Resumo sobre Colecistite e Colangite Aguda
Resumo sobre Colecistite e Colangite Aguda
INTRODUÇÃO:
PROF. RENATHA
PAIVA
Meu querido Aluno, neste resumo estão os principais
pontos que são cobrados sobre colecistite aguda e colangite
aguda. Preparei esse material para você dar aquela última
“revisada” antes da prova. Lembrando que é um resumo e que,
se você quiser se aprofundar no assunto, ou se surgir alguma
dúvida, nosso livro texto está bem completo e detalhado
@[Link]
/estrategiamed [Link]/estrategiamed
Estratégia
MED
CIRURGIA Abdome agudo inflamatório- Colecistite e Colangite Aguda Estratégia
MED
SUMÁRIO
COLECISTITE AGUDA 5
1.0 INTRODUÇÃO 5
2.0 EPIDEMIOLOGIA 5
3.0 FISIOPATOLOGIA 6
4.0 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E EXAME FÍSICO 7
5.0 EXAMES COMPLEMENTARES 9
5.1 EXAMES LABORATORIAIS 9
5.3 ULTRASSONOGRAFIA 9
5.4 CINTILOGRAFIA 10
5.5 TOMOGRAFIA 11
6.0 COMPLICAÇÕES 13
6.1 COLECISTITE GANGRENOSA 13
6.2 PERFURAÇÃO 13
COLANGITE AGUDA 27
11.0 INTRODUÇÃO 27
12.0 EPIDEMIOLOGIA 27
13.0 FISIOPATOLOGIA 27
14.0 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E EXAME FÍSICO 28
15.0 EXAMES COMPLEMENTARES 29
15.1 EXAMES LABORATORIAIS 29
COLECISTITE AGUDA
CAPÍTULO
1.0 INTRODUÇÃO
Colecistite crônica: infiltração celular inflamatória crônica direito, febre e leucocitose associada à inflamação da vesícula biliar.
da vesícula biliar, observada na histopatologia. Desenvolve-se Na maioria dos casos (90%), a colecistite aguda desenvolve-se em
após repetidos episódios de cólica biliar, que causam inflamação e pacientes com histórico de cálculos biliares sintomáticos, enquanto
estenose no colo vesical e no ducto cístico, levando a uma fibrose e a colecistite acalculosa é responsável por cerca de 5% a 10% dos
espessamento da vesícula biliar. A apresentação clínica é de cólica casos.
biliar, dor em epigástrio ou hipocôndrio direito, que pode irradiar A diferenciação entre cólica biliar e colecistite aguda é o
para a escápula, causada pela obstrução temporária do ducto bloqueio não resolvido do ducto cístico. Na cólica biliar, a obstrução
cístico e tende a ocorrer após as refeições, principalmente as ricas é temporária e, na colecistite é constante, gerando o processo
em lipídios. inflamatório.
Colecistite aguda: síndrome de dor no quadrante superior
CAPÍTULO
2.0 EPIDEMIOLOGIA
Colecistite aguda = complicação mais comum da colelitíase (6% a 11% dos pacientes sintomáticos).
As mulheres são as mais acometidas, com relação de 3:1, mas essa diferença diminui a partir dos 50 anos. Já a colecistite aguda
alitiásica é mais frequente em homens.
Vamos relembrar os principais fatores de risco para a colelitíase! Lembre-se do mnemônico dos 4 Fs, do inglês:
• Sexo feminino (Female)
• Idade > 40 anos (Forty)
• Obesidade/dislipidemia (Fat)
• Gravidez/multiparidade (Fertility)
A colecistite aguda é a segunda causa mais frequente de abdome agudo, não obstétrico, na gravidez. Apenas recordando: a primeira
causa é a apendicite aguda. E, nos idosos, é indicação de cirurgia de urgência mais frequente.
CAPÍTULO
3.0 FISIOPATOLOGIA
Inflamação da
Lecitina (bile) Foslipase A2 Lisolecitina =
vesícula biliar
A infecção da bile “estagnada” é considerada um fenômeno secundário e nem sempre ocorre. Por isso, no início do quadro, a inflamação
da colecistite é dita “estéril”. As principais bactérias isoladas foram Escherichia coli (41%), Enterococcus (12%), Klebsiella (11%) e Enterobacter
(9 %) e anaeróbios (ex: Bacterioides fragilis).
