ÉTICA FILOSÓFICA
Prof. Ivanildo Monteiro
AULA 2
Aluno: WILLYANE ALCANTARA DOS SANTOS SILVA
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Aluno: WILLYANE ALCANTARA DOS SANTOS SILVA
CONVERSA INICIAL
Ética antiga
Nosso intento é que você consiga perceber alguns exemplos práticos de
reflexão filosófica no período da Antiguidade, ou Período Clássico da Filosofia.
Assim, almejamos que você consiga perceber como alguns dos maiores
pensadores das Grécia Antiga, bem com as suas respectivas escolas filosóficas,
elaboraram uma análise crítica sobre os valores morais vigentes em seu contexto
social. Para tanto, ao trazer para nossa discussão pensadores como Sócrates,
Platão e Aristóteles (considerados por muitos, a tríade filosófica máxima)
pretendemos que você realize sua própria avaliação para os problemas e
situações diversas que a sua sociedade no que tange a moralidade ou eticidade
nos dias atuais.
O surgimento da ética no mundo antigo é um fator indispensável para
nossa análise da formação do mundo, em como hoje vivenciamos as relações a
partir dos valores que acreditamos e conduzimos nossa existência. Por isso,
saber como surgiram as reflexões sobre a moral, ainda no período da
Antiguidade, sobretudo a partir da contribuição dos gregos, tem o caráter
investigativo de conhecermos como se deu em grande parte a nossa própria
história axiológica. Para iniciar de forma célebre, tratemos da filosofia moral de
Sócrates.
TEMA 1 – ÉTICA SOCRÁTICA
Sócrates nasceu na cidade-estado de Atenas 470/469 a.C., e morreu em
399 a.C., como pena do julgamento no qual fora acusado de corromper a
juventude e negar os deuses da cidade. Ele buscava, com sua filosofia, pelo
fundamento (princípio) que permitia justificar a vida moral. Tal fundamento dá-
se, segundo ele, na própria natureza do homem: que é a alma racional. Mas o
que para Sócrates é a alma? Por que ela fundamenta o campo das ações
humanas? E quais consequências decorrem do agir mediante este princípio?
Como é de consenso na tradição filosófica, tudo o que sabemos sobre os
ensinamentos de Sócrates foram transmitidos por ele de maneira oral, ou seja,
ele não deixou nenhuma obra escrita. O que se tem dos ensinamentos socráticos
dá-se por meio de testemunhos de outros filósofos que lhe sucederam. A partir
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destes testemunhos, contrários ou favoráveis, podemos nos acercar do que
propriamente concerne de fato à filosofia socrática.
Em Sócrates, devemos entender que o termo alma (psyché) é a própria
consciência humana, trata-se de nossa faculdade intelectual e moral. Neste
sentido, a alma diz respeito a nossa habilidade de compreender. Sócrates,
procurou durante muito tempo compreender qual era a essência do homem, até
que chegou à conclusão de que o homem é sua alma. Ela é que permite a
virtude, isto é, a realização do melhor que pode ser alcançável ao ser humano.
Isto se dá ao entendermos que a alma, como sendo nossa “atividade
cognoscitiva”, nos possibilita a promoção ou ação em favor de desenvolvermos
a atividade de conhecer as coisas como elas são em si mesmas. Um conceito
que está intrinsicamente conectado com o conceito de alma em Sócrates é o
conceito de Virtude (em grego, aretè). É por meio deste que nós buscamos o
conhecimento certo e seguro (entendido como ciência, como episteme).
Ao investigarmos a ética socrática temos que entender um elemento
central: há uma só Virtude que, por seu turno, serve de princípio ao conjunto de
ações virtuosas. Esta virtude é o conhecimento, um saber seguro e certo sobre
si mesmo. Decorre daí o jargão “conhece a ti mesmo”: trata-se propriamente da
Virtude mesma. Quando o ser humano comete um erro ao agir, este erro, ou a
ação não virtuosa, devemos entendê-lo como fruto da ignorância
(desconhecimento de algo). Assim, compreendemos que é a falta de
conhecimento que nos leva a agir errado.
Dito de outra forma, voluntariamente não poderíamos agir mal. Isto porque
Sócrates nos dá a entender que na ação errônea, optamos por um bem que
desconhecemos ser equivocado. Aquilo que nos pareceria um bem, na realidade
é um mal. Com efeito, decidimos sempre por um bem, só que nossa ignorância
não nos permitiu reconhecer que de fato aquilo pelo que nós optamos, se tratava
de um não-bem, era apenas aparentemente (tinha aparência de) um bem.
