Esperança Condicional: Teoria e Exercícios
Esperança Condicional: Teoria e Exercícios
Esperança Condicional
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CAPÍTULO 5. ESPERANÇA CONDICIONAL 66
(k) Prove a Fórmula de Esperança Total que em termos e notações do item (i)
alega o seguinte: para qualquer variável aleatória discreta X, ocorre que (a
notação IE[X Bi ] usada abaixo já foi lhe recordada no item (d) acima):
n
X
IE[X] = IE[X Bi ] × IP [Bi ] (5.3)
i=1
(tenho certeza que essa fórmula já existe, eu só inventei nome para ela, e ainda
creio eu que o nome por mim inventado coincide com o nome tradicional).
(l) Prove que a Fórmula de Esperança Total adquire a forma da Eq. (1.4) abaixo
no caso quando quando (X, Y ) é um par de variáveis aleatórias discretas com
as seguintes caraterı́sticas: X assume valores a1 , . . . , am , Y assume os valores
b1 , . . . , b n .
Xn
IE[X] = IE[X Y = bj ] × IP [Y = bj ] (5.4)
i=1
(m) Prove a Fórmula Geral de Esperança Total que eu acabei de inventar e que
aplica-se a par de variáveis aleatórias discretas (X, Y ) com as seguintes cara-
terı́sticas: X assume valores a1 , . . . , am , Y assume valores b1 , . . . , bn .A fórmula
vale para qualquer conjunto B ⊂ R composto dos valores de Y , quer dizer,
composto dos números b1 , . . . , bn , como, por exemplo, {b2 , b3 }. A fórmula tem
a seguinte aparência:
X
IE[X1IY −1 (B) ] = IE[X Y = bj ] × IP [Y = bj ] (5.5)
j : bj ∈B
A construção feita até agora resultou em n valores numéricos, os quais são as es-
peranças condicionais {IE[ξ Di ], i = 1, 2, . . . , n}. Usaremos esta coleção de valores
para criar variável aleatória Zξ,D : Ω → R:
Agora, só com o intuı́to de mostrar que os objetos que apareceram até o momento
são simples vou reescrever (1.11) no formato mais usado nos cursos de probabilidade
no nı́vel de graduação:
X X
ξ(ω)IP [ω] = Zξ,D (ω)IP [ω], para qualquer C (5.12)
ω∈C ω∈C
feito de união de qualquer subcoleção da coleção {D1 , D2 , . . . , Dn }
CAPÍTULO 5. ESPERANÇA CONDICIONAL 69
Por fim, gostaria de comentar que as relações derivadas até o momento permitem
a gente provar a Fórmula de Esperança Total que apareceu no item (k) do Exc. 1.
Portanto, se você não a provou até o momento, observe o argumento abaixo. Pri-
meiramente, ao tomar C = Ω na fórmula (1.12), a gente chaga na seguinte relação:
n
X
IE [ξ] = Zξ,D (Di ) IP [Di ]
i=1
[Link]
/1daes9wJ3HdDpXK5Oj_tpARGetwDbBzMH/view?usp=sharing
As transparências destas duas video-aulas estão no Apêndice ao caopitulo 1
No resto da presente seção, vou associar alguns conceitos do Exemplo 1 com suas
contrapartes desenvolvidas na teoria apresentada até o momento.
Vou denotar por (Ω, F, IP ) o modelo probabilı́stico da situação descrita no exem-
plo. A informação contı́da no exmeplo não nos permite a construir o modelo em
todos os detalhes, mas para nós é suficente saber que ele existe e que Ω dele é finito.
Definirimos em Ω duas variáveis aleatórias, X e Y . X corresponde á quantidade
diária de garrafas vendidas e Y corresponde á temperatura. Partimos o espaço Ω
nas faxas Dt := {ω ∈ Ω : Y (ω) = t}. Naturalmente, existe a distribuição de X
condicionada pelo Dt (que é a mesma coisa que condicionar por {Y = t}). Os va-
lores anotados pelo Fábio na página de seu caderno correspondente à temperatura
t são uma amostra da distribuição de X condicionada por {Y = t}. A média dos
CAPÍTULO 5. ESPERANÇA CONDICIONAL 72
valores anotados é uma aproximação à IE[X Y = t], quer dizer, x̄t é a contraparte
amostral do conceito teórico IE[X Y = t], e finalmente, a fórmula (1.16) usada pelo
Fábio é a contraparte da Fórmula de Esperança Total.
e, consequntemente, vale
Z Z
ξdIP = ZdIP para cada A ∈ G
A A
conforme segue-se da comparação entre (1.17) e (1.18). Isto tudo quer dizer que a
variável aleatória Z é o que a Definição 1 chama de IE[ξ G].
CAPÍTULO 5. ESPERANÇA CONDICIONAL 73
enquanto que acerca de X não fala-se nada sobre sua distribuição, e postula-se
somente que
Claro que por não ter definido a distribuição de X, o modelo está incompleto, e, em
particular, a informação aqui fornecida não é suficiente para construir a distribuição
conjunta de (X, Y ).
Fim do Exemplo 2↑
X Y = y ∼ N (1 + y 2 )−1 ; 1
(5.21)
quer dizer, dado que Y assumiu valor y, X tem distribuição normal com média
(1 + y 2 )−1 e variância 1.
Fim do Exemplo 3↑
seguindo a notação usada pelo Shiryaev. Acredito que sua escolha foi motivada pelo
termo “mathematical expectation” que é um dos nomes que pode ser dado a tal
função.
Exemplo da função m é m(y) = (1 + y 2 )−1 , y ∈ R que aparece nos Exemplos 2
e 3. Eu antecipei a apresentação formal por menção destes exemplos pois desejava
que meu leitor preste a atenção que m é função de R em R. Seria bom se este fato
supreendesse você, pois isto garantiria que preste a atenção a todos os detalhes de
construção de m.
