Estrutura e História da República
Estrutura e História da República
No entanto, res publica, como sinónimo de administração do bem público ou dos interesses públicos,[5] foi
frequentemente utilizada pelos escritores romanos para se referir ao Estado e ao governo, mesmo durante o
período do Império Romano.[6] A palavra república foi, com o mesmo significado, também frequentemente
usada no Reino de Portugal. D. João II, por exemplo, numa carta ao rei de França, escreveu: "obrigação é do
bom Príncipe e prudente, não somente galardoar seus vassalos com honras, cargos e dignidades merecidas, mas
castigar com rigor, severidade e justiça aos que são prejudiciais em sua república, para que os bons com o
exemplo do prémio sejam melhores e os maus ou com castigo se emendem, ou com as maldades pereçam".[7]
Um novo conjunto de significados para o termo república veio, também, da palavra grega πολιτεία (politeía ou
politeia). Cícero, entre outros escritores latinos, traduziu politeia para res publica que, por sua vez, os
estudiosos do Renascimento passaram a república. Esta, sendo uma tradução precisa para res publica no seu
significado primitivo, já não o é no atual. Politeia é hoje geralmente traduzida por "forma de governo" ou
"regime". No entanto, um exemplo da persistência desta tradução original é o título do grande trabalho de
ciência política de Platão, A República, (Politeia, no original).[8] Antônio Houaiss regista a entrada da palavra
na língua portuguesa no século XV nas formas respublica, reepublica, ree publica, repruvica, rrepublica e
republica.[9] Na língua inglesa, a palavra republic foi usada pela primeira vez na era do Protetorado de Oliver
Cromwell, embora commonwealth, tradução mais fiel da latina res publica, seja o termo mais comum para
designar este regime sem monarca.[10] Na concepção moderna de República por Roque Antônio Carrazza:
"República é o tipo de Governo, fundamentado na igualdade formal das pessoas, em que os detentores do poder
político exercem-no em caráter eletivo, representativo (via de regra), transitório e com responsabilidade".[11]
Índice
1 História
1.1 Repúblicas clássicas
1.2 Outras repúblicas antigas
1.3 Repúblicas mercantis
1.4 Repúblicas protestantes
1.5 Repúblicas liberais
1.6 Repúblicas socialistas e comunistas
1.7 Repúblicas islâmicas
2 Chefe de Estado
2.1 Estrutura
2.2 Eleição
3 Regimes republicanos nos países lusófonos
3.1 Angola
3.2 Brasil
3.3 Cabo Verde
3.4 Moçambique
3.5 Portugal
4 Referências
5 Bibliografia
6 Ver também
7 Ligações externas
História
Repúblicas clássicas
Com o tempo, as repúblicas clássicas foram conquistadas por impérios ou tornaram-se, elas próprias, impérios.
A maioria das repúblicas gregas foi anexada ao Império Macedónio de Alexandre, o Grande. A república
romana expandiu-se, anexando sucessivamente outros estados do Mediterrâneo, alguns deles repúblicas, como
Cartago. A república romana acabou, ela própria, por se transformar no Império Romano.
Outra zona do globo onde se tem vindo a dar atenção ao fenómeno das repúblicas antigas é a Índia. No início
do século XX, uma série de estudiosos indianos, principalmente K.P. Jayaswal, começou a defender que vários
estados da Índia Antiga tinham formas republicanas de governo.[17] Como não há constituições ou obras de
filosofia política desse tempo que tenham sobrevivido até aos nossos dias, as formas de governo têm de ser
deduzidas, a maioria das vezes, dos testemunhos dos textos religiosos. Estes textos referem que determinados
estados eram Gana sangha, ou seja, baseados em conselhos, em oposição aos governos monárquicos.
