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LIBRAS NA SAÚDE:

ATENDIMENTO AO PACIENTE SURDO

LIBRAS
Língua Brasileira de Sinais

2021
AULA 05

1
/
ORALISMO

As práticas educativas e concepções de ensino, frequentemente, devem ser


repensadas e analisadas por nós, atores sociais que compõem o cenário educacional.
Quando nos referimos à Educação de Surdos, historicamente percebemos que o
olhar que se teve do surdo e da surdez foi mudando de acordo com a época, país e
contexto político. A partir de agora, apresentaremos as três filosofias que têm
subjazido a Educação de Surdos, presentes ainda nos dias de hoje em maior ou
menor intensidade nas escolas em que eles estudam. São elas: o Oralismo, a
Comunicação Total e o Bilinguismo. Oralismo Como foi introduzido no caderno
anterior, em 1880 houve o Congresso de Milão, na Itália, onde foi decidido sobre qual
método de ensino deveria ser adotado pelas escolas de surdos no mundo todo. Nesse
congresso, um grupo acreditava que os surdos tinham uma forma específica para se
comunicarem e que poderiam ser ensinados através dela - a língua de sinais - , mas
outro grupo, liderado por Alexandre Graham Bell, defendia que os surdos deveriam
aprender a língua oral e que poderiam fazer uso da fala, da escrita e da leitura labial
na educação. Professores surdos e ouvintes foram chamados a comparecer ao
congresso, mas na hora da votação, apenas os ouvintes tiveram o direito de votar e

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decidir o destino dos surdos do mundo inteiro. Alexandre Graham Bell aproveitou-se
de toda sua influência e defendeu o Oralismo, acabando por se tornar o grande
defensor dessa filosofía. Após a votação, a língua de sinais foi banida completamente
da educação dos surdos, o que impôs ao Povo Surdo a modalidade de comunicação
oralista. Segundo Guarinello (apud PINHEIRO, 2007), o uso do Oralismo venceu.
Porém, a Língua de Sinais foi oficialmente proibida de ser usada no mundo todo.
Como mostra a figura criada por um surdo, depois do congresso era comum a prática
de amarrarem as mãos das crianças para trás a fim de evitar que essas se
comunicassem através dos sinais. Diante desse cenário, toda a qualidade da
educação ofertada aos surdos caiu drasticamente. De acordo com Pinheiro (2007),
esse marco foi considerado como um retrocesso gigantesco na Educação dos Surdos
no mundo.
O progresso da sociedade capitalista e o avanço das tecnologias facilitaram a
prática da oralização do surdo, o Oralismo se espalhou e tornou-se referência para a
educação desses sujeitos na segunda metade do século XIX. Essa modalidade tinha
como pressuposto fundamental, segundo Strobel e Perlin (2008):
● Evitar ao máximo o uso da língua de sinais para que o surdo tivesse êxito em seu
aprendizado através do treinamento da fala;
● Afirmar a importância da integração dos surdos na comunidade de ouvintes por
meio da fala;
● Priorizar a reabilitação em direção à normalidade exigida pela sociedade. Perceba
que essa filosofia busca a convivência do surdo dentro da comunidade de ouvintes, o
que, nessa perspectiva, representa a única forma do surdo desenvolver a língua oral
(no caso do Brasil, o Português).
Além disso, o Oralismo percebe a surdez como uma deficiência que deve ser
minimizada através da estimulação auditiva (GOLDFELD, 2002). Após refletirmos
sobre o que foi anteriormente discutido, percebemos que a história do povo surdo foi
marcada pelas constantes avaliações clínicas e que sua educação centrou-se no
modelo ouvintista que definia a surdez como uma deficiência, devendo assim ser
corrigida. Dorziat (2006) enumera algunas tecnologias que foram fundamentadas no
modelo oral:
● Treinamento auditivo, que faz uso de Aparelhos de Ampliação Sonora Individual
(AASI) “possibilitando”, a partir da estimulação auditiva, que o surdo desenvolvesse a
capacidade de discriminar e compreender os ruídos dos sons ambientais; Com o
3
desejo de ver os sujeitos surdos falando e ouvindo, muitos orgãos governamentais
repassaram enormes verbas para a aquisição de equipamentos que pudessem
potencializar seus restos auditivos, além de projetos de formação de professores
leigos que, muitas vezes, faziam o papel de fonoaudiólogos, ficando assim a proposta
educacional direcionada quase que exclusivamente para a reabilitação de fala aos
sujeitos surdos ( STROBEL; PERLIN, 2008). Assim é Libras p07 Aula 02
● Oralização externa através de exercícios oro-faciais que exercitavam os orgãos
responsáveis pela oralização (músculos dos lábios, mandíbulas, língua, entre outros)
e facilitavam a mobilidade na articulação dos fonemas;
● Leitura labial, por meio da qual o surdo era treinado de modo a compreender os
fonemas a partir dos movimentos orais do emissor do discurso.