Otimo! Mas para que m serve e qual seria sua interpretação? Para podermos
responder nesta pergunta, vamos substituir (1.22) na parte da direita de condição
(b) da Definição 1.13, quer dizer, na parte da direita de (1.13). Tem-se que
Z Z
ξ(ω)dIP (ω) = m (η(ω)) dIP (ω) para cada A ∈ Fη (5.23)
A A
Na integral do lado direito da (1.23), vamos fazer a troca de variáveis. Eis os detalhes
da troca:
◦ do espaço (Ω, F) para o espaço (R, B);
◦ da medida IP para a medida IPη induzida em B pela variável aleatória η;
e eis a fórmula (fornecida pelo Teorema sobre a troca de variável em integral de
Lebesgue): Z Z
g(x)IPη (dx) = g(η(ω))IP (dω), C ∈ B
C η −1 (C)
CAPÍTULO 5. ESPERANÇA CONDICIONAL 75
O resultado da troca de variável está na Eq. (1.24) abaixo; nesta equação, nós
escrevemos A = η −1 (B) na integral ao lado esquerdo com o intuı́to de indicar a
relação entre A e B que surgiu devido à troca de variável.
Z Z
ξ(ω)dIP (ω) = m(y)dIPη (y) para cada B ∈ B(R) (5.24)
A=η −1 (B) B
A relação (1.24) será o ponto de partida para meus futuros argumentos que respon-
derão à pergunta “Para que serve m?”
Vamos ver agora se temos respostas nas perguntas acerca de m. Quanto à de-
finição, esta está na Eq. (1.22). O texto que precede esta equação serve de justifica-
tiva que nos permite alegar que a definição está correta.
Em relação à discussão sobre a definição, surge naturalmente a questão se a
mesma é construtiva. Minha opinião a respeito é que sim. De fato, se você possui
(Ω, F, IP ), η (como função Ω → R) e IE[ξ Fη ] (também como função de Ω a R),
então você consegue descobrir o valor de m(y) para qualquer y da imagem de η:
m(y) = IE[ξ Fη ](ω) onde ω deve ser escolhido de tal sorte que η(ω) = y.
A resposta dada no final do parâgrafo acima levanta a dúvida: “É possı́vel que
existam ω1 6= ω2 tais que η(ω1 ) = η(ω2 ) mas IE[ξ Fη ](ω1 ) 6= IE[ξ Fη ](ω2 )?” A
motivação da dúvida está clara: se isto fosse possı́vel então a construção m(y) =
IE[ξ Fη ](ω) não seria possı́vel. Como a construção está correta, nós temos que
admitir que a resposta à pergunta é “não”. Mas o que garante o tal “não”? A
resposta na última pergunta é: “A exigência que IE[ξ Fη ] deva ser Fη -mensurável.”
É esta exigência que garante a propriedade de que IE[ξ Fη ](ω) assume o mesmo
valor em cada ω ∈ {η −1 (y)}. Alias, esta propriedade sugere usar a notação
IE[ξ η = y] (5.25)
para o valor de IE[ξ Fη ](ω) em cada ω ∈ {η −1 (y)}. Note que (1.25) está obrigada
a ser o valor de m(y) e é por isto que (1.25) é a notação alternativa para m(y).
Fantástico! Adorei a maneira que achei para introduzir a notação IE[ξ η = y] e
explicar seu sentido.
Agora vamos voltar á nossa discussão acerca da relação entre IE[ξ Fη ] e m
e vamos colocar a pergunta no sentido oposto daquela pergunta que respondida
agora, a saber: “Se você possui (Ω, F, IP ), η (como função Ω → R) e m (como
função R → R), você então consegue construir IE[ξ Fη ] (também como função de Ω
a R)?” A resposta é “sim” e o método de construção segue-se naturalmente a partir
das propriedades acima descritas. Eis este: Em primeiro lugar, tem que percorrer
por todos os valores de y ∈ R e construir {η −1 (y)} para cada y. Tais conjuntos
formarão uma partição de Ω (a partição não tem obrigação de conter um número
finito de conjuntos). Em cada conjunto desta partição, o valor de IE[ξ Fη ] é m(y).
IE[ξ Fη ] como a variável aleatória que assume valor m(y) em cima de cada {η −1 (y)}.
Espero que isto tudo lhe sirva também, quando for necessário.
Recorde que até o momento não respondemos na pergunta “Para que serve m?”
De fato, existe IE[ξ Fη ] e existe m e elas são intercambiáveis, conforme mostramos
acima. “Qual é a diferença entre as duas na perspectiva de sue uso?” é a pergunta
intriscicamente ligada à pergunta sobre a utilidade de m. O caminho de resposta
está indicado pelo gigante da Teoria de Probabilidade, nosso amigo Shiryaev. Eis a
citação
da página
263: “From an intuitive point of view, the conditional expectation
IE ξ η = y (isto é, m(y)
– acrescimo meu) is simpler and more natural than
IE ξ Fη . However, IE ξ Fη , considered as a Fη -measurable random variable, is
more convenient to work with.”
Sendo guido por esta frase, eu olho na relação
Z Z
ξ dIP = IE ξ Fη dIP. (5.26)
A A
que
R copiei da Definição 1, comparo-la com (1.24) e concluo que se precisasse calcular
A
ξ dIP , usaria então (1.24) pois no seu lado direito há integral de Lebesgue-Stiltijes,
a qual eu consigo calcular, diferentemente da integral de Lebesgue que fica no lado
direito de (1.26), a qual eu não saberia calcular. Esta é a “praticidade” que m
possui. Uma outra practicidade é que é mais fácil conceber m de que IE ξ Fη ;
sobre isto eu já discursei acima.