CAPÍTULO
Ao exame físico, pode haver febre, taquicardia, hipersensibilidade à palpação e defesa no quadrante superior direito. O sinal mais
importante no exame físico, e que SEMPRE CAI EM PROVA, é o “SINAL DE MURPHY”, que consiste na interrupção abrupta da inspiração
durante a palpação profunda do rebordo costal direito, ou ponto cístico. Esse sinal tem alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico
de colecistite aguda.
COLECISTITE AGUDA
Sinal de Murphy: interrupção abrupta da inspiração profun-
da por dor à palpação do hipocôndrio direito.
COLECISTITE CLÁSSICA
✓ Dor em hipocôndrio direito constante, geralmente após ingesta alimentar
✓ Náuseas e vômitos
✓ Febre baixa
✓ Sinal de Murphy positivo
✓ Leucocitose
Em casos mais avançados, como na necrose e perfuração da vesícula, os pacientes podem apresentar sinais de sepse, peritonite
generalizada, crepitação da parede abdominal (colecistite enfisematosa) e até uma obstrução intestinal (íleo biliar).
CAPÍTULO
SEMPRE é necessário exame de imagem para confirmação diagnóstica através de sinais radiológicos típicos da colecistite aguda, como
o espessamento ou edema da parede da vesícula biliar.
5.3 ULTRASSONOGRAFIA
Na maioria dos casos, o diagnóstico da colecistite aguda é estabelecido com uma ultrassonografia abdominal. Tem sensibilidade e
especificidade de 85% e 95%, respectivamente. Devido a sua baixa invasividade, ampla disponibilidade, facilidade de uso e relação custo-
benefício, a ultrassonografia é recomendada como o método de imagem de primeira escolha para o diagnóstico de colecistite aguda. Além
de detectar a presença de cálculos biliares, pode apresentar os seguintes sinais:
Fonte: prova de acesso direto SUPREMA MG 2020 Fonte: prova de acesso direto HCG 2018
5.4 CINTILOGRAFIA
A cintilografia é considerado o exame de imagem PADRÃO- dentro de 30 a 60 minutos. Se a vesícula não for visualizada, pode-
OURO na investigação quando a ultrassonografia é duvidosa. se obter imagens tardias, após 3 a 4 horas, ou aplicar morfina, que
Tem sensibilidade e especificidade para colecistite aguda de determina a contração do esfíncter de Oddi, com consequente
aproximadamente 90% a 97% e 71% a 90 %, respectivamente, e refluxo da bile através do colédoco. Se a vesícula biliar for preenchida
é mais confiável em pacientes não ictéricos, com BT < 5 mg/dL. É após 30 minutos da aplicação da morfina, afasta o diagnóstico de
realizada com a injeção intravenosa do ácido iminodiacético (HIDA) colecistite aguda.
marcado com tecnécio 99m, que é absorvido seletivamente pelos Apesar da melhor acurácia em relação ao ultrassom, tem
hepatócitos e excretado na bile. Geralmente, a visualização do como desvantagens: o alto custo; ser um exame demorado; e não
contraste no ducto biliar comum, na vesícula e no duodeno, ocorre estar disponível na maioria das instituições.
5.5 TOMOGRAFIA
A tomografia computadorizada abdominal não é (perfuração), empiema de vesícula, abscesso hepático, colecistite
rotineiramente necessária para diagnosticar colecistite aguda. enfisematosa ou obstrução intestinal (íleo biliar). Mas lembre-se
Geralmente, é solicitada para descartar complicações de que a tomografia é menos sensível que a ultrassonografia para
colecistite aguda em pacientes com sepse, ou seja, necrose ou o diagnóstico de colecistite aguda. Tem a vantagem de descartar
gangrena da parede vesicular (mais comum), abscesso perivesicular outras patologias, mas pode falhar na detecção de cálculos biliares,
(perfuração bloqueada), peritonite generalizada com coleperitônio pois muitas pedras são isodensas com a bile (cálculos de colesterol).