Como forma de evitarmos o erro, devemos entender que o conhecimento
das essências seria, então, aquilo que nos permite conhecer as coisas como
realmente são, e não somente como elas parecem ser. O conhecimento seguro
e certo (epistemè - ciência) é aquele tipo de saber que a alma racional alcança
e, por meio dele, faz com que saibamos o que é bem e possamos assim escolher
ele sem cair no erro.
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A partir deste conceito de alma podemos ainda determinar outro conceito
central para Sócrates - o conceito de liberdade. Este termo é entendido como
disposição interna (como autocontrole - enkráteia). É aquilo que nossa alma
racional possibilita escolher racionalmente, prescindindo dos impulsos e paixões.
Por meio desta disposição de “autodomínio” podemos nos lançar ao saber
seguro e certo das essências. Por meio da natureza racional que define o ser do
homem, nós podemos, ou melhor, nós devemos – já que estamos nos referindo
ao tema da ética – prescindir das paixões e dos instintos, na realização de
nossas ações. Com o conhecimento de si mesmo, o homem usufrui de sua
liberdade frente às coisas do mundo, pois ele pode julgar a contingência das
coisas mundanas frente aquilo que é necessário (preciso enquanto essência)
mediante o autoconhecimento de sua própria essência (sua alma).
Como consequência ou resultado das ações para o bem, mediante a
Virtude que é o conhecimento alcançado pela alma racional, tem-se então a
felicidade. Esta felicidade é, para Sócrates, o estado de ordem em que a alma
se encontra: “o homem age retamente quando conhece o bem e, conhecendo-
o, não pode deixar de praticá-lo; por outro lado, aspirando ao bem, sente-se dono
de si mesmo e, por conseguinte, é feliz.” (Sánchez Vázquez, 2014, p. 271-272).
Isto nos permite entender que a Virtude é um bem em si mesmo. Não é
busca pela felicidade que nos leva à ação virtuosa, porém é a própria ação
realizada mediante a virtude que nos permite sermos felizes, ou seja, verificamos
que nossa alma está em ordem, pois busca aquilo que lhe é próprio.
TEMA 2 – PLATÃO E A IMPLICAÇÃO DA ÉTICA
Platão (428/427 a. C. – 347 a. C.), fora discípulo de Sócrates, e boa parte
do pensamento socrático conhecemos por meio dele. Por isso, não nos deve
causar surpresa o fato de Platão dar continuidade ao fundamento socrático que
postula a alma racional como fundamento do comportamento humano. Com
ambos os filósofos, admitimos que a ação que preza pela Virtude (tender para o
melhor – o Bem em si mesmo) é a maneira de agir que melhor corresponde ao
ser do homem, mediante sua essência – sua alma racional
A concepção da filosofia moral de Platão é estipulada mediante a sua
postulação dos dois planos ontológicos, a saber, do mundo sensível e do mundo
inteligível. Quando compreendemos que toda filosofia platônica (sua gnosiologia,
ética, política, lógica e estética) se deduz da metafísica do ser verdadeiro, é
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evidente percebermos que ela se trata de um sistema construído
fundamentalmente para formação moral do homem.
Percebemos que a noção de homem a fundamentar a ética, para Platão,
tem um cunho dualista, quando este filósofo afirma que o homem é
essencialmente alma que está presa em um corpo. Assumindo isto, a ética
platônica nos quer levar a cremos que a tarefa do homem virtuoso (aquele que
busca agir da melhor forma), consiste em libertar a alma dessa cadeia que é o
corpo.
Por entender que o homem é essencialmente sua alma, Platão determina
que a atividade racional que é própria da alma humana (psyché) nos torna
capazes de promover nossa liberdade, isto, do seguinte modo: Ao praticarmos
ações que se pautam no uso de nossa capacidade racional, optamos em agir
mediante a disposição mais essencial em nosso ser, isto é, ações deste tipo são
ações que encontram fundamento em nossa alma. Do contrário, sempre que
optamos em praticar ações, as quais se pautam nos desejos instintivos ou
passionais de nosso corpo, neste caso, fortalecemos o domínio do corpo sobre
a alma. Agimos, neste último caso contrários à nossa essência, e tornamos
nossa alma ainda mais cativa.
Isso nos permite compreender por que devemos promover ações que
inibam ou eliminem o mais possível os instintos e as paixões. Mas também, nos
permite encontrar a trilha que permite a Platão afirmar que o filósofo é aquele
que promove a “fuga do corpo” – a separação da alma do corpo. É também
aquele que busca a “fuga do mundo” – tornar-se semelhante a Deus, o quanto
for mais possível ao homem.
A compreensão platônica sobre a alma humana como sendo imortal, tem
por interesse nos permitir a validade universal para formar a conduta moral.
