Contemporânea
Contemporary Journal
3(11): 20706-20726, 2023
ISSN: 2447-0961
Artigo
A INFLUÊNCIA DAS REDES SOCIAIS NA
AUTOIMAGEM FEMININA: DESVENDANDO
PADRÕES DE BELEZA E SEU PAPEL NO
DESENVOLVIMENTO DO TRANSTORNO
DISMÓRFICO CORPORAL
THE INFLUENCE OF SOCIAL MEDIA ON FEMALE SELF-
IMAGE: UNVEILING BEAUTY STANDARDS AND THEIR
ROLE IN THE DEVELOPMENT OF BODY DYSMORPHIC
DISORDER
DOI: 10.56083/RCV3N11-044
Recebimento do original: 02/10/2023
Aceitação para publicação: 01/11/2023
Andria Vidinha de Paula
Graduanda em Psicologia
Instituição: Centro Universitário Fametro
Endereço: Avenida Constantino Nery, 3470, Chapada, Manaus - AM, CEP: 69010-160
E-mail: vidinhaandria@[Link]
Virgínia Alves de Souza Lopes
Graduanda em Psicologia
Instituição: Centro Universitário Fametro
Endereço: Avenida Constantino Nery, 3470, Chapada, Manaus - AM, CEP: 69010-160
E-mail: virginiaalves1800@[Link]
Wollace Scantbelruy da Rocha
Mestre em Educação
Instituição: Centro Universitário Fametro
Endereço: Avenida Constantino Nery, 3470, Chapada, Manaus - AM, CEP: 69010-160
E-mail: [Link]@[Link]
RESUMO: Este estudo aborda a questão da influência das redes sociais na
construção da autoimagem feminina bem como sua contribuição para o
desenvolvimento do Transtorno Dismórfico Corporal. Tendo como objetivo
geral: investigar o papel das redes sociais na construção da autoimagem
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feminina, examinando de que forma os padrões de beleza veiculados nessas
plataformas afetam a maneira como as mulheres enxergam seus próprios
corpos e como isso pode impactar para o desenvolvimento do Transtorno
Dismórfico Corporal (TDC) em mulheres. E, como objetivos específicos:
apresentar o papel das redes sociais como elementos que moldam a
interação do usuário visando o uso de dados pessoais para publicidade
direcionada; examinar o papel das redes sociais na construção da
autoimagem feminina, investigando como os padrões de beleza veiculados
influenciam a percepção das mulheres sobre seus corpos; e, investigar os
padrões estéticos disseminados pelas redes sociais que podem contribuir
para o desenvolvimento do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) em
mulheres. Metodologicamente, conduzimos uma pesquisa através de uma
abordagem de revisão de literatura. Este estudo visa revisar e explorar
referências teóricas relevantes da área. Entre os resultados, destacamos
que: essas plataformas servem como terreno fértil para interações, formação
de identidades grupais e difusão de ideologias. O uso de algoritmos
impulsiona essa interação e influencia a forma como as pessoas vivenciam a
esfera pública e privada, moldando suas percepções e ações no ambiente
virtual; a urgência de equilibrar o impacto das mídias sociais com o bem-
estar mental e a auto aceitação das mulheres. A colaboração entre áreas
como psicologia, saúde pública e comunicação é fundamental para criar um
ambiente digital mais saudável e compassivo, onde a busca pelo corpo ideal
não seja uma fonte de sofrimento, mas sim um espaço de expressão e
empoderamento individual e se possa promover uma relação positiva com o
corpo e prevenir o desenvolvimento do Transtorno Dismórfico Corporal.
PALAVRAS-CHAVE: Transtorno Dismórfico Corporal, Redes Sociais,
Psicologia, Autoimagem Feminina, Corpo Feminino.