Exercı́cio 51. Nos argumentos da presente seção, foi usado o teorema sobre troca
de variável em integral de Lebesgue. Agora que você viu sua utilidade, pode voltar
ao Capı́tulo 4 e ler a demonstração.
Exercı́cio 1. Qual genérica esta maneira é continua ser uma pergunta que não pode
ser respondida por métodos e ferramentas desenvolvidos até agora.
É importante que você saiba que é possı́vel construir abordagem matematica-
mente rigorosa que produz o objeto chamado a probabilidade condicional con-
dicionada ao evento {η = y} quando é aplicada ao espaço arbitrário (Ω, F, IP ) e
variável aleatória arbitrária η. Ainda mais, é possı́vel mostrar que ao tomar espe-
rança de uma variável aleatória ξ em relação desta probabilidade condicional, então
o resultado coincidirá com IE[ξ η = y] que foi definida nas seções anteriores pela
abordagem diferente daquela sobre a qual estamos falando agora.
A abordagem matematicamente rigorosa supracitada obriga a entrar na cons-
trução e discussão de regular condicional probability. Toda a abordagem en-
contra problemas técnicos cujas soluções exigem muito cuidado. Você pode ver os
detalhes no livro de Shiryaev. Eu não vou incluir tudo isto no meu curso devido
ao limite do tempo de sua duração (que é tipicamente um semestre). Entretanto,
você deve saber que é a teoria de probabilidades condicionais regulares que ampara
a existência e revela as propriedades das distribuições condicionais sobre as quais
versam os itens (b), (c), (f) e (g) do Exercı́cio 1, o Exemplo 3 (veja a Eq. (1.21)).
Este fato explica a razão pela qual o problema de construção de IE[ξ G] formula-se
predominantemente nos espaços Rn .
Uma maneira para lidar com o pedido “construa IE[ξ G]” é não tentar construir
a variável aleatória solicitada, mas, em vez dela, construir a função m (definida e
analisada na Seção 1.2.9). A vantagem desta substituição está no que com ela será
necessário a verificação da relação
Z Z
ξ(ω)dIP (ω) = m(y)dIPη (y) para cada B ∈ B(R) (5.28)
A=η −1 (B) B
Exer. 53. O presente exercı́cio está aqui para lhe lembrar que é importante que
você responda em todos os itens do Exc. 1.
Alguns conceitos e termos usados no exercı́cio supracitado precisam de esclare-
cimentos. Vamos nessa.
A distribuição de variável aleatória X entende-se como a medida nos conjuntos
de B(R) induzida pela função boreleana X : Ω → R a partir de medida IP (da trinca
(Ω, IP, F)).
No caso quando X é discreta, a sua distribuição pode ser apresentada pela tabela
que contem todos os valores que X pode assumir junto com as respectivas probabili-
dades (se desejar o nome mais cientı́fica, pode falar de função que mapeia o conjunto
de valores de X ao intervalo [0, 1], mas eu gosto da maniera mais profana, isto é,
“tabela”). Da mesma maneira, por distribuição de um vetor (X, Y ) de variáveis
aleatórias discretas está entendida uma tabela que contém todos os pares de valores
e todas as respectivas probabilidades, como, por exemplo, a de baixo:
Y y1 y2
X
x1 p11 p12
x2 p21 p22
x3 p31 p32
Observe que a distribuição de par (X, Y ) pode ser dada em forma de valores e
probabilidades {pij }, como no caso da tabela acima, e pode também ser dada por
uma maneira alternativa que será apresentada em seguida. Antes da apresentação,
só quero avisar que a informação por ela carregada é importante somente para o
destaque de uma particularidade da tarefa formulada no item (l) da Lista de Nomes
e Propriedades. Então, a maneira alternativa é a seguinte: apresenta-se Ω (discreto),
apresenta-se IP para cada ω ∈ Ω, e por fim, apresentam-se os conjuntos {Aij } que
satisfazem a seguinte propriedade: em Aij , o valor de X é xi e o valor de Y é
yj . Observe a respeito disso, que eu propositamente evitei esse caminho alternativo
quando formulei o item (l), pois com o uso dessa maneira a fórmula final não seria
a Eq. 1.5, mas a seguinte equação
X
IE[X1ID ] = IE[X Y = bj ] × IP {A1j ∪ A2j ∪ · · · ∪ Aij } (5.29)
j∈J
A Eq. (1.5) foi privilegiada em detrimento da Eq. (1.29) pois a primeira tem mais
semelhanças com a Eq. (1.13), cuja construção pode ser explicada por analogia com
a construçõe de Eq. (1.5) ou de Eq. (1.29).
Exer. 54. O exercı́cio serve para convencer você que caso (X, Y ) tem distri-
buição discreta, aı́ então a definição implicita da esperança condicional permite que
essa seja calculada explicitamente. Observe que a discussão em torno da implici-
tude/explicitude da definição da esperança condicional está no centro de toda nossa
discussão desse objeto. Seja Ω = {ω1 , ω2 , . . . , ω9 }, e defina IP [ωi ] = i/45. Seja
CAPÍTULO 5. ESPERANÇA CONDICIONAL 85
1, ∀ω ∈ B1 = {ω1 , ω2 , ω3 }
2, ∀ω ∈ B2 = {ω4 , ω5 , ω6 }
3, ∀ω ∈ B3 = {ω7 , ω8 , ω9 }
Seja
D = {{ω1 }, {ω2 , ω3 , ω4 }, {ω5 , ω7 , ω8 }, {ω6 , ω9 }}
Calcule IE Y D . Preste a atenção que voce consegue achar toda a estrutura dessa
variável aleatória .
veja
ussão aqui está Exer. 55. ( → ) Por que há diferença nas definições da esperança condicional de
rno da maneira Shiriaev e de Williams? Qual é a diferença? No que esta diferença pode influenciar?
a definição de Não se assuste com esta questão! A diferença não está na própria definição, mas
nça condicional sim nas condições impostas na variável
aleatória X para qual os gigantes (Shiryaev
caso quando a
e Williams, quer dizer) definem IE X G . Entenda o por quê da diferença.
l envolvida na
ão assume valor Exer. 56 Conveça-se (e tente me convencer) que a definição da probabilidade
−∞. condicional
IP A ∩ B
IP A B = , quando IP B 6= 0,
IP B
está de acordo com nossa concepção intuitiva da probabilidade condicional.