Platão procurou garantir sua, afirmação sobre a imortalidade da alma humana,
principalmente, por meio de dois mitos: o “mito de Er”1 e o “mito do carro alado”2.
Muito mais que enfatizar o caráter dualístico do ser do homem, a ética platônica
postula a alma como imortal e corpo como cadeia desta, a fim de que possamos
entrever que a alma imortal guarda proximidade ou se conecta mais
harmoniosamente com o mundo inteligível (As Ideias fazem parte da realidade
eterna e verdadeira), enquanto que o corpo, exatamente por se tratar do plano
1
Cf. Platão, 1965b, p. 249ss.
2
Cf. Platão, 2000, p. 58-59
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sensível e corruptível não ofereceria, segundo Platão, a condição de
possibilidade de conhecermos as ações que próprias à nossa essência (pois esta
condição só nos é dada por nossa alma).
Assim, nos torna fácil perceber que se por um lado a ética platônica se
fundamenta na metafísica por ele entendida, por outro lado, o que condiciona a
filosofia moral de Platão é o conhecimento que a alma humana se permite
alcançar. Então, com isso temos que: ontologia e gnosiologia, em Platão, são os
pilares das noções éticas deste célebre filósofo. Isto nos permite entender o
papel da imagem da “segunda navegação”3 (agora aplicado ao campo da moral),
na filosofia platônica.
Em sua obra “A república” (1965a e b), Platão nos apresenta a tese de
que todo homem dispõe de uma alma racional, e esta, por sua vez, conteria em
si, metaforicamente falando, um tipo de metal que revelaria sua estirpe ou valor,
conseguintemente, o tipo de metal guarda um paralelo com a disposição para o
melhor em cada indivíduo. Deste modo, aqueles que possuem alma
concupiscente (autocontrole dos apetites e instintos) são dotados ou constituídos
de bronze em sua alma; ao passo que a disposição da alma irascível
(autodomínio das paixões) no indivíduo revelaria o elemento prata na sua
constituição. Por fim, aqueles que se apresentam com alma intelectual
(condicionados a ascenderem até a Ideia de Bem, e em ensiná-la ao demais)
denotam a porção de ouro que compõe seu ser. (Platão, 1965b, p. 192).
O primeiro passo que devemos compreender é ao falarmos de tripartição
da alma, falamos de um único tipo de alma racional, portanto, por mais que
falemos de tipos de virtudes, todas elas se subordinam a uma única Virtude
geral: o conhecimento. Para Platão (1965a, p.198ss), a alma racional deixando-
se conduzir somente pela faculdade que lhe é própria (a razão) faz com que a
disposição intelectual responda pelo conhecimento do Bem e pela ordenação
das demais faculdades do homem. A faculdade intelectual (vinculada, como não
poderia ser diferente, à cabeça) domina a faculdade irascível.
Esta faculdade irascível, trata da disposição do homem em lidar com as
paixões, as emoções violentas que são próprias à natureza do homem. Todavia,
3
De modo abreviado, podemos sustentar que a “segunda navegação” é a imagem que Platão
se serve para dizer que: tanto o conhecimento do Bem-supremo, quanto a ação pratica em
vista dele, são frutos da razão humana que busca, por meio da atividade racional, o conhecer e
o agir excelente que devem ser pautados na essência humana: na alma do homem. Cf. Platão,
2007, p. 48.
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os indivíduos que permitem sobressair a faculdade irascível não se permitem
deixar levar inteiramente pelo momento passional, apesar de não alcançarem a
Ideia do Bem, os irascíveis acorrem para valorizar os preceitos e tradições
ensinadas pelos indivíduos de alma intelectual. Também, estes auxiliam os
indivíduos nos quais sobressaem a faculdade concupiscente, ajudando-os a
manterem sua moderação ante os desejos e instintos.
A alma racional que não desponta a porção intelectual, nem mesmo a
irascível, ainda assim, alcança uma disposição virtuosa que permite ao sujeito
de alma concupiscente agir de modo temperante mediante os apetites e desejos
(Platão, 1965a; 228a). Deste modo, compreendemos que, embora se trate
sempre da mesma alma racional quando tomamos o elemento sujeito humano
por base, existem diferenças dos elementos que despontam no interior do ser do
homem. Com efeito, a disposição da alma racional para ação moderada frente
aos apetites é própria a todos os homens, já o autodomínio de uma alma racional
mediante os sentimentos e paixões respondem à propriedade do elemento
irascível, que também domina seus apetites. Contudo, a excelência da alma
racional encontra-se no elemento intelectual que atinge a Ideia de Bem, e no
exercício de ensinar aos demais, detém seu fim último: ser sábio.
