Grupo Topológico: Estruturas e Propriedades
Grupo Topológico: Estruturas e Propriedades
Grupo Topológico
Aline Cristina Bertoncelo Dutra
Orientadora
2011
514.2 Dutra, Aline Cristina Bertoncelo
D978g Grupo Topológico/ Aline Cristina Bertoncelo Dutra- Rio Claro:
[s.n.], 2011.
88 f., il., gráfs., tab.
dora:
Orientadora
DM/UFSCAR-São Carlos
IGCE/UNESP-Rio Claro
Primeiramente à Deus, meu criador, minha rocha forte, que tem me sustentado na
Agradeço à minha família, meu pai, minha mãe e minha irmã, que com tanto carinho
Rizziolli, que abraçou a minha causa e orientou-me com toda paciência e sabedoria.
Nunca vou esquecer tudo o que fez por mim e seu exemplo de vida, amizade e pro-
ssionalismo.
incentivo.
a instrução. Pv 1.7
Resumo
Neste trabalho tratamos do objeto matemático Grupo Topológico. Para este de-
In this work we consider the mathematical object Topological Group. For this
development, we discuss the basic elements of the Group and Topological Space.
3.2 Conjuntos Y, A e C . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
3.3 Conjuntos Y, A e U . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
2.2 Tabela D3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
2.3 Tabela Q. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
2.4 Tabela V4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
1 Introdução 10
2 Sobre a Estrutura Algébrica: Grupo 11
2.1 Grupo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
2.2 Subgrupo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
4 Grupo Topológico 70
4.1 Sobre Grupo Topológico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
5 Conclusão 86
Referências 88
1 Introdução
funções contínuas sobre um determinado espaço topológico que possuía também estru-
tura de grupo. Espaços como este possuíam papel central na pesquisa matemática; um
Diante disto, destacamos a relevância deste trabalho pela conexão natural entre
grupo e espaço topológico. Esta é exatamente a nalidade dos dois primeiros capí-
tulos: iniciamos com elementos básicos de grupos, usando [2, 3] como referências, e
nalidade, seguindo [4, 5]. Embora os dois capítulos sejam independentes, estes serão
Por m, observamos que para a compreensão deste material o leitor deve estar familiar-
izado com noções básicas de teoria dos conjuntos (por exemplo, Princípio da Indução
10
2 Sobre a Estrutura Algébrica: Grupo
Neste capítulo tratamos noções básicas sobre a estrutura algébrica grupo, através
subgrupos, classes laterais e grupo quociente. Detalhes sobre este assunto e demais
2.1 Grupo
Denição 2.1. Sejam G um conjunto não vazio e ∗ uma operação binária de G (isto
é, uma função de G × G em G) tal que (x, y) 7→ x ∗ y.
Dizemos que (G, ∗) é um grupo em relação a esta operação binária ou que ∗ de-
ne uma estrutura de grupo sobre o conjunto G se, e somente se, valem as seguintes
propriedades:
(a) Associativa: a ∗ (b ∗ c) = (a ∗ b) ∗ c, ∀ a, b, c ∈ G;
(b) Existência do elemento neutro: ∃ e ∈ G | a ∗ e = a = e ∗ a, ∀ a ∈ G;
(c) Existência de elemento oposto: ∀ a ∈ G, ∃ ā ∈ G | a ∗ ā = e = ā ∗ a.
Observação 2.1. Dizemos que um grupo é aditivo, ou multiplicativo, se as operações
inverso, respectivamente.
11
Grupo 12
(iv) Se x1 , . . . , xn ∈ G, então
x1 ∗ . . . ∗ xn = x̄n ∗ . . . ∗ x̄1 .
e
x∗a=y∗a⇒x=y
e ∗ a = a = a ∗ e, ∀ a ∈ G. (I)
Suponhamos agora que exista outro elemento e0 tal que, para qualquer a∈G:
0 0
e ∗a=a=a∗e. Em particular, para a=e temos:
e ∗ e0 = e.
e0 = e ∗ e0 = e.
Portanto, e0 = e.
• x ∗ y = e = y ∗ x;
• x ∗ z = e = z ∗ x.
Deste modo,
z = e ∗ z = (y ∗ x) ∗ z = y ∗ (x ∗ z) = y ∗ e = y.
Portanto, y = z.
x̄ ∗ x = e = x ∗ x̄
Grupo 13
ȳ ∗ y = e = y ∗ ȳ.
Portanto, x ∗ y = ȳ ∗ x̄.
x1 ∗ . . . ∗ xk = x̄k ∗ . . . ∗ x̄1 .
x1 ∗ . . . ∗ xn = x̄n ∗ . . . ∗ x̄1 , ∀ n ∈ N.
x = e ∗ x = (ā ∗ a) ∗ x = ā ∗ (a ∗ x) = ā ∗ (a ∗ y) = (ā ∗ a) ∗ y = e ∗ y = y.
Portanto, x = y.
Analogamente, se x ∗ a = y ∗ a, segue
x = x ∗ e = x ∗ (a ∗ ā) = (x ∗ a) ∗ ā = (y ∗ a) ∗ ā = y ∗ (a ∗ ā) = y ∗ e = y.
Grupo 14
Exemplo 2.1. Grupo Aditivo dos Reais. R munido da adição usual, (R, +) é um
grupo.
+ : C × C −→ C
α + 0 = (a + 0) + (b + 0)i = a + bi = α,
e
0 + α = (0 + a) + (0 + b)i = a + bi = α,
α = a + bi ∈ C,
(c) Para cada pela propriedade de elemento neutro de R, o elemento
−α = −a − bi é tal que
Portanto, segue dos itens (a), (b) e (c) que (C, +) é um grupo.
(a) Para quaisquer (x, x0 ), (y, y 0 ), (z, z 0 ) em G × G0 , temos pela propriedade associativa
(b) Seja (x, x0 ) ∈ G × G0 qualquer. Dena e = (eG , eG0 ), onde eG e eG0 são os elementos
0
identidade de G e G , respectivamente. Desta forma:
Logo, X ∗ X = e = X ∗ X.
Portanto, X é o elemento inverso de X em G × G0 .
n
Y
Dados (G1 , 41 ), · · · , (Gn , 4n ) grupos quaisquer, o conjunto Gi = G1 × · · · × Gn
i=1
é um grupo munido da operação ∗, denida da seguinte forma:
Yn
Para quaisquer X = (x1 , . . . , xn ), Y = (y1 , . . . , yn ) ∈ Gi , segue que
i=1
X ∗ Y := (x1 41 y1 , . . . , xn 4n yn ).
A demonstração segue usando o Princípio da Indução Finita e o exemplo anterior.
Grupo 16
Denição 2.2. Dizemos que um grupo (G, ∗) é abeliano ou comutativo se, e somente
se, a operação binária (x, y) 7→ x ∗ y é comutativa, isto é,
x ∗ y = y ∗ x, ∀ x, y ∈ G.
a + (b + c) = (a + b) + c,
a + 0 = a = 0 + a,
a + (−a) = 0 = (−a) + a,
a + b = b + a.
Logo (Z, +), Grupo Aditivo dos Inteiros, é um grupo abeliano.
Exemplo 2.6. Grupo Aditivo dos Racionais. O par (Q, +) , onde Q é o conjunto dos
Exemplo 2.7. Grupo Aditivo dos Reais. R munido da adição usual, (R, +) é um grupo
abeliano.
Exemplo 2.8. Nas condições do exemplo 2.3, se (G, 4) e (G0 , ♦) são grupos abelianos,
então (G × G0 , ∗) também o é. De fato,
∀ X = (x, x0 ), Y = (y, y 0 ) ∈ G × G0 :
X ∗ Y = (x, x0 ) ∗ (y, y 0 ) := (x4y, x0 ♦y 0 ) =
(y4x, y 0 ♦x0 ) := (y, y 0 ) ∗ (x, x0 ) = Y ∗ X
Portanto, X ∗ Y = Y ∗ X.
Por exemplo, Rn munido da operação + para n-uplas é um grupo abeliano.
(ab)c = a(bc);
Grupo 17
a1 = a = 1a;
a b
(c) Cada elemento ∈ Q∗ tem como elemento inverso , pois
b a
ab ab ba ba
= =1= = ;
ba ba ab ab
(d) Para a, b ∈ Q∗ quaisquer, temos que ab = ba.
O par (R∗ , ·), onde R∗ é o conjunto dos reais não nulos e a operação · é a multipli-
Com efeito:
Logo, α1 = α = 1α.
αα−1 = 1 = α−1 α.
