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Recuperação da Europa Pós-Guerra: Desafios

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Um Novo Equilíbrio Global - A difícil recuperação económica da Europa e a

dependência em relação aos EUA - O declínio da Europa

Tópicos orientadores:
· Introdução;
Após a Primeira Guerra Mundial, a Europa
mergulhou numa grave crise económica, com a reconstrução
dificultada pela destruição e pelas dívidas de guerra. Para
restaurar as suas economias, muitos países europeus
tiveram de depender consideravelmente dos Estados
Unidos, que forneceram empréstimos e investimentos
necessários. Esta dependência financeira consolidou o
domínio económico dos EUA no cenário mundial, enquanto a
Europa tentava recuperar a sua estabilidade.

· O declínio da Europa;
A Primeira Guerra Mundial provocou o declínio de Europa,
beneficiando particularmente os Estados Unidos que se elevaram a
categoria de primeira potência mundial.
Como consequência, a Primeira Guerra deixou uma Europa
devastada, no plano humano e material: a população ativa sofreu
uma grande perda (como podemos observar no Documento 8A da
página 22), os campos agrícolas não produziam, as fabricas, as
minas e os monumentos estavam praticamente todos destruídos
(como consta no Documento 8C da página 22). As economias
europeias registaram grandes e naturais dificuldades de
reconversão.
A Europa, durante a guerra tornou-se dependente dos Estados
Unidos, continuando a importar bens e serviços vindo a agravar-se.
Para multiplicar os meios de pagamento face as dividas, as
autoridades europeias lançaram a impressão massiva de dinheiro.
Esta solução mostrou-se ineficiente, pois não foi acompanhada por
um aumento proporcional da produção, provocando uma
desvalorização monetária e uma inflação galopante (Documento
9).

· A situação da Alemanha no pós-guerra, nos seguintes


domínios: geopolítico, militar, económico, financeiro e
social;

A Conferência de Paz teve início em janeiro de 1919, em Paris.


Ao contrário das conferências do passado, apenas estiveram
presentes as delegações das potências vencedoras e, de entre
estas, somente quatro acabaram por assumir a liderança: a França,
a Grã-Bretanha, os Estados Unidos e a Itália. Apesar das
dificuldades em obter consensos, já que os interesses dos
vencedores divergiam, os acordos de paz surgiram a partir de junho
de 1919, concretizando-se em vários tratados assinados em
palácios dos arredores de Paris.
A Alemanha foi responsabilizada pela guerra e obrigada a
submeter o Tratado de Versalhes, que impõe duras condições ao
país e passou por profundas mudanças e enfrentou grandes
desafios em diferentes áreas.

-No domínio geopolítico: A Alemanha cedeu a Alsácia-Lorena à


França, o Corredor Polaco à Polónia, e perdeu todas as suas
colónias. A região foi desmilitarizada e ocupada por forças aliadas. A
Alemanha perdeu o seu estatuto de potência mundial e ficou isolada
no cenário internacional.

-No domínio militar: O exército foi reduzido para 100 mil soldados.
Foram limitados a um pequeno número de navios e a força aérea foi
proibida. Foram também proibidos de produzir armamento pesado,
tanques e submarinos.

-No domínio económico: A Alemanha estava devastada após quatro


anos de guerra, com a produção agrícola e industrial gravemente afetada.
A perda de regiões como a bacia do Sarre afetou a produção de carvão e
aço. A Alemanha acumulou enormes dívidas e foi obrigada a pagar
reparações pesadas aos Aliados, o que agravou ainda mais a sua crise
económica.

-No domínio financeiro: A economia alemã sofreu uma hiperinflação


entre 1921 e 1923. O marco perdeu o seu valor, e o custo de vida tornou-
se insuportável para a maioria da população.

-No domínio social: A sociedade alemã estava profundamente


insatisfeita com o governo e com o Tratado de Versalhes, que considerava
uma humilhação nacional. O desemprego disparou, e muitas famílias
perderam as suas poupanças devido à inflação, criando uma situação de
miséria generalizada.

Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha enfrentou uma crise


em múltiplas frentes. A humilhação geopolítica, o desmantelamento
militar, a ruína económica, a hiperinflação e o descontentamento social
criaram as condições para o surgimento de movimentos radicais, como o
nazismo, que encontraram apoio numa sociedade fragilizada pela guerra
e pelas duras condições do Tratado de Versalhes.