Outra fonte que atesta esta forma de governo são os relatos gregos da Índia, durante o período de contacto que
se seguiu às conquistas de Alexandre. Escritores gregos como Megástenes e Arriano escreveram que diversos
estados indianos tinham governos republicanos semelhantes aos da Grécia.[18] A partir de 700 a.C.,
aproximadamente, as repúblicas foram-se desenvolvendo numa faixa que ia do Vale do Indo, a noroeste, até à
Planície do Ganges, a nordeste. Eram, principalmente, estados de pequeno porte, embora algumas
confederações de repúblicas parece terem-se formado, cobrindo vastas áreas, como Vajji, por volta de 600 a.C.,
que tinha Vaishali como capital.[19]
Tal como na Grécia, a era republicana chegou ao fim pelo século IV a.C., com a ascensão de um império
monárquico — o Império Máuria — que conquistou quase todo o subcontinente, pondo fim à autonomia das
repúblicas. Algumas continuaram sendo repúblicas, sob a suserania máuria, ou regressaram ao sistema
republicano mais tarde, após a queda do império. Madra, por exemplo, sobreviveu como república até ao século
IV d.C. O fim das repúblicas na Índia acabou por vir, no entanto, com a ascensão da Dinastia Gupta e a
propagação da filosofia da natureza divina da monarquia, que lhe esteve associada.
Repúblicas mercantis
As repúblicas reapareceram na Europa no final da Idade
Média, quando uma série de pequenos estados adotaram
sistemas republicanos de governo. Apesar de geralmente
pequenas, eram repúblicas comerciais ricas em que a classe
mercantil adquiriu proeminência social e política. O
historiador dinamarquês Knud Haakonssen refere que, no
Renascimento, a Europa estava dividida entre os estados
controlados pela elite terratenente — as monarquias — e os
controlados pela elite comercial — as repúblicas.[4]
Nos territórios menos centralizados, como no Sacro Império Romano-Germânico, 51 das maiores cidades
tornaram-se cidades livres. Ainda que sob o domínio mais ou menos simbólico do imperador, muitas destas
urbes adotaram formas republicanas de governo local.[20] O mesmo se passou com as cidades comerciais mais
importantes da Suíça que, graças à geografia alpina, tinham ficado de fora do controlo central. Ao contrário do
que ocorreu em Itália e na Alemanha, na Suíça grande parte das zonas rurais nunca chegou a ser controlada por
senhores feudais, mas sim por agricultores independentes que também utilizaram formas comunais de governo.
Quando, no final do século XIII, os Habsburgos tentaram retomar o controlo da região, tanto os agricultores
rurais como os comerciantes urbanos rebelaram-se, proclamando a Confederação Helvética. A Suíça mantém a
forma republicana de governo até ao presente.[15]
Durante a Idade Média, a Itália era a zona mais densamente povoada da Europa e também a que tinha o
governo central mais fraco. Muitas das cidades, por isso, declararam-se independentes e adotaram formas
comunais de governo. Completamente livres do poder feudal, as cidades-estado italianas expandiram-se,
passando a controlar também o interior rural.[21] As mais poderosas destas repúblicas marítimas foram a
República de Veneza e a República de Génova que rivalizavam entre si. Ambas eram grandes potências
comerciais marítimas que se foram expandindo pelo Mediterrâneo. Foi também em Itália que primeiro se
desenvolveu uma ideologia advogando a forma republicana de governo. Escritores como Bartolomeu de Lucca,
Brunetto Latini, Marsílio de Pádua e Leonardo Bruni viram as cidades-estado medievais como verdadeiras
continuadoras do legado da Grécia e da Roma Antiga.