Suponha α−1 = c + di. Veja que αα−1 = 1 equivale a (a + bi)(c + di) = 1 + 0i,
ou ainda, (ac − bd) + (ad + bc)i = 1 + 0i.
a
c =
a2 + b2
.
b
d = − 2
a + b2
Note que a igualdade α−1 α = 1 gera o mesmo sistema linear. Portanto, para cada
a b
α = a + bi ∈ C∗ , o seu elemento inverso é dado por α−1 = − i,
a2 + b2 a2 + b2
conforme comprovamos a seguir.
−1 a b
αα = a + bi 2 2
− 2 i =
a +b a + b2
a −b −b a
a −b + a i +b i=
a2 + b2 a2 + b2 a2 + b2 a2 + b2
a2 b2
ab ab
+ + − + 2 i=
a2 + b2 a2 + b 2 2
a +b 2 a + b2
a2 + b2
(−ab) + (ab)
+ i = 1 + 0i = 1.
a2 + b2 a2 + b2
Analogamente, α−1 α = 1 + 0i = 1.
αβ = βα.
De fato,
Portanto, (C∗ , ·), o Grupo Multiplicativo dos Complexos não nulos é um grupo
abeliano.
Para quaisquer
a11 ··· a1n b11 ··· b1n
. .. . . .. .
A= . . ,B = . . ∈ Mm×n (G),
. . . . . .
a11 ∗ (b11 ∗ c11 ) ··· a1n ∗ (b1n ∗ c1n )
. .. .
. . =
. . .
(a11 ∗ b11 ) ∗ c11 ··· (a1n ∗ b1n ) ∗ c1n
. .. .
. . =
. . .
a11 ∗ b11 ··· a1n ∗ b1n c11 ··· c1n
. .. . . .. .
. . 4 . .
. . . . . .
am1 ∗ bm1 · · · amn ∗ bmn cm1 · · · cmn
a11 ··· a1n b11 ··· b1n c11 ··· c1n
. .. . . .. . . .. .
. . 4 . . 4 . . = [A4B] 4C.
. . . . . . . . .
Portanto, 4 é associativa.
eG · · · eG
. .. .
(b) Sendo eG é o elemento neutro de G, então e := . . é o elemento
. . .
eG · · · eG
neutro para Mm×n (G), de fato:
a11 ··· a1n eG · · · eG
. .. . . .. .
A4e= . . 4 . .
. . . . . .
am1 · · · amn eG · · · eG
a11 ∗ eG ··· a1n ∗ eG a11 ··· a1n
. .. . . .. .
= . . = . . = A.
. . . . . .
Analogamente, e 4 A = A.
Logo, A 4 e = A = e 4 A.
a11 ··· a1n ā11 ··· ā1n
. .. . . .. .
A 4 Ā = . . 4 . . :=
. . . . . .
Analogamente, Ā 4 A = e.
Logo,
A 4 Ā = e = Ā 4 A.
Portanto, segue dos itens(i), (ii) e (iii) que (Mm×n (G), 4) é um grupo.
Observamos ainda que se (G, ∗) é um grupo abeliano, então (Mm×n (G), 4) também
a11 ··· a1n b11 ··· b1n
. .. . . .. .
A= . . ,B = . . ∈ Mm×n (G),
. . . . . .
cientes em Z, Q, R e C respectivamente.
Exemplo 2.13. Grupo Multiplicativo das Matrizes Invertíveis com Coecientes Reais.
SejaGL(n) = {A ∈ Mn (R) | det(A) 6= 0}, com Mn (R) o conjunto das matrizes
de ordem n sobre R. Considere A = (aij ), B = (bjk ) matrizes quaisquer em GL(n).
n
X
cik = aij bjk , ∀ i, k ∈ {1, · · · , n}.
j=1
Observe que este produto está bem denido em GL(n) no seguinte sentido: se
Com efeito,
Grupo 22
ai1 (b11 c1l + b12 c2l + . . . + b1n cnl ) + ai2 (b21 c1l + b22 c2l + . . . + b2n cnl ) + . . . + ain (bn1 c1l +
bn2 c2l + . . . + bnn cnl ) =
(ai1 b11 )c1l +(ai1 b12 )c2l +. . .+(ai1 b1n )cnl +(ai2 b21 )c1l +(ai2 b22 )c2l +. . .+(ai2 b2n )cnl +
. . . + (ain bn1 )c1l + (ain bn2 )c2l + . . . + (ain bnn )cnl =
[(ai1 b11 )c1l + (ai2 b21 )c1l + . . . + (ain bn1 )c1l ] + . . . + [(ai1 b11 )cnl + (ai2 b21 )cnl + . . . +
(ain bn1 )cnl ] =
(ai1 b11 + ai2 b21 + . . . + ain bn1 )c1l + . . . + (ai1 b11 + ai2 b21 + . . . + ain bn1 )cnl =
n
X
(ai1 b1k + ai2 b2k + . . . + ain bnk )ckl =
k=1
n X
X n
( aij bjk )ckl = (AB)C.
k=1 j=1
Portanto, A(BC) = (AB)C , isto é, vale a propriedade associativa para (GL(n), ·).
(b) Para qualquer A = (aij ) ∈ GL(n), a matriz In = (δjk ), cujas entradas são dadas
por δjk = 1, se j = k , e δjk = 0, se k 6= j , é o elemento identidade de GL(n).
(c) Seja A = (aij ) ∈ GL(n), qualquer. Denimos a matriz dos cofatores de A como
(i+j)
sendo a matriz Ā = (∆ij ), onde ∆ij = (−1) det(Aij ), com Aij a submatriz de
A obtida extraindo-se a i-ésima linha e a j -ésima coluna de A.
1
Armação: B= Āt é tal que AB = In = BA.
detA
Com efeito, primeiro observe que a matriz B está bem denida já que detA 6= 0.
Ainda,
1 1
AB = A[ At ] = [AĀt ].
detA detA
Grupo 23
Agora,
t
a11 · · · a1i · · · a1n ∆11 · · · ∆1i · · · ∆1n
. .. . . . .. . .
.. . .
.
.
.
.. . .
.
.
.
t
AĀ = ai1 · · · aii · · · ain ∆i1 · · · ∆ii · · · ∆in =
. . .
. . .
.. ..
.. .
. . .
.
.. .
. . .
.
an1 · · · ani · · · ann ∆n1 · · · ∆ni · · · ∆nn
a11 · · · a1i · · · a1n ∆11 · · · ∆i1 · · · ∆n1
. .. . . . .. . .
.. . .
.
.
.
.. . .
.
.
.
ai1 · · · aii · · · ain ∆1i · · · ∆ii · · · ∆ni = (cij ),
. . .
. . .
.. ..
.. .
. . .
.
.. .
. . .
.
an1 · · · ani · · · ann ∆1n · · · ∆in · · · ∆nn
onde cii = detA e cij = 0, pois observe que escolhendo a i-ésima linha para
2
calcular o determinante de A segue que:
c12 = −a11 (a12 a33 − a13 a32 ) + a12 (a11 a33 − a13 a31 ) − a13 (a11 a32 − a12 a31 ) = 0.
Logo,
AĀt = detA In .
Consequentemente,
1 1
AB = A Āt = detA In = In .
detA detA
2
Para detalhes sobre o algoritmo para encontrar o determinante via matriz dos cofatores vide [6]
p.64.
3
Este desenvolvimento é encontrado em [6], p. 73.
Grupo 24
detAB = detIn 6= 0.
Logo, detA detB = detAB 6= 0 e deste modo temos detB 6= 0, isto é, B ∈ GL(n).
Portanto, B é o elemento inverso de A em (GL(n), ·).
Por m, pelos itens (a), (b) e (c), segue que (GL(n), ·) é um grupo.
Observamos
! que este grupo não
! é comutativo. Por exemplo, se n=2 e escolhendo
0 1 3 1
A= e B= temos
2 3 −1 0
! !
−1 0 2 6
AB = e BA =
3 2 0 −1
Portanto, AB 6= BA.
SejaE um conjunto não vazio. Denotamos por S(E) o conjunto de todas as funções
f : E −→ E bijetoras.
Neste conjunto denimos a operação composição ◦, (f, g) 7−→ f ◦ g, ∀f, g ∈ S(E).
O par (S(E), ◦) é um Grupo denominando grupo das permutações sobre E . A
Portanto, (f ◦ g) ◦ h = f ◦ (g ◦ h).
(c) Para cada f ∈ S(E), como f é bijetora existe f −1 ∈ S(E) tal que
f ◦ f −1 = idE = f −1 ◦ f.
!
1 2 ··· n
f= ,
i 1 i2 · · · in
! !
1 2 ··· n 1 2 ··· n
g= ,f = .
i1 i 2 · · · in j1 j2 · · · jn
De fato:
!
−1 1 2 ··· r ··· n
(f ◦ f )(r) = = idSn (r) = (f ◦ f −1 )(r).
