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Fundamentos do Processo Penal Brasileiro

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PROCESSO PENAL I

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO PROCESSUAL PENAL

Fundamentos do Processo Penal

1. Estado e Poder

 art. 1º, parágrafo único da CF: poder que emana do povo


Estado limitação da liberdade individual através do direito;
 direito: instrumento regulador do poder do Estado;

Direito: limitador do poder do Estado; instrumento regulador do Estado.

- produção de normas (permissivas, proibitivas);


Poder estatal - sanções;
- obrigações;

Norberto Bobbio: "só o poder cria o direito e só o direito limita o poder"

Legislativo: elaboração das normas;


Montesquieu - Estado (uno e soberano) Executivo: cumprimento de ofício das
normas;
Judiciário: encarregado da Jurisdição;

2. Poder e Processo

Processo (proceder, andar): é o meio, determinado por normas jurídicas, pelo qual o
Estado pode exercer a Jurisdição para a resolução de conflitos de interesse.

Normas Jurídicas - de direito material - destinadas a regular atos relacionados


à vida e as relações em sociedade;
- de direito formal - normas que determinam o modo de
aplicação da norma material;
3. Direito Penal e Processo Penal

 Direito Penal: normas de direito material: proteção de bens jurídicos e interesses


de relevância para a sociedade e consequente aplicação de sanção por lesão ou
perigo de lesão.
 Direito Processual Penal: norma de direito formal para a aplicação através do
processo (instrumento) do Direito Penal .

4. Direito Processual Penal

 Renato Brasileiro: Em sentido amplo, o processo são atos que se desenvolvem


direcionados a uma finalidade conclusiva; em sentido restrito é um instrumento por
meio do qual o Estado exerce a jurisdição, o autor o direito de ação e o acusado o
direito de defesa;
 instrumento que determina como será o exercício do Poder do Estado na
averiguação dos fatos e aplicação das respectivas sanções;
 garantia ao réu e sociedade de que só haverá punição após oferecimento da
oportunidade de defesa e havendo comprovada culpa do réu;

Binômio: Jus Puniendi (Estado) x Jus Libertatis (acusado).

Finalidade do processo: descobrir a verdade e aplicar a sanção

formação da relação processual - procedimentos

Características:
a) Autonomia: o direito processual não é submisso ao direito material - possui princípios e
regras próprias e especiais;
b) Instrumentalidade: é o meio para fazer atuar o direito material penal, informando o
caminho a ser seguido para a obtenção de um processo jurisdicional válido;
c) Normatividade: disciplina normativa - CPP - Decreto Lei 3689/41.
SISTEMAS PROCESSUAIS

 Doutrina: 3 sistemas de acordo com a distribuição da titularidade de julgar, acusar


ou defender.

1) Sistema Inquisitivo ou Inquisitorial


 adotado pelo Direito Canônico (século XIII) e propagou-se pela Europa até o século
XVIII;
 a figura do acusador, defensor e julgador numa única pessoa = juiz inquisidor;
 não há contraditório e ampla defesa;
 comprometimento da imparcialidade;
 acusado permanecia preso e incomunicável (poderia ser torturado);
 juiz determinava produção de provas de ofício;
 acusado como objeto do processo = não possuía direitos;
 procedimento escrito e sigiloso/secreto;
 a culpa era presumida.

2) Sistema Acusatório
 separação de funções de acusação, defesa e julgamento – partes distintas;
 existência do contraditório, ampla defesa e imparcialidade do órgão julgador;
 igualdade entre acusador e defensor para a produção de provas etc.;
 oralidade e publicidade;
 aplicação do princípio da presunção de inocência;
 regra: acusado solto durante o processo;
 juiz não pode determinar produção de provas de ofício = atividade probatória das
partes;
o Pacote Anticrime = Não prisão de ofício – só com pedido do MP,
delegado.
 juiz deve garantir as regras processuais;
 esse sistema vigorou durante a Antiguidade Grega e Romana, na Idade Média, e
perdeu forças no século XVIII para o sistema inquisitivo;
 o processo penal inglês é o sistema mais próximo do acusatório hoje em dia.

3) Sistema Misto ou Francês


 Mudanças no direito introduzidas por Napoleão – 1808 (Code d’Instruction
Criminelle);
 Fusão dos dois modelos anteriores ;
 Desdobra-se em duas fases:
o 1ª fase: inquisitiva - preliminar, escrita e sigilosa, sem acusação e sem
contraditório = apuração da materialidade e autoria do fato delituoso;
o 2ª fase: acusatória - aplicação dos Princípios do Devido Processo Legal,
Contraditório e Ampla Defesa = o órgão acusador apresenta a acusação, o
réu irá se defender e o juiz julgará, prevalecendo a oralidade e a publicidade.

Sistema Processual Brasileiro


1ª Corrente:
- Hélio Tornaghi, Nucci - Sistema Misto
- 1ª fase: Inquérito Policial (inquisitivo, sigiloso, não contraditório)
- 2ª fase: Início ação penal com a denúncia ou queixa + a instauração da relação
processual (vigoram os princípios constitucionais entre as partes)

2ª Corrente:
- Mirabette, Tourinho (corrente majoritária)
- a fase investigatória, inquisitiva não é propriamente processual, possui apenas um
caráter administrativo
- o processo desenvolve-se inteiramente no sistema acusatório, respeitando os Princípios
do Contraditório e Ampla Defesa.

 Artigo 129, inciso I, CF = adoção do sistema acusatório = compete ao MP a


propositura da ação penal pública, ou seja, o Judiciário deve ser provocado, e o juiz
não pode promover atos de ofício na fase investigatória (MP e autoridade policial)

Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na
fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de
acusação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

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