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Iniciação Zen e Taoísta: Caminhos Espirituais

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ZEN / INICIAÇÃO TAOÍSTA

CAMINHO DO TAO

INICIAÇÃO ZEN BUDISTA

A iniciação Zen conta aqui com uma representação alegórica: Touro e Vaqueiro

e, a iniciação Taoísta com metáforas. Na Qualidade-momento do “Caminho de

volta”, o vaqueiro, um praticante iniciado no Zen, que procura o Touro, a

natureza de Buda, o Self, o encontra para viver de acordo com sua profunda

e verdadeira natureza.

Os caminhos de cada quadro representam as etapas e níveis de

desenvolvimento espiritual que o aspirante à iluminação terá que vivenciar e

transcender. Eles servem para ilustrar os ensinamentos do Zen.

Os dez quadros dessa iniciação foram produzidos durante a dinastia Sung, na

China. (960-1279) Juntamente com interpretações, comentários e poemas a

eles associados, existindo assim, várias versões. A mais conhecida é a do

mestre Ch’an, chinês, chamando k’uo-na Chihyuan. As xilogravuras impressas

nos quadros aqui não apresentadas são de Tomikishiro Tokuriti.

No 1. Quadro – “Ele está procurando o Touro.”

Diz o poema:

“O Touro nunca se perdeu; de que serve procurá-lo?”

Comentário: A natureza, o Buda, a iluminação, nunca se perdeu; porque então

procurá-la? Ela é inerente e inseparável da natureza humana.

Diz o poema:

“O fato que o vaqueiro não se encontre de bem consigo mesmo, se deve ao

fato de que ele violou a sua natureza mais profunda.”


“Sozinho na imensidão, perdido na selva, o rapaz está buscando”!

As águas transbordantes, as montanhas longínquas e o caminho sem fim;

“Exausto e em desespero, ele não sabe pra onde ir, só escuta as cigarras

vespertinas cantando nas árvores.”

Comentário: Ele se tornou vítima de suas ilusões. O Touro se perdeu porque o

vaqueiro se afastou do caminho, seguindo suas próprias ilusões e enganosos

sentidos. Seu lar cada vez fica mais longe, desvios e encruzilhadas confundem

mutuamente este vaqueiro. O desejo, a ganância e o temor à perda ardem

como fogo; as ideias sobre o certo e o equivocado brotam como aranhas.

Somente a ermo, perdido no pasto, o jovem vaqueiro procura e procura!

Somente escuta palavras efêmeras. Todo esse empenho existe, porque agora,

nessa qualidade-momento, ele está consciente da possibilidade de trilhar o

Caminho e iluminar-se. A Sensação de regozijo e excitação acompanha essa

mudança de valores, pois, os valores materiais estão sendo substituídos pela

ambição espiritual. Sabendo que não necessita muito para viver, porém ainda

não sabe viver de forma simples e alegre. Ontem, meditava sobre as

Verdades, hoje, a descrença é total, pois, ainda não sabe, só crê. E, quem

ainda crê, pode descrer... Ao anoitecer, sozinho, esses fantasmas, essas

aranhas brotam em sua mente e o perturbam tirando o sono, tornando-o

taciturno, moralista, triste e melancólico. Agora, compreendeu essa

futilidade, iniciando uma revolução de resgate. Uma energia nova de

“escolhido pela graça”, que o incita a procurar novamente o Caminho, - a Via.

INICIAÇÃO TAOISTA

A iniciação Taoísta chama essa fase de desenvolvimento espiritual, de

“Retorno às Antigas Condições – Fu”.

O Livro das Mutações – I Ching


“Retorno. Sucesso. Saída e entrada sem erro. Amigos chegam, sem falha. Para

adiante e para trás segue o Caminho. Ao sétimo dia vem o retorno. É favorável

ter aonde ir.”

Julgamento: o Sucesso do retorno ao Caminho da luz assinala uma faísca que,

mesmo tênue, deixa um rastro indelével. É o despontar de um pequeno germe

luminoso que jaz ainda oculto, em silêncio, mas que se faz presente na forma

de “graça!” É hora de silenciar culpas, remorsos, apegos passados, pois o

desabrochar se dá de forma espontânea no devido momento. O movimento de

contração anterior e de distensão atual faz parte do irromper e reforçam a

abertura. A concentração energética visa à retomada de forças e o vai e vem

acentua um despontar que ainda está frágil e hesitante. Como a meta está

longe, o caminho agora é a menta, um trilhar perseverante para saber onde

se está. Tudo ainda está em gestação, silencioso e modesto, que se manifesta

como uma nova tendência, completamente inusitada, que aos poucos irá

modificando seu caráter sem que o indivíduo em questão possa entender muito

bem o que realmente está acontecendo em sua vida.

Nuclear: “2. Kun” – O Receptivo

No âmago, sua receptividade íntima denota uma abertura e a completa

disponibilidade maleável, pronta para receber as sementes a serão plantadas.

Imagem:

“O trovão surge ao interior da terra: imagem do Retorno. Assim, os Antigos

Reis fechavam as passagens durante o solstício. Comerciantes e viajantes não

transitavam.”
Toda essa dinâmica agora está em compasso de espera e nutrindo o novo ciclo

que já se anuncia, prestes a irromper.