Para me entender melhor, imagine que você decidiu introduzir o conceito de
probabilidade condicional no curso de Estatı́stica Básica para uma faculdade de
ciências não exatas. Que seja esta de Psicologia, para tı́tulo de exemplo. Se você
fosse recem-doutor em Estatı́stica, você escreveria, convencido em sua retidão e
orgulhoso de sua sabedoria, a fórmula acima como a definição da probabilidade
condicional. Imagine agora que um de seus alunos é um bis-neto de Freud e de
P. Lévy. Como para este Lévy-Freud, você não é uma autoridade incontestável,
então ele tem coragem de perguntar: “Por que esta é a definição da probabilidade
condicional?”Veja que no fundo da pergunta residem-se duas dúvidas, a saber: o
que é a probabilidade condicional na concepção profana e por que esta bate com a
definição do professor. Como você responderia?
(Aqui, tem que lembrar que as variáveis aleatórias tratadas são discretas e por isto,
f (η) tambem é variável aleatória discreta.)
2
Ex. 60. Let ξ and η be random variables. Show that inf f IE η − f (ξ) is
∗
attained for f (ξ) = IE η ξ . (Consequently, the best estimator
for η in terms of ξ,
in the mean-square sense, is the conditional expectation IE η ξ .)
Eis o que eu dizia para meus alunos dos anos passados: Prezados! Este fato é
muito importante. O problema com ele é que eu não sei como prová-lo. É um tı́pico
problema variacional: tem que achar o mı́nimo de um funcional. Mas este funcional
está definido em espaço de funções e não em R or Rd . Não deve ser difı́cil para
qualquer um menos eu, pois acho que durante meus estudos na universidade matava
as aulas da disciplina “Optimização”.
Hoje, parece que tenho visão pouco mais esclarecida a respeito desse exercı́cio.
Acontece que há um fato, cuja existência era por mim desconhecida, que diz
que o infinum da expressão
alcança-se para a = IE[X]. Isso é algo fantástico pois mostra que há uma
ligação não trivial entre a variânica e a esperança de uma variável aleatória !
CAPÍTULO 5. ESPERANÇA CONDICIONAL 87
and
2
IE Sτ = IE τ · IE ξ1 , Var Sτ = IE τ · Var ξ1 + Var τ · IE ξ1 .
É óbvio que Var Sτ τ deve ser entendido conforme a definição dada no Ex. 10.
Gostaria de acrescentar que as fórmulas são validas mesmo quando ξ1 , ξ2 , . . . é uma
sequencia infinita de variáveis aleatórias independentes e τ não depende desta se-
quencia e assume valores 0, 1, 2, . . .. Preste a atenção às mudanças: a sequencia ficou
infinita e τ agora assume valores em N. Esta última mudança é natural, pois τ conta
quantas variáveis aleatórias da sequencia devem ser tomadas na soma. O que não é
natural é permitir que τ assuma tambem o valor 0. Isto devido ao fato de que Sτ
parece estranho quando τ = 0. De fato, o valor de S0 não segue-se intuitivamente
e naturalmente da definição de Sτ para τ diferente de 0. Esta valor determina-se
pela definição “avulsa” que diz que S0 = 0. O caso particular no qual τ tem a
distribuição de Poisson é muito utilizado na teoria de risco. Precisamente falando,
a variável aleatória Sτ é muito utilizada como o modelo da perda acumulada, sendo
que τ interpreta-se neste modelo como o número de sinistros e cada ξi como a se-
veridade (ou perda, em outras palavras) do i-ésimo sinistro. Tal ampla utilização
deve-se as propriedades da distribuição de Poisson que são muitas e todas boas.
Então, acontece que quando a distribuição de τ não é Poisson, a maioria das pro-
priedades principais deixam de existir e levam com elas um monte de propriedades
secundárias e tado a construção fica muito incômoda para o uso na prática.
Meu comentário do parágrafo anterior levanta a dúvida sobre o por que Shiriayev
não formulou seu exercı́cio já para sequencia infinita de ξ’s. A resposta não é trivial.
Eis esta: Para colocar um número infinito de variáveis aleatórias num espaço de
probabilidades é precisa de construções e teoremas que fogem do escopo da Teoria
de Probabilidades Elementar, e, já que Capı́tulo I do livro pensava-se como a coleção
de fatos cabı́veis a tal teoria, então o autor evitou a falar sobre tal situação.
Ex. 62. Prove que IE ξ D = IE ξ quando ξ é independente da partição D (o que
entende-se, pela própria definição, que ξ e 1ID para qualquer átomo D da partição
D).
Exc. 63 Você precisa saber que existe uma lista de propriedades “clássico-básicas”
da esperança condicional. Essa lista está no livro de Shiryaev, e também em todo e
qualquer livro didático que toca no assuno “esperança condicional”. Por exemplo,
a lista que você vê abaixo foi copiada por mim do livro de Williams (§ 9.7). de seu
livro delimita bem o conjunto das que chamaria por “básicas”. A lista está repetida
por mim logo abaixo, e depois desta, eu sugiro a maneira que você deve seguir para
conhecer satisfatoriamente as propriedades da lista.
(a) If Y is any version of IE X G then IE [Y ] = IE [X].
(b) If X is G measurable, then IE X G = X, a.s.
CAPÍTULO 5. ESPERANÇA CONDICIONAL 88
(c) (Linearity) IE a1 X1 + a2 X2 G = a1IE X1 G + a2 IE X2 G , a.s.
