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RISC Team Alpha 3 - Beautiful RISK

Hot romance livro

Enviado por

EliseMachado
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Exclusive Stars Books

R.I.S.C
Ele não acredita que é digno de amor.
Ex-Delta Force Trevor Matthews passou uma década assombrado
pelos pecados de seu passado. Acreditando-se indigno do amor, ele
mantém sua mente em seu trabalho e seu coração perto do colete. Então
ele conhece Lexi. A bela garçonete com um sorriso angelical acende uma
faísca no fundo, fazendo-o desejar uma vida que ele nunca pensou ser
possível.

Então ele a encontra.


Lexi Hamilton estava bem em seu caminho para realizar seu sonho
de se tornar um chef de classe mundial quando a tragédia acontece.
Depois de perder tudo o que importava para ela, ela não tem outra escolha
a não ser passar seus dias servindo mesas e rezando por gorjetas.
Ocupada arranhando seu caminho de volta à vida que ela aspira ter, a
última coisa que Lexi espera é se apaixonar. Isso tudo muda quando ela
conhece Trevor.

Seu passado ameaçará seu futuro.


Quando o especialista em segurança privada a protege de uma
situação perigosa, Lexi e Trevor formam uma conexão imediata e
inquebrável. Mas assim como Trevor está pronto para dar outra chance ao
amor, ele percebe que alguém quer Lexi morta. Forçando-o a enfrentar os
demônios de seu passado, ele não vai parar por nada para salvar a mulher
que ama.
— Está vazio. Você sabia disso?

Por trás dos óculos escuros, Trevor Matthews olhou para o caixão
novo e reluzente. Seu tom prateado brilhava ao sol de verão.

Jake McQueen - seu líder de equipe da Delta Force e melhor amigo -


ficou em silêncio ao lado dele. Eles foram os únicos dois que ainda não
haviam deixado o túmulo.

Gotas de suor se formaram na testa de Trevor, sua boina de lã não


fazia nada contra o ar quente e abafado. Ele estava com tanto calor que
achou que ia sufocar se não tirasse logo o uniforme de gala.

Seria muito melhor do que a forma como Lisa morreu.

— Por que o caixão? — ele se perguntou em voz alta.

Não era a pergunta mais apropriada, visto que estavam a menos de


meio metro de seu túmulo. Por alguma razão, Trevor não conseguia
esquecer.

— Não sobrou nem mesmo o suficiente para os pais dela enterrarem.

— Não faça isso, cara. — Jake tentou deter essa linha de pensamento.

— Estou falando sério. Por que gastar dinheiro? Por que passar por
tudo isso? — Ele acenou com o braço em direção aos numerosos arranjos
de flores e assentos agora vazios. — Não é como se ela estivesse aqui
para... — Ele mudou de marcha no meio do pensamento. — Eu não deveria
ter deixado ela entrar lá. Eu deveria ter ouvido meu instinto, mas eu... — sua
voz falhou, e ele limpou a garganta — Eu não deveria ter deixado nenhum
deles ir.
Jake se virou para encará-lo. — Eu estou lá. Eu faria a mesma decisão,
o dia todo. — Trevor balançou a cabeça em negação, mas Jake
continuou. — Ouça-me, Trev. Você não pode fazer isso consigo mesmo,
está me ouvindo?

Trevor se virou para seu amigo, grato que os óculos de sol


esconderam seus olhos avermelhados. — Eu sabia que estava errado,
Jake. No meu íntimo, eu sabia que algo não estava certo com aquele cara,
mas ainda assim dei o sinal verde.

— E se não fosse pela porra da gripe me derrubando no chão, eu teria


dado a esses caras e a Lisa luz verde para entrar naquele prédio.

— Você não sabe disso. Você poderia ter visto algo. Percebido algo
que eu não vi ou...

— Besteira. Eu li os relatórios. Tínhamos informações


ruins. Ponto. Você não perdeu porra nenhuma. — Quando Trevor
permaneceu em silêncio, Jake disse: — E não vamos esquecer, Lisa foi
quem trouxe Hadim para começar.

As mãos enluvadas de Trevor cerraram-se ao lado do corpo enquanto


ele falava com os dentes cerrados. — Não faça isso. Você não pode culpá-
la.

— Por quê? Por que você quer assumir toda a culpa? Lisa era da CIA,
Trev. Ela conhecia os riscos. Você compartilhou suas suspeitas sobre
Hadim, mas ela optou por ignorá-las e seguiu em frente como planejado. Isso
é culpa dela. Não sua.

— Não foi culpa dela. — Trevor rosnou, defendendo a mulher pela qual
ele passou a gostar. Uma com quem ele dormiu por dois meses, apesar dos
regulamentos contra isso. Uma mulher a quem ele tinha acabado de dizer
seu último adeus. — Hadim era um ativo de longa data. Ela confiava nele.

— E essa confiança a matou.


Exceto que Lisa não tinha apenas sido morta. Ela foi mantida em
cativeiro por quase uma semana. Torturada esse tempo todo. A cada dia
que passava, uma nova onda de dor e terror caía sobre ela até que
finalmente... misericordiosamente... ela deu seu último suspiro.

Usando o ombro, Trevor enxugou a única lágrima que escapou de


seus óculos. Virando-se, ele olhou para o caixão uma última vez e fez um
voto silencioso.

Nunca mais, ele se permitiria se sentir assim. Lidar com a perda


daqueles com quem ele serviu já era ruim o suficiente. Saber que alguém
com quem ele teve intimidade morreu porque ele falhou em protegê-la... isso
era uma marca diferente de dor.

Uma que ele nunca iria experimentar novamente.


— Apenas crie um par de bolas e pergunte a ela.

— Shh! Fale baixo, seu idiota. — Trevor avisou seu companheiro de


equipe e amigo do outro lado da mesa. — Ela vai ouvir você.

Derek deu a ele um sorriso sem remorso. — Bom. Pelo menos ela
saberia que você tem uma queda por ela.

Derek West era o analista técnico da RISC e um espertinho


versátil. RISC - Rescue, Intel, Security, and Capture - era uma empresa de
segurança privada de elite com sede em Dallas.

A Alpha Team da RISC - a equipe que ele e Derek faziam parte - era
composta por cinco homens e uma mulher. Todos ex-militares, eles
forneceriam vários serviços diferentes, que vão desde a instalação e teste
de sistemas de segurança de última geração a marchar pelo pântano em
busca do mais recente alvo da Segurança Nacional. E quase tudo no meio.

Jake McQueen, o melhor amigo de Trevor e ex-companheiro de


equipe da Delta Force, era o dono da empresa e era o líder da Alpha
Team. Trevor era seu SIC, ou segundo em comando, mas nas últimas duas
semanas, ele estava no comando.

Enquanto Jake estava fora com sua nova esposa, Olivia, Trevor foi
deixado para cuidar do forte. Ele aprendeu rapidamente como esse lado do
trabalho pode ser um pé no saco, mas ele ficaria feliz em lidar com a dor de
cabeça para que seu amigo pudesse ter sua tão esperada lua de mel com o
amor de sua vida.

O cara havia perdido anos sofrendo pela irmã mais nova de seu amigo
de infância, mas depois que Olivia foi sequestrada e quase morta por um
sádico traficante, Jake finalmente voltou a si e se casou com a mulher dos
seus sonhos.
Ver aqueles dois juntos e felizes fez Trevor pensar sobre sua vida. Seu
futuro. Ele não queria, entretanto, discutir isso com Derek ou qualquer outro
membro da Alpha Team.

— Eu não tenho uma... coisa por ela. — Foi a primeira mentira que
Trevor disse ao amigo.

— Certo. É por isso que temos vindo aqui, para comer nesta merda de
lanchonete, em vez de ir para algum lugar no mesmo fuso horário do
escritório.

Trevor revirou os olhos. Derek poderia ser tão dramático. O Joe's


ficava a menos de vinte minutos de carro do escritório da RISC no centro da
cidade. — Eu gosto da comida aqui.

D riu tão alto que vários clientes se viraram em sua direção. — Um, a
comida aqui é gordurosa pra caralho. E dois, com exceção de sua senhora,
o serviço tem sido medíocre, na melhor das hipóteses. Apenas admita,
Trev. Você está com tesão por aquela coisinha desde que topamos com este
lugar.

O olhar de Trevor deslizou para a pequena loira. Vestindo jeans


perfeitamente ajustados e uma camiseta preta, ela começou a anotar os
pedidos de um casal de idosos.

Como todas as outras vezes que ele veio aqui, ela tinha seu longo
cabelo loiro preso em um coque bagunçado. Algumas gavinhas onduladas
escaparam, emoldurando seu rosto e roçando sua nuca.

Ela sorriu para algo que o homem mais velho disse, aprofundando o
conjunto de covinhas em suas bochechas. Trevor de repente achou difícil
respirar.

— Eu não entendo, cara. Você está solteiro. Não teve uma garota -
séria ou não - todo o tempo que te conheço. Qual é o problema?
Trevor olhou para trás através da cabine para seu amigo. Sem vontade
de ir todo o Dr. Phil com o cara, ele permaneceu quieto. Acabou sendo a
escolha errada a fazer.

— Isso não é sobre aquela mulher, é? Qual era o nome dela... Lisa?

Ouvir o nome foi um choque para seu sistema. Vários segundos se


passaram antes que Trevor pudesse falar. — Como você sabe sobre ela?

Derek o olhou incrédulo. — Está brincando né? Inferno, a primeira


coisa que eu fiz quando Jake me contratou foi procurar todos vocês, seus
idiotas.

Claro que sim. — Não. — ele finalmente respondeu à pergunta original


de D. — Lisa não tem nada a ver com isso. — Mentiroso.

Mesmo que seu amigo acenou com a cabeça, Trevor sabia que não
tinha soado tão convincente quanto gostaria.

— Fico feliz em ouvir isso. Porque isso foi há muito tempo, Trev. Você
tem que seguir em frente com uma merda como essa.

— Eu já disse que não é isso, então esqueça.

Depois de dar a ele um olhar avaliador, Derek disse: — Tudo bem. Se


o que aconteceu na Síria não é o problema, o que diabos é? — Então, como
se acabasse de perceber algo grande, os olhos de Derek se arregalaram e
ele começou a tropeçar em suas próprias palavras. — Ah, merda, cara, sinto
muito. Eu não sabia. É legal, no entanto. Mesmo.

Completamente confuso, Trevor perguntou: — Não sabia o quê?

— Sério, cara. Eu não julgo ninguém por merdas como essa. Seu estilo
de vida é problema seu. Mesmo que estejamos batendo em times diferentes,
isso não muda a maneira como eu olho para você, ou...

— Batendo... do que diabos você está falando, D? — Trevor levou o


copo de seu chá doce aos lábios, perguntando-se se seu amigo havia
perdido o juízo.
— Só estou dizendo, ser gay não é nada do que se envergonhar.

Um pequeno gêiser de chá disparou da boca de Trevor, cobrindo a


frente da camisa de Derek.

— Jesus Cristo. — Trevor resmungou enquanto pegava o porta-


guardanapos de metal.

— Uau!

Recuando em seu assento o mais longe que pôde, Derek tirou vários
guardanapos e começou a dar tapinhas na frente de sua camisa.

— Sabe, para um gênio. — Trevor limpou a boca e o queixo — Você


pode ser um verdadeiro idiota.

Agora Derek era quem parecia confuso. — O que? — ele perguntou,


limpando a mesa. — O que foi que eu disse?

— O que você... — Trevor se interrompeu e passou a mão frustrado


pelo queixo. — Só porque eu não vou para a cama com todas as mulheres
que têm pulso, isso não me torna gay.

— Bem, ótimo. Quer dizer, se você fosse, seria legal também. Eu só


quis dizer que...

— Ei pessoal! Desculpe por ter demorado tanto para voltar


aqui. Estamos com falta de pessoal hoje, então tem sido uma loucura.

Trevor olhou para Derek antes de se virar e dar ao anjo de um metro


e meio de pé ao lado de sua cabine um sorriso. É melhor D rezar para que
ela não tenha ouvido a conversa deles.

— Ei, Alexis. Eu perguntaria como você está, mas estou pensando que
pode não ser a hora. — Trevor brincou.

Sorrindo, ela disse: — Bem, você me conhece... apenas vivendo o


sonho.
Seu sarcasmo o fez sorrir ainda mais. Cara, ela é bonita.

Olhando para o peito de Derek, Alexis balançou a cabeça divertida e


riu. — Bela camiseta, Derek. Acho que gosto mais do que a última.

Trevor olhou para a camiseta de D. Ele estava tão acostumado com


as camisetas esquisitas do geek de computador que quase não prestava
mais atenção a elas.

A de hoje era uma foto de um símbolo de poder de computador com


as palavras 'Turn Me On' abaixo dele. Trevor lutou para não revirar os olhos.

— Então, o que vocês vão comer? O de costume?

Eles comeram aqui um punhado de vezes, e todas as vezes, ele pediu


a mesma coisa. Trevor ignorou a batida boba de emoção que sentiu porque
ela se lembrou. Inferno, ela provavelmente sabia o que todo mundo que
entrava regularmente pedia.

— Na verdade... — Derek dirigiu sua resposta a Trevor. — Eu acho


que devemos diversificar esta noite, Trev. Você sabe, vá para algo
novo. Algo que você realmente queria, mas estava com muito medo de
tentar. Todos nós devemos fazer isso de vez em quando, não é, Lex?

Trevor nunca quis dar um soco em Derek... até agora. E se o cara


continuasse com essa merda, era exatamente o que iria acontecer.

Dando a Derek uma risadinha fofa como o inferno, ela respondeu, —


Claro. Eu acho que sim.

— Vê, Trev? Até Lex concorda comigo.

Claramente divertida com o idiota, Alexis ainda estava sorrindo quando


perguntou: — Bem, então... o que você vai tentar, Derek?

— Eu acho que vou para os tacos de peixe. Ainda não experimentei o


seu e estou curioso para ver se é bom. — Derek olhou através da mesa para
Trevor, um sorriso gigante de comedor de merda se espalhando em seu
rosto. — Você não acha que parece bom, Trevor?
Educando a expressão assassina tentando fazer o seu caminho para
a superfície, Trevor lutou contra o desejo de estender a mão sobre a mesa e
bater o inferno fora do outro homem. Para a sorte de D, Alexis não entendeu
seu duplo sentido.

— Tacos de peixe. Entendi. — Aquela doce voz fez sua cabeça se


virar. Um par de olhos azuis cristalinos encontrou os seus. — E você,
Trevor? Você já decidiu o que quer?

Derek soltou algumas tossidas altas e exageradas. Trevor mal reprimiu


o desejo de chutar as canelas do idiota sob a cabine.

— Oh meu Deus. Você está bem? — Alexis perguntou, parecendo


genuinamente preocupada. Ela olhou para o copo vazio de Derek. —
Espere, vou pegar mais água para você.

Antes que Trevor pudesse impedi-la, a doce mulher estava voltando


para o outro lado do balcão e pegando uma jarra e um copo.

Apoiando-se nos cotovelos, Trevor falou baixo e entre os dentes. —


Qual é o seu problema?

— O que? — Derek pigarreou e encolheu os ombros inocentemente,


seu acesso de tosse repentinamente superado. — Eu estava com um sapo
na garganta.

— Sim? Bem, você vai ter o meu punho na sua garganta se você não
parar com a sua merda. Quantos anos você tem, doze?

Com humor em seus olhos, Derek tossiu alto mais algumas vezes
quando Alexis voltou com a jarra cheia.

— Aqui. — ela rapidamente derramou a água gelada em seu copo —


Isso deve ajudar.

— Obrigado, querida.

Derek tirou o copo da mão dela. Enquanto ele bebia a água, Alexis se
voltou para Trevor.
— Desculpa. O que você decidiu? Você viu algo novo que chamou sua
atenção?

Não, não é novo. Trevor queria a mesma coisa, toda vez que ele vinha
aqui. Pena que ele ainda não teve coragem de pedir por isso.

— Trevor?

Merda. Ele não respondeu a ela. — E-eu vou apenas continuar com o
meu de costume.

Por algum motivo, isso fez com que o canto dos lábios de Alexis se
erguesse, suas covinhas se tornando mais proeminentes com o movimento.

— Um hambúrguer com batatas fritas, chegando. — Então, olhando


um pouco mais fundo em seus olhos, ela acrescentou suavemente: — Deixe-
me saber se você pensar em qualquer outra coisa que você precise.

Jesus. A temperatura na pequena lanchonete pareceu subir


instantaneamente. — Eu vou. Obrigado, Alexis.

Ela sorriu ainda mais. — Eu já te disse antes. Me chame de Lexi. Todos


os meus amigos fazem. — Com uma pequena piscadela, ela se virou e foi
embora. Os olhos de Trevor não puderam deixar de seguir.

Alexis - não, Lexi - pode ser pequena, mas a mulher ainda era cheia
de curvas em todos os lugares certos. Ele passou muitas noites recentes
imaginando como seriam aqueles quadris sob os seus enquanto ele os
segurava enquanto ele...

— Só estou aqui pela comida, hein?

Trevor piscou e olhou através da mesa para Derek. Ele tinha o


sorriso, eu sei que você está cheio de merda, no rosto.

Resignado, Trevor suspirou. — Tudo bem. Eu acho ela fofa. O que


seja.

— Ela é fofa. E ela gosta de você.


Balançando a cabeça, Trevor começou a argumentar: — Ela não...

— Cara. Ela estava praticamente te fodendo com os olhos enquanto


você dava seu pedido a ela. E então havia o todo... — Derek deixou sua voz
baixa e rouca — ‘deixe-me saber se você pensar em qualquer outra coisa
que você precise’.

Apesar de sua irritação, um canto da boca de Trevor se ergueu


ligeiramente. — Ela estava falando sobre o que eu queria comer, seu idiota.

— Oh, eu sei o que você quer comer. Não que eu possa culpar
você. Lex é um pequeno número quente. Ela tem toda aquela coisa de
garota da porta ao lado nela. Pessoalmente, geralmente gosto que minhas
mulheres tenham um pouco mais onde agarrar, mas se você realmente não
planeja fazer um movimento sobre isso, acho que talvez tenha que...

Trevor chutou Derek então. Duro.

— Ai! — Derek se inclinou, esfregando a perna por baixo da mesa. —


Que diabos?

Inclinando-se para frente, Trevor certificou-se de que Lexi não estava


ao alcance da voz e rosnou: — Não.

— Qual é o seu problema?

— Meu problema é que Alexis não é como todas as outras mulheres


com quem você trepa. Ela não é o tipo de garota de uma noite só. Ela é um...
tipo de garota que gosta de encontros e flores. Inferno, ela praticamente grita
cerca branca, e crianças, e um cachorro, e...

As sobrancelhas de Derek se ergueram. — Você conseguiu tudo isso


apenas por ela anotar o seu pedido algumas vezes?

Merda. Ok, então talvez ele a tenha observado um pouco mais de


perto do que qualquer outra mulher por um tempo. Ou... nunca. E daí?
— Só estou dizendo que ela parece genuinamente legal, e não quero
vê-la ser machucada por algum idiota como você, que está apenas
procurando o próximo pedaço de bunda.

Os cantos da boca de Derek se curvaram lentamente, formando um


largo sorriso. A imitação de couro barato da cabine rangeu quando ele se
recostou na cadeira.

— Eu serei amaldiçoado.

Trevor sabia que não devia perguntar, mas o fez de qualquer


maneira. — O que?

— Você gosta dela. Quer dizer, você realmente gosta dela.

Trevor abriu a boca, a mentira pronta para cair de sua língua quando
a voz alta de um homem vindo de trás deles chamou sua atenção.

— Bem, ali está minha Lexi-Loo. Eu estava me perguntando quando


você viria aqui e me daria um pouco de atenção.

Trevor se virou para ver Alexis parada ao lado de uma mesa perto da
porta. O homem que tinha falado estava sozinho e sentado do lado que
colocava as costas para Trevor. Desse ângulo, tudo que Trevor podia dizer
era que o cara tinha cabelos loiros.

— Oi, Rob. O que você quer?

Trevor podia dizer pela mudança em sua voz que Lexi não estava tão
animada em ver esse cara Rob como ela tinha estado com ele e Derek. Ele
ignorou o choque de felicidade que ele sentiu.

— Você sabe que não gosto de compartilhar você, Lexi-Loo.

O sorriso de Lexi parecia forçado enquanto ela contornava a linha


óbvia que o homem havia colocado em seu caminho e simplesmente pediu
seu pedido.
— Eu terei meu de costume. E dê um impulso nessa sua bunda
doce. Estou com muita fome hoje.

Mordendo a língua claramente, Lexi disse ao idiota que receberia seu


pedido o mais rápido possível. Trevor se virou em seu assento.

— Que idiota. — Derek mordeu fora. — Eu não posso acreditar que


ela o deixou escapar com aquele comentário de 'bunda doce'.

Trevor ficaria feliz em deixar o idiota saber o que ele pensa sobre isso,
mas não era seu lugar. Ele não tinha direitos sobre Lexi. Ainda não.

Uau. De onde diabos tinha vindo isso?

— Ela parecia estar se controlando bem. — Derek apontou, seus olhos


ainda observando o outro cara. — Trabalhando aqui, ela provavelmente é
atingida o tempo todo.

O ciúme e a raiva começaram a ferver enquanto Trevor pensava em


Lexi tendo que lidar com idiotas como aquele.

— Aí vem ela. — Derek sussurrou, então olhou para Trevor. — Jesus,


cara. É melhor você tirar essa cara antes que ela te veja, ou você vai
assustá-la pra caralho.

— Aqui está, rapazes. Cuidado, os pratos acabaram de sair da


máquina de lavar louça, então estão bem quentes.

Ela olhou para Trevor enquanto colocava as duas refeições na


mesa. — Ei, você está bem? Você parece chateado.

Sua necessidade inexplicável de proteger esta mulher o impedia de


ficar quieto. — Quem é o loiro? — ele perguntou um pouco asperamente.

Derek pigarreou ruidosamente e Trevor sabia que seu amigo estava


lhe dizendo para se acalmar. Ele estava certo. Acalme-se, Matthews.

Lexi parecia um pouco surpresa com a intensidade em sua voz. —


Quem, Rob? Ele é apenas um cliente. Por quê?
Aqueles lindos olhos azuis o atraíram. — Sinto muito. Eu sei que não é
da minha conta, e não estávamos tentando escutar, mas...

A compreensão encheu seus olhos e ela o interrompeu. — Você ouviu


isso, hein?

— Eu acho que todo mundo em um raio de dois quarteirões


provavelmente ouviu aquele idiota. — Derek disse a ela.

— Sim. — ela concordou. — Ele pode ser muito barulhento às vezes.

— Novamente, não é realmente da minha conta, mas você parecia


bastante desconfortável perto dele. — Trevor odiava o homem apenas por
isso.

O olhar de Lexi deslizou para onde Rob estava sentado, em seguida,


de volta para Trevor. — Está tudo bem. Ele é um flerte sem vergonha, mas
é inofensivo.

Trevor não pôde deixar de perguntar. — Quantas vezes ele vem


aqui? Ele está sempre sozinho ou sempre traz mais alguém com ele?

Aqueles lindos olhos brilharam com seu sorriso. — Sabe, quando


vocês dois começaram a vir aqui, eu os classifiquei como militares. Agora,
você está me questionando como se vocês fossem policiais.

Isso fez Trevor sorrir um pouco. — Bonita e perceptiva. Não somos


policiais, mas ambos somos ex-militares.

Bonita e perceptiva? Que raio foi aquilo? Ele procurou por qualquer
sinal de que a deixasse desconfortável, mas a única mudança foi uma leve
tonalidade rosada começando a tingir suas bochechas pálidas. E Deus, se
isso não fosse excitante.

— Bem. — ela disse, ainda sorrindo, — Eu não estou preocupada com


Rob. Ele é barulhento e desagradável com certeza, mas... além de me
chamar para sair toda vez que ele vem aqui, ele nunca fez nada além de me
irritar.
Uma mistura de ciúme e preocupação começou a girar em seu
intestino. — Tem certeza disso? Porque eu... — ele olhou para Derek, depois
de volta para Lexi — Nós poderíamos falar com ele, se você quiser.

Ela riu um pouco mais forte. — O que você vai fazer, alertá-lo para ficar
longe de mim, como um irmão mais velho ou algo assim?

Antes que ele percebesse, Trevor se ouviu dizer: — Ou algo assim.

Seu tom e escolha de palavras eram reveladores, mas de repente,


Trevor percebeu que não se importava. Eles mal se conheciam, mas ele
queria que isso mudasse. Em breve.

Derek estava certo. Ele gostava dela. Por razões que preferia não
pensar, Trevor tinha demorado muito, mesmo sem ter qualquer tipo de
relacionamento romântico com uma mulher. Naquele momento, ele sabia
que estava pronto para tentar novamente. Com Lexi.

— Oh. — Ela moveu um pouco daquele cabelo solto atrás da


orelha. — Hum... obrigado, mas isso não é necessário.

Seu rubor carmesim se aprofundou, e Trevor de repente se perguntou


se ela fica vermelha assim logo depois de gozar. Droga. O pensamento o fez
se mexer na cadeira para ficar mais confortável.

— Ei, Lexi-Loo! — Rob chamou. — Se você acabou de flertar com seu


namorado, preciso de uma recarga. — Desta vez, o cara parecia irritado.

Lexi ficou rígida. Trevor observou enquanto ela respirava fundo e


colocava aquele sorriso falso no rosto novamente. — Já estou indo. — ela
gritou por cima do ombro. Claramente envergonhada, ela rapidamente
entregou a Trevor e Derek seus pedidos e sussurrou — Desculpe. — antes
de se virar e ir embora.

— Que idiota de merda. — Derek disse não muito baixinho.

— Sim. — Trevor rangeu os dentes.


Depois de terminar a refeição, Trevor puxou a carteira do bolso de trás
do jeans e jogou duas notas de 20 na mesa. Era quase o dobro do valor de
seus pedidos, mas ele sabia que garçonetes não faziam muito
dinheiro. Especialmente trabalhando em um lugar como este.

Assobiando entre os dentes, Derek olhou para o dinheiro. — Essa é


uma gorjeta em tanto.

— Ela vale a pena. — Trevor murmurou enquanto escapava da cabine.

De pé com ele, o rosto de Derek se iluminou como o idiota que ele


era. — Esse é o espírito!
O próprio sorriso de Trevor desapareceu instantaneamente quando
ele se virou e viu a expressão no rosto de Lexi. Rob a chamou de volta para
sua mesa.

O cara estava realmente mantendo seu nível de voz baixo para uma
mudança, então Trevor não conseguia entender suas palavras. O que quer
que ele tenha acabado de dizer claramente deixou Lexi chateada.

Depois de colocar o pedido do homem na mesa sem cerimônia, ela


disse a ele: — Avise-me quando estiver pronto, e eu pegarei seu troco.

Ela tinha acabado de se virar para sair quando a mão de Rob


serpenteou para agarrar seu pulso.

Filho da puta.

— Que porra é essa? — Derek rosnou atrás dele.

Claramente assustada, Lexi tentou se livrar de seu aperto, mas o


homem se recusou a deixá-la ir. — Eu não terminei de falar com você.

Trevor viu tudo vermelho. Seus instintos de proteção ganharam vida e,


com apenas alguns passos longos, ele estava ao lado de Lexi.

Sem se preocupar em esconder sua raiva, sua voz se tornou letal


quando ele disse: — Tire suas mãos dela.

Trevor e Derek ficaram com as pernas na largura dos ombros, as mãos


soltas ao lado do corpo. Livre para fazer sua jogada, se necessário.

— Isso não diz respeito a você. — Rob falou enquanto olhava para
Trevor.
Antes que ele pudesse esconder, os olhos de Rob se arregalaram
ligeiramente. Oh sim. Ele ficou intimidado. Você deveria estar.

— Vou dizer mais uma vez, idiota. Deixe. Ela. Ir.

A lanchonete ficou completamente silenciosa. Nem mesmo o tilintar de


um garfo no prato.

Dando a ambos um sorriso arrogante, o loiro mauricinho perguntou:


— E se eu não fizer?

Em vez de responder ao idiota, Trevor deslizou os olhos para os de


Lexi. A dor refletida ali apenas adicionou combustível ao seu fogo já
violento. Sentindo que estava prestes a perder o controle, Derek falou.

— Oh, você vai deixá-la ir. A única pergunta é: você planeja fazer isso
sozinho ou precisa da nossa ajuda?

Os olhos do homem se moveram de Trevor para Derek e vice-


versa. Depois de pesar suas opções, ele fez seu primeiro movimento
inteligente desde que entrou no local.

— Tudo bem. — ele soltou o pulso de Lexi com força suficiente, ela
deu alguns passos para trás.

Não o mate. Não o mate. Não o mate.

Endireitando os ombros, o idiota realmente teve a coragem de dizer:


— Você sabe, Lex. Não acho que Joe conseguirá manter este lugar aberto
por muito tempo se souberem do mau atendimento ao cliente. — Ele olhou
para Trevor e Derek, então de volta para ela. — Sem mencionar a gentalha
que você tem deixado entrar aqui.

Trevor abriu a boca para dizer ao cara para ir para o inferno, mas Lexi
o adiantou.

Com uma voz surpreendentemente forte e firme, ela disse: — Joe


consegue se virar muito bem. Quanto à gentalha, você é o único que vejo
que se encaixa nessa descrição. Então, por que você não pega seu casaco
e dá o fora antes que eu chame a polícia.

— A polícia? — O idiota riu nervosamente, mas Trevor viu o medo


passando por trás de seus olhos. Tornando sua voz suave como manteiga,
ele disse, — Oh, vamos, Lexi-Loo. Você não pode culpar um cara por tentar,
pode? Quero dizer, quem não ficaria desapontado, sendo rejeitado por uma
mulher linda e inteligente como você?

— Colocando um pouco de açúcar nisso, não é, amigo? — Derek


perguntou ao lado dele.

Rob olhou para Derek antes de dar uma olhada no relógio. Então, ele
sorriu para Lexi como se nada tivesse acontecido.

— Por mais que adore continuar este pequeno bate-papo, tenho um


compromisso que não posso perder. — Ele puxou sua carteira e colocou
apenas o dinheiro suficiente para cobrir sua bebida.

— Oh, eu acho que essa mulher linda e inteligente ganhou uma boa
gorjeta hoje, não é, Rob? — Trevor soou casual, mas o olhar que ele deu ao
outro homem foi tudo menos isso.

O controle de Rob escorregou um pouco, e ele atirou adagas de volta


em Trevor. — Certo.

Ele colocou dois dólares, adicionando a que estava na mesa quando


Derek cruzou os braços grandes e pigarreou ruidosamente.

Trevor recuou apenas o suficiente para deixar o idiota sair da


cabine. Se olhares pudessem matar, ele e Lexi teriam caído onde estavam
quando Rob passou por eles e saiu pela porta.

Sem dizer uma palavra, Derek o seguiu, parando na porta para se


certificar de que o idiota realmente partisse. Trevor se virou para verificar
Lexi.

— Você está bem, Angel?


Segurando o pulso dela, Lexi deu a ele um aceno trêmulo. — Eu estou
bem. — Ela soltou um suspiro. — Obrigado.

Elevando-se sobre ela com seu corpo 1.90, Trevor não podia deixar
de alcançá-la.

— Posso?

Lexi acenou com a cabeça, e Trevor teve que se forçar a ignorar a


faísca disparando através de seus dedos enquanto pegava sua pequena
mão. Ele deve ter feito algum tipo de barulho quando viu as marcas
vermelhas no pulso dela, porque Lexi rapidamente tentou tranquilizá-lo.

— Não é nada, Trevor. Eu me machuco muito facilmente.

Um sentimento familiar de culpa e arrependimento borbulhou na


superfície quando emoções há muito enterradas começaram a
despertar. Ele estava a apenas alguns metros de distância e ela ainda se
machucou.

— Isso não deveria ter acontecido. — ele ofereceu suavemente, seu


polegar mal acariciando a pele macia. — Eu sinto muito.

Lexi zombou dele. — Por quê? Você não fez nada, exceto tentar me
ajudar. Você me ajudou. — Ela se virou para Derek, que estava caminhando
de volta para eles. — Vocês dois me ajudaram. Obrigado.

— Ele se foi. Para o bem dele, é melhor ele não voltar.

Trevor olhou para a mão dela ainda na sua. Ele precisava deixá-la ir
antes que ele fizesse algo estúpido como puxá-la em seus braços na frente
de todas essas pessoas. Depois de uma última varredura do polegar, ele
puxou o braço dela de volta para o lado dela, imediatamente perdendo o
contato.

— E-eu devo voltar ao trabalho.

Virando-se, ela ofereceu aos clientes e ao jovem que trabalhava na


cozinha um sorriso extragrande. — Está tudo bem agora. — Para os que
estavam comendo, ela acrescentou: — Avise-me quando estiverem prontos
para a sobremesa. É por minha conta.

Olhando de volta para Trevor, ela falou mais baixinho. — Eu realmente


sinto muito por tudo isso.

— Não. — ele balançou a cabeça secamente — Você não se desculpa


por algo assim, Lex. Nunca.

A intensidade na voz de Trevor fez com que seus grandes olhos azuis
olhassem profundamente nos dele. Por um momento, eles apenas ficaram
ali, olhando um para o outro. Eu gostaria que estivéssemos sozinhos.

— Você tem namorado, Lex? — Derek perguntou do nada, lembrando


Trevor que eles definitivamente não estavam sozinhos.

A cabeça de Lexi girou em direção a ele, a pergunta claramente a


deixando confusa. Ela não era a única.

— Que diabos, D? — Trevor rosnou.

Derek ergueu as mãos defensivamente. — Pega leve, cara. — Para


Lexi, ele disse: — Eu só perguntei por que Trevor e eu nos sentiríamos
melhor se soubéssemos que você tem alguém que poderia estar aqui com
você quando o restaurante fechar. Alguém para te acompanhar até o carro,
esse tipo de coisa. — Ele olhou para trás em direção à cozinha onde o jovem
cozinheiro os observava. — Alguém com mais de doze anos.

Droga. Eu deveria ter pensado em perguntar isso. Trevor relaxou os


ombros, sentindo-se mais ansioso do que deveria, enquanto esperava a
resposta de Lexi.

— Oh, hum... não. Não há namorado. — ela respondeu, soando quase


envergonhada por esse fato. — E Caleb tem dezenove, não doze. — Ela
sorriu.

Trevor lentamente soltou um suspiro que ele não sabia que estava
segurando e rezou para que ela não pudesse ver o quão aliviado ele estava.
— Mas... — Lexi continuou — Joe quase sempre vem para ajudar com
a correria do jantar e fica até o fechamento. Ele me ajuda a limpar e depois
me leva para fora.

Fazendo o seu melhor para soar indiferente, Trevor pigarreou. — Joe...


presumo que ele seja o proprietário?

— Sim. — ela acenou com a cabeça. Seus olhos se suavizaram


quando ela acrescentou: — Ele é ótimo.

— Oh. — Derek disse com reconhecimento. — Esse é o homem afro-


americano mais velho que ajudou na cozinha da última vez que estivemos
aqui?

Os olhos de Lexi brilharam com afeto genuíno. — Esse é ele. Joe é um


amor. Ele também é um ex-fuzileiro naval. O homem pode estar chegando
aos sessenta, mas eu ainda apostaria meu dinheiro nele em vez de um cara
como Rob, qualquer dia.

— Os fuzileiros navais são filhos durões de me... uh, quero dizer, eles
são caras realmente durões. — Derek se censurou no último minuto. — O
Joe está planejando vir hoje à noite?

— Eu estou supondo que sim. Ele geralmente liga quando não pode
vir, e não ouvi falar dele hoje.

Trevor puxou sua carteira, removendo seu cartão de visita. — Se


importa se eu usar isso? — ele perguntou, apontando para a caneta presa
no bolso de seu avental de cintura de lona.

Ela ergueu os braços fora do caminho dele. — Sem problemas.

Trevor tirou a caneta do avental e clicou no topo com o polegar. Depois


de rabiscar em seu celular pessoal no verso, ele entregou a ela o cartão e a
caneta.

— Aqui.

— O que é isso?
— Meus números de celular, pessoal e o profissional.

Suas sobrancelhas se voltaram para dentro enquanto ela estudava o


cartão excessivamente simples. Era branco com o nome e o número da
empresa digitados em uma fonte simples e preta.

— R-I-S-C? — ela perguntou, soletrando cada letra da sigla. — O que


é isso?

— É pronunciado, 'RISK'. E é onde trabalhamos. — Ele inclinou a


cabeça para incluir Derek.

— Ok. — ela puxou a palavra.

Trevor deu um passo mais perto, suas palavras baixas apenas para
ela. — Lexi, Derek e eu trabalhamos para uma empresa de segurança
privada. Proteção é uma das coisas em que nos especializamos.

— Oh. — ela disse como se entendesse completamente, embora ela


claramente não entendesse. Então, como se suas palavras tivessem
acabado de fazer sentido, ela piscou e seus olhos se arregalaram. — Oh. —
ela repetiu com um pouco mais de ênfase. — Agradeço sua preocupação,
Trevor. Eu realmente aprecio, mas não preciso de um... guarda-costas ou
algo assim. — Ela olhou para Derek, então de volta para ele. — Tenho
certeza de que vocês dois já assustaram Rob pelo dia inteiro. Eu não o vejo
voltando tão cedo. Se aparecer.

Trevor sorriu para ela. — Tenho certeza de que você está certa. E não
estou tentando fazer com que você nos contrate. Eu só queria que você
tivesse meus números para o caso de você não se sentir segura ou precisar
de uma escolta até seu carro ou... algo assim.

— Algo assim. — ela repetiu suas palavras. Lexi olhou de volta para o
cartão e depois para ele. Ele praticamente podia ver as engrenagens
girando, como se ela quisesse dizer algo, mas não tivesse certeza se
deveria.
— Eu, uh... acho que vou esperar no carro. — Derek ofereceu de uma
forma não tão sutil. — Lexi. — Ele inclinou a cabeça para ela. — Sempre um
prazer.

Parecendo divertida e um pouco envergonhada, Lexi disse: — Tchau,


Derek. Volte logo. Esperançosamente, não ficará tão intenso da próxima
vez.

— Você está brincando? É para isso que vivemos. — Então, com uma
piscadela e um sorriso, D se foi, deixando Trevor e Lexi ainda parados ali.

— Então. — A voz profunda de Trevor retumbou desajeitadamente


enquanto ele enfiava as mãos nos bolsos. Cristo, você pensaria que eu
nunca tinha falado com uma mulher antes.

— Obrigado, mais uma vez, Trevor.

Ele encolheu os ombros. — Não há necessidade de nos


agradecer. Como eu disse, é o que fazemos.

— Certo. — Ela sorriu antes de desviar nervosamente o olhar dele.

Vários segundos de silêncio se estenderam entre eles. As palavras de


Derek mais cedo começaram a soar em seus ouvidos.

Apenas crie um par de bolas e convide-a para sair já.

D estava certo. Trevor enfrentou o pior que o mundo tinha a


oferecer. Certamente, ele poderia convidar esta mulher para um encontro.

— Lexi, eu estava me perguntando se você...

Ele tinha acabado de começar a convidá-la para jantar, quando um


estrondo da cozinha ecoou alto pela lanchonete.

Suas cabeças giraram naquela direção.

— Porcaria. É melhor eu ver o que posso fazer para ajudar. — Ela


olhou para ele, arrependimento nadando em seus olhos. — Desculpa.
— Nunca se desculpe por fazer seu trabalho, Angel. Você tem meu
número. Não hesite em ligar se precisar de alguma coisa.

Ela sorriu e ergueu o cartão dele. — Entendido.

— Bom. Agora vá. Podemos conversar outra hora.

— OK. — Lexi começou a se afastar, mas se virou e perguntou: — Te


vejo de novo em breve?

Amando o tom esperançoso em sua voz, Trevor respondeu com: —


Conte com isso.

Com outro grande sorriso, ela se virou e atravessou as portas


giratórias da cozinha, deslizando o cartão dele no bolso de trás enquanto
caminhava.

***

— É isso. — Joe Walker, o dono da lanchonete, bateu com a palma da


mão no balcão. — Com efeito imediato, aquele homem não é mais bem-
vindo aqui.

— Ele vem muito regularmente. Você perderá dinheiro.

Lexi testou a temperatura da água corrente. Claro, ela ainda estava


chateada como o inferno com o que Rob tinha feito, mas ela teve algumas
horas para se acalmar.

Ela empurrou a torneira para baixo, interrompendo o fluxo constante


de água quente. Calçando um par de luvas de lavar louça amarelas
brilhantes, ela agarrou a panela e o esfregão mais próximos e começou a
esfregar.
— Sua segurança vem antes do dinheiro. — disse ele com raiva. —
Você deveria saber disso. Ele não tinha o direito de colocar as mãos em
você. Ponto.

Caleb pegou a panela da mão de Lexi e enxaguou a espuma antes de


colocá-la no escorredor. O garoto alto e magro era fofo... ou, pelo menos,
seria quando ficasse um pouco mais velho e preenchesse alguns quilos a
mais.

Usando as costas da mão, ele limpou uma mecha de cabelo escuro da


testa. — Não se preocupe, Joe. Eu não acho que veremos Rob
novamente. Não depois da maneira como aqueles dois caras o atacaram,
de qualquer maneira.

As entranhas de Lexi dançaram com a memória, mas ela ignorou. —


Eles não atacaram Rob.

Um som bufante veio do fundo da garganta do homem mais jovem


antes que ele soltasse um sarcástico — Ok.

— Eles não fizeram isso. — ela insistiu, pegando outra panela para
lavar.

Ele parou o que estava fazendo e a encarou. — Como você chamaria


então?

Concentrando-se na comida presa no fundo da panela, Lexi repassou


o incidente em sua mente. Tudo começou com Rob dizendo a ela que ela
não deveria estar flertando com Trevor e Derek. Ele disse que faria as
pessoas pensarem que ela faria qualquer coisa por uma boa gorjeta. Deus,
só de pensar nisso ainda a irritou novamente.

Seu coração bateu um pouco mais forte em seu peito quando ela se
lembrou de como o aperto dele tinha sido forte e de como ela se sentiu
assustada quando não conseguiu se libertar.

Então, ele estava lá.


Embora ela ainda estivesse nas mãos de Rob, Lexi imediatamente se
sentiu segura. Protegida. Graças a Trevor.

Não que ela não apreciasse a ajuda e apoio de Derek também, porque
ela apreciava. Havia algo sobre Trevor que a fazia se sentir... diferente.

Lexi olhou para cima e percebeu que Caleb ainda estava esperando
por uma resposta.

— Eles apenas foram falar com ele.

Claramente não concordando, Caleb balançou a cabeça e voltou a


enxaguar os pratos. Com medo de que Joe pensasse que os caras haviam
tentado iniciar uma briga em seu local de trabalho, Lexi se voltou para Joe
para tranquilizá-lo.

— Trevor e Derek conversaram calma e respeitosamente com


Rob. Eles o fizeram entender que havia cometido um erro. Rob escolheu ir
embora. Fim da história.

O homem mais velho e careca enxugou as mãos no avental sujo e


colocou as mãos na cintura. Joe era magro e as tatuagens em ambos os
bíceps eram antigas e desbotadas, mas os músculos de seus braços ainda
estavam claramente definidos. Foi fácil para Lexi imaginá-lo como um jovem
e saudável fuzileiro naval.

— Trevor e Derek. Esses são os dois homens com quem te vi


conversando muito ultimamente? Começaram a vir aqui algumas semanas
atrás?

— Sim. Mas eles não são criadores de problemas, Joe — ela disse
rapidamente. — Na verdade, ambos são ex-militares, como você.

As sobrancelhas de Joe se ergueram com isso. — Fuzileiros navais?

— Não sei em que ramo eles estavam. Só que costumavam ser


militares. Ah, e eles trabalham para uma empresa de segurança privada aqui
na cidade. Trevor disse que eles oferecem proteção às pessoas. — Então,
porque sentiu a necessidade de defendê-los como fizeram com ela, ela
acrescentou: — Eu realmente acho que eles são bons rapazes, Joe.

— Você não tem que me convencer desses meninos, Lex. Eles


intensificaram e cuidaram de você quando você precisava. O fato de os dois
terem servido é apenas a cereja do bolo. — Ele deu a ela um sorriso largo e
cheio de dentes, a capa de ouro em um de seus dentes superiores brilhando
sob as luzes da cozinha.

Lexi sorriu com a maneira como Joe os chamou de 'meninos'. Eles não
eram nada parecidos com Caleb. Especialmente Trevor, que era um homem
forte e confiante.

— Uh, oh. Eu conheço esse olhar.

Lexi girou a cabeça de volta para Caleb. Ela ergueu as


sobrancelhas. — O olhar?

Colocando os punhos embaixo do queixo, Caleb piscou rapidamente


os olhos e ergueu a voz até o falsete. — Trevor é tão forte e grande. Espero
que ele me convide para sair.

Lexi agarrou o pano de prato mais próximo e jogou nele. — Eu não


estava com esse olhar.

— Oh, você tinha aquele olhar. Você consegue isso toda vez que o
cara entra.

— Trevor, hein? — Joe perguntou enquanto pendurava as panelas


recém-limpas e secas no suporte do teto acima do balcão de metal.

— Ughhhh. — Lexi rosnou. — Você também não.

— Desculpe, Lex. — Joe encolheu os ombros. — Eu temo que estou


com Caleb nisso. Mesmo com esses olhos velhos quanto os meus, eu posso
ver isso.

Não pergunte a ele. Não pergunte a ele.


— Vê o que?

— A maneira como você olha para ele quando ele não está prestando
atenção.

Caramba. Você perguntou.

— Também vejo a maneira como ele olha para você quando você está
ocupada recebendo pedidos ou atrás do balcão enchendo bebidas e tudo o
mais. Ele também gosta de você, Lex. A única questão é quando vocês dois
vão fazer algo sobre isso?

Caleb riu alto. Lexi estreitou os olhos para ele, mas ele simplesmente
deu de ombros e disse: — Eu te disse.

Alcançando atrás dela, Lexi desamarrou o avental. — Em primeiro


lugar, eu não dou uma olhada nele. Em segundo lugar, e mais importante,
minha vida amorosa não é da sua conta. — Ela olhou para os dois
homens. — Então, eu agradeceria se vocês ficassem fora disso.

Caleb realmente parecia um pouco chateado, mas não Joe. O homem


que veio a ser mais uma figura paterna do que apenas seu chefe apenas
ficou lá, sorrindo.

Depois de trancar o lugar durante a noite, Caleb se despediu e se


dirigiu para seu carro pequeno e surrado enquanto Joe e Lexi continuavam
caminhando para o deles. Eles estavam estacionados ao lado da área
arborizada que colidia com o estacionamento da lanchonete, onde todos os
funcionários deveriam estacionar.

— Você sabe. — disse Joe, enquanto eles estavam atrás do para-


choque de seu carro. — Não há nada de errado em gostar de um homem,
Lex. Trevor? Ele parece um dos bons.

— Joe. — Lexi avisou. Claro, o velho tolo e teimoso não deu ouvidos.

— Você é muito jovem e muito bonita para desperdiçar todos os seus


dias presa neste lugar. — ele apontou o queixo em direção à lanchonete —
E suas noites sozinha na casa da sua mãe.
Lexi engoliu em seco com a menção de sua mãe. — Eu estou bem,
Joe. Mesmo.

— Posso estar velho, Alexis, mas não sou estúpido.

Joe usou seu nome completo. Ele só fazia isso quando estava falando
sério. Merda.

— Eu sei que você não é estúpido.

— Bem, ótimo. Pelo menos concordamos com isso. — A expressão


de Joe se suavizou e ele colocou uma mão reconfortante em seu ombro. —
Olha, Lex. Eu sei que perder sua mãe foi difícil. E, eu sei que sua doença e
morte a colocaram em uma situação difícil, mas você ainda tem uma vida
para viver. Sua mãe e eu não nos conhecíamos há muito tempo, mas uma
coisa é certa... ela queria que você fosse feliz.

Uma sensação de ardência começou em seu nariz e Lexi piscou para


afastar as lágrimas que sempre vinham quando ela pensava em sua mãe. —
Eu sei disso.

— Você sabe? Porque tudo que vejo é você trabalhando até os ossos,
sem nada para mostrar. Não me entenda mal, querida. Você é a melhor
empregada que tive em todos os meus anos como proprietário deste lugar,
e odiaria perder você. Mas eu conseguiria, especialmente se soubesse que
você está seguindo em frente com sua vida. Uma vida que você merece.

— Não estou infeliz, Joe.

— Mas você também não está exatamente feliz.

Esse comentário a pegou de surpresa. Principalmente porque ele


estava certo.

— Eu disse a você... — Joe apontou para o canto do olho direito —


Que esses velhos olhos veem mais do que qualquer um possa imaginar.

Lexi se inclinou e deu um abraço em seu amigo. — Vejo você


amanhã. Dirija com cuidado.
Abraçando-a de volta, — Vejo você amanhã, menina.

Uma hora depois, Lexi havia tomado banho e estava sentada na cama,
tentando ler. Normalmente, ela poderia se perder em um bom romance por
horas. Esta noite, no entanto, ela estava tendo problemas para se concentrar
nas palavras.

Quando percebeu que precisava rolar três páginas para trás porque
não tinha ideia do que tinha acabado de ler, Lexi desistiu e colocou seu tablet
na mesa de cabeceira à direita de sua cama. Ela olhou para o telefone e o
cartão de visita ao lado dele.

Verificando a hora, ela se perguntou se ele estaria


acordado. Pensando no que Joe havia dito, Lexi decidiu jogar a cautela ao
vento e enviar uma mensagem a Trevor. Só para agradecer a ele.

Você já agradeceu.

Ignorando a vozinha em sua cabeça que dizia que ela estava dando
desculpas, Lexi pegou seu telefone da mesa de cabeceira, junto com o
cartão. Com o travesseiro apoiado entre as costas e a cabeceira da cama,
ela virou o cartão.

Correndo o polegar pelos números escritos à mão, ela se lembrou de


como os dedos fortes dele seguraram sua caneta. Por conta própria, sua
mente trouxe a imagem dele segurando seu pulso e a gentileza com que
acariciou a pele ali.

Ele parecia tão chateado com a ideia de que ela estava


machucada. Até se desculpou, como se fosse sua culpa. Ela olhou para o
número novamente. Certamente, alguém que defendia os outros da maneira
que fez hoje, tinha que ser um cara bom. Certo?

Decisão tomada, Lexi digitou o número em seu telefone e, em seguida,


sua mensagem.
Oi, Trevor. Essa é Lexi. Desculpe incomodá-lo tão tarde, mas queria
que soubesse que cheguei em casa são e salva. Eu também queria
agradecer novamente por hoje. Tenha uma boa noite de descanso.

Antes que ela pudesse se convencer do contrário, ela clicou em enviar,


em seguida, colocou o telefone e o cartão de volta ao lado de seu tablet. Ela
tinha acabado de reposicionar o travesseiro e começou a se deitar quando
seu telefone apitou, notificando que ela tinha uma nova mensagem.

Ah Merda. Ele tinha acabado de responder? Prendendo a respiração,


ela se sentou e rapidamente pegou seu telefone. Com certeza, havia um
novo texto do mesmo número.

Ei, Angel. Sem problema. E eu já te disse... não precisa me


agradecer. Esse cara foi um idiota e precisava aprender que não deveria
tratar uma senhora assim. Espera que o resto do seu dia tenha sido mais
tranquilo?

Seu coração deu um pequeno salto com o uso da palavra 'Angel', do


jeito que tinha feito quando ele a chamou assim no restaurante hoje. Ela
escreveu de volta.

Sim, sim. E o seu? Você teve um bom dia?

Ela clicou em enviar e esperou. Segundos depois, seu telefone apitou


novamente.

Eu tive. Passei a tarde no escritório, fui para a academia, depois voltei


para casa. Nada muito empolgante.

Então, quase imediatamente após receber aquela mensagem, ela


recebeu outra.

Posso te ligar?

O coração de Lexi deu um baque forte. Ter uma conversa no meio de


uma lanchonete lotada era uma coisa. Falar com ele ao telefone, no entanto,
parecia... diferente. Mais íntimo. Porque é.
Lexi balançou a cabeça para si mesma. Isso era bobagem. Trevor
estava apenas sendo legal. Nada do que ele disse até agora indicava que
ele queria ser algo mais do que amigos. E amigos falavam um com o outro
ao telefone o tempo todo, então isso não era grande coisa.

Exceto que, na lanchonete, ela poderia jurar que ele esteve a ponto de
chamá-la para sair. Algo sobre a maneira como ele estava olhando para
ela... pouco antes de Caleb deixar cair uma bandeja e quebrar dois pratos,
essencialmente arruinando o momento.

Seu telefone apitou novamente.

Você ainda está aí, Angel?

Porcaria. Ela não respondeu sua pergunta.

Sim, ainda estou aqui. E sim, você pode ligar.

Borboletas dançavam em seu estômago e ela nervosamente batia com


o polegar na borda do telefone enquanto esperava. Quatro segundos
depois, ele tocou. Engolindo os nervos, Lexi deslizou o mesmo polegar pela
tela e atendeu a ligação.

— Oi.

— Ei, Angel. — Sua voz profunda retumbou. — Espero que isso esteja
bem. Eu precisava te perguntar uma coisa, e me senti meio sem graça em
fazer isso por meio de mensagens de texto.

Lexi poderia jurar que ele parecia quase tão nervoso quanto ela. Isso
não parecia certo, no entanto. Um cara como ele não ficaria nervoso
simplesmente por falar com ela.

— Está tudo bem. — ela o assegurou. — Você pode me ligar a


qualquer hora.

Ela se arrependeu das palavras assim que o convite saiu de sua


boca. Não porque ela não quisesse dizer isso, mas porque ela estava com
medo de que a fizessem parecer desesperada.
Ela quase pôde ouvir seu sorriso quando ele disse: — É bom saber.

Depois de alguns segundos de silêncio constrangedor, Lexi mordeu a


bala. — Você disse que queria me perguntar uma coisa?

— Eu quero. — Ela o ouviu inspirar e, em seguida, — Eu estava me


perguntando se você gostaria de jantar comigo.

Sua adolescente interior queria gritar. Felizmente, ela a manteve sob


controle. — Sim. Certo. Adoraria sair com você.

— Você quer? Excelente. — Trevor parecia aliviado, o que a deixou


mais à vontade.

— Quando você gostaria de ir?

— Quando você está livre? — ele atirou de volta.

— Hum...— Ela pensou por um momento. — Fecho as próximas três


noites, por isso não poderei ir por alguns dias. A menos que você goste de
comer tarde, claro.

— Tarde funciona para mim.

— Oh. — Lexi riu. — Eu só estava brincando sobre isso.

— Eu não estava. — Ele realmente parecia sério.

— Realmente, Trevor. Tudo bem. A lanchonete fecha às oito nas


noites da semana, o que não é terrivelmente tarde, mas eu teria que voltar
para casa, tomar banho e me trocar. Seriam nove horas antes que
pudéssemos ir a qualquer lugar. Tudo provavelmente estará fechado até lá.

Sem qualquer hesitação, ele perguntou: — Você gosta de comida


mexicana?

— Uh... claro. Quem não gosta?

— Bom. Há um ótimo lugar em Jefferson. Não muito extravagante,


mas a comida é excelente. Eu conheço o proprietário e sua esposa muito
bem, então, tenho certeza de que não haverá problema se chegarmos um
pouco atrasados.

— Sério, Trevor. Você não tem que...

— Você está renegando nosso acordo? — ele perguntou, parecendo


magoado.

— O que? N-não. De jeito nenhum. Só não quero que você se sinta


apressado durante o jantar, só isso.

— Relaxe, Lexi. Eu estava apenas brincando. Que tal te pegar amanhã


à noite às nove? Ou podemos nos encontrar no restaurante, se isso te deixar
mais confortável.

Deus, ele era doce. — Não. Você pode me pegar aqui. Vou mandar
uma mensagem com o endereço.

— Então, é um encontro.

— É um encontro. — disse Lexi, incapaz de conter o sorriso.

— Bem, então... é melhor eu desligar e deixar você descansar um


pouco.

— OK.

— Não se esqueça de me enviar uma mensagem com seu endereço.

— Eu não vou.

— Boa noite Angel. Dorme bem.

— Boa noite, Trevor. — Com isso, ela encerrou a ligação. Ela colocou
o telefone em cima do carregador sem fio do rádio/relógio/alarme e desligou
a lâmpada de cabeceira.

Lexi adormeceu com um sorriso no rosto, completamente inconsciente


de que alguém a seguiu até sua casa depois da lanchonete.
Um homem estava no chão abaixo da janela de seu quarto enquanto
ela falava com Trevor. O mesmo homem que estava vigiando sua casa
enquanto ela dormia.
Trevor olhou para o relógio. Já eram sete e meia e ele estava atrasado.

O dia começou bem. Ele encontrou o resto da Alpha Team no campo


de tiro privado de Jake em seu rancho fora da cidade. Eles atiraram em
alguns alvos, tomaram banho e foram para o escritório. Nas três horas
seguintes, Trevor passou por duas longas reuniões com alguns clientes em
potencial.

