Lúcifer tentava ao máximo manter a sua calma.
Se fazia quase uma semana desde que decidirá cuidar da pequena criatura, mas logo se
arrependendo. A criaturinha com a estatura de uma criança humana de 4 anos, corria pela
sala de trono, tirando toda a paciência de Lúcifer e de Zelnadar.
Ambos sabiam que aquilo nao duraria muito, o tempo no inferno era diferente do mundo
mortal. Em menos de um mês a criança logo estaria grande com o tamanho de uma mortal
de 8 anos. Ao menos era o que esperavam. Mas isso nao significaria que acabaria o
trabalho, apenas reduziria pois ela teria idade o suficiente para entender as coisas.
E sobre seus poderes? Ela ainda nao conseguia controla-los. E resultava em coisas
pegando fogo, vasos e quadros pelo castelo quebrados e a garota sobrevoando por ai
enlouquecendo os servos, que ao menos poderiam reclamar, afinal era vontade de seu
senhor.
Que a propósito, havia se tornado um grande ser sentimental e abobalhado pela pequena.
Reclamava pelos corredores que nao aguentava mais a pequena, que logo a jogaria para
os leões, mas quando não estavam olhando, ele sorria contido ao ver a garota formar
pequenas bolas de fogo e jogar em direção a Zelnadar.
Fazia tudo pela menina, a prova foi quando lhe ofereceram um filhote de leão infernal, para
que fizesse a sua vontade com ele. A pequena instantaneamente se apaixonou pelo
"lezinho" como ela o chamava, Lucifer tentou lhe dizer que não poderia ficar com o animal,
e que daria-o para Zelnadar come-lo. Mas isso fez a criaturinha abrir o berreiro, chorando
escandalosamente fazendo as estruturas do palácio tremerem e as janelas se racharem.
Movido pela vontade da pequena, e pelo medo de seu castelo ir abaixo com o choro alto.
Acabou aceitando o animal, a deixando ficar com ele. Mas batizando-o como protetor e
guardião da menina.
Agora a pequena corria pelo palácio, montada nas costas do leão infernal. O pequeno
animal estava aprendendo a voar, o que resultava em duas pequenas criaturas voando
desembestadas pelo castelo, quebrando tudo que viam pela frente.
Zelnadar apenas ria de seu soberano, lhe relembrando diversas vezes de quando lhe dizia
que nao daria certo. Mas seu sorriso sempre morre quando as duas criaturas correm em
volta de si, atirando bolas de fogo em suas asas, ou subindo em cima de seu pescoço
brincando de pegar.
Era exaustivo, mas havia mudado completamente a vida de ambos. E de todos do castelo.
Sentado no trono vendo a pequena brincar com o leão branco, se perguntava ate quando
teria que aguentar toda essa bagunça. Gostaria de ensina-la logo como deveria se portar,
agir e a usar seus poderes
O poderoso Lucifer mal percebia que aos poucos, seu plano de cria-la como criada pessoal,
iriam por água abaixo. E seu apego pela menina crescia cada dia mais.
Estava distraído em seus pensamentos, que nem notou quando a mesma havia se
aproximado de si, se apoiando em suas pernas.
Quando notou ja era tarde demais, dois demônios cobras entravam na sala do trono.
Encarando perplexos a criatura que estava ao lado de seu senhor.
-Vosssssa Majessstade! Perdoe-me a indelicadeza, masss quem é essta criaturinha
horrenda? - O demônio cobra de olhos cinzas pergunta, sem tirar os olhos da criança.
- Peço que tenha mais respeito pela forma que fala de minha criação. E não lhe perdôo. Da
próxima vez que se referir a ela assim novamente, nao tera somente sua língua e presas
arrancadas como também essas duas nojeiras que você chama de pênis. - Sua postura
sempre ereta, olhos fumegantes se sentindo irritado pela forma que tratavam a pequena.
- Perdoe meu irmão, vossssa magnífitude. Ele ass vezes não sabe o que fala. Apenass
essstavamos surpresos. Não imaginávamos que criaria algo tao.... Intrigante. - O demônio
de olhos vermelhos falava pelo irmão, que se manteve encolhido e calado depois da
ameaça de seu senhor.
- Mas criei, e ela diz respeito somente a mim, e acredito que os sssenhores não tenham
vindo aqui apenas para falar sobre ela certo? - Debochava sutilmente deles, que se
encolhiam envergonhado.
