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Indicações de Cervicotomia em Trauma

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T R A U M A D E FA C E E C E R V I C A L

P R O F. R E N AT H A P A I V A

SETEMBRO DE 2021
CIRURGIA Prof. Renatha Paiva | Trauma de Face e Cervical 2

APRESENTAÇÃO:

PROF.
RENATHA PAIVA
Meu querido aluno, veja no gráfico a seguir que questões
sobre trauma facial e cervical não são muito frequentes, mas
podem garantir aquele ponto para sua aprovação! O que
costuma ser cobrado nas provas são as indicações de via
aérea definitiva e de cervicotomia exploradora nas vítimas
de traumatismo de face e cervical. Então, neste resumo só
coloquei os pontos mais importantes que já caíram em prova.
Se persistir alguma dúvida, lembre-se de que você pode
consultar nosso livro texto, que é mais completo.

@[Link]

Estratégia MED /estrategiamed

@estrategiamed [Link]/estrategiamed

Estratégia
MED
CIRURGIA Prof. Renatha Paiva | Trauma de Face e Cervical 3

TRAUMA

4% 4%
7%

10%

29%
20%

26%

Trauma adominal e pélvico Trauma ortopédico

Trauma torácico TCE

Atendimento inicial Trauma face /cervical

Outros

Estratégia
MED
CIRURGIA Trauma de Face e Cervical Estratégia
MED

SUMÁRIO

1.0 TRAUMA DE FACE 5


1.1 INTRODUÇÃO 5

1.2 PRINCIPAIS FRATURAS DE FACE 5

1.2.1 FRATURA NASAL 5

1.2.2 FRATURA DE ZIGOMÁTICO 6

1.2.3 FRATURA DE ÓRBITA 7

1.2.4 FRATURA DE MANDÍBULA 7

1.2.5 FRATURA FRONTAL 8

1.2.6 LE FORT 8

2.0 TRAUMA CERVICAL 9


2.1. INTRODUÇÃO 9

2.2 ANATOMIA 10

2.3 QUADRO CLÍNICO E EXAME FÍSICO 11

2.4 TRATAMENTO 11
2.4.1 TRATAMENTO CIRÚRGICO 13

2.4.2 EXAMES COMPLEMENTARES 15

3.0 LISTA DE QUESTÕES 17


4.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 18
5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 19

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CAPÍTULO

1.0 TRAUMA DE FACE


1.1 INTRODUÇÃO
No atendimento inicial a um paciente vítima de trauma de face, a prioridade absoluta é a permeabilidade das vias aéreas. A maioria
das questões que envolvem trauma facial é sobre a necessidade de uma via aérea definitiva na presença de fraturas faciais complexas, nas
quais pode haver obstrução da via aérea por dentes, fragmentos ósseos, ou sangramento ativo de difícil aspiração, prejudicando a visualização
das cordas vocais e não sendo possível a intubação orotraqueal segura. Nesses casos, há necessidade de uma via aérea cirúrgica, tema que
você já deve ter visto no livro Atendimento Inicial ao Trauma. Dessa forma, vamos focar apenas nas principais fraturas de face que costumam
aparecer nas provas de Residência.

1.2 PRINCIPAIS FRATURAS DE FACE


Como as fraturas de face geralmente são tratadas pela as fraturas com afundamento que podem afetar o cérebro, que
bucomaxilofacial, uma especialidade da odontologia, esse tema necessitam de redução urgente. Apesar de não haver indicação de
não é frequente nos concursos de Residência Médica. Então, vou cirurgia imediata na maioria das fraturas de face, não devemos
colocar aqui apenas o que já caiu nas provas. adiar o tratamento definitivo por muito tempo, pelo risco de
deformidade estética.
O exame de escolha para avaliação das fraturas de face é
a tomografia computadorizada, que pode ser feita sem o uso de
São sinais objetivos (de certeza) de fratura de face:
contraste. Mas, só deve ser realizada após lesões que colocam a
vida em risco terem sido avaliadas. ✓ Mobilidade
Em geral, o tratamento das fraturas faciais pode ser adiado ✓ Crepitação
até que outras lesões mais graves sejam tratadas. A maioria tem o ✓ Deformidade
tratamento definitivo após a diminuição do edema. Exceções são ✓ Assimetria
✓ Imagem radiográfica