Com os outros ocupados com suas próprias tarefas, Trevor então


passou o resto do dia no escritório de Jake, pronto para atacar o resto de
sua lista de afazeres. Suas intenções de fazer tudo mais cedo foram
destruídas nas primeiras duas horas depois de se sentar.

Depois de quase quarenta e cinco minutos ao telefone com o banco,


ele finalmente conseguiu resolver um problema de folha de
pagamento. Trevor então passou a hora seguinte retornando meia dúzia de
e-mails e o dobro de telefonemas.

O último demorou mais. Foi com Jason Ryker, responsável pela RISC
em Homeland. Ele ligou para falar com Trevor sobre um próximo trabalho
que exigiria a ajuda da Alpha Team.

Ele não tinha ideia de como Jake fazia essa parte do trabalho
regularmente. O cara precisava seriamente contratar um gerente de
escritório.

Quando tudo estava dito e feito, ele mal teve tempo de correr para
casa, tomar um banho rápido e ir para a casa de Lexi para buscá-la para o
jantar.

Agarrando sua jaqueta nas costas da cadeira, Trevor se levantou e


puxou o telefone do bolso. Ele precisava enviar uma mensagem de texto
para Lexi para que ela soubesse que ele poderia estar alguns minutos
atrasado. Com a cabeça baixa e os polegares voando pela tela do telefone,
Trevor saiu do escritório de Jake ao mesmo tempo que um de seus
companheiros de equipe estava passando.

— Uau. — Sean ‘Coop’ Cooper rapidamente deu um passo para o lado


para evitar a colisão. Suas sobrancelhas castanhas se ergueram de
surpresa. — Calma, cara. Onde está o fogo?

— Desculpe. — Trevor ofereceu quando parou bem a tempo. — Eu


não vi você.

— Claramente. — Coop sorriu sarcasticamente. — Qual é o


problema? Você tem um encontro quente ou algo assim?

Não tinha sentido mentir. Se as coisas corressem como ele esperava,


esses caras conheceriam Lexi em breve, de qualquer maneira.

— Por acaso, sim. Eu tenho.

— Bem, maldição. Estava na hora do caralho.

Ambos os homens se viraram para ver Derek saindo de seu escritório


no final do corredor. Ignorando-o, Trevor revirou os olhos e se dirigiu para a
área de recepção do escritório.

— Espere. — Coop deu alguns passos extras para alcançá-lo. —


Então, quem é a garota de sorte?

— A loira de quem te falei. — Trevor ouviu D responder por ele.

Olhando para Trevor, Coop perguntou: — Aquela daquele


restaurante?

Trevor acelerou o passo, colocando-se alguns passos à frente de


Coop. Ele gritou por cima do ombro quando alcançou a porta do
escritório. — Fico feliz em ver que vocês dois não têm nada melhor para
fazer do que falar sobre minha vida amorosa. Certifique-se de trancar tudo
antes de sair.
Atrás dele, ele ouviu Derek dizer: — Sim? Bem, é melhor você nomear
seu primeiro filho depois de mim, já que sou a razão de vocês dois finalmente
ficarem juntos.

Sem olhar para trás, Trevor fez uma saudação com um dedo a D e
saiu. Ele mandou uma mensagem para Lexi enquanto descia de elevador
para o andar principal do prédio.

***

Lexi trancou a porta da lanchonete e rapidamente se dirigiu para o


carro. Ela tinha recebido uma mensagem de Trevor um pouco menos de
uma hora atrás dizendo que ele poderia estar alguns minutos atrasado, o
que na verdade funcionou bem para ela, já que ela estava correndo cerca
de vinte minutos atrasada.

A correria do jantar tinha sido mais louca do que o normal, o que


significava que a limpeza demorou mais do que o normal. Olhando para o
relógio, Lexi fez uma careta quando viu que já eram oito e meia. Porcaria. Ela
ainda tinha dez minutos de carro até a casa de sua mãe antes mesmo de
começar a se arrumar.

Não, não é a casa da mamãe. É minha casa, agora.

Afastando-se desses pensamentos, Lexi repassou seu plano enquanto


o dirigia para o carro. Com tráfego mínimo, ela estaria em casa por volta das
oito e quarenta. Seu senso de estilo simples permitiria a ela um banho de
cinco minutos e mais cinco minutos para se vestir e colocar um pouco de
maquiagem.

Com o resto do tempo, ela secaria o cabelo o melhor que pudesse. Na


pior das hipóteses, ela apenas vomitaria.

Pensando que seu plano era factível, Lexi se aproximou do lado do


motorista de seu carro e parou.
— Caramba. — E agora, ela tinha um pneu furado. Esta noite de todas
as noites.

Ela queria gritar, ou chorar, ou... berrar. Em vez disso, ela tirou o cartão
do seguro da carteira e ligou para o número do serviço na estrada no verso
do cartão. Depois de cuidar disso, ela mandou uma mensagem para Trevor.

Ei, Trevor. Desculpe pelo curto prazo, mas estou no trabalho e meu
pneu está furado. Minha seguradora ligou para um serviço de reboque e o
cara disse que poderia me dar uma carona para casa antes de levá-lo para
a oficina. Disseram que ele está a caminho de outro trabalho agora e não
tinha certeza de quanto tempo isso vai demorar. Eu realmente sinto
muito. Esperançosamente, podemos reagendar em breve.

Terminando com um emoji de dedos cruzados, Lexi suspirou alto e


apertou enviar. Em segundos, seu telefone estava tocando.

— Olá?

— Estou a caminho. — Foi a única saudação que Trevor deu.

— O que? Não. — Ela fez uma careta com o quão dura ela soou. —
Quer dizer, agradeço a oferta, Trevor, mas isso realmente não é
necessário. Eu te disse, a seguradora já ligou para alguém.

— Volte para dentro da lanchonete e tranque as portas atrás de


você. Em seguida, ligue e cancele o reboque. Estarei aí em quinze.

A preocupação em seu tom a pegou de surpresa.

— Lex?

— E-eu estou aqui, mas devo dizer, você está começando a me


assustar um pouco.

Uma maldição murmurada alcançou seu ouvido. Ela então ouviu


Trevor respirar fundo antes de exalar ruidosamente. — Desculpa. Não
queria assustar você ou latir ordens. Hábito ocupacional, eu acho.
Sem ter certeza de como deveria responder, Lexi simplesmente
respondeu: — Tudo bem.

— O Joe está com você?

Ela tinha a sensação de que ele não iria gostar de sua resposta. — Joe
está doente, Gina, a outra garçonete que trabalha no turno do jantar não
apareceu e Caleb tem um grande teste de álgebra amanhã, então eu o
mandei para casa assim que fechamos. Ele precisava de um tempo extra
para estudar.

— Então, você está sozinha? — ele perguntou, claramente alarmado.

— Esta não é a primeira vez que fecho o lugar sozinha. Eu sou uma
garota crescida, Trevor. — Lexi o assegurou. — Eu ficarei bem.

Ele limpou a garganta antes de se desculpar novamente. — Eu sinto


muito. Não quis sugerir o contrário, mas não gosto da ideia de você
esperando no estacionamento sozinha. Principalmente à noite. Só quero ter
certeza de que você está segura, só isso.

— Oh. Isso é, hum... muito fofo, na verdade.

— Bem, eu definitivamente fui chamado de coisa pior.

Ela praticamente podia ouvir o sorriso dele pelo telefone. — Ok, você
venceu. Estou voltando para a lanchonete agora.

— Obrigado, Angel. Vejo você em breve.

Vinte minutos depois, Lexi estava parada ao lado de seu carro,


esperando enquanto Trevor arregaçava as mangas de sua camisa azul
clara. Ela poderia jurar que sua boca encheu de água quando ele saiu da
caminhonete.

O homem era como um GQ GI Joe naquela camisa, um par de jeans


escuros um pouco desgastados e botas de cowboy marrons que claramente
não eram apenas para exibição. Ela viu quando ele puxou uma pequena
lanterna do bolso de trás e se agachou ao lado do pneu furado. Acendendo
a luz com a mão esquerda, ele começou a inspecionar lentamente o pneu
com a direita.

— O que você está fazendo?

— Procurando por algo óbvio que poderia ter causado o


vazamento. Não estou vendo nada, no entanto. Pode ser na parte do pneu
que está presa sob a roda. — Ele apagou a luz e ficou de frente para ela. —
Você provavelmente apenas atropelou um prego ou algo assim.

— Sorte minha. — disse Lexi sarcasticamente.

— Onde está o seu sobressalente?

Com uma expressão mortificada, ela disse: — O pneu furado é meu


sobressalente.

Ela sabia há um tempo que precisava de pneus novos, mas estava


adiando o máximo que podia. O dinheiro que ganhava como garçonete ia
para pagar suas contas ou comprar mantimentos. Qualquer coisa que
sobrasse no final do mês - que nunca era muito - ia para um pote que ela
havia escondido no armário do quarto. Sua versão de uma conta poupança.

Trevor enfiou a lanterna de volta no bolso e usou a mesma mão para


puxar o telefone e mandar uma mensagem.

— Com uma mão, isso é impressionante.

Sorrindo, Trevor disse: — Sou um homem de muitos talentos.

Eu aposto que você é. As palavras quase caíram de seus


lábios. Droga, ela realmente precisava se cuidar perto dele.

Depois de receber uma resposta de quem quer que ele tenha enviado
uma mensagem de volta, Trevor enfiou o telefone no bolso e olhou para a
outra mão. — Você se importa se eu entrar e me lavar?

— Claro.
Eles voltaram para a lanchonete. Lexi destrancou a porta e o levou até
a pia atrás do balcão. De pé ao lado dele, com as costas apoiadas no tampo
de fórmica, ela mordeu o lábio e observou seus músculos tensos enquanto
se moviam com o movimento de suas mãos. Santo inferno, até
seus antebraços eram sexy.

Trevor desligou a torneira e estendeu a mão para o dispensador de


toalhas de papel na parede. Ele rapidamente secou as mãos e jogou as
toalhas usadas na pequena lata de lixo abaixo dela. — Está pronta?

— Pronta? Para que?

— Jantar. — Então, ele deu a ela um sorriso torto, e... Puta merda, o
cara era seriamente gostoso.

Ignorando o formigamento na barriga, Lexi olhou para o relógio. —


Não vamos chegar ao restaurante a tempo.

Ele encolheu os ombros. — Não, mas tenho certeza de que podemos


encontrar algo perto.

Ela pensou sobre os restaurantes nas proximidades. Eles eram todos


fast-food. Este era o primeiro encontro deles, droga. Ela não queria drive-
thru. Ela queria um bom jantar.

Algo memorável. Algo como...

— Eu sei exatamente o lugar. — ela ofereceu.

Suas sobrancelhas se ergueram ligeiramente. — É perto?

— Muito. — Empolgada com a ideia que acabara de se formar, ela


estendeu a mão e sorriu. — Vamos. Eu vou te mostrar.

Trevor colocou a mão na dela e Lexi teve que se esforçar para não
reagir. A sensação que ela teve quando eles se tocaram foi nada menos que
uma carga elétrica. Era diferente de tudo que ela já experimentou antes.
Talvez fosse uma ilusão, mas Lexi poderia jurar que ele também
sentiu. Estava lá, em seus olhos, ele olhou para as mãos unidas e depois de
volta para ela.

Engolindo em seco, Lexi sussurrou baixinho: — Me siga.

Sem outra palavra, ela se virou e o levou para fora de trás do balcão e
para a esquerda... através das portas giratórias duplas da cozinha. Porém,
mesmo que ela odiasse, Lexi soltou sua mão e se virou para encará-lo.

— Estamos aqui.

A confusão encheu seu rosto. — Uh, Lex. Essa é a cozinha.

— Eu sei. — ela sorriu. — Aqui. — ela foi até a pia e agarrou o


banquinho de metal que Joe às vezes usava para ajudá-lo nas costas
quando lavava pratos. Colocando ao lado de onde Trevor estava, ela deu
um tapinha no assento. — Você se senta aqui e eu cuidarei de tudo.

Virando as sobrancelhas para dentro, Trevor sorriu desconfiado


enquanto se sentava. — O que você está fazendo, Angel?

Lexi não pôde deixar de rir da expressão confusa. — Você vai


ver. Oh! Eu quase esqueci. Você gosta de vinho?

Ainda parecendo suspeito, Trevor sorriu. — Eu gosto.

— Vermelho está ok?

Ele deu a ela um leve aceno de cabeça. — Tudo bem com


vermelho. Mas, Lexi, o que você...

— Não se preocupe com nada. Eu tenho tudo sob controle.

Caminhando até a geladeira de tamanho comercial, ela agarrou as


grandes alças com as duas mãos e abriu as portas. A lufada de ar que atingiu
sua carne aquecida foi um choque para seu sistema, mas ela o acolheu.
Ela usou o momento roubado para inspirar profundamente e se
acalmar. Sentir-se tão nervosa era bobagem, mas fazia muito tempo que ela
não cozinhava para ninguém além de si mesma e não queria estragar a noite
mais do que já tinha feito.

Depois de mexer em algumas coisas, Lexi puxou a garrafa gelada de


merlot da geladeira e foi até uma das várias gavetas de utensílios. Depois de
alguma escavação, ela encontrou o que estava procurando.

— Eu não sabia que Joe servia vinho.

Lexi sorriu enquanto aparafusava o abridor na tampa da rolha da


garrafa. — Nós não. Eu mantenho uma garrafa na parte de trás da geladeira,
só para garantir.

— Em caso de quê? Uma emergência de vinho?

Ela riu, girando o abridor. Parecendo estar falando sério, ela disse: —
Ei, você está brincando, mas isso é realmente uma coisa.

Quando ela olhou por cima do ombro, ela foi recompensada com um
sorriso de parar o coração. Deus, apenas olhe para ele.

Com uma bota no chão e o outro calcanhar apoiado no anel inferior do


banquinho, as pernas de Trevor foram colocadas casualmente
separadas. Lexi não pôde deixar de notar como o jeans se estendia
perfeitamente sobre um par de coxas tonificadas. Levou tudo o que ela tinha
para não olhar diretamente para a protuberância entre elas.

— Um... — Ela lambeu os lábios nervosamente e continuou abrindo a


garrafa. — Gina e eu às vezes tomamos um copo antes de ir para casa
depois de um longo dia.

Servindo um pouco para cada um deles, Lexi levou um copo até


Trevor. — Aqui está.

— Obrigado. — Sua voz baixa retumbou.


Suas pontas dos dedos se encontraram, e maldição, se ela não
sentisse a mesma faísca novamente. Sentar-se assim o trouxe para mais
perto do nível dos olhos, e quando o olhar de Lexi encontrou o dele, ela
soube que ele sentiu a conexão deles também.

— De nada. — Ela engoliu em seco antes de voltar a se concentrar na


tarefa em questão. Do contrário, seria meia-noite antes de eles comerem.

Depois de tomar um gole, Lexi colocou o copo na mesa e começou a


reunir tudo o que precisava para o que havia planejado.

— Já sei que você gosta de carne vermelha. — afirmou ela, puxando


dois bifes embrulhados em papel pardo. — Você gosta de arroz?

— Arroz está bom.

Ela se abaixou e abriu uma das gavetas de vegetais. — E quanto a


saladas? — Ela olhou para trás por cima do ombro, e os olhos de Trevor
dispararam para os dela. Lexi controlou sua expressão, mas por dentro ela
estava sorrindo de orelha a orelha. Ele estava me examinando.

Pigarreando, Trevor disse: — Sou conhecido por comer uma salada


ou duas. — Com a taça de vinho na mão, ele se levantou do banquinho e
caminhou até onde ela estava colocando a comida no balcão. — Mas, eu
não quero que você tenha nenhum problema por mim,
Angel. Honestamente, estou bem em dirigir por drive-thru ou algo assim.

— Bem eu não estou. — Ela começou a cortar a alface. — Não essa


noite.

— Você tem trabalhado aqui o dia todo, Lex.

Ela encolheu os ombros. — Isso é diferente.

— Como?

Ela parou de cortar e o encarou com um sorriso. — Para mim, cozinhar


assim é... catártico.
— Catártico?

— Sim. Eu não sei. Acho que me dá tempo para pensar. É relaxante.

Lexi pegou a alface da tábua de cortar de madeira e colocou em uma


tigela grande. Ela então enxugou o quadro e pegou o bife. Ela habilmente
cortou a gordura de suas bordas, então começou a fatiar a carne em
pedaços finos do tamanho de uma mordida.

— Então, o que você pensa quando cozinha?

Ela sorriu. — Minha mãe, principalmente.

— Há quanto tempo ela se foi?

Sua cabeça ergueu-se de surpresa. — Como você sabia?

O canto de sua boca se ergueu ligeiramente. — O tom da sua voz. Isso


e a maneira como seus olhos ficaram quando você disse a palavra 'mãe'.

Lexi olhou para ele por um momento e, em seguida, — Você vê muito,


não é?

Ele sorriu. — Outro risco ocupacional.

Ligando dois bicos a gás, Lexi colocou uma panela de água para ferver
para o arroz em um deles e uma grande frigideira de ferro fundido em
outro. Depois de temperar rapidamente a carne, ela colocou na frigideira
com um pouco de azeite.

— Minha mãe morreu há quase dois anos. Câncer de mama.

— Droga, Lex. Eu sinto muito.

Lexi se concentrou em mexer a carne escaldante. — Obrigado. Eu não


vou mentir, foi a coisa mais difícil que já tive que passar, mas estou bem,
agora.

— Mesmo assim, perder um dos pais tem que ser difícil. E quanto ao
seu pai?
— Você quer dizer o doador de esperma? — Quando as sobrancelhas
de Trevor se ergueram em reação, Lexi rapidamente tentou se recuperar. —
Desculpa. Mau funcionamento do filtro.

Os ombros de Trevor tremeram com uma risada. — Não há


necessidade de se filtrar ao meu redor. Eu gosto de uma mulher que diz o
que está pensando.

— Mesmo?

— Sim. Nunca entendi por que algumas pessoas sentem a


necessidade de falar ou agir de determinada maneira apenas para
impressionar alguém.

— Certo? É exatamente assim que me sinto. Eu acho que sou um tipo


'o que você vê é o que você consegue'. É pegar ou largar, eu sempre digo.

O calor flamejou por trás de seus olhos castanhos escuros quando ele
disse: — Eu fico com isso.

Olhando para ele, Lexi nervosamente mordeu o lábio. Quando os


olhos de Trevor encontraram sua boca, ele começou a se inclinar para baixo.

Puta merda! Ele vai me beijar.

Mais do que pronta para sentir os lábios dele contra os dela, Lexi
estava prestes a jogar a cautela para o vento tomar conta quando um estalo
alto veio do fogão um pouco antes de ela sentir a queimadura em seu braço.

— Ai. — Ela esfregou rapidamente o local onde o óleo quente havia


caído.

— Você está bem?

— Sim, o óleo ficou muito quente. — Abaixando um pouco o fogo, Lexi


usou uma espátula de madeira para mexer a carne. Com um sorriso
malicioso, ela olhou para ele e disse: — Risco ocupacional.

O rosto inteiro de Trevor se iluminou quando ele riu. — Touché.


***

Trinta minutos depois, os dois estavam quase terminando de


comer. Não querendo que os transeuntes pensassem que a lanchonete
ainda estava aberta, Lexi disse a Trevor que eles iriam comer na cozinha.

Ele ofereceu a Lexi o banquinho do bar, mas ela preferiu se sentar na


bancada de aço inoxidável e segurar sua tigela enquanto comia. Deus, ela
era adorável.

De maneira típica, no primeiro encontro, eles passaram a se conhecer


um pouco mais durante o jantar. Ele soube que Lexi e sua mãe se mudaram
do Missouri para o Texas quando ela era uma garotinha. Sua mãe era
professora e conseguiu um emprego em uma das escolas menores daqui.

O pai de Lexi - também conhecido como 'doador de esperma' - havia


deixado sua mãe quando descobriu que ela estava grávida. Sua mãe nunca
se casou e não teve outros filhos, então sempre foram apenas as duas, o
que tornou ainda mais difícil quando Lexi a perdeu.

Imaginar Lexi como uma garotinha crescendo sem pai o irritava. Saber
que ela não tinha ninguém a quem recorrer durante aquele momento difícil,
exceto Joe e as pessoas que trabalharam aqui, tornava tudo ainda
pior. Trevor ainda não tinha filhos, mas não conseguia se imaginar
abandonando um. Planejado ou não planejado.

Trevor compartilhou um pouco sobre si mesmo e seu tempo no


exército. Em seguida, sem fornecer detalhes específicos ou quebrar a
confidencialidade do cliente, ele explicou os fundamentos da RISC e o que
ele e o restante da Alpha Team faziam.

Ele percebeu que era melhor colocar tudo para fora desde o
início. Dessa forma, se seu trabalho fosse um quebra-negócio, os dois
saberiam desde o início e seriam capazes de se separar como amigos antes
que qualquer sentimento real se manifestasse.
Tarde demais para isso, amigo.

Felizmente, Lexi parecia mais intrigada do que desligada com tudo


isso. Claro, ela parecia preocupada quando ele falou sobre alguns dos
perigos envolvidos em ir atrás de um alvo de alto valor e tal, mas, felizmente,
sua única resposta foi fazê-lo prometer fazer tudo o que pudesse para ficar
seguro.

Uma imagem passou diante dele. Ele, entrando na lanchonete depois


de sair em uma operação. Lexi estaria em uma das cabines anotando o
pedido de alguém, seu cabelo no mesmo coque bagunçado que estava
agora. Ela virava a cabeça e sorria, e começaria a correr em direção a
ele. Ela pularia em seus braços, pressionaria seus lábios nos dele. Eles...

— Você está bem?

— Huh? — A cabeça de Trevor se ergueu. Ele pigarreou. — Sim. Eu


estou bem. E isso estava delicioso, Lexi. Obrigado.

Ainda apoiada no balcão, ela sorriu para ele. — Obrigado.

Trevor balançou a cabeça. — Não estou apenas sendo legal aqui,


Lex. Qualquer pessoa que sabe cozinhar assim na hora não deve ficar
enfurnada servindo mesas em alguma lanchonete decadente.

— Ei, agora. — ela avisou. — Não vá odiar Joe assim. Ele ouve você
falando assim da casa dele, provavelmente vai bani-lo para o resto da vida.
— Com um tom de provocação, ela acrescentou: — Então, você teria que
encontrar outro lugar para obter seu hambúrguer derretido.

Ele riu, amando quão brincalhona ela era. — Só estou dizendo que
você tem talento, Angel. Eu odeio ver isso ir para o lixo em um lugar como
este.

Porém, os cantos de seus lábios se curvaram ligeiramente, seu elogio


pareceu cair bem. — Sim, bem... — ela deslizou para fora do balcão e se
dirigiu para o lado oposto da sala onde a pia estava localizada — Nem todos
temos o luxo de ser exigentes com relação ao local de trabalho.
— Eu entendo. — disse Trevor com cautela enquanto se levantava e
carregava seus pratos para onde ela estava.

Lexi continuou falando enquanto colocava a água quente para


funcionar e começava a lavar a tigela e o garfo. — Abrir um restaurante exige
muito tempo e dinheiro. Sem falar no mercado imobiliário. Então, até eu ter
essas coisas, estarei enfurnada, servindo mesas, nesta lanchonete
decadente.

Ela deu a ele outro sorriso forçado enquanto pegava os pratos de suas
mãos. Sem perguntar, ele abriu a torneira da segunda pia e começou a
enxaguar enquanto ela lavava.

Droga. Até agora, as coisas estavam indo muito bem. Ele claramente
disse algo para aborrecê-la, e seu peito apertou enquanto ele tentava
descobrir uma maneira de consertar.

Trevor voltou e pegou suas taças de vinho e trouxe para ela. — Sinto
muito, Lexi. Eu não queria te chatear.

Ela tirou os copos das mãos dele e começou a lavá-los. Ele pegou uma
toalha e começou a secar os pratos que colocara na prateleira, mas ela o
impediu.

— Agradeço a ajuda. — disse ela calmamente. — Mas o


departamento de saúde exige que todos os pratos sequem ao ar.

Trevor parou o que estava fazendo e colocou a toalha de volta no


balcão. Lexi se virou para ele e suspirou.

— E você não tem nada pelo que se desculpar. Você me elogiou e


eu... — ela se interrompeu e suspirou alto antes de colocar a panela e a
frigideira ainda no fogão.

Um período de silêncio se passou enquanto ela terminava de esfregar


as panelas. Por mais difícil que fosse, Trevor deu a ela o tempo que ela
precisava antes de continuar.
— Fui aceita no Kendall College há três anos. É uma escola de
culinária de prestígio em Chicago. Eu tinha um grande plano de terminar o
programa e abrir meu próprio restaurante. Nada muito sofisticado... um lugar
simples com um toque de elegância. Um lugar onde as pessoas pudessem
ir para uma boa refeição, mas também para trazer a família inteira, se
quisessem.

— Três anos atrás. — disse Trevor pensativo. — Sua mãe?

Lexi acenou com a cabeça. — Ela ficou doente. Abandonei a escola e


voltei para cá. Mamãe tinha seguro, mas isso só cobre até certo ponto. Ela
gastou suas economias muito rapidamente, e eu paguei o restante de suas
contas médicas com o resto do que reservei para a escola. Consegui um
emprego como garçonete em um restaurante muito bom no centro da
cidade, mas perdi porque sempre estava ligando avisando que teria que
levar minha mãe ao médico ou ficar em casa com ela quando ela estava
tendo um dia ruim.

— Droga. — ele murmurou ao lado dela.

— Não que eu esteja reclamando. — ela disse rápido. — Eu não


desistiria daquele ano passado com minha mãe por nada, e estou muito
grata por ter economizado o suficiente para ajudar a cobrir os custos,
mas...— Sua voz sumiu.

— Mas?

Ela encolheu os ombros. — Sem economias sobrando e um emprego


que não paga muito, meu plano se tornou uma fantasia.

Com a louça toda cuidada, Trevor deu um passo mais perto. — Sinto
muito, Lex. Eu não deveria ter dito nada.

— Não, sou eu que devo lamentar. Primeiro, há o fiasco do pneu


furado e, em seguida, transformo nossa conversa muito agradável no jantar
em uma festa de pena. — Ela franziu o nariz fofo como o diabo. — Já se
arrependeu de me convidar para sair?
— Você está de brincadeira? — Ele se aproximou ainda mais. — Tive
que resgatar uma motorista presa, comi a melhor refeição que tive em muito
tempo e compartilhei com a bela chef que a preparou. O que há para não
amar?

As bochechas de Lexi ficaram vermelhas e, caramba, se isso não


fizesse seu pau se levantar e notar. — Bem, eu não sei sobre tudo isso. Quer
dizer, eu não estava exatamente presa.

Trevor ergueu uma sobrancelha. — Você tinha um pneu furado e


nenhum sobressalente, Angel. Tenho certeza de que isso se qualifica.

Lexi puxou o lábio inferior entre os dentes e o coração dele começou


a bater um pouco mais forte. — Bem, para minha sorte, tenho meu próprio
herói.

Alcançando-a, ele usou as pontas dos dedos para tirar um pouco de


cabelo de sua testa. — Sim. — ele sussurrou. — Você tem.

Inclinando-se vários centímetros, Trevor trouxe seus lábios para mais


perto dela. Ele sabia que Lexi estava a bordo quando ela ficou na ponta dos
pés para ajudar a fechar o espaço entre eles. Seus lábios mal roçaram os
dela quando alguém começou a bater com força na porta da lanchonete.

Assustada, Lexi saltou para trás e a mão de Trevor instintivamente foi


para o cós na parte inferior das costas. Lembrando que tinha optado pelo
coldre da bota - para não enlouquecer Lexi - ele se abaixou e puxou a perna
da calça para cima. Liberando a arma da bainha, Trevor se levantou para
encontrar Lexi olhando para a arma com cautela.

— Desculpe, Angel. Eu nunca vou a lugar nenhum sem ela.

— Risco o-ocupacional. Não, eu entendo. Mas você realmente acha


que é necessário agora? — Ela parecia um pouco trêmula, mas por outro
lado bem.

Trevor olhou para o relógio. — É tarde demais para alguém


simplesmente aparecer aqui, Lex. Especialmente porque o horário do
restaurante está claramente afixado na porta. — Além disso, as únicas luzes
que eles deixaram acesas foram as da cozinha.

— Parece muito bobo bater em uma porta como essa se você está
planejando roubar o lugar.

Ela não estava errada. — Provavelmente não é nada, mas os ladrões


podem bater ou tocar a campainha antes de invadir um local, apenas para
se certificar de que estava realmente vazio.

Mais batidas vieram então.

— E os nossos carros? — Lexi sussurrou, como se quem quer que


estivesse lá pudesse ouvi-la. — Certamente, eles tinham que ver isso.

— Claro, mas poderíamos ter nos encontrado com amigos e deixado


nossos carros aqui.

Cada pergunta que ela fazia era válida, e uma vez que eles não
estavam em nenhum perigo imediato, ele não estava chateado com ela por
ter tempo para perguntar. Na verdade, ele estava impressionado com a
maneira como ela pensava calmamente na situação. No entanto, ele
precisava ver quem estava lá fora e se certificar de que ela não estava em
perigo real.

— Fique aqui. — ele ordenou baixinho. Felizmente, ela obedeceu.

Lentamente, Trevor caminhou em direção às portas giratórias. Com a


mão livre, ele empurrou o esquerdo apenas o suficiente para ser capaz de
ver o homem parado do lado de fora da porta da lanchonete... e as luzes
amarelas piscantes do grande caminhão estacionado atrás dele.

Relaxando os ombros, ele se virou para Lexi com um sorriso


malicioso. — Você se esqueceu de cancelar o serviço de reboque.
As entranhas de Lexi estavam revoltas com os nervos quando ela
parou na pequena varanda perto da porta da frente. — Obrigado novamente
pela carona para casa.

— Claro. — Os olhos de Trevor olharam para as outras casas. —


Parece um bairro muito legal.

— Isto é. Eu acho que sou a pessoa mais jovem da rua, mas os


vizinhos são todos muito legais. — Lexi apontou para a pequena casa em
estilo rancho do outro lado da rua. — Sra. Siemens adora assar, então às
vezes ela faz um extra e traz para compartilhar.

— Muito legal.

— Sim. — Gah! Qual era o problema com ela? Conversar um pouco


era praticamente um requisito de trabalho para ela, mas ela não conseguia
pensar no que dizer agora para salvar sua alma.

Depois de algumas batidas de silêncio constrangedor, Trevor


pigarreou e disse: — Bem, o cara da empresa de reboque me garantiu que
seu carro estaria pronto na primeira hora da manhã.

— A que horas você disse que eles abrem?

— Sete.

— OK, bom. Gina trabalha no turno do café da manhã amanhã e não


mora muito longe daqui. Vou pedir para ela me buscar antes de entrar e me
deixar na garagem.

— Se ela não puder, é só me ligar e eu irei buscar você.

— Obrigado. Eu vou. E, eu sei que já disse isso cerca de um bilhão de


vezes, mas eu realmente sinto muito por esta noite.
— E eu já te disse um bilhão de vezes para parar de se desculpar. Eu
tive um grande momento.

Lexi revirou os olhos, canalizando seu Caleb sarcástico interior ela


disse. — Ok.

— Não mesmo. — Trevor se aproximou um pouco mais. — Este foi o


melhor primeiro encontro que tive.

Outra piada sarcástica estava prestes a cair de sua língua, mas Lexi
olhou em seus olhos e viu que ele estava falando sério. — Mesmo?

— Prometo.

Ela exalou suavemente. — Eu também me diverti muito. — Tirando o


momento impecavelmente ruim do motorista do reboque.

— Gostou o suficiente para sair comigo de novo? — ele perguntou


com um sorriso malicioso.

Lexi amou o quão esperançoso ele parecia. — Bem... — Ela fingiu


pensar sobre isso. — Tecnicamente, nós realmente não saímos desta vez.

Trevor estreitou os olhos. — Você vai me causar problemas, não é,


Angel?

Ela sorriu inocentemente. — Eu? Nunca. — Lexi abriu a boca para


dizer mais alguma coisa, mas se perdeu quando ela começou a
bocejar. Envergonhada, ela cobriu a boca rapidamente até que tudo
acabasse. Ela se sentiu corar. — Desculpa.

Estranhamente, um olhar acalorado passou pelo rosto de Trevor, mas


então se foi. — Não sinta. É tarde e eu provavelmente deveria ir.

Lexi sorriu para ele, determinada a não deixar transparecer sua


decepção por ele estar saindo. — Sim, e eu quero estar na garagem cedo
para me certificar de que tudo seja cuidado antes de eu ter que
trabalhar. Oh, esqueci de perguntar. Por acaso o cara mencionou quanto
custaria o pneu novo?
Assim que perceberam quem era a pessoa que estava batendo na
porta da lanchonete, Trevor insistiu em sair e falar com o cara sozinho. Disse
que não queria que o homem soubesse que havia a possibilidade de uma
jovem estar ali tarde da noite. Que protetor.

Os olhos de Trevor deslizaram para o lado e depois de volta para os


dela. — Uh, eu não acho que ele mencionou um preço. Eu não me
preocuparia muito, no entanto. Seu carro usa pneus bem pequenos.

— Graças a Deus por isso. — ela murmurou mais para si mesma do


que para ele.

Houve mais alguns segundos de silêncio constrangedor antes de


Trevor se inclinar e beijá-la na bochecha. — Obrigado pelo jantar, Lex. —
ele sussurrou suavemente.

— De nada. — ela devolveu o sussurro, desesperada para tocar o


lugar onde os lábios dele tinham estado.

Lexi tinha lido sobre aquela 'centelha' especial que alguns casais
tinham desde o início, mas ela nunca acreditou que fosse real. Até agora.

Apesar do choque que ela sentiu, Trevor simplesmente disse a ela, —


Boa noite, Angel. Eu te ligo amanhã.

Ela viu quando ele saiu da varanda e desceu a calçada até o carro.

— Boa noite, lindo. — Lexi sussurrou de volta, sabendo que ele não
seria capaz de ouvi-la. Afastando-se, ela destrancou a porta e entrou.

Ele não deu um beijo de boa noite nela. Na verdade. Ela odiava quão
desapontada ela se sentiu, mas ela não pôde evitar. Ele alegou que foi um
ótimo encontro, apesar de todo o desastre do pneu furado. Então, se isso
fosse verdade, por que ele não a beijou?

Lexi puxou um cacho solto para o nariz e inalou. Talvez tivesse algo a
ver com o fato de que ela ainda cheirava a comida frita do restaurante. Claro,
ele disse que ligaria amanhã, então ela teria que esperar para ver.
Recusando-se a se esforçar por nada, Lexi se dirigiu para as
escadas. Ela precisava de um banho e dormir. Primeiro, porém, ela iria
entrar em seu computador e abrir sua conta bancária.

Trevor disse que o pneu não deveria ser muito, mas ela não tinha muito
para começar. Ela odiava a ideia de vasculhar seu pote de dinheiro, mas o
faria, se precisasse. Não seria a primeira vez, e do jeito que sua sorte estava
indo, provavelmente não seria a última.

Com um suspiro alto, Lexi tinha acabado de começar a subir os


degraus quando a campainha tocou. Ela se virou, surpresa ao ver a figura
borrada de Trevor através da janela de vidro decorativo da porta.

Com medo de que algo estivesse errado, Lexi rapidamente cruzou a


área aberta para destrancar e abrir a porta. O olhar intenso em seu rosto a
assustou.

— Trevor? Algo está errado?

Seu pomo de Adão balançou para cima e para baixo enquanto ele
engolia em seco. — Sim.

Foi isso. Ele não ofereceu nenhuma outra explicação de porque ele
voltou para sua porta. Então, ela decidiu perguntar.

— Você vai me dizer o que é ou devo adivinhar?

Suas sobrancelhas escuras se voltaram para dentro e ele falou


baixo. — Aquele beijo que eu te dei... na bochecha.

Seu coração bateu forte contra suas costelas. — O...o que tem isso?

— Isso é o que está errado. — ele rangeu, parecendo chateado.

Olhando para ele interrogativamente, Lexi rezou para não estar


entendendo mal onde isso estava levando.

Seu olhar queimando no dela, Trevor balançou a cabeça. — Esse não


deveria ter sido nosso primeiro beijo.
Antes que ela pudesse pensar em uma resposta, ele agarrou sua nuca
e trouxe seus lábios aos dela.

A minúscula faísca de antes não tinha nada a ver com a explosão de


eletricidade que ela sentia agora. Fogos de artifício acenderam em todo o
seu sistema quando ele finalmente a beijou do jeito que ela desejava.

Mesmo na ponta dos pés, Trevor elevou-se sobre ela. Querendo tornar
as coisas mais fáceis para ele, ela fechou o pequeno espaço que os
separava e colocou uma mão ao redor de sua nuca para apoiá-lo. As unhas
curtas dela cravaram em sua pele bronzeada, o que pareceu desencadear
algo dentro dele.

Trevor assumiu completamente o controle então, envolvendo seu


braço livre em volta da cintura dela e pressionando seu corpo contra o
dele. Lexi podia sentir sua ereção através de sua calça jeans, seu próprio
sexo ficando pesado e inchado de excitação.

Ela abriu a boca e Trevor não perdeu tempo em aceitar o convite. A


língua dele deslizou para dentro e começou a dançar habilmente com a
dela. Como ele, seus movimentos eram poderosos, suas línguas
empurrando juntas com uma necessidade feroz e selvagem.

Antes que ela pudesse detê-lo, um pequeno som de gemido escapou


do fundo de sua garganta. Seus quadris se moveram instintivamente para
frente, seu corpo buscando a liberação que sabia que o toque deste homem
poderia fornecer.

Trevor rosnou em apreciação, mas então terminou o beijo tão


rapidamente quanto o havia começado. Com a mão dele ainda segurando a
nuca dela e o outro braço enrolado frouxamente em volta da cintura dela,
ele descansou a testa contra a dela.

— Esse... — ele falou entre respirações pesadas — Deveria ter sido


nosso primeiro beijo.

— Eu te perdoo. — Lexi sussurrou provocativamente.


Seu hálito quente atingiu seu queixo quando ele exalou uma risada
silenciosa. — Você está sempre me surpreendendo, Angel.

De volta para você, soldado. Lexi queria dizer as palavras, mas ainda
estava tendo dificuldade para recuperar o fôlego.

— Eu queria te beijar assim desde a primeira vez que te vi. — ele disse
com um estrondo baixo.

Tudo o que ela conseguiu dizer foi: — O mesmo.

— Eu quero beijar você de novo.

— OK. — Lexi assentiu descaradamente, sem se importar com a


rapidez com que concordou.

Seu sorriso se alargou com apreciação. — OK.

Inclinando-se novamente, Trevor manteve o ritmo lento desta


vez. Sensual. Foi ainda mais excitante do que o primeiro, algo que Lexi não
teria pensado ser possível.

Mais uma vez, quando afastou os lábios, Trevor encostou a testa na


dela. — Eu preciso ir.

Lexi nunca teve um caso de uma noite antes. Para ela, a ideia sempre
parecia errada. No entanto, estando aqui, agora... envolta nos braços de
Trevor... ela estava pensando seriamente em convidá-lo para entrar.

— Por quê? — A pergunta saiu antes que ela pudesse impedi-la.

Trevor deu uma risada baixa antes de respirar fundo e soltar o ar


lentamente. — Eu acho que você sabe o que vai acontecer se eu não fizer
isso.

E isso é um problema porque...

Como se pudesse ler sua mente, ele segurou um lado de seu rosto e
disse: — Não quero levar as coisas muito longe, muito rápido.
Ok, realmente devia haver algo errado com esse cara. Alguma falha
importante que ele estava escondendo. Nenhum homem era tão
atencioso. Pelo menos nenhum que ela já conheceu. Especialmente não tão
devastadoramente bonito quanto Trevor Matthews.

Novamente, ele parecia saber exatamente o que ela estava


pensando. Tirando um cacho rebelde do olho dela, ele explicou.

— Sei que mal nos conhecemos, mas... gosto de você,


Alexis. Bastante. — Ele se inclinou e deu-lhe um beijo doce e casto antes de
sussurrar: — Não quero ser algo de que você se arrependa pela manhã.

Pela maneira como ele a beijou e a impressionante ereção que sentiu


contra a barriga poucos minutos antes, Lexi teve a sensação de que não se
arrependeria de nada. Ainda assim, ela não pôde deixar de apreciar sua
maneira de pensar.

— OK. E, para que conste... — porque ela precisava que ele soubesse
— Eu também gosto de você.

Seus olhos escuros se iluminaram com a inclinação de seus lábios. —


Bom. Agora, eu realmente preciso ir antes de fazer algo idiota, como me
convidar para uma xícara de café ou algo assim.

Lexi riu. — Bem, você estaria sem sorte, de qualquer maneira. Estou
sem café.

— Você está, hein?

— Sim. Já faz um tempo que não vou às compras. Estou no


restaurante quase todos os dias e acho que comer lá com outras pessoas é
menos deprimente do que comer aqui sozinha depois do trabalho.

Com o polegar, Trevor acariciou suavemente seu lábio inferior. —


Talvez possamos fazer algo para mudar isso. Você comendo aqui sozinha,
quero dizer.

A sinceridade em sua voz era tão poderosa que Lexi mal sussurrou de
volta: — Talvez.
Com mais um beijo curto e gentil, Trevor disse: — Bons sonhos, Angel.

Através do vidro da porta, Lexi observou enquanto ele entrava em sua


caminhonete e ia embora. Ela levou a ponta do dedo aos lábios, adorando
que ainda pudesse sentir o gosto dele ali.

***

Ele observou a caminhonete prateada partir. Pude ver Alexis ‘Lexi’


Hamilton se afastando da porta e desaparecendo nas sombras de sua
casa. No início, ele pensou que os dois eram apenas amigos.

Ele pensou em seguir em frente, tomar um caminho diferente para


atingir seu objetivo. Mas, havia algo sobre a maneira como Lexi e o Soldier
Boy se olhavam ultimamente. Isso e a maneira como o Soldier Boy e seu
ajudante de cabelo desgrenhado haviam valentemente vindo em seu socorro
ontem.

O fato de Lexi e o Soldier Boy estarem se vendo não o deteve. Na


verdade, isso tornou seu plano muito mais gratificante.

Ele quase decidiu ir atrás de Lexi esta noite. Das árvores, ele observou
enquanto os outros dois funcionários saíam. Trinta minutos depois, ele
estava atrás da cobertura de árvores e observou enquanto ela caminhava
para seu carro. Sozinha.

A oportunidade não poderia ter sido mais perfeita. Infelizmente para


ele, era muito cedo. Por mais que ele quisesse tomá-la naquele momento,
ele esperou. Precisando ter certeza antes de fazer seu movimento.

Quanto mais tempo lhe desse, mais devastador seria seu jogo final. E
seria devastador. Para ambos.

Ver o Soldier Boy praticamente correr de volta para a varanda e ir até


ela do jeito que ele fez... bem ali, na varanda da frente, para que todos
vejam... sim, amigos não se beijam assim. Ele saberia.
A fúria ígnea que sentia cada vez que pensava nisso ameaçava
consumi-lo. Ele olhou para a casa em estilo Craftsman novamente, assim
que a luz do andar de cima se apagou. Ele queria entrar agora. Sabia que
ele poderia entrar facilmente.

Ele tinha tentado no início desta noite, enquanto a cadela e seu novo
amante provavelmente estavam fodendo na cozinha da lanchonete. A
garçonete e o soldado. Parecia uma comédia romântica cafona.

Rindo silenciosamente para si mesmo, ele ligou o carro e colocou-o


em movimento. Enquanto dirigia pela rua tranquila, ele pensou sobre o que
havia planejado para a pequena Srta. Lexi. Ele não estava totalmente pronto
para sua grande jogada, mas precisava fazer algo logo. Ele não iria matá-
la. Isso viria mais tarde. Por enquanto, ele manteria as coisas
simples. Apenas o suficiente para mostrar à loira borbulhante e seu Soldier
Boy que ele poderia pegá-la sempre que quisesse.

Seu sorriso cresceu quando ele puxou o carro para a interestadual,


sabendo que essa história teria tudo menos um final feliz.

***

Lexi pegou os dois sacos de papel cheios de mantimentos e caminhou


em direção ao conjunto de grandes portas automáticas. A maioria das
pessoas não usava mais papel, mas ela gostava deles.

Por um lado, ela não sentia como se seus dedos fossem cortados ao
meio quando os carregasse para dentro de casa como os plásticos. No
entanto, o verdadeiro motivo pelo qual Lexi geralmente pedia papel em vez
de plástico era que eles a faziam lembrar de quando ela era mais jovem e ia
para a loja com sua mãe.

Piscando para conter as lágrimas, ela saiu e inalou, respirando o ar frio


da noite. Depois de dois anos, você pensaria que ela pararia de ficar com os
olhos lacrimejantes com cada pensamento de sua mãe. O tempo não
parecia importar, no entanto. Não quando se tratava de sentir saudades
dela.

Esta noite não era sobre isso, no entanto. Trevor estaria em sua casa
em uma hora, e ela precisava se apressar e chegar em casa. Após o fiasco
de seu primeiro encontro na noite anterior, Lexi estava determinada a fazer
com que este fosse sem problemas.

Gina ligou ontem à noite, logo depois que Trevor saiu, e perguntou se
Lexi trocaria de turno com ela. Aparentemente, ela tinha um segundo
emprego para ajudar com suas contas, e eles precisavam dela naquela
manhã. Sabendo que isso iria liberar sua noite, Lexi agarrou a chance de
trabalhar no primeiro turno.

Esta manhã, depois de ser deixada na garagem e pegar seu carro, ela
mandou uma mensagem para Trevor para ver se ele estava livre para o
jantar, mais do que animada quando ele aceitou. Ela não mencionou que ele
comprou quatro pneus novos. Ela estava esperando para ter essa conversa
pessoalmente.

Lex tentou fazer o cara tirar tudo menos um e colocar os antigos de


volta, mas ele disse a ela que não podia. Aparentemente, uma vez colocados
com segurança no carro, eles não eram mais considerados pneus 'novos' e
teriam que vendê-los como usados. Por sua vez, a garagem perderia
dinheiro com eles.

Ela não tinha certeza se isso era verdade, ou se Trevor apenas se


certificou de que o cara não aceitaria não como resposta. De qualquer
maneira, ela pretendia ter uma discussão sobre limites com ele esta noite.

Lexi gostava de Trevor. Mais do que gostava do homem. Mas, ela


precisava que ele soubesse que, embora o gesto fosse incrivelmente doce,
era demais. Ela não queria que ele pensasse que ela era um caso de
caridade, mas uma mulher independente, capaz de cuidar de si mesma.

Seus saltos estalaram contra o pavimento liso, focada em não rolar seu
tornozelo enquanto ela se dirigia para o carro. Normalmente, ela teria
esperado para ficar pronta até mais perto da hora que Trevor deveria chegar,
mas depois da maneira como ela parecia durante o encontro na noite
anterior, Lexi estava determinada a parecer mais apresentável, desta vez.

Usando as poucas horas que ela tinha depois do trabalho para se


mimar - algo que ela raramente fazia - ela esbanjou e teve suas sobrancelhas
depiladas. Depois disso, ela foi para casa e se deu ao luxo de um banho
relaxante e bem merecido.

Cercada por bolhas, Lexi releu alguns capítulos de um livro de sua


autora de romances favorita antes de entrar no chuveiro para fazer a
depilação e lavar o cabelo.

Ela então fez uma manicure e pedicure em casa, se vestiu, arrumou o


cabelo e se maquiou. Quando ela terminou, Lexi se sentiu bonita e renovada,
que era seu objetivo. No entanto, o tempo passou mais rápido do que ela
pensava, e agora ela estava correndo para chegar em casa para preparar o
jantar e colocá-lo no forno na hora certa.

Finalmente em seu carro, Lexi encostou o quadril no para-choque


traseiro e colocou os dois sacos em seu braço esquerdo. Então, levantando
o mesmo joelho, ela apoiou o fundo dos sacos na perna para que pudesse
usar a mão direita para procurar as chaves no bolso. Não foi uma tarefa fácil,
considerando que ela estava de vestido e salto alto.

Puxando as chaves, Lexi tinha acabado de encontrar o botão certo e


estava prestes a abrir seu porta-malas quando uma voz alta de homem veio
bem atrás dela.

— Que bom encontrar você aqui.

— Oh! — Assustada, Lexi saltou e se virou rapidamente, deixando cair


uma das sacolas no processo.

O som de vidro quebrando atingiu seus ouvidos, e Lexi se encolheu,


sabendo que a garrafa de vinho que ela acabara de comprar para o jantar
havia quebrado. Quando ela olhou para cima e viu quem era o homem, ela
ficou ainda mais frustrada.
— Rob? O...o que você está fazendo? Você me assustou pra caralho!

Abaixando-se, Lexi colocou a sacola que estava segurando no chão e


rapidamente tirou a outra da poça crescente de vinho
derramado. Rapidamente, ela começou a tirar os mantimentos do saco
arruinado e empilhá-los no outro o melhor que pôde.

Ignorando a pergunta dela, Rob perguntou: — Para que serve o


vinho? Encontro quente?

Pensando que ele desistiria se soubesse que ela estava saindo com
alguém, Lexi respondeu: — Na verdade, sim. Bem, ia.

— Com quem? Oh espere! — Ele estalou os dedos. — Aposto que é


aquele idiota alto da lanchonete. Qual era o nome dele... Trevor?

Lexi odiava a maneira como Rob dizia o nome de Trevor. Ela se


levantou para encará-lo. — Isso não é da sua conta.

Nesse momento, uma mãe com um carrinho de compras e dois filhos


pequenos passou. Rob esperou até que eles passassem antes de se
aproximar lentamente. — Veja, é aí que você está errada, Lexi-Loo.

Ele cheirava a uísque e estava começando a arrastar as


palavras. Campainhas de alarme dispararam em sua cabeça e Lexi olhou
para onde a mãe havia caminhado. Talvez, se ela pudesse fazer contato
visual com ela, a outra mulher iria pedir ajuda. Infelizmente para ela, a mãe
estava encostada na porta lateral aberta de sua minivan, colocando o filho
mais novo em sua cadeirinha.

Ela rapidamente examinou o resto do estacionamento por outra


pessoa. Lamentavelmente, era um pequeno mercado de bairro. Vários
outros carros estavam no estacionamento, mas Lexi não viu ninguém por
perto.

Sua respiração acelerou e seu coração parecia que ia bater direto para
fora de seu peito, mas ela se manteve firme. — Não, não estou errada. —
Ela tentou contorná-lo, mas ele deslizou, bloqueando seu caminho.
— Como diabos, você não está. Estou convidando você para sair há
um mês e meio. Então, esse cara entra e você está praticamente abrindo as
pernas para ele bem ali, no meio da porra da lanchonete. Agora, você está
vestida como uma puta, usando toda essa maquiagem e esses saltos
fodidos. O cara deve dar boas gorjetas.

Tendo perdido a paciência com o imbecil, Lexi bateu as palmas das


mãos no peito de Rob e o empurrou com força suficiente para que ele
cambaleasse alguns passos para trás. Então, ela soltou tudo o que ela queria
dizer desde que ele começou a entrar na lanchonete, mas não conseguiu.

— Eu não estou vestida como uma prostituta, e para o mês passado e


meio, eu tinha que dizer a você não! Eu sei que você pensa que é um
presente de Deus para as mulheres, mas a realidade é que nenhuma mulher
com um pouco de bom senso pensaria em namorar alguém como
você. Então, pegue a dica maldita, Rob. Eu não quero sair com você. Nem
agora, nem nunca. Entendido?

Passando por ele, Lexi foi direto para a porta. Lembrando que ela
ainda não tinha destrancado o carro, ela apertou o botão apressadamente e
alcançou a maçaneta. Ela tinha acabado de começar a abrir a porta quando
uma grande mão passou por sua cabeça e a fechou.

— Onde você pensa que está indo?

O corpo inteiro de Lexi estremeceu como se ela tivesse ficado em


choque. Esfregando-se contra ela por trás, Rob se aproximou ainda mais,
essencialmente prendendo-a entre ele e seu carro.

Desesperada por ajuda - e rezando para que alguém ouvisse e


interviesse, ela gritou: — Deixe-me em paz!

Então, retrocedendo, ela tentou criar espaço suficiente para abrir a


porta e entrar no carro. Apenas, desta vez, Rob se manteve firme.

Rosnando ao lado de sua orelha, ele disse: — Você não me vire as


costas, vadia.
Pronta para discar 911, Lexi deslizou a mão trêmula em sua bolsa para
pegar seu telefone, mas Rob agarrou seu antebraço direito e torceu-o atrás
das costas antes que ela pudesse pegá-lo.

Ele a girou e empurrou seu torso contra o dela. Lexi gritou quando ele
a jogou de volta no carro.

Oh Deus. Onde está todo mundo? Com o braço direito agora preso
atrás dela, ela começou a socar e empurrar nele com o esquerdo. — Deixe-
me ir. — ela rangeu, ainda tentando soltar o braço. — Estou falando sério,
Rob. Você está me machucando.

— Sim? — Ele pressionou contra ela ainda mais, fazendo com que a
porta do carro afundasse dolorosamente na parte inferior das costas. Com
o nariz quase tocando o dela, ele gritou: — Bem, talvez eu não precisasse
se você não fosse uma provocadora de pau do caralho!

Lexi conseguiu virar a cabeça para o lado, pouco antes de a saliva com
infusão de uísque atingir sua bochecha. Ela mal conseguiu evitar engasgar
com o cheiro de seu hálito.

Dedos fortes envolveram a parte superior de seu braço esquerdo


enquanto Rob tentava controlar seu movimento. Seu aperto aumentou,
rasgando a manga de seu vestido.

— Pare de jogar, Lexi-Loo. — Rob suavizou seu tom e correu a ponta


do nariz ao longo do rosto dela. — Você sabe que quer isso.

Não, ela não queria. Ela queria estar o mais longe possível deste
homem. Ela queria... Trevor.

Lexi pensou sobre o encontro que eles deveriam ter. Um que agora
estava arruinado, graças a este idiota. A raiva começou a superar seu
medo. Fazendo o possível para limpar sua mente, ela pensou em suas
opções. Apenas uma veio à mente.

Sem esperar mais um segundo, Lexi trouxe o joelho direito para cima
com toda a força e velocidade que conseguiu reunir. Graças à maneira como
ele estava de pé, ela tinha um tiro certeiro direto em sua virilha. Ela atingiu
seu alvo com perfeição.

Gritando alto gemido, Rob caiu como uma pedra no pavimento


duro. — Sua vadia estúpida! — ele gemeu enquanto se enrolava em posição
fetal.

Sem perder tempo, Lexi abriu a porta, saltou para dentro do carro e
bateu à porta. Ela levou um precioso segundo para proteger as
fechaduras. Depois de duas tentativas, seus dedos trêmulos conseguiram
inserir a chave na ignição e ligar o carro.

Ela podia ouvir as maldições abafadas de Rob vindo de fora, e em sua


periferia, ela o viu tentando se levantar. Ele ainda estava gritando e
chamando seus nomes enquanto ela girava os pneus e dirigia para a
delegacia de polícia mais próxima.
— Tem certeza? — Trevor perguntou ao cara da garagem pela
segunda vez.

— Cara. Venho fazendo essa merda há dez anos. Estou te dizendo,


não há nada de errado com o pneu ou a haste da válvula. Alguém deve ter
deixado o ar escapar de propósito. Provavelmente algumas crianças idiotas
pregando uma peça.

— Sim, talvez. — Trevor murmurou, embora seu instinto lhe dissesse


o contrário.

— Então, você quer de volta ou não?

— Sim, eu vou pegar de volta. Se não houver nada de errado com ele,
ela pode usá-lo como sobressalente. — Ele olhou para o relógio. — Eu não
tenho tempo para fazer isso esta noite. Posso passar por ai de manhã e
pegá-lo?

— Soa bem. Vou marcá-lo como vendido para que ninguém mexa
nele.

— Obrigado, cara.

— Desculpe, eu não sabia sobre isso antes. Quando falei com você
ontem à noite, você parecia mais preocupado em garantir que sua garota
recebesse todos os pneus novos, e nós tinhas as nossas bundas entregues
a nós hoje. Para ser sincero, quase me esqueci de verificar.

— Sem problemas.

— Bem, como eu disse. Provavelmente foi apenas uma pegadinha


estúpida, mas do jeito que o mundo é hoje em dia, você nunca pode ser
muito cuidadoso. Sua garota parecia boa o suficiente. Eu odiaria pensar em
alguém mexendo com ela assim.
Se estiverem, vou encontrá-los. — Agradeço por me avisar.

— A qualquer hora, cara.

Terminando a ligação, Trevor colocou o telefone na mesa. Com os


cotovelos apoiados na borda, ele juntou os punhos e pensou sobre o que
acabara de aprender.

— Whoa, quem mijou em seus Cheerios?

Seus olhos se levantaram para encontrar Derek de pé na porta de seu


escritório. Inclinando o queixo em direção à pasta que D estava segurando,
Trevor perguntou: — O que foi?

— Nuh uh. Você primeiro. Por que você parece estar pronto para uma
luta?

Trevor balançou a cabeça. — Lembra que eu disse a você sobre o


pneu furado de Lex?

