Trabalho – Direito Processual Penal I – 1º Bimestre – 2024
Valor: 2,0 pontos
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1. Acerca dos princípios e garantias aplicáveis ao processo penal, consoante a interpretação consentânea com
o espírito democrático da Constituição de 1988, assinale a alternativa correta.
a) O direito ao silêncio aplica-se ao preso, ao indiciado e ao acusado, em geral, porém, não pode o
silêncio recair apenas sobre parte do depoimento. É entendimento dos Tribunais Superiores que o
acusado pode escolher responder apenas perguntas da defesa, ou seja, o silêncio pode ser parcial. O
investigado, indiciado ou acusado por permanecer em silêncio – não autoincriminação –, assim
como os Tribunais Superiores têm entendido que ele pode escolher responder apenas perguntas
da defesa.
b) A presunção de inocência, com todas as suas implicações em prol do imputado (ônus da prova, regra
de julgamento/decisão e de tratamento), aplica-se à fase judicial, mas não à investigatória. A
presunção de inocência começa com a prática do crime e só termina com o trânsito em julgado
da condenação, quando será determinada a introdução do nome do condenado no rol dos
culpados.
c) O princípio do contraditório e da ampla defesa não se aplicam à fase de investigação preliminar, na
qual vigora a inquisitividade e o sigilo absoluto, imposto, inclusive, ao advogado do indiciado. O
sigilo não pode ser imposto ao advogado. Mesmo em caso de provas cautelares (por exemplo a
interceptação telefônica), após sua produção, o advogado deverá ter acesso.
d) O princípio da motivação das decisões penais é uma garantia fundamental absoluta, por meio do livre
convencimento motivado do julgador, exceto no caso do Tribunal do Júri onde vigora a livre
convicção da decisão do jurado, sem necessidade de motivação.
e) O princípio do ne bis in idem impede nova persecução penal pelos mesmos fatos, exceto no caso de
prova nova da culpa do acusado após sentença penal absolutória. Mesmo havendo uma absolvição
errônea, por falta de prova que possa a surgir após a sentença, não poderá haver novo processo
para rediscutir o que já foi decidido.
2. João foi processado criminalmente pela suposta prática do crime de roubo. Ao fim do processo, após a
apresentação de alegações finais pelo Ministério Público e pela defesa técnica, o juiz chega à conclusão de
que não há prova suficiente para condenação, motivo pelo qual absolve o acusado. Nesse cenário, o juiz
decidiu ancorado no princípio da:
a) presunção de não culpabilidade;
b) não autoincriminação;
c) busca da verdade;
d) ampla defesa;
e) verdade real.
3. Em relação às características dos sistemas processuais penais, analise as afirmativas:
I. No sistema inquisitivo, adotado pelo Direito Canônico ( século XIII) e propagado pela Europa até o século
XVIII, a figura do acusador, defensor e julgador era concentrada em uma única pessoa, chamada de juiz inquisidor, e
a culpa do acusado era presumida. V
II. No sistema acusatório a figura do julgador, do acusador e do defensor são separadas, tendo como regra a
manutenção do acusado solto durante o processo. V
III. No Brasil o sistema adotado é o misto, ou seja, há uma primeira fase inquisitiva representada pelo
inquérito policial, onde não há contraditório e ampla defesa e uma segunda fase acusatória, com a
preservação dos direitos do acusado. F
IV. No sistema acusatório o juiz não pode participar da produção de provas, sendo incumbência das partes
(acusação e defesa). V
São verdadeiras apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e IV.
c) I, II e IV.
d) II e III.
4. Sobre conceito, finalidade e fontes do processo penal, assinale a alternativa correta.
a) A competência para legislar sobre direito processual penal é concorrente entre a União, os Estados e
o Distrito Federal. A competência para legislar sobre processo penal é privativa da União.
b) Direito processual penal é o ramo do direito público que compreende princípios e normas definidoras
de condutas criminosas com previsão de determinada sanção. Definição do direito penal e não
processual penal.
c) É possível que os Estados legislem sobre questões específicas de direito processual penal, desde que
autorizados por lei complementar editada pela União.
d) Os tratados e convenções internacionais são considerados fontes materiais do direito processual
penal. São fontes formais.
e) O direito processual penal é sub-ramo do Direito Penal. Por isso que é chamado de “Direito Penal
adjetivo”. Logo, não possui autonomia científica. O direito processual penal é totalmente
autônomo do direito penal.
5. No que se refere à norma processual penal e sua aplicação, assinale a opção correta.
a) Os atos processuais realizados sob a égide da lei anterior precisam ser renovados. Atos produzidos
até a entrada em vigor de lei processual penal nova continuarão sendo válidos, não precisam
ser renovados.
b) A lei processual penal admite tanto a aplicação analógica quanto a interpretação extensiva.
c) A lei processual penal, quanto à sua eficácia temporal, não terá aplicação imediata, salvo em
benefício do réu. Regra da aplicação da lei processual penal no tempo: tempus regit actum –
aplicação imediata. Se a lei for mista – penal e processual penal – poderá retroagir se mais
benéfica ao réu.
d) O princípio da nacionalidade, como regra geral, é utilizado para a aplicação da lei processual penal
no espaço.
e) A revogação total de uma lei processual penal é chamada de derrogação. Ab-rogação.
6. Quanto à aplicação da lei processual penal no espaço, é correto afirmar:
a) orienta-se pelas mesmas regras da aplicação da lei penal no espaço;
b) aplica-se o princípio da extraterritorialidade no processo penal, quando o crime ocorre no exterior;
c) quando a autoridade judiciária brasileira cumpre uma carta rogatória, aplica lei do Estado rogante;
d) orienta-se pelo princípio da territorialidade, que determina a exclusão da lei processual penal
estrangeira em território brasileiro;
e) vige a regra do local do crime, adotando-se a norma processual do local onde a infração se
consumou.
7. Antônio está sendo acusado da prática de crime de furto. Durante a fase processual, não lhe foi dada a
oportunidade de conhecer e se manifestar sobre um laudo pericial de local de crime confeccionado em
momento pré-processual e que embasou a denúncia do Ministério Público. Considerando o fato hipotético
narrado, assinale a afirmativa INCORRETA.
a) É direito de Antônio a garantia do devido processo legal.
b) É direito constitucional de Antônio que em sede processual lhe seja garantido o direito ao
contraditório, ainda que diferido. Contraditório diferido significa que mesmo sobre provas
produzidas durante o inquérito policial, onde não há contraditório, dentro do processo o
acusado terá o direito de manifestar-se sobre essa prova. Diferido = em momento diverso.
c) Constitui direito fundamental de Antônio, no âmbito de um processo judicial, a observância do
contraditório e da ampla defesa.
d) Considerando que o inquérito policial não é processo judicial, Antônio não tem direito de
manifestação sobre o laudo produzido.
8. Com a adoção constitucional do princípio do estado de inocência ou presunção de não-culpabilidade, tem-
se como decorrência que, exceto:
a) O ônus da prova da imputação de crime é exclusivo da acusação.
b) No momento de proferir a sentença vigora o princípio in dubio pro reo.
c) A imparcialidade do julgador é a base do sistema acusatório.
d) Admite-se a custódia cautelar da pessoa apenas quando estiverem presentes o fumus comissi delicti e
o periculum libertatis, demonstrando a necessidade concreta da medida.
e) É necessária uma proteção contra a publicidade abusiva e a estigmatizante (precoce) da pessoa
investigada ou processada criminalmente.