Alguns pontos importantes sobre fraturas faciais que costumam aparecer nas provas:

1.2.1 FRATURA NASAL


A fratura nasal é a mais comum no trauma facial. Os
sintomas mais frequentes são:
✓ Equimose palpebral
✓ Edema e congestão nasal
✓ Desvio ou afundamento do dorso nasal
✓ Crepitação à palpação
✓ Epistaxe
Podemos encontrar também diplopia, telecanto*
(ambos secundários à fratura naso-órbito-etmoidal), anosmia,
anormalidades visuais e tontura. Idealmente, as fraturas nasais
isoladas e não complicadas, avaliadas dentro de seis horas
após a lesão, são reduzidas imediatamente. No entanto, alguns
otorrinolaringologistas preferem esperar de três a sete dias, quando
a regressão do edema evidencia melhor os parâmetros anatômicos,
mas isso não é consenso. Apesar de não ser uma urgência, não
devemos postergar a cirurgia para evitarmos deformidades
permanentes. Quanto antes operarmos, melhor!
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*O termo “telecanto” significa o aumento da distância intercantal e sugere a presença de uma fratura naso-órbito-etmoidal com lesão
no ligamento cantal medial e/ou aparelho lacrimal. Fraturas da lâmina cribriforme do etmoide frequentemente são causa de fístula liquórica
e pneumoencéfalo, além de favorecerem meningite bacteriana.

1.2.2 FRATURA DE ZIGOMÁTICO


Fratura frequente no trauma facial, que pode passar desapercebida e resultar em danos estéticos e problemas funcionais se não
tratada adequadamente. Sinais e sintomas da fratura do zigomático:

✓ Hemorragia subconjuntival e equimose periorbital;


✓ Distúrbio da sensação na região do nervo infraorbital;
✓ Degraus palpáveis no sulco superolateral da órbita, inferior da órbita e vestibular superior;
✓ Enfisema dentro da órbita ou tecidos moles sobrejacentes da bochecha;
✓ Trismo (limitação da abertura da boca);
✓ Má posição do globo e/ou diplopia.

É comum a associação com fratura de órbita e apresentação de sintomas oculares como diplopia, enoftalmia e distúrbios de mobilidade
do globo ocular (dificuldade de movimentação do globo ocular para cima) devido ao edema local, comprometimento neural (nervo
infraorbitário) e da musculatura extrínseca da órbita (músculo reto inferior), que fica “presa” no sítio da fratura. A estrutura neurovascular
mais frequentemente acometida nas fraturas de zigoma é o nervo infraorbitário.

ANATOMIA DA ÓRBITA

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1.2.3 FRATURA DE ÓRBITA


O quadro clínico da fratura de órbita geralmente apresentada é dor, edema e equimose periorbitária. As fraturas orbitais podem causar
enoftalmia (olho afundado devido à fratura do assoalho orbital), aprisionamento muscular extraocular com distopia orbital (incapacidade de
mover o olho adequadamente), dormência em hemiface por aprisionamento do nervo infraorbitário ou exoftalmia, por hematoma retrobulbar.
As paredes medial e inferior (assoalho) da órbita são as mais delgadas, motivo pelo qual são os locais mais comuns de fraturas de órbita.
A parede medial é considerada a mais frágil. A parede lateral, formada pelo processo frontal do zigomático e pela asa maior do esfenoide e
parte do osso frontal, é a mais forte e mais espessa, o que é importante porque é mais exposta e vulnerável ao traumatismo direto.

