tx = Tz = 0, Ty = −T, gx = gz = 0 e gy = −g.
F~ = (T + m g) ĵ.
A equação 8.18 mostra que, apesar do fio não girar em torno do eixo
com velocidade angular ω ~ , é possivel aplicar ao sistema a equação da
Dinâmica da Rotação em torno do eixo fixo porque o fio não tem massa.
Todavia, é importante ressaltar, que a força externa que atua no fio
altera o estado de rotação do carretel.
O ponto de aplicação da força peso é o centro de massa do carretel, que
está sobre o eixo de rotação. O ponto de aplicação da força que o eixo
exerce sobre o carretel também está sobre o eixo de rotação, uma vez
que não existe atrito entre o eixo e o corpo.
CEDERJ 282
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MÓDULO 1 - AULA 8
~τz (T~ ) = R
~ × T~ = (R ı̂) × (−T ̂) = −R T ı̂ × ̂ = −R T k̂.
RT
~ =−
α k̂.
I
Conclusão
Nesta Aula, você aprendeu os conceitos de momento angular e torque
e a Lei da Dinâmica da Rotação necessários à descrição da rotação de um
sistema com sistema com N partículas e de um corpo extenso. Aplicou estes
conhecimentos para descrever o movimento de rotação mais simples de um
corpo rígido, que é a sua rotação em torno de um eixo fixo.
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Resumo
1. Por definição o momento angular de um corpo rígido em relação a um
ponto O é igual a: Z
~O =
L dm ~r × ~v ,
V
~k = I ω
L ~,
R
em que I = V dm R2 , é o momento de inércia do corpo rígido em rela-
ção ao eixo fixo e R é a distância da massa dm ao eixo de rotação.
I ω2
EcR = .
2
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Corpo I∗ Eixo
2
Barra (m ` )/12 Perpendicular à barra
Anel m R2 Perpendicular ao plano do anel
2
Disco (m R )/2 Perpendicular ao plano do disco
Cilindro (m R2 )/2 Perpendicular à área plana do cilindro
2
Esfera (2 m R )/5 Qualquer eixo que passa pelo centro da esfera
Tabela 8.2: Momentos de inércia em relação a eixos que passam pelos centros
de massas dos corpos.
I = I ∗ + m RCM
2
,
285 CEDERJ
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Referências bibliográficas
ALMEIDA, Maria Antonieta Teixeira; PAULA, Bruno Salazar. Física 1A.
v.1, 1. ed. Rio de Janeiro: Fundação Cecierj, 2014.
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