Clarification: if Y1 is a version of IE X1 G and Y2 is a version of IE X2 G ,
then a1 Y1 + a2 Y2 is a version of IE a1 X1 + a2 X2 G .
(d) (Positivity) If X ≥ 0, then IE X G ≥ 0, a.s.
(e) (conditionalMON) If 0 ≤ Xn ↑ X, then IE Xn G ↑ IE X G , a.s.
(f) (conditionalFATOU) If Xn ≥ 0, then IE lim inf Xn G ≤ lim inf IE Xn G ,
a.s.
(g) (conditionalDOM) If |Xn (ω)| ≤ V (ω), ∀n, IE [V ] < ∞, and Xn → X, a.s., then
IE Xn G → IE X G , a.s.
para espaço infinito, o qual, porém, pode ser só enumerável; explicitamente falando,
são as demostrações das propriedades sobre a convergência.
Sugiro ainda que você simplifique demonstrações, onde for possı́vel. Por exemplo,
na demonstração do Shiryaev mencionada acima, era suficiente tomar ξ e η da
maneira que cada uma assume duas valores só.
Convergência de variáveis
aleatórias
Começo então com a1 construção daquela σ-álgebra que está denotada por
σ(ξ1 , ξ2 , . . .). A construção da σ-álgebra desejada faz-se em duas etapas. Na primeira
veja
9 lhe convida a etapa, faz-se a álgebra ( → )
mar as proprieda-
álgebra desse ob- ∪∞
n=1 σ(ξ1 , ξ2 , . . . , ξn ) (6.1)
A σ-álgebra denotada por σ(ξk , ξk+1 , . . .) faz-se da mesma maneira que foi usada
acima para construir σ(ξ1 , ξ2 , . . .) mas com a unica diferença: todas as construções
começam com ξk em vez de ξ1
Agora, vou recordar a construção da σ-álgebra chamada de caudal. Ela denota-se
por X e defina-se assim:
X := ∩∞ k=1 σ(ξk , ξk+1 , . . .), (6.3)
Observe que X é de fato uma σ-álgebra pois ela é definida como interecção de
σ-álgebras.
Acerca de certa propriedade da coleção X , versa a Lei 0–1 de Kolmogorov:
Lei 0–1 de Kolmogorov. Suponha que ξ1 , ξ2 , . . . são variáveis aleatórias inde-
pendentes definidas num espaço de probabilidades (Ω, F, IP ). Seja X a coleção de
eventos definidos a partir dessas variáveis de acordo com (2.3). Então, para cada
A ∈ X , o valor de IP [A] é ou 0 ou 1.
A demonstração da Lei 0–1 de Kolmogorov está no livro de Shiryaev em forma
completa e clara. Eu somente gostaria de destacar os dois pilares principais da
demostração.
veja
o esse fato como Um dos pilares é o fato ( → ) que para cada A ∈ σ(A) e cada ε > 0 pode ser
0. achado Aε ∈ A tal que IP [A∆Aε ] ≤ ε, onde A é uma álgebra, onde σ(A) é a menor
σ-álgebra que contem A, e onde IP é a medida σ-aditiva em A que foi extendida
à σ(A) segundo o Teorema de Caratheodory. Esse fato, sendo combinado com os
fatos que
X ∈ σ(ξ1 , ξ2 , . . .) e que σ(ξ1 , ξ2 , . . .) := σ (∪∞
n=1 σ(ξ1 , ξ2 , . . . , ξn ))
veja
i que torna-se garante a existência de sequência de eventos An ∈ σ(ξ1 , ξ2 , . . . , ξn ) ( → ) tais que
ante a cons- IP [A∆An ] → 0 conforme n → ∞. Esse é o primeiro pilar que sustenta a demostração
de X como toda.
enor σ-álgebra O segundo pilar é o fato de que A ∈ X está independente de qualquer An ∈
ntém a álgebra veja
ξ1 , . . . , ξn ). σ(ξ1 , ξ2 , . . . , ξn ). Isso é a consequencia da independencia ( → ) entre ξ’s. Tal inde-
pendência garante que, para qualquer n, as σ-álgebras
me que esse é
o lugar da de- σ(ξ1 , ξ2 , . . . , ξn ) e σ(ξn+1 , ξn+2 , . . .)
ação toda onde
a independências
são independentes (o que, pela própria definição significa a independencia entre
iáveis. quaisquer eventos B e C tomados lvremente das respectivas σ-álgebras). Agora,
como A está em X , então a definição da mesma implica no que A está em σ(ξn+1 , ξn+2 , . . .).
Já An está em σ(ξ1 , ξ2 , . . . , ξn ) devido à própria construção de An . Concluindo, te-
mos a independência entre A e An .
Vamos agora falar sobre as aplicações da Lei 0–1 de Kolmogorov. Eu conheço e
uso uma aplicação direta que basea-se no fato que os eventos do tipo dos listados
abaixo pertencem à σ-álgebra caudal (de ξ1 , ξ2 , . . .) (aviso: An ’s abaixo não têm
nada a ver com An ’s que aparecem na demonstração da Lei):
A1 := { ∞
P P
n=k (ξn /n) converge} A2 := { n ξn converge}
A3 := {ξ n ∈ In para infı́nitos n} A4 := {lim supn ξn < ∞}
A5 := lim supn ξ1 +···+ξn
<∞ A6 := nlim supn ξ1 +···+ξ n
< co (6.4)
n n
ξ1 +···+ξn
A7 := n
converge A8 := lim supn ξ√1 2n
+···+ξn
log n
=1
CAPÍTULO 6. CONVERGÊNCIA DE VARIÁVEIS ALEATÓRIAS 92
Então, eu acreditei na palavra do Shiryaev que garante que cada um dos even-
tos listados está em X , e concluı́, onde e quando foi precisa na minha pesquisa,
que a probabilidade de qualquer um deles é 0 ou 1. Vale confessar que acreditar
era fácil, pois crença adveio diretamente da interpretação de “evento em X ” como
(citação do livro de Shiryaev) “o evento que não depende dos valores de variáveis
aleatórias ξ1 , . . . , ξn para qualquer valor fixo de n, mas que está determinado pelo
comportamento das variáveis que são infinitamente remotas na sequencia ξ1 , ξ2 , . . .”.
