Dinâmica de Rotação: Eixo Fixo e Aplicações
Dinâmica de Rotação: Eixo Fixo e Aplicações
MÓDULO 1 - AULA 9
Metas
Definir movimento plano de um corpo rígido e descrever o movimento de um
sistema composto por corpos rígidos que transladam ou giram em torno de
um eixo fixo.
Objetivos
Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:
Introdução
Na Aula 8, você utilizou a Lei da Dinâmica de Rotação para descrever a
rotação de um corpo rígido em torno de um eixo fixo. Nesta Aula, serão
analisados alguns sistemas compostos por corpos rígidos que têm movimentos
planos.
Dizemos que um corpo rígido tem movimento plano, quando as trajetórias
de todos os seus pontos são paralelas à um plano. Como exemplos de corpos
rígidos com movimentos planos podemos citar aqueles que transladam sem
girar, os que giram em torno de um eixo fixo e os que transladam e giram
em torno de eixos que mantêm a sua direção perpendicular ao plano que é
paralelo às trajetórias dos pontos do corpo rígido.
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sica1B
4. fazer os diagramas dos torques externos dos corpos rígidos que giram
em torno de um eixo fixo. Aplicar a Lei da Dinâmica de Rotação em
torno de um eixo fixo (Aula 8) a estes corpos rígidos;
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MÓDULO 1 - AULA 9
Para que haja dissipação da energia mecânica pelas forças de atrito inter-
nas, uma parte do sistema tem que deslizar sobre a outra parte do sistema.
Logo, apenas as forças de atrito cinéticas internas podem dissipar a
energia mecânica do sistema.
Exemplo 9.1
A Figura 9.1 mostra um
homem levantando um bloco
com uma corda que passa
por uma roldana. A acele-
ração angular da roldana em
torno do eixo que é perpen-
dicar ao seu plano e passa
pelo seu centro de massa é α
~.
A corda tem massa despre-
zível. A roldana tem massa
M , raio R e momento de Figura 9.1: Homem usando uma corda e uma
inércia I, em torno do seu roldana para levantar uma massa.
eixo de rotação. Não existe
atrito entre o eixo de rota-
ção e a roldana. Despreze as forças que o ar exerce sobre o sistema. Resolva
o problema do referencial da Terra, suposto inercial. Considere conhecidos
o momento de inércia I, o raio R da roldana e o módulo α da aceleração
angular da roldana.
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Resolução
O momento angular total do sistema formado pela corda e pela roldana é
igual ao momento angular da roldana, uma vez que a corda não tem massa.
Logo, temos que:
~O
dL ~ RO
dL
= = τ~ ext
O , (9.1)
dt dt
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291 CEDERJ
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τ~ ext
z = (R TCA − R TCH ) k̂.
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Atividade 1
Atende aos Objetivos 1, 2 e 3
Baseado no que você leu nesta aula e nas aulas 7 e 8, faça esta questão:
A máquina de Atwood é um sistema formado por uma roldana fixa em um
suporte vertical, uma corda e por dois blocos A e B. O bloco A está ligado
ao bloco B pela corda que passa pela roldana como mostra a Figura 9.4.
A corda não desliza sobre a roldana. A corda é inextensível e tem massa
desprezível. O momento de inércia da roldana em relação ao seu eixo de
rotação é igual a I. O raio da rodana é igual a R.
Considere conhecidos as massas dos blocos (mA e mB ), o módulo da acelera-
ção da gravidade g, o raio R da roldana e o momento de inércia I da roldana.
Despreze as forças que o ar exerce sobre os blocos e sobre a roldana e o atrito
entre a roldana e o seu eixo. Calcule as acelerações dos blocos e os módulos
das tensões que a corda aplica neles. Resolva o problema no referencial da
Terra, considerado inercial.
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Resposta Comentada
Com a finalidade de resolver a questão, vamos utilizar os procedimentos
propostos na introdução da aula.
2. Encontrando os vínculos
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MÓDULO 1 - AULA 9
Vamos fazer os diagramas das forças externas que atuam nos blocos e
na roldana com a corda.
Figura 9.6: Diagramas de forças externas que atuam nos blocos e no sistema
formado pela roldana e pela corda.
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TA − mA g = −mA a ⇒ mA g − TA = mA a (9.2)
−mB g + TB = mB a ⇒ TB − mB g = mB a. (9.3)
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Logo, o sistema formado pelas equações 9.2 e 9.3 não permite calcular
os módulos das acelerações dos blocos, uma vez que ele é formado por
duas equações e tem três incógnitas que são a, TA e TB . Para encon-
trar as acelerações dos blocos precisamos encontrar uma relação entre
os módulos das tensões.
Figura 9.7: Componentes vetoriais dos torques das forças externas paralelos
ao eixo de rotação.
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~ 1 × T~CA + R
~ = τ~ ext = R
Iα ~ 2 × T~CB = R1 TCA k̂ − R2 TCB k̂ ⇒
I αz = R (TCA − TCB ).