A parede lateral da órbita é a mais forte e a medial é a mais frágil.

1.2.4 FRATURA DE MANDÍBULA


A mandíbula é o único osso móvel da face e tem importante função na mastigação, deglutição, fonação e estética facial. Devido a
sua topografia, anatomia e projeção anterior corporal, é um osso muito exposto, fazendo com que a fratura mandibular seja frequente nos
traumas faciais (a segunda mais frequente, segundo a maioria dos autores). O tratamento mais empregado consiste na redução e fixação dos
fragmentos ósseos, que devem ser instituídas o mais precocemente possível, tão logo quanto as condições gerais do paciente permitirem,
evitando danos estéticos permanentes.

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1.2.5 FRATURA FRONTAL


O osso frontal é o menos acometido no trauma facial por ser mais resistente. As fraturas do terço superior da face são mais raras,
já que o rebordo supraorbitário tem maior resistência. Dessa forma, ocorrem em traumas de maior impacto, geralmente com traumatismo
cranioencefálico associado, por isso são consideradas mais graves. Para redução de fratura do terço superior, que geralmente envolve o osso
frontal, a incisão cirúrgica mais utilizada é a bicoronal, que expõe as regiões frontal, nasal, orbital e zigomática da face. Além do amplo acesso,
a cicatriz cirúrgica é discreta.

1.2.6 LE FORT
É importante conhecer a classificação de fraturas da face média, conhecida como “Le Fort”. Elas consistem em três variações de
disjunção entre a face média e os ossos faciais circundantes.

Le Fort I: envolvem uma fratura transversal através da maxila


acima das raízes dos dentes. Também conhecidas como fraturas
de Guérin ou disjunções dentoalveolares ou fraturas transversas.
Separam os processos alveolares, os dentes e o palato do resto do
crânio. As lesões podem ser unilaterais ou bilaterais. O segmento
mobilizado é o infranasal, e geralmente há edema, epistaxe e
equimose no sulco gengivobucal superior.

Le Fort II: são fraturas tipicamente bilaterais e envolvem


fraturas que se estendem superiormente na face média para incluir
o osso nasal, a maxila, os ossos lacrimais e o assoalho orbital. As
linhas de fratura têm o formato de uma pirâmide, por isso também
são conhecidas como fraturas piramidais. A linha de fratura é
supranasal e separa os ossos nasal e maxilar do osso frontal e da
órbita.

Le Fort III: nelas, ocorre uma disjunção craniofacial. Envolve


fraturas que resultam em descontinuidade entre o crânio e a face
(fraturas naso-órbito-etmoidal, do zigomático e da maxila). Intranasalmente, elas estendem-se por todos os ossos inferiores até a base do
esfenoide e são frequentemente associadas a um vazamento de líquido cefalorraquidiano (LCR).

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CAPÍTULO

2.0 TRAUMA CERVICAL


2.1. INTRODUÇÃO

O pescoço é uma região muito nobre por abrigar estruturas vitais como os vasos cervicais (veia jugular interna, artéria carótida e seus
ramos), além da via aerodigestiva (esôfago, laringe e traqueia), os nervos cranianos e a coluna cervical, que, quando lesadas, habitualmente
exigem reparo imediato.

As lesões penetrantes são o mecanismo de trauma mais comum de lesão cervical. E é justamente isso que
costuma ser cobrado em prova, as condutas diante de traumas cervicais penetrantes, ou seja, ferimentos por arma
de fogo ou por arma branca. Logo, esse será o foco de nosso resumo.

É considerado ferimento cervical penetrante quando há ultrapassagem do músculo platisma, um músculo


delgado, superficial, localizado abaixo do subcutâneo e que ocupa grande parte da região cervical anterior e lateral.
Estende-se da clavícula à mandíbula.