Este hexagrama mostra o homem se modificando para realizar em si mesmo

novos paradigmas baseados no sistema cósmico, mais amplo e holístico, em

contraposição aos seus ideais individualistas, separatistas e limitados: seu

ponto de mutação. O que fazer no momento que a transição se processa? Como

cooperar com a chegada do novo?

As linhas do hexagrama do Grande Tratado – I Ching apontam cada momento

desta transição e como vive-lo.

Nove na primeira posição:

“Retorno de curta distância. Não há motivo para remorso.”

“Grande boa fortuna”

A única linha yang demarca o ponto de transição já latente que permanece

invisível embaixo da terra. Um novo germe está sendo incubado, ou sonhado:

o ímpeto da luz é subir, irrompendo através da densidade do húmus fértil que

o acolhe e nutre no seu desabrochar. É como um sonho produtivo. As cinco

linhas yin superiores – representação dos cinco sentidos – voltam-se

solicitadas, para proteger essa germinação. Atesourada nas profundezas, a

energia prestes a surgir converte-se na devoção imensurável de Kun – o

Receptivo. A espera ou aparente inação é na realidade, a ação suprema que se

dá silenciosa e plena nas profundezas.

O meu mestre Chen Tuan, 420 d.c. das dinastias Tang e Sun, um alquimista,

ascensionado Taoísta que fundou a “Antiga Ramificação da Montanha das

Flores” – Lao Hua San Pai, manifesta-se à respeito desta linha assim: essa é

a Ordem do céu anterior e primordial – Jen Tem Pa Kua, com sua configuração
energética que encontra-se abaixo da terra na figura de seu ancestral de

origem, com seu potencial latente, não expresso visivelmente, de onde provém

a dinâmica que antecede o contexto dinâmico de uma qualidade-momento à se

realizar.

Seis na segunda posição:

“Retorno tranquilo depende de subordinar-se a um ser bondoso. Boa fortuna.”

É o que permite os fluxos naturais e, assim propicia cada renascer. Agora, é

só deixar o fluxo seguir o seu curso natural. O novo ciclo prestes a surgir

depende somente de subordinar-se a um ser bondoso, pois sem bondade,

nenhum florescer atrai sobre si a boa fortuna.

A perspectiva de mutação é a Aproximação (19), daquilo que lhe corresponde

no fundo da terra, que reflete quietude e dedicação das quatro linhas yin

acima. Mas as duas linhas Yang agora dão um novo impulso, favorecendo o

crescimento do que está em pauta a espiritualidade.

Seis na terceira posição:

“Retorno repetido. Perigo. Nenhuma falha.”

No contexto do Retorno, o perigo reside no desejo de acelerar. A tendência

interna que pressiona para agir deve ser controlada. Resistir à pressão de

avanço implica em não repetir as falhas. Se esta advertência não for seguida,

o Retorno perderá forças. Deve frear o ímpeto porque há algo precioso ainda

a ser acalentado em silêncio, em fase de preparação.

A mutação para a luz Obscurecida (36) implica em velar pela energia que está

voltando lentamente. O fogo contido dentro da terra ilumina e esquenta

apenas o foro interno e o ideal é manter o ímpeto aceso para que o que está

prestes a aparecer não se desgaste no confronto prematuro com o mundo

externo.
Seis na quarta posição:

“Ainda pelo caminho do meio e Retorna sozinho.”

Percorrer o caminho do meio denota equilíbrio e sabedoria. Ao alcançar esta

harmonia, já não importa se os outros o acompanham.

A mutação para o Duplo Trovão (51) denota um irromper interno e outro

externo. Ao encontrar o equilíbrio de forças, a pessoa se insere em seu

próprio ritmo e torna-se independente. Já não se deixa influenciar por

fatores externos.

Seis na quinta posição:

“Retorno sincero. Nenhum arrependimento.”

Na posição do governante, se está bem enraizado e já não há maiores

questionamentos, pois o crescimento é evidente. Por isso já não há dúvidas.

Este crescimento agora desimpedido se dá na sua integridade, com todos os

acertos e desacertos que pontilham o caminho de crescimento espiritual. As

alternâncias para as Dificuldades Iniciais (3) que surgem no decorrer deste

processo já não são afastadas ou suprimidas, porém se incorporam às etapas

vivenciadas, pois fazem parte do crescimento.

Seis na sexta posição:

“Perde o Retorno. Infortúnio interno e externo. Se as multidões marcham

assim, há uma grande derrota final, desastrosa para o governante e para seu

país. Sem condições de lançar iniciativas durante dez anos.”

A perda do retorno implica em abandonar o caminho do equilíbrio. Quando se

atua sem estre requisito primordial, e se volta para fora sem estar preparado,

perde-se o germe incialmente. O texto alerta: se, a esta altura, ainda se

tentar empreender um avanço forçado haverá retumbante fracasso. A falta

de ponderação gera prejuízos não só pra si, mas para todos à sua volta. A
perda desastrosa força a espera de um ciclo completo (Símbolo de dez anos).

A alternância para a nutrição (27) configura uma boca aberta, buscando

alimento externo, quando neste contexto todo alimento deve ser buscado nas

próprias bases interiores.


ZEN / INICIAÇÃO TAOÍSTA

CAMINHO DO TAO

INICIAÇÃO ZEN

No 2. Quadro – “Vislumbrando as Pegadas.”

Diz o poema:

“Pelo regato e sob as árvores, esparsas são as pegadas do perdido”

Os capins de sabor adocicado estão crescendo espessos – ele encontrou o

caminho?