ACHADOS TOMOGRÁFICOS QUE PODEM SER ENCONTRADOS NOS QUADROS DE COLECISTITE AGUDA
✓ edema e espessamento de parede vesicular;
✓ realce da parede da vesícula;
✓ vesícula biliar túrgida, distendida;
✓ cálculo impactado no infundíbulo;
✓ líquido perivesicular ou livre na cavidade (coleperitônio);
✓ bile de alta atenuação;
✓ a presença de interface gás-bile, ou presença de ar em parede vesicular sugere que a bactéria relacionada seja do
gênero Clostridium, indicativa de colecistite enfisematosa;
✓ perdas de contornos da vesícula biliar e realce heterogêneo do parênquima hepático.
Fonte: acervo pessoal Dra. Renatha Paiva Fonte: prova acesso direto SUPREMA MG 2020
Assim como a tomografia, estaria indicada quando o diagnóstico definitivo não é dado pela ultrassonografia e na suspeita de
complicações. Como desvantagem, apresenta o alto custo e disponibilidade limitada na maioria dos serviços.
CAPÍTULO
6.0 COMPLICAÇÕES
A colecistite aguda pode apresentar uma série de complicações, algumas exigem tratamento cirúrgico de urgência, por isso é importante
saber diagnosticá-las. Complicações como gangrena de parede, perfuração e colecistite enfisematosa são mais comuns na colecistite aguda
alitiásica.
6.2 PERFURAÇÃO
É uma evolução da necrose da parede e ocorre, principalmente, no fundo da vesícula. Pode haver formação de abscesso perivesicular
ou, se a perfuração for livre para a cavidade, coleperitônio com peritonite difusa, o que aumenta as taxas de mortalidade. A presença de
coleperitônio exige tratamento cirúrgico de urgência (colecistectomia).
Ocorre por disseminação direta da infecção biliar (colecistite, colangite), que está presente em 40% a 60% dos casos de abscesso
hepático. As manifestações clínicas típicas do abscesso hepático são febre, presente em 90% dos casos, e dor abdominal. Ultrassom e
tomografia computadorizada são os exames de imagem normalmente usados para identificação de abscesso hepático. O tratamento
consiste em antibioticoterapia e drenagem do abscesso hepático, cirurgicamente (aberto ou laparoscópico), por via percutânea ou via
colangiopancreatografia endoscópica retrógrada.
Colecistite enfisematosa.
de interface gás-bile, ou ar na parede vesicular.
Fonte: acervo pessoal Dra. Renatha Paiva
O termo “empiema” significa que o conteúdo vesicular é purulento. Normalmente, o paciente apresenta febre, além de massa palpável
e dolorosa no hipocôndrio direito.
A fístula colecistoentérica complica 2% a 3% de todos os casos de litíase na vesícula biliar. Resulta da perfuração da vesícula biliar
diretamente na luz intestinal. A maioria das fístulas são colecistoduodenais e aproximadamente 15% são colecistocolônicas (mais na flexão
hepática).
O íleo biliar é uma complicação rara de litíase vesicular que próximo à válvula ileocecal, causando um quadro de obstrução
ocorre com uma frequência de 0,3% a 0,5% dos casos e 2% a 3% na intestinal alta, com dor e distensão abdominal associadas a vômitos
presença de colecistite aguda. Acomete, principalmente, pacientes biliosos. Apesar do termo “íleo biliar”, o bloqueio mecânico pode
do sexo feminino e idosos. Pode apresentar a síndrome de Mirizzi acometer qualquer parte do intestino, sendo o mais comum o íleo
coexistente. distal, uma vez que este afunila antes de entrar no ceco.
O íleo biliar caracteriza-se pela impactação de um Raramente, o cálculo biliar é impactado dentro do canal
ou mais cálculos no intestino. Decorre da passagem de um pilórico ou duodeno, causando obstrução da saída gástrica
cálculo, geralmente maior que 2,5 cm, através de uma fístula (síndrome de Bouveret). Os sintomas apresentados são início
colecistoduodenal, que geralmente se impacta no íleo terminal, abrupto de dor epigástrica, náuseas e vômitos.
