IMUNOLOGIA
INTRODUÇÃO:
DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA DA IMUNOLOGIA:
✓ Resposta imune=mecanismo de combate/defesa; -
✓ Defesa de bactérias, protozoários, vírus, príons, fungos, etc.
✓ Conhecer a imuno auxilia na interpretação de exames laboratoriais;
IMUNOSUPRESSÃO/IMUNODEFICIENCIA/IMUNOCOMPRO METIMENTO:
✓ É a supressão/diminuição do sistema imune;
✓ Pode ser induzida;
IMUNOTERAPIA/CARTÊ:
✓ É uma manipulação do sistema imune para que ele resolva determinado problema;
CONCEITOS BÁSICOS DE IMUNOLOGIA:
• Antígenos (Ag):
✓ Os antígenos são macromoléculas inteiras, que podem ser de proteínas, polissacarídeos,
ácidos nucleicos e que são reconhecidas por linfócitos ou Anticorpos. Os antígenos nem
sempre desencadeiam resposta imune, quando isso fazem recebem o nome de
imunógenos.
• Imunógenos:
✓ São antígenos que desencadeiam resposta imune. Explicando melhor: os antígenos nem
sempre desencadeiam resposta imune, assim, todos os antígenos que desencadeiam
resposta imune recebem o nome de imunógenos;
• O que são citocinas?
✓ São proteínas secretadas que induzem, regulam e coordenam a resposta imune. Pode-
se citar como exemplos de proteínas citocinas: Interleucinas, Fator de necrose tumoral
e Interferon.
O INÍCIO DE UMA RESPOSTA IMUNE:
• Para que uma resposta imune se inicie é necessário que seja percebida sua necessidade.
• Na resposta imune adaptativa isto é percebido pelos antígenos, já na resposta imune
inata ela é percebida pelos PAMP’s (Padrão molecular associado a patógenos);
• Os receptores de reconhecimento de padrões (PRR) detectam padrões moleculares
associados a patógenos (PAMP) e desencadeiam resposta imune.
• Os PRR podem ser solúveis ou associados às células e são capazes de desencadear vários
tipos de resposta quando encontram seus ligantes apropriados.
• Além dos PAMP’s existem também os DAMP’s (Padrão molecular associado a danos).
PROPRIEDADES GERAIS DAS RESPOSTAS IMUNOLOGICAS:
IMUNIDADE NATURAL:
• É a primeira linha de defesa;
• Controla a infecção até o desenvolvimento de uma resposta mais adequada;
• Estimula a resposta adaptativa e pode ser potencializada por ela;
• É a resposta que inicia o processo de reparo tecidual;
• Importante na eliminação de células danificadas;
• Não reconhece especificamente o patógeno, reconhece padrões;
• Reconhece os PAMP’s e DAMP’s, enquanto a adaptativa reconhece
especificamente o antígeno;
• PAPS (padrões moleculares associados a patógenos) – inespecíficos e de baixa
diversidade. Reconhecem o que é próprio ou não próprio do organismo, atacam os
produtos essenciais aos microorganismos, estão ligados a células. Conseguem
reconhecer células próprias lesadas.
✓ Substancias que induzem respostas
✓ Espectro menor que adquirido (10³x10¬7)
✓ RNA de dupla hélice
✓ Proteínas iniciadas em N-formilmetionina
✓ Gram +; ácidos teicoicos
✓ Gram -; lipossacarideos
✓ Manose
• A estrutura de seus receptores é variada;
• Não existe mecanismo de memória;
➢ Barreiras epiteliais – Primeira linha de defesa, sem
especificidade.
➢ Fagócitos – englobam os microorganismos e os destroem, sem
especificidade.
➢ Células dendriticas – apresentam ao sistema linfático para uma
resposta imunológica mais especifica.
➢ Sistema complemento – opcioniza o microorganismo, ou seja,
ele adere a superfície de uma célula e assim deixa um alerta para
as células de defesa para o atacarem.
➢ Natural killer – ataca qualquer coisa que não faz parte do
organismo.
RECEPTORES SEMELHANTES A TOLL (TR)
✓ Os receptores semelhantes a Toll, também conhecidos como TLRs, são alguns dos
receptores mais conhecidos.
✓ Estão presentes tanto na superfície quanto no interior das células e desempenham
um papel crucial na imunidade inata.
