LICENCIATURA EM LETRAS LÍNGUA PORTUGUESA E LÍNGUA
INGLESA E SUAS RESPECTIVAS LITERATURAS
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TENDENCIAS PEDAGÓGICAS
Prof.(ª). Maria Raquel Caetano
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INTRODUÇÃO
As tendências pedagógicas no Brasil estão diretamente ligadas às
questões sociais e políticas, enquanto um reflexo dos propósitos estabelecidos pela
escola e pela sociedade. Os principais aspectos que definem cada corrente
pedagógica são os conteúdos abordados, os métodos de ensino, as motivações no
processo de aprendizagem, suas manifestações e a relação estabelecida entre o
professor e o aluno.
Existem duas vertentes principais no contexto das tendências
pedagógicas: a liberal e a progressista. Elas surgiram no século XIX, a partir de
circunstâncias históricas ao redor do mundo nos cenários social e filosófico, e
tiveram influência da Revolução Francesa, o que foi decisivo para a disseminação
do liberalismo e do sistema capitalista.
Estudamos na semana anterior, as Teorias críticas, não críticas e crítico-
reprodutivistas. Em cada teoria, posicionamos as concepções e tendências
pedagógicas da educação (conforme Figura 1) no Brasil para assim,
compreender as diferentes premissas sobre o papel da escola e outros que
embasam o processo de ensino e aprendizagem. É crucial para os professores em
formação conhecerem as tendências, para que possam compreender seus
princípios e pressupostos para que cada um e cada uma possa se posicionar frente
a elas.
Dica: Leia o texto, destaque o que você considera fundamental em cada
tendência e busque compreendê-las. Caso seja necessário, pesquise e/ou use o
dicionário.
Boas leituras!!!!
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Observe o quadro abaixo com as teorias que já estudamos e as tendências
pedagógicas correspondentes:
Figura 1 – Teorias e Tendências Pedagógicas no Brasil.
Fonte: Elaborado por Caetano (2024).
TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NA PRÁTICA ESCOLAR
As tendências pedagógicas têm se firmado nas escolas pela prática dos
professores, fornecendo uma breve explanação dos pressupostos teóricos e
metodológicos de cada um/uma. É necessário esclarecer que as tendências não
aparecem em sua forma pura, nem sempre, são mutuamente exclusivas, nem
conseguem captar toda a riqueza da prática escolar. São, aliás, as limitações de
qualquer tentativa de classificação. De qualquer modo, a classificação e descrição
das tendências poderão funcionar como instrumento de análise para o professor
avaliar sua prática de sala de aula. Utilizando como critério a posição que adotam
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em relação aos condicionantes sociopolíticos da escola, as tendências
pedagógicas foram classificadas em liberais e progressistas, a saber:
A - Tendência liberal
1- Tradicional
2- Nova
3- Tecnicista
B – Tendência progressista
1- Libertadora
2- Crítico-social dos conteúdos
3- Histórico-crítica
A. TENDÊNCIA LIBERAL
O termo liberal não tem o sentido de "avançado", ''democrático", "aberto",
como costuma ser usado. A doutrina liberal apareceu como justificativa do
sistema capitalista que, ao defender a predominância da liberdade e dos
interesses individuais na sociedade, estabeleceu uma forma de organização
social baseada na propriedade privada dos meios de produção, também
denominada saciedade de classes. A pedagogia liberal, portanto, é uma
manifestação própria desse tipo de sociedade.
A educação brasileira, pelo menos nos últimos cinquenta anos, tem sido -
marcada pelas tendências liberais, nas suas formas ora conservadora, ora
renovada. Evidentemente tais tendências se manifestam, concretamente, nas
práticas escolares e no ideário pedagógico de muitos professores, ainda que
estes não se deem conta dessa influência. A pedagogia liberal sustenta a ideia
de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de
papéis sociais, de acordo com as aptidões individuais. Para isso, os indivíduos
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precisam aprender a adaptar-se aos valores e às normas vigentes na sociedade
de classes, através do desenvolvimento da cultura individual. A ênfase no
aspecto cultural esconde a realidade das diferenças de classes, pois, embora
difunda a ideia de igualdade de oportunidades, não leva em conta a
desigualdade de condições. Historicamente, a educação liberal iniciou-se com
a pedagogia tradicional e, por razões de recomposição da hegemonia da
burguesia, evoluiu para a pedagogia renovada (também denominada escola
nova), o que não significou a substituição de uma pela outra, pois ambas
conviveram e convivem na prática escolar.
1. PEDAGOGIA TRADICIONAL
Na pedagogia tradicional, a pedagogia se caracteriza por acentuar o
ensino humanístico, de cultura geral, no qual aluno é educado para atingir, pelo
próprio esforço, sua plena realização como pessoa. Os conteúdos, os
procedimentos didáticos, a relação professor-aluno não têm nenhuma relação
com o cotidiano do aluno e muito menos com as realidades sociais. É a
predominância da palavra do professor, das regras impostas, do cultivo
exclusivamente intelectual.