Entretanto, distante, nas monstranhas, o animal pode estar vagando, “Seu

nariz alcança os céus e ninguém pode mascará-lo.”

Comentário:

Com a ajuda dos Sutras e estudando as doutrinas, chegou a compreender

alguma coisa; encontrou pegadas.

Agora sabe que os vãos, por mais variados que sejam, são de ouro puro, e, o

mundo objetivo é somente um reflexo do Eu. Porém, ainda que a sua mente

não possa distinguir o bom e o não bom, sua mente ainda está confusa com a

verdade e a falácia. Como só “bateu à porta”, não passou por ela, assim, se diz

que somente encontrou as pegadas.

Junto ao riacho e debaixo das árvores estão dispersas as pegadas daquele

que se perdeu; crescem abundantes gramas de doce aroma.

Ele encontrou o Caminho?

Por mais longe que o animal ande pelos morros, seu nariz chega aos céus e

ninguém pode ocultá-lo.


Na sua ânsia por conhecimentos, encontra amigos que lhe mostram os

ensinamentos, alguns cursos, algumas práticas, seitas variadas; enfim, ele

compreende alguma coisa e teoricamente, “encontra o Caminho de Volta.” Ele

compreende que todas as experiências, doutrinas, seitas ou “vasos”, por mais

variados que sejam, são de ouro puro. Ainda assim, não consegue distinguir o

certo do errado; tem fé, sabe que a saída deste inferno de contradições é a

procura constante do Buda interno, mas, como sua procura ainda é vacilante,

se diz que somente encontrou as pegadas, não ainda o Caminho do encontro

com o Touro, seu Self ou Eu interior. Apesar disso, o triunfo está assegurado,

pois o “seu nariz chega aos céus”, quer dizer, seu sentido de direção está

correto.

INICIAÇÃO TAOISTA

A iniciação taoísta chama essa fase de desenvolvimento espiritual, de “10. LU

– Conduta a Trilhar”

O Livro das Mutações – I Ching

Julgamento:

“Trilando sobre a cauda do Tigre.”

“Ele não morde o homem. Sucesso.”

Comentário:

Após ter aprendido a primeira lição em Fu, agora o discípulo tem de aprender

as regras do Caminho, dos rituais, das formalidades em Lu. As regras estão

relacionadas com a disciplina interna.

Difícil de obter êxito, se não se conhece ainda as leis de Yin e Yang, -

atividade e repouso. As leis do Céu seguem ciclos determinados, e o aprendiz


de mestre a fim de se transformar tem de conhecê-las e viver de acordo com

elas.

Imagem:

“O céu acima do lago: imagem da Conduta.”

“Assim, o ser superior discrimina entre o alto e o baixo e fortalece a vontade

do povo.”

O céu entra em contato direto com o lago, e este, refletindo sua luminosidade

de cima, espelha aquilo que de mais elevado contém.

Apesar da distância que os separa, eles logram estabelecer a harmonia e

mútuo enriquecimento. A diferença de nível entre os elementos que se

encontram com boa vontade não cria empecilhos, pois a natureza intrínseca

de ambos os aproxima à medida que a familiaridade vai se firmando.

As diferenças naturais de nível existentes na humanidade são superadas pela

compreensão e pelo afeto, estabelecendo vínculos sólidos e duradouros. Tudo

depende da índole da pessoa, não da posição que ocupa.

Ao trilhar a própria senda com cautela e sem imposições, logra uma aceitação

desprovida de qualquer rivalidade ou arrogância. Quando a dignidade interna

e a amizade prevalecem entre níveis, reina a paz nos relacionamentos.

Nuclear:

“37. A família”

No cerne da conduta está a família, na qual se aprende a caminhar por ser um

núcleo organizado, integrador e representativo, tanto externo, na sociedade,

quanto interno, na nossa “família” psíquica, para que todos os nossos aspectos

internos cooperem para o bem da totalidade do nosso “ser”.

Céu Anterior:
“4. A inexperiência.”

Aqui, a sugestão cósmica que antecede ao contexto é a necessidade de um

aprendizado para essa qualidade-momento do caminho. Encontrar uma

orientação segura que proporcione uma boa formação é requisito para ter uma

conduta acertada.

Atuação no contexto:

As linhas do Hexagrama do Grande Tratado – I Ching apontam cada momento

desta transição e como vive-lo.

Nove na primeira posição:

“Conduta simples. Progresso sem falhas.”

A conduta simples permite avançar sem cometer falhas, pois são as intenções

autênticas que impulsionam o progresso. Continuamente se esforça por

compreender e discernir os diferentes tipos de pensamentos e sentimentos

que o assaltam constantemente. A batalha no hexagrama anterior Fu foi dura,

muitas aflições obscurecem sua mente. Sua simplicidade faz com que se

oriente naturalmente pelas próprias inclinações. O que vai realizar não

importa e sim como deve realizar, assim, não se apega ao beneficio que a

meditação e a concentração produzem.

Mutação:

Expor a verdade com clareza mostra a melhor maneira de resolver os

Conflitos (6). Só interessa realmente cumprir bem a tarefa, por menor que

seja pelo simples fato de que esta – e não outra – é a que lhe foi outorgada.

Logo. Não se deve querer o que não tem direito de ter.

Nove na segunda posição:

“Trilhando sobre um caminho plano e simples.”


“A perseverança de um homem obscuro traz boa fortuna.”