ABSTRACT: This study addresses the issue of the influence of social
networks on the construction of female self-image, as well as their
contribution to the development of Body Dysmorphic Disorder. With the
overall objective of investigating the role of social networks in the
construction of female self-image, examining how beauty standards
propagated on these platforms affect the way women perceive their own
bodies, and how this can impact the development of Body Dysmorphic
Disorder (BDD) in women. The specific objectives are to: present the role of
social networks as elements that shape user interaction, aiming at the use
of personal data for targeted advertising; examine the role of social networks
in the construction of female self-image, investigating how propagated
beauty standards influence women's perception of their bodies; and
investigate the aesthetic patterns disseminated by social networks that may
contribute to the development of Body Dysmorphic Disorder (BDD) in
women. Methodologically, we conducted research through a literature review
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approach. This study aims to review and explore relevant theoretical
references in the field. Among the results, we highlight that these platforms
serve as fertile ground for interactions, formation of group identities, and
dissemination of ideologies. The use of algorithms drives this interaction and
influences how people experience the public and private spheres, shaping
their perceptions and actions in the virtual environment; the urgency to
balance the impact of social media with the mental well-being and self-
acceptance of women. Collaboration between fields such as psychology,
public health, and communication is essential to create a healthier and more
compassionate digital environment, where the pursuit of the ideal body is
not a source of suffering but rather a space for expression and individual
empowerment, and where a positive relationship with the body can be
promoted, thus preventing the development of Body Dysmorphic Disorder.
KEYWORDS: Body Dysmorphic Disorder, Social Networks, Psychology,
Female Self-Image, Female Body.
1. Introdução
No cenário contemporâneo, as redes sociais têm se firmado como
elementos de influência marcante na vida das pessoas, redefinindo a maneira
como interagimos e compartilhamos informações. Essas plataformas se
apresentam como um espaço virtual dinâmico, onde opiniões, sentimentos e
preferências se entrelaçam, construindo uma narrativa coletiva que molda a
identidade individual. A conexão entre gerações é fortalecida mesmo em
tempos de distanciamento social, permitindo a manutenção de laços e a
criação de novas relações. No entanto, o que se desenha nesse tecido digital
vai além das fronteiras do compartilhamento, adentrando uma complexa
interseção entre a esfera pública e privada.
A visibilidade pública das relações é uma das características mais
notáveis nesse ambiente virtual, onde as fronteiras entre o pessoal e o
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público muitas vezes se confundem. A exposição dos relacionamentos nas
plataformas digitais transcende a mera apresentação, tornando-se um meio
instantâneo de torná-los públicos e acessíveis a uma audiência global. Sob
essa perspectiva, o papel das redes sociais vai além do simples
compartilhamento, alcançando a criação e manutenção de laços afetivos e
profissionais, impulsionando a construção de identidades e a disseminação
de ideologias entre grupos específicos.
Por trás dessa dinâmica virtual, um elemento crucial impulsiona e
direciona as experiências dos usuários: os algoritmos. Presentes nas
entranhas das redes sociais, esses algoritmos refinam e personalizam o
conteúdo, moldando o que é apresentado a cada indivíduo com base em seus
interesses e comportamentos. No entanto, essa customização não vem sem
seus dilemas éticos, uma vez que a linha entre a esfera pública e privada é
desafiada, levando-nos a questionar até que ponto nossas ações e interações
são direcionadas e até que ponto são genuínas.
Enquanto as redes sociais se tornam mais profundamente entrelaçadas
com a vida moderna, é crucial não apenas reconhecer seus impactos
positivos, mas também enfrentar os desafios complexos que elas
apresentam. Nesse contexto, um tema de crescente relevância é a influência
dessas plataformas na construção da autoimagem, especialmente entre as
mulheres. A incessante exposição a padrões de beleza veiculados nas redes
sociais tem levado a uma reflexão profunda sobre as implicações disso na
saúde mental, especificamente no contexto do Transtorno Dismórfico
Corporal (TDC). Esta pesquisa se propõe a explorar a complexa interação
entre a cultura contemporânea, a percepção da imagem corporal e a
influência das redes sociais nesse fenômeno, visando uma compreensão mais
abrangente e consciente das implicações dessas interações virtuais.