Papel da escola - A atuação da escola consiste na preparação intelectual e moral
dos alunos para assumir sua posição na sociedade. O compromisso da escola é
com a cultura, os problemas sociais pertencem à sociedade. O caminho cultural em
direção ao saber é o mesmo para todos os alunos, desde que se esforcem. Assim,
os menos capazes devem lutar para superar suas dificuldades e conquistar seu
lugar junto aos mais capazes. Caso não consigam, devem procurar o ensino mais
profissionalizante.
Conteúdos de ensino - São os conhecimentos e valores sociais acumulados pelas
gerações adultas e repassados ao aluno como verdades. As matérias de estudo
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visam preparar o aluno para a vida, são determinadas pela sociedade e ordenadas
na legislação. Os conteúdos são separados da experiência do aluno e das
realidades sociais, valendo pelo valor intelectual, razão pela qual a pedagogia
tradicional é criticada como intelectualista e, às vezes, como enciclopédica.
A designação "progressivista" vem de "educação progressiva", termo usado
por Anísio Teixeira para indicar a função da educação numa era de mudança,
decorrente do desenvolvimento científico (ideia equivalente a "evolução" em
biologia). Esta tendência inspira-se no filósofo e educador norte-americano John
Dewey.
4 Métodos - Baseiam-se na exposição verbal da matéria e/ou demonstração. Tanto
a exposição quanto a análise são feitas pelo professor, observados os seguintes
passos:
a) preparação do aluno (definição do trabalho, recordação da matéria anterior,
despertar interesse);
b) apresentação (realce de pontos-chave, demonstração);
c) associação (combinação do conhecimento novo com o já conhecido por
comparação e abstração);
d) generalização (dos aspectos particulares chega-se ao conceito geral, é a
exposição sistematizada);
e) aplicação (explicação de fatos adicionais e/ou resoluções de exercícios).
A ênfase nos exercícios, na repetição de conceitos ou fórmulas na
memorização visa disciplinar a mente e formar hábitos.
Relacionamento professor-aluno - Predomina a autoridade do professor que
exige atitude receptiva dos alunos e "impede qualquer comunicação entre eles no
decorrer da aula. O professor transmite o conteúdo na forma de verdade a ser
absorvida; em consequência, a disciplina imposta é o meio mais eficaz para
assegurar a atenção e o silêncio.
Pressupostos de aprendizagem - A ideia de que o ensino consiste em repassar
os conhecimentos para o espírito da criança é acompanhada de uma outra: a de
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que a capacidade de assimilação da criança é idêntica à do adulto, apenas menos
desenvolvida. Os programas, então, devem ser dados numa progressão lógica,
estabelecida pelo adulto, sem levar em conta as características próprias de cada
idade. A aprendizagem, assim é receptiva e mecânica, para que se recorre
frequentemente à coação. A retenção do material ensinado é garantida pela
repetição de exercícios sistemáticos e recapitulação da matéria. À transferência da
aprendizagem depende do treino; é indispensável a retenção, a fim de que o aluno
possa responder às situações novas de forma semelhante às respostas dadas em
situações anteriores.
A avaliação se dá por verificações de curto prazo (interrogatórios, orais,
exercícios de casa) e de prazo mais longo (provas escritas, trabalhos de casa). O
reforço é, em geral, negativo (punição, notas baixas, apelos aos pais); às vezes, é
positivo (emulação, classificações).
Manifestações na prática escolar - A pedagogia tradicional é viva e atuante em
nossas escolas. Na descrição apresentada aqui incluem-se as escolas religiosas
ou leigas, que adotam uma orientação clássico-humanista ou uma orientação
humano-científica, sendo que esta se aproxima mais do modelo de escola
predominante em nossa história educacional.
2. PEDAGOGIA NOVA OU RENOVADA PROGRESSIVISTA
A Pedagogia Nova ou da Escola Nova é uma abordagem que surgiu no final
do século XIX e início do século XX, como uma resposta as limitações do modelo
tradicional de ensino. Essa abordagem tem como objetivo principal promover uma
educação mais centrada no aluno, valorizando sua individualidade e autonomia.
Papel da escola - A finalidade da escola é adequar as necessidades individuais ao
meio social e, para isso, ela deve se organizar de forma a retratar, o quanto
possível, a vida. Todo ser dispõe dentro de si mesmo de mecanismos de adaptação
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progressiva ao meio e de uma consequente integração dessas formas de
adaptação no comportamento. Tal integração se dá por meio de experiências que
devem satisfazer, ao mesmo tempo, os interesses do aluno e as exigências sociais.
À escola cabe suprir as experiências que permitam ao aluno educar-se, num
processo ativo de construção e reconstrução do objeto, numa interação entre
estruturas cognitivas do indivíduo e estruturas do ambiente.