— Sim.

— A garagem acabou de ligar. Ela não atropelou um prego, como eu


pensava. Alguém intencionalmente deixou escapar o ar sair.

As sobrancelhas de Derek se voltaram para dentro. — Quem iria


mexer com uma garota como Lex? — Então, um olhar de consciência cruzou
seu rosto. — Aposto que foi aquele idiota, Rob.

Trevor recostou-se em sua cadeira de couro cara e passou a mão pelo


queixo. Suspirando, ele concordou. — Esse foi o meu primeiro pensamento
também. — Ele pensou por um momento e então: — Será que você pode
descobrir um pouco sobre esse cara?

Estreitando os olhos, D disse: — Não posso acreditar que você acabou


de me perguntar isso.

Trevor sorriu. — Descubra o que você pode e volte para mim o mais
rápido possível.
As sobrancelhas de Derek se ergueram. — Isso é uma ordem
oficial? Porque não tenho certeza se Jake aprovaria o uso do tempo e dos
recursos da empresa para um favor pessoal.

Trevor revirou os olhos. — Apenas cale a boca e faça isso. — Então,


tardiamente, ele acrescentou — Por favor.

Derek bufou. — Eu só estou fodendo com você. Claro, eu farei


isso. Mesmo que não tenha sido ele quem furou os pneus de Lex, aquele
cara tinha más notícias escritas sobre ele. — Então, como se acabasse de
se lembrar da pasta em suas mãos, D disse: — Ah, sim. — Ele caminhou até
a mesa de Trevor e estendeu-a para ele. — Quase esqueci de dar isso a
você.

— O que é?

— Eu, os rapazes e a Mac examinamos aquela lista de candidatos que


você nos deu outro dia. Essas são as nossas escolhas para a Bravo Team.

— Bravo Team?

— Faz sentido. Somos a Alpha Team. Todos nós pensamos que Bravo
era uma escolha natural para o próximo nome da equipe RISC.

Trevor não podia discutir com a lógica do cara. Pegando a pasta, ele
rapidamente folheou seu conteúdo. — Vou verificar isso com mais detalhes
amanhã, mas pelo que posso dizer, parece que você escolheu os mesmos
que eu. Vou escanear e enviar por e-mail para Jake verificar. — Quando
Derek olhou para ele com expectativa, ele suspirou. — E vou repassar a
sugestão de nomear a nova equipe.

— É por isso que somos uma equipe tão boa. — Com o dedo
indicador, ele bateu na têmpora e fez um som de clique com a língua. —
Grandes mentes, bebê.

Trevor sorriu e balançou a cabeça. — Vejo você amanhã. Avise-me se


descobrir alguma coisa sobre Rob.
— Vou fazer isso agora, antes de sair. — Derek jogou o polegar por
cima do ombro em direção à porta. — Então, Coop e eu vamos ao The
Ranch para alguns drinques. Quer vir?

The Ranch era um bar não muito longe de onde ficava seu
escritório. Era menor, já que era um lugar sofisticado, não transportava a
turbulenta multidão universitária como muitos outros bares.

— Não posso. Estou jantando com Lexi.

Derek sorriu largamente. — Duas noites seguidas. Muito bem, seu


garanhão. — Rompendo-se, ele riu e se encaminhou para a porta. Por cima
do ombro, ele disse: — Aproveite o seu encontro. Diga a Lex 'Ei'. — Justo
quando Trevor pensou que ele tinha ido embora, Derek espiou a cabeça
para trás e acrescentou: — E espero detalhes.

Trevor sem cerimônia mostrou-lhe o dedo do meio antes de olhar para


o relógio novamente. Ele só teria tempo de pegar uma garrafa de vinho antes
de ir para a casa de Lexi.

Sua frequência cardíaca acelerou com o pensamento de vê-la


novamente, e Trevor sorriu para si mesmo. Ele quase se esqueceu de como
era esse tipo de antecipação.

Depois de Lisa, Trevor praticamente se fechou para essa parte de sua


vida. Ele tomou a decisão consciente de minimizar o risco de experimentar
qualquer tipo de perda pessoal como essa, novamente. Ele não queria ser
responsável pela vida de alguém por quem ele se importava
romanticamente.

Isso explicava por que Derek não sabia sobre quaisquer encontros
quentes ou encontros casuais que Trevor teve desde o início de RISC e
Trevor sempre foi muito cuidadoso em manter sua vida privada
completamente separada de seu trabalho.

Inferno, um dos maiores motivos pelos quais seu chefe manteve as


coisas platônicas com sua nova esposa por tanto tempo foi para protegê-
la. Como o resto da equipe, Jake McQueen sabia como seria fácil para um
inimigo usar um ente querido para se vingar.

No entanto, Jake aprendeu da maneira mais difícil que às vezes,


mesmo a melhor proteção ainda não é suficiente. Eles chegaram muito perto
de perder Olivia alguns meses atrás, mas, felizmente, o time a pegou antes
que fosse tarde demais.

Todos eles aprenderam uma lição naquele dia. Se o mal quer alguém
o suficiente, ele os encontrará. Não importa o quanto você tente mantê-los
seguros.

Depois de ver Jake e Olivia sobreviver aos horríveis obstáculos que a


vida lançou para finalmente alcançar seu final feliz, Trevor começou a
pensar. Talvez, apenas talvez, ele pudesse encontrar alguém para ser feliz
também.

O rosto lindo e sorridente de Lexi apareceu diante dele, fazendo seu


pau estremecer. Ele não mentiu sobre ser seu melhor primeiro encontro de
todos os tempos. Embora ele odiasse os problemas que ela teve com o pneu
furado, ele amava o jeito que tudo tinha acontecido.

Ela era tão pé no chão. Até mesmo se abriu para ele sobre sua mãe e
as lutas que ela enfrentou financeiramente. Tudo sobre Lexi era tão...
real. Genuíno. Foi uma das coisas que primeiro o atraiu para ela.

Ela não tinha vergonha de compartilhar seus sonhos com ele. Tinha-
os chamado de fantasias, mas se ele tinha algo a dizer sobre isso, eles se
tornariam muito mais. Vou fazer seus sonhos se tornarem realidade.

A maioria das mulheres tinha tendência a ser falsa com ele, e ele
odiava isso. Trevor não era cego. Ele sabia que era um cara bonito. Ele viu
como os olhos das mulheres se iluminavam quando ele passava. Mas
quando ele saía com uma, elas pareciam pensar que precisavam ter uma
aparência e agir de determinada maneira.

Elas riam um pouco alto demais de suas piadas. Certificando-se de


que o cabelo e a maquiagem estavam perfeitas, como se tivessem que ser
perfeitas para que ele gostasse delas. Isso não poderia estar mais longe da
verdade.

Como resultado, ele praticamente desistiu de toda a cena do namoro


e apenas cuidou das coisas sozinho. Não foi difícil, sem trocadilhos. Tudo o
que ele precisava fazer era imaginar uma certa loira com um conjunto de
lindos olhos azuis e as covinhas mais adoráveis que ele já tinha visto, e...

O pau de Trevor começou a inchar atrás de seu zíper. Jesus, ele


precisava se concentrar em outra coisa antes que ele se envergonhasse
completamente. Derek nunca o deixaria viver com isso se saísse do
escritório ostentando uma enorme ereção.

Para ajudar, ele agarrou sua jaqueta das costas da cadeira e colocou-
a casualmente sobre seu antebraço esquerdo. Segurando-o na frente de sua
cintura, Trevor verificou se ele tinha suas chaves e caminhou ao redor da
borda de sua mesa.

Ele estava na metade do caminho para a porta quando Derek irrompeu


pela porta novamente, segurando um único papel. Desta vez, ele não estava
sorrindo.

— O que é?

— Eu estava procurando por sujeira em nosso cara. Cruzando


referências a quaisquer cartões de crédito com o nome de Rob ou Robert
anexados a eles que tenham sido usados no Joe's nos últimos seis meses.

— Ok... — A voz de Trevor sumiu.

— Havia apenas dois. Um pertence a um homem de 77 anos que vai


lá todas as manhãs para tomar café e comer.

Uma sensação desconfortável começou a se agitar no estômago de


Trevor. — E o outro?

— O segundo pertence a um cara chamado Robert Lockwood. —


Derek entregou-lhe a folha. — É ele. É o nosso cara. Tem registro de
agressão, resistência. Está tudo aí.
— Droga. — Trevor murmurou enquanto examinava a ficha criminal
do homem. Ele odiava a ideia de esse cara estar em qualquer lugar perto de
Lexi. — Acho que estávamos certos sobre ele, hein?

— Isso não é tudo, Trev.

Ouvindo o tom preocupado na voz de seu amigo, Trevor olhou para


cima. O nível de preocupação nos olhos do outro homem o deixou
prendendo a respiração.

— Enquanto eu estava pesquisando sobre Lockwood, uma nova


notificação de mandado de prisão apareceu na minha tela. — Derek engoliu
em seco antes de continuar. — A acusação é de agressão. Está com hora
marcada de á quinze minutos atrás, e...

O coração de Trevor caiu, apavorado com o que ele estava prestes a


ouvir. — Diga-me.

Simpatia encheu os olhos de Derek. — Trevor, Lockwood acabou de


atacar Lexi.

***

— Tem certeza de que não posso arranjar outra coisa? Um café ou


refrigerante? — O detetive West perguntou pela segunda vez.

O homem falou com um leve sotaque sulista. Alto, com cabelo


castanho claro e olhos verdes, ele usava calça marinho, uma camisa social
branca e uma gravata azul claro. Um distintivo de ouro brilhante estava
preso ao cinto perto de seu quadril direito, e sua arma estava presa com
segurança no coldre à sua esquerda.

Ele é canhoto. O pensamento era aleatório, mas se ela mantivesse sua


mente focada em fatos aleatórios como aquele, ela não teria que pensar
sobre quão assustada ela esteve naquele estacionamento. Então, Lexi
tentou se concentrar em tudo, menos no medo ainda percorrendo suas
veias.

Tipo, apesar do fato de que a blusa de mangas compridas do detetive


West cobria seus braços, ela poderia facilmente dizer que ele estava em
excelente forma. Sem aliança de casamento e tão bonito como ele era, ele
sem dúvida fez muitas mulheres tirarem suas calcinhas por ele. Talvez mais
de uma de cada vez.

Não que ela estivesse interessada em se tornar uma delas. Havia


apenas um homem que mantinha seu interesse dessa forma. Claro, depois
desta noite, Trevor provavelmente era uma causa perdida.

Com os cotovelos apoiados na mesa, Lexi segurou a garrafa de água


à sua frente com as duas mãos, sem pensar esfregando o polegar para cima
e para baixo em suas cristas lisas. Ela deu ao detetive um pequeno sorriso.

— Eu estou bem. Obrigado.

Ele inclinou ligeiramente a cabeça. — Não vai demorar muito, Srta.


Hamilton. Sua declaração está sendo digitada agora. Depois de fazer isso,
você só precisa dar uma olhada para ter certeza de que tudo está correto,
assinar e você estará livre para sair.

— Obrigada. — ela repetiu baixinho.

— Nós vamos encontrar Lockwood. Os oficiais estão procurando por


ele enquanto falamos. Eu prometo que vou te ligar no segundo que ele for
trazido.

— Obrigado. Obrigado.

Sinceridade encheu os olhos do homem quando ele gentilmente


perguntou: — Você gostaria que eu chamasse alguém para vir buscá-lo?

Sim por favor. Seu nome é Trevor Matthews. — Não, obrigado. Eu


mesma cheguei aqui.
Desta vez, quando o detetive West sorriu de volta para ela, ela foi
atingida por uma estranha sensação de familiaridade.

— Olha, não estou tentando ser agressivo aqui, mas... o que


aconteceu com você... algo assim pode realmente abalar uma pessoa. —
Ele encolheu os ombros. — Pode ser melhor se outra pessoa te levar para
casa.

Lexi lambeu os lábios secos. — Estou bem, detetive. Eu não preciso


de mais ninguém.

Pelo menos foi o que ela disse a si mesma quando mandou uma
mensagem para Trevor para cancelar o encontro. Nenhum cara como
aquele ficaria por perto depois que ela se descontrolou não em um, mas em
dois encontros. Porcaria.

Felizmente, alguns minutos depois de tomar seu depoimento, o


detetive West saiu para o corredor para atender um telefonema. Lexi tinha
aproveitado a oportunidade para enviar a Trevor uma mensagem
cancelando o encontro deles, grata por ela ter sido capaz de fazer isso sem
audiência. Com cada letra que ela digitou, suas lágrimas estavam cada vez
mais perto de cair.

Não querendo enviar os detalhes do que tinha acontecido por


mensagem de texto, Lexi simplesmente disse a Trevor que algo tinha
acontecido inesperadamente, e ela não poderia mais jantar com ele. Ela
terminou com um pedido de desculpas pelo curto prazo e uma promessa de
ligar quando pudesse.

Ela não recebeu uma resposta, o que lhe disse tudo o que ela
precisava saber. Provavelmente, Trevor decidiu que ela não valia a
pena. Não que ela pudesse culpá-lo.

Nenhum homem gostava de uma garota cercada de drama. Primeiro,


ela consegue um pneu furado porque não pode pagar a manutenção
adequada para seu carro, e agora isso. Porém, toda a coisa do pneu pode
não contar tecnicamente como drama, esta noite definitivamente é.
O telefone do detetive vibrou. Ele olhou para a tela e rapidamente de
volta para ela. — Eu, uh... eu preciso verificar uma coisa. Eu volto já.

Com ele longe, Lexi voltou a se concentrar em sua garrafa de


água. Alguns minutos depois, ela ouviu vozes abafadas vindas do corredor,
pouco antes da porta da sala em que ela estava se abrir. A cabeça de Lexi
chicoteou para cima e ela quase engasgou quando viu quem tinha acabado
de entrar.

— Trevor? O...o que você está fazendo aqui?

— Aparentemente, está tentando colocar minha bunda em apuros. —


O detetive West balançou a cabeça enquanto entrava na sala. Derek estava
em seus calcanhares.

— Derek? O que está acontecendo? — Ela olhou para todos os três


homens, então de volta para Trevor. — Por que vocês dois estão aqui?

— Acho que a melhor pergunta é: por que diabos você não me ligou?

Chocada com seu tom áspero, Lexi levou um segundo para realmente
olhar para Trevor. Ele estava vestido com um terno preto com uma camisa
branca e gravata preta. Uma mudança definitiva do jeans que ele
normalmente usava quando entrava no restaurante. Mas não foi seu traje
que chamou sua atenção, tanto quanto a expressão assassina enchendo
seu rosto bonito.

O homem tranquilo da noite anterior se foi. Em vez disso, ele foi


substituído por uma besta sexy vestindo um terno. Alguém que parecia
pronto para lutar até a morte. Oh sim. O cara estava definitivamente
chateado.

— Eu sinto muito. — sua voz tremeu. Apesar de seus esforços para


detê-las, lágrimas não derramadas brotaram de seus olhos. — Eu estava
planejando ligar para você depois que eu chegasse em casa. As coisas
apenas... — ela olhou para o detetive, e depois de volta para Trevor — As
coisas ficaram um pouco malucas esta noite, só isso. — Sua voz falhou, e
ela piscou rapidamente, enviando duas listras prateadas pelo seu rosto. Ela
rapidamente as limpou.

Com uma maldição murmurada, Trevor estava ao seu lado em um


instante. Agachado ao lado da cadeira dela, ele balançou a cabeça. — Sinto
muito, Angel. Eu não queria brigar com você. Eu estava muito preocupado
quando soube do que aconteceu.

Ele levou a mão ao rosto dela, mas congelou quando ela se afastou
por reflexo. Ele começou a abaixá-la, a dor em seus olhos a destruindo.

Agarrando rapidamente seu pulso grosso, Lexi levou a mão de volta à


bochecha. Ela se inclinou para o toque dele e sussurrou: — Desculpe. Acho
que ainda estou um pouco nervosa.

— Não faça isso. — ele ordenou suavemente.

— Fazer o que?

— Pedir desculpas por estar com medo. Não depois do que aquele
bastardo fez com você.

Provavelmente era errado da parte dela, mas o coração de Lexi


inchou, sabendo que ele se importava. — Estou bem, Trevor. Eu prometo.

Tomando cuidado para não a assustar novamente, ele lentamente


tirou a mão e estendeu o braço dela entre eles. Um músculo em sua
mandíbula saltou quando ele viu os novos hematomas que os dedos de Rob
deixaram em seu antebraço quando ele o torceu nas costas.

Com olhos quase clínicos, ele avaliou o resto do que podia ver. Um
rosnado baixo veio do fundo de sua garganta quando ele notou sua manga
rasgada. Com o mais gentil dos toques, o polegar de Trevor roçou por um
pequeno arranhão que Rob tinha deixado em seu ombro.

Trazendo seus olhos de volta para os dela, ele perguntou: — Onde


mais você está ferida?
— Lugar algum. — Quando ele não pareceu convencido, ela segurou
seu queixo forte. O pouco da barba fez cócegas em sua pele sensível, mas
ela não conseguiu se afastar. — Estou bem, Trevor. Eu prometo.

Ele cobriu as costas da mão dela com a sua. Trevor então fechou os
olhos e a virou, pressionando seus lábios macios contra a palma da mão. O
coração de Lexi tropeçou com o gesto doce.

Alguns segundos depois, aqueles olhos chocolate escuro encontraram


os dela mais uma vez. — Ok, Angel. Se você diz que está bem, eu acredito
em você.

Aliviada, ela estava prestes a perguntar novamente por que ele estava
ali quando o detetive West propositalmente - e bem alto - pigarreou.

A cabeça de Lexi se virou para onde ele e Derek ainda estavam de


pé. Por um momento, ela esqueceu completamente que eles estavam lá.

— Se você terminou seu... exame médico profissional, Matthews,


gostaria de obter a assinatura da Srta. Hamilton para que ela possa ir para
casa.

Algo sobre a maneira como o homem disse o sobrenome de Trevor a


fez parar.

— Espere. — Lexi olhou para Trevor, então de volta para o detetive. —


Vocês já se conhecem?

— O que? — Derek deu um tapa nas costas do detetive. — Você não


vê a semelhança?

Levou três segundos para Lexi finalmente perceber de quem o


Detetive West a lembrava. Outro segundo se passou e ela se lembrou do
sobrenome de Derek.

— West. — ela murmurou mais para si mesma do que para qualquer


outra pessoa. Ela olhou para os dois homens novamente. — Vocês são
irmãos.
— Dê um prêmio à senhora. — Com a mão no ombro de seu irmão,
Derek sorriu de orelha a orelha. — Lex, eu gostaria que você conhecesse
Eric. Meu irmãozinho.

— Eu sou apenas dois minutos mais jovem, idiota. — Detetive West -


Eric - tirou a mão de Derek de seu ombro.

Lexi fez um pequeno som bufante e sorriu. — Vocês são gêmeos? E


seus pais os chamaram de Derek e Eric. Mesmo? — Ela riu enquanto se
virava e olhava para Trevor.

— Aí está ela. — ele sussurrou suavemente, parte da preocupação


finalmente se dissipando de seus olhos.

Lexi não tinha mais vontade de rir. Ela se sentia como...

— Me leve para casa.

O detetive West falou: — Eu me ofereci para ligar para alguém dar uma
carona á Srta. Hamilton, mas ela recusou.

— Lexi.

O homem olhou para ela interrogativamente.

— Você pode me chamar de Lexi.

— Uau, ela deve gostar de você, mano. — Derek cutucou seu


irmão. — Só os amigos dela podem chamá-la assim.

Eric revirou os olhos, mas Derek piscou para ela e sorriu, ajudando a
acalmar seus nervos ainda mais. Por estar perto desses caras, ela quase
podia esquecer o que tinha acontecido com Rob. Quase.

Seu peito começou a ficar apertado conforme as memórias


avançavam. Claro, Trevor percebeu.

— Vamos, Angel. — Ele se levantou, um canto da boca se


erguendo. — Vamos tirar você daqui.
Deixando sua declaração sobre a mesa, ela se levantou e empurrou a
cadeira um pouco para trás, suas pernas de metal rangendo contra o chão
de ladrilhos. Trevor ofereceu sua mão, que ela pegou sem hesitação.

Eles estavam quase na entrada da delegacia quando ele disse: —


Porque você não dá as chaves ao Derek. Ele pode nos seguir em seu carro.

— Eu estou bem para dirigir sozinha, Trevor.

— Eu sei. — ele concordou, mas continuou andando.

Presumindo que ele queria que ela fosse com ele para que pudessem
conversar sobre o que aconteceu, Lexi soltou a mão de Trevor e tirou as
chaves de sua bolsa. Entregando-as a Derek, ela perguntou: — Você não
precisa do meu endereço? Você sabe, no caso de nos separarmos no
trânsito ou algo assim?

Trevor falou antes que Derek pudesse responder. — Não vamos para
sua casa, Angel.

Isso a surpreendeu. — Então, para onde vamos?

Em vez de responder imediatamente, Trevor pegou sua mão


novamente e a levou para fora. Eles tinham acabado de começar a descer
os degraus de concreto quando ele casualmente disse: — Minha casa.

Lexi parou de andar imediatamente. — Sua casa? — Puxando sua


mão, Trevor deu mais dois passos antes de se virar.

Com a mão dela ainda na dele, ela balançou a cabeça. — Eu não


posso ficar na sua casa, Trevor.

— Por que não?

Com ele alguns degraus abaixo dela, eles estavam quase na altura dos
olhos. — Por que não? Nós estivemos em um encontro. Não posso passar a
noite com alguém depois de apenas um...

— Não é disso que se trata, Angel. — Trevor interrompeu sua recusa.


Lexi mordeu o lábio. Apesar das palavras que ela acabara de dar a ele,
um ramo de decepção cresceu dentro dela. — Então, sobre o que é?

Olhando-a bem nos olhos, ele parecia tudo menos casual quando
disse a ela: — Você estar segura.

Os músculos de Lexi ficaram tensos. Suas palavras deveriam ter


trazido conforto, mas em vez disso, foram um lembrete de que Rob ainda
estava lá fora, em algum lugar.

— Você... — ela lambeu os lábios e engoliu em seco, nervosa — Você


realmente acha que ele iria aparecer na minha casa?

Alcançando a outra mão, Trevor deu a ambos um pequeno aperto. —


Os policiais vão encontrá-lo, Lex. Mas, até que o façam, não vou dormir
sabendo que ele ainda está lá fora e você está naquela casa sozinha. Meu
apartamento fica em um prédio seguro e tenho um sistema de segurança de
última geração. Mas, se isso vai fazer você se sentir mais confortável,
podemos ficar na sua casa.

Alguns segundos de silêncio se passaram enquanto Lexi refletia sobre


tudo. Quando ela ainda não disse nada, Trevor disse: — De qualquer
maneira, vou dormir no sofá. — Ele segurou seu rosto, — Por favor,
Angel. Para minha paz de espírito... fique comigo esta noite.
Trevor entrou em sua sala de estar. O tapete espesso e delicioso
engoliu seus passos enquanto ele caminhava. Ele fez uma pausa quando viu
a mulher parada na frente da grande janela do chão ao teto. Com os braços
em volta de seu centro, Lexi olhou para a movimentada cidade abaixo.

Seu olhar se ergueu, seus olhos se encontrando em seu reflexo. —


Você tem uma ótima vista. — Ela virou-se para encará-lo. Um conjunto de
olhos lindos e cautelosos olhou para o cobertor e o travesseiro embalados
em seus braços.

Caminhando até seu sofá, Trevor os colocou sobre a almofada. —


Coloquei lençóis limpos na cama e coloquei uma toalha limpa e uma escova
de dente extra na pia do banheiro principal. — Olhando sua manga rasgada,
ele fez o seu melhor para controlar a raiva que ainda fermentava por
dentro. — Também coloquei uma camiseta e um moletom na cama. Achei
que você se sentiria melhor se tomasse banho e usasse roupas diferentes.

Alcançando o material esfarrapado, Lexi deu a ele um pequeno


sorriso. Um que não mostrou suas covinhas. Eu quero vê-las. Eu quero um
sorriso verdadeiro.

— Obrigado. Você realmente não precisava ter todo esse trabalho.

Trevor lentamente fechou a distância entre eles. — Sim eu tinha. —


Ele traçou o arranhão em seu braço, como fizera na estação. — Eu odeio o
que ele fez com você, Angel. E eu sei que nenhum de nós teria dormido esta
noite se eu tivesse levado você para casa e ido embora.

Trevor precisava que a preocupação em seus olhos fosse


embora. Tomando cuidado para se mover lentamente, ele colocou um
pouco de cabelo atrás da orelha. — Você está segura, Alexis. Você sempre
estará segura comigo.
Colocando a mão em seu peito, Lexi olhou em seus olhos e sussurrou:
— Eu sei. — Ela quase parecia envergonhada quando confessou: — Nós
mal nos conhecemos, mas... eu sempre me sinto segura quando você está
por perto.

Trevor cobriu sua pequena mão com a sua, sabendo que ela não
poderia perder a forte batida de seu coração sob sua palma. — Bom. — ele
sussurrou de volta.

Seus olhos permaneceram travados. Deus, ele queria beijá-la. Então,


ele deu um passo para trás, odiando o vazio que sentia por perder seu
toque. A própria decepção de Lexi chamejou atrás de seus olhos, mas então
desapareceu.

Ela queria que eu a beijasse.

Enfiando as mãos nos bolsos, Trevor pigarreou e perguntou: — Quer


beber algo? Eu tenho cerveja, ou posso fazer um café ou...

— Na verdade... — Ela colocou os braços em volta de si mesma


novamente. — Acho que gostaria de tomar aquele banho primeiro.

Trevor acenou com a cabeça. — Sem pressa.

Quinze minutos depois, Trevor pediu um jantar e ligou para Jake para
fazer o check-in. Depois de finalmente convencê-lo de que não havia
necessidade de encerrar sua lua de mel mais cedo, Trevor encerrou a
ligação.

Encostado no balcão da cozinha, ele ouviu o som abafado de água


corrente. Fez o possível para ignorar as imagens que se recusavam a ficar
escondidas.

Lexi... molhada. Nua. Passando suas mãos delicadas sobre todas


aquelas curvas sensuais e delicadas.

O pau de Trevor começou a inchar quando ele imaginou suas mãos


tocando-a. Espalhando o sabonete em sua pele macia e perfeita. Pegando
seus seios pequenos, mas perfeitos em suas mãos, antes de mover mais
abaixo entre suas coxas. Seus dedos deslizando para dentro dela...

A campainha tocou, trazendo-o de volta à realidade. Só então, ele


percebeu que a água havia parado. Jesus.

Ajustando-se, Trevor foi até a porta. Ele estava mais do que grato por
Lexi não ter entrado enquanto ele estava perdido em sua fantasia com ela
nua.

Verificando o olho mágico para verificar seu visitante, Trevor digitou


seu código de segurança antes de destrancar e abrir a porta. Após assinar
o recibo e agradecer ao entregador, ele acionou as fechaduras e o alarme e
levou as duas pizzas para a cozinha.

Ele tinha acabado de colocar as caixas na bancada quando ouviu sua


voz suave atrás.

— Isso tem um cheiro delicioso.

Trevor se virou, quase perdendo o fôlego. Parece que faço muito isso
perto dela. Ele não escondeu o sorriso. — Ei.

Ela havia enrolado a barra do moletom várias vezes. Ele presumiu que
ela fizera o mesmo com o cós elástico. A camisa era uma de suas antigas
camisetas de serviço, cinza com letras pretas desbotadas soletrando ARMY
na frente. Caindo um pouco acima dos joelhos, ela quase nadou na coisa.

Vê-la em suas roupas fez algo nele que ele não conseguia
explicar. Com o cabelo úmido solto sobre os ombros e nenhum traço de
maquiagem, ela ainda era a mulher mais bonita que ele já tinha visto.

— Trevor? Está tudo bem?

Merda. Como um idiota, ele apenas ficou parado ali, olhando.

— Sim. Eu, uh... eu pedi pizza.

Ela sorriu, suas covinhas aparecendo pela primeira vez na noite.


— Eu posso ver isso.

— Certo. — Trevor balançou a cabeça para si mesmo e tentou se


recuperar. — Eu não tinha certeza de que tipo você gostava, então comprei
uma só com pepperoni e outra com tudo. Achei que se você não gostasse
de pepperoni, podemos simplesmente tirá-lo.

Sorrindo um pouco mais largo, ela deslizou para uma das banquetas
do bar. — Supremo é meu favorito, na verdade.

Trevor pegou dois pratos e alguns guardanapos e sentou-se ao lado


dela. Abrindo a caixa suprema, ele deu a ela uma fatia antes de pegar uma
para si mesmo.

— Obrigado novamente, Trevor. Você não precisava fazer tudo isso


por mim, mas eu realmente aprecio isso. — Ela deu uma mordida.

— Não havia muito nisso, Lex. Liguei, fiz o pedido e o cara apareceu
com a comida.

Rindo, ela rapidamente cobriu a boca até terminar de mastigar e


engolir a comida. Ela deu um tapa de brincadeira em seu bíceps. —
Espertinho. Eu não estava falando apenas sobre a pizza.

Ouvir sua risada fez seu peito inchar e seu pau meio duro se
contrair. — Eu sei. — Ele a observou dar outra mordida. — Confie em
mim. Isso foi tanto para mim quanto para você.

Suas sobrancelhas se voltaram para dentro e seus olhos se


estreitaram. Ela engoliu em seco e, em seguida, — Por falar em fazer coisas
para mim...

Trevor a parou com a palma da mão levantada. — Eu sei o que você


vai dizer, e você está certa. Eu cruzei a linha com os pneus.

Sua confissão pareceu surpreendê-la. — Oh. Um sim. Você fez. — Ela


suspirou. — Não é que eu não aprecie o gesto. Eu aprecio, mas... quatro
pneus é muito, Trevor. — Lexi apontou seu dedinho para ele. — E vou pagar
a você cada centavo.
Trevor sorriu. — Peço desculpas por ultrapassar, mas honestamente,
realmente não custou muito. Você não precisa me pagar...

— Sim. — ela o interrompeu. — Eu preciso. Olha, eu sei que


compartilhei muito na noite passada, mas posso e vou pagar por esses
pneus. Posso não ser rica por nenhum esforço da imaginação, mas também
não sou um caso de caridade.

— Nunca pensei que você fosse, Angel.

Ela o encarou por um momento, como se estivesse tentando decifrá-


lo. Parecendo um pouco nervosa, ela disse: — Ok, bem... bom. Porque eu
não sou.

Um canto da boca de Trevor se inclinou para cima. — Eu entendi.

Lexi corou e seu pau começou a inchar ainda mais. Droga. Ele não
sabia o que era, mas ver as bochechas dela ficarem rosadas e coradas assim
o deixou instantaneamente duro. [Link].

— Olha, Lex. — Trevor girou seu banco do bar para encará-la


melhor. — Não quero que isso soe como uma ostentação ou pretensão,
então, por favor, não entenda assim. — Ele lambeu os lábios e mergulhou.
— Tenho algum dinheiro guardado. Bastante, na verdade. Nunca fui casado
e não tenho filhos, então minhas despesas ao longo dos anos têm sido
mínimas. Eu gastei o máximo que pude enquanto estava no serviço e ganho
muito bem trabalhando para a RISC. Portanto, quatro pneus para o seu carro
não prejudicaram minhas finanças.

Os olhos de Lexi deixaram os dele para focar em sua fatia de pizza


comida pela metade. Movendo-se desconfortavelmente em seu assento, ela
murmurou: — Eu ainda me sentiria muito melhor se eu pagasse de volta.

— Se você sentir necessidade, tudo bem. Eu só queria que você


soubesse que não há pressa. — Trevor sorriu quando ela olhou para ele. —
A meu ver, isso compensa todas as vezes que você foi enganada por causa
de suas gorjetas.
Ela soltou uma risada suave, mas não disse nada. Embora odiasse,
Trevor sabia que precisava contar a ela o resto.

— A garagem me ligou esta noite. Alguém intencionalmente deixou o


ar sair do seu pneu.

Suas sobrancelhas se ergueram. — O que?

— Poderia ter sido uma brincadeira. Algumas crianças bagunçando a


lanchonete.

Ela o estudou por um minuto. — Você acha que foi só isso? Apenas
alguém em busca de diversão?

— Não. — ele respondeu honestamente. — Que é outra razão pela


qual eu queria você aqui, onde eu sabia que você estaria segura. Apenas no
caso de...

Pegando sua pizza, ela perguntou: — Por que você se importa tanto,
Trevor? Mal nos conhecemos. — Lexi olhou para ele enquanto esperava por
sua resposta.

— A verdade?

— Sempre. — ela sorriu.

Trevor balançou a cabeça. — Eu não sei.

Ele não conseguia ler a expressão dela, então tentou se explicar


melhor. — Eu sempre fui protetor, Lexi. É quem eu sou. — Ele encolheu os
ombros. — É... o que eu faço.

— Você já se machucou no trabalho?

— Sim. — ele explicou tudo para ela. — Entre meu tempo no Exército
e depois na RISC, fui baleado duas vezes. Esfaqueado uma vez. Tive
algumas costelas quebradas e algumas concussões menores. E mais
hematomas e arranhões do que eu jamais poderia controlar. Nada que
alguns pontos e alguns dias de descanso não curaram.
Trevor prendeu a respiração enquanto esperava por sua resposta.

Os olhos de Lexi se arregalaram. — Uau. — Ela piscou algumas vezes


e soltou um suspiro lento. — E aqui, eu pensei que ter que lidar com caras
como Rob de vez em quando era ruim.

Ouvindo o nome do outro homem, Trevor reflexivamente apertou seu


joelho um pouco mais. Ela olhou para baixo para onde ele a estava tocando,
fazendo-o perceber que precisava aliviar seu aperto.

— Desculpa. — Ele afrouxou o aperto. — Eu simplesmente não


suporto a ideia de você ser tratada dessa maneira.

A expressão dela se suavizou e Lexi colocou a mão sobre a dele. —


Eu sei. Ainda não entendo muito bem, mas entendo. E eu estou
bem. Mesmo.

— Diga-me o que aconteceu, Lex.

Depois de alguns segundos, ela o fez. — Eu estava no armazém


comprando coisas para o nosso jantar. Eu tinha acabado de chegar ao meu
carro e estava tentando pegar minhas chaves quando Rob veio atrás de
mim. Ele me assustou e eu deixei cair uma das sacolas. A garrafa de vinho
que comprei quebrou e eu estava tentando economizar o que podia... — ela
fez uma pausa, perdida na memória.

— O que aconteceu depois? — Trevor perguntou calmamente.

— Ele começou a me incomodar. Perguntando sobre o vinho e se era


para um encontro quente... esse tipo de coisa. Eu pensei... — ela lambeu os
lábios e engoliu em seco — Eu pensei que talvez se eu dissesse a ele que
estava saindo com alguém, ele finalmente entenderia a dica, sabe?

— Mas ele não entendeu.

Lexi balançou a cabeça. — Isso só o deixou mais beligerante. Ele


basicamente tentou me fazer sentir culpada por sair com você e não com
ele. — Ela rapidamente acrescentou: — Eu não disse a ele que era você, eu
juro. Ele apenas assumiu.
Ele percebeu que ela estava preocupada que ele ficasse chateado. —
Está tudo bem, Lex. Ele provavelmente nos viu conversando na lanchonete.
— Seu polegar acariciou seu joelho através de seu moletom. Acenando para
o braço dela, ele perguntou: — Como você conseguiu os hematomas?

Trevor observou Lexi engolir em seco antes de responder. — Rob fez


um comentário grosseiro sobre nós dois. Isso me deixou muito brava, então
gritei com ele. Quando tentei sair, ele ficou no meu caminho, então eu o
empurrei. Apenas para passar. Ele ficou muito bravo e agarrou meu
braço. Ele torceu nas minhas costas, então me empurrou contra o meu carro
e...

Sua respiração acelerou e o medo em seus olhos estava de volta. Para


o inferno com isso.

— Está tudo bem, Angel. Você pode parar.

Um canto de sua boca se ergueu, seu sorriso o surpreendendo. — Se


eu parar agora, você perderá a melhor parte.

— Sim?

Lexi acenou com a cabeça. — Eu o chutei nas bolas o mais forte que
pude. Ele caiu no chão como um saco de batatas, eu entrei no meu carro e
dirigi até a delegacia.

Trevor soltou uma risada. — Você tem razão. Essa é definitivamente a


melhor parte da história. — Após alguns segundos de silêncio, seu sorriso
desapareceu quando ele perguntou: — Por que você não me ligou?

Sentando-se um pouco mais ereta, Lexi suspirou. — Eu odeio drama,


Trevor. Sempre odiei. Todo o ensino fundamental, cena de garotas
malvadas? Sim, fiquei o mais longe possível disso.

Ele começou a dizer algo, mas ela o interrompeu na passagem. — Eu


já tinha estragado nosso primeiro encontro com o pneu furado e depois
esquecido de ligar e cancelar o caminhão de reboque. Eu não queria ter que
explicar que estava cancelando nosso segundo encontro porque algum
idiota não podia aceitar um não como resposta. — Lexi respirou fundo antes
de exalar lentamente. — Honestamente, eu estava com medo de que se eu
fizesse aquele telefonema para você, então você decidiria que eu não valia
a pena. Quero dizer, e se Rob vier atrás de mim de novo? Você não pode
sentar lá e me dizer que é assim como você deseja passar suas noites com
alguém que você acabou de conhecer. Ainda estou chocada que você tenha
vindo para a delegacia em primeiro lugar, muito menos me convidar para
ficar aqui esta noite.

Parte de Trevor queria dizer que ela estava certa. Ele provavelmente
deveria correr... longe e rápido. Só não pelos motivos pelos quais ela estava
pensando.

A última vez que Trevor se permitiu começar a se preocupar com uma


mulher, ele acabou fazendo com que ela fosse morta. Desde então, ele se
certificou de que não houvesse nenhum laço ou apego romântico de
qualquer tipo. Não porque ele não amava a ideia de ter uma mulher em sua
vida para voltar para casa. Para compartilhar sua vida.

Trevor não podia suportar a ideia de outra mulher com quem ele se
importava se machucar porque ele não poderia protegê-la. As longas
semanas de trabalho e as viagens ao exterior que a RISC assumia só
pioraram essa possibilidade. Então, nos últimos anos, ele se manteve
afastado de qualquer relacionamento sério.

Então, um dia, ele simplesmente entrou no Joe's Diner e lá estava


ela. Embora ele não soubesse a princípio, foi o momento em que esta
pequena garçonete começou a se contorcer para passar por suas defesas.

Trevor não sabia por que ou como. Ele só sabia que a escolha não era
mais sua. Ele tinha que fazer tudo ao seu alcance para manter esta mulher
segura.

— Você terminou? — ele perguntou, sua voz baixa e calma.

Com os olhos baixos, Lexi puxou o lábio inferior entre os dentes e


acenou com a cabeça. Precisando esclarecer algumas coisas, Trevor tirou
ambas as mãos de seu colo e as segurou.
— Olhe para mim, Angel. — ele sussurrou a ordem. Olhos relutantes
encontraram os seus novamente. — Eu quero deixar algumas coisas
claras. Em primeiro lugar, o que Rob fez com você foi culpa dele, não sua. E
eu prometo a você, ele nunca mais colocará as mãos sobre
você. Entendido?

A incerteza ainda brilhava em seus olhos, mas ela deu um pequeno


aceno de cabeça. — Entendido.

— Bom. Em segundo lugar, e isso é importante... Gosto de você,


Angel. Eu disse isso ontem à noite, e eu quis dizer isso.

Seus olhos permaneceram fixos e, pelo que pareceu um longo tempo,


os dois apenas ficaram sentados ali, olhando. Trevor tinha acabado de
começar a se inclinar, mas as palavras suaves de Lexi o pararam de repente.

— Você disse que nunca foi casado, mas... — ela lambeu os lábios —
E quanto a uma namorada?

Trevor moveu o polegar nas costas de sua mão em uma carícia


suave. — Se eu tivesse uma namorada, Lex, o encontro da noite passada
não teria acontecido. E eu tenho certeza de que não teria beijado você como
eu beijei.

O alívio rodou no conjunto de olhos azuis brilhantes olhando para


ele. Ele se sentiu puto, imaginando que tipo de idiotas ela namorou no
passado que a fariam pensar que ele diria as coisas que ele disse e agia da
maneira que ele fez se ele já tivesse outra pessoa em sua vida.

O desejo encheu seus olhos enquanto ela continuava a olhar para


ele. Trevor percebeu a forma como seu peito subia e descia mais
rapidamente, e aquele maldito rubor rastejou de seu pescoço e em suas
bochechas. Em um instante, a virilha de sua calça ficou dolorosamente
apertada.

Trevor estava oscilando à beira de ceder à necessidade que sentia por


esta mulher, mas a última coisa que ele queria era que Lexi pensasse que
ele estava tirando vantagem da situação. Sabendo que provavelmente se
arrependeria, Trevor pigarreou e soltou as mãos dela.

— Está ficando tarde. — Ele se levantou um pouco rápido demais e


começou a arrumar a bagunça do jantar. — Você teve um longo dia e
provavelmente deveria descansar um pouco.

Lexi piscou, claramente pega de surpresa. — Oh. Hum, está bem. —


Um olhar de confusão e decepção encheu seus olhos enquanto ela
lentamente deslizou para fora do banco do bar.

A culpa se instalou em seu intestino, mas Trevor sabia que estava


fazendo a escolha certa. Fazia muito tempo desde que ele gostou de alguém
tanto quanto gostava de Lexi, e ele estaria condenado se deixasse seus
hormônios estragar tudo.

— Aqui, deixe-me ajudar. — Ela começou a pegar seu prato, mas ele
o pegou antes que ela tivesse a chance.

— Não, está tudo bem. — Trevor colocou os pratos na pia e ligou a


torneira. De frente para a pia, ele disse: — Vá para a cama. Eu cuido disso.

— Ok. — ela prolongou um pouco a palavra. — Bem boa noite.

Ele ofereceu a ela um sorriso por cima do ombro. — Boa noite.

Lexi olhou para ele por meio segundo a mais antes de se virar e seguir
pelo corredor. Trevor prendeu a respiração até que ouviu o clique suave da
porta de seu quarto fechando.

Exalando alto, ele olhou para sua virilha e murmurou uma


maldição. Isso foi rapidamente seguido por uma oração silenciosa de
agradecimento por, mais uma vez, ele ter sido capaz de manter sua enorme
ereção escondida.

Ele lavou os dois pratos e guardou o resto da pizza. Quando ele


terminou, Trevor se dirigiu ao banheiro de hóspedes, onde começou a tomar
o banho mais frio que pôde suportar.
***

Lexi ainda estava deitada na cama de Trevor, acordada e inquieta,


quando ouviu a água do outro chuveiro entrar. Uma imagem de sua forma
nua e musculosa passou diante de seus olhos. Por mais que tentasse, ela
não conseguia fazer isso ir embora.

Ela não queria ser inadequada com seus pensamentos, mas


caramba... o homem era de dar água na boca. Saber que ele estava a
apenas um quarto de distância - molhado e nu - a deixou mais inquieta do
que quando se deitou.

Quando a porta do banheiro abriu e fechou novamente, Lexi ouviu com


atenção. Ela ignorou o sentimento de decepção que a atingiu quando o ouviu
caminhar de volta pelo corredor. Longe do quarto em que ela estava.

Não que ela realmente esperasse que ele viesse se juntar a


ela. Esperava, talvez, mas não esperava.

Trevor alegou que o drama com o pneu e Rob não eram um


problema. Ele parecia estar sendo sincero quando disse a ela que gostava
dela, e não havia como confundir o calor em seus olhos quando ele estava
olhando para ela.

Lexi tinha certeza de que ele estava prestes a beijá-la. Em vez disso,
ele agiu como se alguém o tivesse encharcado com um jato de água fria ao
se levantar abruptamente e praticamente ordenar que ela fosse para a cama.

Durante a próxima hora, ela ficou lá, se mexendo e se


virando. Querendo saber o que ela fez de errado. Até que a atingiu.

Ele estava me protegendo. Tinha que ser isso. Depois do que


aconteceu com Rob, Trevor não queria parecer um idiota insistente e
indiferente. Então, ele a mandou para a cama e ocupou o sofá.
Embora ela preferisse que ele ficasse aninhado ao lado dela, Lexi não
pôde deixar de sorrir. Ela adormeceu pensando que o cavalheirismo estava
vivo e bem, afinal.

Na manhã seguinte, Lexi arrastou os pés pelo carpete enquanto


entrava no banheiro. Ela dormiu a noite toda, mas fora um sono agitado. Um
cheio de sonhos maravilhosos de amor e risos, bem como alguns sonhos
não tão bons com Rob e seus modos de manipular.

Depois de cuidar dos dentes e de outras necessidades, Lexi decidiu


que um banho rápido ajudaria a lavar o torpor.

Poucos minutos depois, ela se sentiu revigorada e pronta para o


dia. Ela colocou a camisa de Trevor de volta, mas decidiu abrir mão do
moletom por enquanto. A sensação da água era incrível, mas suas pernas
ainda estavam rosadas por causa do calor. Afinal, a camiseta era tão longa
quanto seu vestido.

E não estava rasgada.

Afastando esses pensamentos, Lexi passou os dedos pelo cabelo


úmido uma última vez antes de desligar a luz e ir para a cozinha. Ela sentiu
o cheiro de café assim que acordou, então ela sabia que Trevor já estava
acordado. Quando ela o viu, Lexi congelou no lugar.

Ele estava de pé no fogão, mexendo o que cheirava a algum tipo de


bacon delicioso com ovo. Ele estava com uma camiseta preta e um par de
jeans desbotados que faziam sua bunda apertada parecer ainda mais digna
de agarrar do que a calça que ele estava usando na noite anterior.

Lexi observou os músculos se moverem sob o tecido da camisa


enquanto ele trabalhava com eficiência a comida na frigideira. O homem era
incrivelmente lindo, era mais doce do que qualquer um que ela já conheceu
e cozinhava.

Em uma palavra, ele era... — Perfeito.


Ela não teve a intenção de sussurrar em voz alta, mas Trevor deve ter
ouvido algo porque ele se virou e deu a ela o sorriso mais sexy que ela já
tinha visto.

— Bom dia, Angel.

Então, ele piscou e seus olhos se arregalaram ligeiramente antes de


deslizar para baixo por suas pernas nuas. Quando seu olhar encontrou o
dela novamente, não havia como confundir o calor ali.

Tentando fingir que um rubor constrangedor não estava subindo por


seu pescoço e bochechas, Lexi sorriu de volta e entrou na sala.

— Bom dia. O que cheira tão bem?

— Ovos mexidos com bacon, cebola picada e queijo americano. —


Ele parecia adorável quando encolheu os ombros e acrescentou: — Minha
avó costumava fazer ovos assim quando eu era pequeno.

Sentindo-se muito mais como ela mesma do que na noite anterior, Lexi
usou as mãos para se içar na ilha atrás dele. A partir daí, ela observou
enquanto ele trabalhava em sua magia culinária.

— Cheira deliciosamente.

— Bem, tenho certeza de que você poderia pensar em algo muito


melhor, mas decidi deixá-la descansar enquanto eu cozinhava.

Vê? Perfeito.

— Você dormiu bem?

Demorou um segundo para perceber que ele lhe fez uma pergunta. —
Uh, sim. Eu dormi. — Ela não estava disposta a compartilhar seus sonhos
com ele... os bons ou os maus. — E você?

— Excelente.
— Excelente? Você dormiu no sofá, Trevor. Tenho certeza de que não
foi ótimo.

Seus ombros tremeram com uma risada silenciosa. — Ok, talvez não
tenha sido ótimo. Mas não foi tão ruim. Acredite em mim. — ele sorriu por
cima do ombro — Eu dormi em lugares muito piores.

Lexi abriu a boca para dizer a ele que eles poderiam compartilhar a
cama esta noite, mas se conteve antes que pudesse cometer um erro tão
enorme. Claro, eles não compartilhariam uma cama esta noite. Ela estaria
de volta em sua casa, onde ela pertencia.

Ignorando a pontada de decepção que esse pensamento criou, Lexi


pegou um pedaço de bacon crocante do prato ao lado dela. Trevor desligou
o queimador e deslizou a panela para uma que estava fria antes de encará-
la, assim que ela deu uma mordida.

— Ei! — Ele fingiu castigá-la. — Você não pode comer isso até que o
café da manhã esteja pronto.

Lexi inclinou a cabeça para o lado e olhou para a bandeja. — Parece


feito para mim.

Com um sorriso malicioso, ele se aproximou, parando diretamente na


frente dela. Envolvendo seus dedos suavemente em torno de seu pulso, ele
trouxe o pedaço de bacon que ela estava segurando em sua boca e mordeu.

— Você poderia ter conseguido seu próprio pedaço, você sabe. — Ela
olhou para o prato. — Você cozinhou o suficiente para um exército.

— Eu sei.

Ela amava esse lado brincalhão dele. Na noite anterior, ele agiu como
se estivesse pisando em cascas de ovo. Esta manhã, ele estava agindo
como o Trevor que ela conheceu em suas muitas visitas ao restaurante.

Seus olhos permaneceram colados nos dela e logo, todos os traços de


provocação desapareceram. Em um estrondo baixo e sexy, ele a
surpreendeu ao dizer: — Deus, você é linda, Angel.
Suas palavras a deixaram quase sem palavras, mas ela conseguiu
perguntar: — Por que você me chama de 'Angel'?

Um canto de sua boca deliciosa se ergueu. — Isso é o que você me


lembrou da primeira vez que te vi.

Lexi considerou isso por um momento. — A primeira vez que você me


viu foi na lanchonete. Você veio com Derek e outro homem.

— Coop. — Trevor ofereceu.

— Era de tarde. A correria do jantar tinha acabado de começar e eu


estive trabalhando o dia todo.

Agora, os dois cantos de sua boca se ergueram. — Fico feliz em ver


aquele dia gravado em sua mente também.

Ela soltou um meio riso, meio bufo muito pouco atraente. — Isso
porque depois de já ter trabalhado quase nove horas, cheirava a fritura, meu
cabelo estava caindo do coque e eu não tinha mais maquiagem no rosto...
— Ela balançou a cabeça. — Eu estava uma bagunça completa. Então, você
entrou parecendo sexo em uma vara, e eu queria rastejar para um buraco
em algum lugar.

Trevor parecia querer rir, mas em vez disso, ele parecia sincero
quando disse: — Não é assim que eu me lembro.

— Oh sério? E como, exatamente, você se lembra disso?

Ele se aproximou, suas coxas tocando seus joelhos nus.

— Eu me lembro de passar por aquela porta, de ver você e de perder


completamente minha capacidade de respirar. Isso nunca aconteceu
comigo antes, mas com você... aconteceu. Coque bagunçado e tudo. — Em
um gesto doce que ela estava rapidamente começando a amar, ele colocou
um cacho atrás de sua orelha.
Ok, agora ela realmente estava sem palavras. Nem uma piada
engraçada ou comentário espertinho veio à mente. Seu único pensamento
era o quanto ela queria beijá-lo novamente.

Como se estivesse lendo sua mente, ele traçou seu queixo e


sussurrou: — Eu realmente quero beijar você agora.

O coração de Lexi bateu forte no peito. Em um movimento ousado, ela


abriu as pernas, convidando-o a se aproximar. Lambendo os lábios, ela
perguntou baixinho: — Então, o que está impedindo você?

Então, ela esperou.

Assim como ela esperava, Trevor se colocou entre suas coxas. O


jeans áspero cobrindo suas pernas era estranhamente tentador enquanto
roçava sua pele nua. Em um movimento surpreendente, ele colocou um
braço em volta da cintura dela e puxou-a para a borda da bancada de granito
escorregadia.

Ofegante, Lexi largou o resto de seu bacon e agarrou seus ombros


largos para se equilibrar. Seus corpos estavam alinhados perfeitamente,
permitindo que ela sentisse a grande protuberância entre suas pernas
enquanto pressionava contra seu núcleo.

— Eu queria fazer isso ontem à noite, mas eu estava com medo de que
você pensasse que eu estava me aproveitando de você. Você tem que
saber, eu nunca...

Lexi cortou tudo o que ele ia dizer quando segurou seu rosto e puxou
sua boca para a dela. Ela traçou seus lábios com a ponta da língua,
esperando que ele entendesse. Felizmente, ele fez.

Depois de levar meio segundo para alcançá-la, Trevor separou os


lábios e a deixou entrar. Suas línguas se encontraram em um duelo sedutor,
girando e dançando um ao redor do outro na dança mais incrível.

Enquanto eles continuavam se alimentando um do outro, Trevor


moveu lentamente os dedos até os quadris dela e puxou sua boca da dela.
Lexi começou a protestar, mas ficou quieta quando ele começou a
deixar pequenos beijos molhados ao longo de sua mandíbula. Ela inclinou a
cabeça para lhe dar mais acesso, ofegando quando ele atingiu o ponto de
pulsação em seu pescoço.

Usando os dentes, Trevor mordiscou suavemente o ponto sensível. Ela


gemeu alto, nem mesmo se preocupando em conter sua reação.

Ele deslizou as mãos por baixo da bainha da camisa, as pontas dos


dedos encontrando a pele macia e lisa de sua cintura fina. Movendo-se para
cima, ele alcançou a parte inferior de seus seios.

O toque de Trevor era eletrizante, mas ela precisava de mais. Lexi


arqueou as costas, empurrando os seios na direção dele. Mãos grandes e
fortes seguraram os montes firmes, mas ainda não era o suficiente.

A camisa era tão grande e volumosa... e estava atrapalhando. Lexi


decidiu que precisava ir.

Sem uma palavra, ela se afastou. Lindos olhos castanhos fixos nos
dela enquanto ela erguia os braços no ar.

Sabendo exatamente o que ela queria, Trevor levantou a camisa por


cima de sua cabeça, colocando-a no balcão ao lado dela. Os olhos dele
deslizaram para o peito dela.

Os seios pequenos, mas proporcionais, de Lexi se moviam para cima


e para baixo com o ritmo constante de sua respiração ofegante. Ela sabia
que eles não eram enormes, então se ele fosse um homem de seios...

— Eles não são muito grandes, mas...

Suas palavras desapareceram quando ele lhe deu um beijo


rápido. Seus lábios roçaram os dela quando ele terminou o beijo apenas o
tempo suficiente para dizer: — Eles são perfeitos, Angel. — Ele a beijou
novamente, desta vez lentamente. Quando ele terminou, ele sussurrou: —
Você é perfeita.
Eles podem ter tido apenas um tipo de encontro, mas naquele
momento, ela não se importou. Trevor não estava apenas jogando falas para
transar. A verdade estava ali, em seus olhos. Ela podia ouvi-los em suas
palavras.

Lexi não conseguia explicar, mas a conexão que sentia com este
homem era diferente de tudo que ela já conheceu. Se a morte de sua mãe
lhe ensinou alguma coisa, foi que a vida era curta. Às vezes, você só
precisava fechar os olhos, dar um salto e rezar para que pousasse com
segurança.

Com isso em mente, Lexi roçou os lábios nos dele e sussurrou de volta:
— Leve-me para a cama.
Trevor esperou dois segundos inteiros antes de agarrar os quadris de
Lexi e içá-la para fora da ilha. Ela sorriu largamente enquanto colocava as
pernas em volta da cintura dele e os braços em volta do pescoço.

Com passos cuidadosos, mas rápidos, ele a carregou para seu


quarto. Gentilmente, como se ela fosse feita do vidro mais frágil, ele a deitou
no colchão.

Seu coração batia forte de ansiedade e seu pau estava duro como um
martelo. Mas quando ele olhou para os hematomas que Rob tinha deixado
em seu braço, Trevor não pôde deixar de questionar se ele estava
cometendo um erro.

— Eu preciso que você tenha certeza, Lex.

Apesar do enorme caso de bolas azuis que isso causaria, Trevor iria
parar tudo isso, agora, se ele suspeitasse que ela não estava.

Para sorte dele - e de suas bolas - ela sussurrou: — Tenho certeza.

Com seus cachos loiros espalhados ao lado de sua cabeça, ela


realmente parecia um anjo. Meu anjo.

Lexi olhou para sua calça jeans e depois de volta para ele.

— Você está com muita roupa. — ela brincou.

Trevor sorriu. — E a menos que você queira que isso acabe antes
mesmo de começar, vou ficar assim por um tempo.

O humor brilhou em seus olhos quando Trevor apoiou um joelho no


colchão e olhou para a oferta diante dele. Não havia muito do cabelo loiro e
áspero... apenas um pouquinho no topo, dando a ele uma visão perfeita da
fenda nua abaixo.
Com os joelhos dela levantados, ele podia ver o brilho de sua
excitação. Seu pau já estava tão cheio que ele pensou que iria perder a sua
mente apenas por ter aquele primeiro vislumbre.

Eu tenho que prová-la. Incapaz de se segurar por mais tempo, Trevor


colocou a cabeça entre as coxas dela para finalmente tomar o que ele estava
desejando.

Querendo saboreá-la, ele lentamente correu a ponta da língua ao


longo de sua fenda. Lexi engasgou, seu corpo estremecendo sob sua
boca. O cheiro almiscarado de sua excitação encheu suas narinas enquanto
ele lambia seus sucos pela primeira vez.

