Formação do Estado
Diz-se que faz parte da natureza humana associar-se com outras pessoas, semelhantes a si, e,
aos poucos, assim, formar uma sociedade. Conforme vai aumentando o agrupamento, por conta
da própria natureza humana, surgem necessidades de criação de regras e líderes, a fim de que
as pessoas possam se organizar.
Conforme o crescimento do grupo, as relações interpessoais entre os integrantes vão ficando
mais complexas, de forma que as regras e a forma de liderança vão ficando mais abrangentes
também.
Existem numerosas teorias que tentam explicar a origem do Estado, mas duas teorias principais
para explicação da origem da sociedade:
(i) teoria natural; e
(ii) teoria contratual.
Teoria natural
Segundo esta teoria, também chamada de não contratualista, a sociedade surge de forma
espontânea, atendendo as necessidades do impulso associativo natural do homem. Para esta
corrente, a existência da organização humana em sociedade se dá de forma amplamente
independente à formação do Estado em si.
O maior precursor desta teoria foi Aristóteles, o qual afirmou que “o homem é, por natureza, um
animal social.” Por natureza, e não por mero acidente, o homem deve associar-se a outros de
sua mesma espécie. Afirmou também que “o homem é um animal político”, ou seja, além de
associar-se a outros de mesma espécie, deve travar relações e trocas com eles, organizando-se
entre si.
O homem se diferencia dos outros animais em razão do raciocínio e dos diferenciais meios de
comunicação que pôde desenvolver (a fala, a escrita e a arte, por exemplo). Por estes motivos, é
capaz de organizar-se em uma sociedade complexa, de forma que confluem para a mesma
finalidade: a sobrevivência e coexistência de forma mais harmônica possível.
Teoria contratual
Segundo esta teoria, os homens têm uma vontade primária de se associar, mas o fazem através
de um contrato social. Assim, a existência da organização humana em sociedade se daria de
maneira ligada à formação do próprio ente-Estatal. Não surge naturalmente a sociedade, pois
que, naturalmente, haveria desordem e caos. Seria necessário, então, um acordo de vontade
entre as partes decorrente da necessidade de estabelecer regras explícitas entre os indivíduos.
Assim, nas palavras de Luciano Robinson Calegari “a criação do Estado teria sido motivada por
fatores outros que não a necessidade de convivência dos homens entre si, pois esta existia
previamente; mas sim, a complexidade crescente das relações sociais, bem como dos conflitos
de interesses que eclodiam no seio da sociedade que, desse modo, ameaçavam a paz social.”
Esta teoria segue o principio de que o homem é mau por natureza e, para que ele não exerça
esta maldade em detrimento de outros homens, seria necessário que se firmasse um contrato, o
qual estipula punições caso o homem cometa as maldades que são inerentes à sua natureza.
A partir deste contrato, a sociedade se desenvolve com saúde e organização ao passo que o
homem tem medo das punições previstas no contrato e o respeita por isso.
Hobbes (1588-1679) acreditava que o contrato foi feito porque o homem é o lobo do próprio
homem. Há no homem um desejo de destruição e de manter o domínio sobre o seu semelhante
(competição constante, estado de guerra). Por isso, torna-se necessário existir um poder que
esteja acima das pessoas individualmente para que o estado de guerra seja controlado, isto é,
para que o instinto destrutivo do homem seja dominado. Neste sentido, o Estado surge como
forma de controlar os "instintos de lobo" que existem no ser humano e, assim, garantir a
preservação da vida das pessoas. Para que isso aconteça, é necessário que o soberano tenha
amplos poderes sobre os súditos. Os cidadãos devem transferir o seu poder ao governante, que
irá agir como soberano absoluto a fim de manter a ordem.[2]
Resumo
Como fechamento, resumiremos as duas teorias de formação do Estado vistas:
a) Teoria Natural: o Estado formou-se espontaneamente, e não impulsionado por ato voluntário
humano.
b) Teoria Contratual: o Estado foi criado pela manifestação volitiva humana, a qual se deu
incentivada pelas naturais dificuldades advindas da convivência social, pela complexidade das
relações, pelos problemas organizacionais e pelos conflitos de interesses humanos surgidos
espontaneamente ao longo do tempo.
Sociedade
Para que possamos entender o que deu origem ao Estado, precisamos ter em mente um
conceito moderno de “Sociedade”. Trata-se da esfera das relações entre indivíduos (ou grupos
de indivíduos, comunidades) que se desenvolvem à margem das relações de Poder que
caracterizam as instituições Estatais.
Desvinculando-nos das teorias antigas sobre o que levou o homem a se reunir, concentramo-nos
em quais são os elementos da sociedade contemporânea:
Organização
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Reiteração/repetição - A sociedade vai se organizado ao longo do tempo, pelo qual ocorrem
adequações, adaptações, estudos e entendimentos que levam à sua posterior firmação. Ficará,
desta maneira, em processo de ordem até que se firme e se consolide esta organização,
estabilizando-se e entrando em equilíbrio então a sociedade. Ela deve certamente ser
reconhecida como organizada a certo ponto, e, para isto, é necessário que as relações sociais
sejam contínuas e reiteradas.
Ordem – A reiteração de condutas das sociedades deve ser ordenada para que não fuja do
controle, caindo-se em estado de caos. De novo, para se perceber a ordem de uma sociedade, é
necessário que suas relações sejam contínuas e reiteradas.
Quando organizada, então, podemos ter noção do tamanho e expressão da sociedade,
identificando elementos de sua cultura, de seus costumes e de sua política.
Adequação – O movimento ordenado e reiterado da sociedade deve ser adequado, ou seja,
deve andar em sentido que esteja de acordo com a ideologia, cultura e necessidades daquela
sociedade específica; as movimentações políticas e sociais devem ser condizentes com as
peculiaridades da sociedade. Em outras palavras, devem estar em harmonia e funcionamento
complementar com sua cultura, sua história, seus costumes e suas tendências.
Finalidade Social
A finalidade social tem relação com a “adequação”: trata-se da obtenção do bem comum, o bem
maior.
Quer dizer que a finalidade da sociedade é que todas as condições de vida social permitam e
favoreçam o desenvolvimento integral e saudável da personalidade humana, buscando e
esforçando-se conjuntamente pela criação de condições que permitam a cada homem e a cada
grupo social a consecução de seus fins particulares harmoniosamente, em um ciclo de mútuo
auxílio generalizado.
Desta forma, na sociedade, os indivíduos devem trabalhar para o crescimento de seus
semelhantes. Um deve viver pelo outro reciprocamente, objetivando atender à representação e à
plenitude da maioria.
Poder Social
Retomamos: a reunião de indivíduos em sociedade implica dificuldades naturais de convivência,
complexidade das relações, problemas organizacionais e conflitos de interesses humanos. Assim
sendo, para que a organização da sociedade se efetive e que a finalidade social se observe,
como já vimos, deve haver um Poder Regente a regulamentar as atividades exercidas pelo povo
que compõe sociedade, ou seja, deve haver aqueles que exercem e direcionam os "movimentos"
reiterados de estruturação organizacional, e aqueles, por sua vez, que são destinatários destes
movimentos.
Assim a sociedade poderá se firmar, de fato, como “corpo orgânico, estruturado, de indivíduos
que vivem sob determinado sistema econômico de produção, distribuição e consumo, sob um
dado regime político, e obedientes a normas, leis e instituições necessárias à reprodução da
sociedade como um todo.”
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