- Hmm não ssenhor, viemos convidá-lo pesssoalmente para o baile infernal. Comemorar
pela colheita anual. Graças ao Senhor conssseguimos. - Lucifer apenas revirou os olhos
ouvindo a bajulação alheia. Suas presas coçavam para sair, estava estressado, a voz fina
arrastada e irritante dos seres a sua frente lhe irritavam.
Mal notou novamente quando sua pequena criação escalou suas pernas torneadas,
sentando em seu colo. Olhou para menina que apenas se aninhou ao seu colo, com as
mãozinhas segurando forte sua blusa.
- Ei pestinha, da última vez que encostou as mãozinhas terríveis na minha blusa ela ficou
com dois buracos enormes. - Sussurrou para a menina que pouco se importou, passando o
rostinho gordinho sobre seu peitoral. Se sentindo segura ali. - Acho que ja terminamos por
aqui, agora se me derem licença, tenho mais coisas a fazer. - Pediu aos dois, que ainda
tagarelavam sobre o maldito baile infernal, apontando em direção a saida da sala.
- Claro meu sssenhor. Com sua licença. - Curvaram-se exageradamente, logo saindo da
sala do trono deixando o soberano a sós com Zelnadar, o pequeno leão branco e sua
criaturinha que estava deitada quase dormindo em seus braços.
O jovem nunca se cansaria de olhar para a pequena, se perguntava em que momento que
deixou ser levado pelo sorrisinho pontudo da menina, ou pela risadinha infantil dela.
- Senhor, a algo que eu venho pensando, mas acho que nunca cheguei a comentar contigo.
- Zelnadar se aproximava do rei infernal, que ainda olhava distraído para a jovem em seu
colo. - Nós, q-quer dizer, vossa excelência nunca disse como iríamos nomear a jovem
criatura. Quer dizer, você nomear. - O dragão dizia nervoso, estranhamente atrapalhado.
Lúcifer olhava para o dragão e retornava o olhar para a menina, tomando coragem de lhe
acolher nos braços sorrindo ainda contido para a menina.
- Eu venho pensando em... Lilith. Não sei a razão, mas me parece agradável.
- Luci. - Balbuciou a pequena, se mexendo confortavelmente sobre o colo do rei.
- C-como? - Lucifer e Zelnadar, olhavam a garota com os olhos arregalados. - Z-zel voce
ouviu isso?
-Ouvi meu senhor, com clareza. - Sorriu leve, achando adorável a cena. O poderoso rei do
inferno, pai da mentira, Belzebu, o grande Lucifer sorrindo abobalhado para uma criaturinha
de meio metro deitada em seu colo.
Pequena Lilith, mal sabiam todos que seu futuro estaria traçado desde então.
O grande soberano estava em seus aposentos, bufando totalmente enfurecido.
Era dia do baile infernal, estava se arrumando no quarto. Desejando que alguma desgraça
aconteça para nao precisar comparecer a tal evento. Sabia que sua presença era
obrigatória por ser rei e governante do inferno, teria que estar ao lado de seus conselheiros
reais e súditos fiéis.
Era nessas horas que detestava ser o rei.
Normalmente adoraria ir a festas, ser bajulado, beber um bom sangue de demônio, e ate
mesmo acabar na cama de alguma demônio morcego que lhe atraia.
Mas agora tinha uma..... Criaturinha para cuidar.
Sabia que tinha a ajuda de seus servos no palácio, mas ele nao confiava muito neles. E
nem a pequena se simpatizava.
Com uma certa excessão de um demônio morcego, na qual a pequena sempre corria
quando Lucifer estava irritado demais com suas travessuras.
Morpheu.
O soberano se perguntava como aconteceu essa aproximação, questionando como a
pequena Lilith se apegou tanto ao criado.
Imaginava que era porque o tal sempre a mimava, talvez ate mais que Lucifer. A dando
doces, ajudando a se alimentar, lhe dando banho e vestindo em roupas lindas que logo
eram sujas pela pequena que vivia se aventurando por ai.
Ainda preso na gravata sem conseguir dar um no descente, ouviu a porta de seu quarto
bater.
Rosnou irritado, brandando ferozmente para a pessoa que estivesse do outro lado entrasse.
Com uma carranca no rosto, viu sua pequena Lilith entrar em seus aposentos sendo
seguida por seu criado, Morpheu.
- LUCI! LUCI! - A menina correu em sua direção agarrando suas pernas.