1 2 ··· r ··· n
· 1 −1
1 1 −1
−1 −1 1
Tabela 2.1: Tabela G = {1, −1}
Grupo 26
Podemos vericar que ({1, −1}, ·) é um grupo através dos seguintes cálculos
1 · (1 · 1) = 1 · 1 = (1 · 1) · 1.
1 · 1 = 1 = 1 · 1.
(c) Para 1 ∈ G, ∃ 1 ∈ G | 1 · 1 = 1.
Para −1 ∈ G, ∃ − 1 ∈ G | (−1) · (−1) = 1. Portanto, todo elemento de G tem
inverso.
Exemplo 2.16. Como exemplo de grupo nito com aplicação geométrica temos o
Grupo Diedral.
seja,
priedade associativa para (D3 , ◦), em particular, para a rotação temos que: ru rv = ru+v ,
t u v t u+v
consequentemente, r (r r ) = r (r ) = rt+(u+v) = r(t+u)+v = rt+u rv = (rt ru )rv . O
elemento identidade, e, desta operação é o movimento que deixa o polígono na sua
3 2
posição inicial, consequentemente e é tal que r = e e s = e. O elemento inverso de r ,
◦ e r r2 s rs r2s
e e r r2 s rs r2s
r r r2 e rs r2s s
r2 r2 e r r2s s rs
s s r2s rs e r2 r
rs rs s r2s r e r2
r2s r2s rs s r2 r e
Tabela 2.2: Tabela D3
Veja que a partir desta tabela podemos determinar o elemento inverso de cada
elemento de D3 , a saber:
e−1 = e, r−1 = r2 , (r2 )−1 = r, s−1 = s, (rs)−1 = rs, (r2 s)−1 = r2 s (∗)
r2 r = r3 = e.
r2 r2 = rrr2 = rr3 = re = r.
r2 rs = r3 s = es = s.
r2 r2 s = rrr2 s = rr3 s = res = rs.
• Operando o elemento s com os demais elementos temos:
Analisemos primeiro o produto sr. Temos que srs = r−1 . Aplicando s−1 de ambos
os lados temos:
(∗) (∗)
srss−1 = r−1 s−1 ⇒ srss−1 = r−1 s ⇒ sre = r−1 s ⇒ sr = r−1 s ⇒ sr = r2 s.
Portanto,
sr = r2 s (∗∗).
Agora,
(∗∗) (∗∗)
sr2 = srr = r2 sr = r2 r2 s = r3 rs = ers = rs. Portanto,
sr2 = rs (∗ ∗ ∗).
Grupo 29
srs = r2 .
E,
(∗∗∗)
sr2 s = rss = rs2 = re = r.
• Operando o elemento rs com os demais elementos temos:
(∗∗)
rsr = rr2 s = es = s.
(∗∗∗)
rsr2 = rrs = r2 s.
rss = rs2 = re = r.
(I)
rsrs = rr−1 = e.
(∗∗∗)
rsr2 s = rrss = r2 s2 = r2 e = r2 .
• Operando o elemento r2 s com os demais elementos temos:
(∗∗)
r2 sr = r2 r2 s = rs.
(∗∗∗)
r2 sr2 = r2 rs = es = s.
r2 ss = r2 s2 = r2 e = r2 .
r2 srs = r2 r−1 = re = r.
(∗∗∗)
r2 sr2 s = r2 rss = es2 = e.
(D3 , ◦) valem as propriedades: associativa, elemento identidade
Portanto, para o par
nos leva a um destes elementos novamente, por exemplo: se k > 3, temos então que
Por m temos, de acordo com a tabela, os seguintes conjuntos gerados por cada
elemento:
hei = {e}.
hri = {r, r2 , e}.
hsi = {s, e}.
hrsi = {rs, e}.
hr2 si = {r2 s, e}.
Assim, o grupo D3 não é cíclico, pois nenhum dos elementos de D3 gera D3 .
Grupo 30
Para isto basta observarmos que os elementos do Grupo Diedral Dn podem ser
(ra s)rb = rl s e (ra s)(rb s) = rl , com l = a +n (n − b), onde +n é a notação para a soma
4
módulo n.
paralelos aos eixos OX e OY . O quadrado Q retorna a sua posição inicial a partir dos
primeiro quadrante.
do segundo quadrante.
vemos:
4
Seja n > 1 um inteiro e indiquemos por Zn = {0, 1, 2, . . . , n − 1} o sistema completo de restos
mínimos positivos, módulo n. Se x, y ∈ Zn , entendemos por soma módulo n de x com y , +n o resto
da divisão euclidiana de x + y por n.
Grupo 31
mento.
◦ R0 R1 R2 R3 X Y D1 D2
R0 R0 R1 R2 R3 X Y D1 D2
R1 R1 R2 R3 R0 D1 D2 Y X
R2 R2 R3 R0 R1 Y X D2 D1
R3 R3 R0 R1 R2 D2 D1 X Y
X X D2 Y D1 R0 R2 R3 R1
Y Y D1 X D2 R2 R0 R1 R3
D1 D1 X D2 Y R1 R3 R0 R2
D2 D2 Y D1 X R3 R1 R2 R0
Tabela 2.3: Tabela Q
elemento inverso de D2 .
um retângulo.
◦ i σh σv σo
i i σh σv σo
σh σh i σo σv
σv σv σo i σh
σo σo σv σh i
Tabela 2.4: Tabela V4
Observe pela tabela que o par (V4 , ◦) tem a estrutura de grupo abeliano.
2.2 Subgrupo
Denição 2.4. Seja (G, ∗) um grupo. Dizemos que um subconjunto não vazio H ⊂ G
é um subgrupo de G se, e somente se,
(i) ∀ a, b ∈ H ⇒ a ∗ b ∈ H ;
(ii) (H, ∗) tem estrutura de grupo.
Teorema 2.1. Para que um subconjunto não vazio H ⊂ G seja subgrupo de um grupo
(G, ∗), é necessário e suciente que
∀ a, b ∈ H =⇒ a ∗ b̄ ∈ H,
onde b̄ é o elemento inverso de b.
Demonstração.
Subgrupo 33
Logo,
eH ∗ eH = eH = eH ∗ eG .
Assim, pela lei do cancelamento em G,
eH = eG .
Denotamos eH = eG := e.
Também pela lei do cancelamento segue que, para cada a ∈ H temos āH = ā, onde
āH é o elemento inverso de a em H e ā é o elemento inverso de a em G. Com efeito,
a ∗ āH = eH = eG = a ∗ ā.
Logo, āH = ā.
Consequentemente, para quaisquer a, b ∈ H, temos que
a ∗ b̄ = a ∗ b̄H ∈ H.
(⇐=) Temos por hipótese que para todo a, b ∈ H, a ∗ b̄ ∈ H . Então, e ∈ H, já que
e = a ∗ ā ∈ H, ∀ a ∈ H .
Como e ∗ a = a = a ∗ e, para qualquer a ∈ H ⊂ G, segue que e é o elemento
b̄ = e ∗ b̄ ∈ H.
E para cada b ∈ H ⊂ G,
b ∗ b̄ = e = b̄ ∗ b.
a ∗ b = a ∗ ¯b̄ ∈ H.
Finalmente, a propriedade associativa para H é válida uma vez que G é um grupo
e H ⊂ G.
Subgrupo 34
Observação 2.3. Todo grupo G admite pelo menos dois subgrupos a saber, G e {e},
chamados de subgrupos triviais de G.
Exemplo 2.18. Para o Grupo Multiplicativo dos Reais não nulos (R∗ , ·), tomemos
H = {x ∈ R | x > 0}.
1
Sejam a, b ∈ H . Como b > 0, então b̄ = b−1 = >0 e igualmente ab−1 > 0. Assim
b
−1
ab ∈H e, portanto, H é subgrupo.
Exemplo 2.19. Seja agora o Grupo Aditivo dos Reais (R, +) e tomemos o subconjunto
Z dos inteiros. Então,
∀a, b ∈ Z =⇒ a + (−b) = a − b ∈ Z.
Portanto, (Z, +) é subgrupo.
assim
ainda
|z̄|C 1 1
|z −1 |C = = = = 1.
|z|2C C |z|C2
1
Portanto, z −1 ∈ S 1 .
Subgrupo 35
No que segue exploramos propriedades de classes laterais que, embora sejam enunci-
adas usando classes laterais à esquerda, todas são válidas para classes laterais à direita
[
aH = G.
a∈G
Façamos isto.