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2.2 ANATOMIA
Antes de definirmos se há ou não indicação de exploração cirúrgica diante de um ferimento penetrante cervical, é primordial você
aprender a localização das zonas cervicais, importante na definição da conduta. São três zonas:

Zona I: abaixo da cartilagem cricoide até o esterno e as clavículas (opérculo torácico). Lesões mais graves e maior mortalidade
devido ao acesso cirúrgico mais difícil. Em alguns casos, pode ser necessário associar uma esternotomia para controle e reparo das
lesões.
Zona II: entre a cartilagem cricoide e o ângulo da mandíbula. Local mais comum das lesões e mais acessível cirurgicamente. O
acesso cirúrgico mais fácil, realizado com uma cervicotomia por incisão oblíqua (unilateral) ou em colar (bilateral).
Zona III: acima do ângulo da mandíbula até a base do crânio. Representa a área de maior complexidade anatômica devido ao
arcabouço ósseo que protege as estruturas nervosas e vasculares que ela atravessam. É uma região de difícil acesso cirúrgico e, não
raro, as lesões vasculares são reparadas por meio de radiologia intervencionista.

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2.3 QUADRO CLÍNICO E EXAME FÍSICO


Considerando os ferimentos penetrantes, a frequência de acometimento, em ordem decrescente, é vascular, das vias respiratórias
e esofágica. A sintomatologia apresentada vai depender da estrutura lesada e de sua gravidade. E, dependendo do sinal e/ou sintoma
apresentado, há indicação de exploração cirúrgica imediata para reparo da lesão. Vamos a eles, então:

Lesões vasculares: hematoma (em expansão ou pulsátil), choque, sangramento ativo, sopros e frêmitos, pulsos periféricos diminuídos
ou ausentes, déficit neurológico por lesão vascular (por exemplo, acidente vascular cerebral, hemiplegia).

Lesões laringotraqueais: desconforto respiratório, estridor, enfisema subcutâneo, hemoptise, odinofagia e disfonia/rouquidão.

Lesões faringoesofágicas: disfagia, saliva com sangue, hematêmese e enfisema subcutâneo. Tem alta morbimortalidade pelo risco
de mediastinite.

2.4 TRATAMENTO
Assim como qualquer trauma, o atendimento de uma vítima com um ferimento penetrante no pescoço deve seguir o “ABCDE” da
avaliação primária. Vamos recordar rapidamente o mnemônico “ABCDE” da avaliação primária do ATLS:

MNEMÔNICO DE AVALIAÇÃO INICIAL – ATLS

"A” (AIRWAY) Proteção das vias aéreas + imobilização da coluna cervical

"B"(BREATHING) Respiração e ventilação

"C" (CIRCULATION) CIRCULAÇÃO COM CONTROLE DE HEMORRAGIA

"D" (DISABILITY) Estado neurológico

"E" (EXPOSURE AND


Exposição e controle ambiental (evitando hipotermia)
ENVIRONMENTAL CONTROL)

A: vias aéreas e proteção da coluna cervical. O paciente pode apresentar dificuldade respiratória e/ou hematoma cervical em
expansão, o que requer uma via aérea definitiva, seja com a intubação orotraqueal, cricotireoidostomia, ou até mesmo uma traqueostomia.

Sinais sugestivos de necessidade de via aérea definitiva no trauma cervical

✓ Hematoma volumoso no pescoço (deslocamento e obstrução da via aérea)


✓ Distorção da anatomia cervical (desvio de traqueia)
✓ Hemoptise franca (sangramento das vias aéreas superiores)
✓ Enfisema subcutâneo extenso do pescoço
✓ Sopro ou frêmito
✓ Estridor
✓ Disfagia e odinofagia
✓ Rouquidão

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Então, na suspeita de comprometimento da via aérea, devemos garantir uma via aérea definitiva e um tubo orotraqueal deve ser
introduzido cuidadosamente, preferencialmente sob visão direta, para não exacerbar uma lesão existente. Uma via aérea cirúrgica está
indicada nas seguintes situações:

• Falha de intubação orotraqueal;


• Distorção anatômica das vias aéreas superiores (por exemplo, desvio de traqueia causado por hematoma
cervical volumoso);
• Traumatismo facial extenso com sangramento orofaríngeo importante que impossibilita a aspiração
adequada e visualização das cordas vocais;
• Edema de glote.