O módulo da tensão que a corda exerce sobre o bloco A pode ser obtido
da equação 9.2, uma vez que:
(mA − mB ) g
TA = mA g − mA a ⇒ TA = mA g − mA ⇒
mA + mB + I RI2
mA g (2 mB + RI2 )
TA = .
mA + mB + RI2
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MÓDULO 1 - AULA 9
O módulo da tensão que a corda exerce sobre o bloco B pode ser obtido
da equação 9.3, uma vez que:
(mA − mB ) g
TB = mB g + mB a ⇒ TB = mB g + mB ⇒
mA + mB + RI2
mB g (2 mA + RI2 )
TB = .
mA + mB + RI2
Atividade 2
Atende aos Objetivos 1, 2 e 3
Baseado no que você leu nesta aula e nas aulas 7 e 8, faça esta questão:
Um sistema é formado por uma roldana, dois fios e por dois blocos A e B. A
roldana é formada pelos discos 1 e 2, com raios respectivamente iguais a 2 R
e R. Ela está presa em um suporte vertical e gira livremente em torno de
um eixo horizontal sem atrito, que passa pelo seu centro de massa. O bloco
A está ligado a um fio que está enrolado no disco 1 e o bloco B está ligado
a outro fio que está enrolado no disco 2, como mostra a Figura 9.8. Os fios
são inextensíveis e têm massas desprezíveis.
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Resposta Comentada
Com a finalidade de resolver a questão vamos utilizar os procedimentos pro-
postos na introdução da aula.
2. Encontrando os vínculos
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MÓDULO 1 - AULA 9
aA = a1θ = R1 α = 2 R α e aB = a2θ = R2 α = R α,
Vamos fazer os diagramas das forças externas que atuam nos blocos e
na roldana com os fios.
Figura 9.10: Diagramas das forças externas que atuam nos blocos e no sis-
tema formado pela roldana e pelos fios.
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TA − mA g = −mA aA ⇒ mA g − TA = mA aA = mA (2 R α) (9.5)
−mB g + TB = mB aB ⇒ TB − mB g = mB aB = mB R α. (9.6)
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~ 1 × T~CA + R
~ = τ~ ext = R
Iα ~ 2 × T~CB = R1 TCA k̂ − R2 TCB k̂ ⇒
I αz = 2 R TCA − R TCB .
• Calculando as acelerações:
(2 mA − mB ) g
~aA = −2 R α ̂ = −2 ̂ e
4 mA + mB + RI2
(2 mA − mB ) g
~aB = R α ̂ = ̂.
4 mA + mB + RI2
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Exemplo 9.2
Um sistema é fomado por dois blocos A e B ligados por um fio inextensível
que passa por uma roldana com momento de inércia I e raio R, como mostra
a Figura 9.12.
Figura 9.12: Sistema que contém dois blocos ligados por um fio que passa
por uma roldana com momento de inércia I.
Resolução
Com a finalidade de resolver a questão vamos utilizar alguns dos procedi-
mentos propostos na introdução da aula.
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2. Encontrando os vínculos
vA = vB = |vθ | = R ω
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Figura 9.14: Diagrama das forças que atuam nos componentes do sistema.
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Por isso, o ponto de aplicação da força F~RE está sobre o eixo da roldana.
O fio exerce, em cada ponto da roldana que está em contato com ele,
uma normal e uma força de atrito estática. Elas foram denominadas
dN~ RF e df~aRF na Figura 9.14. A força resultante que o fio exerce
sobre a roldana é a integral dessas forças sobre a parte da roldana que
está em contato com o fio. A única força gravitacional não desprezível
que atua sobre a roldana é o seu peso mR ~g . O diagrama das forças que
atuam na roldana foi desenhado na Figura 9.14.
ext int
∆EM = Wnc + Wnc ,
ext
em que Wnc é a soma dos trabalhos das forças externas não conservati-
int
vas e Wnc é a soma dos trabalhos das forças internas não conservativas.
As forças externas que atuam no sistema são a normal N ~ A , a força que
o eixo exerce sobre a roldana F~RE e os pesos. Destas forças, apenas os
pesos são forças conservativas. O trabalho da normal N ~ A é nulo por-
que ela é perpendicular ao deslocamento do bloco A. Como não existe
atrito entre a roldana e o eixo de rotação, as forças que o eixo exerce
em cada ponto da roldana sãos as normais destes pontos, que são per-
pendiculares aos seus deslocamentos. Logo, os trabalhos das forças que
o eixo exerce sobre a roldana também são nulos. Consequentemente,
ext
a soma dos trabalhos Wnc das forças externas não conservativas que
atuam no sistema é nula.
T~F A · d~rA = (T~A · d~rA − T~A · d~rA ) = 0. O mesmo ocorre com o par
R R
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MÓDULO 1 - AULA 9
int
Consequentemente, a soma dos trabalhos Wnc das forças internas não
conservativas é nulo.
mA vA2 mB vB2 I ω2
Ec = + + .