Como nos é ensinado pela tradição filosófica, a ética platônica está
marcada fortemente pela noção política deste filósofo. Embora não seja nosso
intento tratar da política, devemos, de modo panorâmico, ter em mente que, para
Platão (1965a, p.232ss), cada tipo de disposição de alma racional – a saber,
Intelectual (ou de ouro), Irascível (ou de prata) e a Concupiscente (ou de bronze)
– cada uma detém na formulação da cidade utópica platônica (Kalípolis), um
posto a ocupar, uma função a desenvolver, mediante a capacidade da alma em
se demonstrar apta. Nesta cidade ideal, os de alma racional intelectual
governariam, os de alma racional irascível defenderiam a cidade, enquanto os
de alma concupiscente promoveriam os gêneros alimentícios e o comércio de
toda a cidade.
TEMA 3 – ÉTICA ARISTOTÉLICA
Filósofo grego, nascido em Estagira em 384 a.C., Aristóteles tornou-se
durante certo tempo discípulo de Platão, e mestre e discípulo passariam
postumamente a serem tomadas como as duas personalidades de maior
expoente na tradição filosófica ocidental. Outra personagem histórica que figurou
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na vida do estagirita foi o Imperador Alexandre Magno, a quem serviu de
preceptor. Existem uma variedade imensa de assuntos nas obras creditadas a
Aristóteles, desde poesia até zoologia, porém, o fato de seu sistema filosófico –
difundido na escola que fundou em Atenas, o Liceu no qual dedicava-se a
produção e a transmissão de sua filosofia aos seus discípulos, chamados
peripatéticos – e por ser considerado um dos pilares do pensamento do ocidente,
formam as circunstâncias para nos acercarmos um pouco mais de sua filosofia
moral (Aristóteles, 2012, p. 15).
Quanto à filosofia moral, para Aristóteles (1984), todo agir humano
pretende ou possui uma finalidade, isto é, toda ação busca um propósito a
realizar. Em nossa vida prática podemos observar isso, ao notarmos que existem
ações das quais os propósitos buscamos realizar por elas mesmas e, outras que
procuramos realizar por coisas diversas do nosso agir, com efeito, tem um fim
distinto da ação realizada. Uma das formas mais tranquilas de entendermos a
finalidade de nosso agir diz respeito ao questionamento que podemos efetuar,
indagando sobre o “serve para”, ou o “para que” de um ato. Quando fazemos
estas perguntas, estamos questionando a finalidade de tal situação ou ação.
Para Aristóteles (2008) a felicidade é a finalidade última de todas as ações
humanas. Com isso, somos chamados a entender que todo ação humana, que
deve ser um agir racional, tem por meta final (escopo) a felicidade. Por este
motivo, a filosofia moral aristotélica é entendida também como sendo uma ética
eudaimônica – eudaimonia é a palavra grega para que define a felicidade. Assim,
devemos que compreender que a excelência humana (o melhor que o homem
pode buscar realizar), ou seja, a virtude do homem relaciona-se diretamente com
sua busca pelo bem viver ou pela vida feliz (Angioni, 2009, p.189).
No que diz respeito às ações ou situações que possuem finalidades com
fim em si mesmas (por exemplo, a amizade), dizemos que temos um fim em si
mesmo, ou seja, a ação ou situação coincide com o propósito ou finalidade que
busco realizar (A atitude amigável, aquilo que realizo por amizade, serve para a
amizade mesma; não há outro propósito além desse.
Todavia, junto de Aristóteles (1984, p. 54) entendemos que existe outro
tipo de situação ou ação, pois percebemos que também há o agir que serve para
algo diverso dele mesmo, ou seja, a ação ou situação não é um fim em si mesma,
mas é apenas um meio (cumpre a finalidade intermediária), serve para outra
coisa que não ação mesma. O ato de trabalhar, por exemplo, serve para ganhar
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um salário que nos permitam sustentar nossas necessidades e confortos. Por
meio disso, podemos compreender que o trabalho não possui um valor em si
mesmo, ainda que ele seja extremamente importante na estrutura ética, tanto da
antiguidade, quanto nesta dos nossos dias.
A ética aristotélica, a exemplo de toda ética grega antiga, pauta-se na
racionalidade humana. O fato de o homem possuir uma alma racional,
condiciona seu agir apoiado na razão (Aristóteles, 1984, p. 138). Deste modo,
para Aristóteles, o homem, enquanto ser racional, tem como fim último a
realização desta sua natureza especifica que é a de ser um “vivente racional”. É
exatamente na realização desta sua natureza de ser racional, que se encontra a
felicidade do homem.