Nessas situações, geralmente a via aérea cirúrgica realizada é a cricotireoidostomia, mas, na suspeita de uma lesão de laringe, a via
aérea cirúrgica de escolha é a traqueostomia, porque a cricotireoidostomia pode ser ineficaz. Fratura de laringe é rara, mas pode manifestar-
se como obstrução aguda da via aérea e sangramento maciço da árvore traqueobrônquica. Os sinais clínicos sugestivos de fratura de laringe
são: rouquidão, enfisema subcutâneo e fratura palpável.
Fique atento, pois a última edição do ATLS, 10ª edição, diz que a obstrução total da via aérea ou insuficiência respiratória grave,
decorrentes de trauma de laringe, justificam a tentativa de intubação orotraqueal (que pode ser auxiliada com o uso de um fibroscópio flexível,
se prontamente disponível). E, no insucesso da IOT, a traqueostomia deve ser indicada. MAS, como a traqueostomia é um procedimento mais
demorado, uma cricotireoidostomia cirúrgica, embora não seja a via de escolha, pode ser uma “manobra salvadora de vida”.
Lembre-se de que a cricotireoidostomia está contraindicada em crianças menores de 12 anos, devendo ser realizada uma traqueostomia.

CRICOTIREOIDOSTOMIA TRAQUEOSTOMIA

FRATURA DE LARINGE
Tríade de sinais clínicos: rouquidão, enfisema subcutâneo e fratura palpável
Conduta: Traqueostomia
*ATLS: se houver insuficiência respiratória ou obstrução total da via aérea, pode
ser tentada IOT cuidadosa ou mesmo cricotireoidostomia (procedimentos mais
rápidos).

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B: Ventilação e respiração

Os ferimentos penetrantes cervicais, principalmente os localizados na zona I, podem penetrar na cavidade torácica e causar pneumotórax
e/ou hemotórax. Por isso, é primordial avaliar o padrão ventilatório, a percussão, a ausculta pulmonar e a realização de radiografia de tórax
nos ferimentos penetrantes cervicais.

C: Circulação e controle da hemorragia

Quando há sangramento ativo pelo ferimento cervical, além da reanimação volêmica com solução cristaloide aquecida, através de
acesso venoso periférico calibroso, e transfusão sanguínea (se necessária), a primeira conduta a ser tomada é a compressão direta da ferida,
que geralmente é eficaz no controle da hemorragia, devendo ser mantida até a exploração cirúrgica. A compressão tem melhor resultado nas
lesões vasculares em zona II, por serem mais superficiais e facilmente compressíveis. Se não for possível o controle do sangramento com a
compressão do ferimento, uma estratégia seria inserir um cateter com balão na ferida, como um Fogarty ou uma sonda de Foley, e insuflá-lo
para controlar temporariamente a hemorragia. Essa é uma importante conduta, principalmente em ferimentos na zona I, com provável lesão
dos vasos subclávios que estão localizados na região retroclavicular, local em que não é possível fazer compressão vascular direta.

Não está indicada exploração digital do ferimento de entrada para avaliar sua profundidade.

2.4.1 TRATAMENTO CIRÚRGICO

Se cair trauma cervical em sua prova, há grandes chances de ser sobre as indicações de cervicotomia exploradora. Logo, DECORE o
quadro a seguir!