A abordagem da relação entre as redes sociais, a imagem corporal e o
bem-estar é de extrema importância no campo da psicologia. Isso se deve
ao fato de que as redes sociais se tornaram um cenário fundamental para a
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interação humana na sociedade contemporânea, desempenhando um papel
significativo na formação da identidade pessoal e na construção da
autoimagem. A influência das mídias sociais sobre a percepção da imagem
corporal, especialmente entre jovens e mulheres, pode desencadear
preocupações emocionais, insatisfação e até mesmo transtornos
psicológicos, como o Transtorno Dismórfico Corporal. Portanto, explorar essa
temática permite que os profissionais de psicologia compreendam melhor os
impactos psicológicos das interações virtuais e desenvolvam estratégias de
intervenção que promovam uma relação saudável e positiva com o corpo,
contribuindo para o bem-estar mental e emocional dos indivíduos em um
mundo cada vez mais conectado digitalmente.
Metodologicamente, conduzimos uma pesquisa através de uma
abordagem de revisão de literatura. Este estudo visa revisar e explorar
referências teóricas relevantes da área. Nossa orientação metodológica
segue a abordagem delineada por Fonseca (2002), que propõe a utilização
do método de pesquisa bibliográfica como ponto de partida. Esse método
envolve a coleta de referências teóricas já analisadas e publicadas, seja em
formatos impressos, como livros, ou em plataformas eletrônicas, como
artigos científicos e websites. A pesquisa bibliográfica é uma etapa
fundamental em qualquer empreendimento científico, permitindo ao
pesquisador contextualizar o conhecimento existente sobre o assunto. É
importante ressaltar que algumas investigações científicas se baseiam
exclusivamente na pesquisa bibliográfica, buscando referências teóricas
publicadas com o propósito de adquirir informações ou conhecimentos
prévios relevantes para a abordagem do problema em questão.
Por fim, este estudo tem como objetivo geral: investigar o papel das
redes sociais na construção da autoimagem feminina, examinando de que
forma os padrões de beleza veiculados nessas plataformas afetam a maneira
como as mulheres enxergam seus próprios corpos e como isso pode impactar
para o desenvolvimento do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) em
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mulheres. E, como objetivos específicos: apresentar o papel das redes sociais
como elementos que moldam a interação do usuário visando o uso de dados
pessoais para publicidade direcionada; examinar o papel das redes sociais
na construção da autoimagem feminina, investigando como os padrões de
beleza veiculados influenciam a percepção das mulheres sobre seus corpos;
e, investigar os padrões estéticos disseminados pelas redes sociais que
podem contribuir para o desenvolvimento do Transtorno Dismórfico Corporal
(TDC) em mulheres.
2. O Papel das Redes Sociais como Elementos que Moldam a
Interação do Usuário Visando o Uso de Dados Pessoais para
Publicidade Direcionada
Silva, Costa e Oliveira (2020) discorrem que, integradas ao dia a dia
das pessoas, as plataformas de mídia social emergem como uma ferramenta
fundamental para interação social na sociedade contemporânea. Com
diversas modalidades e sistemas, essas redes proporcionam uma arena para
a expressão de pontos de vista, ideias, manifestações, emoções,
preferências, bem como manifestações pessoais, imagens, vídeos e outros
conteúdos. A ausência de limitações de caracteres e barreiras geográficas
permite que as redes sociais se transformem em um autêntico palco para
narrativas da vida pessoal, resultando na visível manifestação de
subjetividade através de postagens, comentários e compartilhamentos.
Nesse mesmo sentido, Geraldo e Negrisoli (2020) apresentam que as
redes sociais possuem um papel de extrema importância na vida das
pessoas. Com o seu surgimento houve praticidade, comodidade e
reaproximação do vínculo de indivíduos. A população adulta e idosa passou
a se apropriar e aprender a utilizar as tecnologias atuais para se inserirem
nessa era tecnológica, tanto profissionalmente como em suas relações
pessoais. Com isso, se obteve consequências boas e ruins das quais serão
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abordadas na pesquisa em questão. Esses autores acrescentam ainda que
essa era informatizada que estamos situados trouxe tantas possibilidades
para indivíduos nem precisarem se locomover para nada, em que
basicamente tudo pode ser resolvido por aparelhos eletrônicos sem precisar
sair de casa. No momento atual que vivemos de distanciamento social,
trouxe vantagens grandiosas para idosos e pessoas do grupo de risco, o
chamado Delivery. As redes sociais também trouxeram muitos benefícios na
aproximação de vínculos de amigos ou familiares, não precisando perder
contato com o mundo afora, isso ajuda na saúde mental principalmente de
idosos, que normalmente se tornam solitários em suas casas (Geraldo e
Negrisoli, 2020).