✓ Cada TLR é capaz de identificar uma estrutura diferente, permitindo uma resposta
diversificada.
✓ Eles ativam fatores de transcrição e promovem a produção de citocinas, quimiocinas,
moléculas de adesão, coestimuladores e citocinas antivirais, atuando tanto extracelular
quanto intracelularmente.
COMPONENTES DA IMUNIDADE INATA
A imunidade inata, a primeira linha de defesa do corpo, compreende barreiras físicas como a
pele, substâncias antimicrobianas e células especializadas. É uma defesa rápida, mas não
específica, pronta para combater invasores assim que detectados. Dentre os componentes da
imunidade inata, podemos citar:
• Barreiras epiteliais: Funcionando como uma barreira física, os epitélios da pele, mucosa
respiratória e gastrointestinal protegem o organismo contra micro-organismos. Além de serem
barreiras físicas, produzem substâncias micro-omicidas que combatem invasores na primeira
linha.
• Linfócitos T intraepiteliais: Encontrados em epitélios de barreiras, os linfócitos T intraepiteliais
reconhecem padrões moleculares genéricos (pamps) de patógenos. Apesar de serem linfócitos
T, possuem funções distintas, como a secreção de citocinas e a destruição de células infectadas.
• Células B1: Localizadas em cavidades serosas, como a peritoneal, as células B1 também
reconhecem pampos. Mesmo sendo um tipo de célula B, elas produzem anticorpos naturais,
contribuindo para a imunidade inata do corpo.
• Fagócitos e respostas inflamatórias: Os fagócitos, como neutrófilos e macrófagos, identificam
e ingerem patógenos, destruindo-os internamente. Além disso, produzem citocinas que
intensificam a resposta inflamatória e podem colaborar com a imunidade adquirida.
• Neutrófilos: Essas células, produzidas em grande quantidade diariamente, são a primeira linha
de defesa celular contra patógenos. Com uma vida curta, eles contêm enzimas que auxiliam na
destruição de invasores.
• Monócitos: Os monócitos são células precursoras dos macrófagos. Uma vez nos tecidos,
diferenciam-se em macrófagos, adaptando-se ao ambiente específico do tecido. Seja no cérebro
ou no fígado, eles se transformam de acordo com a necessidade do local.
• Dendríticas: Atuando como ponte entre a imunidade inata e a adquirida, as células dendríticas
apresentam antígenos aos linfócitos B e T, iniciando uma resposta imunológica específica.
Também são capazes de produzir interferon, combatendo infecções virais.
• A fagocitose é um processo fundamental no sistema imunológico que envolve a ingestão
de moléculas grandes, especificamente aquelas com mais de meio micrômetro de
diâmetro.
➢ Esse processo começa quando moléculas são reconhecidas pelos pumps e pelas
opsoninas, que podem fazer parte do sistema complementar.
➢ O momento crucial ocorre quando a célula projeta uma parte do seu citoplasma
para englobar a molécula ou micróbio, processo esse que é chamado de "zip-
up", resultando na formação de um fagosomo.
➢ O fagosomo, em seguida, funde-se com um lisossomo - uma vesícula que
contém enzimas digestivas. Essa fusão resulta na formação do que é
denominado fagolisossomo.
➢ Dentro desta estrutura, os micro-organismos são expostos a enzimas
proteolíticas, como elastase e catepsina G, que começam a degradá-los.
➢ Além destas enzimas, o fagolisossomo também produz derivados reativos de
oxigênio e intermediários reativos de nitrogênio, ambos essenciais para a
destruição eficaz dos patógenos.
• Células NK
➢ Pertencentes ao sistema imune inato, têm a habilidade de reconhecer e destruir
células infectadas, seja por vírus ou bactérias intercelulares.
➢ Um aspecto interessante é a interação entre macrófagos e células NK. Quando
um macrófago fagocita um micróbio, ele libera interleucina 12, que é
reconhecida pela célula NK. Em resposta, a célula NK libera interferon gama,
que, por sua vez, ativa o macrófago para destruir o micróbio fagocitado. Essa
colaboração é essencial para a eficácia da resposta imune contra patógenos.
➢ O reconhecimento de células infectadas é crucial para a imunidade do
organismo. O MHC Classe 1, normalmente expresso em células saudáveis, age
como um inibidor do ataque das células NK.