O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, sendo a tomografia o exame de escolha. Os principais achados incluem:
O tratamento do íleo biliar é cirúrgico de urgência: laparotomia com enterotomia, retirada do cálculo e enterorrafia. Se houver isquemia
ou perfuração do segmento intestinal, é necessária sua ressecção.
A colecistectomia e fechamento da fístula podem ser realizados em um único tempo cirúrgico se o paciente apresentar condições
clínicas favoráveis (ASA I ou II). Já os pacientes graves, de alto risco (ASA III, IV ou V), podem ter o procedimento biliar adiado ou mesmo não
realizado, uma vez que é possível fechamento espontâneo da fístula, principalmente se o ducto cístico estiver patente, ficando reservada a
colecistectomia para sintomas recorrentes.
Na presença da síndrome de Bouveret isolada, em que o cálculo está impactado no piloro ou no duodeno, o procedimento de escolha
é a litotripsia endoscópica do cálculo.
ÍLEO BILIAR
✓ Mulheres e idosos.
✓ Colelitíase, fístula bilioentérica e obstrução intestinal.
✓ Local mais comum da obstrução: íleo terminal.
✓ Tríade de Riegler (radiografia de abdome): obstrução de delgado, cálculos biliares ectópicos e pneumobilia.
✓ Diagnóstico: geralmente por tomografia (obstrução intestinal alta, cálculo > 2,5 cm no íleo terminal, PNEUMOBILIA).
✓ Tratamento: laparotomia e enterotomia.
✓ Pacientes de baixo risco: acrescentar procedimento íleo-biliar (colecistectomia e fechamento da fístula).
A síndrome de Mirizzi é definida como obstrução do ducto hepático comum, causada por compressão extrínseca de um cálculo
impactado no ducto cístico ou no infundíbulo da vesícula biliar. Pacientes com síndrome de Mirizzi podem apresentar icterícia, febre e dor no
quadrante superior direito.
CAPÍTULO
Nas Diretrizes de Tokyo são estabelecidos critérios diagnósticos e classificação da gravidade da colecistite e colangite aguda, bem como
a conduta terapêutica.
Os critérios de diagnóstico do TG18 para colecistite aguda constituem a combinação de achados clínicos, laboratoriais e de imagem
para diagnóstico. Repare que, para o diagnóstico definitivo, SEMPRE é necessário um exame de imagem.
A classificação da gravidade da colecistite aguda em grau I (leve), grau II (moderado) e grau III (grave) é considerada fator preditivo
de mortalidade na admissão. Pacientes com classificação grave apresentam maior tempo de internação hospitalar, maior conversão da
laparoscopia para cirurgia aberta, complicações pós-operatórias e mortalidade.
CAPÍTULO
8.0 TRATAMENTO
A base do tratamento da colecistite aguda é a COLECISTECTOMIA, preferencialmente por via laparoscópica, e o momento da cirurgia
depende da gravidade dos sintomas e do risco cirúrgico do paciente. Além da cirurgia, é primordial os cuidados de suporte com jejum oral,
hidratação intravenosa, correção de distúrbios eletrolíticos, analgesia e antibióticos.
Colecistectomia aberta (incisão de Kocher) – necrose da parede Colecistectomia laparoscópica. Fonte: Shutterstock
vesicular. Fonte: Shutterstock
VISÃO CRÍTICA DA SEGURANÇA: é importante na colecistectomia laparoscópica, e consiste na exposição adequada do trígono de
Calot, por meio da tração cranial do fundo da vesícula e ínfero-lateral direita do infundíbulo, dissecando e deixando o trígono livre de todos
os tecidos, exceto o ducto cístico e a artéria, que devem ser identificadas antes da secção.
CAPÍTULO
Geralmente, o diagnóstico é confirmado pela ultrassonografia, que pode ser realizada na beira do leito, já que a maioria dos pacientes
está em estado crítico. Apresenta alterações semelhantes às da colecistite aguda litiásica, com ausência de cálculos biliares.
O tratamento é semelhante ao da colecistite aguda alitiásica:
• Medidas de suporte: jejum, hidratação, correção hidroeletrolítica, controle da dor e antibioticoterapia de largo espectro (colher
hemocultura antes).
• BAIXO RISCO CIRÚRGICO E ANESTÉSICO (ASA ≤ 2): colecistectomia VLP.