[
(i) aH ⊆ G.
a∈G
[
Seja x∈ aH , qualquer, então x ∈ a0 H , para algum a0 ∈ G. Consequente-
a∈G
mente, existe
[ h∈H tal que x = a0 h. Mas, a0 h ∈ G, logo x = a0 h ∈ G. Portanto,
aH ⊆ G.
a∈G
[
(ii) G⊆ aH .
a∈G
Sejaa0 ∈ G, qualquer. Observe que, como G é um grupo, temos que a0 = a0 e,
onde e denota o elemento neutro de G. Mas e pertence a H , já que H é subgrupo
de G. Assim,
a0 = a0 e ∈ a0 H.
Subgrupo 36
[
a0 H ⊂ aH.
a∈G
[
Logo, a0 ∈ aH.
a∈G
[
Portanto, G⊆ aH.
a∈G
[
G= aH.
a∈G
aH = bH ⇔ a−1 b ∈ H.
Mas,
a = bh ⇒⇒ a−1 b = h−1 ∈ H.
Portanto, a−1 b ∈ H.
I
y = ah1 = (bh−1 )h1 = b(h−1 h1 ) ∈ bH,
Assim,
I
y = bh2 = (ah)h2 = a(hh2 ) ∈ aH,
aH = bH.
aH ∩ bH = ∅ ou aH = bH.
x ∈ aH e x ∈ bH.
Disto segue que existem h1 , h2 ∈ H tais que
ah1 = x = bh2 .
Mas,
com h1 h−1
2 ∈ H, pois H é subgrupo de G. Isto é, a−1 b ∈ H .
Com isto, pela proposição 2.3, segue que
aH = bH.
Portanto, por dicotomia da igualdade,
aH ∩ bH = ∅ ou aH = bH.
Subgrupo 38
Observação 2.5. Pelas proposições 2.2, 2.4, 2.3 segue que o conjunto das classes
5
laterais à esquerda módulo H forma uma partição em G.
xN = N x, ∀x ∈ G,
Notação: H C G.
Proposição 2.5. Um subgrupo N de um grupo G é normal se, e somente se,
∀ n ∈ N, a ∈ G temos a−1 na ∈ N .
(i) aN ⊆ N a.
Sejax ∈ aN , qualquer. Então x = an, para algum n ∈ N . Temos por hipótese
−1
que xa = ana−1 ∈ N . Assim, como xa−1 ∈ N , temos que xa−1 = n0 para
0 −1 −1 0
algum n ∈ N e isto implica em x = xe = x(a a) = (xa )a = n a ∈ N a.
Portanto, x ∈ N a.
(ii) N a ⊆ aN .
Sex ∈ N a é qualquer, então x = na, para algum n ∈ N . Por hipótese temos que
a x = a−1 na ∈ N . Desde que a−1 x ∈ N , temos a−1 x = n0 para algum n0 ∈ N .
−1
−1 0
Logo, x = aa x = an ∈ aN .
Exemplo 2.23. G = {1, i, −1, −i} e H = {1, −1} como no exemplo 2.22,
Sejam
5
Seja E um conjunto não vazio. Diz-se que uma coleção F de subconjuntos não vazios de E é uma
partição de E se, e somente se:
(a) Dois membros quaisquer de F ou são iguais ou são disjuntos.
(b) A união dos membros de F é igual a E .
Grupo Quociente 39
∗ H iH
H H iH
iH iH H
Tabela 2.5: Tabela Subgrupo Normal
−1
Desta maneira, a na ∈ N , para todo a ∈ G. Logo, pela proposição anterior,
N C G.
Uma vez que G é um grupo segue que ab ∈ G, logo (ab)N ∈ G/N , isto é, a operação
acima é binária e é bem denida, conforme vemos a seguir
(aN, bN ) = (a0 N, b0 N ).
Temos,
( (
aN = a0 N a−1 a0 ∈ N ⇒ a−1 a0 = n1 , n1 ∈ N
⇒ (I).
bN = b0 N b−1 b0 ∈ N ⇒ b−1 b0 = n2 , n2 ∈ N
Agora,
n1 b ∈ N b = b0 N , segue
0 0
que existe n3 ∈ N tal que:
n1 b0 = b0 n3 (III).
p : G → G/N .
a 7→ aN
Note que de fato p é uma função sobrejetora, pois cada classe K em G/N é da
(ii) Veja que pela observação 2.5 o grupo quociente G/N é uma partição para o grupo
G.
Após esta abordagem sobre conceitos algébricos envolvendo grupos, temos no pró-
ximo capítulo os conceitos topológicos e alguns tópicos sobre funções contínuas que
Neste capítulo abordamos noções básicas sobre topologia geral. Denimos espaço
Também há uma seção abordando aplicações contínuas com vários exemplos e pro-
Detalhes sobre este assunto e demais considerações podem ser encontrados em [5, 4].
(a) ∅, X ∈ τ ;
(b) União arbitrária de elementos de τ pertence a τ ;
(c) Intersecção nita de elementos de τ pertence a τ .
τ = {∅, X, {a}, {b}, {c}, {a, b}, {a, c}, {b, c}},
é a topologia discreta para X. Se X = Z, então τ = ℘(Z).
42
Espaço Topológico 43
(2) {( {Ai .
[ \
Ai ) =
i∈I i∈I
Espaço Topológico 44
discreta de X.
Lema 3.1. Se B é uma base para uma topologia τ de (X, τ ) e τB é a coleção constituída
pelo conjunto vazio e pelos subconjuntos U de X tais que para cada x ∈ U existe um
elemento básico B com B ∈ B tal que x ∈ B ⊂ U , então, τB é uma topologia para X ,
a qual denominamos topologia gerada por B.
Demonstração. Mostremos que τB é de fato uma topologia para X.
(b) Se {U[
α }α∈J é uma família de subconjuntos pertencentes a τβ , então temos que
Exemplo 3.4. Dado um conjunto simplesmente ordenado é possível denir, por meio
de sua relação de ordem, uma topologia para este. Esta topologia é denominada
[a, b] = {x ∈ X | a ≤ x ≤ b},
onde o símbolo ≤ signica que a≤b se, e somente se, a<b ou a = b.
Os seguintes subconjuntos formam uma base para (X, <):
(2) Todos os intervalos da forma [a0 , b), onde a0 é o menor elemento de X , se houver;
De fato:
(a) Para todo x∈X existe B∈B x ∈ B , pois o menor elemento (se houver)
tal que
pertence a todos os conjuntos do tipo (2), o maior elemento (se houver) pertence
a todos os conjuntos do tipo (3); além disso, qualquer elemento pertence a algum
conjunto do tipo (1) já que neste caso (x não sendo nem o maior nem o menor
elemento) sempre existem a, b ∈ X tais que a < x < b e então x ∈ (a, b).
2
Um conjunto X qualquer é dito simplesmente ordenado se existe uma relação <, denominada
relação de ordem, que satisfaz:
(1) Para quaisquer x, y ∈ X com x 6= y temos x < y ou y < x;
(2) Para nenhum x ∈ X a relação x < x é válida;
(3) Para quaisquer x, y, z ∈ X , se x < y e y < z então x < z .
Espaço Topológico 46
Observe que se X não tem menor elemento, então não existem subconjuntos do
Denição 3.6. Uma subbase S para uma topologia em um espaço topológico X é uma
coleção de subconjuntos de X cuja união é igual a X .
Lema 3.2. A coleção τ de todas as uniões de interseções nitas de elementos de uma
subbase S para um espaço topológico (X, τ ) é uma topologia. Esta topologia é denomi-
nada topologia gerada pela subbase S .
Demonstração. Pela observação 3.2, para mostrar que τ é uma topologia é suciente
B3 = B1 ∩ B2 , segue o resutado.
(i) τ 0 ⊂ τ . De fato, observe que cada elemento A ∈ S é tal que A = π1a (U ), com
U aberto em X , ou A = π2a (V ), com V aberto em Y . Mas, π1a (U ) = U × Y e
π2a (V ) = X × V , ambos abertos em X × Y , ou seja, cada elemento de S pertence
a topologia τ . Consequentemente, uniões arbitrárias de interseções nitas de
0
elementos de S também, logo τ ⊂ τ .
como
U × V = π1a (U ) ∩ π2a (V ),
Consequentemente, B ⊂ Ā ∩ Y .
(ii) Ā ∩ Y ⊂ B . Sabemos que B é fechado em Y logo, pela proposição 3.1, segue que
B = C∩Y para algum conjunto fechado C em X . Então, C é um conjunto fechado
de X contendo A. Uma vez que Ā é a interseção de todos os subconjuntos fechados
mostrar que x ∈
/ Ā se, e somente se, existe uma vizinhança Ux que não intercepta A.