Conteúdos de ensino - Como o conhecimento resulta da ação a partir dos
interesses e necessidades, os conteúdos de ensino são estabelecidos em função
de experiências que o sujeito vivência frente a desafios cognitivos e situações
problemáticas. Dá-se, portanto, muito mais valor aos processos mentais e
habilidades cognitivas do que a conteúdos organizados racionalmente. Trata-se de
"aprender a aprender", ou seja, é mais importante o processo de aquisição do saber
do que o saber propriamente dito.
Método de ensino - A ideia de "aprender fazendo" está sempre presente.
Valorizam-se as tentativas experimentais, a pesquisa, a descoberta, o estudo do
meio natural e social, o método de solução de problemas. Embora os métodos
variem, as escolas ativas ou novas (Dewey, Montessori, Decroly, Cousinet e outros)
partem sempre de atividades adequadas à natureza do aluno e às etapas do seu
desenvolvimento. Na maioria delas, acentua-se a importância do trabalho em grupo
não apenas como técnica, mas como condição básica do desenvolvimento mental.
Os passos básicos do método ativo são:
a) colocar o aluno numa situação de experiência que tenha um interesse por si
mesma;
b) o problema deve ser desafiante, como estímulo à reflexão;
c) o aluno deve dispor de informações e instruções que lhe permitam pesquisar a
descoberta de soluções;
d) soluções provisórias devem ser incentivadas e ordenadas, com a ajuda discreta
do professor;
e) deve-se garantir a oportunidade de colocar as soluções à prova, a fim de
determinar sua utilidade para a vida.
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Relacionamento professor-aluno - Não há lugar privilegiado para o professor;
antes, seu papel é auxiliar o desenvolvimento livre e espontâneo da criança; se
intervém, é para dar forma ao raciocínio dela. A disciplina surge de uma tomada de
consciência dos limites da vida grupal; assim, aluno disciplinado é aquele que é
solidário, participante, respeitador das regras do grupo. Para se garantir um clima
harmonioso dentro da sala de aula é indispensável um relacionamento positivo
entre professores e alunos, uma forma de instaurar a "vivência democrática" tal
qual deve ser a vida em sociedade.
Pressupostos de aprendizagem - A motivação depende da força de estimulação
do problema e das disposições internas e interesses do aluno. Assim, aprender se
torna uma atividade de descoberta, é uma autoaprendizagem, sendo o ambiente
apenas o meio estimulador. É retido o que se incorpora à atividade do aluno pela
descoberta pessoal; o que é incorporado passa a compor a estrutura cognitiva para
ser empregado em novas situações.
A avaliação é fluida e tenta ser eficaz à medida que os esforços e os êxitos são
pronta e explicitamente reconhecidos pelo professor. Manifestações na prática
escolar.
Compreende-se então, que essa maneira de entender a educação, por
referência à pedagogia tradicional, tenha deslocado o eixo da questão
pedagógica do intelecto para o sentimento; do aspecto lógico para o psicológico;
dos conteúdos cognitivos para os métodos ou processos pedagógicos; do professor
para o aluno; do esforço para o interesse; da disciplina para a espontaneidade; do
diretivismo para o não-diretivismo; da quantidade para a qualidade; de uma
pedagogia de inspiração filosófica centrada na ciência da lógica para uma
pedagogia de inspiração experimental baseada principalmente nas contribuições
da biologia e da psicologia. Em suma, trata-se de uma teoria pedagógica que
considera que o importante não é aprender, mas aprender a aprender.
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Críticas a Pedagogia Nova
Apesar das contribuições, a Pedagogia da Escola Nova também recebeu
críticas ao longo do tempo. Uma das críticas mais comuns é a falta de uma estrutura
mais organizada e sistematizada de ensino, o que pode levar a uma fragmentação
do conhecimento e dificuldades na avaliação do aprendizado. Outra crítica é a falta
de preparo dos professores para lidar com os desafios e demandas dessa
abordagem educacional. A Pedagogia da Escola Nova exige uma postura mais
aberta, flexível e participativa por parte dos educadores, o que nem sempre é fácil
de ser alcançado.
