OS PRINCÍPIOS DO PROCESSO PENAL
Conceito de princípio para o processo penal: princípios são aquelas normas
que, por sua generalidade e abrangência, irradiam-se por todo o ordenamento jurídico,
informando e norteando a aplicação e a interpretação das demais normas de direito, ao
mesmo tempo em que conferem unidade ao sistema normativo e, em alguns casos,
diante da inexistência de regras, resolvendo diretamente os conflitos. (Mougenot)
Era pós-positivismo – Robert Alexy = princípios passam a ser normas jurídicas
primárias.
CF/88 traz princípios processuais penais
Tratados Internacionais de Direitos Humanos
Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica)
Princípio da Dignidade Humana
Princípio do Devido Processo Legal
art. 5º, LIV, da Constituição Federal (“ninguém será privado da liberdade ou de
seus bens sem o devido processo legal”).
Princípio do Contraditório
art. 5º, LV, da Constituição Federal (“aos litigantes, em processo judicial ou
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla
defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”) = Estado Democrático de Direito
contraditório: garantia de que as partes participarão da formação da convicção
do juiz - ambas as partes podem contrariar atos e termos da parte contrária.
Renato Brasileiro: contraditório necessita de dois elementos: a) direito à
informação; b) direito de participação. O contraditório seria, assim, a necessária
informação às partes e a possível reação a atos desfavoráveis.
Princípio da Ampla Defesa
art. 5º, LV, da Constituição Federal (“aos litigantes, em processo judicial ou
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla
defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”).
Ligado ao princípio do contraditório, pois a defesa garante o contraditório e por ele
se manifesta.
direito das partes de oferecer argumentos em seu favor e de demonstrá-los.
Conecta-se, portanto, aos princípios da igualdade e do contraditório.
Não é uma garantia apenas para o acusado e sim para a existência de um processo
justo.
Autodefesa e Defesa Técnica
Princípio do Estado de Inocência, da “Presunção” de Inocência ou
Princípio da não culpabilidade
art. 5º, LVII, da CF (“ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado
de sentença penal condenatória”).
ônus da acusação demonstrar a ocorrência do delito - princípio temporário por
alterar-se a “presunção” da inocência uma vez provada a autoria do fato criminoso.
Direito acolhido pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789);
Declaração Universal de Direitos Humanos – ONU (1948) entre outros.
Regra de tratamento do acusado: não prisão, só em hipóteses estritas e legais
Princípio do In dubio pro reo
Ligado ao Princípio da Presunção de Inocência
deve-se privilegiar a liberdade em detrimento da pretensão punitiva. Somente a
certeza da culpa poderá fundamentar uma condenação (art. 386, VII, do CPP).
utilizado no momento da valoração das provas
Princípio da vedação das provas ilícitas
art. 5º, LVI, da Constituição Federal (“são inadmissíveis, no processo, as provas
obtidas por meios ilícitos”).
vedação da convicção do juízo sobre elementos de provas obtidas por meios
considerados ilícitos.
Princípio da igualdade das partes ou da paridade processual
desdobramento do princípio da isonomia ou da igualdade (art. 5º, caput, da CF),
reconhecida como verdadeira medula do devido processo legal.
Princípio da publicidade
arts. 5º, LX (“a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a
defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem”), e 93, IX (“todos os
julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas
as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei, se o interesse público o exigir,
limitar a presença em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados,
ou somente a estes”), da Constituição Federal e art. 792, primeira parte, do Código
de Processo Penal (“as audiências, sessões e os atos processuais serão, em regra,
públicos e se realizarão nas sedes dos juízos e tribunais”).
Outro pilar da Democracia
Princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado
art. 155 do Código de Processo Penal (“o juiz formará sua convicção pela livre
apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo
fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos
colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e
antecipadas”).
Princípio da motivação dos atos judiciais
art. 93, IX, da Constituição Federal e art. 381, III, do Código de Processo Penal.
Princípio da economia processual
arts. 563 (“nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo
para a acusação ou para a defesa”) e 566 (“não será declarada a nulidade de ato
processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na
decisão da causa”) do Código de Processo Penal
- art. 65 da Lei n. 9.099/95 (“Os atos processuais serão válidos sempre que
preencherem as finalidades para as quais forem realizados”).
Princípio do duplo grau de jurisdição
as decisões podem ser revistas por órgãos jurisdicionais de grau superior (recursos)
competência originária do STF - inexistência de duplo grau de jurisdição
Princípio da vedação do bis in idem
art. 8º, 4, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, recepcionado pelo art.
5º, § 2º, da Constituição Federal
preservação da coisa julgada - garantia do acusado de que, se absolvido por
sentença transitada em julgado, não poderá o Estado intentar nova pretensão
punitiva sobre o mesmo fato
Princípio da proporcionalidade
proibição de excessos; adequação, necessidade e proporcionalidade; Proibição de
proteção excessiva ou proibição de proteção deficiente
Não tem uma previsão expressa na CF
Princípio da boa-fé processual
Princípio geral de direito - decorrente do Princípio do Devido Processo Legal e da
Igualdade entre as partes - buscando-se um processo justo
Princípio do juiz natural
é o direito que cada pessoa tem de saber, previamente, a autoridade que irá lhe
processar e julgar caso venha a praticar um delito
todo acusado deve ser julgado por um juiz competente, imparcial e independente
não há uma previsão explícita na CF, mas o inciso XXXVII do art. 5º preceitua que
não haverá juízo ou tribunal de exceção e inciso LIII, traz que ninguém será
processado nem sentenciado senão pela autoridade competente.