Confúcio aqui ressalta: “Caminha pela trilha central e não se confunde.” O

caminho é plano e simples quando se abre naturalmente. Esta linha representa

o homem fiel a si mesmo no turbilhão do mundo manifesto, resolvendo os

desafios da solidão, com a mesma iniciação. Não é reconhecido ainda, porém,

não se ilude com a ambição de resultados. Não desafia o destino

permanecendo livre de conflitos. Apenas segue seu caminho, satisfeito e fiel

a seus princípios. O sucesso ou o fracasso não são cogitados, pois sabe que

são o movimento dos opostos complementares que sempre oscilam de um polo

a outro, O escritor argentino Jorge Luís Borges certa vez disse numa

entrevista: Tratem o sucesso e o fracasso com a mesma indiferença, pois

ambos são impostores.

Mutação:

A mutação para a Inocência (25), cujo significado é a ausência de segundas

intenções e a renúncia aos desejos, para que haja a aceitação das

circunstâncias que o caminho apresenta como meta a serem vivenciadas. É a

natureza essencial e harmônica do homem antes da “queda” no paraíso. É o

ser búdico aqui apresentado, que não perde a sua autenticidade nem diante

do inesperado.

Seis na terceira posição:

“Um caolho pode enxergar, um aleijado pode caminhar.”

Pisa na cauda do tigre e este o morde. Infortúnio.

“Um guerreiro age assim em favor do seu príncipe.”

Confúcio assim descreve esta linha: “Com uma só vista, ainda pode ver, mas

sem muita clareza. Um coxo pode caminhar, mas não depressa o suficiente

para acompanhar. O infortúnio de ser mordido pelo tigre decorre do fato de


encontrar-se na posição errada. Como um guerreiro, cumpre a missão

designada a seu príncipe, ou seja, um ideal maior. Se pretende encarar os

movimentos do destino com essa visão limitada sofrerá os revezes; “o tigre

morde o homem”. Ainda assim pode seguir o caminho, - caolho e coxo.

Consciente do seu despreparo, ele ousa enfrentar o perigo.

Mutação:

A transição para o Criativo (1) comprova ter a força e a lucidez capaz de

todas as ousadias em defesa da integridade.

Nove na quarta posição:

“Ele pisa a cauda do tigre. Cautela e circunspecção conduzem ao final, à boa

fortuna.”

Existe aqui a força necessária para realizar a concentração profunda a fim

de equilibrá-la com a intuição, porém esse poder interno está aliado a uma

cautela hesitante nas atitudes externas. Segundo a metáfora acima, só se

pode pisar sobre a cauda do tigre e reter a sua violência quando se entende

por que ele age com tanta agressividade. Ao encarar um risco, deve ter plena

consciência da dimensão da audácia. Uma postura suave e flexível pode chegar

a dominar o perigo através de um movimento sereno que não aborrece o

oponente, mais, forte dentro e fora de si. Assim chega onde almeja.

Mutação:

A perspectiva da Verdade Interior (61) implica na percepção não só no ponto

vulnerável do outro, mas também da própria fraqueza. A lucidez cautelosa

garante o sucesso.

Nove na quinta posição:

“Conduta decidida”.

“Perseverança com consciência do perigo”.


Devido à sua posição apropriada, ocupa o comando, já não vacila, apesar de

ter plena consciência do perigo. Além da perseverança do caminho escolhido

deve estar perfeitamente ciente dos riscos a ele inerentes. A decisão já não

pode ser adiada, e o cuidado em toma-la comprova a responsabilidade diante

da tarefa. Deve agora, utilizar as diferenças de maneira positiva, tentando

aplainar as arestas. Por ser ainda muito indisciplinado, ataca então com

decisão o fundamento dos seus defeitos e torna-se perseverante do perigo

que corre. Esquece o confronto consigo e com o seu mestre mais velho e seus

conselheiros.

Mutação:

A alternância para a oposição (38) sugere a percepção das tendências

conflituosas existentes dentro de si e da situação. O primeiro requisito para

lograr a união dos opostos dentro de si é reconhecer a natureza da

dissociação que a impede, sem um julgamento, apenas uma análise, pois a

mesma faz parte da sua família interior, e por isso deve ser educada, nunca

reprimida.

Nove na sexta posição:

“Contemple sua conduta e examine os sinais favoráveis”.

“Quando tudo estiver completo, virá a suprema boa fortuna”.

Chegando ao final do percurso, o Caminhar se completa. A tarefa agora é de

avaliar o caminho percorrido, percebendo os sinais favoráveis deixados para

trás, ao demarcar a sua trajetória. Dentro da tradição, a meditação é avaliada

e recapitulada, onde o estudo é detidamente analisado para considerar as

possíveis falhas que retardaram o processo e que não foram percebidos até

então.

Pode agora usufruir dos benefícios já assegurados de uma colheita farta,

após longo e árduo trabalho da erradicação das ameaças preocupantes, inclui


na sua consciência a prática da modéstia. Ao completar essa caminhada, os

resultados assinalam o que dela advém.

Mutação:

A transição para a Dupla Alegria (58) evidencia a grande satisfação de quem

alcança a sua meta trilhando as vias corretas. Daí a Suprema Boa Fortuna!
ZEN / INICIAÇÃO TAOÍSTA

CAMINHO DO TAO

INICIAÇÃO ZEN

No 3. Quadro – “Touro à Vista.”