Ele nunca tinha provado nada como ela. Ela era doce e salgada e...
outra coisa. Algo tão delicioso que Trevor não conseguia nem começar a
descrevê-lo.

Seus gemidos de prazer ecoaram enquanto ele tomava mais do que


queria. Movendo-se para cima, ele encontrou seu clitóris rígido e
inchado. Ele estava espiando por baixo de seu capô protetor, implorando por
sua atenção.

Ele deu um rápido movimento de sua língua. Lexi gritou quando seus
quadris dispararam para frente novamente, com mais força desta vez. Ele
repetiu o movimento, amando a maneira como o corpo dela reagia a cada
toque seu.

— Oh, Deus, Trevor.

Ele ergueu a cabeça ligeiramente, pasmo com a visão diante dele.

De olhos fechados, a cabeça de Lexi estava deitada no colchão. Sua


boca estava ligeiramente aberta e suas mãos apertavam o edredom ao lado
do corpo.

— Você gosta disso? — ele perguntou, já sabendo a resposta.

Mantendo os olhos fechados, ela balançou a cabeça rapidamente. —


Oh sim.
Ela parecia sem fôlego, e Trevor não podia evitar, mas adorava que
fosse por causa do que ele estava fazendo com ela.

— Não se preocupe, bebê. Estou apenas começando.

Ela acenou com a cabeça novamente. — OK.

Ela estava nua com as pernas abertas e seu sexo a menos de uma
polegada de seu rosto, e ela ainda conseguiu fazê-lo rir.

Voltando ao trabalho, Trevor deu um beijo rápido em seu clitóris e, em


seguida, lentamente passou a língua sobre ele novamente. E de novo.

Ele aumentou ligeiramente a pressão, mas não o suficiente para


empurrá-la ao longo do limite. Ele não queria fazê-la gozar. Ainda não.

Os sons suaves e lamentosos vindos de Lexi enquanto ele fazia amor


com a boca quase o irritaram. Ela era tão receptiva a tudo que ele estava
fazendo, e caramba, se isso não era excitante.

Sentindo que ela precisava de mais, Trevor correu a ponta do dedo


por sua fenda até sua entrada. Ele continuou esfregando seu clitóris com a
língua enquanto lentamente inseria o dedo indicador em seu centro
aquecido.

Seus músculos internos imediatamente se contraíram. Jesus, ela era


apertada. Trevor sentiu seu pau estremecer em suas calças. Ele sabia
exatamente o que queria, mas ele se obrigou a esperar.

Lexi sempre viria primeiro. Literalmente e figurativamente.

Adicionando outro dedo, Trevor trabalhou sua boceta com a mão


enquanto lambia e chupava seu clitóris. Com um pouco mais de força, ele
continuou empurrando os dedos dentro e fora de sua carne
encharcada. Logo, suas coxas começaram a tremer contra seu rosto. Ele
moveu os dedos com ainda mais força. Mais rápido.

Sons de sexo molhado encheram o ar da manhã. Era erótico e


excitante, mas nada comparado aos sons que Lexi estava fazendo.
Entre seus gemidos e afirmações sussurradas, Trevor não tinha
dúvidas de que ela amava o que estava fazendo com seu corpo. O fato de
que ela não tinha medo de mostrar seu prazer o excitou ainda mais.

— Estou perto, Trevor. Deus, estou tão perto. Por favor, não pare.

Seus lábios se moveram contra sua carne sensível enquanto ele


prometia, — Não estou parando, Angel. Não até que eu faça você gozar
contra minha boca.

— Eu estou quase lá. Por favor, Trevor... Por favor, me faça gozar.

Com os dedos ainda dentro de seu corpo, Trevor deu uma última
olhada em seu clitóris. Estava ainda mais inchado e ele sabia exatamente o
que precisava fazer.

Ele pegou o feixe de nervos entre os lábios e começou a chupar,


determinado a dar a ela a liberação que ela implorava. A sensação
combinada disso e de sua mão era tudo que ela precisava.

— Trevor!

Lexi gritou seu nome enquanto gozava. Toda a parte inferior de seu
corpo disparou para fora do colchão, e Trevor podia sentir seus músculos
internos vibrando em torno de seus dedos.

Quando as contrações diminuíram, ele rapidamente os puxou e levou


os lábios ao centro dela. Ele lambeu e chupou, festejando em sua liberação
como se fosse sua última refeição.

Não seria a última. Ele queria isso de novo e de novo. De novo e de


novo. Não importa quantas vezes ele a tivesse, Trevor já sabia que nunca se
cansaria desta mulher.

***
Lexi estava voando. Era a única maneira de ela descrever o que
acabara de acontecer. Ela tinha acabado de experimentar o orgasmo mais
intenso de sua vida, e foi tudo graças ao homem parado na beira da cama.

Ela viu quando ele agarrou a barra de sua camiseta e puxou-a para
cima e teve que se forçar a não ofegar em voz alta.

Como chef em treinamento, Lexi estava muito familiarizada com o


termo ‘dar água na boca’. Ela experimentou a sensação inúmeras vezes
quando o aroma de um novo prato delicioso enchia sua cozinha.

No entanto, seu corpo nunca reagiu dessa forma simplesmente


olhando para outro ser humano. Até agora. Entre seu físico e rosto lindo, o
cara poderia ser seriamente um modelo.

Trevor não estava apenas em forma. Ele era definido. Ombros fortes
conectados com um conjunto de bíceps definidos. Grande o suficiente para
mostrar sua força, mas não excessivamente grande como alguns caras que
ela tinha visto. E seu abdômen tanquinho... isso era uma coisa linda.

Ele ficou lá, não parecendo se incomodar com a maneira como ela
estava olhando. Enquanto seus olhos o observavam, Lexi notou algumas
áreas de pele escura e enrugada. Cicatrizes. Ela se lembrou dos ferimentos
que ele compartilhou, e seu coração doeu ao pensar neste homem sendo
ferido de alguma forma.

As marcas em sua pele bronzeada não diminuíram seu apelo. Na


verdade, elas o fizeram parecer ainda mais forte do que antes. Um
sobrevivente. Meu protetor.

Os olhos de Lexi foram atraídos de volta para a tatuagem posicionada


ao longo de suas costelas no lado esquerdo de seu torso. Era uma cruz
ornamentada com uma espada descendo em seu centro e duas placas de
identificação penduradas em seus braços estendidos.

Lexi abriu a boca para perguntar a ele sobre isso, mas sua pergunta
desapareceu quando ele enfiou a mão na mesinha de cabeceira e pegou
uma caixa de preservativos. Uma nova caixa de preservativos.
Ele a virou e começou a estudar a parte de trás da caixa. Trevor sorriu,
soprando o que parecia ser um suspiro de alívio. — Ainda está na validade.

Um olhar de confusão deve ter passado por seu rosto, porque quando
ele jogou a caixa na cama e começou a desabotoar a calça jeans, ele
explicou.

— Eu não estava mentindo quando disse que já fazia muito tempo. Eu


não durmo por aí, Lex. Você precisa saber disso antes que isso aconteça.

Ela acenou com a cabeça. — Eu não estive com ninguém em mais de


dois anos.

Isso o surpreendeu. — Dois anos?

— Minha mãe.

— Certo. Desculpa.

— Se você realmente estiver arrependido, você vai tirar essas calças.

Rindo, Trevor obedeceu. Ele empurrou o jeans e a cueca boxer juntos


e os chutou para o lado. Ela o achava lindo antes, mas
isso não era nada comparado a ele totalmente nu.

Lexi lambeu os lábios enquanto seus olhos seguiram o V em seus


músculos. Era como se seu único propósito fosse guiá-la direto para seu
pau. E misericórdia, que tesouro isso era.

Trevor era grande. Maior do que qualquer um dos homens com quem
ela já esteve. Tinha havido menos de um punhado, e nenhum era tão
impressionante.

Entre o tamanho dele e seu período de seca prolongado, isso a


preocupou um pouco. Ela era pequena para começar. Claro, seus dedos
tinham acabado de entrar nela, mas apenas isso a fizeram se sentir cheia.

Trevor abriu a caixa e tirou um pacote de papel alumínio. Sentindo sua


apreensão, ele deu um sorriso torto. — Não se preocupe, vai caber.
Envergonhada, ela se sentiu corar. Uma reação ridícula, dado o que
acabara de acontecer entre eles. Felizmente, isso não pareceu incomodar
Trevor. Na verdade, ele parecia ainda mais excitado do que há um segundo.

Lexi observou enquanto ele rolava a proteção sobre sua ereção


sólida. Projetando-se para fora de seu corpo, ele balançou enquanto ele
rastejava de volta para a cama.

Ela mal podia esperar para sentir. Inclinando-se, Lexi começou a


chegar entre suas pernas, mas Trevor a impediu.

— Se você tocar agora, ele vai explodir.

Rindo, Lexi se deitou, mais do que disposta a deixá-lo assumir a


liderança, desta vez. Trevor moveu seu corpo para cima e sobre o
dela. Usando um braço para não esmagá-la, ele alcançou entre eles e
posicionou a ponta cega contra sua abertura.

Travando seus lindos olhos nos dela, ele sussurrou: — Você está
pronta, Angel?

Pegando um lado de seu rosto, Lexi roçou o polegar contra a ligeira


barba por fazer. — Eu quero isso, Trevor. Quero você.

Ele olhou para o arranhão em seu braço e a pele descolorida ao


redor. A culpa refletida nos olhos de Trevor a fez temer que ele acabasse
com as coisas. Em vez disso, ele simplesmente se inclinou e beijou
suavemente a área ferida.

Então, com seus olhos travados, Trevor deu a ela uma promessa
sussurrada. — Eu vou cuidar de você, Lex. Sempre.

O coração de Lexi inchou enquanto ele movia seu corpo para frente,
sem pressa enquanto trabalhava para entrar. Assim que ele estava
totalmente acomodado, os dois gemeram em uníssono. Ela pensou que seus
dedos a encheram, mas isso não era nada comparado a isso.
Seu corpo esticou o dela, mas não era doloroso. O oposto, na
verdade. Era como se ele realmente se tornasse parte dela. Ter Trevor
dentro dela a fazia se sentir... inteira.

Não se precipite, Lex.

— Você está bem? Estou te machucando?

A preocupação de Trevor fez sua testa franzir.

— Não. — ela foi rápida em assegurar-lhe. — Isso é bom. — Ela


lambeu os lábios. — Mais do que bom.

Um canto de sua boca se ergueu. — Sim?

— Oh sim.

— Que tal agora? — Ele aliviou parte de si mesmo, então lentamente


empurrou de volta. — Isso é mais do que bom?

— Deus, sim.

Ele sorriu e empurrou para dentro e para fora novamente. —


Bom. Porque é incrível para mim. — Ele se inclinou e pressionou seus lábios
nos dela.

Logo, seus corpos estavam se movendo juntos em um ritmo lento e


constante. A respiração deles acelerou e Lex podia ver o suor começando a
gotejar na testa de Trevor.

Quando sua testa franziu, ela ofegou, — O que há de errado?

Ele balançou sua cabeça. — Eu não vou durar muito nesta primeira
vez. Já estou quase lá.

Isso fez Lexi sorrir. Ela não pôde deixar de aproveitar o fato de que ela
tinha um efeito tão forte sobre ele.
De repente, ela queria que ele gozasse. Ela queria que seu corpo fosse
a razão pela qual ele caiu no limite. Lexi precisava dar a ele tanto prazer
quanto ele acabara de dar a ela.

Inclinando os quadris, Lexi angulou a parte inferior de seu corpo e


começou a enfrentá-lo impulso por impulso.

Um olhar intenso cruzou seu rosto. As veias em seu pescoço inchado


incharam, e ela sabia que não demoraria muito.

— Ah, merda, Lex. Você vai me fazer gozar.

Essa é a ideia.

Ela se inclinou e pressionou seus lábios nos dele. Ela deslizou a língua
entre seus lábios e levou o beijo mais fundo. Suas bocas começaram a imitar
o resto de seus corpos, e assim como ela esperava, Trevor começou a se
mover mais rápido.

Seus movimentos tornaram-se mais poderosos. Erráticos. Ele afastou


os lábios dos dela, grunhindo enquanto falava entre as estocadas.

— Não posso... parar... Alexis!

Lexi amou a maneira como Trevor grunhiu seu nome completo


enquanto empurrava dentro dela uma última vez, seu corpo inteiro
enrijecendo com a onda poderosa. Explosões de ar quente atingiram seu
pescoço com sua respiração ofegante. Seus corações batendo em um ritmo
sincronizado.

Ela o sentiu beijar seu ombro antes de levantar a cabeça e afastar o


peito do dela. Apoiado nos cotovelos, ele olhou para ela com um olhar
saciado.

— Droga, Angel. Isso foi incrível.

Lexi sorriu. — Que bom que você se divertiu.


Uma de suas sobrancelhas escuras se ergueu. — Espero não ser o
único.

Rindo, Lexi se inclinou e pressionou suavemente seus lábios nos


dele. — Você não foi. Confie em mim.

— Sim?

— Oh sim. Estou tão feliz por não termos esperado para fazer isso. Na
verdade, eu poderia fazer isso de novo... — ela beijou o canto da boca dele.
— E de novo. — outro beijo em seu queixo — E de novo. — Desta vez, ela
deu-lhe um beijo no pescoço antes de mordiscar e, em seguida, passar a
língua por sua pele ali.

Trevor gemeu. — Eu gosto do jeito que você pensa, Angel. Você terá
que me dar algum tempo para recarregar, no entanto. Não sou mais um
adolescente.

Lexi riu e trouxe seu olhar de volta para ele. — Tudo bem. Ainda é cedo
e não temos que ir a lugar nenhum por um tempo, certo?

O calor brilhou em seus lindos olhos. — Certo.

Trevor se abaixou e começou a beijá-la novamente. Lentamente,


como se tivessem todo o tempo do mundo. Apesar do que ele acabou de
dizer, ela podia sentir que ele já estava ficando duro novamente. Ela estava
prestes a sugerir que ele substituísse a camisinha usada por uma nova
quando seu telefone começou a tocar.

— Você precisa atender isso?

Ele balançou sua cabeça. — É o Derek. Ele ligará de volta se for


importante.

Por mim tudo bem. O beijo ficou mais intenso, e em pouco tempo, seu
pau estava totalmente ereto novamente.

Lexi empurrou seus quadris para cima. — Acho que você subestimou
seu tempo de recarga.
Ele sorriu contra seus lábios. — Você parece ter um efeito único no
meu corpo.

Com um olhar presunçoso, ela gentilmente puxou seu lábio inferior


entre os dentes. — Bom saber.

Os quadris de Trevor avançaram em reação, e ele gemeu. — Eu acho


que te atribuí tudo errado.

— Sim? Como assim?

Ele sorriu. — Você não é um anjo. — Ele se inclinou e colocou a boca


em seu ouvido. — Você é o diabo disfarçado.

Por alguma razão, suas palavras enviaram um tiro de excitação


através de seu sistema já sensível. Lexi sempre foi uma boa garota, mas ela
tinha que admitir... a ideia de ser má parecia tão boa.

Com um beijo rápido em sua bochecha, Trevor disse: — Preciso de


outro preservativo. Eu volto já.

Ele lentamente deslizou de seu corpo, e ela imediatamente perdeu a


plenitude de seu pau. A única coisa que a impediu de gemer em protesto foi
o fato de que ele estava voltando para terminar a segunda rodada.

Ela apreciou a vista enquanto ele entrava no banheiro. Menos de dois


minutos depois, ele estava rastejando de volta para a cama. A antecipação
combinando com a dela encheu seus olhos quando ele pegou outro
preservativo.

Colocando o pacote de papel alumínio entre os dentes, ele estava


prestes a rasgá-lo quando seu telefone começou a tocar novamente. Ele
olhou para ela com pesar.

— Desculpa. Eu preciso responder isso.

— Você não tem que se desculpar. Como você disse, ele ligaria de
volta se for importante. Então, deve ser.
O afeto se espalhou por seu rosto quando ele saiu da cama e se
abaixou para pegar o telefone na calça jeans. Sentindo-se um pouco
estranha apenas sentada ali, nua e esperando que ele tivesse uma conversa
com outra pessoa, Lexi pegou o lençol para se cobrir.

— É melhor que seja bom, D.

Lexi observou enquanto ele ouvia qualquer que fosse a resposta de


Derek. Trevor olhou para ela.

— Sim, ela ainda está aqui. Por quê?

Claramente frustrado com seu amigo, Trevor rolou seus lábios entre
os dentes antes de cerrar. — Se você não tem algo importante para
compartilhar, eu desligarei. — A expressão de confusão em seu rosto a
deixou curiosa sobre a resposta do outro cara. — Só se você prometer se
comportar. — Revirando os olhos para o que quer que Derek estivesse
dizendo, Trevor segurou o telefone longe de sua orelha e bateu na tela. —
OK. Você está no viva-voz.

— Ei, Lex. É o Derek. Como você está esta manhã?

Lexi não pôde deixar de sorrir. — Estou bem, Derek. — ela falou um
pouco mais alto do que o normal. — Como você está?

— Eu estou bem como vinho, querida. Trev está tratando você


bem? Do contrário, você sempre pode ir até a minha casa.

— D. — Trevor avisou.

Rindo, Lexi olhou Trevor diretamente nos olhos e disse: — Não se


preocupe, Derek. Trevor está me tratando muito bem.

Um canto de sua boca deliciosa se ergueu e ela sabia que ele estava
pensando a mesma coisa que ela. Infelizmente, as próximas palavras de
Derek estragaram o clima.

— Então, tenho monitorado a atividade de cartão de crédito de Robert


Lockwood. Ele fez algumas compras em algumas cidades da Califórnia.
— Califórnia? — Lexi perguntou, surpresa.

— Ele está fugindo, Lex. — Derek ofereceu.

— O que isso significa?

— Significa... —Trevor respondeu por Derek — Ele está colocando


uma distância segura entre ele e o DPD. Suas acusações não são
extraditáveis, o que significa...

— Eles não vão cruzar as fronteiras do estado para encontrá-lo e trazê-


lo de volta.

— Certo. — a voz de Derek entrou na conversa. — Mas, se ele for


reportado por alguma outra coisa enquanto estiver lá, as autoridades da
Califórnia vão falar com o DPD. Entre os dois departamentos, eles podem
decidir se devem ou não trazê-lo de volta aqui ou mantê-lo trancado lá.

— Bem, pelo menos sabemos que ele está longe daqui eu acho.

— Isso, ele está. E eu não prevejo que ele volte para o Texas tão
cedo. Eu diria que você está segura, querida.

Lexi suspirou de alívio. Ela adoraria ficar outra noite com Trevor, mas
saber que Rob não viria atrás dela tirou um grande peso de seus ombros.

— Isso é uma boa notícia, D. Continue olhando para ele, apenas no


caso.

— Eu estou nisso. E Lex?

— Sim?

— Eu quero dizer o que eu disse. Minha porta sempre estará aberta


para você, doçura.

Parecendo sério, Trevor disse: — Estou desligando agora.


Lexi deu uma risadinha. — Tchau, Derek. — Ela mal conseguiu
pronunciar as palavras antes de Trevor tocar em sua tela novamente e jogar
o telefone no colchão ao lado dela.

— Agora, onde estávamos?

Ele começou a abrir a embalagem do preservativo novamente, mas


novamente, seu telefone começou a tocar. Era um toque diferente, desta
vez.

Claramente frustrado, Trevor amaldiçoou em voz baixa. Com o mesmo


olhar de pesar que ele ofereceu quando Derek ligou, ele disse: — Sinto
muito. Esse é Jake. Ele é meu chefe. Ele está em lua de mel, então se ele
está me ligando agora, deve ser por um bom motivo.

Por alguma razão, Lexi achou adoráveis sua frustração e sua


necessidade de explicar. — Está tudo bem, Trevor.

Ele sorriu e respondeu: — Você não deveria estar aproveitando a sua


nova esposa? — Trevor fez uma pausa para ouvir seu chefe. Suas
sobrancelhas se arquearam. — Agora? Acabei de falar com Ryker esta
manhã. Ele me disse que não havia nenhum trabalho ativo para nós.

De repente, todos os músculos de seu corpo ficaram tensos quando


todo o comportamento de Trevor mudou. Ele deu uma olhada rápida antes
de perguntar ao homem ao telefone: — Tem certeza?

Trevor esperou, ouvindo a resposta do outro homem antes de ir para


suas roupas. Usando o ombro para segurar o telefone junto ao ouvido, ele
continuou a falar frases curtas e vagas enquanto vestia rapidamente as
roupas.

Algo estava claramente errado. Não querendo parecer que estava


tentando escutar, Lexi juntou o lençol ao redor dela e saiu da
cama. Agarrando sua calcinha do chão, ela foi para a cozinha para recuperar
a camisa que ela estava vestindo antes.
Trevor estava tão distraído com o que quer que seu chefe estava
dizendo a ele, que ela não achou que ele percebeu quando ela saiu do
quarto.

Sentindo-se um pouco estranha, ela largou o lençol no chão perto da


ilha e colocou a camiseta de Trevor de volta. No momento em que ela voltou
para seu quarto, Trevor estava desligando o telefone e totalmente vestido.

Verificando o conteúdo de uma mochila preta que ele colocou no


colchão, sua cabeça girou para encará-la. — Sinto muito, Lexi, mas eu tenho
que ir.

Ela caminhou até sua cômoda, onde pegou o par de moletom que ela
dobrou cuidadosamente e colocou lá na noite anterior.

— Está tudo bem?

Ele deu a ela um sorriso tenso. — Está tudo bem. É só trabalho.

Suas palavras disseram a ela uma coisa, mas o tom de sua voz e o
olhar atormentado em seus olhos diziam algo diferente.

— Eu não sei quanto tempo estarei fora. — Ele continuou a vasculhar


sua bolsa. — Eu realmente gostaria de sair com você quando eu voltar. —
Trevor deu a ela um pequeno sorriso. — Um encontro de verdade, desta
vez.

— Terceira vez é a vez? — Lexi provocou.

Trevor deu-lhe um sorriso verdadeiro, fazendo-a se sentir mais à


vontade. — Algo parecido.

Ela deu um passo à frente. Ainda tentando aliviar um pouco o estresse


que o telefonema obviamente causou, ela sugeriu: — Talvez possamos
continuar de onde paramos.

Fechando a bolsa, Trevor fechou a distância entre eles e segurou seu


rosto com uma das mãos. — Essa coisa conosco... não é só isso. — Ele
inclinou a cabeça em direção à cama atrás dele. Erguendo a outra mão,
Trevor agora segurava o rosto dela com os dois. — Por favor, diga que
estamos na mesma página, Angel.

A vulnerabilidade brilhava por trás de seus olhos chocolate escuro


enquanto eles procuravam os dela, fazendo-a estranhamente feliz. Saber
que este homem forte e corajoso estava preocupado que ela não quisesse
mais do que apenas uma aventura casual era emocionante.

Ficando na ponta dos pés, Lexi pressionou seus lábios contra os


dele. — Definitivamente na mesma página.

Ele começou a sorrir, mas desapareceu rapidamente. — Eu odeio


deixar você. Especialmente agora. — Seu polegar acariciou sua
bochecha. — Prometa que você tomará cuidado enquanto eu estiver fora.

Lexi se inclinou em seu toque. — Eu vou ficar bem. Não se preocupe


comigo, Trev.

— Não é possível, Angel.

Ficando um pouco mais alta, ela pegou as mãos dele. — Estou falando
sério, Trevor. Não sei o que está acontecendo, mas pude perceber pela
expressão em seu rosto que não é bom. Então, seja o que for... seja o que
for que você tenha que fazer... você precisa se manter focado nisso. Não em
mim. Além disso, você ouviu o que Derek disse. Rob está na Califórnia. Ele
não vai correr o risco de ser preso ao voltar aqui. Não é como se ele
estivesse obcecado por mim ou algo assim. Ele estava bêbado e seu ego
machucado. Era isso.

— Ele tem um registro, Lex. Incluindo acusações de agressão


anteriores.

— Ainda mais razão para ele ficar longe. — Desesperada para tirar a
preocupação de seus olhos, Lexi olhou para as roupas que estava
vestindo. — Eu espero que você esteja bem comigo usando isso para voltar
para casa. Vou lavá-las e tê-las prontos para você quando você voltar.
Seus lábios se curvaram. — Vamos fazer assim... — Trevor colocou
as mãos nos quadris dela e puxou-a para mais perto dele — Que tal você
apenas ficar com isso. Você pode colocá-los quando sentir minha falta.

— Manter eles? Eles são enormes para mim!

Trevor riu. — E você fica sexy como o inferno com eles.

Lexi balançou a cabeça. — Você é louco. — Ela se inclinou e deu outro


beijo rápido. — Vou dormir com eles todas as noites até você voltar.

Gemendo, Trevor inclinou a cabeça para trás. — Droga, você torna


muito difícil ir embora. Mas... — Ele checou seu relógio. — Eu realmente
tenho que ir. Derek está vindo, e prefiro que você vá embora antes que ele
chegue aqui.

Incapaz de esconder a dor de seu rosto, Lexi começou a se


afastar. Trevor facilmente a segurou onde ela estava.

— Isso saiu errado. Eu não quero você aqui quando Derek chegar,
mas só porque eu não quero que você tenha que lidar com ele e seu humor
pervertido.

Seus músculos relaxaram de alívio. — Eu gosto do Derek.

— Confie em mim, Angel. O cara não tem tato. Ele vai bombardeá-la
com perguntas sobre nós. Eu só não quero que ele te deixe
desconfortável. Isso é tudo.

— Oh.

Puxando-a contra seu peito, ele a assegurou: — Você é especial,


Lex. Qualquer homem ficaria orgulhoso em exibi-la. Eu mesmo incluído.

Ele se inclinou e a beijou lentamente. Não eram como os beijos curtos


e castos que ela lhe dera. Trevor pegou devagar, deixando os dois se
despedirem da maneira mais deliciosa.
Quando acabou, Lexi colocou a mão em seu peito e sussurrou: —
Fique seguro, Trevor. Faça o que você tem que fazer e depois volte para
mim.

Uma emoção que ela não conseguia nomear encheu seus olhos. Ele
balançou a cabeça, quase sem acreditar, e disse: — Esse é o plano, Angel.
— Ouçam.

Todos os olhos se voltaram para a frente do avião onde Jake


McQueen, proprietário da RISC e líder da Alpha Team, estava. As luzes
internas da cabine refletiam na nova aliança de casamento do cara enquanto
ele ficava parado com as mãos apoiadas na cintura.

— Suponho que todos vocês tiveram a oportunidade de examinar os


arquivos que Ryker reuniu para nós. Eu gostaria de revisar os destaques
antes de pousarmos para ter certeza de que estamos todos na mesma
página.

O som de papéis farfalhando encheu o ar, e seu chefe esperou alguns


segundos para que todos reunissem os arquivos que haviam recebido ao
embarcarem no avião.

— De acordo com as informações da Homeland, Omar Hamid foi


avistado há duas semanas, e novamente há três dias em Guettara, na
Argélia. Acredita-se que ele esteja se escondendo no deserto fora da cidade.

— Por que a Argélia? — Coop perguntou do outro lado do corredor.

Trevor girou a cabeça para o jovem atirador que estava sentado do


outro lado do corredor. — O que você quer dizer?

Os olhos verdes de Coop passaram dos de Jake para os de Trevor. —


Pelo que li aqui... — o jovem atirador bateu na pasta de papel pardo em seu
colo — Esse cara, Hadim, irritou seriamente muitos chefões do nosso país
há vários anos e tem se escondido desde então.

— E? — Trevor perguntou.

— E os EUA têm uma relação muito boa com a Argélia. Pelo que
entendi, todos os seus canais de aplicação da lei e segurança nos apoiam.
— Qual é o seu ponto, Coop? — Jake perguntou.

— Meu ponto é que esse idiota está se escondendo por quase uma
década. Não houve nenhum sinal dele, e não houve nenhum tipo de
conversa. Então, de repente, ele é localizado em um país onde não apenas
somos bem-vindos, mas também apoiados? — O cara encolheu um de seus
ombros largos. — Só me parece estranho, só isso.

— Ele está indo para casa. — Trevor murmurou as palavras mais para
si mesmo do que para os outros. Mas o jato particular era pequeno e todos
estavam ao alcance de sua voz.

— Casa? — McKenna ‘Mac’ Kelly perguntou do assento de frente para


Coop. Como era típico de uma operação, seu cabelo loiro estava preso em
um rabo de cavalo apertado. Como Trevor e os outros, ela estava vestida
com uma camuflagem do deserto.

— Omar Hadim cresceu em Guettara.— Trevor informou ao grupo. —


A mãe dele ainda mora lá.

O olhar de Mac tornou-se interrogativo. — Essa informação não foi


incluída no arquivo que recebi.

Houve vários murmúrios de concordância, e Trevor entendeu o


porquê. Apenas ele e Jake receberam todo o arquivo de Hadim.

Em vez de responder imediatamente, Trevor desviou o olhar para a


frente da cabine. Ele e Jake trocaram um olhar antes de Jake lhe dar um leve
aceno de cabeça.

Preenchendo seus pulmões, Trevor fez o seu melhor para colocar suas
emoções de lado enquanto enchia o resto da Alpha Team sobre o que ele e
Jake - e é claro, Derek - já sabiam.

— Há pouco mais de nove anos, um contato da CIA foi designado para


nossa equipe da Delta Force. Seu trabalho era nos ajudar a capturar um cara
que procurávamos por vários meses. A CIA tinha informações e nós
tínhamos os meios e a força de trabalho.
— Parece uma situação em que todos ganham. — exclamou Coop.

Trevor olhou para ele novamente. — Deveria ter sido.

Sentado ao lado dele, Derek se inclinou para perto e sussurrou em seu


ouvido. — Cara. Você não precisa entrar em detalhes. Tudo que eles
precisam saber é que Hadim é um grande idiota que precisa ser derrubado.

Mas Trevor queria que eles soubessem. Eles precisavam entender o


quão importante era essa oportunidade. Não apenas para ele e Jake, mas
também para aqueles mortos como resultado da traição de Hadim.

Respirando fundo, Trevor compartilhou com sua equipe a versão mais


resumida do que aconteceu na Síria.

— Resumindo, Hadim foi um ativo da CIA durante anos. Ele ajudou a


colocar vários alvos de alto valor de lado, então quando ele nos forneceu
informações sobre o cara que estávamos atrás...

— Você confiou nele. — Mac terminou por ele.

Trevor acenou com a cabeça, sua luta interna para mantê-lo se


tornando cada vez mais difícil.

— O que aconteceu? — A pergunta em voz baixa veio do assento


atrás dele. Grant Hill, especialista em explosivos do Alpha Team,
permaneceu quieto enquanto esperava por uma resposta.

Engolindo em seco, Trevor travou enquanto tentava descobrir as


palavras para descrever o pior dia de sua vida. Felizmente, ele não
precisava.

— Hadim armou para nós. — Jake respondeu por ele.

Os lindos olhos azuis de Mac fixaram-se nos de Jake. — Esses


arquivos nos dizem que o cara era inimigo dos Estados Unidos, mas não
entraram em detalhes.
Jake olhou para Trevor para outro aceno antes de continuar. — A
informação que ele nos deu era falsa. Nosso alvo e seus homens estavam
esperando por nós. Perdemos dois membros da equipe e Lisa, a ligação da
CIA. Hadim e o homem que procurávamos fugiram.

— O alvo original já foi neutralizado?

— Um ano depois. Uma equipe de SEALs o encurralou. Ele atirou


neles, e eles responderam enchendo-o de buracos. E antes que alguém
pergunte, sim... DNA, impressões digitais e registro facial foram realizados
após sua morte para confirmar sua identidade.

— Droga. — Coop suspirou. — Ouvir toda essa merda me dá vontade


de derrubar esse cara Hadim ainda mais.

— Bom. — respondeu Jake. — Use-o. Agora, vamos repassar o plano


para que todos saibam o que diabos devem fazer quando pousarmos.

Quatro horas depois, a equipe estava preparada e em


posição. Usando o céu noturno em sua vantagem, eles permaneceram nas
sombras enquanto cercavam o pequeno barraco degradado.

Toda a estrutura de madeira tinha cerca de dez por oito, com uma
janela de cada lado da porta. Através de seus óculos de visão noturna,
Trevor poderia dizer que a madeira era incompatível e mal ajustada. A
pessoa que a construiu estava claramente mais preocupada com a utilidade
do que com a aparência.

— Algum movimento? — A voz de Jake fez seu caminho através dos


comunicadores.

— Negativo, chefe. — Coop respondeu primeiro. Ele e Mac estavam


posicionados em extremidades opostas da cabana. Enquanto Coop
mantinha o rifle apontado para a porta da frente, Mac vigiava os fundos.

— Eu não tenho nada. — disse Derek do lado leste.

— O mesmo aqui, chefe. — Grant concordou. — Se o nosso cara


estiver lá, ele não vai se mexer.
Agachado um ao lado do outro, Jake se virou para Trevor e perguntou:
— Então, como você quer jogar isso?

A pergunta pegou Trevor desprevenido. — Você é quem está no


comando, não eu.

— Você está essa noite.

Trevor abriu a boca para protestar, mas Jake o deteve. Abaixando o


volume de comunicação, ele falou baixo. — Os homens que perdemos
naquele dia eram bons. E Lisa... ela era sua, cara. Agora, eu sei que você
não estava apaixonado por ela, mas ela era importante para você. E há uma
boa chance de que o bastardo que a levou à morte esteja lá, agora. Então,
eu preciso saber... você está bem com o plano como está, ou quer trocá-lo?

As palavras de Jake despertaram um turbilhão de emoções, e Trevor


esperou um momento para que elas se acomodassem antes de
responder. Parte dele queria ser o primeiro a passar pela porta, seu plano
original era o mais seguro para a equipe.

Trevor olhou de volta para a cabana. — Aqueles homens que


perdemos não eram bons. Eles eram os melhores. E Lisa... — Ele balançou
a cabeça. — Ela era uma ótima agente e uma boa amiga. Eu quero dar a
eles a justiça que todos eles merecem, mas... — Depois de soltar um suspiro
longo e lento, ele olhou para Jake. — Não vou perder outro companheiro de
equipe para este idiota. Nós seguimos o plano.

Com um aceno de cabeça, Jake retornou o volume do seu


comunicador com ao seu ajuste normal e deu a ordem. — Tudo bem,
meninos e meninas... é hora do show. Mac... mantenha os olhos bem
abertos. D e Coop, qualquer um de vocês vê Hadim, acabe com ele. Trevor
e eu teremos a cobertura de Hill. Grant, você está pronto?

— Mais que pronto, chefe.

— Vai.
Mudando os óculos de proteção para o escopo de visão noturna
montado em seu Colt AR-15, Trevor observou e esperou enquanto Hill se
dirigia para a porta da frente. A adrenalina coçava em suas veias, mas suas
mãos permaneceram firmes.

Na porta, Grant silenciosamente prendeu a faixa de proteção antes de


sair do prédio. Agachando-se a uma distância segura, sua voz profunda
viajou através dos comunicadores da equipe. — Quando você estiver
pronto, chefe.

Os olhos de Jake permaneceram para frente enquanto ele falava com


Trevor. — Você decide, Matthews.

Trevor ignorou as memórias que ameaçavam assaltá-lo. Uma época


diferente. Equipe diferente. Ao dar sinal verde, ele rezou para que a história
não se repetisse.

Com o queixo inclinado para baixo, ele falou claramente no microfone


preso ao colete. — Acenda isso, Hill.

— Bomba. — O aviso de Grant veio apenas alguns segundos antes de


a porta explodir de suas dobradiças de má qualidade. Uma nuvem de poeira
soprou na direção deles.

— Vai! Vai! Vai! — Trevor gritou alto.

Pulando na cabana de todos os lados, os membros da Alpha Team


estavam na porta e entrando na estrutura em segundos. As armas erguidas
e prontas para disparar, eles se moveram como um só, suas botas pisando
no topo da porta caída enquanto faziam seu caminho para dentro. Era uma
dança letal que eles haviam aperfeiçoado há muito tempo.

O cheiro quase os derrubou no instante em que entraram. Foi um que


Trevor e os outros reconheceram instantaneamente.

— Puta merda. — Coop baixou a arma e usou o outro braço para


cobrir a boca.
Mac fez o mesmo, seu braço abafando sua voz. — Jesus Cristo, isso
é nojento.

Empurrando a necessidade de vomitar, Trevor piscou contra seus


olhos lacrimejantes e olhou para a fonte do odor. Lá, no centro da sala,
estava um homem morto.

Com o olho de um médico, ele avaliou rapidamente os ferimentos


visíveis. Vestindo nada além de um short, Trevor podia ver facilmente que
seus pulsos e tornozelos estavam amarrados a uma cadeira de madeira. E o
homem foi claramente torturado.

Sangue seco circulou sua pele por causa de sua luta contra a corda
áspera. Todos os dez dedos foram quebrados, assim como o nariz e a
mandíbula do homem. Cortes superficiais que nunca cicatrizariam foram
feitos em todo o corpo do homem. A experiência de Trevor disse a ele que
eles foram feitos para infligir o máximo de dor com risco mínimo. Tudo feito
antes do corte profundo e aberto que corre ao longo da frente do pescoço
do homem.

Movendo os olhos pelo resto da cabana de um cômodo, ele notou um


grande balde de metal tombado no chão perto de uma mesa de madeira
rústica. Uma toalha manchada de sangue estava amontoada ao lado dela, e
Trevor soube imediatamente o que tudo isso significava.

Ele foi afogado.

As mesmas memórias contra as quais ele lutou alguns minutos antes


vieram à tona. Este homem, quem quer que fosse, tinha sido torturado quase
da mesma maneira que Lisa tinha sido antes de ser morta.

— Verifique as impressões dele. — Trevor ordenou asperamente.

Sabendo que a diretriz era destinada a ele, Derek tirou sua mochila
dos ombros e rapidamente removeu um pequeno tablet.

Claramente tentando prender a respiração, Derek se aproximou da


cadeira e fez uma careta enquanto levantava um dos dedos desfigurados do
morto. Pressionando a ponta do dedo na tela, eles só tiveram que esperar
alguns segundos antes que o dispositivo emitisse um bipe de
reconhecimento.

Ele se endireitou e se virou para Trevor e Jake. Levantando o tablet,


ele virou a tela na direção deles. — É Omar Hadim.

— Bem, isso é lamentável. — disse Coop, parecendo genuinamente


desapontado. Trevor poderia com certeza se relacionar.

— Muito anticlímax, porra, se você me perguntar. — Grant


resmungou. — Vou ficar de olho nas coisas lá fora. — Então, o grandalhão
saiu sem cerimônia do pequeno espaço.

Parecendo que estava prestes a perder o almoço, Coop falou um


pouco rápido demais. — Uh, sim. Essa é uma boa ideia. Eu provavelmente
deveria ir com ele. Você sabe, apenas no caso.

Balançando a cabeça, Mac revirou os olhos e murmurou: — Bucetas.

Ela então abriu o zíper de um dos bolsos da coxa e tirou o telefone de


trabalho. Sabendo que Ryker iria querer o máximo de evidências que
pudessem reunir para seu relatório final, ela começou a tirar fotos de Hadim
e do quarto.

— Bem, eu não sei quem fez isso com ele. — Derek falou lentamente
— Mas com certeza parece que Karma finalmente alcançou o bastardo.

Trevor ainda estava parado no mesmo lugar em que parou depois de


entrar na estrutura. Ao lado dele, Jake disse: — Eu diria que você está certo,
D. — Enfrentando Trevor, ele acrescentou: — Você queria que Lisa e os
outros recebessem sua justiça. Parece que finalmente receberam isso. Só
sinto que outra pessoa o entregou antes que você tivesse a chance de fazê-
lo sozinho.

— Já chega de fotos. — Jake dirigiu Mac. — Tenho certeza de que


Ryker terá muito com o que trabalhar. — Virando-se para sair, ele parou e
deu um tapa no ombro de Trevor. — Vamos para casa.
— Espere. — Derek gritou. Ele inclinou a cabeça na direção de
Hadim. — E ele?

Os olhos de Jake se conectaram com os de Trevor. — Essa é a


decisão dele. — Então, com um aceno final, Jake passou por Trevor e se
juntou aos outros dois homens do lado de fora.

— Deixe-o. — Trevor ordenou.

Assentindo, Mac guardou o telefone no bolso e saiu. Quando Derek


começou, ele parou apenas o tempo suficiente para dizer: — Finalmente
acabou.

E assim, Trevor se viu sozinho com o homem que havia invadido seus
pesadelos por anos. Apesar do cheiro de carne em decomposição, ele
permaneceu ali por mais alguns minutos.

— Ela confiava em você. — ele sussurrou para o homem morto. — Ela


se levantou por você todas as vezes — ele se aproximou - — Lisa acreditou
em você, e você... — Sua garganta apertou, e a imagem que ele enfrentou
borrou. — Você era um filho da puta mentiroso e assassino que recebeu
exatamente o que merecia.

Com um movimento repentino e não planejado, Trevor ergueu sua


arma e disparou três balas no peito de Hadim. Dois pelos homens que
perderam naquele dia e uma por Lisa.

Pronto para colocar o fantasma de seu passado para trás, ele se virou
e foi embora. Menos de duas horas depois, todos estavam de volta ao jato e
nenhum membro da equipe havia mencionado os tiros que ouviram vindos
da cabine.

Enquanto o avião decolava sobre a extensa terra seca, Derek cutucou


seu ombro do assento ao lado dele. — Alegre-se. Eu sei que você queria
enviar o desgraçado direto para o Inferno, mas veja desta forma. Com ele já
cuidado, você pode ver sua garota ainda mais cedo do que você esperava.
— Sua garota? — Jake perguntou, olhando para ele. — Espere, há
uma garota?

— Oh sim. — Derek sorriu. — E ela é bonita também. — O homem


balançou as sobrancelhas para cima e para baixo para Jake.

— Que diabos, Trev? — Jake realmente parecia um pouco


magoado. — Eu estou fora há o que, duas semanas, e você encontrou uma
garota? Por que diabos estou ouvindo isso agora?

Trevor sentiu como se estivesse girando enquanto seus pensamentos


mudavam de Hadim para Lexi. Com as coisas ainda tão novas entre eles,
Trevor não estava pronto para compartilhar muito sobre seu relacionamento
ainda.

— Como você acabou de apontar, você se foi. Você realmente queria


que eu ligasse e interrompesse sua lua de mel para dizer que comecei a sair
com alguém? Olivia teria pegado minha bunda.

— Besteira. — Jake deixou escapar do outro lado da pequena mesa


que os separava. — Minha esposa vai ficar maravilhada quando souber que
você está namorando alguém. Inferno, ela tem falado em tentar arranjar para
você uma das enfermeiras com quem ela trabalha.

Apesar dos eventos do dia, Trevor sorriu. — Sua esposa. Isso soa
estranho. Mas ótimo.

O sorriso de Jake era ainda maior. — Eu sei.

Com um olhar sincero, Trevor disse ao amigo: — Estou feliz por você,
irmão. Mesmo.

— Obrigado. Agora, pare de tentar mudar de assunto e me conte


sobre essa sua garota. Qual é o nome dela?

— Alexis. — Derek respondeu por ele. — Ela é uma garçonete naquele


restaurante de merda que temos ido. Ela tem um metro e meio de
nada. Loira, de olhos azuis. E ela é tão doce quanto uma torta de maçã em
uma manhã de domingo.
Trevor olhou para Derek. — Mais alguma coisa que você gostaria de
dizer a ele sobre a minha... sobre Lex?

Seu amigo se desculpou. — Me desculpe, cara. Vá em frente. Você


diz a ele.

— Puxa, obrigado, D. Mas acho que você praticamente cobriu isso.

— Então — Jake solicitou, encerrando a briga infantil que os dois


estavam prestes a entrar. — Isto é sério?

Amaldiçoando baixinho, Trevor passou a mão pelo queixo. — Jesus,


parece que estou conversando com algumas adolescentes em uma festa do
pijama.

— Já esteve em muitas desses, não é? — Derek provocou.

Não dando a Trevor a chance de responder, Jake disse: — Só estou


perguntando sobre sua garota porque sei que Liv vai perguntar. E se eu
chegar em casa com esta notícia, mas não me incomodar em obter os
detalhes, ela vai ficar irritada.

— E então, o quê? Ela vai fazer você esperar cinco minutos inteiros
antes de arrancar suas roupas? — Trevor perguntou com horror fingido.

— Não é minha culpa que minha esposa ame este corpo. — Depois
de algumas risadas do grupo, Jake cedeu. — Tudo bem. Você não quer
beijar e contar, eu entendo. E eu respeito isso. Basta responder a esta
pergunta e prometo que vou deixá-lo em paz.

— O que? — Trevor gemeu.

— Ela te faz feliz?

Memórias recentes passaram por sua mente. Lexi


sorrindo. Rindo. Essas covinhas e aquele maldito rubor.

— Sim. — admitiu Trevor. — Ela faz.


— Então, estou feliz por você, cara. Já estava na hora do caralho.

Seu amigo estava certo. Com Hadim morto, Trevor estava finalmente
livre para fechar aquele capítulo de sua vida e começar a olhar para seu
futuro. Com sorte, esse futuro incluiria Lexi.

Só de pensar em vê-la novamente fez seu estômago borbulhar de


ansiedade. Ele se sentia como um adolescente, mas não conseguia
evitar. Ela o fez feliz. Mais feliz do que há muito tempo, e ele mal podia
esperar para vê-la novamente.

***

Lexi, Joe, Caleb e Gina atravessaram o estacionamento vazio até seus


carros. Tinha sido um dia especialmente agitado e Lexi estava pronta para
um banho quente e uma taça de vinho.

— Quando o seu homem vai voltar? — Gina acendeu um cigarro


enquanto caminhavam.

Embora tivessem a mesma idade, a outra mulher parecia quase dez


anos mais velha do que Lexi. O cabelo escuro de Gina foi mantido curto, e
as linhas e vincos em seu rosto contavam muito de sua história.

Anos vivendo muito e jogando ainda mais duro afetaram a pele jovem
de Gina. Mas ela era legal e Lexi realmente gostou de trabalhar com ela.

— Não sei. — respondeu Lexi. Ela não se preocupou em negar que


Trevor era seu homem. Principalmente porque ela já se sentia como se ele
fosse. — A maior parte do que ele faz é confidencial, então ele não pode me
contar muito. Mas ele prometeu ligar assim que voltasse.

Dando uma tragada, Gina inalou profundamente antes de soltar uma


nuvem de fumaça entre os lábios vermelho-rubi. — Bem, querida. Para o seu
bem, espero que sim.
— Oh, ele vai ligar. — Caleb falou atrás delas.

— Sim? — Gina perguntou, virando a cabeça. — Como você pode ter


tanta certeza?

Caleb deu uma risadinha. — Confie em mim. Ele está longe de


terminar com nossa pequena Lexi.

— Você acha que ele só vai ficar por aí até se cansar dela, ou vai
demorar muito?

— Esse cara está jogando para valer.

— Para valer, hein? Uau. — Gina apoiou o braço de Lexi no ombro. —


Muito bem, Lex.

— Hum, olá... — Lexi disse a palavra e acenou com a mão. — Eu estou


bem aqui, você sabe. E você pode parar de falar sobre minha vida amorosa
a qualquer momento, agora.

— O que? — Perguntou Gina. — Estamos felizes por você. Não é,


Caleb?

— Isso aí. Temos conversado a semana toda sobre o quanto você tem
sorrido ultimamente.

— Puxa... eu não sabia que era uma bruxa tão miserável antes. — Lexi
brincou. — Alguém deveria ter dito algo.

— Ah, vamos, Lex. Você sabe o que queremos dizer. — Sinceridade


encheu os olhos jovens de Caleb. — Você apenas parece... feliz. Isso é tudo.

Lexi corou, mas não conseguiu esconder o sorriso.

— Vê? — Gina apontou para ela com a mão que segurava o cigarro. —
É exatamente disso que estamos falando.

Revirando os olhos, Lexi riu silenciosamente. — Bem, talvez você


parecesse tão feliz, também, se pedisse a aquele cara o número dele.
— Que cara? — perguntou Caleb.

— Algum cliente que veio hoje à noite. Ele veio algumas vezes
ultimamente.

— Então... por que você não pediu o número dele? — Caleb cutucou.

— Eu não sei. — Gina encolheu os ombros. — Quer dizer, o cara é


muito gostoso.

— Vê. — Lexi empurrou o ombro de Gina de brincadeira.

— Tudo bem. — Gina revirou os olhos. — Se ele vier de novo, vou ver
se ele está interessado.

— Bom. Então, talvez você encontre outra coisa para se concentrar


além de mim e minha vida amorosa.

Rindo, Gina e Caleb se despediram.

— Eles não estão errados, você sabe. — Joe olhou para ela
incisivamente depois que os outros dois entraram em seus carros. — Eu sei
que faz pouco tempo com esse tal de Trevor, mas você é diferente. É como
se houvesse um pequeno salto extra em seu passo. E eu, pelo menos, estou
feliz em ver isso.

As bochechas de Lexi ficaram quentes quando ela sorriu e deu um


grande abraço em Joe.

— Obrigado, Joe. Você sabe... — ela se afastou — Não é tarde demais


para você, também. Você é um homem bonito e bem-sucedido. Você deve
encontrar uma boa mulher para se estabelecer.

Os olhos de Joe se iluminaram com seu sorriso. — Eu encontrei uma


boa mulher. Estive com ela por quarenta e dois anos antes que o Bom Deus
a levasse para estar com Ele, em vez disso. Minha Helen está lá em cima
esperando por mim, e quando minha hora chegar, quero ser o mesmo
homem que era quando ela me deixou. Com um coração que pertence
apenas a ela.
Foi uma das coisas mais doces que ela já tinha ouvido. Piscando
rapidamente, Lexi abraçou Joe novamente. — Sua esposa foi uma mulher
de muita sorte.

— Nós dois tivemos sorte. — Joe a abraçou de volta e então se


afastou. — Agora, vá para casa e descanse um pouco. Pelo jeito que
aqueles dois falaram, você vai precisar quando aquele seu garoto chegar.

Lexi engasgou. — Joe!

— O que? Você acha que eu não sei o que é sexo? Deixe-me


assegurar-lhe, mocinha. Este velho tinha suas aventuras antigamente.

Quando ele começou a girar os quadris e dançar, Lexi quase perdeu


o controle. — Boa noite, Joe. — ela riu, balançando a cabeça enquanto
entrava no carro.

Durante todo o trajeto para casa, Lexi pensou no que os outros haviam
dito. Ela sabia que eles estavam certos. Ela estava mais feliz. Mais do que há
muito tempo.

Borboletas dançavam em sua barriga enquanto ela se perguntava


quando Trevor voltaria para casa. Porém, ele só esteve fora por quatro dias,
ela sentiu terrivelmente a falta dele.

No início, isso a preocupou. Ela estava ficando muito apegada, muito


rápido? Então, ela percebeu que não importava. O fato era que ela já se
importava com ele mais do que com qualquer outro homem com quem ela
já havia saído. Louca ou não, ela não podia evitar como se sentia.

Finalmente em casa, ela mal podia esperar para lavar o fedor da


lanchonete de seu cabelo e pele. Depois de se dar ao luxo de um banho
longo e quente, Lexi se secou e vestiu uma camiseta sem mangas e um short
largo de pijama. Ela estava secando o cabelo quando a luz caiu e toda a
casa ficou às escuras.

— Ótimo. — ela gemeu, sabendo que tinha acionado um disjuntor. A


casa era velha e isso geralmente acontecia uma vez por mês.
Tropeçando no caminho até sua mesinha de cabeceira, Lexi puxou
uma pequena lanterna da gaveta de cima e desceu as escadas com
cuidado. Ela foi até o armário de utilidades ao lado da cozinha e começou a
procurar os interruptores retangulares pretos.

— Isso é estranho. — ela sussurrou para si mesma. Nenhum dos


disjuntores estava fora de posição. Se ela não tivesse tropeçado em um,
então por que as luzes estavam apagadas?

Ela não se lembrava de nenhuma tempestade na previsão, e o céu


estava claro quando ela deixou a lanchonete. Talvez houvesse uma linha
abatida em algum lugar e toda a vizinhança estivesse sem energia.

Decidindo verificar e ver, Lexi foi até a sala de estar. Ela parou em
frente à janela enorme perto da porta da frente e olhou para a casa da Sra.
Siemens do outro lado da rua. A luz da varanda da mulher mais velha brilhou
intensamente. Uma rápida olhada nas outras casas disse a Lexi que a
energia estava funcionando bem. Todos, exceto o dela.

Uma sensação estranha e torturante se instalou profundamente em


suas entranhas. Nervosa agora, ela rapidamente verificou as fechaduras da
porta da frente. Felizmente, elas ainda estavam trancadas.

Sabendo que nunca conseguiria dormir se não visse a porta dos


fundos também, Lexi se virou e foi para a cozinha. Ela fez meio caminho entre
a porta da frente e a entrada do outro quarto quando uma grande sombra
entrou em sua visão.

Um homem estava em sua casa. Um homem todo vestido de preto,


incluindo um boné e luvas. Seu cérebro levou cerca de meio segundo para
processar o que isso significava.

Com os olhos fixos na ameaça diante dela, Lexi gritou e se virou para
correr. Ela quase chegou à porta quando um par de braços fortes a envolveu
por trás.
Ela gritou novamente, rezando para que um vizinho ouvisse, mas o
som foi interrompido quando uma grande mão foi pressionada
dolorosamente contra seus lábios. Oh Deus!

Resistindo o mais forte que podia, Lexi chutou e lutou com tudo que
tinha. Infelizmente, ela era muito menor e não tão forte quanto seu
agressor. Isso significava que ela tinha que ser mais inteligente.

Pense, Lexi! Pense! Ela precisava de um alvo, e sua baixa estatura


contra o corpo alto dava a ela exatamente o que ela precisava.

Ele envolveu seu braço esquerdo ao redor de seu centro, prendendo


seu braço esquerdo contra seu próprio corpo no processo. Sua mão direita
ainda estava cobrindo sua boca, o que deixou seu braço direito livre.

Rezando para que seu plano funcionasse, Lexi torceu o corpo para a
esquerda e, ao mesmo tempo, empurrou o cotovelo direito para trás com
toda a força... bem na virilha do homem.

Ele grunhiu e seu domínio sobre ela afrouxou apenas o suficiente para
seu corpo minúsculo deslizar. Abaixando a cabeça sob o braço que
segurava sua boca fechada, Lexi correu o mais rápido que pôde em direção
à cozinha. Se ela pudesse chegar à porta dos fundos, ela poderia ter uma
chance de lutar.

Infelizmente, as pernas longas do homem permitiam que ele


percorresse muito mais espaço do que as curtas. Ele estava nela em poucos
segundos. Atacando-a por trás, Lexi tinha certeza de que pelo menos uma
de suas costelas havia quebrado quando o corpo musculoso do homem
pousou em cima do dela, batendo-a contra o implacável piso de madeira.

Lutando para respirar, ela foi incapaz de lutar. Ele a virou e segurou
seus pulsos acima de sua cabeça. Sem mais nada para fazer, Lexi soltou
outro grito de socorro.

Através da abertura do boné, ela observou enquanto os lábios dele se


curvavam para cima, formando o sorriso mais sinistro que ela já vira.
— Eu não esperava que você fosse uma lutadora. Mas, você
realmente deve economizar sua energia. Você vai precisar.

— Vá para o inferno. — Lexi cerrou os dentes, não se permitindo


pensar no que suas palavras significavam. Ela tentou empurrar contra os
dedos grossos em volta de cada pulso, mas não adiantou.

Um grito alto e agudo escapou de sua garganta, e seu agressor


começou a sorrir novamente. Uma raiva repentina caiu sobre ela, e por um
segundo, ela ficou mais chateada do que assustada. Levada por uma raiva
avassaladora contra esse homem, esse intruso, Lexi usou a única arma que
lhe restava.

Enchendo a boca com o máximo de saliva que pôde, ela cuspiu


diretamente no rosto do homem. A maioria respingou em seu olho direito.

Ele jogou a cabeça para trás com surpresa, fechando os olhos os


deixando semicerrados. Transferindo ambos os pulsos em um de seus
punhos, ele usou o outro para limpar a saliva de seu rosto.

Olhando para ela, ele gritou: — Sua vadia! — Então ele ergueu a mão
livre para trás e a balançou em direção ao rosto dela.

O fogo estourou dolorosamente em sua bochecha quando sua cabeça


foi jogada para o lado. Momentaneamente atordoada, ela mal registrou o
fato de que estava sendo puxada para ficar de pé. Balançando, ela ainda
estava tentando se orientar quando o homem sussurrou em seu ouvido.

— Você vai pagar por isso.

***

Trevor entrou na rua de Lexi. Ele provavelmente deveria ter ligado


antes de vir, mas ele queria vê-la. Por mais louco que parecesse, ele queria
que ela soubesse que ele já estava se apaixonando por ela.
Ele tinha certeza de que ela sentia o mesmo por ele, mas mesmo que
ela não sentisse, tudo bem. Ele daria a ela todo o tempo de que ela
precisasse para chegar lá, porque fizesse sentido ou não, ela era para
ele. Trevor sabia disso com tanta certeza quanto sabia seu próprio nome.