COMUNICAÇÃO TOTAL

Na década de 1970, devido às inúmeras críticas feitas ao Oralismo por causa


dos péssimos resultados e às descobertas de William Stokoe sobre o caráter
linguístico das Línguas de Sinais, alguns pais de surdos, professores e pesquisadores
propuseram uma nova abordagem para a educação dos surdos. Tivemos o advento
da Comunicação Total, cuja metodologia faz o uso de vários recursos de linguagem,
tais como fala, escrita, gestos, mímica, pantomima, sinais, leitura orofacial, uso
residual da audição, formato da mão correspondente aos fonemas da linguagem oral
entre outros.
Para essa filosofia, tudo que facilite a comunicação entre surdos e ouvintes é
aceitável e pode ser usado. Segundo Guarinello (apud PINHEIRO, 2010),
rapidamente essa abordagem foi disseminada, adquirindo um reconhecimento maior
do que outros métodos americanos já existentes. Alguns estudiosos reconhecem a
importância do surgimento desse modelo, pois ao incorporar a Língua de Sinais como
uma das metodologias a ser usada, trouxe o seu reconhecimento e valorização, uma
vez que ela foi muito oprimida e marginalizada por mais de 100 anos (STROBEL;
PERLIN, 2006). Segundo Ciccone (apud GOLDFELD, 2002), os profissionais que se
encaminham por essa filosofía não veem o surdo apenas como alguém que tem uma
patologia médica, mas como ser humano, e a surdez como uma marca que repercute
em suas relações sociais e no desenvolvimento afetivo e cognitivo. Em oposição ao
pensamento dos oralistas, a filosofía da comunicação total acredita que só com o
aprendizado da língua oral, como querem os oralistas, não é possível o
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desenvolvimento completo da criança surda. Como o próprio nome sugere, essa
filosofia visa, sobretudo, a comunicação e a interação. O aprendizado de uma língua
não é o objetivo da Comunicação Total, mas sim a possibilidade de os surdos se
comunicarem. No Brasil, essa filosofia foi bem aceita pelos educadores e, além da
língua oral, o português, e dos demais recursos, os surdos utilizavam a datilologia,
que é o alfabeto manual. Dentro dessa filosofia, recomenda-se, ainda, que os
educacores façam uso do bimodalismo, que é o uso da Língua de Sinais com a língua
oral tendo como objetivo a representação espaço-visuo-manual da língua majoritária.
Rochester: utilizava o alfabeto manual e a fala na educação dos surdos. Cued
Speech: combina o uso da audição residual e da leitura orofacial, formato de mão,
correspondente aos fonemas da linguagem oral.

Bilinguismo

Inicia-se na década de 1970 um movimento de reivindicação contra a forma


como os surdos estavam sendo ensinados, que culminou com o surgimento da
filosofia bilíngue de educação. Essa filosofia tem como pressuposto básico que os
surdos devem ser bilíngues, ou seja, devem adquirir como língua materna, a Língua
de Sinais, que é considerada a língua natural dos surdos e, como segunda língua, a
majoritária de seu país. Para alguns autores, como Goldfeld (2002), essa proposta
tem sido considerada a mais adequada para o ensino de crianças surdas, pois
considera a Língua de Sinais como sendo a língua natural do surdo, estando pautada
no ensino da Libras como primeira língua, e do português, na modalidade escrita e/ou
oral, como segunda língua do surdo. Autores ligados ao bilinguismo percebem o surdo
de forma bastante diferente dos autores oralistas e da comunicação total. Para os
bilinguistas, o surdo não precisa almejar uma vida semelhante ao ouvinte, podendo
aceitar e assumir sua surdez.