Dentro desse contexto, destacamos a questão dos relacionamentos,
que Santos (2022) expõem que o relacionamento entre indivíduos ganha
profundidade quando é manifestado publicamente. No século XX, apresentar
o parceiro aos pais e amigos era o meio de tornar o relacionamento público.
Entretanto, no século XXI, a essência está em exibir o status do
relacionamento em plataformas de redes sociais digitais, proporcionando
uma divulgação instantânea da informação.
De acordo com Musso (2006, p.34), as redes sociais representam os
laços afetivos e as interações profissionais entre seres humanos e seus
grupos de interesses mútuos. Essas plataformas online funcionam como
espaços de trocas mútuas de informações e identificação com várias
referências grupais, o que contribui para a formação de laços ideológicos e
percepções coletivas e individuais.
Telles (2010) destaca que as redes sociais são ambientes destinados a
reunir pessoas e estabelecer uma rede de amizades entre os participantes.
Segundo o autor, as redes sociais proporcionam um ambiente de interação
onde pessoas com afinidades se encontram virtualmente, estabelecendo um
padrão de relacionamento.
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Musso (2006) sustenta que essa abordagem coletiva desempenha um
papel simbólico nas sociedades modernas. A rede tornou-se atrativa,
contribuindo para a renovação buscada nas utopias tecnológicas e ocupando
um lugar central nos novos dispositivos de comunicação. Isso resulta em
mudanças culturais e comportamentais na sociedade, gerando novas
concepções de interação e interpretação da vida.
O conceito de redes sociais vai além da compreensão da internet,
abarcando novas experiências proporcionadas pelos dispositivos de
comunicação, ampliando os limites do espaço virtual. Como exemplo, o
Facebook é apontado como a maior rede social no Brasil, diferenciando-se
por sua capacidade de antecipar tendências e executar estratégias de
maneira eficaz (Grosman, 2010).
As redes sociais influenciam as concepções ideológicas das pessoas ao
facilitar a circulação de informações no espaço virtual. Recuero, (2009)
destaca a inovação do Facebook ao permitir a criação de aplicativos pelos
usuários, personalizando os perfis. A plataforma ganhou popularidade em
diversos países da América Latina, registrando cerca de 360 milhões de
visitas no Brasil.
Van Dijk (1999) explora as limitações das interações sociais no
Facebook, relacionando o conceito com ideologias compartilhadas por grupos
específicos. As ideologias moldam a percepção do grupo e estabelecem uma
base para a ordem social, proporcionando uma compreensão única do
mundo. As redes sociais estimulam novos modos de pensar e agir, refletindo
afinidades e crenças ideológicas.
A estrutura das redes sociais envolve a interação entre atores sociais
por meio de conexões sociais. De acordo com Recuero (2009), uma rede é
uma metáfora para visualizar os padrões de conexão em um grupo social,
refletidos pelas interações entre vários atores. A abordagem das redes
sociais busca compreender a estruturação social, reconhecendo que os
atores sociais estão intrinsecamente conectados.
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É essencial compreender que as redes sociais operam por meio de
algoritmos, conforme ressaltado por Gogoni (2019). Essas instruções e
regras guiam o funcionamento das plataformas, visando aumentar o
engajamento dos usuários e coletar dados para direcionar anúncios. As
empresas usam esses dados como moeda, baseando seu modelo de negócios
na venda de publicidade altamente direcionada. Esse processo de coleta e
utilização de dados influencia a linha tênue entre a esfera pública e privada
(Santos, 2022).
Percebe-se portanto que, a exposição pública de relacionamentos
atingiu uma nova dimensão na era das redes sociais digitais. Essas
plataformas servem como terreno fértil para interações, formação de
identidades grupais e difusão de ideologias. O uso de algoritmos impulsiona
essa interação e influencia a forma como as pessoas vivenciam a esfera
pública e privada, moldando suas percepções e ações no ambiente virtual.