Com Hadim morto, ele poderia finalmente colocar o passado para


descansar, onde pertencia. Sentindo-se mais leve do que há anos, Trevor
estava muito agitado para dormir. Ele sabia que Lex poderia estar na cama
agora, mas ele simplesmente não podia esperar até amanhã para vê-la.

Uma pontada de culpa encheu sua barriga quando ele estacionou a


caminhonete atrás dela. Todas as luzes de sua casa estavam apagadas. Até
a luz da varanda. Droga. Trevor considerou sair, mas sua necessidade
egoísta de vê-la anulou sua culpa por acordá-la.

Ele olhou para a luz escura da varanda e fez uma nota mental para
falar com ela sobre como conseguir uma segurança melhor. Talvez uma luz
de movimento e algumas câmeras como as que Jake instalou na antiga casa
de sua esposa não muito antes de ela ser atacada e sequestrada. Essas
câmeras foram fundamentais para capturar o bastardo e salvar a vida de
Olivia.

Subindo na pequena varanda em frente à porta dela, ele ergueu a mão


para bater. Trevor parou no meio do movimento quando ouviu vozes vindo
de dentro da casa. Inclinando a cabeça, seu coração caiu em seu estômago
quando percebeu que a pessoa que estava falando era do sexo masculino.

Trevor sentiu-se mal ao tentar pensar em uma razão plausível para Lexi
ter outro homem dentro de sua casa a esta hora, especialmente com as
luzes apagadas. Ela não parecia o tipo de mulher que trepava com um
cara. Não depois dos momentos que eles compartilharam.

Ele pensou na maneira como ela o beijou antes de ele partir para a
Argélia. A emoção por trás de seus olhos quando ela olhou para ele e o fez
prometer que voltaria para casa para ela. Jesus, eu poderia realmente estar
errado sobre ela?
Não! Ele não estava errado sobre ela. O que significava que quem
quer que estivesse naquela casa com sua mulher, não deveria estar lá.

Trevor tinha acabado de tentar abrir a porta trancada quando ouviu


um som que nunca esqueceria enquanto vivesse.

Apesar das paredes que os separavam, o estridente grito apavorado


de Lexi alcançou seus ouvidos claramente. Ele não pensou em seu
treinamento, ou se era ou não seguro para ele entrar em sua casa. Seu único
pensamento era chegar até Lexi.

Tirando a arma da cintura - graças a Deus ele decidiu mantê-la e não


deixá-la na caminhonete - Trevor ergueu o pé com a bota e chutou a porta
logo acima da fechadura.

A fechadura não cedeu completamente, então ele deu tudo o que tinha
e chutou mais uma vez. Madeira estilhaçou quando a porta voou para
dentro, e Trevor entrou em um pesadelo.

Lexi estava parada no meio de sua pequena sala de estar. Um homem


de preto da cabeça aos pés a segurava contra o peito, um braço em volta
de sua cintura, o outro sob seu queixo.

Embora o quarto estivesse escuro, Trevor podia ver o medo nos olhos
de Lexi. Isso o abalou profundamente. Seu treinamento finalmente começou,
ele empurrou suas emoções de lado e rapidamente avaliou a situação.

O antebraço do homem pressionava sua garganta e estava claro que


ela lutava para respirar. Ela estava fazendo o seu melhor para encontrar
apoio na ponta dos pés, mas o bastardo estava malditamente perto de
segurá-la do chão.

— Tire suas mãos dela! — Trevor ordenou enquanto se movia mais


para dentro da sala. Claro, não poderia ser tão fácil.

Em vez de responder com palavras, o outro homem simplesmente


segurou Lexi no lugar e ficou olhando. Trevor tentou novamente.

— Eu disse para deixá-la ir.


— T-Trev-or.

A voz quebrada de Lexi era apenas um sussurro, mas ainda conseguiu


alcançar seus ouvidos.

— Estou aqui, Angel. Eu estou bem aqui. Tudo vai ficar bem. — Para
o agressor, ele avisou: — Não vou falar de novo. Deixe-a ir, ou eu vou atirar
em você onde você está.

Estranhamente, a boca do homem lentamente começou a se abrir em


um sorriso. Movendo-se rápido como um relâmpago, ele pegou Lexi
completamente fora de seus pés e a jogou em direção a Trevor.

Sua necessidade de proteção foi instantânea e reativa. Soltando sua


arma, Trevor estendeu a mão para Lexi, seus braços envolvendo seu corpo
agitado. Ele gritou o nome dela enquanto os dois voavam para trás...
batendo direto na grande janela que ele estava parado na frente.
O coração de Trevor parecia que ia voar para fora de seu peito quando
ele ergueu a cabeça e viu a forma imóvel de Lexi na grama a poucos metros
de distância.

Ele escalou a curta distância até onde ela estava deitada. Com
grandes quantidades de medo e adrenalina correndo em suas veias, ele nem
mesmo sentiu os pedaços de vidro cortando suas palmas e joelhos enquanto
se movia. Ela está muito parada.

— Lexi! — ele gritou quando a alcançou. Ela estava do seu lado


esquerdo, seu cabelo loiro coberto por seu rosto. — Alexis, olhe para mim!

Ela gemeu, o som trazendo consigo uma onda de alívio. — Baby, eu


preciso que você olhe para mim. Preciso saber que você está bem.

Outro gemido escapou de sua garganta antes que seus olhos se


abrissem com um suspiro. Ela se endireitou e começou a lutar contra ele.

— Lexi, pare! Sou eu... Trevor. Você está bem, agora. Ele se foi e você
está segura.

Seus músculos congelaram quando suas palavras afundaram. — E-


ele se foi? Tem certeza?

Infelizmente, ele tinha. Trevor tinha visto o bastardo correndo pelas


costas assim que eles bateram no vidro.

— Sim, bebê. Tenho certeza.

Seu rosto desmoronou. — Graças a Deus!

Lexi se jogou em seus braços e Trevor segurou com força. Ele podia
sentir fisicamente o medo dela enquanto seu corpo inteiro tremia contra o
dele.
— Eu estava com tanto medo. Eu pensei que ele ia me matar.

— Eu sei, baby. — Trevor sussurrou enquanto esfregava suas


costas. — Eu sinto muito.

— P-por quê? — Ela soluçou quando se afastou, enxugando as


lágrimas com as palmas das mãos. — Não é como se você soubesse que
isso ia acontecer.

Trevor balançou a cabeça. — Ainda. Eu poderia ter alguém te


observando enquanto eu estava fora. Eu poderia ter...

— Afaste-se dela neste minuto!

Uma voz alta e estridente vinda da direção da estrada fez com que
ambas as cabeças se virassem. Uma mulher esguia de cabelos prateados
estava correndo em direção a eles vestindo um roupão azul claro abotoado
na frente e um par de chinelos combinando.

— Alexis? — Os olhos da mulher idosa estavam arregalados e ela


estava claramente alarmada. — Meu Deus, você está bem? O que
aconteceu? — Sem dar a ela uma chance de responder, ela voltou sua
atenção para Trevor. Com um punho levantado, ela gritou: — O que você
fez com a minha doce Alexis? Afaste-se dela agora mesmo, ouviu? A polícia
está a caminho e, quando eles chegarem, vão prendê-lo!

Trevor pensou seriamente que a mulher iria tentar esmurrá-lo, até


que...

— Sra. Siemens, não! — Lexi empurrou o peito de Trevor para se


levantar. Quando ele tentou impedi-la por medo de se machucar, ela
rapidamente garantiu que estava bem e se levantou. — Este é Trevor... —
ela colocou a mão no ombro frágil da velha. — Ele é meu... — Claramente
insegura de como deveria chamá-lo, Lexi hesitou, seus olhos voltando-se
para os dele.
Trevor decidiu ajudá-la. Agora de pé ao lado dela, ele estendeu a mão
para a Sra. Siemens. — Eu sou o namorado de Lexi, Sra. Siemens. Trevor
Matthews.

— Namorado? — Ela parecia chocada, mas apertou a mão dele


mesmo assim. — Alexis, você nunca me contou sobre nenhum namorado.

— É novo.

Como se ela tivesse acabado de notar a porta e a janela quebradas de


sua vizinha, a Sra. Siemens engasgou. — Minhas estrelas, o que aconteceu
aqui?

— Um homem invadiu a casa de Lexi esta noite e tentou machucar


Lexi. — Trevor engoliu em seco e fez o possível para não mostrar o medo
que ainda sentia ao vê-la com aquele homem. — Você viu ou ouviu algo
suspeito?

— Um homem invadiu sua casa? — Ela girou a cabeça em direção a


Lexi. — Você está bem? Ele te machucou?

— Eu estou um pouco machucada e abalada, mas estou bem. Graças


a Trevor. — Para ele, Lexi sussurrou. — Se você não tivesse vindo quando
veio...

Incapaz de evitar tocá-la, Trevor agarrou a mão dela e puxou-a


suavemente para o seu lado. Ele mal conseguia se controlar, mas beijou o
topo da cabeça dela e se obrigou a parecer calmo quando disse: — Estou
feliz por ter aparecido nessa hora.

— Pela aparência das coisas, eu também estou — exclamou a Sra.


Siemens enquanto examinava os danos mais uma vez. — E para responder
à sua pergunta, não. Eu estava prestes a ir para a cama quando ouvi um
barulho alto de algo quebrando. Foi quando olhei pela janela e vi vocês dois
no chão.

Só então, vários conjuntos de luzes piscando viraram para a rua de


Lexi enquanto os veículos de emergência vinham até eles. Dois carros de
patrulha DPD, um carro sem identificação e uma ambulância estacionaram
na frente de onde eles estavam.

Os dois paramédicos - um homem mais jovem e uma mulher que


parecia estar na casa dos quarenta anos - foram até eles primeiro. — A
polícia despachou uma ambulância. Alguém está ferido?

Antes que ela pudesse protestar, Trevor apontou para Lexi. — Ela
precisa ser verificada. Um homem a atacou e a jogou através do que
costumava ser aquela janela. — Os olhos do jovem paramédico se
arregalaram quando ele viu a que Trevor estava se referindo.

— Trevor, eu disse a você. Estou dolorida, mas estou...

— Esta não é uma discussão que você vai ganhar, Angel. — Ele olhou
para ela incisivamente. — Ou você os deixa verificá-la aqui, ou eles estão
levando você para o hospital. Sua escolha.

As sobrancelhas de Lexi se curvaram ligeiramente para dentro, e ele


percebeu que ela não estava muito para a diretriz. Trevor não conseguia se
sentir mal por isso. Ele esteve muito perto de perdê-la esta noite. Inferno,
suas mãos ainda tremiam, embora ele estivesse fazendo um bom trabalho
em esconder isso.

— Eu gosto dele. — a Sra. Siemens sorriu. Em seguida, ela se inclinou


em torno do paramédico e sussurrou não muito baixinho: — E ele é fácil para
os olhos. Você fez um bom trabalho ao escolher este, Alexis.

Apesar da gravidade da situação, Lexi ergueu os olhos e deu um


sorrisinho para ele. — Sim. — ela sussurrou. — Eu fiz.

Trevor soltou sua mão para que ela pudesse caminhar até a
ambulância para ser vista. Ele ficou grato quando a Sra. Siemens a seguiu.

Enquanto Lexi caminhava, ele a avaliou por trás, verificando sua


caminhada para ter certeza de que ela não mancava ou parecia ter qualquer
lesão no pescoço ou nas costas. Ele respirou um pouco mais fácil quando
ela pareceu se mover com relativa facilidade.
— Caramba cara. Devo ter realmente irritado alguém por ter que lidar
com a sua bunda duas vezes em uma semana.

Trevor olhou para onde Eric West estava caminhando em sua direção
com dois policiais uniformizados. O detetive tinha o mesmo sorriso malicioso
que seu irmão normalmente usava.

— Ele está de volta. — afirmou Trevor sem rodeios. — Lockwood está


de volta, e hoje à noite ele invadiu a casa dela e tentou machucá-
la. Jogando-a pela porra da janela.

— Uau. Trevor Matthews acabou de lançar uma bomba. A merda deve


estar ficando séria.

— Estou falando sério, Eric.

— Eu também. Estive perto de você por tempo suficiente para saber


que essa linguagem que vem de você só acontece quando você está muito
irritado. Pela maneira como aquela veia em seu pescoço está saltando
agora, eu diria que você está lá.

— Eu quase perdi isso. A equipe acabou de voltar à cidade e quase


voltei para casa em vez de vir aqui.

— Mas, você não fez. Você veio aqui, e você parou o bastardo.

Trevor cerrou os dentes. — Ele se foi. Eu a ouvi gritar, então derrubei


a porta. O idiota a segurava em um estrangulamento. Ameacei atirar se ele
não a soltasse. Eu... eu nunca sonhei que ele a pegaria e jogaria como
fez. Eu a peguei, mas seu impulso me empurrou para trás, e nós dois
atravessamos o vidro.

Um dos policiais assobiou entre os dentes. — Caramba cara. Você


tem sorte de nenhum de vocês se machucou seriamente.

Trevor olhou para a ambulância. As portas traseiras estavam abertas


e as luzes internas acesas. As sombras dos paramédicos estavam se
movendo lá dentro enquanto eles trabalhavam, e Trevor sentiu um leve alívio
por ela estar sendo cuidada.
Eric colocou uma mão reconfortante no ombro de Trevor. — A boa
notícia é que ela vai ficar bem. Eu tenho que perguntar, entretanto... você
tem certeza de que Robert Lockwood foi o atacante de Lexi?

Trevor olhou para ele como se ele tivesse perdido a cabeça.

— Quem mais poderia ser? O cara a agride há poucos dias,


desaparece, e agora isso? Vamos, West. Você não pode me dizer
seriamente que acha tudo uma grande coincidência.

— Calma. — O detetive ergueu a palma da mão. — Eu tive que


perguntar. Não é incomum que bairros como este sejam alvo de ladrões ou
desviados sexuais. Falando nisso... o cara pegou alguma coisa? Estava
faltando alguma coisa ou fora do lugar? Ele a tocou de maneira sexual?

De repente, Trevor ficou extremamente nauseado. A ideia de alguém


machucar Lexi já era ruim o suficiente. Machucá-la dessa maneira? Ele não
podia nem mesmo deixar sua mente ir lá.

— Eu não acho que ele estava lá para roubá-la. Você vai ter que
perguntar a ela, mas quando entrei pela porta, todo o seu foco estava
nela. Meu instinto está me dizendo que não era sobre isso. Quanto ao
outro... — ele respirou fundo para não vomitar em toda a grama — Você vai
precisar perguntar isso a ela também.

Eric assentiu silenciosamente enquanto fazia anotações em seu


pequeno caderno de espiral. — A que horas você chegou aqui?

Trevor olhou para o relógio. Ele ficou surpreso que na verdade não
tinha passado tanto tempo desde que ele entrou pela primeira vez em seu
carro. — Cerca de dez minutos atrás, mais ou menos. Você deve perguntar
a sua vizinha, a Sra. Siemens, a que horas ela ouviu o grande estrondo.

— Essa é a senhora mais velha aí com Lexi?

A Sra. Siemens estava parada perto da porta da ambulância gritando


ordens para os paramédicos e Lexi. Trevor quase sorriu. Ele podia ver por
que Lexi gostava tanto dela.
— Sim. Lex diz que ela é uma boa vizinha.

— E você acha que ela pode ter visto algo?

— Eu não faço ideia. Só sei que ela nos ouviu batendo na janela e veio
correndo para ver o que aconteceu.

Eric balançou a cabeça enquanto escrevia. — Não foi inteligente.

— Não, mas ela é corajosa. Quase me bateu quando ela pensou que
eu estava machucando Lex.

O irmão de Derek ergueu as sobrancelhas. — Seriamente?

— Mortalmente sério. Essa mulher pode ser velha, mas ela é uma bola
de fogo.

— Você disse que a equipe acabou de voltar?

Trevor acenou com a cabeça. — Há algumas horas. Nós conversamos


com Ryker e então seguimos nossos caminhos separados. Pelo que eu sei,
todo mundo foi para casa.

Só então, o som de um motor alto e pneus cantando encheu o ar. Eric


praguejou baixinho e balançou a cabeça. — Nem todo mundo,
aparentemente.

Os quatro homens observaram enquanto o Challenger Hellcat cinza


metálico de Derek corria pela rua, parando pouco antes de bater no carro
fornecido pelo departamento de Eric.

— Trevor! — Derek gritou através do gramado enquanto corria em


direção a eles. — Você está bem, cara? — Um dos oficiais deu um passo
para o lado para dar lugar ao seu pequeno grupo. O olhar de Derek foi para
a porta quebrada e a janela atrás de Trevor. — Puta merda. O que diabos
aconteceu? — Sua cabeça girou em direção à ambulância. — Lex está
bem?
— Respire, porra, e acalme sua merda. — Eric ordenou. — E como
diabos você soube que algo aconteceu?

Derek deu a seu irmão um olhar exacerbado. — Eu coloquei o


endereço de Lexi em meu sistema antes que a equipe deixasse a cidade. —
Ele olhou para Trevor e encolheu os ombros. — Assim saberíamos se algo
acontecesse enquanto estivéssemos fora.

Trevor não sabia que Derek tinha feito isso, mas apreciou a
preocupação de seu amigo com a segurança de Lexi. — Obrigado, cara.

— Sim claro. — Ele ignorou sua apreciação. — Você vai me dizer o


que aconteceu? Lexi está bem? — Derek o examinou rapidamente. —
Você está bem?

Enquanto Trevor falava, Eric enviou os policiais para dentro da casa


para começar a processar a cena. Outra dupla de policiais apareceu e Eric
os enviou para verificar o problema com a energia. Ele anotou mais algumas
coisas enquanto Trevor repassava toda a história novamente.

— Maldito Lockwood. — Derek rangeu os dentes. Para seu irmão, ele


perguntou: — Achei que seu povo estava procurando por ele.

Claramente frustrado, Eric assegurou-lhe: — Estamos, D. Mas nem


mesmo sabemos com certeza se foi Lockwood. Inferno, mesmo Trevor não
poderia dar uma identificação positiva sobre o cara, e ele estava com sua
maldita arma apontada para a cabeça do homem.

A raiva inundou o sistema de Trevor, mas não em direção a Eric. Ele


estava chateado consigo mesmo. Ele deveria ter prestado mais atenção aos
detalhes. Enquanto o bastardo estava segurando Lexi, ele deveria ter
estudado os olhos e a boca do homem para que pudesse comparar a
descrição com Lockwood. Em vez disso, ele estava focado em Lexi.

— Pare com essa merda, Matthews. Isso não é sua culpa.

Trevor piscou e percebeu que Derek estava falando com ele. — Eu


perdi o foco.
Derek olhou para Trevor como se ele fosse estúpido. — Claro que
você perdeu a porra do foco. Algum fodido pôs as mãos em sua
mulher. Qualquer um de nós teria reagido da mesma maneira.

— Não Jake. — Trevor argumentou. — Quando toda aquela merda


aconteceu com Olivia, ele estava focado na tarefa. Não nela.

— Besteira. Eu também estava lá, lembra? E eu me lembro de Jake


perder sua merda algumas vezes depois que Olivia foi raptada. Uma mulher
de quem você gosta estava em perigo, Trev. Naturalmente, você está focado
nela. Especialmente depois da merda com a qual acabamos de lidar.

O corpo torturado de Hadim brilhou atrás de seus olhos. Quase


perfeitamente, um rosto diferente substituiu o seu. Um que foi espancado e
quebrado quase exatamente da mesma maneira que o de Hadim. Lisa.

Seu coração doeu por sua amiga morta, mas não foi até a imagem de
outra mulher preencher seus pensamentos que Trevor piscou e balançou a
cabeça. Ele não conseguia nem começar a imaginar algo assim
acontecendo com sua Lexi.

Seus olhos voaram para a ambulância quando ela era guiada para
fora. Os paramédicos deram a ela um cobertor, que ela enrolou em volta dos
ombros e estava segurando junto com suas pequenas e preciosas mãos.

— Vê? — Derek cruzou os braços sobre o peito e deu a Trevor um


olhar presunçoso. — Você está pensando em toda essa merda agora, não
é? — Trevor balançou a cabeça em negação, mas seu companheiro de
equipe não estava acreditando. — Cara, está na sua cara. Você tem que se
lembrar... Lexi não é Lisa.

Trevor estava prestes a atacá-lo quando Lexi conseguiu ouvi-lo. Derek


deu a ele um olhar que dizia que ele precisava esfriar isso, e dane-se... ele
sabia que seu amigo estava certo. Mas sua reação imediata foi proteger esta
mulher da maneira que ele soubesse.

Ele não sabia por que, mas toda vez que Trevor estava perto de Lexi,
cada um de seus instintos primitivos disparava. Você sabe por que, só não
quer admitir ainda. Finalmente, Lexi estava de volta ao seu lado, onde ela
pertencia.

— Ei, Angel. — Ele forçou um sorriso, fazendo o possível para fingir


que tinha tudo sob controle. — O que eles disseram? Você está bem?

Lexi acenou com a cabeça. — Estou bem.

Trevor desejou que a luz da varanda dela estivesse funcionando para


que ele pudesse ter uma visão melhor por si mesmo. Seus olhos se moveram
para os paramédicos atrás dela. A mulher falou.

— Nós nos oferecemos para levá-la ao hospital para fazer radiografias,


só para ter certeza, mas ela assinou o indeferimento. Há alguns arranhões
menores em seu braço esquerdo ao pousar no vidro quebrado, e suas
costelas provavelmente ficarão doloridas por alguns dias. Nós a
aconselhamos a colocar gelo no hematoma na bochecha, mas fora isso, ela
vai ficar bem.

— Assim como eu disse a você. — ela murmurou para ele.

Trevor ficou aliviado ao ouvir a mordida em seu tom. Com cuidado, ele
colocou o braço em volta dos ombros dela e puxou-a para si. Ele beijou o
topo de sua cabeça, então descansou sua bochecha lá.

— Eu só precisava ter certeza.

— Eu sei. — A voz de Lexi suavizou quando ela se inclinou para o


abraço dele.

Os paramédicos estavam voltando para a ambulância quando uma luz


iluminou de repente o jardim da frente de Lexi. O foco de todos se voltou
para onde a luz da varanda, junto com algumas outras dentro da casa,
estavam agora funcionando. Todos, exceto Trevor.

Sem se importar com as luzes, ele aproveitou a oportunidade para ver


melhor as condições de Lexi. Seu cabelo estava desgrenhado e seus olhos
estavam vermelhos de tanto chorar. Ele viu o hematoma em sua bochecha
direita que o paramédico havia mencionado e quis cravar o próprio punho
nos dentes da frente de seu agressor.

— Encontrei o problema com as luzes. — uma voz chamou do lado da


casa, puxando sua atenção. Todos eles esperaram enquanto um dos
policiais saía das sombras, a lanterna na mão.

— Alguém cortou alguma coisa? — Perguntou Derek.

O oficial mais velho balançou a cabeça. — A desconexão principal da


caixa externa foi puxada.

***

— Isso explica por que nenhum dos disjuntores foi desarmado. —


disse Lexi em voz baixa.

Quando Trevor olhou para ela, ela respondeu sua pergunta


silenciosa. — Eu tinha acabado de sair do chuveiro quando faltou luz. Peguei
uma lanterna na minha mesinha de cabeceira e desci para verificar os
disjuntores. — Ela encolheu os ombros. — É uma casa velha, e às vezes
quando eu seco meu cabelo, uma vira e eu tenho que restaurá-la.

— O que aconteceu depois que você verificou os disjuntores, Lexi? —


Eric perguntou, caneta na mão.

Só então ela percebeu isso e o bloco de notas nas mãos de Eric. —


Certo. Você ainda precisa da minha declaração. — Ela deu um pequeno
sorriso malicioso e acrescentou: — Parece que estamos sempre nos
encontrando assim, detetive.

O irmão de Derek respondeu com um sorriso simpático. — Sim,


realmente precisamos quebrar esse hábito.
Respirando fundo, Lexi começou a contar a eles tudo o que
aconteceu. — Então, desci as escadas e verifiquei o disjuntor. Quando
percebi que nada estava fora do lugar, fui até a janela...

Sua voz sumiu por um segundo quando ela olhou para o buraco onde
sua janela costumava estar. A memória dela sendo erguida e voando em
direção a Trevor fez seu coração disparar novamente.

— Podemos fazer isso amanhã, Eric? — Trevor resmungou. — Vou


levá-la para a delegacia e...

— Não! — Lexi saiu dessa. — Prefiro fazer agora e depois esquecer o


que aconteceu.

Trevor olhou para ela, suas sobrancelhas escuras viradas para


dentro. — Tem certeza disso?

Ela acenou com a cabeça e começou a falar com Eric novamente. —


Eu verifiquei o disjuntor e fui para a janela. Queria ver se as luzes dos vizinhos
também estavam apagadas. Eu pensei que talvez houvesse uma linha de
energia caída em algum lugar, ou algo assim. Notei a luz da varanda da Sra.
Siemens acesa e então olhei para as outras casas dos dois lados da rua. Foi
quando comecei a ter uma sensação desconfortável.

— O que você fez, então? — Eric perguntou baixinho.

— Eu verifiquei para ter certeza de que a porta da frente ainda estava


trancada, o que estava, e então me virei e comecei a ir para a cozinha para
verificar a porta dos fundos. Foi quando eu o vi.

— Você pode descrevê-lo para mim?

— Ele era alto. Muito mais alto do que eu. — Ela deu uma risada
silenciosa. — Claro, todo mundo é muito mais alto do que eu. — Eric sorriu
de volta para ela, assim como Trevor e Derek. Trevor parecia forçado, no
entanto, e ela odiava isso.

— De qualquer forma, ele não era tão alto quanto Trevor... Eu diria que
ele era mais próximo da sua altura. — ela apontou para Eric. — Ele estava
vestido todo de preto e usava luvas e um boné. E ele era forte. Lembro-me
de pensar como seus músculos pareciam sólidos enquanto eu tentava lutar
contra ele. — Um arrepio correu por sua espinha e Trevor a puxou para mais
perto dele.

— Ok. — Eric disse suavemente. — Vamos recuar um minuto. Diga-


me o que aconteceu depois que você o viu.

— Eu gritei. Pelo menos, acho que sim. Eu me virei e corri para a porta
da frente. Ele me agarrou por trás e comecei a lutar — Ela inclinou a cabeça
para que pudesse ver Trevor melhor. — Lutei o mais que pude. Eu até me
soltei em um ponto.

A boca de Trevor se inclinou um pouco quando ele começou a esfregar


suavemente a mão para cima e para baixo em seu braço para se sentir
confortável.

— Conte-me sobre isso. Como você se soltou e o que aconteceu


depois?

— Aproveitei o fato de ser baixa e bati com o cotovelo em sua virilha o


mais forte que pude.

Derek gemeu e fez uma careta, e as sobrancelhas de Eric franziram


ligeiramente com o pensamento. O orgulho encheu a expressão de Trevor,
o que a colocou um pouco à vontade.

— O aperto do homem afrouxou e eu consegui me abaixar por baixo


de seu braço e escorregar para fora de suas mãos.

— Inteligente. — Eric assentiu com aprovação.

— Sim, exceto que ele era muito mais rápido do que eu. Ele me
alcançou rapidamente e me jogou no chão. Então, ele me virou de
costas. Ele tinha minhas mãos presas acima da minha cabeça, e eu não era
forte o suficiente para lutar como antes. Fiquei desesperada, então cuspi na
cara dele. Eu pensei que talvez ele se distraísse ou algo assim e eu teria uma
chance de fugir. Em vez disso, apenas o deixou realmente furioso. Foi
quando ele me bateu.

Todo o corpo de Trevor ficou tenso ao ponto que ela podia realmente
sentir seus músculos se contraírem contra os dela. — Ele bateu em você?
— ele rosnou.

— É assim que eu consegui isso. — Ela soltou uma ponta do cobertor


para tocar sua bochecha direita, estremecendo quando ela empurrou a pele
macia com um pouco mais de força.

Um músculo no rosto bonito de Trevor saltou, e ela sabia que ele


estava cerrando os dentes para conter sua raiva. — Achei que você tivesse
feito isso quando pousamos no chão.

Sem saber o que dizer, Lexi simplesmente balançou a cabeça.

Eric pigarreou — O que aconteceu a seguir, Lexi?

Ela quebrou o contato visual com Trevor e olhou para Eric. — Hum,
ele me colocou de pé e me segurou por trás. Lembro-me de ter pensado que
ia engasgar porque ele estava quase me levantando do chão e seu braço
pressionava minha garganta. Então, Trevor irrompeu pela porta com sua
arma e gritou para o homem me deixar ir.

— Depois disso, foi quando ele jogou você na direção de Trevor?

— Sim. — Ela acenou com a cabeça. — Trevor disse a ele várias vezes
para me deixar ir, mas o cara agiu como se não o tivesse ouvido. Então, de
repente, saí voando em direção a Trevor e nós dois entramos pela janela. A
próxima coisa que eu sabia, Trevor estava gritando meu nome, e o cara tinha
ido embora. Então, a Sra. Siemens veio e vocês apareceram.

Eric olhou em volta. — Para onde foi a sua vizinha?

— Casa. — Lexi apontou para a casa do outro lado da rua. — Ela


queria ficar, mas finalmente a convenci a voltar para casa, onde ela estaria
mais confortável. Ela está esperando uma visita sua.
Eric fechou seu bloco de notas e fechou a caneta com um
clique. Enfiando os dois no bolso de trás, ele disse: — Vou para lá agora
— Ele olhou para trás de Lexi para sua casa. — Tenho certeza de que você
está ciente de que sua casa agora é uma cena de crime. Posso acompanhá-
la para pegar algumas coisas, mas você não pode ficar aqui esta noite.

Lexi respondeu com um sorriso irônico. — Bem, dado que não tenho
mais porta ou janela, não gostaria de ficar aqui, de qualquer maneira.

— Certo. — Eric sorriu de volta.

— Eu posso levá-la para pegar suas coisas se você quiser falar com a
vizinha. — Trevor ofereceu.

— Eu acho que tudo bem. — Eric concordou. — Obrigado.

Foi a primeira vez que ela teve medo de voltar para a casa de sua
mãe. Atravessar a porta quebrada foi como voltar para os braços de seu
agressor. Grandes lascas de madeira estavam espalhadas no tapete
decorativo de boas-vindas e no chão logo após a porta, e cacos de vidro
cobriam o peitoril da janela e a área abaixo.

Grandes pedaços denteados da janela permaneceram presos no


lugar, suas pontas pontiagudas como grandes dentes em torno do buraco
que seus corpos haviam feito. É uma maravilha não termos sido feitos em
pedaços.

— Ei. — Trevor esfregou a mão na parte inferior das costas dela. —


Eu posso fazer isso enquanto você espera do lado de fora.

Meu doce, doce herói. — Eu estou bem. — Ela engoliu em seco. —


Só não sabia como seria difícil voltar aqui e ver tudo isso.

Ela respirou fundo e seguiu em frente, Trevor a seguindo enquanto ela


subia as escadas e ia para seu quarto. Quando eles voltaram para fora, Eric
estava de volta do outro lado da rua, e outro homem que ela não reconheceu
estava parado com ele e Derek. Todos os três homens pararam de falar ao
mesmo tempo e olharam em sua direção.
O que ela não conhecia se aproximou de Trevor diretamente e bateu
com a mão no ombro de Trevor. — Fico feliz em ver que vocês dois estão
bem.

— Obrigado, cara. Você não tinha que vir até aqui, mas eu agradeço.

— Claro que sim.

— Olivia? — Trevor sorriu.

O outro homem esfregou a nuca escura em sua mandíbula. — Ela


pode ter mencionado algo sobre querer que eu verificasse você.

Trevor riu. — Bem, eu posso ver quem vai usar as calças no seu
casamento.

— Só em algumas coisas, irmão. — Sorrindo, ele se virou para Lexi,


então. Seus olhos azuis brilhantes de volta para ela. — Eu sou Jake. Você
deve ser Alexis.

— Lexi. — Ela apertou a mão dele hesitantemente.

— Lex, este é Jake McQueen. Ele é dono da RISC.

— Oh. — ela disse com compreensão. — Então, ele é seu chefe.

— Bem, ele tem que ser de alguém, já que sua esposa é claramente a
chefe da casa.

— Engraçado, idiota. — Jake estreitou os olhos para Derek.

— Pela primeira vez, eu tenho que concordar com meu irmão. — Eric
juntou-se á brincadeira.

— Você não tem um trabalho a fazer? — Jake esbravejou de volta.

Todos os quatro homens riram. Foi o primeiro sorriso verdadeiro que


ela viu no rosto de Trevor esta noite. Não que eles tivessem muito motivo
para sorrir.
Em um tom mais sério, Jake falou com Trevor novamente. — Você
precisa de alguma coisa?

— Só para encontrar o bastardo que fez isso.

Jake deu a ele um aceno de compreensão. — Derek disse que você


já tem alguém que parece bom para isso. Robert Lockwood?

Lexi deixou escapar um leve suspiro. — Você acha que foi Rob quem
fez isso?

— Você não acha? — Trevor perguntou, parecendo surpreso.

— Eu... eu não sei. Eu não tinha pensado nele. — Dirigindo-se a Derek,


ela desafiou: — Você disse que ele estava na Califórnia.

— Ele estava.

— E, pelo que sabemos... — Eric falou — Ele ainda está.

— Isso seria uma grande coincidência do caralho. — Derek


ofereceu. — Lockwood a agrediu alguns dias atrás, e então outra pessoa
invadiu sua casa esta noite? Quero dizer, sem ofensa, Lex... — ele olhou
para ela brevemente, e depois de volta para seu irmão — Mas ela teria que
ter um azar pra caralho para que essa merda acontecesse.

Lexi não se incomodou em dizer a ele que era exatamente o tipo de


sorte que ela tinha. Ela também notou que Derek não se incomodou em se
censurar como fez no restaurante outro dia. Não que isso a incomodasse no
mínimo. Ela tinha alguns palavrões voando em seu cérebro também.

— Não vamos esquecer o pneu dela. — Trevor lembrou Eric.

— Pneu? — Jake ecoou.

— Alguém propositalmente deixou o ar sair de um dos meus pneus


enquanto eu estava no trabalho na semana passada. — Lexi respondeu por
Trevor. Afinal, era uma sorte de merda que eles estavam discutindo.
— Eu estou com Trev neste aqui, Eric. — Jake disse incisivamente. —
Parece-me que alguém tem uma rixa pessoal com Lexi.

— Eu não sei. — Ela balançou a cabeça. — Não posso ter certeza,


mas não acho que ele parecia o Rob.

Quatro pares de olhos intensos e surpresos se fixaram nos dela.

— Ele falou com você? — Trevor perguntou. Seu tom tornou-se afiado
quando ele começou a interrogá-la. — Ele parecia o Lockwood? Sua voz era
familiar de alguma forma? O que exatamente ele disse, Lex?

— Acalme-se, cara. — Jake sugeriu baixinho. — Deixe a mulher falar.

— Pense bem, Lex. — a voz baixa de Trevor retumbou com a


ordem. — O que ele disse... exatamente?

Lexi parou para pensar. — Hum... ele disse algo sobre eu lutar com
ele. 'Eu não esperava que você fosse uma lutadora.' — Ela olhou diretamente
para Trevor. — Essas foram as palavras exatas dele. Então, ele disse algo
sobre como eu precisava economizar minha energia, porque eu iria
precisar. Eu não sei. — Ela balançou a cabeça. — Não me lembro
exatamente como ele formulou essa parte, mas foi algo assim.

O nível de testosterona disparou então, e Lexi poderia ter jurado que


os três homens se aproximaram. Quase como se a estivessem protegendo
instintivamente.

Jake e Trevor trocaram um olhar, assim como os dois irmãos.

— Você está pensando o que eu estou pensando? — Derek perguntou


a Eric.

— Este não foi um simples roubo. — o detetive bonito respondeu


honestamente.

Lexi definitivamente não gostou do som disso. — O que isso significa?


— ela sussurrou para Trevor.
Ele olhou para ela, sua expressão feroz e perigosa. — Significa que
não vou deixar você sair do meu lado até que o filho da puta seja pego.
Pela segunda vez em apenas alguns dias, Lexi se viu no conforto e
proteção do apartamento de luxo de Trevor. Não porque ele simplesmente
a queria lá, mas porque alguém tentou machucá-la. Possivelmente a matar.

Enquanto ela permanecia embaixo da água quente e corrente do


chuveiro dele, ela se perguntou como sua vida havia mudado. Por um lado,
ela conheceu Trevor. Um homem que, para todos os efeitos, era
perfeito. Um homem por quem ela estava se apaixonando muito mais rápido
do que ela tinha o direito. Por outro lado, parecia que Rob era mais uma
ameaça do que ela jamais havia imaginado.

Tremendo, embora ela estivesse longe de estar com frio, Lexi estava
terminando de enxaguar o cabelo quando a voz de Trevor viajou sobre a
correnteza da água.

— Lex?

— Sim?

— Você está bem?

Apesar dos eventos da noite, ela sorriu. — Sim. Estou quase


terminando.

— Sem pressa, mas eu queria que você soubesse, Jake está aqui com
sua esposa.

Isso parecia estranho. — OK.

— Ela é enfermeira e... ela queria falar com você por um minuto.

Lexi revirou os lábios para dentro. Ela já havia sido examinada e


liberada pelos paramédicos no local, e depois da noite que teve, ela
realmente não sentia vontade de ser cutucada por outro estranho.
Ela fez o possível para não parecer irritada ou ingrata ao responder: —
Tudo bem. Já vou sair.

— Como eu disse, leve o seu tempo.

Lexi esperou até ouvir o clique da trava da porta antes de soltar um


suspiro de frustração, então imediatamente se sentiu mal. Ela sabia que
Trevor tinha boas intenções e deveria ser grata por ele se importar o
suficiente para que sua amiga enfermeira passasse por aqui.

Quando ela se secou e colocou um moletom e uma camiseta, ela se


sentiu um pouco menos irritada. O vapor ondulou ao seu redor quando ela
abriu a porta e entrou no quarto de Trevor. Ela saltou quando alguém bateu
de leve na porta.

Uma mulher não muito mais alta do que ela colocou a cabeça para
dentro. — Lexi? — Ela sorriu. — Eu sou Olivia. Amiga de Trevor. Você se
importa se eu entrar?

— Certo.

Olivia era linda. Ela tinha cabelos castanhos e lindos olhos


castanhos. Vestida com jeans e uma camiseta branca, Lexi percebeu que
ela também tinha um sorriso muito gentil. Um com o qual ela estava muito
familiarizada.

Puta merda! Jake é casado com Olivia Bradshaw!

A mulher deu a volta ao pé da cama e estendeu a mão. — Prazer em


conhecê-la.

— Alexis. Mas você pode me chamar de Lexi. — acrescentou ela


rapidamente, devolvendo o gesto e apertando a mão de Olivia.

— Oi, Lexi. Sinto muito por nos encontrarmos nessas circunstâncias.

Ela parecia tão legal e genuína pessoalmente. Tendo seguido a história


de sua suposta morte e então seu resgate milagroso, Lexi sabia que essa
mulher entenderia seus medos melhor do que qualquer outra
pessoa. Estranhamente, isso a ajudou a relaxar um pouco.

— Sim, tem sido uma semana louca, com certeza.

Olivia sorriu mais amplamente. — Parece que sim. — Ela inclinou a


cabeça em direção à cama. — Quer sentar-se e conversar um pouco?

— OK. — Lexi se sentiu boba por estar tão assustada com esta noite
depois de tudo que essa mulher tinha sofrido.

Sentada na beira da cama. Lexi cruzou as mãos nervosamente no


colo. Ela não estava acostumada a se sentir assim, e não tinha certeza de
como lidar com isso. Mesmo durante os piores momentos com sua mãe, ela
nunca se sentiu fraca... até esta noite.

Antes de sua mãe morrer, Lexi não tinha dúvidas de que a mulher fiel
e temente a Deus estaria indo para um lugar melhor assim que deixasse esta
terra. Lexi também estava confiante o suficiente para acreditar que ela ficaria
bem sozinha. Antes da semana passada, ela tinha estado.

Nem sempre foi fácil, mas ela se manteve à tona sem a ajuda de
ninguém. Agora, depois de tudo o que tinha acontecido, ela estava
começando a duvidar de si mesma... e ela odiava.

— Espero que você não esteja chateada com Trevor por me deixar vir
aqui. — Olivia disse suavemente. — Eu realmente não dei a ele muita
escolha. — A outra mulher sorriu.

— Mesmo? Por quê?

— Eu estava com meu marido quando Derek ligou mais cedo. Depois
que Jake voltou da sua casa, liguei para Trevor. Quando ele me contou mais
sobre você e o que tudo tinha acontecido, eu tive que me certificar de que
vocês dois estavam bem.

Lexi não tinha certeza de como ela deveria responder a isso, então ela
ficou quieta.
— Trevor é um dos melhores amigos do meu marido. Durante os
últimos dois anos, ele se tornou um dos meus também. Ele é como um
segundo irmão para mim.

— Oh. — Lexi disse calmamente. E porque sentia que estava sendo


enganosa, embora na verdade não estivesse, ela admitiu: — Eu... eu sei
quem você é. Quer dizer, eu te reconheço de quando você estava no
noticiário alguns meses atrás.

Olivia simplesmente sorriu. — Eu sei sobre isso. As pessoas ficam com


uma certa expressão nos olhos quando descobrem que sou a Olivia.

— Eu sinto muito. Eu não queria...

— Oh, não. — Olivia a interrompeu. — Não há nada para se


desculpar. Só não queria que você sentisse que não podia mencionar isso
nem nada. Foi um acontecimento importante na minha vida e, embora tenha
sido além de horrível, o que aconteceu comigo aproximou Jake e eu. Então,
tento me concentrar nisso. — disse ela com um sorriso.

Alguns segundos de silêncio se passaram antes que Olivia risse. —


Bem, agora que as apresentações soberbamente estranhas foram feitas...
Trevor me disse que você trabalha em uma lanchonete, mas espera ter seu
próprio restaurante algum dia.

— Algum dia, sim. — Lexi assentiu, embora estivesse começando a


aceitar que esse sonho em particular nunca se tornaria realidade.

— Bem vamos ver. O que devo dizer sobre mim que você ainda não
sabe? Eu sou uma enfermeira... espere, você provavelmente sabe disso,
certo? — Quando Lexi assentiu, Olivia passou a explicar que não trabalhava
mais no sistema de hospital público. — Eu trabalho em uma instalação
médica particular de propriedade da Homeland agora.

— Oh, uau. Isso parece emocionante.


Olivia encolheu os ombros. — Isto é. Exceto quando eles trazem
alguém da Alpha Team. Essa é a única parte do trabalho do meu marido que
eu odeio.

Lexi podia entender isso. Ela esteve no limite o tempo todo que Trevor
esteve fora. — Como você lida com isso. O medo de que algo aconteça com
ele enquanto ele está em uma operação?

A outra mulher deu um sorriso triste. — Depois de tudo que passei,


acho que aprendi que a vida é curta para todos nós, não importa quais sejam
nossos empregos. Quer dizer, não me entenda mal... Não consigo imaginar
minha vida sem Jake. Mas, se algo acontecesse com ele enquanto ele
estivesse fora em trabalho, eu gostaria de pensar que poderia pelo menos
encontrar conforto em saber que ele morreu fazendo o que amava...
ajudando aqueles que mais precisam.

— Uau.

Olivia enrugou seu lindo nariz de botão. — Muito extravagante?

Lexi deu uma risadinha. — De jeito nenhum. Na verdade, é uma ótima


maneira de ver isso. — Mordendo o lábio inferior, ela começou a perguntar
outra coisa, mas não tinha certeza de como dizer. Aparentemente, ela não
escondeu seus pensamentos muito bem.

— Está tudo bem, Lexi. — Olivia pousou a mão no ombro de Lexi. —


Você pode me perguntar qualquer coisa. Eu sou praticamente um livro
aberto.

Nesse caso...

— Você sabe qual foi o último trabalho deles?

Olivia gemeu. — Ok, então você pode me perguntar qualquer coisa,


menos isso.

— Oh. — Lexi mordeu o lábio novamente.


— Não porque eu não quero te dizer. É porque eu não posso. Não
tenho ideia de qual foi o último trabalho deles. Ou a maioria dos trabalhos,
por falar nisso.

— Oh. — ela disse novamente. — Eu percebi que já que você era


casada...

— Não. — Então a outra mulher revirou os olhos exageradamente e


usou aspas no ar quando disse: — É confidencial.

Lexi riu. Ela podia ver Olivia totalmente como alguém de quem ela
poderia ser uma boa amiga.

Sentindo-se mais à vontade do que durante toda a noite, Lexi disse: —


Ele pareceu um pouco diferente depois que recebeu o telefonema, só isso.
— Lexi pensou por um momento e então — Ok, tudo bem. Você não pode
me falar sobre o trabalho dele. E sua vida amorosa.

— Oh, isso eu totalmente falaria... se o homem tivesse uma. Claro,


acho que ele quer ter uma, agora... com você, quero dizer.

— Então, realmente faz muito tempo que ele não sai com alguém?

— Pelo que eu sei, você é a primeira mulher com quem ele sai desde
que o conheci. Eu sei que você é a primeira mulher com quem ele se
preocupou o suficiente para apresentar à equipe.

— Bem, eu não diria que ele realmente nos apresentou porque


ele quis. Conheci Derek quando ele veio com Trevor para comer no
restaurante onde trabalho. Eles têm ido para lá com certa regularidade,
ultimamente.

— Uh huh. — Olivia olhou para ela com conhecimento de causa. — E


por que você acha isso?

Lexi pensou por um momento, então corou. — Oh.

— Sim, oh.
— Então, por que ele ainda está solteiro? — A pergunta desabafada
de Lexi fez Olivia rir, mas Lexi disse: — Estou falando sério. O cara é lindo
de morrer. Ele tem um emprego estável - embora perigoso - bem
remunerado. Ele é engraçado e legal... o que eu não estou vendo?

Olivia sorriu. — Não há nada de errado com Trevor. Ele é um dos


homens mais doces e cuidadosos que já conheci. — Ela deu um tapinha no
joelho de Lexi e se concentrou em seu olhar. — Honestamente. — Então,
Olivia inalou profundamente, seu sorriso ficando um pouco triste. — A
história dele não é minha para contar. Tudo o que posso dizer é que ele está
pronto para começar um futuro com alguém. E... — Olivia cutucou o ombro
de Lexi — Pelo jeito que parecia e soava quando ele estava me contando
sobre você, você é essa pessoa.

Lexi não tinha certeza do porquê, mas ela queria que Olivia soubesse
que ela sentia o mesmo pelo homem que era seu amigo.

— Eu também gosto muito dele. Mais do que muito, na verdade.

A outra mulher sorriu largamente. — Eu gostaria que pudéssemos ter


nos conhecido antes desta noite. Claro, eu realmente não descobri sobre
você até esta noite. Ainda quero sufocar aquele meu marido por me manter
no escuro.

Lexi deu uma risadinha. — Bem, com a tempestade de merda que tem
sido minha vida ultimamente, nós realmente não tivemos a chance de
apresentações antes. Ou até mesmo para um encontro de verdade ainda.

Olivia sorriu tristemente. — Lamento que você esteja passando por um


momento tão difícil. Posso dizer honestamente que entendo exatamente o
que você está passando.

— Oh, eu não posso nem comparar minha situação com a sua. O que
aquele homem fez com você foi... Não consigo nem pensar em uma palavra
ruim o suficiente para descrevê-lo.
— Obrigado. Algum dia, contarei a você o que aconteceu depois que
voltei para casa. — Quando as sobrancelhas de Lexi se curvaram para
dentro em confusão, ela disse: — Essa parte não foi ao noticiário.

— Como você lidou... depois.

— Honestamente, foi difícil no começo. E você deve estar preparada,


apenas no caso. Esta é uma área muito unida, e o que aconteceu esta noite
provavelmente já está no noticiário. Felizmente, o seu não vai chegar ao
noticiário nacional como o meu. Isso foi um pesadelo por si só. — Olivia
balançou a cabeça. — Mas, você pode ter repórteres abordando você,
então esteja ciente disso. Embora, com Trevor ao seu lado, duvido que seja
um problema para você.

— O que você quer dizer?

— Os caras do Alpha Team da RISC são todos iguais. Eles podem ter
o coração de santos, mas são todos um bando de touros superprotetores
quando se trata de manter suas mulheres seguras. Não vejo Trevor deixando
ninguém que você não conhece ficar a três metros de você.

Lexi começou a negar a alegação de que era a mulher de Trevor, mas


Olivia não permitiu.

— Não se preocupe, querida. Eu vi o comportamento dele quando


falava de você antes de eu entrar aqui. Confie em mim. Eu conheço bem
aquele homem, e se há uma coisa em que você pode acreditar é que o
coração dele já pertence a você.

Engolindo em seco, Lexi piscou contra a onda de emoções que as


palavras de Olivia trouxeram. Ela sabia o que sentia por Trevor, mas estava
se perguntando se ele sentia o mesmo. Ela rezou para que Olivia estivesse
certa.

— Além disso, não tenha medo de se apoiar em Trevor... ou em mim,


por falar nisso... se precisar de nós. Ser atacada assim, duas vezes, deixaria
qualquer um nervoso e sobre sua cabeça. Se você começar a se sentir
assustada ou oprimida, fale com Trev. Ele é um ótimo ouvinte. Ou você pode
me ligar. Vou usar qualquer desculpa para sair para tomar uma boa xícara
de café e um tempo de menina. — Olivia sorriu.

Depois de conversar por mais alguns minutos, as duas mulheres


tinham acabado de se encaminhar para a porta do quarto quando houve
uma batida rápida e ela se abriu. Trevor colocou a cabeça para dentro.

— Vocês duas estão bem?

Olivia sorriu por cima do ombro para Lexi antes de alcançar a


maçaneta e abri-la o resto do caminho. — Sim, Trevor. Estou bem e sua
garota também, aqui.

— Sim? — ele perguntou, parecendo genuinamente aliviado. Ele olhou


para Lexi.

— Eu te disse antes. Estou bem.

Seus ombros largos relaxaram e ele sorriu aquele sorriso bonito. —


Bom.

Como posso ficar com raiva dele por se importar tanto?

Olivia olhou para Trevor, depois para Lexi e de volta para Trevor. —
Tudo bem então. Eu diria que meu trabalho aqui está feito. — Ela deu um
abraço em Lexi, dizendo que Trevor tinha seu número. Sua nova amiga a fez
prometer que ligaria se precisasse de alguma coisa. Então, ficando na ponta
dos pés, ela deu um beijo na bochecha de Trevor e um abraço.

— Estou feliz que você esteja bem também.

— Estou bem, Liv. Obrigado por ter vindo.

— A qualquer momento.

— Seu marido está esperando por você na sala de estar.

Lexi não pôde deixar de notar como o sorriso de Olivia cresceu ao


ouvir isso. O amor que ela sentia por Jake era inspirador.
Depois que aqueles dois foram embora, eram apenas Trevor e Lexi,
mais uma vez.

Trevor deu um passo hesitante em sua direção. — Espero que você


não esteja muito chateada por ela ter vindo. Eu sei que provavelmente
deveria ter perguntado a você primeiro, mas ela ligou e você estava no
chuveiro...

— Está tudo bem, Trevor. Mesmo.

Ele não se aproximou, o que ela achou decepcionante. Ele tinha sido
diferente com ela desde o ataque. Distante.

Lexi se aproximou dele. — Você está bem? Você levou o pior da


queda.

— Eu estou bem. Fiquei chateado porque o cara fugiu. — Ele ergueu


a mão lentamente, como se tivesse medo de tocá-la. As pontas dos dedos
dele acariciaram levemente o ponto dolorido em sua bochecha. — Puto por
você ter se machucado de novo. Sinto muito, Lex.

— Por quê? Você salvou minha vida.

— Você se machucou porque eu não estava aqui para protegê-la. Eu


deveria ter estado aqui, com você... não perseguindo algum maldito
fantasma. — Ele se interrompeu, o olhar em seu rosto dizendo a ela que ele
quase tinha falado demais.

— Você não é a razão de eu ter sido atacada, Trevor. Você é a razão


de eu ainda estar viva. Eu nem quero pensar sobre o que teria acontecido
se você não tivesse aparecido quando apareceu.

Seus olhos perfuraram os dela. — Há outra coisa que eu quero te


dizer. Eu ia esperar, mas depois desta noite, percebi que precisava dizer
isso... antes de perder minha chance.

— OK. — Lexi esperou nervosamente. Nenhuma boa conversa


começava assim.
— Não quero ver mais ninguém. Sei que não definimos regras básicas
para essa coisa entre nós, mas quero que sejamos exclusivos.

Lexi exalou, aliviada por saber que era isso que ele queria discutir. —
Eu quero a mesma coisa. Eu não namoro mais de uma pessoa ao mesmo
tempo, Trevor. Eu nunca fiz isso. É assim que eu sou.

Trevor olhou profundamente nos olhos de Lexi. — Bom. — Ele se


aproximou um pouco mais. — Você era a única coisa que pensava na
viagem de avião para casa.

Borboletas dançavam dentro dela. — Eu não parei de pensar em você


o tempo todo em que você esteve fora.

Sua boca perfeita se inclinou em ambos os cantos. — Estou feliz por


termos resolvido isso. — Trevor se inclinou e deu-lhe um beijo suave e
doce. Lexi queria mais, e ela poderia jurar que ele queria também. Mas seus
olhos deslizaram para seu hematoma, e de repente ele se afastou antes que
ela pudesse tentar fazer mais.

De uma forma quase assustada, ele se virou e começou a andar pelo


corredor. — Está com fome? Posso preparar algo para nós ou pedir.

— E-eu realmente não estou com tanta fome. — ela disse, suas pernas
curtas tentando alcançá-lo. Por que ele estava indo embora tão rápido?

Ela o seguiu até a cozinha, onde ele foi até a geladeira e tirou algumas
garrafas de água. Entregando uma a ela, ele foi até um armário e tirou um
frasco de ibuprofeno. Abrindo a tampa, ele colocou dois comprimidos na
palma da mão e os entregou a ela também.

— Aqui. Isso vai ajudar com seus músculos doloridos.

— Obrigada. — ela murmurou, pegando os comprimidos dele. Usando


a água que ele acabou de dar a ela, ela os engoliu rapidamente. — Eu
realmente não me sinto muito mal, no entanto.

— Você pode mais tarde. Esperançosamente, isso ajudará a detê-lo


na passagem.
Lexi acenou com a cabeça. — Provavelmente vou tomar um pouco
antes de ir para o trabalho amanhã, também. Apenas no caso de...

Trevor olhou para ela como se ela tivesse crescido seis cabeças de
repente. — Trabalhar? Você não vai trabalhar amanhã.

— Hum, sim... eu vou. Eu trabalho no primeiro turno amanhã.

— Bem, ligue para Joe e diga a ele que você não pode entrar. Melhor
ainda, me dê o número dele e eu falarei com ele. Eu sei que ele vai entender
se eu...

Agora, foi a vez dela olhar para ele como se ele tivesse perdido
algumas bolinhas de gude. — Você não está ligando para Joe, e nem eu.

Colocando sua garrafa de água no balcão da cozinha, Trevor olhou


para ela incisivamente e disse: — Um de nós está ligando para ele, porque
você não está trabalhando enquanto esse cara ainda está solto. Fim de
discussão.

Então, como se tivesse acabado de declarar a Lei Marshall, Trevor


contornou ela e foi para a sala de estar.

Fim de discussão? Oh, acho que não, senhor.

Seguindo-o, Lexi decidiu deixá-lo saber exatamente o que ela pensava


sobre seu pequeno plano. — Isso definitivamente não é o fim desta
discussão. Não posso simplesmente ligar, Trevor. Eu tenho
responsabilidades.

— Sim? — Ele se virou para encará-la. — Eu também. Chama-se


mantê-la viva.

Lexi revirou os olhos. — Não é como se eu estivesse caminhando por


algum beco escuro sozinha à noite. Eu estarei no restaurante cercada por
pessoas o tempo todo que estiver lá.
Trevor descansou as mãos nos quadris, e ela não deveria estar
pensando sobre o quão sexy e poderoso ele parecia. Não quando ela estava
tão brava com ele.

— Lockwood se intensificou, Alexis. Você entende o que isso significa?

Ok, agora isso foi apenas um insulto. — Claro que eu sei. Eu não sou
estúpida, Trevor.

Ele fechou os olhos e respirou fundo. — Sinto muito, Lex. Não estou
tentando sugerir que você seja. É só que... com caras como esse, uma vez
que eles começam a levar as coisas para o próximo nível, eles geralmente
continuam até conseguirem o que querem. Mesmo que isso signifique atacar
em plena luz do dia, rodeado por testemunhas.

— Eu entendo o que você está dizendo, Trevor. Eu realmente entendo.

Balançando a cabeça, ele a chocou ao dizer: — Acho que não.

— Com licença?

— Eu faço isso para viver, Alexis. Eu conheço caras como Lockwood.

Ela jogou as mãos para o alto, sua voz aumentando uma oitava. —
Você fica dizendo o nome dele, mas nem sabemos ao certo se era ele!