No entanto, estas repúblicas estavam longe de se poder comparar às democracias de hoje em dia. Por regra, o
governo das repúblicas medievais assentava num conselho, constituído por uma elite de patrícios. Em muitos
estados nunca foram realizadas eleições diretas, sendo os lugares no conselho hereditários ou nomeados pelos
membros já existentes. Nas repúblicas onde foram realizadas eleições, o direito de votar e de ser eleito estava
grandemente condicionado à riqueza da pessoa em questão e à sua filiação em corporações de ofícios, mesteres
ou guildas. Isto deixou a grande maioria da população sem poder político, pelo que eram comuns os motins e as
revoltas das classes mais baixas. O final da Idade Média viu mais de duzentos levantamentos nas cidades do
Sacro Império Romano-Germânico.[22] Revoltas semelhantes ocorreram um pouco por toda a Europa, como em
Florença com a Revolta dos Ciompi.
Repúblicas protestantes
Enquanto que, para as repúblicas italianas, os escritores clássicos haviam sido a principal fonte ideológica, no
Norte da Europa, a Reforma Protestante seria utilizada como a grande justificação para o estabelecimento de
novas repúblicas.[23] A mais importante foi a teologia calvinista, que se desenvolveu na Confederação Suíça,
uma das maiores e mais poderosas repúblicas medievais. João Calvino não pediu a abolição da monarquia, mas
defendeu o direito dos fiéis a derrubar os monarcas contrários à religião.[24] O calvinismo também defendia um
rigoroso igualitarismo e uma oposição à hierarquia. A defesa da república apareceu nos escritos dos huguenotes
durante as guerras religiosas em França.[25]
O Calvinismo desempenhou um importante papel nas revoltas republicanas na Grã-Bretanha e na Holanda. Tal
como as cidades-estados de Itália e da Liga Hanseática, também a Grã-Bretanha e a Holanda eram importantes
centros de comércio, com uma grande classe de comerciantes prosperando com o comércio com o Novo
Mundo. Grande parte da população destes dois países também abraçou o calvinismo. A Revolta Holandesa,
começando em 1568, viu a República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos rejeitar o domínio da
Espanha dos Habsburgos num conflito que durou até 1648 — a Guerra dos Oitenta Anos.
Em 1641, estalou a guerra civil inglesa. Liderada pelos puritanos e financiada pelos mercadores de Londres, a
revolta triunfou e o rei Carlos I acabou por ser decapitado. Na Inglaterra, James Harrington, Algernon Sidney e
John Milton foram dos primeiros autores a defender a rejeição da monarquia e a adoção de uma forma
republicana de governo. A República Inglesa teve vida curta e a monarquia foi restaurada onze anos depois. A
República Holandesa continuou oficialmente até 1795 mas, a partir de 1747, o Stadthouder torna-se um
monarca de facto. Os calvinistas foram também dos primeiros colonizadores das colónias holandesas e
britânicas da América do Norte, influenciando decisivamente a evolução política desses territórios.
Repúblicas liberais
No México, esta autocracia tomou, por pouco tempo, a forma de uma monarquia no Primeiro Império
Mexicano. Devido à guerra peninsular, a família real portuguesa transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1808. O
Brasil atingiu a independência como uma monarquia em 7 de setembro de 1822, tendo o império do Brasil
durado até 1889. Nos demais estados, diferentes formas de república autocrática existiram até sua liberalização
no final do século XX. [27]
A segunda república francesa foi criada em 1848 e a terceira república francesa em 1871. A Espanha inaugurou
a sua primeira república, apenas para ver regressar a monarquia poucos anos depois. No início do século XX, a
França e a Suíça mantinham-se como as únicas repúblicas na Europa. Antes da primeira guerra mundial, a
república portuguesa, implantada através da revolução de 5 de outubro de 1910, foi a primeira do novo século.
Isto estimularia o aparecimento de mais repúblicas no rescaldo da guerra, quando vários dos maiores impérios
europeus entraram em colapso. O império alemão, o império austro-húngaro, o império russo e o império
otomano foram substituídos por várias repúblicas. Novos estados tornaram-se independentes e muitos destes,
como a Irlanda, a Polónia, a Finlândia e a Checoslováquia escolheram formas republicanas de governo. Em
1931, a segunda república espanhola terminou numa guerra civil que seria o prelúdio da segunda guerra
mundial.