De fato,
(=⇒) Se x∈
/ Ā, então U = X − Ā é uma vizinhança de x que não intercepta A.
fechado, para mostrar que um conjunto nito, num espaço de Hausdor, é fechado é
suciente mostrar que cada conjunto unitário {x0 } é fechado. Para tanto, mostraremos
que, num espaço de Hausdor, o fecho de {x0 } é {x0 }. Veja que, se x é um ponto de
e Ij de xi e xj , respectivamente:
Ii = (ai , xj ) e Ij = (xi , bj ).
onde xi < c < xj < bj . Caso não exista c tal que x i < c < xj (veja que a
com ai < xi < c < xj . Caso não exista c tal que xi < c < xj (veja que a
existência de ai é garantida pelo fato de que xi não é o menor elemento de X ),
consideramos:
as vizinhanças:
Espaço Topológico 52
com xi < c < xj . Note que se não existisse c em X, este seria um conjunto com
Lema 3.4. Em um espaço métrico (X, d) o conjunto formado por todas as ε-bolas
forma uma base para uma topologia τ em X .
Esta topologia τ é chamada topologia métrica induzida por d.
Demonstração. Dado (X, d) um espaço métrico, mostraremos que a coleção
Observação 3.6. Do lema anterior segue, em particular, que toda ε-bola é um conjunto
aberto para X.
Espaço Topológico 54
|x|, é denido da seguinte maneira: se x ≥ 0, então |x| = x, e se x < 0 então |x| = −x.
Seja agora || || : E → R uma função norma no espaço E , a saber, a função que cumpre,
E , chamada de métrica induzida pela norma || ||. Com efeito, as condições (a) e (c)
para métrica seguem de modo natural pelos itens (a) e (c) da denição de norma. A
condição (b) para métrica também é satisfeita, pois, pelo item (b) acima,
(b)
dE (x, y) = ||x − y|| = ||(−1)(y − x)|| = | − 1| ||y − x|| = ||y − x|| = dE (y, x).
q
Exemplo 3.6. (Rn , || ||), onde || || é tal que ||x|| = x21 + . . . + xnn , é um espaço
normado.
Exemplo 3.7. Seja C∗ o conjunto dos números complexos não nulos. A aplicação,
| |C : C → R ,
p
z = x + yi 7→ |z|C = x2 + y 2
∗
é uma norma para C .
∗
De fato, para qualquer z = x + yi ∈ C ,
p
|z|C = 0 ⇔ x2 + y 2 = 0 ⇔ x2 + y 2 = 0 ⇔ x = 0 = y.
Também, para quaisquer z = x + yi ∈ C e λ ∈ R, temos:
p p p
|λz|C = |λx + λyi| = (λx)2 + (λy)2 = λ2 (x2 + y 2 ) = |λ| x2 + y 2 = |λ||z|C .
E, nalmente, para quaisquer z1 = x1 + y1 i, z2 = x2 + y2 i ∈ C, temos:
|z1 |2C + |z2 |2C + 2|(x1 + y1 i)(x2 − y2 i)|C = |z1 |2C + |z2 |2C + 2|x1 + y1 i|C |x2 + y2 i|C =
|z1 |2C + |z2 |2C + 2|z1 ||z2 | = (|z1 |C + |z2 |C )2 .
p
∗|x| ≤ x2 + q , onde q é um número real positivo.
Na passagem (*) usamos o fato de que, se |z1 + z2 |2C ≤ (|z1 |C + |z2 |C )2 então |z1 +
z2 |C ≤ |z1 | + |z2 |.
Portanto, (C, | |C ) é um espaço normado e, consequentemente, um espaço topológico.
Exemplo 3.8. O par (GL(n), || ||) é um espaço normado onde a norma || || é dada
por:
|| || : GL(n) → R
n
X .
A = (aij ) 7→ ||A|| = max |aij |
1≤i≤n
j=1
Exemplo 3.9. Se (E, || ||) e (E 0 , || ||0 ) são espaços normados então E × E0 também o
0
é, para isto basta denir a seguinte norma para E×E :
norma.
Denição 3.15. Seja (X, τ ) um espaço topológico, então dizemos que X é metrizável
se existe uma métrica d em X que induz a topologia τ em X .
Exemplo 3.10. Se X é um conjunto qualquer e τ0
(X, τ0 ) a topologia discreta, então
quaisquer tais que x 6= y e d(x, y) = 0 para x = y . O elemento básico B(x, 1), por
metrizável.
Demonstração. Primeiramente note que d de fato é uma métrica para R, com efeito:
mento básico (a, b) para a topologia da ordem é também um elemento básico para a
b−a
Observe que > 0 uma vez que a b e, reciprocamente, cada
é menor que
2
elemento básico para a topologia métrica induzida por d, B(x, ε), é um elemento básico
De fato, seja y ∈ B(x; s) então d(x, y) < s. Queremos d(a, y) < r , mas isto ocorre,
pois
Aplicações Contínuas 57
Exemplo 3.12. A aplicação f : [0, 2π) → S 1 , f (t) = (cos t, sen t), é uma
denida por
−1
bijeção contínua, mas não é um homeomorsmo. Sua inversa f : S 1 → [0, 2π) é
−1 1
descontínua. Mais precisamente, f é descontínua no ponto a = (1, 0) = f (0) ∈ S .
Com efeito, todo aberto em [0, 2π) contendo 0 é da forma [0, b), com b ∈ (0, 2π) e
−1 a
temos que (f ) ([0, b)) não é um conjunto aberto em S 1 . Pois, todos os subconjuntos
1 a
abertos B de S são tais que f (B) é da forma (c, 2π), com c ∈ (0, 2π), isto é c 6= 0.
j:A→X
a 7→ a,
conjunto aberto em A.
conjunto aberto em X.
Primeiramente, observe que, como g é uma função contínua e W é um sub-
a
conjunto aberto de Z , temos que g (W ) é um suconjunto aberto em Y . Por
a
outro lado, como f também é uma função contínua e g (W ) é um subcon-
a a
junto aberto em Y , segue que f (g (W )) é um subconjunto aberto de X . Mas,
(III) Este resultado segue do item anterior. Basta observar que a restrição de f para
a função f |A é contínua.
Aplicações Contínuas 59
Proposição 3.9. Se f : A → X1 × X2 é tal que f (a) = (f1 (a), f2 (a)), sendo que
fi : A 7→ Xi , i = 1, 2, então, f é contínua se, e somente se, as funções coordenadas f1
e f2 são contínuas.
Demonstração. Primeiramente consideramos as seguintes composições:
(=⇒)
f 1 π
A −→ X ×Y −→ X
,
7−→ (f1 (a), f2 (a)) 7−→ f1 (a)
e
f 2 π
A −→ X ×Y −→ Y
,
7−→ (f1 (a), f2 (a)) 7−→ f2 (a)
f1 = π 1 ◦ f e f2 = π2 ◦ f.
pois
Corolário 3.1. Se f : A → X1 ×X2 ×. . .×Xn é tal que f (a) = (f1 (a), f2 (a), . . . , fn (a)),
onde fi : A → Xi , i = 1, . . . , n, então, f é contínua se, e somente se, as funções
coordenadas f1 , f2 , . . . , fn são contínuas.
Demonstração. Segue da proposição anterior utilizando o Princípio de Indução Finita.
Observação 3.7. Veja que para espaços topológicos metrizáveis X e Y , via métricas d
0
e d respectivamente, podemos escrever a denição de continuidade da seguinte maneira:
f é contínua em x0 ∈ X , quando para toda ε-bola, ε > 0 arbitrário, existe δ > 0 tal
que f (Bd (x0 , δ)) ⊂ Bd0 (f (x0 ), ε). Em outras palavras, f é contínua em x0 ∈ X quando
veis, conforme observação 3.7. Mostremos que f é contínua: dado ε > 0, basta tomar
(i) Se existir uma constante c > 0 tal que, dN (f (x), f (y)) ≤ c dM (x, y), ∀ x, y ∈ M ,
então f é contínua. Uma função f com esta propriedade é chamada lipschitziana
e a constante c é chamada de constante de Lipschitz.
(ii) Se dN (f (x), f (y)) ≤ dM (x, y), ∀x, y ∈ M , então f é contínua. Uma função f
com esta propriedade é denominada uma contração fraca.
(iii) Se cada ponto a ∈ M é centro de uma bola aberta B = B(a, r), r > 0 tal que
f |B é lipschitziana, então f é contínua. Dizemos que uma função f com esta
propriedade é localmente lipschitziana
ε ε
Demonstração. (i) Para qualquer ε > 0, se tomamos δ = , a condição dM (x, y) <
c c
implica em
ε
dN (f (x), f (y)) ≤ c dM (x, y) < c δ = c =ε
c
Portanto, f é contínua.