➢ No entanto, uma infecção viral ou um estresse na célula pode resultar na
inibição da expressão do MHC Classe 1. Em sua ausência, as células NK
interpretam a célula-alvo como danificada ou infectada, levando-as a atacar.
➢ Por outro lado, células infectadas ou estressadas começam a expressar novos
receptores que ativam a resposta das células NK. Assim, as células NK são
capazes de determinar quais células devem ser atacadas e quais devem ser
preservadas, oferecendo uma resposta de defesa que, apesar de pouco
específica, é efetiva.
IMUNIDADE ADQUIRIDA: tempo de ação é de 1 a 7 dias, possui memória.
Obs 2: defesa tardia, especifica ao agressor, devido essa
especificidade possui memoria, exposição dependente.
Memoria (respostas secundárias – mais rápidas e
eficientes)
Autolimitação e homeostasia
Tolerância a antígenos próprios
Especialização
Expansão clonal (proliferação de células idênticas)
Especificidade e diversidade (respostas especificas para
cada anticorpo)
✓ Linfócitos T – capazes de responder de forma especifica a um antígeno, essas
diferenciam e ativam para um ataque orquestrado contra um microorganismo.
✓ Linfócitos B – capazes de secretar o anticorpo exato para reconhecer o
antígeno.
Obs: antígenos (substancias que induzem respostas do hospedeiro)
• Tipos de respostas adquiridas
✓ Celular : microorganismos fagocitados ou replicantes intracelulares, os
fagocotos associados são o T auxiliar (destruir o microorganismo) e o T
citotóxico (destruir a célula infectada), o mecanismo efetor ocorre através da
ativação dos macrófagos ou pela destruição das células infectadas.
✓ Humoral : responde a microorganismos extracelulares, associado aos linfócitos
B – o anticorpo secretado é o mecanismo efetor, transmitido pelo soro
• Imunidade ativa: Ao ser infectado ocorre uma resposta adquirida, nosso corpo
ativamente produziu defesa para aquela infecção.
• Imunidade passiva: quando o nosso corpo recebe o anticorpo de algum meio externo,
como através do leite materno, não possui memória.
Componentes do sistema imune adquirido:
• Linfocitos B – reconhecem os antígenos – produzem anticorpos (mediadores da
imunidade humoral)
• Linfócitos T – reconhecem os antígenos da superfície celular – peptídeos ligados a
proteínas do hospedeiro ou proteínas codificadas por genes MHC
• Linfócitos T auxiliares – secretam citocinas – ativação de células B e fagocitárias
• Linfócitos T citotóxicos – destroem células com antígenos estranhos
• Linfócitos T Reguladores – inibem respostas imunológicas – stop do processo de defesa
• Apresentadoras de antígenos (APC) – capturam antígenos e apresentam aos linfócitos
(células dendríticas)
• Células efetoras – eliminação do microfilo (macrófagos)
ANTICORPOS:
• Os anticorpos são proteínas complexas compostas por quatro cadeias polipeptídicas -
duas cadeias pesadas e duas cadeias leves. Cada cadeia pesada é idêntica à outra, assim
como as cadeias leves. As cadeias pesadas e leves são conectadas por ligações
dissulfeto, formando uma estrutura em forma de “Y”.
• A região de ligação ao antígeno, ou parátopo, está localizada nas extremidades das
cadeias leves e pesadas.
• Estas regiões são altamente variáveis (hipervariáveis), permitindo que diferentes
anticorpos se liguem a uma ampla gama de antígenos, VH (pesada) ou VL(leve). São de
3 trechos nas regiões V das cadeias pesada e leve, que são denominados de “Regiões
de Determinação de Complementariedade” ou CDRs.
• A parte mais interna é chamada de “C”, são áreas de interação com células do sistema
imune do indivíduo, que fazem a coordenação das funções efetoras. Ou seja, são regiões
mais constantes. E são essas regiões que irão diferenciar as imunoglobulinas,
principalmente no cotidiano, como IgA, IgD, IgE, IgG, IgM.