- Ei sua monstrinha, nao grite. Ainda nao estou surdo. - Deixou a gravata de lado, pegando
a menina no colo, que estava cada vez mais crescida.
- Luci! Lili, moeu aju lili. - A pequena ainda falava pouco, se embolando muitas vezes.
- Morpheu te arrumou? Esta a coisinha mais horrenda do inferno inteiro! - A segurando nos
braços analisou a menina que estava realmente arrumada e limpa.
A garota estava trajando um vestido preto com alguns detalhes em diamante, seus cabelos
ondulados estavam presos no rabo de cavalo enquanto sua franjinha tampava toda sua
testa.
- Esta magnífica! De causar inveja em qualquer Lady infernal. - Sorria abertamente para a
menina que se agitava em seu colo.
Da porta do quarto, Morpheu apenas observava a cena sorrindo de canto de boca. Achava
lindo a forma de seu senhor tratava a pequena.
- Morpheu? Porque ainda nao esta arrumado? - Lúcifer voltou sua atenção para o demônio,
que arregalou os olhos envergonhado.
-P-perdao senhor? Nao vejo necessidade de me arrumar.
- Oras ira assim para o baile infernal? Nao que eu me importe, mas, deveria se vestir de
acordo com um babá real, nao? - Com as sombrancelhas arqueadas, Lucifer perguntava ao
criado o deixando cada vez mais surpreso.
- B-baba real? Senhor eu sou apenas um criado inferior, nao sou digno de ser babá de
vossa pequena Lilith. - De cabeça abaixada e corpo encolhido, dizia Morpheu.
- E claro que é! É o único que consegue lidar com Lilith e o único que ela gosta
verdadeiramente. És mais do que digno de ser baba da minha prin_ de Lilith! - Balançou a
cabeça, quase deixando passar o apelido que havia dado a menina secretamente. - Aliás
irei precisar de ajuda, não poderei ficar sempre de olho nela, Alon é seu guardião mas é
pequeno demais para lidar. Preciso muito de sua ajuda.
-Oh meu senhor, mesmo assim creio que nao poderei ir. Nao tenho roupas apropriadas para
o baile. - Diz envergonhado, evitando olhar para as orbes negras e intimidantes de seu
senhor.
- Nao seja por isso! Irei lhe emprestar uma de minhas roupas. Pode ir lá escolher. - Apontou
para a porta ao lado do banheiro, onde ficava o pequeno quarto onde colocava suas roupas.
- Procure algo que lhe atraia e sirva em ti. Acho que temos a mesma medida. - Colocou a
pequena na cama, desta vez arrumada e nao quebrada. E voltou o olhar para o servo. - Eu
acho que uma das minhas blusas brancas ficaria ótima em você. Aquelas com as mangas
bufantes. E qualquer calça preta combinaria. - Se dirigiu ate suas roupas, procurando as
peças que tanto desejavam.
Depois de finalmente achar, entregou na mao do demônio que ainda estava atônito a tudo
que lhe acontecia.
O jovem rei estava lhe oferecendo suas roupas reais e limpas. Estava sendo gentil consigo.
- Perfeito! Agora trate de se arrumar, falta pouco para o baile infernal começar. - Voltou a
frente do enorme espelho de seu quarto, tentando arrumar a gravata que havia esquecido.
Aéreo a tudo, o criado se encaminhou ao banheiro para finalmente se arrumar.
Devidamente pronto, saiu do banheiro se deparando com a cena cômica.
O grande e temido Lucifer tentando pegar sua gravata de volta enquanto a pequena
segurava com toda a força que tinha a gravata dele.
- Solta Lilith, por mil demonios! Devolva minha gravata sua peste. - A criança ria animada,
achando divertido a careta que o rei lhe direcionava.
- Lilith querida, solta a gravata sim? Temos que sair logo, se nao chegaremos atrasados. -
Morpheu finalmente se pronunciou, chegando perto da menina que prontamente soltou a
gravata.
- Sua demoniazinha. Eu ainda lhe jogo para os leões. - Voltou a sua luta com a gravata.
Bufando como um touro por nao obter sucesso.
-Meu senhor... Gostaria de ajuda? - O demônio se aproximava de seu senhor, temeroso se
estava sendo invasivo demais.
- Por tudo de mais horrendo, eu lhe imploro que sim! - Soltou frustrado a gravata, que foi
agarrado prontamente pelo outro.
Todos devidamente arrumados, seguiram para a carruagem que os aguardava.