Entretanto, confesso que nunca me preocupei em verificar formalmente se cada Ai
de fato pertence à X . Tal verificação fica então por conta de meu leitor, e o Exc. 21
formalisa essa tarefa.
Acima, falei sobre a aplicação da Lei 0–1 que chamei de “direta” para evitar
de chamar por “trivial”. A aplicação não trivial está no livro de Shiryaev; é o
Teorema que fala dos valores da IP [Sn = 0 infinitas vezes] para passeio aleatório Sn
feito de variáveis aleatórias Bernoulli. Exc. 22 convida meu leitor a acompanhar a
demostração desse teorema.
X ∗ := ∩∞ ∗
k=1 σ (ξk , ξk+1 , . . .), (6.6)
por pura analogia com a definição clássica daquilo que foi chamado por σ-álgebra
caudal, e vamos colocar as seguintes questões cujas respostas em conjunto respon-
derão à pergunta colocada pelo aluno:
(c) Caso descobrimos que X ∗ e X são distintos, ainda temos a curiosidade de saber
se a afirmação do tipo da Lei 0-1 de Kolmogorov aplica-se ao X ∗ , isto é, se é
válido
Lei 0-1 de aluno. Suponha que ξ1 , ξ2 , . . . são variáveis aleatórias indepen-
dentes definidas num espaço de probabilidades (Ω, F, IP ). Então, para cada
A ∈ X ∗ , o valor de IP [A] é ou 0 ou 1.
Exc. 66. É muito útil para sua compreenção de tudo que está lhe contado nesse
capı́tulo, que você esclareça para si questão levantada nesse exercı́cio. Aviso que os
sı́mbolos usados em (2.7) abaixo foram definidos Capı́tulo 2. Se você tem dificuldades
na compreenção desses sı́mbolos, pode pular o exercı́cio.
Suponha que cada ξi foi definida inicialmente me “seu” espaço de probabilidades
(Ωi , Fi , IPi ), e suponha que todas elas foram depois colocadas no mesmo espaço
∞ ∞
Y Y
Ωn , ⊗ F n (6.7)
n=1 n=1
Exc. 68. Esse fato é um dos pilares principais da demonstração da Lei 0-1 de
Kolmogorov (veja § 1 de Cap. IV do livro de Shiryaev). O exercı́cio coincide com o
Ex. 8 do [Link], §3 de Shiryaev.
Seja (Ω, F, IP ) um espaço de probabilidades e seja A uma álgebra se subconjuntos
de Ω tal que σ(A) = F. Usando o Princı́pio de Conjuntos Apropriados prove que
para cada A ∈ σ(A) e cada ε > 0 pode ser achado Aε ∈ cA tal que IP [A∆Aε ] ≤ ε.
Observação: Nas primeiras versões deste exercı́cio que apareceram em minhas anotações,
eu acrescentava a seguinte condição: “F ≡ σ(A) é a menor σ-álgebra que contem A,
IP é a medida σ-aditiva em A que foi extendida à σ(A) segundo o Teorema de Ca-
ratheodory”. Eu já não me lembro se tal condição era importante para a solução do
exercı́cio, mas certamente a condição está presente no ambinete em qual a afirmação
do exercı́cio estará empregada.
Um item adicional, que não será usado e cuja demostração não é simples:
Observe que existe demonstração da Lei 0-1 de Kolmogorov que emprega martingais;
tal demonstração está no § 14.2 do livro de Williams. Sertifique-se que você entende
a demostração. Em qual lugar desta demostração encontra-se a contraparte do fato
provado no Exc. 20?
Exc. 69. Esse exercı́cio foi pensado como a tarefa de achar a maneira formal da
demostração de que um dado evento A pertença à σ-álgebra caudal X . Tal tarefa de
fato está no item (b) do exercı́cio. Porém, ao pensar nessa tarefa, eu achei que seja
útil pedir também a mesma coisa mas para a σ-álgebra σ(ξ1 , ξ2 , . . .); assim nasceu
CAPÍTULO 6. CONVERGÊNCIA DE VARIÁVEIS ALEATÓRIAS 94
(b) Para cada um dos eventos A’s que figuram na Eq. (2.4), faça a demostração
formal que comprove que A pertence a X .
Exc. 70. Leia e entenda a apresentação do livro de Shiryaev onde ele prova que
1, se p = 1/2,
IP [Sn = 0 infinitas vezes] =
0, se p 6= 1/2
Esta parte do curso está destinada à derivação do Teorema Central de Limite (TCL)
e da Lei Levy-Khintchin. Ambos os resultados serão derivados com auxı́lio de funções
caraterı́cticas e suas propriedades, as mais usada das quais será a propriedade que
vincula convergência de distribuições probabilı́sticas a convergência de suas corres-
pondentes funções caraterı́sticas conhecido sob o nome Continuity Theorem:
⇒
(1) Se Fn w F , onde F é uma função de distribuição, então φn (t) → φ(t), t ∈ R,
onde φ(t) é a função caraterı́stica de F = F (x).
(2) Se limn φn (t) existe para cada t ∈ R e se φ(t) := limn φn (t) está contı́nua em
t = 0, então φ(t) é a função caraterı́stica de função de distribuição F = F (x)
⇒
e Fn w F .