3. O Papel das Redes Sociais na Construção da Autoimagem
Feminina, como os Padrões de Beleza Veiculados Influenciam a
Percepção das Mulheres sobre Seus Corpos
Na sociedade moderna, se apresenta um cenário marcado pela forte
presença das mídias sociais na vida humana, as quais exercem uma
influência significativa na forma como as mulheres percebem seus próprios
corpos. Nesse contexto, torna-se importante investigar a influência das redes
sociais no desenvolvimento do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) e suas
implicações na saúde mental das mulheres.
Lira et al (2017) contextualiza essa questão, destacando que a geração
que nasceu na era digital busca na mídia respostas para suas inquietações
cotidianas e insatisfações. A exposição constante a imagens de corpos
"perfeitos" veiculadas repetidamente leva muitas pessoas a internalizarem
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essa versão irreal como uma representação da realidade, resultando em
frustração e insatisfação quando não conseguem alcançar tal ideal.
O papel das mídias sociais na disseminação de padrões a serem
seguidos é frequentemente apresentado pelos chamados “influenciadores
digitais”, que emergem como protagonistas ao compartilharem suas
experiências e rotinas, influenciando seus seguidores a adotarem
comportamentos e padrões específicos em busca da aparência ideal.
Destaca-se ainda que a mídia não apenas propaga discursos, mas também
se torna um agente que exerce grande influência na construção das
subjetividades individuais (Moreira, 2020).
A relação entre mídia, corpo e saúde é intrincada, como apontado por
Silva (2021). Ela enfatiza que as redes sociais se tornaram uma das
principais formas de interação, levando a uma mudança nos valores da
sociedade e na percepção de si mesmo. A busca por status e pela idealização
de uma "vida perfeita" virtual pode gerar mal-estar psicológico, à medida
que indivíduos se comparam constantemente a outros, muitas vezes
mascarando suas vidas reais para se encaixarem em padrões inatingíveis.
No âmbito da saúde mental, a relação entre mídia e imagem corporal
ganha relevância. Lima e Silva (2021) ressaltam que a exposição contínua a
padrões corporais veiculados pela mídia pode desencadear insatisfação e até
mesmo transtornos alimentares. A família, os profissionais de saúde e a
sociedade têm um papel importante em mitigar esses impactos, atentando
para o uso saudável das tecnologias de comunicação.
Bastos et al (2022) enfatizam a importância de compreender a
acumulação de influências midiáticas e seu papel na determinação de
psicopatologias. A busca incessante pelo padrão de beleza veiculado pela
mídia pode resultar em consequências negativas a curto e longo prazo,
evidenciando a necessidade de análises críticas e ações de prevenção.
A discussão sobre padrões corporais e influência midiática é central no
estudo de Moreira et al (2022). A autora enfoca o aumento do número de
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mulheres insatisfeitas com seus corpos, ressaltando que essa insatisfação
pode ter implicações não apenas emocionais, mas também financeiras,
influenciando o consumo e até mesmo a procura por cirurgias plásticas.
Diante desse contexto, a reflexão crítica sobre a relação entre mídia, corpo
e saúde se torna essencial. A compreensão dos impactos das redes sociais
na percepção da imagem corporal das mulheres e suas consequências para
a saúde mental demanda uma abordagem multidisciplinar e a busca por
estratégias de promoção do bem-estar e da autoaceitação. A sociedade atual
exige um olhar atento e comprometido para lidar com os desafios e
oportunidades que as mídias sociais apresentam.
Destacamos que, a análise das influências midiáticas não pode se
limitarem à esfera individual. Santos e Gonçalves (2020) ressaltam que as
redes sociais têm um papel preponderante na disseminação de padrões de
corpo tanto para o sexo feminino quanto para o masculino. A pressão pela
busca do corpo ideal é manifesta nas práticas cotidianas, desde alimentação
até intervenções cirúrgicas, onde as redes sociais atuam como fontes de
referência para tais comportamentos.
A idealização de um padrão de beleza veiculado pelas redes sociais
pode acarretar em uma comparação incessante e prejudicial. A busca por
aprovação virtual e o cultivo de uma imagem irreal de felicidade podem
resultar em baixa autoestima e ansiedade. A constante exposição nas redes
sociais, envolvendo todos os aspectos da vida, muitas vezes influenciada pela
busca por reconhecimento e seguidores, pode afetar negativamente a saúde
mental e a percepção de si mesmo (Silva, 2021).