• ALTO RISCO CIRÚRGICO E ANESTÉSICO (ASA ≥ 3), INSTÁVEIS: COLECISTOSTOMIA (drenagem percutânea da vesícula biliar guiada
por exame de imagem). Aproximadamente 90% dos pacientes melhoram com a drenagem. O dreno pode ser retirado após resolução da
colecistite e drenagem mínima (< 10 ml, geralmente, após 4 a 6 semanas). Como a recorrência é baixa, não está indicada colecistectomia
posteriormente.
CAPÍTULO
COLANGITE AGUDA
CAPÍTULO
11.0 INTRODUÇÃO
A colangite aguda ou colangite ascendente é uma síndrome clínica, caracterizada por febre, icterícia e dor abdominal que se desenvolve
como resultado de obstrução, estase e infecção no trato biliar.
CAPÍTULO
12.0 EPIDEMIOLOGIA
Causas mais frequentes de obstrução biliar:
✓ Cálculos biliares (28% a 70%)
✓ Estenose biliar benigna (5% a 28%)
✓ Malignidade (10% a 57%)
CAPÍTULO
13.0 FISIOPATOLOGIA
OBSTRUÇÃO BILIAR
A colangite aguda é causada principalmente por infecção
bacteriana em um paciente com obstrução biliar. Os organismos
geralmente ascendem do duodeno quando os mecanismos de
barreira à entrada de bactérias no sistema biliar são rompidos.
Outro fator importante: aumento da pressão intraluminal.
Pressões entre 18 cmH2O e 29 cmH2O causam fluxo biliar
retrógrado, permitindo que a bile infectada atinja o sistema venoso
e linfático e deflagre a bacteremia. Pressão normal: 10 a 14 cmH2O.
De um modo geral, a flora bacteriana na colangite aguda é polimicrobiana. A E. coli é a principal bactéria Gram negativa isolada (25% a
50%), seguida pela Klebsiella (15% a 20%) e Enterobacter (5% a 10%). Entre as Gram positivas, a mais comuns são as espécies de Enterococcus
(10% a 20%). Bacilos gram-negativos (Pseudomonas) e anaeróbios, como Bacteroides e Clostridium, também podem estar presentes como
parte de uma infecção mista.
CAPÍTULO
TRÍADE DE CHARCOT: dor abdominal, febre e icterícia (presente em 50% a 75% dos casos). A dor abdominal não apresenta sinais de
peritonite.
PÊNTADE DE REYNOLDS: dor abdominal, febre, icterícia, hipotensão e alteração do sensório (sonolência, confusão mental, torpor). Presente
na colangite aguda grave.
FEBRE ICTERÍCIA
FEBRE ICTERÍCIA
HIPOTENSÃO ALTERAÇÃO
(Disfunção hemodinâmica)
DA CONSCIÊNCIA
(Disfunção neurológica)
CAPÍTULO
Para o diagnóstico definitivo de colangite aguda, é necessário, obrigatoriamente, exame de imagem que demonstre dilatação da via
biliar ou até mesmo o fator obstrutivo.
ULTRASSONOGRAFIA
Na ultrassonografia, as alterações mais importantes incluem a dilatação biliar
e visualização de cálculos no ducto biliar. Geralmente, consideramos um colédoco
dilatado a partir de 6 mm.
TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA
A tomografia tem alta sensibilidade para identificar a
dilatação do ducto biliar e pode identificar estenose biliar (por
exemplo, carcinoma biliar, câncer de pâncreas ou colangite
esclerosante), mas tem baixa sensibilidade para cálculos do ducto
biliar. É útil no diagnóstico de complicações locais, como abscesso
hepático ou trombose da veia porta. Em alguns casos mais graves, é
possível ver a presença de aerobilia por produção de gás bacteriano
dentro da árvore biliar obstruída.
Colédoco dilatado.
Fonte: prova de acesso direto SES PE 2020.