As ideias republicanas foram se espalhando, especialmente na Ásia. A partir do final do século XIX os Estados
Unidos começaram a ter uma influência crescente na Ásia, com os missionários protestantes a desempenharem
um papel central. Os escritores liberais e republicanos ocidentais também exerceram influência. Isto combinado
com o Confucionismo inspirou a filosofia política que há muito argumentava que a população tinha o direito de
rejeitar um governo injusto que tivesse perdido o mandato do céu.
Duas repúblicas de vida breve foram proclamadas no extremo oriente: a república de Formosa e a primeira
república filipina. Na China, um forte sentimento contra a dinastia Qing e uma série de movimentos de protesto
levaram à criação de uma monarquia constitucional. O líder mais importante deste movimento foi Sun Yat-sen,
cujos três princípios do povo combinavam ideias americanas, europeias e chineses. A república da China
acabou por ser proclamada em 1 de janeiro de 1912.
A grande fonte de inspiração para as repúblicas socialistas do século XX veio da Comuna de Paris de 1871,
quando as classes sociais mais desfavorecidas tomaram o controle da capital de França. Karl Marx descreveu a
Comuna como o protótipo do governo revolucionário do futuro "a forma política, finalmente descoberta, com a
qual se realiza a emancipação económica do trabalho."[29]
Friedrich Engels observou como um dos grandes ensinamentos a recolher da Comuna, a forma como se
remunerou a todos os funcionários "grandes e pequenos, apenas o salário que outros operários recebiam. (...)
Assim se fechou a porta, eficazmente, à caça aos cargos e à ganância da promoção".[30] Nas palavras de Engels,
a "classe operária, para não perder de novo a sua própria dominação, acabada de conquistar, tinha, por um lado,
de eliminar a velha maquinaria de opressão até aí utilizada contra si própria, mas, por outro lado, de precaver-se
contra os seus próprios deputados e funcionários, ao declarar estes, sem qualquer excepção, revogáveis a todo o
momento."[30] Engels defendeu, no entanto, que tal estado seria temporário, apenas "até que uma geração
crescida em novas, livres condições sociais, se torne capaz de se desfazer de todo o lixo do Estado".[30]
Essas ideias foram adotadas por Vladimir Lenine, em 1917 pouco antes da Revolução de Outubro na Rússia e
publicadas em O Estado e a Revolução, um texto fundamental para muitos marxistas. Com o fracasso da
revolução mundial prevista por Lenine e Trotsky, a Guerra Civil Russa, e, finalmente, a morte de Lenine, as
medidas de guerra que eram considerados temporárias, como a requisição forçada de alimentos e a falta de
controlo democrático, tornaram-se permanente e uma ferramenta de reforço do poder de Estaline.
Ao longo do século XX, a maioria das repúblicas socialistas e comunistas adotaram economias planificadas. No
entanto, houve algumas exceções: a União Soviética durante a década de 1920 e a Jugoslávia após a Segunda
Guerra Mundial permitiram um mercado limitado e um grau de autogestão dos trabalhadores; enquanto a
China, o Vietname e o Laos introduziram profundas reformas económicas após a década de 1980.
No início da década de 1990, a grande maioria destes países fizeram acompanhar o processo de abertura
económica e política dos seus regimes do abandono destes qualificativos, passando simplesmente a
designarem-se por "repúblicas". Há, no entanto, estados na atualidade que, não sendo propriamente marxistas-
leninistas, usam termos como "democrática", "popular" e "socialista" nos títulos oficiais dos países. São
exemplos disto a Argélia (República Argelina Democrática e Popular); o Bangladesh (República Popular do
Bangladesh); a Líbia (Grande República Socialista Popular Árabe da Líbia); São Tomé e Príncipe (República
Democrática de São Tomé e Príncipe) e Timor-Leste (República Democrática de Timor-Leste).