 A posição da Alemanha face ao Tratado de Versalhes;


O Tratado de Versalhes visto como uma imposição (diktat) injusta e
humilhante para o povo alemão trouxe severas consequências para este
povo. Este tratado assinado durante as negociações de 1919, realizadas
em Paris, serviu como uma continuação do armistício (assinado em
novembro de 1918) que travou os conflitos até então existentes. A ideia
principal era que a Alemanha, na posição de perdedora, assumisse todas
as responsabilidades por ter causado a guerra de modo a reparar
financeiramente todos os prejuízos causados pelo conflito.
Deste modo, a Alemanha perdeu 1/10 da sua população, diversas
partes dos seus territórios incluindo todas as suas colónias ([...] A paz de
Versalhes roubou-nos mais de setenta mil quilómetros quadrados e mais
de sete milhões de habitantes. [...](terceiro parágrafo documento 6A
página 18))”, a frota da guerra, parte da frota mercante e as suas minas
de carvão. Como se não bastassem todas estas perdas, a capacidade
militar alemã também foi afetada. O exército alemão, desprovido de
artilharia pesada, ficou reduzido apenas a 100 mil homens colocando um
fim ao serviço militar obrigatório privando ainda a Alemanha a entrada na
Sociedade das Nações (SND). Humilhados, o povo alemão descontente
com o prejuízo que o Tratado lhes causará, com a impossibilidade de
negociarem o que as outras potências lhe impusera como mostra o
primeiro parágrafo do documento 6A da página 18 " Jamais foi infligida a
um povo, com tal brutalidade, uma paz tão opressiva e ignominiosa como
foi o Tratado de Versalhes para o povo alemão. [...]uma paz ditada como
a de Versalhes, é como um ladrão que deita ao chão um miserável e o
obriga, a seguir, a entregar-lhe o porta-moedas.[...]”
o que acabou por originar, mais tarde, a ascensão do nazismo criando,
vinte anos após a assinatura do Tratado de Versalhes, o segundo conflito
mundial.

No entanto, apesar da Alemanha ter sido a mais prejudicada, o


descontentamento também se fez sentir em algumas potências
vencedoras como em Itália, por não ter recebido alguns territórios que os
ingleses e os franceses lhes prometerá, ou Portugal que protestou por não
lhes ser contemplada a devida reparação dos Estados aliados não se
sentido recompensados pela ajuda que prestaram e temendo pelo futuro
do país como podemos provar pelo documento 6B da página 18 “Portugal
encontra-se, depois desta guerra, verdadeiramente arruinado.[...]O
Tratado de Paz não toma em conta a situação do país. Os seus sacrifícios
não foram reconhecidos.[...] Portugal que defendeu a justiça, há de sair da
luta mais arruinado que a Alemanha que o atacou? “
A regulamentação das fronteiras, a não resolução da questão das
“minorias nacionais” e a questão das reparações da guerra tornaram-se
obstáculos para manter uma paz duradoura. Foi negada, por parte dos
Estados Unidos, a ideia de ser a Alemanha a cobrir todos os danos
causados pela guerra, não aceitando a reconstrução de todos os
territórios à custa da mesma. Por isso, o congresso americano não ajustou
o Tratado de Versalhes desistindo então de participar nas decisões da
Sociedade das Nações temendo que a mesma coloca-se em causa a
neutralidade americana em relação aos conflitos europeus como esta
representada na caricatura “ A acusadora” da autoria de Rollin Kirby
presente no documento 7A da página 19. Desprovida de apoio americano
a mesma viu-se impedida de desempenhar as suas funções de
estabelecer a paz, dando razão as várias potências que previam a
incapacidade desta organização na prevenção de novos conflitos como
expressa o documento 7B da página 19 onde reforça a ideia de que o
Tratado não ser justo e nem promover a equidade ou a paz sendo ainda
considerado uma abertura para novos conflitos e não como o
encerramento de um primeiro prevendo desta forma o insucesso da
Sociedade das Nações Unidas (SNU) “[...]o Tratado, longe de fechar um
ciclo de brutalidades guerreiras, alarga o período dentro do qual os
conflitos internacionais se hão de resolver pela força”,”[...] Não acredito
na Sociedade das Nações, a não ser como expressão dum pensamento
generoso, e prevejo que uma nova guerra terá lugar dentro de poucos
anos[...]”.