Faz-se importante também considerarmos, como nos adverte Angioni
(2009), que no homem, além da razão, os apetites e os instintos ligados a alma
sensitiva detêm um papel considerável na elaboração do agir virtuoso em
Aristóteles (1984). Tais apetites e instintos se opõem a razão, mas podem ser
regulados e dominados pela própria razão (faculdade da alma racional humana).
A submissão da alma sensitiva à razão ocorre por meio das virtudes as quais
não são mais que os modos pelos quais a razão ou os bons costumes instauram
sua soberania sobre os instintos.
TEMA 4 – ÉTICA EPICURISTA
A escola de Epicuro de Samos (341-271 a. C.) ficara conhecida como O
Jardim, lugar no qual o mestre e seus discípulos se reuniam para tratar dos
temas que lhe instigavam. O cenário histórico no qual se originou e desenvolveu
o epicurismo é de grande importância para compreendermos a filosofia dessa
escola helenística, pois a história nos relata que a civilização grega que ditou as
regras e conquistou os povos (ditos bárbaros) na época se encontrava em franca
derrocada. A Grécia, outrora potência em todos os campos, não passava, na
época, de um domínio macedônico, ou seja, a Macedônia impera sobre os
gregos. Com a sensação de abandono e derrota, surgem diversos pensadores
e escolas almejando encontrar soluções e propor um estilo de vida no qual o
indivíduo se perceba remediado, já que a pátria e com ela, a cidade, passaram
a ser regidas por costumes alheios.
A ética epicurista é regida pela busca dos prazeres e o prazer é a ausência
da dor, segundo Epicuro. Para todo indivíduo que se percebe buscando algo
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aprazível aos seus desejos ou instintos, não é difícil entendermos que este
sujeito (ao menos momentaneamente), busca sanar um desconforto provocado
pelo próprio desejo ou instinto. Como o principal objetivo da filosofia moral
epicurista foca-se nos prazeres do indivíduo, costuma-se também tratar o
epicurismo como uma ética hedonista, isto é, na qual o prazer individual é um
bem.
Desta forma a vida feliz que busca a vivência dos prazeres evitando a dor,
corresponde a virtude epicurista. Todavia, precisamos ter bem definido a quais
tipos de prazeres e de que modo o homem deve buscá-los, do contrário acaba
por agir de modo a trazer mais dor ainda para sua vivência.
Para compreendermos bem a filosofia moral epicurista, precisamos nos
acercar das teses sobre a física dos filósofos do Jardim, pois a concepção
materialista que fundamenta todo o pensamento do epicurismo está também
presente, como não poderia ser diferente, na ética da escola. O materialismo
epicurista compreende que a realidade existente é composta por átomos
(partículas indivisíveis da matéria), sendo assim, na medida que os átomos se
agrupam sob determinada forma ou modelo arquétipo, temos então as coisas do
mundo. Diante deste entendimento, o epicurismo postula que tudo o que existe
é formado por átomos, inclusive a alma racional do homem.
Sem entrarmos no mérito metafísico ou cosmológico da questão
materialista de Epicuro e seus discípulos (como descrevemos acima), ela nos é
importante sob o ponto de vista ético quando, por meio da tese dos átomos, o
epicurismo propõe uma explicação da dor como sendo uma desordem dos
átomos na constituição que eles formam. Segundo a física epicurista, a má
ordenação dos átomos resulta na dor. Como os átomos são a constituição
elementar de tudo o que existe, a alma que também é formada por átomos,
encontra-se com alguma alteração na sua disposição quando não está tranquila.
Com efeito, assim como o corpo padece com a dor se os átomos não estão
ordenados adequadamente, também a alma encontrar-se-á em intranquila ou
perturbada se os átomos que a compõe estiverem em desordem.
Ao compreendermos isso tudo, nos é permitido acatar a tese da filosofia
moral epicurista em dizer que a correta constituição dos átomos na formação das
coisas responde pela harmonia dos elementos tais como deveriam ser mesmos.
No que diz respeito à alma racional humana, o estado de harmonia, isto é, a
disposição adequada da composição dos átomos permite a alma encontrar-se
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em estado de tranquilidade, aqui estamos diante do estado de ataraxia
(imperturbabilidade da alma), descrito pelo epicurismo. Na tranquilidade da alma
podemos gozar da fruição dos prazeres, pois estaremos certos de que deles
faremos bom uso.
A justa fruição dos prazeres que nos permite alcançar a ataraxia, que
segundo os epicuristas, decorre da postura de autocontrole que determinamos
a nós mesmo frente à moderação dos prazeres. Para que a fruição de um prazer
de fato não venha a ser causa de nossa dor, precisamos ter o autogoverno (ou
regulação interna nos momentos em que nos lançamos para realizar algo
aprazível a nós). Esta noção de autocontrole é entendida pelo epicurismo como
autarquia (habilidade em ter o governo de si mesmo).
