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Desafios do Brasil na Luta Contra a Fome

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” Os desafios do Brasil na era da inteligência artificial “

AULA de Atualidades – TEMA: Aliança Global contra a Fome e A Fome é um Problema Nosso – P8

Aluno(a) : ________________________________________________________________________ Turma : .

Data : _____/_____/______ Profº :

G20 no Brasil: Aliança Global contra a Fome e a Pobreza será lançada hoje; veja as propostas
Incentivo à agricultura familiar é uma das propostas para incluir os pequenos produtores no
mercado nacional e global de alimentos
Por Alice Cravo — Brasília
24/07/2024 00h00 Atualizado há 2 meses

A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, principal iniciativa da presidência brasileira no


G20 para combater a insegurança alimentar, será anunciada nesta quarta-feira, dia 24. O programa
terá uma cesta de propostas com eficácia comprovada e será aberto para a adesão de qualquer país.
O governo trata como um pré-lançamento, pois a oficialização da proposta será feita na cúpula
de chefes de Estado do G20, em novembro, no Rio.
Além da distribuição de alimentos, as políticas e estratégias de combate à fome que vêm sendo
desenhadas pela presidência brasileira no G20 — grupo de 19 grandes economias globais, mais a
União Europeia e a União Africana — também visam à integração social e econômica dos mais pobres
e de pequenos produtores, de modo que sejam incluídos no mercado nacional e global de alimentos.
Durante as discussões para a criação da aliança, o Programa Nacional de Alimentação Escolar
(PNAE), que determina que 30% dos produtos adquiridos sejam de produtores locais, foi apontado
como um dos que têm maior impacto, com retorno significativo de investimento.

Apoio a famílias no campo


A estimativa do G20 é de que a cada US$ 1 investido o retorno é de nove vezes o valor com
redução de danos em outras áreas sociais. O PNAE é um dos maiores programas de acesso à
alimentação do Brasil e virou vitrine mundial.
Saulo Ceolin, coordenador da Força-Tarefa do G20 para o estabelecimento da Aliança Global,
aponta que a maior parte das 730 milhões de pessoas que passam fome no mundo estão
concentradas no campo e, por isso, há uma conexão essencial do fortalecimento da agricultura familiar
com o esforço de combate à fome:
1
— Vamos prever políticas de incentivo à produção da agricultura familiar, como a alimentação
escolar no modelo brasileiro. Há ainda políticas no sistema do Cadastro Único (CadÚnico) e do Bolsa
Família, instrumentos eficientes, mas que não são voltados especificamente para isso.
O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) é tido como uma "clássica política" que une
combate à fome com inclusão social. Seu modelo também estará na cesta da Aliança Global Contra a
Fome e à Pobreza.
O PAA realiza compra direta de alimentos da agricultura familiar para pessoas em situações de
insegurança alimentar e nutricional e para restaurantes comunitários e cozinhas solidárias.
Lilian Rahal, secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do
Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome (MDS) destaca que o programa promoveu a
inclusão de um público diverso, como indígenas e quilombolas, e fez com que agricultores familiares
passassem a ter acesso aos mercados de consumo.
Hoje, mais de 60% dos agricultores familiares são mulheres e 70% estão na base do
CadÚnico.
Rahal diz que, atualmente, os agricultores familiares são o coração da produção alimentar de qualquer
país e chave para o combate à fome. No Brasil, são eles os responsáveis pela produção de alimentos
perecíveis. Também são os mais pobres e com menos recursos para sobreviver e superar problemas
como mudanças climáticas.
Daniel Baladian, de agência da ONU, defende a adoção de políticas econômicas, além das
sociais, para reduzir desigualdades — Foto: Ericka Galindo/WFP
No Brasil, cerca de seis milhões de famílias são registradas como agricultores familiares, o que
significa, em um cálculo aproximado, 30 milhões de pessoas beneficiadas.
Texto adaptado: [Link]
[Link]