3. PEDAGOGIA TECNICISTA
A Pedagogia tecnicista subordina a educação à sociedade, tendo como
função a preparação de "recursos humanos" (mão-de-obra para indústria). A
sociedade industrial e tecnológica estabelece (cientificamente) as metas
econômicas, sociais e políticas, a educação treina (também cientificamente) nos
alunos os comportamentos de ajustamento a essas metas. No tecnicismo acredita-
se que a realidade contém em si suas próprias leis, bastando aos homens descobri-
las e aplicá-las. Dessa forma, o essencial não é o conteúdo da realidade, mas as
técnicas (forma) de descoberta e aplicação. A tecnologia (aproveitamento ordenado
de recursos, com base no conhecimento científico) é o meio eficaz de obter a
maximização da produção e garantir um ótimo funcionamento da sociedade; a
educação é um recurso tecnológico por excelência. Ela "é encarada como um
instrumento capaz de promover, sem contradição, o desenvolvimento econômico
pela qualificação da mão-de-obra, pela redistribuição da renda, pelo maximização
da produção e, ao mesmo tempo, pelo desenvolvimento da 'consciência política'
indispensável à manutenção do Estado autoritário”. Utiliza-se basicamente do
enfoque sistêmico, da tecnologia educacional e da análise experimental do
comportamento
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Papel da escola - Num sistema social harmônico, orgânico e funcional, a
escola funciona como modeladora do comportamento humano, através de técnicas
específicas. À educação escolar compete organizar o processo de aquisição de
habilidades, atitudes e conhecimentos específicos, úteis e necessários para que os
indivíduos se integrem na máquina do sistema social global. Tal sistema social é
regido por leis naturais (há na sociedade a mesma regularidade e as mesmas
relações funcionais observáreis entre os fenômenos da natureza), cientificamente
descobertas. Basta aplicá-las. A atividade da "descoberta" é função da educação,
mas deve ser restrita aos especialistas; a “aplicação" é competência do processo
educacional comum. A escola atua, assim, no aperfeiçoamento da ordem social
vigente (o sistema capitalista), articulando-se diretamente com o sistema produtivo;
para tanto, emprega a ciência da mudança de comportamento, ou seja, a tecnologia
comportamental. Seu interesse imediato é o de produzir indivíduos "competentes”
para o mercado de trabalho, transmitindo, eficientemente, informações precisas,
objetivas e rápidas. A pesquisa científica, a tecnologia educacional, a análise
experimental do comportamento garantem a objetividade da prática escolar, uma
vez que os objetivos instrucionais (conteúdos) resultam da aplicação de leis
naturais que independem dos que a conhecem ou executam.
Conteúdos de ensino - São as informações, princípios científicos, leis etc.,
estabelecidos e ordenados numa sequência lógica e psicológica por especialistas.
É matéria de ensino apenas o que é redutível ao conhecimento observável e
mensurável; os conteúdos decorrem, assim, da ciência objetiva, eliminando-se
qualquer sinal de subjetividade. O material instrucional encontra-se sistematizado
nos manuais, nos livros didáticos, nos módulos de ensino, nos dispositivos
audiovisuais etc.
Métodos de ensino - Consistem nos procedimentos e técnicas necessárias ao
arranjo e controle das condições ambientais que assegurem a
transmissão/recepção de informações. Se a primeira tarefa do professor é modelar
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respostas apropriadas aos objetivos instrucionais, a principal é conseguir o
comportamento adequado pelo controle do ensino; daí a importância da tecnologia
educacional. A tecnologia educacional é a "aplicação sistemática de princípios
científicos comportamentais e tecnológicos, a problemas educacionais, em função
de resultados efetivos, utilizando uma metodologia e abordagem sistêmica
abrangente”. Qualquer sistema instrucional (há uma grande variedade deles)
possui três componentes básicos: objetivos instrucionais operacionalizados em
comportamentos observáveis e mensuráveis, procedimentos instrucionais e
avaliação. As etapas, básica de processo ensino aprendizagem são:
a) estabelecimento de comportamentos terminais, através de objetivos
instrucionais;
b) análise da tarefa de aprendizagem, a fim de ordenar sequencialmente os passos
da instrução;
c) executar o programa, reforçando gradualmente as respostas corretas
correspondentes aos objetivos. O essencial da tecnologia educacional é a
programação por passos sequenciais empregada na instrução programada, nas
técnicas de microensino, multimeios, módulos etc. O emprego da tecnologia
instrucional na escola pública aparece nas formas de: planejamento em moldes
sistêmicos, concepção de aprendizagem como mudança de comportamento,
operacionalização de objetivos, uso procedimentos científicos (instrução
programada, audiovisuais, avaliação etc. inclusive a programação de livros
didático).
Relacionamento professor-aluno - São relações estruturadas e objetivas, com
papeis tem definidos: o professor administra as condições de transmissão da
matéria, conforme um sistema instrucional eficiente e efetivo em termos de
resultados da aprendizagem; o aluno recebe, aprende e fixa as informações. O
professor é apenas um elo de ligação entre a verdade científica e o aluno, cabendo-
lhe empregar o sistema instrucional previsto. O aluno é um indivíduo responsivo,
não participa da elaboração do programa educacional. Ambos são espectadores
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frente à verdade objetiva. A comunicação professor-aluno tem um sentido
exclusivamente técnico, que garantir a eficácia da transmissão do conhecimento.
Debates, discussões, questionamentos são desnecessários, assim como pouco
importam as relações afetivas e pessoais dos sujeitos envolvidos no processo
ensino aprendizagem. Pressupostos de aprendizagem – as teorias de
aprendizagem que fundamentam a pedagogia tecnicista dizem que aprender é uma
questão de modificação do desempenho: o bom ensino depende de organizar
eficientemente as condições estimuladoras, de modo a que o aluno saia da situação
de aprendizagem diferente de como entrou. Ou seja, o ensino é um processo de
condicionamento através do uso de reforçamento das respostas que se quer obter.