— Não importa! — A voz de Trevor ecoou por seu apartamento,


fazendo Lexi pular. Lexi se virou e foi para o quarto quando ele implorou a
ela. — Angel, espere. Apenas me escute por um minuto. Por favor.

Caramba. Voltando-se, ela não pode deixar de soar ríspida quando


perguntou: — O quê?

— Eu não sei o que você sabe sobre Olivia, mas...

— Eu sei quem ela é e o que foi compartilhado nas notícias — ela


interrompeu. Com uma voz um pouco mais calma, ela acrescentou: — Olivia
disse que algo aconteceu com ela depois que foi resgatada e voltou para
casa. Ela me disse que algum dia compartilharia o resto da história comigo.
Trevor acenou com a cabeça. — Olivia e eu somos bons amigos, e eu
sei que ela ficaria bem se eu compartilhasse um pouco dessa história com
você agora. Especialmente se isso ajudar a convencer você de que estou
certo sobre isso.

Mordendo a língua, Lexi esperou que ele dissesse tudo o que achava
que precisava dizer.

— O pesadelo de Liv a seguiu até sua casa. Para encurtar a história,


o homem que a sequestrou originalmente queria vingança por algo que não
era culpa dela. Ele conseguiu que outra pessoa tentasse sequestrá-la... do
hospital onde ela trabalhava. Durante o dia.

— Oh meu Deus.

— Agora, você vê?

— Bem... — Lexi pensou por um momento. — Eu realmente sinto


muito pelo que Olivia passou. Não consigo nem imaginar, mas Trevor...
Tenho que trabalhar. Eu não tenho escolha.

— Sim, você tem.

— Não, eu não tenho. Agora, você é aquele que não entende. A


companhia elétrica não se importa se alguém está tentando me matar ou
não. Tenho contas que tenho que pagar e, ao contrário de você, não tenho
uma tonelada de dinheiro escondido que eu possa usar para viver até que
ele seja pego.

A compreensão cruzou seu rosto. Sua voz se suavizou. — Eu cuidarei


de suas contas, Lex.

Ficando mais frustrada a cada minuto, Lexi quase gritou: — Não vou
deixar você pagar minhas contas, Trevor. Percebo que você está tentando
ajudar, mas sou perfeitamente capaz de cuidar de minhas
responsabilidades.
— É por isso que você tinha um sobressalente pronto para usar
quando o outro pneu foi rasgado? Por que você pode cuidar de si mesma?
— Seu tom sarcástico a levou ao limite.

Furiosa, Lexi olhou diretamente nos olhos dele e disse: — Vá para o


inferno.

— Droga, Alexis. — Ele passou a mão frustrado pelo lindo cabelo. —


Se você parasse de ser teimosa por um segundo e ouvisse o que estou
tentando dizer, você veria que estou tentando ajudá-la.

— Oh, eu ouvi você alto e claro. Pobre garçonete Lexi. Sua mãe
morreu, ela teve que desistir de seu sonho e agora ela não pode nem mesmo
se dar ao luxo de tirar uma folga do trabalho para se salvar de um psicopata
com problemas de ego. Eu entendo tudo isso, mas quer saber, Trevor? Não
se trata apenas de mim. Não posso simplesmente ligar para Joe e dizer que
nunca vou voltar. Não vou deixá-lo desse jeito. Não depois de tudo que ele
fez por mim.

— Joe pode cuidar de si mesmo.

Lexi deu a Trevor um sorriso triste. — Mas eu não posso. É isso que
você está dizendo, certo? Bem, pelo menos seus verdadeiros sentimentos
sobre mim finalmente chegaram à superfície.

Ela se virou e pisou forte pelo corredor até o quarto. Ela sabia que
Trevor a estava seguindo, mas isso não a impediu de entrar e pegar sua
mala. Ela o jogou na cama e abriu o zíper apressadamente.

— É minha própria culpa, realmente. Eu deveria saber que você era


bom demais para ser verdade. — E caramba, se uma lágrima não caísse
sobre sua bochecha. Ela o limpou com raiva e pegou os poucos produtos de
higiene que trouxera da pia do banheiro.

— Lexi? — Trevor parecia quase em pânico. — Angel, o que você está


fazendo?
— Eu estou indo para um hotel. — ela jogou os itens na bolsa sem se
importar como eles caíram.

— Não, você não vai.

Ela se virou para ele. — Vê? É isso. Esse é o problema. Você acha que
pode simplesmente mandar em mim sem nenhuma consideração
pelos meus sentimentos. Não sou uma cliente que contratou você,
Trevor. Eu deveria ser alguém de quem você gosta. Esta noite você disse
que era meu namorado, mas nos últimos quinze minutos, de repente, você
começou a agir mais como meu chefe.

— Porque estou tentando mantê-la segura. — ele rangeu seus dentes


perfeitos.

— Sabe, dormir comigo uma vez não dá a você o direito de me dizer


o que posso e o que não posso fazer. — Ela fez uma pausa para respirar
fundo e tentar se acalmar. Ela precisava entender como este homem doce
e gentil se tornou tão diferente em questão de minutos. — Por que você está
agindo assim? — ela perguntou baixinho.

— Você está brincando comigo? Você acabou de ser


atacada. Atravessamos a porra de uma janela. Você poderia ter morrido ou
pior, e... — Ele engoliu em seco, sua voz mais baixa. — Acabamos de nos
encontrar, Lex e eu não podemos... não posso perder você também.

Como se de repente percebesse o que havia dito, Trevor parou de falar


e quebrou o contato visual. O olhar assombrado que tomou conta dele a
apavorou.

— Q-quem você perdeu?

Trevor piscou e ergueu o olhar de volta para ela. — O que?

— Quem era ela?

Ele balançou a cabeça e piscou um pouco mais. — Eu... uh... eu não...


Desesperada para entender, Lexi engoliu a última gota de sua raiva e
sussurrou: — Por favor, Trevor. Fale comigo.

***

Trevor sabia que não devia pressionar Lexi do jeito que tinha feito. Ele
nunca deveria ter ordenado que ela parasse de trabalhar. E, Deus, do jeito
que ele acabou de falar com ela... sua mãe ficaria tão
envergonhada. Ele estava envergonhado.

Mas ele entrou em pânico. O pensamento dela voltando ao trabalho


enquanto aquele bastardo ainda estava aqui, sabendo que ele poderia
chegar até ela novamente, enviou uma onda de medo através de seu
sistema diferente de tudo que ele já conheceu.

Ela estava tentando explicar por que era tão importante para ela
continuar trabalhando, mas ele não deu ouvidos. Sua necessidade inata e
desesperada de mantê-la segura assumiu o controle, e ele agiu como um
idiota total por causa disso.

Ele não a teria culpado se ela tivesse saído e nunca mais falado com
ele. Felizmente, ela ainda estava aqui, aqueles olhos azuis bebê implorando
para que ele se abrisse e lhe desse sua alma.

Trevor não queria contar a ela. Ele não queria que Lexi fosse tocada
por seu passado pecaminoso. Ele percebeu agora, se ele queria alguma
chance de um futuro com ela, ele tinha que lhe contar.

Engolindo o nó gigante em sua garganta, Trevor olhou para ela e disse:


— Eu estava com a Delta Force. Não sei se já te disse isso.

— Não. — ela respondeu suavemente. — Você me disse que era ex-


militar, mas eu não tinha ideia de que você era das forças especiais.
Por alguma razão, o fato de que ela sabia que Delta era um especialista
em operações o fez sorrir. Isso rapidamente desapareceu, no entanto,
enquanto ele continuava dizendo a ela a única coisa que ele nunca quis que
ela soubesse.

— Vários anos atrás, minha equipe Delta estava em uma operação que
deu errado.

— Você perdeu alguém de sua equipe?

— Dois homens... e uma mulher.

Compreensão misturada com suas lágrimas não derramadas. — Eu


sinto muito.

Trevor pigarreou. — Ela e eu...— ele fez uma pausa. — Era


casual. Nós nos importávamos um com o outro, mas não era como...

— Nós? — ela terminou por ele.

Ele assentiu. — Nós éramos amigos. Alguns dias... — ele fez uma
pausa novamente, não se sentindo confortável em discutir essa parte com
Lexi. — Alguns dias, éramos mais.

— Está tudo bem, Trevor. — Lexi ofereceu sinceramente. — Eu sei


que você tinha uma vida antes de nos conhecermos. Estou feliz que você
teve alguém de quem você se importou durante esse tempo.

— Eu me preocupava com ela.

Lexi deu um pequeno sorriso. — Eu posso dizer. Qual era o nome


dela?

O que ele estava fazendo? Ela não precisava ouvir tudo isso. — Lexi,
eu não acho...

— Se você quer que eu entenda esta necessidade repentina e feroz


de me proteger, então eu preciso ouvir mais de você do que apenas uma
ordem do que posso ou não posso fazer. Eu preciso que você fale comigo,
Trevor. Por favor... — ela fechou a distância entre eles e colocou a mão em
seu braço — Deixe-me entrar.

Não havia como ele negar qualquer coisa a ela quando ela olhava para
ele do jeito que ela estava naquele momento. — Lisa. Seu nome era Lisa. Ela
era uma ligação da CIA designada para o nosso grupo para um objetivo
específico.

— O que aconteceu?

— Nós fomos emboscados. Seu ativo traiu a equipe e caímos direto


em uma armadilha. Lisa foi levada. Eles a torturaram antes de matá-la.

— Deus. Isso é horrível.

— Foi minha culpa, Lex. Eu dei a liberação naquele dia, e ela e aqueles
dois homens foram mortos por causa disso. Eu não confiava no ativo, mas
Lisa sim. Eu a deixei me convencer a ouvi-lo e seguir em frente com o plano.

— E porque você se sente responsável pelo que aconteceu com ela,


você tem medo de me deixar fora de sua vista por medo de que algo
aconteça comigo.

Suas palavras lhe deram mais alívio do que ele jamais imaginou que
poderiam. Não só ela realmente parecia entender, ela não estava olhando
para ele com nojo como ele temia.

Trevor já estava no meio do caminho, mas naquele exato momento,


ele se apaixonou por ela o resto do caminho.

Lexi mordeu o lábio inferior nervosamente. — Eu sei que você não


pode me dizer detalhes, mas... este último trabalho teve algo a ver com o
que aconteceu com Lisa e seus companheiros de equipe?

A pergunta dela o surpreendeu. — Os detalhes são confidenciais, mas


sim. Os dois eram relacionados.

— Sua tatuagem... você fez para eles, não é? Duas etiquetas de


identificação para os companheiros de equipe que você perdeu e...
— A espada no meio para Lisa. — ele terminou seu pensamento
quietamente, não surpreso que ela descobrisse que sua tatuagem estava
relacionada ao que aconteceu. — Ela não era militar, mas era tão guerreira
quanto os homens que perdemos. Então, em vez das etiquetas de
identificação, dei a ela a espada.

— Isso foi realmente fofo. Tenho certeza de que todos eles teriam
adorado. — Trevor acenou com a cabeça em resposta, esperando em
silêncio enquanto ela pensava por um momento. Então, Lexi olhou para ele
e sorriu. — Ok, então que tal isso. E se nós fizermos um plano?

O mesmo pânico começou a se instalar, mas desta vez ele não se


deixou controlar. — Lexi…

Ela colocou uma de suas mãozinhas no peito dele. — Apenas me


escute. E se eu concordar em ficar na sua casa por uma semana. Isso será
muito tempo para minha janela e porta serem consertadas, e mostrar a você
e a todos os outros que eu simplesmente tive uma sorte fantasticamente
ruim, e esta noite realmente foi apenas uma invasão doméstica aleatória.

Trevor estreitou os olhos para ela. — Qual é o resto desta negociação?

Ela sorriu. — Ainda tenho que ir trabalhar.

Ele abriu a boca para discutir, mas ela o interrompeu. — Essa parte
não é negociável. Trabalhei muito para manter minha independência e, quer
você goste ou não, nem sempre posso contar com você para tudo. Eu
preciso seguir meu próprio caminho. Pelo menos por enquanto. Além disso,
Joe é como uma família para mim. Eu não posso simplesmente me levantar
e desistir dele.

Com ambas as mãos, Trevor começou a esfregar lentamente seus


braços para cima e para baixo. — Eu ouço o que você está dizendo, Lex. Eu
realmente estou ouvindo. Mas, com certeza, Joe pode encontrar alguém
para cobrir seus turnos nos próximos dias. Se isso faz você se sentir melhor,
posso emprestar o dinheiro que você estaria ganhando e você pode me
pagar. Mais tarde.
Em um movimento surpresa, Lexi recuou e saiu de seu
alcance. Cruzando os braços na frente, ela respondeu: — Vou ficar aqui por
duas semanas e ainda trabalhar.

Apesar de suas emoções conflitantes, um canto da boca de Trevor se


ergueu. — Você dirige uma barganha difícil, Srta. Hamilton.

Ela levantou uma sobrancelha, parecendo muito fofa para seu próprio
bem. — Então, você concorda com meus termos do acordo?

Ele abriu um sorriso largo e começou a caminhar lentamente em


direção a ela. Descansando as mãos nos quadris dela, ele disse: — Contra-
oferta.

Ela ergueu uma sobrancelha. — Estou ouvindo.

— Você fica comigo por duas semanas, trabalha em seus turnos


programados, mas eu levo você de e para o trabalho todos os dias. E você
não deve, em hipótese alguma, sair da lanchonete enquanto está no
trabalho. Sem exceções.

Ele prendeu a respiração enquanto ela considerava seu pedido. Ele


tinha certeza de que ela concordaria, mas então a pele entre suas
sobrancelhas se franziu e ela perguntou: — E quanto ao seu horário? Não
quero que minha bagunça interfira no seu trabalho. É muito importante e...

Trevor a parou com um dedo em seus lábios. — Baby, você é meu


trabalho.

— Mas... — o protesto dela foi abafado por seu dedo.

— Sem desculpas. A partir de agora, você está oficialmente sob a


proteção da RISC.

Seus olhos se arregalaram e ela começou a balançar a cabeça. Ainda


bem que ele estava pronto para isso. — E antes que você diga qualquer
coisa, Jake aceita alguns casos pro-bono todo ano. Ele já concordou em me
dar todo o tempo que eu precisasse para cuidar de você até que
descubramos tudo isso.
Ela estendeu a mão e agarrou seu pulso, puxando sua mão de sua
boca para que ela pudesse falar. — Deve haver coisas mais importantes que
você pode fazer pela RISC do que isso.

Segurando o lado ileso de seu rosto, Trevor travou seus olhos com os
dela. — Não há nada mais importante para mim do que você. Nada. — Ele
se inclinou e a beijou lentamente, em seguida, se afastou. — Esse é
o meu negócio. É pegar ou largar.

Ela fingiu fazer beicinho. — Você me beijou. Isso é trapaça.

— Nunca aleguei jogar limpo, Angel.

Ela sorriu e colocou os braços em volta da cintura dele. — Bem, acho


que poderia haver coisas piores do que ter este corpo guardando o meu.

Uma sensação de alívio o inundou. — Obrigado Angel. Pelo


entendimento.

Ela se levantou e pressionou seus lábios nos dele. — Graças a você.

— Pelo que?

— Por me deixar entrar.

O coração de Trevor se encheu de emoção. Ele se abaixou e levou a


mão direita dela ao peito, logo acima do coração. — Você já entrou,
bebê. Bem aqui, desde o momento em que te vi pela primeira vez.

Ele não disse as palavras ainda. Em vez disso, ele passou a noite
usando suas mãos, seus lábios, seu corpo para transmitir como se
sentia. Ele não se importava que eles apenas tivessem começado a se ver.

Esse relacionamento era certo. Ela era a certa. Ela era tudo.
Cinco dias depois...

— Eu ia perguntar como vão as coisas entre você e Lexi, mas o jeito


que você tem usado aquele sorriso bobo o dia todo resume tudo.

Trevor desviou sua atenção do arquivo em suas mãos para o homem


sentado atrás da grande mesa. — Bastante. — Ele sorriu, nem mesmo se
preocupando em esconder o quão feliz estava.

Os últimos dias com Lex foram ótimos. Sim, era uma merda ela estar
na casa dele porque Lockwood ainda não tinha sido pego, mas eles usaram
o tempo para se conhecerem ainda mais.

Era quase assustador o quanto eles realmente tinham em comum. Eles


compartilhavam o mesmo gosto em quase tudo... música, filmes, livros. Ela
até disse a ele que sempre quis aprender a atirar com uma arma.

Ela estava de folga amanhã, então ele planejou uma pequena surpresa
para ela. Primeiro, ele iria levá-la para um bom almoço, depois para o rancho
de Jake. Eles passariam a tarde no campo de tiro particular lá e então iriam
dar um passeio nos cavalos de Jake.

Olivia e Jake já tinham as coisas planejadas para que houvesse um


piquenique esperando por eles em uma das colinas com vista para o
horizonte. Seria o primeiro encontro formal deles... e o dia em que ele
finalmente diria a ela como realmente se sentia.

— Lá está aquele maldito sorriso, de novo.

Trevor piscou e encontrou Jake olhando para ele com um sorriso largo
e conhecedor. Ele pigarreou. — Achei que deveríamos escolher os caras
para nossa nova equipe RISC, não ficar sentados tagarelando como um
bando de garotas.
— Vamos, Trev. Jogue-me a porra de um osso, aqui. Olivia está se
esforçando para descobrir mais. Ela jura que você está planejando propor
amanhã. Ela acha que essa é a razão para o encontro de um dia inteiro
terminar em um piquenique romântico ao pôr do sol.

— Eu planejei fazer todas aquelas coisas com ela amanhã porque ela
trabalhou nos últimos dois dias. Além disso, com toda a merda que está
acontecendo, ela e eu não tivemos a chance de realmente sair como um
casal. — Jake deu a ele um olhar compreensivo. — E o quê, você se casa e
de repente tem que começar a reunir informações para levar de volta para
sua esposa?

Jake encolheu os ombros, sem vergonha. — O que posso dizer? Eu


trago para casa as mercadorias sobre você e sua garota, e ela... faz o
pagamento.

— Entendo. — Trevor levantou a mão. — Olivia é como uma irmã para


mim, então, por favor... poupe-me dos detalhes. Por falar na sua esposa,
alguma palavra do Mike?

Mike Bradshaw, irmão de Olivia, havia encerrado recentemente um


período de dez anos trabalhando como agente secreto. Ele voltou para o
casamento de Jake e Olivia, mas Trevor não tinha visto ou ouvido falar dele
desde então.

— Ele liga para Liv cerca de uma vez por semana. Não quer que ela
pense que ele está de novo trabalhando como agente duplo. — Trevor inalou
profundamente. — Eu esperava convencê-lo a ser o líder do Bravo Team,
assim que descobrirmos qual desses caras queremos.

— Mas?

Jake encolheu os ombros. — Diz que não está pronto. Não posso dizer
que o culpo. O cara mais do que merece algum tempo de
inatividade. Enfim... — Jake fechou o arquivo na frente dele — Piadas à
parte, estou feliz por você, cara. Lexi parece ótima. E você... — ele deu a
Trevor um olhar avaliador — Bem, você parece mais feliz do que eu acho
que já te vi. Claro, é incrível o que ter a mulher certa em sua vida pode fazer
por você.

Só então, Derek entrou vagarosamente. — Nossa, eu posso


praticamente sentir meus ovários crescendo com todo o estrogênio nesta
sala.

Jake riu. — Pensei que tinha ido embora.

D balançou a cabeça. — Nah, eu estava verificando uma possível pista


sobre Lockwood. — Então, sério demais para o gosto de Trevor, ele
acrescentou: — Você não vai gostar do que eu encontrei.

Isso fez com que os dois homens se sentassem eretos. O coração de


Trevor bateu um pouco mais rápido do que antes. — O que é? Você o
encontrou?

— Sim, mas...

— Bem, onde ele está? Ele foi pego?

— Em uma maneira de falar, sim. Ele é atualmente um paciente em um


hospital em San Diego. Acontece que ele não levou a coisa toda de não
beber e dirigir muito a sério.

— Ele está destruído? — Trevor perguntou.

Derek entregou a Trevor uma impressão do relatório do acidente. —


Acidente de veículo único fora da rodovia 179.

— Você alertou as autoridades sobre as acusações aqui? — Jake


perguntou.

— Eles teriam aparecido quando o internaram. Mas, Trevor, ouça...

Trevor passou a mão pelo cabelo e suspirou alto. — Graças a


Deus. Lexi ficará muito aliviada. — Ele se virou para Jake e inclinou o queixo
para as pastas na mesa de Jake. — Podemos terminar isso mais tarde? Eu
quero ir para a lanchonete e deixá-la saber que ele não é mais uma ameaça.
— Isso é o que estou tentando dizer a você, cara. — Derek estava
ficando agitado. — Robert Lockwood nunca foi a ameaça.

O alívio que Trevor sentiu rapidamente começou a desaparecer. — O


que? O que diabos você quer dizer? Ele a atacou.

— No supermercado, com certeza. Mas Trev, Lockwood destruiu o


carro há sete dias. Ele está em coma desde então. Ele está em aparelhos de
suporte vital e, de acordo com as notas do médico, eles não esperam que
ele acorde tão cedo... se isso acontecer.

A compreensão das palavras de seu amigo começou a se estabelecer.


— Se ele esteve no hospital na última semana, então...

— Ele não era a pessoa na casa de Lexi. — Jake concluiu o


pensamento aterrorizante.

Medo e preocupação agitaram seu intestino. — Eu tenho que ir.

Praticamente correu do escritório de Jake, Trevor tinha acabado de


chegar à área de recepção do RISC quando Derek veio correndo pelo
corredor, gritando para ele parar.

— Trevor, espere!

Irritado, Trevor se virou e viu Derek e Jake correndo em sua


direção. — Eu não posso esperar. Preciso chegar até ela, D. Se Lockwood
não é nosso cara, então outra pessoa está atrás dela. Ele poderia ser
qualquer um. Eu preciso ir ao restaurante. Agora.

Ele estendeu a mão para a porta, mas as próximas palavras de Derek


o pararam. — A lanchonete vai estar no chão quando você chegar.

— O que? — Isso não fazia sentido. — Que diabos você está falando?

— Meu irmão está no telefone. — Derek bateu na tela. — Eric, você


está no viva-voz. Trevor está comigo. Repita o que você acabou de me dizer.
A voz de Eric West veio pelo telefone, junto com o som de uma sirene
próxima. — Os bombeiros e o EMS foram enviados ao Joe's quinze minutos
atrás. Alguém colocou fogo no lugar, cara. Estou indo para lá agora.

Um raio de choque foi direto pelo sistema de Trevor. — Lexi. — ele


sussurrou, nem mesmo percebendo que tinha falado em voz alta.

Com uma mão em seu ombro, Derek disse: — Vamos, irmão. Eu te


levo lá.

Depois do que pareceram horas mais tarde, Trevor, Derek e Jake


entraram no estacionamento da lanchonete. Trevor não esperou o carro de
Derek parar completamente antes de pular do lado do passageiro e começar
a correr em direção ao prédio em chamas.

— Lexi!

Ele gritou o nome dela o mais alto que pôde, mas sua voz foi engolida
pelo barulho das chamas e pelas poderosas mangueiras dos caminhões de
bombeiros. Isso não o impediu de gritar por ela novamente.

Uma oficial uniformizada que parecia ter cerca de vinte anos colocou-
se diretamente no caminho de Trevor. — Me desculpe senhor. Você não
pode estar aqui.

Trevor estava a cerca de dois segundos de deitar a garota no chão. Ele


contornou a jovem e continuou andando.

Movendo-se surpreendentemente rápido, a oficial contornou Trevor,


bloqueando seu caminho mais uma vez.

— Senhor, vou ter que insistir para que você se vire e saia
imediatamente.

— Minha namorada trabalha aqui. Eu preciso vê-la. Eu preciso saber


se ela está bem. — Os olhos de Trevor examinaram a cena, mas ele não a
viu em lugar nenhum. Desta vez, ele quase empurrou a oficial para fora de
seu caminho. — Alexis! — Ele gritou novamente.
— É isso. — a policial começou a tirar as algemas quando Eric West
se aproximou e rapidamente neutralizou a situação.

— Está tudo bem, Hirtler. Eles estão comigo. — A mulher parecia


confusa, mas acenou com a cabeça e deu um passo para trás.

Trevor nem tinha percebido que Derek e Jake o haviam alcançado, até
então. Todo o seu foco estava em encontrar Lexi.

Para Trevor, Eric disse: — Você tem que se acalmar agora, ou vou
deixar a policial Hirtler jogar sua bunda na prisão por interferir. Você
entendeu?

Em vez de responder, Trevor olhou para o que restava do restaurante


de Joe. Não havia nada mais do que a concha de um edifício, e as chamas
não estavam nem perto de terminar com ele ainda.

— Ela está aqui, Eric. Ela estava trabalhando esta noite. Eu estava me
preparando para ir buscá-la quando você ligou para Derek.

— Ela não está aqui, Trev.

Seus olhos se voltaram para os de Eric. — Então, onde ela está? —


Ele se lembrou da ambulância pela qual passaram na rodovia. Ele estava
indo na direção oposta que eles estavam... em direção ao hospital. Oh
Deus. — Ela estava machucada? Era ela na ambulância?

— Me escute. — Eric falou devagar, como se estivesse falando com


uma criança. Isso fez Trevor querer socá-lo na garganta. — Lexi não está
aqui. A ambulância que você viu estava transportando o dono da lanchonete
para o hospital.

— Joe? — Ah, que diabo. Lexi ficaria arrasada se Joe tivesse se ferido
gravemente.

Eric acenou com a cabeça. — Ele foi o único encontrado dentro da


lanchonete quando os bombeiros e a ambulância chegaram. Ele não estava
gravemente queimado, mas inalou muita fumaça e não estava respirando
quando o alcançaram.
Os olhos de Trevor encontraram as chamas novamente. — Você tem
certeza de que ela não estava lá? Diga-me que você tem certeza, Eric. Diga-
me que Lexi não está aí em algum lugar.

— Ela foi primeira pessoa que eu procurei quando entrei em cena. Não
havia mais ninguém na lanchonete, Trevor. O lugar não é tão grande, e os
caras me garantiram que procuraram em todos os lugares. Joe estava
sozinho.

Sua cabeça parecia estar girando. Parte dele ficou aliviado além das
palavras, mas a outra parte...

— Se ela não estava lá na hora do incêndio, então... — ele olhou ao


redor novamente — Onde ela está?

Os olhos de Eric deslizaram para os outros dois homens, então de volta


para Trevor. Com uma empolgante simpatia brilhando em seus olhos azuis,
o irmão de Derek disse: — Não sabemos.

***

Lexi acordou com uma dor de cabeça lancinante e algo pegajoso na


lateral do rosto. Ela estava fraca e desorientada, mas pela vida dela, ela não
conseguia descobrir o porquê.

Quando ela abriu os olhos lentamente e olhou ao redor da sala


desconhecida, ela começou a se lembrar do que aconteceu. Parte dela
desejou que ela não tivesse feito isso.

Ela estava no restaurante. Eles tinham acabado de fechar e ela e Joe


estavam terminando a limpeza. Lexi estava enchendo os porta-guardanapos
em todas as cabines enquanto Joe levava o lixo para fora. Ela se lembrou de
voltar para a cozinha e gritar o nome de Joe quando o viu deitado imóvel no
chão.
Lexi tinha acabado de se aproximar dele quando uma dor cegante
explodiu na lateral de sua cabeça. Agora, ela estava aqui, nesta sala vazia
de aparência industrial. Um armazém. Lexi não tinha certeza de como, mas
ela sabia que estava em algum tipo de depósito.

Havia uma seção inteira de novos depósitos sendo remodelados fora


da rodovia, apenas alguns quilômetros ao sul da lanchonete. Talvez este seja
um daqueles? Mas ela não tinha ideia de qual ou como ela tinha chegado
aqui. Pior ainda era o fato de que ninguém mais sabia também.

Uma lágrima escorreu por sua bochecha, mas ela a ignorou. Ela tinha
que se concentrar em encontrar uma maneira de sair daqui. Ainda na
neblina, Lexi tentou se levantar para procurá-lo, percebendo então que
estava amarrada à cadeira de madeira em que estava sentada. Uma corda
pesada mantinha seus pulsos e tornozelos no lugar.

O pânico se instalou a tal ponto que ela quase hiperventilou. Porém,


era inútil, ela trabalhou tão duro quanto pôde para soltar os braços. A única
coisa que ela conseguiu fazer foi cortar os pulsos em pedaços.

Ela tinha que sair daqui, mas como? Mesmo sabendo que os
resultados seriam os mesmos, os instintos de sobrevivência de Lexi a fizeram
lutar contra as cordas novamente. Ela começou a pensar que se sangrasse
o suficiente, ela seria capaz de deslizar pelo menos uma das mãos e se
libertar.

Ignorando a dor cortante em seus pulsos e a latejante em sua cabeça,


ela passou os próximos minutos trabalhando no único plano em que
conseguia pensar. Seu sangue começou a pingar no chão de concreto
embaixo dela.

Outro pensamento passou por sua mente. Um que a deixou totalmente


derrotada. Ela iria morrer aqui. Sozinha e com medo. A pior parte de tudo
era saber que ela nunca veria Trevor novamente.

Trevor. Seu belo rosto passou por sua mente. Ela pensou na noite
anterior e na maneira terna e amorosa como ele fez amor com ela. Assim
como ele fez todas as noites desde seu último ataque.
Uma gargalhada histérica escapou antes que ela pudesse detê-la. Há
um mês, sua vida era entediante. Previsível. Então, ela conheceu Trevor, e
uma nova e maravilhosa parte de sua vida começou a florescer. Infelizmente,
o mesmo aconteceu com uma quantidade de perigo sem
precedentes. Vê? Sorte fantasticamente péssima.

Não. Ela não estava desistindo. Lexi sempre se viu como uma lutadora
e, droga, ela iria lutar agora. Empurrando a dor, ela continuou com as
cordas, concentrando-se apenas na mão direita. Se ela pudesse soltá-la, ela
poderia usá-la para desamarrar a esquerda, então ela poderia libertar seus
tornozelos e dar o fora daqui.

A corda começou a ficar um pouco mais solta quando a porta de metal


do quarto se abriu lentamente. O rosto do outro lado era o que ela tinha visto
antes, mas não era o que ela esperava.

Trevor tinha certeza de que Rob era o homem com quem eles tinham
que se preocupar. Ela não achava que ele iria a tais medidas extremas, e
disse isso a Trevor. Esta foi uma vez que ela odiava estar certa.

Se fosse Rob, ela poderia falar com ele. Faze-lo recobrar o juízo e
deixá-la ir. Ela não tinha ideia de quem era esse cara. Só que ele tinha sido
cliente dela algumas vezes nas últimas semanas. Por alguma razão, isso a
apavorou ainda mais.

O homem era mais baixo do que a estatura de 1.90 de Trevor. Se Lexi


tivesse que adivinhar, ela diria que ele tinha cerca de 1.70,1.75. Ele se vestia
todo de preto, assim como na noite em que invadiu sua casa, exceto que ele
não estava usando o boné.

Isso não poderia ser bom. Ela tinha visto programas de crime o
suficiente para saber se o sequestrador deixava você ver o rosto deles, eles
provavelmente não planejavam deixar você ir.

Engraçado, ele não se parecia com o que ela imaginaria um


sequestrador. Ele era realmente muito bonito. Gina até comentou sobre ele
na primeira vez que ele entrou, e Lexi a encorajou a tentar conseguir seu
número. Felizmente, pelo bem de Gina, o homem não demonstrou interesse.
Seu cabelo era de um castanho mais claro, seus olhos escuros como
os de Trevor. Ele estava bem barbeado e seus traços eram quase
perfeitamente simétricos, fazendo-o parecer mais atraente do que a maioria.

Ela permaneceu quieta até que ele sorriu lentamente. O olhar em seus
olhos era de loucura, o que só aumentava o medo que ameaçava dominá-
la.

— Você está acordada. — disse ele calmamente. — Bom. Podemos


começar.

Tentando não vomitar, Lexi gaguejou: — Q-quem é você. O que você


q-quer?

O homem riu. — O que eu quero? Essa é uma pergunta muito boa,


Alexis.

— Você esteve no restaurante. É assim que você sabe meu nome. —


Ela estava orgulhosa que sua voz saiu um pouco mais forte dessa vez.

— Oh, eu sei muito sobre você, Alexis Ranae Hamilton. A única filha
de Tarrie Ranae Hamilton. Você era uma aspirante a chef até sua mãe
morrer e teve que desistir desse sonho.

Oh Deus. Ela realmente ia ficar doente. — C-como você sabe sobre


isso?

— Eu sei tudo! — A saliva saiu voando de sua boca enquanto ele


gritava. — Incluindo o fato de que alguns pecados nunca podem ser
perdoados.

A mente de Lexi girou com pensamentos e perguntas. Quem era esse


cara? O que ele queria com ela? Ele era algum psicopata obcecado por ela,
ou havia mais do que isso?

— O...o que você fez com o Joe?

O olhar de simpatia que o homem deu a ela claramente não era


genuíno. — Eu sinto muito. O bom e velho Joe não sobreviveu.
Lágrimas encheram seus olhos instantaneamente. — Você o matou?

— Eu? Nah. — O homem sacudiu a cabeça. — Mas tenho certeza de


que o fogo que eu provoquei sim.

Incêndio? Oh Deus. Pobre Joe. As lágrimas deslizaram por ambas as


bochechas quando o peito de Lexi começou a se agitar com o ritmo de suas
respirações rápidas. — Diga-me o que você quer. — ela deixou escapar. —
Diga-me o que você precisa e... t-talvez... talvez eu possa ajudá-lo.

O homem riu, seu comportamento mudando rapidamente. — Oh, não


se preocupe. Você já está me ajudando.

Ele se aproximou dela então, parando um pouco antes de chegar à


cadeira. Com um toque surpreendentemente gentil, ele tirou alguns fios de
cabelo de seu rosto. Lexi tentou se afastar dele, mas era impossível dada a
maneira como ela estava amarrada.

— É hora de ele finalmente aprender como é.

— Quem? Do que você está falando?

— Você vai descobrir em breve.

Lexi abriu a boca para perguntar mais alguma coisa. Ela não tinha
certeza do que, mas se ela pudesse mantê-lo falando, ela pensou que talvez
pudesse ganhar algum tempo para pensar em uma maneira de sair dessa
bagunça. Ela nunca teve a chance.

Antes que ela pudesse fazer um som, a mesma mão que tinha sido tão
gentil segundos antes voou em direção ao seu rosto. O golpe jogou sua
cabeça para o lado, e ela imediatamente sentiu o gosto de sangue.

Se ela pensava que sua cabeça doía antes, isso não era nada
comparado a agora. — P-por favor. — ela começou a implorar, mas era
tarde demais.

O homem estava em uma missão. Aparentemente, seu objetivo era


vencê-la até que ela perdesse a consciência novamente. Missão cumprida.
***

— Tente o telefone dela novamente.

Os outros membros da equipe ergueram os olhos para ele, mas


ninguém se moveu. Grant Hill estava estoicamente atrás do sofá, olhando
por cima do ombro de D enquanto digitava em seu teclado sofisticado. Mac
e Coop sentaram-se cada um nas duas poltronas reclináveis que Trevor
tinha, e Jake estava voltando depois de encher sua caneca de café pela
terceira vez nas últimas duas horas.

No momento em que perceberam que Lexi estava desaparecida, Jake


chamou os outros. Ele sugeriu que organizassem tudo no escritório, mas
Trevor insistiu em voltar aqui, para seu apartamento.

Nos últimos dias, esta tinha sido a casa de Lexi. Ele sabia que era um
tiro no escuro, mas se ela de alguma forma conseguisse escapar de quem
quer que a tivesse levado, ele queria estar aqui, apenas no caso.

— Eu disse, tente o telefone dela novamente.

Sentado no sofá de Trevor com a mesa de centro puxada para perto,


Derek olhou para os três monitores que estava usando para tentar localizá-
la. — O telefone dela está desligado. Como eu disse antes, não consigo
obter um sinal se não for...

Sem paciência, Trevor gritou: — Tente a porra do telefone de novo!

Todos na sala permaneceram em silêncio. Todos, exceto Jake.

— Eu sei que você está chateado, Trevor. Confie em mim, eu


entendo. Mas você precisa tentar ficar calmo.

Trevor olhou para seu amigo como se ele tivesse perdido a cabeça. —
Você está falando sério agora? Você está me dizendo para ficar calmo? O
que, como você estava quando Liv foi levada? — Seu amigo se
encolheu. Trevor sabia que era um golpe baixo, mas ele não conseguia se
conter. — Já se passaram mais de cinco horas, Jake. Você sabe o que pode
acontecer nessa hora.

— Sim, mas não sabemos de nada ainda.

— Oh, nós sabemos muito. Sabemos que alguém além de Robert


Lockwood tentou sequestrar Lexi de sua casa na outra noite, e aquele
mesmo bastardo está com ela agora. Nós sabemos que quem quer que seja
queimou a porra da lanchonete até o chão, quase matando Joe no
processo. Nós sabemos que eu estava tão preso ao fato de que Lockwood
era nosso cara, esse tempo todo, que eu não abri meus olhos de merda para
a possibilidade de que pudesse ser outra pessoa. Ela está lá fora em algum
lugar agora, esperando que eu a encontre, exceto que eu não posso, porque
eu não tenho a porra de uma ideia por onde começar. Portanto, não fique aí
parado e me diga para me acalmar! — Quando terminou, Trevor estava
gritando com toda a força de seus pulmões, sua voz ecoando nas paredes
de seu apartamento.

— Todos nós pensamos que era Lockwood, Trev. — Derek


interrompeu.

— Ele está certo. — Coop concordou. — Eu sei que não tenho sido
tão ativo com essa coisa toda quanto Derek, mas ele e Jake mantiveram
Mac, Grant e eu atualizados com o que está acontecendo. Com a maneira
como ele agiu com ela na lanchonete, depois com o pneu furado e com o
que aconteceu no supermercado naquela noite, parecia uma conclusão
lógica a se fazer. Estávamos todos na mesma página que você com este,
Trevor. Todos nós perdemos isso.

— Sim? Bem, eu era quem deveria protegê-la. Fui eu quem deixou


esse cara entrar bem debaixo do meu nariz e tirá-la de mim. Eu sou aquele
que nunca disse a ela... — Ele se conteve.

Sem outra palavra, ele girou nos calcanhares e abriu a porta de correr
que levava à sua varanda privada. Ele então a fechou com tanta força que
ficou surpreso que o vidro não se estilhaçou.
Trevor caminhou até a grade da varanda e apertou-a entre os dois
punhos. Apesar de suas palavras raivosas agora, ele travou os cotovelos e
fez o possível para acalmar o coração acelerado. Inspirando pelo nariz, ele
soltou uma respiração lenta e constante e tentou pensar em qualquer coisa
que tivesse perdido. Algo que daria uma dica de quem havia levado Lexi.

Em vez disso, ele foi inundado com imagens de seu rosto


sorridente. Ele a imaginou no restaurante, sorrindo enquanto anotava o
pedido de alguém. Ele a viu rindo em sua cozinha enquanto ele roubava seu
bacon, então a carregava para seu quarto e fazia amor com ela pela primeira
vez. Trevor a imaginou embaixo dele... gemendo e corando de
excitação. Perdida em uma paixão diferente de qualquer outra que ele já
conheceu.

Ele a amava. Certo ou errado, cedo demais ou não... Trevor a


amava. E agora ela se foi, arrancada de suas mãos antes que ele tivesse a
chance de dizer a ela.

Ah, meu Deus. Pendurando a cabeça entre os ombros, ele fechou os


olhos com força. Duas lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Ele ainda estava
de pé assim quando ouviu a porta deslizando abrindo e fechando atrás dele.

Rapidamente, ele enxugou o rosto com as mãos enquanto Jake


caminhava até ele. Sem dizer uma palavra, seu amigo aproximou-se dele
com duas garrafas de cerveja abertas nas mãos.

— Nós vamos encontrá-la.

Trevor poderia dizer que seu amigo acreditava de todo o coração no


que ele acabara de dizer. Trevor gostaria de ter a mesma certeza. Ele pegou
a cerveja da mão estendida de Jake e a inclinou contra os lábios. Trevor
engoliu um grande gole do líquido gelado antes de falar.

— Quando? — ele perguntou quase sem emoção. — Não sabemos


para onde ele a levou. Não sabemos em que tipo de veículo ele estava.
Inferno, nem mesmo sabemos para que direção eles foram depois que
deixaram a lanchonete.
— Eu entendo que você está frustrado, Trevor. — a voz baixa de Jake
retumbou. — Eu realmente entendo.

Trevor se virou para Jake, tentando não soar como um idiota total. —
Você entende? Porque você estava dentro daquela sala me dizendo como
eu precisava me acalmar. Como diabos vou ficar calmo sabendo que aquele
idiota está com ela? Quando eu não tenho ideia do que ele está fazendo com
ela?

Ele não esperou por uma resposta. Em vez disso, ele se virou e tomou
outro gole de cerveja enquanto olhava para a cidade. — Ela está lá fora,
Jake. Ela está lá fora e não sei como ajudá-la. — Ele olhou para o amigo em
busca de orientação. — Como você fez isso?

— Fiz o que?

— Como você não desmoronou completamente quando Olivia foi


levada? É como... — sua respiração ofegante — Eu sinto que meu coração
está sendo arrancado do meu peito e eu não consigo recuperar o
fôlego. Não consigo respirar, Jake. — Ele olhou para o amigo, sua voz
falhando quando ele perguntou: — Por que não consigo respirar?

— Porque você a ama.

Mais lágrimas caíram do canto de seus olhos. — Eu amo.

Jake ergueu um canto da boca. — Eu sei. Então, você tem que se


agarrar a isso. E, para responder à sua pergunta, superei esse tempo com
Liv porque tinha você e o resto da equipe para me apoiar. Assim como você
nos tem agora. Estamos aqui para ajudá-lo, Trev. E não vamos parar até
encontrar Lexi e trazê-la para casa.

Trevor usou sua mão livre para enxugar os olhos novamente. — Deve
haver algo que eu perdi. Só não sei o que é.

O vidro deslizante se abriu e Derek enfiou a cabeça para fora. — Algo


acabou de acontecer. — Ele olhou para Trevor. — Você vai precisar ver isso.
— Eu vou ficar doente.

Fiel à sua palavra, Trevor chegou à lata de lixo da cozinha bem a tempo
para o conteúdo escasso de seu estômago sair correndo. Quando as
convulsões pararam, ele foi até a pia e enxaguou a boca antes de caminhar
rigidamente de volta para a sala.

— A boa notícia é que ela ainda está viva. — Mac ofereceu


suavemente. Todos eles viram as fotos que foram enviadas para a conta de
e-mail de Trevor.

— Ela foi espancada até virar uma polpa! — Trevor quase engasgou
quando olhou para a foto novamente.

Lexi estava sentada no meio de uma sala vazia. Ela foi amarrada a uma
cadeira, e alguém usou seus punhos nela. Um de seus olhos estava quase
fechado pelo inchaço. Ela tinha o nariz e o lábio sangrando, e a maçã do
rosto, que já estava machucada, foi golpeada com tanta força que se partiu.

— Alguma coisa que revela onde ela pode estar? — Grant perguntou
a ninguém em particular.

Esfregando a mão na nuca, Trevor fez o possível para estudá-la como


se fosse qualquer outro caso. Foi uma das coisas mais difíceis que ele já teve
que fazer, mas ele sabia que tinha que pelo menos tentar permanecer
objetivo. Ele tinha que permanecer forte. Por Lexi.

Quando Trevor encontra-se o bastardo que ousou machucar o que era


seu... — Eu vou matá-lo. Vou encontrar o filho da puta que fez isso e vou
rasgá-lo membro por membro.

— Não há uma pessoa aqui que irá impedi-lo. — Grant olhou para ele
solenemente.
— Eu estou supondo que você tentou rastreá-lo. — Trevor dirigiu a
pergunta a Derek, sua voz trêmula.

— Sim, sem sorte. Quem quer que o tenha enviado tem tantas
criptografias embutidas na porra da coisa que pode estar vindo da porta ao
lado, e eu não saberia disso.

— Droga. Isso não é bom. — Coop murmurou baixinho.

Todos os olhos se voltaram para Coop, que olhou para eles


confuso. — O que? Só estou dizendo, quando se trata dessa merda, D é o
homem mais inteligente que conheço. Se ele não consegue descobrir de
onde veio o e-mail, estamos ferrados.

Mac deu um soco no braço dele e murmurou algo que só ele podia
ouvir. Ela parecia fazer muito isso com Coop. Os dois lembravam Trevor da
maneira como Olivia e seu irmão, Mike, agiam quando estavam perto um do
outro.

— Sean está certo sobre uma coisa. — Derek disse, as pontas dos
dedos ainda voando pelo teclado. — Quem está fazendo isso é muito bom.
— Ele parou o tempo suficiente para olhar para Trevor e jurar: — Eu não vou
desistir, no entanto. Há uma maneira... eu só tenho que encontrá-la.

Com um aceno de cabeça, Trevor entrou na cozinha para pegar um


copo d'água. Ele ouviu um ding alto, seguido por Derek gritando para ele
voltar.

— Ele mandou outro. Uma mensagem digitada.

— O que está escrito?

Derek virou uma das telas para mostrar Trevor e os outros.

Trevor leu a mensagem em voz alta. — Os pecados do nosso passado


sempre encontram um caminho de volta ao nosso presente.

— O que diabos isso significa? — Grant resmungou.


Trevor balançou a cabeça. — Eu não faço ideia.

— Ela já mencionou algo sobre seu passado que voltaria para ela
assim? Um ex-namorado com um grande rancor, ex-colega de trabalho que
ela irritou... alguma coisa? — Jake perguntou.

— Não. Nada.

— Você tem certeza? — Derek olhou para ele. — Eu analisei seu


histórico e finanças, e ela está limpa nesse aspecto, mas...

— Mas o quê, D? — Trevor desafiou, não gostando de onde Derek


estava indo.

— Vocês dois não estão juntos há muito tempo. O quão bem você
realmente conhece esta mulher?

As mãos de Trevor instintivamente se fecharam em seus lados. — Não


faça isso. Não faça isso.

— Não há razão para ficar na defensiva, Trev. Só estou dizendo que...

— Eu sei exatamente o que você está tentando dizer. E eu estou


dizendo, eu não dou a mínima quanto tempo estamos juntos. Eu conheço
Lexi melhor do que qualquer outra mulher com quem já estive, e estou lhe
dizendo, isso não faz nenhum sentido.

— Sim, se não for sobre o passado de Lexi.

Todos os olhos se voltaram para Mac. Com os cotovelos sobre os


joelhos, a adorável-mas-mortal-loira foi arrastada para a borda da almofada
reclinável. Seus olhos azuis olharam diretamente para os de Trevor. — Isso
pode ser sobre você. Alguém pode estar usando Lexi para chegar até você.

As palavras de Mac o atingiram como uma tonelada de tijolos. A ideia


de Lexi ser usada para se vingar dele era quase insuportável.

— Ela está certa. — a voz profunda de Grant cortou o ar tenso. —


Sempre existe esse risco ao se envolver com caras como nós.
— Ou meninas. — Mac deu a Grant um olhar fedorento. Para Trevor,
ela perguntou: — Por que outro motivo esse cara a levaria e enviaria essa
foto e a mensagem para você?

Coop acrescentou seus pensamentos. — Pode ser que ele o esteja


observando. Vendo-os juntos, descobriu quem é Trevor e o que ele
faz. Inferno, você só precisa olhar onde ele mora para saber se ele tem
dinheiro, então esse cara poderia seguir você para casa uma vez e saber
que provavelmente ganharia algum dinheiro rápido levando sua garota.

Grant respondeu: — Não é disso que se trata.

— Como você pode ter tanta certeza? — Trevor perguntou.

— Se tudo que esse cara quisesse fosse dinheiro, ele já teria


pedido. Não enviar uma mensagem enigmática para caralho sobre os
pecados do passado e toda essa merda.

— Ok, então vamos tentar pensar. — Jake falou naquele tom de


liderança que ele tinha. — Que casos assumimos ultimamente que gerariam
um ato tão violento de vingança?

— Ah, inferno. Faça sua escolha, chefe. — Derek disse casualmente,


seu sotaque sulista se tornando mais proeminente conforme a noite
avançava. — Estamos sempre irritando alguém em algum lugar.

Trevor olhou para a foto de Lexi na tela do computador novamente. —


Se isso aconteceu com ela por minha causa... — sua voz falhou e ele não
conseguiu terminar a frase.

— Não sabemos se é isso, com certeza — Jake tentou tranquilizá-


lo. — Vamos dar um passo de cada vez. Derek, continue fazendo o que
puder para encontrar esse filho da puta. Hill, fale com o Ryker. Veja se ele
pode fazer alguma coisa para ajudar. Mac, você e Coop voltem para a
lanchonete e vejam se o irmão de Derek descobriu algo útil.
— Gente. — Derek tentou interromper, mas com Jake dando ordens
e Grant já falando ao telefone com Jason Ryker, o encarregado da
Segurança Interna, ninguém o ouviu.

— O que eu posso fazer? — Trevor perguntou, sentindo-se mais


impotente do que nunca.

Jake tirou as chaves do bolso e disse: — Você e eu estamos indo para


o escritório. Vamos puxar todos os arquivos de todos os casos até
descobrirmos quem diabos levou Lexi.

Ele e Trevor se dirigiram para a porta. Derek ergueu a voz, repetindo


mais alto desta vez — Gente!

Todos congelaram, então se viraram para o homem que ainda estava


sentado no sofá. Para Jake, Derek disse: — Não acho que isso seja
necessário.

— O que você quer dizer?

— Trevor acaba de receber outro e-mail. Não apitou desta vez porque
o seu tópico de email já estava aberto. — Ele olhou para Trevor, o
arrependimento em seus olhos como uma tocha em sua alma. — Eu sei por
que Lexi foi levada.

Trevor deu um grande passo para trás em direção a seu companheiro


de equipe. — Diga-me.

— Eu acho que é melhor se eu apenas mostrar a você.

Como antes, Derek girou o monitor do computador. O rosto sorridente


de uma mulher preencheu a tela inteira. Uma mulher que morreu há mais de
nove anos. Lisa.

Trevor e o resto ainda estavam tentando processar o que estavam


vendo quando a imagem começou a desaparecer e outra tomou seu
lugar. Era outra foto de Lisa, só que desta vez ela estava amarrada a uma
cadeira. Ela foi espancada... assim como Lexi.
Abaixo dessa foto, uma nova mensagem apareceu. Desta vez, foi
Derek quem leu em voz alta.

— Eles deram a ela seis dias. Sua namorada tem seis horas.

— Oh Deus.

As palavras não eram muito mais do que um sussurro, mas Trevor as


sentiu profundamente. Seus joelhos quase cederam, e ele não tinha certeza
de como conseguiu voltar para o sofá sem cair de bunda.

— Isso é sobre o que aconteceu na Síria. — disse ele em estado de


choque, sua voz completamente sem emoção. — Tudo faz sentido agora.

— O que? O que faz sentido? — Coop perguntou, claramente


frustrado.

— A mulher na foto é Lisa Warren. — explicou Jake. — Ela era a


ligação da CIA designada para a nossa equipe Delta Force.

Mac pareceu surpresa quando ela perguntou: — Aquela que Omar


Hadim traiu.

Jake acenou com a cabeça. — Sim. É ela.

— Espere. — Mac falou. — Então, alguém está chateado com o que


aconteceu com essa Lisa e de repente decide usar Lexi como um peão de
vingança, nove anos após o fato? Quem faria isso?

Trevor desviou o olhar da imagem e olhou para Mac. — Alguém que


me culpa pela morte de Lisa.

***

Lexi está machucada. Ela mal conseguia ver com o olho esquerdo, e
toda vez que tentava mover a boca, o corte no lábio voltava a se abrir. Seu
rosto era uma mistura de fogo e dor latejante, e a pior parte era que ela ainda
não tinha ideia do porquê isso estava acontecendo.

O homem continuou a bater nela até que ela perdesse a consciência


e, quando ela acordou, ele usou o telefone para tirar uma foto dela e então
ele se foi. Ele não tinha voltado desde então.

Ela iria morrer. Lexi sabia disso com tanta certeza quanto conhecia seu
próprio nome. Ela ia morrer, e tudo em que conseguia pensar era no fato de
que não tinha contado a Trevor que o amava.

Ela começou na noite anterior enquanto eles estavam fazendo amor,


mas se conteve. Com medo que fosse muito cedo, Lexi se acovardou e
decidiu esperar pelo momento perfeito. Agora, aquele momento perfeito
nunca chegaria.

Lágrimas quentes caíram do canto de seus olhos e, pela primeira vez


desde que ela foi levada, Lexi cedeu a seus medos. A tristeza e a
autopiedade dominaram sua vontade de lutar. Qual era o objetivo?

As cordas não se moviam, não importava quanto sangue fluía de seus


pulsos rasgados. Ela não tinha ideia de onde estava ou quem era o homem
que a levou. Pior de tudo, Trevor não tinha ideia de por onde começar a
procurá-la.

Um alto soluço ecoou pelas paredes nuas da sala enquanto ela desistia
do que restava de sua determinação e crença de que, de alguma forma,
escaparia. Este homem, quem quer que fosse, não estava disposto a apenas
deixá-la ir embora. E não importa o quanto ela desejasse, Lexi simplesmente
não era forte o suficiente para se soltar.

Pelo menos ela veria sua mãe novamente. Era o único forro de prata
na nuvem escura e mortal que a obscurecia.

Os batimentos cardíacos de Lexi aceleraram quando a porta do quarto


se abriu e o homem que a havia levado voltou mais uma vez. Ele estava
carregando um balde de plástico branco cheio de água e o que parecia ser
uma grande toalha de mão.
Ele iria lavá-la? Limpar o sangue de suas feridas? Isso parecia
estranho, considerando o fato de que foi ele quem derramou tudo em
primeiro lugar.

Ela viu quando ele colocou o balde no chão ao lado dela e jogou a
toalha sobre um de seus ombros para mantê-lo seguro. Sem dizer uma
palavra, ele se virou e foi embora.

Ok, isso era estranho. Lexi olhou para a água, sua boca seca
implorando por um gosto. Talvez fosse esse o seu plano. Ele tinha que saber
que ela estaria com sede, então ele... o quê? Torturando-a deixando a água
ao lado dela, mas não permitindo que ela bebesse?

Lexi ainda estava tentando descobrir o plano do idiota quando ele


voltou para a sala. Desta vez, ele estava usando as duas mãos para carregar
o que parecia ser uma mesa de madeira feita em casa. Ele grunhiu enquanto
a colocava no chão.

As pernas da mesa eram grosseiramente desiguais, fazendo com que


o tampo ficasse inclinado. Ela quase fez uma piada sobre a clara falta de
acabamento dos móveis quando notou duas tiras de couro, uma presa a
cada lado.

Oh Deus. Lexi ainda não tinha ideia do que ele havia planejado para
ela, mas ela sabia que não poderia ser bom. Ela observou o homem sair da
sala novamente, desta vez voltando com um tripé nas mãos. Depois de
configurá-lo, ele puxou o mesmo telefone que usou para tirar uma foto dela
antes e o posicionou em um suporte personalizado no topo do suporte de
metal.

Ela decidiu tentar falar com ele. Prendê-lo o máximo que puder.

— Se você está planejando conseguir dinheiro de resgate para mim,


você está sem sorte. — Droga, isso dói. Lexi lambeu o corte em seu lábio e
continuou. — Não tenho mais família, e talvez haja algumas centenas de
dólares guardados em uma jarra no meu armário em casa.
O homem se virou e olhou para ela com nojo. — Você acha que isso
é sobre dinheiro?

Respondendo honestamente, Lexi disse: — Não sei. Não tenho ideia


de porque você está fazendo isso.

Suas palavras pareceram agitá-lo ainda mais. — Estou fazendo isso


porque todos estão esquecidos. Ela morreu, e todo mundo continuou com
suas vidas como se nada tivesse acontecido.

— Ela? Q-quem é ela?

Olhos enlouquecidos perfuraram os dela. — A minha noiva.

— Sinto muito. — disse Lexi, surpresa que ela realmente


estava. Ninguém deve sofrer esse tipo de perda. — O que... o que
aconteceu com ela?

— Ela foi assassinada.

— Sinto muito. — ela disse novamente, principalmente porque não


sabia mais o que dizer.

— Você sente muito, eles sentem... todo mundo sente muito, mas
ninguém fará nada para o homem responsável por matá-la!

E isso tem a ver comigo, como exatamente? Essa era a pergunta que
ela queria fazer. O que ela realmente disse foi: — E-ele fugiu?

— Oh, o homem que fisicamente acabou com a vida dela foi morto há
muito tempo. Eu finalmente cuidei do cara que o ajudou, mas aquele...
aquele que era realmente o responsável? Ele ainda está lá fora. Ele ainda
está vivendo sua vida como se nada tivesse acontecido.

— Não entendo. Se este homem é realmente responsável pela morte


de sua noiva e você sabe quem é, então por que ele não está na prisão?