A fome é um problema nosso


O Brasil é um país incrível, que desperdiça o seu potencial assim como desperdiça os seus
alimentos. E o direito a uma alimentação segura é o direito mais básico do ser humano. Por isso, entre
tantas carências no nosso país, vejo o combate à insegurança alimentar como o mais urgente, o mais
necessário.
Os dados mostram uma dura realidade que precisa ser enfrentada. Existem números variados
sobre a questão, medidos de diferentes formas, mas todos trazem uma mesma verdade: há dezenas
de milhões de brasileiros espalhados por todas as regiões do país sem saber se terão comida
suficiente e de qualidade na próxima refeição. Isso tem impactos de todo tipo nessas pessoas,
afetando seu desenvolvimento pessoal e cognitivo, gerando problemas econômicos e sociais em
2
diversas áreas, como educação, saúde e produtividade. É um imperativo humanitário acabar com essa
mancha em nosso país. E é um imperativo econômico integrar o potencial pleno desses milhões de
brasileiros à força produtiva, garantindo uma alimentação segura e de qualidade.
Ao mesmo tempo, estima-se um desperdício anual de cerca de 55 milhões de toneladas de
alimentos, desde o campo até a casa do consumidor. Atuar no combate à fome não apenas ajuda a
mitigar esse desperdício, mas também beneficia a redução do impacto ambiental, ao promover uma
abordagem interligada para resolver esses desafios.
Problemas socioeconômicos complexos, como este, demandam esforço coletivo e atuação
conjunta de diversos setores. O governo, a filantropia, o setor privado, as organizações não
governamentais, a academia e a imprensa são fundamentais para encontrar as melhores soluções.
Esses atores trazem recursos, inovação, capilaridade, informação e agilidade à missão.
O engajamento de empresas e indivíduos é crescente, porém ainda é insuficiente para realizar
essa transformação. O setor privado cada vez mais entende que a busca por soluções efetivas para a
fome em nosso país não é apenas responsabilidade dos governos: esse problema é nosso, e a
solução para ele deve contar com a contribuição de todos.
No Pacto Contra a Fome, instituição da qual sou cofundadora e presidente do Conselho, nosso
objetivo é erradicar a fome no Brasil de maneira duradoura e eficaz até 2030 e, até 2040, garantir que
todas as pessoas estejam bem alimentadas. Nos dedicamos ao entendimento das causas raízes e,
sobretudo, das soluções viáveis. Trabalhamos para fomentar a colaboração entre todos os setores,
baseando nossas ações em dados e evidências, sempre com uma abordagem suprapartidária.
Dialogamos com o governo e a sociedade civil para o fortalecimento de políticas públicas e práticas
sociais voltadas à segurança alimentar e à redução do desperdício de alimentos.
Sem dúvida, o governo é quem tem o maior poder de transformação e resolução. E tem
atuado. Estamos vendo isso através da distribuição de renda pelo Bolsa Família e outros programas
sociais, aliado a um baixo nível de desemprego, o que ajudou a tirar milhões de brasileiros da situação
de insegurança alimentar. Medidas como o valor do salário-mínimo e a composição da cesta básica
têm impacto direto na mesa dos brasileiros. Mas ainda há milhões de pessoas no Brasil que sofrem
algum tipo de insegurança alimentar.
Trago aqui uma reflexão: se somos 64 milhões de brasileiros em algum grau de insegurança
alimentar, certamente ao seu lado tem alguém que está nesta situação.
Vejo razão para otimismo se todos estiverem juntos para erradicar esse problema de uma vez
por todas. E sim, isso é possível. O otimismo está pautado na força e na dedicação das pessoas que
travam essa batalha, na diversidade de iniciativas inteligentes espalhadas pelo Brasil, na quantidade
de alimentos que produzimos, na receptividade das lideranças de todas as correntes políticas e todos

3
os setores econômicos, e no uso crescente da inteligência artificial e das novas tecnologias no
combate à fome.
É inadmissível que, em 2024, com tantos saberes e tanta inteligência, ainda tenhamos milhões
com fome neste país que produz, exporta e joga no lixo toneladas de alimentos todos os dias. O que
estamos fazendo? Ou melhor, o que ainda não estamos fazendo?
[Link]

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