Assim, os sistemas instrucionais visam o controle do comportamento individual face
a objetivos preestabelecidos. Trata-se de um enfoque diretivo do ensino, centrado
no controle das condições que cercam o organismo que se comporta. O objetivo da
ciência pedagógica, a partir da psicologia, é o estudo científico do comportamento:
descobrir as leis presidem as reações físicas do organismo que aprende, a fim de
aumentar o controle das variáveis que o afetam.
Os componentes da aprendizagem – motivação, retenção, transferência -
decorrem da aplicação do comportamento operante. Segundo Skinner, o
comportamento aprendido é uma resposta a estímulos externos, controlados por
meio de reforços que ocorrem, cem a resposta ou após a mesma: “Se a ocorrência
de um (comportamento) operante é seguida pela apresentação de um estímulo
(reforçador), a probabilidade de reforçamento é aumentada".
A influência da pedagogia tecnicista remonta à 2ª metade dos anos 50
(PABAEE - Programa Brasileiro-Americano de Auxílio ao Ensino Elementar).
Entretanto foi introduzida mais efetivamente no final dos anos 60 com o objetivo de
adequar o tema educacional à orientação político econômica do regime militar:
inserir a escola nos modelos de racionalização do sistema de produção capitalista.
É quando a orientação escolanovista cede lugar à tendência tecnicista, pelo menos
no nível de política oficial; os marcos de implantação do modelo tecnicista são as
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leis 5.540/68 e 5.692/71, que reorganizam o ensino superior e ensino de 1° e 2°
graus.
B. PEDAGOGIA CRÍTICAS /PROGRESSISTA
O termo "progressista", emprestado de Snyders, é usado aqui para designar
as tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais,
sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação.
Evidentemente a pedagogia progressista, não tem como institucionalizar-se
numa sociedade capitalista; daí ser ela um instrumento de luta dos professores
ao lado de outras práticas sociais.
A pedagogia progressista tem-se manifestado em duas principais
tendências: a libertadora, mais conhecida como pedagogia de Paulo Freire, a
crítico-social dos conteúdos que, diferentemente da anterior, acentua a primazia
dos conteúdos no seu confronto cor as realidades sociais e a pedagogia
histórico-crítica.
1. PEDAGOGIA LIBERTADORA
A versão libertadora é anti-autoritarismo e valoriza a experiência vivida como
base da relação educativa. Em função disso, dá mais valor ao processo de
aprendizagem grupal (participação em discussões, assembleias, votações) do que
aos conteúdos de ensino. Como decorrência, a prática educativa somente faz
sentido numa prática social junto ao povo, razão pela qual preferem as modalidades
de educação popular “não-formal”.
Papel da escola - Não é próprio da pedagogia libertadora falar em ensino escolar,
já que sua marca é a atuação "não-formal". Entretanto, professores e educadores
engajados no ensino escolar vêm adotando pressupostos dessa pedagogia. Assim,
quando se fala na educação em geral, diz-se que ela é uma atividade onde
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professores e alunos, mediatizados pela realidade que apreendem e da qual
extraem o conteúdo de aprendizagem, atingem um nível de consciência dessa
mesma realidade, a fim de nela atuarem, num sentido de transformação social.
Tanto a educação tradicional, denominada "bancária" - que visa apenas depositar
informações sobre o aluno -, quanto a educação renovada - que pretenderia uma
libertação psicológica individual - são domesticadoras, pois em nada contribuem
para desvelar a realidade social de opressão.
A educação libertadora, ao contrário, questiona concretamente a realidade
das relações do homem com a natureza e com os outros homens, visando a uma
transformação - daí ser uma educação crítica. Conteúdos de ensino -
Denominados "temas geradores", são extraídos da problematização da prática de
vida dos educandos. Os conteúdos tradicionais são recusados porque cada
pessoa, cada grupo envolvido na ação pedagógica dispõe em si próprios, ainda
que de forma rudimentar, dos conteúdos necessários dos quais se parte. O
importante não é a transmissão de conteúdos específicos, mas despertar uma nova
forma da relação com a experiência vivida. A transmissão de conteúdos
estruturados a partir de fora é considerada como "invasão cultural" ou "depósito de
informação", porque não emerge do saber popular. Se forem necessários textos de
leitura; estes deverão ser redigidos pelos próprios educandos com a orientação do
educador. Em nenhum momento o inspirador e mentor da pedagogia libertadora,
Paulo Freire, deixa de mencionar o caráter essencialmente político de sua
pedagogia, o que, segundo suas próprias palavras, impede que ela seja posta em
prática, em termos sistemáticos, nas instituições oficiais, antes da transformação
da sociedade. Daí porque sua atuação se dê mais a nível da educação extra-
escolar. O que não tem impedido, por outro lado, que seus pressupostos sejam
adotados e aplicados por numerosos professores. Métodos de ensino - "Para ser
um ato de conhecimento o processo de alfabetização de adultos demanda, entre
educadores e educandos, uma relação de autêntico diálogo; aquela em que os
sujeitos do ato de conhecer se encontram mediatizados pelo objeto a ser
conhecido” (...). “O dialogo engaja ativamente a ambos os sujeitos do ato de
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conhecer: educador-educando e educando-educador." Assim sendo, a forma de
trabalho educativo é o "grupo de discussão”, a quem cabe autogerir a
aprendizagem, definindo o conteúdo e a dinâmica das atividades.