A autarquia e a ataraxia são disposições da alma racional, nas quais
respectivamente, uma condiciona a vivência dos prazeres e, outra resulta da reta
direção dada à ação empreendida com propósito de obtermos prazer. Contudo,
nem uma dessa disposições nos expõe ou apresenta o que são os prazeres.
Sendo assim, Epicuro acredita ser necessário instaurar uma hierarquia dos
prazeres, a fim de que a alma racional possa saber quais prazeres deve buscar,
quais ela pode buscar, e por fim, quais são aquelas situações e condutas só
aparentemente são um bem, com o tempo terminam por revelar-se fonte de dor
e aborrecimento, ou seja, não geram a ataraxia, tão logo não seriam
(estritamente), nem mesmo prazeres.
Com a hierarquização dos prazeres, Epicuro busca a naturalização da
conduta mediante uma espécie de tábua moral, na qual o cumprimento desta
ordenação deveria levar o indivíduo à vivência reta dos prazeres,
conseguintemente à virtude. Nestes termos, para o epicurismo os prazeres são
de três tipos: i) os naturais e necessários, ii) os naturais e desnecessários e, por
fim, iii) os não naturais e desnecessários.
Ao nosso ver, primeiramente devemos procurar entender: o que Epicuro
entende por natural na adjetivação dos prazeres? O mesmo acontece com a
implicação da necessidade aos prazeres, o que se pretende dizer com
necessário?
Quanto ao primeiro termo (natural), isto é, quanto a indicativa de
naturalidade de certos aos prazeres, podemos conjecturar que se queira postular
uma disposição intrínseca a própria constituição do homem. Assim, dizer que
algo é natural, significa apontar que há no ser em questão uma condição imposta
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pela natureza de sua constituição humana. Em suma, o natural refere-se ao fato
de que esta disposição (natural) já se encontra desde sempre em cada indivíduo
de determinada espécie.
No que diz respeito ao segundo termo, ou seja, na indicação da
necessidade dos prazeres, podemos entender que se trata de uma condição sem
a qual o ser em questão (o homem) renuncia à sua existência ou a enfraquece.
Assim, quando algo necessário, algo que ‘tem que’ ser realizado deixa de
acontecer, entendemos que não se pode cumprir totalmente a exigência do
existir daquela forma determinada. Em resumo, se a necessidade não é
cumprida o ser perde (aos poucos ou de uma só vez) sua existência – ele deixa
de existir.
Diante disso tudo, podemos entender que a hierarquia dos prazeres no
epicurismo relata quais prazeres detém prioridades sobre os demais. Em vistas
de garantirmos ou asseguramos a realização dos primeiros e segundos, ao
passo que deveríamos perceber que a busca dos últimos (em si mesmos) acaba
por causar sofrimento/dor
TEMA 5 – ÉTICA ESTOICA
A filosofia estoica deriva seu nome da filosofia do Pórtico (stoá – pórtico,
em grego) com início no séc. IV estendendo-se até o séc. II da era cristã. A
tradição filosófica relega a criação da Escola do Pórtico a Zenão de Cício (333 -
263 a.C.), o qual por não ter o título de cidadão ateniense, utilizou do espaço de
entrada da cidade para reunir seus discípulos. O estoicismo é considerado uma
filosofia prodigiosa, pois teve continuidade e desdobramento de suas teses ao
longo dos anos. Neste sentido, o estoicismo romano é considerado um
aperfeiçoamento da mesma filosofia helenista.
Toda filosofia moral grega no período antigo está pautada na alma
racional e o estoicismo não é diferente. Assim como as demais teses éticas, a
escola estoica pauta em seus postulados metafísicos, o seu questionamento
sobre a moral, fazendo com que sua ética seja fundamenta-se na física e
gnosiologia tal qual às concebe. Desde modo, precisamos definir que, para os
estoicos (Gazola, 1999, p. 94), existe uma Razão universal (Lógos), uma
Inteligência suprema que se encarregou da ordenação de todas as coisas
existentes (physis), ela fez isto por meio das razões seminais (germes ou
sementes que servem de fundamento para tudo que existe).