Destaca-se ainda que a busca por um ideal de corpo perfeito pode levar
a comportamentos extremos. O consumo impulsionado por influenciadores
digitais, aliado à obsessão por atingir o padrão desejado, pode ter impactos
financeiros significativos. O crescente mercado de cirurgias estéticas é um
reflexo dessa busca desenfreada pelo corpo ideal, muitas vezes promovida e
justificada pelas mídias (Moreira, et al 2022).
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Diante desse quadro, Lima e Silva (2021) apontam para uma
esperança realista. A família, os profissionais de saúde e a sociedade têm um
papel ativo em reconhecer e contrapor as influências negativas das mídias
sociais. A promoção de uma abordagem saudável e realista da imagem
corporal, aliada ao acesso a profissionais qualificados, pode ser um caminho
importante para mitigar os efeitos prejudiciais da busca pelo corpo perfeito
veiculado pelas redes sociais.
Nesse contexto, a compreensão crítica da relação entre mídia e
Transtorno Dismórfico Corporal é essencial para desenvolver estratégias de
intervenção e prevenção. A análise de estudos recentes, como os abordados
neste estudo, nos alerta para a urgência de equilibrar o impacto das mídias
sociais com o bem-estar mental e a autoaceitação das mulheres. A
colaboração entre áreas como psicologia, saúde pública e comunicação é
fundamental para criar um ambiente digital mais saudável e compassivo,
onde a busca pelo corpo ideal não seja uma fonte de sofrimento, mas sim
um espaço de expressão e empoderamento individual.
4. Redes Sociais e Imagem Corporal: Explorando a
Complexidade do Transtorno Dismórfico Corporal
O presente estudo aborda a influência das redes sociais no Transtorno
Dismórfico Corporal (TDC) em mulheres, explorando a interação complexa
entre a cultura contemporânea, a percepção da imagem corporal e a busca
por padrões estéticos. A análise abrangente destes elementos revela como
as redes sociais intensificam a insatisfação e as obsessões relacionadas à
aparência, especialmente durante a adolescência, contribuindo para a
compreensão mais substancial desse fenômeno complexo.
Segundo Santos (2019) a expansão do capital e a fluidez das fronteiras
estatais impulsionam não apenas o cenário econômico, mas também
reconfiguram as identidades sociais e pessoais, influenciando diretamente a
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imagem corporal. Nesse contexto, a mídia emerge como produtora de
identidades temporárias, propagando discursos que direcionam práticas e
consumo, conferindo valor identitário aos produtos. Este autor acrescenta
ainda que a cultura do consumo se estende ao corpo, transformando-o em
um símbolo do mercado e glorificando uma imagem superficial (Santos,
2019).
Para Bittar e Soares (2020) a sociedade contemporânea, caracterizada
por desigualdades e padrões culturais influentes, impulsiona a busca por um
"corpo perfeito", moldando a percepção da imagem corporal especialmente
entre os jovens. A interação complexa entre fatores individuais, sociais e
culturais converge para a formação da imagem corporal, evidenciando a
necessidade de uma compreensão holística para enfrentar o Transtorno
Dismórfico Corporal.
Na adolescência, as transformações físicas e sociais exacerbam a
vulnerabilidade dos jovens à pressão da indústria cultural, que promove
padrões inatingíveis de perfeição corporal, gerando angústia e sofrimento. A
relação entre o indivíduo e a sociedade é evidente no comportamento
alimentar, onde escolhas são moldadas pelo contexto cultural e influência
midiática (Bittar; Soares, 2020).
A interseção entre a sociedade contemporânea e a percepção da
imagem corporal é mais evidente na adolescência, uma fase marcada por
transformações físicas e sociais intensas (Bittar; Soares, 2020).
A constante exposição a imagens idealizadas nas redes sociais amplia
o Transtorno Dismórfico Corporal, resultando em um ciclo de insatisfação e
busca contínua por intervenções estéticas. Essas plataformas
contemporâneas desempenham um papel fundamental na formação da
percepção da imagem corporal, proporcionando um ambiente propício para
comparações incessantes e validação externa. Nesse contexto virtual, a
exposição repetida aos padrões idealizados está associada ao surgimento do
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Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), intensificando a insatisfação e
alimentando obsessões ligadas à aparência. (Lemes, et al., 2018).