O professor é um animador que, por princípio, deve "descer" ao nível dos
alunos, adaptando-se às suas características e ao desenvolvimento próprio de cada
grupo. Deve caminhar "junto", intervir o mínimo indispensável, embora não se furte,
quando necessário, a fornecer uma informação mais sistematizada.
Os passos da aprendizagem - codificação-decodificação, e
problematização da situação - permitirão aos educandos um esforço de
compreensão do "vivido", até chegar a um nível mais crítico de conhecimento da
sua realidade, sempre através da troca de experiência em torno da prática social.
Se nisso consiste o conteúdo do trabalho educativo, dispensam-se um programa
previamente estruturado, trabalhos escritos, aulas expositivas, assim como
qualquer tipo de verificação direta da aprendizagem, formas essas próprias da
“educação bancária", portanto, domesticadoras. Entretanto admite-se a avaliação
da prática vivenciada entre educador-educandos no processo de grupo e, às vezes,
a autoavaliação feita em termos dos compromissos assumidos com a prática social.
Relacionamento professor-aluno - No diálogo, como método básico, a relação é
horizontal; onde educador e educandos se posicionam como sujeitos do ato de
conhecimento. O critério de bom relacionamento é a total identificação com o povo,
sem o que a relação pedagógica perde consistência. Elimina-se, por pressuposto,
toda relação de autoridade, sob pena de esta inviabilizar o trabalho de
conscientização, de "aproximação de consciências". Trata-se de uma "não-
diretividade", mas não no sentido do professor que se ausenta (como em Rogers),
mas que permanece vigilante para assegurar ao grupo um espaço humano para
"dizer sua palavra", para se exprimir sem se neutralizar. Pressupostos de
aprendizagem - A própria designação de "educação problematizadora" como
correlata de educação libertadora revela a força motivadora da aprendizagem.
A motivação se dá a partir da codificação de uma situação-problema, da
qual se torna distância para analisá-la criticamente. "Esta análise envolve o
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exercício da abstração, através da qual procuramos alcançar, por meio de
representações da realidade concreta, a razão de ser dos fatos." Aprender é um
ato de conhecimento da realidade concreta, isto é da situação real vivida pelo
educando, e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade.
O que é aprendido não decorre de uma imposição ou memorização, mas do nível
crítico de conhecimento, ao qual se chega pelo processo de compreensão, reflexão
e crítica. O que o educando transfere, em termos de conhecimento, é o que foi
incorporado como resposta às situações de opressão - ou seja, seu engajamento
na militância política.
Manifestações na prática escolar - A pedagogia libertadora tem como inspirador
e divulgador Paulo Freire, que tem aplicado suas ideias pessoalmente em diversos
países, primeiro no Chile, depois na África. Entre nós, tem exercido uma influência
expressiva nos movimentos populares e sindicatos e, praticamente, se confunde
com a maior parte das experiências do que se denomina "educação popular". Há
diversos grupos desta natureza que vêm atuando não somente no nível da prática
popular, mas também por meio de publicações, com relativa independência em
relação às ideias originais da pedagogia libertadora. Embora as formulações
teóricas de Paulo Freire se restrinjam à educação de adultos ou à educação
popular, em geral, muitos professores vêm tentando colocá-las em prática em todos
os graus de ensino formal.
2. PEDAGOGIA CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS
A tendência da pedagogia crítico-social de conteúdos propõe uma síntese
superadora da pedagogia tradicional e renovada, valorizando a ação pedagógica
enquanto inserida na prática social concreta. Entende a escola como mediação
entre o individual e o social, exercendo aí a articulação entre a transmissão dos
conteúdos e a assimilação ativa por parte de um aluno concreto (inserido num
contexto de relações sociais); dessa articulação resulta o saber criticamente
reelaborado.
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Papel da escola - A difusão de conteúdos é a tarefa primordial. Não conteúdos
abstratos, mas vivos, concretos e, portanto, indissociáveis das realidades sociais.