O cara soltou uma risada quase histérica, sua voz aumentando quase
uma oitava inteira. — Cadeia? — Ele riu novamente. — Ele é um dos garotos
de ouro do governo. Eles não vão colocá-lo na prisão. Eles dariam a ele uma
medalha de merda antes de jogar seu traseiro de menino bonito na prisão.

O cara não estava fazendo absolutamente nenhum sentido.

Ele se aproximou dela, então. Pensando que ele iria bater nela
novamente, Lexi se encolheu na cadeira o máximo que pôde. No entanto,
em vez de bater nela, ele começou a desamarrar as cordas de seus pulsos.

— Vou te ajudar. — Lexi estava desesperada para chegar até ele. —


Diga-me o nome dele... a pessoa responsável pela morte de sua noiva. Diga-
me quem é e ajudarei você a encontrá-lo. Eu tenho um amigo que faz esse
tipo de coisa para viver. Ele pode...

— Quem, Soldier Boy? — Ele riu de novo, agachando-se para


começar a trabalhar nas cordas de seus tornozelos.

— Soldado? — Lexi repetiu, seu tom não escondendo sua confusão.

Ainda rindo estranhamente, ele terminou sua tarefa antes de apoiar os


cotovelos nas coxas e dizer: — Sabe, acho que você deve estar no caminho
certo. Nós devemos entrar em contato com o seu amigo. Tenho certeza de
que ele ficará muito interessado no que tenho a dizer.

— Tudo bem. — disse ela com cautela. — E-eu não tenho o número
do telefone dele memorizado. Está no meu telefone e é... uma merda, está
na lanchonete. — Pensar que Joe ameaçava quebrá-lo, mas de alguma
forma ela conseguiu empurrá-los de volta e manter o foco. — O nome dele
é Trevor Matthews. Ele trabalha para uma empresa de segurança privada no
centro. RISC. Procure. Tenho certeza de que há um número de contato de
emergência ou algo assim.

O homem a ignorou divagando e a puxou da cadeira. Lexi teria caído


direto no chão se ele não a tivesse segurado com o braço em volta da
cintura. Ela se sentou naquela posição por tanto tempo que seus dois
membros inferiores adormeceram.
Ele a guiou até a mesa irregular. Ela tentou lutar, para usar isso como
sua chance de escapar. Mas com as pernas dormentes e os braços não
muito melhor, Lexi só conseguia se agitar como um daqueles caras de tubo
inflável que vira em lotes de carros usados.

Mais do que um pouco irritado, seu sequestrador a forçou a se deitar


com a cabeça na extremidade mais próxima do chão. Mais uma vez, ela
tentou se afastar, mas não adiantou. Ele era muito forte e tinha seus pulsos
feridos amarrados antes que ela pudesse se levantar da mesa.

— Eu quase esqueci o quanto você gosta de lutar. — ele zombou


enquanto caminhava até seu telefone apoiado.

Fazendo uma careta de dor do couro esfregando contra seus pulsos


em carne viva, Lexi gritou: — Espere! Achei... Achei que você disse que
podíamos ligar para o Trevor. Achei que você queria minha ajuda.

— Oh, eu quero sua ajuda, Alexis. Na verdade, você vai me ajudar


agora.

Ele bateu na frente do telefone e a tela se iluminou. Era muito pequena


e muito distante para ela perceber os detalhes, mas ela sabia exatamente o
que estava olhando... o homem acabara de abrir o aplicativo de vídeo em
seu telefone.

— O...o que você vai fazer?

Sorrindo para ela, ele disse: — Vamos dar um pequeno show ao


Soldier Boy.

Frustração misturada com medo. — Você fica dizendo isso. — Lexi


rangeu os dentes, sua voz ficando cada vez mais alta. — De quem você está
falando? Quem é o Soldier Boy?

Com uma expressão perplexa, o homem disse: — Você realmente não


sabe, não é?
Ela deixou sua frustração voar. — Eu sei que você é um filho da puta
doente que começa a machucar pessoas inocentes. Eu não fiz nada para
você. Nada!

— Você tem razão.

Suas palavras suaves a fizeram parar. — O que?

— Você não fez nada para mim. Seu namorado, no entanto, é um


assassino de sangue frio.

O choque reverberou por todo o sistema de Lexi. — V-você conhece


T-Trevor?

— Trevor Michael Matthews. — O homem cuspiu o nome de Trevor


como se fosse um palavrão.

Ele então começou a contar fatos sobre o homem que ela amava,
como se ele os estivesse lendo de seu dossiê pessoal. Fatos que Lexi só
aprendeu recentemente enquanto permanecia em sua casa.

— O único filho de Stephen e Judy Matthews. Cresceu em uma


pequena cidade nos arredores de San Antonio e ingressou no Exército
depois de terminar o ensino médio. Tornou-se um Operador da Delta Force
aos vinte e dois anos. — A voz do cara baixou quando uma expressão mortal
caiu sobre seu rosto. — E Trevor Matthews tinha 24 anos quando minha
noiva morreu como resultado direto de sua decisão.

Uma imagem começou a se formar na cabeça de Lexi. Pedaços da


história que Trevor contara na noite em que ela foi atacada em sua casa
ficaram frescos em sua mente. Quase um sussurro, ela disse: — Lisa. Sua
noiva era Lisa.

O homem correu em sua direção então. Sua mão se movendo


rapidamente em direção ao rosto dela. Agarrando o queixo dela entre seus
dedos fortes, seu aperto era doloroso enquanto ele gritava: — Você não diz
o nome dela! Seu namorado a mandou direto para a morte. Ele fez isso!
Seu domínio sobre ela tornou-se ainda mais forte a ponto de ela pensar
que ele iria esmagar sua mandíbula. Inclinando-se o suficiente para que as
pontas de seus narizes se tocassem, ele disse: — E agora ele vai aprender
exatamente como é assistir impotente enquanto a mulher que ama sofre e
morre.
— Trev?

A voz inesperada o fez virar. — Liv? O que você está fazendo aqui?

A esposa de Jake saiu para a varanda e fechou a porta deslizante atrás


dela.

— Conhecendo vocês do jeito que eu conheço, achei que você não


tinha feito uma pausa para comer. Trouxe algumas pizzas. Posso pegar
algumas fatias, se quiser.

— Obrigado. — disse ele com sinceridade. — Mas, não estou com


fome.

— Posso? — ela perguntou, gesticulando para a única outra cadeira


do pátio lá fora.

— Certo. — Ele deu a ela um aceno de cabeça.

Olivia suspirou. — É bom aqui fora. Pacífico.

Tentando muito não soar como um idiota completo, Trevor se virou


para a amiga e disse: — Liv. Eu sei que você tem boas intenções, mas eu
realmente não estou com humor para conversa fiada.

— Eu sei. — ela sussurrou com um sorriso. — Eu realmente não vim


aqui para conversa fiada.

— Então por que você está aqui? Mesmo?

— Para ter certeza de que você estava bem.

— OK? — ele disse sarcasticamente. — A mulher que amo está lá fora


em algum lugar, magoada e com medo. Algum idiota a pegou e está fazendo
Deus sabe o que com ela por causa de uma decisão que tomei há nove
anos. E o pior é que não tenho ideia de como encontrá-la.

— Jake me disse que o homem que a levou disse que ela tinha seis
horas.

Trevor olhou para o relógio pelo que devia ser a centésima vez nas
últimas duas horas. — Quatro, agora. — Ele engoliu em seco contra as
emoções que obstruíam sua garganta, e em um sussurro quebrado, ele se
virou para ela. — Ele vai matá-la em quatro horas se eu não conseguir
descobrir uma maneira de impedi-lo.

Alcançando o outro lado da pequena mesa posicionada entre as duas


cadeiras, Olivia pegou a mão de Trevor na dela e apertou.

— Eu sei que é difícil, mas você tem o melhor time agora, fazendo todo
o possível para encontrá-la. Não desista dela, agora.

— Eu não vou desistir dela. — ele disse brevemente. — Estou sendo


realista. — Puxando a mão dela, Trevor se levantou e caminhou até a
varanda. — Além de saber que isso está relacionado a uma operação que
fiz com a Delta há quase uma década, não temos nada.

Parada no mesmo lugar que seu marido estivera antes, Olivia sorriu
tristemente. — Você tem fé e determinação. — Ela colocou a pequena mão
em seu antebraço — E você tem amor. Isso não é nada.

— Não é o suficiente! — ele quase gritou, agindo exatamente como o


idiota que ele tentava tanto não ser. — Merda, sinto muito, Liv.

Ela simplesmente deu a ele um sorriso torto e disse: — Não sinta. As


emoções estão altas. Confie em mim, eu entendo. Não faz muito tempo que
eu estava no mesmo lugar que Lexi está.

— Eu sei. — disse ele, sentindo-se ainda pior por gritar com ela. —
Você já esteve lá. O que... o que você acha que ela está pensando agora?
— Eu não posso dizer o que está acontecendo na cabeça de Lexi com
certeza, mas se eu tivesse que adivinhar, provavelmente é muito parecido
com o que passou pela minha.

— Que era?

— Como eu não estava pronta para morrer. Eu não queria deixar as


pessoas que amava para trás. Continuei dizendo a mim mesma para não
perder as esperanças. Também me lembro de orar para que Jake, você e
os outros nunca desistissem de mim. — Lágrimas caíram dos olhos de
Trevor enquanto ela falava, mas ele não fez nada para detê-las. — Acima de
tudo, lembro-me de orar com tudo o que tinha para que Jake soubesse o
quanto eu o amava.

Trevor respirou fundo. — Eu nunca consegui dizer a ela que a amo. —


ele sussurrou, seu lábio inferior tremendo. — Eu... eu ia contar a ela amanhã
no piquenique.

Olivia passou a mão na própria bochecha úmida. — Eu sabia que seria


um momento especial para vocês dois.

— Eu queria que fosse perfeito para ela. Tudo tem sido uma bagunça
louca conosco, tanto quanto os encontros vão... Eu queria criar um dia que
ela nunca esqueceria. Ela trabalha muito e merece muito. E agora... — um
soluço se soltou — Ah, Deus, Liv. Eu não posso perdê-la. Agora
não. Acabamos de nos encontrar.

Com a mão no rosto, Trevor fisicamente tentou impedir que mais


lágrimas caíssem. Um conjunto de pequenos braços o envolveu e o segurou
com força enquanto seus ombros estremeciam e sua respiração engatava
novamente. Depois de alguns minutos, ele lentamente começou a recuperar
o controle.

Afastando-se do abraço de Olivia, ele fungou e passou a mesma mão


pelo rosto. Limpando a garganta, sua voz saiu áspera quando ele murmurou:
— Desculpe.
Olivia abanou a cabeça. — Você mais do que mereceu algumas
lágrimas depois de um dia como hoje. Não se preocupe. Apesar do que ele
pensa, não conto tudo ao meu marido.

Soltando uma risada fraca, Trevor agarrou sua amiga e deu-lhe um


abraço de verdade. — Obrigado, Liv.

Batendo em suas costas, ela sussurrou: — Você vai encontrá-la,


Trev. Eu sei que você vai.

— Uh... desculpe interromper. — a voz arrependida de Derek


interrompeu o doce momento entre amigos. Trevor e Olivia se viraram para
a porta. — Trev, você recebeu outra mensagem.

Preparando-se, Trevor se soltou do abraço de Olivia e seguiu Derek


de volta para seu apartamento.

Ele ficou surpreso ao ver o irmão de Derek entre os reunidos na sala


de estar. O agente da Homeland Jason Ryker também havia chegado e
estava do outro lado falando com alguém ao telefone.

Eric imediatamente veio ficar ao seu lado. Com a mão no ombro, o


detetive perguntou: — Como você está?

— Honestamente? No momento, me sinto meio... entorpecido.

— Estamos fazendo tudo o que podemos para encontrá-la,


Trevor. Você apenas tem que aguentar firme.

— Eu sei. Agradeço, Eric. Obrigado.

Os dois compartilharam um aceno de cabeça antes de Trevor olhar


para Derek. Mais uma vez, o menino gênio estava posicionado no sofá em
frente ao computador. Sabendo que não adiantava adiar o inevitável, Trevor
disse a ele: — Vá em frente. Abra a mensagem.

— Espere. — disse Olivia rapidamente. Com os olhos cheios de pesar,


ela olhou para Trevor e então Jake. — Eu não posso. Eu sinto muito. — Para
Trevor, ela prometeu: — Eu estarei aqui para você e Lexi depois que você a
encontrar e trazê-la para casa em segurança, mas é só... isso é demais. Eu
sinto muito.

— Nada para se desculpar, Liv.

Com um aceno triste, ela caminhou até ele e deu-lhe um beijo na


bochecha. — Fique forte, Trev.

— Eu vou. Por Lexi.

— Por Lexi.

— Vem cá neném. — Jake passou um braço ao redor de sua


esposa. — Vou acompanhá-la até o seu carro. — Jake olhou para ele
enquanto eles passavam e sabia que seu amigo precisava de um momento
com sua nova esposa.

Trevor se sentia um idiota. Ele estava tão preocupado com Lexi que
não tinha parado para pensar em como isso devia ser difícil para Jake
também. As memórias daquele dia aterrorizante quando Olivia desapareceu
ainda estavam cruas para ele também. Ele só podia imaginar as emoções
que tudo isso despertou em seus amigos.

Parecendo temer ver esta nova mensagem tanto quanto Trevor, Derek
esperou até que Jake e Olivia saíssem para clicar com o botão direito do
mouse.

Não havia texto desta vez. Apenas uma caixa vermelha com uma seta
branca no meio.

— Ele enviou um vídeo. — Derek murmurou desnecessariamente.

Com todos amontoados ao redor da parte de trás e nas laterais do


sofá, Derek olhou para Trevor para dar sinal verde.

Esfregando a mão em sua mandíbula tensa, Trevor deu a Derek um


aceno de cabeça. Com todos os músculos de seu corpo contraídos, ele
observou enquanto Derek clicava no mouse novamente.
Lexi não estava mais amarrada à cadeira. Em vez disso, ela estava
deitada em uma mesa de madeira inclinada. Havia um homem ao lado dela,
mas estava de costas para a câmera, então eles não podiam ver seu
rosto. Ele se moveu para o lado e Trevor teve que se esforçar para não olhar
para o rosto de Lexi.

Olivia estava certa. Lexi estava contando com ele e os outros para
encontrá-la, e ele não poderia fazer isso se estivesse muito perdido em suas
próprias emoções para se concentrar no que precisava ser feito.

— Você se saiu bem, Soldier Boy. — disse o homem, ainda sem olhar
para a câmera. — Sua garota é uma lutadora. — Ele correu um dedo
lentamente por um dos braços de Lexi. Trevor podia ver seus músculos
tensos com o toque do bastardo, e ele nunca quis matar um homem.

— Minha garota também era uma lutadora. — disse o homem,


virando-se de lado, mas ainda sem dar uma imagem clara de seu rosto.

— Ele tem que estar falando sobre Lisa. — Derek disse suavemente
de onde estava sentado.

Trevor estudou o homem no vídeo com olhos experientes. Ele não


tinha ideia de quem ele era.

— Eles espancaram minha Lisa até deixá-la inconsciente naquele


primeiro dia. — ele ofereceu, dando-lhes a confirmação de que isso era, de
fato, sobre o que aconteceu na Síria. — Dia dois, eles quebraram seus dedos
um por um. Dia três, eles a afogaram. — O homem se virou totalmente para
a câmera, dando-lhes uma visão perfeita de seu rosto. — Claro, você já sabe
disso, não é... Trevor?

Coop assobiou baixinho entre os dentes. — Cara, esse cara tem um


grande tesão por você.

— Shh. — Mac o repreendeu.

— Eu sei que você viu os mesmos vídeos que eu. — O homem da


gravação se aproximou da câmera. — Todos os dias, durante seis dias,
observei enquanto a mulher que amava, a mulher com quem eu deveria
passar o resto da minha vida, era torturada de uma maneira nova e
horrível. Você sabe o que eu fiz quando vi o vídeo final?

A dor encheu os olhos enlouquecidos do cara. — Eu implorei para ela


morrer. Eu estava assistindo, parte de mim sabendo que ela já tinha ido
embora quando o vídeo me alcançou, mas ainda assim. Sentei-me na minha
mesa e gritei no meu computador. Gritei com ela até minha garganta ficar
em carne viva, porque queria que ela parasse de lutar. Eu queria que ela
desistisse e parasse de deixar que eles a machucassem.

Lágrimas de raiva caíram do rosto do cara, mas ele não pareceu


notar. — E quando ela finalmente desistiu e deu aquele último suspiro
ofegante... você sabe o que eu fiz? — Ele fez uma pausa como se estivesse
realmente esperando que alguém respondesse, e então sussurrou: — Eu
ri. Eu ri de alívio porque sabia que ela não estava mais com dor.

Trevor observou enquanto o homem caminhava de volta para


Lexi. Seu coração parecia que ia disparar para fora do peito de medo do que
aquele homem poderia fazer com ela.

Gentilmente pegando a mão direita amarrada de Lexi na sua, ele


começou a acariciá-la quase como um amante faria. — Alexis tem mãos
lindas, não acha? Tão pequenas e delicadas.

— Ah merda.

As duas palavras mal saíram da boca de Mac quando o homem puxou


o dedo mindinho de Lexi para o lado. Seu grito se misturou com as vozes
enfurecidas vindo de dentro da sala de Trevor porque o homem tinha
acabado de quebrar o dedo de Lexi.

— Filho da puta! — Trevor realmente deu um passo em direção ao


computador. Ele queria rastejar através da tela e arrancar o coração do
bastardo de seu peito.

Seus olhos deslizaram para o rosto de Lexi, seu próprio coração


quebrando com a dor e o medo que ele encontrou ali. Ela estava ofegante e
gemendo, mas Trevor poderia dizer que ela estava tentando permanecer
forte. Exatamente como Olivia havia dito.

— Maldição. — Grant mordeu atrás dele. Nenhum dos caras tinha


estômago para assistir um homem machucando uma mulher. — Diga-me
que você tem algo que nos levará a esse filho da puta.

— Eu estou trabalhando nisso. — Os dedos de Derek voaram sobre o


teclado. Enquanto ele digitava, um monte de palavras e números que
ninguém mais na sala conseguia entender rolou rapidamente pelo segundo
monitor. — O problema é que não era uma transmissão ao vivo. Se ele nos
enviasse um desses, sei que poderia entrar.

— Jesus, isso é tão fodido. — disse Coop, caminhando em direção à


cozinha.

— Como você se sentiu com isso, Soldier Boy? — O homem do vídeo


perguntou. — Você está doente do estômago? Sente que vai vomitar porque
teve que apenas sentar lá e assistir a mulher que você ama ser torturada?

Ele se aproximou da câmera como antes. — Você ama Alexis, não é,


Trevor? Eu vi o jeito que você olhou para ela quando vocês dois conversaram
no restaurante. E a maneira como você correu de volta para a casa dela para
lhe dar aquele beijo fumegante de boa noite.

— Esse cara estava na porra do restaurante com a gente? — Derek


perguntou retoricamente, sua cabeça balançando até a de Trevor.

Mas Trevor não respondeu. Ele não conseguia formular uma única
palavra. Tudo o que ele podia fazer era ficar lá em estado de choque e
assistir.

— Minha Lisa teve seis dias, mas eu sou um bastardo impaciente. Em


minha última mensagem, eu disse, doce, a pequena Alexis tinha seis
horas. Isso foi há quase duas horas. O relógio está passando, Soldier
Boy. Acha que sua garota pode aguentar tanto tempo? — O vídeo terminou
abruptamente.
— Não! — Trevor começou a gritar, esquecendo que isso havia sido
gravado anteriormente e enviado para eles. Ele não queria nem pensar sobre
o que ela estava passando agora.

— Eu não entendo. Se você e Lisa eram amigos com benefícios... —


Mac comentou bem quando Jake voltou pela porta. — Então, por que esse
cara está agindo como se ela fosse dele?

— Porque ela era. — o Agente Ryker respondeu.

Jake parou quando viu as expressões solenes nos rostos de todos. —


O que aconteceu? — Eric o puxou para o lado para informá-lo.

— O que diabos você quer dizer com ela era dele? — Trevor se voltou
para Ryker. — Lisa não se envolveu com ninguém enquanto estávamos
juntos. Eu nunca teria estado com ela de outra forma.

— Eles não estavam juntos enquanto você estava com ela. Foi
antes. Até um mês antes de ingressar na unidade Delta Team no exterior,
Lisa Warren estava noiva desse cara. Seu nome é Anthony Young. Ele era
seu parceiro, mas foi transferido quando eles tornaram seu relacionamento
público. Política da empresa.

— Noiva?

— Acho que ela não te contou.

Trevor balançou a cabeça. — Não. Quer dizer, era casual. Nós dois
sabíamos que realmente não iria a lugar nenhum, mas ainda assim. Nós
conversamos sobre merdas pessoais o suficiente para que eu pensasse que
ela compartilharia algo assim comigo.

— Talvez ela não tenha te contado por que sabia que esse cara era
um idiota total.

Ryker olhou para Mac. — Você não está muito longe, na verdade.

— O que você quer dizer? — Grant perguntou baixinho.


— Para encurtar a história, Lisa interrompeu as coisas porque Young
se tornou muito possessivo. Ele começou a monitorar seus registros de
celular, com quem ela passava seu tempo depois do trabalho, esse tipo de
coisa. De acordo com um amigo próximo... —Ryker olhou diretamente para
Trevor — Foi o que a levou a se voluntariar para a missão com sua
equipe. Antes disso, ela só havia obtido informações de Hadim por meio de
um recurso de terceiros e chamadas em conferência por satélite.

Trevor passou a mão pelo cabelo já desgrenhado. — Jesus.

A voz de Mac ficou um pouco animada. — Isso significa que o que


aconteceu com Lisa, tecnicamente, foi culpa desse cara, Tony.

— Foi culpa de Omar Hadim. — Ryker declarou francamente. — Ele e


o filho da puta doente para quem ele trabalhava. Felizmente, aquele cara
recebeu o que estava vindo para ele anos atrás.

— Por que Young continua chamando Trevor de 'Soldier Boy'?

— De acordo com um colega de trabalho dele, é assim que Anthony


sempre chamava de Trevor quando falava sobre ele.

— Como diabos ele sabia sobre Trev em primeiro lugar? — Coop


perguntou enquanto voltava da cozinha.

— Aparentemente, Young foi para a faculdade com Shane Billows. —


Os olhos do Agente Ryker deslizaram para os de Trevor. — Eu acho que eles
eram muito chegados naquela altura.

Com seu corpo e mente já em uma sobrecarga emocional, Trevor nem


mesmo reagiu a essa notícia.

— Quem diabos é Shane Billows? — Coop exigiu.

Jake respondeu por Ryker. — Ele foi um dos dois homens que morreu
na armação no dia em que Lisa foi levada.
Até os olhos de Grant se arregalaram um pouco com isso. — Um dos
seus próprios companheiros de equipe estava dando a esse jovem filho da
puta informações sobre você e essa mulher Lisa?

— Isso é tão errado. — Mac balançou a cabeça.

— Ele pode não ter se reportado propositalmente a Young. — Ryker


disse, tentando diminuir o nível de raiva na sala. — Você tem que se
lembrar... Anthony Young era da CIA. Ele sabia como obter informações sem
parecer que estava procurando por informações.

Mac não estava acreditando. — Ainda parece muito confuso, se você


me perguntar.

— Nada dessa merda importa, agora! — Trevor praticamente


gritou. — Eu não me importo quem disse a Young o quê. Lexi é a única coisa
que importa. Ela é o que é importante.

— Sinto muito, Trev. Eu não queria...

— Eu não preciso de suas desculpas, Mac. Eu preciso encontrar Lexi


antes que aquele bastardo a machuque novamente. Antes que ele... mate
ela.

— Isso pode não ser possível. — Derek disse suavemente.

— O que você quer dizer?

Derek balançou a cabeça, sua expressão triste. — Quero dizer, a


menos que ele nos envie um feed ao vivo, não temos como encontrá-lo.

— Então, esperamos que esse cara nos envie um vídeo dele


machucando Lexi ainda mais, apenas em tempo real? É realmente isso que
você está dizendo? — Grant parecia tão chateado com a situação quanto
Trevor se sentia.

Em resposta à pergunta de Grant, Derek disse: — É tudo o


que podemos fazer.
***

Lexi nunca teve um osso quebrado antes, mas se ela conseguisse sair
dessa viva, ela faria tudo que pudesse para nunca ter outro
novamente. Porém, ele só quebrou seu dedo mindinho, a dor ardente
percorrendo sua mão e subindo por seu braço doía como uma cadela.

Deitada nas duras tábuas de madeira da mesa, ela teve que se forçar
a respirar lenta e continuamente para não vomitar. O homem fez aquela
gravação horrível para Trevor e depois a deixou sozinha novamente.

Ela ainda estava se recuperando do fato de que tudo isso estava


acontecendo por causa de Trevor. Não, não por causa de Trevor. Porque
este homem culpou Trevor por algo que não era culpa dele.

Lexi quase cedeu à tristeza que sentia. Não por si mesma, embora ela
não estivesse exatamente animada com sua situação. Seu coração estava
despedaçado com o pensamento de Trevor pensando que tudo isso era
culpa dele.

E como não poderia? O homem que a havia levado lhe disse isso.

— Oh, Deus, Trevor. — Lexi sussurrou entrecortada. — Eu sinto


muito.

Ela desejou que ele estivesse aqui para que ela pudesse dizer a
ele. Lexi queria que ele a ouvisse dizer que estava tudo bem. Que ela não o
culpava, e este homem - quem quer que fosse - estava errado. Isso não foi
culpa de Trevor. Nada disso foi.

Acima de tudo, Lexi queria poder dizer a Trevor pelo menos uma vez
antes de morrer que o amava.

Uma ideia começou a se formar. Talvez... talvez ela pudesse


convencer o louco a enviar um vídeo ao vivo para Trevor, em vez de gravá-
lo e enviá-lo após o fato. Parecia bobo, mas ela queria que ele a ouvisse dizer
as palavras enquanto ela as falava. E se ele pudesse ouvi-la, pode haver uma
chance de que ela pudesse ouvi-lo.

O que pareceu uma eternidade depois, o homem voltou a entrar na


sala. Ele passou por ela e foi até onde o balde estava ao lado da cadeira em
que ela estava amarrada. Lexi observou enquanto ele o pegava e o
carregava, colocando-o no chão ao lado de sua cabeça.

— É hora de fazer outro vídeo para o Soldier Boy. — ele disse, a


emoção brilhando em seus olhos.

Agora é sua chance, Lex. A necessidade de Trevor ouvir sua voz - e


ela, a dele - tornou-se tão intensa que ela teve que trabalhar fisicamente para
não soar muito ansiosa quando falasse.

— O-obrigado.

Suas palavras o fizeram parar. Parecendo suspeito, ele disse: —


Agora, por que diabos você me agradeceria?

Lexi engoliu em seco. — Eu estava deitada aqui pensando em como


sou grata por você ter enviado uma gravação, e não um vídeo ao vivo.

Agitado, ele mordeu: — Por quê?

— Eu estava ouvindo tudo que você disse a Trevor. Não consigo


imaginar o que você deve ter passado quando viu aquelas fotos de Li... de
sua noiva. — Ela quase disse o nome de Lisa novamente. Isso não tinha ido
tão bem da última vez, então Lexi estava grata por ter se contido.

— E? Onde você quer chegar?

— Bem, eu só estava pensando em como teria sido pior se você


tivesse sido forçado a assistir tudo enquanto estava realmente
acontecendo. — Ela deu a ele um pequeno sorriso e tentou encolher os
ombros, embora tenha sido difícil com os pulsos bem amarrados. — Eu sou
o tipo de garota esperta.

Ele realmente baixou a guarda. — Você tem razão. Isso teria sido pior.
Pela primeira vez desde que ele a pegou, Lexi viu um lado dele que
quase parecia... humano. Foi embora tão rápido quanto veio. Com olhos
mortais, ele olhou para ela e sorriu. — Isso teria sido muito, muito pior.

Então, sem outra palavra, ele se virou e saiu da sala, deixando Lexi se
perguntando se seu plano tinha realmente funcionado. Ela não teve que
esperar muito por sua resposta.

Ele voltou com um carrinho de metal segurando um monitor de


computador e um teclado. Parecia uma configuração complicada... muito
mais sofisticada do que o laptop barato que ela tinha em casa.

Rolando o carrinho com rodas para dentro da sala, o homem parou na


parede oposta, inclinando o monitor para capturar totalmente o rosto
dela. Ele se abaixou e clicou no teclado por alguns segundos, então se virou
para ela e sorriu.

— Agora é a minha vez de agradecer.

Confusa, Lexi disse: — Eu? P-por que eu?

Seu sorriso cresceu mais amplo. — O Soldier Boy estará com você a
cada minuto terrível. Ele sentirá sua dor como se fosse a dele. Saber que
tudo está acontecendo com você naquele exato momento e que não há
nada que ele possa fazer para impedir, será a retribuição final pelo que ele
fez à minha Lisa.

A náusea se instalou em seu estômago ao ponto que ela quase


engasgou. Lexi não tinha pensado nisso dessa forma. Ela só queria
compartilhar um momento final com ele. Estar com ele uma última vez, a
única maneira que ela sabia que poderia acontecer. A última coisa que ela
queria era causar-lhe mais desgosto do que já havia recebido.

Sentindo-se desanimada, Lexi deixou sua cabeça cair para trás contra
a madeira. Ela nem percebeu a pulsação em sua cabeça ou mão, seu medo
e adrenalina aparentemente o suficiente para diminuir a dor. — Se você vai
me matar. — ela sussurrou — Faça isso já.
— Matar você? Oh, não chegamos nessa parte ainda. Seu namorado
não sofreu o suficiente.

O rosto de Lexi desmoronou quando mais lágrimas escaparam, caindo


em suas têmporas. Deus, isso deve ser um inferno para ele. Ele já se culpava
pelo que aconteceu com Lisa... ele nunca se perdoaria por isso. O que eu
fiz?
— Se importa se eu sentar?

Trevor ergueu a cabeça das mãos para ver Jake parado ao lado
dele. — Certo.

Sentando-se no banco do bar da cozinha ao lado do seu, Jake exalou


um suspiro alto antes de dizer: — Eu sei que você acha que isso é sua culpa,
mas não é.

Com os cotovelos apoiados na bancada de granito, Trevor riu sem


humor enquanto fechava os punhos na frente dele. — Eu aprecio o que você
está tentando fazer, mas você pode economizar seu fôlego. Esse homem a
está machucando por minha causa. Eu sei disso, e você sabe disso. Inferno,
até Lexi sabe disso. — Sinto muito, baby.

Ele se levantou, mas Jake interrompeu seus movimentos com uma


mão no antebraço. — Espere um segundo. Apenas me ouça.

Trevor não voltou a sentar-se, mas também não se afastou do amigo.

— Eu entendo onde sua cabeça está, Trev. Eu estive onde você está.

Trevor balançou a cabeça. — Isso é diferente.

— Mesmo? Oh, bom. — Ele fingiu estar aliviado. — Então, você não
estava apenas sentado aqui se perguntando o que poderia ter feito diferente
para evitar que isso acontecesse. Ou como uma decisão que você tomou há
uma vida inteira pode custar-lhe tudo. E já que isso é tão diferente, você
definitivamente não estava apenas pensando em como Lexi estaria melhor
se nunca tivesse te conhecido.

Merda. Esses haviam sido seus pensamentos exatos. Atordoado,


Trevor gaguejou: — C-como você...
— Eu te disse. Eu estive lá. E se bem me lembro, não faz muito tempo
que foi você quem tentou me convencer de que o que aconteceu com Olivia
não foi minha culpa.

Balançando a cabeça, Trevor disse: — Não é a mesma coisa, Jake. O


cara que foi atrás de Olivia fez isso por causa de algo que ele a culpou. Você
não. Anthony Young pegou Lexi por causa de uma decisão que eu tomei. —
Trevor deu um tapa no próprio peito.

— Anthony Young é um trabalho maluco do caralho. Inferno, você o


ouviu. Ele continua se referindo a Lisa como sua noiva. A mulher interrompeu
as coisas, foi para o outro lado do mundo e começou a sair com outra
pessoa. No entanto, ele ainda acredita que os dois estavam se casando
naquela época.

— Por que agora? — Trevor ignorou o excelente ponto que Jake


acabara de fazer. — Isso é o que eu não entendo. Ela morreu há nove anos,
então por que vir atrás de mim agora?

A expressão de Jake relaxou. — Eu gostaria de saber, irmão. Mas


essa é uma pergunta que não posso responder.

— Eu acho que eu posso. — Ryker se aproximou deles. Para Jake, ele


disse: — Desculpe. Não pude deixar de ouvir. — Os dois homens acenaram
com a cabeça para o agente da Homeland, então ele contou o que sabia.

— Eu estava me perguntando a mesma coisa... por que agora, depois


de todos esses anos? Então, eu fiz algumas escavações. Acontece que
Young ficou noivo de outra pessoa recentemente... outra mulher que
trabalhava para a CIA. Eles deveriam se casar nesta primavera, mas ela o
deixou há algumas semanas, quando encontrou um arquivo em seu
computador. Estava cheio de informações confidenciais às quais Young
nunca deveria ter tido acesso, muito menos cópias em seu computador
pessoal. Aparentemente, ele está mantendo o controle sobre várias pessoas
conectadas a Lisa desde sua morte, nove anos atrás... sua família, você...
— ele inclinou a cabeça para Trevor — E Omar Hadim.

— Jesus. — Jake murmurou. — Foi ele quem matou Hadim?


— Ele pegou três semanas de férias no mesmo dia em que a conversa
sobre o ressurgimento de Hadim começou a pipocar. Você me diz.

— Você acha que foi Hadim quem o irritou? — Trevor perguntou a


Ryker.

— Acho que foi uma combinação de muita merda. Segundo sua ex-
noiva, ela não só rompeu as coisas entre eles, mas também lhe deu um
ultimato... ou ele conta ao chefe o que fez, ou ela vai contar. Ele saiu de
'férias' na manhã seguinte e não foi visto desde então. Até hoje.

— Parece culpado como o inferno, para mim. — comentou Jake.

Ryker concordou. — Pelo que parecia, o cara já era uma bomba-


relógio. Então, sua mulher não apenas o deixa, mas diz que vai dedurá-
lo. Young tinha que saber que ele iria perder o emprego e provavelmente
cumprir pena de prisão por acessar e baixar ilegalmente as informações que
sua noiva encontrou em seu computador.

— Então, corre-se o boato de que Hadim foi localizado. — Trevor


acenou com a cabeça. — É como se ele tivesse sido atingido por uma
tempestade de merda perfeita.

— Exatamente. — Ryker concordou. — E com caras como Young, que


já são mentalmente instáveis, tudo o que precisamos é algo para acionar
essa mudança. Está vendo-o naquele vídeo? Sim, aquele cara é louco.

— E ele tem Lex. — Trevor rosnou. — Pior ainda, não temos ideia de
como encontrá-la.

— Puta merda! — Derek exclamou em voz alta da sala de estar.

Trevor praticamente correu para ele, o medo empurrando seu coração


em sua garganta. — O que é? O que aconteceu?

— Ele fez isso.

— Ah, meu Deus. Não. — Os punhos de Trevor agarraram as costas


do sofá para se manter de pé. — Ele a matou?
— O que? Não! — Derek olhou para ele com os olhos arregalados e
rapidamente disse: — Merda. Me desculpe, cara. Eu não queria fazer você
pensar... ele está conectado a um feed ao vivo. Assim que clicar, você
poderá vê-lo em tempo real.

Com respirações lentas e controladas, Trevor trabalhou para limpar o


pensamento horrível de que Lexi tinha morrido de seu cérebro. Ele olhou
para Derek e esperou por mais. Felizmente, seu amigo entendeu.

— Se você conseguir mantê-lo falando por tempo suficiente, posso me


intrometer e descobrir de onde vem o sinal.

— Então, você será capaz de encontrá-la? — Trevor perguntou,


sentindo-se esperançoso pela primeira vez desde que Lexi fora levada.

Com absoluta confiança, Derek o olhou bem nos olhos e disse: — Eu


vou encontrá-la.

Olhando para as mãos imóveis de Derek, Trevor deixou escapar: — O


que diabos você está esperando? Faça!

— Ele o configurou como uma alimentação bidirecional — explicou


Derek.

Não era um cara da tecnologia, as palavras de D significavam uma


merda para Trevor. — Então?

— Então, você não será apenas capaz de vê-lo. Ele também verá
você.

Lexi também poderá me ver. — Bom. Excelente. Vá em frente.

— Antes de clicar para abrir, preciso saber como você deseja jogar.

— Pelo amor de Deus, D. — Trevor passou a mão frustrado pelo


cabelo pela milionésima vez naquela noite. — Eu quero que você aperte o
maldito botão para que possamos nos conectar com o cara, encontrar Lexi
e tirá-la de lá!
— E eu irei, assim que eu souber qual é o plano! — Derek gritou de
volta.

— Isso não está nos levando a lugar nenhum — Mac interrompeu. —


Vocês dois precisam se acalmar por dois segundos para que possamos
descobrir isso antes de perdermos a chance de nos conectarmos com ele
por completo. — Surpreendentemente, eles fizeram. Mac usou o prazo
monumentalmente curto para tentar traçar o plano.

— Derek, diga o que você precisa que Trevor saiba, e rápido. — Para
Trevor, ela disse: — E você ouve.

— Eu tenho ouvido. Eu simplesmente não entendo...

— Ela está certa, Trevor. — Grant entrou na conversa. — Você tem


uma chance para salvar sua garota. Você assusta esse cara e perde sua
única chance de trazê-la para casa com segurança.

Por algum motivo, as palavras de Grant ressoaram nele. Respirando


fundo, Trevor disse: — Tudo bem. Estou ouvindo.

— Obrigado. — Derek disse a Mac e Grant. Para Trevor, ele disse: —


Assim que nos conectarmos, ele poderá ver você. Isso significa que, se
estivermos na visão da câmera, ele também nos verá. Precisamos ter
certeza de que não estamos em nenhum lugar onde possamos ser
vistos. Também precisamos saber o que vai acontecer quando eu encontrar
a localização deles.

— O que você quer dizer?

Derek olhou para os outros, então de volta para Trevor. — Quero


dizer, no segundo que eu conseguir a localização deles, podemos sair e ir
para a sua garota, mas...

— Mas? — Trevor cutucou com impaciência.

— Mas, se você interromper a comunicação para vir conosco, Young


vai saber que algo está acontecendo. Se você vier conosco... — Derek
continuou, sabendo o que Trevor estava prestes a dizer. — Ele vai notar a
mudança de fundo. O movimento. Ele poderá nos ouvir falando ao
fundo. Tudo isso.

— E isso vai avisá-lo. — Trevor finalmente entendeu.

— Certo. — Derek suspirou. — O que significa que você precisa nos


deixar ir atrás dele enquanto o mantém ocupado da melhor maneira
possível. Eu sei que é uma merda e você quer estar lá, mas encontrá-la é
mais importante, não acha?

A realidade do que Derek estava dizendo se estabeleceu. — Eu


preciso estar lá, D. Essa coisa toda está acontecendo por minha causa. Eu
tenho que ser aquele que...

— Eu te levo. — Ryker ofereceu inesperadamente. Todos os olhos se


voltaram para ele, mas ele estava olhando apenas para Trevor. — Obtenha
a localização. Deixe esses caras irem na nossa frente. Se e quando a
conexão com esse filho da puta for perdida, você e eu iremos embora. Estou
no meu veículo do governo... luzes e sirenes nos ajudarão no trânsito em um
piscar de olhos. Também posso ligar antecipadamente com o endereço e
voltar lá também. — Então, com uma voz incomumente suavizada, o agente
da Homeland acrescentou: — Eu prometo que vou levá-lo lá o mais rápido
possível.

Ao lado dele, Ryker colocou a mão no ombro de Trevor e disse, — Eu


sei que você quer ser o primeiro que Lexi veja, mas D está certo. O
importante é afastá-la desse bastardo.

Ainda se sentindo dividido, Trevor sabia que Ryker estava certo. Todos
eles estavam. Merda. — Tudo bem. — Para Derek, ele disse: — Faça isso.

***

Um som alto de ding encheu a pequena sala onde Lexi estava sendo
mantida, e ela instintivamente soube o que significava.
O homem que a havia levado estava olhando ansiosamente para o
computador nos últimos minutos. Ao ouvir o som, ele olhou para ela por cima
do ombro e sorriu. — Hora de começar. — Ele voltou para o computador,
apertou algumas teclas e disse: — Legal da sua parte finalmente se juntar a
nós.

O coração de Lexi doeu fisicamente quando ela ouviu a voz de Trevor


pela primeira vez desde que ela saiu para o trabalho naquela manhã.

— Deixe-me falar com Lexi.

Novas lágrimas caíram, apesar do esforço que ela fez para contê-las.

— Não é você quem está dando ordens aqui, Soldier Boy. Eu estou.

Houve uma ligeira pausa e, em seguida, — Posso falar com Lexi... por
favor.

— Assim está melhor.

O homem moveu-se para o lado e lá estava ele. — Trevor. — ela


sussurrou, tentando bravamente se conter quando viu seu rosto na tela.

Ele estava em casa. Ela reconheceu a foto na parede ao fundo como


a que estava pendurada em sua sala de estar. Deus, ela desejou que ela
estivesse lá com ele.

— Ei, Angel. — ele sorriu de volta para ela. Era difícil dizer, mas ele
também parecia prestes a chorar. — Sinto muito, Lex.

Ela balançou a cabeça contra a madeira dura, a parte de trás do


cabelo puxando quando ficou presa na ranhura. — Não é sua culpa,
Trevor. Eu sei que ele diz que é, mas eu sei a verdade sobre o que aconteceu
naquele dia. Você me contou a história, lembra? Eu não te culpo,
Trevor. Isso não é culpa sua. É dele. — Lexi olhou para o homem parado ao
lado, a raiva brilhando em seus olhos com as palavras dela.

— Minha? — ele gritou com ela. — Isso não é minha culpa, é dele. —
O braço do cara voou para o lado enquanto ele apontava para a tela do
computador. — Foi ele quem mandou que ela entrasse naquele prédio. Ele
é aquele que sabia que Omar Hadim era um traidor. Ele...

— Disse a ela que não confiava em Hadim, mas LISA não quis ouvir!
— Lexi gritou de volta. Suas próprias palavras a pegaram de surpresa, mas
droga... ela se cansou dessa merda.

— Baby, não. — Ela ouviu a voz de Trevor avisando-a, mas era tarde
demais. O homem já estava pisando forte em sua direção, ódio e
determinação enchendo todo o seu ser. Ele agarrou a toalha de mão do chão
perto do balde de água.

— Ela não sabe o que está dizendo, Young. — Trevor gritou através
do computador. Pelo menos ele tinha um sobrenome agora. — Ela não
estava lá. Eu estava. E você está certo. Isso é tudo minha culpa...

— Você tem toda a razão, foi sua culpa. — disse o homem - cujo
sobrenome era aparentemente Young. Ele então começou a trazer a toalha
em direção ao rosto dela.

— Não! — A voz alta de Trevor veio através dos alto-falantes do


computador. — Não faça isso, Anthony. Lisa não teria querido isso. Ela não
iria querer nada disso.

O homem congelou, então. Lentamente, ele se virou e olhou para


Trevor. — Você não pode falar sobre o que Lisa teria desejado. Você não a
conhecia como eu, então pare de fingir que se importava com ela.

— Lexi, olhe para mim. — a ordem de Trevor saiu rapidamente. Claro,


Lexi o olhou bem nos olhos. Olhos tristes e torturados que transmitiam tanta
dor e angústia que partiu seu coração em dois. — Ah, Deus, bebê. Eu sinto
muito. Eu sinto muito mesmo.

— Eu amo você.

Porcaria. Não era assim que ela queria dizer pela primeira vez. Mas ela
não tinha ideia do que este homem estava prestes a fazer com ela, e se esta
era a última vez que ela conseguiu falar com Trevor, ela tinha que dizer
agora, enquanto ela tinha chance.

— Eu sei que é cedo, mas eu precisava que você soubesse caso...

A toalha foi colocada sobre seu rosto, roubando sua vista preciosa. No
entanto, ela ainda podia ouvir sua voz.

— Young! Olhe para mim. Não faça isso com ela, cara. Ela não faz
parte disso.

— Você a ama. Assim como eu amava Lisa. Esta é a única maneira de


você realmente entender a dor que causou.

— Eu... eu não a amo. Acabamos de começar a namorar. Eu sei o que


você está tentando fazer, mas machucá-la não vai me causar a dor que você
acha que vai causar.

Lexi ficou lá, ouvindo enquanto seu coração se partia por um motivo
completamente diferente do que antes. Quase instantaneamente, seu corpo
inteiro ficou dormente. Como pude estar tão errada?

Felizmente, a toalha escondeu suas lágrimas quando uma sensação


de mortificação total começou a afundar. Ela tinha acabado de professar seu
amor por um homem que, embora parecesse genuinamente chateado por
ela ser segurada contra sua vontade e magoada, aparentemente não tinha
sentimentos verdadeiros por ela.

Mas por que parecer tão arrasado quando o viu pela primeira
vez? Claro. Eu sou uma idiota. O homem se culpou pelo que aconteceu com
Lisa. Algo semelhante está acontecendo agora com ela.

A história se repetia e todas aquelas memórias voltavam para ele. O


fato de ele estar chateado não tinha nada a ver com o fato de que a
amava. Trevor era um protetor. Era o seu trabalho, e agora, ele estava
pensando que esta era a segunda vez que ele falhou.

A toalha foi puxada com mais força contra seu rosto, e ela podia ouvir
Trevor gritando para o homem parar. Lexi estava tão apavorada que estava
tremendo. Ela não tinha ideia do que estava para acontecer, mas não
demorou muito para ela descobrir.

Água fria respingou em seu rosto. Ele rapidamente ensopou a toalha e


encheu suas narinas e boca. Ela prendeu a respiração e tentou afastar a
cabeça do aguaceiro constante, mas uma das mãos fortes do homem
impedia que ela se mexesse.

Ela não conseguia respirar. Oh, Deus, ele estava tentando afogá-la. As
pernas de Lexi chutaram com a necessidade de se mover, e seus braços
pareciam ter sido arrancados de seu corpo por causa do esforço contra as
alças.

Seus pulmões se tornaram dois infernos ardentes de chamas quentes


e derretidas enquanto imploravam por ar. Quando ela não conseguia mais
prender a respiração, a necessidade instintiva de oxigênio de seu corpo
assumiu. Ela abriu a boca e tentou respirar.

Em vez do precioso ar, Lexi sugou água. Seu próprio pulso disparou
em seus ouvidos, e a pressão em sua cabeça e peito tornou-se mais intensa
do que qualquer coisa que ela já sentiu. Ela estava prestes a perder a
consciência quando a água parou e a toalha foi removida.

No segundo que o homem - Anthony Young - a soltou, Lexi virou a


cabeça por reflexo e vomitou. Ele saltou para fora do caminho quando toda
a água que desceu para o estômago e os pulmões voltou a fluir.

Entre o estômago revirando e a tosse incessante, Lexi não conseguia


entender o que Trevor estava gritando com Young. Ela captou alguns
palavrões e uma ameaça não tão velada, mas era difícil ouvir com seu
próprio corpo destroçado pela dor e a necessidade desesperada de
continuar respirando novamente.

— Seu filho da puta! — Trevor gritou. — Juro por Deus que vou matar
você.

Agora, isso, Lexi ouviu. E ela orou naquele momento para que Trevor
fosse capaz de cumprir aquela ameaça em particular.
Young foi até o computador e, com uma calma assustadora, disse: —
Você teria que me encontrar primeiro. Até então, vou deixar você se sentar
aí e pensar sobre o fato de que vou continuar me divertindo um pouco com
a sua garota. — Então, com o clique de um botão, o rosto de Trevor
desapareceu e a tela ficou preta.

***

— Ah, Jesus. — Trevor se levantou e começou a andar de um lado


para o outro em sua sala de estar. Com as duas mãos atrás da cabeça, ele
se esforçou para não vomitar de novo. — Oh Deus. Ele a afogou, Jason. Ele
porra a afogou!

Consumido por uma raiva diferente de qualquer outra que ele já


conheceu, Trevor pegou uma mesa de canto perto de uma das poltronas
reclináveis. Com um grunhido animalesco, ele o jogou em direção à porta
corrediça. O vidro se estilhaçou ao passar pela porta antes de cair com um
baque forte na laje de concreto do pátio.

— Maldição! — As narinas de Trevor dilataram-se e seu peito arfou


enquanto ele tentava pensar no que mais ele poderia destruir. Felizmente,
Ryker estava ali para detê-lo.

— Nós precisamos ir. — Suas palavras não foram absorvidas a


princípio, então Ryker tentou novamente. — Matthews!

Ouvindo a voz estrondosa do outro homem, Trevor se virou e o


encarou. — O que? — ele gritou de volta.

— Eles a encontraram, cara. Derek descobriu a localização dela,


lembra?

Trevor olhou ao redor de seu apartamento, como se esperasse ver os


outros lá, mas ele e Jason eram os únicos ali.
— Eles foram embora enquanto você ainda estava conversando com
Young. Antes de começar com sua garota. O cara está a menos de quinze
minutos daqui... Você quer estar lá quando eles derrubarem esse filho da
puta, precisamos ir. Agora!

Como um tapa em seu rosto, Trevor finalmente desistiu. Ele correu de


volta para o armário do quarto e, com as mãos trêmulas, conseguiu abrir o
grande cofre de armas ali. Retirando seu MP-5 e SIG. Trevor rapidamente
colocou um pente cheio para cada um nos bolsos do jeans, e então para
Ryker perguntou: — Precisa de uma?

— Não. — o agente respondeu rapidamente. — Tenho tudo o que


preciso no SUV.

Com um último olhar, Trevor deu a Ryker um único aceno de cabeça


e disse: — Vamos fazer isso.
Anthony Young era um monstro. Um monstro doente e delirante. Esse
foi o primeiro pensamento que Lexi teve quando recuperou a consciência.

Ele tinha feito a mesma coisa com a toalha e água mais duas vezes. Na
segunda vez, ele só parou porque ficou sem água. Da última vez, ele voltou
com um balde cheio e continuou a derramar até que, felizmente, seu cérebro
desligou por falta de oxigênio e ela desmaiou.

Seu segundo pensamento ao acordar de volta foi que ela nunca seria
capaz de olhar nos olhos de Trevor de novo... se ela conseguisse não morrer
hoje, claro.

Ela não podia acreditar que ela interpretou mal as coisas. Os


momentos que compartilharam - embora não muitos - foram incríveis para
ela. Mágicas, até. Ouvi-lo dizer que não a amava foi um golpe esmagador
em seu coração.

Ela mal podia acreditar quando ele disse a Young que eles mal se
conheciam, depois de passar os últimos dias sem fazer nada além de se
conhecerem melhor. Bem, isso e fazer um amor doce e incrível.

Deus, ela se sentia uma idiota. Uma idiota romântica sem


esperança. Ela sempre foi uma romântica no coração... toda a sua vida ela
sonhou não apenas em ser uma chef de sucesso, mas também em ter
alguém para amar e compartilhar uma vida. Agora, ela iria morrer sem ter
alcançado nenhum dos dois.

Perdida em sua própria autocomiseração, ela quase não percebeu o


homem voltar para a sala. Ela ficou aliviada ao ver que ele não havia trazido
outro balde de água com ele. Graças a Deus por pequenos favores, sua mãe
costumava dizer.

Esse pensamento acabou de passar por sua mente quando ela


percebeu a faca grande e brilhante na mão de Young.
— É hora de começar a dar ao seu namorado o ato final do show. —
Ele veio em sua direção.

— Não. — sua negação foi instantânea e saiu muito mais forte do que
o esperado. Ela lutou contra suas restrições, embora soubesse que não faria
nenhum bem. — Trevor estava certo... Lisa não iria querer isso, e você...
você não quer fazer isso.

— Você não sabe o que eu quero! — Ele correu para ela e empurrou
a ponta da faca em seu lado.

Lexi gritou de dor. — Sim eu sei.

— Oh sim? — Ele pausou seus movimentos, sua voz cheia de


sarcasmo enquanto segurava a faca no lugar. — E o que seria, Srta. Eu Sei
de Tudo?

— Você quer Lisa de volta. — disse ela rapidamente. Gotas de suor


se formaram em sua testa. — Você quer ser capaz de vê-la. Tocá-
la. Segura-la em seus braços e dizer o quanto você a ama. Você quer ser
capaz de dizer tudo o que sempre quis dizer a ela, mas nunca teve a chance.

Lágrimas de sua dor física e tristeza emocional caíram dos cantos dos
olhos de Lexi e em seu cabelo úmido. Ela lutou contra a dor, continuando
com o que ela sabia ser a verdade absoluta.

— Você quer mais cinco minutos para apenas se sentar e olhar para
o rosto dela... seu rosto vibrante e vivo enquanto ela olha para você e sorri.
— Então, Lexi sussurrou: — E você quer ouvi-la dizer que também te
ama. Você daria qualquer coisa para ouvir essas palavras, só mais uma vez.

Lexi piscou e ficou chocada quando sua visão clareou e ela viu
lágrimas nos olhos de Anthony Young também.

— Eu realmente quero isso. — ele sussurrou de volta. — Eu quero


todas essas coisas. — Seus olhos endureceram e sua voz ficou mais
forte. — Mas eu nunca as terei. Graças ao seu namorado.
Young empurrou a faca um pouco mais fundo e Lexi gritou mais
alto. Ele puxou-o para fora do lado dela e se afastou, caminhando para o
teclado mais uma vez.

Com suas entranhas se sentindo como se estivessem pegando fogo,


Lexi esperava ouvir a voz de Trevor novamente. Os dedos de Young
clicaram apressadamente nas teclas de plástico, mas nada aconteceu.

— Talvez ele tenha ido. — ela grunhiu contra a dor.

Ela tentou ignorar a rapidez com que seu sangue estava encharcando
o lado de sua camiseta ou a maneira como estava começando a acumular
nas ranhuras da mesa de madeira seca abaixo dela.

— Ele não se foi. — argumentou Young, ainda de frente para a tela. —


Ele não deixaria seu único acesso para você. Agora não.

Lexi poderia dizer que o homem estava tentando se convencer mais


do que a ela, então ela explorou suas inseguranças. Foi o único movimento
que lhe restou.

Com uma risada fraca, ela disse: — Você o ouviu. Ele não me
ama. Nunca estivemos em um encontro real.

— Não importa. — ele murmurou enquanto digitava algo


novamente. — Eu vi o jeito que ele olhou para você. Você não pode fingir
esse tipo de emoção.

— Você é realmente tão estúpido? O cara trabalhava nas Special


Ops. Ele e sua equipe na RISC fazem todos os tipos de trabalhos secretos
do tipo black-ops. — Lexi fez uma careta enquanto tossia algumas vezes,
seu corpo enfraquecendo por tudo que passou. — Ele poderia te convencer
a acreditar em qualquer coisa que ele quisesse. Você não... nem saberia se
ele... estivesse mentindo.

Suas palavras estavam começando a ficar confusas e ela começou a


se sentir tonta. Porque você está perdendo sangue. Oh sim. Isso.
Lexi piscou rapidamente contra a súbita exaustão que ameaçava
assumir o controle. Ela tinha a sensação de que, se adormecesse agora,
nunca mais acordaria.

— Eu era da CIA, sua vadia estúpida. Eu poderia dizer se aquele


homem estava mentindo.

— Então, ele estava mentindo... quando disse... que não me amava?

Ela não tinha certeza se estava apenas tentando provocá-lo ou se


realmente queria saber a resposta. Provavelmente os dois, ela pensou
sonolenta.

— Oh, ele estava mentindo. — disse Young enquanto se inclinava


sobre o teclado e continuava a tentar se conectar com Trevor. — Aquele
homem te ama. É assim que sei que ele nunca se afastaria de seu único meio
de comunicação com você, agora.

Quando ele tentou novamente - e não conseguiu - obter uma resposta


de Trevor, Lexi disse: — E-eu disse que ele realmente não... me-me amava.

Young a encarou, sua raiva e frustração uma coisa viva que


respirava. — Eu não estava errado. Eu não poderia estar
errado. Ele tem que amar você! Caso contrário, tudo isso foi em vão!

O homem estava perdendo o controle, o que fez Lexi sorrir. Era


estranho que ela pudesse fazer isso em um momento como este...
talvez fosse ela quem estivesse perdendo o controle.

Com seus pensamentos dispersos e a luz em volta dela desbotando,


Lexi quase não percebeu. Houve um pequeno som, como o rangido de uma
porta. Estava lá e então se foi. Bem desse jeito.

A princípio, ela pensou que tinha imaginado, mas então a cabeça de


Young girou em direção à porta fechada da sala. Não, ela não tinha
imaginado. Ele também tinha ouvido.

Lexi sorriu novamente. — Eles estão vindo... por você. — ela disse
suavemente.
— Impossível. — disse o homem, embora não desviasse os olhos da
porta.

— N-nada é impo... impossível... com esses caras.