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Tendo organizado tudo que existe, esse Lógos universal determinou todas
as possibilidades de existência e a totalidade de interações ordenadas, possíveis
entre os seres existentes. O que nos permite entender, que tudo o que é gerado
na natureza (physis) é predeterminado a existir, interagindo dentro dos limites
preestabelecidos pela ordenação da Razão universal. Compreender a ordem é
entender que tudo tem um sentido, nada é ao acaso, pois, tudo é provido para
que a harmonia do mundo (kósmos) se mantenha segundo o plano pré-
estabelecido (do Destino, da Providência). A Razão Universal permite ao ser do
homem o conhecimento, ou o alcance de certas razões seminais, principalmente
o conhecer de que a alma racional humana pode, ou mesmo deve participar do
plano estabelecido pelo Lógos universal (Gazola, 1999, p. 107).
Nestes termos, somente quando o homem conhece ou melhor, quando se
reconhece como parte integrante de um plano preestabelecido (pois, organizado
pela Razão) na ordem de tudo que existe – na ordem natural –, é que ele pode
se lançar ao melhor, vislumbrar a virtude - que é ser sábio. Apesar de difícil
acepção, o termo “sábio” na ética estoica, bem como em toda ética grega antiga,
diz respeito ao indivíduo mestre que é reconhecido tanto por sua inteligência
teórica, como quanto por sua boa condução de vida prática.
Para o estoico (Gazola, 1999, P. 57), virtuoso é o homem que, de acordo
com a sua natureza (racional) procura conhecer e vivenciar o plano
preestabelecido pela Razão Universal (Lógos). O sábio estoico é o exemplo
daquele que vive a virtude plenamente, ou seja, o indivíduo que atinge a ataraxia
(a imperturbabilidade da alma). Todavia, para alcançá-la verificamos que é
preciso, antes de mais nada, a eliminação das paixões (apatia) na alma. Com
efeito, o homem de virtude estoica é aquele que sabe existir eventos que
dependem de suas ações, porém há outros tantos que independem da ação do
indivíduo.
Diante disto, devemos entender que a ética estoica não pode ser
desvinculada da epistemologia, pois o saber é condição imprescindível para a
ação virtuosa. Com efeito, a alma racional é que dita as exigências do agir, este
por sua vez tem por finalidade a aquisição de um estado (a ataraxia) no qual a
própria alma se beneficia. Portanto, a concepção da vivência de acordo com a
natureza ganha este contorno.
No entanto, não podemos nos furtar à compreensão estoica de que a
busca pela vida racional (o viver de acordo com a sua natureza) deve estar em
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acordo com o plano preestabelecido mediante o Lógos. Isto implica dizer que
antes de tudo, para o estoicismo, o indivíduo deve buscar conhecer ao máximo
esse plano preestabelecido (Gazola, 1999, p. 103). Saber plenamente o plano
que se estabelece como Destino ou Providência, somente a Razão Universal é
capaz, todavia, a razão humana por ter uma parte (ainda que ínfima) da
racionalidade Universal, ou seja, por operar – guardadas as proporções – de
modo semelhante à Razão Universal, pode participar ativamente na ordenação
e conservação das coisas.
Para que o exposto acima seja possível, a ética estoica é enfática quando
estabelece o campo de possibilidade das ações humanas. Trata-se de
entendermos (Gazola, 1999, p. 96) que certos eventos no mundo não dependem
em nada da maneira como agimos, por outro lado, outras situações mundanas
têm relação direta com a maneira que optamos em agir.
Sendo assim, o sábio estoico deve questionar e saber: qual ação depende
de nós humanos? Qual não depende de nós? A tarefa da vontade é a de nos
apresentar esta reflexão e, suscitar nossa escolha, em agir bem para dar
continuidade a harmonia cósmica, isto é, acolher algo que depende nós.
Para tanto precisamos nos educar em saber coisas boas que dependem
de nós e devemos buscar para sermos felizes, tais como, a virtude em ser
corajoso, ser bondoso, justo. Ao contrário, que também existem coisas más, que
dependem de nós e devemos evitar, tais como os vícios e paixões – ser
imprudentes, covardes, gulosos, raivosos. Há ainda certos tipos de situações e
de coisas às quais devemos ser indiferentes, e é sob esta “base de coisas” é que
repousa a originalidade da ética estoica, ou seja, conceber a existência de
situações que não estão dadas ao controle humano.
Sendo assim, não é nada racional se deixar perturbar com aquelas coisas
as quais não podemos intervir com nossa ação, para o estoicismo ser indiferente
refere-se diretamente ao sábio que vive a de acordo com a natureza (Gazola,
1999, p. 107). Isto porque, aceita a racionalidade natural que lhe informa não
haver ação possível de alterar a situação ou eventos que ultrapassam o poder
humano, restando então à alma racional somente não se deixa perturbar com os
eventos aos quais de se mostrar indiferente. São exemplos de coisas às quais
devemos ser inferentes, isto é, que não devemos nos preocupar com elas porque
estão além de nosso poder: a morte, poder, a saúde ou doença, a riqueza etc.