· A dependência da Europa em relação aos EUA;


O fim da Primeira Guerra Mundial mergulhou a Europa num
estado de caos, com a destruição alguns dos impérios mais
poderosos (austro-húngaro, alemão, otomano, russo) e de países
importantes (Itália, França, Bélgica).
Em janeiro de 1918, o presidente dos Estados Unidos, Thomas
Woodrow Wilson, elaborou com os seus conselheiros o que viria a
ser o Tratado de Versalhes. Uma cláusula que obrigava os Aliados a
comprar preferencialmente aos EUA, o que fez com que uma grande
quantidade de capital fosse injetada, dinamizando o comércio e a
indústria. A Primeira Guerra Mundial concedeu uma posição de
destaque à nação emergente e tornou as potências europeias cada
vez mais dependentes dos Estados Unidos, que se afirmaram como
principal fornecedor de equipamentos bélicos, atingindo um elevado
nível de produção.
No entanto, a economia americana não ficou imune às
dificuldades da Europa. Entre 1920 e 1921, os EUA enfrentaram
uma breve, mas severa crise devido à diminuição da procura
externa. Ainda assim, essa crise não impediu a ascensão americana.
Grandes empréstimos foram feitos à Europa, especialmente à
Alemanha, permitindo que esta pagasse as reparações devidas à
França e à Inglaterra. Assim, estes países conseguiram reembolsar
os Estados Unidos pelas dívidas de guerra e pelos empréstimos
contraídos. A dependência da Europa em relação aos Estados
Unidos ficou, desta forma, consolidada.

· Analise de documentos;

Documento 8 A (O balanço demográfico da guerra)


Este documento apresenta um balanço demográfico da
Primeira Guerra Mundial, sublinhando o impacto das mortes nas
principais potências centrais e aliadas. O título, "O declínio da
Europa", reflete as consequências devastadoras da guerra sobre o
continente. Os dados revelam o número de mortos e a percentagem
da população masculina ativa que foi perdida devido à guerra.

As potências centrais:
-Alemanha: Sofreu 2.000.000 de mortes, o que corresponde
a 15,1% da sua população masculina ativa.
-Áustria-Hungria: Registou 1.540.000 mortos,
representando 17,1% da sua população masculina ativa, a maior
percentagem entre as potências centrais.
-Bulgária: Teve 33.000 mortos, correspondendo a 8,2% da
população masculina ativa.

Os aliados:
-Rússia (até 1917): Contabilizou 1.700.000 mortos, o
equivalente a 9,7% da sua população masculina ativa.
-França: Perdeu 1.400.000 homens, ou 10,5% da sua
população masculina ativa.
-Itália: Teve 750.000 mortos, o que corresponde a 6,2% da
população masculina ativa.
-Grã-Bretanha: Perdeu 740.000 homens, o equivalente a
5,1% da sua população masculina ativa.

Conclusão:
As perdas humanas foram extremamente significativas,
especialmente nas potências centrais como a Áustria-Hungria e a
Alemanha, que perderam mais de 15% da sua população masculina
em idade ativa.
Este documento mostra o impacto profundo da guerra sobre a
Europa, com a morte de milhões de homens jovens, o que teve
consequências duradouras, tanto a nível económico como social e
político.

Documento 8 B (Os feridos)


Esta imagem mostra o trabalho da escultora americana Anna
Coleman Ladd, que entre 1917 e 1919, ao serviço da Cruz Vermelha
Americana em Paris, criou máscaras para soldados da Primeira
Guerra Mundial que tinham sofrido mutilações faciais. As máscaras
eram feitas à medida e destinavam-se a restaurar a aparência dos
soldados, ajudando-os a lidar com as suas feridas e a reintegrar-se
na sociedade. Esta imagem é um exemplo da interseção entre arte
e medicina na reabilitação dos feridos da guerra.

Documento 8 C (As ruinas da guerra)


A imagem mostra os destroços de uma igreja medieval em
Montfaucon, França, destruída durante a Primeira Guerra Mundial,
em 1918. A guerra causou uma devastação massiva, não só em
termos de vidas humanas, mas também no património cultural
europeu. Monumentos históricos, como esta igreja, foram reduzidos
a ruínas, refletindo as enormes perdas culturais. A figura solitária,
provavelmente um militar, observando os escombros, simboliza o
impacto emocional da guerra, confrontando-se com a destruição do
passado e o legado da brutalidade do conflito.

Documento 8 D (Crise civilizacional)


Principais ideias do documento:

-A mortalidade das civilizações: Valéry afirma que, como


civilizações, estamos cientes da nossa da nossa mortalidade. Ele
compara as cinzas a algo mais profundo, sugerindo que a destruição
e o declínio são inevitáveis e cheios de significado.