Repúblicas islâmicas
Muitas repúblicas de população maioritariamente muçulmana quiseram juntar a palavra "islâmica" à sua
designação oficial. O Paquistão, por exemplo, adotou o título através da Constituição de 1956; a Mauritânia
adotou-o em 28 de novembro de 1958; o Irão após a Revolução Iraniana de 1979 que derrubou a dinastia
Pahlavi; o Afeganistão após o derrube dos talibãs em 2001.
A filosofia política islâmica tem uma longa tradição de oposição à monarquia absolutista, expressa,
nomeadamente, na obra do filósofo muçulmano Al-Farabi. A Xariá, lei islâmica, tinha precedência sobre a
vontade do governante que deveria ser escolhido através de um conselho, a Ash-Shura. Apesar dos primeiros
califados terem mantido os princípios da eleição do governante, mais tarde os estados tornaram-se ditaduras
hereditárias ou militares, embora muitos mantivessem uma, pouco mais do que simbólica, ash-shura
consultiva.
No entanto, nenhum desses estados é geralmente referido como sendo uma república. O termo árabe atual
( ﺟﻤﻬﻮرﻳﺔjumhūrīyyat), surgiu no final do século XIX,[31] decalcando o conceito ocidental de república. No
século XX o republicanismo tornou-se um movimento importante em grande parte do Médio Oriente, à medida
que as monarquias foram caindo em muitos estados da região. Alguns, como o Iraque e a Turquia, tornaram-se
repúblicas seculares. Outras nações, como a Indonésia e o Azerbaijão, começaram também como seculares,
mas seguiram outros caminhos. No Irão, a revolução de 1979 derrubou a monarquia e criou um república
islâmica baseada nas ideias de democracia islâmica.
O termo república islâmica, no entanto, pode ter significados diferentes, às vezes até antagónicos. A república
islâmica do Irão, por exemplo, está em contraste com o estado semissecular da República Islâmica do
Paquistão. Num caso, trata-se de uma república com um governo teocrático, no qual o código penal do estado
obedece às leis da Xariá. No outro, a designação "islâmica" parece mais uma alusão à identidade cultural do
país.
O Paquistão foi o primeiro país a adotar o adjetivo "islâmico" para qualificar o seu estatuto republicano através
da sua constituição de 1956 que, no restante, era bastante secular. Apesar desta definição, o país não teve uma
religião de estado até 1973, quando uma nova constituição, mais democrática mas menos secular, foi aprovada.
O Paquistão só usa o nome "República Islâmica" nos seus passaportes e vistos. Em todos os documentos
oficiais a designação utilizada é simplesmente "Governo do Paquistão". Apesar disso a atual Constituição do
Paquistão, parte IX, artigo 227 diz expressamente: "Todas as leis existentes devem ser postas em conformidade
com os preceitos do Islão tal como expressos no Alcorão e na Suna".[32]
Chefe de Estado
Estrutura
Nas repúblicas contemporâneas, o chefe de Estado é geralmente designado por presidente da república ou
simplesmente presidente. O termo deriva do latim præ sidere ("sentar à frente"), significando liderar, dirigir,
presidir, aplicável à direção de uma cerimónia, de uma reunião ou de uma organização. Usado na Grã-Bretanha
nessa aceção, o título presidente foi aplicado em 1608 ao líder da Virgínia e depois estendido a outras das Treze
Colónias inglesas na América do Norte, com a designação de "Presidente do Conselho".[33] Os Estados Unidos
foi a primeira república a usar este título, mantendo o significado inicial da palavra: "Presidente do Congresso
Continental", o líder do primeiro
parlamento. Quando a nova Constituição
foi escrita o título de "Presidente dos
Estados Unidos" foi atribuído ao
responsável pelo poder executivo.