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Reflita por um momento, como você se sente (quais emoções lhe afloram na
mente) diante das situações que você não tem poder para alterar?
Com exercício de domínio das paixões, um dos principais objetivos da
ética estoica, o virtuoso apresenta-se como aquele que não se deixa perturbar
pelas paixões que são motivos de infelicidade. Para os estoicos, a apatia
(eliminação das paixões) é o que se deve buscar cada vez mais, para
alcançarmos a paz interior – a ataraxia (o estado de imperturbabilidade da alma
é o que deve alcançar com esta ética, determinando o escopo da ética da Stoá
(Gazola, 1999, p. 95).
Tudo isso, só ganha sentido pela acolhida da noção de plano
preestabelecido como ordem geradora de tudo ou o plano cósmico, que para os
estoicos se traduz na vivência virtuosa como – o Amor fati é amor pelo próprio
destino (Gazola, 1999, p. 98). Isto não é outra coisa, senão a aceitação ativa,
buscada pelo exercício da vontade em participar (promovendo ou mantendo)
esse plano harmonioso do mundo, tal qual a Razão Universal (Lógos) elaborou-
o.
NA PRÁTICA
Ao acessar o site <[Link]>, acesse o espaço dedicado à filosofia
e realize uma síntese dos conteúdos referentes à ética na filosofia antiga.
Depois, elabore um texto, que poderá compartilhar com seus colegas de turma
no fórum da disciplina.
FINALIZANDO
Vimos neste capítulo algumas das propostas éticas que foram
desenvolvidas ao longo do período conhecido como idade antiga, sobretudo as
concepções das culturas grega e romana.
Na concepção socrática, somente podemos conhecer o Bem mediante o
alcance de nossa alma racional. É este o limite, a condição que Sócrates coloca
para fundamentar sua ética. Isto porque somos essencialmente Alma. Neste
caso, devemos compreender corretamente que a alma se serve do corpo (como
instrumento), para praticar o bem que ela alcançou como resultado de um
conhecimento seguro e certo. Quando o corpo passa a “ditar” as regras,
invertemos a ordem, e as paixões e os instintos corpóreos nos fazem
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(irracionalmente) admitir como bem, aquilo que na realidade – se fosse lançado
ao crivo da razão – se mostraria como equivocado.
Na filosofia moral de Platão podemos compreender sua concepção de
home - que deve compreender que sua alma racional é o meio pelo qual ele pode
atingir a redenção de sua existência, via conhecimento do mundo. A virtude é
este conhecimento, pois diz respeito diretamente ao elemento intelectual que é
própria da alma do homem. Na essência humana encontram-se dispostos
elementos de três tipos, quais são desenvolvidos ou suprimidos pelo indivíduo e
refletem o seu agir, permitindo a alguns conhecer e ensinar o Bem, a outros
permite proteger e fazer respeitar o bem, e ao terceiro tipo de indivíduos (de alma
racional com disposição concupiscente) permite-lhes vivenciar de forma limitada
o Bem, sob a influência dos primeiros e segundos.
Já a filosofia moral aristotélica é tida como uma ética eudaimônica. Foca
na racionalidade, a exemplo de todo as éticas do período, e procura estabelecer
que a virtude do homem está na agir justo, ou seja, na ação moral capaz da justa
medida entre o excesso e a falta. O que somente é possível de ser alcançado
mediante o emprego da deliberação, da escolha e da vontade humana em cada
situação particular que se apresente ao homem.
A ética epicurista é mais um exemplo de ética pautada na capacidade
racional da alma humana. Como o epicurismo é uma filosofia materialista, sua
ética segue esta concepção e relega a virtude ao plano da disposição ordenada
dos átomos presentes numa forma, a saber, a humana. A vivência dos prazeres
é a virtude para o homem, que busca a ataxia por meio da autarquia. Neste
sentido, o indivíduo humano precisa conhecer que há uma hierarquia dos
prazeres e que necessita trilhar um caminho seguro, por meio dos “remédios”,
que o possam auxiliar a obter uma vida prazerosa.
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Aluno: WILLYANE ALCANTARA DOS SANTOS SILVA
REFERÊNCIAS
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36-1107a 2) IN: Journal of Ancient Philosophy Vol. III 2009 Issue 1.
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Marcos Zingano. São Paulo: Odysseus, 2008.
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COMPARATO, F. K. Ética: Direito, Moral e Religião no mundo moderno. São
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GAZOLA, R. O ofício do filósofo estoico: o duplo registro do discurso
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SÁNCHEZ VÁZQUEZ, A. Ética. Tradução de João Dell’Anna. 36ª edição. Rio de
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