Teatro Eros e psique
ato 1
cena 1, Olimpo
Afrodite, Eros, Mensageiro
Mensageiro:
Saudações, ó grande Afrodite, grande Deusa da Beleza e do amor. Venho com boas
novas, ou talvez não tão boas, da sua tão amada humanidade
Afrodite:
Pois bem meu mensageiro. Peço que me conte
Mensageiro:
(Diz sem graça)
Pois eu acho melhor que se sente (Afrodite se senta)
Pois bem, a bela jovem Psique, mais nova das três filhas do rei de Mileto, tem
encantado a todos com sua beleza inebriante. tanto que pessoas de várias regiões
tem ido admirá-la, oferecendo-lhe homenagens que só são devidas a ti, ó mestra.
Afrodite:
Isso é uma heresia! Como ousam os homens cultuar uma simples mulher, trocando a
mim, o próprio ser da beleza? Traga agora meu filho Eros para resolvermos essa
questão.
Mensageiro:
Sim, ó mestra.
Entra Eros
Afrodite:
Meu Filho, desça ao mundo dos homens, e faça aquela tal de Psique apaixonar-se pelo
homem mais feio que houver entre todos os sete reinos.
Eros:
Mas mãe…
Afrodite: Vá!!
Cena 2
Eros sozinho
Eros: indo obedecer a vontade de minha mãe, não pude, pois eu mesmo fiquei
inebriado com o brilho daquela mortal, ela é uma rosa que brilha o nosso brilho, o
dos Deuses. Como posso eu, amaldiçoa-la? Hei de mudar o curso dessa história.
Cena 3, Casa de Mileto
Rei de Mileto, Eros, Psique.
Rei: Eu, rei de Mileto. Tenho já duas de minhas três filhas casadas, enquanto a
mais formosa, jamais encontra um pretendente, os homens a cultuam, mas não há
príncipe que peça sua sua mão. Teríamos magoado os deuses? Seria a ira divina
jogada sobre ela?
Essas coisas somente o oráculo poderá dizer, por dizer em oráculo, já mandei chamar
o sacerdote e nada dele.
(Entra Eros encapuzado)
Eros: perdão pela demora vossa majestade, o que vem afligindo o vosso coração?
Rei: Minha filha, quero saber o que há de acontecer em seu futuro
Eros: Vossa majestade, temo que o que tenho a te dizer não seja o que pede seus
ouvidos. Tu deves enviar a tua filha ao topo de uma solitária montanha, onde ela
será devorada por uma terrível serpente preparada pelos Deuses.
Rei: Hei de obedecer a vontade dos Deuses apesar de tamanha crueldade com minha
filha. Pode ir, mas mande chamá-la.
(Eros sai e entra psique)
Psique: pai!! Como você está? Parece um pouco para baixo.
Rei: Me acompanhe filha, vamos caminhar para aquela montanha, eu te explico depois.
(Caminham silenciosamente em círculo)
Rei: minha filha, chegamos. Aqui você deve ficar, te dou a minha benção.
Psique: mas pai o que houve?
Rei: ó minha filha, eu jamais compreenderei a vontade dos deuses, por que querem
tamanha crueldade de ti. Mas te entrego à morte hoje , não tens noção do quão
penoso isso é a mim, essa será a última vez que te olho nos olhos, mesmo que doa.
Adeus.
(O rei sai)
Psique: Por que Deuses? Por que me abandonaram? (Ajoelha) Eu que sempre amei e vivi
uma vida justa. Meus pensamentos estão confusos e meu corpo todo já dói. Eu me
entrego a vossa vontade mas não entendo, acho que jamais irei compreender, nem
tenho tempo pra pensar isso.
Eros em narração: para que não sofra, te entrego um sono profundo. Durma minha
amada psique, teus anseios passarão.
(Psique adormece)
Primeira poesia
Sobre o amor, Khalil Gibran
Quando o amor vos chamar, segui-o.
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
trabalha para vossa poda.
E da mesma forma que alcança vossa altura e
acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
assim também desce até vossas raízes e
as sacode no seu apego à terra.
Ato 2
Cena 1