(ii) De fato, sejam a∈M e ε > 0, quaisquer. Basta tomar δ=ε para obter:
Observe que (ii) também pode ser vista como um caso particular de (i), con-
siderando c = 1.
Observação 3.8. Se M e N são espaços normados com normas || ||M e || ||N , respec-
Xk = {x ∈ R | |x| ≥ k}.
Pois, dados x, y de modo que |x| ≥ k e |y| ≥ k , e considerando R com a métrica
1 1 |x − y| |x − y| 1
|r(x) − r(y)| = − = = ≤ c|x − y|, onde c = 2 .
x y |x y| |x||y| k
Veja ainda que todo ponto a pertencente a R∗ também pertence a algum conjunto
3
Xk , pois como R é arquimediano e |a| > 0, existe k > 0 tal que|a| ≥ k . Note
também que, sempre existe um intervalo de centro a, digamos Ia = (a − la , a + la ),
la ∈ R∗+ , contido em Xk . Assim, como a função r é lipschitziana em Xk , segue que r
∗
é lipschitziana em Ia . Ou seja, r:R →R é localmente lipschitziana (pois, para todo
∗
a∈R , existe Ia tal que r |Ia é lipschitziana) logo, pelo item (iii) da proposição 3.10,
Proposição 3.11. Se (E, || ||) é um espaço normado, então as seguintes funções são
contínuas:
(i) s : E × E → E .
(x, y) 7→ s(x, y) := x + y
(ii) m : R × E → E .
(λ, x) 7→ m(λ, x) := λ x
Demonstração. (i) Primeiro observe que a função dada por
Pois,
(ii) Observemos que é possível mostrar que, se uma função é contínua em uma parte
limitada do seu domínio, então esta é contínua para todo o domínio. Então para
para cada parte limitada do domínio R × E. Mas para isto é suciente mostrar
| λ| ≤ a, | µ| ≤ a, || x||E ≤ a e ||y||E ≤ x.
Proposição 3.12. Sejam (M, dM ) um espaço métrico, (E, || ||E ) um espaço vetorial
normado. Se as funções f, g : M → E e α, β : M → R, β 6= 0 são funções contínuas,
α
então são contínuas as aplicações f + g : M → E , αf : M → E e : M → R,
β
denidas por:
(i)
f +g : M → E .
x 7→ (f + g)(x) := f (x) + g(x)
(ii)
αf: M → E .
x 7→ (α f )(x) := α(x) f (x)
(iii)
α
: M → R
β .
α α(x)
x 7→ (x) :=
β β(x)
h: M → E×E
.
x 7→ (f (x), g(x))
s: E×E → E
(a, b) 7→ a + b
é contínua.
n: M → R×E
.
x 7→ (α(x), f (x))
Veja que a função n é contínua, pela proposição 3.9, pois α e f o são.
m: R×E → E
(λ, y) 7→ λy
também é contínua.
p: M → R × R∗
.
x 7→ (α(x), β(x))
Temos que a função p é contínua, pois suas funções coordenadas o são. Além
r : R∗ → R
1
x 7→ r(x) =
x
é contínua, e pelo item (i) da proposição 3.8 a função identidade id : R → R,
id (a) = a, também é contínua.
t : R × R∗ → R×R
1
(y, z) 7→ (id (y), r(z)) = y,
z
também é contínua, pela proposição 3.9.
α α
Observe que é a composição = m ◦ t ◦ p, já que,
β β
α p t m
: M −→ R × R∗ −→ R×R −→ R
β
1
α(x) α .
x 7−→ (α(x), β(x)) 7−→ α(x), 7→ = (x)
β(x) β(x) β
α
Logo, é uma composição de funções contínuas e, portanto, pela proposição 3.8,
β
contínua.
Espaço Quociente 66
Observação 3.9. Das denições 3.17 e 3.19 vemos que toda função sobrejetora, aberta
(ou fechada) e contínua, entre espaços topológicos, é uma aplicação quociente. Ressalta-
mos porém que nem toda aplicação quociente é aberta (por exemplo, a aplicação quo-
pa (∅) = ∅ e pa (A) = X,
[
(b) Dada uma família {Uα }α∈J de abertos de A, temos que Uα pertence a τ, já
α∈J
que
[ [
pa ( Uα ) = pa (Uα ),
α∈J α∈J
é um aberto em X.
Espaço Quociente 67
n
\
(c) Dado um conjunto nito de abertos de A, {U1 , . . . , Un }, temos que Ui pertence
i=1
a τ uma vez que:
n
\ n
\
a
p ( Ui ) = pa (Ui ),
i=1 i=1
é um conjunto aberto em X.
Observação 3.11. A função p apresentada em 3.21 está bem denida uma vez que,
∗
sendo X uma partição para X, existe um único elemento de X∗ que contém aquele
elemento x.
Exemplo 3.15. X um quadrado dado por [0, 1] × [0, 1]. Denimos a partição
Seja
consequentemente, temos:
continuidade de g .
Exemplo 3.16. Dena a seguinte relação de equivalência sobre R: dois números reais
x e y são equivalentes quando estes diferem-se por um número inteiro, isto é, x∼y
4
Uma relação de equivalência é uma relação binária de X que cumpre as seguintes propriedades:
1. (Reexiva) ∀x ∈ X , x ∼ x;
2. (Simétrica) ∀x, y ∈ X , se x ∼ y , então y ∼ x ;
3. (Transitiva) ∀x, y, z ∈ X , se x ∼ y e y ∼ z , então x ∼ z .
Espaço Quociente 69
R
se, e somente se, x − y ∈ Z. Se consideramos R com a topologia usual então é
∼
homeomorfo ao círculo S 1 = {(x, y) ∈ R2 : x2 + y 2 = 1}.
1
Com efeito, a função f : R → S denida por f (t) := (cos(2πt), sen(2πt)) é sobre-
R
jetora. Com isto, pela proposição 3.13 temos a existência de uma função g : → S1
∼
−1
tal que f = g ◦ p. É possível de se demonstrar que g é uma bijeção com inversa g
R 1
também contínua. Ou seja, g é um homeomorsmo entre e S .
∼
Exemplo 3.17. Se 0 < a < c, podemos denir um toro T2 como o conjuntos de pontos
(x, y, z) ∈ R3 tais que
p
(c − x 2 + y 2 ) 2 + z 2 = a2 .
Do ponto de vista métrico há vários toros (variando as constantes a e c). Mas do
ponto de vista topológico só há um toro no seguinte sentido: todos estes toros são
homeomorfos. Assim, sem perda de generalidade, podemos supor c=1 e 0 < a < 1.
2
Vamos visualizar o toro, T , como um espaço quociente. Para isto, dena a seguinte
relação de equivalência em R2 : dados v, w ∈ R2 , v ∼ w se, e somente se, v − w ∈ Z2 .
2
R
O conjunto quociente é homeomorfo a T2 .
∼
De fato, observe que a função f : R2 → T2 dada por
é sobrejetora, então pela proposição 3.13 segue que existe uma aplicação contínua
R2
g: → T2 tal que f = g ◦ p. Pode-se mostrar que a aplicação g é bijetora e ainda
∼
R2
com inversa contínua, ou seja, g é um homeomorsmo entre e T2 .
∼
X
Observação 3.13. SejamX um conjunto e H ⊂ X . Se o conjunto quociente é
∼
denido a partir da relação ∼ dada por: x ∼ y se, e somente se, x − y ∈ H , denotamos
X X 1
por . Deste forma, pelos exemplos anteriores podemos dizer que S é homeomorfa
∼ H
R 2 R2 n n+1
a e T é homeomorfo a . De modo geral, é possível se demonstrar que T ⊂ R
Z Z 2
Rn
é homeomorfo a .
Zn
Encerrado este capítulo partimos nalmente para a conexão entre a álgebra e a
objeto grupo topológico, sua denição e propriedades, bem como a abordagem de todos
G4 . As funções
g : G × G −→ G q : G −→ G
(x, y) 7−→ xy x 7−→ x−1
são contínuas.
Observação 4.1. A propriedade G3 , isto é, todo subconjunto nito de pontos é fechado
para a topologia τG , é conhecida como axioma T1 , o qual é uma condição um pouco
Proposição 4.1. Seja (G, ·, τ ) uma terna tal que (G, ·) é um grupo e (G, τ ) é um
espaço topológico satisfazendo o axioma T1 . Então:
(G, ·, τ ) é um grupo topológico se, e somente se, a função f de G × G em G denida
por (x, y) 7−→ xy−1 é contínua.
Demonstração. (=⇒) Se (G, ·, τ ) é Grupo Topológico sabemos que a função f está bem
denida já que ∀ x, y ∈ G : xy −1 ∈ G.