• IgA: Tem meia-vida plasmática de 6 dias, com função de imunidade da mucosa;
• IgD: Tem meia-vida plasmática de 3 dias, com função de receptor de antígeno na célula
B imatura;
• IgE: Tem meia-vida plasmática de 2 dias, com função de defesa contra parasitas
helmínticos, hipersensibilidade imediata;
• IgG: Tem meia-vida de 23 dias, com função de opsonização, ativação do complemento,
citotoxicidade imediata por célula e dependente de anticorpo, imunidade neonatal,
inibição por retroalimentação das células B. Seu tempo maior no corpo permite melhor
rastreio de doenças e isso ocorre porque ele se liga no endossoma ao receptor FCRM, o
qual permite que o IgG “fuja” do lisossomo e seja liberação de novo para a corrente
sanguínea;
• IgM: Tem meia-vida de 5 dias, com função de receptor de antígeno na célula B imatura
(forma monomérica), ativação do complemento.
Região Fc, se ligam ao sistema imune e região Fab se liga ao antígeno.
• A síntese de anticorpos ocorre nas células B do sistema imunológico. As células B são
ativadas quando encontram um antígeno específico. Uma vez ativadas, as células B
começam a produzir anticorpos que são específicos para esse antígeno, tornam-se os
plasmócitos. A produção de anticorpos ocorre no retículo endoplasmático rugoso (RER)
das células B, onde as cadeias pesadas e leves são produzidas e montadas em anticorpos
completos. Estes são então transportados para a superfície da célula B, onde são
expressos ou liberados na circulação, sendo que esse processo ocorre de maneira
específica.
• Os anticorpos são produzidos juntos com os linfócitos B, porém sua proliferação é
realizada por essas células B em resposta ao distúrbio. Sendo que a maior parte dos
anticorpos são do tipo IgA, cerca de 2⁄3 do quantitativo total e eles estão presentes
majoritariamente nas mucosas dos sistemas respiratório e gastrointestinal, ou seja, são
anticorpos com mais contato com antígenos.
• Dentre as funções dos anticorpos temos a neutralização de microrganismos, ativação
do sistema complemento, opsonização (para posterior fagocitose), direcionamento de
citotoxicidade de outras células como linfócitos T e ativação de mastócitos para a
degranulação.
SISTEMA COMPLEMENTO:
• O sistema complemento é um conjunto de proteínas séricas que interagem umas com
as outras e com outras moléculas do sistema imune de maneira altamente regulada para
gerar produtos que eliminam os microrganismos. Muitas dessas proteínas do
complemento se tornam ativas depois de clivadas.
• O termo complemento refere-se à capacidade destas proteínas auxiliarem ou
complementarem a atividade antimicrobiana dos anticorpos.
• O sistema complemento pode ser ativado pelos microrganismos na ausência de
anticorpos, como parte da resposta imune inata à infecção, e pelos anticorpos ligados
aos microrganismos, como parte da imunidade adquirida.
• A cascata do complemento pode ser ativada por três vias: via clássica, via alternativa e
via da lectina.
• Essas três vias de ativação do complemento diferem em como são iniciadas, mas
compartilham as etapas finais, desempenhando as mesmas funções efetoras. As
proteínas ativadas do complemento são enzimas proteolíticas que lisam outras
proteínas do complemento, em uma cascata enzimática que pode ser rapidamente
ampliada.
• As vias alternativas e das lectinas são mecanismos efetores da imunidade inata, ao passo
que a via clássica é um dos principais mecanismos de imunidade humoral adaptativa.
• O componente central do complemento é uma proteína plasmática chamada C3, que é
clivada pelo C3-convertase, formando C3a (atua estimulando a inflamação) e C3b (atua
opsonizando os antígenos para facilitar sua fagocitose por macrófagos, continua a
cascata e também pode formar C5B).
• Outro fator importante é a formação da C5-convertase, que é montada após a geração
prévia de C3b, e que cliva C5 em C5a e C5b. C5b, por sua vez, atua formando o Complexo
de Ataque a Membrana (MAC), que forma poros nas membranas dos alvos microbianos,
gerando sua lise.
• Vias de ativação clássica:
➢ A via clássica é desencadeada por anticorpos. Estes, por sua vez, devem ser
anticorpos ligados a antígenos - IgM e IgG. No organismo há uma elevada
quantidade de anticorpos livres; portanto, se a via se ativasse ao se ligar a
qualquer um deles, existiria um estado de inflamação persistente.
➢ Essa via se inicia pelo reconhecimento dos anticorpos ligados a antígenos por
um complexo denominado de C1 (com suas porções “q”, “r” e “s”).