Antigamente, a indicação cirúrgica baseava-se na penetração do músculo platisma ou na zona cervical atingida, onde todos os ferimentos
em zona II eram operados, o que gerava alto índice de explorações negativas. Hoje, a evidência de hemorragia ativa ou lesão aerodigestiva
óbvia são indicações de exploração cirúrgica imediata. Independentemente da localização anatômica, as lesões estáveis do pescoço podem
ser avaliadas por meio de exames diagnósticos seletivos. Com a disponibilidade de exames complementares que auxiliam no diagnóstico de
lesões vasculares e da via aerodigestiva, houve diminuição das explorações cervicais não terapêuticas.

INDICAÇÕES DE CERVICOTOMIA EXPLORADORA IMEDIATA


1. Instabilidade hemodinâmica
2. Sangramento ativo
3. Hematoma volumoso e/ou pulsátil e/ou em expansão
4. Lesões “óbvias” de via aerodigestiva:
✓Ar borbulhando na ferida ✓Enfisema subcutâneo ou mediastinal
✓Insuficiência respiratória ✓Disfonia/rouquidão/estridor
✓Saída de saliva pelo orifício da lesão ✓Disfagia

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Nas lesões em zona II, o acesso cirúrgico às estruturas do pescoço, a cervicotomia exploradora, pode ser feito por uma incisão oblíqua
ao longo da borda anterior do músculo esternocleidomastóideo ou por uma incisão longitudinal (“em colar”), sendo esta última indicada
quando há necessidade de exploração de ambos os lados do pescoço.

Nas lesões em zona I, com provável traumatismo vascular da abertura superior do tórax, o controle da hemorragia pode ser feito
através de uma simples incisão supraclavicular, uma esternotomia, uma toracotomia ou a combinação delas, dependendo do local e da
extensão da lesão. Pode ser necessária a ressecção da clavícula para controle da hemorragia.

Incisões cervicais.

LESÃO VASCULAR
Lesão da veia jugular interna: se não for possível o reparo primário, pode ser feita ligadura.

Lesão da artéria carótida: se possível, devem ser feitos dissecção e controle proximal e distal da artéria carótida, antes de abordar
o hematoma. Lesões pequenas devem ser reparadas primariamente ou com anastomose terminal. Para lesões maiores, está indicada a
revascularização com uso de enxerto venoso autólogo ou sintético. No cenário de controle de danos, as artérias carótidas comum e interna
podem ser ligadas, embora possa haver comprometimento do fluxo cerebral. A artéria carótida externa pode ser ligada sem grandes
repercussões.

Se o paciente não tiver indicação de exploração cirúrgica imediata, lesões arteriais (principalmente lesões em zona I e III), quando
diagnosticadas pela angiotomografia, podem ser tratadas por arteriografia com embolização ou colocação de stent.

LESÃO ESOFÁGICA
O tratamento da lesão de esôfago consiste em exploração cirúrgica e antibioticoterapia de largo espectro devido ao alto risco de
mediastinite, abscesso e empiema pleural. Na suspeita de lesão de esôfago, está contraindicada a passagem de sonda nasogástrica ou
nasoenteral “às cegas” pelo risco de agravar a lesão. A conduta cirúrgica vai depender da extensão da lesão e do tempo de evolução do
trauma.

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LESÃO ESOFÁGICA
Pouco tempo de evolução (< 12 horas) e lesões pequenas: desbridamento, reparo primário em um ou
dois planos e drenagem ampla. Passar SNE sob visão direta.
Maior tempo de evolução (> 12 horas) e/ou perda tecidual maciça: esofagostomia (desviar as secreções
da orofaringe e prevenir mediastinite) e reconstrução tardia. Associar gastrostomia ou jejunostomia alimentar.