A continuidade da função f segue do fato de que as funções g e q são contínuas,
70
Sobre Grupo Topológico 71
a=(id, q) g
G×G −→ G × G −→ G
.
(x, y) 7−→ (x, y −1 ) 7−→ xy −1
E como já vimos composição de funções contínuas é uma função contínua.
h = f |{e}×G : {e} × G −→ G
,
(e, x) 7−→ ex−1 = x−1
H=(e,id) h
G −→ {e} × G −→ G
.
y 7−→ (e, y) 7−→ y −1
K=(id, q) f
G×G −→ G × G −→ G
−1 −1 −1
(x, y) 7−→ (x, y ) 7−→ x(y ) = xy
e
g = f ◦ K.
Observação 4.2. Para testar o axioma T1 basta vericar se todo conjunto unitário {a}
é fechado sob a topologia do espaço interessado já que todo conjunto nito X é reunião
n
[
nita de conjuntos unitários, isto é, se X = {a1 , . . . , an }, temos que X= {ai }.
i=1
de x.
Armação. Ux Vy ⊂ Wxy .
Armação. Ua −1 ⊂ Va−1 .
tais que Uz1 Vz2 ⊂ Wxy . Agora observe que Uz1 × Vz2 é um aberto de G × G tal que
Uz1 × Vz2 ⊂ ma (Wxy ), já que para todo (a, b) ∈ Uz1 × Vz2 temos m(a, b) = ab ∈
Uz1 Vz2 ⊂ Wxy . Portanto, existe uma vizinhança de z = (z1 , z2 ) inteiramente contida
a
em m (Wxy ), a saber, Uz1 × Vz2 .
Para mostrar que a função r é contínua em qualquer ponto a ∈ G temos que provar
−1 a
que para toda vizinhança, Wa−1 , de r(a) = a a imagem inversa r (Wa−1 ) é um
a
subconjunto aberto de G, isto é, que todo z0 ∈ r (Wa−1 ) ⊂ G é um ponto interior de
Sobre Grupo Topológico 73
ra (Wa−1 ). Para tanto é suciente que exista uma vizinhança de z0 inteiramente contida
a
em r (Wa−1 ).
a −1
Uma vez que z0 ∈ r (Wa−1 ) ⊂ G segue que r(z0 ) = z0 ∈ Wa−1 , consequentemente
Wa−1 é uma vizinhança de r(z0 ) em G. Nestas condições segue, pela hipótese [item(2)],
−1
que existe Uz0 vizinhança de z0 tal que Uz0 ⊂ Wa−1 . Agora observe que Uz0 é
a
um aberto de G tal que Uz0 ⊂ r (Wa−1 ), já que para todo b ∈ Uz0 temos r(b) =
Proposição 4.3. Seja (G, ·, τ ) uma terna tal que (G, ·) é um grupo e (G, τ ) é um
espaço topológico satisfazendo o axioma T1 . Então (G, ·, τ ) é um grupo topológico se,
e somente se a seguinte condição é satisfeita: Sejam x e y elementos quaisquer de
G. Então para toda vizinhança W de xy −1 existem vizinhanças U e V de x e y ,
respectivamente, tais que U V −1 ⊂ W .
Demonstração. (=⇒) Sendo G grupo topológico, pela continuidade de f , f (x, y) =
−1 a
xy , para todo subconjunto Wxy −1 de G temos que f (Wxy−1 ) é um subconjunto
aberto de G × G.
Deste fato, segue que existem vizinhanças Ux e Vy tais que Ux × Vy ⊂ f a (Wxy−1 ).
Armação. Ux Vy −1 ⊂ Wxy−1 .
De fato: seja w ∈ Ux Vy −1 , qualquer. Então w = xy −1 , com x ∈ Ux , y ∈ Vy . Desta
a
maneira, (x, y) ∈ Ux × Vy ⊂ f (Wxy −1 ). Consequentemente, f (x, y) ∈ Wxy −1 .
−1
Portanto, w = xy = f (x, y) ∈ Wxy−1 .
(⇐=) Para mostrar que f é contínua em qualquer ponto (x, y) ∈ G × G temos que
−1 a
provar que para toda vizinhança, Wxy −1 , de f (x, y) = xy a imagem inversa f (Wxy −1 )
a
é um subconjunto aberto de G × G, isto é, que todo z = (z1 , z2 ) ∈ f (Wxy −1 ) ⊂ G × G
a
é um ponto interior de f (Wxy −1 ) . Para tanto é suciente que exista uma vizinhança
a
de z = (z1 , z2 ) inteiramente contida em f (Wxy −1 ).
a −1
Uma vez que z = (z1 , z2 ) ∈ f (Wxy −1 ) ⊂ G × G segue que f (z) = z1 z2 ∈ Wxy ,
consequentemente Wxy −1 é uma vizinhança de f (z) em G. Nestas condições segue,
pela hipótese, que existem Uz1 e Vz2 vizinhanças de z1 e z2 , respectivamente, tais que
Uz1 Vz−1
2
⊂ Wxy−1 . Agora observe que Uz1 ×Vz−1 2
é um aberto de G×G tal que Uz1 ×Vz2 ⊂
f (Wxy−1 ), já que para todo (a, b) ∈ Uz1 ×Vz2 temos f (a, b) = ab−1 ∈ Uz1 Vz−1
a −1
2
⊂ Wxy−1 .
a
Portanto, existe uma vizinhança de z = (z1 , z2 ) inteiramente contida em f (Wxy −1 ), a
Corolário 4.1. O fato da terna (G, ., τ ) ser um grupo topológico independe da topologia
escolhida para G, desde que esta cumpra pelo menos o axioma T1 .
Sobre Grupo Topológico 74
Demonstração. Imediato das proposições 4.2 e 4.3 já que com estas mostramos que
uma terna (G, ·, τ ) é um grupo topológico via condições especícas sobre vizinhanças
topologia discreta. Pela denição 4.1 para mostrar isto temos que vericar as condições:
G1 , G2 , G3 e G4 . Façamos isso:
f : Z × Z −→ Z
,
(x, y) 7−→ x − y
é contínua.
par (a, b) em Z × Z é isolado (por exemplo, B((a, b), 1/4) = {(a, b)}). Ainda Z×Z é
g : R × R −→ R
,
(x, y) 7−→ x + y
q : R −→ R
y 7−→ −y
é um grupo topológico.
3.5.
G4 . As funções g e q
g : R∗ × R∗ −→ R∗ q : R∗ −→ R∗
,
(x, y) 7−→ xy y 7−→ y −1
são contínuas
π1 : R∗ × R∗ −→ R∗ π2 : R∗ × R∗ −→ R∗
e .
(x, y) 7−→ x (x, y) 7−→ y
ε
Temos que a função π1 é contínua, pois existe δ= >0 tal que, para qualquer
2
ε > 0, ||(x, y) − (x̄, ȳ)|| < δ implica em
(∗) ε
|π1 (x, y) − π1 (x̄, ȳ)| ≤ ||(x, y) − (x̄, ȳ)|| < δ = < ε,
2
√ p
onde (∗) refere-se a propriedade |a| = a2 ≤ a2 + q, sendo q um número real
positivo.
g : R∗ × R∗ −→ R∗
.
(x, y) 7−→ g(x, y) := (π1 · π2 )(x, y) = π1 (x, y) · π2 (x, y) = xy
Nestas condições, pelo item (ii) da proposição 3.12, segue que g é uma função
contínua.
q : R∗ −→ R∗
1 1 ,
y 7−→ q(y) := =
y IdR∗ (y)
onde,
IdR∗ : R∗ −→ R∗
.
y 7−→ y
Deste modo, segue do item (iii) da proposição 3.12 que a função q é contínua.
Exemplo 4.5. (C∗ , ·, τ ), onde (C∗ , ·) é um grupo com a operação vista no exemplo 2.11
e τ é a topologia induzida pela norma vista no exemplo 3.7, é um grupo topológico.
Com efeito,
temos B(z, r) ⊂ A.
G4 . A função
f : C∗ × C∗ −→ C∗
,
(z1 , z2 ) 7−→ z1 z2−1
é contínua. Pois
(x2 − y2 i) x1 x2 + y 1 y 2 y 2 x1 − y 1 x2
z1 z2−1 = (x1 + y1 i) 2 = + i.
x + y2 x2 + y 2 x2 + y 2
Propriedades em um Grupo Topológico 77
1
e sabemos, via Análise Complexa , que a função f é contínua se, e somente se,
foco do nosso trabalho não abordamos diferenciabilidade porém para mais deta-
topológico, desta maneira, segue que este conjunto também será fechado em H, já
gH : H × H −→ H
(x, y) 7−→ x.|H y = xy
1
Vide [8].