➢ C1q reconhece a fração C dos anticorpos ligados a antígenos. Fc é a fração
cristalizada/constante – essa porção não muda em anticorpos da mesma classe.
O anticorpo ainda possui a porção Fab, que é a porção variável, aquela que
reconhece o antígeno.
➢ C1 deve se ligar a duas ou mais porções Fc para iniciar a cascata do
complemento. IgG possui apenas uma região Fc, enquanto IgM pode se ligar a
duas moléculas de C1q. Essa é uma das razões que explicam por que a IgM é um
anticorpo mais eficaz para a ligação ao complemento.
➢ A ligação de C1q a regiões Fc leva à ativação enzimática do C1r associado, que
cliva e ativa C1s. C1s ativado cliva a proteína seguinte na cascata, C4, para gerar
C4a e C4b. C4a, que sai da via, possui potencial de induzir inflamação, enquanto
C4b cliva C2.
➢ C2 é a única proteína do complemento que ao ser clivada forma uma porção a
que continua na via - C2a - e uma porção b que sai da via - C2b.
➢ C4b e C2a formam o complexo C3 convertase, que cliva C3 em C3a e C3b.
Algumas moléculas de C3b opsonizam os microrganismos, mas algumas outras
se ligam ao complexo C3 convertase (C4bC2a), formando, dessa forma, a C5
convertase.
➢ As funções da C5 convertase são clivar C5 em suas frações C5a e C5b e iniciar as
etapas terminais da ativação do complemento.
• Via alternativa
➢ Filogeneticamente é a via primária, sendo uma via independente de anticorpo.
A via alternativa é ativada por microrganismos, fazendo parte, então, da
imunidade inata.
➢ O C3 não é clivado apenas no processo iniciado por C1, sendo clivado em
pequena escala o tempo inteiro na nossa corrente sanguínea.
➢ Quando não há um processo infeccioso em curso, o C3b é rapidamente
degradado, porque ele não reconhece microrganismos, não tem a quem se ligar.
Com isso, ele fica solúvel e é hidrolisado
➢ Contudo, se há um microrganismo, C3b irá reconhecê-lo e opsonizá-lo. Ao se
ligar à membrana do microrganismo, precisa haver uma clivagem mais efetiva
de C3 que estava sendo clivado espontaneamente em pequena escala.
➢ Para essa clivagem em larga escala é formada uma C3 convertase, a partir do
C3b ligado à membrana do microrganismo junto com uma proteína chamada de
Bb.
➢ Esse Bb advém da clivagem do Fator B pelo Fator D em Ba e Bb. Como
usualmente ocorre nas vias do complemento, Bb fica na via e Ba sai.
➢ Formada a C3 convertase (C3bBb), há uma clivagem em larga escala de C3 em
C3a e C3b. C3a deixa a via e vai promover a inflamação, enquanto C3b opsoniza
mais microrganismos e leva às etapas finais da ativação, ao formar a C5-
convertase na superfície celular.
• Via da lectina
➢ Na via da lectina ligadora de manose, há o reconhecimento dos microrganismos
através da manose presente na sua parede celular.
➢ A via da lectina é semelhante à via clássica; a diferença reside em como essa via
é iniciada, como o sistema imune reconhece o patógeno.
➢ Ao invés de se ter um anticorpo que será reconhecido por C1, temos nessa via
o reconhecimento dos resíduos de manose na superfície da bactéria pela lectina
ligadora de manose. As MASP1 e MASP2 ficam responsáveis por clivar as
proteínas do complemento.
➢ Há a formação da C3-convertase por C4b, e C2a -C4 e C2 foram clivadas pelos
MASPs. A C3- convertase cliva C3 em C3a e C3b. Tudo acontece igualmente: C3b
opsoniza e se liga à C3-convertase para a formação da C5-convertase, e
continua-se com as etapas finais da ativação do complemento.
• ETAPAS FINAIS DA ATIVAÇÃO
➢ A C5-convertase cliva C5 em C5a - sai para induzir inflamação - e C5b - se liga na
membrana e possui uma afinidade por C6, C7, C8 e C9n.
➢ A interação dessas moléculas culmina na formação do MAC (membrane attack
complex), que polimeriza o local de ligação na membrana do microrganismo,
formando poros que permitem a livre passagem de íons e água.