Diz o poema:

“Num galho de árvore distante um rouxinol pousa contando alegremente;

O sol está quente e sopra uma brisa suave; na encosta, os salgueiros estão

verdes;

O Touro está lá, completamente só; não tem onde se esconder;

Sua esplêndida cabeça decorada com majestosos chifres – que pintor poderá

reproduzi-la?”

Diz o poema:

“O pastor encontra o caminho pelo som que escuta, desta forma ele vê dentro

da origem das coisas, e todos os seus sentidos estão em ordem harmoniosa;

“Porém, quando dirigir seu olhar apropriadamente, descobrirá que não é outro

a não ser ele mesmo.”

Comentário:

Ao colocar seus sentidos em harmonia, descobre que o objetivo da sua

procura é ele mesmo, por isso se diz: “A modéstia cria o sucesso.”

Somente aquele que compreende as suas falhas e descobre que também

possui as virtudes inerentes, assim pode conhecer e realizar a grande tarefa

de autoconhecimento. Ao igualar as coisas, ao se tornar ciente de sua própria

natureza, tudo retorna a seu lugar; o rouxinol canta, o sol é cálido, a brisa
sopra, descobre que o Touro sempre esteve aí, por enquanto ele está somente

ao seu lado, ainda há que “atravessar a grande água.”

INICIAÇÃO TAOISTA

A iniciação Taoísta chama essa fase de desenvolvimento espiritual, de 15.

Qian – A modéstia

O Livro das Mutações – I Ching

Julgamento:

“A modéstia cria o sucesso. O homem superior conduz as coisas à conclusão”.

É a capacidade de criar situações favoráveis que culminam em êxito e

enfatizam o livre-arbítrio soberano, onde o ser tem o poder de moldar o seu

destino, ressaltando que a sua conduta o expõe a influências construtivas ou

destrutivas.

Aqui o jovem aprende a completar aquilo que se propõe, aperfeiçoando os seus

trabalhos, sem vangloriar-se. Vai simplesmente executando as tarefas que

lhe compete, dia-a-dia. A concentração de forças internas, não mais

dispersas, evoca a simplicidade sem provocar atritos, nem tentar impor suas

opiniões, mas, ao contrário, a todos motiva e incentiva gentilmente.

Confúcio comenta sobre o julgamento dessa forma:

A moderação cria o sucesso, pois o Tao do céu verte a sua energia e seu brilho

sobre todos os seres. E o Tao da terra envia a sua energia para cima, ligando-

se ao céu.

O Tao do céu diminui o pleno e plenifica ao que é humilde. O Tao da terra

alterna o pleno e aumenta o que é modesto. O Tao dos seres espirituais

esvazia o pleno e abençoa o humilde. O Tao dos homens contraria o pleno e


ama o modesto. A modéstia honrada irradia o seu brilho. A modéstia em

posição subalterna não é ignorada. Assim, o ser superior é fiel a seus

princípios até o fim.

Imagem:

“A montanha no interior da terra: imagem da Modéstia.”

Todos excessos são neste momento. A altura da montanha compensa a

profundidade da terra e, assim, enfatiza o equilíbrio e a moderação. O

paralelo com os ciclos da natureza transparece nitidamente: é no momento

que a lua está cheia que começa a minguar, e reinicia o seu crescer na lua nova.

Esta mesma lei atua na alternância das marés, assim, como nos ciclos da

civilização humana.

Nuclear:

40. Jie – A liberação

A liberação no núcleo da Modéstia acentua que no âmago o iniciado se liberta

das amarras – da prepotência e da vaidade a dificultarem sua vida e iniciação

espiritual. No âmago a pessoa modesta possui a liberdade interior, assim, pode

seguir feliz com mais desenvoltura.

Céu Anterior:

42. Yi – O Aumento

A configuração que antecede o contexto é a necessidade de um aumento em

suas inúmeras implicações, pois a Modéstia provém da capacidade de

acrescentar a si mesmo e a todos à sua volta, repercutindo em benefícios

contínuos e duradouros.

Atuação no Contexto:
As linhas do Hexagrama do Grande Tratado – I Ching apontam sobre cada

momento desta transição e como vive-lo.

Seis na primeira posição:

“Um ser superior modesto que sabe se conter pode atravessar as grandes

águas. Boa fortuna”.

Ao se deparar logo de entrada com dificuldades a serem vencidas, em vez de

ceder à ansiedade, a pessoa modesta sabe se conter. Por isso é capaz de

superar até os empreendimentos mais difíceis. Onde não são levantadas

pretensões, não surgem resistências. Aquele que não impõe condições nem faz

exigências leva a sua tarefa a cabo com natural simplicidade.

Mutação:

36. Ming Yi – Obscurecimento da Luz

A perspectiva do Obscurecimento da Luz mostra que mesmo quando as suas

qualidades não são valorizadas, a Modéstia prossegue o ofício que se propõe,

pois age com calma meticulosa dedicação.

Seis na segunda posição:

“Modéstia manifesta. A perseverança traz boa fortuna”.

A modéstia se evidencia com clareza e constitui parte natural de uma pessoa.

Quando a postura reflete essa qualidade inestimável, ela exerce uma

influência duradoura sobre o meio ambiente. A tenacidade aliada a moderação

consegue vencer qualquer desafio, pois atua tranquilidade sem fazer alarde.

Mutação:

46. Sheng – Ascensão

Esse esforço invisível, porém, perseverante está implícito na alternativa para

a Ascensão, que simboliza o empenho de uma planta para atravessar o húmus


denso da terra. É natural que sua influência cresça de modo paulatino e

seguro.