Nos sistemas semipresidencialistas o chefe de governo e o chefe de Estado compartilham em alguma medida o
poder executivo, participando, ambos, do quotidiano da administração do Estado. Difere do parlamentarismo
por apresentar um chefe de Estado com prerrogativas que o tornam muito mais do que uma simples figura
protocolar ou mediador político; difere, também, do presidencialismo por ter um chefe de governo com alguma
medida de responsabilidade perante o legislativo. Em França, o presidente define a política externa, em
Portugal, o presidente tem menos poder, tendo poder de vetar leis e dissolver a Assembleia.
As regras para a nomeação do presidente e do líder do governo, em algumas repúblicas permitem a nomeação
de um presidente e de um primeiro-ministro com convicções políticas opostas: na França, quando os membros
do governo e o presidente vêm de fações políticas opostas, esta situação chama-se coabitação. Em alguns
países, como na Suíça e em San Marino, o chefe de Estado não é uma única pessoa, mas sim um conselho. A
República Romana tinha dois cônsules, nomeados por um ano.
Eleição
Angola foi a última das províncias ultramarinas portuguesas a proclamar a independência. E, ao contrário das
outras, três forças tinham lutado pela independência: o MPLA, Movimento Popular de Libertação de Angola,
com ligações a Cuba e à União Soviética; a FNLA, Frente Nacional de Libertação de Angola, com ligações ao
Zaire (hoje República Democrática do Congo) e aos Estados Unidos; a UNITA, União Nacional para a
Independência Total de Angola, apoiada pelos Estados Unidos, pelo regime de apartheid da África do Sul e por
outros países africanos.
Em 1991, MPLA e UNITA estabeleceram a paz através dos Acordos de José Eduardo dos Santos: presidente de
Bicesse, agendando-se eleições gerais multipartidárias para a escolha do Angola há 31 anos (desde 1979).
presidente da República e dos deputados do futuro parlamento.
Simultaneamente, a Assembleia do Povo (parlamento) aprovou duas
revisões à Lei Constitucional consagrando a democracia multipartidária, as garantias dos direitos e liberdades
fundamentais dos cidadãos e o sistema económico de mercado. Reafirmou, também, o sistema político
semipresidencialista, com o presidente da República eleito por sufrágio universal.[39] O MPLA saiu vitorioso,
tanto das eleições legislativas como das presidenciais, apesar do seu candidato — o líder e presidente em
exercício, José Eduardo dos Santos — não ter logrado maioria absoluta, o que exigia uma segunda volta. No
entanto, Jonas Savimbi, segundo classificado e líder da UNITA, não aceitou os resultados eleitorais, reatando-
se a guerra civil. Apesar de tudo, o ato eleitoral marca o início da Segunda República (1992-2010).[38]
A guerra civil só terminou com a morte de Jonas Savimbi em 22 de fevereiro de 2002. A UNITA iniciou
negociações com o governo de Angola, depondo as armas e assumindo-se como um partido político. As
eleições legislativas de 2008 foram realizadas em 5 e 6 de setembro, tendo o MPLA assegurado 191 dos 223
assentos da Assembleia Nacional de Angola. A 27 de janeiro de 2010 a Assembleia Nacional aprovou a
primeira Constituição, propriamente dita, de Angola que preconiza um regime presidencialista, mas
dispensando as eleições presidenciais, sendo presidente o líder de lista do partido que vencer as legislativas. A
figura do primeiro-ministro foi extinta, dando lugar a um vice-presidente.[40] Com a Constituição de 2010 tem
início a Terceira República.[41][42] José Eduardo dos Santos continua como presidente desde 1979. As próximas
eleições legislativas estão agendadas para 2012.
Brasil
O primeiro país lusófono a adotar um regime republicano de governo foi o Brasil. A proclamação da República
ocorreu no Rio de Janeiro, então capital do país, em 15 de novembro de 1889 quando um grupo de militares,
liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca, depôs o imperador D. Pedro II através de um golpe de estado.