Você verá que com a ajuda do Teorema de Continuidade tornam-se muito simples
as demonstrações do Teorema Central de Limite e da Lei Levy-Khintchin. Tal
simplicidade deve implantar na sua mente a sensação de que a parte essencial destas
demonstrações está embutida na demonstração do Teorema de Continuidade, e ainda
mais, que esta parte embutida deve ser pesada pois tanto TCL quanto o Levy-
Khintchin postulam propriedades altamente não triviais. Esta sensação está certa,
1
Para estar absolutamente preciso, devemos dizer “funções de distribuição de probabilidade”,
mas já que todas a sfunções d edistribuição con consideradas neste curso são de probabilidade,
então simplificamos a fala dizer ““funções de distribuição”.
95
CAPÍTULO 7. FUNÇÕES CARATERÍSTICAS, TEOREMAS DE LIMITE 96
O que então sobra para ser discutido na sal de aula? Sobra bastante coisa, e são
bem divertidas.
Exc. 72. Era uma época de minha vida na qual eu pensava que toda a força de
funções caraterı́sticas adveio do fato que na sua definição usa-se números complexos.
Você concorda? O fato que pode lhe auxiliar na procura da resposta a tal pergunta
é a comparação das transformações de Fourier e de Laplace. Qual delas é melhor?
O que a de Fourier consegue que a de Laplace não?
Exc. 74. Analise a questão de convergência em cada caso abaixo usando como a
ferramenta de análise o método que foi apresentado na aula para provar o TCL no
CAPÍTULO 7. FUNÇÕES CARATERÍSTICAS, TEOREMAS DE LIMITE 100
Tente também usar a mesma ferramenta para provar a Lei Forte de Grandes Números
no caso quando Var[ξi ] < ∞, isso é, prove que sob as condições da Eq. (3.3) ocorre
que
Sn
→m
n
(Eu não me lembro se a última tarefa é fácil, e também não me lembro se a ferramenta
utilizada para sua demonstração permite provar que a convergência é quase certa.)
CAPÍTULO 7. FUNÇÕES CARATERÍSTICAS, TEOREMAS DE LIMITE 101
É, no mı́nimo curioso, que a demonstração original de Lindeberg não foi pelo
caminho de funções caraterı́sticas, mas via a avaliação de convulações de funções de
distribuição acumulada.
Antes de entrar em detalhes, gostaria de mostrar a razão pela qual “ln” fun-
cionaria bem para derivação de limite para sequencias variáveis aleatórias que são
somas de variáveis aleatórias independentes. Seja então ξ1 , ξ2 , . . . uma sequencia
de variáveis aleatórias independentes com média nula, e seja Sn formada como
ξ1 + · · · + ξn . Seja {Cn } uma sequencia de constantes. Neste ambiente, vamos
colocar a questão acerca da convergência em distribuição da sequencia {Sn /Cn }.
Vamos resolver tal questão cam auxı́lio de funções caraterı́sticas. Usando o fato
de Sn ser formada como soma de variáveis independentes, e juntando este com
propriedades de f. caraterı́sticas (uma das quais é a expanção de Taylor fξk =
1 − Var[ξk ]t2 /2 + correçãok (t2 )) tem-se que
n n n
t2
Y Y Y
2 2
fSn /Cn (t) = fξk /Cn (t) = fξk (t/Cn ) = 1− 2
Var[ξk ] + correçãok (t /Cn )
k=1 k=1 k=1
2C n
No passo seguinte, vamos aplicar “ln” aos dois lados e usar a espansão de Taylor
ln(1 + z) = z + resto(z) (o ”resto” e a “correção” são duas palavras diferentes para
o mesmo conceito; eu preciso diferenciá-los pois um é da expansão de fξk e o outro
é da expansão de ln). Temos:
n
X t2
− 2 Var[ξk ] + correçãok (t2 /Cn2 )
ln fSn /Cn (t) =
k=1
2Cn
t2
2 2
+ resto − 2 Var[ξk ] + correçãok (t /Cn )
2Cn
Isto deixa claro que se conseguir mostrar que
n
t2
X
2 2 2 2
correçãok (t /Cn ) + resto − 2 Var[ξk ] + correçãok (t /Cn ) (7.5)
k=1
2Cn
Se, por exemplo, a condição de Lindeberg for válida, então limn→∞ nk=1 Var[ξ k]
P
2
Cn
= 1,
o que implica no que ln fSn /Cn (t) → −t2 /2 e consequentemente no que Sn /Cn
converge fracamente á distribuição Normal Padrão.
Acontece que o tratamento da expressão (3.5), com o intuı́to de mostrar sua
convergência ao zero, não é tarefa simples. Em particular, vale notar que tal con-
vergência não é automática, mas sim precisa que certas condições acontecam. Uma
delas é a condição de Lindeberg. Nas seções seguintes vamos completar todos os
detalhes da demostração.
então
Sn − IE [Sn ]
p converge fracamente à v.a. Normal Padrão (7.12)
Var [Sn ]
Então, seja t um valor real fixo, escolhido arbitrariamente. Denotamos por ε qual-
quer valor positivo que satisfaz
Começamos com a seguinte expansão válida para todo ε > 0, todo n e todo k ∈
{1, 2, . . . , n}:
Z ∞ Z Z
itx itx
fξk (t) = e dFk (x) = e dFk (x) + eitx dFk (x) (7.15)
−∞
x<εDn x≥εDn
(a relação (3.15) é válida também para k > n, mas precisaremos dela somente para
k ≤ n). Aplicaremos a eitx da primeira integral a expansão
y 2 θ2 (y)|y|3
eiy = 1 + iy − + válida para y ∈ R, com |θ2 (y)| ≤ 1, ∀y (7.16)
2 3!
e aplicaremos a eitx da segunda integral a expansão
θ1 (y)y 2
eiy = 1 + iy − válida para y ∈ R, com |θ1 (y)| ≤ 1, ∀y (7.17)
2
(note que θ1 e θ2 são funções complexos, i.e., R → C).