Nove na terceira posição:

“Um ser superior de mérito e modesto leva tudo à conclusão”.

“Boa fortuna”.

Aqui ele obtém o sucesso, porém não se abala; grande manifestação de

humilde. Apesar do extraordinário mérito da sua ação, o ser superior a

considera como algo natural, subordinando-se de bom grado às exigências da

qualidade momento e ao seu mestre. Mesmo encontrando-se na culminância,

jamais se deixa deslumbrar pela fama ou contagiar pelo prestígio. Indiferente

às opiniões a seu respeito, se concentra em terminar a sua obra.

Mutação:

2. Kun – O Receptivo.

A mutação para o receptivo comprova a dedicação incondicional, onde o

homem modesto deve saber obedecer ao que foi determinado pela força

geradora do Criativo: Deus determina e o homem obedece.

Seis na quarta posição:

“Nada que não seja favorável para a modéstia em ação”.

A dinâmica da modéstia atuante sabe tomar as medidas pertinentes, sem

fazer alarde, pois tudo tem a sua própria medida. Até a conduta modesta

pode ser exagerada. Aqui, entretanto ela é adequada, pois a posição entre um

ajudante valoroso na trigrama abaixo e um governante bondoso acima implica

em grande responsabilidade.

Mutação:

62. Xiao Guo – A Preponderância do Pequeno.


Ao alternar para essa qualidade-momento, mobiliza sem negligenciar os

assuntos menores ou as pessoas mais humildes. A sua minuciosa observação

dos detalhes coloca cada coisa em seu lugar.

Seis na quinta posição:

“Não se vangloriar da riqueza diante do seu vizinho”.

“É favorável atacar com armas. Nada que não seja favorável”.

A modéstia não deve ser confundida com a indulgência fraca que tudo deixa

passar. Quando se ocupa uma posição de responsabilidade deve-se, em certos

momentos, recorrer a medidas enérgicas. Mas, para isso, não deve tentar

impressionar fazendo alarde de sua superioridade. As medidas tomadas

devem ser objetivas sem nenhuma ofensa pessoal. Assim a modéstia

manifesta-se até mesmo no rigor. Os mestres zen que maltratavam seus

discípulos com tarefas quase impossíveis de serem realizadas visam com isso

ampliar suas consciências, são um exemplo da atuação, porém justa, de quem

detém a autoridade e permanece modesto.

Mutação:

39. Jian – Obturação.

A obstrução mostra que os desafios ensinam que devemos buscar dentro de

nós as soluções. O sofrimento causado pela dificuldade sempre nos leva a uma

interiorização.

Seis na sexta posição:

“Modéstia que se exterioriza”.

“É favorável colocar os exércitos em marcha para castigas a própria cidade e

o próprio país”.
Aquele que é verdadeiramente sincero em sua modéstia deve manifesta-la.

Nisso deve proceder com grande energia. Ele começa por disciplinar a si

mesmo e aos que estão mais próximos. Só se pode realizar algo de valor

quando se tem a coragem de conduzir os exércitos contra si mesmo.

Mutação:

52. Gen – A Quietude (Montanha).

A consolidação interna aquieta e concede firmeza, como comprova a quietude

interna realizada através da meditação que leva a superação do ego. Este é o

caminho verdadeiro do discípulo que busca a sabedoria para realizar o Tao.


ZEN / INICIAÇÃO TAOÍSTA

CAMINHO DO TAO

INICIAÇÃO ZEN

No 4. Quadro – “A captura do Touro”.

Diz o poema:

“Perdido longo tempo nos campos desertos, o vaqueiro encontra finalmente o

Touro e o pega”.

Comentário:

Compreendeu de forma intuitiva como vagou durante tanto tempo pelos

campos da vida. Pegar o Touro é “Compreender apenas um pequeno Sartori”.

Diz o poema:

“Ele sente saudade do velho campo de doce aroma”.

Comentário:

Muitas vezes perguntamos por que as pessoas procuram o caminho da

iluminação. A resposta é uma só: saudade, reminiscência de que algum dia em

algum lugar elas já participaram do “velho campo de doce aroma”.

Diz o poema:

“A natureza selvagem é ainda indômita, e rejeita por completo a opressão”.

Comentário:

A natureza selvagem é o nosso próprio instinto, nossas próprias tendências,

ou o carma manifesto através da nossa personalidade. Tentar controlar a

nossa natureza é uma tarefa árdua e perigosa, porque em qualquer tipo de


disciplina que tentamos desenvolver, imediatamente nossa personalidade

encontrará uma forma de nos desviar de nossa proposta original.

Diz o poema:

“Se o pastor deseja ver o Touro em total harmonia com ele, com segurança

terá que usar generosamente o chicote”.

Comentário:

O chicote aqui é a perseverança, além de qualquer sacrifício.

Diz o poema:

“Com toda a energia do seu ser, o vaqueiro pegou por fim o Touro. Porém que

selvagem é a vontade deste, que ingovernável é o seu poder! Ocasionalmente,

marcha arrogante pelos morros, quando prontamente perde-se novamente

num nebuloso e impenetrável passo na montanha”.