A Primeira República Brasileira, conhecida como República Velha (1889-1930), pode ser dividida em dois
períodos: a República da Espada (1889-1894), uma ditadura militar dos marechais Deodoro da Fonseca e
Floriano Peixoto; e a República Oligárquica (1895-1930), na qual predominou a chamada "Política do café com
leite" que favorecia os interesses do setor agrário dos estados de São Paulo — o mais poderoso
economicamente, principalmente devido à produção de café — e de Minas Gerais — o mais populoso na época
e produtor de leite. A Constituição de 1891, fortemente inspirada na Constituição dos Estados Unidos,
preconizou, desde logo, um regime de governo presidencialista e adotou a designação oficial de "Estados
Unidos do Brasil".
Os civis voltaram ao poder em 1985, quando José Sarney assumiu a presidência,[64] inaugurando a Nova
Os civis voltaram ao poder em 1985, quando José Sarney assumiu a presidência,[64] inaugurando a Nova
República ou Sexta República. Sob o seu governo foi promulgada a Constituição de 1988, que institui um
Estado de direito e uma república presidencialista. A crise económica e a incontrolável inflação[65] permitiram
a eleição, em 1989, do quase desconhecido Fernando Collor, que renunciou após um pedido de impeachment
em 1992. Sucedeu-lhe Itamar Franco e, a este, Fernando Henrique Cardoso, autor do bem sucedido Plano Real,
que trouxe estabilidade monetária à economia brasileira.[66] A transição pacífica de poder para Luís Inácio Lula
da Silva, eleito em 2002 e reeleito em 2006, reforçou a estabilidade política do Brasil e o seu prestígio
internacional.[67]
Cabo Verde
Cabo Verde alcançou a independência em 5 de julho de 1975 sob a égide do PAIGC — Partido Africano para a
Independência da Guiné e Cabo Verde. Este partido, fundado por Amílcar Cabral em 1959, invocando as
ligações históricas e consanguíneas existentes entre guineenses e cabo-verdianos, defendia a união política dos
dois estados.[68]
Eleita uma assembleia constituinte, inteiramente constituída por deputados afetos ao PAIGC, foi redigida a Lei
sobre a Organização Política do Estado[69] até à aprovação da Constituição da República de Cabo Verde, a 5 de
Setembro de 1980. À semelhança das constituições das restantes ex-colónias portuguesas de África, também
esta apresentava um elevado conteúdo ideológico,[70] subordinando o Estado ao Partido.[71] O inesperado golpe
de estado de 14 de novembro de 1980, na Guiné-Bissau, no entanto, provocou o abandono do projeto de união
dos dois países e a criação do PAICV - Partido Africano da Independência de Cabo Verde.[72]
Dez anos mais tarde, iniciou-se o processo de abertura do regime. A 28 de setembro de 1990, a Assembleia
Nacional Popular revogou o artigo 4.º da Constituição de 1980 que consagrava o PAICV como força dirigente
do Estado e da Sociedade.[73] Estava, assim, prestes a terminar a "Primeira República" (1975-1991),
caracterizada pelo domínio do partido único, que teve como único presidente Aristides Pereira.
Em 1991, realizaram-se as primeiras eleições pluralistas em Cabo Verde, em que se confrontaram duas forças
políticas: o PAICV, no poder desde 1975 e o recém-criado MpD — Movimento para a Democracia. O MpD
venceu, em janeiro, as eleições legislativas; em fevereiro, as presidenciais (com Mascarenhas Monteiro); e, em
dezembro, as autárquicas.[74] Em 1992, o MpD submeteu ao parlamento uma nova Constituição, consagrando o
estado de direito democrático. Fez, ainda, aprovar a alteração dos símbolos nacionais (bandeira, brasão e hino),
tidos como demasiado ligados ao PAICV e ao antigo projeto de união Guiné-Cabo Verde.[75] Começa, assim, a
"Segunda República" (desde 1992) que, para além de Mascarenhas Monteiro (1991-2001), conta ainda com
Pedro Pires (desde 2001) como presidente da República.