De acordo com Kataoka et al., (2023). O TDC, exacerbado pela
influência das redes sociais, estimula a busca por procedimentos estéticos,
alimentando uma cultura de consumo direcionada à transformação corporal.
Indivíduos buscam alívio para a dor psíquica ao submeter-se a cirurgias
plásticas que transcendem a esfera estética, refletindo a relação complexa
entre a mente e o corpo. Afirmam ainda que essa busca por intervenções
cirúrgicas suscita questões éticas, pois revela uma dinâmica delicada entre
prestadores de serviços e clientes, destacando a importância de uma
abordagem sensível e consciente por parte dos profissionais de saúde. A
relação médico-paciente é crucial na prevenção e tratamento do TDC, pois
requer um olhar atento e ético para além dos aspectos meramente físicos
(Kataoka et al., 2023).
Nesse contexto, a influência das redes sociais e da cultura
contemporânea na formação da imagem corporal é essencial para promover
uma relação saudável com o corpo e prevenir o desenvolvimento do
Transtorno Dismórfico Corporal em mulheres. A interação entre o indivíduo,
a sociedade, a mídia e os profissionais de saúde desempenha um papel
fundamental na construção da percepção da imagem corporal, sendo
necessário um enfoque ético e consciente para enfrentar esse desafio
complexo (Kataoka et al., 2023).
A influência da mídia na formação da imagem corporal é refletida na
busca por procedimentos cirúrgicos como uma solução para as angústias
psicológicas, reforçando a importância da relação médico-paciente como um
espaço de cuidado ético e emocional (Kataoka et al., 2023). A pressão do
consumismo e a disponibilidade de procedimentos cirúrgicos aumentam a
obsessão por mudanças corporais, mas também destacam a necessidade de
abordagens sensíveis e conscientes na área da saúde (Kataoka et al., 2023).
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Lemes et al., (2018) argumenta que em um mundo cada vez mais
conectado, as redes sociais perpetuam ideais de beleza inatingíveis e
exacerbam a insatisfação corporal entre as mulheres. O impacto das redes
sociais na percepção da imagem corporal destaca a importância de
abordagens preventivas e educativas, tanto por parte dos profissionais de
saúde quanto da sociedade em geral (Lemes et al., 2018).
Kataoka et al., (2023) apresenta que a relação complexa entre a
cultura contemporânea, as redes sociais e a imagem corporal exige uma
reflexão profunda sobre a saúde mental e o bem-estar das mulheres. A
prevenção e o tratamento do Transtorno Dismórfico Corporal requerem não
apenas uma abordagem individual, mas também uma análise crítica das
influências sociais e culturais que moldam a percepção da imagem corporal.
Somente por meio de uma abordagem abrangente e consciente poderemos
enfrentar esse desafio complexo e fomentar uma relação mais saudável e
positiva com o corpo, principalmente entre as mulheres na sociedade
contemporânea.
Segundo Bittar e Soares (2020), a percepção da imagem corporal é
moldada não apenas por fatores pessoais, mas também por influências
externas que muitas vezes transcendem o controle individual O processo de
formação da imagem corporal, influenciado pelas redes sociais e cultura
contemporânea, torna-se ainda mais complexo na adolescência, período
marcado por mudanças físicas e psicossociais significativas. Afirmam ainda
que a busca por aceitação e encaixe social torna os jovens particularmente
suscetíveis à influência dos padrões estéticos difundidos pela mídia e pelas
redes sociais (Bittar & Soares, 2020). A consciência desse contexto é crucial
para abordar o Transtorno Dismórfico Corporal de maneira abrangente e
eficaz.
Santos (2019) argumenta que o poder da cultura do consumo e das
redes sociais na modelagem da percepção da imagem corporal não deve ser
subestimado. O culto ao corpo e a busca pela conformidade com padrões
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irreais levam muitas mulheres a procurar intervenções cirúrgicas como uma
solução para a insatisfação (Kataoka et al., 2023). No entanto, é
fundamental abordar a complexidade desse fenômeno não apenas por meio
de procedimentos médicos, mas também por meio de uma transformação
cultural e social mais ampla.