O conceito mais importante que a filosofia bilíngue traz é de que os surdos


formam uma comunidade, com cultura e língua próprias. A noção de que o surdo
deve, a todo custo, tentar aprender a modalidade oral da língua para poder se
aproximar o máximo possível do padrão da normalidade é rejeitada por essa filosofia.
Isso não significa que a aprendizagem da língua oral não possa ser realizada pelo
surdo, mas não é percebida como seu único objetivo educacional, nem como uma
possibilidade de minimizar as diferenças causadas pela surdez (GOLDFELD, 2002)

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Sacks (2010), afirma que, respeitando a nomenclatura da comunidade surda
americana, utiliza-se o termo Surdez (com S maiúsculo) para designar um grupo
linguístico e cultural, e o termo surdez (com s minúsculo) para designar uma condição
física, a falta de audição. Portanto, nessa filosofia, a questão principal é a Surdez e
não a surdez, ou seja, os estudos se preocupam em entender o Surdo, suas
particularidades, sua língua (a de sinais), da cultura e a forma singular de pensar, agir
etc., e não apenas os aspectos biológicos ligados à surdez (GOLDFELD, 2002). Na
ideologia do bilinguismo, as crianças surdas precisam ser postas em contato primeiro
com pessoas fluentes na Língua de Sinais, sejam seus pais, professores ou outros,
mas existem divergências quanto à definição do bilinguismo enquanto prática. Em
alguns países, compreende-se que a criança surda deve adquirir a língua de sinais e
a modalidade oral da língua do seu país, sendo posteriormente alfabetizada também
na língua oficial de seu país. Entretanto, autores como Sánchez (1993) acreditam ser
necessário para o surdo adquirir a língua de sinais e a língua oficial de seu país
apenas na modalidade escrita, e não na oral. Brito (apud GOLDFELD, 2002), cita
algumas consequências que a criança surda poderá sofrer caso não seja exposta à
Língua de Sinais. De acordo com a autora, o surdo:

● Perderá a oportunidade de usar a linguagem, senão o mais importante, pelo menos


um dos principais instrumentos para a solução de tarefas que se lhes apresentam no
desenvolvimento da ação inteligente;

● Não irá recorrer ao planejamento para a solução de problemas;

ENTRADA NO HOSPITAL

HOSPITAL MÉDICO(A) ENFERMEIRO(A)

6
SOCORRER

MACA

LEITO

SINAIS GERAIS DA SAÚDE


MÉDICO
SAÚDE
DOENÇA
HOSPITAL
ENFERMEIRO
AMBULÂNCIA
SUOR
SANGUE
DOR
EXAMES
CIRURGIA
REMÉDIO
GRAVIDEZ
INJEÇÃO/SERINGA

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ATIVIDADES

1. FAÇA A CORRESPONDÊNCIA E TREINE OS SINAIS

( )DOENÇA
( )MÉDICO
( )ESTETOSCÓPIO
( )CONVÊNIO MÉDICO
( )GRAVIDEZ
( )SAÚDE
( )ENFERMEIRO
( )DESMAIO

2. TRADUZA E TREINE OS SINAIS

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Brasil. Secretaria Nacional de Justiça. A Classificação Indicativa na Língua Brasileira de


Sinais / Organização: Secretaria Nacional de Justiça. – Brasília SNJ, 2009. 36 p. : il.

CAPOVILLA, Fernando C.; RAPHAEL, Walkiria D. (editores) Dicionário Enciclopédico


Ilustrado Trilingue da Língua Brasileira de Sinais. Vol II: sinais de M a Z. 2ª Ed. São Paulo:
Editora da Universidade de São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2001.

GESSER, A. Libras? Que língua é essa? Crenças e preconceitos em torno da língua de


sinais e da realidadesurda. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.

GOLDFELD, Marcia. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva


sociointeracionista. [Link]. São Paulo: Plexus Editora, 2002.

HONORA,Márcia. Inclusão educacional de alunos com surdez :concepções e alfabetização.


São Paulo, 2014

HONORA, Márcia, Frizanco, Mary Lopes Esteves, Saruta, Flaviana Borges da Silveira. Livro
Ilustrado de Língua Brasileira de Sinais. Ciranda Cultural, São Paulo,2008

[Link]
cultura-surda

QUADROS, R. M; KARNOPP, L. B. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto


Alegre: Artmed, 2004.

OLIVEIRA, Laralis Nunes de Sousa Oliveira. Libras- estudo e [Link],2014.

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