Moçambique
O ano de 1990 trouxe profundas alterações em praticamente todos os campos da vida de Moçambique, sendo
aprovada uma nova Constituição que introduziu um sistema multipartidário e a economia de mercado.[77] O
Acordo Geral de Paz entre a Frelimo e a Renamo foi assinado em 1992, realizando-se, em 1994, as primeiras
eleições legislativas com sufrágio direto e voto secreto. No parlamento que, de "Assembleia Nacional Popular",
passou a designar-se Assembleia da República, a Renamo passou a ocupar 117 lugares e a Frelimo 133.[76] As
eleições presidenciais do mesmo ano deram a vitória ao presidente Joaquim Chissano, que foi reconduzido no
cargo. Vencendo, de novo, nas eleições de 1999. A designação oficial do país foi, entretanto, também alterada
de República Popular de Moçambique para, simplesmente, República de Moçambique.
Nova Constituição,[78] aprovada no dia 16 de novembro de 2004, veio reforçar o estado de direito instituído em
1990, através do aprofundamentos de disposições já existentes, da criação de novas figuras, princípios e
direitos e da elevação de outros já existentes na legislação ordinária à categoria constitucional. Uma diferença
relevante desta constituição em relação às anteriores foi o consenso na sua aprovação, uma vez que ela surgiu
no âmbito de uma assembleia representada por diferentes partidos políticos.[79]
Passados vinte anos de "Segunda República", na qual se consagrou o sistema multipartidário, e depois de três
eleições presidenciais e legislativas, continua a governar o partido no poder desde a conquista da
independência, a Frelimo, cujos candidatos presidenciais têm também vencido todas as eleições maioritárias.
Apenas nas autarquias locais tem havido casos de alternância no poder político.[80]
Portugal
Portugal foi o segundo país lusófono a implantar um regime republicano, como resultado de um golpe de
estado que destituiu o rei D. Manuel II no dia 5 de outubro de 1910.
Imediatamente tomou posse um governo provisório que introduziu uma série de reformas de fundo e organizou
eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, que elaborou a Constituição de 1911. Começava assim a
Primeira República que pode ser dividida em três períodos: a "República Velha", na qual foram presidentes
Manuel de Arriaga, Teófilo Braga e Bernardino Machado; a "República Nova", com Sidónio Pais como
presidente; e a chamada "Nova República Velha", com os presidentes Canto e Castro, António José de
Almeida, Manuel Teixeira Gomes e, de novo, Bernardino Machado.
Para além de Óscar Carmona, foram presidentes da República durante o Estado Novo Craveiro Lopes e
Américo Tomás. O presidente era eleito por sufrágio direto mas, na sequência da inesperada adesão de todos os
setores da oposição à candidatura do general Humberto Delgado, em 1958, Salazar propôs uma revisão
constitucional, passando a escolha do presidente a ser feita por um colégio eleitoral.
A Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974 deu início à Terceira República, restabelecendo os direitos,
liberdades e garantias, o pluralismo político e concedendo independência às colónias. A Constituição de 1976
foi redigida pela Assembleia Constituinte eleita na sequência das primeiras eleições gerais livres no país e
encontra-se em vigor até à atualidade. Recebeu já sete revisões constitucionais. António de Spínola e Costa
Gomes foram presidentes nomeados, seguindo-se, eleitos por sufrágio direto universal, Ramalho Eanes (1976-
1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de
Sousa (desde 2016). Por o presidente ser eleito pelo povo, mas sem poder executivo, tem poder de veto e de
dissolução da Assembleia o que leva à queda automática do governo, diz-se que é um sistema
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Ver também
Res publica
Proclamação da República Brasileira
Proclamação da República Estadunidense
Proclamação da República Francesa
Proclamação da República Portuguesa
Ligações externas
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