Percebe-se portanto que, em um cenário global cada vez mais
conectado, a influência das redes sociais na imagem corporal das mulheres
se torna um tema de relevância crescente. A abordagem holística deste
estudo evidencia a necessidade de uma conscientização ampla, envolvendo
profissionais de saúde, educação e mídia, a fim de promover uma relação
positiva com o corpo e prevenir o desenvolvimento do Transtorno Dismórfico
Corporal. O entendimento da dinâmica entre cultura, redes sociais e
percepção da imagem corporal lança luz sobre estratégias eficazes para
abordar esse desafio de saúde mental.
5. Considerações Finais
As redes sociais exercem um papel relevante na vida contemporânea,
moldando a interação dos usuários por meio do uso estratégico de dados
pessoais para publicidade segmentada. Integradas ao cotidiano, essas
plataformas proporcionam uma arena para a expressão de opiniões,
emoções e preferências, configurando-se como palcos virtuais para
narrativas pessoais. Além disso, tais redes fortalecem vínculos entre
diferentes gerações, contribuindo para a proximidade mesmo em situações
de distanciamento social. A visibilidade pública das relações é uma
característica marcante no ambiente virtual, sendo que a exposição do
relacionamento em plataformas digitais se tornou uma forma instantânea de
torná-lo público. Redes sociais como o Facebook desempenham um papel
fundamental na formação de laços afetivos e profissionais, influenciando a
percepção da identidade e compartilhando ideologias entre grupos
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específicos. Além disso, a presença de algoritmos nessas redes impacta
diretamente na interação dos usuários, desafiando a fronteira entre as
esferas pública e privada e modelando a experiência virtual de maneira
direcionada. Percebe-se que as redes sociais se tornaram uma parte
integrante da vida moderna, afetando interações sociais e a construção da
identidade pessoal.
A influência das redes sociais na formação da autoimagem feminina e
sua relação com os padrões de beleza são temas de destaque na sociedade
moderna. A presença constante das mídias sociais impacta a percepção do
próprio corpo pelas mulheres. O estudo investiga a ligação entre as redes
sociais e o Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), examinando como a
exposição a imagens de corpos "perfeitos" pode levar à internalização desses
ideais irreais. Os influenciadores digitais desempenham um papel
fundamental na propagação desses padrões, influenciando comportamentos
e alimentando a busca pela aparência ideal. A constante comparação e busca
por validação nas redes sociais podem gerar insatisfação e mal-estar
psicológico, com implicações na saúde mental. A relação entre mídia, corpo
e saúde é complexa, demandando uma abordagem multidisciplinar. A
reflexão crítica sobre essa dinâmica é crucial para promover uma imagem
corporal saudável e prevenir os impactos negativos. A colaboração entre
profissionais de diferentes áreas é fundamental para enfrentar os desafios e
oportunidades apresentados pelas mídias sociais, visando um ambiente
digital mais positivo e empoderador.
Este estudo explora como as redes sociais impactam o Transtorno
Dismórfico Corporal (TDC) em mulheres, destacando a complexa interação
entre cultura contemporânea, percepção da imagem corporal e busca por
padrões estéticos. A análise revela como as redes sociais intensificam a
insatisfação e obsessões com a aparência, especialmente durante a
adolescência. A cultura do consumo e a mídia moldam identidades
temporárias, atribuindo valor a produtos e à imagem corporal. O cenário
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contemporâneo influencia diretamente a percepção da imagem, levando à
busca por um "corpo perfeito" entre os jovens. A constante exposição a
padrões ideais nas redes sociais contribui para a ampliação do TDC. O ciclo
de insatisfação é alimentado pela pressão da indústria cultural, ampliando o
desejo por intervenções estéticas. A relação entre a sociedade, mídia e
profissionais de saúde desempenha um papel crucial na prevenção e
tratamento do TDC. O estudo ressalta a importância de uma abordagem ética
e consciente na compreensão e enfrentamento desse fenômeno complexo.
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