Comentário:

Querer se disciplinar, tornar-se modesto, não é um fim em si mesmo: ninguém

“chega a ser” modesto, ou bondoso, na medida da prática; ou se é ou não se é,

nunca se chaga a ser. Em alguns momentos, em nossa pouca luz, pensamos que

“já somos” modestos. Diz um sutra: “aquele que pensa que é já não é. Aquele

que se diz louco não é tão louco assim. Aquele que se diz honesto não é tão

honesto assim”. Nesse momento, o Touro novamente perde-se num “nebuloso

passo na montanha”, por isso, para ele continuar realmente seu caráter tem

de ter;
INICIAÇÃO TAOISTA

A iniciação Taoísta chama essa fase de desenvolvimento espiritual, de 32.

Heng – Duração.

O Livro das Mutações – I Ching

Julgamento:

“Sucesso. Nenhuma falha”.

“A perseverança é favorável”. “É vantajoso ter aonde ir”.

A duração é um estado em que obstáculos não conseguem esgotar o

movimento. É o movimento que está sempre se renovando. Ele se realiza

segundo leis imutáveis e cada término dá lugar a um novo começo. O

movimento é interno: a inspiração, a sístole, a contração. Esse movimento se

transforma num novo começo tomando a direção externa: a expiração, a

diástole, a expansão. Assim o caminho do homem que segue o seu destino tem

um sentido duradouro, o mundo se estrutura e ganha forma.

Imagem:

“Trovão e vento: a imagem da Duração”.

“Assim, o homem superior permanece firme e não altera o seu rumo”.

A força do trovão incita o movimento e vai elucidando todas as etapas de

longo percurso. Ao mesmo tempo, os ventos imperceptíveis vão se

impregnando na interioridade e, pouco a pouco, vão exercendo sua influência

poderosa no mundo externo.

Nuclear:

43. Guai – Irromper (A Determinação).

Sem uma determinação firme no cerne, não se consegue perdurar num

compromisso. Ao decidir percorre um longo caminho junto, se necessita muita


clareza e força, como assinalam as cinco linhas yang. A constância requer uma

determinação partilhada.

Céu Anterior:

38. Kui – Oposição.

O céu anterior sendo a oposição pressupõe que toda evolução duradoura

decorre de potenciais unidos que logram vencer as divergências. Tudo

perdura no tempo em ciclos, como as estações e rotações planetárias

decorrentes da contínua sucessão de oposições.

Atuação no contexto:

As linhas hexagrama do Grande Tratado – I Ching apontam sobre cada

momento desta transição e como vive-lo.

Seis na primeira posição:

“Buscar a duração de modo precipitado. Infortúnio”.

“Nada é favorável”.

O duradouro só pode ser criado gradualmente, através de longo trabalho e

cuidadosa reflexão. Lao-tse comenta a respeito: “Quando se quer comprimir

algo, deve-se primeiro deixa-lo expandir-se plenamente”. Este contexto deve

ser abordado com suavidade. O verdadeiro querer ocorre num diálogo de

maturação.

Mutação:

34. Da Huang – O Poder do Grande.

A mutação para o Poder do Grande denota um esforço contraproducente. A

construção duradoura é lenta e se logra através da perseverança, de uma

resistência que faz do tempo o seu aliado. Apressar o processo só gera

decepções.
Nove na segunda posição:

“Os arrependimentos desaparecem”.

Esta é uma situação anormal. A revisão cuidadosa dos objetivos denota

equilíbrio e evita arrependimentos.

Mutação:

62. Xiao Guo – A Preponderância do Pequeno.

A alternância comprova a atenção voltada para os detalhes. Quando se deseja

algo que perdure, é preciso andar devagar, ser cauteloso nas minúcias, mesmo

se à primeira vista parecem irrelevantes. Para ir longe, tudo se reveste de

importância.

Nove na terceira posição:

“Quem não é constante em sua posição sofre vergonha. Persistente

humilhação”.

A pressa no agir, mudando de postura com frequência, comprova um caráter

fraco. Enquanto agir assim, não encontra companheiro, nem um lugar próprio

em parte alguma. Falta persistência quando se deixa levar por estados de

ânimo ou circunstâncias externas transitórias, e essa atitude afasta as

relações verdadeiras.

Mutação:

40. Jie – A liberação.

A perspectiva da liberação representa uma atitude descompromissada que

esbarra com dinâmica da duração. A vontade de novidades não cimenta raízes.

Nove na quarta posição:

“Não há pássaros nos campos”.


Se não há o que queremos onde se procura, é conveniente procura-lo em outro

lugar. Convém aprofundar a busca, sem pretender resultados imediatos.

Consolidar relacionamentos implica em fazer esforços no sentido de conhecer

bem a pessoa ou o terreno que queremos enraizar.

Mutação:

46. Sheng – Ascensão.

A mutação aqui incorre num esforço paciente e penetrante de longa duração.

Seis na quinta posição:

“Dar duração à sua posição traz boa fortuna para a esposa e infortúnio para

o marido”.

A suavidade das mulheres, símbolo yin de adaptabilidade, não é suficiente

para o marido, - a atitude de iniciativa yang requer decisão no cumprimento

do dever. Essa mensagem revela que para que algo perdure, não basta à

receptividade, porém, também é preciso ter consciência das obrigações,

aliada à firmeza e constância de propósitos.

Mutação:

28. Da Guo – A Preponderância do Grande.

A alternância para o grande acúmulo aponta para a responsabilidade implicada

numa relação de longa duração. Para ter sucesso, é preciso ir descartando os

fatores ultrapassados e os encargos demasiado pesados, para melhor acolher

novos desafios.