É certo que Lexi ainda não tinha conhecido a equipe inteira. Ela nunca
tinha chegado a conhecer mais ninguém além de Derek. Isso não
importa. Ela conhecia Trevor.

Mesmo que ele não estivesse apaixonado por ela, ela sabia que ele
faria tudo o que pudesse para salvar uma vida inocente. Era apenas uma das
muitas razões pelas quais ela se apaixonou tão forte e rápido por ele.

— Cale-se! — Young ordenou, seus olhos enlouquecidos nos dela. Ele


apontou a faca ensanguentada para ela. — Você faz mais um som e cortarei
sua garganta de orelha a orelha.

Rindo silenciosamente, Lexi gemeu contra a dor que o movimento


havia causado. — Você vai me matar... de qualquer maneira. P-pode muito
bem f-fazer... a-agora.

— Eu falei cala a boca! — ele gritou ainda mais alto.

Bom. Lexi queria que ele falasse alto. Ela estava muito fraca para gritar
por ajuda e esperava irritá-lo o suficiente para que Trevor e os outros
ouvissem.

Porque ela não tinha dúvidas de que eles estavam aqui. Eles
finalmente a encontraram. Ela olhou para o lado dela e para a crescente
poça de sangue no chão. Trevor e sua equipe a encontraram... ela apenas
rezou para que não fosse tarde demais.

***
— Droga, D, cuidado com as portas. — Trevor sussurrou com raiva
atrás dele enquanto a equipe fazia o seu caminho para outra parte do
edifício.

— Desculpe. — ele sussurrou de volta, ainda avançando. — Minha


bunda esbarrou na maldita coisa.

— Shh. — Mac ordenou que ambos ficassem quietos quando ela


entrou na área aberta e ficou ao lado de Trevor.

Como prometido, Ryker rebocou e os levou ao local onde Lexi estava


presa em tempo recorde. A equipe estava prestes a quebrar uma porta na
lateral da fábrica abandonada quando eles pararam.

Com seu plano já estabelecido, Trevor não perdeu tempo que Lexi não
tinha discutido sobre não conseguir entrar primeiro. Depois que Grant
verificou a porta em busca de quaisquer explosivos que Young possa ter
colocado e declarou a entrada segura, Jake conduziu a equipe para o
grande espaço aberto. Trevor acabava de entrar no prédio quando ouviram
o grito de gelar o sangue de Lexi.

Trevor quase perdeu o controle, então. Ele tentou abrir caminho até
ela, mas felizmente Coop agarrou seu braço por trás, e Derek se virou e
empurrou seu peito para mantê-lo no lugar.

Assim que o fizeram se acalmar e olhar a situação de maneira objetiva,


ele percebeu que estavam certos em impedi-lo. Se ele atacasse, Young
provavelmente mataria Lexi antes que tivesse a chance de evitá-lo.

Por mais difícil que fosse, Trevor se forçou a se mover lentamente,


assim como faria se esta fosse qualquer outra operação. Ele tinha que
colocar o fato de que era sua Lexi do outro lado da parede. Tinha que
esquecer o fato de que ela disse a ele que o amava... logo antes de ser
torturada de uma das piores maneiras possíveis.

Estou aqui, meu anjo. Espere um pouco mais.


A equipe continuou por outro amplo espaço aberto. Conjuntos de
vigas de aço corriam pelo teto alto acima deles, enquanto outros ficavam de
pé ao longo de ambos os lados do edifício. Era como andar pelas costelas
de um gigante de aço.

A luz das janelas quebradas com várias vidraças que corriam ao longo
do comprimento da sala brilhou sobre eles enquanto suas botas faziam o seu
caminho silenciosamente pelo chão. Vidro, sujeira e outros detritos
espalhados pelo chão, e eles tiveram que pisar com cuidado para não
denunciar sua presença.

— Eu falei cala a boca!

A voz alta e zangada os fez congelar.

— Ele parece chateado. — disse Mac em um sussurro baixo.

Parte de Trevor queria sorrir, sabendo que Lexi estava dando uma
bronca nele. Essa é minha garota.

— Precisamos ir, agora. — Trevor sussurrou de volta. — Ela o empurra


longe demais, ele vai matá-la com certeza.

— Concordo. — Jake manteve a voz baixa. Ele olhou para a porta


fechada na frente deles, então de volta para Trevor. Com um olhar, ele
silenciosamente perguntou, Trevor: — Você pode lidar com isso?

Sem hesitação, Trevor deu a seu chefe e melhor amigo um aceno


afiado e disse. — Eu estou bem.

A equipe se aproximou da porta. Com um olhar avaliador, Jake inclinou


a cabeça em resposta e então fez gestos com as mãos para dar ordens ao
resto da equipe.

Ele levantou a mão e começou a contar a partir de três. Assim que ele
chegou a um, Trevor agarrou seu braço e balançou a cabeça.

O rosto do líder da equipe se torceu em confusão. Não querendo falar


por medo de serem ouvidos, Trevor puxou o telefone do bolso e rapidamente
abriu seu aplicativo de anotações. Seus polegares voaram sobre a tela
enquanto ele digitava o que queria dizer.

Nem todos podem entrar. Ele vai entrar em pânico... não posso
arriscar Lex.

Ele ergueu o telefone para Jake ver. Os olhos de Jake examinaram a


mensagem. Ele então pegou o telefone de Trevor e digitou o seu próprio.

Não está indo sozinho

Trevor viu a mensagem e balançou a cabeça. Pegando o telefone, ele


escreveu sua resposta com:

Sem visual. Posição desconhecida.

A troca de mensagens continuou.

Jake: Vou mandar uma mensagem para o Ryker. Ver o que ele
sabe. Seu grupo pode estar lá fora e pronto.

Trevor: Sem tempo.

Jake: Não posso deixar você entrar sozinho.

Trevor: Não fará nenhum movimento sobre mim até que ele a mate. Ele
não terá essa chance.

Jake parecia chateado enquanto considerava o que Trevor estava


dizendo. Trevor pegou o telefone de volta.

Tenho que fazer isso. Tem que acabar agora.

Depois de ler as palavras de Trevor, Jake olhou para ele e de volta


para o telefone. Digitando uma mensagem final, Jake devolveu o telefone a
Trevor pela última vez.

Se você for morto, vou chutar seu traseiro.


Por mais séria que fosse a situação, a boca de Trevor se curvou em
um leve sorriso. Ele deu um tapa no braço de Jake e o contornou, deixando
seu amigo explicar tudo para os outros.

Parado do lado de fora da porta, Trevor parou por um momento. Ele


fez uma oração silenciosa para que, não importasse o que acontecesse com
ele, Lexi estaria segura. Então, ele alcançou a maçaneta.

Com seu confiável MP-5 apontado e pronto para atirar, Trevor olhou
para sua equipe. Eles estavam parados a poucos metros dele, prontos para
protegê-lo, se necessário. Dando-lhes um aceno final, Trevor girou a
maçaneta e caminhou direto para o inferno.

Lexi ainda estava amarrada àquela mesa esquecida por Deus. Seu
cabelo estava molhado, e uma mancha escura e úmida ocupava a maior
parte do lado direito de sua camiseta cinza. Sangue.

Incapaz de pensar sobre isso agora sem arriscar os dois, Trevor


avaliou rapidamente a cena com o olho de um operador. Um carrinho com
um computador instalado estava à sua esquerda e havia uma pequena janela
na parede oposta à porta. Trevor ficou aos pés de Lexi enquanto Young ficou
atrás de sua cabeça. Trevor nunca esqueceria a imagem daquele bastardo
segurando sua faca na garganta de Lexi do jeito que estava agora.

— Dê mais um passo e ela está morta.

Ignorando o outro homem, Trevor se permitiu um segundo para olhar


para o rosto de Lexi. Ela o encarou de volta, seus olhos cheios de dor e algo
mais. Amor. Ela estava olhando para ele com mais esperança e amor do que
ele merecia.

Incrivelmente, ela deu a ele um sorriso trêmulo e sussurrou: — O-oi.

A garganta de Trevor doía fisicamente com a pressão enquanto ele


trabalhava para engolir contra as emoções ali. Não reagir foi a coisa mais
difícil que ele já teve que fazer.
Deslizando os olhos de volta para Young, Trevor disse: — Você tem
dois segundos para se afastar dela, ou vou acabar com você.

— Vá em frente! — Young gritou. — É nisso que você é bom,


certo? Acabar com a vida das pessoas?

— Eu não matei Lisa. — Trevor forçou sua voz a permanecer calma.

— Talvez você não tenha levado aquela faca para ela, mas você pode
muito bem ter feito isso! Você a mandou lá. Você tomou essa decisão!

— Não, ela tomou essa decisão! — Trevor ergueu a voz. — Eu disse


a Lisa que Hadim não era confiável. Tentei dissuadi-la, mas ela insistia em
que entrássemos.

— Mas você não entrou! Não foi você que foi levado e... e torturado.

— Não. — disse Trevor com naturalidade. — Eu não fui. E nunca vou


me perdoar por não resistir mais. Mas machucá-la... — ele inclinou a cabeça
em direção a Lexi — Não vai trazer Lisa de volta.

— Não, mas dói em você. — Young começou a pressionar a faca


contra a pele de Lexi.

— Pare! — Trevor implorou. — Por favor. Eu sou quem você quer,


certo? Deixe-a ir e você pode me ter.

— T-Trevor... não. — Lexi disse suavemente, sua voz soando muito


fraca.

Ignorando-a, ele desviou o objetivo de Young. Segurando sua arma


para o lado e colocando a mão esquerda em sinal de rendição, Trevor disse:
— Está vendo? Estou baixando minha arma. — Indo completamente contra
o protocolo, ele se abaixou lentamente e colocou seu rifle no
chão. Levantando-se, ele disse: — Agora, estou desarmado. Você tem todo
o controle aqui.

— Eu sei que eu tenho. Eu não preciso da sua bunda arrogante para


me dizer isso.
— É justo. — Trevor deu um passo lento e fácil para frente enquanto
falava. — Então, o que você me diz, vamos deixá-la ir? — Outro passo. —
Você sabe quem eu sou e o que eu faço. — Outro passo. — Vou lhe dar
muito mais vantagem para trabalhar do que um civil. — Mais um passo. Só
mais um par e estarei perto o suficiente para derrubar o idiota.

— Pare! — Young pressionou a ponta da lâmina contra a garganta de


Lexi novamente. Ela estremeceu e uma pequena gota de sangue se formou,
então deslizou lentamente por sua pele delicada. — Não se aproxime, ou
juro por Deus que vou matá-la.

— Está bem, está bem. — Trevor ergueu ambas as mãos com as


palmas para cima. — Estou parando. Basta aliviar a faca, certo?

— Foda-se você. Você acha que eu vou fazer qualquer coisa que você
disser? Por sua causa, perdi minha noiva!

Sabendo que era um risco, Trevor decidiu tentar irritar o cara o


suficiente, ele iria atrás dele em vez de machucar Lexi.

Ele fez outra oração rápida e disse: — Qual delas? Porque você parece
ter má sorte com elas.

Young gritou novamente. — Você não sabe nada sobre mim!

— Oh sério? Sua noiva mais recente descobriu sobre seu pequeno


problema de obsessão por mim e Hadim, bem como o fato de que você
acessou ilegalmente arquivos secretos da CIA. Você está enfrentando uma
pena de prisão séria por isso, Tony.

— Foda-se! — A saliva voou de sua boca enquanto ele gritava.

O cara estava definitivamente ficando puto. Mais importante, em sua


fúria, ele afastou a lâmina alguns centímetros da garganta de Lexi. Só mais
um pouco e Trevor teria a oportunidade de que precisava.

— E vamos falar sobre Lisa. Tudo isso... — Trevor gesticulou para


Lexi, odiando o medo e o pânico em seus olhos. — Tudo isso é para vingar
uma mulher que deixou você.
— Isso... não importa. — Young tropeçou nas próprias palavras. —
Ela... eu... nós fomos feitos um para o outro.

— Mesmo? — Trevor forçou seu corpo a relaxar e sua voz soar


casual. — Engraçado. Lisa me disse que não queria nada com você.

A raiva começou a crescer nos olhos de Young. — Cale-se! Ela nunca


disse isso. Lisa me amou! Nós íamos nos casar.

Mantendo um olho atento na lâmina perto da garganta de Lexi, Trevor


empurrou. Rindo, ele disse: — Ela voou meio mundo para se afastar de
você. Ela o deixou, então foi morta e você, de alguma forma, conseguiu se
convencer de que ela ainda o amava.

— Cale a boca. — alertou Young.

Outro rápido olhar para a faca trêmula disse a Trevor que ele estava
no caminho certo. Dando um passo mais perto, ele disse: — Ela não te
amava, Tony. Ela não te amava, e esta sua noiva mais nova também não te
ama mais.

— Cala a boca. — Young cerrou os dentes.

— É por isso que você foi atrás de Hadim? Você não aguentaria outra
mulher deixando sua bunda louca? Ou foi a ideia de ir para a prisão e se
tornar a cadela de alguém que o levou a encontrar Hadim e torturá-lo até a
morte?

— Eu matei Hadim porque aquele bastardo mentiu para Lisa! Ele


a enganou. Ela gostava dele. Me falou sobre ele antes mesmo de partir para
a Síria. Disse que era gentil e queria ajudar os americanos. Ele estava
mentindo para ela o tempo todo, então sim, eu fodidamente o torturei. Você
sabe o que ele me disse pouco antes de morrer?

Trevor balançou a cabeça, seus olhos saltando para frente e para trás
entre Young e aquela faca.

— Eu perguntei por que ele fez isso. Você sabe qual foi a resposta
dele? Dinheiro. — Young riu quase histericamente. — Dinheiro! Ele ajudou a
sequestrar e torturar Lisa para ganhar dinheiro! A coisa toda foi um golpe
longo e elaborado. Fazer um agente americano confiar nele. Ajudar aquele
agente a ganhar algumas vitórias e, em seguida, trazê-lo para dentro. Eles a
usaram como um exemplo de merda, e ele foi pago por isso!

Usando a mão livre, Young enxugou um pouco de suor da testa. —


Hadim me contou tudo. Ele confessou tudo... e então eu cortei sua garganta.
— Ele respirou fundo e disse: — Você e Hadim... os outros. Todos vocês
tiraram de mim a mulher que eu amava. Minha vida nunca mais foi a mesma
depois disso. Agora, eu não tenho nada. Nada a esperar... nada a
perder. Você tem, no entanto. Não é, Soldier Boy? É hora de você finalmente
aprender como é perder tudo o que é importante para você.

Trevor viu em seus olhos, então. Seu coração batia forte contra as
costelas com a força de um bumbo, porque ele sabia o que estava por
vir. Um rugido alto encheu a sala quando ele saltou para frente, sem saber
que era ele quem estava gritando.

— Não!

Seu corpo inteiro disparou para frente quando a lâmina começou a


cortar a pele de Lexi. Em um movimento fluido, Trevor empurrou a mão
esquerda contra o peito de Young e usou a direita para agarrar a mão que
segurava a faca. Ele o puxou para longe da garganta de Lexi, tomando
cuidado para não deixar a ponta afiada cortá-la mais do que já tinha feito.

Com um rosnado alto, Young torceu a lâmina na direção de Trevor. A


ponta cortou o antebraço de Trevor, mas havia muita adrenalina correndo
em suas veias para sentir.

Ele soltou o pulso de Young apenas o tempo suficiente para envolver


seu braço sob e ao redor do antebraço de Young. O mais forte que podia,
Trevor então bateu a palma da mão contra a parte externa do bíceps de
Young, empurrando a parte superior do braço do homem para a frente. Ao
mesmo tempo, Trevor puxou a metade inferior do braço de Young em sua
direção, na direção oposta. O cúbito e os ossos do rádio do homem
quebraram instantaneamente.
Young uivou, seu grito de dor ecoando nas paredes de concreto. Por
reflexo, sua mão se abriu e a faca começou a cair. Trevor o pegou antes que
pudesse atingir o solo.

Movendo-se com velocidade inesperada, Young balançou a mão


esquerda para cima e ao redor em uma tentativa de tirar a faca da mão de
Trevor. Os dois homens lutaram, Trevor usando todo o seu corpo para
empurrar Young contra a parede - longe de Lexi.

Young empurrou o pulso de Trevor com uma força surpreendente. O


homem tinha sido claramente treinado no corpo a corpo, mas felizmente,
Trevor era melhor.

A porta da sala se abriu de repente, e o resto da equipe entrou na sala


ao mesmo tempo que ele enfiou a lâmina da faca direto no coração de
Anthony Young. Trevor olhou para o conjunto de olhos arregalados olhando
para ele.

— Lisa... era... m-minha. — o homem moribundo balbuciou. O sangue


jorrou de seus lábios. Alguns começaram a escorrer pelo queixo.

— Não, ela não era. — Trevor reclamou. — Ela não era minha
também. Mas Alexis? — Ele teve que engolir porque, embora ela estivesse
deitada bem atrás dele, ele não tinha ideia se ela ainda estava viva. — Ela é
minha. E você nunca deveria ter tocado no que é meu.

— V-vá para... o-inferno. — Young mal conseguiu dizer.

Olhando de volta nos olhos de um louco, Trevor rosnou: — Você


primeiro.

Ele torceu a faca antes de puxá-la do peito de Young. Ele não esperou
que o corpo do bastardo caísse no chão antes de girar e observar a cena
diante dele.

Mac já havia libertado seus pulsos das amarras e Coop havia tirado a
camisa e estava usando-a para pressionar o ferimento ao lado dela. Derek e
Grant estavam do outro lado da mesa entre ela e a parede e Jake tinha a
mão na garganta de Lexi.

Ah, meu Deus. — Lexi? — ele disse o nome dela hesitantemente


enquanto caminhava rigidamente para o lado de Jake.

Presumindo que Jake estava verificando o pulso, Trevor não tinha


certeza do que faria se seu amigo desse a ele aquele aceno sinistro de
cabeça como ele tinha visto em incontáveis operações. Mas quando ele se
aproximou, ele viu os olhos semicerrados mais bonitos o encarando de
volta. Ela estava viva.

— Alexis! — Trevor exalou, seu alívio tão profundo que quase


desabou. Ele colocou a mão gentilmente em sua testa, tomando cuidado
para não tocar onde ela estava machucada.

— T-Trevor. — Ela sorriu para ele o melhor que pôde, mas então seus
olhos encontraram o sangue no outro braço e ela fez uma careta. — Está s-
sangrando.

Tendo esquecido tudo sobre o corte, Trevor rapidamente olhou para o


braço e de volta para ela. — Não é nada, Lex. Quase um arranhão.

— Sim. — ela sussurrou. — Eu tenho... a-arranhão... t-também.

Depois de tudo que ela passou, ela ainda tinha seu senso de
humor. Jesus, ela era incrível.

Com uma meia risada, meio choro, Trevor não prestou atenção à
lágrima caindo em sua bochecha enquanto falava.

— Você com certeza tem. — Ele engoliu em seco novamente e disse


a ela: — Você foi bem, Lex. Tão bem. Estou tão orgulhoso de você, baby.

— C-como... me encontrou?

— Shh. Não fale, Angel. Haverá muito tempo para tudo isso mais
tarde. Agora, preciso que você salve suas forças. Você pode fazer isso por
mim?
Trevor olhou para Jake, que havia removido a mão do corte em seu
pescoço. Graças a Deus, não era muito profundo. — Ela está
desaparecendo rápido, Jake.

— Os médicos de Ryker acabaram de chegar. Ele os está trazendo


agora.

Saber que ela seria levada ao centro médico particular de Homeland


o fez se sentir um pouco melhor. Eles tinham os melhores médicos e
enfermeiras na equipe, incluindo Olivia.

Querendo verificar seu ferimento por facada por si mesmo antes que
os médicos entrassem e assumissem o controle, Trevor sorriu para Lexi. —
Só vou dar uma olhada rápida no seu lado, ok?

— Ok. — ela sussurrou de volta, sua voz tão suave que ele mal
conseguia ouvi-la agora.

Dando um aceno de cabeça para Coop, o homem mais jovem tirou a


camisa amontoada que segurava ao lado de Lexi e saiu do
caminho. Cuidadosamente, Trevor levantou a bainha da própria camisa
encharcada de sangue de Lexi e teve sua primeira visão de onde Young usou
sua faca nela.

O mais delicadamente que pôde, Trevor inspecionou a ferida. Lexi


gemeu quando ele pressionou em torno dela, tentando avaliar o quão
profundamente ela foi cortada. Felizmente, ele não achou que o bastardo
tivesse danificado algo importante, embora ela precisasse de alguns testes
para ter certeza.

— Desculpe, Angel. — Ele beijou sua testa. — Terminei. Você vai ficar
bem.

— P-promete?

Ele sorriu. — Eu prometo.

Seus olhos começaram a fechar.


— Lex? — Ela não respondeu, então ele ordenou severamente, —
Alexis, eu preciso que você abra os olhos e olhe para mim.

Seus olhos finalmente se abriram e ele soltou um suspiro. — Isso


mesmo. Você tem que ficar acordada para mim, Angel.

— Tão cansada.

— Eu sei, baby. Eu sei que você está cansada, mas você tem que ficar
acordada.

Ryker entrou na habitação, seguido por dois médicos.

Apesar de seu dedo mínimo estar quebrado, Lexi estendeu a mão na


direção da dele. — F-fica?

Não querendo causar-lhe mais dor, ele gentilmente agarrou seu


polegar e o usou para acariciar a pele das costas de sua mão.

— Eu não estou indo a lugar nenhum.

Os cantos de sua boca se curvaram ligeiramente e seu coração


dolorido inchou. Embora fosse um lugar tão longe de ser o ideal quanto
poderia ser para esse tipo de coisa, Trevor beijou sua têmpora e sussurrou
em seu ouvido: — Eu te amo, Angel.

Essas foram as últimas palavras que ela ouviu antes de perder a


consciência.
Os próximos dias foram como um borrão. Enfermeiras e médicos
invadiram o espaço de Lexi quase a cada segundo acordada. Mesmo com
analgésicos pesados, o sono era quase impossível com todas as verificações
de pressão arterial, verificações de feridas e curativos e atualização de
prontuários. No terceiro dia, Lexi estava pronta para arrancar os cabelos.

— Eu quero ver o Joe.

Vestida com um par de calças de ioga e uma camiseta grande, Lexi


ergueu os olhos de sua cama de hospital e esperou pela resposta de
Trevor. Ela tinha a sensação de que já sabia o que ele iria dizer.

Como esperado, Trevor deu a ela o mesmo sorriso perfeitamente


agradável que ele estava usando desde que ela acordou no hospital três dias
atrás. — Eu sei que você quer, Angel. Mas o quarto dele fica no andar acima
deste. Não tenho certeza se você está pronta para se levantar e se mover
ainda.

Eu já tive uma mãe. Eu não preciso de outra. A culpa


instantaneamente a assaltou quando ela terminou esse pensamento. Trevor
literalmente arriscou sua vida para salvar a dela e não tinha deixado seu lado
desde então. Ele se curvou para trás, certificando-se de que ela tinha tudo o
que precisava.

Ela deveria ter vergonha de si mesma.

Era tão frustrante. Lexi estava totalmente ciente do fato de que ela não
estava cem por cento ainda e não estaria por pelo menos mais algumas
semanas. Ela também sabia que era perfeitamente capaz de subir em uma
cadeira de rodas em um elevador e descer o corredor para ver um de seus
queridos amigos. Alguém que quase morreu por causa dela.
Não, não por causa dela. Ela não era culpada pelas ações de Anthony
Young, e nem era Trevor. No entanto, Lexi suspeitava que ele não
compartilhava dessas mesmas crenças.

Isso explicaria por que ele tinha sido sua sombra a cada segundo de
cada dia desde que a encontrou naquele armazém horrível. Trevor tinha sido
amoroso e gentil o tempo todo.

Mas ele não a beijou como antes de tudo isso acontecer. Ele
definitivamente não disse as três pequenas palavras que sussurrou para ela
antes que ela desmaiasse com a perda de sangue naquele dia.

Porque ele não quis dizer isso.

Aceitando essa realidade, Lexi acordou esta manhã e decidiu que faria
o que queria para uma mudança. E agora, ela queria ver Joe. Se Trevor não
a levasse...

Lexi lentamente balançou as pernas para o lado da cama.

— O que você está fazendo? — Ele estava ao lado dela em um piscar


de olhos. — Aqui, deixe-me ajudá-la.

— Eu não preciso da sua ajuda, Trevor. — Lexi disse mais brevemente


do que pretendia. Sua expressão de surpresa a fez se sentir ainda pior do
que antes. — Eu sinto muito. Eu não queria parecer tão ríspida. É só que...
eu sei que posso me sentar naquela cadeira. — Ela olhou para a cadeira de
rodas estacionada no canto de seu quarto. — E eu esperava que você me
levasse para ver Joe. Se você não quiser, posso ver se Olivia pode me
ajudar.

— Não. — Trevor protestou rapidamente. — Não há necessidade de


ligar para Olivia. Vou te ajudar.

Ela poderia dizer que ele não estava feliz com isso, mas no momento,
ela não se importava. Ela estava cansada de estar naquela maldita
cama. Além disso, se ele não sentia por ela o mesmo que ela sentia por ele,
realmente não havia necessidade de ficar pairando sobre ela como se
sentisse.

— Obrigada. — Lexi murmurou enquanto ele a ajudava a subir na


cadeira de rodas. Ela escondeu a careta quando os pontos em seu lado
puxaram. Descansando a mão parcialmente fundida em seu colo, ela se
sentou em silêncio enquanto Trevor a empurrava para fora do quarto.

Assim que chegaram ao quarto de Joe, Trevor bateu na porta e


esperou. Ouvir a voz de Joe dizendo para eles entrarem foi como música
para os ouvidos de Lexi. Ela prometeu a si mesma que não choraria, mas
quando o viu sentado na cama e rindo com Caleb e Gina, as lágrimas
começaram a derramar.

— Alexis. — disse Joe, sua voz ainda rouca de toda a fumaça que ele
inalou. — O que você está fazendo fora da cama, garota? Você deveria estar
descansando.

— Isso é o que eu tentei dizer a ela, mas você conhece Lex. — Trevor
brincou.

— Sim, tenho certeza. Teimosa até o âmago, assim como sua


mãe. Essas enfermeiras e médicos lhe dizem coisas por um bom motivo,
mocinha.

Lexi nem se importou com o sermão que estava recebendo, porque


significava que Joe estava vivo.

— Não o deixe enganar você, Lex. — disse Gina. — Ainda esta


manhã, eu entrei e o encontrei fora da cama e no meio do corredor antes
que qualquer uma das enfermeiras percebesse que ele havia saído do
quarto.

— O que? — Joe disse inocentemente. — Eu queria meu café e


ninguém estava por perto para trazê-lo para mim.

Caleb disse: — Acho que nenhum de vocês é bom em seguir


instruções. — Baixinho, ele acrescentou: — Não que eu esteja surpreso.
— Ei. — Lexi e Joe disseram ao mesmo tempo. A sala explodiu em
gargalhadas.

Deus, é bom rir de novo. Segurando a mão fundida ao seu lado para
ajudar com a dor que o movimento causou, Lexi olhou para cima para
encontrar Trevor olhando para ela. A emoção por trás de seus olhos era algo
que ela não conseguia identificar.

— Bem, estou feliz que você esteja aqui. — disse Joe a Lexi. — Há
algo que estou querendo dizer a você. — Ele olhou para Gina e Caleb. —
Todos vocês, na verdade.

— OK. — Lexi olhou para ele enquanto todos esperavam.

— É sobre o restaurante.

— Oh, Joe. Sinto muito. — Lexi se desculpou, mas Joe não queria
ouvir.

— Agora, olhe aqui. Nenhum de vocês... — ele apontou primeiro para


Lexi, depois para Trevor — É responsável pelo que aquele filho da puta
fez. Ele era dono de si mesmo, que tomava suas próprias decisões, e não
quero ouvir mais nenhuma palavra sobre isso.

Piscando com o tom severo de sua voz, Lexi disse: — Tudo bem. —
Porque realmente... o que mais ela poderia dizer?

— Sim, senhor. — Trevor respeitosamente concordou ao mesmo


tempo.

— Bom. Agora que isso foi resolvido, o que eu queria dizer a vocês é
que decidi não reconstruir a lanchonete.

— O que? — Gina perguntou, claramente chocada com a revelação


de Joe.

— Mas, Joe... esse restaurante é a sua vida inteira. — Lexi disse


suavemente.
— É exatamente por isso que não estou reconstruindo.

— Eu não entendo. — Caleb disse da cadeira que ele puxou para mais
perto da cama de Joe.

— Não me entenda mal. — Joe balançou a cabeça careca. — Aquele


restaurante tem sido um negócio maravilhoso. E todos vocês... — ele olhou
ao redor da sala — Vocês se tornaram minha família. Mas, eu não estou
ficando mais jovem. Ainda tenho a maior parte do seguro de vida da minha
esposa, que está cobrando juros desde que ela morreu. Eu também
consegui colocar algum dinheiro aqui e ali ao longo dos anos, então vou me
dar bem.

— Tem certeza? — Lexi perguntou suavemente.

— Não tenho tanta certeza sobre algo desde o dia que te contratei.

Os olhos de Lexi se encheram de lágrimas, mesmo quando Caleb


disse: — Espere um minuto... você me contratou muito tempo depois de
contratar Lex.

Joe apenas olhou para ele e sorriu. — Eu sei.

Gina, Lexi e Trevor riram enquanto Caleb fingia estar ofendido.

Assim que as risadas cessaram, a sala ficou em silêncio por um


momento. Depois de um curto período, Lexi deu a Trevor um olhar e de
alguma forma ele sabia o que ela precisava, mesmo sem ela dizer.

Empurrando-a para a cama, ele a ajudou a se


levantar. Cuidadosamente, Lexi se abaixou e deu a Joe o melhor abraço que
pôde sem rasgar os pontos. Ela o beijou na bochecha e disse: — Estou tão
feliz que você está bem.

— Não se preocupe comigo, Alexis. Vai ser preciso mais do que um


idiota como Anthony Young para me derrubar para sempre. Eu gostaria de
ter matado o filho da puta, no entanto. — Joe olhou para Trevor. — Obrigado
por trazê-la de volta segura, filho.
— Você nunca precisa me agradecer por isso.

Os olhos de Trevor deslizaram para os dela, e Lexi poderia jurar que


havia amor ali. Isso não poderia estar certo, no entanto. Ela tinha ouvido o
que ele disse a Young. Eu não a amo. Mal nos conhecemos. Essas palavras
esmagadoras não pararam de passar por sua mente desde que ela acordou
para encontrá-lo esperando ao lado de sua cama.

— No que diz respeito ao trabalho para vocês três... — Joe deu a


Trevor um estranho vislumbre antes de trazer sua atenção de volta para ela,
Gina e Caleb. — Tenho a sensação de que tudo vai dar certo.

Lexi não tinha certeza do que se tratava, mas quando eles se


despediram, ela estava exausta demais para perguntar. Trevor a empurrou
de volta para o quarto e ajudou-a a se deitar. Quando ele se inclinou e beijou
sua testa daquele jeito doce e irritante que vinha fazendo ultimamente, o
coração de Lexi afundou um pouco mais.

***

— Entre.

A voz rouca de Joe veio do outro lado da porta. Trevor empurrou para
abri-la e espreitou a cabeça para dentro. — Olivia disse que você queria me
ver?

— Eu quero. Entre e feche a porta atrás de você.

Trevor obedeceu e ficou ao pé da cama de Joe no hospital, esperando


para ouvir o que o homem tinha a dizer.

— Alexis está dormindo? — ele perguntou.

— Ela está. E eu realmente não quero demorar muito, apenas no caso


de ela acordar. Então, se você não se importa...
Joe sorriu, seu boné dourado brilhando nas fortes luzes
fluorescentes. — Direto ao ponto. Eu gosto disso. — Ele gesticulou em
direção à cadeira de plástico perto de sua cama. — Sente-se, filho.

Novamente, Trevor obedeceu à ordem do ex-fuzileiro naval e se


sentou. — Então... sobre o que você queria falar comigo?

— Alexis.

— Então o que ela tem?

— Ela te ama. — disse Joe sem rodeios.

— Sim senhor. Pelo menos eu espero que ela ame.

— Oh, eu sei que ela ama. O que não sei ao certo é o que você sente
por ela.

Joe esperou por uma resposta. Trevor lhe contou a verdade. — Estou
apaixonado por ela, senhor.

O rosto sério do homem mais velho começou a se curvar. — Você


planeja se casar com ela?

— Sim senhor. Isto é, se ela me aceitar. Ainda é cedo, mas...

— Nah. — Joe balançou a cabeça. — Nunca é muito cedo quando


você sabe que está certo. Tarde demais, agora isso pode definitivamente
acontecer. Você espera muito tempo ou não deixa suas intenções claras...
as mulheres não gostam de esperar para sempre por um homem se decidir.

— Senhor?

Joe alcançou a gola de sua camiseta branca e puxou a corrente que


estava usando. No final, havia um conjunto de etiquetas de identificação... e
um pequeno anel de prata.

Trevor observou Joe deslizar a corrente pela cabeça e então começar


a desfazer o fecho. Segurando uma ponta para cima, ele colocou a outra
mão abaixo dela, pegando as etiquetas e o anel enquanto eles caíam da
corrente em sua palma.

Segurando o minúsculo anel de diamante, Joe disse: — Isso pertencia


à minha esposa. Guardei depois que ela morreu. Por alguma razão, eu
simplesmente não suportava me separar disso. — Ele olhou para Trevor e
estendeu o anel. — Agora, eu sei por quê.

— Joe, não posso aceitar isso.

— Não é para você. É para Alexis. — Joe provocou.

Trevor riu. — Eu sei. Mesmo assim, posso comprar um anel para ela.

— Eu sei que você pode. Não se trata disso. — Joe inalou


profundamente. — Helen e eu... não poderíamos ter nossos próprios
filhos. Alexis é a coisa mais próxima de uma filha que já tive, e sei que minha
esposa ficaria encantada se soubesse que aquela garota estava usando seu
anel.

Trevor se inclinou para frente e estendeu a mão sobre o


corrimão. Pegando o anel entre o polegar e o indicador, ele o estudou.

Não era excessivamente grande ou chamativo. Tinha um diamante


quadrado no meio que ele supôs ser de meio quilate. Vários diamantes
redondos menores delineavam-no, bem como a parte superior da
banda. Era exatamente o estilo de anel que ele teria escolhido para Lexi se
tivesse um milhão para escolher.

— É perfeito.

— Assim como minha Helen.

Trevor olhou para o homem e sorriu. — E Lexi.

Joe inclinou a cabeça. — E Lexi.


Limpando a garganta, Trevor deslizou o anel no bolso do jeans e
estendeu a mão para Joe. — Obrigado, senhor. Eu sei que isso vai significar
muito para ela.

Joe segurou sua mão. — Chega dessa merda de 'senhor'. Somos


praticamente uma família agora. Você pode me chamar de Joe.

— Tudo bem. — Trevor sorriu. — Obrigado, Joe.

Trevor começou a se levantar, mas Joe o deteve. — Há mais uma


coisa que gostaria de discutir com você antes de ir.

Assentindo, Trevor sentou-se e ouviu.

***

Na manhã seguinte, seu quarto estava movimentado. Ela realmente


queria falar com Trevor, mas eles não tiveram um minuto a sós.

As enfermeiras entravam e saíam para ver como ela estava. Então,


dois caras da RISC que ela ainda não tinha conhecido - Coop e Grant - e a
mulher que eles chamavam de Mac vieram ver Trevor e ver como ela estava.

Todos eles pareciam muito legais. Bem, Coop e Mac, de qualquer


maneira. Lexi deu algumas risadas assistindo aqueles dois brincando um
com o outro. Grant tinha estado tão quieto que ela não tinha certeza do que
pensar dele, ainda.

Todos foram embora, mas na hora do almoço Derek e Jake


apareceram. Trevor já a havia informado sobre o acidente de Rob alguns
dias antes, mas Derek informou a ambos que Rob sucumbiu aos ferimentos
e morreu na noite anterior.

Olivia entrou bem quando eles estavam saindo. Lexi observou


enquanto ela e Jake trocavam algumas palavras, depois se despediram com
um beijo.
Sorrindo para Lexi, Olivia disse: — Então... você está pronta para
explodir este baseado, ou o quê?

— Eu posso ir para casa?

— Tenho seus documentos de liberação bem aqui. — Olivia segurava


os papéis de liberação de Lexi.

— Graças a Deus. — Lexi exalou, acrescentando rapidamente: — Não


que você não tenha sido ótima.

Rindo, Olivia se aproximou e puxou um par de luvas médicas do bolso


da bata. — Confie em mim. Eu entendo completamente como você se sente.
— As duas mulheres trocaram um olhar, antes de Olivia olhar e dizer: — Ei,
Trev. Isso não vai demorar muito. Por que você não vai buscar sua
caminhonete e trazê-la para a frente?

Ele olhou para Lexi como se não quisesse sair do lado dela nem por
um segundo. Olivia percebeu isso também. Com um tom de provocação, ela
disse: — Oh, meu Deus... você poderia parar de ser uma verruga de
preocupação e ir embora?

Com um olhar quase envergonhado, Trevor deu a Lexi um meio


sorriso. — Eu volto já.

— Eu ainda estarei aqui. — ela brincou de volta.

No minuto em que a porta se fechou atrás dele, Lexi soltou um suspiro


alto e exagerado.

— Tão ruim assim, hein?

Sua cabeça se ergueu para a de Olivia. — Oh não. Trevor tem sido


ótimo. Ele está aqui todos os dias e me ajudou em tudo...

— E ele está preso a você como uma mamãe ursa com medo de deixar
seu filhote. Está tudo bem, Lexi. O que você diz aqui fica comigo.
Olhando para Olivia enquanto colocava um pequeno curativo onde seu
soro acabara de ser removido, Lexi sussurrou: — É exaustivo. Ele está
pairando sobre mim desde que acordei. Ele não me deixa fazer nada por
mim mesma, e ele não...

— Não tem o quê? — Olivia perguntou enquanto tomava os sinais


vitais de Lexi uma última vez e inseria as informações em seu tablet. —
Beijado você?

Lexi sentiu seus olhos ficarem maiores. — C-como você...

Olivia deu uma risadinha. — Eu disse que contaria a história do que


aconteceu comigo algum dia. Bem, resumindo, o homem que me levou pela
primeira vez me encontrou novamente alguns meses depois. Felizmente,
Jake e os outros me resgataram, mas... aqui. Eu só vou te mostrar.

A outra mulher se virou e levantou a parte de trás de sua blusa. Lexi


só conseguia ver a parte inferior das costas de Olivia, mas foi o suficiente
para entender o que ela estava tentando mostrar a ela.

Ofegando com as cicatrizes cruzadas, Lexi disse: — Oh, Olivia. Eu


sinto muito.

— Tudo bem. — Ela encolheu os ombros casualmente enquanto


puxava a camisa de volta para baixo e se virava para encará-la. — Eu estou
bem agora, mas depois que aconteceu... quando eu estava curada o
suficiente e pronta para fazer... certas coisas. — suas sobrancelhas bem
aparadas balançaram para cima e para baixo — Jake não estava aceitando
nada disso.

— Mesmo?

— Aquele homem estava com tanto medo de me machucar que


levei semanas para convencê-lo de que estava curada o suficiente para
fazer sexo novamente. Achei que fosse perder a cabeça tentando encontrar
novas maneiras de seduzi-lo.
Lexi segurou seu lado enquanto ela ria. — Isso me faz sentir um pouco
melhor. Eu não sei. Não tenho certeza se Trevor sente por mim o mesmo
que eu por ele.

— E como você se sente em relação a ele? — Olivia perguntou sem


rodeios.

Incapaz de mentir, Lexi sussurrou: — Eu o amo.

Sorrindo largamente, Olivia disse: — Então, eu diria que vocês dois


estão no caminho certo um com o outro.

— Mas ele nem mesmo me beijou de verdade. Ou disse que me


ama. Não desde antes de eu ser trazida aqui.

— Ele está preocupado que você o culpe pelo que aconteceu.

Lexi franziu a testa. — Ele te disse isso?

— Não precisava. Como eu disse antes, esses caras são todos iguais.
— Olivia sentou-se cuidadosamente na cama ao lado das pernas de Lexi. —
Pense nisso. O único propósito de Anthony Young para fazer o que fez era
se vingar de Trevor. Como você acha que Trev se sente sabendo - em sua
mente - ele é a razão de você estar aqui?

— Nunca pensei nisso dessa forma. Quero dizer, ele parece...


diferente desde que cheguei aqui. Ainda doce e carinhoso, mas distante. —
Lexi pensou por um momento, em seguida, olhou de volta para Olivia. — Eu
não o culpo pelo que aconteceu. Eu sei que nada disso é culpa dele.

— Ele sabe disso?

— Bem, eu nunca disse isso a ele... mas ele deve saber que eu nunca
o culparia pelo que Young fez.

— Talvez ele esteja pensando que você deveria saber que ele está
mantendo distância porque está preocupado sobre como você reagirá se ele
não o fizer.
A esperança começou a florescer quando as palavras de Olivia
penetraram em sua mente. — Precisamos conversar.

Olivia riu. — Na minha experiência, isso tende a fazer maravilhas em


situações como essas. — De pé, ela deu a Lexi seus papéis. Então, ela deu-
lhe um abraço gentil. — Eu sei o nome de um terapeuta
maravilhoso. Quando estiver pronta, me ligue. Vou apresentá-lo.

— Terapeuta? Obrigado, mas não sei se vou precisar de um. Eu me


sinto bem.

— Agora, você se sente bem. Mas assim que a loucura se instalar,


você pode precisar falar com alguém. Quando chegar a hora, me avise e
farei tudo o que puder para ajudar.

— Obrigado, Olivia. Por tudo.

Olivia deu-lhe outro abraço antes de sair. Enquanto Lexi esperava


Trevor voltar, ela pensou sobre a conversa que eles precisavam ter e o que
ela iria dizer.

***

Trevor estava quase no quarto de Lexi quando Olivia saiu para o


corredor. Quando ela o viu caminhando em sua direção, ela sorriu e veio em
sua direção.

— Ei. Você tem um segundo?

Preocupado, ele olhou para a porta do quarto de Lexi e perguntou: —


O que há de errado. É ela…

— Ela está bem, Trevor. Na verdade, é isso que eu queria te dizer.

— Que ela está bem?


Olivia agarrou a mão de Trevor. — Aquela mulher ali é muito mais forte
do que você pensa. E, apesar do que provavelmente está acontecendo na
sua cabeça, Lexi não te culpa pelo que aconteceu.

— Ela... ela disse isso?

— Sim. — Olivia sorriu para ele. — Trevor, ela sabe que não foi sua
culpa. Todos nós sabemos. Você é o único que ainda tem essa culpa. Eu sei
o que isso fez com você depois de Lisa. Você tem uma segunda chance de
felicidade, e ela está esperando por você bem ali, atrás daquela porta. Você
pode perder mais nove anos se culpando pelo que aconteceu com Lexi ou
pode passar o resto da vida sendo feliz com a mulher que ama.

Ficando na ponta dos pés, Olivia se inclinou e deu-lhe um beijo na


bochecha. — Seja feliz, Trevor. Você merece isso. — Então, ela o contornou
e começou a se afastar.

Ela fez meio caminho pelo corredor quando Trevor se virou e gritou
para ela parar. Graças às suas pernas longas, não demorou muito para ele
fazer o seu caminho até ela.

— Você ainda tem as coisas do rancho que pedi para você comprar
na outra noite?

— Para o seu encontro?

— Sim.

Olivia sorriu com conhecimento de causa. — Sim. Você gostaria que


eu ligasse para Jake e ele organizasse tudo?

Trevor acenou com a cabeça. — Eu apreciaria.

Pegando seu telefone, Olivia disse: — Vou ligar para ele agora.

— Obrigado. — Trevor se abaixou e deu um beijo no topo da cabeça


de sua amiga antes de se virar e caminhar para o quarto de Lexi.

Quase uma hora depois, eles estavam entrando na garagem de Jake.


— É lindo. — Lexi parecia melancólica enquanto olhava para as
extensas colinas verdes e árvores. — Isso é tudo de Jake?

— Sim. E de Olivia, é claro. — Trevor estacionou a caminhonete e


desligou a ignição. — Espere aqui. Eu virei para ajudar.

Antes que ela pudesse discutir, ele saiu e deu a volta até a porta do
passageiro. Abrindo-o, ele estendeu a mão para ela.

— Obrigado.

Ele olhou para ela e sorriu. — Claro.

Lexi respirou fundo o ar limpo do campo. — Olivia tem tanta sorte de


morar aqui. — Ela olhou para o celeiro de Jake e seus olhos brilharam. —
Eles têm cavalos?

Trevor sorriu. — Você cavalga?

— Não, mas sempre quis.

— OK.

— OK?

— Certo. Quando você se curar e eu a levarei para cavalgar.

Lexi sorriu, mas o brilho em seus olhos diminuiu ligeiramente. —


Trevor, o que... o que estamos fazendo aqui? Quando saímos do hospital,
pensei que você ia apenas me levar para casa. Para minha casa. Ou... —
ela hesitou um pouco — Pensei que poderíamos ir para a sua casa para que
pudéssemos conversar. Então por que estamos aqui?

— Eu ainda te devo um encontro. — ele disse com naturalidade.

— Um encontro? Agora? — Ela olhou para ele como se ele fosse


louco.

Trevor simplesmente encolheu os ombros. — Por que não?


— Mas, eu estou...— Lexi olhou para si mesma. — Acabei de sair do
hospital. Estou de calça de ioga e uma camiseta velha.

— O que é perfeito para o que eu planejei. Contanto que você esteja


se sentindo bem para isso.

— Eu... hum... sim. Eu acho que sim.

— Eu esperava que você dissesse isso. — Trevor se abaixou e a pegou


suavemente em seus braços.

Lexi soltou um pequeno grito. — Trevor! — Ela agarrou a nuca dele


para se apoiar. — O que você está fazendo?

— É uma longa caminhada até o celeiro, Angel. Não quero que você
se canse antes mesmo do início do encontro.

Embora ela parecesse querer dizer algo, Trevor ficou aliviado quando
Lexi cedeu e colocou a cabeça em seu ombro. Deus, senti falta de tê-la em
meus braços.

Depois de fazer o caminho com cuidado para o celeiro, Trevor levou


Lexi pelo caminho e viu Jake, esperando por eles. Não querendo perder
tempo, ele passou pelos cavalos e entrou no terreno aberto atrás da
estrutura.

Ele foi devagar e fez tudo o que podia para evitar qualquer solavanco
ou rachadura que pudesse tornar o passeio desconfortável para Lexi. Ele
não pôde deixar de sorrir com a reação dela quando chegaram ao topo de
uma das colinas e ela viu o que os esperava.

Seu rosto se iluminou como o de uma criança quando ela se virou para
ele. — Um piquenique?

— Você gosta de piqueniques?

— Eu amo! Minha mãe e eu costumávamos fazer piqueniques o tempo


todo quando eu era pequena.
A tensão nervosa que sentia desde a saída do hospital diminuiu
sabendo que ele planejou algo que ela gostaria. Ele parou o lado a lado e,
embora não fosse um degrau alto como a caminhonete, ele deu a volta e
pegou a mão boa dela quando ela desceu.

Parado na frente dela, ele segurou sua mão enquanto falava baixo. —
Eu esperava que você gostasse disso.

— Eu amo isso. Obrigado.

Arriscando-se, Trevor se inclinou e beijou-a nos lábios. Seus


hematomas e cortes já estavam se curando bem, mas ele ainda manteve o
beijo suave por medo de machucá-la.

Depois que o beijo terminou, ele os guiou para a área que Jake havia
preparado para eles. Havia um grande cobertor apoiado na grama. No
centro havia um balde de gelo com uma garrafa de champanhe, duas taças
de champanhe, um vaso com algumas flores silvestres recém-cortadas e
uma travessa coberta. Ao lado do balde havia um abridor de cortiça.

Jake se lembrava de tudo.

Ele a ajudou a se sentar antes de se abaixar ao lado dela. — Você está


bem? Eu trouxe seus analgésicos conosco, apenas no caso de você precisar
deles.

— Eu estou bem. — Ela balançou a cabeça. — Tomei ibuprofeno antes


de saímos do hospital. E eu não quero nada mais forte. — Ela olhou para a
garrafa de champanhe. — Especialmente se eu conseguir tomar um copo
disso.

Trevor sorriu enquanto pegava a garrafa. Depois de abrir a rolha e


servir um copo para cada um, ele ergueu a tampa do prato. Estava recheado
com uma variedade de frutas e chocolates.

— Uau. Não acredito que você fez tudo isso.


— Bem, como eu disse, eu tive alguma ajuda. Na verdade, eu planejei
um dia inteiro, mas... — Trevor se interrompeu abruptamente quando
percebeu o que estava prestes a dizer.

— Tudo bem falar sobre isso, Trevor. — Lexi apoiou a mão fundida em
sua coxa coberta pelo jeans. — Na verdade, acho que precisamos.

Ela estava certa. Engolindo em seco, ele pousou o copo. — Eu sinto


muito, Lex. — ele sussurrou. Ele olhou para seus olhos grandes e bonitos. —
Eu nunca quis que meu mundo colidisse com o seu. Saber que ele te
machucou por minha causa... — Sua maldita voz falhou, e ele baixou o olhar,
a culpa tornando impossível continuar olhando-a nos olhos.

Colocando seu próprio copo na mesa, Lexi se ajoelhou e se acomodou


na frente dele. Pegando as mãos dele da melhor maneira que pôde, ela
disse: — Olhe para mim, Trevor.

Sabendo que ele nunca poderia negar nada a ela, Trevor fez o que ela
pediu. Ele ficou surpreso quando não viu raiva ou ressentimento ali. Apenas
amor.

— Eu sei que você se culpa pelo que aconteceu, mas você precisa
saber que eu não. Não foi sua culpa. Foi horrível e tenho certeza de que terei
pesadelos por meses, mas não por sua causa. Quando eu sonhar com você,
estarei sonhando sobre como fiquei aliviada quando vi você entrar por
aquela porta. Vou sonhar com a maneira como você estava disposto a se
entregar àquele monstro, apenas para me salvar. E... — Ela lambeu os lábios
nervosamente. — Vou sonhar com a sensação de ouvir você dizer que me
ama. Mesmo se... — ela fez uma pausa, antes de respirar fundo e levantar
o queixo — Mesmo se você realmente não quisesse dizer isso.

Realmente não... — É claro que eu quis dizer isso, Angel.

— Você quis?

Trevor odiava que ela duvidasse disso por um segundo. — Eu não teria
dito isso se não fosse sério, Lex. Eu só me segurei porque não tinha certeza
de como você se sentia. — Ele usou um dedo para tirar alguns fios de cabelo
de sua testa e colocá-los atrás da orelha. — Depois de tudo que você
passou, fiquei com medo de que você me odiasse para sempre. Não que eu
culpe você.

Com sua mão boa, Lexi agarrou seu pulso levantado. — Eu nunca
poderia odiar você, Trevor. Eu amo você. — Ela se inclinou e o beijou desta
vez.

Trevor se permitiu um momento para ceder à sua necessidade por


esta mulher. A ponta da língua dele atingiu a costura de seus lábios, e ela se
abriu para ele pela primeira vez desde que seu pesadelo havia acabado.

Ele derramou todo o amor que sentia por esta mulher naquele beijo
lento. Depois de alguns momentos gloriosos, ele se afastou e sussurrou: —
Eu também te amo, Angel. — Surpreendentemente, os ombros de Lexi
tremeram com uma risada leve. — Não é exatamente a reação que eu
esperava.

— Eu sinto muito. — Ela deu a ele outro beijo curto e doce. — Eu


estava pensando em como Olivia estava certa.

— Sobre o que?

— Ela disse que você e eu realmente precisávamos falar um com o


outro. Que provavelmente nos ajudaria muito. Acho que ela estava certa.

Trevor sorriu. — A mulher geralmente está. E por falar em conversa...


— Ele se endireitou um pouco mais. — Há outra coisa que eu gostaria de
discutir.

— OK. — Lexi se recostou e pegou um mirtilo do prato. Colocando na


boca, ela disse: — O que é?

— A lanchonete.

Confusa, Lexi disse: — Não há lanchonete,

— Não, mas ainda há o terreno onde o restaurante costumava estar.


— Não entendo.

— Aqui. — Ele se inclinou e puxou um envelope do bolso de trás. —


Talvez isso ajude.

Lexi pegou o envelope de sua mão e abriu-o sem jeito. Assim que tirou
os papéis, ela os desdobrou e começou a ler.

— Eu não entendo. — ela repetiu. — Isso parece uma escritura de


propriedade.

— É porque é. É a escritura do pedaço de terra onde o Joe's Diner


estava.

Ela olhou para ele, suas lindas sobrancelhas franzidas logo acima do
nariz. — Por que você tem a escritura das terras de Joe?

— Porque não é mais a terra do Joe. — Ele olhou para ela e sorriu. —
É sua.

Atordoada e ainda claramente confusa, Lexi abriu a boca -


provavelmente para dizer a ele pela terceira vez que ela não entendia - mas
Trevor a interrompeu na passagem.

— Eu fui visitar Joe em seu quarto ontem à noite enquanto você estava
dormindo. Ele me deu isso. — Trevor inclinou a cabeça em direção aos
papéis em sua mão — E disse que queria que você ficasse com a terra.

— Por que diabos Joe me daria as terras do restaurante?

— Para que você possa ter um local para construir seu próprio
restaurante.

Seus olhos adoráveis ficaram grandes como pires. — Meu próprio…


Trevor, não posso construir um restaurante. Mesmo com esse terreno, eu
ainda teria que achar dinheiro para a construção, mais todas as taxas de
licenciamento que iriam com ele. Joe foi muito gentil... — Lexi dobrou os
papéis de volta e começou a colocá-los no envelope — Mas não tenho como
me dar ao luxo de fazer tudo isso.
— Sim você tem.

— Como?

— Com a minha ajuda.

— Eu não posso te pedir para...

— Você não está perguntando. A verdade é que há um tempo que


estou pensando em encontrar algo para fazer com o dinheiro que
economizei. — Trevor ficou de joelhos e pegou as mãos dela. — Pensei em
encontrar um bom negócio para investir. Talvez um bom restaurante. Nada
muito sofisticado. Em algum lugar elegante, mas simples. Um lugar onde as
pessoas podem ir para uma boa refeição. — Ele ergueu a mão boa dela e
beijou as costas dela. — O que você diz, Angel?

***

Os olhos de Lexi se encheram de lágrimas quando ouviu Trevor recitar


como ela havia descrito sua ideia do restaurante perfeito. O fato de que ele
se lembrava quase palavra por palavra da maneira como ela descreveu seu
sonho a fez ter esperanças de coisas que ela pensava que nunca
aconteceriam.

— Trevor?

— Eu quero que você tenha o restaurante que você sempre quis. E


antes que você tente argumentar, isso não é uma mãozinha, e eu não vejo
você como um caso de caridade. Podemos configurá-lo como um
empréstimo para uma pequena empresa, se desejar. Já conversei com meu
advogado e ele vai redigir a papelada assim que eu der luz verde.

— Então, seríamos... parceiros de negócios?


— No que diz respeito ao restaurante, caberá a você construir e
administrar como quiser. Serei sócio apenas no nome.

A mente de Lexi girou com um pouco de medo e muita excitação. Meu


próprio restaurante.

— Quanto ao resto, bem... isso é com você.

— O resto?

— Eu te amo, Alexis. Não quero ser apenas seu parceiro nos


negócios. Eu quero ser seu parceiro na vida. Eu sei que é rápido, mas não
me importo. Meu coração sabe o que quer e quer você, Angel.

Ele segurou o rosto dela com as duas mãos. — Eu quero você ao meu
lado e na minha cama. Quero compartilhar sua alegria, suor e lágrimas
enquanto realiza seu sonho. Eu quero voltar para casa do trabalho e saber
que você será aquela que estará esperando por mim quando eu chegar em
casa.

Lexi sabia que ele estava tentando parecer calmo e controlado, mas
seus olhos traíram muito. Ela observou enquanto Trevor puxava algo do
bolso e respirava nervoso. Lexi perdeu o dela enquanto ele segurava o anel
mais lindo que ela já tinha visto.

— Isso pertencia à esposa de Joe.

Ofegante, ela enxugou as lágrimas dos olhos. — J-Joe deu isso a


você?

Trevor acenou com a cabeça. — Eu não quero esperar, Angel. Eu


quero me amarrar a você de todas as maneiras possíveis. Eu sei em meu
coração que pertencemos um ao outro. A única outra coisa que preciso
saber é... você quer se casar comigo, Alexis?

Oh meu Deus! O calor de seu toque e o amor refletido em seus olhos


a encheram a tal ponto que ela pensou que seu coração fosse explodir.

— T-Trevor, eu... eu não sei o que dizer.


Ele a beijou, seus lábios roçando os dela enquanto ele sussurrava: —
Diga, sim, Angel. — Ele a beijou novamente. — Tudo o que você precisa
fazer é dizer sim.

Com lágrimas de alegria escorrendo pelo rosto, Lexi sorriu de volta


para o homem dos seus sonhos e sussurrou suavemente: — Sim.

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