COLANGIORESSONÂNCIA (CRNM)
A colangiorressonância pode delinear claramente o ducto biliar sem o uso de contraste e POSSUI MAIOR PRECISÃO DIAGNÓSTICA
NA IDENTIFICAÇÃO DA CAUSA DA OBSTRUÇÃO BILIAR quando comparada à TC e à ultrassonografia. É, geralmente, solicitada quando a
ultrassonografia ou a tomografia computadorizada não fecham o diagnóstico. É um exame que oferece excelente acurácia diagnóstica, com
sensibilidade e especificidade de 87% e 92%, respectivamente, mas tem baixa disponibilidade na maioria dos serviços e não possibilita o
tratamento como a CPRE.
CAPÍTULO
Os critérios de classificação de gravidade do TG18 para a colangite aguda são importantes para prever o prognóstico e determinar
uma estratégia de tratamento, especialmente para identificar pacientes que necessitam de drenagem precoce da via biliar. As taxas de
mortalidade para pacientes com colangite aguda grave é de aproximadamente 20% a 30%.
CAPÍTULO
17.0 TRATAMENTO
O tratamento da colangite aguda baseia-se em:
✓ Medidas de suporte: jejum, hidratação intravenosa, correção de distúrbios eletrolíticos e controle da dor.
✓ Antibioticoterapia endovenosa: cobrir bactérias Gram negativas, positivas e anaeróbios.
✓ Drenagem da via biliar.
É comum cair em prova um caso clínico de colangite aguda e questionar sobre o tratamento, que quase sempre envolve drenagem da
via biliar urgente.
A drenagem da via biliar é primordial nos pacientes com colangite aguda. As vias de drenagem mais utilizadas são a endoscópica (CPRE),
transparieto-hepática e a via cirúrgica. Vamos falar um pouco de cada uma.
CPRE: extração de cálculo impactado no colédoco distal. Fonte: acervo pessoal Dra. Renatha Paiva.
DRENAGEM CIRÚRGICA
A drenagem cirúrgica da via biliar pode ser feita por via aberta ou laparoscópica, mas é reservada para pacientes em que outros
métodos de drenagem biliar (CPRE, DTPH) não podem ser realizados ou falharam.
Por tratar-se de pacientes geralmente graves, a técnica mais realizada é a coledocotomia e colocação de um tubo T (dreno de Kehr).
Em pacientes hemodinamicamente estáveis, uma colecistectomia e a retirada do cálculo obstrutivo podem ser realizadas ao mesmo tempo.
HEPATODUODENOANASTOMOSE HEPATOJEJUNOANASTOMOSE
Segundo as diretrizes de Tokyo 2018, o momento da drenagem biliar depende da gravidade da doença.
Colangite grau I (leve): na maioria dos casos, o tratamento inicial incluindo antibióticos é suficiente e a maioria dos pacientes
não necessita de drenagem biliar. No entanto, a drenagem biliar deve ser considerada se um paciente não responder ao tratamento
inicial nas 24 horas iniciais.
Colangite grau II (moderada): é indicada uma drenagem biliar endoscópica (CPRE) ou percutânea trans-hepática precoce.
Colangite grau III (grave - supurativa): é indicada uma drenagem biliar endoscópica (CPRE) ou percutânea trans-hepática
URGENTE (dentro de 24 horas). Melhorar a condição do paciente com tratamento inicial e controle respiratório/circulatório para a
drenagem.
Se for necessário tratamento para a etiologia subjacente, deve ser realizado após resolução da colangite aguda e melhora do
estado geral do paciente.
A CPRE pode ser efetiva para extração dos cálculos, podendo evitar um procedimento aberto inicial, mas cerca de 50% dos pacientes
podem ter recidiva se não tratados também com colecistectomia. Esta deve ser realizada, preferencialmente, na mesma internação hospitalar.
Posteriormente à resolução da colangite, as opções cirúrgicas para pacientes com obstrução biliar maligna incluem: ressecção (por
exemplo, ressecção de Whipple ou ducto biliar), derivação biliodigestiva e drenagem do ducto com stent biliar.
Cálculos biliares: colecistectomia eletiva, preferencialmente na mesma internação, após a resolução da colangite, para evitar
recorrência.
Estenose biliar benigna, lesão iatrogênica do ducto biliar: terapia endoscópica ou reparo cirúrgico.
Estenoses maligna: ressecção, biliodigestiva e colocação de stent.
[Link]
CAPÍTULO
CAPÍTULO