Seis na sexta posição:

“Inquietude de longa duração. Infortúnio”.

Quando a agitação se prolonga, reverte em infortúnio. Na posição mais

elevada, na maturidade da duração, as inquietudes não devem persistir, pois


estariam fora do lugar. Seriam empecilhos para a serenidade interna

alcançada no decorrer da duração, e só prejudicariam o bom andamento da

longa caminhada.

Mutação:

50. Ting – Caldeirão.

A perspectiva do caldeirão indica a culminância da duração e, ao mesmo

tempo, uma mudança de nível. A esta altura, as aspirações deveriam ser de

outra ordem.
ZEN / INICIAÇÃO TAOÍSTA

CAMINHO DO TAO

INICIAÇÃO ZEN

No 5. Quadro – “O Pastoreio do Touro.”

Diz o poema:

“Quando aparece um pensamento, lhe segue outro, e logo outro: assim acorda

uma caravana interminável de pensamentos”.

Comentário:

Em termos de mente contemplativa, aqui é representada a nossa mente com

os seus pensamentos, ora bons, outras vezes de egoísmo profundo, outras de

autocomiseração.

Se não diminuirmos estes pensamentos, então após o primeiro seguirá outro

infinitamente, até que mesmo que queiramos já não podemos mais nos

desvencilhar deles.

Diz o poema:

“Através da iluminação, tudo se torna verdade; porém, a falsidade afirma-se

quando reina a confusão. As coisas não nos oprimem mais devido a um mundo

objetivo e sim a uma mente que engana a si próprio. Não há que deixar sozinho

o touro manso, há que mantê-lo ajustado, sem consentir vacilações”.

Comentário:

A natureza da mente é como um lago, ela possui a capacidade de refletir a

própria eternidade, ou a própria iluminação, porém, reina a confusão. É a

própria mente que emite pontos de vista falsos. As pessoas se queixam das

pessoas e do mundo em que vivem, porém, não são as pessoas e nem o mundo
que as oprime, mas, sim as suas ilusões mentais e julgamentos a respeito delas

e dele; há frutos bonitos por fora, mas estão podres por dentro. Não há que

deixar o touro sozinho, ele assim torna a se perder.

Diz o poema:

“O pastor não há de separar-se do chicote e a corda. Não seja que o animal

vagabundeie distante, num mundo de sujeiras”.

Comentário:

A mente é como um lago, se não for controlada e renovada se transforma em

um pântano. O mundo de sujeiras só poderá ser controlado, perseverando-se.

Diz o poema:

“Quando se cuida do touro apropriadamente, crescerá puro e dócil. Por si só

seguirá o pastor, em forma alegre, “sem chicote e sem corda”, sem nada que

o discipline e nem o amarre”.

Comentário:

Os paradoxos são complementares e não há mais contradições.

INICIAÇÃO TAOISTA

A iniciação Taoísta chama essa fase de desenvolvimento espiritual, de: 41.

Sun – Diminuição.

O Livro das Mutações – I Ching

Julgamento:

“Diminuição unida à veracidade promove suprema boa fortuna, livre de culpa.

Nisso se pode perseverar. É favorável empreender algo. Como leva-lo a cabo?

Podem-se utilizar duas pequenas tigelas para o sacrifício”.

Comentário:
A diminuição das causas do conflito era inevitável, apesar de que até aqui uma

luta foi travada sem tréguas, a confusão mental foi a tônica do indivíduo.

Assim, a diminuição é a perda do inferior que há em nós.

Uma vez que a confusão foi dissipada, a iluminação aumenta e diminuem as

projeções mundanas.

Imagem:

“O lago na base da montanha: imagem da diminuição”.

“Assim, o ser superior controla a sua ira e modera as suas paixões”.

O lago constitui uma reserva de água fértil ao pé da montanha, fecunda todo

o seu meio justamente por diminuir os excessos: as águas estão sempre se

renovando, diminuindo ao se evaporarem em nuvens. Os contornos da

montanha a se refletirem no espelho da água igualmente se alternam sem

parar: ora nitidamente delineados ao brilho do sol, ora ocultos na penumbra

das nuvens escuras de chuva, ora ressurgem prateadas, ao brilho do luar.

Dependendo das estações, dos dias e das noites, espelhando nuances

incessantes. Do mesmo modo, o ser superior límpido de seus reflexos,

percebe suas motivações excessivas à medida que surgem e as descarta,

sorrindo, livrando-se sem tardar das cargas e sentimentos nocivos. Sabe

agora que só diminuindo o egocentrismo pode perceber o outro. Já não se

deixa dominar pelas próprias paixões, por raivas, ambições, pois agora tem

consciência de uma dimensão maior que o perpassa e o permeia.

Ao voltar-se às profundezas do seu próprio ser, - ao logo que a reflete e que

se encontra aí disponível, a seus pés, nítido como um espelho claro, - a

montanha se ergue mais majestosa ainda.

Nuclear:

24. Fu. Sun – Retorno.


No núcleo da diminuição encontra-se o retorno da luz, do calor e do

florescimento, resultando a continuidade dos fundamentos que, por mais que

diminuam, sempre voltam com força renovada. No interior da terra jaz a

semente que sempre retorna.

Céu Anterior:

40. Jie – Liberação.

Só quem alcança a liberdade interior sabe diminuir o que for necessário para

um bem de uma causa maior.

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