2 2 2
A utilização dos vínculos do sistema reduz a sua energia cinética a:
mA vA2 mB vA2 I v2
Ec = + + 2A ⇒
2 2 R
I
(mA + mB + R2
) vA2
Ec = .
2
A energia potencial gravitacional associada ao sistema é:
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Atividade 3
Atende aos Objetivos 1, 2, 3 e 4
Baseado no que você leu nesta aula e nas aulas 7 e 8, resolva a seguinte
questão.
Uma barra homogênea de comprimento b e massa m está ligada em um su-
porte vertical. A barra pode girar sem atrito em torno de um eixo horizontal
que é perpendular a ela e passa por uma das suas extremidades. A barra
é largada da posição horizontal, como mostra a Figura 9.16. O momento
de inércia da barra em torno do eixo horizontal que passa por uma das suas
m b2
extremidades é igual a .
3
b. Calcule a força que o eixo exerce sobre a barra, quando ela forma um
ângulo θ com o eixo vertical. Expresse esta força em termos dos vetores
unitários R̂ e θ̂ associados ao movimento circular do centro de massa da
barra.
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Respostas Comentadas
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m b2 ω 2 (t)
EM = − m xCM (t) g,
6
em que ω(t) é a velocidade angular da barra, que também é igual a velo-
cidade angular do seu centro de massa. Como no instante inicial a barra
parte do repouso, a sua velocidade angular inicial é nula, uma vez que
vCM 0
ω0 = = 0. Como a coordenada x inicial do centro de massa tam-
RCM
bém é nula, a energia mecânica inicial da barra é nula, isto é, EM 0 = 0.
xCM b cos(θ)
cos(θ) = ⇒ xCM = RCM cos(θ) = .
RCM 2
Por isso, a energia mecânica da barra, quando ela forma um ângulo θ com
a vertical é dada por:
m b2 ω 2 (t) b cos(θ)
EM = − mg = 0.
6 2
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~ = τ~ ext
Iα z .
m g b sen(θ)
τ~ z = −m g RCM sen(θ) k̂ = − k̂.
2
m b2 m g b sen(θ) 3 g sen(θ)
Logo, temos que: αz = − ⇒α= .
3 2 2b
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A força resultante que o eixo exerce sobre a barra pode ser obtida com a
equação da Dinâmica do Centro de Massa da barra, isto é,
m ~aCM = F~ + m ~g ⇒
m aCM R = FR + m gR ⇒ FR = m aCM R − m gR (9.8)
m aCM θ = Fθ + m gθ ⇒ Fθ = m aCM θ − m gθ . (9.9)
gR = g cos(θ) e gθ = −g sen(θ)
3 g sen(θ) m g sen(θ)
Fθ = −m + m g sen(θ) = .
4 4
Logo, a força que o eixo exerce sobre a barra é igual a:
5 m g cos(θ) m g sen(θ)
F~ = − R̂ − θ̂.
2 4
Observe que a força que o eixo exerce sobre a barra não é radial.
Conclusão
Nesta aula, você desenvolveu habilidades para descrever os movimentos de
sistemas formados por corpos rígidos com movimentos planos, nos casos em
que os corpos rígidos ou só transladam ou só giram em torno de um eixo fixo.
Resumo
Dizemos que um corpo rígido tem movimento plano, quando as trajetórias
de todos os seus pontos são paralelas à um plano. Como exemplos de corpos
rígidos com movimentos planos podemos citar aqueles que transladam sem
girar, os que giram em torno de um eixo fixo e os que transladam e giram
em torno de eixos que mantêm a sua direção perpendicular ao plano que é
paralelo às trajetórias dos pontos do corpo rígido. São exemplos do último
caso, os movimentos de uma esfera descendo um plano inclinado, das rodas
de um carro que translada em linha reta etc. O movimento de um pião não
é um movimento plano porque os planos dos movimentos dos seus pontos se
modificam ao longo do tempo.
A análise de sistemas formados por corpos rígidos que ou transladam sem gi-
rar ou giram em torno de um eixo fixo é facilitada pela aplicação dos seguintes
procedimentos:
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4. fazer os diagramas dos torques externos dos corpos rígidos que giram
em torno de um eixo fixo. Aplicar a Lei da Dinâmica de Rotação em
torno de um eixo fixo (Aula8) a estes corpos rígidos;
O sistema formado por uma roldana e por cordas leves pode ser tratado como
um corpo rígido em que se aplicam diretamente as tensões que atuam nas
cordas.
Uma corda que passa por uma rodana só transmite a tensão, quando a sua
massa e o momento de inércia da roldana são desprezíveis.
Quando um fio inextensível com massa desprezível passa sem deslizar por
uma roldana que gira sem atrito em torno do seu eixo, o sistema formado
pela roldana e pelo fio transfere energia mecânica entre os corpos rígidos li-
gados ao fio, sem dissipar energia.
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MÓDULO 1 - AULA 9
Referências bibliográficas
ALMEIDA, Maria Antonieta Teixeira; PAULA, Bruno Salazar. Física 1A.
v.1, 1. ed. Rio de Janeiro: Fundação Cecierj, 2014.
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