2.4.2 EXAMES COMPLEMENTARES


Nos pacientes sem indicação de cervicotomia exploradora imediata, o exame inicial de escolha é a angiotomografia cervical (angio
TC). Ela funciona como “screening” para investigar lesões vasculares (descreve a anatomia vascular com grande acuidade) e visualizar sinais
sugestivos de lesão da via aérea e digestiva. A ultrassonografia Doppler pode auxiliar na avaliação das artérias carótida e vertebral e no
acompanhamento de pacientes com conduta conservadora. A arteriografia (angiografia) continua sendo o padrão-ouro para o diagnóstico
de uma lesão vascular, com a vantagem de ser diagnóstica e terapêutica para lesões das zonas 1 e 3 (embolização ou colocação de
endoprótese). No entanto, é mais invasiva que a angiotomografia, sendo geralmente realizada se permanecer dúvida diagnóstica ou houver
indicação de tratamento endovascular. Não se esqueça de que para realização de tomografia ou arteriografia é MANDATÓRIA estabilidade
hemodinâmica.

Na tomografia, a presença de ar retrofaríngeo ou pneumomediastino levanta a suspeita de lesão esofágica. Na suspeita de lesão da via
aérea e digestiva, pode ser realizada laringoscopia/broncoscopia e esofagograma baritado/endoscopia digestiva alta (EDA), respectivamente.
Para a avaliação do esôfago, quando o esofagograma e a EDA são realizados isoladamente, podem não detectar um número significativo de
lesões, embora quando juntos a sensibilidade chegue a quase 100%.

Perfuração esofágica: ar peritraqueal e retrofaríngeo. Fonte: acervo pessoal Dra. Renatha Paiva

EXAMES COMPLEMENTARES NO TRAUMA CERVICAL


• Lesão vascular: Angiotomografia / Arteriografia / USG Doppler
• Lesão de laringe: Laringoscopia
• Lesão de traqueia: Broncoscopia
• Lesão de esôfago: EDA + esofagograma

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TRAUMA CERVICAL
PENETRANTE

INSTÁVEL
ESTÁVEL SINAIS DE LESÃO ARTERIAL OU
LESÃO AERODIGESTIVA ÓBVIA

ASSINTOMÁTICO ASSEGURAR VIA AÉREA


COMPRESSÃO LOCAL
EXPLORAÇÃO CERVICAL

ANGIOTOMOGRAFIA

NEGATIVA POSITIVA OU SUSPEITA

OBSERVAÇÃO 24 HORAS LESÃO LESÃO


LESÃO VASCULAR
EXAME CLÍNICO SERIADO LARINGE/TRAQUEIA FARINGE/ESÔFAGO

NASOFARINGOSCOPIA FLEXÍVEL ESOFAGOGRAMA ANGIOGRAFIA


LARINGOSCOPIA BARITADO EMBOLIZAÇÃO
BRONCOSCOPIA ENDOSCOPIA STENT

POSITIVA NEGATIVA

EXPLORAÇÃO E REPARO
OBSERVAR
DA LESÃO

Fonte: Sabiston 20ª ed.

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CAPÍTULO

4.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


1. TOWSEND, Courtney et al. Tratado de Cirurgia – Sabiston 20. Ed. GEN Guanabara Koogan, 2019.
2. AMERICAN COLLEGE OF SURGIONS COMMITTEE ON TRAUMA. Advanced Trauma Life Support - ATLS. 10 ed. 2018.
3. UpToDate:
• Lesões penetrantes no pescoço: avaliação e manejo iniciais.
• Avaliação inicial e tratamento de trauma facial em adultos.
• Fraturas orbitais.

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CAPÍTULO

5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS


Meu querido aluno, como eu disse anteriormente, questões sobre trauma de face e cervical não são muito recorrentes nas provas.
Como são poucas questões, aconselho você a fazer todas elas para fixar bem a matéria. É um ótimo método de estudo.
E se ficar com alguma dúvida, por mais simples que pareça, não hesite em esclarecê-la! Estou a sua disposição para responder qualquer
dúvida sobre as aulas no Fórum de Dúvidas da Estratégia MED.
Bons estudos!!!! E fique com Deus!!!
Abraços,
Renatha Paiva

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