CAPÍTULO 7. FUNÇÕES CARATERÍSTICAS, TEOREMAS DE LIMITE 104
e (na segunda passagem em (3.23) embaixo usa-se que |x| < εDn )
Z Z Z
1 3 1 3 εDn
θ2 |x| dFk (x) ≤ |x| dFk (x) ≤ x2 dFk (x) (7.23)
6 6 6
x<εDn x<εDn x<εDn
Observe que “| · |” é necessário em (3.22) e (3.23) acima pois θ1 e θ2 não são necessa-
reamente valores reais positivos. A princı́pio, as estimativas feitas em (3.22) e (3.23)
servem bem à continuação de argumentos que levrão á demonstração do teorema.
Entretanto, os argumentos ficam mais nı́tidos se continuarmos com igualdades em
vez de desigualdades. É com este objetivo em mente que introduzimos θ˜1 e θ˜2 tais
que Z Z
1 2 ˜
θ1 x dFk (x) = θ1 x2 dFk (x) (7.24)
2
x≥εDn x≥εDn
e Z Z
1
θ2 |x| dFk (x) = θ˜2 εDn
3
x2 dFk (x) (7.25)
6
x<εDn x<εDn
Se os coeficientes 1/2 e 1/6 fossem mantidos, então, pela lógica das desigualda-
des (3.22) e (3.23), teriamos que |θ˜1 | ≤ 1 e |θ˜2 | ≤ 1. Mas os coeficientes foram
incorporados nos “theta’s”, fato que acarreta que
|θ˜1 | ≤ 1/2 e |θ˜2 | ≤ 1/6 para qualquer valor de seus argumentos (7.26)
Quanto aos argumentos das funções θ˜1 e θ˜2 , sabemos por certo que elas não depen-
dem de x, pois x está ausente nos dois lados de cada uma das desigualdades (3.22) e
(3.23) (x some após a integração). O que sobra apos a integração são, possivelmente,
ε, Dn e t (isto porque t estava presente nos argumentos de θ1 e θ2 ). Também, os
resultados de integração dependem da Fk . Resumindo, temos que os argumentos
de θ˜1 e θ˜2 são ε, Dn , k, t. Outrassim, a dependência especı́fica não nos interessa,
pois tudo que será usado nos argumentos futuros são as estimativas (3.26), as quais,
volto a afirmar, são válidos para quaisquer valores dos argumentos destas funções
(as quais, alias, são funções com valores em C).
Com o inuı́to de simplificar a escrita, introsuz-se, para cada n ∈ N, e k = 1, . . . , n,
Z Z
1 2 1
Akn := 2 x dFk (x) e Bkn := 2 x2 dFk (x), (7.27)
Dn Dn
x<εDn x≥εDn
ε2 Dn2
Z Z
1 2
Akn := 2 x dFk (x) ≤ dFk (x) ≤ ε2 (7.29)
Dn Dn2
x<εDn x<εDn
CAPÍTULO 7. FUNÇÕES CARATERÍSTICAS, TEOREMAS DE LIMITE 106
para cada ε > 0 existe n0 tal que Bkn ≤ ε2 /2, ∀n > n0 (7.32)
Agora, com o uso de notações (3.27), vamos apresentar fξk /Dn (t) assim:
2
fξk /Dn (t) = 1 − t A2kn + t2 θ˜1 Bkn + |t|3 εθ˜2 Akn
(7.33)
=: 1 + Ckn
O plano é aplicar “ln” à função fξk /Dn (t) e usar uma expansão de ln(1+z). Acontece
que a expansão só é válida quando |z| ≤ 1/2. Como o papel de z está desempe-
nhado pelo Ckn , então a tarefa atual é garantir que este será menor que 1/2 para
todo
Pn n suficientemente grande. Faremos isto agora junto com uma estimativa para
k=1 |Ckn | que será nos útil no futuro.
A propriedade (3.29) permite estimar |t2 Akn /2| por t2 ε2 /2, equanto (3.32) e
(3.21) garantem que a mesma expressão limita por cima t2 θ˜1 Bkn . Já (3.21) e a
simples estimativa |Akn | ≤ 1 garantem que |t|3 εθ˜2 Akn ≤ ε|t|3 . Juntando tudo,
temos:
max |Ckn | ≤ t2 ε2 + ε|t|3 (7.34)
1≤k≤n
ln(1 + z) = z + θ(z)|z|, válida para z ∈ C t.q. |z| ≤ 1/2 sendo que |θ(z)| ≤ 1, ∀z
(7.37)
Aplicando esta á relação (3.33), temos:
Como n
X
ln f S√n −IE[Sn ] (t) = ln fξk /Dn (t) (7.39)
Var[Sn ]
k=1
(b)
Pn
t2
Pn ˜ → 0 conforme n → ∞ devido á propriedade (3.30).
k=1 k=1 θ1 Bkn
(c) |t|3 ε k=1 θ˜2 Akn pode ser feito tal pequeno qual desejado via a escolha de ε,
Pn
(d) Quanto a nk=1 θkn |Ckn |2 , sua estimativa obtem-se assim com auxı́lio de (3.34)
P
e (3.35):
Pn 2 Pn 2
k=1 θkn |Ckn | Pn k=1 |Ckn | 2 2
≤
≤ max1≤k≤n |Ckn | k=1 |Ckn | ≤ (t ε + ε|t|3 )(t2 + ε|t|3 )
portanto nk=1 θkn |Ckn |2 pode ser feito tel pequeno qual desejado via a escolha
P
apropriada de ε.
7.2.4 Exercı́cios
Exercı́cio 75. Qual é o sentido do enunciado de TCL-de-Lindeberg exigir que
Var[ξk ] 6= 0?