-O abismo da História: O autor menciona que o "abismo da


História" é suficientemente grande para absorver a todos,
insinuando que todos estão vulneráveis às tragédias da história e ao
colapso da civilização.
-Crise em múltiplas dimensões: Ele distingue entre crises
militares, económicas e intelectuais. Embora a crise militar possa
estar terminada, é a crise económica e intelectual que continua a
abalar a sociedade de forma mais subtil, mas profunda.

-Oscilação do navio: A metáfora final sobre o navio que


balança tão fortemente que até as luzes mais firmes acabam por
cair representa a instabilidade total da civilização, que mesmo nas
suas bases mais seguras, não consegue resistir ao caos e à
destruição.

Conclusão:
Este excerto trata de uma análise crítica e pessimista da
civilização europeia pós-guerra, onde Valéry expressa uma visão
desencantada sobre a cultura, o progresso e o idealismo da época,
sugerindo uma crise existencial que afeta todos os níveis da
sociedade.

Documento 9 (A inflação)
Principais ideias do documento:
-Experiência única na Alemanha: Embora várias nações
tenham sofrido crises após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha
passou por uma situação sem precedentes em 1923. A hiperinflação
foi um fenómeno que não só desvalorizou a moeda, mas também
todos os outros valores sociais e económicos.
-A escalada da inflação: No final de 1922, os preços
começaram a aumentar drasticamente, chegando a valores entre
dez e cem vezes superiores aos preços anteriores à guerra. O valor
do dólar subiu rapidamente em relação ao marco. O custo de vida
começou a subir de forma incontrolável, pois os comerciantes
seguiam de perto a taxa de câmbio do dólar.
-Impacto no quotidiano: O documento dá exemplos
concretos da rápida desvalorização. Meio quilo de batatas, que
custava 50 mil marcos num dia, valia 100 mil no seguinte. Os
salários eram incapazes de acompanhar esta subida vertiginosa.
-O auge da crise em agosto de 1923: O texto refere que,
em agosto, o dólar atingiu um valor de um milhão de marcos. O
Reichsbank deixou de conseguir imprimir dinheiro a um ritmo
suficiente para cobrir as necessidades básicas da população.
Durante esse período, o comércio parou, e as populações dos
bairros mais pobres, sem forma de pagamento, começaram a
saquear as mercearias, recorrendo à violência.
-A imagem que acompanha o texto: A imagem
mostra um homem a colar notas de marco na parede,
sugerindo o valor simbólico quase nulo que a moeda atingiu
durante o auge da crise.

Conclusão:
O documento retrata um dos momentos mais dramáticos da
economia alemã, a hiperinflação de 1923. Este fenómeno provocou
uma desintegração social e económica, com as pessoas a perderem
rapidamente a capacidade de comprar bens essenciais e de manter
uma vida minimamente digna. A hiperinflação na Alemanha é
muitas vezes vista como um dos fatores que contribuíram para a
instabilidade política e social que mais tarde resultou na ascensão
do nazismo.

· Conceitos a esclarecer;
-A Geração Perdida refere-se a um grupo de escritores e
intelectuais que atingiram a maturidade durante ou após a Primeira
Guerra Mundial, marcados por um sentimento de desilusão em
relação aos valores tradicionais. Estes autores, como F. Scott
Fitzgerald e T.S. Eliot, exploraram temas como alienação, niilismo
(não acreditar em qualquer realidade) e o questionamento do
"Sonho Americano", refletindo o desencanto da época e a busca por
novos estilos de vida e de expressão artística.
-Moeda fiduciária é uma moeda sem valor intrínseco, cujo
valor depende da confiança na economia e no governo
-Desvalorização da moeda é a queda do valor da moeda
face a outras, o que encarece importações e diminui o poder de
compra.
-Padrão-ouro é o sistema em que a moeda era convertível
em ouro, usado até ao século XX, antes de ser substituído pelas
moedas fiduciárias.
-A inflação é o aumento dos preços de bens e serviços.
-Inflação galopante é uma subida rápida e descontrolada
dos preços, o que faz com que a moeda perca valor rapidamente e
prejudique a economia.

· Conclusão;
Concluímos que a Primeira Guerra Mundial provocou o
declínio da Europa como principal potência mundial, deixando as
suas economias em ruínas. A recuperação económica revelou-se
difícil e colocou a Europa numa posição de dependência face aos
Estados Unidos, que emergiram como a nova potência dominante.
Este novo equilíbrio global assinalou o fim da supremacia europeia e
reforçou a influência dos EUA na economia e política internacional.

Alexandre Barreira Nº1; Diogo Martinho Nº 6; Leonor Ferreira


Nº12; Luísa Lemos Nº13

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