➢ A entrada de água resulta em aumento osmótico e ruptura das células em cuja
superfície o MAC foi depositado.
APRESENTAÇÃO DE ANTIGENOS:
• O sistema imunológico é uma rede complexa de células, tecidos e órgãos que trabalham
em conjunto para defender o corpo contra ataques de “invasores” estranhos.
• Esses invasores podem ser vírus, bactérias, parasitas ou até mesmo células
cancerígenas.
• O sistema imunológico é capaz de reconhecer e neutralizar esses invasores através de
uma série de mecanismos defensivos. Um desses mecanismos é a apresentação de
antígenos, um processo fundamental que permite ao sistema imunológico “ver” e
“reconhecer” os invasores.
• A captura de antígenos é o primeiro passo na apresentação de antígenos. As células do
sistema imunológico, como as células dendríticas e macrófagos, são especializadas em
capturar antígenos.
• Essas células possuem receptores de reconhecimento de padrões (PRRs) que podem
identificar estruturas moleculares associadas a patógenos (PAMPs) presentes em
microrganismos invasores. Uma vez que um antígeno é capturado, ele é internalizado e
processado pela célula, preparando-o para a apresentação, transformados em
peptídeos, ou lipopolissacarídeos ou carboidratos.
• As células dendríticas são as mais eficientes células apresentadoras de antígenos (APCs).
• Elas são capazes de capturar, processar e apresentar antígenos para as células T,
desencadeando uma resposta imune adaptativa.
• São caracterizadas por sua morfologia única, com prolongamentos semelhantes a
tentáculos chamados dendritos, que aumentam sua superfície de contato com o
ambiente, facilitando a captura de antígenos.
• Além disso, têm a capacidade de fazer apresentação cruzada e migrar para os órgãos
linfóides, onde podem interagir com as células T e iniciar a resposta imune.
• Há células dendríticas residentes nos tecidos, as quais têm função de captura de
antígenos, alta expressão de receptores Fc e receptores de manose, porém baixa
expressão de moléculas para ativação de células, meia-vida de aproximadamente 10h e
em quantidade relativamente alta. Já as células dendríticas ativadas têm maior função
de apresentação de antígenos para as células T, baixa expressão de receptores Fc e
receptores de manose, mas alta expressão de moléculas para ativação de células, meia-
vida de mais de 100h e quantidade alta de moléculas na superfície.
• Elas estão presentes em todos os tecidos e se diferenciam em clássicas (mais numerosas
em órgãos linfóides e são muito ativas por antígenos próprios do organismo-autoimune-
) e são reguladas por indução à apoptose e/ou inativação por células T reguladoras,
caracterizando a “autotolerância”. E as células dendríticas plasmocitóides que são mais
abundantes no sangue e normalmente apresentam antígenos virais, produzindo
interferons do tipo 1.
• Além das células dendríticas, outras células podem atuar como APCs, incluindo
macrófagos e células B.
• Os macrófagos são células do sistema imunológico que englobam e digerem
microrganismos, enquanto as células B são responsáveis pela produção de anticorpos.
• Ambos os tipos de células podem capturar e processar antígenos, apresentando-os às
células T para desencadear uma resposta imune.
• Outras funções das APCs são coestimulação (auxiliam na ativação de células T),
receptores de imunidade inata (ativando melhor o MHC, coestimuladores e citocinas),
liberadores de citocinas para auxílio das células T se tornarem efetoras e
retroalimentação, que quando uma célula dendrítica apresenta um antígeno para
linfócito T, ele estimula a célula dendrítica a se estimular cada vez mais (positiva e
bidirecional).
• Mas todas as células do corpo, quando infectadas, podem apresentar antígenos para
serem fagocitadas pelo linfócito TCD8, ou seja, quando infectadas por antígenos
intracelulares.
COMPLEXO PRINCIPAL DE HISTOCOMPATIBILIDADE (MHC):
• É um sistema genético altamente polimórfico e multifuncional que desempenha um
papel central na imunidade adaptativa.
• Responsável por codificar proteínas que apresentam antígenos (peptídeos) às células T,
permitindo que o sistema imunológico reconheça e responda a patógenos e células
malignas. Além disso, o MHC também desempenha um papel na tolerância imunológica
e na rejeição de transplantes.