A valorização da escola como instrumento de apropriação do saber é o melhor
serviço que se presta aos interesses populares, já que a própria escola pode
contribuir para eliminar a seletividade social e torná-la democrática. Se a escola é
parte integrante do todo social, agir dentro dela é também agir no rumo da
transformação da sociedade. Se o que define uma pedagogia crítica é a
consciência de seus condicionantes histórico-sociais, a função da pedagogia "dos
conteúdos" é dar um passo à frente no papel transformador da escola, mas a partir
das condições existentes. Assim, a condição para que a escola sirva aos interesses
populares é garantir a todos um bom ensino, isto é, a apropriação dos conteúdos
escolares básicos que tenham ressonância na vida" dos átimos. Entendida nesse
sentido, a educação é "uma atividade mediadora no seio da prática social global",
ou seja, uma das mediações pela qual o aluno, pela intervenção do professor e por
sua própria participação ativa, passa de uma experiência inicialmente confusa e
fragmentada (sincrética), a uma visão sintética, mais organizada e unificada. Em
síntese, a atuação da escola consiste na preparação do aluno para o mundo adulto
e suas contradições, fornecendo lhe um instrumental, por meio da aquisição de
conteúdos e da socialização, para uma participação organizada e ativa na
democratização da sociedade.
Conteúdos de ensino - São os conteúdos culturais universais que se constituíram
em domínios de conhecimento relativamente autônomos, incorporados pela
humanidade, mas permanentemente reavaliados face às realidades sociais.
Embora se aceite que os conteúdos são realidades exteriores ao aluno, que devem
ser assimilados e não simplesmente reinventados, eles não são fechados e
refratários às realidades sociais. Não basta que os conteúdos sejam apenas
ensinados, ainda que bem ensinados; é preciso que se liguem, de forma
indissociável, à sua significação humana e social. Essa maneira de conceber os
conteúdos do saber não estabelece oposição entre cultura erudita e cultura popular,
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ou espontânea, mas uma relação de continuidade em que, progressivamente, se
passa da experiência imediata e desorganizada ao conhecimento sistematizado.
Não que a primeira apreensão da realidade seja errada, mas é necessária à
ascensão a uma forma de elaboração superior, conseguida pelo próprio aluno, com
a intervenção do professor. A postura da pedagogia "dos conteúdos" - Ao
admitir um conhecimento relativamente autônomo - assume o saber como tendo
um conteúdo relativamente objetivo, mas, ao mesmo tempo, introduz a
possibilidade de uma reavaliação crítica frente a esse conteúdo. Como, sintetiza
Snyders, ao mencionar o papel do professor, trata-se, de um lado, de obter o
acesso do aluno aos conteúdos, ligando-os com a experiência concreta dele - a
continuidade; mas, de outro, de proporcionar elementos de análise crítica que
ajudem o aluno a ultrapassar a experiência, os estereótipos, as pressões difusas
da ideologia dominante - é a ruptura. Dessas considerações resulta claro que se
pode ir do saber ao engajamento político, mas não o inverso, sob o risco de se
afetar a própria especificidade do saber e até cair-se numa forma de pedagogia
ideológica, que é o que se critica na pedagogia tradicional e na pedagogia nova.
Métodos de ensino - A questão dos métodos se subordina à dos conteúdos: se o
objetivo é privilegiar a aquisição do saber, e de um saber vinculado às realidades
sociais, é preciso que os métodos favoreçam a correspondência dos conteúdos
com os interesses dos alunos, e que estes possam reconhecer nos conteúdos o
auxílio ao seu esforço de compreensão da realidade (prática social). Assim, nem
se trata dos métodos dogmáticos de transmissão do saber da pedagogia
tradicional, nem da sua substituição pela descoberta, investigação ou livre
expressão das opiniões, como se o saber pudesse ser inventado pela criança, na
concepção da pedagogia renovada. Os métodos de uma pedagogia crítico-social
dos conteúdos não partem, então, de um saber artificial, depositado a partir de fora,
nem do saber espontâneo, mas de uma relação direta com a experiência do aluno,
confrontada com o saber e relaciona a prática vivida pelos alunos com os conteúdos
propostos pelo professor, momento em que se dará a "ruptura" em relação à
experiência pouco elaborada. Tal ruptura apenas é possível com a introdução
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explícita, pelo professor dos elementos novos de análise a serem aplicados
criticamente à prática do aluno. Em outras palavras, uma aula começa pela
constatação da prática real, havendo, em seguida, a consciência dessa prática no
sentido de referi-la aos termos do conteúdo proposto, na forma de um confronto
entre a experiência e a explicação do professor. Vale dizer: vai-se da ação à
compreensão e da compreensão à ação, até a síntese, o que não é outra coisa
senão a unidade entre a teoria e a prática.