Propriedades em um Grupo Topológico 78
qH : H −→ H
,
x 7−→ x−1
funções contínuas
g : G × G −→ G q : G −→ G
.
(x, y) 7−→ xy x 7−→ x−1
Observe que ambos contradomínios são iguais a H , já que H é subgrupo e conse-
grupo de G. Lembremos que um elemento c pertence a H̄ se, e somente se, para toda
fα = α x e gα = x α,
são homeomorsmos de G.
Propriedades em um Grupo Topológico 79
Demonstração. Veja que fα e gα são ambas bijeções com inversas (fα )−1 (x) = α−1 x e
−1 −1
(gα ) = xα , respectivamente.
k m|G×{α}
G −→ G × {α} −→ G
.
x 7−→ (x, α) 7−→ xα
Demonstração.
[
Observe que UH = U {h} e U {h} é aberto em G, pois U {h} é
h∈H
aberto em G, uma vez que U {h} = fha−1 (U ), com U aberto de G e fh−1 o homeomorsmo
−1
que aplica cada elemento x em xh visto no lema 4.1 e como sabemos do item (b) da
denição 3.17, imagem inversa de um conjunto aberto por uma função contínua é um
conjunto aberto.
Ainda, veja que dado qualquer elemento G/H existe U0∗ de B ∗ tal que k ∈ U0∗ .
k de
Com efeito, como k ∈ G/H , temos que existe x ∈ G tal que k = xH . Mas, B é
Consequentemente, k ∈ U0∗ ,
k = xH, com x ∈ U0 .
pois
∗
Portanto, B cumpre a condição (a) da denição 3.5 de base.
∗ ∗ ∗
Também, B satisfaz a condiçaõ (b) da denição 3.5, ou seja, se k ∈ U1 ∩ U2 , com
U1 H ∩ U2 H .
De fato, primeiro veja que do lema 4.2 U1 H e U2 H são conjuntos abertos.
a = x1 h ∈ U1 H e a = x2 h̄ ∈ U2 H , com h, h̄ ∈ H .
Além disto, são abertos pelo lema 4.2.
Desta armação e pela condição (b) da denição 3.5, para B segue que existe W ∈ B
com a ∈ W ⊂ U1 H ∩ U2 H .
∗
Consequentemente W = {zH, z ∈ W }, é tal que
W ∗ ⊂ U1∗ ∩ U2∗ .
De fato, dado qualquer zH ∈ W ∗ , temos que z ∈ W ⊂ U1 H ∩ U2 H . Logo, z ∈ U1 H
e z ∈ U2 H , isto é, z = u1 h e z = u2 h̄, com u1 ∈ U1 , u2 ∈ U2 , h, h̄ ∈ H .
Assim,
zH = u1 hH = u1 H, u1 ∈ U1
zH = u2 h̄H = u2 H, u2 ∈ U2 .
uma base de G, podemos estender de modo natural esta denição para qualquer aberto
A em G. A saber, se A é um conjunto aberto qualquer de G e B é uma base de G
n
[ n
[
∗
tais que A = Ui , Ui ∈ B , denimos A := Ui∗ , Ui∗ ∈ B ∗ . Uma vez que é possível
i=0 i=0
mostrar que (Ui ∪ Uj )∗ = Ui∗ ∪ Uj∗ e união de conjuntos abertos é ainda um conjunto
aberto podemos também denir a A∗ apenas como sendo o conjunto {aH, a ∈ A}.
Demonstração. (i) Para mostrar que G/H é um espaço homogêneo devemos mostrar
Fα : G/H −→ G/H
,
xH 7−→ Fα (xH) := fα (x)H = (αx)H
F̄ : G/H −→ G/H
,
xH 7−→ F̄ (xH) := fα−1 (x)H = (α−1 x)H
base (conforme a observação 4.3), podemos supor sem perda de generalidade que
Fα (W ∗ ) ⊂ V ∗ .
Propriedades em um Grupo Topológico 82
fα (a) ∈ V H ⊂ G,
Agora, pela continuidade de fα , segue pelo item (a) da denição 3.17, que existe
fα (W ) ⊂ VH .
k, pois k = aH e a ∈ W.
Agora, seja b ∈ Fα (W ∗ ) qualquer. Mostremos que b ∈ V ∗. Como b ∈ Fα (W∗ )
temos que b = Fα (k̄) para algum k̄ ∈ W ∗ .
Como k̄ ∈ W ∗ , segue que existe l∈W tal que k = lH , assim:
com fα (l) ∈ fα (W ) ⊂ VH .
Supondo fα (l) = vh0 , v ∈ V e h0 ∈ H temos
Como fα (a)H = x̄H , segue que (x̄−1 fα (a)) ∈ H , logo existe h ∈ H, tal que
Ou seja, b ∈ V ∗.
A continuidade da inversa segue de forma análoga.
Note que a coleção B∗ apresentada no lema 4.3 é uma base para esta topolo-
gia já que todo subconjunto aberto A de G/H , via τ, é formado por classes
laterais.
é contínua.
f : G × G −→ G
(a, b) 7−→ f (a, b) := ab−1 ,
Como k∈ U1∗ × ∗
U2 , segue que k = (u1 H, u2 H), com u1 ∈ U1 e u2 ∈ U2 .
Assim,
l = qH, com q ∈ V.
Exemplo 4.8. Temos que Z2 é um subgrupo normal do grupo aditivo abeliano (R2 , +)
e ainda a terna (R2 , +, τ ), onde τ é a topologia induzida pela norma euclidiana, é um
2
R
grupo topológico. Pelo resultado anterior segue que é um grupo topológico. Por
Z2
conseguinte, segue que o toro, T2 , é um grupo topológico, já que no exemplo 3.17 vimos
2 R2
que T é homeomorfo a .
Z2
Denição 4.4. Uma vizinhança V do elemento neutro e é dita simétrica se V = V −1 .
Lema 4.4. Sejam G grupo topológico e e o elemento neutro de G. Se U é uma vizi-
nhança de e, então existe uma vizinhança simetrica V de e tal que V V ⊂ U
Propriedades em um Grupo Topológico 85
Teorema 4.1. Todo grupo topológico é Hausdor, ou seja, para cada x, y ∈ G tais que
x 6= y , existe uma vizinhança V de e tal que V x e V y são disjuntas.
Demonstração. Temos pelo lema 4.4 que existe uma vizinhança V de e tal que V · V ⊂
U, onde U é uma vizinhança dee.
Desta forma, V x = {vx, v ∈ V } e V y = {vy, v ∈ V } são vizinhanças de x e y,
respectivamente e ainda são disjuntas já que x 6= y .
disjuntos. Já sabemos também pelo lema 4.4 que, como V é um aberto, segue que V A
também o é.
spectivamente.
elecer grupo topológico que ainda hoje serve como o condutor em linhas de pesquisa.
diversos temas, por exemplo na topologia algébrica, onde grupos são usados para descr-
ever invariantes de espaços topológicos; dentre estes podemos destacar o grupo funda-
está na representação de grupos de Lie, que podem descrever as simetrias que as leis
físicas devem obedecer em certos sistemas. Em Química, grupos são utilizados para
topológicos foi Schreier, o qual destacou-se pelo seu trabalho em subgrupos de grupos
Pouco antes, 1924, Herman Weyl já havia, de modo informal, introduzido conside-
mento das noções topológicas em conexão com a continuidade ramicam-se três áreas:
grupos.
década de 40 como, por exemplo, o trabalho realizado por Sze-Tsen Hu (1946) sobre
de grupos; também Kenkichi Iwasawa (1948) mostra que grupos localmente compactos
podem ser aproximados por grupos de Lie e ainda Jean Dieudonné (1947) o qual teve
86
87
publicados na época.
lógica fuzzy vista em artigos como "On the Fuzzy Sheaf of the Groups Formed by Fuzzy
inúmeros trabalhos realizados por Sergey A. Antonyan em 2009 que mostram diversos
um espaço de Banach.
exatas nalizamos este trabalho e esperamos que este seja uma fonte segura e detal-
hada sobre as noções básicas sobre grupo topológico e seus prerrequisitos para que, um
iniciante desta linha de pesquisa possa percorrer outros temas que envolvam este objeto
matemático. Além disso, destacamos que este material traz a tona uma conexão inter-
essante envolvendo as grandes áreas Álgebra e Topologia e este tipo de articulação está
Press, 1958.
[3] FRALEIGH, J. B. A First Course in Abstract Algebra. 5. ed. New York: Addison-
Universitários, 2009.
[8] ÁVILA, G. Variáveis Complexas e Aplicações. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008.
[9] HALL, B. C. Lie Groups, Lie Algebras, and Representations: An Elementary In-
troduction. Graduate texts in mathematics 222, 1. New York: Springer, 2003.
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