• As moléculas de MHC estão localizadas em todas as células hospedeiras, pois todas as
nossas células podem ser infectadas o que as fazem apresentar os antígenos do
patógeno; elas ajudam na diferenciação entre os antígenos intra e extracelulares
apresentando esses antígenos aos linfócitos CD4 ou CD8;
➢ MHC I → apresentação de antígenos intracelulares aos linfócitos TCD8.
➢ MHC II → apresentação de antígenos extracelulares aos linfócitos TCD4.
• As células T são específicas de apenas uma molécula de MHC!
• Resumindo: RECONHECIMENTO MCH + ANTÍGENO = ATIVAÇÃO DE CÉLULAS TCD4 E
TCD8.
• Os genes do MHC estão localizados no cromossomo 6 em humanos. Eles são divididos
em duas classes principais: MHC Classe I e MHC Classe II.
• Os genes do MHC Classe I (HLA-A, HLA-B, e HLA-C) são expressos em quase todas as
células nucleadas, enquanto os genes do MHC Classe II (HLA-DP, HLA-DQ, e HLA-DR) são
expressos principalmente em células apresentadoras de antígenos, como macrófagos,
células dendríticas e células B.
• HLA → é o Sistema Antígeno Leucocitário Humano. É, basicamente, o local genético
responsável por codificar as proteínas relacionadas ao reconhecimento dos antígenos.
• As moléculas do MHC são proteínas de membrana que apresentam peptídeos
(fragmentos de proteínas) às células T.
• As moléculas do MHC Classe I apresentam peptídeos derivados de proteínas
intracelulares, ou seja, todas as células nucleadas possuem MHC I enquanto as
moléculas do MHC Classe II apresentam peptídeos derivados de proteínas
extracelulares, são as células apresentadoras de antígenos propriamente ditas como as
células dendríticas, os macrófagos, os linfócitos B, dentre outras.
• Além disso, as moléculas do MHC Classe I e II diferem em sua estrutura e na maneira
como interagem com as células T.
• Essas moléculas podem ter sua expressão aumentada por citocinas:
• MHC I: INF-alfa, INF-beta e INF-gama;
• MHC II: INF-gama
• A ligação peptídeo-MHC é um processo crucial para a apresentação de antígenos.
• Os peptídeos ligam-se ao MHC em um local específico chamado sítio de ligação do
peptídeo.
• A estrutura do sítio de ligação do peptídeo determina quais peptídeos podem se ligar a
uma determinada molécula de MHC. A ligação peptídeo-MHC é altamente específica e
a afinidade da ligação pode influenciar a resposta imune.
• 1 molécula de MHC pode se ligar a vários peptídeos, mas só 1 linfócito T pode
reconhecer o complexo peptídeo-MHC;
• Essa interação possui uma dissociação lenta, com uma meia vida de horas-dias,
estabelecendo uma interação saudável.
• O MHC não distingue antígeno exógeno ou próprios, mas a interação com os antígenos
exógenos há uma maximização da apresentação desses antígenos a qual facilita o seu
reconhecimento.
• A via de processamento de proteínas da Classe I envolve a degradação de proteínas
intracelulares pelo proteassoma. Os peptídeos resultantes são transportados para o
retículo endoplasmático pelas TAP (transportador associado ao processamento de
antígenos), onde se ligam às moléculas do MHC Classe I. As moléculas do MHC Classe I
carregadas com peptídeos são então transportadas para a superfície da célula, onde
podem ser reconhecidas pelas células T CD8+.
• A via de processamento de proteínas da Classe II envolve a captação de proteínas
extracelulares por endocitose pelas células apresentadoras de antígenos (APCs). As
proteínas são degradadas em peptídeos no compartimento endossomal, onde se ligam
às moléculas do MHC Classe II. As moléculas do MHC Classe II carregadas com peptídeos
são então transportadas para a superfície da célula, onde podem ser reconhecidas pelas
células T CD4+.
• O complexo TCR – responsável pelo reconhecimento dos antígenos apresentados por
uma APC. Os correceptores CD4 e CD8 ligam-se aos domínios moleculares do MHC
estreitando a ligação do TCR ao complexo peptídio-MHC.
OBS: Correceptor CD4 – reconhecem MHC classe II, correceptor CD8 reconhecem MHC
classe I