Relação professor-aluno – Se, como mostramos anteriormente, o conhecimento
resulta de trocas que se estabelecem na interação entre o meio (natural, social,
cultural) e o sujeito, sendo o professor o mediador, então a relação pelica consiste
no provimento das condições em que professores e alunos possam colaborar para
fazer progredir essas trocas. O papel do adulto é insubstituível, mas acentua-se
também a participação do aluno no processo. Ou seja, o aluno, com sua
experiência imediata num contexto cultural, participa na busca da verdade, ao
confrontá-la com os conteúdos e modelos expressos pelo professor. Mas esse
esforço do professor em orientar, em abrir perspectivas a partir dos conteúdos,
implica um envolvimento com o estilo de vida dos alunos, tendo consciência
inclusive dos contrastes entre sua própria cultura e a do aluno. Não se contentará,
entretanto, em satisfazer apenas as necessidades e carências; buscará despertar
outras necessidades, acelerar e disciplinar os métodos de estudo, exigir o esforço
do aluno, propor conteúdos e modelos compatíveis com suas experiências vividas,
para que o aluno se mobilize para uma participação ativa. Evidentemente o papel
de mediação exercido em torno da análise dos conteúdos exclui a não-diretividade
como forma de orientação do trabalho escolar, porque o diálogo adulto-aluno é
desigual. O adulto tem mais experiência acerca das realidades sociais, dispõe de
uma formação (ao menos deve dispor) para ensinar, possui conhecimentos e a ele
cabe fazer a análise dos conteúdos em confronto com as realidades sociais. A não-
diretividade abandona os alunos a seus próprios desejos, como se eles tivessem
uma tendência espontânea a alcançar os objetivos esperados da educação.
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Sabemos que as tendências espontâneas e naturais não são tributárias das
condições de vida e do meio. Não são suficientes o amor, a aceitação, para que os
filhos dos trabalhadores adquiram o desejo de estudar mais, de progredir; é
necessária a intervenção do professor para levar o aluno a acreditar nas suas
possibilidades, a ir mais longe, a prolongar a experiência vivida.
Pressupostos de aprendizagem - Por um esforço próprio, o aluno; se reconhece
nos conteúdos e modelos sociais apresentados pelo professor; assim, pode ampliar
sua própria experiência. O conhecimento novo se apoia numa estrutura cognitiva
já existente, ou o professor provê a estrutura de que o aluno ainda não dispõe. O
grau de envolvimento na aprendizagem depende tanto da prontidão e disposição
do aluno, quanto do professor e do contexto da sala de aula. Aprender, dentro da
visão da pedagogia dos conteúdos, é desenvolver a capacidade de processar
informações e lidar com os estímulos, do ambiente, organizando os dados
disponíveis da experiência. Em consequência, admite-se o princípio da
aprendizagem significativa que supõe, como passo inicial, verificar aquilo que o
aluno já sabe. O professor precisa saber (compreender) o que os alunos dizem ou
fazem, o aluno precisa compreender o que o professor procura dizer-lhes. A
transferência da aprendizagem se má a partir do momento da síntese, isto é,
quando o aluno supera sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara
e unificadora. Resulta com clareza que o trabalho escolar precisa ser avaliado, não
como julgamento definitivo e dogmático do professor, mas como uma comprovação
para o aluno do seu progresso em direção a noções mais sistematizadas.
Manifestações na prática escolar - O esforço de elaboração de uma pedagogia
"dos conteúdos" está em propor modelos de ensino voltados para a interação
conteúdos-realidades sociais; portanto, visando avançar em termos de uma
articulação do político e do pedagógico, aquele como extensão deste ou seja, a
educação "a serviço da transformação das relações de produção". Ainda que a
curto prazo se espere do professor maior conhecimento dos conteúdos de sua
matéria e o domínio de formas de transmissão, a fim de garantir maior competência
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técnica, sua contribuição "será tanto mais seja eficaz quanto mais seja capaz de
compreender os vínculos de sua prática com a prática social global", tendo em vista
(...) "a democratização da sociedade brasileira, o atendimento aos interesses das
camadas populares, a transformação estrutural da sociedade brasileira".
Por fim, situar o ensino centrado no professor e o ensino centrado no aluno
em extremos opostos é quase negar a relação pedagógica porque não há um aluno,
ou grupo de alunos, aprendendo sozinho, nem um professor ensinando para ás
paredes. Há um confronto do aluno entre sua cultura e a herança cultural da
humanidade, entre seu modo de viver e os modelos sociais desejáveis para um
projeto novo de sociedade. E há um professor que intervém, não para se opor aos
desejos e necessidades ou à liberdade e autonomia do aluno, mas para ajudá-lo a
ultrapassar suas necessidades e criar outras, para ganhar autonomia, para ajudá-
lo no seu esforço de distinguir a verdade do erro, para ajudado a compreender as
realidades sociais e sua própria experiência.
3. PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA
Pela importância da Pedagogia Histórico-crítica na educação, estudaremos
na próxima semana.
REFERÊNCIAS:
LIBÂNEO, José Carlos. Tendências pedagógicas na prática escolar. Disponível
em:<[Link]
content/uploads/2014/08/tendencias_pedagogicas_libaneo.pdf> Acesso em 20
jul.2024.
LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da Escola Pública. São Paulo :Loyola,
1990.